PROGRAMAÇÃO
>>MAIO/15 BENÇA ÁFRICAS O JARDIM DE HUMBERTO PORTO
foto joão milet meirelles
CABARET DRAG KING
E
EDITORIAL MAIO #05
Em 2015, o Bando de Teatro Olodum celebra 25 anos. Nascido no Pelourinho, há 21 anos o grupo tem o Teatro Vila Velha como sua casa, e aqui construiu parte importante de sua história. Em um quarto de século, a companhia de atores negros tornou-se referência nas artes cênicas e nas ações afirmativas em todo o país. Estreou mais de 20 montagens, realizou mais de 3 mil apresentações, viajou por diversos continentes e teve atuações marcantes no cinema e televisão. O Bando colaborou na reconstrução do Vila e foi, também, consolidado nele. As duas histórias dialogam e, juntas, são exemplo de luta por liberdade, direitos, respeito. O Bando é voz importante no combate ao racismo, na defesa dos direitos da população negra e do respeito à arte negra. Em 1997, com a polêmica estreia da peça Cabaré da RRRRRaça, com uma promoção que oferecia meia entrada para quem se declarasse negro, o Bando conseguiu alcançar uma mínimo de 60% de plateia negra por apresentação, em uma Salvador onde apenas 1% de público dos teatros era composto de negros. A conquista deste público se estendeu ao Vila, e se mantém até hoje. Em suas Bodas de Prata, o grupo celebra o reconhecimento, atestado pelo público e por instituições como o Ministério da Cultura e o Itamaraty, mas luta por patrocínio para seus novos projetos - que incluem apresentação de repertório, nova montagem teatral, circulação de espetáculos, exposição comemorativa e oficinas de formação. Como já é uma prática, e uma bandeira do TVV, o Bando não espera e, em maio, dá início às celebrações pelos 25 anos
com a reestreia dos espetáculos Bença e Áfricas. Para conseguir fazê-lo, o grupo realiza evento no dia 3, às 13h, no Largo Tereza Batista, Pelourinho, com o objetivo de comemorar e, ao mesmo tempo, arrecadar fundos para as temporadas. A festa tem ingressos vendidos a R$20 e conta com shows do Ilê Aiyê e da banda Negros de Fé, com participações do Olodum e da cantora Juliana Ribeiro. O convite é aberto a todos. O Vila segue em ritmo acelerado de produção e reflexão. Desde março iniciou o processo de montagem de “Através do Espelho e o que Alice Encontrou por Lá”, de Lewis Carroll, e “Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias”, de Matéi Visniec encenações de Marcio Meirelles. E abre a público os processos de criação no Experimento 3.2, com a universidade LIVRE. O Cine Vila, que completará um ano de atividades no próximo mês, tem se consolidado como um espaço importante de encontros, reflexões e troca entre teatro e audiovisual. Em maio, interrompemos a sua programação para discuti-lo internamente, reajustálo como um braço efetivo de formação da LIVRE em audiovisual, consolidar novas parceiras e retomá-lo em junho, com mais força e novas propostas de diálogo. Neste mês, o Núcleo Viladança também inaugura projeto de residência artística com artistas da Cia Los INnato, da Costa Rica, que vai resultar em espetáculo montado com cinco dançarinos baianos, selecionados em audição pública. Outra novidade é a oficina de Danças Urbanas para crianças, que abre inscrições também neste mês no Vila.
M MÉMORIA
Em abril de 1995, ano marcado pelos 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares, o Bando de Teatro Olodum estreava no Vila “Zumbi”, texto colaborativo de Marcio Meirelles, Aninha Franco e do próprio grupo. Em novembro do mesmo ano, estreava o espetáculo itinerante “Zumbi está vivo e continua lutando”, que tinha como espaço cênico o Passeio Público e levava à cena quase 200 atores negros, entre profissionais e amadores, com participação de adolescentes do Coral do Gantois, as bandas: Erê do Ilê Aiyê, Mirim Olodum, Juvenil do Male de Balê, dos Filhos de Ghandy e do Apaxes do Tororó, entre outros. Foi nesse espetáculo que Mário Gusmão fez a sua última atuação em teatro, no papel de Ganga Zumba. No mesmo ano, “Zumbi” foi recriado em Londres pelo encenador Marcio Meirelles, junto ao coreógrafo Zebrinha e o diretor musical Cícero Antônio. A peça com atores da Black Theatre Co-op gerou polêmica: foi acusada de racista por espectadores brancos e, pelo jornal britânico “Independent”, de instigar as tensões raciais na região; em troca recebeu apoio do público que lotou todos os dias o Royal Stratford East Theater, e na turnê por outras cidades britânicas.
