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Revista LEISH - Mecanismos de Agressão e Defesa 2.2020 UNA Guajajaras

Page 1

A3 -2. 2020

Mecanismos de agressão e defesa

L E I S H

Prevenção Patogênese Diagnóstico Tratamento Transmissão Epidemiologia Agente etiológico


LEISHMANIA E LEISHMANIOSE

Unidade curricular mecanismos de agressão e defesa 2020 Produção Amanda Pezzini Martins Ádamo Gori Bedete Ana Cláudia Ramos Corsino Ana Luíza Teixeira de Oliveira Helena cristina dos Anjos Martins Letícia Santana Delanocci do Carmo Lívia Vitória de Aguiar Oliveira Marina Oliveira Cardoso Quézia Emanuelle Ferreira Rocha Samara Santana Peixoto. Orientadoras Aline Aparecida Silva Martins Fernanda Meneghello Delvivo Lívia das Graças Amaral Avelar Design Amanda Pezzini Marketing Gerald Chan gerald@atticmag.com

Vídeo informativo produzido pelo grupo


LEISHMANIOSE VISCERAL E TEGUMENTAR A Leishmaniose é uma doença infecciosa grave, causada pelo protozoário intracelular obrigatório, do gênero leishmania. Essa doença não ataca somente os cães, mas, também os seres humanos. Existem dois tipos de Leishmaniose, a visceral e a tegumentar. LEISHMANIOSE VISCERAL A Leishmaniose visceral afeta os órgãos internos, como o baço, fígado e a medula óssea. Tendo como sintomas a febre, tosse, dor no abdominal, anemia, perda de peso, diarreia, fraqueza, aumento do fígado e do baço, além de inchaço nos linfonodos. Se os sintomas não forem tratados, a doença poderá evoluir e em casos mais graves levar o paciente a óbito.

LEISHMANIOSE TEGUMENTAR A Leishmaniose Tegumentar, se trata de uma doença infecciosa não contagiosa, que provoca úlceras ou feridas na pele e/ou mucosas principalmente nas regiões superiores. Existem algumas diferenças nos tipos de lesões apresentadas pelas 3 principais formas de Leishmaniose: Leishmania (Leishmania) amazonensis: lesões nodulares que apresentam muitos macrófagos e por consequência maior quantidade de parasitas. L. (Viannia) guyanensis: lesões ulcerativas com presença de exsudato, que é um líquido que advém das feridas, por conta disso essas lesões são conhecidas como “úlceras que choram”. Apresentam poucos macrófagos, mas muito linfócitos. L. (Viannia) braziliensis: provoca a Leishmaniose muco-cutânea, a metástase da região oral e nasal, podendo provocar a destruição da região septo-nasal e palato.


AGENTE ETIOLÓGICO PROTOZOÁRIO O agente etiológico (agente causador) da doença Leishmaniose visceral, também conhecida como Varíola Canina, é um protozoário dimórfico, com dois estágios morfológicos, da família Trypanosomatidae, do complexo Leishmania donovani. Esses dois estágios são diferenciados principalmente pelo comprimento e fixação do flagelo e sua posição. A forma amastigota (leishmanial) é a morfologia comum durante o estágio intracelular do ciclo de vida no hospedeiro mamífero. Seu formato é ovóide e seu tamanho varia de acordo com a espécie, ficando entre 1,5 - 3 e 3 - 5,5 micrômetros. O flagelo é curto e se projeta pouco da bolsa flagelar. Infecta células do sistema mononuclear fagocítico: macrófagos, neutrófilos, células dendríticas. E sua reprodução é por fissão binária comum. A forma promastigota (leptomonadal) é a morfologia comum no trato intestinal do inseto vetor. O flagelo fica a frente do núcleo e não é fixado ao corpo basal. E sua reprodução é por fissão binária no inseto vetor. O ciclo de vida deste parasita é heteroxênico, ou seja, possui dois tipos de hospedeiros para completar seu ciclo evolutivo, um hospedeiro invertebrado e um vertebrado.


PATOGÊNESE LEISHMANIOSE TEGUMENTAR Os sintomas da Leishmaniose Tegumentar (LT) são lesões na pele e/ou mucosas. As lesões de pele podem ser única, múltiplas, disseminada ou difusa. Elas apresentam aspecto de úlceras, com bordas elevadas e fundo granuloso, geralmente indolor. As lesões mucosas são mais frequentes no nariz, boca e garganta.

