PROJETO
MATÉI
foto marcio meirelles . espelho para cegos . 2013 . sonia Robatto . anita Bueno . zeca de abreu, tiago querino, yan britto, vinicius bustani
ENCONTROS E DESCOBERTAS O ENCENADOR E O POETA Deolinda Vilhena Salvador, Outono 2015
Nunca acreditei em coincidências. Acredito em encontros, em chamados, em caminhos cruzados, em energias que interagem. Por isso quando em 2013 recebi um convite para participar da terceira edição dos Encontros Internacionais de Cluj, organizados pelo Teatro Nacional de Cluj-Napoca, capital da Transilvânia, terra do Drácula, na Romênia, agradeci muito a Jean-Jacques Lemêtre e Georges Banu a indicação do meu nome para Mihai Măniuţiu e Ştefana Pop-Curşeu, respectivamente Diretor e Diretora Artística do Teatro Nacional de Cluj Napoca. Em seguida corri para contar a novidade a Marcio Meirelles, com quem dividia a coordenação da XXVIII edição do Curso Livre de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Afinal, Marcio havia sem querer me aproximado da Romênia, não apenas porque havia montado Drácula, como me contara, com paixão e entusiasmo, que havia descoberto numa livraria, ao acaso, livros de um dramaturgo romeno que escrevia em francês e por ele se encantara. Talvez por isso, quando me vi frente à Matéi Visniec em outubro de 2013, dias após voltar da sua Romênia natal, e assistir a uma das mais belas palestras sobre teatro e política que já presenciei na vida, tenha me sentido tão próxima dele, de sua arte e de seu pensamento. Menos de dois anos se passaram entre a primeira visita de Matéi a Salvador e a estreia da safra 2015 de encenações de suas peças com a chancela de Marcio Meirelles, ora com os alunos da Universidade Livre de Teatro Vila Velha, ora com a participação de artistas consagrados do teatro baiano como Chica Carelli e Sonia Robatto, ora fazendo interagir a Universidade Livre e o Bando de Teatro Olodum. De ilustre desconhecido a febre nacional, Matéi Visniec tem sua obra levada aos palcos brasileiros os mais diversos: de Gilberto Gawronski passando por Miguel Hernandez e André Abujamra, chegando até Regina Duarte, sim a nossa eterna namoradinha, estrela maior da televisão brasileira, assinou a direção de A Volta para
Casa e confessa ter planos para dirigir outros textos de Visniec. Mais do que o interesse do Brasil pela obra de Matéi, o que me seduz e me traz aqui é a descoberta e o encantamento de Marcio Meirelles pela obra de Matéi Visniec. Descoberta essa que nasceu de um encontro. O encontro de dois artistas, que se diferenciam da maioria porque são capazes de estabelecer um diálogo com a sociedade do seu tempo; com uma sociedade que está necessitadíssima dessa proposta de diálogo, mesmo que nem tenha consciência disso. E tudo isso com uma pitada de humor, como é fundamental na Bahia. Ainda que seja humor negro, mas humor, como Visniec mesmo sinaliza: “Para mim, o humor tem duas facetas – uma que provoca riso e outra, escondida, que faz chorar. Nas minhas peças eu proponho um voo por cima do humor triste”1. Matéi nasceu dia 29 de janeiro de 1956, numa cidade do norte da Romênia, segundo informações no site do autor “uma cidade fabulosa, chamada Radauti, cortada ao meio por uma estrada de ferro (a cidade, mas também seu cemitério e sua alma) e esta estrada de ferro foi desde sempre o eixo de simetria axial do nosso criador”. Nasceu e cresceu sob os ares de uma ex-monarquia, transformada em República Popular Comunista em 1947 e que entre 1967 e 1989 será dominada por um ditador que atendia pelo nome de Nicolae Ceausescu. A literatura surgirá em sua vida como um espaço de liberdade, liberdade esta que ele vai procurar em Bucareste onde vai estudar filosofia. O jovem Matéi acredita na resistência cultural e na capacidade da literatura em demolir o totalitarismo, mas acima de tudo aposta na força do teatro e da poesia em denunciar a manipulação das pessoas pelas “grandes ideias”. É assim que ele se transformará na figura emblemática da geração anos 80 em seu país. Entretanto, ao se tornar um autor proibido buscará asilo político na França em 1987, onde se fará Doutor pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais com
