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Produzido pelos alunos do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba

UNIMEP Ano III - Edição 14 Abril/2009

JORNAL LABORATÓRIO Zamir Junior

Opinião

O fim do vestibular Ministério da Educação propõe modelo de seleção baseado no Enem. Pág. 2

Comportamento

Uma roupa pode definir uma ideologia? Tribos urbanas afirmam que não. Pág. 6

Tecnologia

“O que você está fazendo?” Internautas expõem rotina através do Twitter. Pág. 7

HOMOSSEXUALIDADE ONG de Piracicaba auxilia no combate à discriminação Pág. 5


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Na Prática - Abril/2009

Apresentação

Aprendendo a ler Uma pesquisa realizada no segundo semestre de 2008 pela Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) apontou que 45% da população do país não lê. O mais alarmante é que desses 77 milhões de brasileiros que não têm o hábito da leitura, 27% afirmam que não leem porque não gostam de fazê-lo. Contrariando as pesquisas realizadas anteriormente, os jovens tiveram uma melhora significativa: de 1,8 livro por ano, os indivíduos acima de 15 anos passaram a ler 3,7 livros. Porém, a leitura dos jovens ainda é baseada nos livros didáticos e indicações da escola, fazendo com que a leitura não seja uma iniciativa do próprio aluno. A leitura do jornal também é maçante para o jovem, que não se sente atraído pela formalidade das notícias e assuntos. Isso resulta na procura pelo formato digital nos portais de notícia, que é mais conciso, simples e objetivo. Porém pode não trazer todas as informações que o jovem necessita. A falta do incentivo à leitura de jornais para os jovens assusta não somente educadores, mas também donos dos veículos impressos, que têm o futuro ameaçado pelos portais da web que trazem conteúdos simples e que interessam ao adulto do futuro. Muitas coisas importantes que ocorrem no

cotidiano são ignoradas pelo jovem nos informativos. Eles procuram apenas ler sobre esportes, cultura, lazer e ecologia e muitas vezes ignoram as manchetes das capas. O desenvolvimento do gosto pela leitura dos jovens ainda depende dos pais e educadores, que devem ter maior comprometimento ao modificar os valores do senso comum em relação à leitura. Porém os jornalistass devem ter consciência da importância de trazer jovens aos seus veículos e adaptá-los de forma a deixá-los sempre atraídos pelas informações. A publicidade veiculada nos impressos sempre deixou claro aos jornais o que cada público deseja saber, portanto as empresas de informação têm a ciência dos elementos que constituem uma informação interessante aos jovens. A internet, com sua interatividade, acertou no formato, mas não na qualidade necessária para a formação de um indivíduo. A reforma nos modelos de informação não é apenas necessária para evitar a extinção dos veículos impressos, mas para garantir que os jovens virtualmente informados de hoje não se tornem os adultos realmente alienados de amanhã. Mayara Cristofoletti Editora assistente.

artigo de opinião

O fim do vestibular Iuri Botão Desde a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases para a educação, em 1996, os candidatos ao ensino superior sonham com o fim do vestibular. Devido à autonomia das universidades, no entanto, a nova lei praticamente só alterou os exames das instituições particulares. Mas o fato é que, desde então, o aumento na oferta das vagas nestas escolas fez com que o número de candidatos se tornasse menor que o de vagas, como observamos hoje. A mudança, portanto, foi mínima. Nos últimos dias, porém, a proposta de nacionalização dos vestibulares apresentada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, deu nova esperança aos que desconfiam dos métodos dos vestibulares tradicionais. A proposta prevê que as Universidades estabeleçam suas notas de corte, baseadas nas notas dos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - que passa a ter 200 questões e redação, e ser aplicado em dois dias - e então, a partir da nota obtida no exame, os estudantes podem se inscrever em até cinco cursos das instituições participantes. Outra diferença é justamente esta: os candidatos têm acesso ao resultado da prova antes da inscrição, o que dá idéia das reais chances de ingresso. No novo exame, as questões serão divididas em quatro grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e

ciências da natureza, e com questões interdisciplinares que privilegiam o raciocínio. O molde é o mesmo do Pisa, prova internacional que compara o desempenho dos estudantes nos diferentes países e na qual o Brasil, coincidentemente ou não, vai muito mal. A apresentação aos reitores foi na quarta-feira, 8 de abril, e está em apreciação. A nova prova já tem até data proposta para realização: o fim de semana de 3 e 4 de outubro é apontado como ideal pelo MEC, sendo que as escolas que adotarem totalmente o exame, isto é, sem segunda fase, já podem fazê-lo em 2010. As que desejarem fazer segunda etapa devem ter que esperar até o próximo ano. A proposta é muito positiva porque o Enem tem sistema totalmente diferenciado dos vestibulares tradicionais, que pregam a decoreba em detrimento da formação e pautam os currículos de Ensino Médio em todo o país. Dessa forma, a mudança contribuiria para uma reavaliação desses currículos, no sentido de se tornarem mais equivalentes e melhores do ponto de vista do conhecimento. Será também um problema para os cursinhos prévestibular, exclusividade do Brasil e que deve, se o plano do MEC der certo, ter os dias contados. Tomara. Iuri Botão é estudante do 5º semestre do curso de jornalismo da Unimep.

