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Jornal Sporting n.º 4076

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OS MAIORES DA EUROPA

PÁGS. 14-21

FUTSAL

“Para levantar o troféu é preciso cair várias vezes”

Ivan Chishkala em entrevista após a conquista da UEFA Futsal Champions League, a primeira desde que chegou ao emblema de Alvalade

PÁGS. 22-24

VOLEIBOL

Leões são Bicampeões Nacionais! Equipa de João Coelho fez o 9-0 na final e voltou a conquistar a Liga, levantando o título, desta vez, no Pavilhão João Rocha, palco da festa

PÁGS. 26-28

VOLEIBOL

“Foi dos melhores momentos que vivi no desporto”

Gonçalo Sousa explicou que os Leões voltaram “a colocar o voleibol como uma das modalidades de que os adeptos se orgulham”

PÁGS. 30-32

NO TOPO DA EUROPA

GANHAR UMA UEFA FUTSAL CHAMPIONS LEAGUE

É EXTRAORDINÁRIO. GANHAR TRÊS É ENTRAR DEFINITIVAMENTE NA HISTÓRIA

EUROPEIA

DA MODALIDADE.

A conquista da terceira UEFA Futsal Champions não foi apenas mais uma vitória europeia. Foi a confirmação de uma equipa que joga unida, sofre unida e vence unida.

Dentro de campo vê-se talento, qualidade e ambição. Mas o verdadeiro segredo desta conquista está naquilo que não cabe nas estatísticas: a ligação entre todos. Este grupo é mais do que uma equipa. É família.

Numa época exigente, o Sporting CP respondeu como os grandes campeões respondem: com resiliência. Nunca deixou de acreditar. Nunca perdeu a coragem de continuar. A equipa mostrou sempre uma força emocional extraordinária, alimentada diariamente pelo compromisso de cada jogador, pela liderança técnica e pela cultura vencedora do Clube.

Sem nunca esquecer o apoio dos Sportinguistas. Aqueles

que transformam cada jogo numa demonstração de paixão incondicional. Aqueles que acreditam mesmo antes da vitória existir. Em cada bancada, em cada viagem, em cada mensagem de apoio, esteve presente a energia que empurra o Sporting CP para lá dos limites. Esta conquista também lhes pertence.

Ganhar uma UEFA Futsal Champions League é extraordinário. Ganhar três é entrar definitivamente na História europeia da modalidade. Mas mais importante do que o número é a forma como esta equipa representa o símbolo que leva ao peito: com entrega total, espírito colectivo e uma vontade inabalável de honrar o Clube.

Acreditar continua a ser a nossa maior força. E quando a família Sportinguista luta junta, torna-se impossível deixar de sonhar.

PROPRIEDADE: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL DIRECTORA: MAFALDA BARBOSA • MJBARBOSA@SPORTING.PT COORDENADOR‑ADJUNTO: LUÍS SANTOS CASTELO LSCASTELO@SPORTING.PT REDACÇÃO: FILIPA SANTOS LOPES FALOPES@SPORTING.PT; MARIA GOMES DE ANDRADE MGANDRADE@ SPORTING.PT; NUNO MIGUEL SIMAS • NQSIMAS@SPORTING.PT; XAVIER COSTA XRCOSTA@SPORTING.PT FOTOGRAFIA: ISABEL SILVA; JOÃO PEDRO MORAIS; JOSÉ LORVÃO COLABORADOR PERMANENTE: JUVENAL CARVALHO AGENDA E RESULTADOS: JOÃO TORRES • JBTORRES@SPORTING. PT EDITOR E SEDE DA REDACÇÃO: ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE, RUA PROFESSOR FERNANDO DA FONSECA, APARTADO 4120, 1501‑806 LISBOA, PORTUGAL TELEFONE: +351 217 516 155 E‑MAIL: MEDIA@SPORTING.PT NIF: 500 766 630 REGISTO ERC: 100313 TIRAGEM: 9500 EXEMPLARES DEPÓSITO LEGAL: 48492/91 DISTRIBUIÇÃO: VASP DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA, S.A., QUINTA DO GRAJAL – VENDA SECA 2739‑511 AGUALVA CACÉM IMPRESSÃO: FUNCHALENSE: RUA DA CAPELA DA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, Nº 50 - MORELENA 2715-029 PÊRO PINHEIRO ESTATUTO EDITORIAL: HTTPS://WWW.SPORTING.PT/PT/JORNAL/ESTATUTO‑EDITORIAL ASSINATURAS: E‑MAIL: ASSINATURAJORNAL@SPORTING.PT LINHA SPORTING 707 20 44 44 INTERNACIONAL +351 30 997 1906 (segunda a sexta‑feira das 10h00 às 20h00)

I Open Day | 23 de Maio

II Open Day | 20 de Junho

1.º Turno | 09h00 – 10h30

2.º Turno | 10h30 – 12h00

3.º Turno | 12h30 – 14h00

Praia do Tarquínio-Paraíso Costa da Caparica

A partir dos 6 anos 7,50€ por participante

FUTEBOL EQUIPA PRINCIPAL

200X FRANCISCO TRINCÃO: “DÁ‑ME VONTADE DE QUERER GANHAR MAIS E DE FAZER MAIS E MELHOR”

FRANCISCO TRINCÃO CHEGOU AOS 200 JOGOS NO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL. PARA ASSINALAR O NÚMERO REDONDO, O CAMISOLA 17 FALOU AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO CLUBE E DEU CONTA DO ORGULHO POR CONTINUAR A PROLONGAR A SUA HISTÓRIA DE VERDE E BRANCO.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: João Pedro Morais

Sentimento por atingir a marca

“É um grande privilégio poder fazer 200 jogos pelo meu clube. Acima de tudo, contente por ajudar seja de que forma for”.

Fazer parte da História do Sporting CP

“Desde pequeno, sempre sonhei fazer parte deste clube e, além disso, conseguir vencer é sempre bom, por isso estou muito feliz”.

Sobre os títulos já conquistados de Leão ao peito (duas Ligas e uma Taça de Portugal)

“Dá-me vontade de querer ganhar mais e de fazer mais e melhor, porque a sensação é sempre óptima. Agora, é dar continuidade ao projecto e ganhar mais títulos”.

Significado por já ter envergado a braçadeira de capitão

“Também excelente. É sinal, também, de que a equipa acredita em mim, por isso é uma boa sensação”.

Responsabilidade por representar o Sporting CP

“É enorme. Não só no grupo, dentro da Academia e de Alvalade, mas também para todos os adeptos. Sabemos aquilo que representamos para muita gente, portanto temos de dar sempre o nosso melhor e o máximo”.

Uma pessoa importante ao longo destes 200 jogos

“Tenho de dizer toda a gente que me ajuda no dia-a-dia, toda a gente que esteve na Academia, no Estádio, e que faz parte do grupo e do staff. Não consigo dizer uma pessoa em específico”.

7 de Setembro de 2022

“Data do meu primeiro golo? Lembro-me de que foi na UEFA Champions League, 0-3 contra o Eintracht Frankfurt e foi um bom golo (risos)”.

Um golo para mais tarde recordar “Diria, talvez, o da final da Taça de Portugal [2024/2025]”.

Top‑3 melhores momentos no Sporting CP “As duas conquistas do Campeonato e a Taça de Portugal, os títulos”.

O jogo mais especial

“Há muitos, mas talvez o jogo com o Vitória SC em que que fomos Bicampeões. Acho que esse foi o que mais me marcou”.

Jogar a UEFA Champions League “É óptimo. É a maior competição de clubes e, por isso, é um orgulho enorme poder jogá-la. É uma grande sensação”.

União do grupo

“Sempre foi assim e toda a gente sabe que o balneário sempre foi uma das principais fontes para o sucesso”.

Importância do Sporting CP na sua vida “Enorme. Ter vindo para cá ajudou-me com-

pletamente e, por isso, significa tudo”.

Ligação ao clube

“Desde pequeno. Os meus amigos de infância sabem-no, porque falava sempre disso. Hoje em dia estou cá e é um orgulho enorme”.

Evolução e polivalência na frente de ataque “Também depende muito dos colegas e da equipa e acho que todos nos entendemos bem. Seja numa posição ou noutra, tem muito que ver também com o que o míster diz e o entendimento entre os jogadores. Quando se tem bons jogadores ao lado é sempre mais fácil”.

Regularidade como um dos jogadores mais minutos e 88 jornadas consecutivas a jogar

na Liga

“Tem que ver com o dia-a-dia, a forma como levo a vida e como me tento cuidar, além de toda a ajuda que temos por parte do Clube. Tem que ver com o que se tem de fazer no trabalho diário, nos treinos, no descanso e na alimentação. Vem tudo desses factores todos juntos, além de achar que tenho a sorte de ter uma genética boa, e nisso tenho de agradecer aos meus pais”.

Acabar a Liga como máximo assistente é um objectivo pessoal?

“Não, o objectivo é ajudar a equipa. Com golos e assistências é sempre melhor, mas senão noutros aspectos, porque o jogo não passa só por aí”.

Estádio José Alvalade como ‘fortaleza’ “Sim, desde sempre, mas não só em casa. Sinto que jogamos sempre em casa, mas claro que o apoio que temos sempre no estádio faz a diferença”.

O que diferencia o Sporting CP?

“É a mística. É um clube diferente pela sua História e por tudo o que já passou e continua a ganhar, não só no futebol mas em todas as modalidades. Acho que o Clube tem uma mística diferente e é isso que faz com que seja único”.

Carinho dos adeptos

“Sim, sim, em todo o lado. Desde sempre, toda a gente me tratou bem, é um orgulho e que as pessoas reconheçam o trabalho que tenho vindo a fazer é sempre óptimo. Só tenho de agradecer”.

Paixão dos adeptos ainda surpreende?

“Sim! A segunda vez no Marquês ainda foi melhor do que a primeira, portanto acho que as pessoas continuam a aderir àquilo que esta equipa tem feito. Tem sido cada vez mais e melhor”.

Mensagem aos Sportinguistas

“Apenas que continuem para que sintamos o que temos sentido até hoje, esse apoio e, depois, esperem o máximo de nós, porque vamos dar sempre tudo pelo Clube”.

Objectivos ainda por cumprir no Sporting CP “Mais 200 jogos (risos)”.

Trincão é o terceiro jogador do plantel actual com mais jogos de Leão ao peito

FUTEBOL EQUIPA PRINCIPAL

EDUARDO QUARESMA E OS 100 JOGOS DE LEÃO AO PEITO: “MARCA MUITO IMPORTANTE PARA MIM”

O DEFESA ATINGIU OS 100 JOGOS PELA EQUIPA PRINCIPAL DE FUTEBOL DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL E, EM ENTREVISTA AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO EMBLEMA DE ALVALADE, MOSTROU-SE NATURALMENTE FELIZ COM O FEITO CONSEGUIDO.

Texto: Luís Santos Castelo

Fotografia: João Pedro Morais

A marca dos 100 jogos

“Sentimento de orgulho. Trabalhei muito para conquistar esses 100 jogos, até porque não foi um trabalho fácil, significam o caminho que tive de passar para chegar a esta marca, que é muito importante para mim enquanto jogador do Sporting CP”.

Um lugar na História do Sporting CP “2020/2021 foi muito especial porque ninguém acreditava em nós. Começámos de baixo, remodelámos equipa e treinadores, mudou muita coisa. Foi um campeonato inesquecível e ficar na História do Sporting CP começou aí. Nunca esquecerei”.

Títulos conquistados pelo Sporting CP

“Representa responsabilidade e, talvez, mudança. Sou do Sporting CP desde pequenino e, a crescer, não via o Sporting CP a conquistar muitos títulos. Desde 2020/2021, o Sporting CP tem crescido em termos de títulos e sinto responsabilidade porque estamos a mudar a forma como as pessoas – e nós mesmos –olham para o Sporting CP”.

Braçadeira de capitão

“Responsabilidade e orgulho. Ser capitão de um clube como este traz muitas responsabilidades dentro e fora de campo. Temos de ser uma imagem para todos os que chegam, tanto os miúdos como os reforços. Ser capitão do Sporting CP sendo um ‘menino’ da Academia é muito importante”.

Responsabilidade de representar o Sporting CP

“É cada vez maior porque agora as pessoas esperam que conquistemos títulos e que lutemos em todas as competições, inclusive na UEFA Champions League. Ao longo dos anos, a responsabilidade tem crescido muito para o jogador do Sporting CP. É um clube muito grande pela dimensão e os adeptos que tem”.

Primeiro golo pelo Sporting CP (contra o SC Braga em 2023/2024)

“Um golaço. Quando acabou o jogo, fui ver as reacções dos meus colegas e fiquei muito feliz por marcar o meu primeiro golo pelo Sporting CP”.

Golo contra o Gil Vicente FC em 2024/2025

“Dos golos que marquei, foi o mais importante da minha carreira até hoje. Foi num jogo muito difícil e, se empatássemos, se calhar não éramos

Bicampeões”.

Melhores momentos de Leão ao peito

“A conquista do primeiro campeonato, o jogo com o FC Porto [em 2023/2024] e a conquista do Bicampeonato”.

O jogo mais especial

“O [já referido] jogo com o FC Porto. Não era para ser titular, soube de manhã. O míster disse-me que ia jogar e que sabia o que tinha de fazer. Por tudo o que aconteceu depois, digo esse jogo”.

União do grupo

“No primeiro campeonato, talvez o futebol não fosse bonito como hoje, mas o grupo que tínhamos… Nunca tive um grupo mau aqui, foram sempre extraordinários. Não consigo escolher um melhor porque foram todos incríveis. As

pessoas sabem que somos um grande grupo, mas estar no balneário e em tantos momentos com eles é muito especial”.

Importância do Sporting CP

“O Sporting CP deu-me tudo desde os dez anos. É a minha segunda casa. Algumas vezes visito a parte da formação, tenho lá pessoas de que gosto muito”.

Diferenças para o Eduardo Quaresma de 2020/2021

“Sinto-me muito mais completo. Um miúdo de 17 anos que chega à equipa principal não sabe tudo e ainda hoje não sei tudo. Todos os dias são para crescer e aprender”.

A fortaleza de Alvalade

“Ao longo dos anos, Alvalade tem vindo a formar um ambiente muito positivo, que nos apoia e que nos leva para a frente mesmo quando estamos a perder. Os adeptos são uma força muito importante, mas também quando temos jogos fora”.

Reconhecimento dos adeptos

“Tenho uma relação bastante positiva com eles. Dou tudo pelo Clube e eles sentem isso. Respeito muito os adeptos e eles respeitam-me a mim”.

Paixão dos adeptos

“Lembro-me de um jogo fora com o Boavista FC que foi dos melhores de sempre. Enchemos o estádio e ainda me arrepia”.

Mensagem para os adeptos

“Que continuem a fazer o que têm feito ao longo de todos estes anos, que é apoiar. Independentemente da época ser mais ou menos positiva, estaremos mais perto de ganhar se estiverem connosco”.

O que diria ao Eduardo Quaresma quando estava a dar os primeiros passos

“Para ser ele mesmo porque foi isso que o levou até onde está hoje”.

FUTEBOL EQUIPA PRINCIPAL

DE VOLTA AO SEGUNDO LUGAR

DEPOIS DE UM INÍCIO DE JOGO MENOS POSITIVO, OS LEÕES VIRARAM UM 1-0 PARA 1-4 E AMEALHARAM TRÊS PONTOS CRUCIAIS QUE

RECOLOCARAM O CLUBE NA SEGUNDA POSIÇÃO DA TABELA CLASSIFICATIVA DA LIGA. UM AUTOGOLO JUNTOU-SE AOS TENTOS DE LUIS

SUÁREZ, FRANCISCO TRINCÃO E GEOVANY QUENDA EM VILA DO CONDE, CASA DO RIO AVE FC.

Texto: Luís Santos Castelo

Fotografia: José Lorvão

Numa deslocação sempre complicada, a equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal visitou e venceu o Rio Ave FC por 1-4 na 33.ª e penúltima jornada da Liga Portugal. Com este resultado, conseguido com uma reviravolta e golos de Luis Suárez, Francisco Trincão e Geovany Quenda (e ainda um autogolo), os Leões voltaram ao segundo lugar da tabela classificativa, estando novamente – e apenas com a recepção ao Gil Vicente FC (sábado, 20h30, Estádio José Alvalade) pela frente – no lugar de acesso às fases de qualificação para a fase de liga da UEFA Champions League.

Rui Borges operou duas alterações nos titulares, tendo Zeno Debast e Geny Catamo dado lugar a Ousmane Diomande e Luís Guilherme. O melhor início, no entanto, pertenceu ao Rio Ave FC e foi Dario Špikić o primeiro a tentar a sua sorte. Aos 5’, Tamble Monteiro ameaçou de forma mais séria, mas o cabeceamento saiu ligeiramente ao lado. Na resposta, Pedro Gonçalves foi da esquerda para o centro e atirou em arco, mas ao lado. Tamble Monteiro voltou a arriscar aos 10’, sem sucesso. Era mesmo o Rio Ave FC quem estava melhor e, aos 12’, chegou ao 1-0 num contra-ataque finalizado por Diogo Bezerra. Marcador inaugurado e felicidade dos adeptos da casa, sendo que os muitos Sportinguistas presentes não se deixaram ir abaixo e continuaram a apoiar a equipa de forma bem audível. A perder, o Sporting CP procurou subir linhas e começou a ter cada vez mais bola e domínio. Luis Suárez rematou para fora e, do outro lado, Dario Špikić fez o mesmo, até que, pouco depois da meia-hora de jogo, o avançado colombiano do emblema de Alvalade arrancou de forma fenomenal e sofreu falta na área, sendo assinalado pontapé de penálti. Luis Suárez converteu da melhor forma e fez o 1-1, atingindo os 36 golos pelo Sporting CP. Não foi preciso esperar muito pelo 1-2 que confirmou a reviravolta, ainda que tenha sido um lance bem caricato: Gustavo Mancha passou para o guarda-redes Cezary Miszta, que não chegou à bola e esta terminou no fundo das redes.

11.05.2026

Liga Portugal – 3.ª jornada Estádio do Rio Ave FC, Vila do Conde RIO AVE FC SPORTING CP 1 4

1-2 ao intervalo

Diogo Bezerra (12’) Luis Suárez, (35’ P), Gustavo Mancha (42’ AG), Francisco Trincão (66’), Geovany Quenda (90’)

Sporting CP: Rui Silva [GR], Eduardo Quaresma, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio [C], Maxi Araújo, Hidemasa Morita (Geovany Quenda, 65’), Daniel Bragança (Giorgi Kochorashvili, 82’), Luís Guilherme (Geny Catamo, 65’), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Eduardo Felicíssimo, 82’) e Luis Suárez (Rafael Nel, 90+1’). Treinador: Rui Borges. Disciplina: cartão amarelo para Luis Suárez (32’) e Ousmane Diomande (32’).

Vantagem para o Sporting CP, que podia ter aumentado o fosso logo a seguir, num cruzamento de Maxi Araújo que encontrou a finalização subtil de Luis Suárez que passou muito perto do poste. Ainda na primeira parte, o Rio Ave FC teve duas aproximações perigosas; na primeira, Tamble Monteiro rematou para boa defesa de Rui Silva e foi Eduardo Quaresma a afastar para canto. Depois, Dario Špikić atirou à malha lateral, mas os Leões venciam mesmo por 1-2 ao intervalo.

A segunda parte podia ter tido um Rio Ave

Três pontos de grande importância para a caminhada do Sporting CP no Campeonato
Luis Suárez empatou a partida a partir da marca de pontapé de penálti

FC motivado a tentar chegar ao empate, mas Petrasso viu o segundo amarelo e o consequente vermelho logo aos 52’, o que dificultou bastante a tarefa dos de Vila do Conde. No livre que se seguiu, Pedro Gonçalves rematou directamente para as mãos de Cezary Miszta. Com um ritmo e número de oportunidades mais baixos na segunda metade, o Sporting CP dominou os 45 minutos finais por completo, não permitindo ao Rio Ave FC sonhar com outro resultado que não a derrota. O 1-3 esteve

sempre mais perto do que o 2-2 e por pouco não apareceu aos 63’, quando Luís Guilherme deu para Luis Suárez atirar a passar por muito perto.

O terceiro golo Leonino apareceu mesmo e logo três minutos depois, quando Geny Catamo e Geovany Quenda já tinham entrado para as saídas de Luís Guilherme e Hidemasa Morita. Foi Francisco Trincão, com um grande remate de fora da área que representou o momento mais espectacular da noite, o autor do 1-3

RUI BORGES: “UMA VITÓRIA DIFÍCIL”

No final, Rui Borges marcou presença na conferência de imprensa em Vila do Conde e respondeu às perguntas dos jornalistas.

Análise ao jogo

“Uma vitória difícil. Primeira parte difícil, sofremos golo muito cedo. Sabíamos o que o Rio Ave FC faz bem porque tem jogadores para o fazer. Joga bolas directas para as suas referências e, quando não o consegue, é muito activo nas segundas bolas.

que (praticamente) acabou com as dúvidas quanto ao vencedor.

A intensidade, essa, caiu ainda mais com o golo e, aos 82’, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança deram lugar a Eduardo Felicíssimo –somou os primeiros minutos pela equipa principal em 2025/2026 – e Giorgi Kochorashvili. O Rio Ave FC ficou, com toda a certeza, fora da discussão do resultado não muito mais tarde, quando Ryan Guilherme também viu o cartão vermelho por ter levado dois amarelos

e deixou a sua equipa com nove em campo. A superioridade mais acentuada permitiu ao Sporting CP fechar as contas em 1-4: Geovany Quenda, que havia recuperado a bola no início da jogada, foi servido por Maxi Araújo e finalizou de forma convicta para o primeiro golo desde Novembro.

Ainda antes do apito final, Rafael Nel substituiu Luis Suárez e o Sporting CP saiu de Vila do Conde com três pontos e uma subida de posição no autocarro.

Aconteceu isso a primeira parte toda. Tivemos de ter esse risco. Fomos perdendo alguns duelos, o que dificultou, mas conseguimos melhorar a acabar a primeira parte. Fizemos o golo e fomos felizes no segundo. A segunda parte não tem história, foi Sporting CP. Controlámos o jogo, aqui ou ali com a bola mais lenta, mas sempre ligados, o que era importante. Mesmo com menos um, o Rio Ave FC podia ser perigoso porque é uma equipa atleticamente muito forte. A vitória é justa”.

Campeonato

“O grupo está feliz porque fomos capazes de ganhar um jogo depois de termos estado a perder. Claro que, depois, há o acréscimo de voltarmos a ser segundos, mas ainda falta uma jornada em nossa casa. Precisamos do apoio dos nossos adeptos, que tem sido importantíssimo ao longo de toda a época também fora de casa. O Gil Vicente FC vai dificultar a nossa tarefa”.

Arbitragem

“Não comento a arbitragem. Os lances foram decididos assim e acredito que foram bem ajuizados”.

Momento da equipa

“Voltarmos a ser segundos traz alguma motivação e

tranquilidade. Termos perdido a oportunidade de continuarmos a lutar pelo campeonato e, depois, o segundo lugar foi difícil, mas conseguimos ultrapassar isso. É importante só dependermos de nós para conseguirmos segurar o segundo lugar na última jornada. Espero que os jogadores se motivem ainda mais para a dificuldade da última jornada”.

Zeno Debast e Georgios Vagiannidis

“Lesionaram-se os dois no treino e estão sob avaliação. Não consigo dar muito mais informação. Acredito que a vamos ter nos próximos dias”.

Final da Liga Portugal

“Tem de passar pela cabeça de todos nós acabarmos em segundo. A equipa respira um bocadinho um ar que fica diferente, mas temos um jogo difícil, mesmo sendo em nossa casa. A energia em todas as equipas não está a 100%, mas acredito que a motivação do grupo é grande para conseguirmos ficar em segundo lugar”.

Quinto amarelo de Ousmane Diomande

“Sobram dois centrais, não é difícil adivinhar. E à direita? Seja o que Deus quiser [risos]. Arranjaremos solução”.

