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OUTUBRO 2008

8

Mariza Caos Emergente Rui Reininho Conteúdo não aconselhável a menores de 18 anos

IX Semana da Juventude Mexilhoeira Grande

R E V I E W S | D E S TA Q U E S | F O R T H E G L O RY | S I L K


ACREDITAS NA CHECKSOUND?

ACHAS QUE TEMOS FUTURO? TENS UMA MARCA PARA VENDER?

ÍNDICE DIRECTOR GERAL

Rúben Viegas [ rubenviegas@checksound.eu ]

33 RUI REININHO

DIRECTORA EDITORIAL

Susana Pinto [ susanapinto@checksound.eu ]

34 RUINER

EDITOR GRÁFICO

Teresa Bento Vitor Luis [ vitorluis@checksound.eu ]

35 COUNTING THE DAYS

FOTOGRAFIA

36 DAY OF THE DEAD 37 FOR THE GLORY 38 IX SEMANA DA JUVENTUDE

MEXILHOEIRA GRANDE 38 NEW LEVEL 39 MINDLOCK 40 KALASHNIKOV

41 PROMETHEVS ENTREVISTA 43 DESTAQUES 45 REVIEWS 51 SILK

PRECISAMOS DE PATROCÍNIOS AJUDA-NOS A CONTINUAR

Rúben Viegas [ rubenviegas@checksound.eu ]

32 MARIZA

ENTÃO ANUNCIA AQUI!

PROPRIETÁRIO

4 CAOS EMERGENTE

EDITORIAL

Quero agradecer a todos os nossos leitores por todo o apoio que nos têm dado. Nesta edição de Setembro temos ainda para vocês uma reportagem de um festival de verão muito aclamado pelos fãs do metal, o festival Caos Emergente 2008, onde poderão ver grandes fotos de todas as bandas que por lá passaram. Fizemos também uma parceria com as Suicide Girls (www.suicidegirls. com) afim de podermos aumentar a qualidade da nossa secção glamour/fotobook dando-vos a todos vós uma elevada qualidade tanto de produção, como de fotografia. Queria agradecer a todos aqueles que nos têm enviado e-mails com propostas para colaborarem connosco. Obrigado por reconhecerem o nosso projecto e todo o nosso esforço para que cheguemos ainda mais além. Disfrutem deste número.

Rúben Viegas, António Nascimento, Ricardo Costa, Mónica Moitas, Miguel Duarte, Cláudia Andrade, João Ribeiro, Paulo Tavares, Carina Martins COLABORADORES

Andreia Silva, Paulo Duarte, Telma Guerreiro, David Rafael Liliana Inocêncio, Jorge Mestre, Noémia Vilela INTERNET

Susana Pinto [ susanapinto@checksound.eu ] PUBLICIDADE / DIRECTOR COMERCIAL

Vitor Luis [ vitorluis@checksound.eu ] PERIODICIDADE

Mensal MORADA

Apartado 4075 8006-601 Faro Registo na ERC nº 125369

Rúben Viegas

vitorluis@checksound.eu

CHECKSOUND #8 Outubro 2008


angriff

12 setembro clรกudia andrade


b.i.v.l

12 setembro clรกudia andrade


biomechanical

12 setembro clรกudia andrade


bizarra locomotiva

12 setembro clรกudia andrade


daemogorgon

12 setembro clรกudia andrade


encephalon

12 setembro clรกudia andrade


oblique rain

12 setembro clรกudia andrade


putrefy

12 setembro clรกudia andrade


skyclad

12 setembro clรกudia andrade


tarântula

12 setembro clĂĄudia andrade


belphegor

13 setembro clรกudia andrade


between the frost

13 setembro clรกudia andrade


bukkake riot

13 setembro clรกudia andrade


demon dagger

13 setembro clรกudia andrade


flagellum dei

13 setembro clรกudia andrade


grave

13 setembro clรกudia andrade


grog

13 setembro clรกudia andrade


horna

13 setembro clรกudia andrade


nile

13 setembro clรกudia andrade


subcaos

13 setembro clรกudia andrade


nashgul

14 setembro clรกudia andrade


onslaught

14 setembro clรกudia andrade


painstruck

14 setembro clรกudia andrade


root

14 setembro clรกudia andrade


desire

14 setembro clรกudia andrade


discharge

14 setembro clรกudia andrade


molestia

14 setembro clรกudia andrade


tesseract

14 setembro clรกudia andrade


the firstborn

14 setembro clรกudia andrade


Albufeira tem dado muito que falar nos últimos tempos. Não apenas por ser verão e esta ser a capital turística do Algarve, mas também porque tem sido um ponto de passagem obrigatório no que toca a concertos underground. Desta vez, o feito coube à Head Down, a mais recente promotora de eventos musicais algarvia. Composta por jovens que gostam de música, e o fazem pela música. O cartaz: Ruiner + Counting the days + Day of the dead + For the glory. Temperatura fresca lá fora, para uma noite que se esperava quente cá dentro. O hardcore afinal continua vivo e a prova disso foi esta noite. Abrem os Counting the days, banda oriunda dos Estados Unidos. O seu hardcore rápido e enérgico fez disparar os corações dos presentes e preparar para uma noite agitada. Sem grandes conhecedores da parte do público, sendo a sua primeira vez em Portugal, a banda portou-se bem e mostrou o que melhor sabe fazer, abrindo as portas para os seus companheiros de viagem, Ruiner. Ruiner foi então a banda que se seguiu. Igualmente provenientes dos “States”, e com elementos dos Counting, o seu hardcore não deixa de ser mais rápido, mas consegue transparecer uma escuridão, que a faz distinguir-se de muitas outras. Letras profundas, sobre relações ou puros sentimentos, munem esta banda de uma importante mensagem a passar. Aliás, arrisco até a dizer que será talvez a sua mais valia e aquilo que mais lhes importa, as palavras que necessitam de ser ouvidas. Foi mais uma descarga de energia e música que se fez sentir naquele espaço, apresentando o seu mais recente trabalho “Prepare to be let down” bem como músicas mais antigas, onde mais uma vez, o publico deu mostras de estar pouco familiarizado com a banda, o que não é de todo sinónimo de não a apreciar. Primeira vez em Portugal para ambas as bandas, e com certeza que deixaram o apetite para um regresso. Pausa. Mudança de instrumentos. Eis que nos preparamos para ouvir o bom hardcore português. Day of the dead é a banda que se segue. Serão precisas apresentações? Das bandas mais antigas e respeitadas do panorama musical português, vieram para dar uma lição, novamente, daquilo que é realmente o hardcore e fomentando acima de tudo, o espírito de entreajuda, humildade e amizade entre as pessoas e principalmente, quem frequenta os shows. Porque por palavras do próprio vocalista “um show de hardcore não é para ir mostrar a nova sapatilha da nike ou tshirt da banda da moda”, estes vieram comprovar o que já estava afirmado há muito, hardcore é humildade, hardcore é sinceridade e acima de tudo, um estilo de vida. E sobre isto, sabem eles cantar. E para seguir esta linha, temos então os não menos conhecidos For the glory, que vieram para fechar a casa, literalmente! A banda tocou e conquistou quem esteve presente no Moonspell Bar neste dia, com a descarga que soou daqueles instrumentos. E foi concerto para tudo, bom hardcore, boa música, mosh e até nudismo! Pronto, parcial. O concerto começa com o vocalista, Congas, a relatarnos “Fiz uma aposta que se o Benfica ganhasse hoje, eu toca nu. Como empatou, vocês vão ter que ver as minhas mamocas”. E cumpriu! O que sinceramente, e a meu ver, aproxima ainda mais a banda do publico e é uma característica nos concertos do género, esta empatia que se cria, o à vontade que há e a amizade. Muito bom. Focado no seu mais recente trabalho “Survival of the fittest”, mas não faltando os já conhecidos hinos de FTG, foi um concerto poderoso. Poucas são as palavras para descrever esta noite, restando-me apenas desejar os parabéns às bandas e organização por mais uma noite bem passada, na companhia de amigos e alertar de que, tal como as bandas afirmaram, o hardcore é para se sentir e viver, e não uma moda! Andreia Silva


PAULO DUARTE


NORMA JEAN THE ANTI MOTHER

EYEBALL

SOLID STATE

Super banda, liderada por Daryl Palumbo (Glassjaw/Head Automatica) e Geoff Rickly (Thursday) e formada ainda por membros de Converge, Made Out of Babies e The Number 12 Looks Like You. É designada pelos próprios como “emo-power-violence”. Um grande álbum, sem dúvida!

É o quarto álbum da banda e conta com as participações de Chino Moreno (Deftones) Page Hamilton (Helmet) e Cove Reber (Saosin). Neste álbum com uma sonoridade entre Poison The Well e Everytime I Die, com peso e melodia de grande nível. Talvez um dos álbuns do ano.

JAGUAR LOVE TAKE ME TO THE SEA

ZODIAK SERMONS

EXOTIC ANIMAL PETTING ZOO I HAVE MADE MY BED IN DARKNESS

MATADOR

TRANSLATION LOSS

MEDIASKARE

A nova banda dos ex-The Blood Brothers, Johnny Whitney e Cody Votolato, com Jay Clark dos Pretty Girls Make Graves. Para alegria dos fãs de The Blood Brothers a sonoridade e agressividade mantêmse similares, e estreiam-se aqui em muito bom nível.

Os Zodiak vêm de Filadélfia e é composta por membros de bandas como Rosetta, Balboa, Slacks, Javelina e Lickengoldsky. Quanto á sonoridade, a melodia e os ambientes fazem lembrar Tool, enquanto que a agressividade lembra o Sludge e o Post-Doom dos Isis. Uma viagem musical a não esquecer.

Esta banda de Indiana, Estados Unidos, faz uma fusão perfeita de Math-Core, Metal Progressivo e até um pouco de Post-Rock e que em momentos pode fazer lembrar bandas como Deftones, Dredg ou até Mr.Bungle. Boa Surpresa.

MOUTH OF THE ARCHITECT QUIETLY

ZOZOBRA BIRDS OF PREY

TRANSLATION LOSS

HYDRAHEAD

Uma das grandes surpresas dentro do movimento Sludge mundial, uma banda que tem passado um pouco despercebida ao longo destes anos, mas que agora tenta inverter essa tendência com o grandioso “Quietly”, sem dúvida para fãs de Cult of Luna ou Isis.

O peso do Sludge e do Metal, as melodias do Hardcore, em ambientes mais ou menos post-doom, a não perder para os fãs de Isis, Knut mas sobretudo Old Man Gloom, principalmente porque a banda é formada por dois ex-membros. Agarrem-se bem, porque isto faz tremer.

VêTOR LUêS

UNITED NATIONS UNITED NATIONS


YANN TIERSEN

THE JIMMY CAKE

SKALIBANS

TABARLY

SPECTRE & CROWN

IT’S VOODOO?!

EMI / VIRGIN

soa a INDIE, POP, ALTERNATIVO para fãs de BJÖRK, STINA NORDENSTAM

PILATUS

soa a INDIE, AMBIENTAL, POST-ROCK para fãs de GOD IS AN ASTRONAUT, KATABATIC, LANDING

IPLAY

soa a MATH-ROCK, ROCK INSTRUMENTAL para fãs de TOE, BATTLES, DYSRHYTHMIA

ANTHONY GREEN

HOLY CANCER

CONQUER

AVALON

soa a POST-DOOM para fãs de CULT OF LUNA, ISIS

LITE PHANTASIA TRANSDUCTION

soa a MATH-ROCK, ROCK INSTRUMENTAL para fãs de BATTLES, DON CABALLERO

JONNY ROCKET PAIN IS HER GAME WOLVERINE

soa a PUNK ROCK, PSYCHOBILLY para fãs de BONES, DEMENTED ARE GO, TURBO AC’S

V. ECONOMICS

soa a TRASH METAL, METALL para fãs de SEPULTURA, PANTERA, MACHINE HEAD

NEW MECANICA LOVE & HATE

CASKET MUSIC / COPRO

soa a METAL, METALCORE para fãs de IN FLAMES, KILLSWITCH ENGAGE, MACHINE HEAD

TODAY I CAUGHT THE PLAGUE MS. MARY MALLON n/a

soa a EMOCORE, MATH-ROCK, HARDCORE para fãs de THE FALL OF TROY

THE DEARS

PHOTO FINISH

soa a ROCK ALTERNATIVO, ACUSTICO, EMO para fãs de CIRCA SURVIVE, ENGINE DOWN, JEFF BUCKLEY

O'DEATH BROKEN HYMNS, LIMBS & SKIN CITY SLANG

soa a INDIE, FOLK, POLKA para fãs de GOGOL BORDELLOM

ONE DAY AS A LION ONE DAY AS A LION ANTI

soa a ROCK, RAP, METAL para fãs de RAGE AGAINST THE MACHINE

MR. MIYAGI

SHAPES & SOUNDS

MISSILES

WE’RE ALWAYS ANGRY

n/a

DANGERBIRD

URI GRELLER / CARNÚS

soa a ROCK ALERNATIVO, INDIE, POST-ROCK para fãs de WINTERSLEEP, RADIOHEAD

ANIFERNYEN THE PLEDGE OF CHAOS n/a

soa a BLACK, DEATH METAL para fãs de HECATE ENTHRONED, SEPTIC FLESH, SAMAEL

MOGWAI

HAWK IS HOWLING MATADOR

soa a POST-ROCK, INSTRUMENTAL para fãs de EXPLOSIONS IN THE SKY, MONO, RED SPAROWES

soa a INDIE, ALTERNATIVO para fãs de DOVES, CALLA, ELBOW, THE OPEN

JULY SKIES THE WEATHER CLOCK MAKE MINE MUSIC

soa a AMBIENTAL, INDIE para fãs de LANDING, GREGOR SAMSA

Pƒ NA TERRA PÉ NA TERRA n/a

soa a FOLCORE, TRADICIONAL, WORLD MUSIC para fãs de MU, MANDRAGORA, DAZKARIEH

RELAPSE

para fãs de CATCH 22, MAD CADDIES, HUMBLE

SOULFLY ROADRUNNER

PUNKGASM

soa a SKA, PUNK ROCK

KEHLVIN DIVISION

DON CABALLERO

soa a FAST PUNK, POWERVIOLENCE, TRASHCORE para fãs de INFEST, SPAZZ, F-MINUS

INTRONAUT PREHISTORICISMS CENTURY MEDIA

soa a HARDCORE, SLUDGE para fãs de MASTODON, BARONESS, THE OCEAN

KANDIA LIGHT n/a

soa a ROCK, METAL ALTERNATIVO para fãs de OTEP, KITTIE, GUANO APES

CAPRICORNS RIVER, BEAR YOUR BONES RISE ABOVE

soa a POST-DOOM, ROCK INSTRUMENTAL para fãs de PELICAN, CULT OF LUNA, RUSSIAN CIRCLES

MY EPIC I AM UNDONE FACEDOWN

soa a EMO, INDIE, ROCK para fãs de CIRCA SURVIVE, CLASSIC CASE

ROBOTOSAURUS MANHATER SKULL AND BONES

soa a NOISECORE, METALCORE para fãs de CONVERGE, THE DILLINGER ESCAPE PLAN

THE LIVING END WHITE NOISE DEW

soa a ROCK, PSYCHOBILLY para fãs de FOO FIGHTERS, TIGER ARMY

PEPPER

PINK CRUSTACEANS AND GOOD VIBRATIONS LAW

soa a ROCK, REGGAE para fãs de SUBLIME, RX BANDITS

EMILIANA TORRINI ME AND ARMINI ROUGH TRADE

soa a INDIE, POP, ALTERNATIVO para fãs de BJÖRK, ANJA GARBAREK, STINA NORDENSTAM


Lagwagon IBrother Think My Older Used To Listen To Lagwagon EP,2008,Fat Wreck Chords

Os Lagwagon foram a primeira banda a assinar pela Fat Wreck Chords, e por lá permaneceram desde esse dia. Neste ano de 2008 completam 20 anos de carreira. Sempre a mesma editora, a mesma atitude, o mesmo estilo musical, o mesmo tipo de letras. É isso mesmo que encontramos neste EP. É a mesma fórmula repetida à exaustão. Como habitual, os temas balançam entre os mais rápidos e os midtempo. Ao todo são 9 temas de estúdio, em cerca de 19 minutos, do mesmo Punk Rock melódico com toques de Pop e Hardcore a que a banda Norte-Americana já nos habituou. Nada de novo, nada de original, nada de refrescante. Isso pode ser bom, ou pode ser mau, depende do ponto de vista. Na minha modesta opinião, fica a meio caminho. Gostei do que ouvi mas, fica aquela sensação estranha de déjà-vu. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

espasmódico. Ele não se rende aos embaraços do urbanismo hodierno, faz-se a eles olhos nos olhos, é socado e agride; mas expurga essa experiência como um sobrevivente indomável, um homem-bomba saturado de dinamite e pronto para (começar) o apocalipse. Quem move os cordelinhos não é o lotado zoo londrino, tampouco as suas rasoiras sociais: o engenho explosivo é, aqui, a verve de Martin. London Zoo faz alarme bombástico sem ser alarmista, é hiper-concentrado de ideias e compinchas (Ricky Ranking, Flowdan, Warrior Queen, Spaceape, Roger Robinson e Tippa Irie fazem a trupe) e desvenda o semblante insano e inflamado da música delinquente de Londres. Esfumada a incógnita do dubstep, assentes as poeiras da primeira (e mais calma) rebelião, remexidos os escombros e escrutinados os sobreviventes, Kevin Martin tem, finalmente, espaço para fazer valer créditos. E, agora que passou a caravana do dubstep, é tempo de recuperar para as garagens de Londres a órbita do negro entusiasmo pelos sons caribenhos, pelo timbre ragga e pelo peso sincopado do grime. A produção tem proporções imaculadas, domando bem a atracção pelo excesso - que sempre foi regra na ética criativa de Martin - e posicionando os registos vocais com acuidade. O resto, com o mesmíssimo equilíbrio, é melodia, é tensão, é impaciência exuberante. Abramos o mundo à infestação do insecto, ele é a zagaia da segunda (e oportuníssima) revolução do submundo londrino. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Colour AllHaze CD,2008,Elektrohasch

actualmente. Quem conhece, já sabe, palavras para quê? Quem não conhece, bem, “shame on you”! Já é altura. Há uma pequena discrepância entre o subtítulo e o ano de edição pois 1981 + 25 = 2006, e isto tem lançamento em 2008. Atrasos na edição do mesmo? Talvez. Seja como for, não interessa, já está na rua e devemos estar gratos por isso! O promocional que tenho em mãos contém a regravação. Não muda muito ao que já se conhece, sendo apenas uma revisão com mais mestria instrumental (muitos anos de experiência em cima) realizada com novas tecnologias digitais (em contraste com a analógica de antanho). Mas a original é sempre a original, nenhuma versão actual a pode suplantar, dizem vocês. O espírito muda muito? Pergunto eu. Nada! Parece o mesmo disco! Após estes anos todos a garra, vontade, adrenalina e força ainda estão lá. Soa fresco, novo, válido. Recomenda-se, tanto na forma original como a regravação. E se puderem agarrar a edição especial, não percam a oportunidade! RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Lucertulas Tragol De Rova CD,2007,Robotradio

