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Análise

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ÍNDICE

AOS LEITORES

6 Vitória da pluralidade

A parceria de sucesso dos leitores com ANÁLI$E, uma publicação pluralista que defende os interesses do Rio Grande do Sul e o fortalecimento da democracia no Brasil.

ENTREVISTA

8 Mais qualidade, globalização e vinhedos descentralizados

O jovem Adriano Miolo é um dos líderes da frente que vem acrescentando cada vez mais qualidade aos vinhos finos brasileiros. Conhecedor do que há de melhor pelo mundo afora, o diretor-técnico da Miolo Wine Group diz que a base desse avanço está no uso de novas tecnologias na elaboração de vinhos, como mudas certificadas, manejo por espaldeira, enologia mais racional de vinificação e uso da madeira. Além disso, ele ensina: "É preciso descobrir as potencialidades de cada região".

VITIVINICULTURA

24 Nosso vinho começa a despertar emoções

Os produtos do Vale dos Vinhedos passarão a contar com certificado de origem, assim como acontece na França, valorizando nossa produção.

INDÚSTRIA PLÁSTICA

ARTIGOS

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18 Em defesa da extensão rural

Mais competitividade para a terceira geração do setor petroquímico Projeto do governo do Estado pretende aumentar o poder de fogo das empresas gaúchas de plástico, um segmento composto por cerca de 900 companhias, responsáveis por mais de 25 mil empregos diretos e com faturamento superior a R$ 3 bilhões.

Por Caio Rocha

19 Geração biológica de eletricidade: um novo passo para a sustentabilidade

Por Christiane Saraiva Ogrodowski e Fabricio Butierres Santana

4 l ANÁLI$E


PEQUENAS E MICROEMPRESAS

SUPLEMENTO

20

Serviço de excelência Sebrae/RS possibilita a qualificação de 80 companhias do setor metalmecânico que fornecem para o Grupo Gerdau.

3 Rumo à ISO 14001

PORTOS E HIDROVIAS

28 Em Rio Grande, o futuro já chegou

Companhia Riograndense de Mineração (CRM) implanta Sistema de Gestão Ambiental.

6 Engajamento Com calado ampliado, região portuária já registrou o maior volume de carga embarcada em um só navio.

DO BOM E DO MELHOR

29 Mercado de luxo

Segmento cresce a uma surpreendente taxa anual de 35% a 40%.

30 Paixão pela carne Festival do assador agora é permanente no Vermelho Grill.

O trabalho diário do Grupo CEEE para minimizar os impactos decorrentes de suas atividades.

7 Tijolos ecológicos

A Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) negocia parcerias com a iniciativa privada com o objetivo de programar processos construtivos para a fabricação de blocos a partir do uso de cinza de carvão e cal como matéria-prima.

Maio de 2010 l 5


AOS LEITORES

Vitoriosa parceria POR HÉLIO GAMA NETO*

D

esde o seu lançamento como anuário, em 2005, a revista ANÁLI$E tem sido uma fiel parceira de estudiosos, empreendedores, empresários, executivos, políticos e governantes que colocam os interesses da sociedade gaúcha acima de suas paixões ideológicas e de seus inte-

resses econômicos ou corporativos ou pessoais.

Maio de 2010 l Nº 14 l Ano 5 Redação: Saldanha Marinho, 30, 303 Porto Alegre (RS) - CEP: 90160-240 Telefone - (51) 3223.3185 E-mail: contato@analiseregional.com

Essa parceria, aliás, não foi em vão. ANÁLI$E tem propugnado e apoiado todas as iniciativas que foram concretizadas desde aquela data ou que serão realidades em futuro próximo. Elas constituem importantes fundamentos para o momento de prosperidade do Rio Grande do Sul. ANÁLI$E, como podem testemunhar seus leitores fiéis e os que quiserem examinar suas edições anuais, semestrais, bimestrais e mensais, tem defendido várias teses vitoriosas, como os exemplos listados a seguir: o equilíbrio das finanças públicas; a retomada das funções de Estado das mãos das corporações que as privatizaram; a modernização e redução de custos de educação, saúde e segurança; a montagem de uma infraestrutura capaz de reduzir os custos da logística, atrair novos investimentos e garantir mais segurança para mercadorias e pessoas; o ingresso do Estado em novos setores, como biocombustível, indústria naval, cadeias de base florestal, laticínios e turísticos; o desenvolvimento da irrigação e drenagem para revolucionar a produção de alimentos; e, no que se refere à sua responsabilidade social, de ser um agente em favor da democratização da informação. Os resultados dessa parceria têm sido magníficos. O Rio Grande do Sul está no caminho seguro de um crescimento econômico veloz e sustentável, capaz de suportar as pressões de uma segunda rodada da crise econômica mundial que parecia dominada. Esse cenário é mais uma vez bem retratado aqui, nesta edição de número 14. Destaque para a fantástica evolução da nossa vitivinicultura e a zelosa ação de algumas das nossas principais empresas no quesito sustentabilidade. ANÁLI$E se orgulha de ter participado dessa caminhada, sempre reconhecendo a importância das decisões que contribuíram para esses bons resultados, assim como

Editor: Hélio Gama Neto Planejamento Gráfico: Kraskin Comunicação Ilustrações: Cristiano Chaui Colaboradores: Ana Maria Stella de Albuquerque, Carol Walfrid e Ivan Carvalho Fotos: Divulgação e Danny Bittencourt Textos: Guilherme Arruda, Hélio Gama, Hélio Gama Neto, Ita Pritsch, Jefferson Klein, Laura Fraga, Leticia Marchetti e Marianna Senderowicz. Revisão de textos: Zoleva Carvalho Felizardo Comercial: Mauro Kanarzveski e Rogério Turelly Impressão: Gráfica Editora Pallotti Revista ANÁLI$E é uma publicação de:

os acertos de seus autores. Mas nem sempre a tranquila posição independente de ANÁLI$E tem sido bem compreendida. Alguns desejam ter servos e apoiadores incondicionais, e não parceiros independentes que reconheçam a existência de um mundo caracterizado pela pluralidade. Essa publicação apoia teses e soluções das mais diferentes origens e precisa continuar fazendo isso para merecer a credibilidade que conquistou nesses cinco anos de existência. A parceria de ANÁLI$E é com o Rio Grande do Sul e seu povo. E isso é reco-

Desde 1989 Fundador: Hélio Gama

nhecido como suficiente por todos aqueles que desejam, de fato, e acima de tudo, o

Os artigos assinados não representam

fortalecimento da democracia no Brasil.

a opinião da revista

*Editor

6 l ANÁLI$E

Para anunciar ou assinar, ligue: (51) 3062.1388


ENTREVISTA / Adriano Miolo, enólogo e diretor-técnico da Miolo Wine Group Fotos: Divulgação

Visão global PROFUNDO CONHECEDOR DA VITIVINICULTURA EM TODO O MUNDO, ADRIANO MIOLO É UM DOS LÍDERES RESPONSÁVEIS PELA CONSTANTE MELHORA DOS VINHOS FINOS BRASILEIROS

8 l ANÁLI$E


POR GUILHERME ARRUDA

A

vitivinicultura brasileira percorreu várias fases desde a chegada das primeiras barri-

cas trazidas nos porões das caravelas de Cabral, passando pela vinda dos imigrantes italianos, em 1875, das multinacionais, na década de 70, até chegar aos dias atuais. Nada, contudo, é comparável à espantosa evolução ocorrida nas últimas duas décadas, a melhoria da qualidade dos vinhos e dos espumantes. Os empresários saíram das suas aldeias. Foram buscar conhecimento lá fora e voltaram carregados de planos. Sabe-se, hoje, que o Brasil tem um dos melhores terroirs do mundo para espumantes. Mas é preciso uma boa dose de humildade para reconhecer que a distância que nos separa dos franceses, dos italianos, dos espanhóis ou dos portugueses é enorme, muito embora sejamos elogiados e premiados em cotejos às cegas com os melhores exemplares do Velho Mundo. Enfim, a viticultura ganhou visibilidade entre produtores do chamado Novo Mundo, graças à dedicação e à liderança de muitas forças locais que pensaram o conjunto ao invés de lutarem por interesses isoladamente. Uma dessas lideranças é o empresário Adriano Miolo, diretor-técnico da Miolo Wine Group, incansável defensor do vinho brasileiro, uma pessoa admirável, simples e simpática, personalidade marcante no mundo do vinho em função da visão que tem do mundo vitivinícola. Ele é um dos principais responsáveis pelo salto de qualidade e imagem do vinho brasileiro.

NOVAS TECNOLOGIAS, COMO MUDAS CERTIFICADAS, MANEJO POR ESPALDEIRA, ENOLOGIA MAIS RACIONAL DE VINIFICAÇÃO E USO DA MADEIRA: MAIS QUALIDADE Adriano é bisneto do patriarca Giuseppe Miolo, italiano vindo de Piombino Dese, Vêneto, em 1897. Foi ele quem adquiriu o Lote 43, marco zero na caminhada da família Miolo. Após formar-se no Curso Técnico de Enologia, em Ben-

to Gonçalves, viajou para Mendoza (ARG) para fazer o curso superior e, finalmente, mais quatro anos de mestrado em Marketing do Vinho, que o levou a estudar em 12 países. Nesta entrevista, ele fala das transfor-

Maio de 2010 l 9


ENTREVISTA / Adriano Miolo, enólogo e diretor-técnico da Miolo Wine Group

Um dos desafios de Adriano é garantir maior consumo dos vinhos de preços mais acessíveis e de qualidade

mações do setor nos últimos anos, dos planos para o grupo - no momento os esforços estão focados na Almadén - de tornar-se o maior do Brasil e como percebe o futuro para o vinho brasileiro. Revista ANÁLI$E - O que mudou no setor nos últimos cinco anos? Adriano Miolo - A qualidade. Isso é resultado de novas tecnologias na elaboração de vinhos, como mudas certificadas, manejo por espaldeira, enologia mais racional de vinificação e uso da madeira. Desde a safra de 2005, a vitivinicultura sofreu grandes transformações. ANÁLI$E - Na nova geografia do vinho, quais as características que podem ser identificadas em cada um dos polos? Adriano - É preciso descobrir as potencialidades de cada região. No Vale

10 l ANÁLI$E

do São Francisco, por exemplo, sabe-se que a vocação é para o Moscatel. Na Serra Gaúcha, para o espumante clássico e o Merlot. Na região da Campanha, para o Cabernet Sauvignon e o Pinot Noir. Há outras regiões, como os Cam-

ANÁLI$E - Você considera positiva a adoção do Selo de Qualidade para os vinhos e derivados?

pos de Cima da Serra, Planalto Catarinense, Serra do Sudeste que devem aprofundar as pesquisas sobre as melhores cepas para as suas regiões. Na realidade, o que tem acontecido é a descentralização de vinhedos.

dos, acaba com a falsificação e a sonegação. A indústria é altamente atrativa para sonegação. É claro que isso não acontecerá de uma hora para outra. O efeito prático será a partir de 2011, com o controle fiscal mais apurado.

