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Jango: Uma Tragedya

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JanGo

Jango estreou em 31 de julho de 2014 no Vila Velha, dia do aniversรกrio de 50 anos do teatro

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JanGo u m a t r ag edya

Salvador, agosto de 2014


JanGo ficha técnica teatro vila velha

direção artística

meirelles direção geral

andrade

marcio

ângela

conselho curador chica carelli, cristina castro, débora landim, jarbas bittencourt, marísia motta, sonia robatto, zeca de abreu coordenação adm. e financeira maria

angélica ribeiro

aux. administrativo

santos da paixão

vânia

administração noturna

iajima silena bilheteria elinalva maria

núcleo de marketing

JOANA FIALHO equipe técnica dailson santos, elizeu santana, joilson conceição e marcos silva serviços gerais

fredson xavier dos santos, iracy duarte, paulo gomes da silva e valdelina graças dos santos nós por exemplo — centro de documentação e memória

victor fernandes estúdio do vila maise xavier e rafael grilo

grupos residentes

companhia teatro dos novos bando de teatro olodum projeto especial

universidade livre de teatro vila velha núcleo viladança direção cristina programação

abreu

castro

zeca de

sol movimento da cena — organização gestora do teatro vila velha presidente margarida

neves de almeida vice presidente maria cristina da motta leal

sociedade teatro dos novos — organização fundadora do teatro vila velha presidente sônia robatto

núcleo de comunicação

eduardo coutinho wesley mirands

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JanGo Carta de Darcy Ribeiro para Glauber Rocha Darcy Ribeiro

Santiago, 31 de maio de 1972. Glauber, meu irmão: Você me pede que escreva sobre um tema tão amplo e complicado que nem com todos os meus livros consegui ou tentei abarcá-lo. Pede, nada menos, que eu entre na alma de Jango para interpretar seus desígnios passados e futuros, para avaliar suas convicções e para captar sua visão do mundo. Imagine se alguém pedisse a um amigo que desse de você, Glauber, um retrato-diagnóstico desta natureza. Ou imagine simplesmente que você se propusesse traçar seu próprio perfil, com aquelas ambições. Não acha que seria impossível? O máximo que se pode alcançar neste plano de prospecções biográficas são visões — mais ou menos informadas — de como as pessoas atuam em certas circunstâncias. Quanto ao Jango, a primeira observação seria de uma aparente dualidade entre o que ele é, pela vida que se construiu de fazendeiro-invernista bem-sucedido e rico, e seu desempenho de político reformista. Mas a simples suposição dessa dualidade traz implícita a idéia de que as personalidades são entidades inteiriças e coerentes, o que é muito duvidoso. Mais verdadeira é talvez a observação de que os homens atuam na vida social, e particularmente na arena política, muito mais de acordo com as circunstâncias que se apresentam — as conjunturas, como se diz — do que com o ideário que acaso tenham. Todos nós estamos permanentemente nos representando a nós mesmos, representando para plateias indiferentes ou coniventes, que tanto nos coagem com suas expectativas que interiorizamos como se projetam em nós. É óbvio que há lugar para graus maiores ou menos de autenticidade nessas representações. O homem comum se constrói com as projeções externas interiorizadas, mas o faz de forma tão genuína que chega a convencer-se de que são suas todas as suas crenças. Um cínico gostaria de construir-se seletiva e racionalmente, escolhendo aqueles traços cuja exibição fosse mais vantajosa em cada situação. Mas nem mesmo o homem comum, ingênuo, escapa totalmente de si próprio, convertendo-se num refluxo mimético das expectativas alheias, porque a própria singularidade de sua experiência existencial acaba por tipificá-lo. Nem escapa o cínico, que tratando de intencionalizar sua imagem aos olhos dos outros, acaba por ver-se, a si próprio, com a visão alheia, como se ele fosse o que pretende parecer. Para que tanta confusão? O que quero dizer é tão-somente que um homem não exprime, no poder, a sua ideologia pessoal, mas a conjuntura política com que ascendeu. É claro que deve haver certa compatibilidade entre o papel representado e a personalidade que o encarna. Mas via de regra, as personalidades são suficientemente flexíveis para se acomodarem aos papéis que ordinariamente são chamadas a viver. Isso não se aplica, talvez, a Fidel, que teve de encontrar em si um estilo que correspondesse ao papel que ele inaugurara de um novo tipo de líder. Mas, ainda no caso de Fidel, de certo modo se aplica, no sentido de que vive e expressa a ideologia que a revolução cubana lhe dita, e não suas idiossincrasias. Se a revolução cubana se tivesse frustrado, por algum motivo, e Fidel sobrevivesse à derrota, ele seria, na conjuntura que se teria cristalizado, um produto dela, tão diferente do que ele é — ou parece ser agora — quanto

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JanGo difere, por exemplo, de Rafael Rodriguez ou de Kruschov, ou de Jango, Nenhum homem poderia ser reduzido a outro, bem sabemos — e aqui reside a singularidade que cada um de nós pode reivindicar —, mas cada um poderia haver sido muitos outros. Outra vez a confusão quando quero falar de coisas simples. Em essência, que Jango foi, no poder, o que ele ou outro poderia ser numa conjuntura que lhe ditava, com detalhes, o papel que teria de representar. Para que você me compreenda, darei um exemplo. Em 1962, JK me pediu que fizesse para ele um plano de governos com vistas à campanha eleitoral de 1965, dizendo que escolhia a mim por minhas idéias, e que desejava o plano mais avançado de reformas estruturais, a começar por uma reforma agrária. Que significa isso? Parece compatível com o JK que conhecemos — flor da politicagem profissional brasileira — a imagem de um reformador radical? Pois esse era o papel que ele se supunha chamado a representar. Isso porque, naquela conjuntura, aparentemente só uma política reformista lhe prometia o aspirado acesso ao poder. Era o mundo dos três jjj (Jango, João XXIII e Kennedy) que se queria passar a limpo. Parecia. Jango, com o carro do governo sob seu comando, não só estava sujeito às mesmas expectativas e pressões como talvez também estivesse mais capacitado a atendê-las, apesar de suas idéias e até de seus interesses pessoais e classistas. É certo que duvidou muito em encarnar o papel, mesmo porque, no caso dele, não se tratava de fazer discursos reformistas que granjeassem mais votos, mas sim de manter-se e consolidar-se no poder que já exercia, recuperando as atribuições que o golpe parlamentarista lhe havia usurpado. Lembro-me que estava ao seu lado quando, depois da maior vitória eleitoral jamais alcançada no Brasil — 10 milhões de votos contra um milhão, no plebiscito — , ele insistia em dividir com o PSD o poder que o povo lhe outorgara, dizendo: “Esta coroa eu não ponho na minha cabeça”. Atrás dessa frase, o que havia era o temor de comandar a execução das reformas de base com os olhos nas quais o povo votou contra o parlamentarismo. Em outros casos, como por exemplo a regulamentação da lei referente ao capital estrangeiro, ele tardou um ano em decidir-se a implementá-la; o projeto de Reforma Agrária só chegou a ser efetivamente formulado no dia 15 de março de 1964, na Mensagem Presidencial daquele ano. É possível imaginar que outro líder tivesse andado mais rapidamente e comandado melhor suas próprias forças. Mas esse tipo de raciocínio não leva a nada. O que a história nos colocou foi aquela conjuntura concreta, com as oportunidades de romper a velha ordenação social que ela ensejava e também com as limitações que impunha. Se olharmos não para os atores mas sim para a conjuntura — como o fato significativo — , veremos que a política do governo Jango, sendo encarada pelas classes dominantes como revolucionária (porque a execução da Reforma Agrária e da Lei de Remessa de Lucros parecia inevitável se Jango se mantivesse no poder), provocou a contra-revolução, por parte dos interessados em manter a velha ordem. Sendo reformista porque visava, fundamentalmente, fazer reformas para evitar a revolução social, não pôde fazer frente à contra-revolução. Quando esta se desencadeou, os reformistas caíram na perplexidade e se paralisaram porque suas alternativas eram: ou bem aderir à direita através de um pacto e retroceder; ou bem avançar chamando o povo à revolução. E, nos dois casos, negar sua própria natureza de regime reformista. Essa ambiguidade conjuntural é interpretada por muita gente como uma debilidade ou uma incapacidade de Jango. Na verdade, qualquer pessoa posta naquele papel dificilmente encontraria uma saída. Seja para voltar atrás — refazendo o pacto com a velha

