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DO-EU

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24 . 25 ago . 2015 teatro vila velha

do-eu encenação

joão branco


teatro vila velha (Salvador, Bahia) 24 . 25 . agosto . 2015

DO-EU ENCENAÇÃO

JOÃO BRANCO

direção, espaço cênico e desenho de luz . joão branco dramaturgia . criação coletiva . trechos de “a instalação do medo”, de autoria de rui zink direção musical . caio terra figurino . criação coletiva operação de luz . yan britto fotos do programa . claudio varela intérpretes / criadores . adriana leite . alex brandão . amanda cervilho . breno fernandes . gabriel carvalho glória maciel . igor nascimento . iracema vilaronga . julia jacques lavinia alves . lázaro reinaldo . leo gomes . neto cajado renato lessa . roberta guimarães . rodrigo lelis . talita nascimento . thalia silva . thauan vivas . ueliton pereira vanessa soeiro


K CENA PROJETO LUSÓFONO DE TEATRO JOVEM

PORTUGAL CABO VERDE E BRASIL UNIDOS PELO TEATRO

Pelo quarto ano consecutivo, o Teatro Viriato promove o K Cena - Projeto Lusófono de Teatro Jovem, com vista a reunir vários jovens de diferentes nacionalidades, realidades culturais e contextos ligados pela lingua portuguesa. O objetivo passa por fomentar a valorização e o reconhecimento da lingua portuguesa e do teatro como veículos para o desenvolvimento da identidade lusófona e de enriquecimento pessoal e interpessoal. Para isso, o Teatro Viriato (Portugal) conta com o Teatro Vila Velha (Salvador - Bahia, Brasil) e o Instituto Camões/Centro Cultural Português - Pólo do Mindelo (Cabo Verde) enquanto parceiros dinamizadores desta iniciativa. Em 2015, as três preças, trabalhadas pelos encenadores Graeme Pulleyn (Portugal), Marcio Meirelles (Brasil), e João Branco (Cabo Verde), têm como tema em comum o medo. Apesar do tema comum, a abordagem de todos os grupos à mesma história é ditada pelas suas vivências específicas e do seu país, a que não são alheios. Escolhas que refletem o caratér singular do projeto, mas também a riqueza da lusofonia.


O MEDO INSTALADO EM CADA UM DE NÓS Quando cheguei ao Teatro Vila Velha para esta segunda experiência do KCena, vinha completamente aberto para tudo, sem nada pré-definido, a não ser com os diálogos do escritor Rui Zink, no seu livro “A Instalação do Medo”, cujo potencial cénico era inegável. Trabalhei com um elenco constituído por duas dezenas de intérpretes e criadores que comigo construíram uma dramaturgia sustentada em dois campos complementares: um micro e interior, onde cada um procurou e expôs durante o processo – com uma extraordinária coragem – o medo da gaveta mais escondida do seu ser; e um macro e exterior, onde se denuncia a instalação global do medo a que todos estamos sujeitos, pela propaganda, pelos mídia, por políticos e/ou criminosos e por todos esses pequenos ou grandes poderes instalados que tentam, a todo o custo, e com relativo sucesso, ser donos de nossas vidas. Eduardo Galeano, famoso escritor cujo texto sobre o medo também é incluído no espetáculo, dizia que é preciso criar tendo um olho no microscópio e outro olho no telescópio, e foi isso que procuramos fazer. Enfiamos um bisturi dentro de nossas almas e vomitamos nossas dores e medos mais profundos. Por outro lado, ironizamos sobre a forma como o medo vem sendo instalado por quem entra em nossa casa sem pedir licença e instala um serviço de manipulação que nos faz ter medo de própria sombra, nos transforma em seres inertes, que tudo aceitam sem protesto, que tudo comem sem questionar, que tudo ouvem sem refletir. Muitas vezes nos emocionamos durante o processo, que foi sempre colaborativo e contou com a participação de todos, construindo nosso mundo enclausurado, dividido a régua e esquadro, cruel e paralisador, com o qual o público será confrontado.

joão branco salvador . 2015 Que o medo de cada um, seja isso mesmo, apenas o medo de cada um. E não o medo que o sistema quer que exista em nós. Que esse medo sirva para estar alerta e não desatento, que seja enfrentado e que com ele possamos conviver e crescer. E se este medo ficar de saco cheio e quiser ir embora, deixemo-lo ir. Arranjamos outro. Ou esse outro nos encontra a nós. Mas que essa seja sempre uma escolha nossa ou do nosso medo. Precisamos, cada vez mais, como disse Galeano, de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de poucos – e o inferno da maioria.