LEISHMANIOSE VISCERAL A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença infecciosa sistêmica. Os principais sintomas da doença são: febre de longa duração; aumento do fígado e baço; perda de peso; fraqueza; redução da força muscular; anemia.


EPIDEMIOLOGIA A Leishmaniose possui uma diversidade na evolução das suas parasitoses de acordo com a região e fatores sócio-culturais em que ela está se desenvolvendo, Contudo ela gera diversos padrões epidemiológicos, impossibilitando o estabelecimento de padrões epidemiológicos e ecológicos para todas as regiões e dificultando as medidas no controle da doença. O setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da saúde (MS), fez uma análise na situação da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) e da Leishmaniose Visceral Americana (LVA) por regiões Brasileiras e suas ações de controle. Pôde-se observar que dentre os coeficientes de detecção de LTA, a região que mais se destacou foi o Norte com 34,9% do total de casos, assim tendo um alto risco da população adoecer, que seria cinco vezes a média nacional. A leishmaniose tegumentar americana (LTA) se distribui por todo continente americano, desde os Estados Unidos até a Argentina. Mesmo sendo uma doença endêmica em diversas regiões do continente Americano, a sua prevalência não se encontra estabelecida, devido a vários fatores, como: diferenciações nos diagnósticos, sub-registros dos dados,a variabilidade nas respostas dos hospedeiros dos agentes etiológicos envolvidos. Nas Américas, são reconhecidas até o momento 12 espécies de Leishmania causadoras de doença humana, sendo 7 delas já identificadas no Brasil.

2006


TRANSMISSÃO Os vetores da Leishmaniose Tegumentar (LT) e da Leishmaniose Viceral (LV) são os mosquito palha. A transmissão ocorre pela picada de fêmeas infectadas desses insetos. São considerados reservatórios da LT as espécies de animais que garantam a circulação de leishmanias na natureza, dentro de um recorte de tempo e espaço. Infecções por leishmanias que causam a LT foram descritas em várias espécies de animais silvestres, sinantrópicos e domésticos (canídeos, felídeos e equídeos).


VETOR DE TRANSMISSÃO MOSQUITO PALHA A Leishmaniose visceral tem como principais vetores de transmissão os flebotomíneos fêmea, pertencentes à família Psychodidae, vulgarmente chamados de mosquito-palha. São pequenos insetos de 1 a 3 mm de comprimento, de coloração palha e reconhecidos pelo seu comportamento de voar em pequenos saltos e pousar com as asas entreabertas. São insetos com hábito noturno e comuns em períodos chuvosos. Os flebotomíneos fêmea são hematófagos (se alimentam de sangue), quando esse mosquito fêmea contaminado se alimentam do sangue do hospedeiro vertebrado, as promastigotas são regurgitadas e o dano causado pela picada do vetor recruta células de defesa para o local da picada, dando início à fagocitose dos parasitos.


DIAGNÓSTICO A rotina do diagnóstico da Leishmaniose visceral fundamental nos sintomas, sinais clínicos, na grande produção de anticorpos e em parâmetros epidemiológicos. Contudo, para que haja uma confirmação do diagnóstico, utilizam-se amostras biológicas de tecidos do paciente para a comprovação que o parasito se encontra em seu organismo. DIAGNÓSTICO CLÍNICO O diagnóstico clínico se dá se o paciente esteve presente em uma área endêmica e baseia-se nos sintomas e sinais que ele apresenta. Precisamos ficar atentos, pois possuem doenças com sintomas semelhantes aos da Leishmaniose, como malária, toxoplasmose, tuberculose principalmente se a área que o paciente residiu ocorre superposição na distribuição das doenças. Se o paciente já possui outra doença como AIDS, linfomas, lúpus, os sintomas são diferentes dos que não possuem alguma doença. No exemplo da AIDS, o paciente pode apresentar lesões de pele, manifestações hemorrágicas gastrointestinais e respiratórias, por vezes, e por vez, não possui febre e esplenomegalia (aumento do baço).