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JanGo classe, tranquilizando os temores da classe média às reformas e neutralizando o disciplinamento do capital estrangeiro — , porque disso resultaria um esvaziamento imediato do apoio popular no qual o governo se assentava. Seja para ir adiante, impulsionando a revolução sob a ameaça de um golpe militar anticomunista e aceitando a responsabilidade de desencadear uma guerra civil longa e sangrenta, travada contra uma aliança militar das classes dominantes internas com o governo norte-americano e seus marines. Lyndon Johnson topou a parada. Seu embaixador, dirigido pelo adido militar, o coronel Walters, conspirou, subornou quanto foi necessário para articular a contra-revolução no plano político, ideológico e militar. A seu juízo, valia a pena arriscar um novo Vietnã no Brasil para evitar sua defecção da área de hegemonia imperialista. Jango e uma parte da esquerda brasileira não admitiram correr esse risco. Ele porque, sendo reformista, talvez considerasse sua própria queda menos catastrófica que o desencadeamento e a condução de uma revolução social cujo caráter — supunha ele —, na reta final, seria provavelmente socialista. As esquerdas, porque nem sabiam o que estava sucedendo. Em sua imaturidade e alienação, não percebiam que alcançáramos a participação que tínhamos no poder, não por um esforço organizativo e combativo próprio, senão porque uma renúncia havia alçado à presidência um líder vinculado às massas assalariadas urbanas. Em lugar de utilizar a conjuntura eventual para nos estruturarmos como uma alternativa ao poder tradicional, entramos a nos dilacerar mutuamente. Muitos dos principais líderes, achando pouco o esquerdismo de Jango, queriam mais radicalismo. Outros estavam mais atentos ao suposto continuísmo dele que ao golpe em marcha. Não avaliávamos, igualmente, que no Brasil se travava uma das principais batalhas do mundo, cuja vitória ou derrota seria decisiva na configuração da conjuntura internacional futura. Não nos compenetramos também de que mais do que Jango, seríamos nós as maiores vítimas, e por isso mesmo éramos os maiores interessados em consolidar aquela conjuntura institucional favorável que a história nos havia oferecido. Não percebemos, por fim, que a vitória da contra-revolução representaria uma era de tremendos sacrifícios para o povo e de provações terríveis para nossos próprios quadros. Dentro desse contexto, não cabe falar de méritos ou de culpas atribuíveis a pessoas — inclusive a Jango —, mas de conjunturas sócio-econômicas onde os atores apenas encarnam forças sociais e políticas mais amplas que eles. Naquela instância, a história nos ofereceu algumas chances — parcas chances, talvez — de submeter nossa institucionalidade obsoleta ao reexame e de refazê-la sob lideranças — que lideranças! — fiéis aos interesses nacionais e às aspirações populares. Chances perdidas por culpas nossas. Mea culpa. Você pergunta se Jango teria um projeto para o Brasil. Eu diria que sim, porque às forças políticas nas quais ele se sustentava correspondiam aspirações que ele expressava, gostasse ou não, como pré-requisito para manter-se e consolidar-se no poder. Essas aspirações (reforma agrária, contenção da exploração estrangeira, direito de greve, liberdade sindical, expansão da educação popular etc.) tiveram naqueles anos livre curso para manifestar-se de mil modos. A vigência dessas liberdades deu lugar a milhares de greves nas cidades, à criação de milhares de ligas camponesas e de sindicatos rurais no campo e a uma pregação político–ideológico sem paralelo em nossa história. Lamentavelmente, só serviriam para atiçar o velho inimigo, sem capacidade para contê-lo e menos ainda de liquidá-lo. O resultado foi o golpe contra-revolucionário para impedir uma revolução que não chegou a desencadear-se e a imposição de uma ditadura militar que consolidou os

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JanGo interesses das minorias privilegiadas (manutenção do latifúndio, submissão ao capital estrangeiro, arrocho salarial, erradicação de todo pensamento libertário etc.). Às milhares de greves do período anterior correspondem três a cinco greves nos dez anos seguintes. À proliferação de ligas e sindicatos no campo se seguiram o silêncio e o pavor, instalados em cada família camponesa. À agitação política irredentista (e às vezes irreverente e contraproducente) se seguiram o despotismo e a escalada opressiva num enfrentamento inverossímil entre forças superarmadas e seus únicos contendores, que foram os microgrupos insurgentes. Do nosso ponto de vista, essas armas apontavam contra a história. De fato, elas apenas repunham no poder a velha ordem e a velha classe vetustamente históricas. O silêncio que se seguiu não significa que os operários, os camponeses e os quadros políticos foram ganhos pela ditadura militar. Significa tão-somente que, na conjuntura que se criou, não têm meios de se expressar e que estão sendo comprimidos como uma mola pronta a saltar amanhã. Mas saltar como? Muitos pensam que a guerrilha poderia ser o acionador do processo, funcionando como uma via rápida de ativação política e de conquista do poder. A experiência dos últimos anos veio mostrar que isso não ocorreu em parte alguma. Elas não correspondem pois a estratégia de que necessitamos, embora tenham representado a única forma de contestação contra os regimes despóticos e de desmascaramento de suas tendências mais sinistras. Como tal, pôde dar muitos heróis, mas não foi uma prática eficaz dentro da história. Tudo isso significa que Jango não foi o protagonista, nem a vítima. O ator e o mártir foi o povo, que perdeu uma rara oportunidade de libertação no seu esforço secular para romper com a rede constritora que o fez crescer deformado. Os derrotados fomos todos nós, como uma esquerda que não estava à altura do desafio histórico que enfrentava e que ainda hoje não o está porque continua dividida, perplexa, incapaz de formular um projeto de revolução que, infundindo confiança, nos permita operar no futuro como vanguarda de uma massa real e existente que é, afinal, quem fará a revolução necessária. Você me pediu um perfil do Jango e eu saí com esta conversa longa e complicada. Para não frustrá-lo totalmente, tentarei agora traçar a imagem que tenho dele. Entre os políticos que conheci, ele se destaca por uma

OS DERROTADOS FOMOS TODOS NÓS, COMO UMA ESQUERDA QUE NÃO ESTAVA À ALTURA DO DESAFIO HISTÓRICO QUE ENFRENTAVA E QUE AINDA HOJE NÃO O ESTÁ

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JanGo combinação rara de modéstia pessoal que lhe dá um ar de singeleza rústica e de ambição de liderança popular e gosto pelo exercício do poder. O resultado dessas qualidades poderia dar um Gomez venezuelano, se se exagera a rusticidade; ou um Cárdenas, se se exacerba a modéstia e a autenticidade. Na dose da fórmula de Jango,resulta uma personalidade de perfil oposto ao gosto jusceliniano pela pompa e à tendência histriônica de Jânio. Bem sei que isso diz pouco, mas é difícil precisar mais. Talvez tentando outros contrastes se aclare o quadro. Comparado com os quadros da esquerda mais intelectualizada, ressaltam em Jango, por um lado, o profundo conhecimento prático da vida política brasileira e da máquina administrativa federal e seu realismo no trato com as correntes políticas conservadoras. E, por outro lado, a sua facilidade de comunicação com gente simples, o que lhe permite, seja no convívio diário, seja numa conversa em grupo, ganhar de imediato a simpatia de todos. Ele obtém esse efeito não prometendo ou perorando, mas conversado simplesmente e fazendo sentir sua predisposição natural de identificar-se com a visão e as aspirações populares numa linguagem que é acessível a qualquer pessoa. Não sei que imagem se terá, no futuro, de meu amigo Jango. Aventuro-me, porém, a predizer que será mais generosa do que esta que se difundiu depois do golpe. Afinal, seu governo não caiu por seus defeitos. Foi derrubado por suas qualidades. Suponho que, ainda agora, depois de tantas páginas, tenha dado muito pouco do que você pede e necessita. Pensando no filme-painel sobre o Brasil, me esforço por imaginar qualquer coisa que seja útil e comunicável. Não sei. Acho, porém, que este filme é muito importante, Glauber. O que você fez até agora como cineasta assegura uma audiência internacional maciça, à qual você pode dizer coisas significativas sobre o que nós somos como povo, que nos ajudem a realizar nossas potencialidades. Confio em que você fará isso muito bem, arrancando outra vez do peito a imagem que quer transmitir: verdadeira, lúcida e motivadora. Gostaria muito de conversar sobre o filme e sobretudo de vê-lo durante a montagem para dar meus palpites de brasileiro que, como você, se esforça para entender o Brasil e expressá-lo. Numa carta não poderia dar mais. Desculpe-me e me queira bem.

ENTRE OS POLÍTICOS QUE CONHECI, ELE SE DESTACA POR UMA COMBINAÇÃO RARA DE MODÉSTIA PESSOAL QUE LHE DÁ UM AR DE SINGELEZA RÚSTICA E DE AMBIÇÃO DE LIDERANÇA POPULAR E GOSTO PELO EXERCÍCIO DO PODER

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JanGo A ESTÉTICA DO SONHO glauber rocha

No “Seminário do Terceiro Mundo”, realizado em Gênova, Itália, 1965, apresentei, a propósito do Cinema Novo brasileiro. “A estética da fome”. Essa comunicação situava o artista do Terceiro Mundo diante das potencias colonizadoras: apenas uma estética da violência poderia integrar um significado revolucionário em nossas lutas de liberação. Dizia que nossa pobreza era compreendida mas nunca sentida pelos observadores coloniais. 1968 foi o ano das rebeliões da juventude. O Maio francês aconteceu no momento em que estudantes e intelectuais brasileiros manifestavam no Brasil seu protesto contra o regime militar de 1964. Terra em transe, 1966, um manifesto prático da fome, sofreu no Brasil criticas intolerantes da direita e dos grupos sectários da esquerda. Entre a repressão interna e a repercussão internacional aprendi a melhor lição: o artista deve manter sua liberdade diante de qualquer circunstância. Somente assim estaremos livres de um tipo muito original de empobrecimento: a oficialização que os países subdesenvolvidos costumam fazer de seus melhores artistas. Este congresso em Colúmbia é outra oportunidade que tenho para desenvolver algumas ideias a respeito de arte e revolução. O tema da pobreza está ligado a isto. As Ciências Sociais informaram estatísticas e permitem interpretações sobre a pobreza. As conclusões dos relatórios dos sistemas capitalistas encaram o homem pobre como um objeto que deve ser alimentado. E nos país socialistas observarmos a permanente polêmica entre os profetas da revolução total e os burocratas que tratam o homem como objeto a ser massificado. A maioria dos profetas da revolução total é composta por artistas. São pessoas que tem urna aproximação mais sensitiva e menos intelectual com as massas pobres. Arte revolucionária foi a palavra de ordem no Terceiro Mundo nos anos 60 e continuará a ser nesta década. Acho, porém, que a mudança de muitas condições políticas e mentais exige um desenvolvimento continuo dos