Lindstrøm Where You Go I Go Too CD,2008,Smalltown Supertown

Weezer Red Album

CD,2008,DGC/Interscope

The Bug London Zoo CD,2008,Ninja Tune

O estampido mediático da geração dubstep acabou por entronizar o clã da Hyperdub, com Burial ou Kode9 à cabeça, na incumbência de porta-estandartes dos modernos resíduos sónicos do underground londrino, mas omitiu (injustamente) outros protagonistas que, na periferia do tropel, já haviam inscrito produtos seus no histórico da música urbana da capital inglesa. Kevin Martin, vulgo The Bug, deixara pistas temporãs no sólido (e proporcionalmente) ignorado Pressure, de 2003, num momento em que o dubstep era, ainda, um código pouco mais do que marginal. Desse trabalho peregrino, interpretativo e divulgador - e que serviu de trampolim para adiantar pressupostos do que viria a seguir -, resta hoje apenas uma memória distante. De então para cá, o dubstep propagou-se titanicamente para fora das selvas urbanas de Londres, mostrou-se pujante nos radares da novidade (que nem era) para, depois, lentamente esvaecer com o brilho tímido de um fogo-fátuo. Culpa da voragem editorial (e dos públicos) pelas coisas novas ou não, a hipnose colectiva do dubstep parece ter-se consumido na sua própria claustrofobia e na paranóica modorra que lhe servia de musa. Mas onde Burial ou Kode9 enxergaram as silhuetas de uma cidade deprimida e apática, cedente a narcoses múltiplas e à cata de outras catarsias e formas de expressão, o “insecto” Martin pressentiu energias em convulsão. Ao invés de se deixar seduzir pelo lado indolente (e simultaneamente ansioso) das depressões da era moderna, Martin - como já tinha destapado nos Techno Animal - encontrou refúgio no desassossego

a sério. No lugar do fidelíssimo aspecto nerd de outrora, aparecem agora, em manifesta imbecilização do estatuto de estrela, quatro figurões de universos contrastantes, do hippie de última geração (a lembrar Devendra Banhart), ao engravatado republicano, ao cowboy bigodado de meia-idade e ao descontraído rock star. Mas mais do que a aparente desordem na indumentária, o disco também revela confusões estéticas pouco habituais nos Weezer. Atrás da idiossincrática harmonia de Cuomo - que, também aqui, produz óptimos momentos (“Troublemaker” ou “Pork and Beans”, por exemplo) -, mora alguma irresolução entre a majestade rock e registos mais intimistas. Nenhum mal em exibir um lado mais introspectivo (que nem é totalmente novo), mas ao fazê-lo os Weezer arriscam um quinhão significativo de si mesmos. E a caricatura final, transformada em música, pode ficar tão irrisória (e ambígua) quanto a capa do álbum. O que, inevitavelmente, ofusca as (poucas) boas ideias. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

esquizofrénica deflagração em palco. Não é estranho, portanto, que num introspectivo exercício de escrutínio das forças vivas (na criatividade) no seio do trio de Brooklyn, Kid Millions, Bobby Matador e Baby Hanoi Jane tenham encontrado um original prazer na musicalidade menos formal. Afinal, as energias improvisadas são um amor antigo que, por força das circunstâncias editoriais ou dos gostos do momento, foi sendo castrado (ou limado) em disco, mas nunca deixou de alimentar-lhes o ego nas actuações ao vivo. O registo dessa facção libertária da música dos Oneida impunha-se e, para esse efeito, nada melhor que um tríptico conceptual de discos sem qualquer tipo de atilho estrutural ou formatação predefinida. A série, sugestivamente baptizada “Thank Your Parents”, conhece agora o momento inaugural - será continuada em Janeiro de 2009, com Rated O - com este Preteen Weaponry, álbum essencialmente instrumental, também ele dividido em três partes. A tríade abre com um trecho de pura inventividade rítmica, substancialmente notada na (brilhante) incontinência da percussão de Kid Millions. Com um hipnótico e perturbador tecido sónico de fundo, algures entre o noise, o mantra instrumental de feitiçaria negra e a perversão melódica (chega a lembrar os Doors), é a bateria de Kid Millions - nervosa, derivativa, sempre consequente - que dita regras. Na segunda faixa, descansa a bateria em cadências mais “pacíficas” e crescem os efeitos sujos da guitarra, num fantasmático (e repetitivo) bailado de espectros, com o efeito atmosférico digno de uma peça progressiva, mas aquém da exigível inventividade. A dialéctica fecha-se, na terceira parte, num discurso agitado de ritmos espasmódicos, bem ao jeito de um número de improviso, misturando fantasias de guitarras e teclas; coisa para soltar, com a incerteza devida, o acto não premeditado de criação musical. E Preteen Weaponry, com as incongruências e falhas próprias de uma cerimónia repentista, é isso: um produto sem preconceito e sem regime. Como os Oneida, de resto. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Apesar da idealização quase instantânea que mereceram junto da comunidade melómana desde os primeiros trabalhos editados, os californianos Weezer experimentaram a hesitação própria de uma banda pouco preparada para o êxito. Depois de um par de álbuns chegarem ao mercado (Weezer, de 1994, e Pinkerton, o auto-renegado disco de 1996) e os consagrarem como um dos valores emergentes do rock alternativo americano, Rivers Cuomo e seus pares cessaram actividades, não só pelos inúmeros episódios de cisão no interior da banda, mas sobretudo pela insatisfação com o rumo trilhado até esse momento. Pinkerton e o arrependimento público da banda em tê-lo feito - o que acabou por atribuir ao disco, mais tarde, um estatuto de culto -, foi a derradeira lesão num colectivo a mãos com o ónus do mediatismo. A falsa partida dos Weezer deixara, contudo, a semente de um fenómeno de culto que, além de não perecer com o termo anunciado da banda, acabou por motivar uma expressiva onda de expectativas quanto a um regresso. Ele aconteceria quatro anos mais tarde, trazendo a banda a um som mais voltado para grandes arenas, sem abandonar a genética geek de pós-grunge descomprometido que, tanto gráfica como musicalmente, fora substrato essencial dos primeiros discos. A escrita de Rivers Cuomo mostrava-se consistente e a sua trupe retomava, com uma passada mais firme, o percurso interrompido sem aviso. A Green Album (2001), tido como um dos registos mais sólidos da discografia Weezer, seguiu-se Maladroit (2002), um vibrante exercício de aproximação ao lado mais “pesado” do rock melódico. Canções pop, servidas a guitarra eléctrica volumosa e com refrões orelhudos, eis a fórmula da segunda pele dos Weezer. Depois de um pouco inspirado Make Believe (2005), a banda retoma a estratégia dos álbuns homónimos - depois diferenciados por terceiros em função da cor dominante da capa - para reafirmar-se. O formalismo pop não está em questão, ele é a matéria de subsistência da banda, mas até visualmente - vide a capa do disco - os Weezer parecem levar-se menos

Novo trabalho para os Alemães Colour Haze. Este é já o 7º disco de originais da banda, entre outro material que têm vindo a editar desde 1995 como 7”s, LPs, splits, etc. São 10 temas em cerca de 65m17s de Psychedelic/Heavy/Stoner Rock com um balanço perfeito entre a vertente Heavy Rock, o lado mais psicadélico e até uma certa influência world music. Influências e aproximações a nomes como Cream, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Kyuss, Queens Of The Stone Age ou The Doors, entre outros, são notórias. À sua sonoridade característica, os Colour Haze adicionam agora vozes femininas, uma cítara e passagens acústicas, o que expande ainda mais o seu Universo sonoro. Mais um excelente capítulo na história dos Colour Haze. Recomenda-se a amantes do género. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

TheOf Adicts Songs Praise (25th Anniversary) CD,2008,People Like You

Começaram em 1975 como Afterbirth & The Pinz mas pouco tempo depois mudaram o nome para The Adicts. É a única banda Punk, ainda no activo, que se conseguiu manter sempre com a formação original. Em 2008, além da reedição da clássica estreia “Songs Of Praise” na sua forma original, estes ainda foram para estúdio regravar todos os temas do mesmo. Há 3 edições portanto: gravação original de 1981, regravação de 2008 e edição especial tripla com as duas gravações e um DVD bónus. O que dizer de um clássico como é “Songs Of Praise”? É sempre difícil falar de um disco destes e da sua relevância na época da edição, assim como

Este é já o segundo disco dos Lucertulas. Juntem no mesmo caldeirão nomes como Neurosis, Today Is The Day, King Crimson, Atari Teenage Riot, Jesus Lizard, Mudhoney, Botch, At The Drive-In ou Jon Spencer Blues Explosion e têm uma ideia do som dos Lucertulas. Post-Hardcore/Post-Rock/Noise/ Industrial e outros que tais são os terrenos que a banda Italiana explora. Mais pesado e caótico que os companheiros de editora Hell Demonio, este trio descarrega 8 temas em pouco mais de 26 minutos. São 8 malhas bem pesadas, caóticas, experimentais e progressivas. Gostei e recomendo a fãs dos nomes acima citados. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Oneida Preteen Weaponry CD,2008,Jagjaguwar

Embora mais intuída do que ostensivamente manipulada nas composições ou assumida como fogo dominante, a afinidade do trio nova-iorquino Oneida pelas flamas utopistas do rock progressivo foi sempre uma matéria presente na sua discografia, ao lado do impressivo espírito de transgressão que atravessa uma identidade musical pautada pela liberdade estética. Depois de um octeto de álbuns em que apontaram propósitos estilísticos para a especulação noise em volta de um bizarro ideário de canção - o que lhes valeu, com onerosa responsabilidade, a entronização como anarquistas maiores das novas (e injustamente ignotas) safras americanas -, é chegado o momento de nova centragem, de pesar prós e contras de um percurso de consciente evolução, do primitivismo tímido da garagem para a

Nos tempos que correm, o produto musical é um activo de formas cada vez menos padronizadas. O advento da era digital criou não apenas outros mecanismos veiculares de divulgação (com o MySpace à cabeça), mas também suscitou, por arrastamento, um interesse renovado nos formatos mais curtos (os 12” ou o EP, por exemplo). No orbe electrónico, essa evolução - e a consequente depreciação do conceito de álbum - assume contornos paradigmáticos. A discografia do norueguês Hans-Peter Lindstrøm é espelho disso mesmo, com inúmeras edições avulsas nos tais formatos curtos e outros tantos remixes desde 2003. Volvidos três anos do início de percurso, e depois do impacto mediático do trabalho conjunto com Prins Thomas (esse sim, em formato CD e LP), a conterrânea Smalltown Supersound seleccionou e compilou alguns trechos do numeroso histórico de Lindstrøm, no aclamado It’s a Feedelity Affair (2006). Na prática, o tomo, mesmo sendo uma colecção de composições já editadas, constituiu o primeiro “álbum” do músico escandinavo, então exibindo ao mundo a dimensão quase épica de uma electrónica espacial, erguida numa orgânica de sintetizadores astrais e subliminarmente distante das fragrâncias sonoras divididas com Prins Thomas. Daí para cá, além da inscrição do seu nome na colecção de DJ sets Late Night Tales e do segundo capítulo com Thomas, Lindstrøm prosseguiu a disseminação do seu trabalho em edições soltas e remixes, até chegar a este Where You Go I Go Too. Naquele que é, de facto, o seu primeiro álbum autoral, a escolha de um escalonamento tríptico, em cinquenta e cinco minutos, não deixa de ser sintoma de que Lindstrøm não gosta de alinhamentos com muitas faixas. Seja isso uma deformação técnica oriunda da habituação ao formato EP ou uma mera opção conceptual (ou estética), não deixa de ser arriscado, para um músico habituado a trechos de curta duração, esticar as suas composições no tempo (o tema-título tem quase meia hora!). Em todo o caso, o novo opus de Lindstrøm desvenda uma curiosa mutação da space disco que lhe corre nas veias, destapando uma afinidade desconhecida por estruturas progressivas, onde as mudanças rítmicas e a reinvenção são premissas fundamentais para reter o interesse do ouvinte nas melodias repetitivas e extensas. Das três peças, a mais conforme com o património Lindstrøm é a primeira - que dá o nome ao álbum. Curiosamente, é também a mais plana

e previsível do trio e, mesmo que bem construída numa compassada (e psicadélica) escalada disco, tem poucas variações para se manter apelativa por tanto tempo. Segue-se “Grand Ideas”, revisão de uma composição conjunta com Prins Thomas que, sem esse nome, figurou no alinhamento de um mix feito pela dupla para a BBC. Mais colorida e objectiva, a composição é um produto dinâmico e consequente, entre melodia e especulação rítmica, minimalismo e euforia. O disco fecha com o seu momento mais alto, “The Long Way Home”, uma preciosidade de execução a lembrar o kraut rock, a derivar para as contemplações da electrónica left field e para o lounge, com o indispensável devaneio cósmico próprio de Lindstrøm. Não é um álbum de consumo imediato, nem de aceitação genérica; não se resume sequer à tipificação habitual de Lindstrøm. Mas, atrás do aparente excesso na extensão das faixas, mora afinal um disco suculento e, mesmo que de uma forma mais abstracta do que é costume em Lindstrøm, verdadeiramente gratificante. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

ainda assim, uma viagem imaginativa (e escrita no booklet) de Kash Buk - ao som de honky tonks e boogies -, pela multiplicidade étnica e marginal da California e seus símbolos, os nipo-americanos, os nativos, os latinos e um surrealista mecânico extraterrestre. A música não acompanha a diversidade simbólica e o exotismo da narrativa escrita, mas não deixa de contemplar momentos de sabor fino, a situar definitivamente a música de Cooder no habitat natural. E isso é, em quaisquer circunstâncias, um facto bem-vindo. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

peixe : avião 40.02 CD,2008,Rastilho

Glissando With Our Arms Wide Open We March Towards theCD,2008,Gizeh Burning Sea Records

Rosolina Mar meetsWater Trumans Split CD,2007,Robotradio

RyFlathead Cooder I,

Depois de um pequeno e relativo sucesso com a Demo de estreia, os peixe : avião editam agora o primeiro registo “a sério”, e com edição pela Leiriense Rastilho. 40.02 não é só o nome do álbum, mas também a sua duração, um titulo simplista, assim como o artwork que o acompanha, talvez para contrastar com o produto nele contido. Serei talvez um pouco suspeito para escrever sobre este quinteto de Braga, porque já os conheço desde a altura em que procuravam um nome para os definir, mas por outro lado talvez seja das pessoas mais indicadas para vos explicar quem eles realmente são. É estranho, é como ver um filho nascer e amadurecer, é acompanhar os seus primeiros passos, quando ainda não eram ninguém até aos escaparates das melhores rádios e televisões nacionais, para não esquecer toda a impressa escrita, seja ela online ou impressa, eles estão em todo o lado. Há agora que perguntar se esse protagonismo e mediatismo é ou não merecido? Apesar de repentino, não haveria outra banda em Portugal capaz de o merecer mais que eles. Não só pela criatividade e qualidade dos seus músicos, mas também pelas belas canções com que nos brindam. Apesar de tudo não vou aqui falar da musica em si, isso cabe a cada um descobrir, não vou fazer comparações com outras bandas, nem definir sonoridades, posso apenas dizer, para terminar, que será praticamente impossível ficar indiferente a este peixe com asas que invadiu Portugal, belas asas, que os farão voar bem mais alto. Vítor Luís

Reconhecido como um guitarrista do escol americano contemporâneo e um dos compositores mais inventivos da Califórnia, Ryland Cooder é também um dos mais acérrimos defensores do tradicionalismo. Nesse sentido, ele é um dos icónicos intérpretes dos sons herdados da história da música americana, mormente das heranças magnas do country poeirento e da folk envelhecida de Johnny Cash, de Pete Seeger ou de Bob Dylan. É nessa ramada genealógica que, como outros trabalhos da discografia de Cooder, se inscreve este I, Flathead (deliciosa referência travestida ao universo de Isaac Asimov...), assinado pelo alter-ego Kash Buk. Ao lado dessa identidade manifestamente “americana”, o californiano deu-nos alguns belíssimos exercícios isolados de difusão da música do mundo - que, entre outros, mostraram ao mundo o indiano VM Bhatt, o cubano Manuel Galbán ou o malogrado maliano Ali Farka Touré -, então revelando ânimos exploradores que, paulatinamente, se foram alastrando às suas criações mais tradicionais. A trilogia agora encerrada com este disco, dedicada à California, é uma evidência dessas contaminações estéticas e também de um activismo sócio-político vivo, sinónimo de uma mente musical desperta para o mundo além da música. Em todo o caso, a despeito da competência do costume, I, Flathead soma pouco à extensa discografia de Cooder. Com uma ou outra excepção pontual, as canções refugiam-se tecnicamente nas zonas de conforto que o músico domina, sugerindo,

O californiano Alfred Darlington é um académico da música que, depois do adestramento nas liberdades estéticas do jazz, se perdeu de amores pela descoberta da miríade de possibilidades criativas da electrónica e dos samplers. Como produtor ou como autor (com a assinatura Daedelus, desde 2001), em inúmeros selos e projectos musicais e colaborações com terceiros, foi paulatinamente erguendo um património musical conotado, na essência, com o orbe IDM, mas igualmente versado em padrões mais dançáveis da electrónica e, sobretudo, fiéis a uma verve cultora de várias influências da música negra (leia-se soul, funk ou hip hop). Esse traço pouco convencional (e de raro eclectismo) da música de Daedelus é uma das regras deste Love To Make Music To, o primeiro do músico pela Ninja Tune e, como noutros inquilinos do selo londrino, desvenda uma abordagem atípica, quase subversiva e sempre a extrapolar, os códigos sonoros do hip hop. Contudo, a atmosfera do disco não se fecha aí, antes usa essa referência como ponto cardeal de arranque e orientação da construção (ou sobreposição, ou colagem) de texturas muito concentradas, por vezes em eufórica proximidade do caos, e em que o garbo dos Coldcut vem constantemente à memória. E entre flutuações rítmicas, vozes convidadas, variações de

Split entre os Italianos Rosolina Mar e os Norte-Americanos Trumans Water. Em cerca de 29 minutos podemos ouvir 3 temas originais e uma remistura, para cada banda. Temos ainda uma faixa multimédia com dois vídeos animados. Ambas navegam nas águas do Indie/Post-Rock, sempre com a habitual dose de experimentalismo associada ao género. Sonic Youth, Mudhoney, Godspeed You! Black Emperor, Fugazi ou Jesus Lizard são nomes a apontar no rol de influências. Gostei de todo o material áudio, dos vídeos, do digipack (regra geral, nas edições da Robotradio a apresentação é cuidada) e da ideia de alternar os temas das bandas. Não é dos melhores lançamentos da editora, mas mantém a fasquia bem alta. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

CD,2008,Nonesuch/Warner

beats e mudanças de estilo, Love To Make Music To revela-se uma obra com raro sentido de oportunidade, mormente na exploração de convergências entre a música electrónica e numerosos universos colaterais. A sugestão resulta numa linguagem que, tropeçando pontualmente na previsibilidade das estéticas nocturnas, dela se distancia pelo recurso equilibradíssimo a mutações nos ritmos e melodias. Se pecadilho houver de apontar-se a Love To Make Music To, ele reside na extensão do disco: cinquenta e cinco minutos. É muito tempo para mostrar música que, por ser tão densa em pormenores e, portanto, por implicar visitas concentradas, ganharia com um alinhamento mais contido. Em todo o caso, o novo Daedelus é, sem reservas, um dos mais refrescantes exercícios que a electrónica de colagens teve nos últimos tempos. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Daedelus Love To Make Music To CD,2008,Ninja Tune

Glissando é sem dúvida uma boa surpresa. Logo em “With A Kiss And A Tear” a voz de Elly May Irving faz-me imaginar Stina Nordenstam, porem numa versão em câmara lenta, o instrumental é simples, muitas vezes só piano, que acompanha uma bela voz, triste, melancólica, calma, suave, elegantemente depressiva. As influências de ambientes do norte da europa são também preponderantes. Em algumas músicas as semelhanças com Anathema são imensas, para isso também contribui o dueto vocal entre Richard Knox e Elly May Irving, posso até afirmar que em “Always The Storm”, perto do final, há um trecho de piano que me soa igualzinho a Anathema. Apesar de tudo, grande parte do álbum é composto por ambientais sinistros e soturnos, sem vocalização, ainda que mais calmos, alguns lembram Sigur Rós, mas a maior partes deles são apenas simples ambientais “drone”, levados ao extremo. Vítor Luís

