foto marcio meirelles
texto william shakespeare . tradução barbara heliodora
t e x t o w i l l i a m s h a k e s p e a r e . t r a d u ç ã o j o s e r o b e r t o o ’s h e a texto heiner müller . tradução christine rörigh . marcos renaux
O Q É UM SHAKESPEARE PARA Q SE POSSA FAZER UM foto marcio meirelles
n é difícil fazer shakespeare é só fazer shakespeare isso parece apenas uma boa frase e é uma verdade o q n quer dizer q n seja trabalhoso afinal o q é um shakespeare para q se possa fazer um é política poesia ação aventura sexo filosofia reflexão debate prazer é basicamente teatro o melhor teatro a única maneira de se fazer cada uma de suas peças se descobre em cada uma delas nos versos na prosa no ritmo nas imagens na escolha do pulso certo para dizer qualquer fala na música no movimento provocado pelo deslocamento do ar qdo cada palavra é dita está na escolha do conjunto de metáforas e imagens q ele fez p criar o efeito de difusão específico de cada uma e essa difusão é a chave portanto é fazer escolhas q portas abrir qdo aparentemente há tantas quais deixar abertas só para se olhar e perceber a dimensão do edifício em quais entrar quais manter fechadas quais entreabrir para dar a sensação de q se pode escolher outras saídas como conduzir o espectador pelo labirinto de frases q nos levam dificilmente em linha reta para o cerne da ideia para isso é preciso ter em conta q n existem personagens mas pensamentos em ação q todos aqueles seres - do q conduz a trama q nem sempre é o personagem título ao mais pequeno q surge apenas em uma cena e nunca mais na peça e para sempre na memória são necessários e têm sua grandeza como cada ser humano q encontramos na fila do banco e nunca mais em seu grupo ele tinha 16 atores então pq compunha para tantas vozes se elas n fossem absolutamente necessárias descobrir a necessidade de cada um desses pensamentos q agem num jogo montado pelo autor é o caminho em suas tramas ele – o autor – age através dos movimentos e estratégias de cada voz q ele cria e lança mão de todos os recursos à mão para fazer um discurso q nos fale de nós num aparente paradoxo quem existe é o autor agindo através de cada personagem é preciso então q se descubra o q quer o autor o q quis o q disse a seus contemporâneos q de tão claro e bem dito chegou até nós e continua a dizer o paradoxo é q se trata de um autor de quem n se sabe nada com certeza apenas existem seis assinaturas em documentos burocráticos
nenhum verso manuscrito exceto as páginas do texto colaborativo sobre thomas more q talvez pela coincidência da caligrafia do manuscrito e a das assinaturas sejam essas páginas do texto do mesmo shakespeare q assinou os documentos e q talvez seja o shakespeare q escreveu as peças publicadas em seu nome pq guardam mtas semelhanças de estilo e forma c as cenas do manuscrito esse shakespeare inventou a humanidade ou a retratou melhor do q ninguém em sua totalidade
para se pensar numa biografia para este nome é preciso recorrer à biografia de todo seu mundo contemporâneo e intuir a partir daí a sua história é uma história coletiva se os poetas e dramaturgos de sua época viviam assim e faziam isso então provavelmente se os habitantes de stratford upon avon nascidos mais ou menos na data em q está registrado o seu nascimento tinham tais hábitos e viveram tais fatos então pode ser q se os cidadãos de londres entre os séculos xvi e xvii sofriam e gozavam de tais vicissitudes limites pressões prazeres recursos então SE TODOS ENTÃO ou SE ACONTECEU ENTÃO é a biografia deste autor umas poucas certezas se tem sobre ele uma delas é q alguém escreveu um conjunto de obras magníficas c estilo coincidências diálogos intertextuais estruturas inconfundíveis e apesar de dar mto trabalho é mto fácil fazer um shakespeare é só fazer shakespeare sem querer fazer outra coisa além de shakespeare a principal escolha para uma encenação de suas peças em outra língua é a tradução que tradução escolher seguramente a q mais aproxime seu estilo pulso jogo da nova língua q o lambe isso é fundamental todas as suas peças têm em português pelo menos umas quatro traduções de quatro conjuntos de obras completas traduzidas depois é escolher o ator ou atriz q tenham em si determinados personagens – os pensamentos em ação – q dão o tom da obra que conduzem o discurso e compor ao redor deles c os outros atores-atrizes/vozes a polifonia q vai agarrar a consciência do rei q p isso é feito teatro