Expediente Jornal Laboratório dos alunos do 5º semestre de jornalismo da Unimep Reitor: Prof. Dr. Clovis Pinto de Castro Diretor da Faculdade de Comunicação: Belarmino César Guimarães da Costa Coordenador do Curso de Jornalismo: Paulo Roberto Botão Editor: Wanderley Garcia (MTB: 06041) E-mail: jornalnapratica@gmail.com Editores Assistentes: Iuri Botão Mayara Cristofoletti Editor de Fotografia: Leonardo Moniz Editores(as) Comportamento: Rafaela Ometto Cultura: Lígia Paloni Educação: João Lopes Saúde: Amanda Franco Sabino Tecnologia: Daniane Gambaroto Repórteres: Aline Joaquim, Amanda Sabino, Ângela Silva, Camila Gusmão, Carla Bovolini, Clayton Padovan, DanianeGambaroto, Gislaine Bettin, Iuri Botão, Leonardo Moniz, Lígia Paloni, Luan Antunes, Luis Gustavo Antoniassi, Mayara Cristofoletti, Milena Barros, Nathalia Ravara, Patrícia Elias, Rafaela Ometto, Thiane Mendieta, Thomaz Fernandes, Zamir Junior. Arte Gráfica Sérgio S. Campos (Laboratório de Planejamento Gráfico/ Unimep) Correspondências: Faculdade de Comunicação-Campus Taquaral-Rodovia do Açúcar, km 156 Caixa Postal: 68. Cep: 13400.911 Tel.: (19) 3124-1677 Tiragem: 2000 exemplares.

Participe da comunidade no Or kut Jornal Na Prática / Unimep O principal objetivo da comunidade do jorna lé contato com os leitores o e esse espaço está integralme nte aberto à manifestação de suas opiniões, concordando ou não com o conteúdo da ed ição, opinando e sugerindo pautas para as próximas.

Vamos participar, mande seu recado! Valeu Galera!!! Nosso e-mail:

jornalnapratica@gm ail.com


Abril/2009

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EDUCAÇÃO

- Na Prática

Emprego Carla Bovolini

A nova

Guilherme Degrossolli: várias opções para o profissional de TI

cara do

profissional Carreiras de nível técnico estão entre as mais procuradas Luan Antunes luanantunes27@hotmail.com

Sobram

vagas

no mercado Carla Bovolini carlabovolini@yahoo.com.br

Da mesa de uma grande empresa de call center, Guilherme Degrossolli, 22, relata a vida de um profissional e estudante de TI (Tecnologia da Informação). É a ocupação que atualmente oferece mais vagas no mercado: “TI tem vários braços hoje. Tem o pessoal que trabalha na parte de suporte telefônico, temos a parte de desenvolvimento, também áreas relacionadas a telecomunicações e, por fim, áreas voltadas para o negócio como o Business Inteligence. Existe um grande leque de opções que o profissional de TI pode se encaixar”, afirma. Nos corredores da mesma empresa está Liara de Moura Felippette, 28, formada em Publicidade e Propaganda. Analista de Treinamento, revela que a publicidade pode ter várias vertentes, entre elas treinar pessoas, que requer habilidade para criar projetos, análises e o que não pode faltar no profissional: criatividade. Seus projetos para o futuro envolvem começar

Grandes empresas oferecem oportunidades em profissões menos disputadas uma pós-graduação em Gestão em Pessoas e se especializar mais na área em que atualmente trabalha. Duas pessoas com profissões distintas: Guilherme faz parte de uma categoria em que sobram vagas no mercado, Liara de um time em que a procura é maior que a oferta, justificado pelo grande número de cursos oferecidos no mercado. Giovanni Roberto Coelho da Silva, 28, coordenador de projetos numa metalúrgica de médio porte em Americana, diz que constantemente são divulgadas vagas no jornal de sua cidade procurando por desenhistas projetistas. Procura é grande, mas falta qualificação por parte dos candidatos e até mesmo comprometimento

quando são convidados a fazer parte do time, pois a empresa oferece uma ajuda de custo aos funcionários do setor que estejam interessados em fazer cursos de especialização. De acordo com o site administradores.com.br, empregos considerados braçais também esperam por bons profissionais. No setor de varejo faltam confeiteiros, padeiros, açougueiros e no de metalurgia também faltam profissionais qualificados por exigir uma formação maior por conta da automação dos serviços. O mercado precisa de torneiros, mecânicos, eletricistas, serralheiros e caldeireiros. Uma dica para quem é da região de Piracicaba é a procura por profissionais do ramo sucroalcooleiro, ou seja, o setor de açúcar e álcool que não possui muitos profissionais. Segundo pesquisa realizada pela União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Única) a estimativa é de até 2012 o mercado contratará 300 mil trabalhadores, essa é a hora de se especializar, lembrando que universidades como a Unimep oferecem cursos tecnólogos nesta área.