Desde Novembro que Geovany Quenda não marcava
Um grande golo de Francisco Trincão deixou o Sporting CP mais tranquilo

FUTEBOL EQUIPA B

TARDE AGRIDOCE EM ALCOCHETE

OS LEÕES DE JOÃO GIÃO NÃO CONSEGUIRAM VENCER O FC PORTO (0-1), MAS GARANTIRAM A MANUTENÇÃO NA LIGA PORTUGAL 2. UM PRÉMIO JUSTO PARA UM GRUPO DE JOVENS QUE RUBRICOU UMA PRIMEIRA METADE DE ÉPOCA DE EXCELENTE NÍVEL E QUE ‘PERDEU’ VÁRIAS PEÇAS IMPORTANTES PARA A EQUIPA PRINCIPAL.

Texto: Filipa Santos Lopes Fotografia: João Pedro Morais

A equipa B de futebol do Sporting Clube de Portugal perdeu com a equipa B do FC Porto por 0-1, na tarde do passado sábado, em jogo da 33.ª e penúltima jornada da Liga Portugal 2. Apesar do desaire, a combinação dos restantes resultados da ronda permitiu aos verdes e brancos garantir matematicamente a manutenção, feito de sublinhar na temporada de regresso ao segundo escalão do futebol nacional.

A última tarde da temporada no Estádio Aurélio Pereira começou sob domínio verde e branco: o Sporting CP controlou o jogo desde o apito inicial, instalou-se no meio-campo ofensivo e raramente permitiu ao FC Porto sair com critério.

Porém, os verdes e brancos não conseguiam transformar essa superioridade territorial em ocasiões claras de golo e foram mesmo os dragões, em transição, a criar o primeiro lance de verdadeiro perigo. Aos dez minutos, João Teixeira arrancou pela direita, ultrapassou dois adversários e rematou cruzado, com a bola a passar a centímetros do poste da baliza defendida por Francisco Silva.

09.05.2026

Liga Portugal 2 – 33.ª jornada

Estádio Aurélio Pereira

SPORTING CP FC PORTO

0 1

0-1 ao intervalo

Dinis Rodrigues (37’ P)

Sporting CP: Francisco Silva [GR], Rafael Mota (Daniel Costa, 66’), João Muniz, David Moreira, Rodrigo Dias, Rayan Lucas (Zaïd Bafdili, 66’), Samuel Justo (Manuel Kissanga, 83’), Paulo Cardoso, Manuel Mendonça [C] (Rafael Besugo, 66’), Flávio Gonçalves e Lucas Anjos (Víctor Guzmán, 60’). Treinador: João Gião.

Disciplina: cartão amarelo para Samuel Justo (34’) e Rodrigo Dias (35’).

Apesar do susto, os jovens Leões de João Gião mantinham a paciência na construção, procuravam desequilíbrios através do jogo apoiado e aproximaram-se da área azul e branca em vários momentos.

Aos 16 minutos, Rodrigo Dias descobriu espaço no corredor central e, com um passe picado a rasgar linhas, procurou servir David Moreira. Mais tarde, Flávio Gonçalves também arriscou de meia distância, sem acertar no alvo. A melhor oportunidade verde e branca acabou por nascer dos pés de Paulo Cardoso, já perto da meia hora: o cabo-verdiano recuperou o esférico ainda antes da linha de meio-campo, acelerou pelo corredor central, deixou adversários e metros para trás, entrou na área e rematou rasteiro, mas ao lado, da baliza portista.

O Sporting CP ameaçava, apesar dos processos algo lentos e da falta de definição no último passe, mas o jogo mudou com a chegada da chuva e do vento a Alcochete. Aos 37’, já em plena intempérie, a equipa de arbitragem assinalou grande penalidade por agarrão na área. Dinis Rodrigues aproveitou a oportunidade e colocou os visitantes em vantagem desde a marca dos onze metros.

Galvanizado pelo golo, o FC Porto esteve perto de fazer o segundo pouco depois. Ainda assim, os Leões procuraram sempre inverter o rumo dos acontecimentos e, aos 42 minutos, Manuel Mendonça surgiu pela direita e cruzou para Lucas Anjos, que cabeceou por cima.

Já numa fase mais ‘partida’, também o portista Luís Gomes ficou perto do golo, lance-epílogo de uma primeira parte demasiado castigadora para um Sporting CP que, dominador uma vez mais, pecou pela ineficácia na área contrária.

O Sporting CP regressou dos balneários com a mesma postura dominadora e instalou-se no meio-campo adversário. As oportunidades, essas, começaram a acumular-se: aos 52 minutos, Samuel Justo tentou a sorte

de longe, mas ao lado, e, pouco depois, Lucas Anjos desperdiçou uma excelente ocasião na cara de Gonçalo Ribeiro. Aos 57 minutos, também Manuel Mendonça apareceu na área e tentou o desvio, após cruzamento de David Moreira, mas o lance perdeu-se pela linha de fundo. Num jogo de sentido único e sem bola durante largos períodos, o FC Porto raramente conseguia respirar longe da própria área. Já sob nova vaga de chuva intensa em Alcochete, João Gião mexeu pela primeira vez na equipa aos 60 minutos e lançou Víctor Guzmán para o eixo do ataque. Ambicioso, o treinador verde e branco não demorou a lançar mais três peças para o terreno de jogo e, seis minutos depois, promoveu também as entradas de Rafael Besugo, Daniel Costa e Zaïd Bafdili. Mudaram as peças, mas o Sporting CP manteve-se por cima, empurrou o FC Porto para trás e continuou à procura de um rasgo de inspiração que equilibrasse o marcador. Aos 72 minutos, João Muniz surgiu ao segundo poste na sequência de um livre e cabeceou por cima. Pouco depois, aos 77 minutos, Paulo Cardoso voltou a tentar o golo em dois momentos consecutivos, embora sem sucesso. Faltava eficácia aos Leões de João Gião, que, já dentro dos dez minutos finais, apostou também em Manuel Kissanga para fazer face às adversidades. E a persistência Leonina podia ter sido recompensada aos 89 minutos, mas Gonçalo Ribeiro negou o empate a Rafael Besugo com uma intervenção de enorme nível. Numa derradeira tentativa de resgatar pontos, João Gião arriscou tudo em período de compensação e adiantou João Muniz para zonas de finalização. Dinis Rodrigues, no melhor e pior da sua equipa, viu o segundo cartão amarelo aos 90+5 minutos, mas nem a superioridade numérica permitiu ao Sporting CP evitar uma derrota cruel para a produção ofensiva e domínio exibicional demonstrados ao longo de uma tarde

JOÃO GIÃO: “NÃO TENHO NADA A APONTAR AOS RAPAZES”

Em declarações à Sporting TV, João Gião considerou que o Sporting CP voltou a controlar durante largos períodos do encontro, mas assumiu as já conhecidas dificuldades no último terço do terreno.

“É difícil para mim fazer uma análise ao jogo, porque vou ter de me repetir, mas na minha opinião entrámos bem, dominámos o jogo. O FC Porto deu-nos a bola, estivemos instalados a maior parte do tempo, mas tivemos alguma dificuldade em criar verdadeiramente situações de perigo no último terço. Faltou-nos agressividade e criatividade nessa zona, e isso já não é de agora”, começou por dizer, antes de apontar o momento decisivo do encontro.

“Depois, relaxámos um pouco, o FC Porto vai lá uma vez, mais um penálti, e faz o 1-0. Aí, desequilibrámo-nos emocionalmente, mas os últimos 15 minutos da primeira parte foram os únicos momentos onde estivemos fora do jogo”, considerou o técnico, que defendeu ainda assim um grupo que tudo fez para inverter o rumo da partida. “Tivemos de correr atrás, mas não tenho nada a apontar aos rapazes. Correram, lutaram, tivemos oportunidades e acabámos o jogo com o dobro dos remates. Não fizemos golo e o responsável sou eu, porque, com as limitações que temos tido, não tenho sido capaz de encontrar soluções para ganharmos jogos nesta recta final”, assumiu. Apesar da derrota, a combinação dos resultados confirmou matematicamente a manutenção do Sporting CP na Liga Portugal 2, objectivo que o treinador reconheceu como “muito importante” na época de regresso ao segundo escalão.

“Claro que era um objectivo, a última vez que o Sporting CP esteve neste escalão desceu de divisão. Mas isto hoje continua a ser frustrante e não nos pode servir de consolo. Queríamos terminar de outra forma, mas temos ainda um jogo para ir a Viseu e, mais uma vez, lutar contra todas as adversidades e encontrar soluções”, concluiu.

agridoce em Alcochete. Com a manutenção já assegurada, os Leões fecham o campeonato

com uma deslocação ao terreno do Académico de Viseu FC, no próximo dia 17 de Maio.

Manuel Mendonça conduz mais um ataque verde e branco

FUTEBOL EQUIPA PRINCIPAL FEMININA

ÉPOCA ENCERRADA COM EMPATE E O ADEUS DE RITA FONTEMANHA

DUELO FECHADO COM O RACING POWER FC ACABOU EM NULO E SEM IMPACTO NA TABELA. CAPITÃ DAS LEOAS SAIU DEBAIXO DE SONORA OVAÇÃO NO SEU ÚLTIMO JOGO DA CARREIRA.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: José Lorvão

Para encerrar a Liga 2025/2026, a equipa principal feminina de futebol do Sporting CP empatou 0-0 com o Racing Power FC, este domingo, no duelo da 18.ª e última jornada.

Perante um adversário que estava na luta para evitar o  play-off de despromoção (e conseguiu), Micael Sequeira lançou um ‘onze’ com seis alterações relativamente ao apresentado no Estádio da Luz: Catarina Potra assumiu a baliza, Rita Fontemanha capitaneou a equipa no seu último jogo da carreira e Daniela Arques, Andreia Bravo, Carla Armengol e Flor Bonsegundo também regressaram à titularidade.

De início foi a equipa visitante – com muito mais em jogo – a mostrar-se mais ameaçadora, sobretudo através de contra-ataques. Cumpridos os primeiros dez minutos, a guardiã Leonina foi mesmo obrigada a aplicar-se para defender um remate colocado de fora da área e, pouco depois, nada pôde fazer para opor-se ao desvio certeiro na área de Pamela González. O golo, no entanto, não valeu após longa revisão do VAR. Até então com pouca capacidade

10.05.2026

Liga – 18.ª jornada

Estádio Aurélio Pereira

SPORTING CP RACING POWER FC

0 0 0-0 ao intervalo

Sporting CP: Catarina Potra [GR], Georgia Eaton-Collins, Ashley Barron, Rita Fontemanha [C] (Tânia Rodrigues, 80’), Érica Cancelinha, Daniela Arques (Joana Martins, 64’), Andreia Bravo (Brenda Pérez, 86’), Jeneva Gray, Carla Armengol (Cláudia Neto, 64’), Flor Bonsegundo (Matilde Nave, 80’), Carolina Santiago. Treinador: Micael Sequeira.

para progredir com bola, as Leoas tentaram reagir na sequência de pontapés de canto – três seguidos – porém as tentativas não foram na direcção do alvo. Ainda assim, conseguiram assumir as rédeas do jogo de maneira mais eficaz (e definitiva), monopolizando a posse de bola e até tiveram o golo à vista já perto do intervalo.

Flor Bonsegundo não deu a bola por perdida, foi até ao fim e quase teve recompensa, mas chegou muito forçada à bola dividida com a guarda-redes adversária, que com uma ‘mancha’ conseguiu levar a melhor, levando o nulo intacto para a segunda parte.

O jogo manteve o figurino após o descanso, com o Sporting CP mais controlador e o Racing Power FC investido nas transições, mas foi pouco o perigo real criado. Assim, Micael Sequeira apostou nas entradas de

Joana Martins e Cláudia Neto e o impacto podia ter sido imediato. Na cobrança perfeita de um livre, Joana Martins cruzou e Érica Cancelinha correspondeu para o fundo das redes aos 70’, porém o VAR entrou novamente em acção para o anular e manter tudo a zeros.

Foram as Leoas a assumir as despesas do jogo também na recta final, com o adversário cada vez mais baixo no terreno. Graças a uma das melhores jogadas encadeadas em todo o encontro, foi possível encontrar um novo caminho para a baliza, mas a guardiã Natalia Expósito negou o golo a Érica Cancelinha, que se somou ao ataque e teve tudo para marcar. Foi a derradeira ocasião do jogo, que ficou mesmo por desbloquear.

Antes do último apito e de cair a cortina na Liga 2025/2026, o Estádio Aurélio Pereira acolheu o adeus definitivo a Rita Fontemanha, que foi

MICAEL SEQUEIRA: “SEGUNDA PARTE

FOI MUITO MAIS PERTO DO QUE QUERÍAMOS”

“Acho que demos a primeira parte de avanço, porque jogámos muito devagar, com um jogo muito mastigado e sem chegadas. Ao intervalo acho que rectificámos, as jogadoras foram muito mais intensas, jogaram com mais velocidade e criaram mais combinações e situações de golo. Fizemos um que é anulado num momento decisivo”, considerou o treinador após a partida, acrescentando: “O Racing Power FC baixou muito as linhas e não conseguimos ultrapassar. Controlámos a segunda parte toda, foi muito mais perto do que queríamos e faltou o golo”. O técnico fez, também, um balanço da temporada. “O factor positivo foi termos conseguido o apuramento para as competições europeias, mais uma vez, mas claro que não ficamos satisfeitos com isso. Queremos muito mais. Temos de avaliar o que não correu tão bem para aparecermos mais fortes na próxima época, estando mais próximos de ganhar títulos”, perspectivou Micael Sequeira, antes de realçar a “homenagem muito merecida” a Rita Fontemanha. “Por tudo o que ela fez durante dez épocas. É muito tempo aqui. Jogou com a braçadeira e saiu antes de terminar o jogo para receber os aplausos de todos os adeptos que compareceram em força. Muito merecido por toda a resiliência e as conquistas que teve”, enalteceu.

substituída aos 80’ e saiu sob muitos aplausos da bancada, de colegas de equipa e também adversárias. Mais uma vez, as Leoas terminam a Liga no segundo lugar (35 pontos) – a

mesma posição conseguida desde 2018/2019 – e na próxima época vão voltar a disputar a fase de qualificação para a UEFA Women’s Champions League.

LEOAS E FUNDAÇÃO SPORTING UNIDAS EM MISSÃO SOLIDÁRIA

No âmbito do mês da Diversidade Europeia, a Fundação Sporting e a equipa principal feminina de futebol uniram-se para proporcionar uma experiência especial a 30 crianças institucionalizadas. Presentes na Academia Cristiano Ronaldo para assistir ao jogo, o grupo de jovens teve ainda a oportunidade de acompanhar as jogadoras das duas equipas na entrada em campo, no Estádio Aurélio Pereira. Já no final do encontro, as cerca de 30 crianças convidadas conheceram e interagiram com todo o plantel, num ambiente descontraído, trocando sorrisos, fotografias, autógrafos e brindes. Um dia recheado e para mais tarde recordar, vivido junto das futebolistas do Sporting CP.

Dez temporadas de Leão ao peito depois, Rita Fontemanha pendurou as chuteiras

FONTEMANHA

“TER DEFENDIDO O SPORTING CP DURANTE DEZ ANOS É O MEU

MAIOR LEGADO”

21 ANOS DE CARREIRA, DEZ TÍTULOS. DE LEÃO AO PEITO, UMA DÉCADA DE ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, OITO TROFÉUS E 164 PARTIDAS. RITA FONTEMANHA

VAI DESPEDIR-SE DOS RELVADOS, MAS DEIXA O FUTEBOL COM A CERTEZA DE QUE PARTE DE SI PERMANECERÁ PARA SEMPRE NO SPORTING CP. EM ENTREVISTA À SPORTING TV, A CAPITÃ LEONINA REVISITOU O PERCURSO QUE A  TORNOU NUMA DAS FIGURAS MAIS MARCANTES DO PROJECTO FEMININO DO CLUBE.

Texto: Filipa Santos Lopes, Raquel Moás Fotografia: Isabel Silva, João Pedro Morais

Qual é a sensação de ser símbolo de um Clube e de uma modalidade?

Nem eu sei bem. Quando cheguei ao Sporting CP, não esperava fazer História por este clube, fazer parte do legado do Sporting CP e deixar também a minha marca e os meus valores para as gerações que aí vêm. Sair daqui, tendo feito isso e tendo tocado, se calhar, o coração de tanta gente, deixa-me plena, feliz e com a certeza de que o que quer que tenha feito, fiz bem.

“UMA DAS COISAS QUE SEMPRE TENTEI FAZER FOI CUIDAR DAS

GERAÇÕES

QUE AÍ VINHAM E, PRINCIPALMENTE, PASSAR-LHES VALORES SPORTING CP”

Começou a jogar muito jovem, entre jogadoras muito mais experientes, e termina agora como exemplo para muitas outras meninas que lhe seguem as pisadas. Uma das coisas que sempre tentei fazer foi cuidar das ge-

rações que aí vinham e, principalmente, passar-lhes valores Sporting CP, que são os meus valores: o saber estar, o esforço e a dedicação diária no treino, porque tudo aquilo que fazemos no treino depois reflecte-se no jogo e, acima de tudo, sermos boas pessoas, porque boas pessoas são melhores atletas. Espero ter feito isso da melhor forma.

A Rita tem também o cuidado de tentar marcar a dife rença através da presença. Desloca se, por exemplo, ao Pólo Lisboa para retribuir às meninas que por lá treinam o apoio que recebe. Porquê?

Porque sou assim desde que me lembro. Já vem de berço, diria. A forma como tento cuidar dos outros e fazer com que as pessoas se sintam bem à minha volta vem desde sempre. Quando era miúda também prezava muito esse cuidado e acho que a minha vida se irá pautar sempre dessa forma.

Disse numa entrevista que, quando aos 11 anos come çou a jogar, nada sabia sobre futebol no feminino. Vinte e poucos anos depois, o que é que sabe agora?

Muita coisa. O futebol e, em particular, a modalidade no feminino, mudaram muito desde que comecei, mas ainda há muito para explorar. Tive sorte e passei por gerações que

lutaram para ter tudo aquilo que temos hoje. O futebol mudou, não na sua essência, porque futebol é e será sempre futebol, seja no masculino, seja no feminino, mas as condições, as oportunidades, a forma de crescer, a formação, tudo isso se alterou drasticamente de há uns anos para cá. E ainda bem que elas hoje em dia têm a possibilidade de se formar enquanto atletas e enquanto pessoas, que podem viver do futebol e que podem sonhar em ser futebolistas, porque eu não podia, na altura. Nem sequer sabia que havia essa possibilidade. Jogava porque adorava futebol, era pura paixão. Com o tempo, felizmente, tive a oportunidade de me tornar profissional e sou uma privilegiada por ter pertencido a uma geração que conseguiu vingar no futebol e ser profissional.

“SOU UMA PRIVILEGIADA POR TER PERTENCIDO A UMA GERAÇÃO QUE

CONSEGUIU VINGAR NO FUTEBOL E SER PROFISSIONAL”

E porquê o futebol?

Comecei numa modalidade individual, como já referi mui-

tas vezes, que era o ténis, e adoro ténis, mas os valores e os princípios que nos ensina uma modalidade colectiva não têm nada a ver, não se ensinam sequer na escola. Partilha, compaixão uns pelos outros, lutar uns pelos outros, todos os dias lutar por um mesmo objectivo, são coisas que aprendemos com o desporto e com o futebol, que não se ensinam em lado nenhum e que vão ser transversais a tudo na minha vida. Acho que isso faz de mim uma melhor profissional e, obviamente, uma melhor pessoa.

Há várias passagens neste seu caminho, mas vamos parar numa delas, que a Rita já disse ter sido das mais marcan tes da sua carreira: o Campeonato da Europa de sub 19, em 2012. Porque é que essa fase a fez perceber que o futebol podia ser uma realidade?

Quando cheguei ao Europeu e, principalmente, quando jogámos contra Espanha, percebi que o nível de intensidade que elas apresentavam era o nível de intensidade a que eu queria chegar. Se havia jogadoras, atletas e países que conseguiam fazê-lo, porque é que me iria privar de querer isso para mim, para a minha vida e para os meus sonhos? Em dez dias, fizemos quatro jogos. Para mim, foi extremamente esgotante, porque treinava três vezes por semana, em contextos sempre difíceis. Portanto, o nível de intensidade que tinha e o nível a que estava, físico e especialmente mental, não eram suficientes. Acho que foi um pouco uma mudança do chip: percebi que, se queria realmente jogar futebol, se queria chegar a um nível alto, tinha de exigir muito mais de mim e sair da minha zona de conforto. E isso implicava sair de Portugal. Naquele momento foi mesmo: “Ok, até aqui foi bom, mas eu preciso de muito mais”.

“PERCEBI QUE, SE QUERIA REALMENTE JOGAR FUTEBOL, SE QUERIA CHEGAR A UM NÍVEL ALTO,

TINHA DE EXIGIR

MUITO MAIS DE MIM E SAIR DA MINHA ZONA DE CONFORTO. E ISSO IMPLICAVA

SAIR DE PORTUGAL”

E depois veio muito mais. Já lá vamos. Antes, andar ainda mais para trás, até ao dia zero, no Colégio Internato dos Carvalhos.

Não comecei a jogar futebol no Colégio mal cheguei. Aliás, jogava sempre nos intervalos, nos recreios, isso era óbvio, e nos interturmas, também, mas na equipa em si só entrei no oitavo ano, quando o meu irmão me disse que tinha aberto uma equipa de futebol feminino. Eu nem sabia. Nesse dia, decidi ir experimentar. Ainda era nova demais, só podíamos jogar a partir dos 12 anos e eu, na altura, tinha 11.

A sua longevidade no futebol já lhe permite dizer que esta geração de jogadoras é a mais bem preparada até aqui? Sem dúvida. E ainda bem. Mal seria se não estivessem mais bem preparadas do que aquilo que eu estava. É como digo: com 18 e 19 anos, treinava três vezes por semana, não fazia ginásio, não tinha conhecimento nutricional. Aliás, tinha, mas de forma muito parca. A internet não era como hoje, havia muita coisa que não conseguíamos pesquisar. A parte da saúde mental, ninguém falava sobre isso. Hoje, as jogadoras com 11, 12, 13 anos crescem na formação, têm palestras de nutrição, percebem a importância da alimentação, a importância do descanso, a importância da saúde mental e treinam como gente grande, o que não acontecia na altura. Portanto, é óbvio que, quando chegam aos 18, 19, 20 anos, são jogadoras totalmente diferentes daquilo que eu era e daquilo que, se calhar, eu poderia aspirar a ser.

Ainda assim, trocava o seu processo formativo por aquilo que se vê agora?

De todo. Sou uma privilegiada, porque continuo a dizer que venho de uma geração maravilhosa, que cresceu com muito pouco e fez desse pouco muito. Eu sou da geração que se qualifica pela primeira vez para um Europeu. Sou da geração que tinha muito pouco. Aos 14 anos íamos à selecção sub-19, que era a única selecção de formação que existia. Sou da geração que treinava com as luzes apagadas no Estádio do Bessa. Sou da geração que jogava sempre no Estádio do Bessa, o que hoje em dia, se calhar, seria impensável. Os meus pais tiveram de me ajudar para eu conseguir sobreviver em Madrid. E sou da geração que vê o Sporting Clube de Portugal chegar ao futebol feminino, que já tinha tido no passado, mas a criar um projecto de raiz e diferenciador. Portanto, eu sou de uma geração extraordinária. Ainda bem que fui. Ainda bem que apanhei isto tudo. Quem vem atrás, que desfrute, mas há coisas que nunca vai saber o que são.

“SOU DA GERAÇÃO QUE VÊ O SPORTING

CLUBE DE PORTUGAL CHEGAR AO FUTEBOL FEMININO, A CRIAR UM PROJECTO DE RAIZ E DIFERENCIADOR”

Também foi preparadora física no Sporting CP, vestiu mais um papel neste Clube, numa das suas melhores épocas desportivas. Isto enquanto conciliava a carreira com os estudos e, claro, a vida pessoal. O que é que tudo isso lhe acrescentou?