ESCOLHAS DECISÕES CAMINHOS
é o cara q inventou mais de 800 palavras de uma língua inglesa q estava sendo construída e consolidada que criou frases q repetimos mais de 400 anos depois sem saber da onde vem – apenas de hamlet temos SER OU N SER EIS A QUESTÃO . EXISTEM MAIS MISTÉRIOS ENTRE O CÉU E A TERRA DO Q SONHA NOSSA FILOSOFIA . FRAGILIDADE SEU NOME É MULHER . HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA
foto joão milet meirelles
fazer shakespeare era a missão do segundo arco/ano do programa de formação universidade LIVRE de teatro vila velha no primeiro arco/ano foi traduzir FRANKENSTEIN do romance de mary shelley para a cena fazer uma tradução foi o q fizemos e ao longo desses dois anos montamos dez peças e apresentamos 13 experimentos = mostras/debates públicos de processos e reflexões sobre teatro e cena e caminhos e o bardo nos acompanha desde o segundo mês de trabalho c incursões pelo ritmo fala poética estrutura finalmente a decisão de montar como parte do processo programa trabalho MACBETH e HAMLET logo duas das peças icônicas os monumentos sobre os quais há bibliotecas inteiras e nem toda uma vida daria para ler e ver e ouvir tudo produzido em textos imagens e sons sobre cada uma delas mas escolhemos as duas nos interessa o limite o quase impossível o extenuante o urgente nos interessa o abismo o salto inominável o eterno o exorbitante nos interessa a humanidade e a política e a poesia e o ser humano e o mito e fomos kamikazes num voo de olhos sentidos razão emoção bem abertos escancarados ao encontro dos dois os dois falam de golpes de estados geradores de tragédias nos dois o sobrenatural se interpõe nos dois há uma mulher q é sacrificada nos dois há um caminho sem volta para o fim nos dois como em toda a obra do bardo há uma ordem q foi rompida e uma nova ordem q precisa ser instaurada na primeira cena de MACBETH aparecem as irmãs do destino e n dizem pq na de HAMLET o fantasma do pai depois tanto umas qto outro voltam e desencadeiam as peças na segunda cena de MACBETH sabemos a situação política da escócia q vai sediar a tragédia em HAMLET da dinamarca hamlet nos diz ser ou n ser onde reflete como a consciência das consequências de um ato nos paralisa macbeth nos diz ficasse feito o feito onde pondera sobre o mesmo assunto qdo macbeth desiste momentaneamente do plano lady macbeth n o reconhece qdo hamlet põe em ação o seu plano ofélia n o reconhece ofélia enlouquece e se afoga lady macbeth enlouquece e morre lavando as mãos e por aí vamos toda a obra de shakespeare é carregada de citações e coincidências personagens q aparecem ou são citados em mais de uma peça
ações e frases e imagens q se repetem ou assemelham ou são variações de um mesmo tema assim as duas montagens entre as quais formando uma trilogia inseriu-se JANGO – UMA TRAGEDYA única peça escrita por glauber rocha montada para comemorar os 50 anos do teatro vila velha também uma tragédia gerada por um golpe de estado glaubershakespeareanamente construída são parte de uma obra em rede q está em construção temos exercitado a ressignificação dos elementos de nossa obra constantemente e em MACBETH/HAMLET+HAMLETMACHINE = A MAQUINA SHAKESPEARE isso tem sido uma tônica incluindo a definição de elenco yan brito o jango “destronado” é duncan e o fantasma do rei Hamlet vinicius bustani faz hamlet e malcolm dois filhos de reis assassinados c os tronos usurpados e tb foi júlio souza “órfão” de jango frustrado pela impossibilidade de construção de uma nova ordem tiago querino faz macbeth q toma o poder através da força e fortembrasse q toma o poder da dinamarca depois da tragédia e foi brizola q incitava jango à luta armada só para falar nos atores dos papéis título as músicas de POR QUE HÉCUBA JANGO FRANKENSTEIN foram tb colocadas em cenas das duas peças q tinham a mesma necessidade sonora para existirem plenas fragmentos de POR QUE HÉCUBA são usados em hamlet na cena em q os atores recitam trechos da guerra de troia o carrinho de supermercado cheio de aparelhos telefônicos de ESPELHO PARA CEGOS reaparece em HAMLET MÁQUINA depois de já ter aparecido em JANGO c a mesma função parte do figurino de uma peça aparece na outra como já apareceram em HÉCUBA FRANKENSTEIN TROILUS E CRÉSSIDA o modelo das saias foi criado em 1990 para um espetáculo de dança sobre a guerra de troia e continuam a falar sobre as guerras contemporâneas até hj com seu movimento e panejamento em diferentes texturas e