uma tese sobre a resistência cultural nos países da Europa do Leste na época comunista. Nesse momento, Matéi entendeu que, para aumentar seu número de leitores, seria preciso escrever suas peças em francês. Nasce assim mais um autor romeno de expressão francesa ou, como ele costuma dizer poeticamente em suas entrevistas, “o romeno me deu minhas raízes e o francês me deu asas”. O sucesso internacional chegará como reconhecimento da obra de um autor que, desde 1992, é um dos mais montados no off do Festival de Avignon, com cerca de quarenta criações. Acrescente-se o fato dele ser, desde a queda do comunismo na Romênia, o autor dramático vivo mais encenado no país, devidamente reconhecido pelos seus pares em 2009, quando recebeu o importante Prêmio Europeu da SACD – Sociedade dos Autores e Compositores Dramáticos da França. Natural que, com essa trajetória, ele chegasse ao Brasil. Estranho é que ele tenha encontrado seu “duplo” em Salvador. Mais precisamente num teatro localizado no Passeio Público, o mais belo dessa terra de Todos os Santos, o Teatro Vila Velha, berço da resistência cultural em anos mais ou menos sombrios, na figura de Marcio Meirelles. Como Visniec, Meirelles nasceu na década de 50, em 26 de maio de 1954, o que o faz menos de dois anos mais velho que o menino de Radauti, em Salvador, primeira capital do Brasil e a mais negra das cidades brasileiras, fatores determinantes na construção da história dessa cidade. Se Visniec nasceu numa República Popular Comunista, Meirelles nasceu num Brasil presidido por Getúlio Vargas, anticomunista ferrenho que conseguiu a façanha de ser ditador e presidente eleito dessa nossa frágil República. Aliás, o ano do nascimento de Meirelles será marcado pelo suicídio de Getúlio. A infância do menino soteropolitano será embalada pelo sonho visionário de Juscelino Kubitschek, a construção de Brasília, a indústria automobilística, o progresso. Mas também pela renúncia de Jânio Quadros, a derrubada de João Goulart via Golpe Militar, o que significa que antes de completar dez anos Meirelles, como Visniec, crescerá num regime ditatorial. Na Romênia uma ditadura de esquerda. No Brasil uma ditadura de direita. Ditaduras têm em comum o fato de serem ditaduras, indiferente das posições políticas dos donos do poder. Artista plástico, Meirelles traça um caminho entre Arquitetura e Belas Artes mas é como diretor, cenógrafo
e figurinista, atuando no teatro desde 1972 que construirá sua história. O percurso do filho de Dona Ady ultrapassa as fronteiras da Bahia, nas terras do Senhor do Bonfim, de criador do grupo Avelãz y Avestruz (1976-1989) e fundador, ao lado de Chica Carelli, do Bando de Teatro Olodum, formado somente por atores negros ele chegou a Secretário de Estado da Cultura, em 2007 no primeiro governo de Jaques Wagner. Mas o reconhecimento nacional passa obrigatoriamente pelo Rio de Janeiro, e ele viria com o convite para, ao lado de Werner Herzog, dirigir o espetáculo Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, durante a ECO 92. Anos depois, também na Cidade Maravilhosa, sua peça Candaces: A Reconstrução do Fogo (2003) encenada com a Companhia dos Comuns viraria samba-enredo do Salgueiro no carnaval de 2007. Apesar da distância entre Salvador e Raudati, não é difícil encontrar um ponto em comum entre o baiano Meirelles e o romeno Visniec. O primeiro deles talvez seja o questionamento político. As questões que Meirelles identificou no teatro de Visniec ultrapassam o estágio de questões regionais, aparentemente restritas à Europa, elas dizem respeito ao mundo e ele as compreende de imediato: “esse é o teatro que precisa ser feito no século XXI. O teatro é realmente a transformação. É uma poesia que ele escreve que me leva a pensar isso”.2 Lembro-me bem da primeira vez que Marcio me falou de Matéi Visniec, saímos tarde do teatro e ele veio me deixar em casa, ficamos conversando dentro do carro e a empolgação era contagiante: “É uma obra incrível. É uma descoberta estonteante. Em meio à crise que vivo com o teatro achei vários livros de um cara que nunca havia ouvido falar e de cara compreendi que as coisas que ele escreve são a matéria-prima necessária ao teatro que eu estava buscando fazer”. Tempos depois, em uma de suas entrevistas ele fazia referência a um “encontro artístico”: Matéi fala de uma diáspora do teatro e eu acredito nisso. Eu descobri ele porque uma editora publicou 18 textos dele em 15 livros. Aí eu cheguei na livraria e me perguntei como uma editora brasileira lança livros de um cara romeno. Comprei três livros, li e comecei a montar os textos.3 Mas, a força desse encontro que o levou a comprar três livros de um autor do qual ele jamais havia ouvido falar, ler e montar os textos, passa pela identificação: “quando o li foi como se eu visse meu pensamento fora de mim. Com alguém falando muito melhor aquilo que penso em palavras”4. O encenador Marcio Meirelles
