devorado pelo povo um homem nasce de novo glauber rocha jango
PROGRAMAÇÃO
AGOSTO
EDITORIAL De 31 de julho a 31 de agosto, o Teatro Vila Velha apresenta Jango: Uma Tragedya. A peça, escrita por Glauber Rocha em 1976, mostra o presidente João Goulart durante o seu exílio, após ser deposto pelo Golpe Militar de 1964, mas nada mais é que uma discussão sobre o Brasil de ontem e de hoje. Montar Jango em 2014, momento em que o Golpe Militar completa 50 anos, é rememorar essa história e abrir os olhos para os pontos em que, hoje, ela parece repetir-se. É celebrar os 50 anos do Teatro Vila Velha, espaço que sempre lutou em defesa da liberdade, e os 75 anos de Glauber Rocha, artista de ações e pensamentos muito próximos do que propôs e propõe o Vila. Na figura de Jango estava uma luta por avanços sociais que foi interrompida pelo Golpe que nos levou à ditadura. Hoje, temos uma realidade parecida: de um lado um governo que tem conseguido fazer uma política de distribuição mais justa e, de outro, um grupo contrário, que busca estratégias para negar o avanço social que o país tem conseguido alcançar nos últimos anos, tendo como aliadas as grandes empresas de comunicação. Através do encontro de João Goulart com grandes personagens dos campos político, artístico, econômico e intelectual dos anos 1960 e 1970, a peça coloca em questão o poder em suas diferentes formas. Foi também há 50 anos que se estabeleceu a relação de Glauber com o Teatro Vila Velha. O filme Deus e o Diabo na Terra do Sol teve como protagonista Othon Bastos, na época um dos atores da Companhia Teatro dos Novos, grupo que fundou o Vila. Conta a lenda que, depois de assistir a uma leitura dramática de Os Fuzis da Senhora Carrar, feita pelos Novos, na Escola de Arquitetura, impressionado com o trabalho do grupo com Brecht, Glauber teria alterado todo o roteiro e a direção do filme, e consequentemente, a forma de fazer cinema, a partir de então com fortes influências do teatro.
Em agosto, através do Cine Vila, abrimos também um espaço para ver e discutir a obra de Glauber Rocha no cinema. A terceira edição do cineclube do Teatro Vila Velha, que acontece desde junho em parceria com a 3ª Bienal da Bahia, exibe o filme O Leão de Sete Cabeças, de Glauber, e o curta Afrique sur Seine, co-produção de França e Senegal - duas obras que desvendam o continente africano. Também neste mês, apresentamos a exposição VILA+50.2: O TEATRO DOS NOVOS, a segunda de uma série em homenagem ao cinquentenário do Teatro Vila Velha. Em agosto, revivemos a fase inicial do Vila, que começa com a formação da Companhia Teatro dos Novos, por alunos dissidentes da Escola de Teatro, e a inauguração do teatro, com o histórico show Nós, Por Exemplo, que apresentou Tom Zé, Gil, Cartano, Bethânia e Gal, além da peça teatral Eles não usam bleque-tai, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigida por João Augusto. Ainda em agosto, o Teatro Vila Velha abre espaço para a música, com o grupo Outros Diversos, que passa a ocupar o Cabaré dos Novos durante todas as terças-feiras do mês. O grupo inaugura o projeto com nada menos que um tributo ao sambista Batatinha, na sala principal, no dia em que ele completaria 90 anos. O show comemorativo, intitulado Batatinha 90, vai reunir grandes nomes do samba baiano, muitos destes familiares e amigos do compositor. Neste mês, convidamos você a reviver muitos momentos, transformando tudo em futuro. Apoiam o aniversário de 50 anos do Teatro Vila Velha:
MEMÓRIA
foto Acervo Nós, Por Exemplo
“Quanta emoção estar na Vila Velha de novo e, agora, para que mais uma vez possamos arrumar a casa. A vida é assim: de dez em dez anos trocamos o telhado, aumentamos daqui, aumentamos dali, se faz mais um quarto, ou se aumenta a casa porque a família cresceu. É exatamente por isso que nós todos, os artistas da Bahia, temos estado nos reunindo aqui nesse período. O público de Salvador toma conhecimento da extraordinária importância que esse local tem para a vida cultural na cidade e portanto da importância de conservar essa casa bem cuidada, asseada, limpa confortável. Por isso fiz questão de cantar essa música que aqui foi gestada, naquele tempo que ficávamos por aqui, João Augusto,Otto, Marta, Carmem, Petrô.” - Gilberto Gil, durante o show no Projeto Novo Vila, em 1995, que arrecadou fundos para a revitalização do Teatro Vila Velha.