Técnico florestal, engenheiro de pesca ou engenheiro de petróleo dificilmente seriam as respostas para a pergunta “qual carreira pretende seguir?”. Médico, dentista, ou advogado sem dúvidas seriam as respostas mais prováveis. O número de cursos saturados no país preocupa o Estado e a indústria brasileira, que por sua vez investem em pesquisas para reverter esse quadro. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), realizou em 2007 a pesquisa “Perspectivas Estruturais do Mercado de Trabalho na Indústria Brasileira - 2015” em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio de Janeiro (SEBRAE-RJ) e com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O levantamento foi feito em conjunto com mais de 400 empresas no país, que correspondiam na época à quase 500 mil empregados. O resultado da pesquisa traz o ranking dos dez maiores índices de perspectiva profissional na indústria da próxima década. Engenheiro de petróleo, engenheiro ambiental e técnicos de alimentos lideram esse ranking, em que cinco profissões são de nível técnico. A pesquisa mostra ainda, que, áreas ligadas a petróleo, construção civil e meio ambiente, aparecem como os setores mais prósperos. Em relação às profissões de níveis técnicos, que representam metade das carreiras mais promissoras, a pesquisa revela que para o trabalhador de chão de fábrica, o maior contingente profissional no país, apenas o ensino médio não basta. Segundo perspectiva, o nível técnico prevalece como o mais importante grau de instrução em quase 80% das profissões de nível operacional analisadas.


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EDUCAÇÃO

Na Prática - Abril/2009

Tecnólogo

Diploma de graduação em menos tempo

Cursos com duração de dois a três anos são nova opção do mercado de trabalho Thiane Mendieta

Thiane Mendieta thimendieta@hotmail.com

O tecnólogo é um curso superior com duração de dois a três anos, diferente dos tradicionais cursos de graduação que têm duração média de quatro anos. É uma nova opção para jovens que estão em dúvida quanto à profissão e pretendem se graduar em menos tempo. Para ingressar no curso, o interessado deve fazer uma prova, igual ao vestibular e ter concluído o ensino médio. “O curso tecnólogo visa à capacitação do graduando em uma área específica em curto prazo. Já a graduação visa à formação global e generalizada do aluno”, diz o professor Almir Eduardo Alcarde, coordenador do curso de graduação em Engenharia de Alimentos e do curso de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira da Unimep, Campus Santa Bárbara. Para a estudante do terceiro semestre de Tecnologia e Gestão em Recursos Humanos da Unip, Liliane Cardoso, o curso tecnólogo abre mais portas no mercado de trabalho. “Antigamente a área de RH ficava na responsabilidade de psicólogos ou administradores, que optavam na ênfase em RH. Agora o tecnólogo foca somente a área mesmo”, ressalta Liliane.

Recipientes com experiências produzidas pelos alunos do curso Produção Sucroalcooleira da Unimep

O vereador de Santa Bárbara D’Oeste, Danilo Godoy (PSDB), é tecnólogo em Marketing, formado pela FAC (Anhanguera Educacional). “Por ter conhecimento nas técnicas de Marketing, fiz minha campanha para eleição em 2008 praticamente sozinho, só contando com ajuda de familiares e amigos”, afirma. “Me cadastrei em um site de empregos na Internet.

Recebo umas cinco ofertas de emprego na área por semana”, informa o vereador ao ser questionado sobre o mercado de trabalho para um tecnólogo. Ao concluir o curso superior de tecnologia, o graduado pode continuar carreira acadêmica, realizando pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) e lato sensu (especialização).

Cursos surgiram em 1969 No Brasil, o primeiro curso de tecnólogo foi o de Construção Civil, oferecido pela Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), no ano de 1969. Durante a década de 70, os cursos superiores de tecnologia foram crescendo. Em 1979, esses cursos foram extintos. Em 1998, os cursos superiores de tecnologia voltaram a ser oferecidos. No ano de 2006, o MEC (Ministério da Educação) criou o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, um guia que orienta a oferta de cursos.Conforme o Catálogo, os cursos tecnólogos estão divididos nas seguintes áreas: ambiente, segurança e saúde; controle e processos industriais; gestão e negócios; hospitalidade e lazer; informação e comunicação; infra-estrutura; produção alimentícia, produção cultural e design; produção industrial e recursos naturais. Atualmente, muitas instituições tradicionais de ensino superior oferecem cursos de tecnologia, como Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Unip (Universidade Paulista), Fatec, PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) e Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo).

Vestibular

Bicho de sete cabeças ou mudança de vida? Jovens do ensino médio contam como encaram os estudos nessa fase Rafaela Ometto rafaela.ometto@gmail.com