Leila Blood, Looms andCD,2008,Warp Blooms

O percurso artístico de Leila Arab é indissociável do nome de Björk. Primeiro como teclista de suporte da mediática islandesa, depois assistindo-a na função de co-autora de algumas composições, a iraniana Leila foi ganhando visibilidade no povoado orbe da música electrónica, a ponto de estrear-se, como compositora em título próprio (e uma das raras autoras femininas do género a não usar a sua voz em gravação), há uma década, com Like Weather. Então apadrinhado pelo selo de Richard D. James (Aphex Twin), a Rephlex, o disco desvendava uma curiosa mescla entre orgânicas left-field - muito próximas das estirpes “intelectuais” e mais elaboradas da música electrónica - e um transversal eclectismo estético, mormente na construção das melodias. Com efeito, embora não se tratando, à época, de um facto pioneiro, podia falar-se de um processo pouco convencional (mas razoavelmente bem conseguido) de encontrar convergências entre as sempre especulativas (e densas) manobras de manipulação digital e a contingência de as arrumar numa estrutura de canção com voz. Ao segundo capítulo (Courtesy of Choice, 2000, XL), Leila arriscou alargar o espaço de experiências de pop vanguardista e diminuir-lhes a tensão introspectiva, mas a crítica não se rendeu à troca da técnica pela forma. Blood, Looms and Blooms chega-nos oito anos


depois desse passo em falso, também depois de intensa actividade junto de Björk, tanto em palco (grande parte dos concertos da tournée de Volta tiveram Leila na abertura) como em disco. E a mudança para o catálogo da Warp, domicílio editorial de gente como Flying Lotus, Jamie Lidell, Plaid, Autechre ou Battles, parece ter funcionado como um estímulo oportuníssimo para Leila. É justo dizer-se: o selo inglês é, entre outras coisas, um seguro baluarte para algumas das mentes mais transgressoras (ou imaginativas) da electrónica contemporânea e o passado (e sobretudo o background) de Leila, não obstante as contingências de ter uma discografia curta, era uma premissa abonatória da sua adesão à família Warp. E se dúvidas existissem ainda, Blood, Looms and Blooms está aí para as dissipar. O terceiro registo de Leila é o mais lúcido (e transparente) da sua carreira. Tecnicamente muito bem urdido e detalhado, a puxar à sedução pelo efeitosurpresa e pela profanação das convenções instituídas, o disco é formalmente desprendido (deixou de ser importante falar-se em “canções”) e mostra uma verve capaz de soltar a rédea em padrões estéticos vários, de tocar tangencialmente outros tantos e não perder o sentido de coesão. Afinal, a linguagem musical é a de Leila (com as presenças vocais da irmã, Roya, de Luca Santucci, de Terry Hall e Martina Topley-Bird), tão intrigante e complexa como antes, tão fértil e cativante como sempre a conhecemos. E mesmo que, aqui e ali, Blood, Looms and Blooms se desvie da rota e cometa o pecadilho de ser extenso demais, não deixa de ser um enunciado das virtudes de Leila e uma boa forma de lhe dar a merecida notabilidade. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

CSS Donkey CD,2008,Trama

A instantânea entronização do colectivo Cansei de Ser Sexy como projecto mais mediático da moderna música brasileira foi um exercício de confirmação da improbabilidade. Corria o ano de 2003 (e os seguintes) e, atrás de um crescente burburinho, primeiro nas ondas cibernéticas e, depois, no seguimento de actuações nos palcos e festivais mais frequentados do Brasil (e além-fronteiras), paulatinamente se ergueu uma vaga sacralizadora de uma trupe de músicos tecnicamente pouco talentosos e cujas composições encerravam, em tosca simplicidade, um conjunto de sabores incomuns no cenário musical brasileiro. A afirmação da originalidade - se quisermos, de uma transversalidade estética com um único denominador comum: o substrato electrónico - prevalecia sobre a presumivelmente imprescindível valoração da técnica, como se, para ser-se reconhecido no orbe musical, nem fosse necessário ir além da fasquia mínima da execução instrumental. Aliás, seria exactamente essa rudimentar lapidação dos trechos, em último caso, a motivar amores/ ódios à volta do sexteto (agora quinteto) paulista e a torná-lo um fenómeno ímpar na música urbana e um dos mais mediáticos descendentes da geração net fora da Europa. Com a agenda absolutamente atestada nos últimos anos e o inevitável aprimoramento da execução instrumental dos elementos do grupo, é um facto que dificilmente podia esperar-se que Donkey repetisse a incipiência técnica do antecessor. A audição do álbum confirma essa premissa perigosa para os CSS: ao sumir-se a inocência técnica, ficaria hipotecado um quinhão decisivo dos factores de sucesso do primeiro disco. No caso das CSS, o refinamento técnico envolve ironicamente um desinvestimento no ingénuo diletantismo com que fizeram as canções que os trouxeram ao topo da música brasileira. Donkey é notoriamente um produto mais evoluído do ponto de vista instrumental, não restam dúvidas de que regista música feita com uma ciência mais apurada e longe da pubescente ética do primeiro disco. E é aí que muda o prisma de avaliação do trabalho das CSS. Se, antes, gostando ou não, se perdoava a impolidez e um certo atabalhoamento técnico dos trechos, em nome da atitude desconcertante e enérgica de “músicos” inexperientes (mas criativos) em demanda do seu espaço, com a maturação técnica é incontornável redobrar a exigência sobre as canções enquanto produto artístico. Nesse particular, por ter-se dissipado o elemento nuclear de singeleza que interessava na música das CSS, Donkey torna-se um disco redondo, previsível e inconsequente. Perdida a magia da descoberta quase juvenil da música e do rudimentar experimentalismo que escondia as fragilidades da composição, as canções expõem uma confrangedora efemeridade. Sair da puberdade é uma chatice. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Shearwater Rook CD,2008,Matador/PopStock

Embora as suas fundações estejam, desde 2001, na sombra do colectivo Okkervil River, hoje por hoje um dos ícones mais sonantes da folk alternativa americana, o conceito Shearwater acabou por emancipar-se do mero estatuto do projecto paralelo onde Will Sheff e Jonathan Meiburg depositavam as canções que não cabiam no ideário da bandamãe. A aparente divergência de opiniões ou prismas estéticos entre os dois músicos (ou o curto espaço de manobra para as composições de Meiburg nos OR) levou à divisão de águas, mormente depois do aclamado Palo Santo (2006): Meiburg desertou e fez dos Shearwater o seu poiso único, Shef chamou a si os Okkervil River. Se já no opus prévio, ainda com Will Sheff nos créditos, Meiburg assumira na íntegra a composição, Rook é o primeiro disco da marca Shearwater sem Sheff e, também por isso, se torna o documento da derradeira exposição e afirmação do conceito. E o disco é fiel ao cancioneiro da banda: estão cá o subtil cuidado no detalhe, a placidez melódica de Meiburg, a orquestralidade dos arranjos e uma finíssima discrição pastoral. A tudo isso, somam-se as certezas da voz carismática de Meiburg, sempre seguríssima e fluente entre a grandiosidade e o recato, o romantismo e a meditação. E Rook é isso mesmo, um genuíno exercício musical de leitura de almas, a olhar para dentro e a purgar gerações infinitas de inquietações colectivas e a repassá-las nos mais redentores ambientes musicais. Se estruturalmente se trata de um documento de folk de cariz acústico, aqui e ali espreitando atrevimentos rock com projecção orquestral, Rook encerra outras dimensões que vão muito além da simples declaração musical. Seja pelos enunciados fantasiosos das letras, pelo cicerone invulgar da voz de Meiburg ou pela linguagem puramente emocional dos instrumentos (ou pelos três em simultâneo), a verdade é que Rook tem o raríssimo condão de fazer o ouvinte “sentir” a música além daquilo que ouve. Nestas canções, intersectam-se, na ímpar forma de um baile de espíritos, a majestade do drama (quase sempre servido em cortante minimalismo acústico), o sonho vacilante, a fria melancolia, a paisagem invisível (e imaginada) e a redenção luminosa. E a mescla é tão humana e credível, tão musicalmente coesa e coerente, que é impossível não se ficar rendido à imponente epopeia de bolso que Meiburg escreveu. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

TiagoIV Guillul CD,2008,Flor Caveira/Mbari

Construídas com a segurança de quem acumula alguns anos de experimentação e depois de ultrapassado o teor panfletário baptista dos primeiros ensaios musicais, as canções de Tiago Guillul são, hoje, produtos amadurecidos pelo tempo, certeiros na conjugação de sabores retro (a música punk e o romantismo rock dos oitentas são heranças mais ou menos assumidas) e de um certo folclore estético que lhes empresta imprevisibilidade e fantasia. A isso junta-se a utilização hábil da língua portuguesa e do escárnio como veículo de uma mensagem sempre perspicaz e bem dirigida. É aí, no virtuoso uso do português, que IV marca mais pontos, ao actualizar a relação entre música e remoque social, trazendo-a a fasquias pouco comuns cá no burgo. E desenganem-se aqueles que, trazidos à música de Guillul pelo epíteto de “pastor do novo rock cristão”, pensam encontrar aqui um opúsculo do protestantismo. O que vale é a música, da religião sobram brevíssimas insinuações. E a música tem todos os condimentos de um clássico: é bizarra, fresca, inteligente, sarcástica e tem muita personalidade. Ainda vai converter umas quantas almas tresmalhadas dos ofícios do espírito... António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Catacombe Memoirs CD-2008

figurativos evidentes nas capas dos álbuns, um produto musicalmente equivalente do neo-expressionismo (ou da sua hiperbolização, o movimento cinquentista da art pop). Essa definição, volvidos quatorze anos da impressiva estreia discográfica, continua a ser um dos poucos rótulos justos que se podem colar a Beck e, com especial propriedade, a este Modern Guilt. O mais curioso é que, mesmo sendo este o décimo álbum de Beck, o disco finta habilmente a familiaridade dos ouvintes face aos ingredientes idiossincráticos do americano, moldando-os numa massa sonora surpreendentemente capaz de insinuar novidade e imprevisto numa linguagem sobejamente conhecida e sem segredos. E esse é o melhor encómio que pode escrever-se sobre Modern Guilt, o de revalidar a efectividade do nomadismo estético de Beck que, mesmo travestido de ressaca festiva, psicadélica e espiritual (cortesia da co-produção do ubíquo Danger Mouse) é capaz de construções melódicas niveladas com o escol de Beck (“Gamma Ray”, “Chemtrails”, “Youthless” ou “Soul of Man” são o quarteto altivo). Não obstante um substrato mais melancólico do que os seus antecessores recentes, Modern Guilt é penetrante e vigoroso, cheio de truques sonoros apetitosos e, porque vem resumido em trinta e quatro lacónicos minutos de música, torna-se uma experiência rápida e intensa. Quando cessa o último acorde, fica o suspiro para voltar ao ponto de partida e gozar voluptuosamente o melhor Beck desde Sea Change. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Trancelike Void Destroying Something Beautiful CD,2008,De Tenebrarum Principio/ATMF

Sem a urgência das palavras, impressivo, apenas pela expressividade da vibração; estávamos em meados de 2007: Catacombe; 2008: “Memoirs”. Com cinco temas e um prelúdio, “Memoirs” é o cartão de visita da paixão de um homem só. Pedro Sobast, é ele o responsável por todos os instrumentos e programações deste “Memoirs”. Relevantes guitarras; são estas em grande parte as culpadas pela surpresa causada por esta estreia. Surpresa causada não tanto pela singularidade do som, situado perto de uns Riding Panico, mas sim pela extraordinária capacidade de Pedro Sobast em compor peças que contagiam. Não pelo seu espírito abertamente festivo, mas pela sua energia eléctrica internamente palpitante, pelos ambientes, pelas paisagens naturalmente melancólicas, muitas vezes meditabundas, outras vezes num ritmo sobressaltado. Catacombe é mais um bom exemplo da colheita lusa de experimentalistas rock, artistas instrumentais, mensageiros de cenários misteriosos, enigmáticos, argumentos que só a palavra inexistente poderia desvendar, se fizesse falta. Se. É um mundo de sensações. Com arranjos interessantes, o EP “Memoirs” marca positivamente a estreia de Catacombe. Rui Dinís (a-trompa.net)

O disco é composto por 3 temas de Black Metal lo-fi, arrastado, depressivo. Um prelúdio, um epílogo e dois interlúdios, todos na linha ambiental, ajudam a perfazer 41 minutos e 21 segundos de duração. A música dos Trancelike Void é, já por si, sofrível, e o som lo-fi da gravação não ajuda mesmo nada. Repetitivo, monótono, sem motivo de interesse. Dispenso. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Fuck TheMexico Facts Disgorge CD,2008,Relapse

BeckGuilt Modern

Com um percurso marcado pela vontade de percorrer as várias etapas de uma metamorfose artística sem destino estético definido, Beck é um dos sujeitos menos conformistas e um dos ícones principais da nação pop contemporânea, mormente pela acuidade com que vem insistindo na redefinição dos paradigmas de canção. É graças a ele, sobretudo na década de noventa, que as arraigadas visões tradicionais do cancioneiro pop são expostas a contaminações exteriores ao seu cânone e a uma criatividade revisionista que acabou por lhes somar influências de outras órbitas estéticas. Foi assim que, paulatinamente, a identidade musical de Beck se impôs como um produto híbrido e virtualmente inclassificável, ainda que subjacente às estruturas populares de canção. Com influências importadas do psicadelismo, da electrónica, dos blues ou até dos costumes folk, a música do multi-instrumentalista americano foi, em alguns casos com reflexos

Das cinzas dos Norte-Americanos Commit Suicide surgem os Hero Destroyed. Estes iniciam o seu ataque com um EP homónimo através da Relapse. São apenas 7 temas em pouco mais de 22 minutos. E digo apenas porque soube a pouco! O som da banda encontra-se algures entre o Metal/Sludge/ Crust mais sujo, pesado e agressivo e o Hardcore/ Noisecore de tendências técnicas. Gostei deste balanço entre a vertente crua e suja Sludge/Crust e a vertente mais técnica de linhagem Math/Tech. Riffs bem sujos e rasgados, voz arranhada e grave (algures entre Crowbar e Pro-Pain), secção rítmica demolidora. Falta apenas uma coisa, a meu ver, que é alguns ritmos mais rápidos onda D-Beat/Hardcore. A coisa assim ficava mais brutal. De qualquer modo, esta “amostra” promete! Aguarda-se com expectativa a estreia de longa duração. Para fãs de Crowbar, Pro-Pain, Soilent Green, Melvins, Converge, Burst, Burnt By The Sun, The Dillinger Escape Plan ou Mastodon. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

TheFor Creepshow Run Your Life CD,2008,People Like You

Tricky Knowle West Boy CD,2008,Domino

“Run For Your Life” é o novo trabalho de estúdio dos The Creepshow. Dez faixas fazem a fusão de Horrorbilly com um Punk Rock bem acelerado e enérgico. Som cru, sujo e agreste mas com muita melodia é o que nos oferecem. O contrabaixo dálhe aquele som “arranhado” característico da cena Psychobilly, enquanto que o Piano lhe confere uma certa melodia crua e alguns sons mais “fantasmagóricos”. A dualidade voz feminina e masculina adiciona mais diversidade ao som Creepshow. O imaginário 50s Horror/B-Movies/Pin-Up/Comic Books já habitual neste tipo de bandas também marca presença. Não é nada de transcendental mas gostei do que ouvi. Para fãs de Misfits, Horrorpops, Meteors, Mad Sin, The Cramps, The Living End e outros que tais. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Os últimos anos de Adrian Thaws têm invariavelmente assinalado a demanda do músico inglês para se libertar do oneroso peso de um rótulo. Desde sempre conotado, mesmo contra a sua própria vontade, com as esferas do trip hop, o reconhecimento de Tricky junto das massas críticas acompanhou a evolução desse movimento estético, erguendo-o à instantânea sacralização no início do percurso a solo (depois da ambígua relação com os Massive Attack), em época de êxito conjuntural do trip hop, para depois, com a visibilidade menor do género, o empurrar para o quase esquecimento que os sucessivos débâcles discográficos ajudaram a confirmar. É nesse torpor mediático que Knowle West Boy experimenta nova terapia de ressuscitação daquele que, em tempos idos, foi um dos provocadores de excelência dos anos 90. O disco põe termo a um cauteloso silencioso de cinco anos e, como os seus antecessores mais recentes, é um alvoroço de tensões interiores próprias de um espírito turbulento que, chegado aos quarenta, já não esconjura os demónios do caos urbano, antes os aceita e tenta refrear. Da ansiedade hipnótica e do nervo negro e angustiado de outros tempos, restam aqui meras sombras (“Past Mistake” é o descendente mais próximo). Tricky (e a sua música) é, hoje, um agente menos de causas e mais de efeitos; continua a ser um insurgente atento, mas está menos agudo. Ao invés de assumir-se, na sua improbabilidade criativa, como um líder de rebeliões, converteu-se num seguidor das tribos urbanas globalizadas da nova década, onde as mesclas sonoras que ele próprio inaugurou a contento de uma geração são uma vulgaridade e um discurso comum. E, perante o adensamento de propostas desse género e a ascensão de outras linguagens narradoras das crises metropolitanas desta era, sobram menos espaços úteis para os exorcismos de Tricky. Ainda assim, Knowle West Boy é a mais competente (e esquizofrénica) declaração de vitalidade de Adrian Thaws desde os “dourados” anos 90. Mas não parece ainda bastante para reatar uma chama conservada a meiogás nos últimos anos. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Conor Oberst Conor Oberst CD,2008,Merge Records/PopStock

Revol SongsHealth For Mental CD-2008

CD,2008,Interscope/XL Recordings

Indicados nos últimos tempos por outros ou assumidos pelo próprio, têm-se multiplicado os comentários sobre Tiago Cavaco (Guillul, em hebraico) e os exercícios de rotulagem da sua música. Se até há bem pouco tempo, mesmo depois da edição em CD-R deste trabalho, em finais de 2007, o músico lisboeta gozava de um anonimato quase total e das pacatas condições de pastor baptista em S. Domingos de Benfica e blogger do “clássico” Voz do Deserto, a afirmação dos Pontos Negros - que haviam sido “descobertos” por Tiago - atraiu atenções para as propostas libertárias do selo “underground” Flor Caveira (que ele fundou) e, por arrastamento, para a música do seu fundador. A reedição de IV em formato CD, com um punhado de composições extra, é o corolário assumido de alguns lançamentos avulsos dos últimos anos e apresenta definitivamente ao mundo musical português um protagonista a merecer sair do “buraco” do desconhecimento. Há na música de Tiago Guillul mais substância do que a do natural objecto de culto em que se transformou.