cores e tecidos e outras peças de roupa ou conceitos de figurino vão nos lembrando de suas histórias em cena estamos num teatro q pode mudar de configuração para cada espetáculo e exercitamos c isso a dramaturgia do espaço desde muito tempo mas principalmente e mais recentemente a partir dos experimentos da LIVRE a cada encontro c o público propomos uma relação física específica e própria para cada encontro refazemos o espaço do vila p instalar desde o momento da entrada já c o elenco em cena a ação q vai se desenrolar em torno do espectador estamos em torno do espectador n apenas em frente a ele estamos por todos os lados como no mundo ou ele está em volta da cena como na vida estamos sempre n frontalmente estabelecendo uma relação dual mas simultaneamente atuando em todo o espaço ao mesmo tempo as imagens dos mortos dos massacres da guerra cotidiana são as mesmas de várias peças e dos noticiários sangrentos de todos os dias
foto carolina pereira/labfoto
HAMLET
na tv q no teatro acompanhando cenas fictícias similares redimensionam nossa passividade diante das tragédias o piso é da MULHER COMO CAMPO DE BATALHA as cortinas em tiras nos acompanham desde a re-inauguração do vila c DOM QUIXOTE os bancos vêm do bando de teatro olodum e são do bando desde a primeira peça q criei para eles ESSA É NOSSA PRAIA e foram incorporadas ao novo projeto político do vila sem deixar de pertencer ao bando as alfaias e tambores africanos e brasileiros acompanham todas as montagens de tragédias colocando o pulso e o ritmo necessários ao desenrolar da trama assim cenas antigas se superpõem à q está ante nós criando texturas de memória para quem já viu outros espetáculos nossos e criando nova e indefinível densidade ao olhar estreante em nossa obra hamlet tem 2 edições contemporâneas de shakespeare – o 1o e o 2o quarto – e a do famoso fólio c as obras completas publicado poucos anos depois de sua morte o 1o quarto q veio a público pouco depois da data suposta de sua estreia – atestado de popularidade da peça qdo lançada – durante muito tempo foi considerado espúrio fruto de pirataria de algum ator q aprendendo todo o texto da peça de cor o recitou p algum editor em troca de algumas moedas faturando assim com o sucesso dos outros o q teria resultado num texto incompleto truncado c nomes de personagens trocados – corambis em vez de polônio gertred em vez de gertrude etc – cenas fora do lugar supressão de algum solilóquio ou fala importante considerando o fólio como o cânone os textos originais ora então pq o 2o quarto é tão extenso e tb diferente com mais material do que o fólio com tempo de encenação se montado sem cortes de mais ou menos 6 horas qdo todas as peças de shakespeare duram em torno de 2 horas e meia e pq os editores n consideram o fólio tão original assim q encaixam aqui e ali trechos do 2o quarto pq sentem falta de algumas “explicações” o q torna hamlet uma das peças mais longas de shakespeare e q raramente n sofre cortes em suas encenações atualmente muitos estudiosos consideram a seguinte hipótese – o autor teria escrito realmente o texto do 2o quarto e levado para a sua companhia e lido c os atores q num processo colaborativo como se pratica até hoje sugeriram cortes e alterações q resultaram na “versão de palco” da obra o sucesso levou à sua publicação e a subsequente lançamento da “versão do autor” o 2o quarto c o texto na íntegra depois de algum tempo talvez já em stratford preparando a edição de suas obras completas o bardo retrabalhou a peça levando em conta os 2 textos publicados o q seria talvez sua “versão definitiva” levando esta hipótese em consideração o único texto q n pode ter sido escrito por shakespeare á a versão q conhecemos esta é uma versão de editores a escolha por montar o 1o quarto é pelo gosto de acreditar na hipótese
