Skip to main content

Sangue Bom Contra a Homofobia - FANZINE

Page 1

SANGUE BOM CONTRA

A HOMOFOBIA

PESSOAS MORREM ESPERANDO SANGUE

PRECONCEITO MATA


Sou homossexual e tenho uma relação estável há quase 10 anos. Uma relação monogâmica e sempre usamos camisinha. Não posso doar sangue porque consideram que eu tenho um comportamento de risco”.

Em sua portaria nº 158, de 04 de fevereiro de 2016, o Ministério da Saúde adverte: Art. 64. Considerar-se-á inapto temporário por 12 (doze) meses o candidato que tenha sido exposto a qualquer uma das situações abaixo: I – que tenha feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas ou seus respectivos parceiros sexuais; II – que tenha feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos ou seus respectivos parceiros sexuais; III – que tenha sido vítima de violência sexual ou seus respectivos parceiros sexuais; IV – homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes;


Eu me previno, não uso drogas injetáveis e mesmo assim, as leis do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde dizem que sou inapto para doar sangue. Porque sou gay.

V – que tenha tido relação sexual com pessoa portadora de infecção pelo HIV, hepatite B, hepatite C ou outra infecção de transmissão sexual e sanguínea; VI – que tenha vivido situação de encarceramento ou de confinamento obrigatório não domiciliar superior a 72 (setenta e duas) horas, durante os últimos 12 (doze) meses, ou os parceiros sexuais dessas pessoas; VII – que tenha feito “piercing”, tatuagem ou maquiagem definitiva, sem condições de avaliação quanto à segurança do procedimento realizado; VIII – que seja parceiro sexual de pacientes em programa de terapia renal substitutiva e de pacientes com história de transfusão de componentes sanguíneos ou derivados; e IX – que teve acidente com material biológico e em consequência apresentou contato de mucosa e/ou pele não íntegra com o referido material biológico.


Meu tio morreu porque, quando ele estava doente, só conseguimos mobilizar os amigos mais próximos. E todos eram gays!

O artigo 64 da portaria nº 158 (de 04 de fevereiro de 2016) do Ministério da Saúde considera “inapto temporário”, por 12 meses, o homem que teve relações sexuais com outro(s) homem(-ns), assim como sua(s) parceira(s) sexual(-is). Nesse grande grupo, estão excluídos todos os homossexuais que tenham tido vida sexual minimamente ativa. Vamos dizer, os que transaram com um, dois ou três caras ao longo de um ano... Preconceituosa, essa regra reativa o conceito de “grupo de risco”, já ultrapassado e discriminatório.


Devemos mentir na entrevista de triagem para podermos doar sangue?

Essa lei impede que, em todos os anos, cerca de 19 milhões de litros de sangue sejam doados para quem precisa. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde afirma que a orientação sexual não deveria servir como critério para seleção de doadores de sangue. No início de junho, o Supremo Tribunal Federal deu 10 dias para o Ministério da Saúde e a Anvisa se explicarem e outros cinco para a Advocacia Geral da União e a Procuradoria Geral da República se manifestarem sobre o caso. O tempo está passando. E enquanto isso, as pessoas morrem esperando sangue. Até quando a homofobia institucional será princípio para nortear política pública?


Apenas uma bolsa de sangue (entre 410 ml ou 450 ml) pode salvar até quatro vidas. Pois é, dependendo da necessidade do paciente, o sangue vindo de uma única doação pode ajudar a devolver a saúde de quatro pessoas que estão nos leitos dos hospitais, aguardando esse gesto de solidariedade. Segundo o HEMOCE – Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará menos de 2% da população do Ceará doa sangue. Aproveitando que temos essa demanda tão acentuada e que as doações são abaixo do esperado, bem que o Ministério da Saúde poderia reavaliar sua postura e considerar a possibilidade de se analisar para doação o sangue dos homens que transaram com outros homens.

No sábado que vem, 02 de julho, às 14h, iremos até o HEMOCE doar sangue. Nós – comunidade LGBT – iremos em massa chegar no hemocentro com toda nossa generosidade e nossa atitude e oferecer nosso sangue pra quem precisa! “Um ato de Amor”, como diz o próprio lema do HEMOCE... Nossa intenção é reunir a maior quantidade possível de doadore(a)s LGBTs e ver de perto como será o acolhimento de nosso sangue.

どうぞ


Porque... vai que eles se preveniram e usaram camisinha! Vai que eles não se infectaram com vírus algum! Vai que cada um deles salvem DE FATO quatro vidas! Vai que esses homens que transaram com outros homens tenham seu sangue analisado e, ao doá-lo, façam com que o indicador no Ceará suba pra 3% e alcance a meta do estado! Vai que a comunidade LGBT, satisfeita com essa mudança de postura, resolva abraçar uma campanha MEGA BAPHO, LYNDA e BABADEIRA pra doação de sangue em todo o país! Vai que seria uma campanha DESTRUIDORA mesmo. Vai que...

Não só vamos “ver”, mas também registrar tudo em vídeo e documentar os atendimentos. Nossa intenção é preparar um minidocumentário problematizando essa questão, bem como os próximos encaminhamentos depois de findar o prazo dado pelo STF ao Ministério da Saúde. Portanto, você que está lendo este fanzine é mais que bem-vindo para reforçar nossa chegada no HEMOCE. Convide seus amigos e familiares e vamos doar nosso SANGUE BOM CONTRA A HOMOFOBIA. [endereço do HEMOCE: Av. José Bastos, 3390 - Rodolfo Teófilo]

ありがとう


euq ies óS edadilauxessomoh .utisixe acnun ,etsixe oãn adatlov - edadilauxes etsixE ed reuqlauq otejbo mu arap ret oãn uo edop euQ .ojesed é ossi e ,laugi ailátineg animreted oãn saM .ehlated ed uarg ronem uo roiam .edadirgetni uo larom odnanreF oiaC uerbA

Junho/2016 - Fortaleza/CE

Para ler juntinhos no espelho

/raizceara /coletivobemviver coletivobemviver@gmail.com


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Sangue Bom Contra a Homofobia - FANZINE by Rodrigo de Oliveira - Issuu