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL O diagnóstico parasitológico acontece com uma observação direta do parasito ao retirar um material da medula óssea, baço, fígado e linfonodo e prepara esse elemento. Após a aspiração, esse material é esfregado em lâminas de vidro, inoculados no meio de cultura ou em animais de laboratório. Quando realizam biópsia podem-se elaborar cortes histológicos de fragmentos dos órgãos para pesquisar o parasito. Em amostras clínicas, as pesquisas de DNA da Leishmania através da reação em cadeia da polimerase, PCR, tem sido avaliado em diferentes centros para diagnóstico de Leishmaniose visceral devido a alta sensibilidade e especificidade da técnica. Essa propriedade concede seu uso em pequena quantidade de material biológico e sua aplicação para o diagnóstico de Leishmania no sangue periférico o que torna o diagnóstico menos dependente de intervenções invasivas. Portanto, o PCR vem sendo muito utilizado em estudos epidemiológicos, porém não está disponível ainda para uso frequente no diagnóstico humano.


TRATAMENTO LEISHMANIOSE TEGUMENTAR As lesões causadas pela Leishmaniose Tegumentar geralmente cicatrizam-se sem necessidade de tratamento. Porém, no caso das feridas que aumentam de tamanho e são muito grandes, recomenda-se fazer o tratamento com remédios, como cremes e injeções, orientados pelo dermatologista. Medicação escolhida no tratamento: antimoniais pentavalentes que, no Brasil, é representado pelo Antimoniato de N-metilglucamina ou Glucantime, feito em doses diárias, intramusculares ou venosas, por 20 a 30 dias. Caso as feridas infeccionem no processo de cicatrização, é aconselhável fazer o tratamento sob a tutela de um enfermeiro para melhor cuidado e também para evitar o agravamento do caso.

LEISHMANIOSE VISCERAL O tratamento das Leishmanioses vem sendo realizado com antimoniais pentavalentes por via endovenosa: antimoniato de N-metil glucaminaGlucantime® e estibogluconato de sódio-Pentostan®, que são os medicamentos de primeira escolha para o tratamento. Como tratamentos alternativos no Brasil, são utilizadas a anfotericina B e suas formulações lipossomais (anfotericina B - lipossomal e anfotericina B -dispersão coloidal), as pentamidinas (sulafto e mesilato) e os imunomoduladores (interferon gama e GM-CSF).


PREVENÇÃO É muito importante a conscientização das pessoas sobre o que pode ser feito em sua residência e na comunidade para o controle da reprodução e sobrevivência do mosquito-palha. As medidas preventivas visam reduzir o contato do vetor com o individuo homem-animal. O transmissor de Leishmaniose, mosquito-palha, é um inseto pequeno, que gosta de lugares úmidos e escuros. Sabendo disso é importante realizar a limpeza de quintais, terrenos e praças, eliminar fontes de umidade, eliminação e destino adequado de resíduos sólidos orgânicos, entre outras medidas de higiene e conservação ambiental que evitam a proliferação do inseto vetor. Para proteger seu cachorro, é importante levá-lo para vacinar a partir dos quatro meses de idade, sendo necessárias três doses, com intervalo de 21 dias entre elas. No mercado já existem produtos que afastam os mosquitos transmissores, como a coleira Scalibor, após a sua colocação no pescoço do cão, começa a liberação de inseticida, a Deltametrina, fazendo com que mosquitos transmissores da doença fiquem longe reduzindo o risco de transmissão em seres humanos. Alem disso, o uso de telas em portas e janelas também é recomendado.


PALAVRAS CRUZADAS


CAÇA PALAVRAS Encontre nas direções vertical, horizontal e diagonal, na direção correta e contrária, palavras associadas à leishmania e suas patologias.

Calazar é o nome popular para a Leishmaniose Visceral tanto humana quanto canina


MITO OU VERDADE Que tal testar seus conhecimentos acerca dos mitos e verdades sobre a Leishmaniose? 1.Consigo prevenir o mosquito retirando focos de água parada? MITO VERDADE 2.A única medida eficiente para controle da doença é o tratamento dos cães doentes? MITO VERDADE 3.É necessário fazer um teste sorológico antes de iniciar a vacinação nos animais contra a Leishmaniose. MITO VERDADE 4.A vacina causa muita reação. MITO VERDADE 5.Animais doentes não transmitem diretamente a doença MITO VERDADE 6.Só quem vive em regiões endêmicas deve se preocupar com a doença. MITO VERDADE


VACINA Ainda não existe vacina para humanos, portanto opta-se por imunizar os cães, que constituem reservatório da doença. O contato com um animal infectado não transmite a doença para os humanos. Tanto o cão como o humano só são contaminados por meio da picada do mosquito palha infectado. Ao sugar o cão vacinado, o inseto também ingere anticorpos, que impedem o desenvolvimento dos parasitas no intestino. Com isso, aquele inseto não mais infectará outros cães nem humanos, interrompendo a cadeia de contaminação. Existem pesquisas para desenvolvimento da vacina para humanos. Dentre elas, a Leish-F3 + GLA-SE foi aprovada na fase I e as LEISH-F1+MPL-SE e LEISH-F2 + MPL-SE já passaram da segunda fase. Se tratam se vacinas recombinantes, ou sejam, contém o material genético da leishmania modificado, propiciando imunogenicidade no paciente.