O ARTISTA DEVE MANTER SUA LIBERDADE DIANTE DE QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA

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JanGo conceitos de arte revolucionária. Primarismo muitas vezes se confunde com os manifestos ideológicos. O pior inimigo da arte revolucionária é sua mediocridade. Diante da evolução sutil dos conceitos reformistas da ideologia imperialista, o artista deve oferecer respostas revolucionárias, capazes de não aceitar, em nenhuma hipótese, as evasivas propostas. E, o que é mais difícil, exige uma precisa identificação do que é arte revolucionária útil ao ativismo político, do que é arte revolucionária lançada na abertura de novas discussões, do que é arte revolucionária rejeitada pela esquerda e instrumentalizada pela direita. No primeiro caso eu cito, como homem de cinema, o filme de Fernando Ezequiel Solanas, argentino, La hora de los hornos. É um típico panfleto de informação, agitação e polemica, utilizado anualmente em várias partes do mundo por ativistas políticos. No segundo caso tenho alguns filmes do Cinema Novo brasileiro, entre os quais meus próprios filmes. E por último a obra de Jorge Luis Borges. Esta classificação revela as contradições de uma arte expressando o próprio caso contemporâneo. Uma obra de arte revolucionária deveria não só atuar de modo imediatamente político como também promover a especulação filosófica criando uma estética do eterno movimento humano rumo a sua integração cósmica. A existência descontinua desta arte revolucionária no Terceiro Mundo se deve fundamentalmente às repressões do racionalismo. Os sistemas culturais atuantes, de direita e de esquerda, estão presos a uma razão conservadora. O fracasso das esquerdas no Brasil é resultado deste vicio colonizador. A direta pensa segundo a razão da ordem e do desenvolvimento. A tecnologia é ideal medíocre de um poder que não tem outra ideologia senão o domínio do homem pelo consumo. As respostas da esquerda, exemplifico outra vez no Brasil, foram paternalistas em relação ao tema central dos conflitos: as massas pobres. O Povo é o mito da burguesia. A razão do povo se converte na razão da burguesia sobre o povo. As variações ideológicas desta razão paternalista se identificam em monótonos ciclos de protesto e repressão. A razão de esquerda revela-se herdeira da razão revolucionária burguesa europeia. A colonização, em tal nível, impossibilita uma ideologia revolucionária integral

que teria na arte sua expressão maior, porque somente a arte pode se aproximar do homem na profundidade que o sonho desta compreensão possa permitir. A ruptura com os racionalismos colonizadores é a única saída. As vanguardas do pensamento não podem mais se dar ao sucesso inútil de responder à razão opressiva com a razão revolucionária. A revolução é a anti-razão que comunica as tensões e rebeliões do mais irracional de todos os fenômenos que é a pobreza. Nenhuma estatística pode informar a dimensão da pobreza. A pobreza é a carga autodestrutiva máxima de cada homem e repercute psiquicamente de tal forma que este pobre se converte num animal de duas cabeças: uma é fatalista e submissa à razão que o explora como escravo. A outra, na medida em que o pobre não pode explicar o absurdo de sua própria pobreza, é naturalmente mística. A razão dominadora classifica o misticismo de irracionalista e o reprime a bala. Para ela tudo que é irracional deve ser destruído, seja a mística religiosa, seja mística política. A revolução, como possessão do homem que lança sua vida rumo a uma ideia, é o mais alto astral do misticismo. As revoluções fracassam quando esta possessão não é total, quando o homem rebelde não se liberta completamente da razão repressiva, quando os signos da luta não se produzem a um nível de emoção estimulante e reveladora, quando, ainda acionado pela razão burguesa, método e ideologia se confundem a tal ponto que paralisam as transações da luta. Na medida em que a desrazão planeja as revoluções a razão planeja a repressão. As revoluções se fazem na imprevisibilidade da prática histórica que é a cabala do encontro das forças irracionais das massas pobres. A tomada política do poder não implica o êxito revolucionário. Há que tocar, pela comunhão, o ponto vital da pobreza que é seu misticismo. Este misticismo é a única linguagem que transcende ao esquema racional de opressão. A revolução é uma mágica porque é o imprevisto dentro da razão dominadora. No máximo é vista como uma possibilidade compreensível. Mas a revolução deve ser uma impossibilidade de compreensão para a razão dominadora de tal forma que ela mesma se negue e se devore diante de sua impossibilidade de compreender.

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JanGo O irracionalismo liberador é a mais forte arma do revolucionário. E a liberação, mesmo nos encontros da violência provocada pelo sistema, significa sempre negar a violência em nome de uma comunidade fundada pelo sentido do amor ilimitado entre os homens. Este amor nada tem a ver com o humanismo tradicional, símbolo da boa consciência dominadora. As raízes índias e negras do povo latino-americano devem ser compreendidas como única força desenvolvida deste continente. Nossas classes médias e burguesas são caricaturas decadentes das sociedades colonizadoras. A cultura popular será sempre uma manifestação relativa quando apenas inspiradora de uma arte criada por artistas ainda sufocados pela razão burguesa. A cultura popular não é o que se chama tecnicamente de folclore, mas a linguagem popular de permanente rebelião histórica. O encontro dos revolucionários desligados da razão burguesa com as estruturas mais significativas desta cultura popular será a primeira configuração de um novo signo revolucionário. O sonho é o único direito que não se pode proibir. A “Estética da fome” era a medida da minha compreensão racional da pobreza em 1965. Hoje recuso falar em qualquer estética. A plena vivência não pode se sujeitar a conceitos filosóficos. Arte revolucionária deve ser uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nesta realidade absurda. Borges, superando esta realidade, escreveu as mais liberadoras irrealidades de nosso tempo. Sua estética é a do sonho. Para mim é uma iluminação espiritual que contribuiu para dilatar a minha sensibilidade afro-índia na direção dos mitos originais da minha raça. Essa raça, pobre e aparentemente sem destino, elaborou na mística seu momento de liberdade. Os Deuses Afro-índios negarão a mística colonizadora do catolicismo, que é a feitiçaria da repressão e da redenção moral dos ricos. Não justifico nem explico meu sonho porque ele nasce de uma intimidade cada vez maior com o tema de meus filmes, sentido natural de minha vida.

O SONHO É O ÚNICO DIREITO QUE NÃO SE PODE PROIBIR

Columbia University Nova York, 1971

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JanGo De: Geneton Moraes Neto Para: Paloma Rocha

De: Paloma Rocha Para: Geneton Moraes Neto

Olá. Tudo bem? Carlos — nosso dentista — é que me passou o e-mail. Tinha tentado contato por telefone, na produtora, mas não consegui… É apenas um pedido de informação: vou fazer para o Canal Brasil um programa a partir de gravações que fiz, nos anos oitenta, no Recife, com Miguel Arraes e com Francisco Julião sobre encontros que os dois tiveram com Glauber Rocha no exílio. Em resumo: quando voltou ao Brasil dizendo que os militares fariam uma abertura política, Glauber, como você bem sabe, foi “crucificado” por gente de todas as tendências. O que pouca gente sabia é que quem falou com ele sobre a futura abertura foi Miguel Arraes — e também João Goulart. Arraes era meio arredio, mas terminou me dando esta entrevista. O filme passou um tempão sumido, mas, felizmente, a fita com a telecinagem foi encontrada. Agora, quero usar estes depoimentos inéditos (e outros — que pretendo gravar agora) para fazer um programa que, no fim das contas, é também uma homenagem a Glauber, porque, historicamente, ele estava certo e os “detratores”, errados… Estava pensando em citar algum trecho da peça de Glauber sobre Jango. Eu sei que ela foi encenada há tempos, mas creio que não foi publicada em livro. Você por acaso sabe onde anda este texto ? Por fim: terminado o programa para o Canal Brasil, queria doar para o Tempo Glauber os depoimentos de Arraes e Julião — e, especialmente, umas gravações em áudio que fiz, em Paris, nos anos oitenta, com críticos importantes — como Serge Daney (Cahiers du Cinema), Louis Marcorelles (Le Monde), o historiador Marc Ferro e o cineasta Jean Rouch — sobre Glauber. Há anos e anos, fiz uma cópia dessas fitas e encaminhei para D. Lúcia - mas não sei se o material chegou a ser “indexado” no Tempo Glauber. É isso. Já estou tomando teu tempo. Obrigado! abs Geneton

Caro Geneton, Desculpe a demora em responder, mas estive ocupada e fiz uma cirurgia no menisco na semana passada. Me parece incrível este material, além de importante neste momento político do Brasil. O Tempo Glauber está fechado. Desde Ana de Hollanda que não recebemos mais nada, e não tive como manter mais. Agora que a Marta Suplicy liberou alguma coisa, trataremos de catalogar o acervo Lucia Rocha, composto de materiais recolhidos desde 1981 e objetos pessoais do Glauber. Nunca soube do seu material no TG, mas é um prazer obtê-lo e guardá-lo. Preciso encontrar um mantenedor para aquele espaço-tempo, pois a casa sequer é nossa. Os originais estão na Cinemateca Brasileira que está interditada. Enfim… Curiosamente Marcio Meirelles está fazendo uma nova montagem do Jango, que estréia dia 2 de julho no tradicional Teatro Vila Velha em Salvador. Posso tentar que uma técnica do TG retire do banco de dados uma cópia do texto em CD no dia 17. Também posso te colocar em contato com o Márcio. Voltamos as atividades de preservação no TG no dia 2 de julho. Até lá os telefones serão religados. Me fale. Abraços Paloma Rocha Enviado sábado, 14 de junho de 2014

Enviado quarta, 04 de junho de 2014

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JanGo De: Geneton Moraes Neto Para: Paloma Rocha

