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Habitação Coletiva para Idosos - TFG: Estudo Preliminar

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HABITAÇÃO COLETIVA PARA IDOSOS um novo conceito de moradia para a terceira idade


TATIANE SEGANTINI DOS SANTOS Centro Universitário Barão de Mauá Orientador: Onésimo Carvalho de Lima Etapa de Estudo Preliminar elaborado para o Trabalho Final de Graduação como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo Ribeirão Preto, 2022


1. INTRODUÇÃO

06

1.1 Problema 1.2 Objetivos 1.3 Justicativa

07 07 08

2. CONTEXTUALIZAÇÃO

09

2.1 O Envelhecimento e a Busca por Independência 2.2 Relação entre Corpo e Espaço

09 10

3. LEVANTAMENTOS E ANÁLISES DE DADOS

11

3.1 Região Metropolitana de Ribeirão Preto/SP 3.2 Município de Cajuru 3.3 Área de Intervenção 3.4 Fluxos e Acessos 3.5 Equipamentos e Infraestrutura 3.6 Áreas de Lazer e Preservação Ambiental 3.7 Condições Meteorológicas 3.8 Bairro 3.9 Lote de Intervenção

13 15 17 18 19 20 21 22 23

4. LEITURA PROJETUAL

26

3.1 Lar de Idosos Peter Rosegger 3.2 Lar de Repouso e Cuidados Especiais 3.3 Edifício Residencial para Idosos

27 30 33

SUM


ÁRIO

5. DIAGRAMAS

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6. MEMORIAL JUSTIFICATIVO

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6.1 Partido

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7. PROPOSTA DE ESTUDO

41

7.1 Implantação 7.2 Planta 7.3 Planta Layout 7.4 Cortes 7.5 Elevações

42 43 44 45 46

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Foto: Pexels


1

. INTRODUÇÃO

Envelhecer faz parte do desenvolvimento de todo ser humano. Cada indivíduo envelhece à sua maneira e alguns apresentam limitações no desempenho de atividades. No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso (2003), os indivíduos são denidos como idosos quando chegam aos 60 anos, independente de seu estado biológico, psicológico ou social. Assim, o conceito de idade não é uma boa medida para a análise do desenvolvimento humano. Ainda é grande a desinformação sobre a saúde do idoso e os desaos do envelhecimento populacional. Segundo censo (2010) do IBGE, o município de Cajuru, localizado no interior do Estado de São Paulo, apresenta uma taxa de envelhecimento de aproximadamente 13% em relação à população local. Esses idosos, em sua maioria, apresentam necessidades especícas e/ou situação de abandono por seus familiares. Muitos, por não possuírem condições de cuidado adequado em casa, são direcionados às casas de repouso, como a Casa Vida, antigo Lar de Idosos da cidade. Este espaço de acolhimento atende não somente idosos locais, mas indivíduos de toda a região. E por ser exemplo de acolhimento, todos em idade avançada, independente de suas carências físicas ou mentais, são recebidos em um mesmo espaço, havendo assim o convívio e “conito” de atividades ou interesses entre pessoas saudáveis e enfermas. Embora a Casa Vida seja uma referência para a população cajuruense, o espaço não supre a demanda regional, e principalmente, se considerarmos as pessoas saudáveis que precisam apenas de um lar e ocupação diária. Visto que, a maioria encerra sua vida ativa no mercado de trabalho e muitas não possuem ou acabam se isolando dos familiares pela distância natural que o cotidiano impõe. E por pensar nesses idosos ativos, é que devemos levar em consideração a longevidade, disposição física e capacidade mental com que essa parcela da população vem envelhecendo. Por isso, urge a necessidade de uma arquitetura com olhar especíco para este público.

A proposta inicial deste trabalho era o desenvolvimento de um novo edifício para a Casa Vida, em um lugar mais tranquilo, acessível e com ambientes que capazes de atender todos os idosos necessitados. Porém, após pesquisas e entrevistas realizadas com funcionários do Lar, concluiu-se que a maior necessidade encontrada neste momento é a respeito dos idosos saudáveis e ativos, que moram na instituição por não possuírem outras opções. Sendo assim, foi denido que o público alvo desta proposta de projeto arquitetônico serão os idosos ativos, separando-os dos idosos enfermos que habitam a Casa Vida e os condicionando a habitações que atendam as suas necessidades. Diante disso, foi estudada a ideia de proporcionar novas habitações que estimulam a vida em comunidade na terceira idade, as Cohousings. O conceito de Cohousing, segundo Valente (2019), foge da ideia de casas de repouso ou hotéis voltados para a terceira idade. A proposta consiste em um grupo de pessoas que optam por abrir mão dos modelos de residência tradicionais para unir moradia individual a um espaço comunitário. Há, nesse ideal, pequenas habitações de uso particular (com dormitório, copa e banheiro) e uma área de uso comum com espaços de lazer, refeitório, salas de TV e lavanderias coletivas, por exemplo. Tudo em um mesmo terreno projetado para estimular o convívio, a sustentabilidade e a solidariedade. Contudo, ainda há uma relutância entre os idosos sobre a questão das instituições de acolhimento, e de certa forma, não se encaixaria na realidade vivida pela população cajuruense. Assim, após a realização de uma nova pesquisa de dados, concluiu-se que a melhor proposta para atender este público e pensar em habitações para a terceira idade na cidade de Cajuru/SP, são as residências coletivas, que poderão sofrer replicação urbana caso haja demanda de novos idosos em busca de lares coletivos. Dessa forma, o objeto arquitetônico proposto neste projeto é uma residência coletiva para os idosos ativos da cidade de Cajuru/SP. 06


1.1 PROBLEMA A partir da análise das informações obtidas, constatou-se a necessidade da elaboração de um novo tipo de moradia que atenda as demandas de um público especíco. São idosos com vida ativa, em busca da sua reinserção social, na prática de suas atividades com independência, e ao mesmo tempo, com a segurança que um ambiente adaptado propicia, pois nele há os cuidados primordiais como assistência médica, apoio emocional e físico. Um lugar, onde poderão desenvolver suas habilidades e ter momentos de lazer, o que contribui para elevar sua autoestima ao se mostrar capaz e independente em muitos afazeres diários. Então, trata-se aqui de repensar um espaço coletivo de acolhimento visando esse grupo que ainda apresenta disposição e saúde.