Hero Destroyed HeroCD,2008,Relapse Destroyed

Novo trabalho para os canadianos Fuck The Facts. Estes inserem-se num conjunto de bandas da nova cena extrema que faz a fusão de estilos como Grindcore, Crust, Hardcore, Sludge, e tudo o mais que vier à rede. Vale tudo para criar um som extremo mas original (ou com intenções disso). Isto pode ser bom ou pode ser mau. Pode resultar ou não. Depende sempre da banda em questão, da sua motivação, das suas capacidades musicais, da percentagem de cada estilo adicionada à mistura, entre outros factores. E os Fuck The Facts? Não são propriamente novatos, mas também não são veteranos. Não conheço muito bem o corpor da sua obra mas, pelo que ouço neste novo “Disgorge México”, as variáveis acima referidas verificam-se pela positiva. Há capacidades instrumentais, boas ideias bem encaixadas, atitude, espírito. Alternando entre o Grind mais desenfreado, o groove de orientação Sludge/Crust ou passagens mais experimentais, a música dos FTF é tudo menos monótona. Não é das minhas favoritas nesta linha mas é uma boa opção em detrimento de inúmeras bandas com uma tendência mais Metalcore/Deathcore. Estes fogem mais para o lado Grind/Gore/Experimental. Para fãs de nomes como Brutal Truth, Nasum, Misery Index, Converge, Botch, Job For A Cowboy, Gorerotted, The Black Dahlia Murder, The Red Chord, Tragedy ou Integrity. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Com o EP “Lover” já quase caído no esquecimento, a banda da Amadora entrou em 2008 com um novo registo para nos mostrar: “Songs For Mental Health”. Faz sentido, desde logo. Dois anos volvidos sobre o anterior registo, é visível o amadurecimento dos Revol, especialmente em termos técnicos, na execução, e na área da composição. Em “Songs For Mental Health”, as canções ganharam um corpo diferente, mais cheio, um espaço onde os instrumentos interagem e se complementam com certeza e simplicidade. Editado pelos próprios, o novo disco vem sob uma receita de 8 miligramas, qual mezinha capaz de nos fazer passar uns minutos de boa e franca disposição. É o que o novo EP dos Revol nos mostra; um disco simples, directo e despretensioso na abordagem, um disco onde o objectivo se parece esgotar no prazer de criar e oferecer música. Ao todo, somam-se 8 temas fortemente rock, muitas vezes pop, algumas vezes indie, mas sempre com uma vistosa piscadela aos sons que nos chegam das ilhas britânicas. No fim, fica um conjunto de temas harmoniosos, bem vincados e genericamente bem conseguidos - talvez aqui e ali a necessitarem de uma produção mais activa e um inglês mais solto. Sobre as letras, algures entre o humano e o social, o próprio grupo as apresenta dizendo que falam sobre “memória, solidão, prazer, sexualidade, política, frustrações, revolta, inércia, espiritualidade, alegria e alguma luz que brilha sempre ao fundo de cada música“. Mas há sempre uma luz que brilha no fundo… E então, falta alguma coisa? Falta; ou talvez não. Falta apenas perceber se é por aqui que os Revol vão ficar, assumindo as suas óbvias influências, bem presentes, ou se pretendem dar mais um passo em frente, desconstruindo-se sonoramente em direcção a uma maior diferenciação. Sobre o anterior “Lover”, dizia-se por aqui que este surgia “como o ‘natural’ passo seguinte, momento de crescimento técnico e criativo e de busca de uma estética própria. É entre este tocar pelo prazer de tocar - apaixonadamente como se percebe - e o trilhar de um caminho rumo a alguma diferenciação, que os Revol se situam hoje…“. Foram dados muitos passos mas queremos mais… ...e podem mais. Rui Dinís (a-trompa.net)

A ideia de assinar este disco com o nome de baptismo, ao invés do mais costumeiro e mediático epíteto de Bright Eyes, tem uma razão. O conceito Bright Eyes, uma das marcas mais significativas da moderna folk americana, assentou, nos últimos anos, em dois pilares fundamentais: o próprio Oberst e Mike Mogis, o instrumentista/produtor braço direito do músico/compositor do Nebraska na caminhada pelo orbe da música. E este, além de ser o primeiro registo sem Mogis, em cerca de uma década - pelo que faria menos sentido integrá-lo na discografia Bright Eyes -, é também o contributo mais pessoal de Oberst para o cancioneiro americano. Nesse sentido, pode presumir-se que, além da evidência do afastamento do parceiro de longa data, reside nestas canções a definitiva imposição de Oberst contra o incómodo (e injusto) rótulo de prodígio adolescente que lhe colam desde os doze anos. Atrás do enfatizado (pelos media do seu país) despautério de algumas aparições provocatórias em festivais americanos, inclusivamente marcadas por algum pretensiosismo ideológico pouco tragável, Oberst sempre foi um músico prolífico, talentoso e de verve genuína. Foi assim que, sem brusquidão, ergueu os Bright Eyes a um lugar raro na folk moderna, com uma identidade perdida entre a melancolia e a ansiedade ou o místico e a crítica. Ao mesmo tempo, aceitando o sustento das mais ancestrais raízes da música do seu país, Oberst foi capaz de construir um património musical carismático como poucos. E é neste Conor Oberst que a sua personalidade musical se mostra mais crua (leia-se “acústica”), apartada das cosméticas sinfónicas dos Bright Eyes. O investimento nos arranjos é mais comedido, o que ajuda a situar as canções de Oberst num plano entre o protesto iluminado de um Dylan (outro dos rótulos com que Oberst tem lidado) e o melodismo rock de alguns momentos de Elvis Costello, além das inevitáveis referências a Neil Young, Tom Petty ou Ryan Adams. E claramente distante dos desmandos instrumentais do pseudo-orquestral Cassadaga. Aqui, as canções respiram a mais confortável das intimidades - ou intimismo melódico - e são servidas por uma lírica mais consciente do que antes, em volta de assuntos tão concretos quanto a inevitabilidade da morte, a escapatória das drogas e, claro, as paixões feitas desamores. E nenhum outro opus de Oberst tem este charme e credulidade, esta maturidade no acto de criação e esta consistência; e estes, por serem factos inesperados, tornam-se tanto mais interessantes. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Wire47 Object

CD,2008,Cargo/Compact Records

depois de avulsas edições a solo de Colin Newman, Bruce Gilbert e Graham Lewis, superficialmente contaminados pelo advento da música electrónica, para editar um quinteto de álbuns, até nova dissolução em 1992. Seguiu-se um longuíssimo interregno de sete anos, parado pelo lançamento de alguns EPs e novo álbum de originais, em 2003, o nervoso e cifrado Send. Outra pausa no ano seguinte, formalmente interrompida pela reedição dos três documentos de início de percurso, também pela chegada aos escaparates, já em 2007, do terceiro capítulo da colecção de EPs Read & Burn. Agora chega-nos Object 47, 11.º álbum dos londrinos - embora seja a quadragésima sétima manifestação editorial (daí o título), entre singles, EPs, álbuns e compilações. Com os Wire espera-se sempre o inesperado e, à rigidez textural, à dureza e ansiedade do antecessor, o novo opus opõe detalhismo estrutural, maior acuidade melódica, fulgor (dentro dos limites de luminosidade dos Wire) e espaço para a electrónica. Mesmo sendo esta a primeira gravação dos Wire sem a guitarra de Bruce Gilbert (abandonou, com acrimónia, o projecto em 2004), Object 47 traz um punhado de canções de grande vitalidade e com as certezas de um código sonoro apurado ao sabor dos cenários conjunturais, mas sempre fiel a uma aura própria. É art-punk venturoso, é rock ligeiro, é pop sinistra e deadpan. E, de uma penada, sem soar anacrónico ou revisionista, Object 47 conforta-nos com a familiaridade de um som que é, afinal, a mais cabal síntese das aptidões “históricas” do grupo, sem invocar qualquer momento pontual do passado e, sobretudo, sem perder de vista o arrojo vanguardista e o gosto pela experiência dos Wire. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Born To Lose Saints Gone Wrong CD,2008,People Like You

Os Norte-Americanos Born To Lose regressam com um novo trabalho de estúdio intitulado “Saints Gone Wrong”. A sua fusão de Streetpunk, Rock ‘N’ Roll e Hardcore é a mesma de sempre. E isso é bom, muito bom! Muitos “whoa” para cantarolar junto, muita energia, adrenalina, atitude a rodos, ritmos que involuntariamente põem os nossos membros a mexer, riffs contagiantes. Está tudo na dose certa. São 11 novos temas para ouvir bem alto com os amigos, cerveja na mão, punhos no ar, cabeça erguida, boa disposição e diversão garantidas. Mas o melhor será apanhar os Born To Lose ao vivo e conferir “in loco”. Recomenda-se! RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Divinefire Farewell CD,2008,CM Sweden/Rivel Records

Os londrinos Wire constituem um dos poucos exemplos da música europeia em que a longevidade - a fundação do colectivo data de 1976 - se confunde com evolução e relevância artística. Tendo partido das heranças mais rústicas do punk do final da década em que se formaram, os Wire desde cedo se demarcaram dos pares geracionais e do simplismo estético do género, ao optarem por feições mais criativas e arty e , em simultâneo, por subscreverem conceitos elaborados de melodia e canção. Foi, de resto, a especificidade dessa tendência, e, em consequência, a aparente impenetrabilidade da sua música, a empurrá-los para um pejorativo estigma de “intelectualismo” de que não se livraram, senão em momentos pontuais do percurso discográfico. O fôlego experimentalista em volta das linguagens mais directas do rock tornou-se o centro da verve de Colin Newman e companheiros e a fonte de algumas mutações de processos e identidade estética - a que, por norma, vieram a corresponder cisões no seio do grupo. Depois de um estupendo trio de discos, de 1977 a 1979, a inaugurar uma carnalidade minimalista e um conceito vanguardista e geométrico de rock tirado das algazarras do punk, o grupo conheceu o primeiro (e abrupto) termo de actividades, em 1980. Voltariam, cinco anos mais tarde,

Este é já o 4º trabalho dos Suecos Divinefire. Infelizmente, e como o título do álbum indica, este é o último disco da banda. Como se costuma dizer, quando um cisne está a morrer, o seu último canto é o mais belo. Pois, este é o “canto do cisne” dos Divinefire. O mais épico, o mais sinfónico, o mais pesado, o mais rápido, o mais groovy, o mais melódico, o aprimorar da fórmula e, portanto, o melhor dos 4 discos. O único senão, pelo menos para mim, é a constante e abusiva vertente cristã no conteúdo lírico. Mas se alguém tem problemas com isso, apenas lhe posso recomendar o seguinte (que foi o que eu fiz): concentrem-se apenas na parte instrumental e já têm material mais que satisfatório para vos ocupar os sentidos. Para quem não conhece ainda (“shame on you”) os Divinefire tocam um Metal sinfónico bem épico, algures entre o Power Metal mais melódico e o Metal mais extremo. Recomendo a fãs de Therion, Symphony X, Narnia, Yngwie Malmsteen, Haggard, Nightwish, At Vance, e outros que tais. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)


António Pinho Solo Vargas CD,2008,David Ferreira Investidas Editoriais

Nas palavras do próprio António Pinho Vargas, Solo não é um produto jazz. Exposto assim tão cruamente e um pouco em contraponto com as essências antigas de um percurso de muitos anos, o novo disco do compositor português é, num registo individualizado na intimidade do piano, de facto, uma obra menos jazzística e mais “clássica”. Trata-se, afinal, de redescobrir o passado trilhado nos caminhos do jazz e não só, de nele recolher uma colecção de composições, de lhes juntar dois inéditos e, com isso, dar um sentido de coesão e congruência ética a alguns dos episódios avulsos mais marcantes de um trajecto de fina liberdade estética. Ao mesmo tempo, as gravações de Solo proporcionaram ao músico/compositor gaiense um saudado regresso aos palcos, depois de anos de ausência, por força da dedicação a outras causas, sendo o episódio mais recente a edição da ópera Os Dias Levantados - que fora originalmente uma comissão do Festival dos Cem Dias, integrado na EXPO98. À luz desta recente centragem de esforços na música erudita, Solo ganha sentido adicional enquanto exercício de retorno e revivificação de uma obra consistente e muitas vezes esquecida ou subvalorizada pelas pressões mediáticas dos mercados discográficos. O duplo-álbum tem, então, mais do que a mera dimensão da circunstância editorial, a importância de conduzir o ouvinte a um maravilhoso e plácido promenade à inventividade e às múltiplas identidades musicais de António Pinho Vargas. E ao mostrar as composições sem artifício e despidas de arranjos, ao oferecê-las no mínimo revestimento, Solo tem não só o condão de converter-se no opus mais pessoal e íntimo da discografia de APV, mas sobretudo tem a versatilidade de se desviar da mera compilação nostálgica, emprestando a trechos isolados uma “segunda pele”, um senso de novidade - até de improviso - que lhes oferece harmonia e sentido de conjunto. Revisitadas assim nesta despida metamorfose, nas transparências e na singeleza melódica do piano solo, as composições de APV alcançam a rara e genuína tangibilidade das coisas humanas livres. E essa tocante delicadeza do músico ao piano, essa predilecção por mostrar o imo da música, essa imperfeição tão mundana é a mesma que serve de subtítulo a um disco imprescindível. Porque a imperfeição pode ter uma beleza esplêndida. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Lykke Li Youth Novels

CD,2008,LL Recordings

suavidade às magníficas texturas que a servem. Trata-se, sobretudo, de uma visão pragmática (e certeira) da proporção do binómio voz/arranjos ainda passível de afinações, é certo - mas que se confunde com um saudável princípio de sobriedade estética. Depois, as canções derivam pontualmente do curso temático natural da ambivalência romântica (as luzes e sombras do amor) e, aí, mostram outras caras não menos sedutoras de Lykke Li, mais dançantes ou mais introspectivas (até cabem duas despropositadas faixas em spoken word), mais folk ou mais electro. Em suma, Lykke Li é uma adição oportuníssima às safras recentes da música escandinava (Peter, Björn and John, El Perro del Mar, Taken By Trees ou Robyn), mas tem leituras dúbias: a economia orgânica, ao depositar nos méritos canoros de Li o vigor das composições, se resulta esplendidamente em alguns trechos (“Little Bit” ou “Breaking Up”), acaba por jogar em manifesto desfavor de outros. E, ao mesmo tempo, o entusiasmo de alguns momentos mais preenchidos (como a mediática “I’m Good. I’m Gone”), faz crer que na filosofia musical de Lykke Li também devem caber substâncias mais venturosas do que o minimalismo. Em todo o caso, Youth Novels é um debute muito promissor. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

coisa já se compõem. Death Metal bem brutal, sempre a abrir mas com diversas variações de ritmo e melodia que não deixam saturar, cativando assim o ouvinte do início ao fim. Som tipicamente SulAmericano com toques Thrash/Speed mais agressivo, ambientes negros e uma crueza que lembra as bandas Brasileiras dos inícios dos 90s. Além disso, a produção está fenomenal, mantendo um som cru e agreste mas com a nitidez suficiente para se ouvir o que vai acontecendo a nível instrumental. Gostei. Mas já esperava isso de uma edição Old Temple, ou seja, material de alto nível, capa/apresentação com formato diferente do habitual e as habituais letras infernais, é claro… mas isso já é outra conversa. Nada de transcendental, mas irá com certeza agradar aos fãs do género. Morbid Angel, Deicide, Vital Remains, Malevolent Creation, Sarcofago, The Chasm, Usurper ou Sepultura (inícios) podem ser nomes a apontar. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

The Evpatoria Maar Report CD,2008,Get a Life! Records

cinantes misturas químicas da electrónica, mora um romantismo subtil, um intimismo pouco comum neste tipo de produtos e um conceito firme de canção pop. Dir-se-ia, em abono da verdade, que o novo disco dos Brazilian Girls é um filho do cosmopolitismo contemporâneo e da transversalidade cultural cada vez mais em voga. E isso faz-se pesando, com a mesma respeitosa obediência, paladares de sofisticação retrógrada, um gosto ecléctico e uma verve voltada para a especulação vanguardista. É por isso que NYC, com evidente crescimento no capítulo da composição, mostra música de identidade ambivalente, de muitas eras e modas, de muitas escolas e ensinamentos mas, acima de tudo, entusiástica e moderna. E sem poiso estético (ou geográfico) fixo. O que é o mesmo que dizer que os Brazilian Girls, sendo genuinamente contaminados pelas miscelâneas sonoras de Nova Iorque, podiam inscrever-se nas novas turbas da world music. O título nem lhes ficaria nada mal... António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

BurstBird Lazarus CD,2008,Relapse

Melech Mechaya MelechEP,2008 Mechaya

Buffalo Killers Let it Ride CD,2008,Alive Records

De cada vez que surge um projecto musical alinhado com uma determinada corrente estética de revivalismo, se percebe com mais propriedade que arte e nostalgia são conceitos que, quando convergem, nos dão, com o reacendimento de memórias, a dimensão mais precisa do conceito de “clássico”. O segundo disco do trio Buffalo Killers, de Cincinatti, é uma achega preciosa para essa discussão, por reportar reverencialmente à luminária do rock psicadélico dos 70’s, num derivado mais contido (e por isso mais preciso) daquilo que, por exemplo, os Wolfmother fizeram recentemente. Se os australianos pecaram, nesse processo de revigoração, pelo excesso de pastiche do ideário Led Zeppelin, assim se expondo à não concretização de uma identidade própria, os Buffalo Killers fazem mais do que um mero tributo e, movendo-se no mesmo padrão estético, mostram competência para se emanciparam de um plano de referências que vai de Neil Young a David Bowie, de Rolling Stones a Allman Brothers, de Greenhornes a Black Sabbath, de Lynyrd Skynyrd a Peter Frampton. E, nesse ilustre novelo, cabe ainda uma ponta - a mais relevante - para a escrita descontraída e versátil dos BK, assente sobretudo nos riffs de guitarras (ora inflamadas, ora plácidas), na gravidade do baixo, na diligência da percussão e na expressividade vocal. Podem não ser a next big thing, nem sequer um facto absolutamente original, mas os Buffalo Killers certamente são parte da elite revivalista do rock “clássico”. E Let it Ride é um bom apontamento para reescrever a história. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Esta é a estreia em disco de longa duração dos Chilenos Inferis. São 8 temas novos mais 2 da Demo-CD “Destroying The Light”, regravados para o efeito, em cerca de 47 minutos. Quanto às letras de orientação Satanista (ou Satânica, como queiram), além de serem algo simplistas em termos de conteúdo e da própria língua inglesa (os Sul-Americanos não conseguem encaixar o Inglês), não são do meu agrado. Nem Satanistas nem Cristãs. Nem 8 nem 80. Fora isso, se falarmos apenas na parte instrumental, a

sura”, cantada em português, tal como outra das 3 musicas que compõe este EP, fez-me lembrar um pouco Celtic Frost, talvez inserindo a banda numa onda mais black metal, mas não desprezando o seu lado progressivo e mais death que nos remonta a bandas como Opeth e talvez Sadist. A segunda faixa “Missing Flora” não foge muito da primeira em termos musicais, mas com partes mais calmas e melodiosas e um interlude muito bem conseguido. Por fim “Ventos Arrepiados”, talvez a música que mais se destaca pela utilização da guitarra portuguesa juntamente com violas, violoncelos e violinos. Em contraste com a agressividade do resto da musica esta brecha não a estraga, antes pelo contrário, a muito boa composição e nível instrumental da banda são aqui expostos culminando com um bom solo, e uma excelente passagem de volta à parte pesada, acabando de novo numa parte mais calma para termina-la em grande com os tais violoncelos a tocar por trás. Mas nem tudo é bom neste EP, talvez a sua maior fraqueza sejam as vocalizações melódicas. Grande apresentação para estes Burning Sunset que me vão fazer esperar ansiosamente pelo seu próximo trabalho, que espero que seja de maior duração e com uma melhor distribuição, quiça numa boa editora europeia. Filipe Belchior

agrada o tom de voz de uma mulher no Punk e/ou no Hardcore. Além disso, em termos musicais, os Deadly Sins enveredam por um estilo mais Pop-ish e meloso que não me agrada particularmente. Ainda lhe tentam dar um certo som cru, ríspido, de Punk de rua, mas não conseguem resultados positivos. Pode haver quem goste do estilo, com certeza, mas eu nem digo que sim, nem que não. É-me indiferente. Fica a pontuação pelo trabalho desenvolvido e pela vontade que demonstram. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Hell Demonio Discography CD,2008,Robotradio & Wallace

Panto não será um disco consensual, como nunca o seria um produto de quatro jovens nos primórdios dos vintes, amantes de Dickens, do bizarro, do melodrama cénico e do fauvismo (o nome da banda é uma importação da escola de arte francesa), mas tem tudo para dar aos Wild Beasts o heróico epíteto de revelação do ano. E pérolas como “The Devil’s Crayon” (um dos indiscutíveis momentos magnos do ano) afastam qualquer preconceito de intelectualismo que queiram colar-lhes. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