Encarado como bicho de sete cabeças para uns estudantes do Ensino Médio e somente como mais uma palavra para outros sem mais preocupações, o vestibular (teoricamente) decide o rumo que a vida irá tomar. Para a aluna da 3ª série do ensino médio, Karina Casagrande, a preocupação apareceu logo que saiu do ensino fundamental. “Eu não tinha certeza do que realmente queria e me preocupava a

ideia de que eu tinha que me decidir em um curto espaço de tempo”, afirma. Devido à facilidade em línguas estrangeiras, Karina decidiu o curso a seguir e se considera mais tranqüila em relação às provas. “Os professores direcionam suas aulas para o vestibular e nos dão dicas”. Outra estudante do ensino médio, Mariana Vieira, de 14 anos, encara os estudos como momento de preparação e diz que já prestou vestibular para saber como se saía. “Eu pensava que era muito mais difícil, mas quando comecei a praticar

alguns exercícios na apostila da escola notei que com esforço tenho grande chance de passar sem ser necessário fazer um cursinho”, afirma. Em relação ao método de seleção aplicado pelas universidades públicas e particulares, as estudantes reconhecem a diferença. Karina afirma que “a maioria dos alunos que detém as vagas públicas são os que estudaram a maior parte do tempo em escolas particulares e, portanto, foram mais bem preparados para o vestibular”. E Mariana já considera que “quem faz a

faculdade é o aluno”, independente se a prova for difícil ou não, e sabe, através de leitura e em sala de aula, que as públicas são mais conceituadas. Questionadas sobre a perspectiva de futuro antes do término do ensino médio, ambas, “antenadas” nas necessidades que o mercado de trabalho exige, responderam que pretendem aperfeiçoar o estudo em línguas estrangeiras e se preocupam com a estabilidade financeira, em serem profissionais de qualidade e acima de tudo realizadas em tudo que exercerem.


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- Na Prática

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COMPORTAMENTO

Socialização

Casvi combate a discriminação a homossexuais Zamir Junior

Zamir Junior zamirjr@hotmail.com

Especializada em direitos humanos, a ONG Casvi (Centro de Apoio e Solidariedade à Vida) focaliza seu trabalho para a inclusão social de homossexuais e também de ex-usuários de drogas, detentos e qualquer outra pessoa que de alguma forma tenha sido discriminada. A ONG abre espaço para a conscientização sobre o uso de drogas, prevenção de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e gravidez precoce. O Projeto “Vivendo a Diversidade” criado pela Casvi, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria Estadual da Educação, discute junto aos professores não somente homossexualidade, mas também, casos de gravidez precoce e tudo que possa envolver sexualidade, explica Anselmo de Figueiredo, coordenador geral da ONG. Além disso, ele comenta que “ainda existem pessoas que preferem afastar seus filhos dos amigos que possam ser homossexuais, como se a homossexualidade fosse uma doença”. Em 1990, a homossexualidade foi tirada do quadro de doenças e também não pode ser considerada uma opção. O termo

correto é orientação sexual. “Um homossexual, não tem a opção em ser homossexual, não existe um botão para ele optar em ser ou não, ele nasceu assim”, explica o psicólogo Breno Freire, de Sumaré. Diversas religiões tratam esse tipo de

atitude como pecado, e ainda na adolescência, os homossexuais enfrentam os primeiros casos de exclusão, provocada pelos próprios pais. “Existiu um caso aqui em Piracicaba, que o conselho tutelar, entrou em contato com a ONG e falou que

ONG de Piracicaba, pratica a inclusão social de pessoas que se sentem discriminadas pela sociedade

o pai estava batendo no filho e querendo expulsar ele de casa”, disse Figueiredo. Ele completa que “independente se for gay ou não, estão registrados no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) os direitos da criança e do adolescente”. A Casvi, recebe denúncias sobre homofobia, nome dado a qualquer tipo de discriminação contra homossexuais. Os movimentos GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Travestis), foram criados para a população homossexual alcançar os mesmos direitos que os heterossexuais,z assim como o Movimento Sem-Terra e a população negra que também se uniu para conquistar seus direitos. Em São Paulo, foi criada a Lei Estadual 10.948/2001 que proíbe qualquer tipo de discriminação e agressão verbal ou corporal à população GLBT. A estudante de Publicidade e Propaganda Renata Lameira diz que “não é preciso ser homossexual para aceitar um homossexual”. E reforça “Para mim, o preconceito é o medo do novo”.

Pais e filhos

Falta de confiança atrapalha conversa sobre sexo Ausência de orientação em casa pode levar jovens a procurá-la na rua Milena Barros Os jovens evitam falar sobre sexo com os pais, pois não sentem confiança neles. A opinião é da psicóloga Fabiola Ximenes que diz ser necessário estabelecer uma relação de confiança para a conversa acontecer. Hoje os jovens começam a vida sexual mais cedo. No entanto, essa realidade é muito mais aceita na casa do vizinho. É o que diz Letícia Lisboa, 19 anos. “Namoro há dois anos e minha mãe não acha certo que eu faça sexo com o meu namorado. O mais engraçado é que ela conversa sobre isso com as minhas amigas, mas quando se trata de sua filha, ela nem sequer toca no assunto”.