Mário Gusmão e elenco em Zumbi Está Vivo e Continua Lutando, 1995. Foto: Nós, Por Exemplo - Centro de Documentação e Memória
CABARET DRAG KING
foto taylla de paula
O “Cabaret Drag King” é um espetáculo de improviso, onde várixs artistas performam “masculinidades”, através de dança, dublagem, solo, sketches e o que mais aparecer. A inspiração do Cabaret vem dos shows de transformismo e as apresentações são costuradas pela mestre de cerimônias Isabela Silveira, que interage com artistas e público fazendo comentários e brincadeiras. Para quem quiser chegar mais cedo, o café estará funcionando desde o início da noite. O som é de Adriana Prates, a iluminação de Mirella Matos Sales e as imagens de Jacson Costa.
06/05 // qua // 20h // R$20 e 10
ÁFRICAS Há 25 anos, o Bando de Teatro Olodum tem construído obras que revelam elementos e estéticas impregnados da riqueza cultural africana, da qual o Brasil é um dos principais herdeiros. “Áfricas”, primeiro espetáculo infantojuvenil do grupo, com direção de Chica Carelli, traz à cena o continente africano, através do seus contos, seu povo, seus mitos e religiosidade. Assim, os atores, feitos griôs, contam histórias em narrativas permeadas de dança e música e resgatam de forma lúdica e poética o orgulho da afrodescendência no imaginário infanto-juvenil. Do Senegal, trazem Abdu, caçador de crocodilos, do Mali, duas irmãs e um feiticeiro, e da mitologia afrobrasileira a criação do mundo e histórias de Oxumarê e Omolu.
a partir de 09/05 // sáb e dom // 16h // R$30 e 15
foto: jo達o milet meirelles
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M DE TO PORTO
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MÚSICA
DANÇA
BENÇA O espetáculo/instalação que marcou os vinte anos do Bando de Teatro Olodum, em 2010, volta aos palcos para celebrar, agora, os 25 anos. A peça, dirigida por Marcio Meirelles, trata do respeito aos mais velhos e homenageia o tempo, a memória cultural do povo negro e sua ancestralidade. Com linguagem contemporânea e não linear, o espetáculo trata a passagem do tempo como algo construtivo e enriquecedor. Não um tempo cronológico que simplesmente passa, mas o tempo das coisas, ou seja, ele é circular e traz benefícios. Em cena, os atores e músicos contracenam entre si e com imagens em vídeo, projetadas em três telas. Aparecem Bule-Bule, Cacau do Pandeiro, D. Denir, Ebomi Cici, Makota Valdina e mãe Hilza - figuras emblemáticas, e guardiãs da cultura afro-brasileira, que dão depoimentos sobre os temas da peça. Os movimentos vêm de rituais afro brasileiros e a música trava um diálogo entre ritmos sagrados de tambores, vozes humanas e sons sampleados e manipulados digitalmente.
a partir de 08/05 // sex e sáb: 20h // dom: 19h // R$ 30 e 15
foto: jo達o milet meirelles
EXPERIMENTO 3.2
foto marcio meirelles
O palco do Vila abriga mais um Experimento, espaço onde a universidade LIVRE de teatro vila velha abre o seu processo de criação e promove diálogo direto com o público sobre os processos artísticos que vive, a complexa inserção do teatro no século XXI e sobre o tempo presente. No Experimento 3.2, o elenco da Turma 2 (iniciada em março deste ano) compartilha experiências do último mês de trabaho, que abrigou o intercâmbio com uma série de artistas no âmbito do VIVADANÇA Festival Internacional, como o mestre do Butoh japonês Tadashi Endo; o bailarino estadunidense Colby Damon; os dançarinos costa-riquenhos da companhia INnatos; além dos exercícios em música orientados por Pedro Amorim e por Ridson Reis. O grupo apresenta ainda fragmentos de “Através do Espelho e o que Alice lá encontrou”, livro de Lewis Carroll.
12/05 // ter // 20h // pague quanto quiser
O JARDIM DE HUMBERTO PORTO
arte: laís guedes
O espetáculo “O Jardim de Humberto Porto” apresenta o programa de rádio Memória da Música Brasileira, conduzido por Evelin Buchegger, que narra a trajetória desse notório compositor da Era do Rádio, de seu nascimento na Bahia à inserção profissional no Rio de Janeiro, culminando com o sucesso nacional da famosa marchinha de carnaval “A Jardineira”. O programa recebe convidados ao vivo, incluindo uma banda composta por dois de seus descendentes músicos: os sobrinhos netos Thiago Pondé e Lucas Pondé. O espetáculo tem direção artística de Thiago Pondé, direção musical de Rafael Pondé e supervisão cênica de Conceição Castro.
28/05 // qui // 20h // R$ 10 e 5
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