The Black Keys Attack And Release CD,2008,Nonesuch

The Presets Apocalypso CD,2008,Modular

Antes de mais, para este Maar, há que fazer dois termos de comparação bem distintos, o primeiro com eles mesmos, o outro com o universo de bandas que existe dentro deste género musical. Se a segunda é bastante positiva mas difícil de se fazer, a primeira, apesar de mais fácil, é um pouco menos positiva. Começando pelo fim, este Maar não é apenas mais um álbum de Post-Rock dentro das centenas que são lançados todos os anos. Os ambientes progressivos fazem-nos viajar durante quatro temas mas mais de uma hora de música. Apesar de não haver tanta melancolia e tristeza como no primeiro álbum, e até um pouco menos de explosividade, as musicas são mais constantes, ainda assim em comparação com o resto do mercado a fasquia continua elevada. Há que referir que desde 2005 foram editados inúmeros projectos de grande qualidade dentro do género, e o estilo foi deixando de ser novo, perdendo o factor surpresa para quem o ouvia quase pela primeira vez, talvez isso tenha ajudado a que este Maar se tenha diluído e deixado um pouco levar pela corrente, não seguindo tanto os traços de primeiro, Golevka. Ainda assim um grande álbum a não perder para os fãs de Mogwai e Godspeed You Black Emperor. Vítor Luís

Brazilian Girls NYC CD,2008,Verve

Os Suecos Burst estão de volta com um novo trabalho de estúdio. Três anos após a última entrega, estes regressam com um oponente de peso para o fantástico “Origo”. Em vez de jogar pelo seguro e gravar um “Origo Pt. 2”, o quinteto concentrou-se em compor “Lazarus Bird”, um álbum mais maduro, mais técnico, mais trabalhado a nível de pormenores. Se a confirmação já havia sido feita com o anterior disco, este “Lazarus Bird” é o passo em frente (ou aliás, dois passos em frente, diria eu). Estão mais progressivos, estão mais psicadélicos, estão mais apetecíveis. A dualidade caos/calma, força/ fragilidade, peso bruto/melodia, continua presente e, sem dúvida alguma, mais vincada neste novo esforço colectivo. E falo mesmo em esforço colectivo porque toda a banda está a um nível superior. A voz esta muito mais versátil; as guitarras estão fabulosas com riffs/solos/melodias soberbos; a secção rítmica está potente mas sempre com aquela vertente progressiva e técnica. A fusão de Hardcore, Metal, Progressive Rock e Psychedelic Rock poderá agradar a fãs de Opeth, Mastodon, Porcupine Tree, Anathema, Amorphis, Isis, The Mars Volta, Botch ou Coalesce, entre outros. Muito bom! RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Canker Interactivist CD-2008

“Melech Mechaya é uma viagem festiva pela música klezmer, abraçando também momentos mais delicados e intimistas. Uma viagem pela tradição judaica, unindo aromas árabes, ritmos ciganos, e momentos de simples “bate-o-pé”, de Hungria a Israel, dos Balcãs a Nova Iorque. Uma enorme festa não aconselhada a quem tem problemas de coração!” É tudo verdade mas os Melech Mechaya deviam ser proibidos de editar EP’s. Ouvir “Melech Mechaya”, o homónimo EP de estreia do grupo, é como ir ao baile e vir embora a meio por falta de electricidade ou por alguma hecatombe meteorológica. “Melech Mechaya” é rápido como um foguete, passa depressa, deixando atrás de si um rasto de festa e alegria, mas também de tristeza pelo prazer tão efémero. Voltando atrás, relembre-se que os Melech Mechaya são um quinteto composto por João Graça - violino, Miguel Veríssimo - clarinete, André Santo - guitarra, João Sovina - contrabaixo e Francisco Caiado - percussão, e que só em 2007 fizeram a sua estreia em palco. Foi aí que esta viagem festiva verdadeiramente começou. Composto por cinco temas, “Melech Mechaya” revisita a música klezmer com competência e fulgor, combinando-a com o desejo de uma diáspora sonora. Com aproximações a vários cantos do mundo, os Melech Mechaya apresentam-nos apenas cinco temas, originais e versões - um deles o conhecido “Miserlou” de “Pulp Fiction”, interpretados com uma paixão prometedora. Arrebatadora. São sons do mundo. Há quem diga que ao vivo a festa é ainda maior. A sério. No fim, fica a ideia de se ter saboreado uma excelente entrada, não havendo prato principal para degustar. É o que este EP pede; mais e mais música. Rui Dinís (a-trompa.net)

Burning Sunset Bruma EP,2008

InInferis The Path of Malignant Spirits CD,2008,Old Temple

Quanto mais se generaliza a fatalista (e necessariamente redutora) perspectiva de que o orbe pop é um mundo saturado e crescentemente insípido, mais se manifestam protagonistas capazes de a contradizer. A revelação mais recente chega-nos da distante Suécia (embora tenha vivido uma parte da infância em Lisboa), tem a frescura e a jovialidade de alguém com vinte e dois anos e a timidez de uma estrela anunciada com medo da fama, é cultora de gostos mutantes - que vão de Kate Bush, a Velvet Underground, a Amy Winehouse, ao hip hop de última geração (leia-se Clipse e Dizzee Rascal), aos Suicide e ESG - chama-se Lykke Li (diz-se Lica-Li) e assina um disco de estreia de pop simples, açucarada e com substrato electrónico. Gravado em Nova Iorque com a ajuda de Björn Yttling (dos conterrâneos Peter, Björn and John), Youth Novels é, atrás da copiosa panóplia de instrumentos convocados, um disco de princípios estruturalmente minimalistas. O diapasão das melodias é a voz melíflua de Lykke Li que, mesmo com espectro estreito e pouco dada a aventuras de tom, transmite harmonia e

indómito desejo de se impor pela diferença, “Interactivist” vive de uma energia alternativa, uma vontade única de cruzar o rock e o metal numa sonoridade forte, marcada por vistosos riffs e por uma secção rítmica bem presente. É uma vontade que não deixa espaço para dúvidas. Depois, e tendendo para a diversificação no todo, o facto é que este não é um trabalho com uma estética finalizada - acho que nunca o é. As influências pressentem-se e servem de guia para aquilo que os Canker pretendem oferecer. Mais ou menos original, Canker não é de fácil rotulagem, sobressaindo antes a segurança com que o quarteto nos apresenta a sua missiva; o seu “Interactivist”. Entre temas novos e antigos, regravados, salta a esperança de um renascimento. O renascimento de Canker. Rui Dinís (a-trompa.net)

Embora este seja já o terceiro registo dos Brazilian Girls, são poucos os que tiveram oportunidade de saborear devidamente um dos melhores conceitos de música de fusão da corrente cena nova-iorquina. Os argumentos do agora trio americano - depois da saída de Jesse Murphy - fazem, sobre uma base estrutural de cariz electrónico, uma equilibradíssima reprodução do mosaico cultural e da amálgama sonora que é, hoje, a Grande Maçã, com derivações estéticas entre a pop, o jazz, a bossa nova (num prisma vanguardista) e quaisquer devaneios rítmicos mais dançantes. A essa mescla junta-se uma das vozes de maior carisma (e elasticidade) da actualidade, a da italiana Sabina Sciubba, a desdobrar-se em diferentes tons e idiomas - a moça desembaraça-se muito bem em inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Como os antecessores, NYC presta tributo a uma curiosíssima experimentação textural, num código musical que fica no limite da subversão melódica e que, não fossem as harmonias vocais de Sciubba, impeliria o ouvinte para os domínios da música de decifração custosa. E, embora o pareça, não é esse o caso aqui. Atrás do volumoso arsenal de percussões pouco “pacíficas”, mesmo das alu-

Algum dia tinha de ser. Algum dia a decisão tinha de ser tomada. Parar ou morrer. Pois bem, eles andam por aí: Canker. Com uma história que remonta já a 1997, então a responder por Canker Bit Jesus, e com várias maquetas e EP’s gravadas desde então, os Canker estão de volta à ribalta, alguns anos depois do seu último registo. E estão de volta com um álbum, de estreia, “Interactivist” de seu título. Banda leiriense formada hoje por Marciano - voz, Spined - guitarras, Gomes - baixo e Icecream - bateria, os Canker não são uma banda acabada de chegar à praça da música. E não é só pelos seus 11 anos de estrada, isso sente-se também pela consistência transmitida pelos temas do novo disco. Sente-se o peso do tempo. Composto por 10 temas - mais um escondido, a música dos Canker assentou, ganhou relevo, volume e desvenda um quarteto perdido de amores pelo conturbado espírito da fusão. Entre o rock e o metal, entre a doçura de um toque e a violência de um grito, a música dos Canker procura espaço para se colocar, para se impor como um modelo activo. Dominado por uma vontade exploratória, por um

Quando comecei a ouvir este EP não sabia o que esperar, pois a sonoridade da banda era-me totalmente desconhecida, a única informação que tinha era a de serem de Aveiro e que “Bruma” já tinha sido gravado em 2005 apesar de só agora ter sido lançado. Surpreendido com a qualidade gráfica da capa mas ainda de pé atrás pelo seu carácter “dark”, comecei a ouvi-lo. Cedo me surpreendi pois o que ouvia não era bem o que esperava, em vez de uma gravação cavernosa a que estamos habituados das bandas mais “underground”, ouvia sim uma produção bastante bem conseguida e límpida, com distinção de todos os instrumentos e alguns elementos atmosféricos. A primeira musica “Clau-

Julian Hamilton e Kim Moyes tornaram-se, nos últimos três anos, um dos vértices mais imponentes da música australiana no mundo. O debute discográfico enquanto The Presets - com o aclamado Beams (2005) - atirou-os para a ribalta do orbe da electrónica pop, abrindo portas para alguns dos festivais mais importantes do género, ao mesmo tempo que desvendava uma identidade musical substancialmente distante das abordagens generalistas dessa estética. A par do indispensável culto das praxes techno geneticamente ligadas ao anos oitenta - afinal, a confessada luminária dos Presets - Hamilton e Moye subscreviam, aí, um certo desinvestimento nos coloridos da melodia, em favor de afinidades com tensões, sombras e alguma negrura emocional. Nesse particular, Apocalypso reinventa os conceitos algo rústicos do antecessor, repisando os propósitos de uma electrónica marginal e que excita mais pela provocação cáustica do que propriamente pela brandura melódica. Ao mesmo tempo, debaixo das tensões que coordenam a relação da música com o espaço, há uma escrita afinada e capaz de emprestar elasticidade ao estilo do disco, bem ao jeito dos produtos mais “negros” dos Depeche Mode. O resto, o que os distingue do mero seguidismo de referências, é a apurada mistura de zumbidos e concentrados electrónicos para fazer mosh, os devaneios industriais, os climas ambivalentes entre a letargia gótica e o cataclismo dançante, os sintetizadores e maquinaria saturados, a atitude de resvalo rock e o hedonismo elegantíssimo. Corrosivo, mas viciante. António Pinto (www.apartes.blogspot.com)

Deadly Selling Sins Our Weaknesses CD,2008,People Like You

Deadly Sins é mais uma banda saída da cena Punk Rock de Boston e inclui músicos que já fizeram parte, ou colaboraram, em bandas como Dropkick Murphys, Roger Miret & The Disasters, Crash And Burn ou Reach The Sky. O álbum de estreia através de PLY inclui 12 temas de Punk Rock com toques de Hardcore melódico e Streetpunk. A voz feminina não me agrada muito. Não me interpretem mal, pois não tenho nada contra raparigas a liderar bandas, muito pelo contrário mas, salvo raras excepções, não me

Este é já o segundo trabalho dos Italianos Hell Demonio. Não se deixem enganar pelo título porque isto não é um daqueles discos que reúne toda a discografia de uma banda, mas sim um novo de originais. Aliás, a estreia já se intitulava “Greatest Hits”. Um sentido de humor apurado, portanto. PostPunk, Post-Rock, Indie, Emo-Rock e mais qualquer coisa na mesma linha. Uma banda que não estaria nada deslocada no catálogo de uma Dischord ou uma Touch & Go. The Stooges, Fugazi, Jesus Lizard, At The Drive-In, The (International) Noise Conspiracy ou Jon Spencer Blues Explosion são nomes a apontar nas influências directas da banda. Temas curtos, directos, potentes, melódicos, dançáveis, com som cru. Original? Não muito. Há aqui algumas ideias interessantes, bem executadas mas, já ouvimos muita coisa nesta linha nos discos das bandas acima mencionadas. Mas isso nem interessa porque o que os Hell Demonio fazem é sempre com muita garra, atitude, gosto e adrenalina a rodos. E isso, hoje em dia, faz falta a muitas bandas. Gostei muito destes 26m13s (10 temas!). Recomendo. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Wild Beasts Limbo, Panto CD,2008,Domino/Edel

Em Crescendo O velho e sujo garage rock está de volta. Na verdade não andou desaparecido, enquanto vagueávamos pelas outras divisões do palácio, os Black Keys andavam a ler o manual, que alguém deixou esquecido na prateleira dos fundos. Com o The Big Come Up (2002), dá-se inicio ao projecto, apoiados no lado mais negro do blues, traçam um objectivo concreto, desenhar uma estrutura em duo e partirem de encontro ao lado mais cru da coisa. Auerbach (guitarra/voz) e Carney (bateria) definiram assim de uma única assentada o seu objectivo, fazer da simplicidade musica. Seguiram-se Thickfreakness (2003), Rubber Factory (2004) e Magic Potion (2006), sempre com o objectivo de cortês de marcarem um estado de alma, aperfeiçoando o mundo á sua volta, traduzindo em notas de musica a energia e o vigor que percorre as veias de ambos. É com este engenho que chegam a 2008 e é assim que nasce Attack And Release. O novo álbum de Black Keys, é o mais apurado de todos os seus trabalhos, está perfeitamente lapidado, foi intensamente pensado, está mais dormente, bastante mais comedido e controlado, isto deve-se fundamentalmente ao mão mágica de Dangermouse. Attack And Release vive para além do simples duelo entre dois músicos, é mais do que isso, os The Black Keys cresceram e é muito provável que nem tenham reparado e ao afastarem-se um pouco do produto original, souberam conquistar um espaço que é seu por direito. Tudo o resto é uma deliciosa e redonda mão cheia, de temas repletos de electricidade estática, a saber: “All You Ever Wanted”; “I Got Mine”; “Strange Times”; “Remember When (Side A)”; “Oceans And Streams”. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Monomonkey Befere We All Implode CD,2008,Rastilho

Não é todos os dias que a descoberta de um disco proporciona a excitação de privar com um produto de originalidade. No caso dos Wild Beasts, quarteto de caloiros-revelação do setentrião inglês, a erupção da surpresa sobrevém em duas formas. A primeira - que por ser “superficial” é uma saliência notória nas primeiras audições - deriva directamente da insistência no dramático falsetto de Hayden Thorpe (excelente voz, sem dúvida!), a fazer lembrar, como num sucedâneo em moldes pop, o trejeito canoro de uma opereta. Atrás dessa admirável sugestão da voz de Thorpe (que será, decerto, um dos factores decisivos para definir afinidades com o disco), desfilam as outras faces da surpresa, as pormenorizadas, faustosas e muito conscientes texturas instrumentais, algures entre a elevação barroca que celebrizou Rufus Wainwright, a ciência dos cânones do moderno psicadelismo (leia-se volubilidade estética entre o tribalismo, os meneios vaudeville, a dança de cabaret, o melodismo jazz ou a arquitectura “clássica” da ópera-rock) e, também, a doçura rústica das gerações hodiernas da folk e os cenários da pop etérea dos 80’s. Em concreto, o verdadeiro mérito da massa musical dos Wild Beasts nem sequer é a inovação - as coisas de que é feito Limbo, Panto não são propriamente inauditas. É, ao invés disso, o admirável engenho de erguer monumentos pop com o melhor de cada um dos mundos estéticos de referência e dar-lhes um cunho pessoal único e orgulhoso que os distingue. O que se escuta no álbum é de uma autenticidade rara, por mais que tentem encontrar, nas entrelinhas da música dos Wild Beasts, pedaços dos Smiths, de Sparks, dos Orange Juice, dos Triffids, dos Shins ou de Antony Hegarty. Teatral, subtil, eufórico, ambicioso e orquestralmente sumptuoso, Limbo,

…ainda antes disso, ouçamos bem o disco. É verdade, “Before We All Implode”, álbum de estreia dos Monomonkey, grupo da Marinha Grande, não deixa ficar mal o quarteto composto por Ricardo Simões na voz e guitarra, David Silva no baixo e vozes, Bruno Julião na bateria e vozes e Pedro Lemos na guitarra. Não deixa. E não deixa porque o resultado final é positivo, mostrando um disco bem torneado, afivelado por uma forma alternativa de abordar o rock, sem nunca largar de vista um fundamento pop. A ideia não é nova mas resulta quase sempre. Entre fortes riffs, batidas sentidas e andamentos melódicos, são canções simples à procura de espaço para crescer. Com um resultado já interessante, fica esta ideia de crescimento; uma ideia de que é possível fazer ainda melhor. A produção é excelente, talvez uma maior profundidade da voz equilibrasse mais este “Before We All Implode”. O álbum foi gravado nos Marduc Studios e a produção ficou a cargo de Marco Jung. Rui Dinís (a-trompa.net)


Area51 Daemonicus CD,2008,Aprights

Virgem Suta BigEP,Bang 2008

Echidna Insidious Awakening CD,2008,Rastilho

Funky com “Come Down” e “I’m Your Football”. Só ao 3º tema, “Out Of My Tree”, é que temos algum vislumbre de Rock. No 4º tema, “What Do Mountains Say”, voltamos ao Funk mas já com alguma componente Prog-Rock. O prato forte do disco é o semiépico “Dream On (Parts I, II and III)” com os seus 11 minutos de Prog/Folk/Soul. Gostei. Segue-se “Mr. Plod” a fechar o alinhamento original com um Prog/Funk/Swing jeitoso. A par do anterior, as duas melhores malhas do álbum. Pelo que li em diversas fontes, a estreia atrás mencionada é muito superior. Pois, infelizmente, esta proposta não me abriu o apetite para ir verificar a anterior. Quanto aos extras, seguem a linha Funk/Soul/Jazz e servem apenas para complementar a reedição. Nada de extraordinário. Para fãs e completistas apenas. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Ane Brun Changing of The Seasons CD,2008,Det Er Mine

Sleepingdog Polar Life CD,2008,Gizeh Records

Her Name is Calla The Heritage CD,2008, Gizeh Records

descontraída. Algures entre Motörhead e Venom, Slayer (inícios) e Discharge, Celtic Frost (inícios) e Exploited, Bathory e D.R.I. As influências são mais que notórias e assentam exclusivamente na velha escola. Apesar de não ser nada de transcendental, gostei do que ouvi e está a dar-me um gozo enorme “voltar atrás no tempo”. A salientar a produção crua e suja a fazer lembrar as produções de antanho, cortesia de Jack Endino (Nirvana, Soundgarden, Zeke, High On Fire, Dwarves). Para os amantes do som retro Metal/Thrash/Black/Punk/Crust dos 80s. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Air France No Way Down EP,2008,Sincerely Yours

Equus Eutheria CD,2008, Get a Life! Records

Os Area51 são uma banda de Neoclassical Metal do Japão com voz feminina. As influências variam entre nomes do Heavy tradicional (Rainbow, Impellitteri), Heavy Neoclássico (Yngwie Malmsteen, Royal Hunt, Stratovarius), nomes mais recentes do Symphonic Metal de vocalização feminina (Epica, After Forever) e compositores clássicos (Chopin, Paganini). Em 2008 é editado o segundo de originais, “Daemonicus”. São 10 faixas na mesma linha musical da estreia mas com uma notória evolução, tanto na composição como na execução. Conseguem balançar bem a sua música alternando entre o material mais rápido e o “midtempo”, entre momentos mais agressivos e os mais melódicos e sinfónicos, entre ideias mais simples e outras mais elaboradas. O único problema é a produção. É a típica produção Japonesa que deixa os instrumentos com um som algo frio e mecânico. Mas, salvo raras excepções, este tipo de som final também se pode ouvir nos seus parceiros Europeus. As influências são mais que óbvias mas há aqui boas ideias, bons riffs e melodias de guitarra, uma secção rítmica competente sem chegar a ser muito técnica, uma componente sinfónica bem encaixada, letras em Japonês (é sempre aplaudido quando uma banda canta na sua língua materna) e, finalmente, a fantástica voz de Kate. Continuam a não ser uma mais valia para o cenário Heavy Metal internacional, mas são uma boa escolha para quem gosta do género. O tema de destaque, e que encerra o álbum, é com certeza “Lord Knows” o qual tem uma duração de 16m39s e tem a colaboração vocal de Rob Rock dos Impellitteri. Heavy/Power/Prog/Symphonic no seu melhor. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Oceansea Songs From The Bedroom Floor... EP,2008