Todas as experiências que temos nas nossas vidas, por mais esgotantes que às vezes pareçam, acrescentam sempre. Para além de tudo isso, ainda estava a fazer estágio em padel, porque era a minha opção na universidade. Foi um ano extremamente desafiante, mas eu adoro desafios. Acho que me permitiu crescer, permitiu-me conhecer pessoas extraordinárias. Muitas destas jovens jogadoras que agora jogavam comigo foram minhas atletas na altura. Fui estudante e ainda bem. Para todas as jovens que me lerem, continuem a estudar, não desistam desse sonho, porque é possível conciliar tudo e permite-nos, no futuro, perceber que qualquer desafio parece pequeno ao lado de tantas outras coisas que já fizemos.

Dia 20 de Maio de 2017. Diz lhe alguma coisa? 20 de Maio de 2017... Provavelmente, ganhei o meu primeiro título com o Sporting CP.

Ganhou o seu primeiro Campeonato Nacional enquanto profissional de futebol, pelo Sporting CP, em Ramalde. Curiosamente, frente à equipa que a formou. Ganhei o meu primeiro Campeonato Nacional, que era um objectivo que tinha na minha carreira, frente à minha equipa de formação e, provavelmente, uma das equipas por que tenho mais carinho, o Boavista FC. Foi muito especial. A minha família estava presente e todo aquele dia foi diferente. Não festejei os golos [o Sporting CP venceu por 1-6] porque tinha essa máxima de não celebrar contra o Boavista FC, por uma questão de respeito. Mas, no final, quando soou o apito, senti-me a pessoa mais feliz do Mundo pelo Sporting CP e pelo meu primeiro Campeonato Nacional.

“NO FINAL, QUANDO SOOU O APITO, SENTI-ME A PESSOA MAIS FELIZ DO MUNDO PELO SPORTING CP E PELO MEU PRIMEIRO CAMPEONATO NACIONAL”

E qual é a sensação de subir a escadaria do Estádio Nacional do Jamor? É das jogadoras que passou pelo Sporting CP que mais vezes o fez… Quem já foi ao Estádio Nacional sabe a mística que existe numa final da Taça de Portugal. É dos títulos mais impressionantes que existe para ganhar. Todo aquele dia é diferente, causa sensações extraordinárias. Tive a sorte de o ganhar três vezes no Sporting CP e subir aquelas escadarias não tem preço. Acho que a sensação que temos é mesmo subir ao topo do Mundo, neste caso quase ao topo da montanha. Levantar uma Taça, ver os confettis verdes e brancos... é perfeito. Foi perfeito e ainda bem que tive a oportunidade de viver isso. >>

Com Brenda Pérez após a conquista da Supertaça em 2021, um dos jogos que ficará na memória de Rita Fontemanha

“LEVANTAR UMA TAÇA, VER OS CONFETTIS VERDES E BRANCOS... É PERFEITO. FOI PERFEITO E AINDA

BEM QUE TIVE A OPORTUNIDADE DE VIVER ISSO”

>> Já disse que, quando festeja um golo, se esquece de tudo. Em que é que se pensa nesse momento? Não sei. Acho que há ali dois, três segundos de adrenalina que nunca vou conseguir explicar. Uma das coisas que me assustava, quando pensava em terminar a minha carreira, era não saber se alguma vez vou voltar a ter as sensações que determinadas coisas no futebol me provocam. Hoje em dia já não me assusta tanto, porque já fiz e continuarei a fazer o meu processo de luto. Mas marcar um golo… Há ali dois, três segundos de magia, em que nos sentimos no topo do Mundo. Eu não marquei muitos golos, portanto, aqueles que marquei foram sempre muito especiais. Acho que sou uma pessoa que preza muito pelo trabalho e cada golo representa um pouco de mim, representa o sacrifício, a vontade e a paixão que meti em cada dia de treino. Por isso é que é um misto de emoções tão grande, até porque um golo provoca um sentimento colectivo muito grande também. Não sou eu que fico feliz, é uma equipa inteira, um plantel inteiro, um Clube inteiro, adeptos.

A Rita diz que não marcou muitos golos, mas quantidade nunca será sinónimo de qualidade. Cumpre 100 jogos pelo Sporting CP e marca, cumpre 150 jogos pelo Sporting CP e marca, o seu primeiro golo no Sporting CP toca no seu aniversário… a sua é, de facto, uma carreira cheia de boni tas coincidências. Mas existe, no entanto, um trajecto até ao golo. O que é importante não esquecer nesse caminho? O que importa é o dia-a-dia. O momento do golo é especial, mas tudo o que está para trás é muito mais. É natural: quem vê futebol de fora, vê futebol enquanto adepto e vê futebol enquanto rendimento. Mas aquilo que fazemos lá dentro é reflexo do dia-a-dia, daquilo que temos de superar, dos treinos que temos de fazer, dos sacrifícios que temos de ter. E não é uma queixa, muito pelo contrário. Quem joga futebol e quem pode viver do futebol está numa posição privilegiada, porque fazemo-nos felizes a nós, fazemos felizes os outros e podemos viver daquilo que é a nossa grande paixão. Por isso, o caminho para o golo é tudo aquilo que fazemos diariamente e o golo é só a pequena, pequenina explosão de alegria que temos ali num espaço de três, quatro segundos.

E marcava tanto com um pé como com o outro, não é? Quando comecei a jogar futebol, não sei porquê, nos meus dez, 11 anos, achava que tinha de saber jogar com o pé esquerdo exactamente como jogava com o pé direito. Todos os exercícios que fizesse com o pé direito tinha de fazer com o pé esquerdo. Foi assim que fui criando esse hábito de jogar com os dois pés, até porque gosto mais da esquerda do que da direita, não sei porquê. São coisas que temos desde miúdos. São coisas que sentimos e ainda bem que o fiz porque, mais tarde, colhi os frutos disso.

“QUANDO COMECEI A JOGAR FUTEBOL, NÃO SEI PORQUÊ, NOS

MEUS 10,

11 ANOS, ACHAVA QUE TINHA DE SABER JOGAR COM O PÉ ESQUERDO

EXACTAMENTE COMO JOGAVA COM O PÉ DIREITO”

Também a vimos marcar muitos lances de bola parada, es pecialmente nos primeiros anos. A precisão de um livre é mais mental ou é física?

Se o mental não está predisposto para aquele momento, o físico, por muito bom que seja, também não estará. A junção dos dois é o ideal para sermos bons atletas e bons futebolistas. A precisão de um livre é um pouco treino, tudo aquilo que fazemos é fruto de muito treino, mas, naquele momento, é também acreditar que é possível e que temos a habilidade suficiente para fazer golo.

A Rita está no primeiro onze de sempre do Sporting CP na Women’s UEFA Champions League. Está também no pri meiro onze de sempre do Sporting CP a jogar no Estádio José Alvalade, neste novo projecto, com um recorde de as‑ sistências batido na altura… São estes detalhes que a vão eternizar na história deste Clube?

Acredito que sim. Ou espero que sim. Mas, para mim, não são os detalhes mais importantes. É óbvio que é especial para mim ter estado no primeiro onze da Liga dos Campeões, mas mais especial do que ter jogado no Estádio José Alvalade com recorde de assistências, muito mais especial do que ter feito um golo, é termos participado nessa prova, é ter defendido o Sporting CP durante dez anos. Esse é o meu maior legado.

Há, nesses dez anos, algum jogo que seja o mais especial?

Acho que vou eternizar o nosso primeiro Campeonato

UMA CARREIRA EM NÚMEROS

O PERCURSO

21 anos de carreira

34 golos

2 internacionalizações pela selecção A

10 títulos conquistados

2004 2008 Internato Colégio dos Carvalhos

2008‑2009 SC Salgueiros

2009 2014 Boavista FC

2014 2016 Club Atlético de Madrid

2016‑2026 Sporting CP

O PALMARÉS

Liga Portuguesa (2) 2016/2017 e 2017/2018

Taça de Portugal (4) 2012/2013, pelo Boavista FC 2016/2017, 2017/2018 e 2021/2022

Supertaça (3) 2017/2018, 2021/2022 e 2024/2025

Taça de Espanha (1) 2015/2016, pelo Club Atlético de Madrid

(2016/2017), a nossa primeira Taça de Portugal (2016/2017) e a Supertaça que ganhámos com a Mariana [Cabral] em 2021. Falei sobre isso quando renovei, em 2022, porque, de facto, teve um valor muito especial para nós, jogadoras, que estávamos no Clube há muito tempo sem ganhar títulos. Como é natural, isso cria desconfiança, e vencer aquele título e saber que estávamos vivas outra vez foi importante.

A Rita tem noção de que termina esta carreira como peça chave do balneário do Sporting CP?

Sim, sim. Não tenho a menor dúvida disso. Acho que tive um impacto positivo no nosso balneário, que é a parte mais importante de uma equipa. E ainda bem que assim é. Criar relações, como digo desde sempre, é o mais importante no meio disto tudo.

Vamos às pessoas. [Ouve uma mensagem de Brenda Pérez].

Foi meio segundo, mas é o suficiente para eu conhecer a voz da minha pessoa. (Emociona-se) O melhor prémio que podemos levar da vida são pessoas como a Brenda [Pérez]. A única coisa que posso dizer é que o melhor que posso desejar a qualquer um é ter uma Brenda na vida. É provavelmente das pessoas mais importantes e mais especiais da minha vida. Ela sabe disso e, do fundo do meu coração, espero que toda a gente tenha uma Brenda na vida. Serão muito mais felizes.

“SER CAPITÃ DO SPORTING CP

NEM SEQUER PASSAVA PELOS MEUS MELHORES SONHOS. ESTAR DEZ ANOS NO CLUBE, AINDA MENOS. SINTO-ME EXTREMAMENTE FELIZ E REALIZADA POR TUDO O QUE CONQUISTEI”

Este adeus chega no momento certo?

O meu maior sonho era terminar a carreira no Sporting CP. Sei que muita gente diz que é cedo, que tenho 32 anos, e pergunta porque é que estou a deixar de jogar nesta idade, mas isto era exactamente o que queria para mim. Terminar aqui a carreira era o meu maior sonho. Ser capitã do Sporting CP nem sequer passava pelos meus melhores sonhos. Estar dez anos no Clube, ainda menos. Sinto-me extremamente feliz e realizada por tudo o que conquistei.

“SÓ POSSO AGRADECER AO SPORTING CP PELA HOMENAGEM, PORQUE FOI PROVAVELMENTE O DIA MAIS BONITO DA MINHA CARREIRA, E AOS SPORTINGUISTAS, PORQUE SENTI MESMO MUITO CARINHO”

Foi homenageada no Estádio José Alvalade para assinalar este momento, com guarda de honra da sua equipa. Os aplausos dos adeptos e de todas as pessoas à minha volta são extremamente especiais, mas não há aplauso que seja mais importante do que o das nossas companheiras, porque são elas que estão connosco diariamente. O facto de me respeitarem e admirarem é sinónimo de que as coisas foram bem feitas. Só posso agradecer-lhes pelo momento que me proporcionaram, ao Sporting CP pela homenagem, porque foi provavelmente o dia mais bonito da minha carreira, e aos Sportinguistas, porque senti mesmo muito carinho, não só quando anunciei que ia terminar a carreira, mas também depois. Fizeram-me sentir que um pouco de mim fica no Sporting CP.

SÓCIOS

CARTA

ABERTA A RUI BORGES,

LUÍS MAGALHÃES, NUNO DIAS, RICARDO COSTA, JOÃO COELHO E EDO BOSCH

Em primeiro lugar quero pedir desculpa pelo atrevimento em comunicar desta maneira convosco, mas a grande Leoa directora deste histórico Jornal, pelo qual fui responsável durante seis anos de tão gratas memórias, franqueou-me tão gentil oportunidade.

Não vos conheço pessoalmente, não represento o Clube, nenhuma instituição, nenhum grupo, mas apenas a mim próprio, jornalista, Sócio n.º 1249-1 do Sporting Clube de Portugal (quase 63 anos de filiação), desportista e cidadão nacional.

Acompanho ao vivo, há sete décadas, com muita paixão, a História deste enorme Clube. Sou do tempo do último ano do Tetracampeonato de futebol, ainda vi jogar os violinos Travassos e Vasques – as glórias lendárias que ficaram para trás bebi-as da prodigiosa memória e da emocionada narrativa do meu querido pai. Cobri como jornalista iniciante, neste periódico, a saga inesquecível do Pentacampeonato de andebol, comovi-me com o espectáculo soberbo da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus de hóquei em patins e outros feitos conduzidos pelo grande Torcato Ferreira (à frente da melhor equipa do Mundo de sempre?) e pelo saudoso e lendário António Livramento.

Poucos jogos perdi das temporadas mágicas do Basquetebol nos anos sessenta, setenta e oitenta, sob o comando de figuras grandes como Guilherme Bernardes, Hermínio Barreto, José Mário, Mário Albuquerque e outros; vibrei com as três tripletas do voleibol entre 1991 e 1994, sob o comando do técnico António Rodrigues.

Um pouco mais recentemente chegaram os fantásticos tempos do futsal, que depressa (em tempo histórico) amealhou um palmarés incomparável a nível nacional, europeu e mundial, com gerações sucessivas de equipas empolgantes comandadas por Orlando Duarte, Paulo Fernandes e, há uma década e 650 jogos, por Nuno Dias, um técnico sem par mundial, sempre em busca da perfeição, do detalhe de meio centímetro ou de meio segundo, como ele próprio explica. O que se percebe às claras quando se observa aquela manifestação de arte exposta pela equipa na quadra. A épica final de domingo passado, que nos deu a terceira Champions League da modalidade (a terceira, leram bem!), em oito finais (um recorde!), demonstrou tudo isto.

Para acompanhar estes feitos deambulei anos e anos, tardes e noites a fio, com o meu pai e, depois, com um grupo de queridos amigos Sportinguistas, pelos nossos estádios e vários pavilhões – ainda desde o velho recinto descoberto nas traseiras do peão do anterior Estádio José Alvalade. E também pelos campos (ainda pelados), estádios, recintos descobertos, pavilhões de todo o país e alguns no estrangeiro – não muitos, porque durante largos anos a mobilidade dos portugueses era dispendiosa e restringida.

Se evoco este histórico resumido e pessoal é para vos testemunhar que em 70 anos nunca assisti a uma conjugação e uma convergência de feitos antes impensáveis e comportamentos competitivos, desportivos e sociais empolgantes como neste período em que vivemos. E vós, os vossos jogadores, as vossas equipas técnicas, o vosso staff, os directores de cada modalidade, os membros do Conselho Directivo por elas responsáveis sois os obreiros desta saga multifacetada memorável e que jamais poderá ser esquecida.

Tal realidade assombrosa, de que o desporto português deveria orgulhar-se, ainda não foi descoberta, em termos clubísticos abrangentes, pela comunicação social desportiva escrita,

vista e ouvida. Não é surpreendente. Sabemos que o Sporting Clube de Portugal e a justiça desportiva não merecem os favores desses órgãos. A sua grandeza em crescimento assusta muita gente. Vivemos desde sempre com isso, a par do já falado “sistema”. E aqui está mais uma razão para este meu atrevimento. E também para que o nosso jornal prossiga a sua obra centenária e indispensável.

Além da hegemonia e do destaque nacional das modalidades sob vosso comando, pode dizer-se que atingimos um patamar europeu sustentado e que, de momento, não está ao alcance de nenhum outro clube da Europa, nem mesmo o gigante Barcelona. É o eclectismo Leonino no seu esplendor.

Atingir três quartos-de-final e uma final (vitoriosa) das Ligas dos Campeões em quatro de seis modalidades colectivas de máximo nível competitivo é uma situação única na Europa. Ganhar, na mesma temporada, um Campeonato do Mundo e uma Champions League só está ao alcance dos eleitos, dos melhores de todos.

Além disso, tanto o voleibol como o basquetebol podem ainda ir mais longe do que já foram este ano. Luís Magalhães, a maior, mais conhecedora e prestigiada figura do basquetebol nacional, e o sabedor, motivador, perfeccionista e sereno João Coelho, técnico ambicioso de voleibol que não teme desafios, não deixaram dúvidas quanto à luta por essas metas.

Pensar nas inconfundíveis camisolas verdes e brancas exibindo-se a alto nível – e triunfando – através de estádios e pavilhões da Europa em todas estas modalidades é uma imagem cada vez mais frequente e exaltante que a vós se deve e nos enche de orgulho. Fazer do Sporting Clube de Portugal o maior clube de Portugal e da Europa em 2026, tornar o Clube cada vez mais conhecido e admirado em todo o continente e no Mundo é obra vossa e das vossas equipas. Pode dizer-se que está a cumprir-se o sonho fundador de José Alvalade: o de construir “um clube tão grande como os maiores da Europa”.

Até o melhor da Europa, pode acrescentar-se. Ou mesmo do Mundo, como no caso do hóquei em patins. Edo Bosch, o conhecedor e experiente técnico, é o único estrangeiro do grupo, mas um português adoptado e com atitude Sportinguista. E também como no caso do futsal, porque a melhor equipa da Europa pode e deve ser equiparada à melhor do Mundo.

Daí a admiração e a gratidão que todos vós mereceis. Extensiva a todos os Sportinguistas que enchem o Estádio José Alvalade e o Pavilhão João Rocha e não só, tanto em Portugal como no estrangeiro. Ouvir os cânticos das centenas de Sportinguistas que dominaram o ambiente do lotado pavilhão de Pesaro, na meia-final e na final europeias de futsal, é o exemplo mais recente da paixão dos Sportinguistas pelo Clube. Sem eles não seriam possíveis essas vitórias. E até agora, nesta temporada, já são um Campeonato do Mundo, uma Champions League, três Taças de Portugal, três Supertaças, uma Taça Hugo dos Santos, um Tricampeonato Nacional e um Bicampeonato Nacional. Mas a História ainda não acabou, o apuramento final faz-se dentro de semanas e existem razões para acreditar que o tesouro será ainda enriquecido.

Mas, entretanto, podemos especular um bocadinho. O andebol ficou a um golo da final four da Champions League e sabemos como esta equipa não dá nada como perdido e não iria atemorizar-se perante os gigantes. Até onde iria? Tem valor e ambição para chegar ao topo. A porta continua aberta e virá o dia em que o sagaz, criativo e audaz mestre Ricardo Costa e o seu transcendente grupo irão franqueá-la.

Quanto ao futebol, as meias-finais da Champions escaparam-se por um golo fortuito e sejamos objectivos: olhando o cenário de decisão a que se chegou não será insensato admitir que a equipa do Sporting CP poderia hoje estar na final, sendo que já venceu um dos finalistas e campeão europeu em título. Ainda assim, integrar o grupo dos oito maiores da Europa do futebol, e no mesmo plano competitivo é, por si só, uma enorme vitória. O estudioso, competente e orgulhoso transmontano Rui Borges, Campeão leal, de cepa rija, corajoso e frontal, e os seus/nossos jogadores conseguiram-na com uma migalha do orçamento dos colossos seus directos competidores. Os milagres, como a sorte, “dão muito trabalho”, já dizia o eterno Professor Mário Moniz Pereira.

Tenho admiração pela vossa competência, as vossas qualidades humanas, o desportivismo e a urbanidade social. No futebol e em todas as outras modalidades o discurso é exemplar e respeitoso em relação a adversários e árbitros, desmontando a ganância sensacionalista e o culto da intriga de tantos e maus jornalistas. E todos sabemos como isso é difícil, pois o malvado “sistema” tentacular é um dos grandes inimigos do trabalho de qualidade e competente – e está longe de ser exterminado do desporto nacional.

Admiração também pela maneira como constroem e gerem as vossas equipas. Transformar grupos de seres humanos de muitas origens em quase todos os continentes, hábitos diferentes, idiomas variados, culturas diversas e bases sociais diferenciadas em dedicados Sportinguistas funcionando em registo familiar, competindo solidariamente até ao último esforço, sentindo e honrando a camisola como se a tivessem vestido desde sempre, é admirável. A política inteligente de juntar nessas várias equipas os melhores atletas portugueses nas modalidades em causa, muitos deles – no futsal são mais de 50% − oriundos dos nossos escalões de formação, explica também grande parte do segredo. Não nos iludamos, porém: não seria possível criar o espírito de família, a dedicação individual e colectiva e a competitividade em cada grupo sem as vossas enormes e sensíveis qualidades técnicas, desportivas e humanas.

Ter ao serviço do Sporting Clube de Portugal uma plêiade de treinadores como a que vós formais, uma fabulosa convergência dos melhores no mesmo tempo histórico, é um motivo de orgulho e gratidão máxima.

Gratidão a vós, técnicos de elite, por serem as pessoas que são, por contribuírem para engrandecer o Sporting CP de uma maneira que quase não tem paralelo na fantástica História Sportinguista; e por se inserirem, por completo, com uma dignidade e uma sinceridade que não se fingem – apesar das vossas diferentes origens e proveniências – no espírito vencedor, ambicioso, leal, único e inconfundível do nosso grande Clube.

Gratidão máxima também ao Conselho Directivo pelas escolhas, as condições criadas e a capacidade de proporcionar ambientes de trabalho, formação e convívio em que os treinadores tiram o melhor de si e dos atletas que comandam.

Gratidão máxima e emocionada aos Sócios e adeptos por potenciarem de uma maneira insubstituível – e indispensável – o trabalho de alto nível dos treinadores e as brilhantes prestações dos nossos atletas. Bem-haja a todos.

José Goulão, Sócio n.º 1249 1

MODALIDADES FUTSAL

VITÓRIAS SOBRE FORMAÇÕES MAIS FORTES DE ESPANHA RESULTOU NO TÍTULO EUROPEU

TRIUNFO NA FINAL SOBRE O ANTERIOR CAMPEÃO EUROPEU, O IB PALMA FUTSAL POR 2-0 E NAS MEIAS-FINAIS, DIANTE DO FS CARTAGENA, POR 6-5 NAS GRANDES PENALIDADES, APÓS EMPATE 3-3 ATÉ AO PROLONGAMENTO.

Texto: Nuno Miguel Simas Fotografias: UEFA

Com duas vitórias perante duas das mais cotadas equipas europeias, ambas de Espanha, nos dois jogos da final four da UEFA Futsal Champions League, o Sporting CP sagrou-se Campeão Europeu de futsal pela terceira vez no historial. O conjunto de Nuno Dias é o novo Rei da Europa, depois de vencer na final o IB Palma Futsal por 2-0, equipa que era a detentora do troféu nas anteriores três edições da prova.

A formação de Maiorca foi destronada agora pelo conjunto de Nuno Dias, que assinou demonstrações de força colectiva e de talento nos dois jogos decisivos – primeiro, perante o FS Cartagena, tão só o Bicampeão de Espanha (2-2 no tempo regulamentar, depois de o Sporting CP ter saído para o intervalo a perder por 2-0: seguido de 3-3 no prolongamento e vitórias nas grandes penalidades por 6-5 – Gonçalo Portugal defendeu uma grande penalidade e Felipe Valério marcou a grande penalidade decisiva).

Depois, na grande final, triunfo do Sporting CP perante a formação insular de Maiorca, que até tinha iniciado o ciclo de três vitórias consecutivas a nível europeu, numa final jogada

10.05.2026

UEFA Futsal Champions League Final | Arena Vitrifrigo, Pesaro

SPORTING CP IB PALMA FUTSAL

2 0

1-0 ao intervalo

Diogo Santos (4’), Alisson Lima (36’ AG)

Sporting CP: Bernardo Paçó [GR], Tomás Paçó, Diogo Santos, Wesley, Alex Merlim, Gonçalo Portugal [GR], Zicky, João Matos [C], Pauleta, Felipe Valério, Ivan Chiskala, Bruno Pinto, Bruno Maior, Rocha. Treinador: Nuno

Dias. Disciplina: cartão amarelo para Diogo Santos (11’, 19’), Felipe Valério (31’) e Bernardo Paçó (35’). Cartão vermelho para Diogo Santos (19’).

perante o Sporting CP, em Maiorca e decidida com recurso ao desempate por grades penalidade.