de q ele é a versão de palco da peça como foi montada pela trupe do bardo em seu teatro é mais ágil teatral mais perto do jogo de suas outras peças deixa mais lacunas em aberto mais brechas para nossa imaginação talvez menos material para reflexões mas o suficiente para manter ou até potencializar o impacto de seu discurso josé roberto o’shea nos presenteia c uma excelente tradução do 1o quarto num livro chamado O PRIMEIRO HAMLET publicado pela hedra nos falamos e ele autorizou a montagem no caminho a ideia de fazer uma montagem simultânea de A MÁQUINA HAMLET de heiner muller e a descoberta de q ele introduziu seu texto como a peça dentro da peça em sua montagem e o vontade de testar tb isso como talvez uma nova leitura do assassinato do rei ou seja da destruição de uma antiga ordem e o fizemos e já q alteramos e interferimos e sampleamos alternativas novas como o próprio shakespeare talvez o tenha feito e com certeza o fez pelo menos usando canções conhecidas e alterando-as p encaixa-las em suas tramas e discursos pedimos tb autorização a matéi visniec para samplear fragmentos de POR QUE HÉCUBA e trocar as citações de falas sobre a guerra de troia feitas por hamlet e os atores e q o levam ao solilóquio quem é hécuba para esse ator ou ele para hécuba onde se maldiz por ainda vacilar em executar a vingança demandada pelo fantasma do pai e tem a certeza de q é com o teatro q agarra a consciência do rei e com certeza uma peça de matéi desperta muitas consciências então numa interferência autorreferente colocamos imagens e reencenações de fragmentos de nossas próprias montagens assim como recorremos às imagens de nossa montagem de JANGO para nos lembrar do golpe de 64 qdo o fantasma do rei pede vingança ainda n resolvemos no brasil o golpe de 64 e a ditadura decorrente dele e como hamlet assistimos impassíveis as tentativas de sua reencenação c pedidos de impeachment para a presidente recém eleita democraticamente dentro do sistema eleitoral q vivemos devido à insatisfação de alguns pelos mesmos programas e tendências tentados por getúlio e jango para tornar a distribuição de renda mais justa e diminuir a miséria e a pobreza ainda q com a mesma falha o n enfrentamento direto ao dragão da maldade – o próprio sistema político econômico do brasil e a mesma oligarquia q o controla – enfrentamento trocado por mtas concessões e negociações c ele escolhemos tratar hamlet entre as muitas possibilidades como o discurso de uma geração entre duas ordens uma q findou e q n deve ser restaurada pq se degenerou e n é mais útil e uma nova ordem q ainda n se constituiu a geração de hamlet laertes ofélia horácio é a geração do movimento passe livre é a geração q sente algo de podre no reino da dinamarca mas n tem um modelo construído para implantar é a geração de uma revolta difusa muiltifocal sistêmica contra um sistema q n aponta saídas para impasses vitais como o meio ambiente e sua sustentabilidade por exemplo a convivência possível nas grandes cidades a distribuição de renda e capacidade de sobreviver ao caos urbano ou ao isolamento rural onde a terra n é de
foto marcio meirelles
MACBETH
todos fortembrasse n é a solução é a consequência da violência é o retorno brutal à barbárie talvez depois da destruição de toda uma geração menos um sobrevivente horácio q por pedido de hamlet sobrevive como memória de um escândalo testemunha de um tempo q n deve se repetir nem como tragédia nem como farsa pq hamlet sabe q o resto não pode ser o silêncio ao contrário de hamlet macbeth só tem uma publicação de sua época a do fólio lançada depois da morte do autor há muitas dúvidas sobre o q foi escrito por shakespeare e o q está ali como uma interpolação para a encenação ou seja temos aí uma “versão de palco” provavelmente o texto publicado no fólio é o q foi encenado há algumas decisões a serem tomadas a primeira a tradução pq tb ao contrário do 1o quarto existem muitas em português escolhemos a de bárbara heliodora pq aos nossos ouvidos é a q mais se aproxima do pulso original mantendo coerência fidelidade fluidez tb ao contrário de hamlet as interferências feitas no texto para nossa encenação são muito poucas em troca dos personagens convidadas pelo porteiro a entrar no castelo na noite em q o rei é morto – levando em conta q os originais eram referências a personagens e acontecimentos reais e q precisariam de notas de rodapé para serem entendidas hj – colocamos referencias a personagens contemporâneos passiveis de serem identificadas pelo público atual sem alterar a estrutura original das falas do porteiro pequenos cortes e alguma edição aqui e ali para fluir a encenação construída e n mais nenhuma intervenção nenhum outro texto agregado o grande trabalho foi lutar contra as convenções criadas ao longo dos tempos nas encenações e montagens q nos mostra uma lady macbeth vilã como na tradição judaico cristã é apresentada a mulher e um macbeth sem afeto q mata pq n ama ao contrario e um macbeth mata mesmo amando pq é inevitável a morte para q o destino se cumpra e n importa o afeto q tenha por duncan ou banquo