foto marcio meirelles . porque hĂŠcuba . 2014 . chica carelli . vado souza
foto joĂŁo milet meirelles . o Ăşltimo godot . 2014 . leno sacramento . vinicius bustani
havia encontrado seu autor. Um autor que “seduz atores e diretores pela sua simplicidade, pela maneira direta como aborda assuntos por ele tratados e, sobretudo, pela liberdade que oferece aos diretores em imprimir suas leituras ao texto”.5 Essa liberdade será, com certeza, um fator determinante nessa parceria. Após o questionamento político e a liberdade de criação, chegamos a contemporaneidade e a urgência em dizer ao mundo, dois outros fatores que aproximaram Meirelles e Visniec. Para ambos produzir um teatro em diálogo com o tempo presente é uma necessidade, talvez porque saibam que dialogar com o tempo presente é mais do que tratar da vida real como uma simples e exata representação da mesma. A sociedade mudou e o teatro deve refletir essa mudança, não sendo apenas reflexo, mas sim instrumento de reflexão. Há muito questionamos o teatro e sua necessidade e/ ou sua importância para a sociedade atual. Quando o teatro não cumpre seu papel social, não estabelece um diálogo permanente com o tempo presente, ele serve a que ou a quem? No Brasil vivemos já há algum tempo, um tempo de fazer do teatro uma ação entre amigos. Há de chegar o momento em que esses, que se preocupam apenas com o processo e não com o resultado, compreenderão o desserviço que prestaram ao teatro, público quer resultado e não processo e teatro sem público não é teatro. Detalhe: esse alerta foi dado por ninguém menos que Grotowski, no século passado, ao afirmar que tudo pode ser sacrificado no teatro, menos seu núcleo vital, que é a relação entre ator-espectador, se suprimirmos um desses dois aniquilaremos o fenômeno teatral. Por isso me apaixona o movimento que se instalou no Teatro Vila Velha nesses últimos dois anos. Um ritmo ensandecido de produção e trabalho que nasce com a criação da “universidade LIVRE de teatro vila velha” essa é a grafia escolhida por eles - repudiando os cânones das universidades estabelecidas, e aqui com todas as diferenças que nos separam, pois que faço parte com muita honra e orgulho - da Escola de Teatro de uma universidade tradicional, a Federal da Bahia, tenho que reconhecer que Marcio está na origem de um movimento que certamente marcará a renovação do teatro soteropolitano. O tempo dirá. Não sei dizer se eles são 30, 40 ou 50 atores-aprendizes circulando diariamente no Vila Velha, ocupando todos os espaços, mas sei que são atores braçais e em permanente formação. Sei que são meninos e meninas, todos
compraram a ideia de Marcio Meirelles e estão em cena quase que permanentemente em dois espetáculos diferentes. Representando em dias alternados e ensaiando e preparando a próxima criação pela manhã. Houve dias que vi atores-aprendizes fazerem três sessões no sábado e três sessões no domingo. É emocionante ver o esforço que fazem, ver que eles ainda não vivem de teatro, mas já entenderam que não podem viver sem o teatro. Mesmo que a produtora que sou discorde dessa lógica de produzir para não difundir, de levantar espetáculos com o objetivo de permanecer apenas duas semanas em cena por acreditar que um espetáculo precisa de tempo para existir, não posso deixar de respeitar e observar a opção feita por Meirelles e pelos meninos da Livre. Confesso que vejo com esperança esse movimento. Confesso também que temo por eles, avessa que sou ao que nasce sem planejamento, organização e disciplina. E Meirelles com seu lado artista muito forte insiste em negar tudo isso. Mas torço para que eles estejam certos e que do completamente bordélique nasça algo de novo. Afinal, é no mínimo um alento ver a garra com que esses meninos estão trabalhando, numa cidade onde não há tradição de teatro de grupo, onde a cultura do evento e da festa parece reger os caminhos, onde vícios seculares fortaleceram uma cultura baseada na política de balcão, onde o lema “farinha pouca meu pirão primeiro” ainda é defendido, ver um teatro onde existe uma produção efervescente e que nas palavras do capitão do navio é um teatro que “não precisa de Malhação (alusão a soap opera global), temos o Vila e nossa Tróia pra defender. Podemos cair, mas não pela força do inimigo, só pela nossa fraqueza...que às vezes parece existir às vezes não...”