Segundo Fabiola, os pais infantilizam os filhos e é normal que eles sintam dificuldades para falar sobre esse assunto. “Os pais têm que entender que as crianças cresceram e estão na adolescência, passando por um momento de transição, logo, [são] seres humanos que sentem desejos como tal. Maturidade é o que não pode faltar para os pais nas conversas relacionadas a isso”, enfatiza a psicóloga. Por outro lado Crislaine Figueiredo diz que tentou dialogar com sua filha Juliana, 14 anos, mas ela se negou a falar sobre o assunto. A mãe sabe que a menina já tem dúvidas a respeito, pois  Juliana questionou a atual esposa de seu pai so-

bre coisas relacionadas a sexo. Fabiola comenta que os filhos veem os pais como seres imaculados e superiores. Cabe aos pais se esforçar para conseguir aos poucos a confiança deles. A psicóloga afirma que se a conversa não ocorrer dentro de casa, os filhos podem procurar informações por outros meios, e nem sempre terão respostas corretas. Sendo assim, o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez indesejada é alto. De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a gravidez na adolescência aumentou no Brasil. A faixa etária de 15 a 17 anos teve aumento

da fecundidade, que passou de 6,9%, em 1996, para 7,6%, em 2006. Os adolescentes que sentem dificuldade em estabelecer diálogo com seus pais sobre sexo podem encontrar uma alternativa na rede pública de saúde, que fornece informações seguras, oportunidade de marcar consultas gratuitas com ginecologistas, além de poder se consultar sem acompanhamento do responsável. Para o início da vida sexual é fundamental uma consulta ao ginecologista. Só o médico (a) saberá dizer qual a melhor forma contraceptiva para cada mulher.  A consulta também é uma ótima maneira de conhecer o próprio corpo.


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COMPORTAMENTO

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Jovens Estilos

Com que tribo você Integrantes de grupos urbanos expõem suas idéias e tentam provar que são muito mais do que vestem

pensa? Lays de Oliveira Colina/arquivo pessoal

Ângela Silva angela_cpsilv@hotmail.com

Assessórios diferenciados atraem jovens para diferentes tribos, mas o quanto eles estão antenados às ideologias dos grupos aos quais pertencem? Geralmente, as tribos urbanas são identificadas pelas crenças e pelo modo como enxergam a sociedade. As gêmeas Lays e Thays de Oliveira Colina, 15, que estudam na Escola Estadual Profª Abigail de Azevedo Grillo, pertencem ao movimento Punk Oi!, o street punk, que surgiu no final dos anos 70 e não tem posição político-partidária definida. Mostrando que conhecem as ideologias do movimento, as gêmeas fazem questão de frisar que um de seus ideais é a união entre punks de rua e skinheads tradicionais, contrários ao nazi-fascismo. “Não somos anarquistas”, enfatiza Thays. Com um jeito particular de se vestir, que inclui botas, suspensórios e cabelos semi-raspados, as gêmeas buscam no estilo uma maneira de se destacar: “O visual é pra chamar a atenção da sociedade, que geralmente vive presa a um único tipo de moda: a das passarelas”, explica Lays. Apesar da camiseta de banda e do cabelo comprido, Ramon Sena, 15, estudante do Ensino Médio do COTIP (Colégio Técnico Industrial de Piracicaba), não se considera roqueiro ou metaleiro, termos que classifica de “rótulos medíocres”. “Não me sinto parte de uma tribo. O que vale é a minha ideologia”, explica. Para ele, aqueles que se autodenominam roqueiros apenas em nome dos coturnos e camisetas de banda não encontraram seu estilo e com o tempo acabam seguindo outras tendências. Cada vez mais popular na internet, o estilo emo, o emotional hardcore, é a mais atacada das tribos sob o argumento de que copia alguns elementos da cultura punk e dissemina modismos. Gleice Lima, 15, estudante da Escola Estadual Água Branca, conta que aderiu ao estilo porque se identificou com os seus membros. “As pessoas não gostam de brigas e não têm preconceitos”, justifica. Mas assume que procura

Grana

Crise não afeta a mesada Jovens contam como recebem mesada dos pais e o que fazem com o dinheiro Leonardo Moniz moniz.leo@gmail.com

Que a crise financeira mundial influenciou diversos setores da economia global, todo mundo sabe. Mas nem todo mundo entende. “Minha mesada não pode diminuir”, afirma Laura (todos os nomes de alunos são fictícios a pedido dos professores dos jovens). O exemplo da garota de 13 anos é semelhante ao de vários estudantes da mesma faixa etária. Trabalhar? “Temos vontade sim”, admite, mas “é mais por pressão dos pais”, diz Laura. João Vitor, 12, recebe cerca R$ 250 de mesada. O garoto franzino conta que ajuda o pai no próprio negócio, uma marcenaria. “Tenho um amigo que me ofereceu um emprego bom, mas meu pai não quis. Ele só quer que eu trabalhe para ele, é folgado!”, sorri o garotinho. João ajuda o pai em serviços leves, mas ganha a mesada independente do trabalho. Marina, 14, vive uma situação engraçada. A mesada, de R$ 100, é toda repartida. “Meu pai dá R$ 50, minha mãe R$ 20, minha tia também R$ 20 e minha avó completa com mais R$ 10”, conta. Marina namora há quase um ano e meio. “Comprei as alianças por R$220”, exibe. Mas engana-se quem pensa que a palavra economizar entra nos planos da garotada. Shopping, boates e shows são os alvos prediletos. “De sexta, sábado e domingo a gente passeia no shopping e vai para a balada. Se tem show de funk, nós estamos lá”, comenta a jovem Raquel, de 13 anos. “Minha mãe vive falando que não vê a hora de eu começar a trabalhar”. Primeiro emprego

Lays e Thays de Oliveira Colina, punks Oi!: visual arrojado e consciência

seguir as tendências: roupas e acessórios quadriculados em branco e preto, a franja lisa caída na testa. A psicóloga e professora da Unimep, Débora Cristina Fonseca, explica que a busca do jovem por um visual incomum pode estar ligada à necessidade de iden-

tificação com grupos nos quais ele se sinta aceito e partilhe dos mesmos valores. “Esta identificação inicial nem sempre ocorre por questões ideológicas, mas pela influência midiática e pela possibilidade de questionamento ao que está instituído”, explica a psicóloga.