Se para alguns é quase uma aventura, esta coisa estranha de escrever e cantar em português de Portugal, para outros, ela é um desafio; um grande desafio que é necessário saber vencer com qualidade. Mais uma vez, não é tanto a recorrente procura da singularidade que nos move, mas sim a certeza de estarmos a ouvir e a sentir algo que nos emociona. É por isto que os Virgem Suta estão já de parabéns. Os três temas que compôem “Big Bang”, são a amostra perfeita para um álbum que só chegará lá mais para o primeiro trimestre de 2009. Nascidos em 2001, em Beja, os Virgem Suta são hoje compostos por Jorge Benvinda (voz), Nuno Figueiredo (guitarra e matalofone), Hélder Morais (baixo), César Silveira (teclas e acordeão), Alexandre Catarino (guitarra) e Luís Pires (bateria). Sem preconceitos e sem renegar influências, “Big Bang” é composto por três pequenas peças de um pop-rock capaz de cruzar com mestria algumas ideias mais ligeiras com outras bem mais complexas - destaque principal para “Ficou tanto por dizer” e “Viver”. São belíssimas canções aquelas por onde a poesia serpenteia com toda a leveza. Qual insistente busca das raízes, feita apaixonante demonstração de uma música moderna, cativante. E porque é música de palavras, estas vêm em bom português. O EP está em audição no MySpace do grupo. Cedo para a confirmação, “Big Bang” é já um excelente cartão de visita. Rui Dinís (a-trompa.net)

Resposta Simples Sonho Peregrino CD,2008,Impulso Atlântico

Com tantas bandas a surgir todos os dias, actualmente é difícil acompanhar o Underground nacional. O nome Echidna não me era estranho mas, ainda não tinha tido a oportunidade de ouvir a sua música. E de repente surge o disco de estreia! Já? Perguntei eu. Hoje em dia é muito mais fácil para as bandas editar um disco, enquanto que há uns anos atrás estas tinham de batalhar, ensaiar, compor, gravar maquetes e tocar ao vivo (muito!) antes da estreia em longa duração. Depois, lá poderia surgir o disco para as melhores. Hoje as coisas estão mais facilitadas. Isso pode ser bom ou pode ser mau pois, como sabem, muitas bandas ainda verdes gravam discos que são autênticos desastres. Cada vez que ouço um disco desses e me lembro das fantásticas bandas que não passaram da maquete… Enfim, melancolias à parte, falemos dos Echidna. O que falei há pouco aplica-se neste caso? Não. A banda pode ser jovem mas já tem um som coeso, forte e seguro. As influências são mais que óbvias mas, para um primeiro disco, podemos dizer que isso é quase obrigatório. Esperemos que no segundo os Echidna consigam alcançar um som mais próprio e deixem de ser uma promessa para se tornar numa confirmação. Pela amostra contida em “Insidious Awakening”, isso é uma forte possibilidade. O Thrash/Death da banda de V.N. Gaia deve muito a nomes da cena Sueca como (ahem!) At The Gates, The Haunted, The Crown, Darkane, Soilwork (antigo), Edge Of Sanity, ou outros como Lamb Of God e Cataract. Têm boas ideias que conseguem concretizar na perfeição, fantásticos riffs e solos de guitarra (um dos pontos fortes), secção rítmica segura e demolidora, e uma voz crua e áspera que faz lembrar Tomas Lindberg. Gravado na Fábrica do Som por Daniel Carvalho, masterizado por Daniel Cardoso nos Ultra Sound Studios e produzido por ambos e a própria banda, o disco tem um som perceptível e potente mas com aquela crueza necessária ao género. Gostei muito do que ouvi e aguardo ansiosamente o tal novo trabalho de confirmação. Para já, recomendo. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Kush Wh’t Nah, Tellus Kush Means Yer Great Sausage CD,1975/2008,Aztec Music

Promissor Munido da sua guitarra e agarrado à sua simplicidade urbana, um rapaz desenha a traços de carvão um EP a preto e branco, não existe a aspiração de fazer algo sublime, apenas a necessidade de criar, a urgência de divulgar. Apesar de possuir outros projectos, Oceansea é o nome do projecto solitário de Daniel Catarino e o EP Songs From The Bedroom Floor... o seu primeiro trabalho. Gravado de uma forma elementar e sem grandes apetrechos Songs From The Bedroom Floor..., reflecte a calmaria típica de quem partilha mundos perdidos, universos de vozes ambulantes e dedilhados de guitarras melancólicas. Songs From The Bedroom Floor... [EP] ouve-se em crescendo, vai alimentado de uma forma subtil o ego de quem o escuta. O suave suspirar de “The Whimsical River”, surge durante o levantar da neblina oceânica, é um autêntico misto de canto e de oração folk. Em “Breathing” há uma indestrutível força de vontade, um ameno grito de afirmação. O dia já vai alto quando “Over The Sun” lhe intensifica o brilho, confirmando-se que nem só de sol vive o homem. ”Seasons In The Rain” continua no mesmo formato, voz em duplicado, guitarra minuciosa. “Postcards From The Walls Of Sin” é um tema delicioso, bucólico, arrasta-se durante alguns minutos, está repleto de intenção de liberdade, de partir, quer definitivamente voar para bem longe. Da mesma forma que Songs From The Bedroom Floor... [EP] peca por ser curto, fica no ar a sensação de dever cumprido, a proposta de trabalho foi cumprida e bem realizada, é muito provável que a intenção tenha sido esta, eu é que fiquei com água na boca. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Puro e Duro O formato já há muito que foi criado, a dificuldade está em conseguir inovar, para isso será necessário agarrar no mesmo barro e ir pouco a pouco desenhado o objecto pretendido. Foi a isso que se propuseram 3 amigos, que munidos de imensa força de vontade, formaram os Resposta Simples. O powertrio açoreano já com 5 anos de existência, lida com enorme à vontade quer com toda a construção musical, quer com todo o sector vocal. É assim que vão edificando um universo penetrante e incisivo, o resultado são torrentes de energia, rasgos de potencia e toneladas de raiva em formato hard-core. Sonho Peregrino é o álbum de estreia dos Resposta Simples, 9 temas de puro e duro hardcore cantado em português, coisa que é pouco habitual nestas andanças, aliás o mais normal é esconderem-se por detrás da língua inglesa e assim tentarem passar despercebidos, muitas vezes ocultando a mensagem. Ora os Resposta Simples não o fizeram, criaram uma banda com nome português, editaram um disco com titulo em português, escreveram e cantaram canções em português, podem não ser o pioneiros, mas são certamente dos poucos a fazê-lo. Tema após tema Sonho Peregrino vai debitando cargas de decibéis, ao mesmo tempo que vão transmitindo ideias e ideais. “Meias conversas para mim não servem… Quem quiser mudar tem de uma atitude tomar…” ouve-se em “Atitude (começar de novo)” ou “Como podes criticar se estás sempre a falhar?” em “Descanso Eterno”, são exemplos que há contexto para lá das notas musicais. Há muitos anos que uso uma máxima, o problema nunca é dos discos, nem das bandas, a existir alguma dificuldade ela está sempre nos nossos limites, nas nossas fronteiras musicais, nos nossos ouvidos… por isso, deixem de ser duros de ouvido, Sonho Peregrino é isso tudo, não é um disco para meninos, é um disco para rapazes/homens de barba rija. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Da Suiça chega-nos este novo quinteto, composta por membros de outras bandas como Brakhage, Chapter, Impure Wilhelmina, Iskander, Seaplane Harbor, Shora, Swoan ou Vargas, e que faz a sua estreia logo pela Get a Life! Records. Apesar de ser sempre complicado escrever sobre este tipo de bandas ou sonoridades, porque a quantidade de bandas é tanta e com sonoridades tão semelhantes que uma review “acenta”na perfeição em 4 ou 5 álbuns do género. Aqui podemos vaguear entre o post-doom e o post-rock, sonoridades épicas e progressivas sempre em crescendo, apesar de nunca atingirem um auge ou uma “explosão” de caos sonoro, nota-se sem dúvida psicadelismo de Shora e os ambientes de The Evpatoria Report, ou mesmo outras influencias como Cult of Luna, Callisto, Daturah, Disappearer, Yndi Halda ou Rosetta. Pode-se mesmo já começar a falar “numa escola Suiça de post-rock”, que começa a ser característica e as distingue das demais. Vítor Luís

Austrian Death Machine Total Brutal CD,2008,Metal Blade Records

Desconhecida? Ao terceiro disco de originais, Ane Brun tem que desaparecer do anonimato. A musica por si criada tem de ser conhecida pela multidão, há que a catapultar para o meio do povo. Ane Brun faz a sua musica parecer uma suave e calma onda, há uma constante quietude, uma perfeita bonança. Com ajuda de um piano e de uma guitarra acústica e recorrendo ainda a minúsculos arranjos de cordas, Ane Brun vai delimitando a sua área de acção. Ane Brun nasceu na Noruega, mas vive já há alguns anos na Suécia e é das terras frias do norte, que esta songwriter vai arquitectando as suas doces melodias, formando temas de intensidade pop, sem nunca descorar o lado mais folk da vida. Há nos seus temas a intenção de marcar ritmos e cadências, como se toda a lógica musical fosse um simples caminho de terra batida, onde pouca gente passa e onde os arbustos e as demais ervas, vão conquistando terreno. Tudo é perfeitamente natural e inato, de nada serve estar com grandiosas eloquências, porque tudo regressa ao seu estado primário. “Treehouse Song” é a apresentação de Changing Of The Seasons e surge como uma sensível combinação de folk com pop de cariz rural, onde o ritmo lembra quase um ambiente country; a forma dedilhada e o piano triste de “Fall” surgem no horizonte, da mesma forma que o dia vai desaparecendo, vai ficar escuro, vai todo terminar, vai todo cair; “Puzzles” são fragmentos espalhados numa mesa e a tentativa frustrada da sua construção; “Ten Seconds” é pureza pop, decalque de voz, ladeada por um constante coro de vozes, enriquecido por uma imensidão de cordas. Changing Of The Seasons é talvez a forma mais eficaz de ficar a conhecer Ane Brun, uma voz misteriosa de contornor cristalinos, um álbum de uma invulgar simplicidade, transmitindo do primeiro ao ultimo tema, uma invulgar paz de espírito. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Dreamtide Dream And Deliver CD,2008,AOR Heaven

Sleepingdog trata-se do projecto a solo da Holandesa, mas residente na Belgica, Chantal Acda, que nos trás agora “Polar Life”, o sucessor de “Naked in a Clean Bed”. Em ambos os álbuns trabalhou com Adam Wiltzie (Stars of the Lid/Dead Texan) que se tornou parte essencial nos ambientes e atmosferas criados. As influências são óbvias, Hanne Hukkelberg, Adem, Notwist ou Lambchop, para não falar nas paisagens Islandesas que são a imagem de marca da sonoridade de Sleepingdog. Sons íntimos, simples e experimentais numa sonoridade que vai para alem do “New-Folk” ou “Folktronica”. Vítor Luís

Empty The Last Breath OfCD,2008,De Thy Mortal Despair Tenebrarum Principio/ATMF

Turbonegra L’Ass Cobra CD,2008, Wolverine Records

Novo trabalho para os Espanhóis Empty, no activo desde 1995. Lembro-me de uma vez ter ouvido uma maquete (“Eternal Cycle Of Decay”, 2000) que me chegou às mãos e de ter gostado da banda. Este é já o segundo disco deste Black-Metallers, editado originalmente em 2005 e agora reeditado pela De Tenebrarum Principio, editora irmã da ATMF. E que disco que aqui temos! Rápido, agressivo, brutal, negro. É assim o som destes Empty. Passagens ambientais, frias e sinistras dão uma dimensão inumana a este “Tbe Last Breath Of Thy Mortal Despair”. Embora não seja a minha sonoridade de eleição para o diaa-dia, gostei do que ouvi. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Robin Isle OfTaylor Black CD,2008,Transubstans Records

Esta é a reedição do 2º disco dos Australianos Kush, “Nah, Tellus Wh’t Kush Means Yer Great Sausage”, datado de 1975. Depois de ter reeditado a estreia “Presents Snow White… And The Eight Straights”, a Aztec Music completa a coisa com esta sequela. Como sempre, estas reedições da Aztec são de luxo, com livrete completo (capas originais, fotos, biografia/histórias várias, letras, etc) e temas extra. Neste disco temos, além dos 6 temas originais, mais 11 bónus a saber: um single de 1975 de Geoff Duff & Kush, o single a solo de 1977 de Geoff Duff, o edit do single “I’m Your Football”, um tema nunca antes editado intitulado “Hey Sam” e 5 temas ao vivo em 1977. Sinceramente, isto é demasiado Funky para o meu gosto. Se ainda tivesse uma forte componente Psych/Folk/Prog, a coisa seria mais agradável. Ou então se a orientação Funk fosse mais linha banda sonora de filme Blaxploitation, mas não, é do mais vulgar e piroso. Ainda por cima está repleto de um humor meio piroso e saloio. O som dos Kush, pelo menos neste 2º disco, já que não conheço o anterior, situa-se algures entre os Earth, Wind & Fire, o R’N’B/Soul/Funk da Motown, Frank Sinatra, James Brown e algum Folk-Prog (pouco). Começa muito

Austrian Death Machine é um projecto solo de Tim Lambesis dos As I Lay Dying. O disco “Total Brutal” é exclusivamente “dedicado” a Arnold Schwarzenegger e aos seus filmes. Sempre com muito humor, por vezes até a rondar o ridículo (humor tipicamente Norte-Americano diria eu), ao longo de pouco mais de 38 minutos vão desfilando temas como “Get To The Choppa”, “I Am A Cybernetic Organism, Living Tissue Over (Metal) Endoskeleton” ou “Screw You (Benny)”. A interligar os temas temos várias passagens faladas pelo próprio Arnold (a voz é mesmo parecida!). Supostamente o vocalista da banda é o sr.universo/actor/governador. O som? Thrash Metal da velha escola com toques Crossover/Hardcore e algumas influências mais modernas. Tim Lambesis compôs, produziu e gravou quase tudo no disco, à excepção de alguns solos gravados por amigos. A música é brutalíssima, Thrash/Crossover do melhor, linha Exodus, Nuclear Assault, SOD, DRI e até nomes mais recentes como os próprios As I Lay Dying. A nível lírico, a coisa até tem graça por momentos, mas depois esgota-se e acaba por retirar algum valor à parte musical. A capa, desenhada por Ed Repka (Megadeth, Death, Nuclear Assault, Atheist, etc), reflecte bem essa componente velha guarda, típica dos discos do estilo nos 90s. Um disco deste levado mais a sério teria um lugar cimeiro no actual cenário metálico e, principalmente, neste presente reviver do Thrash old school. Uma mera curiosidade, talvez, mas que vale a pena experimentar. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Este é já o terceiro disco dos Germânicos Dreamtide e o primeiro para a AOR Heaven. A banda inclui músicos que tocam ou tocaram com Fair Warning, Scorpions ou Uli John Roth. Hard Rock melódico de tendências AOR é o que nos oferecem nestes 14 temas (são 70 longos minutos de música). Excelentes músicos, uma voz fantástica, melodias cativantes, refrões cantaroláveis, tudo faz as delícias do amante deste tipo de sonoridade. Os Dreamtide apostam naquele típico formato de canção que já fazia falta. Hoje em dia todos querem demonstrar uma técnica instrumental exacerbada, com aquelas tendências progressivas, e acabam por se esquecer do mais importante: a canção em si. Gostei do que ouvi mas, como já disse, o álbum é muito longo e peca por isso mesmo. Os “velhinhos” 40 minutos servem o seu propósito. É mesmo necessário encher o CD ao máximo? Então incluam alguns extras em formato multimédia, se a intenção é agradar o consumidor (leia-se: os desgraçados dos fãs que pagam balúrdios por um CD em detrimento de o “baixar” da net). São muitos temas que acabam por saturar e, principalmente, porque a maior parte dos temas alinha na power ballad melosa. Queremos mais “rockers” e menos “ballads”! Para fãs de Scorpions, Whitesnake, Europe, Pretty Maids, Survivor ou Helloween (na sua faceta mais Hard Rock). RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Eles são diferentes, são diferentes dos outros que nos vêm chegando, na generalidade não sei se isso é positivo ou negativo, mas neste caso concreto acho positivo. A grande diferença aqui está na voz de Tom Morris, que vem dar um novo alento a este post-rock progressivo e por vezes psicadélico. Uma voz agoniada com dor, triste, e por vezes enraivecida. Os ambientes são também eles negros e melancólicos, fazem-nos viajar e hipnotizam. Pouco mais de 50 minutos que nos fazem lembrar um Jeff Buckley desiludido com a vida a cantar ao som de Godspeed you Black Emperor, posso ainda mencionar nomes como Low ou A silver Mount Zion. Mas ok, as comparações podem ser relativas ou subjectivas, mas assim, facilmente se percebe o que nos pode oferecer este “The Heritage”, o primeiro longa duração da banda Britânica. Apesar de tudo, sabe um tanto ou quanto a pouco, depois das audições dos dois primeiros singles lançados em 2007, e que me fizeram crescer “agua na boca” para o álbum que haveria de vir. Vítor Luís

Esqueçam Oslo, isto é totalmente Norte-Americano, mais precisamente São Francisco. Uma banda formada apenas com senhoras bem conhecidas na cena Punk Rock de São Francisco a tocar as melhores músicas dos Noruegueses Turbonegro. Aqui não encontramos simples interpretações das músicas dos Noruegueses, mas um estilo “Riot grrrl” totalmente bem implementado. Músicas como “Prince of the Rodeo”, “Just flesh”, “Don’t say motherfucker” e a grande “All my friends are dead” fazem lembrar L7 ou The Distillers e são aqui tocadas e cantadas com toda a garra que o movimento feminino de punk rock nos tem vindo a habituar. Um grande tributo que vai deixar qualquer fã de Turbonegro em delírio e com vontade que eles fossem elas... Vítor Luís

Algures Quando ouço falar da Suécia ou melhor, quando relaciono musica e Suécia na mesma frase, o que me surge de imediato na mente, é a palavra pop. Pode não ter nascido lá, mas foi por essas paragens, que a palavra pop-music atingiu o seu expoente máximo, sim refiro-me obviamente aos ABBA. Depois dessa explosão, não deve haver um único musico seco, que não tenha perdido o receio, de desenhar linhas pop ou construir harmonias perfeitamente solarengas. Aliados a uma forte componente electrónica, os Air France banda que nos chega de Gotemburgo, partem de um universo quase mítico, um mundo povoado por seres de várias cores e feitios. No Way Down [EP] é o segundo trabalho dos Air France, composto por apenas 6 temas, a banda dá passos concretos e seguros, não pretende arriscar em demasia, sustenta a sua musica num electropop atmosférico, auxiliado por uma imensidão de samplers, vai criando pequenas bandas sonoras para curtas metragens imaginárias. “Maundy Thursday” usa cadências resplandecentes, transpira luz por todo o lado; “June Evenings” traz consigo o ambiente cosmopolita de ténues iluminações, é perfeita descrição de um ideal fim de tarde; “Collapsing At Your Doorstep” surge como um tema festivo, como se alguma coisa estivesse para nascer, é a preparação de algo que irá ser muito bom á posterior; em “No Excuses” as guitarras saltitantes vivem como se fossem uma pequena brisa, uma suave e quente aragem, é uma imensidão de sensações, lindíssimo. No Way Down [EP] é perfeito na sua curta dimensão, é todo demasiado delicioso, não dando qualquer hipótese ao aborrecimento, funciona como um elo de ligação entre o actual momento e um local onde qualquer um de nós gostaria de viver. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Helheim Kaoskult CD,2008,Dark Essence/Karisma

Toxic Holocaust An Overdose OfCD,2008,Relapse Death...