Olá. Tudo bem? Obrigado pelo retorno. Também estou meio fora do ar — emendei as férias com uma licença do trabalho da TV, para organizar minhas coisas…. Você deve ter recebido aquele aviso de ausência temporária no e-mail, mas acesso sempre aqui. Quanto à peça Jango: já li trechos, mas nunca o texto inteiro. Gostaria de dar uma olhada, porque de repente uma frase ou outra da peça pode ilustrar ou complementar as entrevistas que vou gravar para o programa. Se você puder pedir a alguém do Tempo Glauber para fazer esta cópia, ótimo. Passo lá e pego o CD. Ou — o que talvez seja mais simples — Márcio Meirelles poderia me mandar o texto por e-mail. Se você puder pedir a ele ou me passar o contato, agradeço. Ficamos em contato. Darei notícias sobre o programa no Canal Brasil — que terá a duração de um documentário. Como disse, vai ser exibido só no Canal — mas vou ver com Paulo Mendonça se a gente não poderia promover exibições em festivais, por exemplo, ou percorrer uma espécie de “circuito alternativo”, já que o documentário não terá lançamento comercial. Vai ser uma maneira não apenas de homenagear Glauber, mas também de mostrar como ele estava profeticamente certo, no fim das contas, em meio àquela brigalhada política. abraços Geneton PS: É um absurdo que o acervo de um artista da dimensão da Glauber Rocha enfrente problemas para ser mantido — mas tenho certeza de que uma solução será encontrada. (aliás: você já pensou no Instituto Moreira Salles como uma opção para a manutenção do acervo? De vez em quando, vejo notícias de que acervos importantes, como o de Otto Lara Resende e outros, estão sob a guarda do Instituto — que recupera material, publica livros, promove exposições etc.etc. Glauber mereceria até um espaço permanente numa sala do Instituto. Ia virar uma “atração”. O importante é que eles dispõem de condições técnicas para manutenção de acervos de documentos e fotos, por exemplo. Um acordo operacional com o Tempo Glauber poderia ser uma alternativa. Estou dando “pitacos” aqui, não sei como estes coisas podem ser encaminhadas, mas talvez valha a pena uma conversa sua com eles). Enviado quarta, 18 de junho de 2014

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JanGo De: Paloma Rocha Para: Geneton Moraes Neto e Marcio Meirelles

Olá Genetton, te coloco em contato com Márcio Meirelles aqui copiado. Vo tentar localizar a cópia na semana que vem. Se Márcio puder enviar antes de 1° de julho é melhor. Caso contrário, dia 1° temos equipe no TG. Abraços Enviado quinta, 19 de junho de 2014

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JanGo De: Marcio Meirelles Para: Geneton Moraes Neto e Paloma Rocha

geneton e paloma é um prazer enorme estar no meio desta história e a convergência do tempo sempre é misteriosa mas existe e é fabulosa é estar atento a ela fico feliz q vc — geneton — esteja fazendo este documentário é mto importante q as coisas sejam esclarecidas o texto de glauber sobre jango na verdade é sobre o brazyl (como ele grafaria) de agora é fantástico e estamos mto felizes e orgulhosos de poder encenar tenho tb o material do acervo digitalizado o projeto do romance e do roteiro cinematográfico caso seja o caso — paloma — posso passar tb por hora passo o texto digitado por nós como está escrito geneton — peço agora um favor e um presente p o aniversário do vila vc toparia escrever um texto p o programa sobre isto q vc está tratando? sobre a visão de glauber sobre o texto jango enfim alguma coisa q pudesse ajudar o espectador a entrar mais no tema e a poder formular melhor as idéias sobre este momento agora q é fruto daquele? ficaria mto grato por outro lado gostaria mto de ver o material do filme nos ajudaria na encenação sei q deve ser complicado mas saiba q o teatro vila velha está de portas abertas caso vc se interesse em fazer o lançamento na bahia qdo estiver pronto temos um cine clube funcionando desde o mes passado no teatro numa ação q estamos realizando junto c a 3a bienal de artes da bahia focada tb na memória

— n sei se vc sabe a 2a bienal de artes da bahia foi realizada em 1968 e fechada pelo regime só agora, 46 anos depois é q temos uma nova bienal — bom segue em anexo o texto gostaria de trocar idéias c vc sobre estes personagens (as listas de personagens n estão no original de glauber colocamos p facilitar nosso trabalho) p saber sobre alguns deles q ainda n encontramos referências como por exemplo o julio souza (possível participante do sequestro do embaixador mas q n figura em nenhuma lista a q tivemos acesso) e o padre arthur (q imagino possa ter sido inspirado em frei beto mas n encontro razão p n ser o próprio já q glauber coloca todo mundo c os nomes verdadeiros) bom, mto obrigado seguimos mm Enviado quinta, 19 de junho de 2014

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JanGo De: Geneton Moraes Neto Para: Marcio Meirelles

De: Marcio Meirelles Para: Geneton Moraes Neto

Olá. Tudo bem? Obrigado pela remessa do texto. Paloma ia providenciar uma cópia do texto em CD quando o Tempo Glauber retomasse as atividades, mas você já adiantou as coisas. Por ora, ainda estou bem no começo da produção. Falta um bocado ainda: gravações, entrevistas etc.etc. Quando o documentário ficar pronto, é óbvio que a gente pode programar uma exibição em Salvador. Vamos combinar com o Canal Brasil. Poderia ser no Vila Velha, como você sugere. Quando é que vocês vão estrear a peça em Salvador? Uma coisa não ficou muito clara: o texto que você pede seria para o programa da peça? Se for, qual seria o prazo? Ficamos em contato. abraço Geneton

ola fiquei mto empolgado c o seu projeto espero q tudo corra bem o nosso JANGO estréia no dia 31 de julho se vc topar escrever o texto poderia ser dentro de uma semana? se n der diga p qdo vc poderia seria um grande presente p nós o elenco ficou empolgado tb c o seu projeto falei p eles da idéia me diga uma coisa vc sabe se o padre arthur e o julio souza q aparecem no texto são personagens reais ou fictícios? seguimos mm Enviado sexta, 20 de junho de 2014

Enviado sexta, 20 de junho de 2014

De: Geneton Moraes Neto Para: Marcio Meirelles

Caro Márcio: Vai aí alguma coisa que escrevi — e completei com um texto que eu tinha feito sobre um encontro com Glauber Rocha em Paris. Se servir para vocês, pode usar como quiser. Abraços e boa sorte à tropa Geneton PS: Quando o documentário que estou fazendo ficar pronto, adiante, talvez no fim do segundo semestre, a gente pode programar uma exibição aí no Cineclube. Creio que seria o local ideal. Ficamos em contato. Enviado sexta, 20 de junho de 2014

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JanGo E GLAUBER & JANGO DESEMBARCAM NO PALCO DO TEATRO VILA VELHA Geneton Moraes Neto (*)

Não, ao contrário do que diz o personagem de Terra em Transe, a poesia e a política não são demais para um homem só. A poesia, a política, o cinema, a literatura, o teatro não eram demais para Glauber Rocha — um criador, um incendiário, um brasileiro que sonhava, para o Brasil, um destino de grandeza e originalidade. “Que falta faz uma voz assim nestes tempos medíocres!” — exclamaria algum inconformado. Não, a voz de Glauber não faz falta - porque, a rigor, nunca saiu de cena. Jamais deixou de ressoar — nos filmes, nos artigos, nos livros, nos documentários, nos palcos, numa herança repartida em mil estilhaços. “Vida aos outros legada”, diria o poeta Drummond. É assim que caminha a humanidade: “vida aos outros legada”, a voz e os delírios e os discursos e as labaredas de um brasileiro feito Glauber se desdobrando e incandescendo e ressoando e tinindo no ar, novos em folha. A voz de Glauber ressoará de novo agora, num lugar e numa data mais do que apropriados: os cinquenta anos do Teatro Vila Velha. Quem dá a notícia, entusiasmado, é Márcio Meirelles. É bom saber que a única investida de Glauber Rocha na dramaturgia — a peça Jango, uma Tragedya — volta a ser encenada, no Brasil de 2014. O que explode em Jango, uma Tragedya é uma visão poética, histórica, trágica, totalizante, antropofágica, dilacerada e, paradoxalmente, esperançosa sobre este pedaço da América que Caetano Veloso definiu com belas palavras: “Ilha Brasil pairando eternamente a meio milímetro do chão real da América”. A dez metros do chão real — era assim que Glauber Rocha parecia caminhar quando fazia seus atos públicos em defesa de um Brasil que haveria de ser capaz de se reinventar. Transformado por Glauber em um dos personagens da peça, Francisco Julião — o líder das Ligas Camponesas que, nos anos pré-golpe de 64, agitava messianicamente os campos nordestinos em defesa de uma reforma agrária - pronuncia uma bela sentença: “Não tivemos a gloria de fabricar novas auroras”. Não, o Brasil não teve esta glória - mas a busca por “novas auroras”, sejam elas políticas, poéticas, cinematográficas, pictóricas, teatrais, literárias ou televisivas, é o belo combustível que move criadores como Glauber Rocha e como todos os que não se contentam com o “chão real”. Reviro meus arquivos não tão implacáveis. Eis as anotações de um encontro com Glauber: A imagem ressurge clara e límpida na memória: Glauber Rocha desembarca numa sala de cinema acanhada, no bairro de République, Paris. Era uma manhã de sábado. O mês: fevereiro. O ano: 1981. Os cabelos estavam ligeiramente desgrenhados. Os olhos, inchados, pelo sono recente. A nove mil quilômetros dali, o Brasil fervia à espera do carnaval. Mas, em République, fazia um frio desgraçado. Um inverno cinzento engolia a cidade. O homem chega envolto num sobretudo escuro.