“Estar no Teatro Vila Velha é uma alegria muito grande para mim porque foi aqui que eu comecei a cantar ao lado de Gilberto Gil, Caetano, Gal Costa, Tom Zé, Alcivando Luz, Perna Fróes... Tudo começou aqui nesse espaço com o grupo dos Novos. Hoje o teatro é outro, mas a alegria é a mesma e tão grande, talvez maior. Eu agradeço me receberem pra mais uma vez poder me expressar no palco do Teatro Vila Velha”.
foto João Milet Meirelles
Entrevista concedida por Maria Bethânia à TV Vila após o show Maria Bethania e as Palavras no Teatro Vila Velha em 28 de janeiro de 2011
PROGRA SEGUNDA
CINE VILA CINECLUBE 19h| cabaré dos novos
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TERÇA
QUARTA
OUTROS SAMBAS DIVERSOS BATATINHA 90 MÚSICA 20h | cabaré dos novos 05
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OUTROS SAMBAS DIVERSOS MÚSICA 20h | cabaré dos novos
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OUTROS SAMBAS DIVERSOS MÚSICA 20h | cabaré dos novos
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OUTROS SAMBAS DIVERSOS MÚSICA 20h | cabaré dos novos
QUI
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EXPOSIÇÃO VILA+50.2 - O TEATRO DOS NOV
CONHEÇA OS 50 ANOS DO TEATRO VILA VE
AMAÇÃO
INTA
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TEATRO 20h | sala principal
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TEATRO 20h | sala principal
TEATRO 20h | sala principal
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JANGO: UMA TRAGEDYA TEATRO 20h | sala principal
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TEATRO 19h | sala principal
TEATRO 19h | sala principal
TEATRO 19h | sala principal
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JANGO: UMA TRAGEDYA TEATRO 19h | sala principal
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JANGO: UMA TRAGEDYA TEATRO 19h | sala principal
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VOS 01 a 24/08 | seg a sex | 15h às 18h
ELHA E VENHA PARTICIPAR DOS PRÓXIMOS.
Patrocínio
Apoio Cultural
Fazcultura Secretaria de Cultura
Uma ação na
Realização
Personagem emblemático da história da política brasileira, João Goulart, que caiu nas graças do povo como Jango, foi eleito em 1956 vice-presidente, superando em votos Juscelino Kubitschek, que assumia a presidência àquela época. Foi novamente vicepresidente, dessa vez de Jânio Quadros, período em que o país sofreu a primeira tentativa de golpe, com a renúncia de Jânio (enquanto João Goulart fazia visita diplomática à China) e a compulsória mudança para o sistema parlamentarista. Jango governou o país entre 1961 e 1964, quando teve o mandato cassado pelos militares e permaneceu exilado até a morte. Esses e outros entraves, fatos e desdobramentos são incorporados por Glauber Rocha na peça JANGO: UMA TRAGEDYA. A escolha de JANGO: UMA TRAGEDYA para celebrar os 50 anos do Teatro Vila Velha não é à toa. Inaugurado quatro meses após o Golpe Militar, em 1964, o local se tornou um espaço de reação ao regime totalitário da época, onde abrigaram-se artistas, intelectuais, movimentos sociais e
JANGO: UMA TRAGEDYA estudantes. Por esse motivo, sediou o julgamento da anistia política de Glauber Rocha, em 2010, momento em que o Estado brasileiro pediu desculpas e indenizou a família pela censura e perseguição criminosa ao artista. “Eu tou com o texto desde 1987, mas cada coisa tem seu tempo. Quando a gente tava pensando o que fazer para celebrar os 50 anos do Vila, o texto de Glauber caiu como uma luva, porque são 50 anos do Vila, 50 anos do Golpe, 75 de Glauber, 50 anos do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, que marca a interseção do teatro com Glauber”, comenta Marcio Meirelles, diretor do espetáculo. JANGO: UMA TRAGEDYA reúne as linguagens da dança, música e teatro. A direção musical e trilha sonora, assinadas por Ronei Jorge e João Meirelles, e a coreografia, de Cristina Castro, exploram os ritmos do bolero, tango, frevo, rock e samba, mistura indicada no texto pelo próprio Glauber Rocha. Os figurinos e cenários se compõem de elementos aparentemente díspares, ao reunir referências do futebol, do universo feminino e dos diversos enquadramentos culturais, políticos e sociais.