Antes do jogo, Nuno Dias tinha rejeitado qualquer sentimento de vingança perante o IB Palma Futsal, mas certo é que no último domingo, o Sporting CP conseguiu a desforra, num jogo com triunfo Leonino por

2-0 e um golo e cada parte: Diogo Santos na etapa inicial e Alisson Lima na própria baliza, ‘a meias’ com Ivan Chiskala, no segundo tempo.

No jogo decisivo da competição, uma exibição de grande talento, união de grupo, competência e paixão Leonina do conjunto orientado por Nuno Dias, que também resistiu a

todo com grande união, sobretudo quando ficou dois minutos a jogar com menos um, devido à expulsão de Diogo Santos, com duplo cartão amarelo.

Na final de Pesaro, em Itália, voltou a entrar muito bem o Sporting CP. Com 29 segundos, Bernardo Paçó rematou para defesa de Dennis Cavalcanti e nem um minuto depois, Bernardo Paçó serviu bem Alex Merlim, que solto do lado esquerdo, viu Dennis Cavalcanti fechar-lhe a direcção do remate.

O guarda-redes Leonino saiu muito queixoso desse lance, em que saiu na construção, e teve de ser assistido pela equipa médica.

O Sporting CP tinha o sinal mais e Pauleta rematou às malhas laterais, na direita do ataque. Com 17’03 para o final, Bernardo Paçó fez uma defesa incrível na recarga a um primeiro remate de Charuto e com 16’40 para o intervalo, o Sporting CP inaugurou o marcador por Diogo Santos, num remate de pé esquerdo, que passou entre as pernas de Dennis Cavalcanti. E o ala por pouco não bisava em re-

mate agora descaído para o lado esquerdo, com boa defesa de Dennis Cavalcanti.

Com 14’43 para o intervalo, um excelente lance de Rocha proporcionou remate em posição frontal a Wesley, para defesa de Dennis Cavalcanti. Com domínio Leonino, a pouco menos de sete minutos para o intervalo, só uma grande defesa de Dennis Cavalcanti evitou o 2-0 do Sporting CP, em remate de Felipe Valério. Com 11’47, uma brilhante jogada de Chiskala rondou golo Leonino, mas uma grande defesa de Dennis Cavalcanti [evitou muitas situações de golo do Sporting CP nos 40 minutos da partida), com muito de reflexos, evitou o avolumar do marcador para a formação orientada por Nuno Dias.

Alex Merlim voltou a testar Dennis Cavalcanti à entrada para os últimos dez minutos da primeira parte, num lance que se seguiu a uma situação de relativo perigo do IB Palma Futsal. Com Bernardo Paçó muito atento na baliza Leonina, o Sporting CP mantinha a baliza a zeros, mas sentia-se crescimento da equipa de Palma de Maiorca na partida. Com 7’29 para o intervalo, duas defesas seguidas de Dennis Cavalcanti a remates de Pauleta e de Zicky, na recarga, negaram o 2 -0 aos Leões.

E com 6’40 para o final dos primeiros 20 minutos, Zicky apareceu em excelente posição, com o remate a ser defendido por instinto por Dennis Cavalcanti, que negou o golo ao pivô Leonino. O guarda-redes da formação espanhola ia adiando uma vantagem mais desnivelada do Sporting CP no marcador.

O Sporting CP insistia e Chiskala, com recarga de Tomás Paçó no mesmo lance, por pouco não aumentaram para o 2-0. E com 2’10 para o intervalo, Felipe Valério num grande remate acertou no poste. Mas no lance a seguir, o Sporting CP teve uma grande contrariedade, com o segundo cartão amarelo e vermelho a Diogo Santos. A equipa Leonina teve de jogar dois minutos com me-

Os Campeões Europeus na festa de grupo, já com o troféu da UEFA Futsal Champions League na Vitrifrigo Arena, em Pesaro
Zicky foi eleito o melhor jogador da final da UEFA Futsal Champions League e criou muitas dificuldades aos jogadores do IB Palma Futsal que o marcaram

nos um e ao mesmo tempo atingia a quinta falta.

O Sporting CP defendia ao mesmo tempo com os três fixos do plantel: João Matos, Bruno Maior e Tomás Paçó, com Bernardo Paçó a somar excelentes defesas, numa fase de sufoco da formação espanhola dado que a equipa Leonina tinha menos um jogador.

A formação Leonina aguentou até a intervalo a vantagem mínima e saiu para o intervalo a vencer por 1-0 e ficou com cinco em quadra logo nos segundos iniciais.

No segundo tempo, o Sporting CP continuou a dominar, também a controlar e depois a marcar. Com 17’22 para o final, o pivô da equipa espanhola, Charuto, obrigou Bernardo Paçó a grande defesa.

Com 14’00 para o intervalo, Felipe Valério trabalhou muito bem na esquerda e serviu Zicky, que de calcanhar acertou no poste da baliza defendida por Dennis Cavalcanti.

No seguimento do lance, Chiskala ficou queixoso na área, num lance dividido com um jogador do IB Palma Futsal. O Sporting CP pediu a revisão do lance, mas o árbitro mandou o jogo prosseguir.

Com 12’32 para jogar, Tomás Paço rematou com perigo, ao lado e pou-

co depois, em remate de primeira, voltou a testar a atenção de Dennis Cavalcanti.

Charuto tentou um chapéu sobre Bernardo Paçó sem efeito e com 9’08 para o final, Rocha ganhou uma bola, isolou-se, com o remate a sair ao lado.

Depois, Zicky teve um lance brilhante na direita e serviu ivan Chiskala, com a bola a sair ao lado. O lance foi revisto para tirar dúvidas sobre um eventual toque no ala, mas não foi assinalada grande penalidade.

Bernardo Paçó voltou a fazer uma grande defesa com 6’31 para o final, a remate de Charuto.

Com 4’09 para o final, Chiskala pressionou Alisson Lima, que tinha entrado para o cinco contra quatro e a bola foi lentamente até ao fundo da baliza do IB Palma, para o 2-0 da equipa Leonina.

A 2’50 foi pedida pausa técnica, com o IB Palma a pressionar nos últimos minutos, mas as melhores oportunidades até ao final continuaram a pertencer ao Sporting CP.

Com 1’05 para o final, Ivan Chiskala recuperou uma bola a ter uma brilhante execução de pé esquerdo, que bateu na trave e os Leões ainda tiveram uma grande oportunidade, com Wesley a conseguir isolar-se,

em lance de insistência individual, mas o remate a ser gravado por um defesa da equipa espanhola.

O Sporting CP jogou com a fibra própria dos grandes campeões que

constituem o plantel Leonino e assim, os Leões são os novos Campeões da Europa da modalidade, para uma festa esplendorosa de comunhão ente grupo de trabalho e os adeptos

Leoninos. Pesaro foi verde e branca. Depois de Almaty e de Zadar, o Sporting CP é pela terceira vez campeão da Europa no historial.

PALAVRA AOS CAMPEÕES DA EUROPA DE FUTSAL

OS NOVOS CAMPEÕES EUROPEUS FALARAM AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO CLUBE E EXTRAVASARAM A ENORME ALEGRIA PELO REGRESSO AO TRONO EUROPEU.

Texto: Nuno Miguel Simas Fotografias: UEFA

NUNO DIAS

“Tem um sabor especial a conquista e, acima de tudo, com sentimento de conquista meritório, que não deixa dúvidas a ninguém. Quem viu estes jogos e percebe de futsal não tem dúvidas de que fomos merecedores e com toda a justiça. Saímos de Pesaro com a UEFA Futsal Champions League, fomos a melhor equipa, fizemos muito para ser a melhor equipa desta prova. Não deixa dúvidas. Tão difícil foi a caminhada e ganhámos a todas as primeiras equipas do ranking [da UEFA] e a todas elas ganhámos de forma categórica, com toda a justiça, porque fomos melhores. Não vencemos por obra de acaso ou sorte, foi porque fomos mesmo competentes, com um staff incrível. Não deixámos nada ao acaso, não deixámos nada por fazer e agora é festejar. Fomos mesmo melhores e merecemos a terceira Champions. O nosso ADN é a quantidade de jogadores da formação, mais de 50 por cento do nosso plantel vem da formação. Nove jogadores vêm da formação. Isto é trabalho de todos. As nossas grandes conquistas são trazer jovens cada vez mais capazes e preparados para integrar esta equipa de Campeões. Mais do que conseguir ganhar, foi a maneira como ganhámos. Foi a forma categórica e meritória como alcançámos o triunfo depois de ganhar às equipas mais bem classificadas no ranking”.

BERNARDO PAÇÓ

“Primeira palavra tem de ser de gratidão para os adeptos. Ano após ano acreditam na nossa equipa e, por isso, obrigado de coração. Gratidão eterna. Sabíamos que éramos bem capazes de ganhar esta UEFA Futsal Champions League. Fizemos um caminho espectacular, ganhámos às melhores equipas e só podia acabar assim. Obrigado a quem acreditou e, também, a quem não acreditou. Essa exigência faz-nos melhorar e é nesse patamar que queremos estar. Agora, é festejar”.

PAULETA

“É um sentimento inexplicável. Para mim é um prazer enorme jogar no Sporting CP. Obrigado aos que acreditam, aos que não acreditam, porque nós estamos aqui sempre para responder da melhor maneira. Queremos sempre ganhar, por isso é que jogamos no Sporting CP”.

Os Leões sagraram-se Campeões Europeus pela terceira vez

ZICKY TÉ

“Estamos bem, melhor é impossível! O Sporting CP é Campeão da Europa, oiçam bem. Nós, jogadores, às vezes temos momentos menos bons. As finais do ano passado foram difíceis para mim e, por isso, a minha recuperação foi mais retardada para voltar ao meu melhor. Foi difícil porque houve notícias sobre mim a dizer que ia acabar a carreira... Não me caíram bem, preferi aconchegar-me junto da minha família, não me pronunciar e responder com trabalho no momento certo. Estou aqui a dignificar o Sporting CP da melhor maneira e consequentemente já temos mais uma Champions. Estou na equipa principal há seis anos, fomos a quatro finais, ganhámos duas e perdemos duas, mas os adeptos nunca deixaram de nos acompanhar”.

TAYNAN

“Um dia inesquecível para nós. Conseguimos provar mais uma vez o nosso valor. Tivemos o caminho mais difícil possível, contra os quatro melhores do ranking e ganhámos a todos. Está mais do que provado que não estamos em fim de ciclo. Este é um trabalho sólido, às vezes pecamos, mas somos humanos. Temos de agradecer a estes adeptos maravilhosos. Foi difícil quando saí do Sporting CP, não sei o que vai ser do futuro, mas este clube está sempre no meu coração. A minha família sempre gostou de estar aqui. Este clube é a minha vida e obrigado por tudo, sempre. Nunca tive uma lesão séria na vida e este ano foi diferente, fiz só seis jogos. Tive uma lesão no joelho em Outubro, voltei e lesionei-me num treino… Agora é recuperar. Quero voltar a jogar no Pavilhão João Rocha”.

WESLEY

“Nem sei como me sinto… São muitas emoções. Só nós sabemos o que lutámos para estar aqui. Perdemos dois troféus, mas o grupo nunca se deixou abater. Isso vale mais do que as palavras. O nosso dia-a-dia e a nossa união fazem com que sejamos grandes. Sabíamos que eramos capazes de lutar pelo título. Encontrámos adeptos na rua e foram muito importantes para nós. Obrigado pelo esforço de estarem aqui, por nos terem empurrado não só hoje como na meia-final. Estejam sempre connosco”.

PAULO LUÍS

BRUNO MAIOR

“Primeira de muitas! É um sentimento incrível. Trabalhámos muito para isto. Somos Campeões Europeus, algo normal para o Sporting CP e vai ser ainda mais normal, se Deus quiser. Obrigado aos Sportinguistas que estiveram presentes e aos que acompanharam em casa e no Pavilhão João Rocha. É um sonho de criança. Por poder desfrutar do jogo e viver este momento sou um eterno agradecido. É uma felicidade extrema”.

ROCHA

“A sensação é maravilhosa. Sabemos o quanto lutámos e o quão difícil foi. No ranking [da UEFA], o IB Palma Futsal estava em primeiro, nós em segundo, em terceiro o FS Cartagena, depois o SL Benfica e o Kairat FC, e nós vencemos todos. Foi muita competência e trabalho. Hoje coroamo-nos com este título que fica eternizado. Quando o Nuno fez o primeiro contacto [para voltar], eu não pensei nem duas vezes. Queria voltar a ser feliz”.

“É sentir que o trabalho está bem feito. Estávamos muito bem preparados e isso reflectiu-se não só na vitória mas na forma como ganhámos. Além de bons jogadores, são excelentes pessoas e há muito trabalho por trás. É uma satisfação imensa conseguir este título. Felizmente, temos vindo cá muitas vezes e parece que é fácil. Não é. Estar aqui é onde todos queremos estar. Hoje, felizmente, foi mais do que justo, ganhou a melhor equipa. O apoio na bancada foi fundamental, também. Internamente dizemos que podemos perder, mas não podemos deixar de dar tudo. É inegociável, sabem disso e hoje fomos recompensados”.

JOÃO MATOS

“É espectacular pertencer a este leque de estrelas, de jogadores extraordinários e de pessoas incríveis, batalhadores, guerreiros e muito merecedores deste título. Acima de tudo é essa a palavra que fica: merecedores daquilo que conquistámos hoje. Darei sempre o máximo de mim, das minhas energias, para ajudar os meus colegas, para ajudar o Sporting CP, e seja quanto tempo for, seja onde for, darei tudo o que tenho para poder ajudar a conquistar algo. Foi muito especial esta conquista, pelo trajecto que fizemos, eliminámos as melhores equipas, os campeões de várias Ligas, os campeões europeus na final. É e especial por ser a terceira, por termos ‘batido na trave’ já muitas vezes nos últimos anos. Consecutivamente temos estado nas decisões, mas faltava-nos um pouco de sorte, um pouco de potência. Hoje fomos felizes, acima de tudo muito felizes. O apoio que veio das bancadas foi fundamental, uma força extraordinária, um empurrão naquele momento mais delicado, para nos superarmos, para darmos um pouco mais do que temos dentro de nós e hoje, sem dúvida, foi muito importante. Agradecer aos Sportinguistas pelo apoio, pela força e energia e dizer que estamos de parabéns, mas que não vamos ficar por aqui”.

“É muito especial. Agradecer a Deus à minha esposa, aos meus filhos, à minha família, aos meus amigos verdadeiros que estão sempre do meu lado, nos bons e nos maus momentos. Quando ganhamos, festejamos hoje, amanhã e no próximo fim-de-semana tem um play-off para trabalhar e pensar nele. Quando perdemos, a mesma coisa; lamentamo-nos, temos 24 horas para ver onde errámos e depois o trabalho continua. Essa é a nossa mentalidade ao longo dos anos, por isso estamos sempre a disputar coisas importantes. Os nossos adeptos são um espectáculo à parte, sou apaixonado por eles. Os adeptos sabem o quanto esta equipa batalha para estar nos grandes palcos, não vamos ganhar sempre, mas estamos várias vezes na luta. A palavra que gostava de deixar aos Sportinguistas é obrigado, por tudo o que fazem por nós, sentimos a vossa presença não só em Portugal, mas na Europa também, praticamente jogámos em casa em todos os jogos, porque onde vamos há sempre um apoio espectacular deles”.

OPINIÃO

GANHAR ESTÁ NO NOSSO ADN

“A sorte dá muito trabalho”, foi uma expressão sábia, entre muitas outras por ele proferidas, que ouvi do professor Mário Moniz Pereira.

E a actualidade do Sporting Clube de Portugal sintetiza na perfeição aquilo que aquele fazedor de campeões como nenhum outro, tão feito de conquistas, dizia com toda a propriedade.

O Sporting Clube de Portugal, que é a maior potência desportiva nacional e uma das maiores a nível mundial tem quase 120 anos dessa “sorte”. Feita de Esforço, Dedicação e Devoção para conseguir ter uma Glória sem paralelo. Somos um clube único.

A História não se apaga. É feita de um passado que nos orgulha, mas também de um presente que, chegados que estão os momentos de todas as decisões, nos tem sido pródigo em conquistas atrás de conquistas, e transversais a todas as modalidades.

Para falarmos das mais recentes – embora todas elas sejam recentes e têm sido em catadupa, se na passada edição do nosso Jornal falei do “Tri” do andebol e da Taça Hugo dos Santos no basquetebol, nesta edição mais títulos foram ganhos, e não foram coisa pouca.

Falo “só” do Bicampeonato do voleibol, que deu o triplete na época, e da terceira vitória do nosso futsal na Champions League. Ver a forma contagiante como os jogadores que envergam o símbolo do Leão rampante festejam cada conquista chega até a ser comovente. Quanto mais ganham, mais querem ganhar. É o ADN do Leão. Na passada quarta-feira ver como os rapazes do voleibol exultaram com a vitória no Campeonato, sob o comando de João Coelho, foi como disse atrás comovente. Ver os profissionais, chorar, rir, brincar, interagir com os adeptos, foi bonito... foi “à Sporting”.

Como também foi fantástico ver a forma como o “Mestre” Nuno Dias, o melhor treinador do Mundo, na minha opinião – e não só – no pós-jogo emocionar-se como se fosse a sua primeira conquista. Mas não, são já muitas, mais de três dezenas, ou ainda o “capitão” João Matos, que festejava como se não houvesse amanhã, de forma genuína.

Este Sporting Clube de Portugal, que também tem desaires, porque é impossível ganhar sempre em tudo – é um clube que se recomenda. Esta época, e ainda mais temos para ganhar, acredito plenamente nisso, tem sido pincelada a verde e branco com conquistas atrás de conquistas em todas as modalidades –literalmente em todas.

Existem os invejosos e aqueles que gastam milhões para proporcionalmente ganharem tostões, que falam depreciativamente num “manto verde” que eu confirmo existir por mera constatação. A de que esse manto é feito de trabalho, de competência, de aposta na formação – exemplo inacabado disso é o facto de

DIOGO SANTOS

“Muita ansiedade. Sofri por todos. Aconteceu [a expulsão], mas faz parte do jogo. Acima de tudo, o importante é a vitória da equipa e estou especialmente feliz por ter ajudado. Sabemos que tem sido uma temporada difícil, porque tínhamos perdido dois troféus, mas viemos com tudo para a Champions. Mostrámos do que somos feitos, não desistimos de nada. É o ADN do Sporting CP. Estou muito feliz”.

QUATRO DO SPORTING CP

NO CINCO IDEAL

A brilhante participação do Sporting CP na final four da UEFA Futsal Champions League também ficou reflectida nas escolhas para o cinco ideal da competição. Quatro jogadores dos novos Campeões Europeus estão na equipa ideal do torneio: o guarda-redes Bernardo Paçó, o fixo Tomás Paçó, o ala Felipe Valério e o pivô Zicky são acompanhados por um único jogador de outra equipa: o ala David Peña, do IB Palma Futsal.

no plantel Campeão Europeu de futsal estarem nove jogadores da “cantera” do Leão. Em suma, e como aquele velho ditado português diz que “se tens inveja de mim, faz como eu, trabalha”. E sim, acreditem, é no trabalho e sobretudo na capacidade intrínseca de escolher os melhores treinadores, jogadores e coordenadores das modalidades que está o segredo dos êxitos... dos inúmeros êxitos.

E, porque sou grato e reconhecido, já que foi assim que me educaram sem ser subserviente a nada nem a ninguém, neste meu feitio até um pouco anarco-sindicalista, deixo propositadamente para o fim um agradecimento ao Conselho Directivo, por perfeita justiça.

E escolho aqui duas pessoas, sem esquecer as restantes. Falo de Frederico Varandas, aquele que já é o mais titulado dos presidentes da nossa História e que tem feito um trabalho soberbo que nos tem mesmo levado a patamares de excelência, e ainda para o meu amigo de mais de 30 anos, vogal para as modalidades, Miguel Afonso. Vou aqui tratar-te por “tu”, como sempre o fiz, porque temos à vontade para isso. És um dirigente de mão-cheia, que vive o Clube como poucos. És hoje um Homem de gabinete e também de trabalho de sapa, mas que, pelas mãos do teu pai, também ele um bom amigo que tive, desde criança que respiras bancada como um verdadeiro Leão que sabe de Sporting como poucos. Simbolizas na plenitude um dos meus modelos de Sportinguista. Obrigado por tanto. Ser do Sporting Clube de Portugal é tão bom. É mesmo uma sensação que não se explica, sente-se.

JUVENAL CARVALHO

MODALIDADES FUTSAL

MULTIDÃO SAUDOU OS CAMPEÕES EUROPEUS DE FUTSAL NO PAVILHÃO JOÃO ROCHA

GRUPO LEONINO ORIENTADO POR NUNO DIAS ACLAMADO EM AMBIENTE DE GRANDE SPORTINGUISMO.

Texto: Nuno Miguel Simas

Fotografias: João Pedro Morais

A equipa de futsal do Sporting Clube de Portugal foi recebida em apoteose, ao final da tarde da passada segunda-feira, no Pavilhão João Rocha, por cerca de um milhar de Sportinguistas, que em ambiente de grande comunhão, celebraram com os jogadores a conquista da terceira UEFA Futsal Champions League do historial.

A partir das 18h30, as portas do Pavilhão abriram para receber os Sportinguistas que se deslocaram à casa das modalidades Leoninas. A cerimónia começou às 19h06, para evocar o ano de fundação do Clube, com os jogadores a serem chamados pela ordem numérica das camisolas e Gonçalo Portugal, como número um, a ser o primeiro a pisar a passadeira dos Campeões.

Um público em delírio aplaudiu, de forma entusiástica cada jogador chamado, onde se incluiu o jovem Tiago Rodrigues, da formação, número dois da equipa.

Depois, um a um com Tomás Paçó a ser o seguinte e com entradas de atletas de forma original, por exemplo com o guarda-redes Bernardo Paçó a ajoelhar-se no piso do Pavilhão e Ivan Chiskala a entrar num carrinho de compras, empurrado pelo companheiro, Rocha.

A festa foi contagiante, com duas bancadas totalmente lotadas, em dia de semana, mas que não dissuadiu os Sportinguistas de marcarem presença nos festejos dos Campeões Europeus.

Nuno Dias, técnico Leonino, começou por falar dos muitos jovens da formação do futsal Leonino que mar-

caram presença na homenagem aos Campeões Europeus. “Quando entrei e vi estes jovens, lembrei-me que no passado, o Diogo [Santos], o Tiago [Rodrigues], o Bruno Maior, o Tomás [Paçó], o Zicky, o Bernardo [Paçó] muitos eram jovens que estavam neste lugar e agora estão aqui como membros importantíssimos da equipa principal. Por isso, para eles, não deixem de sonhar, porque um dia

há-de ser a vossa vez de aqui estar. Isto só é possível porque na nossa formação temos pessoas extrema-

mente competentes e que fazem com que os Zickys, Bernardos, Brunos, Tiagos, apareçam a este nível. Por

isso, aos treinadores da formação que estão aqui, parabéns pelo trabalho que fazem”, frisou o técnico.

Os Campeões Europeus recriaram no Pavilhão João Rocha e perante os Sportinguistas o momento em que levantaram o troféu da UEFA Futsal Champions League
Os sorrisos de felicidade da equipa capitaneada por João Matos diziam tudo na festa dos Campeões Europeus de futsal

Nuno Dias elogiou o “staff fantástico, que faz um trabalho fabuloso para que os jogadores se apresentem da melhor maneira” e elogiou o apoio dos adeptos Sportinguistas: “Sem vocês isto não fazia sentido nenhum. Muito obrigado por todo o apoio que nos dão. Por último, apesar de serem os últimos, os mais importantes, um grupo fantástico [jogadores] que trabalham muito, ‘levam’ muito connosco, mas depois têm prestações incríveis e este fim-de-semana foi incrível o nível que eles apresentaram. Campeões da Europa com todo o mérito e para mim é um privilégio, um orgulho, liderar um grupo de jogadores não só com a qualidade técnica e táctica, que é importante, mas um grupo de jogadores de um nível humano absolutamente extraordinário”.