ANÁLI$E - Como você vê o futuro para o vinho brasileiro? Adriano - O futuro passa necessariamente pelo mercado. O consumidor, aliás, começa a ver e a identificar produtos de qualidade na frente do trade. Ele está se antecipando porque sente que o vinho melhorou. O trade precisa olhar isso.

ANÁLI$E - E os planos da Miolo Wine Group? Adriano - O passo imediato é consolidar os projetos, como Almadén, Seival e Ouro Verde. Queremos ser a maior e a melhor vinícola do Brasil. Esse desejo não é de agora. Existe desde a criação do planejamento estratégico que prevê metas até 2012 - 1,2 mil ha e 12 milhões de

Adriano - Vejo como uma função ética. É uma medida que chega para conter o contrabando. O selo é para to-


litros produzidos. Com a chegada da

cem dólares. Agora qual é o seu próxi-

Almadén, refizemos o planejamento que, agora, vai até 2018. Ele sinaliza al-

mo desafio? Adriano - Meu desejo agora é fazer o

cançar 2,0 mil ha de vinhedos próprios (maior vinhedo brasileiro) incluindo os

consumidor brasileiro valorizar os vinhos de R$ 10 que tenham qualidade.

seis empreendimentos, mais 300 ha de produtores integrados; 20 milhões de litros anuais de vinhos e espumantes e exportação de 40% da produção. ANÁLI$E - E a projeção de receitas? Adriano - Em 2009, o faturamento foi de R$ 95 milhões. Para 2010, a expectativa é de alcançar R$ 125 milhões. ANÁLI$E - Certa vez você disse que gostaria de fazer um vinho de

Miolo Wine Group ■ Vinícola Miolo (Vale dos Vinhedos-RS) ■ Fortaleza do Seival Vineyard (Campanha-RS) ■ RAR (Campos de Cima da Serra-RS) ■ Lovara Vinhos Finos (Serra Gaúcha-RS) ■ Vinícola Ouro Verde (Vale do São Francisco-BA) ■ Via Sul (Chile) ■ Osborne (Espanha, Portugal) ■ Los Nevados (Argentina)

SELO DE QUALIDADE: TEM FUNÇÃO ÉTICA, ACABA COM A FALSIFICAÇÃO E COM A SONEGAÇÃO


INDÚSTRIA PLÁSTICA

Empresários e governo querem "turbinar" setor do plástico PROGRAMA PREVÊ BENEFÍCIOS FISCAIS PARA EMPRESAS QUE INVISTAM EM REGIÕES MAIS CARENTES POR JEFFERSON KLEIN

U

ma das áreas mais importantes da economia gaúcha, o segmento do plástico, está prestes a receber do governo do Rio Grande do Sul um apoio para seu crescimento. O secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Se-

14 l ANÁLI$E

dai), Josué Barbosa, adianta que a meta é agregar valor a essa atividade. Para alcançar esse objetivo, a ferramenta a ser utilizada pelo governo do Estado é o Integrar-RS. O programa funciona como uma espécie de "Fundopem turbinado" e prevê benefícios fiscais para empresas que invistam em municípios que apresentem maiores dificuldades econômicas.

"Nossa ideia é de que o Integrar também possa favorecer alguns setores relevantes, entre os quais o do plástico", explica Barbosa. O secretário acrescenta que a questão ainda será discutida na Assembleia Legislativa. Ele enfatiza que somente poderão se habilitar ao Integrar companhias que realizarem novos investimentos, ampliações ou aumento do número de postos de trabalho.


Foto: Divulgação/Sedai

Foto: Tânia Meinerz

Segundo Barbosa, as vantagens fiscais concedidas pelo Integrar não significarão uma perda de arrecadação para o Estado, pois a perspectiva é de que se eleve a produção de plástico e, por consequência, o incremento de vendas deve compensar o subsídio. Além disso, Barbosa espera que o Integrar possa atrair novos empreendedores. O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast/RS), Alfredo Schmitt, destaca que a medida aumentará a competitividade das empresas gaúchas de transformação de plástico. Ele enfatiza a relevância estratégica da cadeia do plástico para o Rio Grande do Sul quanto à geração de empregos e movimentação da economia. O segmento é composto por, aproximadamente, 900 companhias responsáveis por cerca de 25 mil empregos diretos e, em 2006, alcançou o faturamento de R$ 3,5 bilhões. O dirigente comenta ainda que outros pleitos estão sendo debatidos com o governo do Estado para melhorar as condições de disputa das empresas gaúchas, principalmente em relação às rivais localizadas na vizinha Santa Catarina. Outro programa que interessa ao setor petroquímico, ressaltado por Schmitt, é o BNDES Proplástico. Para ele, a iniciativa permitirá a modernização e crescimento do setor.

Presidente do Sinplast, Alfredo Schmitt

BNDES injeta R$ 700 milhões O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a criação do programa específico de financiamento para a indústria de transformados plásticos. Com recursos que somam R$ 700 milhões e prazo de vigência que vai até 30 de setembro de 2012, o novo programa contempla ações ligadas à produção, inovação, reciclagem, consolidação e internacionalização de empresas. Com isso, o BNDES Proplástico pretende também contribuir para a redução do déficit comercial da cadeia produtiva de plásticos, promovendo a maior inserção do Brasil no mercado internacional. A medida abrangerá companhias de todos os portes. Os beneficiários serão

Secretário da Sedai, Josué Barbosa

sociedades empresárias como produtor, fornecedor de equipamentos, reciclador e distribuidor. O valor mínimo das operações a serem apoiadas no âmbito desse programa é de R$ 3 milhões. O custo financeiro do BNDES Proplástico terá como base a TJLP (atualmente em 6% ao ano). A remuneração básica do BNDES varia de acordo com o tamanho da empresa, sendo de 1% ao ano para as pequenas. As taxas de risco de crédito das operações de companhias com faturamento bruto de até R$ 300 milhões serão fixas em 0,5% ao ano, enquanto as operações com as demais companhias seguirão as políticas operacionais do BNDES. O prazo total do financiamento é de até dez anos, incluindo até três anos de carência.


INDÚSTRIA PLÁSTICA

Incentivos concedidos pelo Estado do Rio Grande do Sul: 1 - Fundopem/RS (Fundo Operação Empresa) Trata-se de um incentivo já consagrado na política de atração de investimentos industriais e agroindustriais para o Rio Grande do Sul. Consiste em financiar até 75% do ICMS incremental devido mensalmente pelo estabelecimento incentivado. O tributo ICMS é o responsável pela principal fonte de arrecadação de recursos financeiros pelo Estado.

2 - Integrar/RS (Programa de Harmonização do Desenvolvimento Industrial) Além do financiamento de parte do ICMS incremental devido, que o Estado concede através do Fundopem/RS, é oferecido o incentivo adicional denominado Integrar/RS, com o objetivo de promover a descentralização industrial. Esse incentivo, na prática, consiste na concessão de um percentual de abatimento incidente

sobre o valor de cada parcela de amortização do financiamento do Fundopem/RS, inclusive encargos, se paga até a data de vencimento. Esse abatimento, dependendo do estágio de desenvolvimento da região ou do município, determinado pelo indicador denominado Integrar/Idese, poderá variar com base no mínimo de 25% até o máximo de 70%. Fonte Sedai

Os cinco subprogramas do BNDES Proplástico: ■

Proplástico Produção e Modernização: investimentos para implantação, expansão e modernização da capacidade produtiva de transformados plásticos e de reciclagem, bem como aquisição de equipamentos novos

mediante instrumentos de renda variável e/ou financiamento com limite máximo de R$ 50 milhões por grupo econômico.

com objetivo de aumentar a produtividade e a competitividade do segmento.