1 a 31/08 | qui a sab: 20h | dom: 19h R$30 e R$15
VILA +50.2 - O TEATRO DOS NOVOS
A segunda exposição da série VILA+50 debruça-se sobre o primeiro período do Vila, a partir da sua construção e inauguração pela Companhia Teatro dos Novos, em 31 de julho de 1964, exatos quatro meses depois do Golpe. O momento foi marcado por eventos como o histórico show Nós, por Exemplo, que apresentou Tom Zé, Gil, Caetano, Bethânia e Gal, pela primeira vez em um palco, além da peça teatral Eles não usam bleque-tai (foto), de Gianfrancesco Guarnieri, dirigida por João Augusto. Esta foi a época em que o Teatro dos Novos conduziu o teatro e estabeleceu-se como a primeira companhia profissional de teatro da Bahia. O período estendese até 1970, com a chegada do Teatro Livre da Bahia.
Período de visitação: 01 a 24/08 seg a sex | 15h às 18h | gratuito
CINE VILA
VILA
O Cine Vila é um projeto da universidade LIVRE de teatro vila velha, que teve sua primeira edição em junho e acontece mensalmente no Cabaré dos Novos do teatro. Tendo como referência o Curta Vila, projeto de 1995, o cineclube abre espaço para produções externas e produtos audiovisuais próprios do teatro. Entre junho e setembro, através da parceria com a 3ª Bienal da Bahia, o Cine Vila exibe também filmes indicados pela Bienal.
O Leão de Sete Cabeças (BRA, ITA, FRA, 1970, 1h40min) Direção: Glauber Rocha Sinopse: É uma história geral do colonialismo euro-americano na África, uma epopéia africana, preocupada em pensar do ponto de vista do homem do Terceiro Mundo, por oposição aos filmes comerciais que tratam de safaris, ao tipo de concepção dos brancos em relação àquele continente. É uma teoria sobre a possibilidade de um cinema político. Escolhi a África porque me parece um continente com problemas semelhantes aos do Brasil. - Glauber Rocha Afrique sur Seine (FRA e SEN, 1957, 21min) Diretor e realizador: Mamadou Sarr e Paulin Vieyra Gênero: Documentário Sinopse: A África está na África sobre as margens do Sena ou no Quartier Latin? Interrogações “meio-amargas” de uma geração de artistas e estudantes à procura de sua civilização, sua cultura e seu futuro.
04/08 | seg | 19h gratuito arte Lia Cunha
SAMBAS DIVERSOS
foto Jadsa Castro
OUTROS
Em agosto, o projeto musical outros SAMBAS diversos passa a movimentar as noites de terça-feira no Vila. O Outros Diversos, coletivo de compositores e multi-instrumentistas, apresentam, neste projeto, canções autorais e releituras de artistas como Riachão, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Tincoãs, Dorival Caymmi, Batatinha, entre outros. No dia 5 de agosto, data em que o sambista Batatinha completaria 90 anos, os Outros Diversos inauguram o projeto com um grande tributo ao artista, no palco principal do teatro. Junto com Jorge Batatinha e Galo, o grupo recebe convidados como Margareth Menezes, Juliana Ribeiro, Roberto Mendes, Didi Gomes, Elisa Goritzki, Cacau do Pandeiro e Felipe Guedes para interpretar as canções do imortal Batatinha.
05 a 26/08 | ter | 20h R$30 e R$15
Parabéns, Vila! Endereço: Rua Humberto de Campos, Nº 6, Graça, Salvador - Bahia Contato: 71 3247 7237 www.restaurantesaudebrasil.com.br
O PRAZER EM MALHAR Largo do Campo Grande, 06 - Canela, Campo Grande, Salvador - BA Contato: 71 3329 3110 www.espaco10.com.br
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