. E nesse processo de gestação a obra de Matéi Visniec chegou como um sopro, alimentando com a força de suas palavras algo de novo, que não rompe com o passado apenas por romper; mas algo de novo está sendo feito em resposta a um vazio presente e que incomoda quem faz o velho teatro da ação entre amigos, da exibição de processos ou coisa que o valha. Para Deleuze resistir é construir. No caso do novo Teatro Vila Velha, opor-se ao sistema estabelecido é exatamente isso: resistir construindo. Afinal de contas opor-se a qualquer coisa deve surgir como consequência. Ser oposição por ser oposição, sem construir é altamente
insuficiente. No momento em que escrevo essas linhas, a poucos metros de onde me encontro, Marcio Meirelles e a LIVRE preparam o próximo capítulo dessa frutuosa parceria. Pelas redes sociais acompanho os novos espetáculos que estão sendo gestados na minha Cartoucherie Bahianaise – como carinhosamente chamo o Teatro Vila Velha, numa referência à sede do Théâtre du Soleil, em Paris. Mais três peças de Matéi Visniec: Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias, A História dos Ursos Pandas e As Palavras de Jó, essa última trazendo de volta aos palcos, como ator após tinta e seis anos de ausência, Marcio Meirelles. Sim, o encontro com os textos de Visniec também devolveu a Marcio a vontade de voltar a atuar. E parece que é apenas o começo. Na parceria estabelecida entre Marcio Meirelles e Matéi Visniec, sem dúvida o que há de mais importante é ver na formação desses jovens aprendizes de atores, não há apenas o contato com Shakespeare, ou outros grandes nomes da dramaturgia universal, mas ver que esse aprendizado é construído em cima do discurso de um autor do tempo de hoje, um autor que não tem medo de olhar para cada um deles e pedir que não se deixem “convencer por aqueles que dizem que há somente uma forma de economia, há somente uma forma de pensar, há somente uma forma de ideologia. Para resistir àquilo que eu chamo de lavagem cerebral, feita pela ideologia, pela religião, pela sociedade de consumo, pela propagando do consumo, por tantas formas de pressão, a insolência é necessária e é um belo presente que se dá à humanidade.6 Quando de sua passagem pela FLICA, Festa Literária Internacional de Cachoeira, Matéi Visniec disse que a É Realizações ter traduzido vinte peças de sua autoria “é uma forma de dizer que existe uma comunidade internacional da resistência, com pessoas que fazem circular a cultura e constroem pontes através dela. Graças a isso tenho hoje muitas peças presentes nos palcos do Brasil”. Sim, essa comunidade existe e é uma realidade. E na Bahia ela tem sua sede no Passeio Público, à beira da Baía de Todos os Santos, no Teatro Vila Velha, onde Marcio Meirelles continua acreditando, ainda que com menos força como ele mesmo diz, que o teatro pode mudar o mundo, exatamente como quando ele começou a fazer teatro político na universidade nos anos 70. A busca pelo lugar do teatro no século XXI deve ser a grande questão dos nossos artistas. E para isso