TEATRO VILA VELHA FICHA TÉCNICA direção artística . marcio meirelles coordenação geral . junia leite curadoria . marcio meirelles . cristina castro . chica carelli . zeca de abreu coordenação administrativa e financeira . maria angélica ribeiro auxiliar administrativa .vânia santos da paixão assistente administrativa . leila sacramento bilheteria . elinalva maria programação . zeca de abreu núcleo de comunicação eduardo coutinho . júlia mileo (estagiária) núcleo de marketing . joana fialho equipe técnica . dailson santos “lô” . elizeu santana . joilson conceição . marcos “dedê” silva . yan britto serviços gerais . fredson xavier dos santos . iracy duarte . paulo gomes da silva . valdelina graça dos santos nós, por exemplo . centro de documentação e memória . victor fernandes estúdio do vila . maíse xavier . rafael grilo grupos residentes COMPANHIA TEATRO DOS NOVOS BANDO DE TEATRO OLODUM núcleo de produção de dança NÚCLEO VILADANÇA cristina castro (direção) programa de formação universidade LIVRE de teatro vila velha marcio meirelles (coordenação) SOL MOVIMENTO DA CENA organização gestora do teatro vila velha presidente alcides valente vice presidente maria cristina da motta leal SOCIEDADE TEATRO DOS NOVOS organização fundadora do teatro vila velha presidente sônia robatto vice-presidente ângela andrade

APOIO FINANCEIRO AO TEATRO VILA VELHA

PATROCINIO DO TEATRO VILA VELHA


Encontros, trocas, deslocamentos, mobilidade, convivência. Esses são alguns conceitos que sintetizam a experiência da residência artística, ação que ganhou espaço nas artes contemporâneas, dentro e fora do Brasil, e tem se mostrado um importante método de criação e interação no âmbito das artes. A partir do deslocamento de artistas, a residência permite a criação de um espaço de diálogo intercultural, provocando novas relações, interlocuções e descobertas. Em 2015, o Teatro Vila Velha recebe e co-realiza o projeto lusófono K Cena pela terceira vez consecutiva. Nesta edição, o projeto ganha novos contornos a partir de experiências vividas no Vila e nos teatros parceiros, o Teatro Viriato e o Centro Cultural Português - Pólo do Mindelo. Um importante passo é a consolidação do K Cena não apenas como um intercâmbio, mas como uma residência artística. Assumir este conceito - cujos princípios, elencados acima, já estavam presentes desde a criação do projeto - é trazer a consciência do peso que tem o K Cena para a criação artística a partir do deslocamento e diálogo intercultural. Reconhecer o seu poder de formação e transformação a partir de uma experiência

que confronta o que há de comum e incomum entre aqueles que ao mesmo tempo compartilham uma língua - o português - e uma linguagem - o teatro. Tal escolha acontece em um momento muito especial para o Teatro Vila Velha, pois sucede a criação de um programa de residência artística em dança pelo Núcleo Viladança, que tem possibilitado ricas experiências e valiosos produtos artísticos, além de aquecido o mercado local da dança. Outro dado importante é que, no Brasil, o K Cena incorpora-se ao processo formativo da universidade LIVRE de teatro vila velha, permitindo um maior aprofundamento no trabalho feito com os atores e a continuidade do que é construído pelo grupo em conjunto com o encenador residente. Outro efeito de um processo de intercâmbio é o compartilhamento de experiências. A partir de seus contatos anteriores com a LIVRE, o encenador João Branco criou em Cabo Verde a Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) e o Teatro Viriato estuda a hipótese de criar o seu programa de formação.


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