Nunca tinha ouvido falar deste senhor mas, pelo que parece, este é já o seu 11º disco a solo. Além de discos a nome próprio, este é também responsável pelos projectos Taylor’s Universe e Taylor’s Free Universe. Pouco mais de 42 minutos distribuídos por 6 faixas instrumentais é o que nos apresenta em “Isle Of Black”. Sinceramente, não encontrei motivo algum de interesse neste disco. Fusão de Krautrock, electrónica, Jazz e Progressivo, o material aqui contido além de ser muito simples é extremamente derivativo e lugar-comum, resultando apenas em desinteressantes deambulações e experiências sonoras por parte de Robin Taylor. É daquele tipo de trabalhos experimentais que dá gozo a um músico e o ajudam a evoluir como tal, mas que para o público em geral tem valor (quase) nulo. Os apreciadores do género poderão vir a encontrar algo de fabuloso que me tenha escapado mas, para já, isto não me diz nada. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Esta é uma one-man-band da responsabilidade de Joel Grind. O novo trabalho “An Overdose Of Death…” é o primeiro através da Relapse e contém 13 temas em pouco mais de 36 minutos e meio. A base do som Toxic Holocaust é o Thrash Metal dos 80s, mas descortinam-se por aqui elementos Punk/ Core/Crust que lhe dão um ar mais cru e sujo. A isto alia-se ainda uma roupagem Rock ‘N’ Roll mais

“Kaoskult” é o novo trabalho de estúdio dos Helheim, veteranos do Viking Metal Norueguês. Ao todo são 41 minutos divididos em 9 novos temas. O estilo é o mesmo de sempre, portanto, mais Viking Metal do mais alto nível, mas neste “Kaoskult” estão muito mais épicos e sinfónicos do que antes. Além desta vertente épica mais acentuada, os Helheim introduzem na sua música alguns momentos progressivos e experimentais, factor que aumenta o interesse em “Kaoskult”. Este trabalho marca o regresso do teclista Lindheim à banda, assim como o regresso às letras na língua mãe (apenas duas faixas são vocalizadas em inglês). Outros pontos de interesse são as participações especiais dos vocalistas Marius Lynghjem (Corvine), Royce (HellHikers) e Bjornar Nilsen (Vulture Industries, também produtor deste disco). Recomendo vivamente a fãs da banda, de Viking Metal e das últimas propostas mais Avantgarde vindas da Noruega. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)


ReinXeed The Light CD,2008,CM Sweden/Rivel Records

Mystery Jets Twenty One CD,2008,Warner

Disco de estreia para este projecto do Sueco Tommy Johansson. Mais uma banda de Power Metal criada por um mestre da guitarra que toca desde os 9 anos de idade. Quando leio este tipo de coisas nas notas de imprensa fico logo de pé atrás. Quase nunca resultam estes projectos. Os tipos tocam muito bem e tal mas, a alma na música que criam é quase inexistente. É tudo muito mecânico. E depois são todos multi-instrumentistas e gravam quase todos os instrumentos, cantam e produzem o disco. É este o caso? Sim. Todo o discurso anterior se aplica. Power Metal ultra-melódico, ultra-rápido, com toques sinfónicos, muito bem tocado, com muitos pormenores e intrincadas composições, mas com pouco sumo, é isto o que ReinXeed apresenta em “The Light”. E para saturara ainda mais, um teor lírico conceptual, de teor cristão, sobre o mal e o bem. Não é que isto seja mau de todo (a voz é sofrível, isso sim) mas, com tantas propostas semelhantes bem melhores, para que mais uma de baixo nível (não em termos instrumentais, já o referi, mas a nível de “alma” e/ ou originalidade)? RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

O charme libertado pela voz de Blaine Harrison, é intenso e fica a pairar no ar como se de um perfume se tratasse, tem uma marca própria, um timbre característico. Os Mystery Jets foram formados em Eel Pie Island (uma ilha do rio Tamisa) e foi nesse meio semi-isolado, que começaram a modelar a sua carreira. Ao conceberem Making Dens (2006) e Zootime (2007) os Mystery Jets superaram o difícil inicio de carreira com distinção, moldando assim dois álbuns de pop/rock bastante competentes. Com uma média acima da média e ano após ano, chega Twenty One e com ele, os Mystery Jets mostram estar num beco sem saída, a criatividade entra em ciclo repetitivo e não se constrói nada de novo, mas o que para muitas bandas é problema complicado, para outras não apresenta qualquer tipo de dificuldade. Apoiados no produtor Erol Alkan, os Mystery Jets planearam um disco brilhante, agarraram o poder que a produção cuidada hoje tem e criaram uma boa quantidade de notáveis canções: “Young Love” (Ft. Laura Marling); Half In Love With Elizabeth; “Flakes”; “Two Doors Down” ou “Hand Me Down”. A sonoridade dos Mystery Jets nasce do cruzamento de bandas dos 80’s e dos anos 00’s, misture-se bandas como os ABC, Talk Talk e bandas The Killers, Franz Ferdinand ou The Futurheads e aí está um som perfeitamente pop-rock, aliás o segredo dos Mystery Jets e deste novo trabalho, reside fundamentalmente na não formatação da banda, os temas vão surgindo uns atrás dos outros, sem grandes regras, sem grandes complexos, musica pelo simples prazer de o ser. Os Mystery Jets não são nem pretendem ser, melhores que os outros, apenas se propõem a ser mais uns e se há muita gente que vê nisso um defeito, existe muito boa gente que interpreta esse dado como banal e corriqueiro, um direito perfeitamente legitimo que qualquer criador de musica tem. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

RockyThe Marsiano Outside Pyramid CD,2008,Loop:Recordings

Misery Index Traitors CD,2008,Relapse

Longe vão os tempos dos Micro. Mais perto - ainda que discutível, se situa o momento da emancipação pessoal e criativa de D-Mars. Foram os tempos do solitário “The Pyramid Sessions” (Loop:Recordings, 2005) de Rocky Marsiano. Do aclamado “The Pyramid Sessions”, diga-se. Pois bem, 2008 fica marcado pelo regresso do autor do disco mais surpreendente de 2005: Rocky Marsiano. Gravado entre Lisboa e Amesterdão, para onde o luso-crota D-Mars se mudou nos últimos anos, “Outside The Pyramid” representa um olhar para lá do primeiro disco. De resto, só não figura nos lugares mais cimeiros do nosso top por uma razão muito simples. Desta vez não nos apanhou de surpresa. O povo não só já conhecia o primeiro disco como já o vira ao vivo com a excelente banda que o acompanha. Já não nos apanhou desprevenidos. Não apanhou mesmo. Naturalmente, a raiz deste disco volta a centrar-se no cruzamento dos seus dois azimutes habituais: o hip hop e o jazz. É fácil catalogar o novo “Outside the Pyramid” com a natural evolução de “The Pyramid Sessions”. É fácil e é verdade. A continuidade existe e é visível desde sempre, no entanto, as franjas que pintam este novo “Outside the Pyramid” também trazem outras cores. O que se vê para lá da pirâmide. Sem desiludir quem vive com “The Pyramid Sessions” em mente, “Outside the Pyramid” também não desilude quem esperava um pouco mais de Rocky Marsiano. Não são viragens repentinas, é certo, são apenas suaves pinceladas que fazem dirigir a arte de Rocky Marsiano para outros campos sonoros: mais electrónica, mais funk, acima de tudo há outros ritmos mais solarengos a darem o ar da sua graça. É o sol que brilha fora da pirâmide. No mundo de colagem de memórias de D-Mars, as presenças do saxofone milagroso de Rodrigo Amado, as guitarras de T-One e André Fernandes e a voz de D_Fine, sem esquecer DJ Ride e o trompete de Joep van Rhijn, voltam a encher o mundo de Rock Marsiano de outras formas. Soa a perfeição aperfeiçoada. Longe de surpreender como o primeiro, “Outside The Pyramid” vem comprovar algo que já sabíamos. O facto de D-Mars ser um dos produtores mais geniais da sua época no seu género. Rui Dinís (a-trompa.net)

Os Misery Index estão de volta com o sucessor do fabuloso “Discordia” de 2006. “Traitors” continua na mesma linha de sempre, fusão de Death Metal, Grindcore, Hardcore e algum Crust com aquele travo “old-school” mas com uma abordagem moderna. As influências continuam lá todas e são sempre as mesmas, passando pelo Death/Grind da velha escola de Napalm Death, Terrorizer, Brutal Truth ou Suffocation, até ao Crust/Core de Assuck, His Hero Is Gone ou Disrupt. É mesmo deste tipo de Death Metal que eu gosto, não daqueles irritantes ataques de blastbeats do início ao fim de um disco (também os há aqui mas de uma forma mais equilibrada). Riffs surpreendentes a voar em todas as direcções, ritmos demolidores que nos criam palpitações no peito, tudo encimado por uma voz grave a meio caminho entre o gutural e a linha Hardcore. Não mudou mesmo nada no som dos Misery Index. Reciclar e regravar. Mas isso interessa mesmo? Nem sempre a repetição de ideias é algo de negativo (que o digam os AC/DC ou os Motörhead). É fixe, é brutal, é “groovy”, é rápido, é viciante, tem alma a rodos. Que se há-de fazer? Curtir e deix’andar. Isto incita mesmo a entrar num quente e suado “moshpit” com os “horns up” bem alto e a fazer “headbanging” como se não houvesse amanhã. Venham mais discos destes. E penso que consegui chegar ao fim da crítica sem escrever um único palavrão. Acreditem que é o que apetece mesmo dizer ao ouvir “Traitors”. Foda-se! Não resisti. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

V/AThe Bar Bound For Festival Tour DVD,2008,People Like You

Mais uma edição em DVD da Germânica People Like You. Infelizmente não tenho acesso ao produto de venda mas sim a um promocional com parte do material. O som também não é o do produto final (espero que o DVD não tenha este som quase “apagado”). Mesmo assim, tenho aqui muito material para avaliar esta edição. As bandas incluídas são Peter Pan Speedrock (extractos de dois concertos diferentes, 5 temas), The Peacocks (9 temas), Angel City Outcasts (3 temas), The Grit (2 temas), Chip Hanna & The Berlin Three (2 temas) e Far From Finished (3 temas). Além dos excertos das actuações de cada uma das bandas, temos ainda direito às habituais passagens rápidas tipo documentário com rápidas entrevistas, “making of’s” e cenas de bastidores. 8 videoclips (aos quais não tenho acesso) de nomes do catálogo PLY fazem também parte dos extras. Pela amostra que tenho em mãos, nota-se que houve um trabalho cuidado em todos os pormenores. Gosto da ideia de intercalar todos os ingredientes (caso usem a opção “play all”). O único senão é não ter legendas (pelo menos o meu promocional) e nas entrevistas às bandas Alemãs não consigo captar nada. Mais uma vez, é pena não ter acesso ao resultado final. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Micah P.The Hinson ... And Red Empire Orchestra CD,2008,Full Time Hobby

Dorido Romance O passado negro e quase sempre auto-destrutivo de Micah P. Hinson, deverá ser certamente uma das principais razões, para tão intensas desilusões, para tanto desengano, para um tão vasto universo de desapontamento. O romantismo de Hinson é arrastado e desgraçado, é doloroso, cruel e atroz. Todas as suas canções são hinos à lastima e ao sentimento mais penoso, musica criada após intensas feridas lhe terem dilacerado o coração. “Tell Me It Ain’t So” surge na névoa como uma liturgia publica, um pedido de ajuda, a tentativa de ainda poder ser socorrido. Um violino e uma guitarra pode ser os melhores amigos, desde que combinados da forma correcta, “Sunrise Over The Olympus Mons” é a melhor descrição disso, os ecos sem fim da guitarra, contrastam na perfeição com a plenitude do violino, a sonolenta voz de Micah faz o resto. A simplicidade de “The Fire Came Up To My Knees” não é mais uma do que uma prova real, de que é possível criar canções sem grandes mordomias, basta um curto dedilhado de guitarra, uma voz potente e meia dúzia de palavras sentidas. “You Will Find Me” é fortemente cinematográfico, poderia muito bem viver dentro de um qualquer filme do Tarantino, tem um ritmo muito próprio, uma intro à anos 60, para depois andar enrolada em permanentes crescendos, pondo um pé no mais cru do folk e ao mesmo tempo nunca abandonar o espírito californiano. …And The Red Empire Orchestra é puro folk de perfil rural, por onde se espraia a musica de Micah, é uma maquina de criação e transmissão de sentimentos, foilhe dando uma mordaz carapaça, onde ele agarrado á paixão e à dor de alma, vai gritando poemas de amor. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Putiferio Ate Ate Ate CD,2008,Robotradio

Esta é a estreia dos Italianos Putiferio (italiano para pandemónio, caos, confusão). São 7 temas em cerca de 35 minutos. Quanto às influências destes Putiferio, podemos falar em Melvins, Neurosis, Jesus Lizard, Mr Bungle, Fantômas, Merzbow, Mars Volta ou Zeni Geva, por exemplo. Post-Rock/Hardcore/ Sludge/Noise sempre com muito peso e uma forte base de experimentalismo sem limites. Gostei muito. Estou a ver que a Robotradio só lança material de alta qualidade. Passei a ser fã da editora e das suas bandas. Recomendo a fãs das bandas acima citadas. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

nesta caminhada, é que a intensidade aumenta de uma forma quase matemática, palavra a palavra, canção a canção, disco a disco, é a construção do cosmos “silveriano” a tomar conta do meu ser. O mais recente trabalho dos Silver Jews, chega na altura em que a ressaca estava a ficar insuportável, a dependência provocada pela necessidade de uma nova dose de canções e de novos poemas de Barman é altamente dolorosa, com Lookout Mountain, Lookout Sea acaba a angustia e abre-se a esperança. “What Is Not But Could Be If” é a abertura perfeita, lenta, intensa, pacifica, é a antítese ideal de todo o disco. A “trilogia” alt-pop composta por “Suffering Jukebox”, “My Pillow Is The Threshold“ e “Strange Victory, Strange Defeat“ é de arrasar com a mais sossegada das almas, é impossível não tomar atenção, é ao mesmo tempo uma brilhante e demolidora sequência. O sexto álbum de Silver Jews é musicalmente um tratado, transborda melodias rock-folk por todos os poros, é Cash, é V.U., é Dylan, um disco mais que perfeito, da mais exemplar banda da actualidade. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Der All Blutharsch When Else Fails! CD,2001/2008,WKN/Tesco

Contrastate A Live Under TheCoal Ashes CD,1992/2008,Tesco Organization

Os Contrastarte formaram-se em 1987 e separaram-se em 2000. Este é um dos seus discos mais aclamados, “A Live Coal Under The Ashes”. Foi originalmente editado em 1992 através da Tesco, e, por se encontrar indisponível há alguns anos, a editora disponibiliza novamente esta pérola do Dark Ambient/Ritual com os temas devidamente remasterizados e uma faixa bónus (gravada também em 1992 mas nunca antes editada). O disco foi inspirado pelos eventos que deram lugar às mudanças na Europa Central e do Leste em 1989. A partir deste disco, a banda passou a focar a sua atenção em assuntos políticos contemporâneos. Drones, percussões, ambientes negros e místicos, narrações ritualistas, tudo isto faz parte do universo Contrastarte. Para fãs de Industrial, Ritual e Drone. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

“When All Else Fails!”, o disco de estúdio de 2001 dos Der Blutharsch, volta a estar disponível numa reedição em formato digipack. 13 temas do habitual Neo-Folk/Martial compõem esta rodela cinzenta. Como habitual também nos Der Blutharsch, os temas não têm título. Participações de Geoffroy D. (Derniere Volonte), Jürgen Weber (Novy Svet), Lina Baby Doll (Deutsch Nepal/Janitor), Martynna e Maya C-Mc-C dão outro colorido à música da banda Austríaca. Apesar do digipack estar fabuloso em termos estéticos, com direito a logótipo em relevo, é pena não termos direito a mais material como textos, fotografias e outras informações. Outro ponto que poderia aumentar o interesse nesta edição seria a adição de temas extra, o que não acontece. De qualquer modo, para quem não tem ainda este disco, uma boa oportunidade de o adquirir. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

It HugsRoom Back Record First Four Singles EP,2008,Phantom Sound & Vision

Silver Jews Lookout Mountain, Lookout Sea CD,2008,Drag Cit

Paganini Medicine Man CD,2008,PaZouZou/GerMusica

Marco Paganini já foi vocalista dos Britânicos Tygers Of Pan Tang e dos Alemães Viva. Depois de deixar os Viva, embarcou numa carreira solo, na qual já trabalhou com diversas nomes da cena Hard Rock. Hard Rock melódico de influências Glam e Blues Rock é o que ouvimos nos 11 temas de “Medicine Man”. Nada de original por aqui, soa até datado. Parece que ainda há pessoal que ficou agarrado aos 80s. Não que isso seja mau mas, uma modernização do som não fazia nada mal ao senhor Paganini. A voz faz-me lembrar uma fusão entre Alice Cooper, Tom Keifer (Cinderella) e Jesper Binzer (D.A.D.). Isto já foi feito nos 80s. Para efeitos de saudosismo, eu prefiro ouvir os originais. Para trintões fãs de Alice Cooper (fase Trash/Hey Stoopid), D.A.D., Cinderella, Ramones, Guns ‘N’ Roses, Poison, Quiet Riot ou White Lion, por exemplo, e que viveram a era Glam Rock. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

ambiência climática evolve o ouvinte de uma forma tocante, são trombas de baixos, é a maquinaria electrónica, são as sequências rítmicas sem fim. Cheira a caril. O último trabalho dos Black Dog (o nono álbum) será provavelmente o meu álbum de electrónica de 2008, mesmo sabendo que é um grande risco afirmar tal coisa (ainda só vamos a meio do ano), vou tentar assumir e defender tal desígnio. Claro que tal tarefa se apraz de fácil cumprimento, isto porque Radio Scarecrow é sem dúvida o disco menos cansativo do ano. Cheira a cravinho. “Train By The Autobahn [Part 2]” continua a sua caminhada, a sua viagem, acalmou, quase que se silenciou na transição entre temas, mas lentamente ganha novamente corpo, tudo volta ao normal, batida enigmática, fatal, descarga electrónica em perfeita compensação. Cheira a pimenta. Radio Scarecrow vai continuando a debitar decibéis de alta qualidade, pequenos oásis de som, pérolas de método, tudo vai continuando em sequencia perfeita, progredindo em ondas perfeitas, pode aqui ou ali surgir um ou outro tempo morto, mas no momento logo seguinte, tudo começa a fazer novamente sentido. Cheira a Black Dog. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Melencolia Estatica Letum CD,2008,ATMF

Verzivatar In The Shadow of Sombre Clouds CD,2008,Old Temple

Os Verzivatar são da Hungria e esta é a sua estreia em longa-duração. Cerca de 31 minutos, divididos por 4 temas, preenchem este CD. Black Metal cru, agreste, frio, agressivo, brutal; é isto que nos propõem. Mas, e originalidade? Pouca ou nenhuma. Mas também já se torna difícil, em qualquer género musical, e então em um tão limitado com é o Black Metal, ainda pior. Mas talvez não seja esse o propósito dos Verzivatar. A voz é irritante, quase sempre gritada e com um tom agudo insuportável. A bateria parece ter sido gravada no local de ensaio, pois tem algum eco e aquele som “choco” sofrível. As guitarras também não vão muito além do básico no género. Não sei, talvez seja a minha aversão a este tipo de Black Metal mais “raw” mas, não gostei nada disto. Próximo! RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Paixão Uma das coisas que mais prazer me dá, nesta coisa da musica, são as paixões inesperadas, aquele sentimento estranho de difícil explicação e de complexa justificação. Gosta-se (e muito) e pronto, é tudo quanto basta. A banda de David Berman tocou-me a alma em 1998, alguém num acto de pura simpatia, alguém agarrou no American Water e disse-me: “ouve, acho que tem muito a ver contigo”… preciosa alma. Depois disso, parti à descoberta do maravilhoso mundo de Silver Jews, primeiro com Starlite Walker (1994) e logo de seguida com o The Natural Bridge (1996). Dessa data até hoje nunca mais perdi o fio à meada, Bright Flight (2001) e a obra prima Tanglewood Numbers (2005). E o mais interessante