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JanGo O Glauber das minhas lembranças era o cineasta falante que incendiava o vídeo nos fins de noite de domingo no programa “Abertura”, transmitido pela falecida TV Tupi. Mas o Glauber Rocha real que chega a esta sala, com uma cópia do recém-concluído filme “A Idade da Terra” debaixo do braço, não exibe o vigor incendiário que marcava aquelas aparições na TV. Ainda assim, espalha fagulhas de vitalidade por onde passa: fala como se estivesse discursando, usa um tom apaixonado para tratar do cinema e do Brasil. Dispara um petardo verbal contra um crítico “burro” do Jornal do Brasil, quer saber o nome, a ocupação, a procedência dos forasteiros que lhe são apresentados ali, no hall do cinema, pouco antes do início da projeção. Anima-se quando sabe que nós — eu e o também brasileiro Marcos de Souza Mendes — somos estudantes de cinema em Paris. Aumenta o tom de voz, faz gestos largos com as mãos, chama a atenção dos críticos franceses que desfilavam no saguão do cinema com seus cachecóis entediados: “Olhem aí: são os jovens cineastas, é a juventude brasileira estudando cinema! Isso me interessa! Vocês me interessam! Quero saber o que é que vocês vão achar do filme!”. Os franceses olham para nós, o objeto do entusiasmo glauberiano. Procuro um lugar no chão para me esconder. Conselhos que ele dava a jovens que sonhavam com o cinema: ver filmes de Jean-Luc Godard, estudar Serguei Eisenstein, ler o Cahiers du Cinema. Depois, Glauber Rocha reclama de que a cor da cópia não é ideal, começa a falar francês com sotaque nordestino inconfundível. “Je vais rester ici; j´attende un ami” — declama, diante da porta de entrada da sala, enquanto avisa que os espectadores já podem ocupar seus lugares. Em seguida, vai até a cabine, falar com o operador. O filme começa. Glauber sairá da sala umas duas vezes durante a projeção. Terminada a sessão, ele, que estava sentado três fileiras adiante, se vira para trás, olha para nós, a dupla de estudantes: “Como é? Fizeram as ligações? Fizeram as ligações?”. O dedo indicador da mão esquerda de Glauber toca no indicador da mão direita. Ao perguntar a dois jovens estudantes de cinema se eles tinham absorvido o impacto de “A Idade da Terra”, Glauber cumpria ali, informalmente, o grande papel que sempre lhe coube: o de provocar reações. Lá fora, pergunta pela mulher, a colombiana Paula, procura por ela no café ao lado, fala mal desses “filmes reacionários, com história”, dá o toque de que “o cinema materializou o desejo de ser imagem e som da palavra”. “A Idade da Terra” seria o último filme de quem fizera obras-primas como “Terra em Transe” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”. Cinco meses depois daquele sábado em Paris, Glauber estava morto. Coincidência: o coração do guerreiro parou de bater num sábado. A saúde de Glauber já era assunto de conversas ao pé do ouvido. O guerreiro não andava bem. Tinha passado uma noite vomitando, dormira durante a projeção de documentários brasileiros no cinema “Le Denfert”. Um diálogo sobre cinema brasileiro com um estudante brasileiro que fora visitá-lo na casa em que ele passava a temporada parisiense teve de ser interrompido. O estudante terminou tendo de ir a uma farmácia, para comprar remédios. Pouco tempo depois, Glauber levantara vôo para Portugal, onde trabalharia num projeto. As más notícias não demoravam a chegar a Paris: falava-se de complicações

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ACORDA, GLAUBER. ELES ENLOUQUECERAM!

cardíacas, coisas assim. A última palavra surgiu, enfim, na primeira página do Le Monde: “o cineasta brasileiro Glauber Rocha, um grande autor lírico e barroco”, tinha morrido no Rio de Janeiro. Um articulista do Le Monde escreveu que ele ficará para as “gerações futuras” como um testemunho da “necessidade de mudar mundo”. Guardo comigo os jornais. Por que diabos as imagens daquela manhã de inverno em Republique estão passando agora, nítidas e claras, na minha cabeça, como se saídas de um filme doméstico que a gente deixa guardado durante anos no fundo da gaveta ? Uma imagem que vi por puro acaso numa TV a cabo funcionou como um gatilho detonador dessa torrente de lembranças: a voz de Glauber Rocha fazia um discurso grandiloquente sobre imagens de Brasília. Falava de Terceiro Mundo, capitalismo, socialismo, revolução soviética confrontando a riqueza americana, a roda da História, invasões, Europa conquistando o Novo Mundo, catequeses, cristianismo, utopias, barbáries, caudilhos, a América Latina pagando o preço da progresso alheio, o sonho de que aquela paisagem do Planalto Central produzisse iluminações planetárias. O discurso de Glauber Rocha acendeu um devaneio tropical numa madrugada sul-americana: quem sabe, o que falta ao Brasil, hoje, é um toque épico, uma fagulha daquele delírio que Glauber Rocha articulava sobre imagens de Brasília. Glauber Rocha apostava tudo no sonho de que o Brasil poderia ser, sim, um país original, uma voz que pronunciasse novidades para o resto do planeta, um laboratório bárbaro que emitiria luzes belas e grandiosas. Por que não ? Hoje, quando a mediocracia e ausência de ambição desfilam de mãos dadas diante do Cemitério das Causas Perdidas, a figura de Glauber Rocha aponta para a direção contrária. O Brasil precisa de delírios glauberianos de grandeza. Ambição de originalidade. Explosões de gestos, imagens e palavras. Torrentes e vulcões contra a pequenez. “Ondas de civilização”. Meninos, eu vi, num sábado cinzento, a fagulha de um visionário brilhar no saguão de uma sala de cinema em Paris. Glauber Rocha sonhava grandezas para o Brasil, quebrava os catecismos políticos, imaginava um destino épico para esta república ancorada na porção sul da América. ”Acorda, Glauber. Eles enlouqueceram!”. (*) É jornalista. Documentarista. Dirigiu, entre outros, o documentário Canções do Exílio — com depoimentos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé e Jorge Mautner sobre os tempos em que viveram em Londres.

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JanGo De: Marcio Meirelles Para: Geneton Moraes Neto e Paloma Rocha

muito obrigado geneton estou ainda chorando de ler o q vc escreveu aqui em mindelo — cabo verde ensaio agora um espetáculo chamado exatamente EM DEFESA DAS CAUSA PERDIDAS — um ensaio sobre d quixote c jovens caboverdianos entre 14 e 24 anos o impacto do seu texto sua memória seu pensamento me fazem bem e me provocam qdo quase penso em desistir mais uma vez do teatro e dos projetos de mudança que o teatro me obriga a formular e por em marcha quase q diariamente qdo quase penso q n vale a pena cavar este cemitério de causas perdidas n vale a pena tentar restituir ao brazyl a vida perdida em nevoeiros de entretenimento e distração de copas novelas ficções democráticas representativas manipulações religiosas mercadológicas imperialistas que tudo isso é muito sufocante e q as utopias muito negociadas precisam novas utopias p se salvarem seu texto para o programa de JANGO me lembra q n dá pra desistir q é preciso ir em frente q a hystória exige e cobra essa marcha fiquei muito feliz e emocionado com a convergências de nossos projetos seu documentário e nossa montagem acho q alguma coisa no brazyl agora pede uma revisão política e poética urgente foi isso que me instigou qdo ao pensar em como celebrar os 50 anos do teatro vila velha me veio JANGO à memória não de graça não à toa pelo q significam neste momento ou podem significar para o brazyl jango e glauber e o teatro vila velha enquanto isso no vila jovens ensaiam JANGO trabalham para q seja concluida e apresentada a ence-

nação qdo eu voltar ensaiam músicas e coreografias do espetáculo q glauber nos deixou como missão realizar mesmo q n soubesse qdo escreveu a peça ele nos destinava a isso de alguma maneira há importantes registros da presença de glauber no teatro vila velha cinco anos atrás para ser anistiado politicamente para receber o pedido de desculpas oficial pelo exílio prisão confinamento maus tratos tortura e morte que o brazyl q ele sonhava mudar lhe impôs oficial ou inoficialmente física ou simboicamente e vi no palco onde vamos apresentar o seu JANGO o governo pedir desculpas a d lúcia à família rocha e a todos nós pelo q foi feito ao homem brazyleiro glauber rocha outro registro de glauber no teatro vila velha foi na platéia de onde escreveu um artigo sobre ter assistido em STOPEM STOPEM — de joão augusto/ teatro dos novos —  a reconstrução do teatro brasileiro coisa q achava impossível depois de te-lo visto ser desconstruído por zé celso no REI DA VELA outra registro monumental da relação de glauber com o vila velha é seu corisco othon bastos do teatro dos novos levado imediatamente após uma leitura dos FUZIS DA SENHORA CARRAR feita pelo grupo para o sertão baiano para filmar DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL e este registro além do próprio filme está na cópia de um recibo de 100 cruzeiros que ele pagou pela ausência de othon nos ensaios de ELES NÃO USAM BLEQUETAI primeira peça de teatro encenada no vila

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JanGo o brazyl deve muitas coisas a glauber mas a maior dívida é uma rebelião conduzida politica e poeticamente por suas idéias de soberania que nos leve a um futuro único destinado a este país diferente do presente negociado q estamos vivendo ele previu este presente em sua obra ele previu este presente em JANGO está lá tão translúcido qto água mas ele também previu um futuro antropofagicamente possível para o brazyl um futuro q devemos a ele e a muitos outros q sonharam e lutaram de diversas formas em defesa de causas perdidas … pronto, meu velho por fim minha resposta à emoção q vc provocou acabou virando meu texto para o programa e aí me veio a ideia de publicar a gênese toda destes 2 textos seu imeio seminal para paloma e as respostas q se seguiram peço sua autorização peço também a paloma