1.2 OBJETIVOS Este Trabalho Final de Graduação (TFG) busca, a partir do desenvolvimento de um anteprojeto arquitetônico, a elaboração de uma moradia compartilhada para idosos na cidade de Cajuru, interior do Estado de São Paulo, sendo apresentado como item obrigatório para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista pelo Centro Universitário Barão de Mauá. A este nível, podem ser pontuados os seguintes objetivos especícos: • Identicar características de quais locais na cidade apresentam vocação para a implantação do objeto, como por exemplo: a. Quais têm maior potencial para serem usados como local de convívio social; b. Quais possuem comércios e equipamentos comunitários próximos; c. Em quais desses locais os moradores têm maior familiaridade, vínculo e permanência. • Compreender a importância da percepção e dos sentidos na constituição dos espaços arquitetônicos, apresentando a inuência dos cinco sentidos no desenvolvimento da percepção e relação das características físicas dos espaços, a m de alcançar as sensações de identicação e proximidade da terceira idade com o ambiente vivido; • Elaborar planta com componentes dinâmicos, que permitam auxiliar na decisão de uso dos espaços de acordo com a necessidade, trazendo maior plasticidade tanto para a estética quanto para o uxo de usos e circulações de um ambiente em especíco; • Proporcionar ao usuário ambientes de uso individual e coletivo capazes de auxiliá-lo no processo de autonomia e independência, considerando seu desempenho no desenvolvimento de atividades cotidianas.

07


1.3 JUSTIFICATIVA O interesse para o desenvolvimento deste projeto de trabalho acontece a partir do reconhecimento da falta de oferta de equipamentos realmente efetivos pensados para o cuidado e vivência do idoso ativo, sobretudo daqueles que não têm condições nanceiras, não possuem parentes/responsáveis próximos ou, em casos extremos, são destinados a moradias de repouso por algum fator peculiar. Deste modo, há grande valia em propor um anteprojeto arquitetônico sobre um novo modelo de moradia compartilhada para os idosos de Cajuru/SP, pensada especialmente para atender as necessidades e características dos indivíduos que ali residirem, de forma inclusiva, ampliando suas percepções sem limitações e proporcionando uma vivência de terceira idade mais saudável e ativa.

08


2

. CONTEXTUALIZAÇÃO

2.1 O ENVELHECIMENTO E A BUSCA POR INDEPENDÊNCIA É de suma importância o entendimento sobre como o envelhecimento populacional e as novas congurações familiares têm levado grupos a buscar novas formas de moradia pró-independência. A busca da terceira idade por uma habitação independente e tranquila vêm, em sua maioria, a partir do entendimento sobre as famílias, que supostamente deveriam cuidar dos mais velhos, mas com o decorrer do desenvolvimento natural da vida muitas vezes não conseguem suprir o cuidado ou atenção necessária para eles. Por este motivo, muitos idosos perdem a independência de atividades por preocupações com a família, querendo continuar com a vida independente, sem “dar trabalho” aos familiares ou as vezes, estes não possuem família, e com o passar da vida se veem sozinhos, sem uma comunidade para agregar. É inegável a importância no campo da arquitetura e urbanismo pensar em espaços voltados para a necessidade e auxílio no dia a dia deste público de forma a aumentar seu conforto, facilitar sua rotina e garantir sua autonomia, levando-se em consideração que a arquitetura deve se adaptar ao seu usuário e não o inverso. A nova modalidade de habitação proposta neste trabalho incentiva vínculos afetivos através de espaços, pensados para oferecer trocas de experiências e serviços entre vizinhos. Ela busca suprir as necessidades de independência dos idosos ativos, criando uma comunidade que se apoia – com um espaço especíco para os idosos, pensado somente para eles – e fazendo com que estes sejam inseridos novamente na sociedade, pois muitos se sentem excluídos por não possuírem mais valor ativo no mercado de trabalho.

[...] o asilo, por motivos signicativos e pela maneira como é gerido em seu cotidiano, faz os idosos, seus residentes, se sentirem como não pertencentes ao espaço onde vivem, contrariando o sentido de comunidade. Os residentes acabam vivendo num mundo à parte, em que perdem sua individualidade, entram em um processo de isolamento, do que resulta um mundo sem signicado pessoal (COSTA E MERCADANTE, 2013).

09


2.2 RELAÇÃO ENTRE CORPO E ESPAÇO De acordo com Melo (1991), o homem onde quer que esteja, ocupa algum espaço, espaço esse que exige algumas propriedades especiais, como iluminação, ventilação, abrigo do sol e do calor, etc. ou a ausência disso, para que possa desenvolver as suas atividades e manter suas relações sociais num certo padrão. Caso o ambiente onde o indivíduo se encontre não atenda aos seus objetivos, ele tenderá a modicá-lo a m de torná-lo congruente com suas necessidades. Assim, acreditamos que só podemos perceber o ambiente ao nosso redor porque construímos um sistema conceptual, a partir de nossa experiência sequencial, que nos permite identicar o que representa cada uma das (edicações) a nossa volta (GROAT, 1982). O corpo humano recebe informações sobre o ambiente através dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato. Acresce que, segundo Lage e Ávila (2018), o envelhecimento ocorre lentamente, e com o avanço da idade ocorre uma diminuição da função visual, a perda da visão periférica e a diminuição dos reexos causados pelo surgimento de algumas doenças [...]. Na audição, há com frequência a perda da capacidade de perceber sons, muitas vezes causados pela grande quantidade de cerúmen, ou danos em partes do sistema auditivo, isolando-os e fazendo com que estes percam o interesse na comunicação [...]. O olfato e o paladar perdem a sensibilidade com o tempo, e com a diminuição dos dentes e o declínio do paladar consequentemente os idosos passam a ter diculdades para se alimentar. [...] a sensibilidade do sentido háptico também diminui, fazendo com que muitas vezes os idosos não percebam as diferentes texturas e temperaturas, o que os tornam vulneráveis, com maior risco de se acidentar. Logo, um dos desaos de se projetar um novo local de moradia para este público é entender sobre suas limitações e necessidades siológicas ao mesmo tempo que provocar a eles uma sensação de pertencimento ao lugar, tornando-o seu lar, e não simplesmente mais um abrigo, pois muitas vezes o idoso deseja continuar em sua própria casa, devido as memórias existentes naquele lugar. Assim, Novaes (2005), nos indica os diferentes sentidos de “casa” e “lar”. Para ela: Sendo assim, todas as mudanças que ocorrem com o envelhecimento, seja física, psicológica, econômica ou mesmo “Casa” tem sentido de lugar, enquanto “lar” é quanto a sua valorização perante a sociedade, têm como concebido como um tipo de relação entre a pessoa e o consequência diversas necessidades que inuenciam sua espaço. É uma relação emocional e qualitativa, cheia interação com o ambiente e com outras pessoas. As necessidades de signicado. Lar não é apenas um lugar, é um espaciais, portanto, são aquelas que podem ser supridas a partir fenômeno vivenciado com signicados sociais e de ambientes adequados, que considere as limitações e as psicológicos (NOVAES, 2005). capacidades dos usuários (DORNELES; VIELMO; BINS ELY, 2006, p. 156). E por pensar nesses idosos, é que devemos levar em consideração a longevidade, disposição física e capacidade mental com que essa parcela da população vem envelhecendo. Por isso, urge a necessidade de uma arquitetura com olhar especíco para este público. 10