■ Proplástico

■

Proplástico Renovação de Bens de Capital: apoio à troca de equipamentos antigos por novos, com a inutilização (sucateamento destrutivo) das máquinas usadas, de forma a impedir a sobrevida de equipamentos ineficientes, com baixa produtividade, reduzida segurança do trabalhador e alto consumo de energia. ■

Proplástico Fortalecimento das Empresas Nacionais: apoio à incorporação, aquisição ou fusão de empresas que levem à criação de firmas de controle nacional de maior porte, de maior integração vertical ou internacionalização. Nesse subprograma, o apoio será

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Inovação: investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação que possibilitem novos usos e aplicações de produtos, inclusive ligados a processos de reciclagem de material plástico, além de design. ■

Proplástico Socioambiental: investimentos envolvendo a racionalização do uso de recursos naturais, mecanismos de desenvolvimento limpo, projetos de reciclagem e material, sistemas de gestão e recuperação de passivos ambientais. Além disso, estão contemplados projetos e programas de investimentos sociais realizados por empresas ou em parceria com instituições públicas ou entidades de fins não econômicos. Fonte: BNDES


ARTIGOS

Em defesa da extensão rural POR CAIO ROCHA*

A

importância da extensão rural para o desenvolvimento econômico não é fato desconhecido. Pelo contrário, é de domínio popular o fato de serem a agricultura e a pecuária os motores do desenvolvimento econômico local e nacional. Desde seu descobrimento, nosso País tem a base de seu progresso amparada no agronegócio, como pau-brasil, canade-açúcar, café, pecuária, complexo soja, grãos, etc. Nos dias atuais, estamos disputando e ganhando a liderança mundial da produção de proteínas animais e vegetais, demonstrando que recursos públicos na agricultura não são despesas públicas, mas investimento. Note-se, contudo, que o papel da extensão rural no desenvolvimento da agricultura, especialmente na familiar, é crescente. Existe uma projeção feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, segundo a qual o investimento de R$ 1 em agricultura familiar gera R$ 6 em riquezas, um volume multiplicador em serviços, em geração de emprego, em segurança alimentar e em benefícios para os municípios, especialmente. O Rio Grande do Sul, que ganha espaço no cenário mundial de grãos, é o mesmo que precisa reconhecer, de forma mais respeitosa e acelerada, a importância do trabalho e das entidades oficiais de assistência aos produtores. É o caso da Emater e, em especial, dos milhares de agricultores familiares, cuja atividade representa parcela bastante significativa na produção de alimentos, quer destinada à exportação ou

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direcionada ao mercado interno. É gratificante observar que essa estrutura se constitui em uma rede altamente capilarizada, que presta serviço público e gratuito de forma ágil e com qualidade, a partir de entidades permanentes e descentralizadas, que organizam e cooperam com o produtor e, consequentemente, com a produção. Desta forma, se o Rio Grande do agronegócio é bem-sucedido também no exterior, é preciso reconhecer que o processo inclui a participação da Extensão Rural (e de entidades como a EmaterRS), setor que se desdobra em impulsionar a pesquisa e em repassar conhecimento ao seu público-alvo, ao mesmo tempo em que se esmera na educação não-formal para homens, mulheres e jovens rurais. O agribusiness brasileiro quer e vai crescer. Porém necessita de um aparato de mecanismos e instrumentos que forneçam suporte para o processo desenvolver-se em toda a sua plenitude. Sem dúvida alguma, um destes instrumentos é o Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural, garantido pela Constituição, e parte integrante das políticas agrícola e agrária, de responsabilidade dos três níveis de governo e de grande importância para implementar as respectivas políticas setoriais. A extensão é, sem dúvida, um desses agentes indutores de mudanças na tecnologia de produção, processamento e comercialização. Todos sabem que os serviços de ATER estão sustentados fundamentalmente pelos governos estaduais e municipais. Ressalta-se a participação de estados como o do Rio Grande do Sul, que for-

nece respaldo suficiente ao desenvolvimento regular das atividades. Mas existem barreiras nesse caminho. A primeira surgiu há 13 anos, quando houve o afastamento da União, que se distanciou na coordenação do sistema de extensão rural. No momento em que a sociedade passa a dar maior importância à atividade primária, busca-se a reorganização e o fortalecimento do setor, que precisa se transformar em preocupação explícita de todas as entidades e instituições. Deve-se reconhecer, também, a necessidade da criação de estrutura específica para a coordenação nacional do serviço de assistência técnica e extensão rural, revestida da incumbência que assegura à União uma maior sintonia para a implementação de políticas orientadas ao campo. O cenário atual remete à responsabilidade de constituir políticas públicas eficientes e gratuitas, que permitam proteção, sustentabilidade e condições de competitividade ao produtor rural. A Emater, nesse contexto, mais do que uma forma de subsídio dos governos para com a pequena propriedade, constitui-se no grande agente qualificador da realidade social do campo. Infelizmente, a Emater, ao fazer 55 anos, diante desta realidade, ao invés de comemorar está lançando a campanha "SOS Emater", por uma melhor estrutura física e técnica. Nós estamos de pleno acordo com essa iniciativa, pois precisamos de uma extensão rural mais pública, gratuita e voltada à educação rural e organização do produtor. *Extensionista Rural III, engenheiro agrônomo, ex-diretor financeiro do Grupo CEEE, ex-presidente da Emater/RS


Geração biológica de eletricidade: um novo passo para a sustentabilidade POR CHRISTIANE SARAIVA OGRODOWSKI* FABRICIO BUTIERRES SANTANA*

A

té o presente momento, o crescimento econômico e industrial tem sido sustentado pelo uso de combustíveis fósseis. As mudanças climáticas observadas e as projeções para o crescimento populacional mundial obrigam mudanças na nossa matriz energética. O desenvolvimento de novas tecnologias para a geração de energia, visando ao aproveitamento eficiente dos combustíveis fósseis e, principalmente, ao uso de fontes alternativas deve ser prioritário. Várias propostas estão sendo apresentadas para a sociedade, tais como o uso da energia solar, eólica, hidráulica (rios e oceanos), geotérmicas, bicombustíveis (etanol, biodiesel, biogás, hidrogênio), entre outras. Sabe-se que a solução para a escassez de energia não está associada a apenas um tipo de tecnologia ou fonte de energia e, sim, ao aproveitamento pleno destas possibilidades. Nesse contexto, uma nova proposta surge com a intenção de associar proteção ambiental, geração de energia

e valoração de resíduos. A geração biológica de eletricidade busca complementar a futura matriz energética, com a conversão direta dos resíduos gerados pela atividade industrial e urbana em energia elétrica. A essência dessa tecnologia baseiase na capacidade de alguns micro-organismos transferirem elétrons dos compostos orgânicos e inorgânicos, presentes nos resíduos, para um eletrodo, produzindo uma corrente elétrica. Apesar de a ideia principal ter surgido em 1966, somente nos dois últimos anos ocorreu sua apresentação como tecnologia para geração de eletricidade.

Destacam-se nessa tecnologia as inúmeras possibilidades de as matériasprimas poderem ser utilizadas para a produção de eletricidade, e a sua potencialidade de geração de energia. Quando associada ao tratamento de esgoto sanitário, estima-se que podem ser gerados até 86 W por kg de DQO (Matéria Orgânica) degradada, significando uma produção de 2,6 MW para uma cidade com 100.000 habitantes, melhorando as condições de saneamento básico, já que mais de 76% da população mundial vive em condições precárias de saúde pública. Aplicações industriais, como aproveitamento dos sedimentos coletados pelas dragas, como no Porto do Rio Grande/RS, são um exemplo na aquisição de sustentabilidade energética para seus processos e agregação de valor a subprodutos, que eram desperdiçados. As alternativas para a aplicação dessa tecnologia e sua viabilidade econômica devem ser determinadas, para tornar a geração biológica de eletricidade um fator real na nossa sociedade. *Universidade Federal do Rio Grande FURG. Escola de Química e Alimentos


PEQUENAS E MICROEMPRESAS

Projeto qualifica empresas fornecedoras do Grupo Gerdau SEBRAE/RS CAPACITA E DÁ MAIS COMPETITIVIDADE A 80 COMPANHIAS DO SETOR METALMECÂNICO Divulgação

P

ara se tornar fornecedor de uma multinacional como o Grupo Gerdau, excelência na

prestação de serviço e fornecimento de produtos são essenciais. Pequenas e microempresas gaúchas do setor metalmecânico já têm a oportunidade de se qualificar para atingirem esse patamar e manterem essa posição. Trata-se do Desenvolvimento de Fornecedores Gerdau, pro-

movido pelo Sebrae/RS, que atua junto a 80 empresas do segmento. "As grandes compradoras exigem cada vez mais redução de custos, cumprimento de prazos e qualidade de entrega. O projeto tem o objetivo de alinhar as empresas e torná-las competitivas nesse cenário", destaca o gestor do projeto, Fabiano Zortéa. Iniciado em 2006 como piloto, o projeto encontra-se em fase avançada. A meta atual é contribuir para que as empresas cheguem a um nível de qualificação no qual não seja necessária a inspeção na hora de fornecer produtos e serviços para a multinacional. Com esse objetivo, nos próximos dois meses, serão realizadas mais de 450 horas de atividades de capacitação e consultoria para as participantes. Estão previstas, principalmente, qualificação para aquelas já certificadas com ISO 9001 - visando à manutenção do certificado -, início do programa Rumo a ISO 9001 para as que ainda buscam a certificação, treinamentos em gestão comercial

20 l ANÁLI$E

e marketing, além da intensificação das consultorias individuais para avaliação crí-

lhorar os indicadores econômicos, prejudicados entre o final de 2008 e o início

tica de indicadores de desempenho, com foco em prazo de entrega, redução de cus-

de 2009 pela crise que atingiu o mercado interno e externo. Outro objetivo, por

tos e qualidade assegurada. A Rodabem, de Esteio, é uma das integrantes do projeto desde 2008. A indústria atua no segmento de implementos rodoviários e é fornecedora da Gerdau há 6 anos. Os conceitos de indicadores e metas disseminados pelo projeto ajudaram a empresa a melhorar a gestão. "Em 2008, tínhamos apenas indicadores e metas referentes a conceitos básicos, como contas a pagar e a receber. Hoje, temos dados sobre diversos processos, que antes não eram controlados, como prazo de entrega e satisfação de clientes", relata o gerente administrativo Otávio Augusto Toniolo Krey. Outra conquista, segundo ele, foi a descentralização das decisões, que, antes, eram concentradas na diretoria. Para 2010, a Rodabem projeta me-

meio do projeto, é conquistar a certificação total com a ISO 9001. Hoje, o Grupo Gerdau está entre as maiores siderúrgicas do mundo e conta com unidades distribuídas no Canadá, Estados Unidos, México, Guatemala, Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Espanha, Índia, República Dominicana, Venezuela e Índia. Recentemente, a multinacional divulgou os resultados referentes ao primeiro trimestre de 2010, quando registrou receita líquida de R$ 7,1 bilhões - um avanço de 2% sobre o mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e março, o mercado interno foi bastante importante para os resultados da empresa, que apresentou alta de 40% em vendas no Brasil, nos três primeiros meses do ano.