O BRAZYL DEVE MUITAS COISAS A GLAUBER MAS A MAIOR DÍVIDA É UMA REBELIÃO CONDUZIDA POLITICA E POETICAMENTE

obrigado mais uma vez seguimos Enviado sexta, 20 de junho de 2014

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JANGO — UMA TRAGEDYA FICHA TÉCNICA

texto glauber

rocha

teatro vila velha

assessoria de comunicação

arlon souza, eduardo coutinho

operação de som encenação e conceito de espaço cenário figurino e luz márcio meirelles

rodrigo veras

preparação de elenco

assistente de coreografia

bertho filho

marcelo galvão

montagem do figurino com peças do acervo do teatro vila velha e teatro castro alves elenco colaboração no desenho de luz marcos dede montagem de luz e cenotecnia equipe

técnica do tvv

palestra sobre período histórico caio adam composição e direção musical tropical

selvagem ronei jorge & joão milet meirelles

elenco banda caio terra guitarra violão, gabriel penha baixo pandeiro, jadsa castro violão acordeon de brinquedo kalimba clave , jean pedro alfaia agogô derbaque , shalom adonai violoncelo percussão bateria

coreografia

cristina castro preparação corporal

anita bueno, bárbara barbará, dejalmir melo produção audiovisual

apoena serrat, cadu mesias, rafael grilo, victor fernandes

jango yan britto carlos batista rodrigo

captura e edição de imagens

rafael grilo

villa ou hugo bastos

projeto gráfico e colagens

victor fernandes ou caio terra

padre arthur

tropical selvagem lia cunha & iansã negrão

segundo assistente

caio terra

roberto abreu

eduardo coutinho ou cláudio varela

fotos do elenco

apoena serrat

tratamento de imagem

Citação a música Cae, Cae (Martins) no tema de carmen preparação vocal

marcelo jardim

elizabeth taylor

cláudio varela fotos de ensaio/ cena

milet meirelles

joão

montagem de som

universidade livre de

de teatro olodum projeto de extensão

universidade livre de teatro vila velha

júlio souza

projeto integrante

vinicius bustani

3ª bienal da bahia

izabelle adjane

fernanda veiga

produção executiva

carmem miranda

universidade livre de teatro vila velha

amanda brito regis debray breno fernandes ou franklin albuquerque odalisca victória matos miguel arraes cadu

desenho de som

gabriel franco

leonel brizola

tiago querino ezequiel maurício Pedreira ou cris vieira maria tereza giza vasconcelos ou marcia ribeiro ou mariana souza marina city babi ferreira ou mari gavim tony spencer sérgio laurentino ator do bando

pierre dupont

primeiro assistente

jadsa castro

mesias ou franklin albuquerque cantora cris vieira coristas iana nascimento, luana paim, fernanda veiga francisco julião gilberto reys ou vado souza

produção de spot publicitário DUDU

ASSUNÇÃO

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realização

teatro vila velha


elenco ➊ Mariana Souza ➋ Vado Souza ➌ Jean Pedro ➍ Marcia Ribeiro ➎ Luana Paim ➏ Vinicius Bustani ➐ Gilberto Reys ➑ Mauricio Pedreira ➒ Victor Fernandes


elenco ➊ Amanda Brito ➋ Franklin Albuquerque ➌ Eduardo Coutinho ➍ Sergio Laurentino ➎ Victoria Matos ➏ Fernanda Veiga ➐ Mari Gavim ➑ Tiago Querino ➒ Hugo Bastos ➓ Jadsa Castro Caio Terra


elenco ➊ Iana Nascimento ➋ Rodrigo Villa ➌ Breno Fernandes ➍ Claudio Varela ➎ Shalom Adonai ➏ Gabriel Penha ➐ Yan Britto ➑ Apoena Serrat ➒ Cadu Mesias ➓ Giza Vasconcelos Babi Ferreira Cris Vieira


JanGo MINI BIOGRAFIAS por ordem de aparição

PADRE ARTHUR fictício PIERRE DUPONT (grafia adotada por glauber) Pierre du Pont é o nome de três membros da famosa e poderosa Família du Pont, de origem francesa. Pierre Samuel du Pont de Nemours nasceu em 1739, foi escritor, economista e membro do governo francês, migrou com sua família para os Estados Unidos em 1799. Foi o patriarca e de uma das mais bem sucedidas e ricas dinastias empresariais dos Estados Unidos dos séculos 19 e 20. Pierre Samuel du Pont, seu tataraneto, nasceu em 1870, geriu a E. I. du Pont de Nemours and Company, assim como a Genaral Motors por algum tempo. Seu filho, Pierre S. du Pont IV, é um Político norte-americano, foi governador pelo estado de Delaware, no período de 1977 a 1985, pelo Partido Republicano.

Jango João Belchior Marques Goulart, popularmente conhecido como Jango, foi o 24º presidente do Brasil, e também o último antes da instauração da ditadura militar em 1º de abril de 1964. Nascido em 1919 na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, formou-se em Direito em 1939. Iniciou na política por acaso. Seu pai, grande estancieiro em São Borja, era amigo íntimo de Getúlio Vargas e chegou a cogitar a possibilidade de vê-lo como político. Com a morte dele, Jango herda as extensas propriedades e uma grande quantia de dinheiro. Em 1945, quando Getúlio Vargas retorna à sua cidade natal, visita as propriedades de Jango e o convida a ingressar na política, como presidente do PTB. Ele torna-se deputado estadual e, aos poucos, grande confidente do ex-presidente. Getúlio Vargas o convence a participar das eleições de 1950 e, em 1953, o nomeia como Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, durante seu segundo mandato como presidente do Brasil. Em 1955, casa-se com Maria Thereza Fontella e é eleito vice-presidente com mais votos que o próprio presidente, Juscelino Kubitschek. Em 1961, em seu segundo mandato como vice-presidente, João Goulart assume a presidência do Brasil em meio a uma grave crise política, desencadeada pela renúncia do então presidente Jânio Quadros. É acusado de pró-comunismo pelo setores mais conservadores ao tentar implementar as Reformas de Base. Essa é a justificativa para instauração do Golpe Militar de 1964 que contou com amplo apoio da imprensa e dos partidos de direita. Faleceu em 1976 na Argentina, em pleno exílio. Até hoje existe suspeitas sobre um possível assassinato.

JULIO SOUZA fictício IZABELLE ADJANE (grafia adotada por glauber) Isabelle Adjani é uma atriz francesa. Nascida no ano de 1955 começa cedo sua carreira. Aos 17 anos ingressa para a Comédie-Française, reconhecida como a atriz mais talentosa de sua geração. Ganha destaque no cenário internacional em 1975 com o filme L’histoire d’Adèle H. RÉGIS DEBRAY Filósofo, jornalista, escritor e professor francês. Nasceu em Paris, em 1940. Na década de 1960, envolveu-se com grupos guerrilheiros da América Latina. Foi preso na Bolívia e depois libertado, no ano de 1970. Professor de filosofia na Universidade de Lyon, é autor de numerosos livros, entre eles La Révolution dans la révolution (1967), Le Pouvoir intellectuel en France (1979), Que vive la République (1989) e L’État séducteur (1993).

CARLOS BATISTA Nascido em 19 de novembro de 1952, em Votuporanga (SP), João Carlos Batista dedicou-se à militância na luta pela reforma agrária, advogando para dezenas de sindicatos de trabalhadores rurais e organizando a ocupação e resistência militante. Em 1978, recrutado pelo MR–8, integra-se ao movimento pela reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1986 é eleito deputado estadual pelo PSB. Foi assassinado em 6 de dezembro de 1988 logo após participar de uma sessão legislativa da constituinte estadual.

ELIZABETH TAYLOR Elizabeth Taylor foi uma das estrelas mais glamourosas a surgir durante a lendária idade de ouro de Hollywood. Filha de pais americanos, nasceu em Londres em 1932. Ainda criança ela se muda com sua família para Los Angeles antes do início da II Guerra Mundial. Famosa por interpretar o clássico Cleópatra em 1963 Liz Taylor atuou em vários filmes, recebeu seu primeiro Oscar por Butterfield 8 (1960) e o segundo por Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1966). Possuiu uma vida amorosa agitada, casou oito

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JanGo LEONEL BRIZOLA Considerado o herdeiro político de Getúlio Vargas e de João Goulart, Leonel de Moura Brizola foi um dos mais destacados líderes nacionalistas do país. Foi o único político eleito pelo povo para governar dois estados diferentes, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, em toda a história do Brasil. Brizola nasceu em 1922, no povoado de Cruzinha. Filho de camponeses pobres, estudou em Passo Fundo e em Viamão, antes de ingressar no curso de engenharia civil. Em 1950, casou-se com Neuza Goulart, irmã do ex-presidente João Goulart. Como parlamentar, fez discursos veementes defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil. Com a deposição do presidente João Goulart pelos militares, em 1964, Leonel Brizola tenta organizar uma resistência a partir do Rio Grande do Sul, sem apoio é obrigado a exilar-se no Uruguai. Com a anistia de 1979, voltou ao Brasil. Em 1982 e 1990, elegeu-se governador do Rio de Janeiro. Nos anos 80, fundou o PDT, partido de esquerda voltado aos interesses trabalhistas. Por duas vezes candidata-se à presidência da República saindo-se derrotado nas duas eleições. Brizola morre em 2004 aos 82 anos no Rio de Janeiro.

vezes. Morreu em 2011 aos 79 anos de idade. CARMEN MIRANDA Carmen foi a primeira artista multimídia do Brasil. Pioneira, foi a maior estrela do disco, do rádio, do cinema, dos teatros, da mídia, e dos cassinos brasileiros. Protagonista de uma carreira meteórica, Carmen conseguiu uma projeção internacional como nenhuma outra artista do país. No cinema americano, teve a imagem atrelada à caricatura da mulher latina. Do lado brasileiro, foi acusada de ser instrumento da estratégia americana de boa vizinhança com os países latino-americanos antes da Segunda Guerra e também de servir ao populismo de Getúlio Vargas. Morreu na madrugada de 5 de agosto de 1955, após a gravação de um programa de televisão em Los Angeles, com apenas 46 anos. MIGUEL ARRAES Arraes nasceu no dia 15 de dezembro de 1916. Cearense de nascimento, Miguel Arraes de Alencar, construiu sua carreira política em Pernambuco e tornou-se um dos maiores expoentes da esquerda brasileira. Foi deputado estadual, federal e governador de Pernambuco por três vezes. No seu primeiro mandato, que não chegou a concluir, Implantou programas de destaque na área de educação e no setor rural. No dia primeiro de abril de 1964, Arraes foi deposto pelo Golpe Militar. Depois de ficar preso em quartéis do Recife e da Ilha de Fernando de Noronha, seguiu em 1965 para a Argélia, onde passou 14 anos exilado. Retornou ao Brasil em 1979, quando foi decretada a anistia. De volta ao Recife, Arraes retomou sua trajetória política, se filiando ao PMDB. Foi eleito governador do estado por mais dois mandatos em 1986 e 1994. Morreu aos 88 anos em 2005, no exercício do mandato de deputado.