Se a vontade de sair aumenta, os gastos também crescem com a idade. Mas o mercado oferece soluções aos iniciantes. O “Menor Aprendiz” é uma delas. Mas nada de largar os estudos. “Para fazer parte do programa, o jovem precisa, obrigatoriamente, estar estudando”, adverte Mariele Ribeiro, 28, psicóloga da Marhca, empresa de recursos humanos de Piracicaba. Além de estudar, o aluno que se interessar pelo “Menor Aprendiz” não pode ter sido reprovado. O programa atende jovens de 14 a 18 anos e tem vínculo empregatício de até dois anos. “Além de aprender a trabalhar, existem outros benefícios como carteira assinada e previdência social”, conta Laisa Alves, 32, de outra empresa de recursos humanos em Piracicaba, a Gelre.


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TECNOLOGIA

Twitter

Rede de relacionamentos e fonte de informação

Camila Gusmão

cah_foca@yahoo.com.br

Apenas três anos de existência e com 6 milhões de usuários; o twitter cresceu 900% em relação ao ano passado, segundo o Wall Street Journal.

O texto acima tem exatos 140 caracteres, o máximo para se postar uma mensagem no twitter. Espaço pequeno, mas suficiente para se informar e responder à pergunta inicial do site: “o que você esta fazendo?” Criada nos Estados Unidos, a rede de relacionamento estreou em 2006 e teve como um dos primeiros adeptos famosos o atual presidente dos EUA, Barak Obama, que em 2007 utilizou a ferramenta para difundir sua campanha presidencial. Twitter é uma espécie de microblog em que é possível seguir o que dizem os amigos e ser seguido por eles. O objetivo do site, quando criado, era de que as pessoas respondessem o que estavam fazendo, informar a todos se saiu às compras, ou entrou no banho, por exemplo, mas, a rede tomou um rumo diferente. Os twitteiros de plantão preferem informações noticiosas. “As pessoas buscam no twitter informações para ficar em primeira mão, é uma fonte de informação e divulgação”, afirma a jornalista Rosana Hermann. Como usar para o trabalho? Veículos de comunicação como SBT, Rede Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Veja, CNN e UOL trazem informações em tempo real no twitter. “Velocidade da comunicação e instantaneidade da notícia”, são algumas das motivações que levaram a Unimep a fazer parte da comunidade twittiana, relata o moderador do twitter institucional da universidade, Magdiel Silva. Com notícias postadas todos os dias o twitter da Unimep atualiza e interage com a comunidade. “O twitter é uma fonte de informações rápidas, mais fácil de ser ingerida na ‘era do fast-food’. De acordo com os perfis que seguimos recebemos informações direcionadas, sobre aquilo que gostamos”, relata a fotógrafa Luana Costa. Como em todos os meios de comunicação, no twitter não é diferente, toda informação é tão confiável quanto sua fonte. “A gente confia em quem se prova confiável, ou nos links de confiança”, completa a jornalista Rosana Hermann.

Americano twitta enquanto um estranho entra em sua casa Twittar é mais rápido que chamar a polícia em um caso de emergência? Para o americando David Prager, 32, sim. Na noite da terça-feira, 10 de março, um estranho aparentemente embriagado invadiu a casa de Prager, no pólo tecnológico do Vale do Silício, no Estado da Califórnia. Ao perceber a situação, Prager resolveu atualizar seu twitter. “Ok, talvez eu devesse trancar minha porta - juro que um cara aleatório acabou de entrar no meu banheiro e eu não acredito que não pirei”, postou pela primeira vez Prager. Prager, que é vice-presidente da rede de televisão pela internet Revision3, twit-

tou ainda mais 17 vezes antes de trancar a porta com o invasor para o lado de fora. O intruso ficou quase uma hora trancado no banheiro, enquanto Prager, decidia pelo twitter que decisão tomar. Sem chamar a polícia, o dono da casa substituiu o twitter por uma transmissão de vídeo ao vivo pela web. Finaliza no twitter com a mensagem “se você não estava assistindo ao meu ustream (site que permite a divulgação de vídeos em tempo real) - o cara desmaiou no meu banheiro e eu o arrastei para fora”, postou. Cerca de 18 mil pessoas leram os posts de Prager, e mandaram mensa-

gens dizendo que ele deveria chamar a polícia. Ele respondeu: : “hmmm - será que devo chamar a polícia como vocês recomendaram? Procurar alguma coisa pesada antes de abrir a porta? Minha intuição me diz que ele é inofensivo”. A curiosa atitude de Prager foi muito comentada na internet, foi noticiada por blogs como como o Gawker. Que esta história é estranha isto é, e até o seu coadjuvante reconhece a reação que teve. “Talvez tenha sido um pouco estúpido não chamar a polícia”, postou no Twitter. Fonte: Época Online