precisamos formar não só atores e profissionais de teatro conscientes, mas espectadores que sejam mais testemunha do que espectadores, que acreditem no teatro engajado, na força do teatro militante sem ser dogmático, um teatro que tenha algo a dizer e que não seja apenas parte integrante da indústria do entretenimento. Um teatro que, como diz Matéi Visniec, se engaja no que ele chama “de iniciativa para a construção de uma consciência para despertar, acordar a consciência adormecida e para construir a consciência cívica, moral, estética e cultural sobretudo dos jovens”7. Jovens que se reconhecem em suas peças dando sentido à vida do autor, afinal diz Visniec quando o texto literário passa a atravessar as fronteiras linguísticas e geracionais, é um sinal que ele detém uma mensagem universal.8 Pouco antes de sua mais recente viagem ao Brasil, em outubro de 2014, entrevistado pela Revista CULT, ao ser indagado sobre o que a arte do teatro tem a dizer hoje para o homem do século 21, Matéi assim respondeu: “a arte do teatro tem a mesma força e o mesmo frescor, hoje, que na época de Sófocles e Eurípides. É uma arte viva e nada pode substituir a emoção que emana dessa cerimônia interrogativa que é o teatro. Fazer teatro, ir ao teatro, amar o teatro são maneiras de transformar a civilização”.9 Sigamos assim. 1 Citação de Matéi Visniec tirada do site http://www.icr.ro/dupainpleinlespochesemlisboa. Visualizado em 3 de abril de 2015. 2 Marcio Meirelles. Visualizada em 4 de abril de 2015.http:// g1.globo.com/bahia/flica/2014/noticia/2014/10/nao-ler-e-um-erro-grande-diz-dramaturgo-romeno-na-flica-2014.html 3 Marcio MEIRELLES. Entrevista concedida a Camila Botto. Visualizada em 3 de abril de 2015. http://www.toquebrasileiro.com.br/detalhe/noticia/marcio-meirelles-estreia-espetaculo-do-autor-romeno-matei-visniec/?cHash=5e224579be49c2761e5f548a3e0b5275 4 Marcio MEIRELLES. Entrevista concedida a Marsilea Gombata. Visualizada em 3 de abril de 2015. http://www.cartacapital.com.br/ cultura/a-palavra-e-uma-forma-de-resistencia-lembra-matei-visniec-2220.html 5 Marcio MEIRELLES. Visualizada em 3 de abril de 2015. http://www.aplausobrasil.com.br/2014/03/26/pecas-de-matei-visniec-estreias-fringe-e-el-hombre-venido-de-ningun-lugar-sao-primeiras-atracoes-ftc/ 6 Matéi VISNIEC. Visualizado em 02 de abril de 2015. https://www. youtube.com/watch?v=7l8tlgY8zg4 7 Matéi VISNIEC. Depoimento sobre Espelho para Cegos. Visualizado em 06 de abril de 2015 https://www.youtube.com/ watch?v=oVC6Do9mJ8s 8 Matéi VISNIEC. Entrevista concedida a Welington Andrade. Visualizada em 5 de abril de 2015. http://revistacult.uol.com.br/ home/2014/09/%E2%80%9Camar-o-teatro-e-uma-maneira-de-transformar-a-civilizacao%E2%80%9D/ 9 Matéi VISNIEC. Entrevista concedida a Welington Andrade. Visualizada em 5 de abril de 2015.
foto marcio meirelles . a mulher como campo de batalha . 2014 . giza vasconcelos . iana nascimento
foto marcio meirelles
foto marcio meirelles . fronteiras . 2015 . amanda cervilho . victor fernandes
EM TEMPOS DE CRISE FAZER TEATRO marcio meirelles
estamos vivendo uma crise econômica uma crise política uma crise de valores uma crise da representação uma crise de público uma crise do próprio teatro então é tempo de fazer teatro mais e mais teatro para superar todas as crises entende-las é o primeiro passo entender a crise é entender o momento político entender o q acontece no país e no mundo é entender a crise sistêmica de um sistema em decomposição “um velho mundo está morto um novo mundo luta para nascer - é o tempo dos monstros” o tempo dos malafaias e das manifestações q clamam pela volta de uma intervenção do exército para resolver o insolúvel num sistema perverso que manipula a memória q vomita memórias moribundas como cães numa praia onde só um cego presencia e se pergunta pq agora um sistema q arma cortejos de soldados mortos para voltar sem vitórias para casa enquanto os indivíduos personagens sobreviventes se confrontam em fronteiras no deserto em pânico no espaço aberto no espaço público onde se instala a indústria do medo na ágora onde a polis se revê reflete repensa representada pelo teatro durante a crise n lamentamos n choramos ao pé do caboclo n reclamamos do governo pela falta de pessoas em nossas plateias ou pela falta de verbas e cachês demandamos políticas públicas q nos trate como trabalhadores capazes de construir um mercado redes produtivas q nos permita investir e buscar financiamento n patrocínio apenas não apenas mas q possamos pensar em nossas bilheterias como fonte de recursos como parte prevista no orçamento da montagem q possamos contar c nossa capacidade de produzir q possamos planejar nossa produção com um mínimo de dois anos de antecedência q possamos programar nossos teatros c um ano de antecedência p q as pessoas possam tb se programar e comprar seus ingressos c a mesma antecedência c q compramos passagens aéreas afinal estar num teatro participar da experiência única de estar