EZEQUIEL fictício MARIA TEREZA (grafia adotada por glauber) Maria Thereza Fontanella Goulart nasceu em 23 de Agosto de 1940, casou-se em 1955 com João Goulart aos 15 anos. Foi a primeira dama mais jovem da história do país, com 21 anos na época da posse. Foi considerada uma das mulheres mais belas da América. Atualmente luta pela investigação da morte de Jango.

FRANCISCO JULIÃO Advogado e político pernambucano, Francisco Julião Arruda de Paula nasceu em 16 de fevereiro de 1915. Fundador das Ligas Camponesas em Pernambuco, é um dos mais importantes defensores da reforma agrária no Brasil, antes do Regime Militar de 1964. Nascido no Recife e formado em direito, dedica-se, desde o início da carreira, a defender camponeses expulsos de suas terras. Após o golpe de 31 de março de 1964, permaneceu três meses na clandestinidade, antes de ser preso perto de Brasília. Esteve em diversas prisões durante 18 meses. Exilado, deixou o Brasil em 30 de dezembro de 1965.

TONY SPENCER fictício MARINA CITY fictício

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JanGo sempre novo vila velha sônia robatto

Eis o Teatro! Eis o Vila Velha! Nosso Vila! Há cinqüenta anos teatrais escrevendo no palco uma emocionante história!

Eis o Vila Abrindo os seus palcos para novas gerações. Criando a Universidade Livre do Teatro Vila Velha, as Oficinas de formação teatral e técnicas do palco. Realizando intercâmbios nacionais e internacionais. Eis o Vila nosso de cada dia! Ha cinqüenta anos de pé, dando os três sinais mágicos para que cada peça comece! E no final o nosso público possa aplaudir, de pé, num grande abraço!

Eis o Vila! Nossa casa, nosso equilíbrio, nossa loucura! Paredes impregnadas de personagens. (Estranhos seres feitos de eternidades). Luzes iluminando todos os tempos! Eis o Vila! Cenógrafos inventando outras realidades. Diretores regendo as suas mais loucas invenções. Atores abrindo os corações para o público. Músicos trilhando novos caminhos.

Eis o Vila, abrindo as suas portas, para o mundo, há 50 anos!

Eis o Vila! Equipes administrando, equilibrando a sua vida. Mantendo as suas portas abertas, numa luta diária. Técnicos concretizando os seus sonhos de Teatro. Eis o Vila! Teatro dos Novos, Teatro Livre, Vila Dança, Bando do Teatro Olodum, Novos Novos, Vila Vox, A Outra Companhia, Fala Vila, Meia Noite se Improvisa, Oficinas do Vila, Três e Pronto, Quem manda é nós, Curta Vila, Meia tarde se Improvisa, O Que cabe neste Palco, Universidade Livre do Teatro Vila Velha. Eis o Vila Enfrentando a ditadura militar! Acolhendo os perseguidos políticos! Denunciando a ditadura do consumo, o preconceito de cor, de religião, de idade, sediando, a Comissão da Verdade!

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JanGo vila aos 50 teatro vila velha

Teatro. É isso que fazemos há 50 anos. Sem parar. Nem pra reforma. Enquanto era reconstruído, entre 1994 e 98, pelo projeto Novo Vila, o Teatro Vila Velha (TVV) continuava produzindo e apresentando os seus espetáculos. Entre tijolos e sacos de concreto, os atores, o público: o teatro. Lá atrás, em 1964, foi também fazendo teatro que a Companhia Teatro dos Novos conseguiu erguer o TVV. Até nos anos 80, quando recorreu ao teatro pornô de companhias paulistas, foi com o teatro que o Vila tentou sair da crise que ameaçava fechar as suas portas. Viver de teatro por meio século é, para nós, uma honra imensa. Sobretudo quando o teatro que se faz é um teatro vila velha. Em minúsculas, pois teatro vila velha é também uma forma de fazer teatro, um tipo de teatro que carrega consigo o que foi construído por todos que passaram por aqui. Fazer teatro vila velha é fazer um teatro conectado com as questões da cidade, do mundo. É defender os direitos da população, propor mudanças, reagir ao que está errado. O TVV sempre foi um espaço de liberdade, desde a sua inauguração, em 31 de julho de 1964, exatos quatro meses após o Golpe Militar. O Vila reagiu à ditadura, acolheu artistas e estudantes perseguidos, abrigou encontros do movimento estudantil. Por toda essa história, o TVV foi sede da Anistia Internacional. Foi também no palco do Vila que foram julgadas e aprovadas as anistias políticas do cineasta Glauber Rocha e do guerrilheiro Carlos Marighella, que o Estado Brasileiro pediu desculpas a suas famílias pelos atos criminosos durante o regime militar. Em 2012 e 2013, o Vila abrigou o Movimento Desocupa, contrário aos abusos feitos pela administração municipal e, junto a ele, realizou o projeto “A Cidade que Queremos”, que discutia o futuro de Salvador. Mais tarde, apoiou o Movimento Passe Livre, que tinha o Passeio Público como quartel general. É também histórica a luta do TVV contra o racismo. O Bando de Teatro Olodum há 23 anos coloca em evidência a violência, a discriminação e as injustiças sofridas pelo negro ainda hoje. A luta por respeito ao povo negro e, especialmente, à arte negra, levantada pelo Bando, serve de inspiração a muitos, e já transcendeu as fronteiras do Brasil. Fazer teatro vila velha é também construir no plural. Fundado pela Cia Teatro dos Novos, primeira companhia profissional de teatro da Bahia, foi berço de importantes grupos artísticos. Nasceram aqui o Teatrinho Chique-Chique, o Vilavox e a Companhia Novos Novos, hoje com sedes próprias. Aqui surgiu o Viladança e o Vivadança Festival Internacional, que coloca o Vila e a Bahia no circuito internacional de dança. Abrigou o Teatro Livre da Bahia, A Outra, o NATA — Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas, a Cia Teatro da Queda, a Supernova Teatro e é a casa do Bando de Teatro Olodum. Este palco, chamado por Gilberto Gil de “pia batismal dos artistas baianos”, é lembrado com carinho por quem já passou por aqui e, por isso, costuma emocionar os que pisam nele pela primeira vez. Nas páginas finais deste programa, apresentamos um resumo da nossa história e te fazemos um convite: CONHEÇA OS 50 ANOS DO TEATRO VILA VELHA E VENHA PARTICIPAR DOS PRÓXIMOS.

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JanGo universidade livre de teatro vila velha

Criada em fevereiro de 2013, a universidade LIVRE de teatro vila velha é um resumo de tudo o que o Teatro Vila Velha foi e é até hoje: um espaço de experimentação, formação artística e constante diálogo com a sociedade. A LIVRE se conecta com as ideias do artista visual e ativista político-cultural alemão Joseph Beuys (1921–1986), do diretor teatral Zé Celso Martinez (Teatro Oficina) e de outros artistas e coletivos que pensam a arte como ferramenta política de transformação. A partir do programa de formação em artes cênicas da universidade LIVRE, o Vila se reinventa continuamente, deslocando a construção dos processos artísticos para lugares em que os integrantes do grupo exercem plena e conscientemente toda a autonomia criativa e de gestão. Essa consciência se instala por meio de ações multidisciplinares, transversais e poéticas, nos quais os participantes entram em contato com conhecimentos de iluminação, sonorização, cenografia, figurino, produção, administração, comunicação e muitos outros que tenham o objetivo de construção de um saber pleno sobre a função de todos os atores e componentes estéticos envolvidos neste sistema. Cada participante da universidade passa necessariamente por todos os setores do teatro. Para a LIVRE, a formação do ator não está apenas no palco. “A LIVRE é uma comunidade multidisciplinar, que surge com a necessidade de repensar a sociedade, o teatro. Propõe-se não só à reflexão, mas à ação, dando resposta a um teatro que encontra dificuldades para conservar seu público. É um espaço de troca sempre constante de conhecimento. Não temos professores, alunos, departamentos… Trabalhamos com dramaturgia, cenografia, iluminação, figurino, percussão, voz, corpo, tecnologia. Não há obrigação. O que nos interessa é o compromisso”, explica o diretor Marcio Meirelles. Os participantes da LIVRE realizam encontros de segunda a sábado, quando, além dos ensaios, são realizados trabalhos de corpo, percussão, capoeira, música, canto, dança, gestão colaborativa, dramaturgia, tecnologias, audiovisual, yoga, sempre voltados para o trabalho de ator. A LIVRE realiza ainda cursos de extensão para os seus