3

11

Foto: Fundação Calouste Gulbenkian

. LEVANTAMENTOS E


ANÁLISES DE DADOS

12


3.1 REGIÃO METROPOLITANA DE RIBEIRÃO PRETO/SP A RMRP (Região Metropolitana de Ribeirão Preto) é a primeira regiao metropolitana do Estado de São Paulo criada fora da Macrometrópole Paulista. É um polo prestador de serviços, com grande destaque para o setor de comércio e áreas de saúde e educação. São também relevantes as atividades industrial e agrícola, sendo o ramo sucroalcooleiro e a metalurgia as mais signicativas. Destaca-se, ainda, o potencial turístico e de preservação ambiental da região, que conta com importantes reservas naturais. Um dos principais polos econômicos regionais do Brasil, que se benecia de localização privilegiada, terra de ótima qualidade, presença de universidades e centros de pesquisa, mão-de-obra qualicada, boa infraestrutura de transportes e comunicação e mercado consumidor dinâmico. RMRP REGIÃO METROPOLITANA DE RIBEIRÃO PRETO

FORMADA POR 34 MUNICÍPIOS

POPULAÇÃO RESIDENTE 2018: 1.680.100 habitantes

ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO EM ANOS: 90,36

Fonte: PDUI (Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado) - FIPE, 2022

Conforme ilustrado no mapa ao lado, a RMRP é formada por 34 municípios e é dividida em 4 sub-regiões. A região utilizada no contexto deste trabalho está classicada como Sub-Região 3 e é formada por 6 municípios: Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Mococa, Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa do Viterbo e Tambaú. Dentre estes, falaremos mais a fundo sobre a cidade Aspectos Sociais (Fundação SEADE) de Cajuru, que será utilizada como sedepara o desenvolvimento desta proposta arquitetônica. A cidade é reconhecida como "Terra da Hospitalidade" e abriga a Casa Vida, antigo Lar de Idosos. Este, por ser exemplo de acolhimento, busca se desenvolver prestando assistência e proteção aos idosos abandonados e desamparados, atendendo não somente idosos locais, mas indivíduos de toda a Fonte: Emplasa - UDI, 2016 sub-região. Sendo assim, todos em idade avançada, independente de suas carências físicas ou mentais, sãorecebidos em um mesmo espaço, havendo assim o convívio e “conito” de atividades ou interesses entre pessoas saudáveis e enfermas. Contudo, o espaço não supre a demanda regional, e principalmente, se considerarmos as pessoas saudáveis que precisam apenas de um lar e ocupação diária. E por pensar nesses idosos ativos, é que devemos levar em consideração a necessidade de uma proposta arquitetônica com o olhar especíco para este público, através de habitações planejadas especialmente para eles. 13


Santa Adélia

Guariba

Fonte: Emplasa - UDI, 2016

LEGENDA Região Metropolitana Sub-Região 1 Sub-Região 2

Cidade Sede Deslocamento Sub-Região 3 Sub-Região 4

Os municípios de Sta. Cruz da Esperança e Cássia dos Coqueiros não possuem casas de repouso e por isso apresentam maior deslocamento, enquanto Sta. Rosa do Viberbo (2), Tambaú (1) e Mococa (6) possuem centros de acolhimento à terceira idade, apresentando assim índice menor de deslocamento dos idosos 14 para casas de repouso em outros municípios.


3.2 MUNICÍPIO DE CAJURU Escolhida como sede para a implantação desta proposta arquitetônica, Cajuru é um município localizado no interior do Estado de São Paulo, com população estimada em 26.613 habitantes, segundo o IBGE (2021). A base da economia cajuruense é particularmente agrícola, com boa parte das famílias sendo de alguma maneira empregadas nas plantações de cana-de-açúcar, café, laranja e, em menor proporção, eucalipto. Porém, pode-se observar um relevante crescimento no cultivo de hortifrutigranjeiros, sendo que seus produtos já abastecem várias cidades da região e são reconhecidos por sua qualidade. Há de se notar que a cidade também abriga indústrias metalúrgicas, voltadas para a fabricação de maquinaria agrícola (Menta Mit) e de peças para automóveis (Indústrias Rei - Metalúrgica Tanaka). Ademais, também há na cidade fábricas voltadas à produção de roupas (Koxilinho e Benneblues Jeans), cosméticos (Ricosti) e alimentos (Gold Meat). Segundo o Artigo 205° do Plano Diretor em vigência , no atual perímetro urbano são considerados urbanizados os seguintes bairros: 01 02 03 04 05

Boqueirão I Boqueirão II Jd. Mª Graças COHAB I COHAB II

06 07 08 09 10

COHAB III Vila Vieira Centro Cruzeiro Vila Zacarias

11 12 13 14 15

Vila Dom Bosco Jd. Vila Real Vila Rica Jd. Renascença Jd. Mª Goretti

16 17 18 19 20

Jd. Nova Cajuru 21 Jd. Aurora 22 Dist. Industrial Jd. Mª Tereza 23 CECAP Cidade Jardim 24 Campo Formoso Vila Honorato 25 Jd. Santa Clara Santo Antônio

26 27 28 29

Jd. Bela Vista Jd. Três Marias Alto do Cruzeiro CDHU

No entanto, com o aumento da população cajuruense nos últimos anos, houve o surgimento de novos bairros, sendo eles: 30 Monte Líbano