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TECNOLOGIA

Na Prática - Abril/2009

Duas rodas

Lojas de Americana recebem Nathalia Ravara natharavara@hotmail.com

Americana deve ser a primeira cidade da região a receber 10 capacetes para motociclistas equipados com Bluetooth no final do mês de abril. Com o equipamento, os motociclistas não precisarão mais tirar o capacete toda vez que o telefone tocar, pois poderão atender ligações de celular. Uma outra inovação importante é a existência de um adaptador que permite a comunicação entre piloto e carona. Também existe a possibilidade de escutar música, dependendo do modelo do celular. O capacete tem um dispositivo na parte do queixo que quando acionado atende ligações, podendo ativar o modo viva-voz que possui o auto-atendimento seguido do segundo toque. Já o alto-falante e o microfone ficam na lateral do capacete próximo ao ouvido. Sua bateria tem duração de 5 horas podendo se comunicar com até quatro pessoas simultaneamente.

O vendedor de uma loja Motociclista verifica celular: de motos, Thiago Rodrigo com nova tecnologia não será de Camargo, diz que “o preciso retirar o capacete capacete bluetooth é a melhor tecnologia que existe, não tem o que falar.” Com o rádio a ligação é péssima, com chiados, já o capacete com bluetooth não tem esse problema, a voz da pessoa fica perfeita por maior que seja a velocidade”. Entretanto existem pessoas que discordam de Thiago e afirmam que a inovação compromete na atenção dos motociclistas. O custo da nova tecnologia pode deSegundo o estudante do ensino médio Douglas Mora Pedroso, “os motociclistas pender de acordo com a marca, podendo já são displicentes sem nenhuma distra- variar de R$ 500 até R$ 2.500. Uma outra possibilidade para quem não ção. Com a maior facilidade de conversa e a possibilidade de ouvir música, aumen- quiser comprar é mandar adaptar o capacete com a nova tecnologia. tarão os índices de acidentes”.

Telefonia

para sempre Entenda a clayton.padovan@gmail.com portabilidade numérica e saiba o No início de março chegou ao fim a implantação da portabilidade numérica no que fazer para trocar Brasil e agora qualquer pessoa em todo o de operadora território nacional poderá trocar de operadora mantendo o mesmo número, tanto para a telefonia fixa quanto para a telefonia móvel. A implantação que teve início em setembro de 2008 atinge um público de 193 milhões de usuários de 67 DDDs, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A portabilidade traz não só a vantagem de manter o mesmo número, mas também promoções e benefícios para os usuários. É o que acredita o técnico em segurança

do trabalho Anderson Farias, “A implantação da portabilidade vai ser boa, pois com os usuários livres das operadoras, elas terão que nos atrair com promoções e vantagens melhores do que as dos concorrentes”, afirma. Ainda segundo Farias “isso vai causar uma briga entre elas (operadoras) que nós só temos a ganhar”, concluiu. Farias estuda as melhores vantagens e promoções para decidir se muda ou não.

Bluetooth abre portas para o mercado trazendo inovações Como Mudar

Seu número

Clayton Padovan

Nathalia Ravara

capacete com Bluetooth

ton

Clay

van

o Pad

Por exemplo, na Vivo os usuários que mudarem seu número de celular pós-pago ganharão de brinde um novo celular, bônus em ligações locais para qualquer Vivo por seis meses e mais 1000 minutos por mês para falar com qualquer Vivo, válidos por três meses. Isto é só um exemplo de promoções que as operadoras estão oferecendo. Mas como mudar? Leia nesta página e fique por dentro.

Usuários da telefonia móvel podem trocar de operadora desde que dentro da mesma área (DDD). Já os usuários de telefonia fixa só poderão trocar de operadora mantendo seu número se for dentro da mesma cidade ou região metropolitana. Esta mudança poderá ser feita quantas vezes o usuário desejar. Para solicitar a mudança, os usuários devem procurar a nova operadora que desejarem e solicitar a migração. O prazo estimulado pela Anatel, é de cinco dias para conclusão do serviço após a solicitação do usuário. Neste período o telefone deverá continuar funcionando. O telefone pode ficar duas horas mudos para a transição. Após este período deverá estar funcionando perfeitamente com a nova operadora. Há ainda uma taxa de R$ 4, determinada pela Anatel, que deverá ser paga à operadora que o usuário deseja mudar. Mas a maioria das operadoras está deixando de cobrá-lá. Dependendo da nova operadora de telefone celular, o usuário terá que comprar um novo chip, mantendo neste o seu número antigo.


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SAÚDE

- Na Prática

Obesidade

Dê um Basta na Balança! Maior parte dos casos de adolescentes acima do peso tem como causa hábitos errados Gislaine Bettin gislainebettin@hotmail.com

Má alimentação e sedentarismo são os grandes vilões causadores da obesidade na adolescência, segundo a médica endocrinologista pediátrica Denise Michelin Carvalho. “A grande maioria dos casos de obesidade é causada por hábitos familiares errados, como comer assistindo televisão, ausência de horários definidos para se alimentar, troca de refeições por lanches e falta de incentivo para a prática de exercícios físicos”, destaca.