Os Dengue Fever são, segundo eles mesmo se apresentam, a primeira banda de Psychedelic Rock do Cambodja. São do Cambodja mas estão radicados nos Estados Unidos. “Venus On Earth” é o seu mais recente trabalho, já o terceiro, e inclui 11 temas de estúdio mais um “live session” como bónus. A fusão de rock psicadélico dos 60s com as já esperadas, e mais que bem-vindas, influências de música tradicional agradam, e muito. A estes aliam-se ainda toques de lounge, surf, jazz, entre outras especiarias que apimentam ainda mais a coisa. Além da vertente “world music”, também a voz principal feminina adiciona um sabor exótico que me atrai imenso. Gostei muito do que ouvi nestes 47 minutos, os quais recomendo a ouvintes de psychedelia, world music, Pop alternativa, mentes abertas o suficiente para apreciar esta pérola e até, porque não, pessoal do Progressivo. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

6Comm & Freya Aswynn The Fruits of Yggdrasil CD,1986/2008,HauRuck/Tesco

O que esperar da ATMF (Aeternitas Tenebrarum Musica Foundation)? Black metal do mais puro, cru, duro, agressivo, negro, sombrio. E é isto mesmo que ouvimos em “Letum”, o segundo disco dos Melencolia Estatica. “Letum” é a designação para uma criatura do submundo da mitologia romana, cujo nome significa “morte”. Este é um disco conceptual que descreve uma experiência de quase-morte na fronteira entre a vida e o além. Black Metal sombrio e frio, com toques ambientais e sinfónicos é o que nos oferecem nestes 5 temas, que não ultrapassam os 38 minutos de duração. Na minha modesta opinião, não é nada do outro mundo, mas tem os seus pontos de interesse. Talvez uma pessoa mais versada no subgénero poderá encontrar aquele “je ne sais quoi” que eu não encontrei, e que poderá pôr os Melencolia Estatica acima dos seus pares. Apenas para fãs do Black Metal mais extremo. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

AgendaOfOfHuman Swine Waves Suffering CD,2008,Relapse

The Black Dog Radio Scarecrow CD,2008,Soma

Esperança É uma simples e curta apresentação, aliás não passa de uma elementar recolha dos 4 singles já editados por esta banda de Kent, England, entre 2006 e 2008. Os It Hugs Back são três amigos, que passaram grande parte da sua adolescência colados a Sonic Youth, My Blood Valantine, Lush. O resultado é impressionante, bandas agarradas às influências atrás referidas, deve haver às centenas, o que distingue os It Hugs Back de todas as restantes, é a sua qualidade enquanto banda. A sussurrante voz de Matthew equilibra toda a estrutura musical, de forma que tudo parece uniforme e de uma simplicidade atroz. Record Room – First Four Singles [EP] foi gravado de forma cronológica e uma das coisas que mais me chamou a atenção, foi a carácter e a marca deixada por todos os temas, há um contínuo e permanente talento, que dificilmente passará despercebido ao ouvido do melómano mais atento. “Little Steps”, “Saving”, “Sometimes The Sun” e “Soft Spot” são 4 pequenos diamantes, já completamente polidos e que apenas aguardam a exibição que merecem. Record Room - First Four Singles [EP], não é mais do que a apresentação do longa duração, que irá sair muito provavelmente até ao fim do ano, aguardemos então... António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Dengue Fever Venus On Earth CD,2008,M80/Real World Records

Este disco foi originalmente editado em 1987 e, após 21 anos, tem direito a reedição de luxo em CD. No belíssimo digipack encontramos o artwork original, assim como textos, fotografias e letras de todas as faixas. “The Fruits Of Yggdrasil” foi uma colaboração entre 6comm e a auto-proclamada ocultista Nórdica, Freya Aswynn. Musicalmente, 6comm trabalha nos terrenos do Industrial, experimental e electrónica. Quanto a Freya Aswynn, o seu passado musical inclui participações com os Current 93. Neste disco encontramos 9 faixas obscuras e depressivas de Ritual/Neo-Folk/Industrial, cortesia de 6comm, acompanhadas por “spoken words” de Aswynn com temáticas apoiadas na mitologia Nórdica. Não me agradou particularmente mas, mesmo assim, tem alguns pontos de interesse e poderá ser uma boa aposta para quem gosta de sonoridades industriais/ ritual e temáticas rituais e pagãs. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Stonefuze Stonefuze

CD,2008,CM Sweden/Rivel Records

Aromática Viagem A nebulosa musical que surge no horizonte, logo que surgem os primeiros acordes de “Train By The Autobahn [Part 1]”, faz-me transpirar de uma forma exótica, não é apenas suor, é algo mais, algo subtil, qualquer coisa misteriosa. Cheira a canela. Poderia sem dúvida nenhuma atribuir, poderes mágicos à musica dos Black Dog, tal é a forma contagiante com que os pés necessitam de marcar o compasso, é irresistível, é arrebatador. Toda a

Incluindo no seu line-up elementos de bandas como Benumb (Pete Ponitkoff, vocalista), Vulgar Pigeon (Jeff Lenormand na guitarra, John Gotelli na bateria) ou Alter Ego (Jason Benham, guitarra), estes Agenda Of Swine (completa-se a banda com Emad Jaghab no baixo) apresentam-nos o seu disco de estreia “Waves Of Human Suffering”. São cerca de 35 minutos divididos por 13 temas de fusão Grindcore, Crust e Crossover (inícios dos 90s). Alternando entre o material mais rápido e o mais lento e groovy, entre o material de orientação mais metaleira e o de linhagem Punk/Crust, os Agenda Of Swine conseguem manter o ouvinte atento do início ao fim. O som está suficientemente nítido e poderoso mas mantém a crueza necessária ao género. Para quem gosta do seu Grindcore mais old-school com a mistura certa de elementos Punk e Thrashcore. Para fãs de Napalm Death, Brutal Truth, Benediction, D.R.I., Cryptic Slaughter, Adrenalin O.D., Nausea, Die Kreuzen ou Benumb. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Desde 1989 até hoje, estes Suecos Stonefuze passaram por diversas mudanças a nível de denominação (Cornerstone, Cornerstone SWE, Stonefuze) e de sonoridade (desde os inícios Southern Rock com algum material acústico, passando por um Blues Rock, até ao som Heavy/Hard Rock de hoje em dia). Este é o primeiro disco sob esta denominação Sto-


nefuze e o mais pesado da banda. Hard Rock com tomates, pesadão, duro, com muita melodia, atitude e alma é o que podemos ouvir nestes 11 temas (40 minutos de duração). As influências do seu passado notam-se muito bem, desde o Southern ao Blues Rock, passando pelo Heavy Rock dos 70s. Há até alguns toques de Heavy/Doom clássico que me agradam muito. Gostei muito do que ouvi. Para fãs de AC/ DC, Thin Lizzy, Black Sabbath, Deep Purple, Saxon, Rose Tattoo, Tygers Of Pan Tang, Trouble, Candlemass, Witchfinder General, Saint Vitus, Iron Maiden (inícios), Judas Priest (inícios), Godsmack, etc. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

The Black To Angels Directions Seek a Ghost CD,2008,Light In The Attic

Adam West ESP: Extra Sexual Perception CD,2008,People Like You

The Battalion Stronghold Of Men CD,2008,Dark Essence/Karisma

The Battalion é uma nova banda Norueguesa que inclui ex-elementos de bandas como Old Funeral, Taake, Borknagar, Grimfist, Bombers, etc. Depois de um 7” eis que surge o disco de estreia através da Dark Essence. 36 minutos e meio de Black/ Death/Thrash bem old-school é o que nos apresentam nestes 11 temas. Ruidoso, cru, sujo, agressivo, sem regras. É assim o som deste Battalion. Nomes como Iron Maiden, Motörhead, Venom, Possessed, Celtic Frost, Discharge, Amebix, GBH, Sodom, Kreator (inícios), Sepultura (inícios), Destruction, Nuclear Assault, e outros que tais, não são estranhos a estes senhores. Gostei do som, gostei da atitude, gostei da alma (bem negra., como se quer!). Muito bom! Recomendado a fãs do Thrash/Death da velha escola. Realce ainda para uma participação especial de Abbath dos Immortal. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Heavenwood Redemption CD,2008,Recital

Finalmente temos direito a um novo trabalho dos Heavenwood. Depois de uma promissora estreia com “Diva” em 1996 e a confirmação com o fabuloso “Swallow” em 1998, seguiu-se um interregno que durou quase 10 anos. No ano passado surgiu um novo trabalho promocional e alguns concertos esporádicos. Em Dezembro desse mesmo ano a banda assinou contrato com a Portuguesa Recital, nascendo agora em Setembro de 2008 o fruto dessa colaboração. Os Heavenwod estão de volta com toda a força e “Redemption” traz 10 novos temas de Dark Rock/Gothic Metal que em nada ficam a dever às anteriores propostas. Conseguem até fazer a ponte entre o registo Gothic/Doom/ Death melódico de “Diva” e o registo mais limpo de Dark/Gothic Rock/Metal de “Swallow”, balançando na perfeição todas as vertentes e facetas da banda. À semelhança deste último, “Redemption” tem também participações especiais, neste caso de Jeff Waters (Annihilator), Gus G (Firewind) e Tijs Vanneste (Oceans Of Sadness). Com produção, mistura e masterização de Jens Bogren nos Fascination Street Studios na Suécia, assim como uma ajuda do baterista de sessão Daniel Cardoso (Head Control System, ex-Sirius), o disco tem um som forte, cheio e pesado, mas limpo o suficiente para se conseguir perceber todo o trabalho instrumental e de vozes. Excelentes riffs/solos/melodias de guitarra, secção rítmica forte e coesa, voz versátil, boas ideias bem executadas, ambientes ora negros ora melódicos, o disco tem um pouco de tudo para agradar os fãs do género. O estilo é o mesmo de sempre mas não soa datado, podendo ser considerado o sucessor natural de “Swallow” e, sem dúvida alguma, o passo em frente em relação a essa proposta. Gostei muito do disco e estou ansioso por os voltar a ver ao vivo, agora com este novo material. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Branches” (Transporte de Animais Vivos, Honeysound, 2006). Nesta e sem surpresas no alinhamento, torna-se surpreendente - ou não - ver como ao vivo aquelas canções ganham uma energia própria, uma vida a sério, sem nunca perderem uma clara identificação com o disco. Chega a ser emocionante o embalo que a voz de Filipe Miranda impõe, sempre bem amparada pelo rigor simples da guitarra e bandolim de Nuno Fernandes e pela percussão de Pedro Oliveira. E porquê? Porque é no palco que o intimismo de The Partisan Seed se revela verdadeiramente. Não é perfeito - ao vivo quase nunca o é, mas o que se ouve, é cativante, profundo e sincero. Com melodias simples, ressalta o bom gosto de sempre depositado nos arranjos. Que bom que foi recordar “Visions of Solitary Branches”. Muito bom. Obrigado. Rui Dinís (a-trompa.net)

Okkervil River TheCD,2008,Jagjaguwar Stand-Ins

Saudável Repetição O regresso á distorção equilibrada e ponderada, faz-se ao som Directions To Seek A Ghost o mais recente álbum de The Black Angels. Em Passover o excesso de riffs e as constantes deformações sonoras das guitarras, aproximam a banda de nomes como Jesus & The Mary Chain, Dinosaur Jr. ou até mesmo de uns Spacemen 3, com Directions To Seek A Ghost a banda torna-se mais introspectiva e mais soturna. Ao segundo álbum os texanos, levantaram o pé e produzem um disco melancólico, tristonho e nostálgico, deixam de viver num mundo a preto e branco, para agora se passearem num universo com imensos cinzentos. Directions To Seek A Ghost puro Neo-Psychadelia, vai ao encontro dos ambientes criados por Black Mountain mas sem a mestria de McBean, penso que o ideal será arrumar este trabalho de The Black Angels, na mesma prateleira de Black Rebel Motorcycle Club, são imensos os pontos de contacto entre as duas bandas, desde as semelhanças vocais, ao efeito repetitivo e circular resultante do permanente arrastar de toda a componente instrumental. Com Directions To Seek A Ghost os The Black Angels, marcam uma direcção, mas não vincam nem deixam uma grande marca, penso que terá sido propositado, já que tudo soa a uma perfeita descontracção sonora, onde tudo é feito com suaves nuances e tranquilas fusões entre rock e os ambientes perfeitamente psicadélicos. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Os Adam West estão de volta com mais uma descarga de Rock ‘N’ Roll/Punk/Hard Rock. São 12 novos temas rápidos, groovy, enérgicos, crus, agrestes, barulhentos, selvagens, puros. O som dos Norte-Americanos continua na mesma, portanto. E isso é óptimo! Para quem ainda não conhece (o quê?), imaginem uma fusão de 60s Psychedelic Rock, 60s Garage Punk, Punk ‘77, 70s Heavy Rock, Hard Rock/Punk da cena Australiana dos 70s e bandas como Motörhead, AC/DC, Rose Tattoo, MC5, Misfits, Black Sabbath, Stiff Little Fingers, Vibrators, Radio Birdman e Iggy & The Stooges. A produção crua e suja, tipo ensaio na garagem, ajuda muito ao espírito “old-school” e pureza da música. Riffs fabulosos, ritmos que convidam ao movimento, voz rouca, atitude a rodos. Nunca os vi ao vivo mas deve ser uma festa! Punho fechado no ar, cerveja na mão, cara de mau (com um sorriso a escapar pelo canto da boca), muito suor e “headbanging”. Estão vivos e recomendam-se! RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

Charing CrossCross We Are... Charing CD,2008,Metal Heaven

Richard SwiftJaw Ground Trouble EP,2008

Alma Soul O mais recente EP de Richard Swift é um pequeno deslumbre. Swift é um facto consumado, já não espanta, já não causa qualquer surpresa. Swift é um rapaz sobredotado, vai construído a espaços (muito curtos, diga-se) tema após tema, vai esboçando a sua ainda curta carreira. Em 2008 já lançou uma colecção de temas com Richard Swift as Onasis, 20 temas correndo um pouco todos os géneros, um álbum para todos os sentidos. Ground Trouble Jaw [EP] é um curto e delicioso passeio pelo lado mais soul do espírito de Swift. Requinte e apuro são a sua imagem de marca, não é preciso grandes revoluções nem uma grandiosa produção, basta ser dotado de uma voz competente e ter uma excelente capacidade para desenhar meia dúzia de temas. Ground Trouble Jaw [EP] surge vindo do lado mais negro de Swift, 5 temas inundados pelas águas mais turbas da soul americana. Com “Would You?” descobre-se que a voz de Swift, chega dos confins da alma e mesmo carregado uma imensa dor, chega apinhada de esperança. “Lady Luck“ é soul em formato virgem, tudo perfeito, tudo intocável. “The Original Thought” soa a poema dorido, é provável que tenha acontecido algo, Swift deixa transparecer algumas coisas, mas não tudo, fica a meio caminho do problema e de coisa nenhuma. No final do EP surge “A Song For Milton Feher”, este sim um Richard Swift mais identificável, a praticar aquela sua folk-pop já tão caracteristica, feita de pequenos nadas. Se por um lado Ground Trouble Jaw [EP] peca por ser curto (dura apenas alguns curtos minutos), por outro lado está disponível gratuitamente, o que não só é uma boa ideia, como se está (e ainda bem) a transformar num hábito. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Apesar de terem tido uma breve existência nos 80s e, após isso, uma reformulação em 1993, só em 2008 é que estes Suíços vêem a sua estreia em disco. Produzido pela própria banda, este “We Are… Chring Cross” inclui 12 temas de Hard ‘N’ Heavy com muito Groove, forte, melódico e com boa onda. Infelizmente, o que nos oferecem não é muito original e já foi feito inúmeras vezes por outras bandas. E com resultados bem mais positivos. Mas não me interpretem mal, o que aqui está é bom, mas não atinge a meta do genial. Nem de longe. Alternam entre os temas de Hard Rock mais melódicos e groovy e os temas mais rápidos de Heavy Metal (com algumas tendências Power). Como não podia deixar de ser, a famigerada “power ballad” também marca presença. Pretty Maids, Stratovarius, Europe, Victory, Ratt ou Edguy são nomes a ter em conta quando se fala dos Charing Cross. Ouve-se bem mas acaba por se esgotar rapidamente. Para os completistas e fãs “diehard” do género. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

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2ª Parte Com Black Sheep Boy fizeram-se notar, disseram um olá ao mundo e tornaram-se conhecidos. Decorria então o ano de 2005 e os Okkervil River assinavam um disco folk-country, repleto de negras paisagens rurais, onde o caótico se sobreponha á harmonia. Em 2007 surge a primeira parte deste disco duplo. The Stage Names começa a esboçar a intenção de se libertarem, daquela imagem mais sombria, com a qual eram conotados, com a chegada de The Stand-Ins (a segunda parte do duplo álbum) os Okkervil River construíram definitivamente uma clarabóia, através da qual pequenos raios de luz, vão iluminar o espaço cinzento e algo insalubre onde se movimentavam e cresciam. The Stand-Ins mostra em definitivo uma banda mais aprumada, com ideias cristalinas e delicadas, onde se pratica um folk festivo e alegre “Lost Coastlines” é a perfeita imagem disto, suave e compreensível seja a nível musical ou a nível literário. “Singer Songwriter” tem um encanto precioso, alonga-se no tom descritivo, sem nunca perder a parte harmoniosa. Com “Blue Tulip” chega o cântico em forma de desespero, de inicio delicioso até à zona assombrosa. Will Sheff e os seus rapazes de Austin, completam assim a segunda parte do álbum duplo. Somando The Stage Names e The Stand-Ins, resulta que a pop e a country-folk podem conviver no mesmo quarto, partilhar a mesma cama, sem existir uma necessidade de transformarem em amantes. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

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Star Fucking Until We’reHipsters Dead CD,2008,Fat Wreck Chords

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The Partisan Seed Bootleg DIY1 CD,2008

“Live Visions” na FNAC… Na realidade, está longe de ser uma visão. A bootleg oficial que The Partisan Seed distribuiu este ano à imprensa é uma pequena maravilha. Gravada ao vivo - e bem - na FNAC de Matosinhos, em 2007, “Bootleg DIY1″ revisita com paixão o álbum “Visions of Solitary

Este é um super projecto de Nova Iorque que envolve membros de Leftover Crack, The Slackers, Choking Victim, The Degenerics ou World Inferno Friendship Society. Três homens e duas mulheres fazem parte da banda (gosto sempre de enfatizar o envolvimento de mulheres em bandas alternativas). Muito à semelhança dos Leftover Crack, estes Star Fucking Hipsters fazem uma fusão de estilos, com as letras sociopolíticas de Sturgeon (vocalista dos L.C.) a marcar presença. Um álbum heterogéneo que vai do Streetpunk ao Ska, passando pelo Hardcore e até algum Crust. Entre temas mais rápidos, mais calmos, mais melódicos, mais sujos, mais dançáveis, há um pouco de tudo em “Until We’re Dead”. Além da fusão de géneros, a dualidade voz masculina/feminina é outro dos factores de heterogeneidade do projecto. Não sou grande adepto deste tipo de misturas mas os SFH fazem-no bem e o disco soa coeso. Soa puro, directo, sincero. Não sendo nada de transcendental, o disco ouve-se bem de início ao fim. Direccionado para os fãs de Leftover Crack, Citizen Fish, NOFX, The Slackers, Conflict, Subhumans, etc. RDS (www.fenixwebzine.blogspot.com)

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checksound nr 8