AGRONEGÓCIO

Fotos: Divulgação

No ano passado, os negócios durante a Expointer já haviam registrado recorde, somando R$ 1 bilhão. Esse valor deve ser superado neste ano

Supersafra garante clima de otimismo para a Expointer 2010 EXPECTATIVA DA FEIRA É CAPTAR O EFEITO POSITIVO DA VALORIZAÇÃO DE PREÇOS AGRÍCOLAS

A

menos de dois meses do início da Expointer 2010, o clima entre entidades setoriais é de confiança. A tradicional Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer) começa no dia 28 de agosto, em Esteio, com a expectativa de captar o efeito positivo da valorização de preços agrícolas e da supersafra recorde do RS. No ano passado, os negócios durante os nove dias de Expointer somaram R$ 1 bilhão, batendo todos os recordes de negócios de edições anteriores e indicando a retomada do crescimento das atividades agrícolas e pecuárias do Rio Grande do

22 l ANÁLI$E

Sul, depois da crise financeira mundial. O Banrisul financiou R$ 118 milhões, o que representou um incremento de 52%

em relação ao realizado em 2008. Os números foram puxados pelo desempenho do setor de máquinas e implementos agrícolas, que faturou R$ 795 milhões em negócios, mais do que dobrando o volume de vendas de R$ 370,3 milhões, de 2008. O balanço ainda apresentou receita de R$ 8,4 milhões no segmento dos animais e de R$ 1 milhão na agricultura familiar. Os valores restantes foram movimentados em vendas de equipamentos para o agronegócio, como armazéns, ingressos, estacionamentos e serviços dentro do parque, que abrigou 2,2 mil expositores e cinco mil animais durante os nove dias do evento.


Trinta e um fabricantes de máquinas e equipamentos esperam uma vaga para a Expointer, que ocorre de 28 de agosto a 5 de setembro. Cento e catorze empresas do setor são candidatas para

Extensão Rural completa 55 anos de atuação no Rio Grande do Sul

participar no Parque de Exposições de

O calendário do setor produtivo

trabalho desenvolvido pela Emater/RS-

Esteio, 11 a mais do que no ano passado. "Nossa expectativa é a melhor pos-

do Rio Grande do Sul marca a pre-

Ascar. Ao longo desse tempo, incorpo-

sença da Extensão Rural no cotidiano dos agricultores familiares há 55 anos.

rou novos valores e conceitos modernos exigidos pelo agronegócio.

Em 2 de junho de 1955 nascia, no Rio Grande do Sul, a Associação Suli-

A instituição atende às demandas diárias do público, formado por agricul-

na de Crédito e Assistência Rural (Ascar), com o objetivo de promover o desenvolvimento da agricultura e o bem-estar das populações do meio rural. Em 1977, a Ascar passa a atuar

tores familiares, quilombolas, pescadores artesanais, indígenas, assentados, um contingente superior a 280 mil famílias de assistidos. É no coração de 492 municípios que pulsa a atuação transversal

juntamente com a Associação Riograndense de Empreendimentos de

do Serviço de Extensão Rural em parceria com o Governo do Estado, revigora-

Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). As duas Instituições são sociedades civis de direito privado, sem fins lucrativos. Com a denominação conjunta Emater/RS-Ascar, as

da pelo convênio com as prefeituras, fertilizando o desenvolvimento socioeconômico e cultural do Rio Grande do Sul. "A Extensão Rural chega com essa história graças às parcerias com o gover-

duas entidades executam, a partir de então, as atividades oficiais de Assistência Técnica e Extensão Rural no Rio Grande do Sul. A Extensão Rural fincou no solo gaúcho uma trajetória construída pela dedicação de profissionais que colocam em ação as políticas públicas do governo do Estado. Hoje, a agricultura familiar gaúcha é modelo no País, graças ao

no do Estado, prefeituras, cooperativas, federações e outras entidades que nos acompanham no trabalho junto aos agricultores familiares. Parabenizamos principalmente nossos técnicos de campo, que estão ao lado dos agricultores, levando assistência técnica às famílias rurais gaúchas", destacou o diretor administrativo da Emater/RS-Ascar, Cilon Fialho da Silva.

sível. Acreditamos que a Expointer 2010 deva manter o ritmo das vendas visto em 2009", afirmou Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers). Em vista do aquecimento da economia brasileira, a indústria agrícola tem tido resultados muito bons. "Estamos produzindo mais, especialmente para atender ao mercado interno, que vive um momento de grande demanda e, como consequência imediata, gerando mais empregos, com um salto de 29 mil postos de trabalho no período da crise para os atuais 33 mil", destacou Bier. Com melhorias na infraestrutura do Parque de Exposições Assis Brasil, os tratadores tiveram mais conforto, e foi possível receber expositores de vários estados e países. "Foram construídas 600 novas baias de bovinos de leite no ano passado. Para esta edição de 2010, estão previstos mais 350 baias novas para equinos", disse Paulo Demoliner, diretor do Parque Assis Brasil.


CAPA Fotos: Gilmar Gomes

Mais próximo do estilo francês VINHOS DO VALE DOS VINHEDOS PASSAM A CONTAR COM CERTIFICADO DE ORIGEM, ASSIM COMO ACONTECE NA FRANÇA

24 l ANÁLI$E


POR GUILHERME ARRUDA

A

emoção de um vinho não está necessariamente na garrafa e, sim, no interior das

pessoas que o experimentam. E os franceses? Vamos combinar, eles são mestres em provocar emoções. A elite dos vinhos franceses é única devido à estreita relação que possui com as regiões onde são elaborados. Seus vinhos ganharam reputação, fama e sucesso

Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves

comercial no mundo em função do seu passado, mas também em razão de um sistema jurídico de proteção que criou as chamadas Appéllation d´Origine Contrôlée (Apelação de Origem Controlada - AOC), que nada mais é do que um conjunto de regras que confere caráter exclusivo e inimitável para uma determinada região. A apellacion é uma espécie de propriedade intelectual, é o equivalente a uma identidade, a uma marca que traduz os atributos intrínsecos e qualidades de um terroir. Na França, as AOCs adquiriram enorme importância cultural e econômica. São tratadas como patrimônio. A experiência francesa com denominação de origem remonta ao Século XVII. Os invernos rigorosos no começo do Século XX, combinado com o aparecimento da Filoxera, os efeitos da Primeira Guerra Mundial e a crise americana de 1929 (que afetou os exportadores), dividiram os produtores franceses em dois grupos: no primeiro, estavam aqueles que optaram por aumentar a produção e diminuir a qualidade; no segundo, os que preferiram manter a tradição de fazer bons vinhos. Para conter práticas desleais, o governo criou, em

1935, o INAO - Institut National des

Vale dos Vinhedos (D.O.V.V.) para a As-

Appéllations d'Origine. A missão: criar um sistema de classificação para auxiliar o consumidor a escolher o melhor vi-

sociação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, coroando um longo trabalho de planejamento. A conquista

nho, evitando assim os vinhos de baixa qualidade.

acontece cinco anos após o recebimento do certificado de Indicação de Procedên-

Daí surgiu a Appéllation d'Origine Contrôlée que classifica vinhos segundo regras rígidas quanto à área de produção, variedade e proporções das uvas, rendimento por hectare, teor alcoólico, práticas e sistemas de produção, entre outros

cia (IP), igualmente, a primeira do Brasil. Outra boa notícia - desta vez para os consumidores - é que 9 das 31 vinícolas do Vale dos Vinhedos poderão estampar o novo selo, já a partir deste ano. O Conselho Regulador da entidade avaliou 354

itens. Apenas na França existem mais de 400 AOCs para vinhos e espumantes. As mais famosas são as de Bordeaux, Borgonha e Champagne. O conceito serviu de modelo para vinhos de outros países, como Itália, Espanha, Portugal - além de outros produtos, como para os queijos

mil garrafas da safra passada, elaboradas conforme as especificações da DO. O comentário é que sete rótulos poderão estampar o selo DO tão logo seja oficializado. Contudo, será preciso esperar o mês de setembro para que os vinhos e espumantes estejam disponíveis no mercado.

Roquefort e Camembert. Agora é a vez de o Brasil ter sua primeira denominação de origem controlada. A qualquer momento, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento formalizarão a entrega do certificado de Denominação de Origem

O lançamento acontecerá, certamente, em um grande evento, a ser cuidadosamente preparado. E não é para menos: trata-se de uma conquista comparável a um título de Copa do Mundo. O Vale dos Vinhedos elegeu a Merlot como sua digna representante entre as uvas tintas para produção de vinhos; a

Maio de 2010 l 25


CAPA Fotos: Divulgação

Chardonnay entre as brancas para elabora-

Foto: Gilmar Gomes

ção de vinhos brancos, e a Chardonnay e Pinot Noir para os espumantes. Outras variedades podem ser encontradas dentro do Vale, embora somente as citadas acima possam originar vinhos e espumantes com selo de DO. "Seria muita pretensão da nossa parte dizer que a (uva) Merlot do Vale é a melhor do Brasil. Podemos dizer que é, sim, a melhor variedade dentro do Vale e, certamente, com um diferencial para a Merlot de outras regiões", esclarece o presidente da Aprovale, Aldemir Dadalt. "O Vale tem um microclima diferente de outras regiões aqui mesmo de Bento Gonçalves", acrescenta. Para receber o selo, será preciso adotar critérios diferentes da IP. As uvas terão que ser 100% originárias do Vale (para IP 15% podem vir de outros parreirais) e usar o sistema de espaldeira para condução dos vinhedos, o que possibilita melhor luminosidade. Além disso, a produtividade não pode ultrapassar a 10 mil quilos de uva por hectare para elaboração dos vinhos tintos e brancos, e de 12 mil kg/ha para espumantes. Um varietal tinto com DO precisará conter um mínimo de 85% da variedade Merlot, e os 15% restantes, complementados com Tannat, Cabernet Sauvignon ou Cabernet Franc. No caso dos vinhos brancos, 85% do varietal devem ser de Chardonnay, e os 15% completados com Riesling Itálico. A exigência atual para ser um varietal com Indicação de Procedência é de 60%. "O governo federal estuda elevar o mínimo de um varietal para 80%. Como se vê, a nossa DO vai além", diz o diretor do Conselho Regulador do Vale dos Vinhedos, o enólogo Ademir Bran-