31 San Domingos

32 Boca da Mata

33 Res. São Luís

34 Jd. Quebec

35 Quinta das Flores

Houve também o surgimento de alguns condomínios residenciais nas periferias do município. Estes, buscam atender a população de classe média-alta e alta, oferecendo comodidade aos seus residentes e limitando o crescimento das moradias ao redor. São: A Res. Polaris

B Res. Sirius

C

Res. Três Marias

D Res. São Luís

E Res. Big Valley

F Mirante das Águas

Segundo o mapa existente na agenda telefônica da cidade, o item 33-D pode ser considerado como bairro e condomínio, pois apesar de não possui portaria, apresenta muros de fechamento, que limitam a área interna e o impede que os moradores realizem de futuras ampliações para o externo. 15


E área territorial

18 22

30

16 B A

14

23 25 2

1

3 6

13

15 19

8

4

5

29

21

31 26

20 10

27

9

32

12 11

7 33

34

F

17

35 C

28 D

24 LEGENDA

Fonte: Google Earth, 2022

1 KM

16


3.3 ÁREA DE INTERVENÇÃO A região escolhida para realização da proposta de intervenção arquitetônica deste trabalho foi a Área Central do município, demonstrada no mapa ao lado. Esta área foi denida a partir da existência de um curso d’água, local escolhido por dona Maria Pires de Araújo, antiga proprietária da gleba, que realizou uma doação de terra para a construção da Capela de São Bento em 1821, atual Matriz. Ao seu redor, foram implantadas as primeiras residências em meados de 1830. Com o decorrer das décadas e com a expansão e povoação da cidade, houve a implantação de uma avenida paralela ao curso d’água, responsável por delimitar a área mais baixa e servir como acesso aos demais bairros inseridos no entorno. Assim, devido a estas circunstâncias, esta região cou denominada como Área Central de Cajuru. Trata-se de uma região de uso predominantemente residencial, contendo trechos entre as avenidas e a praça central que possuem uso comercial. Os bairros desta área são entendidos como os mais antigos existentes na cidade e em sua maioria, abrigam moradores da terceira idade e seus familiares. Seguindo uma das intenções contida nos objetivos especícos deste trabalho, onde busco identicar: quais

locais têm maior potencial para serem usados como local de convívio social; quais locais possuem comércios e equipamentos comunitários próximos; e em quais desses locais os moradores têm maior familiaridade, vínculo e permanência. Foi analisado que a Área Central é a região

mais apropriada para a inserção da proposta arquitetônica de uma nova habitação para idosos. 17 Image © 2022 Maxar Technologies

300 m

Fonte: Google Earth, 2022

LEGENDA Lote de Intervenção Av. Prefeito Rubéns Carvalho Ferreira Curso D’água

Jd. Renascença Vila Rica Centro

Cruzeiro Vila Zacarias Santo Antônio Jd. Aurora


3.4 FLUXOS E ACESSOS A Prefeitura Municipal não oferece serviços de transporte público coletivo para os moradores. Há apenas os seguintes transportes: I. Transporte Escolar: oferecido gratuitamente pelo município para os alunos de escolas municipais e estaduais que morem foram do perímetro urbano. Não possuem paradas, pois os veículos buscam os estudantes em suas respectivas residências e os deixam diretamente na porta das escolas; II. Transporte Empresarial: oferecido gratuitamente por algumas indústrias para coleta de seus funcionários. Funciona por turnos e possui pontos de embarque e desembarque espalhados pela cidade; III. Transporte Intermunicipal: ofertado pela concessionária Rápido D’Oeste, responsável pelo tráfego entre algumas cidades do entorno com a linha Ribeirão Preto x Mococa. Seus pontos de parada são na rodoviária, mini-rodoviária e um ponto próximo ao destacamento da Polícia Militar, indicados no mapa ao lado. E pela concessionária Danúbio Azul, responsável pela linha Cajuru x São Paulo. Ainda não há serviços de transporte particular por aplicativo como Uber, apenas serviços por Táxi. Há também a presença de alguns Tico-Ticos que rodam a cidade e cobram valores mais acessíveis para tráfego da população. Estes, por serem de uso privado, não possuem pontos de parada e não possuem horário certo de funcionamento.

300 m

Fonte: Google Earth, 2022

LEGENDA Lote de Intervenção Parada de Ônibus

Táxi Percurso Ônibus Percurso Pedestre

Rodovia Via Primária Via Secundária 18 Via Terceária


3.5 EQUIPAMENTOS E INFRAESTRUTURA A área central é denida por sua abundância em equipamentos urbanos, comunitários e de infraestrutura existentes. Conta com o apoio de mercados, farmácias, postos de saúde e hospitais, delegacias, rodoviária, bancos e igrejas, além de algumas praças e um novo parque construído recentemente. O levantamento foi realizado com base nos equipamentos de uso freqüente dos idosos que habitam a região, assim, como citado anteriormente, uma das características que auxiliaram na denição da área de intervenção foi a quantidade de serviços e equipamentos disponíveis em pequenos trajetos para uso destes novos moradores, que buscam também a recuperação de sua independência e autonomia. Alguns equipamentos como farmácias, mercados, mercearias e quitandas realizam entregas em domicílio, outro fator o que auxilia no cotidiano destes idosos. A área é considerada segura, pois conta com o apoio de uma delegacia, um posto de destacamento da polícia militar, e de rotas freqüentes realizadas por policiais da guarda municipal local. Os equipamentos de saúde pública são distribuídos entre os bairros, oferecendo acesso à todos os moradores que os necessitem. 19

300 m

Fonte: Google Earth, 2022

LEGENDA Lote

Igreja

Parque/Praça

Saúde

Banco

Mercado

Rodoviária

Delegacia/Polícia

Farmácia

Correio


3.6 ÁREAS DE LAZER E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL A região conta com a presença de variados equipamentos de lazer como academias fechadas e ao ar livre, salão de dança, ginásio de esportes, praças e parques, e clubes recreativos. Um fator positivo para a população idosa é que todos estes equipamentos oferecem programas especícos para a terceira idade, de forma a incentivar o exercício físico, a integração e a comunicação entre eles. O Clube da Terceira Idade "Boca da Mata", desenvolvido pela Secretaria da Cultura em parceria com a Prefeitura Municipal, é um espaço destinado a eventos para o público idoso. Nele, são organizados noites de baile, jogos, bazares benecentes, entre outros. Já a Casa da Cultura oferece cursos de teatro, danças, instrumentos, coral e banda municipal. Conta com a presença de um biblioteca com um vasto acervo de livros e com eventos realizados no anteatro que promovem o lazer, a educação e a integração entre a população cajuruense. Este espaço é de uso gratuito e atende públicos de todas as idades, assim como o Ginásio de Esportes, que oferece aulas de diversas modalidades esportivas gratuitamente como futebol de salão, basquete, vôlei, capoeira, entre outros, e também realiza partidas e eventos que buscam atrair a população local e as habitantes das cidades vizinhas. Os Clubes Recreativos, por outro lado, são privados, mas também oferecem espaços de lazer e aulas de diversas modalidades esportivas para os sócios.

