A gente é tudo rato pequeno Fazendo o jogo dos gatos Quem são os gatos vocês não conhecem relato de uma guerra que (não) acabou marcio meirelles
PROGRAMAÇÃO
SETEMBRO
EDITORIAL Em julho de 2001, a Bahia vivia momentos de descontrole absoluto. A greve das polícias civil e militar espalhava por todo o estado a violência, o tumulto e as mortes que em “tempos de paz” se limitavam aos bairros periféricos. Ao mesmo tempo, a peça Material Fatzer, de Bertolt Brecht e Heiner Muller, dirigida por Marcio Meirelles, estava no Teatro Vila Velha, com alguns atores do Bando de Teatro Olodum no elenco. “Neste espetáculo, discutíamos a guerra e a quem ela interessa. Quem é o verdadeiro inimigo? É aquele contra quem lutamos, ou nos defendemos, ou aquele que nos manda lutar e diz nos defender? O que víamos na rua era o que estávamos discutindo no palco. A barbárie e selvageria que se instalaram nos obrigou então a tomar a decisão de fazer nosso próximo trabalho sobre aqueles fatos” – diz o diretor que propôs então ao Bando “fazê-lo não no centro, ou a partir do centro, mas nas comunidades onde ocorrem cotidianamente atos de barbárie e selvageria e a população continua a achar normal que assim seja”, continua o diretor. A partir daí, começaram a realizar oficinas com os moradores de bairros do subúrbio de Salvador. A ouvir o que aquelas pessoas falaram e, principalmente, o que calaram. Com o apoio de organizações e grupos de teatro comunitários, e a partir do material recolhido e da experiência de vida daquelas pessoas, foi montado RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU. Não havia patrocínio, financiamento, apenas a vontade (ou a necessidade) de fazer. O Bando, com a economia das bilheterias de Cabaré da RRRRRaça e dos cachês do projeto Já Fui!, e o TVV, com os serviços que podia oferecer, arcaram com as despesas do espetáculo. Com a administração de Chica Carelli e gastando o mínimo possível (vales transportes e o essencial para cenário e figurino) foi possível a montagem. Treze anos depois, este Relato é remontado pelos mesmos atores, agora no papel de diretores, como resultado da Oficina de Performance Negra. Tão atual e necessário quanto há treze anos, Relato traz à cena 30 jovens atores negros, que puderam compartilhar por seis meses a experiência do Bando de Teatro Olodum e respirar o Teatro Vila Velha. No palco, entre 26 e 28 de setembro, o resultado de muito trabalho e
muita história, num espetáculo que quase nada tem de ficção. Também em setembro, o Vila abre as portas para o intercâmbio com grupos e artistas de outros cantos. O Festival Latinoamericano de Teatro apresenta aqui 11 espetáculos. Entre as montagens, estão peças do Uruguai, Chile, Ceará, São Paulo, Belo Horizonte, além de trabalhos já consagrados nos palcos baianos. Já o Tangolomango, em sua 19a edição, pela segunda vez em Salvador, ocupa o Teatro Vila Velha para promover a troca entre companhias do Peru e do Brasil, cujo resultado é apresentado dia 10, em um espetáculo único. A universidade LIVRE de teatro vila velha, depois de um mês inteiro de temporada com o espetáculo Jango: Uma Tragedya, volta a se debruçar sobre as obras Macbeth e Hamlet, de Shakespeare, as próximas duas grandes montagens do TVV, com estreia no verão de 2015. Em paralelo, no Vila, estão em desenvolvimento quatro projetos de extensão da LIVRE, dois deles com estreia prevista para outubro: O sexo dA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA na guerra da Bósnia, texto de Matéi Visniec, dirigido por Marcio Meirelles; e O Bonde dos Ratinhos, peça infantil de Isac Tufi, dirigida por Zeca de Abreu. Esses dois espetáculos, e também Relato, serão apresentados de forma acessível a pessoas com deficiências visual e auditiva. Através do projeto Teatro para Sentir, as montagens terão intérpretes de libras e audiodescrição. Para que isso seja possível, os atores e diretores e a equipe do Vila estão realizando oficinas e ensaios abertos. Na programação de setembro, tem espaço ainda para cinema, com a 4a edição do Cine Vila, que exibe o premiado filme Uma Longa Viagem, de Lucia Murat. Já o Cubo Arte e Cultura, feira de multilinguagens, reúne no Cabaré dos Novos artistas plásticos, musicistas, escritores e microempreendedores de produtos artesanais manufaturados. Nas próximas páginas, saiba mais sobre o que acontece no mês e VÁ AO VILA, VELHO!