26 l ANÁLI$E

Foto: Almir Dupont

COM A DO, O VALE DOS VINHEDOS (FOTOS) PASSA A SER MAIS VALORIZADO, MAS SERÁ MAIS COBRADO delli, diretor da vinícola Don Laurindo. Para ser um assemblage (corte de duas ou mais variedades) tinto, a relação é ter 60% de uva Merlot, e os 40% restantes entre as variedades Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc ou Tannat. Para

dos às novas regras. Muitos produtores de uva que ainda usam o sistema latada terão até 2012 para efetuar a mudança. A partir da conquista da Denominação de Origem, o trade e, em particular, os consumidores, perceberão o Vale dos Vi-

um assemblage branco, a relação é ter 60% de uva Chardonnay e 40% de corte de Riesling. Para espumantes, a relação é 60/40, optando-se entre Chardonnay e Pinot Noir como uvas predominantes e Riesling como complemento. Na prática, cada vinícola poderá fabricar um varietal tinto, um varietal branco, dois assemblages e um espumante com DO. Atualmente, com IP, elas podem elaborar até 12 tintos, 10 brancos com 15% das uvas vindas fora do Vale. "O trabalho que fizemos para ter a IP deu a direção para chegar à DO" sintetiza Ademir Brandelli, lembrando que nem todos os vinhedos do Vale estão adequa-

nhedos de nova maneira, uma região que alcançou um status diferenciado com produção de vinhos de qualidade superior. "É uma imagem que traz mais responsabilidades", destaca Brandelli, chamando a atenção para a valorização que os produtos do Vale terão no mercado com o selo de DO. É natural que ocorra. O reconhecimento da região pela Comunidade Europeia, em 2007, foi um sinalizador do que viria pela frente. Aliás, os europeus conferiram tal distinção a duas regiões em todo planeta: Vale dos Vinhedos e Napa Valley (EUA). O vinho brasileiro começa a despertar emoções.


Estes vêm do Vale dos Vinhedos Cultivares ■ Tintas - Cabernet Sauvignon. Cabernet Franc, Merlot e Tannat. ■ Brancas - Chardonnay, Riesling. ■ Espumantes (brancos e rosados) Chardonnay, Riesling e Pinot Noir. Limites de produtividade ■ Tintos - 10 toneladas por hectare. ■ Brancos - 10 toneladas por hectare. ■ Espumantes - 12 toneladas por hectare. Graduação alcoólica ■ Tintos - mínimo de 12%, em volume.

■ Brancos - mínimo de 11%, em volume. ■ Base para espumante - máximo de 11,5, em volume.

Classificação dos vinhos ■ Varietal Tinto - mínimo de 85% da variedade Merlot. ■ Varietal Branca - mínimo de 85% da variedade Chardonnay. ■ Assemblage Tinto - mínimo de 60% da variedade Merlot. ■ Assemblage Branca - mínimo de 60% da variedade Chardonnay. Base espumante - mínimo de 60% da variedade Chardonnay e/ou Pinot Noir.

Condições ■ Elaboração de espumantes somente pelo método tradicional (não é permitido usar a palavra de origem francesa champenoise no rótulo). No rótulo principal, deverão constar as classificações nature, extra-brut e brut. ■ A chaptalização e a concentração dos mostos não será permitida. Em safras excepcionais, o Conselho Regulador pode permitir o enriquecimento. Poderá haver a utilização de barris de carvalho. Não serão utilizados chips e lascas ou pedaços de madeira. ■ Uvas e vinhos deverão ser produzidos 100% no Vale dos Vinhedos.

O que é uma DO A Denominação de Origem (DO) é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade que designa produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam ex-

mais, já que se trata de um produto ou serviço diferenciado. No sistema francês há quatro categorias: AOC (Appéllation d'Origine Contrôlée),

clusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos. A DO cria um aspecto distintivo do produto, o que é visto, quando corretamente utilizado, com bons olhos pelos consumidores, tendo seu preço valorizado. Produtores ou prestadores de serviços se unem para defender seus produtos e serviços, motivados pelo lucro coletivo. Os produtos e serviços são reconhecidos, e os consumidores se dispõem a pagar

no qual estão os produtos de melhor qualidade. Quanto mais específica for a citação de onde foi produzido, melhor ele é. VDQS (Vins Délimités de Qualité Supériéure), vinhos que têm qualidade inferior ao AOC e se enquadram em regras menos rígidas de produção; Vins de pays, vinhos de qualidade inferior ao VDQS, mas que, dependendo da região produtora, são excelente opção de compra; e Vins de table, vinhos de mesa comuns, sem indicação geográfica.

Número de visitantes no Vale dos Vinhedos 2001

45 mil

2002

60 mil

2003

82 mil

2004

102 mil

2005

115,7 mil

2006

105,6 mil

2007

120,9 mil

2008

153,7 mil

2009

182,2 mil


PORTOS E HIDROVIAS

Divulgação

Os primeiros passos da nova fase do Porto do Rio Grande REGIÃO PORTUÁRIA REGISTROU O MAIOR VOLUME DE CARGA EMBARCADA EM UM SÓ NAVIO

O

navio Apostolos D, de bandeira liberiana, que recentemente encerrou suas operações na Tergrasa, registrou o maior volume de carga já embarcada em um único barco em Rio Grande. Ao todo, foram carregadas mais de 64 mil toneladas de soja em grão. A operação foi possível devido à ampliação do calado do Porto do Rio Grande de 40 para 42 pés no Superporto, autorizada em maio deste ano e considerada obra prioritária pelo governo do Estado. O Tecon, que movimenta 99% da carga de contêineres que passa pelo porto, pretende concentrar toda a carga dos países do Cone Sul. A consolidação do

28 l ANÁLI$E

polo naval do município sinaliza a retomada do desenvolvimento econômico da Metade Sul. E a boa oferta de áreas para expansão e o excelente calado do porto incentivam investimentos públicos e privados. Até 2012, o terminal portuário deverá alcançar investimentos de R$ 2 bilhões, resultando na geração de mais de 10 mil empregos diretos. Conforme o diretor dos terminais Tergrasa, Guilhermo Dawson, os navios embarcavam no máximo 60,5 mil toneladas com os 40 pés. "No caso do Apostolos D, que carregaria 59 mil toneladas, conseguimos embarcar 5 mil toneladas a mais com o novo calado de 42 pés, representando uma redução de 7%

no valor do frete por tonelada. Esse navio representa a nova realidade do porto riograndino, em especial para nossos terminais, que escoam parte da safra gaúcha de grãos. Com isso, o produtor gaúcho hoje é mais competitivo", salientou Dawson. Com a finalização da dragagem, o porto passará a operar com 47 pés, com um dos maiores calados do Conesul. A dragagem de aprofundamento foi realizada num trabalho de parceria entre o governo do Estado e o governo federal. Os investimentos foram de R$ 196 milhões, sendo R$ 147,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 48,5 milhões por parte do governo do Estado.


NOTAS INCLUSÃO DIGITAL

USO RACIONAL

Foto : Divulgação/Piratini

Equipamento reduz consumo de água em escolas estaduais Foto : Divulgação/Piratini

Para reduzir despesas e incentivar o uso racional dos recursos naturais, 84 escolas estaduais de Porto Alegre instalaram redutores de polietileno nas estruturas hidrossanitárias para diminuir a vazão de água em torneiras

Mais tecnologia no ensino

e válvulas de descarga. Desde que foram implementados, em 2008, os equipamentos proporcionaram economia mensal de 28%

Em menos de um ano, segundo infor-

no consumo de água, o equivalente a R$ 40

ma o governo do Estado. a inclusão digital

mil. Por ano, a redução na despesa chega a

alcançou cerca de 1,1 milhão do total de 1,2

R$ 400 mil. A Secretaria Estadual da Edu-

lhões ao ano. Atualmente, o consumo nas

milhão de estudantes das escolas públicas es-

cação (SEC) está trabalhando na ampliação

instituições de ensino gera um custo anual

taduais do Rio Grande do Sul. Das 2,6 mil

do uso do equipamento em escolas do Inte-

de R$ 12 milhões ao Estado.

instituições, 1.550 já contam com internet

rior, processo que deve ser concluído até o

A primeira instituição a adotar os redu-

banda larga gratuita. Nesse universo, mil es-

final deste ano. Cerca de 200 escolas esta-

tores foi a Escola Estadual Rio de Janeiro,

colas oferecem novos laboratórios de infor-

duais passarão a ter redutores como forma

em Porto Alegre. De acordo com a diretora

mática. Na visão do governo do Estado, essa

de diminuir despesas e contribuir com a

Lucia Helena Mota Rogoski, os equipa-

nova realidade, ao custo de aproximada-

preservação do meio ambiente. O objetivo

mentos foram instalados nos sanitários e na

mente R$ 26,8 milhões para os cofres esta-

da SEC é implementar aos poucos os redu-

cozinha. Lucia Helena atribuiu a redução de

duais, somente é possível por conta da eli-

tores de vazão de água nas 2,6 mil escolas da

289 metros cúbicos de água por mês aos re-

minação o déficit fiscal verificado nas últi-

rede estadual. Essa iniciativa pode propor-

dutores e ao trabalho de conscientização fei-

mas quatro décadas. A expectativa do gover-

cionar uma economia de mais de R$ 3 mi-

to com os alunos.

no é a de que, até o final de 2010, o uso da tecnologia da informação nas escolas estaduais, como recurso pedagógico para aprendizagem dos alunos, será universalizado. Viabilizada por meio de convênios, a insta-

Convênio com Banco Mundial para preservação do Bioma Pampa

lação de internet banda larga nas escolas

O governo do Estado firmou

será compatibilizada com as ativida-

complementa o Projeto Sala de Aula Digital.

acordo que reforça a parceria do Esta-

des de agricultura, silvicultura e

As salas digitais são equipadas com mobiliá-

do com o Banco Mundial: a doação

pecuária. Essas ações acontecerão em

rio adequado, rede lógica e elétrica e apare-

de US$ 5 milhões do Fundo Global

16 unidades demonstrativas de mane-

lhos de climatização de ar - infraestrutura a

para o Meio Ambiente ao projeto de

jo sustentável. Assim que forem gas-

cargo do governo estadual. A distribuição

preservação da biodiversidade gaúcha,

tando e comprovando as despesas, os

dos computadores é compartilhada pelo Es-

o RS Biodiversidade. O projeto busca

gestores do projeto terão acesso ao to-

tado e pela União, por meio do Programa

conservar o Bioma Pampa e terá con-

tal do financiamento a fundo perdi-

Nacional de Tecnologia Educacional (ProIn-

trapartidas de US$ 6,1 milhões por

do. A parcela estadual servirá para, en-

fo), criado em 1997. Além de promover a

parte do Governo. O Estado atuará

tre outras atividades, o pagamento da

inclusão digital de alunos e professores e de

em 33 municípios e em 900 proprie-

estrutura necessária ao programa. Par-

incrementar as práticas pedagógicas, o pro-

dades rurais, que abrangem quatro

te dos recursos será repassada aos pro-

grama Sala de Aula Digital proporciona aos

microrregiões do pampa.

dutores para a implementação das

alunos ferramentas indispensáveis para a inserção no mundo do trabalho.