300 m

Fonte: Google Earth, 2022

LEGENDA Lote

Ginásio

Casa da Cultura

APP

Parque/Praça

Clube

Clube 3ª Idade

Academia 20


3.7 CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS TEMPERATURA MÉDIA HORÁRIA

DIREÇÃO DO VENTO

Agora

Agora

A gura acima mostra uma caracterização compacta das temperaturas médias horárias para o ano inteiro. O eixo horizontal indica o dia do ano e o eixo vertical indica a hora do dia. A cor é a temperatura média para aquele horário naquele dia.

A porcentagem de horas em que o vento tem direção média de cada uma das quatro direções cardeais de vento, exceto nas horas em que a velocidade média do vento é inferior a 1,6 km/h. As áreas mais esmaecidas nas interseções indicam a porcentagem de horas passadas nas direções intermediárias implícitas (nordeste, sudeste, sudoeste e noroeste). Atualmente, a direção dos ventos se encontra a noroeste. NASCER E PÔR DO SOL COM CREPÚSCULO

Em Cajuru, a estação com precipitação é abafada e de céu quase encoberto; a estação seca é de céu quase sem nuvens. Durante o ano inteiro, o clima é morno. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 11 °C a 30 °C e raramente é inferior a 7 °C ou superior a 35 °C. Dia solar durante o ano de 2022 indicado na gura ao lado. De baixo para cima, as linhas pretas são a meia-noite solar anterior, o nascer do sol, o meio-dia solar, o pôr do sol e a meia-noite solar seguinte. O dia, os crepúsculos (civil, náutico e astronômico) e a noite são indicados pelas faixas coloridas que vão do amarelo ao cinza. 21

Agora Fonte: Weather Spark, Acesso em Maio de 2022.


3.8 BAIRRO O bairro onde está localizado o lote de intervenção é chamado de Santo Antônio. Este é um dos mais antigos da cidade, com predominância residencial e considerado um dos bairros mais seguros para habitar.

4 6

5 1

Igreja Santo Antônio Fonte: Google Earth, 2022

2

Estacionamento Danúbio Fonte: Google Earth, 2022

2

3

Vista Rua Santo Antônio Fonte: Google Earth, 2022

4

1

Vista Rua São João Fonte: Google Earth, 2022

Fonte: Google Earth, 2022

5

Vista Rua Elias Moisés Fonte: Google Earth, 2022

6

3

100 m

LEGENDA Lote de Intervenção Panicadora Dois Irmãos Fonte: Google Earth, 2022

Delimitação Bairro

22


3.9 LOTE DE INTERVENÇÃO O lote escolhido para implantação da proposta arquitetônica é de propriedade particular e está localizado na Rua Santo Antônio n° 328, no bairro Santo Antônio. Suas coordenadas geográcas são: 21°16'21.3"S 47°17'56.7"W. O terreno possui formato regular, medindo 13,00 metros de frente e fundos por 37,00 metros em ambas laterais, totalizando uma área total de 481,00 m². Possui desnível de 1,30 metros da parte frontal até o fundo. Sua face é voltada para o oeste, enquanto as direções dos ventos para noroeste, podendo este ser alterado conforme a época do ano. põe

nasce

+ 0,05 37.00

calçada

0,00

via pública

13.00

+ 0,10

+ 1,10

481,00 M²

LEGENDA Ventos Delimitação do terreno

+ 0,15

+ 1,15

Cota de nível

Planta de Situação do Lote | Escala 1:200

23

Corte do Lote | Escala 1:250


12

7

Fachada Lote Intervenção Fonte: Google Earth, 2022

8

13 9

Vista Rua Santo Antônio Fonte: Google Earth, 2022

7 9

Vista Rua Pref. Nenê Tincani Fonte: Google Earth, 2022

10

10 Vista Rua São João

Fonte: Google Earth, 2022

8

11

Vista Rua Elias Moisés Fonte: Google Earth, 2022

11

12 Vista Rua Santo Antônio

Fonte: Google Earth, 2022

14 Fonte: Google Earth, 2022

13 Vista Rua São João

Fonte: Google Earth, 2022

14 Vista Rua São João

Fonte: Google Earth, 2022

100 m

LEGENDA Lote de Intervenção Delimitação da Quadra

24


25


4

. LEITURA PROJETUAL

A leitura projetual é um passo importante para o desenvolvimento de uma boa proposta arquitetônica. Acima de tudo, a escolha dos projetos de referência interfere diretamente na concepção de um projeto, buscando auxiliar nas estratégias construtivas que serão empregadas no objeto de estudo.

Em vista disso, foram escolhidos três obras arquitetônicas que servirão de auxílio para o desenvolvimento deste estudo preliminar. São elas: 1. Lar de Idoso Peter Rosegger, do escritório Dietger Wissounig Architekten; 2. Lar de Repouso e Cuidados Especiais, também do escritório Dietger Wissounig Architekten; 3. Edifício Residencial para Idosos, do Atelier d'Arquitectura J. A. Lopes da Costa. Ambas tratam sobre residências coletivas voltadas para o público da terceira idade, e se apresentam em maior escala. Dessa forma, a leitura destas obras será realizada com foco nas estratégias utilizadas para resolver questões arquitetônicas semelhantes as propostas nos objetivos especícos deste trabalho, como a compreensão da importância da percepção e dos sentidos humanos na constituição dos espaços arquitetônicos; a elaboração de plantas com componentes dinâmicos, que permitam auxiliar na decisão de uso dos espaços de acordo com a necessidade; e a ideia de proporcionar ao usuário ambientes de uso individual e coletivo capaz de auxiliá-lo no processo de autonomia e independência, pois o objeto que será desenvolvido atende uma escala de público menor, para em média 10 moradores por residência. Assim, acredita-se que a leitura e análise destas referências projetuais tratá diversos benefícios ao desenvolvimento do objeto, demonstrando soluções através da materialidade, sistemas construtivos, qualidade espacial, etc.