importa q há um destino a cumprir e a consciência de q todos os feitos têm consequência q o poderiam paralisar no início da peça é removida pela estratégia de responsabilizar a mulher pelo sucesso ou fracasso da empresa e por outras ações e decisões q vai tomando inclusive a de descartar a cumplicidade de seu duplo feminino empurrado p um limbo e p uma ausência durante todo o 4o ato aparecendo apenas para morrer mostrar q macbeth n é um monstro ao contrário q cada um de nós pode ser macbeth se n tivermos claros e defendidos certos valores se contra um destino trágico e inevitável n lutarmos a favor do equilíbrio e tirar o sobrenatural do ar a humanidade de macbeth está justamente na humanidade dos outros personagens e em suas motivações esse é o jogo proposto por shakespeare as irmãs do destino nunca as tratamos como bruxas ou feiticeiras mas mulheres cônscias de sua humanidade e papel no mundo papel de mães q perdem os filhos a cada dia de cidadãs q perdem a capacidade de seguir e decidir que são renegadas a papéis inferiores subjugadas por
o q é montar estas duas obras o q é fazer teatro por quem ainda fazer teatro qdo as opções de representação deleite narrativas meios de distribuição de discursos e produções performativas são tantas e falo da capacidade q todos e qualquer um têm disso de produzir seu próprio discurso sem ser representado por ninguém e colocar no mundo p ser visto ouvido experimentado por milhares de pessoas a um clique é preciso fazer shakespeare esse teatro tribal c 31 atores e mais os técnicos em cena ainda q reduzido o público pelo excesso de alternativas pelo medo disseminado pela indústria da segurança para fomentar o mercado da proteção da fortificação e intransponibilidade das propriedades e do armamento do cidadão pela falta de qualidade quantidade conforto opções do sistema de transporte urbano q empurra o cidadão para o mercado automobilístico dificultando o acesso e circulação ainda mais nos grandes centros pela falta de cultura de ir ao teatro pela pouca informação do q seja teatro e dos benefícios q traz ao mundo o seu consumo sistemático em sessões onde a humanidade precisa ser coletiva precisa estar presente em corpo e lugar para q aconteça pela estupidez da distribuição gratuita de ingressos na tentativa de aumentar a frequência ao preço de criar dependências perversas do produtor ao patrocinador e n ao público ainda q reduzido o público por esses e outros fatores o teatro ainda é necessário o teatro vila velha começou a produzir diretamente seus espetáculos a partir de 2013 para responder ou se questionar sobre tudo isso e em dois anos deu à cidade – ou melhor trocou c a cidade por ingressos vendidos – 10 espetáculos 5 deles c elencos de mais de 30 pessoas isso é possível pq o vila adotou uma política de formação de público mas tb de artistas de uma maneira sistemática e investigativa o programa universidade LIVRE de teatro vila velha vai se construindo a medida q avança vai entendendo a realidade e respondendo a questões e formulando perguntas ainda sem respostas vai demandando e fomentando e provendo a sociedade de teatro a ideia de um artista gestor de seu próprio trabalho é a idéia de um artista q se faz perguntas tb como o operário de brecht o artista q se pergunta diariamente qual o seu lugar no mundo e no tempo em q vive e atua q carrega peso físico e a responsabilidade de convocar
O FUTURO
um mundo patriarcal e por isso montam o teatro das profecias e assim conduzem erraticamente as vezes os acontecimentos shakespeare n acreditava q as bruxas tinham o poder de realizar mas o de induzir a realização esse é o perigo nomeado por hécate o excesso de informação n processado corretamente nos leva à perdição assim hamlet é uma peça doc um registro deste momento e macbeth uma peça aviso cuidado homem como em algumas casas vemos cuidado cão