MEMÓRIA
foto Márcio Lima / Acervo Nós, Por Exemplo
Relato de uma Guerra que (não) Acabou foi construído a partir de oficinas realizadas pelos atores do Bando de Teatro Olodum em bairros do subúrbio de Salvador, entre fevereiro e maio de 2002. A ideia de fazê-lo veio enquanto o Teatro Vila Velha apresentava a peça Material Fatzer e, em julho de 2001, teve início a greve das polícias civil e miltar, que espalhou a violência, que cotidianamente se limitava às periferias, a todo o estado, causando a morte de 46 pessoas, na sua quase totalidade jovens e negros. Sem nenhum tipo de patrocínio, a temporada de Relato foi feita com as economias das bilheterias de Cabaré da RRRRRaça e dos cachês do projeto Já Fui!. No palco, estavam 29 atores, entre membros do Bando e participantes das oficinas, dirigidos por Marcio Meirelles.
CUBO Arte & cultura
O CUBO é uma feira de multilinguagens que reúne artistas plásticos, musicistas, escritores e microempreendedores de produtos artesanais manufaturados. O evento propõe uma experiência baseada na coletividade de expositores e artistas, proporcionando a comercialização, divulgação e promoção das artes, além da manutenção de uma rede de interação entre os criadores. Entre as novidades do CUBO, está o espaço literário, com estante para doação e aquisição de livros, com a participação de cordelista convidado. Para a experiência musical, voz violão pela manhã e Dj el Cabong comandando a trilha sonora da tarde até pertinho do por do sol.
06/09 | sáb | 10h às 18h 1 kg de alimento não perecível
foto João Luiz Castro
FESTIVAL TANGOLOMANGO
Em sua 19ª edição, e pela segunda vez em Salvador, o Festival Tangolomango promove o intercâmbio entre grupos e artistas do Brasil e Peru. A cada ano, uma cidade brasileira é escolhida para trocar experiências com outra capital latinoamericana. Da capital baiana participam a Cia Jovem de Dança da Funceb; a Cia Picolino de Circo; a Orquestra de Berimbaus Afinados e a banda Retrofoguetes. De Lima virão o grupo de circo e dança Agárrate Catalina, o músico Negro Mendes e o grupo musical Samba Landó. Ao final da residência, como uma grande trupe, os grupos constroem um espetáculo único, apresentado no palco do Teatro Vila Velha.
10/09 | qua | 20h R$4 e R$2
foto Márcio Lima / Acervo Nós, Por Exemplo
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU
Os alunos da II Oficina de Performance Negra do Bando de Teatro Olodum encerram a edição 2014 do projeto com o espetáculo Relato de uma guerra que (não) acabou. A montagem com texto de Márcio Meirelles e dos atores do Bando que estreou no ano de 2002 é baseada em vivências de violência no cotidiano de moradores da periferia da capital baiana durante a semana de greve das polícias da Bahia ocorrida naquela época, além de situações ainda presentes no dia a dia da população. No formato apresentado este mês, também foram incorporados episódios das paralisações mais recentes. A oficina conta com apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) por meio do Edital Setorial de Teatro. Este espetáculo é acessível para cegos e surdos com audiodescrição e tradução para libras.
26 a 28/09 | sex e sáb: 20h | dom: 19h gratuito
PROGRA SEGUNDA
TERÇA
02
01
QUARTA
QUI
04
03
TANGOLOMANGO FESTIVAL 20h| sala principal
08
09 FILTE BAHIA
15
11
10 FILTE BAHIA
DISSIDENTE 19h | cabaré dos novos
DISSIDENTE 19h | cabaré dos novos
OAL MEDIC PERFORMATUS 20h | foyer
INFESTAÇÃO 20h | foyer
TRÍPTICO SAMUEL BECKETT 21h | sala principal
TRÍPTICO SAMUEL BECKETT 21h | sala principal
23
24
16
17
FILTE BAHIA
A MÃO N 19h | cabar
INFEST 20h |
18
QUAR 21h | sala
CINEVILA CINECLUBE 19h| cabaré dos novos
22
25
A MULHER COMO CAMPO DE BATALHA TEATRO 20h | sala principal
29
30
CONHEÇA OS 50 ANOS DO TEATRO VILA VEL
AMAÇÃO
INTA
NA FACE ré dos novos
SEXTA
DOMINGO
CUBO ARTE & CULTURA FEIRA 10h às 18:30 cabaré dos novos
05
06
07
FILTE BAHIA
CARTOGRAFIA DO ABISMO 17h | cabaré dos novos
ALGO DE RICARDO 21h | sala principal
ALGO DE RICARDO 21h | sala principal
PARA TODAS AS MARIAS 20h | foyer
13
FILTE BAHIA
FILTE BAHIA
A MÃO NA FACE 19h | cabaré dos novos
BALADA DE AMOR 19h | cabaré dos novos
INFESTAÇÃO 20h | foyer
INFESTAÇÃO 20h | foyer
QUARTETO 21h | sala principal
19
FILTE BAHIA
CARTOGRAFIA DO ABISMO 17h | cabaré dos novos
12
TAÇÃO | foyer
RTETO a principal
SÁBADO
20
FRACTAL 21h | sala principal
PARA TODAS AS MARIAS 20h | foyer
14
FRACTAL
FILTE BAHIA 21h| sala principal
21
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU TEATRO 20h | sala principal
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU TEATRO 20h | sala principal
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU TEATRO 19h | sala principal
26
27
28
LHA E VENHA PARTICIPAR DOS PRÓXIMOS.