2 l ANÁLI$E Suplemento Negócio Social

Pela proposta, a biodiversidade

ações nas unidades rurais.


Foto : Fernando Dias

ENERGIA E SUSTENTABILIDADE

CRM implanta Sistema de Gestão Ambiental Conjunto de ações deve garantir a certificação ISO 14001 à Companhia Riograndense de Mineração, qualificando ainda mais o trabalho ambiental desenvolvido pela empresa

U

m novo e importante capítulo se abriu na história da Companhia Riograndense

Segundo o diretor-presidente da empresa, Telmo Kirst, "2010 é um ano-chave para a CRM, pois estamos muito perto

ção, foram levantadas todas as questões sobre os impactos gerados no ambiente. A partir desse diagnóstico, estabeleceram-

de Mineração (CRM), qualificando o trabalho ambiental desenvolvido pela empresa e fortalecendo o comprometimento com a preservação dos recursos naturais. Está sendo implantado o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), um caminho para a busca da certificação ISO 14001 de gerenciamento ambiental. Com isso, estão sendo padronizadas as ações da CRM, além de reformulada a política ambiental, a fim de atender de forma efetiva à legislação e de mostrar à sociedade que uma mineradora de carvão é capaz de manter sustentabilidade em todas as suas cadeias produtivas.

de alcançarmos os objetivos do nosso planejamento estratégico. A conclusão da Fase C da Usina Presidente Médici, nossa maior cliente, vai permitir entrarmos em um novo patamar com a ampliação da capacidade da Mina de Candiota. E o lançamento do Sistema de Gestão Ambiental nos aproxima da certificação ISO 14001, representando um passo importante rumo à sustentabilidade e um compromisso com a sociedade gaúcha." Por meio de uma análise rigorosa de todas as ações e atividades da CRM, desde as rotinas administrativas até a minera-

se metas para que a empresa obtenha 100% de conformidade com a legislação. Um cronograma irá guiar as adequações necessárias, com a coordenação de comitês formados por funcionários e instalados em cada uma das três unidades da empresa, definindo estratégias e auxiliando no processo de implantação do sistema.

Vantagem competitiva No dia 22 de março, foi realizado o evento de lançamento do Sistema de Gestão Ambiental para os funcionários da sede da CRM, em Porto Alegre. O diretor-téc-


Fotos : Divulgação/CRM

nico Eduardo Medeiros falou em nome da diretoria sobre a experiência de cada um dos gestores na implantação de obras e projetos em benefício do meio ambiente. Ele explicou aos funcionários que "a ISO 14001 é uma vantagem competitiva, pois garante aos fornecedores e clientes que a CRM está adequada às normas estabelecidas pelos órgãos de fiscalização ambiental." Na sequência, o assessor de Meio Ambiente, Edson Beltrame de Aguiar, coordenador geral da implantação do SGA na CRM, explicou para os funcionários o trabalho realizado pela CRM nas unidades mineiras e onde o SGA se insere nesse processo. No dia 23 de março, os funcionários da sede foram divididos em duas turmas para participarem dos treinamentos realizados pela Planigeo, empresa licitada para prestar consultoria à implantação do sistema. Foram abordados temas sobre o meio ambiente e o nosso papel na sua preservação, além de questões mais específicas sobre o trabalho a ser desenvolvido na empresa. Ao final do treinamento, participaram da palestra teatral "Conectando Ciclos e Pessoas", apresentada pela personagem Recicleide, da atriz Karina Signori. A atividade trouxe de uma forma bastante descontraída informações sobre a coleta seletiva em Porto Alegre, a necessidade de repensar a quantidade de resíduos que geramos todos os dias, compostagem através do uso do próprio lixo orgânico e outras curiosidades que instigaram os colegas a participarem desse processo.

executadas há algum tempo. Como a unidade de Porto Alegre concentra rotinas administrativas, a adequação ao sistema prioriza questões sobre o uso racional dos recursos naturais, redução da geração de resíduos e coleta seletiva. Foi entregue a cada funcionário uma cartilha para sanar dúvidas sobre essa nova consciência que está sendo implementada, além da distribuição de copos e xícaras de vidro para redução do uso de plástico. Nas unidades mineiras, algumas medidas já estão em fase de testes, por meio de projetos-piloto. Na Mina de Candiota, estão sendo adotadas toalhas retornáveis e mantas para absorver o óleo de máquinas e veículos no setor de manutenção mecânica, extinguindo os "trapos" de malha e serragem. Na Mina do Leão, já foram instaladas lixeiras para coleta seletiva. Também estão sendo planejadas obras estruturais para atender às exigências ambientais e possibilitar a certificação da CRM.

Implantação do SGA O lançamento do SGA para os funcionários das outras unidades da CRM deve acontecer nos próximos meses, a exemplo do que foi realizado na Capital gaúcha. Mas algumas ações já estão sendo

4 l ANÁLI$E Suplemento Negócio Social

TI Verde Atualmente, na verdadeira revolução tecnológica em que estamos vivendo, o descarte de equipamentos e componentes eletrônicos se tornou um desafio. Por isso,

Acima, lançamento do SGA, na Capital gaúcha. Abaixo, plantio de mudas na CRM pelos Vigilantes Ambientais

a CRM lançou no dia 21 de maio uma segunda etapa no Sistema de Gestão Ambiental, referente à TI Verde. Integra essa ação a parceria realizada com a empresa Otser para descarte de equipamentos obsoletos que não servem para doação, sem custo para a CRM. Os funcionários também poderão participar trazendo das suas casas os aparelhos que quiserem descartar. A Otser busca o material descartado e dá a destinação correta, reciclando o que pode ser reutilizado e descontaminando o que pode ser prejudicial ao ambiente. Os equipamentos eletrônicos são compostos por partes plásticas, metálicas e de vidro que podem ser recicladas para


reutilização em novos aparelhos, poupando assim os recursos naturais. Também contêm substâncias como o chumbo e o

implantação de uma estação-piloto para o tratamento dos efluentes da Malha I, em Candiota. Por ela serão drenados até 5m³

mercúrio, que podem vazar e contaminar o ar e os lençóis freáticos.

de efluentes por hora, provenientes de áreas já exploradas há mais de meio século.

Ainda nessa segunda etapa, foi apresentado aos funcionários o projeto de vir-

A planta será avaliada em termos de efeti-

tualização a ser implantado nos próximos meses, através da substituição dos computadores físicos por desktops virtuais. A

vidade e custos de operação. Concluídos os testes, a CRM implantará uma estação definitiva para tratar todos os efluentes da Malha I e, na se-

CRM irá adquirir um servidor específico e projeta um total de 80% de virtualiza-

quência, da Malha II. As duas áreas foram mineradas em épocas em que a legislação

ção ainda neste ano. Algumas ações alusivas à TI Verde na CRM já foram realizadas, visando a eco-

ambiental brasileira ainda não impunha regras rígidas. Hoje, já existem tecnologias capazes de reconfigurar a composição dos

nomia de recursos naturais. Os monitores dos computadores foram substituídos por

locais, voltando a ser muito próximas do que eram antes da mineração.

telas de LCD, que consomem 60% menos energia. A empresa só utiliza papel reciclado e adotou nos departamentos impressoras laser compartilhadas que podem utilizar cartuchos reciclados. Alguns setores possuem impressoras que utilizam o verso de folhas para rascunho.

Regeneração A CRM considera o meio ambiente um fator relevante em todas as etapas de produção das suas unidades mineiras. Por isso, a regeneração é considerada parte integrante do processo produtivo da CRM, sendo realizada concomitantemente à lavra. Para auxiliar nesse processo, a empresa mantém um viveiro de mudas nativas em Candiota, com aproximadamente 7 mil arbóreas de 18 espécies, como paineiras, maricás, araçás, pitangueiras, ipês roxo, guajuviras, cedros, entre outras. A capacidade de produção é de até 10 mil mudas por ano, totalmente adaptadas ao clima severo da região. Também são realizados o controle e tratamento das águas provenientes das minas. Em Candiota, está sendo concluída a

Ações na comunidade Promover a consciência ambiental nas comunidades onde está inserida é uma prática mantida pela CRM como forma de colaborar com a saúde e a qualidade de vida da população. Minas do Leão, uma das áreas regeneradas pela CRM, abriga o Parque Poliesportivo Othon Sá Castanho, entregue à comunidade com o objetivo de possibilitar a prática de atividades de lazer e esporte. Em outra área, está o Posto de Saúde construído pela CRM e entregue em regime de comodato à administração municipal para o funcionamento do Programa de Saúde da Família - PSF. Em Candiota, a CRM patrocina a realização do curso de formação de Vigilantes Ambientais pelo quarto ano consecutivo. A atividade visa capacitar multiplicadores da educação ambiental ao restante da comunidade, potencializando a criação de grupos de interação. São realizadas palestras e atividades práticas com a participação de alunos, professores e voluntários.