uma assembleia para debater as questões de seu tempo q entende de mercado e economia para poder entender as grandes disputas do mundo q se transvestem em ideologia religião etc mas q são econômicas as motivações pq trocamos a disputa territorial a caça pesca e agricultura por negócios status especulação virtual guerras sem regras torneios sem causa a n ser o enriquecimento o acumulo o capital se autofecundando e nos devorando a responsabilidade de aprender fazendo seguros de q a plateia está aprendendo assistindo q todos somos aprendizes e podemos trocar o q descobrimos a cada minuto c o outro numa rede q nos impede de cair q nos conecta c a humanidade no q ela tem de melhor e no q ela tem de pior e lidar c os muitos lados desta coisa mundo potencializando a construção e a demolição necessárias de tudo q proporciona ou impede a felicidade e lutar pelo prazer de ser e estar neste momento preciso em q estamos e somos alguma coisa no universo fazemos um teatro coral como os corais nos retroalimentado e ao sistema cênico emocional afetivo imagético simbólico do mundo como um coro q sabe a necessidade de corifeus e diálogos c o herói mas sabe tb e mais da grandeza de ser coletivo de pertencer a um grupo e de ter a força de muitos ao nosso lado para seguirmos vamos continuar no teatro vila velha a fazer este teatro q entendemos necessário e formar novos atores e atuadores no mundo criar conteúdos para alimentar a fome humana de contato e de respostas ao vazio do depois e do antes fazer o q podemos fazer seguimos
foto marcio meirelles
márcio meirelles rio . 21.01.2015
FICHA TÉCNICA
textos MACBETH e HAMLET: WILLIAM SHAKESPEARE tradução MACBETH: BÁRBARA HELIODORA tradução HAMLET: JOSÉ ROBERTO O’SHEA texto HAMLETMÁQUINA: HEINER MÜLLER tradução HAMLETMÁQUINA: CRISTHINE RÖRIGH e MARCOS RENAUX tradução dos fragmentos de HAMLET do fólio . ato 4 cena 4 e ato 5 cena 2: ANA AMÉLIA CORDEIRO DE MENDONÇA fragmentos de POR QUE HÉCUBA em HAMLET: MATÉI VISNIEC tradução POR QUE HÉCUBA: VINICIUS BUSTANI elenco: AMANDA BRITO – lady macbeth* / atriz em hamletmachine . coro ANTONIO JOSÉ – 1º assassino . criado . seyton** . coro / 1º sentinela** . capitão norueguês . coveiro . coro APOENA SERRAT – lady macduff* . coro / atriz em hamletmachine . coro ARIEL RIBEIRO – fleance . filho de macduff . coro / coro BABI FERREIRA – mensageiro** . dama . coro / ofélia BÁRBARA BELA – velho . coro / coro BRENO FERNANDES – donalbain . seyton . coro / padre . coro CAIO TERRA – gilderstone / velho** CLAUDIO VARELA – angus . coro / corâmbis . coro CRIS VIEIRA – irmã / montano . coro DEYSE RAMOS – irmã / atriz-ofélia em hamletmachine . coro EDUARDO SANTOS – capitão . velho siward . coro FERNANDA VEIGA – lady macbeth* / coro FRANKLIN ALBUQUERQUE – porteiro . coro / claudio GILBERTO REYS – médico escocês . coro / marcelo . coro GIZA VASCONCELOS – rosse . coro / atriz-hamlet em hamletmachine . coro GRAZIELLE MASCARENHAS – irmã / coro HUGO BASTOS – lenox . coro / laertes . coro IANA NASCIMENTO – lady macduff*. criado . coro / atriz em hamletmachine . coro JEAN PEDRO – banquo . coro / horácio MARCIA RIBEIRO – mensageiro . coro / gertred MARI GAVIM – lady macbeth* / voltemar . atriz em hamletmachine** . coro MAURÍCIO PEDREIRA – menteith . coro / bernardo . padre** . coro RAFAEL GRILO – 2º assassino / rosencraft RODRIGO LELIS – 3º assassino . donalbein** . jovem siward . coro / 1º sentinela . coro SONIA LEITE – hécate (em vídeo) TIAGO QUERINO – macbeth / fortenbrasse . coro VADO SOUZA – macduff . coro / coveiro . coro VICTOR FERNANDES – filho de macduff . coro / cavalheiro . coro VICTORIA MATOS – lady macduff* . coro / cornélio . atriz em hamletmachine . coro VINICIUS BUSTANI – malcolm . coro / hamlet YAN BRITTO – duncan . caithness . coro / fantasma . coro *alternadamente **substituição
encenação . conceito de figurino cenário maquiagem . criação do material gráfico . fotos : MARCIO MEIRELLES músicas de ALINE FALCÃO . ARMANDO BRANCHE . CAIO TERRA . JADSA CASTRO . JOÃO MILET MEIRELLES . RONEI JORGE . THALES BRANCHE . RODRIGO VERAS direção musical: CAIO TERRA . RODRIGO VERAS guitarra: CAIO TERRA . HUGO BASTOS baixo: CAIO TERRA . IANA NASCIMENTO . JEAN PEDRO . VINICIUS BUSTANI bateria: CAIO TERRA . VINICIUS BUSTANI controlador: RODRIGO VERAS percussão: elenco feminino . AMANDA BRITO . FERNANDA VEIGA . MARI GAVIM . TIAGO QUERINO preparação de coro e voz: MARCELO JARDIM coreografia: CRISTINA CASTRO assistência de coreografia: MARCELO GALVÃO preparação de corpo: ANANIAS BREAK . ANITA BUENO . MARCELO GALVÃO . NANDO ZÂMBIA . SANARA ROCHA preparação de esgrima: ROMEU REZENDE figurino a partir da ressignificação dos figurinos de outros espetáculos do teatro vila velha produção do figurino: AMANDA BRITO . MARCIA RIBEIRO confecção do figurino complementar: SARAÍ SANTOS adereços: DEILTON JOSÉ . ZUARTE JUNIOR projeto e confecção da floresta de birnam e das grades: MINIUSINA desenho de luz: oficina de luz orientada por JORGINHO DE CARVALHO participantes da oficina de luz: DAILSON SANTOS “LÔ” . FERNANDA