aquele dia específico numa poltrona compartilhando c outros seres humanos as paixões e os discursos é como viajar por outras vidas por novas possibilidades de realidade é o q o público busca no teatro por isso n reclamamos do público qdo n comparece nos perguntamos pq n comparece nos perguntamos como fazemos para superar a crise para fazer discursos q interessem a ele é dizer sejam necessários q o traga para refletir sobre os temas em q tocamos q o traga para gozar conosco o prazer da descoberta do velho novo ou da possibilidade de um novo novo de um mundo inesperado mas reconhecível conhecido mas surpreendente pq mostrado ao revés e nos perguntamos fazendo trabalhando montando freneticamente produzindo conteúdos para o público do teatro vila velha produzindo cada vez mais agora c um planejamento já apresentamos nossa programação até maio de 2016 nosso público pode tb se planejar para estar conosco o público vai respondendo curioso por tanta produção - 15 espetáculos novos em pouco mais de 2 anos desde q a decisão foi tomada de romper c um estado de coisas pouco saudável na produção teatral baiana em 2013 foi criada a universidade LIVRE de teatro vila velha para formar novos atuadores de teatro pq n era mais possível q n se buscasse respostas q n se formulasse novas questões q n se demandasse por política públicas q n se reinventasse meios de produção q se ficasse lamentando pelo público perdido pelo edital ou prêmio n ganhos pela falta de interesse da iniciativa privada para a produção teatral então temos novos atuadores atrizes e atores q atuam q pegam c tanta intimidade um texto para encarnar seu discurso qto um refletor ou um cabo de microfone ou um praticável ou um ingresso na mão do espectador q chega ao teatro q sobem no palco c tanta propriedade qto sentam em roda na sala de ensaio p discutir o momento atual a grécia e seu papel histórico agora em relação à união européia e ao mundo capitalista q discutem a mídia o casamento gay a intolerância religiosa a passagem de ônibus a crise de valores q passamos e q trabalham ao mesmo tempo num sistema de redes traduzindo ATRAVÉS DO ESPELHO para o palco dividem CUIDADO COM AS VELHINHAS em 3 espetáculos diferentes
foto marcio meirelles . agorafobias . 2015 . jean pedro
foto marcio meirelles . deserto . 2015 . amanda britto . yan britto
se preparam para ir para os estados unidos participar de um festival com A MULHER COMO CAMPO DE BATALHA constróem uma cooperativa fazem oficina c tadashi endo e elaboram o projeto de residência do mestre de butoh para 2016 preparam o corpo e o espírito q são uma única coisa com as danças sagradas do candomblé e o yoga e a capoeira e o teatro físico dos costarriquenhos los innato e c a música aprendem a falar e c a palavra aprendem o ritmo percussivo do coração de autores q já morreram há uns 2.500 anos e lêem várias tragédias gregas p escolher qual tem mais a ver c o momento em q o primeiro ministro da grécia encarna o herói trágico e enfrenta o aparente destino de seu país e seu povo e procura revertê-lo e ainda q isto cause o sacrifício de muitos q provoque um saneamento p seu povo q deve enfrentar o debate de q lei seguir a lei do euro ou da dignidade e sobrevivência da nação berçopandemocrática como disse o ministro da fazenda deve encarnar ifigênia e ser sacrificada para a realização de uma guerra ou antígona e lutar pela honra do cadáver de seu irmão contra a lei desumana da cidade q o enterraria sem ritos e ao mesmo tempo se debruçam ainda sobre REI LEAR e acrescentam à tudo q a peça nos apresenta a questão de gêneros preparando homens para os papéis femininos e mulheres para os masculinos ao mesmo tempo colocam baldes nas goteiras do teatro vila velha cansado de quase 20 anos de uso trabalho recepção atuação intervenção ininterruptos desde sua reforma e 50 desde sua inauguração enfrentam as dívidas do teatro colaborando como podem e entendem q devemos investir na nossa produção para colher os frutos do produto ainda n conseguimos tvz pq o produto ainda n esteja pronto estamos descobrindo como faze-lo com o PROJETO MATÉI o teatro vila velha chega em pouco mais de dois anos a 15 produções teatrais próprias as últimas dez peças alcançaram um público de 12 mil pessoas mobilizaram 152 profissionais 84 atores e 68 trabalhadores em áreas de gestão técnica divulgação preparação alimentação produção e outras esta tem sido a forma que o vila tem encontrado para responder às crises fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro fazer teatro para despertar a consciência do rei e oferecer à natureza um espelho mesmo q seja um espelho para cegos tudo valerá a pena se alguma imagem refletir-se nele e essa imagem sugerir um caminho