26


4.1 LAR DE IDOSOS PETER ROSEGGER Este lar para terceira idade apresenta um conceito espacial de oito habitações de Arquitetos: Dietger Wissounig Architekten Localização: Graz, Áustria | Ano: 2014 Fotograas: Paul Ott

comunidades, sendo quatro em cada pavilhão. Assim, cada comunidade foi desenvolvida em torno de um conceito de cores diferentes, utilizadas para auxiliar os residentes a se orientarem melhor. Os dormitórios variam levemente em relação à sua localização e a direção que estão orientados, mas cada um possui uma grande janela com um parapeito baixo, permitindo a contemplação do amplo jardim externo.

Assim como a segunda intenção dos objetivos especícos deste trabalho, onde busco compreender a importância da percepção e dos sentidos na constituição dos espaços arquitetônicos, o projeto em análise oferece dinâmicas que auxiliam os idosos a perceber o espaço em que se encontram através da inuência de um ou alguns dos cinco sentidos. O edifício possui forma geométrica, e é notável a presença de volumes pensados a partir do conceito de adição e subtração, gerando aberturas e recortes em pontos estratégicos e potencializando acessos, iluminação e ventilação natural, e a conexão com o espaço exterior. Seu volume possui características simétricas, que foram associadas com elementos que ajudam a compor a estética linear do imóvel. É compacto e possui formato quadrado, com cortes assimétricos que servem para dividir a casa em comunidades. Estas, estão agrupadas ao redor de um pátio central que se alonga de uma das laterais à outra, havendo a separação entre uso coletivo e uso individual de forma sucinta.

27

O espaço externo é conectado ao parque público da cidade de Graz e incluem espaços com hortas e áreas de jardinagem, além de outros jardins que potencializam a ideia sensorial, trazendo orientação, sensação de liberdade por não possuir barreiras e conexão com a cidade.


Implantação - Sem Escala

6 8

11

7 3

5 2

1 10

11

11

4

9 Parque público planejado pela cidade de Graz

LEGENDA 1. Área de Jardinagem 2. Pomar/Horta 3. Jardim Perfumado 4. Espelho D´Água 5. Jardim Perene 6. Vias 7. Acesso de Serviços 8. Ponto de Coleta de Lixo 9. Parque Público

10. Entrada Principal 11. Ciclovia Calçadas/Percursos Áreas Verdes Adição/Volume Subtração Acessos

Assim como a quarta intenção dos objetivos especícos deste trabalho, onde busco proporcionar ao usuário ambientes de uso individual e coletivo capazes de auxiliá-lo no processo de autonomia e independência, considerando seu desempenho no desenvolvimento de atividades cotidianas, este projeto em análise demonstra interna e externamente características que auxiliam neste conceito espacial. Além da distinção entre os ambientes da área interna, a área externa oferece equipamentos que estimulam atividades coletivas e individuais, incentivando os idosos a realizam suas atividade cotidianas ao ar livre, através de uma caminhada pelo jardim, um passeio de bicicleta, serviços na área de jardinagem cuidando da horta e do pomar, contemplação dos jardins perfumados e do espelho d’água, etc. Ambos equipamentos podem ser desfrutados em grupo, incentivando a integração e a comunicação com outros indivíduos, quanto individualmente, auxiliando no processo de busca por autonomia e independência. Estes espaços e equipamentos também auxiliam no conceito de sensorialidade, direcionando indiretamente os idosos e aguçando suas percepções.

28


O Lar foi planejado tendo como prioridade a prevenção contra incêndio, assim pôde ser construído como uma cada pré-fabricada em madeira, utilizando uma estrutura com O brise protege madeira laminada cruzada e vigas em madeira. A fachada externa é de madeira de lariço austríaco não tratada, assim como os demais painéis utilizados no interior. Os ambientes internos, também revestidos em madeira aparente, ora utilizam peles que oferecem transparência e iluminação para as áreas comuns e coletivas. A proposta do terceiro objetivo especíco deste trabalho envolve a elaboração de plantas com componentes dinâmicos, que permitam auxiliar na decisão de uso dos espaços de acordo com a necessidade, assim como analisado neste projeto. As peles de vidro oferecem exibilidade e possibilidade de integração e ampliação dos espaços, como também a conexão direta com espaços verdes e coletivos, e a entrada direta de iluminação e ventilação natural. Os brises em madeira auxiliam na proteção da insolação direta, amenizando e controlando a entrada da luz solar Vidro em determinados pontos do edifício, como a escada, as áreas comuns privativas e as janelas dos dormitórios, Madeira aparente salas de apoio, salas médicas e de recreação. Formas Retangulares

29


4.2 LAR DE REPOUSO E CUIDADOS ESPECIAIS Arquitetos: Dietger Wissounig Architekten Localização: Gra, Áustria | Ano: 2014 Fotograas: Paul Ott

O Lar de Repouso de Cuidados Especiais possui, em sua forma, volumes geométricos, com subtrações de volumes retangulares, semelhante a leitura projetual citada anteriormente. A materialidade deste edifício é de grande valia, potencializando as composições estéticas entre a madeira, o vidro, o ferro e a alvenaria, utilizadas no interior e no exterior da residência. Há, no seu interior, o uso de madeira nos caixilhos, na estrutura da cobertura e no piso, assim como peles de vidro que trazem transparência, iluminação natural e integração entre os espaços. Assim como o projeto anterior, o arquiteto prioriza a separação entre os espaços individuais e coletivos, optando por transformar todo o pavimento térreo em espaços comuns e os demais pavimentos em alas íntimas e de apoio/serviço. Um fator importante analisado neste projeto é a quantidade de espaços de convivência que há pelo edifício, principalmente próximas aos dormitórios. Esta característica nos permite entender a importância do vínculo afetivo que há entre os idosos, onde alguns gostam de interagir e receber pessoas, e outros preferem a individualidade, a quietude e o conforto de seus dormitórios. Assim, a forma como o arquiteto separa o interior em alas permite que os indivíduos possam usufruir destas áreas da forma que preferirem, sem atrapalhar os outros moradores. Estas alas também contam com ambientes de apoio, que foram inseridos próximos aos dormitórios, auxiliando os idosos na locomoção, de forma que eles se sintam confortáveis e seguros.