PAQUELET . JAMILE FERREIRA JOILSON CONCEIÇÃO . MARCOS DEDÊ . MAISE XAVIER . YAN BRITTO . ZEUZ LUZ montagem de luz: equipe técnica do teatro vila velha operação de luz: JAMILE FERREIRA . MARCOS DEDÊ . ZEUZ LUZ operação de canhão: DAILSON SANTOS “LÔ” . JAMILE FERREIRA . JOILSON CONCEIÇÃO . ZEUZ LUZ desenho de som: GABRIEL FRANCO montagem de som: CAIO TERRA . GABRIEL FRANCO . RODRIGO VERAS operação de som: GABRIEL FRANCO projeto audiovisual/tecnologia . imagens da internet e produzidas . edição dos vídeos . captação ao vivo: RAFAEL GRILO operação de vídeo/tecnologia: LETICIA VILARONGA . RAFAEL GRILO . ROGÉRIO VILARONGA . divulgação: equipe de comunicação do teatro vila velha coordenação de comunicação: EDUARDO COUTINHO desenho web . design peças gráficas: TÁRCIO VASQUES produção peças gráficas . JOANA FIALHO
VILA DE PRODUÇÃO O Teatro Vila Velha sempre foi um importante centro de produção. Desde 1964, o Vila é responsável por movimentar a cena teatral baiana com espetáculos criados, ensaiados e apresentados dentro de seu espaço. Tudo isso começou com a Companhia Teatro dos Novos, grupo que fundou o Vila, e seguiu através de grupos como o Teatro Livre de Bahia, Teatrinho Chique-Chique, Vilavox, Companhia Novos Novos, A Outra, Nata, Cia Teatro da Queda, Supernova Teatro, Núcleo Viladança e Bando de Teatro Olodum. A partir de 2014, data em que celebra os seus 50 anos, o Teatro Vila Velha passa a produzir diretamente os seus espetáculos. Toda a equipe do teatro mobiliza-se não apenas para manter a casa funcionando, mas para movimentar a sua programação, assumindo cada uma das etapas necessárias para colocar uma peça em cartaz. Tendo como grande motor a universidade LIVRE de teatro vila velha, programa de formação de atores criado 2013, o Vila mantém-se como um caldeirão, oferecendo à cidade, incansavelmente, teatro para ver, sentir e pensar. As produções do Vila colocam em cena os integrantes da universidade LIVRE, além de artistas convidados. Na LIVRE, a formação acontece em cena, e o público acompanha a evolução dos atores e do projeto. Aqui, a ideia é aprender fazendo, sem medo de arriscar. Coordenado pelo diretor artístico do Teatro Vila Velha, Marcio Meirelles, o programa consolida-se como uma experiência de formação ampla e bem sucedida, que possibilita ao ator estar no palco, em cartaz, mas também envolvido em todas as etapas anteriores e posteriores à apresentação de um espetáculo: gestão, produção, comunicação, confecção de figurino, montagem de luz, cenário, criação de trilha sonora, entre outros. Durante o segundo arco de trabalhos, que se debruçou sobre a obra de William Shakespeare e resultou na montagem de Hamlet+ HamletMachine e Macbeth, o projeto contou com o trabalho de 28 colaboradores*. Durante o ano de 2014, o Teatro Vila Velha produziu sete espetáculos. Em janeiro, abrindo o Amostrão Vila Verão, estreou Por que Hécuba, peça cedida pelo dramaturgo romeno Matéi Visniec que o Vila traduziu, através do ator Vinicius Bustani, e montou, com encenação de Marcio Meirelles. Com Chica Carelli como atriz convidada, dando vida à protagonista Hécuba, a montagem permaneceu em cartaz durante o verão e foi convidada a voltar aos palcos em outubro, pelo Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, ocasião em que, com a presença de Visniec, lançamos a nossa tradução de Por que Hécuba, livro editado pela É Realizações. Em fevereiro, também dentro do Amostrão, o Vila apresentou Frankenstein, resultado do primeiro arco de formação da LIVRE, que se voltou durante um ano sobre a obra clássica de terror escrita pela britânica Mary Shelley. O espetáculo ocupou todo o teatro - salas de ensaio, banheiros, corredores, camarins, foyer, cabaré dos novos e até o palco principal - e ofereceu ao público uma narrativa também fragmentada, com possibilidades de associações e interpretações pautadas nas diferentes versões sobre a história contadas pelos personagens. Em maio, o Vila apresentou o espetáculo Fora de Casa, resultado do segundo projeto de extensão de universidade LIVRE de teatro vila velha, depois de Espelho para Cegos, com texto de Visniec e encenação de Meirelles, produzido em 2013. Com direção de Martin Domecq, Fora de Casa levou à cena as atrizes Cris Vieira e Sonia Leite, da LIVRE, a última indicada ao Prêmio Braskem de Teatro 2014 de melhor atriz pelo trabalho nesta montagem, que ocupou a Sala João Augusto para uma sensível homenagem aos atores e ao teatro.