FORMULÁRIO https://forms.gle/gsuFF5EjgGUNq4fS6 137 respostas

Existe mais de um tipo de leishmaniose?

A mordida de um cachorro contaminado pode transmitir leishmaniose?

A leishmaniose é uma doença transmitida por...

Quem transmite a leishmaniose para os humanos?


FORMULÁRIO https://forms.gle/gsuFF5EjgGUNq4fS6 137 respostas

O que deve ser feito com um animal com leishmaniose?

Porque a leishmaniose é considerada uma zoonose?

Porque é transmitida do animal contaminado para o homem. Por ser uma doença transmitida de um mosquito para um ser humano. Pois não tem cura. Porque são doenças infecciosas capazes de ser transmitidas entre animais e seres humanos. Afeta mais os animais Porque ela está presente em varios países do mundo (Gente do ceu não sei o que é isso!) ...

Zoonoses são doenças transmitidas entre animais e pessoas e que podem ser causadas por bactérias, parasitas, fungos e vírus.


RESPOSTAS DOS PASSATEMPOS MITO OU VERDADE 1.Consigo prevenir o mosquito retirando focos de água parada? MITO. O mosquito transmissor da doença – o mosquito-palha – tem preferência por lugares com matéria orgânica, com muitas plantas e árvores frondosas. 2.A única medida eficiente para controle da doença é o tratamento dos cães doentes? MITO. O tratamento dos cães é apenas uma dentro de um conjunto de outras medidas necessárias para a prevenção. A medida mais eficiente continua sendo o combate ao mosquito, impedindo-o de se multiplicar e de picar animais e humanos através da utilização de repelentes. 3.É necessário fazer um teste sorológico antes de iniciar a vacinação nos animais contra a leishmaniose. VERDADEIRO. Somente animais assintomáticos e negativos devem ser vacinados. 4.A vacina causa muita reação. MITO. Alguns animais vacinados podem apresentar uma reação inflamatória no local da vacinação, o que pode causar dor, apatia, diminuição do apetite, e até febre, de maneira semelhante ao que ocorre em crianças vacinadas, por exemplo. 5.Animais doentes não transmitem diretamente a doença VERDADEIRO. O único agente transmissor da leishmaniose é o mosquito palha, sendo os animais contaminados apenas reservatório da doença. 6.Só quem vive em regiões endêmicas deve se preocupar com a doença. MITO. A transmissão da leishmaniose visceral canina já foi confirmada em 25 das 27 unidades federativas do Brasil.

PALAVRAS CRUZADAS

CAÇA PALAVRAS 1. Mosquito - palha 2. Pele 3. Inseticida 4. Leishmania 5. Anemia 6. Tegumentar 7. Cães 8. Bauru 9. Calazar


REFERÊNCIAS http://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/leishmaniose-tegumentar Acesso em: 25, outubro de 2020. http://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/leishmaniose-visceral Acesso em: 25, outubro de 2020. Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. SUNTER, J.; GULL, K. Shape, form, function and Leishmania pathogenicity: from textbook descriptions to biological understanding. PubMed, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28903998/. Acesso em: 25, outubro de 2020. REY, L. Parasitologia. 2 edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. 731 p. ROCHA, Lucas. Leishmanioses: conheça os insetos transmissores e saiba como se prevenir. Porta Fiocruz Fundação Oswaldo Cruz, 2019. Disponível em: <https://portal.fiocruz.br/noticia/leishmanioses-conheca-os-insetostransmissores-e-saiba-como-se-prevenir>. Acesso em: 25, outubro de 2020. POCAI, E.; FROZZA, L.; HEADLEY, S.; GRAÇA, D. Leishmaniose Visceral (calazar): cinco cassos em cães de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. Scielo, 1998. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0103-84781998000300025&lng=pt&tlng=pt>. Acesso em: 25, outubro de 2020. BOSSIE, A.; LUPASCO, G.; CONSTANTINESCO, S.P.; PETROVICI, A.; PROFETA, A. Contributions to a study of the structure of L. denovani (leptomonadal form), 1969.


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