Vidro

Transparência

Alvenaria Vidro Madeira aparente

Alvenaria Madeira

30


Planta Térreo - Sem Escala Decks de madeira encontram-se espalhados nos três pavimentos do Lar, interagindo com os outros materiais e ambientes existentes e diferenciando o espaço através da percepção visual e do tato. LEGENDA Individual Coletivo Apoio/Serviço Deck Circulações

31

Planta 2° Pavimento Sem Escala

Planta 1° Pavimento - Sem Escala


Na área externa é possível encontrar espaços livres que possibilitam a interação entre os moradores e seus familiares. A iluminação do edifício é feita através de vazios, como portas, janelas, sacadas e o jardim de inverno no centro da residência.

Corte Longitudinal - Sem Escala LEGENDA Abertura

Jardim

Iluminação

32


4.3 EDIFÍCIO RESIDENCIAL PARA IDOSOS Arquitetos: Atelier d'Arquitectura J. A. Lopes da Costa Localização: Santo Tirso, Portugal | Ano: 2013 Fotograas: Manuel Aguiar

No Edifício Residencial para Idosos, o último projeto a ser analisado, é possível identicar completa semelhança com os outros dois projetos citados anteriormente. Assim como eles, este projeto apresenta características que auxiliam na execução de três dos quatro objetivos especícos indicados nesse trabalho, sendo eles: compreenção da importância da percepção e dos sentidos na constituição dos espaços arquitetônicos, apresentando a inuência dos cinco sentidos no desenvolvimento da percepção e relação das características físicas dos espaços; elaboração de planta com componentes dinâmicos, que permitam auxiliar na decisão de uso dos espaços de acordo com a necessidade e; proporcionar ao usuário ambientes de uso individual e coletivo capazes de auxiliá-lo no processo de autonomia e independência, considerando seu desempenho no desenvolvimento de atividades cotidianas. O formato do edifício é geométrico, assim como os demais. Esse formato evolui a partir das soluções aplicadas em cada edifício, sempre buscando priorizar espaços íntimos e separa-lós dos espaços coletivos. Outro fator que contribui para o formato geométrico são as aberturas e fechamentos, que auxiliam na passagem da iluminação e ventilação natural, bem como a integração através dos acessos entre os espaços internos e externos. A materialidade deste edifício também remete a ideia de modernização e composição entre elementos distintos. Este, é composto por madeira, vidro e alvenaria, com alguns pontos em tijolos de concreto aparentes. As fachadas voltadas para a rua são mais fechadas, com a presença de brises de madeira, que preservam os indivíduos e geram privacidade para a área interna da residência. Do outro lado, as fachadas voltadas para a área externa do imóvel são mais abertas, revestidas em sua maioria por vídeos e sacadas, que permitem contemplação do espaço verde existente.

Alvenaria Vidro

33

O brise protege


O pavimento térreo é o espaço com maior diversidade de ambientes, e por ser uma área de transição não há dormitórios. Além disso, este andar é subdividido em categorias, como: lazer, saúde, administração, serviço, área técnica, refeição e circulação. Ambos os pavimentos possuem painéis que possibilitam a exibilidade de áreas comuns, gerando novas possibilidades de uso conforme a necessidade. Os dormitórios, assim como os projetos anteriores, são xos e estão instalados em pavimentos superiores, gerando maior conforto e privacidade aos moradores. Estes pavimentos, conforme analisado, possuem algumas área de apoio e serviço que servem para auxiliar no dia-a-dia dos idosos.

Fachada fechada, comporta por brises voltada para as vias da cidade

Planta Térreo - Sem Escala

Fachada aberta, composta por vidros, voltada para área externa e vale

LEGENDA

Implantação - Sem Escala

Individual Coletivo Apoio/Serviço Deck Circulações

34 Planta 1° Pavimento - Sem Escala


35 Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil


5

. DIAGRAMAS

36


PROGRAMA DE NECESSIDADES

ÁREA VERDE

JARDINS, VARANDA

ÁREA SOCIAL

LAVABO, ESTAR, TV, LEITURA, JANTAR, COZINHA

ÁREA ÍNTIMA

DORMITÓRIOS, SANITÁRIOS

ÁREA DE APOIO

CONSULTÓRIO, ESCRITÓRIO, DESPENSA, LAVANDERIA

20% 30% 30% 20% 37

PROPOSTA 1 - SEM ESCALA A ideia inicial consistia em separar a área íntima do restante do imóvel, trazendo privacidade aos moradores. Dessa forma, áreas comuns, de apoio e verdes fariam integração entre si.


JARDIM

CONSULTÓRIO ESCRITÓRIO

LAVANDERIA

LAVABO

JARDIM

DORMITÓRIO

ESTAR / TV LEITURA

SANITÁRIO

VARANDA

CIRCULAÇÃO

JANTAR

INDIVIDUAL

+

COZINHA

COLETIVO

DESPENSA

=

A EDIFÍCIO

C

B AB CD

D 38


6

. MEMORIAL JUSTIFICATIVO

O residência, edifício objeto desta proposta, foi pensada a partir da ideia de formas geométricas. Seu volume é retangular e contém subtrações que possibilitam a entrada de iluminação e ventilação natural, de tal maneira a incorporarem pequenas varandas e jardins no edifício, que auxiliarão no contato com a natureza e com a percepção sensorial. Seu terreno foi nivelado, proporcionando aos idosos maior facilidade e independência no uso dos ambientes, sem a necessidade de rampas ou desníveis. Os ambientes foram dispostos de forma setorizada, priorizando a intimidade e privacidade dos dormitórios, e trazendo dinâmica para as áreas de uso comum. Estas, conforme será demonstrado nas páginas a seguir, segue o conceito de planta livre, podendo ser alterada ou reajustada através de painéis ou mobiliários, conforme haja necessidade. Ainda na área comum, há uma varanda central que conta com uma cobertura de vidro, responsável por maior parte da iluminação natural deste espaço e capaz de se tornar uma espécie de solário, para contemplação dos moradores. Este espaço busca incentivar a integração e convivência entre os habitantes da residência, proporcionando a eles momentos de diversão, lazer e coletividade, onde poderão ajudar uns aos outros na realização dos afazeres diários. A área íntima, por outro lado, possui vedações xas, devido a necessidade de elementos perenes nos sanitários. Todas as suítes contam com um jardim privativo para uso de seus moradores e foi planejada para acolher até duas pessoas. São ambientes mais privativos, ideais para quem busca sossego e tranquilidade. Os setores são diferenciados através de cores e texturas dispostas nas paredes e pisos da residência, pensados para facilitar o dia-a-dia dos idosos no encontro pelos ambientes para suas respectivas tarefas domésticas. Todos os ambientes do edifício são acessíveis, com grandes vãos e portas para aqueles que necessitarem do uso de cadeira de rodas. Estes, são espaços amplos e com mobiliário pensado para ajudar o idoso em caso de necessidade. As áreas externas são cobertas por jardins, com excesso de uma área frontal denominada como "quintal", pensada para os usuários da lavanderia e áreas de serviço. 39