FICHA TÉCNICA PROJETO MATÉI textos matéi visniec encenação . conceito de figurino . espaço cênico . desenho de luz . fotos . projeto gráfico márcio meirelles figurino produzido pelos elencos a partir do acervo do teatro vila velha com acompanhamento de amanda brito e marcia ribeiro colaboração no desenho de luz marcos dedê . zeuz luz montagem de luz e som equipe técnica do teatro vila velha e breno fernandes . joane bittencourt . lázaro reinaldo . neto cajado . renato lessa . thauan vivas. vado souza . victor fernandes montagem de espaço cênico breno fernandes . gilberto reys . jamile ferreira . joane bittencourt . lázaro reinaldo . matheus cabral . lene nascimento . natália mascarenhas . neto cajado . renato lessa . vado souza . victor fernandes . thauan vivas operação de luz marcos dedê . vado souza . yan britto . zeuz luz assessoria no desenho de som gabriel franco assessoria de comunicação eduardo coutinho assistente de desenho gráfico júlia mileo
CUIDADO COM AS VELHINHAS CARENTES E SOLITÁRIAS tradução luiza jatobá composição . direção musical . desenho de som pedro amorim colaboração em percussão ridson reis coreografia jonatas raine . marcelo galvão (1a fase) . FRONTEIRAS elenco coro amanda cervilho . breno fernandes . gilberto reys . igor nascimento . iracema vilaronga . jamile ferreira . joane bittencourt . júlia jacques . lavínia alves . lázaro reinaldo . lene nascimento . matheus cabral . natália mascarenhas . neto cajado . patrícia ribeiro . renato lessa . roberta ladeia . thauan vivas . victor fernandes . victória matos persongens . PENSE QUE VOCÊ É DEUS caio terra ou renato lessa
(stanko) . thauan vivas (vibko) . A BLASFÊMIA julia jacques (o homem que espera o trem das onze e meia) . A VOLTA PARA CASA vado souza (coronel) . cláudio varela (general) . igor nascimento (cozinheiro chefe do regimento) . ESPERE O CALORÃO PASSAR graziele mascarenhas (a mulher que carrega uma criança nos braços) . joane bittencourt . lázaro reinaldo (sentinelas dos direitos do homem) canção do distribuidor automático de gestos de ternura lázaro reinaldo estreia 08/07/2015 . AGORAFOBIAS elenco coro amanda cervilho . breno fernandes . gilberto reys . igor nascimento . iracema vilaronga . jamile ferreira . joane bittencourt . júlia jacques . lavínia alves . lázaro reinaldo . lene nascimento . matheus cabral . natália mascarenhas . neto cajado . patrícia ribeiro . renato lessa . roberta ladeia . thauan vivas . victor fernandes . victória matos persongens . O PAÍS ESTÁ CONSTERNADO breno fernandes (o prisioneiro) . gilberto reys (o sub chefe) . lázaro reinaldo (o chefe) . CUIDADO COM AS VELHINHAS CARENTES E SOLITÁRIAS márcia ribeiro (a especialista em estágios de mendicância) . A FERIDA jean pedro (o homem cuja ferida é um espelho) . matheus cabral (o transeunte) . A MÁQUINA DE PAGAR CONTAS victor fernandes (a garçonete) . AQUI ESTAMOS COM MILHARES DE CÃES VINDOS DO MAR breno fernandes (o cão) franklin albuquerque (o cego) estreia 09/07/2015 . DESERTO elenco coro amanda cervilho . breno fernandes . gilberto reys
foto marcio meirelles . a hist贸ria dos ursos pandas . 2015 . fernanda veiga . neto cajado
foto eduardo coutinho . as palavras de j贸 . 2015 . marcio meirelles
. igor nascimento . iracema vilaronga . jamile ferreira . joane bittencourt . júlia jacques . lavínia alves . lázaro reinaldo . lene nascimento . matheus cabral . natália mascarenhas . neto cajado . patrícia ribeiro . renato lessa . roberta ladeia . thauan vivas . victor fernandes . victória matos persongens . CARONA mari gavim (a garota) . vado souza (o homem) . SANDUICHE DE FRANGO amanda britto (catarina) . yan britto ou vinicius bustani (billy) . NÃO SOU MAIS SUA COELHINHA neto cajado (ele) . victória matos (ela) . UM CAFÉ LONGO UM POUCO DE LEITE SEPARADO E UM COPO D’ÁGUA cláudio varela (o cliente) . apoena serrat (a garçonete) . A GRANDE RESSACA jamile ferreira (a garota) . cláudio varela (o fotografo) participação especial rejane maia como a velha em A GRANDE RESSACA tema da ressaca lázaro reinaldo estreia 10/07/2015