CINE VILA
VILA
O Cine Vila é um projeto da universidade LIVRE de teatro vila velha, que teve sua primeira edição em junho e acontece mensalmente no Cabaré dos Novos do teatro. Tendo como referência o Curta Vila, projeto de 1995, o cineclube abre espaço para produções externas e produtos audiovisuais próprios do teatro. Entre junho e setembro, através da parceria com a 3ª Bienal da Bahia, o Cine Vila exibe também filmes indicados pela Bienal.
Uma longa viagem (BRA, 2012, 97min) Direção: Lucia Murat O filme acompanha a história de três irmãos, com a linha dramática conduzida pela trajetória do caçula que vai para Londres em 1969 – enviado pela família para não entrar na luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã. Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, ele escreve cartas. Contrapondo-se à entrevista e às cartas, os comentários em off da irmã, presa política que virou cineasta e viaja pelo mundo, num processo inverso ao do irmão que, de viajante livre, foi obrigado a enfrentar diversos problemas. Um documentário que trabalha sobre a memória, não só pela forma como é feita a investigação, mas, também, sobre o motivo do filme: a morte do terceiro irmão.
22/09 | seg | 19h gratuito arte Lia Cunha
Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia - filte bahia A 7a edição do Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia - Foco nas Fronteiras acontece de 12 a 21 de setembro, com 37 apresentações e 17 espetáculos. Grupos e artistas do Chile, Uruguai, México e Colômbia, além de produções da Bahia, São Paulo, Ceará e Minas Gerais vão se apresentar em seis espaços de Salvador e também em cidades do interior. O FILTE é organizado pelo Oco Teatro Laboratório, realizado pela Carranca Produções Artísticas e Aude Produções, e conta com o apoio do Fundo de Cultura.
PROGRAMAÇÃO
foto Alessandra Nohvas
Cartografia do Abismo (BRA) Teatro Terceira Margem e Oco Teatro (BA)
13 e 14/09 sáb e dom | 17h cabaré dos novos
foto Nairi Anahorian
Algo de Ricardo (URU) Cia Complot
13 e 14/09 sáb e dom | 21h sala principal
FILTE BAHIA Para todas as Marias (BRA) Performer: Cris Oliveira (MG)
foto Cris Ribeiro
13 e 14/09 sáb e dom | 20h foyer Dissidente (BRA) Cia da Casa (BA)
foto Gordo Neto
16 e 17/09 ter e qua | 19h cabaré dos novos
foto Paulo Cesar Lima
Oal Medic Performatus (BRA) Performers: Lela Queiroz e Roberta Nascimento
16/09 ter | 20h sala de exposição
FILTE BAHIA Tríptico Samuel Beckett (BRA) Cia Club Noir (SP)
foto Daniel Seabra
16 e 17/09 ter e qua | 21h sala principal
foto Paulo Cesar Lima
Infestação (BRA) Performer: Lela Queiroz (BA)
17 a 20/09 qua a sáb | 20h foyer
18 e 19/09 qui e sex | 19h cabaré dos novos
foto Diego Souza
A mão na face (BRA) Bagaceira (CE)
FILTE BAHIA Quarteto (BRA) Teatro NU (BA)
foto Andrea Magnoni
18 e 19/09 qui e sex | 21h sala principal Fractal (CHI) Sin Testear
foto Verônica Sazie
20 e 21/09 sáb e dom | 21h sala principal
foto Claudio Varela
Balada de Amor (BRA) Os Insênicos (BA)
20/09 sáb | 19h cabaré dos novos
anuncie aqui! tvv.coord.comunicacao@gmail.com www.teatrovilavelha.com.br 71 3083-4610/11
TEATRO VILA VELHA PATROCÍNIO
APOIO
Secretaria de Cultura
FESTIVAL VILA+50 PATROCÍNIO
APOIO CULTURAL
Fazcultura Secretaria de Cultura
AMIGOS DO VILA
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