João Matos, capitão da equipa de futsal, dirigiu-se aos Sportinguistas, com o Pavilhão a cantar a uma só voz, João Matos, és o nosso capitão “Obrigado por estarem aqui. Deixemme, em primeiro lugar, dar os parabéns a este pessoal todo, mas não me posso esquecer do Rúben Freire, que faz parte deste plantel também, porque jogou por nós na UEFA Futsal Champions League. Agradecer-vos, somos felizardos, o Sporting CP é felizardo por ter adeptos assim, sempre presentes em todos os momentos e nós, futsal, somos muito agradecidos por todo o apoio, ano após ano. Há mais de 20 anos que aqui estou e vocês fazem-nos sentir sempre em casa, em qualquer ponto do Mundo. Muito obrigado a todos vocês. Foi uma caminhada extraordinária desta equipa, muito justo, muito merecido e se o nosso lema é ser tão grandes como os melhores da Europa, nós hoje somos os melhores da Europa. Somos Campeões da Europa”, disse, perante uma multidão eufórica.

Rodrigo Pais de Almeida, membro do Conselho Directivo do Sporting CP, estava emocionado com a festa e deu conta ao Jornal Sporting do sentimento pelas sensações vividas. “Foi uma semana espectacular, que vem de muitos meses de trabalho. Uma equipa fantástica, que desde o primeiro minuto da época até este momento acreditou que era possível este desiderato de ser Campeão Europeu pela terceira vez. É inquestionável a conquista desta UEFA Futsal Champions League por esta equipa. Vencemos as cinco melhores equipas da Europa, só não vencemos a segunda do ranking, porque somos nós próprios. As outras vencemo-las todas: eliminámos o Kairat FC, o SL Benfica, o FS Cartagena e o tricampeão europeu, o IB Palma Futsal,

com mais de metade do plantel feito no Clube, com ADN do Clube, da nossa formação, com 400, 500 adeptos em Itália a apoiar-nos do princípio a fim. Foi mágico, continua a ser mágico”, referiu. Rodrigo Pais de Almeida salientou a formação do futsal do Sporting CP, o Sportinguismo dos atletas, o espírito de família vivido no Clube e de como os adeptos Leoninos se reveem tanto na equipa de futsal. “Foi assim que o futsal cresceu em Portugal, também muito estruturado no modelo do Sporting CP, um modelo de trabalho, de aposta no jogador português, de aposta no jogador da formação e no crescimento do que tem sido o futsal em Portugal, feito com base no Sporting CP. Os nossos jogadores [plantel principal] são todos eles adeptos, Sócios do Sporting CP, sofrem também no andebol, basquetebol, futebol, enfim; dia 24 vão para o Jamor ver o jogo [final da Taça de Portugal frente ao SCU Torreense], de certeza. Ganhar no Sporting CP é diferente, e quem cá passa sabe disso. E quem sai, não há ninguém que não queira voltar e isso significa muito”, frisou.

Do lado dos adeptos Leoninos, orgulho era o sentimento generalizado.

Pedro Coelho, um jovem adepto, revelou como viveu o jogo da final: “Vi com o meu pai em casa, sofremos imenso na meia-final, mas na final senti que fomos superiores o jogo inteiro e que dominámos”.

Bruno Dias e André Dias, irmãos, fazem também do Sporting CP família e disseram: “Foi surpreendente o Sporting CP ter jogado assim tão bem, gostámos muito de viver este momento com os jogadores e conquistar a UEFA Futsal Champions League. Esta é uma equipa à Sporting CP, com muita garra”.

Pedro Vicente, também adepto Leonino, referiu: “Foi um dia espectacular, o futsal é quase um Mundo dentro do Mundo do Sporting CP, quase uma ‘igreja’ dentro do Sporting CP e é uma instituição. O Nuno Dias tem feito um trabalho incrível, numa secção em que desde o futebol de salão muitas pessoas contribuíram para aquilo que o Sporting CP é e parabéns. Esta equipa representa muito bem o Sporting CP, são Sportinguistas, sentem o Clube, são grandes jogadores e é um extra serem grandes Sportinguistas”.

Manuel Felgueiras, também Sportinguista, observou: “Foi um dia muito bom, ter sempre aqui a família Sportinguista, a conquista, que era o que estávamos aqui à procura e o expoente máximo é estarmos aqui em família, com a Taça pronta para ir para o nosso Museu.

Vi a final em casa, com nervosismo, mas também muito confiante. Acho que nunca senti que nos ia escapar, mesmo sabendo que no futsal ‘não há favas contadas’”.

Filipa Tavares, adepta Sportinguista, contou como viveu esta segunda-feira. “Vivo esta dia como é vivido qualquer dia à Sporting CP. A família verde e branca, sempre junta e não podíamos deixar de estar presentes. A partir de determinado momento, senti que a final ia ser nossa, que não

podia ser de outra maneira, com o jogo que estávamos a fazer, não podia fugir. Só comecei a acompanhar mais modalidades este ano, graças ao meu esposo, mas estou cada vez mais a gostar de vir aqui ao Pavilhão e de acompanhar este lado da família do Sporting CP. Gosto muito da equipa em si”.

Pedro Tavares, outro Sportinguista, partilhou do pensamento da mulher. “Foi especial, é sempre especial partilhar estes momentos com

os Sportinguistas, ainda por cima uma conquista europeia, acaba por ser ainda mais especial. O nosso desígnio é sermos dos melhores da Europa, lutamos sempre por todas as competições, as competições europeias são sempre mais difíceis e quando as conquistamos acaba por ser muito especial. Senti sempre que estávamos por cima do jogo [da final] e que íamos ganhar. O meu jogador favorito? Talvez Merlim e João Matos”.

O treinador Nuno Dias agradeceu aos adeptos Sportinguistas pelo apoio incansável, numa ‘aliança’ que tem valido muitos títulos
Os jovens da formação do futsal do Sporting CP também marcaram presença na festa

MODALIDADES FUTSAL

UM OUTRO OLHAR À EQUIPA TÉCNICA DE FUTSAL

GABINETE DE OBSERVAÇÃO E ANÁLISE FAZ RECOLHA DE DADOS SOBRE JOGOS DO SPORTING CP E SOBRE OS ADVERSÁRIOS.

Texto: Nuno Miguel Simas Fotografia: João Neves

Sempre nos habituámos a associar a equipa técnica de Nuno Dias a detalhe, perfeccionismo, exigência e, claro, muita competência.

São os lances de laboratório da equipa técnica liderada por Nuno Dias. As múltiplas jogadas ensaiadas, as estratégias de cinco para quatro defensivo ou ofensivo, tudo tantas vezes calculado ao centímetro, em estratégias afinadas ao mais ínfimo pormenor.

Mas para tudo bater certo no final, é preciso visualizar, recolher informações, apurar dados para Nuno Dias, Paulo Luís e Filipe Rodrigues trabalharem com o máximo rigor.

Tudo isto vem da observação dos jogos, através de vídeo, por parte de Edgar Beldroega, membro da equipa técnica Leonina, que filma os jogos e passa as informações ao técnico Leonino e adjuntos.

Os meios de comunicação do Clube foram conhecer esta parte menos visível do trabalho, pela voz de quem faz este levantamento de material de apoio fundamental na preparação dos jogos e dos treinos também. Edgar Beldroega explicou no que consiste o trabalho que desenvolve, nomeadamente a análise de dados.

“Os dados que nós retiramos, são falados entre a equipa técnica, para perceber que dados estatísticos são importantes para determinado momento, porque se temos dados e não os aproveitamos, também não valeria a pena estar a gastar tempo com essa situação. Precisamos de coisas em concreto, que vamos usar. Dados como se estamos a finalizar na baliza, se o guarda-redes está a defender as bolas, se calhar são mais importantes do que por exemplo se o nosso jogador falhou dois, três passes. A sensibilidade é importante para compilarmos as informações que realmente precisamos”, explicou. Os próprios jogadores recorrem à análise de dados para perceber como podem vencer duelos individuais e surpreender marcações. “Sim, os jogadores também tentam procurar algumas situações em específico, mais de detalhes, como penáltis, li-

vres de dez metros, posicionamento do guarda-redes [adversário] e que área vão ocupar. Também analisamos a parte individual, mais para a UEFA. Por vezes com equipas estrangeiras não é tão fácil ter vídeos. Mas a nível geral, vemos os comportamentos dos jogadores adversários, por exemplo como determinado fixo marca pivôs ou como tenta ganhar a frente”, detalhou.

Tentar ter o máximo de informação é essencial, não fosse a informação um seguimento essencial na actualidade. NA UEFA Futsal Champions League, a metodologia de trabalho não muda substancialmente em relação às provas nacionais. “Lembrome que com o AEK Atenas, nos oitavos-de-final, foi muito difícil porque tínhamos poucos jogos para analisar e ter informação”, salientou. Edgar Beldroega detalhou as suas funções e como é o seu dia-a-dia de trabalho. “A maneira mais fácil é falar de uma semana do meu trabalho e não só de um dia, porque

os vídeos são feitos para preparar o jogo. São divididos em momentos e em cada dia vemos uma coisa diferente. Faço essa parte de analisar o adversário, sobretudo divido por momentos, para facilitar o trabalho da equipa técnica, assim só têm de ver determinado momento e definir o que querem trabalhar e fazer de diferente para o jogo em si. Cada adversário é um adversário, há muitas coisas comuns entre dias, mas há sempre uma parte da estratégia, um detalhe que diferencia de jogo para jogo”, frisou.

Este elemento da equipa técnica explicou o que considera mais desafiante no trabalho, de jogo para jogo. Sim, porque um jogo também é jogado na bancada, onde a observação filma os jogos no próprio dia e claro, em tempo real. “Mesmo na maneira de trabalhar, pode mudar algumas vezes, porque há sempre alguma coisa que vai surgindo, algum detalhe em que se pode melhorar, inclusivamente na análise, porque

além de fazer esta parte de vídeo antes, também faço durante o jogo para ao intervalo termos suporte para fazer pequenas correcções, porque mais um detalhe no jogo pode fazer a diferença”.

Edgar não tem dúvidas de que olhar para o adversário de maneira cirúrgica e minuciosa é um requisito cada vez mais importante na preparação dos jogos. “Ao termos de adaptar um bocadinho o nosso jogo ao adversário, acho que esta parte do vídeo é muito importante e pode ajudar a preparar ainda melhor o adversário. Com o desenvolvimento das tecnologias, com a qualidade do vídeo, com a qualidade das pessoas que trabalham no grupo, vêem-se coisas diferentes, vêem-se coisas de várias maneiras e tudo junto pode ajudar a mudar um jogo”.

Muito acarinhado por todo o grupo de trabalho de futsal do Sporting CP, Edgar Beldroega garante que exigência e qualidade no trabalho são pontos de honra no Sporting CP: “Eu,

antes de enviar o material vejo sempre se está tudo por ordem, se faria alguma coisa diferente, tento ter a sensibilidade do que pode não estar correcto. Por exemplo, perceber que conseguimos ler o movimento através do posicionamento inicial é algo que nos vai permitir, depois, estar mais preparados no jogo para anular esse momento, ou seja, todas essas partes do vídeo, ou o um contra um, são importantes na estratégia”, considerou.

Edgar Beldroega sente-se orgulhoso por fazer parte da equipa liderada por Nuno Dias: “Estar com os melhores é estar sempre a aprender, por isso, além das conquistas, é mesmo estar a desenvolver-me como pessoa e como profissional. É a soma de todas essas partes. O Paulo vai mais ao detalhe na bola parada e o Nuno consegue ler o jogo de maneira diferente. Eles completam-se de forma excepcional. Só o facto de fazerem anos no mesmo dia já explica um pouco dessa ligação”, finalizou.

Edgar Beldroega faz o trabalho de observação e análise de dados no futsal Leonino

MODALIDADES FUTSAL

PISO ONDE O SPORTING CP GANHOU TÍTULO EUROPEU

‘CARIMBO’ PORTUGUÊS

NUNO VICENTE É O RESPONSÁVEL E TEM SIMPATIA PELO SPORTING CP, ALÉM DE OUTRA PAIXÃO: O FUTSAL, ONDE CHEGOU A DEFRONTAR OS LEÕES COMO JOGADOR DE UMA FILIAL DO CLUBE: O SPORTING CLUBE DE VILA VERDE.

Texto: Nuno Miguel Simas Fotografia: João Neves

É uma história de engenho, também de muito talento, mas ainda acima disso, de inovação e de amor pelo futsal. Nuno Vicente foi o responsável pela criação e montagem do piso que recebeu a UEFA Futsal Champions League, em Pesaro. Começou a trabalhar neste ofício em Espanha, a convite de Javier Lozano, grande figura da modalidade no país e ajudou a impulsionar a Liga do país vizinho, com um piso que permitiu à modalidade desenvolver-se e internacionalizar-se em termos mediáticos, com transmissões televisivas para mais de 130 países.

O reconhecimento do trabalho desenvolvido e a fama da competência foram rompendo fronteiras. Portugal [Federação e vários clubes], França, Alemanha, Holanda, Andorra, UEFA, FIFA, têm sido e continuam a ser parceiros que conferem estatuto e competência ao trabalho deste empreendedor português e Sportinguista.

O Jornal Sporting dá agora a conhecer este homem, que faz de Portugal a maior referência neste sector ligado ao jogo. Sim, porque sem grandes palcos, entenda-se, pisos de jogo, não há grandes artistas, entendam-se jogadores, nem grandes orquestras, leiam-se equipas.

O trabalho de colocação de pisos teve origem para Nuno Vicente na paixão que o próprio tem pelo futsal. “Eu joguei futsal praticamente 20 anos. Nunca ouviram falar de mim porque quando entrava no campo, enquanto uns ralhavam para ver como recebiam a bola, se era com o pé esquerdo, se com o pé direito, eu olhava para os pisos e dizia para mim, que eu conseguia fazer melhor do que aquilo. Começou como curiosidade de perceber que aquilo que existia [pisos] não tinha a qualidade para mim enquanto jogador e perceber

que eu iria, de certeza, conseguir fazer algo melhor. Aí fez-se o clique para começar a pensar nestas coisas”, explicou.

Antigo jogador, entre outros clubes, do Sporting Clube de Vila Verde, equipa do concelho de Sintra, Nuno Vicente recorda como eram os pisos há 20 anos, para traçar o contraste com o tempo actual. “Joguei no SC Vila Verde e o piso era de cimento, depois íamos às escolas a encontrávamos aquele aborrachado, pavimento poliuretano, com para aí, três, quatro milímetros de espessura, portanto não é um pavimento que vá proteger as nossas articulações e a coluna. De vez em quando lá apanhávamos um piso de madeira e eu percebia que o caminho era por ali. Embora um piso de madeira de um multidesportivo não tenha as propriedades de um piso de futsal”, salientou.

Este especialista em pisos queria ir ao encontro das características próprias da modalidade que sempre lhe esteve no coração. “Há modalidades que obrigam a que haja ressalto de bola e para dar ressalto de bola tem de se dar dureza ao piso. No futsal o que se quer é que a bola fique no chão, essa foi base de desenvolvimento. Há vários tipos de pavimentos que vieram do passado, muitos deles ainda existem. Existem placas de plástico, que nós também fabricamos, que não são claramente um piso performativo para estar numa Liga dos Campeões, num Mundial ou Europeu, mas é um piso que serve o seu propósito para o nível escolar. É mais económico e requer menos manutenção. Agora, quando estamos a falar em alta competição, performance, o que temos aqui em Pesaro é um piso específico para uma modalidade, em que a bola em vez de ressaltar, fica no chão. Jogar basquetebol ou andebol aqui não vai dar. Isto é um piso mesmo muito

específico”, referiu. Mas ainda mais em concreto, o que tinha o piso e Pesaro de especial?

“Primeiro que tudo, tem de se um piso rápido, para a bola deslizar rápido. A bola não pode prender. Aqui pretende-se que a bola ande rápido e tem de haver aderência e esse equilíbrio não é fácil. Em segundo lugar, a bola quer-se no chão e não que ande aos saltos. No que diz respeito ao conforto, não há nenhum desporto que tenha inversões tão rápidas de movimento como este, porque não há nenhum desporto de pavilhão que seja jogado a esta velocidade. Tem tudo a ver com articulações de joelhos, por exemplo nas travagens, e da coluna nas inversões. Se conseguirmos dar esse conforto a este conjunto, estamos a ajudar os atletas, o que faz com que tenhamos aqui atletas com quase e 40 anos a jogar uma final da UEFA Futsal Champions League”, salientou.

Nuno Vicente explicou a composição do piso em específico: “1369 peças, 37 filas, módulos de madeira de um metro e vinte por sessenta centímetros. Toda a parte de desenvolvimento é feita por mim. Depois tenho parceiros que fazem toda a parte das peças técnicas a nível da injecção do plástico e das borrachas, que compõem o pavimento. Por fim, o piso vem a nós para darmos o acabamento final, com o verniz, a forma como isso é feito e que permite que a bola deslize mais rápido. É importante o tipo de verniz para garantir uma homogeneidade que não é fácil”.

A experiência que teve enquanto jogador de futsal serviu-lhe de ponto de partida para criar um piso de base, nomeadamente para tentar suprimir dores nas articulações. “O primeiro passo é perceber o problema e ter a ousadia de querer resolver o problema. Depois pode-se ter competência, ou não, para resolver, mas tudo começa aqui. No meu caso, eu

estava no jogo e aquilo provocava-me dores nos joelhos quando acabava de treinar. Já me pediram, por exemplo, para levar este piso para Espanha, porque o piso de lá não tem a qualidade de amortecimento que este piso tem”, explicou.

O nosso interlocutor fala do futsal com paixão e do quanto a modalidade lhe tem proporcionado: “O futsal deu-me amigos, deu-me a minha profissão, permitiu-me viajar pelo Mundo, proporcionou-me memórias inesquecíveis, seja em rinques, ou nos melhores pavilhões. O futsal de há 20 anos não é o mesmo de hoje. É muito diferente, não só a nível do jogo, das infraestruturas e dos apoios”.

Sobre o Sporting CP e o efeito catalisador para o crescimento deste desporto, frisou o enorme contributo de um clube que lhe está no coração. “O Sporting CP é uma questão familiar. Quando comecei a jogar futsal, o Sporting CP tinha na altura o Orlando Duarte como treinador e seleccionador. Não existia o SL Benfica e quando o Sporting CP chegava ao pavilhão sentia-se que era mesmo o Sporting CP, que é um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da modalidade há décadas. Foi o clube grande que primeiro acreditou nesta modalidade e isso nunca nin-

guém vai tirar ao Sporting CP. Na Nave era um piso de plástico, que não tem nada a ver com este”. O progresso no futsal também é indissociável da qualidade dos pisos e o Sporting CP também neste particular gosta de andar na carruagem de frente, como clube de vanguarda que é: “Trabalhamos com o Sporting CP há bastante tempo. Normalmente, sempre que o Sporting CP organizava uma Elite Round, pedia-nos o pavimento, ainda este ano foi o meu piso que esteve no jogo dos quartos-de-final frente ao SL Benfica e a minha relação com o Sporting CP além de emocional, é de respeito, já de há muitos anos”.

E para que se perceba que o futuro pode trazer mais inovações, Nuno Vicente é disso bom exemplo, numa mentalidade de inovação no desporto a que dá nome o site do trabalho que faz: ‘inov4sports’. “Somos [portugueses] muito bons em engenharia. A maior e melhor indústria de moldes do Mundo é em Portugal. Perceber que existiam, no nosso país, grandes empresas com grande capacidade de produção e que conseguiam desenvolver coisas à medida, para mim era um grande desafio. Parecia uma criança num parque infantil, porque pedia amostras e se não funcionava experimentava outra”, finalizou.

Nuno Vicente montou o piso que acolheu a final four da UEFA Futsal Champions League que o Sporting CP conquistou em Pesaro
Piso privilegia a rapidez da bola a deslizar e a aderência dos jogadores em movimentos de aceleração e travagem

CHISHKALA

“PARA LEVANTAR O TROFÉU DA

UEFA FUTSAL CHAMPIONS

LEAGUE É PRECISO CAIR VÁRIAS VEZES”

“PEÇO DESCULPA PELO MEU PORTUGUÊS. AINDA NÃO FALO MUITO BEM, MAS VOU ESTUDAR MAIS”, DISSE IVAN CHISHKALA – MESMO FALANDO UM PORTUGUÊS NOTÁVEL – AOS PRESENTES NA ENTREVISTA QUE CONCEDEU AO JORNAL SPORTING APÓS A CONQUISTA DA TERCEIRA UEFA FUTSAL CHAMPIONS LEAGUE DO EMBLEMA VERDE E BRANCO. AOS 30 ANOS, O INTERNACIONAL RUSSO LEVA APENAS ALGUNS MESES AO SERVIÇO DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, MAS JÁ SE SAGROU CAMPEÃO EUROPEU E NÃO TEM DÚVIDAS DE QUE ESTÁ NO “PONTO MAIS ALTO” DA CARREIRA.

Texto: Luís Santos Castelo

Fotografia: Isabel Silva

Antes de tudo o resto, como se sente?

Estou muito feliz. Sinto-me bem e está tudo top.

Já recuperou da festa?

Ainda não, mas vamos fazer hoje [quarta-feira] o primeiro treino depois da festa e vamos recuperar e treinar.

Precisamos de suar, de treinar e vamos voltar à nossa forma para que tudo corra bem.

Falemos desta conquista. Como foi a preparação para a final four da UEFA Futsal Champions League?

As semanas antes da final four foram muito difíceis. O último jogo foi contra o CR Leões de Porto Salvo e foi duro. Foi preciso preparar o jogo com o FS Cartagena e fazer muitas coisas: analisar jogos, analisar cada atleta e toda a equipa. Fizemos

um bom trabalho. O nosso staff e treinadores fizeram tudo para nós e só precisámos de apanhar e analisar essa informação. Só tínhamos de fazer o que pediram.

“ACORDAMOS CADA DIA COM

ESTA IDEIA: SOMOS OS MELHORES DO MUNDO”

Quando chegaram a Pesaro, em Itália, estavam motivados e confiantes?

Claro. A nossa equipa confia que somos uma das melhores da equipa do Mundo. Acordamos cada dia com esta ideia: somos os melhores do Mundo. Por isso, fazemos tudo para demonstrar que somos melhores e trabalhamos todos os dias nesse sentido e para que os adeptos o percebam. Quando entramos em campo, temos muito respeito pelas outras equipas e temos de demonstrar que somos melhores. Mostrámos e demonstrámos que conseguimos ganhar todas as taças e todos os jogos.

Esse trabalho que referiu, realizado antes da final four da UEFA Futsal Champions League, foi suficiente para senti rem que podiam vencer qualquer jogo, então. Sim, mas estávamos a jogar contra as melhores equipas do Mundo. Quem chega à final four está ao nosso nível e o que decide tudo são os detalhes. Sabemos isso e fazemos tudo para que o equilíbrio caia para o nosso lado.

Nas meias finais, contra o FS Cartagena, o jogo foi difícil, mas a verdade é que o Sporting CP foi, de forma clara, a melhor equipa. Concorda?

Sim, claro. Começámos bem e criámos muitos momentos [de perigo], mas a bola não entrou. Às vezes, acontece e percebemos que era preciso fazer mais. Na primeira parte, estivemos a perder 2-0 e era preciso virar o jogo. Controlámos criámos oportunidades e era preciso fazer alguma coisa para a bola entrar. Graças a Deus, o Zicky marcou e, depois, a baliza ficou aberta para conseguirmos marcar. Por vezes, acontece contra boas equipas como o FS Cartagena. Depois do jogo, vi a estatística. Finalizámos cerca de 80 bolas e 45 à baliza, mas só marcámos três. Eles remataram oito vezes à nossa baliza e também marcaram três. Isso é o desporto e é por isso que gostamos dele, mas quem está dentro de campo precisa de fazer alguma coisa para marcar. Tivemos paciência e percebemos que conseguíamos ganhar. Confiámos nessa ideia até ao último segundo.

O jogo foi decidido no desempate por pontapés de penálti. Como se vive esse momento?