A HISTÓRIA DOS URSOS PANDA . 2o ESTUDO tradução alexandre david assistência de direção cláudio varela música alessandro marcelo (concerto para oboé e cordas em D menor - 2º movimento - adágio) elenco fernanda veiga (ela) . neto cajado (ele) participação lavinia alves (voz de elizabeth) . lázaro reinaldo (vizinho à porta) . igor nascimento (voz de jean marc) . cláudio varela (voz de christian) estréia 11/07/2015
AS PALAVRAS DE JÓ tradução chica carelli composição . direção musical . desenho e operação de som . fotografia joão milet meirelles assistência de direção musical caio terra animação . projeto audiovisual rafael grilo projeto gráfico . ilustrações . direção de arte lia cunha confecção do figurino saraí santos
elenco márcio meirelles (jó) coro de palavras (vozes gravadas) aderbal freire filho (português) . anna reti (húngaro) . christina medina (inglês) . clara fong (português) . colby damon (inglês) . fernando philbert (português) . giacomo scalise (italiano) . graeme pouleyn (português . inglês) . hemabharathy palani (kannada . tâmil) . maya roest (holandês) . marko fonseca (castelhano) . matéi visniec (francês . romeno) . pal kormendy (húngaro) . paula garcia (português) . paulo ribeiro (francês . português) . raul martinez (castelhano) . tadashi endo (japonês) . tom weinberger (hebraico) . vilde broen (dinamarquês) estreia 12/07/2015 projeto de extensão da universidade LIVRE de teatro vila velha produção e realização teatro vila velha temporada de estréia 08/07 a 30/08/2015 teatro vila velha . salvador . ba colaboradores da universidade LIVRE de teatro vila velha . 2015 bertho filho preparação do ator . cássia vale processo bando de teatro olodum / improvisação . chica carelli interpretação . colby damon (eua) balé . claudio varela improvisação . cristina castro dança . hemabharathy palani (índia) dança . janahina cavalcante balé . joão milet meirelles música . junia leite gestão . lara duarte improvisação . leno sacramento capoeira . matheus vianna áudio visual . marcelo galvão dança contemporânea / preparação corporal . marcelo jardim canto . marko fonseca (los innato . costa rica) teatro físico . martin domecq dramaturgia . naia pratta improvisação . pedro amorim música . pedro jatobá gestão participativa . raul martinez (los innato . costa rica) teatro físico . rejane maia dança afro . ridson reis percussão . sergio dias dança . tiago querino improvisação . tadashi endo (japão) butoh . valdinéia soriano processo bando de teatro olodum / improvisação agradecimentos a alexandre david e a chica carelli por cederem as traduções de a história dos ursos pandas e as palavras de jó, respectivamente.
FICHA TÉCNICA TEATRO VILA VELHA direção artística marcio meirelles coordenação geral junia leite curadoria marcio meirelles . cristina castro . chica carelli . zeca abreu coordenação administrativa e financeira maria angélica ribeiro auxiliar administrativa vânia santos da paixão assistente administrativa leila sacramento bilheteria elinalva maria programação zeca de abreu núcleo de comunicação eduardo coutinho . júlia mileo (estagiária) núcleo de marketing joana fialho equipe técnica dailson santos “lô” . elizeu santana . joilson conceição . marcos “dedê” silva . yan britto serviços gerais fredson xavier dos santos . iracy duarte . paulo gomes da silva . valdelina graça dos santos
nós, por exemplo . centro de documentação e memória victor fernandes estúdio do vila maíse xavier . rafael grilo grupos residentes COMPANHIA TEATRO DOS NOVOS BANDO DE TEATRO OLODUM núcleo de produção de dança NÚCLEO VILADANÇA cristina castro (direção) programa de formação universidade LIVRE de teatro vila velha marcio meirelles (coordenação) SOL MOVIMENTO DA CENA organização gestora do teatro vila velha presidente alcides valente vice presidente maria cristina da motta leal SOCIEDADE TEATRO DOS NOVOS organização fundadora do teatro vila velha presidente sônia robatto vice-presidente ângela andrade