A parceria entre Matéi Visniec e Marcio Meirelles continuou rendendo. O Último Godot, quarta produção do Vila, estreou em maio, proporcionando o encontro da LIVRE, através do ator Vinicius Bustani, com o Bando, na figura de Leno Sacramento. A peça, apresentada no Cabaré dos Novos, narrava o encontro entre o autor Samuel Beckett e o emblemático personagem Godot. O texto fazia referência a Esperando Godot, peça clássica de Beckett que ganhou uma versão baiana nas mãos do próprio Meirelles, a partir de convite do ator Celso Jr. Os dois Godots permanceram em cartaz simultaneamente, no mesmo teatro, proporcionando ao público uma experiência de diálogo e intertextualidade. Em 31 de julho de 2014, o Vila celebrou o seu cinquentenário com o espetáculo Jango: Uma Tragedya, único texto para teatro de Glauber Rocha, encenado por Marcio Meirelles, com música do Tropical Selvagem e coreografia de Cristina Castro. No palco, os atores da LIVRE, com a participação do ator Sergio Laurentino, do Bando, davam vida a personagens como Miguel Arraes, Francisco Julião, Brizola, Elizabeth Taylor e Carmem Miranda, em um retrato do Brasil de ontem e de hoje construído a partir do exílio do presidente João Goulart após ser deposto pelo Golpe Militar de 1964 - que, assim como o Vila, completava 50 anos. Em setembro, o Vila estreou A Mulher como Campo de Batalha, quarta encenação de Marcio Meirells a partir de texto de Matéi Visniec. As atrizes Giza Vasconcelos e Iana Nascimento, da LIVRE, davam vida a duas personagens em busca de equilíbrio em meio ao cenário desastroso da Guerra da Bósnia, onde a violação do corpo feminino era feita como estratégia militar contra o inimigo étnico. A direção musical da peça foi assinada por Caio Terra, integrante da LIVRE que participou como assistente de direção musical de Jango. Em 2015, que se abre com as estreias de Hamlet+HamletMachine e Macbeth, o Vila segue em ebulição. Acompanhe.
*colaboradores da universidade LIVRE de teatro vila velha durante o ARCO 2 – SHAKESPEARE 2014: ANANIAS BREAK (street dance) . ANITA BUENO (yoga) . ARMANDO BRANCHE (música) . BÁRBARA BARBARÁ (corpo) . BERGSON NUNES (produção / baobá produções) . BERTHO FILHO (preparação de ator) . BIANCA ARAUJO (produção . gestão) . CHICA CARELLI (preparação de ator) . CRISTINA CASTRO (corpo) . DEJALMIR MELO (corpo) . GABRIEL FRANCO (sonorização) . GERMAINE INGRAN (corpo . ritmo . música . canto – eua) . HAYALDO COPQUE (dramaturgia . preparação de ator) . JOÃO MILET MEIRELLES (música) . JONNATHA HORTA FORTES (rítmica / oficcina multimédia – mg) . LUIZ ANTONIO JR (produção / baobá produções) . MAIZE XAVIER (vídeo) . MARCELO GALVÃO (corpo) . MARCELO JARDIM (canto . voz) . MARTIN DOMECQ (dramaturgia . preparação de ator . encenação) . MERAN VARGENS (contação de história) . MORENO PACHECO (história) . NANDO ZÂMBIA (corpo / grupo nata) . PEDRO JATOBÁ (gestão colaborativa - pe) . ROMEU REZENDE (esgrima) . RONEI JORGE (música) . SANARA ROCHA (corpo . música / grupo nata) . THALES BRANCHE (música) . YONE MEDEIROS (rítmica / oficcina multimédia – mg)
FICHA TÉCNICA TEATRO VILA VELHA direção artística: MARCIO MEIRELLES coordenação geral: JÚNIA LEITE coord. adm financeiro: MARIA ANGÉLICA DA C. RIBEIRO administradora noturna: VÂNIA SANTOS DA PAIXÃO assistente administrativa: LEILA SACRAMENTO bilheteria: ELINALVA MARIA grupos residentes: COMPANHIA TEATRO DOS NOVOS. BANDO DE TEATRO OLODUM projeto especial: universidade LIVRE de teatro vila velha núcleo viladança: direção: CRISTINA CASTRO programação: ZECA DE ABREU núcleo de comunicação: EDUARDO COUTINHO . TÁRCIO VASQUES (ESTAGIÁRIO) núcleo de marketing: JOANA FIALHO equipe técnica: DAILSON SANTOS “LÔ” . ELIZEU SANTANA . JOILSON CONCEIÇÃO . MARCOS SILVA. serviços gerais: FREDSON XAVIER DOS SANTOS . IRACY DUARTE . PAULO GOMES DA SILVA . VALDELINA GRAÇAS DOS SANTOS. nós por exemplo - centro de documentação e memória: VICTOR FERNANDES estúdio do vila: MAISE XAVIER . RAFAEL GRILO. sol movimento da cena – organização gestora do teatro vila velha presidente: ALCIDES VALVERDE VALENTE JÚNIOR vice presidente: MARIA CRISTINA CARVALHO DA MOTTA LEAL sociedade teatro dos novos – organização fundadora do teatro vila velha: presidente: SÔNIA ROBATTO vice-presidente: ÂNGELA ANDRADE
foto marcio meirelles
HAMLET+HAMLETMACHINE . MACBETH estreias: 10 e 11 de janeiro de 2015 teatro vila velha . salvador