É um momento especial, claro. Todos estão nervosos e isso é normal porque, primeiro, somos pessoas, mas estávamos confiantes de que íamos ganhar. Confiámos no guarda-redes e em todos os jogadores.

Concluído o primeiro objectivo de chegar à final, qual foi a mensagem passada dentro da equipa?

A mesma: somos melhores e conseguimos ganhar. Conseguimos virar o jogo contra as melhores equipas do Mundo, não interessa o resultado. Vamos jogar até ao último segundo e dar tudo para ganhar.

“QUANDO VIMOS O IB PALMA FUTSAL CHEGAR À FINAL, PENSÁMOS QUE ESTE ERA O NOSSO MOMENTO”

A final foi contra o IB Palma Futsal, tricampeão europeu e com história contra o Sporting CP. Estavam mais motiva dos do que nunca?

Claro. A nossa equipa tem história com o IB Palma Futsal e queríamos jogar a final com eles. Quando, nas meias-finais, estavam a perder com a equipa francesa, estávamos um pouco tristes. Quando os vimos chegar à final, pensámos que este era o nosso momento. Queríamos demonstrar que não eram melhores do que nós e estávamos muito motivados por jogar contra eles. Se queremos provar ao Mundo que somos melhores, precisamos de bater as melhores equipas da Europa e foi o que aconteceu.

“SE QUEREMOS PROVAR QUE SOMOS MELHORES, PRECISAMOS DE BATER AS MELHORES

EQUIPAS DA EUROPA”

O segundo e decisivo golo da final foi um autogolo, mas com a sua responsabilidade, uma vez que foi a pressão e o corte que provocaram o erro. Como foi esse momento? Só queria pressionar o adversário. Só fiz o meu trabalho e, graças a Deus, a bola entrou. Tive sorte, mas sem sorte é difícil viver [risos]. Em campo, não pensamos muito sobre como vamos fazer as coisas, é tudo mais automático. Senti que era um bom momento para pressionar e pressionei.

“AO MARCAR O SEGUNDO GOLO [NA FINAL], SENTIMOS MAIS CONFIANÇA”

Uma vantagem de dois golos, no futsal, não garante muito, mas sentiu que esse 2 0 deixava o título na mão? Sim, sentimos isso. Numa final, é muito importante ter uma vantagem de dois golos. Ao marcar o segundo golo, sentimos mais confiança. Sentimos que temos mais margem de erro, o que é muito importante para a cabeça. Por isso mesmo, depois do 2-0, tivemos mais oportunidades do que o IB Palma Futsal. Tínhamos chance de errar e isso é muito importante.

Vimos vários jogadores muito emocionados, alguns deles já com grandes carreiras e outras UEFA Futsal Champions League conquistadas. Ganhar uma prova destas é sempre como se fosse a primeira vez?

Cada vitória parece a primeira vez. É por isso que gostamos de desporto, pela emoção. É muito importante para adeptos e atletas. Cada jogo tem a sua história e para levantar o troféu da UEFA Futsal Champions League é preciso cair várias vezes. Cair e levantar é a nossa vida e, por isso, esta vitória foi muito importante para nós. Para demonstrarmos a nós próprios que nos conseguimos levantar. Daí a felicidade de todos.

“JÁ LEVANTÁMOS O TROFÉU, QUE FICA NA HISTÓRIA, E HOJE É DIA DE COMEÇAR UM NOVO CAMINHO PARA LEVANTARMOS MAIS UM”

Foi a segunda vez que se sagrou Campeão Europeu de clubes (venceu em 2015/2016, pelo Gazprom Ugra). Com dez anos de diferença, quais as maiores diferenças entre as duas conquistas?

As duas foram muito diferentes porque os caminhos foram muito diferentes. Quando levantamos o troféu, sentimos a mesma emoção de felicidade, mas os caminhos por que passei foram muito diferentes. Agora, é uma nova história que já acabou. Já levantámos o troféu, que fica na História, e hoje é dia de começar um novo caminho para levantarmos mais um. Não queremos ganhar só uma competição, queremos ganhar todas. UEFA Futsal Champions League, campeonato, taças… Queremos ganhar tudo.

“SÓ QUERO AGRADECER

MUITO

AOS

SPORTINGUISTAS QUE ESTIVERAM EM PESARO. SENTIMOS O APOIO DELES”

Contaram com um grande apoio dos Sportinguistas em Itália. Que palavra tem para eles?

Só quero agradecer muito aos Sportinguistas que estiveram em Pesaro. Sentimos o apoio deles, assim como de quem estava em Portugal. Sentimos sempre o apoio deles, que é muito importante. Queremos jogar e ganhar para eles, estamos juntos e vamos continuar juntos para ganhar mais títulos.

Depois da festa em Itália, houve festa em Lisboa. Gostou de ser recebido daquela forma aqui, no Pavilhão João Rocha? Sim. Não esperava que viessem tantas pessoas, foi sensacional e fantástico. É uma emoção que não conseguimos ter em lado nenhum, nem no meu país. Por isso, muito obrigado a todos. >>

“Festa no Pavilhão João Rocha? É uma emoção que não conseguimos ter em lado nenhum, nem no meu país”, confidenciou

“DESDE O PRIMEIRO SEGUNDO EM QUE CHEGUEI QUE TIVE TODAS AS PORTAS ABERTAS NO SPORTING CP”

>> Chegou ao Sporting CP em Janeiro deste ano. Aos meios de comunicação do Clube, disse que estava “pronto para ganhar tudo e ajudar a equipa” e que queria “traba lhar com o melhor treinador do Mundo e com os melhores profissionais”. Ficou satisfeito com o que encontrou?

Claro. Já conhecia todos os atletas e treinadores, por isso encontrei tudo o que esperei. O grupo é fantástico e agradeço muito aos meus companheiros e amigos. Desde o primeiro segundo em que cheguei que tive todas as portas abertas no Sporting CP. Senti o apoio dentro e fora de campo por parte do staff, treinadores e jogadores. Todos me queriam ajudar e agradeço por esse apoio. Sem ele, não consigo fazer tudo o que faço.

O que tem gostado mais no Sporting CP?

Tudo, gosto de tudo. É um grupo sensacional, assim como o staff, a parte de media, tudo. Gostava que todas as equipas do Mundo fossem assim, são grandes profissionais. Todos têm a mesma ideia: ganhar e fazer melhor pela equipa. E a equipa não é só feita de atletas, mas também de adeptos ou staff

“JOGO CONTRA O SPORTING CP EM 2017? FOI UM CHOQUE PERCEBER QUE ERA POSSÍVEL VER ATLETAS NUM NÍVEL TÃO ALTO. QUERIA TER A MESMA EXPERIÊNCIA”

A primeira vez que jogou contra o Sporting CP foi em 2017, nas meias‑finais da então chamada UEFA Futsal Cup, ao serviço do Gazprom‑Ugra. Perdeu por 1‑2. Que memórias

tem desse jogo?

Lembro-me desse jogo. Foi no Cazaquistão, em Almaty. A primeira impressão deixou-me a pensar que era uma equipa muito forte. Queria saber como é que trabalhavam. Foi um choque perceber que era possível ver atletas num nível tão alto. Queria ter a mesma experiência e, passo a passo,

cheguei ao mesmo nível. Quando vim para cá, percebi que a primeira impressão estava certa. Estou a perceber porque é que esta equipa é a melhor do Mundo. Agora posso responder porquê.

Está no ponto mais alto da sua carreira? Claro, claro. É o ponto mais alto, claro.

Vêm aí, agora, os play offs. Sente a equipa preparada e motivada para recuperar o título nacional?

Sim. Perdemos duas taças, mas encontrámos um equilíbrio. É um processo normal. Percebemos melhor como utilizar cada atleta e quando. Estamos prontos para ganhar este campeonato. A UEFA Futsal Champions League já acabou e queremos uma nova História no campeonato. Queremos demonstrar a todos porque é que somos os melhores da Europa e de Portugal.

“QUEREMOS DEMONSTRAR A TODOS PORQUE É QUE SOMOS OS MELHORES DA EUROPA E DE PORTUGAL”

Os play offs começam já este sábado, com o primeiro jogo dos quartos‑de‑final em casa do SCU Torreense. O que es‑ pera desse jogo?

Esperamos um jogo muito duro. O SCU Torreense tem uma equipa muito boa e construiu um caminho passo a passo. Gostamos de jogar contra eles porque gostamos de jogar contra boas equipas. Não vai ser fácil e estamos a preparar um jogo duro.

Nesta fase decisiva da época, voltam a contar com o apoio dos Sportinguistas?

O apoio é sempre muito importante para nós. Não queremos estar sozinhos e nunca vamos estar sozinhos, vamos ter sempre os nossos adeptos independentemente do que acontecer. Vamos ter sempre apoio e agradeço a todos. Muito obrigado e esperamos ganhar muito mais títulos.

Ivan Chishkala logo após a conquista do segundo título europeu da carreira
A medalha da UEFA Futsal Champions League foi a primeira de Leão ao peito para Ivan Chishkala

MODALIDADES VOLEIBOL

BICAMPEÕES NACIONAIS!

A EQUIPA MASCULINA DE VOLEIBOL FECHOU COM CHAVE DE OURO UMA TEMPORADA BRILHANTE – COM APENAS UMA

DE PORTAS AO LONGO DE TODA A TEMPORADA – E SOMOU O CAMPEONATO NACIONAL AOS TROFÉUS DA SUPERTAÇA E DA TAÇA DE PORTUGAL QUE EM 2025/2026 REFORÇARAM JÁ O MUSEU SPORTING.

Texto: Filipa Santos Lopes

Fotografia: João Pedro Morais

Na final disputada frente ao SL Benfica, os Leões de João Coelho deram mais uma evidente mostra de superioridade em todos os aspectos do jogo e fecharam a disputa pelo título com um inequívoco 9-0 na soma das três partidas.

Na noite da passada quarta-feira, os verdes e brancos carimbaram nova vitória pela margem máxima (3-0), esta a da consagração, e conquistaram um triplete muito celebrado pelas bancadas cheias do Pavilhão João Rocha – bancadas essas onde estiveram também Marco Aurélio, figura incontornável do futebol verde e branco entre 1994 e 1998, e Brandon Johns Jr., Diogo Ventura e Malik Morgan, que venceram recentemente a Taça Hugo dos Santos pela equipa masculina de basquetebol. Num jogo onde técnico Leonino apostou de início em Jan Galabov, Sergey Grankin, Kelton Tavares, Edson Valencia, Jan Pokeršnik e o líbero Nicolás Perrén, até foi o SL Benfica a começar melhor, antes de Jan Galabov, com um ataque à sua imagem, reduzir a diferença (1-2). O checo, muito ‘afinado’, repôs, entretanto, a igualdade, num início algo nervoso do Sporting CP (3-3).

Com as duas equipas a pontuar consecutivamente no side-out (9-9), o equilíbrio foi sendo a nota de maior destaque, e os Leões iam denotando algumas dificuldades na recepção. Já a servir, Kelton Tavares conseguiu deixar o Sporting CP a vencer pela primeira vez por dois pontos de diferença (11-9), mas os encarnados rapidamente reequilibraram as contas (11-11), antes de Jan Galabov e Edson Valencia assinarem a meias o 13-11, o que levou o técnico do SL Benfica a pedir o primeiro time-out da partida.

Os verdes e brancos começavam a crescer e Edson Valencia e Jan Pokeršnik voltaram a criar problemas à recepção das águias, sem argumentos para travar os ataques Leoninos (15-12).

Na fase intermédia do set, apareceram Jonas Aguenier e Jan Pokeršnik, o esloveno de mão quente, a ‘segurar’ a margem (18-13), antes de o inevitável Edson Valencia voar com uma cortada indefensável para o 1914. Com novo time-out aos 20-14, o SL Benfica tentava reagir, mas Kelton Tavares apareceu na rede e fez mes-

mo um promissor 21-14.

Os encarnados, sem conseguir bloquear os ataques do Sporting CP, resistiam como podiam, mas o camisola 6 voltou a aparecer para deixar os Leões a um ponto de fechar o set (24-16). Não foi à primeira, nem à segunda, mas uma falha no serviço do SL Benfica ‘selou’ o 25-18 final.

Kelton Tavares continuou inspirado no arranque do segundo set, tal como Jan Galabov, muito efusivo na celebração do 3-1. Com ambos os conjuntos a pecar no serviço (5-3), quem não falhou foi Edson Valencia, com mais um ‘ás’ a assinar o 6-3 que levou Marcel Matz a pausar a partida numa fase ainda prematura do set.

O Sporting CP manteve a diferença de três pontos nas jogadas seguintes (8-5), muito graças aos erros não forçados das águias, que continuavam sem acertar no serviço. Jan Pokeršnik, primeiro, e Sergey Grankin, depois, com dois blocos consecutivos, deixaram os Leões a vencer por margem mais confortável (12-5) e o técnico encarnado voltou a pausar o jogo, mas sem grande benefício, já que Edson Valencia na quadra e os Sportinguistas na bancada continuavam a embalar os Leões (13-7).

O SL Benfica ainda encetou uma ténue reacção (15-10), mas Jan Galabov e Edson Valencia ‘travaram-na’, o primeiro com um ataque indefensável, o segundo com um remate e outro serviço característicos (18-11).

Sem grande dificuldade, os Leões foram controlando a partida e, com o 21-15 de Jonas Aguenier, pareciam cada vez mais próximos de fechar o set. Jan Pokeršnik, no bloco duplo com Kelton Tavares, deixou o Sporting CP a três pontos do 2-0, e Edson Valencia, imparável, fez o 23-15. Foi mesmo das mãos do venezuelano que um fulminante disparo selou o 25-17. Sergey Grankin, a servir para abrir o terceiro set, continuou a provocar dificuldades à recepção encar-

Bicampeões Nacionais ergueram o troféu perante um Pavilhão João Rocha cheio
Edson Valencia foi o melhor pontuador do Jogo 3 da Final
Sergey Grankin decisivo uma vez mais

nada, tal como Edson Valencia, a fazer uma exibição de mão cheia (2-1). O SL Benfica conseguiu, porém, saltar para a frente do marcador (2-3), mas por pouco tempo, já que repetidas falhas no serviço encarnado permitiram ao Sporting CP recuperar a liderança.

Edson Valencia, a servir directo, e Jonas Aguenier, no bloco, fizeram o 7-4 que levou o técnico benfiquista a pedir mais um time-out, mas o Sporting CP continuava muito certinho na rede e Jan Galabov,

a bloquear um ataque a solo de André Aleixo, fez o 8-4. Incansáveis, os comandados de João Coelho rapidamente chegaram ao 11-6, mérito sobretudo do bloco a três que, bem oleado, deixava ‘passar’ pouco ou nada, mas permitiram uma breve reacção ao SL Benfica, que ainda reduziu para três os pontos de diferença (12-9).

Edson Valencia e Kelton Tavares ‘sacudiram’ a dormência com duas potentes cortadas (14-9) e o bloco do internacional português com

Jan Galabov voltou a funcionar na perfeição, deixando os Leões a vencer por seis. Aos 17-11, o técnico das águias pausou o jogo, uma última tentativa de inverter o rumo dos acontecimentos, e o SL Benfica ainda aproximou as contas (2419), mas o destino da partida e do campeonato estavam escritos: sem quebrar em nenhum momento do jogo, o Sporting CP firmou um inequívoco triunfo e fez a festa. Bicampeões!

JOÃO COELHO: “VENCEMOS DE FORMA CLARA”

Após o jogo, João Coelho respondeu às perguntas da comunicação social e mostrou-se naturalmente feliz pela conquista. “Apresentámo-nos em crescendo. Temos um colectivo sem grandes euforias, ciente de que tudo pode acontecer, e vencemos de forma inequívoca uma grande equipa. Dar os parabéns ao SL Benfica, que tentou tudo, com todos os que tinha disponíveis”, afirmou, antes de falar sobre a actual hegemonia verde e branca no voleibol nacional. “Muitos dos atletas do SL Benfica foram pentacampeões, não é uma equipa qualquer. (…) Mas quando se é muito consistente durante muito tempo torna-se inevitável ganhar”, explicou, elogiando o seu grupo de trabalho, “uma equipa serena, que jogou sempre de forma adulta, que nunca abrandou em nenhum momento da época e que deu mostras de grande qualidade também na CEV Champions League”. “Temos um staff inacreditável, que permite que tudo isto funcione como uma verdadeira família. O Clube dá-nos todas as condições para que possamos apresentar um projecto com princípio, meio e fim. Esperamos estar no princípio”, atirou ainda, a fechar.

PALAVRA AOS BICAMPEÕES NACIONAIS

AOS MICROFONES DA SPORTING TV, QUE ACOMPANHOU A FESTA DOS BICAMPEÕES NACIONAIS DE VOLEIBOL NA QUADRA DO PAVILHÃO JOÃO ROCHA, OS LEÕES MOSTRARAM-SE NATURALMENTE FELIZES PELO QUE MUITOS CONSIDERARAM UMA “ÉPOCA QUASE PERFEITA”.

Texto: Filipa Santos Lopes | Fotografia: João Pedro Morais

TIAGO PEREIRA

“Sportinguistas, boa noite. E que noite! 3-0 em jogos na final, 3-0 em sets em cada jogo... Duas palavrinhas: a primeira, agradecer a esta moldura humana imensa. Nos cinco anos que tenho aqui no Sporting CP, foi o jogo em que mais senti a vossa presença. E quero que continuem a apoiar-nos ao longo das próximas épocas. Convosco fica muito mais fácil. A segunda, eu prometi-vos que este ano ia ser de muito trabalho, muita dedicação, e que íamos lutar pelos três títulos. Cá estão eles, conquistámos o triplete, o que não acontecia desde 1992/1993. Acreditem nesta equipa e neste staff. O trabalho é bem feito, a malta é devota, dedicada. (...) Vamos conquistar mais títulos e continuar a escrever esta bonita história no Sporting CP”.

JONAS AGUENIER

“Incrível. Há um ano não pensei que seria possível ser Bicampeão, depois de anos e anos com o SL Benfica a vencer. Tenho muito orgulho de estar com este grupo, ganhar três vezes por 3-0 ao SL Benfica é fantástico. (…) Saber que jogávamos aqui o terceiro jogo, com os nossos adeptos, tornou tudo mais fácil. É normal ganhar com este apoio”.

LI YONGZHEN

“Este campeonato é o segundo troféu que venço em Portugal, mas é a minha primeira Liga e vou sempre lembrar-me deste dia tão importante. Estou muito grato por tudo o que vivo em Portugal.”

Leões venceram todos os sets da Final

EDSON VALENCIA

“Não há palavras para descrever esta sensação, este momento tão maravilhoso. Casa cheia e conseguir dar de prenda [o título], mostrar o nosso esforço como equipa, e de coração sentir o que representa o nosso Clube, é a melhor satisfação que podemos ter. (…) É uma equipa sempre com fome de ganhar, com fome de títulos, com muito trabalho nas costas. Vamos dar sempre tudo em campo. (…) A nível pessoal, tenho uma conexão muito bonita com os adeptos, muitos deles passaram a ser família para mim, e é uma sensação muito boa. Antes de chegar cá tive algumas conversas e disseram-me, quase como uma previsão, que se eu viesse, íamos conseguir encher o Pavilhão e celebrar títulos. Ter-se tornado realidade mexe muito com os meus sentimentos e por isso senti de forma tão intensa cada ponto”.

JAN GALABOV

“Vou dizer o mesmo do que todos os meus colegas: é maravilhoso. Estou muito orgulhoso da equipa, conseguimos o triplete, vencemos a Supertaça, a Taça de Portugal e agora a Liga, fizemos alguns jogos muito bons também na CEV Champions League. Foi uma temporada extraordinária e os resultados falam por si. (…) É muito importante existir química entre os jogadores, equipa técnica e treinadores, e conseguimos isso. Nos últimos três anos, não me lembro de ver o Pavilhão João Rocha tão cheio e foi um ambiente espectacular. Os adeptos não pararam de nos apoiar um segundo”.

PEDRO ABECASSIS

“Sinto-me muito feliz. É a melhor maneira de terminar uma época cheia de vitórias, contra os nossos maiores rivais, junto aos nossos adeptos. É um grupo muito unido, trabalhámos sempre juntos nos bons e nos maus momentos, contra o SL Benfica entrámos sempre muito bem e acho que isso fez a diferença”.

JAN POKERŠNIK

“Foi espectacular. Ganhámos 3-0 nos três jogos, vencemos a Taça de Portugal e a Supertaça, alguns jogos da CEV Champions League e estou muito feliz pela equipa. (…) Os adeptos foram o nosso sétimo jogador e foi maravilhoso ver o Pavilhão tão cheio. Espero que continue assim na próxima temporada”.

MADS JENSEN

“Estamos muito felizes. Trabalhámos toda a época para isto. Foi bom vencer a Taça de Portugal e a Supertaça, mas isto é o Campeonato Nacional e é o nosso objectivo principal. Agora, vamos fazer uma grande festa. É incrível, no início da época podíamos apenas desejar e sonhar viver estes momentos, mas conseguimos. O apoio dos adeptos é incrível, foi como um estádio de futebol. Para nós, isto é um sonho. Vivemos para jogos como este. Obrigado a todos”.

GONÇALO SOUSA

“Sabe a trabalho bem feito. Acho que é o culminar de uma época quase perfeita. Nas competições nacionais, o objectivo passava por ganhar todas e conseguimo-lo, com maior ou menor dificuldade. Fomos muito consistentes ao longo da época toda, com um ou outro pormenor menos conseguido. (…) A maneira como conseguimos integrar toda a gente tão rapidamente... acho que aqueles que chegaram este ano saem hoje deste Pavilhão com a sensação de que pertencem a algo muito bom.

Há poucos grupos assim e este é especial. Só um grupo destes conseguia conquistar aquilo que conquistámos e manter a consistência que nós mantivemos. É dar os parabéns a toda a gente e continuar a trabalhar. (…) Nunca tinha visto o Pavilhão assim, sentir isto estando ali dentro é indescritível. Sem dúvida que desempenharam um papel importante e por isso um obrigado a todos os que estiveram presentes e também a quem fez sentir o seu apoio por mensagem”.

ARMANDO VELÁSQUEZ

“Uma emoção muito grande. Toda a equipa merecia este campeonato pelo trabalho e compromisso diário. O grupo é fantástico, trabalha forte todos os dias, e estávamos à procura destes três títulos. (…) Ver o Pavilhão assim é uma enorme satisfação, foi muito bonito. Os adeptos também mereciam este campeonato”.

SERGEY GRANKIN

“Sinto-me muito bem. Primeiro, porque fiz bem o meu trabalho. Depois, quero agradecer a todos os que aqui estão connosco, fizeram um grande trabalho. Não joguei durante uma temporada e precisava de voltar bem, agradeço-lhes por isso. (…) O grupo é como uma família, toda a gente ajuda toda a gente. Obrigado aos meus colegas e obrigado aos adeptos”.

TIAGO BARTH

“Ganhar um título pelo Sporting CP é fenomenal. Ganhar em casa é uma emoção que não tenho como descrever. Esta é a minha quinta época aqui e desde o dia em que cheguei que sonhava com este momento. Conquistar o título em casa, junto com os adeptos, é uma emoção muito grande. (…) Este grupo é fenomenal, trabalhamos com muito gosto e, por mais que os treinos sejam puxados, estamos sempre em harmonia. Isso foi fundamental o campeonato inteiro. (…) Foi o jogo onde mais me emocionei, ver os adeptos o tempo inteiro a apoiar, a cantar, a empurrar-nos. Espero que seja sempre assim e que na próxima época a equipa possa contar com o apoio de todos”.

NICO PERRÉN

“Uma sensação incrível, porque esta equipa merecia muito. Trabalhamos muito, somos muito unidos, e merecíamos terminar desta forma. Pessoalmente, não acreditava que ia ser assim, porque o SL Benfica também tem uma grande equipa, mas com a ajuda dos nossos adeptos, que nos deram muita força, foi incrível. (…) O triplete? O ano passado doeu perder a Taça de Portugal, por isso reivindicá-la este ano e ganhar os três troféus fez-nos sentir muito bem. Sonhávamos com o Pavilhão cheio, estar perto dos adeptos, é muito especial estar neste Clube e oxalá na próxima temporada tenhamos ainda mais gente connosco. Agradecer também às pessoas que encontramos pela rua e nos apoiam tanto”.