6.1 PARTIDO

SUBTRAÇÃO - SEM ESCALA 40


7

. PROPOSTA DE ESTUDO

41


7.1 IMPLANTAÇÃO

Rua Santo Antônio

Passeio

Quintal

Teto Verde I= 8%

Jardim

Escala 1:150

42


B

7.2 PLANTA

37.00

Jardim Privativo 10,16 m²

Circulação PD: 3,00 m 4,60 m²

4.05

A Jantar/Cozinha PD: 6,00 m P6 3,00 x 2,50 Jardim 56,22 m² Despensa 10,40 m² J3 2,47 x 0,60 PD: 3,00 m 2,40 P3 3,46 m²

Jardim Privativo 10,16 m²

Jardim Privativo 10,16 m²

Circulação PD: 3,00 m 3,50 m²

Jardim Privativo 10,16 m²

Sanitários PD: 3,00 m 5,04 m²

Suíte 5 PD: 3,00 m 19,68 m²

43

1.80

P3

3.05

Suíte 4 PD: 3,00 m 19,68 m²

P3

2.80

2,65 x 2,50 J2 0,50

P3

1.50

P4 2,00 x 2,50

5.50

1.95

Jardim Privativo 10,16 m²

Circulação PD: 3,00 m 3,50 m²

Sanitário PD: 3,00 m 5,04 m²

B

Sanitários PD: 3,00 m 5,04 m²

P3

Suíte 3 PD: 3,00 m 19,68 m²

1.50

P4 2,00 x 2,50

Suíte 2 PD: 3,00 m 19,68 m²

2.80

1,00 x 2,10 P3

3.05

1.50 1.05

P3

2.80

2,65 x 2,50 J2 0,50 2,65 x 2,50 J2 0,50

P3

1.50

1.35

1.50 2.95

1.94

P4 2,00 x 2,50

1.50

P3

2,65 x 2,50 J2 0,50 2,65 x 2,50 J2 0,50

Suíte 1 PD: 3,00 m 19,68 m²

2.80

2.57

1.85

1.85

Jardim 15,66 m²

V3 3,37 x 2,90

Lavanderia Quintal PD: 3,00 m 24,85 m² 10,56 m² P5 2,50 x 2,50

P4 2,00 x 2,50

13.00

5.15

Varanda PD: 6,00 m 24,30 m²

1.50

Circulação P2 1,30 x 2,50 11,13 m² Lavabo 1.80 1.50 2.80 P3 2.56 PD: 3,00 m 1,00 x 2,10 P3 P3 J1 1,80 x 1,00 3,24 m² P3 2,00

10.13

26.41

Escritório Estar/TV/Leitura PD: 3,00 m PD: 6,00 m 9,43 m² 1,00 x 2,10 V1 4,00 x 2,90 P3 57,05 m²

Jardim 19,64 m²

P1 1,40 x 2,50

1.85

6.00

2,58 x 2,90 V2

P4 2,00 x 2,50

4.05

A

10.28

2.42

4.05

4.85

Escala 1:150


7.3 PLANTA LAYOUT

Escala 1:150

44


Jardim

Escrit.

Estar/TV/Leitura

Varanda

Jantar

Cozinha

Jardim

Estar

Corte B - Escala 1:150

45

6.15

5.90 2.15

2.55

Suíte

2.15

3.00

2.50

6.00

2.85

Corte A - Escala 1:150

2.50

3.00

2.50

6.00

6.15

7.4. CORTES


7.5. ELEVAÇÕES

Elevação 1 - Escala 1:150

Elevação 2 - Escala 1:150

46


47

Foto: Folha de São Paulo


8

. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei n° 10.741 de 1° de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Brasília, Casa Civil, 2003. CAMARANO, A. A.; KANSO, S. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 27, n. 1, São Paulo/SP, 2010. COSTA, M. C. M. S.; MERCADANTE, E. F. O idoso residente em ILPI (Instituição de longa permanência do idoso) e o que isso representa para o sujeito idoso. Revista Kairós Gerontologia, São Paulo, 16(2), p. 209-222, 2013. DORNELES, V. G.; VIELMO, G.; BINS ELY, V. H. M. Envelhecimento e Arquitetura: As necessidades espaciais dos idosos em espaços abertos. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, Pelotas, v. 4, n. 13, p. 149-167, 2020. GIANNINI, Débora; BESTETTI, M. L. Nada de Asilo. UOL VivaBem, 2017. GROAT, L. Meaning in Post-modernism architecture: An examination using the Multiple Sorting Task. Journal of Environmental Psychology, 2: p. 3-22, 1982. IBGE, censo de 2010. Disponível em: <https://censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 29 de março de 2022. LAGE, I. S. M.; ÁVILA, V. M. A arquitetura sensorial como auxílio para os idosos. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, Pelotas, v. 2, n. 7, p. 93-103, 2018. MELO, R. G. C. Psicologia ambiental: uma nova abordagem da psicologia. Psicologia-USP, São Paulo, 2(1/2), p. 85-103, 1991. NASCIMENTO, Poliana. Entenda o “cohousing”, uma nova forma de morar para os idosos. Rede Geronto, Brasília, 2019. NOVAES, Mariana. Iluminação e Idade, 2005. VALENTE, Laura. Modelo de habitação cohousing sênior cai no gosto de quem quer uma velhice independente e tranquila. Saúde Plena, 2019. ZEVI, Bruno. Saber Ver a Arquitetura. 5ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

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