INOVAÇÃO

O uso ecológico das cinzas de carvão A utilização das cinzas de carvão como subproduto resulta em numerosos benefícios, entre os quais podem ser citados: uma diminuição significativa da necessidade de áreas destinadas aos aterros, a conservação de recursos naturais, um ambiente mais limpo e seguro, a redução de emissão de dióxido de carbono, a impulsão no desenvolvimento econômico e a redução geral do custo de geração de eletricidade. O potencial produtivo das cinzas de carvão é de 4 milhões de toneladas ao ano, e seu uso para a produção de tijolos ajuda a resolver um problema associado à queima do carvão, que é a estocagem das cinzas geradas. Significa que, além de resolver um problema ambiental, as tecnologias para uso das cinzas colaboram para a implementação de construções de menor custo (veja mais na página 7). O Estado detém 90% de todas as reservas carboníferas brasileiras, o que equivale a cerca de 28 bilhões de toneladas. Segundo o geólogo e responsável pelo departamento de meio ambiente da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), Oleg Zwonok, o carvão é considerado uma boa alternativa para uso energético, e as tecnologias para as emissões, cada vez mais limpas desta fonte, têm sido alvo de constantes estudos. O carvão fóssil, ao mesmo tempo, é a principal alternativa para alcançar, no Sul do Brasil, a meta da independência energética.

Maio de 2010 l 5


ENERGIA E SUSTENTABILIDADE

Engajamento diário no Grupo CEEE Iniciativas preservacionistas são efetivadas por todo o ano pela empresa gaúcha Foto : Divulgação//CEEE/Fernando C. Vieira

A

o promover ações e programas com o intuito de minimizar os impactos decor-

rentes de suas atividades, o Grupo CEEE mostra um autêntico engajamento com a natureza. As práticas de sustentabilidade na empresa são diárias e começam pela promoção da coleta seletiva do lixo. Em vigor desde 2002, o Programa Recicle CEEE, ensina e incentiva a coleta seletiva de lixo seco e orgânico, incluindo o recolhimento de pilhas e bate-

Em 2009, programa de Repovoamento de Alevinos contemplou a soltura de 410 mil peixes

rias de celulares, em todas as unidades da concessionária. Os resíduos recicláveis são doados a associações de catadores, gerando renda em comunidades carentes. A empresa é uma das primeiras do setor elétrico nacional a buscar efetivamente soluções para um melhor aproveitamento de cada reservatório, contemplando múltiplos usos (abastecimento, irrigação, navegação, turismo e lazer, entre outros) e atendendo à legislação vigente. Em dezembro de 2009, a companhia estabeleceu uma cooperação institucional com o Ministério Público Estadual, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Fepam e Famurs, visando disciplinar o uso e a ocupação do solo no entorno dos reservatórios do Grupo CEEE. As exigências setoriais e de mercado fazem com que o Grupo CEEE atue crescentemente em sintonia com o conceito de desenvolvimento sustentável. A companhia, inclusive, implementa um Sistema de Gestão Ambiental em todas as suas unidades de geração e estruturas associadas. Na distribuição, as atividades estão a cargo da Divisão de Recursos Flo-

6 l ANÁLI$E Suplemento Negócio Social

restais e Ambientais, responsável pela

des de distribuição e de transmissão usam

gestão socioambiental, pelo viveiro de produção de mudas exóticas e nativas e pelos hortos florestais. As áreas de Geração e Transmissão da empresa possuem uma Divisão de Meio Ambiente com a incum-

postes de madeira preservada, oriunda dos hortos ambientais, mantidos pela empresa. Somente em 2009, a CEEE implantou 360,50 hectares de florestas de eucalipto para a produção de postes,

bência de tratar as questões ambientais. Uma das ações promovidas é o plantio de eucaliptos e espécies nativas em 14 hortos de proteção ambiental, obtido através do Programa de Reflorestamento e Produção de Postes de Madeira. As árvores plantadas pela empresa necessitam de 12 anos para atingirem o tamanho ideal de um poste. A capacidade de produção do viveiro é de 300 mil mudas nativas por ano, distribuídas em 60 diferentes espécies e em um milhão de mudas de eucalipto por ano. O plantio de florestas destinado à produção de postes é feito há quase 50 anos, sendo a empresa gaúcha a única do País a ser responsável pelo ciclo completo de construção de redes de energia. As re-

totalizando 612.850 mudas plantadas. Uma das mais antigas atividades ambientais do Grupo CEEE é a Estação de Piscicultura, localizada junto à Usina Hidrelétrica de Ernestina, no município de Tio Hugo, no Norte do Estado, inaugurada pela empresa em 1972. Entre as ações desenvolvidas pela Estação de Piscicultura, está o monitoramento qualitativo e quantitativo da fauna íctica (peixes), realizada em 16 Reservatórios da CEEE, que serve de subsídio para os programas anuais de Repovoamento e Soltura. Em 2009, o Programa de Repovoamento de Alevinos contemplou a soltura, devidamente autorizada pelo órgão ambiental, de 410 mil peixes.


ENERGIA E SUSTENTABILIDADE Foto: Divulgação / Piratini

Técnica permite redução de até 50% nos custos de construções

Tijolo e blocos ecológicos surgem como opção para baratear custos Produtos fabricados a partir de cinzas de carvão e cal como matéria-prima têm formato de peças de encaixe, o que permite a passagem de canos e fios e dispensa rejunte

O

desenvolvimento econômico só é possível atualmente se for baseado em sustentabilidade. É uma tendência mundial. A ecologia, somada à pesquisa e à tecnologia, é a verdadeira alternativa econômica para países que pensam em investimentos a longo prazo. A Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), vinculada ao governo do Estado, por meio da Secretaria da Ciência e Tecnologia, está negociando parcerias com a iniciativa privada para programar processos construtivos para a fabricação de blocos ou tijolos, utilizando cinza e cal como matéria-prima. Atualmente, no Rio Grande do Sul, existem três empresas trabalhando na fabricação

dos tijolos através das cinzas do carvão. Com suas características físicas, o tijolo ecológico proporciona economia, estabilidade estrutural, harmonia e beleza, fazendo com que a construção se torne um local aconchegante e seguro. Barateia o custo da obra por eliminar o desperdício de material típico de uma construção comum, além de minimizar o tempo e custo de mão-de-obra. "A construção que substituti o produto tradicional pelo tijolo ecológico tem seu custo barateado, em média, de 40% a 50% do valor gasto com material de construção", diz o presidente da Cientec, Luiz Augusto Pereira. Os tijolos ainda não são produzidos em escala industrial, porém já

existem convênios assinados para que isso seja viabilizado. Segundo explica o empresário Mauro Petzi, os tijolos são feitos com cerca de 90% de cinzas e apenas 10% de cal, o que representa uma economia de mais de 30% por bloco na produção. Petzi aponta que as cinzas, ainda, podem ser usadas no asfaltamento de estradas, com uma economia significativa.

Maio de 2010 l 7


DO BOM E DO MELHOR

Estilo

Por Carol Walfrid Consultora de moda e estilo

O mercado de Luxo no Brasil

D

e acordo com algumas pesquisas, o mercado de luxo no Brasil vem cres-

cendo a uma taxa entre 35% a 40% ao ano, consolidando assim as marcas desse setor. Com ticket equivalente a mais ou menos R$ 3,5 mil por compra, o consumidor brasileiro é hoje a grande aposta desse mercado. O crescimento econômico

As marcas de luxo internacionais preferidas pelos brasileiros

As marcas de luxo nacionais preferidas pelos brasileiros

Posição 1 2 3 4 5 6 7

Posição 1 2 3 4 5 6

Empresa Louis Vuitton Giorgio Armani Chanel Christian Dior Gucci Tiffany & Co Ferrari

(%) 23% 10% 8% 6% 5% 4% 4%

*Fonte: GfK e MCF Consultoria (pesquisa de 2008/2009)

Empresa Daslu H.Stern Forum Victor Hugo Osklen Fasano

(%) 22% 14% 4% 4% 4% 3%

*Fonte: GfK e MCF Consultoria (pesquisa de 2008/2009)

também é outro ponto que favorece as marcas de luxo a investirem no Brasil. Por outro lado, conforme mostra o ranking da revista Forbes, dentre os homens mais ricos do mundo o país teve 18 nomes na lista, sendo que um deles ficou entre os dez primeiros. O avanço desse segmento é um consenso na economia que, antes, priorizava mercados capazes de consumir grandes volumes, como Estados Unidos e Europa. No entanto, esses mesmos mercados encontram-se em dificuldades, e as marcas estão se voltando para países emergentes, como o Brasil, onde cresce a demanda pelo luxo. Há grande variedade de produtos e serviços como carros, joias, vestuário, cosméticos e imóveis (todo segmento que envolve a construção de luxo), disputando os interesses dos consumidores e a liderança desse mercado. Ao lado, as marcas de luxo, nacionais e internacionais, preferidas pelos brasileiros, segundo pesquisas recentes.

Joias H.Stern: produtos como esses atraem pela singularidade e sofistificação

O mercado de luxo no Brasil está cada vez mais competitivo, e os consumidores, por sua vez, buscam produtos que atendam às suas necessidades por meio da singularidade e da sofisticação. Posicionar a marca em segmen-

tos bem definidos e gerenciá-la com base na sua identidade são ações fundamentais. Facilitam o elo de comunicação entre o consumidor, uma vez que esse já se reconhece como parte integrante da marca.

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DO BOM E DO MELHOR

O chef indica

Tiago Fornari

Festival do Assador comemora os dez anos do Vermelho Grill Foto: Divulgação

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iago Fornari não se considera um chef da forma como a nomenclatura prega e, sim, um amante da gastronomia, em especial de pratos à base de carne. Engenheiro-agrônomo de formação, mas "dono de restaurante" por afinidade e oportunidade, ele usa a criatividade na cozinha, a química dos alimentos e a compra de insumos personalizados no conhecido Vermelho Grill, especializado em carnes, que completa dez anos de sucesso. A casa surgiu a partir da ideia de um gaúcho radicado no Mato Grosso do Sul, o médico veterinário e apaixonado por carnes Clóvis Fornari, pai e sócio de Tiago. O sonho de ter o trabalho valorizado e reconhecido pelo consumidor resultou em um restaurante com um cardápio de cortes nobres, grelhados à vista do cliente, com carnes compradas diretamente da fazenda e selecionadas dentro dos padrões técnicos de maciez, camada de gordura e idade do animal abatido. O primeiro Vermelho Grill foi inaugurado em Campo Grande. A unidade de Porto Alegre foi aberta há dois anos. Trata-se de um espaço gastronômico rústico, despojado e aconchegante, com churrasqueira aberta para o salão. Agora, o Vermelho Grill inova mais uma vez e lança novos pratos e sobremesas. A grande novidade é o Festival do Assador, em que o restaurante oferece sequência de cortes especiais, que inclui assado de tiras acompanhado de salada Vermelho Grill,

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Vermelho Grill ■ Endereço: Avenida Veríssimo

do Amaral, 37, no bairro Jardim Europa, em Porto Alegre. ■ Telefones : (51) 3333-0253.