KELTON TAVARES

“Ainda me faltam palavras. É o resultado de todo o trabalho ao longo da época. Ganhar assim, desta forma, com o Pavilhão completamente cheio... é recompensador. Agora, é só mesmo desfrutar e celebrar, porque merecemos. Foi uma época bastante longa, com muitos jogos que serviram de aprendizagem para este momento. Estou completamente realizado com tudo aquilo que conseguimos esta temporada.  Ficar na História do Clube é recompensador. Lá está, são muitos dias aqui, longe da família, mas no final olhamos para trás e ficamos orgulhosos. É continuar a trabalhar e pensar já no que vem aí. Queremos igualar ou fazer ainda melhor. É difícil, mas queremos, por exemplo, passar na fase de grupos da CEV Champions League, que este ano não conseguimos”.

LOURENÇO MARTINS

“Foi uma época quase perfeita. Digo quase, porque um grupo como este faz-nos sonhar, faz-nos querer mais, e termos ficado fora das competições europeias pesou-nos. Queremos muito estar nesses palcos e ganhar todas as competições onde estamos envolvidos. Este ano foi mesmo uma época quase perfeita, e todos os parabéns vão para nós, para a equipa técnica e para os adeptos. Fica muito mais fácil com esta massa associativa, com o sétimo jogador em campo... Estamos no caminho certo, acompanhem-nos e fiquem connosco nesta aventura, porque acredito que ainda vamos ser muito felizes juntos”.

“VOLTÁMOS A COLOCAR O VOLEIBOL

COMO UMA DAS

MODALIDADES DE

QUE OS ADEPTOS SE ORGULHAM”

2025/2026 ACABOU COM BICAMPEONATO E PLENO DE TROFÉUS NACIONAIS PARA O VOLEIBOL DO SPORTING CP. UMA ÉPOCA COMO NÃO SE VIA HÁ DÉCADAS, CULMINADA COM UMA FESTA À ALTURA NO PAVILHÃO JOÃO ROCHA. “FOI DOS MELHORES MOMENTOS QUE VIVI NO DESPORTO”, ADMITIU GONÇALO SOUSA, LÍBERO DOS LEÕES, QUE ESTEVE À CONVERSA COM O JORNAL SPORTING PARA ABORDAR AO DETALHE A CAMINHADA CONSISTENTE ATÉ AO TÍTULO E AS CHAVES DO SUCESSO ESTRONDOSO ALCANÇADO.

Texto: Xavier Costa Fotografia: João Pedro Morais

Conquistar o Bicampeonato – e respectivo triplete –com um terceiro 3 0 ao SL Benfica e poder festejar com ‘casa cheia’ foi a melhor maneira de encerrar esta época histórica?

Era algo que sonhávamos experienciar. A malta que se foi juntando na equipa há alguns anos foi vendo o pavilhão cada vez mais composto e acabar com a oportunidade de fechar em casa, depois da época que fizemos, com o pavilhão esgotado e com aquele ambiente... Havia muito pouco que pudesse ser melhor do que aquele cenário que se montou ali. Depois dos três 3-0, acabar daquela forma foi muito bom.

Na pré‑época, quando começaram a preparar 2025/2026, era assim que tinham idealizado a temporada? Quando olhamos a longo-prazo, sabemos apenas que queremos muito ganhar, e cientes das dificuldades. Pode ter parecido fácil, mas foi tudo menos isso. Foi o trabalho todo junto de nove ou dez meses que acabou naquilo. E, se quisermos recuar um bocadinho mais, acrescentando os dois anos anteriores, em que já tínhamos conseguido alguns títulos, tudo isso levou a este desfecho. Era o que todos sonhávamos.

“ACABAR DAQUELA FORMA FOI

MUITO BOM”
“PODE TER PARECIDO FÁCIL, MAS FOI TUDO MENOS ISSO”

Ainda assim, durante os festejos o Gonçalo falou em época “quase perfeita”. O que faltou? Deve-se, se calhar, a um cenário quase irreal. Esse quase deve-se apenas a se tivéssemos passado o grupo na Champions, não necessariamente em primeiro ou em segundo, mas em terceiro que dava o acesso à CEV [Challenge Cup]. E fugiu-nos pelo rácio de pontos. Chegar a este momento da época e pensar que foi por um bocadinho… Fica ali esse bocadinho amargo que, se calhar, no início da época era irreal. Agora, fica assim.

“É UM ORGULHO FAZER PARTE DISTO”

E não fica nada mal. O Sporting CP não conseguia o triple te e o Bicampeonato desde 1992/1993, ou seja, fizeram História.

É um orgulho fazer parte disto e todos estamos cientes de que estamos a passar momentos inacreditáveis e históricos. Acresce a responsabilidade que temos de manter estes resultados e traz, também, uma outra expectativa para a próxima época e as próximas competições europeias, propondo-nos como candidatos a ultrapassar essas fases.

“FOMOS, CLARAMENTE, A EQUIPA MAIS CONSISTENTE”

Olhando para a final dos play‑offs da Liga, como disse, não foi fácil, mas o 9 0 total não deixa margem para dúvidas. Foi o reflexo da superioridade e, sobretudo, da consistên cia que a equipa conseguiu construir esta época?

Acho que sim. Quem acompanhou o voleibol durante esta época tem muito poucas dúvidas quanto à justiça dos resultados e dos títulos que conquistámos. Acho que está à vista de todos. Fomos, claramente, a equipa mais consistente, ainda que em certos momentos não tenhamos mantido o nível sempre, porque também não é fácil.

Para vencer o título anterior foi preciso uma recuperação épica na final, agora o domínio foi absoluto. É a prova de que a equipa deu o ‘salto’ em termos de evolução?

Se calhar, a evolução começou exactamente aí, porque no ano passado já nos tínhamos proposto claramente a vencer o título e tínhamos, também, vencido bastantes jogos ao SL Benfica. Apanhámo-nos na situação desfavorável de estar 2-0 [em jogos] e a precisar de ganhar fora para nos mantermos vivos e isso, acho, trouxe algum extra a esta equipa. Assim como a final da Taça de Portugal deste ano. Foram momentos difíceis, de aperto, e trouxeram-nos maturidade e ajudaram a subir os níveis da equipa para que, hoje, consigamos acreditar na mesma perante resultados desfavoráveis, como aconteceu na Champions, onde acabámos por ganhar depois de estar a perder por 19-24 [SVG Lüneburg]. Acho que conseguimos passar essa imagem para os adeptos, porque, como já o fizemos algumas vezes, a malta acredita até estar tudo completamente fechado.

“MOMENTOS DIFÍCEIS E DE APERTO TROUXERAM-NOS MATURIDADE”

Os dérbis têm sido sinónimo de vitórias – dez seguidas – e títulos. Esse histórico também pesa quando chega o mo mento dos confrontos com o SL Benfica?

Acredito que sim e a final da Taça é um exemplo disso, e nós já estivemos do outro lado. Se calhar, a primeira vitória contra o SL Benfica antes da Taça do ano passado foi a mais difícil, porque foi quando quebrámos uma sequência de vitórias do adversário. E isso ajuda, é sempre mais fácil entrar nesses jogos com um bom histórico. O à-vontade e a confiança para fazer as coisas são diferentes, mas também acredito que é preciso continuar a trabalhar. Isto rapidamente muda e, se nos desleixarmos, podemos passar para o outro lado e depois é mais difícil sair.

A época terminou com a equipa a ‘voar’, totalizando 19 vitórias consecutivas. Quando mais era preciso, sentem que o plantel valeu pelo seu todo?

Foi extremamente importante termos tido toda a gente disponível durante grande parte da época, porque houve jogos em que foi preciso fazer mudanças e, mesmo em termos de treino, é importante que toda a gente esteja ligada

e a sentir que faz parte e é necessária. Tivemos muita rotatividade e acabámos por ter só uma derrota nas competições nacionais e, em casa, também só tivemos uma, se incluirmos a Champions. É sinónimo de uma equipa ligada ao mesmo objectivo, que trabalhou bem, mas que quer mais. Sempre!

“NAS

FINAIS, O NOSSO SERVIÇO FEZ EFECTIVAMENTE A DIFERENÇA”

Em que aspectos do jogo considera que a equipa mais con seguiu crescer esta temporada?

Acho que fomos melhorando ao longo da época em todos os fundamentos, mas nas finais o nosso serviço fez efectivamente a diferença. É muito importante termos essa relação com o serviço e a fase do break, porque foi onde fomos buscar alguma da distância em pontos nos sets. Fomos, se calhar, a equipa que melhor serviu durante todo o Campeonato e, por isso, podemos pôr o serviço como uma das nossas principais armas.

“[CEV

CHAMPIONS LEAGUE] O NÍVEL DE JOGO É EFECTIVAMENTE DIFERENTE”

E que impacto teve a participação na Champions nesse processo constante de aprendizagem?

Sentimos que o nível de jogo é efectivamente diferente. A velocidade, a altura, a potência, tudo. Jogámos contra ídolos de infância de todos nós, que víamos na televisão e, de repente, estávamos ali, na maior competição europeia de clubes e em pavilhões a abarrotar, onde o voleibol é uma modalidade de excelência no país. Passar por esses momentos ao mais alto nível, alguns difíceis, com sets em que não chegámos nem aos 15 [pontos], outros em que ganhámos, acho que nos deu aquele bocadinho mais para ir buscar alguns jogos que muitos dariam como perdidos.

Por outro lado, antes de chegar à consistência óptima, a derrota em Matosinhos que abriu a Liga – depois da con quista da Supertaça – fez com que algo tenha mudado no seio do grupo?

Acredito que tenha mudado. Não foi bom perder, nunca o é e menos daquela forma, mas acho que pode ter sido importante para apresentar a Liga ao pessoal novo. Quando chegam, perguntam quais são os jogos mais difíceis e aqueles que são melhores para jogar, nós falámos do SL Benfica e tiveram essa experiência logo na Supertaça, e ganhámos. Se calhar, pode ter havido um relaxamento de toda a equipa e, por isso, foi importante para nos fazer descer à terra no início.

Já na deslocação seguinte, à Luz, a equipa não tremeu (0 3). Embora numa fase muito precoce, tornou‑se um mo‑ mento importante da época?

Tendo perdido esse jogo, provavelmente, perdíamos ali o factor casa para os play-offs, mas foi a melhor resposta que podíamos ter dado, e a melhor maneira de recomeçar a preparação do que viria a ser a temporada.

“[FESTA DO TÍTULO EM CASA] ERA ALGO QUE SONHÁVAMOS EXPERIENCIAR”

Conquistar o factor casa – com um primeiro lugar na fase regular que fugia desde 2017/2018 – já foi um pequeno passo em direcção ao título?

Sim, sim. Termos perdido apenas um jogo em nossa casa, e foi com o finalista do campeonato polaco [CMC Warta Zawiercie], demonstra bem a importância do Pavilhão João Rocha durante a época. Deixou-nos ainda mais confortáveis para ganhar o título.

Uma vantagem comprovada, em especial, no terceiro e últi mo jogo da final, onde contaram com um ambiente extraor‑ dinário. É daqueles momentos para perdurar na memória?

Sem dúvida. Essas duas ou três horas que estivemos no jogo e na festa foram dos melhores momentos que vivi >>

Gonçalo Sousa foi uma das peças-chave de João Coelho ao longo de toda a época

>>no desporto. Há poucas palavras que possam descrever o que toda a gente sentiu. Já tínhamos assistido ao pavilhão assim para outras modalidades e sentir isso connosco foi espectacular.

A equipa também fez por merecer esse carinho. Essa é uma ‘medalha’ especial para este grupo de jogadores? Acho que é uma das maiores medalhas que este grupo pode ter. Quando cheguei ao Sporting CP, o pavilhão era completamente diferente nos nossos jogos. Primeiro, agradecer a todas as pessoas que foram aparecendo e nos deram essa oportunidade e, depois, acho que é de elogiar o nosso trabalho porque voltámos a colocar o voleibol como uma das modalidades de que os adeptos se orgulham.

Esta época coloca‑a de forma definitiva como uma das mais vencedoras do Clube, actualmente. E títulos não têm faltado nestas últimas semanas. Este ambiente competi tivo do Sporting CP torna se contagiante para vocês, atle tas, também?

Olhamos muito para os bons exemplos que temos dentro de casa, como o andebol e o futsal, modalidades habituadas a ganhar, e nós também queríamos trazer isso para o nosso grupo. É bom, agora, fazermos parte desse grupo de modalidades a seguir, porque nos estamos a afirmar como uma equipa vencedora dentro do Sporting CP. É muito bom que todas cresçam umas com as outras.

Quando o Gonçalo chegou, o Sporting CP não era campeão há cinco anos e agora é Bicampeão. A que sabe ser parte activa desta mudança de paradigma no voleibol nacional?

Sabe muito bem e é bom sentir que também fiz parte. Primeiro, criámos uma relação entre nós, grupo, treinadores e staff, como uma família. Sei que é um cliché, mas é verdade. Gostamos muito de estar uns com os outros, mesmo fora [do pavilhão] e isso é muito importante. Depois, a relação com os adeptos, que é muito próxima.

“CONSEGUIMOS PASSAR AQUILO QUE É O SPORTING CP”

E esse espírito de equipa, que é bem visível, não é de ago ra. Como é que se tem preservado de uma época para a outra?

As vitórias ajudam, também, mas antes disso tivemos de criar esse grupo. A mentalidade que o pessoal tem, a exigência do Sporting CP que nos foi passada desde o primeiro dia e, depois, a forma como os jogadores que vão ficando têm recebido e passado essa mensagem aos que chegam, tudo foi importante. Conseguimos passar aquilo que é o Sporting CP, além de esta malta gostar muito de trabalhar e de ser competitiva, o que nos vai puxando uns aos outros. E, claro, a quantidade de horas que passamos ali dentro. Passo mais tempo com os meus colegas do que com a minha família, portanto é inevitável que as relações se criem e fortaleçam. Penso que algo foi natural.

Nesse aspecto, ter um capitão como Tiago Pereira torna tudo mais fácil, também?

É uma pessoa espectacular e com a perfeita noção do que é o Sporting CP e a sua exigência, que consegue passar esses valores da melhor forma para a malta nova.

“EQUIPA

TÉCNICA TEM A CAPACIDADE DE SER PRÓXIMA”

Outro dos denominadores comuns é o treinador João Coelho e a sua equipa técnica. Da sua vivência, o que di ferencia esta equipa técnica?

Acho que é um bocadinho de tudo: a liderança, o planeamento, a capacidade para gerir os treinos, os jogos e o plantel... É espectacular e, depois, a equipa técnica tem a capacidade de ser próxima de nós, quase como amigos, embora mais distantes. Perguntam e conhecem as nossas famílias, mesmo durante as férias ligam-nos ou combinámos um café e tudo isso ajuda a criar uma relação treinador-atleta que, no fim do dia, faz a malta correr e saltar mais um bocadinho por eles, também.

E a nível pessoal, onde acredita que o ajudaram a tornar‑ ‑se mais completo?

Gosto de pensar que ainda posso melhorar em tudo e é isso que estou a tentar fazer. Eles, com muito conselho e vídeo, explicam-me qual é o pormenor, porque chega a uma fase em que são os pequenos pormenores que vão fazer toda a diferença. Têm essa atenção ao detalhe, sabem que mais para o lado direito e mais para o lado esquerdo as coisas não bem iguais, que há detalhes diferentes. Esta atenção

faz com que sejam diferenciados e eu espero continuar a evoluir.

Disputou o Mundial por Portugal e, no Sporting CP, foi peça fulcral no enorme sucesso desta época, sendo mes‑ mo o jogador com mais partidas realizadas (40 das 41). Diria que está a atravessar o seu melhor momento? Acho que sim. Em termos das experiências que fui acumulando, as vitórias e troféus, mas também dos momentos menos bons, acho que neste momento esta é a minha melhor versão. Espero que não seja a última. Não só em termos de jogo, mas psicologicamente também estou mais evoluído, mais maduro. Uma das partes boas de vir para o Sporting CP foi o facto de me ter obrigado a crescer.

“[SPORTING CP] TEM SIDO MAIS DO QUE EU ESTAVA À ESPERA”

Para si são já três épocas, 117 jogos de Leão peito e re novou contrato recentemente. Encontrou no Sporting CP tudo aquilo que desejava?

Sem dúvida. Até tem sido mais do que eu estava à espera. Tenho a certeza de que há muito poucos clubes que ofereçam aos atletas as condições que o Sporting CP nos dá a nível de treino, recuperação, preparação, nutrição... Temos tudo à distância de um telefonema ou uma mensagem, além de estarmos rodeados de pessoas muito competentes. É normal que se olhe muito para treinadores e jogadores, mas temos sempre pessoal que trata da nossa alimentação, preparação física, fisioterapia, médicos, tudo por trás. É um trabalho mais invisível, mas que tem sido muito importante no crescimento desta modalidade.

E agora, no momento das merecidas férias, tenta ‘desli gar’ do resto da equipa ou não é possível?

Vai ser difícil, porque já vou estar com alguns na selecção e outros vão ligar-me a chatear (risos). O Edson [Valencia] é certinho. Vai ligar-me ou enviar fotografias, porque ele tem dificuldade em afastar-se de mim (risos). Mas no fundo é isso, é difícil de desligar porque o grupo é bom e tornamo-nos amigos ao ponto de querem saber como é que as coisas estão na selecção ou com a família. O contacto vai ser sempre inevitável (risos).

“HÁ ESPAÇO PARA CRESCERMOS”

Por fim, olhando para o futuro, acredita não só que há bases sólidas no projecto do voleibol como que ainda é possível dar mais passos em frente?

O objectivo é esse. Temos de olhar para o que ainda não fizemos e propor-nos a fazer coisas diferentes, mantendo o equilíbrio e a hegemonia que temos conquistado em Portugal. Há espaço para crescermos e sonharmos com a Europa para chegar a fases mais adiantadas de uma Champions ou de uma CEV, mas sempre mantendo a nossa consistência dentro de portas.

“CONTINUEM A ACREDITAR NESTA EQUIPA”

Já aos Sportinguistas, que mensagem quer deixar após esta época histórica?

Resta agradecer, mais uma vez, a todas as pessoas que foram passando pelo pavilhão ao longo do ano, por todas as mensagens que nos enviaram, fotografias e por toda a ajuda, nem que fosse apenas um aplauso. Tudo é muito sentido e importante para o nosso dia-a-dia lá dentro. Por isso, agradeço e peço que continuem a acreditar nesta equipa durante os próximos anos.

Leões não deram hipótese na decisão frente ao SL Benfica

DANIELA LOUREIRO

“SÓ

QUEM JOGA CÁ E VIVE O JOGO É QUE SABE

O QUE SENTE”

É O ADEUS DA CAPITÃ, OITO TEMPORADAS E 251 JOGOS DEPOIS. DENTRO DE CAMPO E DE FORMA APAIXONADA, DANIELA LOUREIRO AJUDOU A LIDERAR A RECONSTRUÇÃO DO PROJECTO DO VOLEIBOL FEMININO, PARTINDO DA II DIVISÃO ATÉ AOS TÍTULOS (DUAS TAÇAS DE PORTUGAL E DUAS TAÇAS FEDERAÇÃO) E O REGRESSO À EUROPA, MOMENTO QUE CONSIDEROU “O MAIS ESPECIAL”, EM ENTREVISTA À SPORTING TV. A LÍBERO DE 38 ANOS SAI SEM DÚVIDAS DE QUE DEU “RESPEITO, LEALDADE, DEDICAÇÃO E ENTREGA” AO SPORTING CP, “DO PRIMEIRO AO ÚLTIMO MINUTO”, GARANTE.

Ainda se lembra dos seus primeiros tempos aqui? O que mais lhe ficou dessa altura?

Com que sensação sai desta sua última época no Sporting CP?

Done! [Feito!] Acho que fiz o que tinha de fazer. Senti a responsabilidade, mas também sinto que fiz o que tinha de fazer aqui, no Sporting CP. Dei o meu máximo, entreguei o que tinha e que, ao fim de todos estes anos, levo muitas amizades e uma catrefada de sentimentos bons. Por isso, só coisas boas.

“SENTI A RESPONSABILIDADE, MAS TAMBÉM QUE FIZ O QUE

TINHA DE FAZER AQUI”

Chegou com pouco mais de 30 anos e, agora, sai com 38. Como foi viver todos estes anos de Leão ao peito?

Viver o jogo para mim é algo sempre muito intenso. Vivi todos eles de uma forma muito apaixonada, porque eu sou assim. Sempre amei o voleibol e vou continuar a adorar jogar. O sentimento perante o voleibol é sempre muito importante para mim e espero continuar a passar essa paixão.

Sabendo sempre que é uma responsabilidade estar no Sporting Clube de Portugal, assumi essa responsabilidade desde o início e de forma natural, porque quando fazemos as coisas com gosto aparece tudo tranquilamente. Para mim, incrivelmente, os primeiros tempos até foram bastante desafiantes, porque foi logo com uma lesão de um ano e alguns meses após 17 anos sem parar. Lembro-me perfeitamente disso e tenho de reconhecer as pessoas que estiveram comigo nesse momento. Foi desafiante mas também uma preparação para o que viria no futuro e que foi incrível.

E como foi fazer parte da evolução da modalidade?

Quando fui convidada para este projecto eu encontrava-me na I Divisão [no CF ‘Os Belenenses’] e era quase impensável para muita gente vir para a II Divisão e para um clube como o Sporting CP, grande claro, mas que ainda estava muito na dúvida do que era o voleibol feminino. Mas quando me foi apresentado o projecto e a parte da coordenação e da formação, para mim, bastou. Sou muito ligada a projectos. Aqui era lançar a formação do Sporting CP e entrarem com as seniores, que tinham uma equipa com a Sara Serrano, a Catarina [Barbosa], a [Mariana] Veiga, que eram pessoas com quem

já tinha trabalhado e que gostava imenso, para chegar à I Divisão, querer títulos e chegar às competições europeias. Foi uma decisão fácil. Este projecto apareceu na altura ideal e com um conjunto de pessoas de quem gostava imenso, e isso foi muito importante na tomada de decisão.

“ESTE PROJECTO APARECEU NA ALTURA IDEAL”

Ajudar nessa reconstrução acarretou mais responsabili‑ dade?

Não diria responsabilidade, mas sim entrega e dedicação. É incrível chegar ao Pavilhão João Rocha, jogar e ver os adeptos, tudo em crescendo. Desde o ‘ano zero’ até agora tivemos um crescendo de adeptos a querer ver a modalidade e isso é um privilégio, especialmente num clube tão grande. Nunca me vou esquecer de que no ano passado, aqui, contra o SC Braga tivemos o pavilhão cheio – como já tivemos mais algumas vezes. Infelizmente, tive um desafio a nível do jogo, tive de sair e nunca me vou esquecer que o pavilhão inteiro gritou o meu nome. E isso diz-nos alguma coisa. Quando olhas para trás pensas: as coisas estão a ser bem feitas, porque as pessoas estão a reconhecer.

Texto: Ricardo Roque, Xavier Costa Fotografia: João Pedro Morais
“TIVEMOS UM CRESCENDO DE ADEPTOS A QUERER VER E ISSO É UM PRIVILÉGIO”

E a verdade é que foi afirmando‑se como uma figura da modalidade e, também, para as colegas de equipa. Como capitã, foi desafiante liderar as equipas ao longo dos anos?

Acho que é sempre, mas é desafiante no sentido construtivo. Fomos crescendo em conjunto, o Sporting CP e o voleibol no Sporting CP também. Tenho o privilégio de ter colegas de equipa que se tornaram amigas e que sabiam o que tínhamos de fazer. Além disso, tive outras capitãs que me ajudaram e todas contribuíram para que o processo fosse muito mais fácil.

Que significado tem para si ser reconhecida como uma referência?