A LIVRE É UMA COMUNIDADE MULTIDISCIPLINAR, QUE SURGE COM A NECESSIDADE DE REPENSAR A SOCIEDADE, O TEATRO

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participantes, como as oficinas de maquiagem cênica, de iluminação e de construção de berimbaus e alfaias, instrumentos incorporados à cena. Além dos cursos de extensão, a LIVRE realiza oficinas e encontros com profissionais de artes de diversas áreas, possibilitando uma troca de conhecimento que extrapola os limites do estado e país. A universidade LIVRE de teatro vila velha tem coordenação de Marcio Meirelles e a colaboração de Martin Domeq, Bertho Filho (preparação de ator), Anita Bueno (yoga), Ridson Reis (percussão), Cristina Castro (preparação corporal), Leno Sacramento (capoeira). Tadashi Endo (dança contemporânea japonesa Butoh), o ator Cacá Carvalho, o diretor musical do Theatre de Soleil, Jean-Jacques Lemêtre, a diretora e iluminadora Fernanda Paquelet, o ator do LUME Carlos Simioni, Cibele Forjaz (dramaturgia colaborativa), a atriz Sonia Robatto, a diretora Chica Carelli, o dramaturgo Hayaldo Copque, o ator e diretor Vinicius Piedade, o grupo Mundana, Pedro Jatobá (gestão colaborativa), Pedro Dultra (iluminação) entre outros profissionais, colaboraram neste primeiro ano da LIVRE através de encontros, projetos específicos, oficinas, conversas e demonstração de processos. Junto à criação da LIVRE, o Vila entra no ambiente de Economia Solidária, através da moeda social “tempo”. O “tempo” serve como alternativa e complemento ao Real. Desse modo, o trabalho, bem como serviços oferecidos pelo Vila, como aluguel de pauta, passam a poder ser negociados a partir de uma nova lógica, que valoriza o tempo de trabalho. Participantes da LIVRE, por exemplo, pagam parte da mensalidade em dinheiro e parte em “tempos”, através de funções desempenhadas nas diversas áreas do teatro, como comunicação, técnica, bilheteria, produção, entre outras. O fluxo de “tempos” é administrado através da plataforma colaborativa Corais (www.corais.org/livre), implementada no Teatro Vila Velha com a consultoria do produtor cultural Pedro Jatobá. Como forma de incluir o público no seu processo de criação, a LIVRE apresenta, periodicamente, os Experimentos. Neles, são apresentadas cenas em processo que servem como pesquisa e experimentação para a montagem dos espetáculos. Ao longo do ano de 2013, arco 1 da universidade LIVRE, foram apresentados seis Experimentos, todos baseados na obra Frankenstein, de Mary Shelley. No mesmo ano, a LIVRE co-realizou com a Cia Teatro dos Novos o espetáculo Espelho para Cegos, apresentado na mostra oficial do Festival de Curitiba e no Verão Arte Contemporânea (BH). Em janeiro e fevereiro de 2014, estreou os espetáculos Por que Hécuba, de Matéi Visniec, mesmo autor de Espelho para Cegos, e Frankenstein, encerrando o primeiro arco. Em seu segundo ano de atividades, arco 2, o grupo se debruça sobre a obra de William Shakespeare, mais especificamente as peças Hamlet e Macbeth que junto com Jango, espetáculo que marca a celebração dos 50 anos do teatro, compõem a trilogia do golpe. Até então foram apresentados três Experimentos — baseados nas peças Hamlet, Macbeth e Jango — todos eles integrados a programação da 3ª Bienal de Arte da Bahia.

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Linha do tempo

1959 Verão de 59. Criação da Sociedade Teatro dos Novos pelos atores Othon Bastos, Carlos Petrovich, Nevolanda Amorim, Sônia Robatto, Mario Gadelha, Echio Reis, Teresa Sá (Maria Francisca) e Carmem Bittencourt, liderados pelo diretor João Augusto, depois de romperem com a Escola de Teatro da Ufba. 1960 Primeiro espetáculo montado para os Novos, com direção de João Augusto e texto de Sonia Robatto: Auto do Nascimento. 1961 O Governo cede um terreno no Passeio Público e é iniciada a construção do Teatro Vila Velha com projeto arquitetônico de Alberto Fiúza e Silvio Robatto.

1962 A Sociedade Teatro dos Novos é reconhecida de utilidade pública. 1964 É inaugurado o Teatro Vila Velha em 31 de julho com uma série de espetáculos, entre eles Nós, por exemplo que apresentou Caetano, Gil, Bethânia, Gal, Tom Zé e outros artistas. 1964 Primeiro espetáculo dos Novos apresentado no Vila: Eles Não Usam Bleque-Tai, texto de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por João Augusto. 1964 Othon Bastos atua no filme Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha.

1968 Stopem, stopem!, dirigido por João Augusto, é o último espetáculo realizado pelos Novos.

1979 Echio Reis, na direção do Vila, cria um coletivo de artistas, realiza oficinas e monta espetáculos.

1969 É apresentado o show de estreia dos Novos Baianos Desembarque dos bichos depois do dilúvio.

1984 Echio Reis sai da direção do Teatro Vila Velha e a Sociedade teatro dos Novos transfere a administração do teatro para a FUNCEB, através de um convênio. O teatro passa a ser dirigido por Sandra Berenguer.

1970 O Teatro Vila Velha abriga o Teatro Livre da Bahia, que se torna o principal responsável pela programação do teatro até o final da década de 70. O primeiro espetáculo do grupo é GRRRRrrrr. 1975 O Teatro Livre de Bahia apresenta Cordel 3 na Europa. 1975 O Vila torna-se uma das sedes do combate pela anistia. 1976 O Teatro Livre da Bahia, com mais de 40 integrantes, passa a ter cinco núcleos, o Teatro de Rua, dirigido por Benvindo Siqueira, é o mais bem sucedido. 1979 Morre João Augusto e a Sociedade Teatro dos Novos reassume o Teatro Vila Velha. O Teatro Livre da Bahia cria sua própria sede.

1987 A Sociedade Teatro dos Novos reassume a gestão do Vila e Petrovich a sua direção. 1987 O Vila busca contornar uma grave crise financeira recebendo espetáculos de teatro pornô, de companhias cariocas e paulistas, e montando peças infantis. 1990 Marcio Meirelles deixa a direção do Teatro Castro Alves e cria, junto com Chica Carelli e outros artistas, o Bando de Teatro Olodum. 1994 Marísia Motta entra no TVV para programar, com Tereza Araújo e Dedá Rebouças, o Meia Noite Se Improvisa. 1994 A STN associa-se a ONG Sol Movimento da Cena


(Marcio Meirelles, Ângela Andrade, Chica Carelli, Hebe Alves, Tereza Araújo e os conselheiros Luiz Marfuz e Margarida Almeida) que passa a gerir o espaço. É iniciada a revitalização do teatro através do projeto NOVO VILA. O Teatro Vila Velha reabre abrigando os grupos: Cereus, Tribo de Teatro e Mais de Mil (CRIA) e Bando de Teatro Olodum. 1994 É implantada a gestão colegiado do Vila com três diretorias: artística (Marcio Meirelles), Administrativa (Ângela Andrade) e Técnica (Chica Carelli). 1994 Estreia do primeiro espetáculo do Bando no Vila, Bai Bai Pelô, com Lázaro Ramos e Virgínia Rodrigues iniciando no grupo. 1995 Jarbas Bittencourt entra no Vila com a Confraria da Bazófia.

1995 Wagner Moura passa a integrar o grupo Cereus.

1999 O projeto Tomaládacá traz grupos amadores para o TVV, como o EPA, que trouxe Érico Brás para o Bando.

1995 O CRIA passa a ter sede própria e o Cereus se desfaz. O Bando passa a ser o único grupo residente do TVV. 1995 Com apoio do Ministério da Cultura, da Secretaria de Cultura e Turismo, através da FUNCEB, Petrobras e Eletrobras, é iniciada a expansão do Teatro desenhada pelo arquiteto Carl Von Hauenschild. O Vila mantém as atividades, permitindo ao público acompanhar o trabalho. 1995 Marcio Meirelles dirige Zumbi com o Bando de Teatro Olodum no Vila e com a Black Theatre Company em Londres 1995 Echio Reis, após deixar a STN, cria o Teatro Popular de Ilhéus 1996 É inaugurada a primeira etapa da reforma do Novo Vila: Cabaré dos Novos, salas de ensaios, as áreas administrativas e de apoio. 1996 Início das Oficinas Vila Verão, organizadas por Hebe

2001 Cia Novos Novos é criada por Débora Landim, que monta Imagina só.

Alves e Cristina Castro, com o apoio de Débora Landim.

2001 Nasce o Vilavox, dirigido inicialmente por Jarbas Bittencourt e posteriormente por Gordo Neto.

1997 Cristina Castro cria o projeto Baila Vila com Selma França e Rita Brandi.

2001 Intercâmbio com o Royal Coutr Theater de Londres para oficina de dramaturgia.

1997 Estreia de Cabaré da Rrrrraça do Bando de Teatro Olodum.

2002 O Vila passa a ser gerido por um colegiado formado por representantes dos grupos de trabalho.

1998 A peça Um Tal de Dom Quixote, protagonizada por Carlos Petrovich (STN) e Lázaro Ramos (BTO), reinaugura o Novo Vila.

2002 O Teatro Popular de Ilhéus, dirigido por Romualdo Lisboa participa do Teatro de Cabo a Rabo e se apresenta no TVV.

1998 O Viladança é criado por Cristina Castro. No mesmo ano, o grupo ganha o Troféu Nacional Mambembe de Cia de Dança Revelação.

2003 O Viladança recebe o prêmio Promotion of the Arts, da UNESCO, no V Mercado Cultural.

1999 O TVV passa a fazer parte da Cena Lusófona, projeto de intercâmbio teatral entre países de língua portuguesa.

2004 Montagem de Auto retrato aos 40 com direção de Marcio Meirelles, Chica Carelli, Cristina Castro, Débora


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apoio cultural

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uma ação na

realização


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