O que não pode faltar: ■ Meu gerenciamento busca proporcionar: atmosfera agradável, atendimento cortez e eficaz e boa mesa. ■ Fogo, afinal, nossa carne é toda feita sobre a grelha, com muito fogo. ■ Carne, matéria-prima com certificação de origem.

farofa e purê de mandioca, bife de chorizo com legumes grelhados e arroz à rodeio, Master Lamb de cordeiro acompanhado de purê de abóbora e geleia de alecrim. O cardápio de sobremesas ganhou doces caseiros produzidos artesanalmente em Arvorezinha, no interior do Estado. As delícias resgatam as receitas e os segredos

guardados por várias gerações, sem o uso de conservantes químicos e com redução de açúcar. "Meu dia a dia de chef busca garantir a satisfação do cliente através de produtos e serviços oferecidos pelo Vermelho Grill. É uma rotina que exige horas de dedicação, incluindo horário noturno e finais de semanas", diz Tiago.


Carré de Cordeiro do Vermelho Grill Foto: Divulgação

MODO DE PREPARO: ■A

escolha da matéria prima é fundamental. No Vermelho Grill, é utilizado o legítimo Carré Francês (500 gramas). Fogo forte. Uma maneira prática para saber se o fogo está forte é deixar a sua mão a 20 cm de distância do fogo. Se você não aguentar o calor por 5 segundos, é porque o fogo está ótimo para preparar o carré.

■ Colocar o carré numa grelha de aço com cantoneiras em "v' e salgar assim que a carne começar a "suar". ■ Virar

e salgar do outro lado.

■ O sal grosso deve ser moído para diminuir a sua partícula. ■ 15

- 20 minutos de fogo e está pronto.

■ A geleia de alecrim compõe o prato, assim como um vinho

tinto redondo de tanino macio.

A D E G A Nova regulamentação para a vitivinicultura está em debate PROPOSTA DE ATUALIZAÇÃO FICARÁ EM CONSULTA PÚBLICA ATÉ O COMEÇO DE AGOSTO

O

Ministério da Agricultura (Mapa) colocou em consulta pública, até o começo de agosto, proposta de atualização da legislação para identidade e qualidade do vinho. Para o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Júlio Fante, a iniciativa é positiva, uma vez que a última regulamentação foi feita há 12 anos, com a norma nº 229/1998, que está em vigor. "Agora, vamos analisar as propostas e ver se é necessário apon-

tar alguma alteração ou propor debates técnicos para passar posicionamento do setor." O texto sugere a inclusão de termos qualitativos para vinhos, como reserva, reserva especial e gran reserva. "Essas designações estão sendo, em alguns casos, utilizadas de forma incorreta, podendo levar o consumidor a engano", explica o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Hélder Borges. Além disso, serão incluídos padrões para bebidas que não existiam na

época, como do tipo Cooler e alcoólico composto. A nova norma trata também da redução gradativa da adição de açúcar (chaptalização), que eleva o teor alcoólico em até três graus. "A intenção é banir essa prática no Brasil, a exemplo dos demais países produtores." Borges destaca que a norma está alinhada às exigências dos importadores, o que deve abrir mais mercados para o produto nacional. A proposta pode ser acessada no site www.agricultura.gov.br.

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DO BOM E DO MELHOR

Mais estilo, mais vida

Golfe

POR ANA MARIA STELLA DE ALBUQUERQUE*

Porto Alegre Country Club: um jovem de 80 anos Foto: Henrique Amaral

O

itenta anos são passados desde que o norte-americano, Joseph Millender, na

ocasião presidente da Companhia de Energia Elétrica Riograndense, à frente de um grupo de amigos, fundou o Porto Alegre Country Club. Dessa forma, o grupo pôde contar com um lugar próprio e exclusivo para praticar suas tacadas, já que, até então, isso era feito no campo esportivo da Brigada Militar, onde foi construído um campo com cinco buracos. A sede atual em nada lembra o bonde onde a primeira sede foi provisoriamente instalada. De lá até os dias de hoje, várias mudanças foram feitas para proporcionar mais conforto aos sócios, principalmente no que diz respeito ao espaço do Bar Inglês, ou, como também é chamado pelos golfistas, o buraco 19. É ali, depois do jogo, a parada obrigatória para um descanso merecido, comentários sobre a performance no campo e - por que não? - para beber uma cervejinha. Pode-se imaginar quantas histórias

foram vividas durante essas décadas no percurso dos 18 buracos! A área do campo de golfe pode ser ainda hoje considerada um pul-

sua diretoria, imprime continuidade ao que já foi feito anteriormente ainda que, principalmente, venha investindo na novíssima geração de jo-

mão verde na região, apesar de toda a transformação ocorrida ao seu redor, o que em nada diminuiu a beleza e a magia do lugar. Hoje, o Porto Alegre Country Clube tem como presidente o Sr. Ramiro Agrifoglio Davis que, junto a

gadores. Esses, apesar de ainda crianças, levam as aulas de golfe a sério, mostrando que o Porto Alegre Country Club tem orgulho de seu passado e com ele convive feliz , embora seja para o futuro o enfoque de seus projetos.

*Ana Maria Stella de Albuquerque é formada pela Socila - Rio de Janeiro, com permanente atualização profissional em eventos. Desenvolve trabalhos junto a empresas e profissionais, nas áreas de Comportamento Profissional, Social, Moda, Atendimento ao Público e como Personal Stylist. atitudecomportamento@terra.com.br

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HUMOR

CRÔNICA

Embalagens, esses cofres invioláveis POR IVAN CARVALHO

vida moderna é mesmo uma beleza. Creio que ninguém da minha geração, que não é tão remota assim, sequer imaginou certas coisas que hoje são corriqueiras. A internet, por exemplo. Nenhuma obra de ficção cientifica, por mais desvairada ou futurista, chegou perto de imaginar algo como a rede mundial de computadores e os seus desdobramentos. As pessoas imaginavam o telefone antes da sua invenção, assim como sonhavam em voar, antes do avião. Os submarinos os foguetes espaciais, o rádio e a televisão foram, de muitas formas, antevistos pela imaginação humana. Os computadores tiveram uma evolução que, embora longe da compreensão dos mortais, não nos espantou demais. O cérebro eletrônico, a máquina que armazena todas as informações, já existia, de um modo ou de outro, nos quadrinhos de Flash Gordon, nos livros de Julio Verne e nos filmes antigos de James Bond. Mas a internet nos pegou de surpresa. Nunca foi imaginada, a não ser num círculo muito restrito de técnicos. E creio que mesmo esse grupo restrito não fazia a mínima ideia, nos primórdios da coisa, no que ela poderia vir a se tornar.

A

Outra maravilha: os vídeogames. A simulação mais aproximada de um jogo de futebol, por exemplo, para os meninos do meu tempo, era o fla-flu, que os paulistas chamam de pebolin. Hoje, o vídeogame chega a ser mais perfeito do que um jogo real. Pelo menos a seleção brasileira que vi meu sobrinho manejando na tela era muito melhor do que a que mandamos para a Copa. Se um guri saísse de 1960 diretamente para a frente de um jogo desses, creio que enlouqueceria de felicidade. Ou morreria de susto, sei lá... Tudo evolui tanto e tão rápido que mal temos tempo de acompanhar. Existe janela com controle remoto, pipoca de microondas, carro que não precisa fazer mudança... Milhares de coisas, as mais bobas possíveis, para facilitar a vida das pessoas. Até escova de dentes elétrica, que é uma coisa meio doida, porque só diminui um pouco o movimento da mão. Vai ter preguiça assim lá no Arroio dos Ratos. Só tem uma coisa que anda na contramão de tudo isso: as embalagens. Sei lá por que raios os fabricantes de quase tudo, em vez de inventarem embalagens que abram mais facilmente, estão fazendo verdadeiros cofres invioláveis. Parece uma gincana. A começar pelos CDs. Os danados, se não forem piratas,

vêm envoltos em um papel celofane justo, sem ponta para pegar. Se o sujeito não tiver à mão um objeto apropriado, pontudo ou muito afiado, pode desistir, porque só vai se irritar. Unhas e dentes não fazem efeito algum. Um dia desses comprei um alicate. Vinha numa embalagem plástica com um fundo de papelão. Parecia barbada. Tentei extraí-lo dali com as próprias mãos. Engano meu. Comecei pelo papelão, que me pareceu o ponto frágil do invólucro. Negativo. O danado tinha uma camada embaixo da outra e era forte como a defesa da Itália. Fui para o plástico. Nem por sonho. Se continuasse, ia lesionar os dedos e precisar de um calmante. Olhei em volta em busca de ajuda. Achei uma tesourinha, dessas de cortar unhas. Nem arranhou o plástico e não penetrava no papelão. Cheguei à conclusão absurda: para tirar o alicate da embalagem, precisava de um alicate. Mas - bolas - se eu tivesse um alicate não estaria comprando outro! Outra coisa irritante são as tampas. Tem um antisséptico bucal que é um horror. Não abre na sutileza ou por qualquer meio civilizado. Só na ignorância, na força bruta mesmo, de preferência com uma chave inglesa de pressão. Um dia, espero, teremos embalagens que se abrirão num toque. Aí sim, será a civilização.

Por Chaui (crchaui@terra.com.br)

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