É óptimo, obviamente, primeiro porque é sinal de que mostraste alguma coisa, seja dentro ou fora do campo. Às vezes, muito mais fora do que dentro. Ser uma referência só me deixa feliz porque é sinal de que estou a fazer o meu trabalho e que quero, acima de tudo, contribuir para o crescimento da modalidade, da atleta e do ser humano que passa ao meu lado, neste caso no Sporting CP. Tive vários casos diferentes, como a Bea ou a [Carolina] Garcez que foram minhas atletas e mais novas, mas também a Özge Kinasts, com quem tenho uma grande amizade. Acho que nos conseguimos equilibrar.

“[SAIR COMO REFERÊNCIA] É SINAL DE QUE MOSTRASTE ALGUMA COISA”

Quanto a títulos, conquistou duas Taças de Portugal e duas Taças Federação. Qual acabou por ser a mais especial? Todas são muito especiais. O momento mais especial no Sporting CP, na minha opinião, foi o regresso às competições europeias e isso não é nenhum troféu. Acho que o Sporting CP deve estar nestes grandes palcos, por isso essa foi a grande conquista. Das Taças, todas foram importantes, acho que não há uma mais. O jogo ou o caminho podem ter sido mais difíceis, mas conquistar uma nunca é fácil, portanto todas foram incríveis, e com equipas diferentes. Foi um sentimento de trabalho feito, duro, mas que culminou com algo que queríamos muito.

“O MOMENTO MAIS ESPECIAL FOI O REGRESSO ÀS COMPETIÇÕES EUROPEIAS”

Então, considera que os jogos feitos na Europa foram os mais marcantes para si?

Sem dúvida que foi o regresso às competições europeias, ainda por cima coincidiu quando eu tinha ‘estragado’ o meu cotovelo. Estive ali muito na dúvida se ia poder jogar ou não nesse regresso à Europa e só no dia anterior consegui treinar a primeira vez sem dor. Esse foi muito marcante. Posso dizer que a final [da Taça] contra a AJM/FC Porto [em 2022/2023] contra uma equipa muito bem treinada foi incrível pelo momento e a emoção do jogo [2-3]. Esses foram dois jogos que ficaram muito marcados.

E em termos de momentos, não necessariamente conquistas?

Todos os dérbis, porque jogar um dérbi é sempre diferente. É sensacional, porque há o pré-dérbi, o dérbi, o pós-dérbi, tudo. A tensão no balneário e durante a semana, os adeptos a perguntarem... Todos estes momentos à volta do dérbi são sempre muito bons! E temos de os saber gerir. Eu, na primei-

ra reunião, costumo dizer logo: malta, as redes sociais são para ver as fotos, os comentários não têm porque os ver. E não é por mal, até porque os nossos adeptos são muito mais positivos do que negativos, mas há sempre algum comentário menos positivo. Por tudo isso, o dérbi é sempre aquele jogo mais forte a nível emocional, o que tem mais tensão. Ao longo desta caminhada, quem foram as pessoas mais importantes?

Rui Pedro Costa, que me trouxe para cá. Foi muito importante acreditarem no meu valor e apresentarem-se um projecto para crescer. Tenho muito a agradecer-lhe. Ao longo da caminhada, tenho de falar em alguns nomes. Todas as atletas são muito importantes para mim, elas sabem-no e eu acho que consigo transmitir isso. Nos últimos anos, a Özge Kinasts esteve muito comigo, era a minha companheira de quarto. A Aline [Timm] e a [Thaís] Bruzza, que estiveram aqui vários anos, e não posso deixar de falar na [Vanessa] Paquete, que para mim foi ADN Sporting ao máximo. Depois, tenho de relevar muito a importância de todo o departamento médico, porque passou a Sofia Ferreirinha, a Diana, o Luís, o dr. Marco e a dra. Isabel, um grupo de profissionais que foram sempre exemplares e incríveis. É necessário ter a sensibilidade para falar com cada atleta, isso é muito importante, e por isso a quem nunca vou deixar de chamar amiga é à Dora, a nossa psicóloga, que ao longo destes anos ajudou-me muito a crescer. Todas estas pessoas, desde a reabilitação a quem monta a rede ou limpa o balneário, ajudam a que nós possamos fazer a nossa parte muito melhor e sem preocupações.

A entrevista está a ser no palco onde jogou e viveu muitos e bons momentos. Como era jogar em casa? É sempre uma ansiedade. Ainda no último jogo que fiz cá, um dérbi... Sabemos sempre que muitos, poucos, mais ou menos, vão estar cá, vão cobrar – e ainda bem – mas vão apoiar. E nós somos responsáveis por dar o melhor espectáculo possível, eu dizia isso muitas vezes. Pelas pessoas que nos vêm ver e por nós, que estamos cá toda a semana a trabalhar. Só quem joga cá e vive o jogo é que sabe o que sente. Acho que todos sentimos de forma diferente, mas todos sentimos uma emoção muito grande, certamente.

E falando em sentimentos, o que sentiu ao estar a fazer o seu último jogo pelo Sporting CP?

Foi uma gestão, felizmente, bem conseguida, porque na verdade eu não sabia se era o último. Era [uma série] disputada

à melhor de três jogos, poderíamos jogar outra vez aqui, mas não posso dizer que não pensei nisso. Foi um bocadinho o recordar dos últimos jogos todos que cá estivemos, todas as gerações que passaram, as épocas anteriores, os títulos, as vitórias difíceis... É saber olhar, respeitar a nossa história e saber que estamos a construir uma história nossa e que somos nós que a escrevemos. Acho que consegui gerir as emoções. Felizmente, escrevi um capítulo da minha história aqui no Sporting Clube de Portugal. Foi óptimo, agradeço-o e, agora, está um capítulo em aberto para ser escrito.

Foi difícil a despedida deste grupo?

Ah, nunca me vou despedir do grupo. Nunca me despedi de nenhum. Despedi-me da época em si, porque terminou, mas as pessoas continuam, seguem no meu coração e a ser acompanhadas por mim. Tenho esse hábito de continuar a ver volei e a seguir quem passa por cá e jogou ao meu lado. As nossas épocas são sempre intensas, muitas vezes passámos mais tempo com a equipa do que com a família. Não há porque fazer uma despedida porque certamente vamos voltar a encontrar-nos.

Chegado o fim desta ligação, o que acha que o Sporting CP leva de si e o que é que a Daniela leva do Clube após estas oito épocas?

De mim, acho que respeito, lealdade, dedicação, entrega. Dei tudo isso a Sporting CP, desde sempre, do primeiro ao último minuto, por isso acho que sem dúvida vou ser reconhecida ou lembrada como uma pessoa que tinha esses créditos. Do Sporting CP, eu levo trabalho, reconhecimento, agradecimentos também, muitos, mas acima de tudo o que me deu foi a vontade de estar sempre bem, sempre melhor, para ser a minha melhor versão.

“UM AGRADECIMENTO IMENSO [AOS SPORTINGUISTAS]”

Por fim, que palavras deixa aos Sportinguistas?

Um agradecimento imenso. Saio, mas saio de coração cheio, porque sei as mensagens que recebo e do reconhecimento quando passava aqui. Por isso, agradeço muito por estarem sempre presentes e pelas mensagens de incentivo nos momentos difíceis. Continuem a ver o voleibol, é sempre muito importante para todas as equipas ter ‘casa cheia’. Não posso deixar de lhes agradecer e essa é a palavra.

“Felizmente, escrevi um capítulo da minha história no Sporting Clube de Portugal”, disse Daniela Loureiro

AGENDA

ANDEBOL

SÁBADO, 16 DE MAIO

10H00 Sub-14 M

CF Estrela A. vs. SPORTING CP B

2.ª jorn. R. Inicial./SC/NA F. Compl. Camp. Reg. Pav. Esc. Fernando Namora (Amadora)

15H00 Sub-16 F SIM P. Salvo vs. SPORTING CP

10.ª jorn. 2.ª fase/Z4 Camp. Nac.

Pav. Esc. Celorico Moreira (Miraflores)

18H30 Equipa B M

AD Carvalhos vs. SPORTING CP B

8.ª jorn. F. Final Gr. A Camp. Nac. Div. Honra

Pav. Col. Claret (V. N. Gaia)

DOMINGO, 17 DE MAIO

11H00 Sub-16 M CF Estrela A. vs. SPORTING CP

5.ª jorn. F. Final / Gr. I / F. Comp. Camp Nac.

Pav. Esc. Fernando Namora (Amadora)

15H00 Sub-16 M Passos Manuel Vs. SPORTING CP

5.ª jorn. F. Final / Gr. II / F. Comp. Camp Nac.

Pav. Moniz Pereira (Lisboa)

ATLETISMO

QUINTA, 14 DE MAIO

20H30 Universitário

FRANCISCO CALHAU

Sun Belt Conference

Jaguar Track & Field Complex (Alabama Sul, EUA)

SEXTA, 15 DE MAIO

00H20 Universitário

CAROLINA CORREIA

ACC outdoor championship Cardinal Park (Louisville, EUA)

SÁBADO, 16 DE MAIO

00H25 Universitário

FRANCISCO MARQUES

MWC Championship

Mount Vernon (EUA)

14H00 Vários escalões

SPORTING CP

GP Int. Marcha Rio Maior / Camp. Nac.

Marcha Estrada S18 S20

Rio Maior

14H30 Formação

SPORTING CP

Olímpico Jovem Reg.

Pista Mun. Prof. Mário Moniz Pereira (Lisboa)

16H00 Seniores

LETÍCIA ORO

Meeting Ibiza Toni Bonet

Estadio Can Misses (Ibiza, Espanha)

16H00 Seniores

SPORTING CP

Meeting Vitor Tavares

Pista Atletismo Faro

DOMINGO, 17 DE MAIO

9H00 Formação

SPORTING CP

Olímpico Jovem Reg.

Pista Mun. Prof. Mário Moniz Pereira (Lisboa)

11H30 Absolutos

SPORTING CP

Prova extra Camp. Reg. S14 AAS

CMACS (Seixal)

16H00 Seniores

SPORTING CP

Meeting Halle

Sportzentrum Brandberge (Halle, Alemanha)

QUARTA, 20 DE MAIO

15H45 Seniores

JOSÉ CARLOS PINTO

Meeting Savona

Centro Sportivo Fontanassa (Savona, Itália)

17H00 Seniores

SPORTING CP

Desafio Nerja

Estadio Deportivo E.López Cuenca (Nerja, Espanha)

18H00 Vários escalões

SPORTING CP Enc. Int. Estafetas

Villafranca de los Barros (Espanha)

BASQUETEBOL

QUINTA, 14 DE MAIO

21H30 Seniores M

CP Esgueira vs. SPORTING CP Jogo 2 Quartos-de-final Liga Pav. CP Esgueira (Esgueira)

SEXTA, 15 DE MAIO

21H30 Sub-16 F SPORTING CP B vs. Algés Dafundo

3.ª jorn. F7G1 Taça Dist. Pavilhão João Rocha

SÁBADO, 16 DE MAIO

9H00 Sub-13 F SPORTING CP vs. CB Queluz 5.ª jorn. F3G2 Circ. Dist. Multidesportivo Sporting 10H00 Sub-13 M SPORTING CP vs. SL Benfica 5.ª jorn. F3G1 Circ. Dist. Pav. Desp. EB Marvila (Lisboa) 15H00 Sub-16 F SC Farense vs. SPORTING CP 14.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. Mun. Penha (Faro) 18H00 Sub-14 F SPORTING CP B vs. CRD Arrudense

3.ª jorn. F7G3 Taça Dist. Pav. Arrudense (Arruda dos Vinhos)

18H30 Sub-14 M Ginásio CO vs. SPORTING CP

13.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. Ginásio CO (Olhão)

DOMINGO, 17 DE MAIO

9H15 Sub-14 M SPORTING CP B vs. Ac. Lumiar

3.ª jorn. F7G2 Taça Dist. Pav. ES Lumiar (Lisboa)

11H15 Sub-14 M SPORTING CP C vs. Algés Dafundo B

7.ª jorn. F6G4 Taça Dist. Pav. ES Lumiar (Lisboa)

14H30 Sub-16 M

SPORTING CP vs. FC Barreirense

14.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac.

Multidesportivo Sporting 15H00 Seniores M SPORTING CP vs. CP Esgueira Jogo 3 Quartos-de-final Liga (se necessário)

Pavilhão João Rocha

17H00 Sub-14 F

SPORTING CP vs. SC Farense

13.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Multidesportivo Sporting 20H00 Sub-16 M

SPORTING CP B vs. Estoril BC 3.ª jorn. F7G2 Taça Dist. Multidesportivo Sporting

FUTEBOL

SÁBADO, 16 DE MAIO

9H00 Sub-10 M CP Arrupe vs. SPORTING CP

27.ª jorn. S4 Liga S11 Campo CP Arrupe (Lisboa)

9H00 Sub-11 F SPORTING CP vs. CF Estrela A.

27.ª jorn. S5 Liga S11 Campo n.º 6 Pólo SCP Lisboa

9H00 Sub-9 M SPORTING CP vs. Aveiras

27.ª jorn. S3 Liga S10

Campo n.º 6 Pólo SCP Lisboa

10H30 Sub-11 M SPORTING CP vs. AFD Torre

11.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Dist. Fut7 S12 Campo n.º 6 Pólo SCP Lisboa

11H00 Equipa B M Ac. Viseu FC vs. SPORTING CP B

34.ª jorn. Liga Portugal 2

Estádio Mun. Fontelo (Viseu)

11H00 Sub-19 M

SPORTING CP vs. FC Porto

14.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Nac. 1.ª div.

Estádio Aurélio Pereira

11H00 Sub-12 M

SPORTING CP vs. A-dos-Cunhados

15.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Dist. Fut9 S13

Campo n.º 5 Pólo SCP Lisboa

11H15 Sub-13 F

SPORTING CP vs. SF Damaiense

11.ª jorn. 8.º Ap. Camp. Dist. Fut7 S12 M

Campo Fernando Perfeito (Lisboa)

12H00 Sub-9 M

“Os Unidos” vs. SPORTING CP

27.ª jorn. S5 Liga S10

Campo B.º Padre Cruz (Lisboa)

14H00 Sub-13 M

SPORTING CP vs. Cadaval

17.ª jorn. 4.º Ap. Camp. Dist. 2.ª div. S14

Campo n.º 5 Pólo SCP Lisboa

14H00 Sub-12 M

SG Sacavenense vs. SPORTING CP

15.ª jorn. 3.º Ap. Camp. Dist. Fut9 S13

Campo n.º 2 Comp. Desp. Elias Pereira (Sacavém)

14H00 Sub-10 F

CP Arrupe vs. SPORTING CP

27.ª jorn. S4 Liga S10 M

Campo CP Arrupe (Lisboa)

15H30 Sub-15 M SU Sintrense vs. SPORTING CP

17.ª jorn. 6.º Ap. Camp. Dist. 2.ª div. S14 M

Campo n.º 2 Sintrense (Sintra)

16H00 Sub-13 M

SPORTING CP vs. UDR Sta. Maria

29.ª jorn. Camp. Dist. 1.ª div. S14

Campo n.º 5 Pólo SCP Lisboa

18H30 Sub-13 F

SPORTING CP vs. SC Borbense

3.ª jorn. SC Taça Nac.

Campo n.º 5 Pólo SCP Lisboa

20H30 Seniores M

SPORTING CP vs. Gil Vicente FC

33.ª jorn. Liga Portugal Estádio José Alvalade

DOMINGO, 17 DE MAIO

10H00 Sub-15 F

SPORTING CP vs. Leões P. Salvo

3.ª jorn. SC Taça Nac.

Campo n.º 5 Pólo SCP Lisboa

11H00 Sub-17 M

SPORTING CP vs. SL Benfica

14.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Nac. 1.ª div.

Estádio Aurélio Pereira

11H00 Sub-16 M

SPORTING CP B vs. CS Marítimo

13.ª jorn. 2.ª fase/Manut./S4 Camp. Nac. 2.ª div. S17

Campo n.º 6 Academia Sporting 11H00 Sub-14 M CD Mafra vs. SPORTING CP

29.ª jorn. Camp. Dist. 1.ª div. S15 Pq. Jogos 15 Setembro (Jeromelo)

11H00 Sub-10 M

SMD Caneças vs. SPORTING CP

27.ª jorn. S6 Liga S11

Campo Lapa (Caneças)

16H00 Sub-15 M

SPORTING CP vs. SL Benfica

10.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Dist. S16 Campo n.º 6 Academia Sporting

FUTEBOL DE MESA

SÁBADO, 16 DE MAIO

9H30 Individual / Equipas

SPORTING CP Camp. Nac. Categorias Esc. Sec. Amélia Rey Colaço (Linda-a-Velha)

FUTSAL

SÁBADO, 16 DE MAIO

11H30 Sub-11 M Tires Futsal vs. SPORTING CP

12.ª jorn. 2.º Ap. Camp. Dist. S11

Pav. CD S. Domingos Rana

12H00 Sub-13 M Qta. Lombos vs. SPORTING CP

12.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Dist. 1.ª div.

Pav. Desp. Lombos (Carcavelos)

15H00 Sub-17 F

SPORTING CP vs. Atlético CP

25.ª jorn. Camp. Interdist. Pav. EB 2+3 Bobadela

17H00 Sub-15 F

PSAAC vs. SPORTING CP

12.ª jorn. 7.º Ap. Camp Dist. 3.ª div. M

Pav. ES Caneças

18H30 Sub-19 M SPORTING CP vs. SL Benfica

Jogo 1 Final Camp. Nac. 1.ª div.

Pavilhão João Rocha

19H00 Equipa B F SM 3 d’Agosto vs. SPORTING CP B

16/05 – SÁBADO

FUTEBOL

Competição: CN Sub-19 – 2.ª fase 14.ª jornada

Jogo: Sporting CP vs. FC Porto

Horário e local: 11h00

Estádio Aurélio Pereira

Transmissão: directo e exclusivo

HÓQUEI

EM PATINS

Competição: CN – Quartos-de-final – Jogo 1

Jogo: Sporting CP vs. AD Valongo

Horário e local: 15h00

Pavilhão João Rocha

Transmissão: directo e exclusivo

7.ª jorn. S1 Taça Lisboa

Pav. Lóios (Lisboa)

21H30 Seniores M SCU Torreense vs. SPORTING CP Jogo 1 Quartos-de-final Liga Pav. Física (Torres Vedras)

DOMINGO, 17 DE MAIO

9H30 Sub-10 M SPORTING CP vs. SL Benfica

17.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Dist. Pavilhão João Rocha

10H00 Sub-11 M SPORTING CP B vs. Varejense

12.ª jorn. 3.º Ap. Camp. Dist. Multidesportivo Sporting

11H30 Sub-15 F Tojeira vs. SPORTING CP

13.ª jorn. 7.º Ap. Camp Dist. 3.ª div. M Pav. Joaquim Aranha (Tojeira)

11H30 Sub-13 M SPORTING CP vs. AmigLuz

12.ª jorn. Ap. Manut. Camp. Dist. 2.ª div. Pavilhão João Rocha

15H00 Sub-15 M Infantado vs. SPORTING CP C

12.ª jorn. Ap. Camp. Camp. Dist. 3.ª div. Pav. João Villaret (Loures)

17H45 Sub-15 M CF Sassoeiros vs. SPORTING CP B 7.ª jorn. Taça Lisboa Pav. Sassoeiros (Carcavelos)

18H00 Sub-17 M SPORTING CP vs. SL Benfica Jogo 2 Meias-finais Camp. Nac. Pavilhão João Rocha

18H30 Seniores M SC Braga vs. SPORTING CP

11.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Nac. 2.ª div.

SC Braga Arena (Braga)

GINÁSTICA

SEXTA, 15 DE MAIO

9H00 Rítmica

SPORTING CP

Taça Mundo Portimão Portimão Arena (Portimão)

SÁBADO, 16 DE MAIO

9H00 Rítmica

SPORTING CP

Taça Mundo Portimão Portimão Arena (Portimão)

20H30 Rapazes

SPORTING CP

Acromix Gin. Acrobática

Pav. Mun. Desp. Cidade Almada

DOMINGO, 17 DE MAIO

9H00 Rítmica

SPORTING CP

Taça Mundo Portimão Portimão Arena (Portimão)

HÓQUEI EM PATINS

SÁBADO, 16 DE MAIO

12H30 Sub-17 M SPORTING CP vs. HC Vasco Gama

11.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. SG Sacavenense (Sacavém)

14H30 Sub-13 M SPORTING CP vs. AD Oeiras

11.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. SG Sacavenense (Sacavém)

15H00 Seniores M

SPORTING CP vs. AD Valongo Jogo 1 Quartos-de-final Camp. Nac. Pavilhão João Rocha 18H00 Equipa B M

SPORTING CP B vs. S. Alenquer B. 26.ª jorn. Sul Camp. Nac. 2.ª div. Pav. SG Sacavenense (Sacavém)

DOMINGO, 17 DE MAIO

14H30 Sub-19 M A. Académica C. vs. SPORTING CP

12.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac.

Pav. AC Vilarinho

16H00 Sub-15 M

SPORTING CP vs. HC Vasco Gama

12.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac.

Pav. SG Sacavenense (Sacavém)

QUARTA, 20 DE MAIO

21H30 Seniores M AD Valongo vs. SPORTING CP Jogo 2 Quartos-de-final Camp. Nac. Pav. Mun. Valongo

NATAÇÃO

SÁBADO, 16 DE MAIO

15H15 Cadetes

SPORTING CP Festival Primavera

Pinhal Novo

15H30 Adaptado SPORTING CP Troféu Batista Pereira

Piscina Mun. V. F. Xira

DOMINGO, 17 DE MAIO

9H30 Adaptado SPORTING CP Troféu Batista Pereira

Piscina Mun. V. F. Xira

15H30 Cadetes

SPORTING CP Festival Primavera

Pinhal Novo

15H30 Masters

SPORTING CP Troféu Batista Pereira Piscina Mun. V. F. Xira

PAINTBALL

SEXTA, 15 DE MAIO

8H00 Equipas

SPORTING CP Camp. Europa Praga (Rep. Checa)

SÁBADO, 16 DE MAIO

8H00 Equipas

SPORTING CP Camp. Europa Praga (Rep. Checa)

DOMINGO, 17 DE MAIO

8H00 Equipas

SPORTING CP Camp. Europa Praga (Rep. Checa)

PENTATLO MODERNO

DOMINGO, 17 DE MAIO

9H00 Laser run

SPORTING CP Camp. Nac. Laser run Pq. Central (Amadora)

PESCA DESPORTIVA

SÁBADO, 16 DE MAIO

10H00 Bóia

SPORTING CP

3.ª prova Camp. Nac. 1.ª div. Rio Tâmega (Chaves)

10H00 Bóia

SPORTING CP

3.ª prova Camp. Nac. 2.ª div. Norte Baía Montemor-o-Velho 10H00 Bóia

SPORTING CP

3.ª prova Camp. Nac. 3.ª div. Sul Barragem de Odivelas

10H00 Bóia

SPORTING CP

3.ª prova Camp. Nac. 3.ª div. Norte Rio Ave (Riba d’Ave)

DOMINGO, 17 DE MAIO

10H00 Bóia

SPORTING CP

4.ª prova Camp. Nac. 1.ª div. Rio Tâmega (Chaves)

10H00 Bóia

SPORTING CP

4.ª prova Camp. Nac. 2.ª div. Norte Baía Montemor-o-Velho

10H00 Bóia

SPORTING CP

4.ª prova Camp. Nac. 3.ª div. Sul Barragem de Odivelas

10H00 Bóia

SPORTING CP

17/05 – DOMINGO

FUTEBOL

Competição: CN Sub-17 – 2.ª fase – 14.ª jornada

Jogo: Sporting CP vs. SL Benfica

Horário e local: 11h00 – Estádio Aurélio Pereira

Transmissão: directo e exclusivo

FUTSAL

Competição: CN Sub-17– Meias-finais

Jogo 12

Jogo: Sporting CP vs. SL Benfica

Horário e local: 18h00

Pavilhão João Rocha

Transmissão: directo e exclusivo

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