Se já não bastassem todas as dúvidas e desafios da fase, a cada dia um grande número de adolescentes tem que encarar a obesidade que requer alguns cuidados para não gerar agravantes, como pressão alta, diabetes e problemas ortopédicos. A obesidade também pode influenciar no estado psicológico, causando ansiedade, baixa autoestima e depressão. O ideal é que antes de iniciar uma dieta o jovem procure acompanhamento médico para sua orientação e de toda a família, afinal uma mudança nos hábitos requer esforço de todos para obter resultados satisfatórios.

A prevenção começa em casa! A endocrinologista Denise Michelin Carvalho relata que mudanças de hábitos não são fáceis. Entretanto, com um pouco de determinação o sobrepeso pode ser eliminado, resultando em melhora na autoestima e inúmeros benefícios para a saúde. Se você quer saber como mudar seus hábitos, basta escolher alguns dos itens abaixo e começar. - Sente-se à mesa e coma sem pressa; - Experimente legumes e saladas, pois são imprescindíveis; - Coma o suficiente para saciar a sua fome, sem exagero; - Pratique atividades físicas que lhe agradem, pois você pode fazê-las sem muito sacrifício; - Troque a fritura pelo grelhado, o chocolate pela gelatina, o refrigerante por sucos naturais e beba sempre muita água; Pequenos hábitos fazem grande diferença para a sua saúde!

Wii

Videogame combina exercícios físicos e diversão Amanda Sabino amandafrs2000@yahoo.com.br

Passar horas sentado na mesma posição em frente à TV jogando videogame é coisa do passado. A sétima geração de games está mudando esse cenário no Brasil com os jogos que combinam videogame e uma série de exercícios físicos que ajudam o jogador a entrar em forma enquanto se diverte. André Ciappina, 12 anos, é adepto do Wii Fit desde o ano passado. “Um amigo me emprestou o videogame dele por uma semana e eu e meu pai ficamos viciados no Wii Sports. Após devolvê-lo, nós ficamos procurando um novo para comprar por três dias. Depois de mostrar algumas fotos e vídeos sobre o Wii Fit, meus pais gostaram muito da idéia e acabei ganhando o game”, explica. Para Ciappina, o Wii Fit trouxe mais interatividade e movimento para os videogames convencionais. De acordo com Arina Hansein, professora de Educação Física, o ato de jogar o Wii Fit e o Wii Sports traz diversos benefícios ao praticante, como a melhora da circulação e da resistência cardiorespiratória e o controle do peso. Mas, segundo a professora, é importante seguir alguns

Amanda Sabino

Jogo eletrônico ajuda no combate ao sedentarismo, mas não substitui atividade física cuidados durante as partidas, como o uso tênis adequado, roupas leves e confortáveis e a ingestão de muita água e suco natural, visto que se tratam de exercícios de impacto ao organismo. “É claro que o jogo de videogame não substitui uma atividade física programada com tempo como, por exemplo, a natação. Mas é melhor jogar este jogo do que ficar sentado o dia todo, já que o sedentarismo aumenta em 60% o risco de doenças cardiovasculares”, ressalta Arina. Entretanto, não se pode esquecer que jogar videogame por muitas horas sem parar e sem se alimentar de forma correta pode causar danos à saúde além de cansaço e redução da disposição para realizar outras tarefas diárias.

Jogos esportivos Desde o final de maio do ano passado, a Latamel (representante da Nintendo no Brasil) lançou no país dois games que unem esportes e diversão: o Wii Fit e o Wii Sports. O primeiro simula diversos tipos de exercícios corporais (como, por exemplo, a yoga) por meio da Wii Balance Board, uma balança inteligente sobre a qual o jogador permanece o tempo todo. Já o Wii Sports oferece cinco tipos de esportes e reproduz os movimentos do usuário (como, por exemplo, o lançamento de uma bola de boliche) por meio do Wii Remote.

André Ciappina pratica yoga no Wii Fit em casa


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SAÚDE

Na Prática - Abril/2009

Droga legal

Álcool

Jovens e bebidas: uma combinação cada vez mais frequente

Gustavo Antoniassi Apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos (Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996), o uso do álcool é cada vez mais freqüente entre adolescentes na faixa etária dos 12 aos 19 anos. É o que aponta uma pesquisa feita recentemente pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid). Segundo a psicóloga Aparecida Donizeti Cândido, a experimentação inicial dos jovens dá-se por curiosidade ou para se integrar ao grupo de amigos da escola. “O jovem já tem uma tendência a entrar nesse mundo e essa necessidade de se associar ao grupo é um fator determinante para o início do uso do álcool”, afirma. Aparecida lembra que o primeiro passo, normalmente, é dado ainda durante o ensino médio pelos alunos que temem se tornar o “careta” da turma. A pesquisa do Cebrid revelou que 48,3% dos adolescentes na faixa etária dos 12 aos 19 anos já beberam alguma vez na vida. Desses, 14,8% bebem regularmente e 6,7% se consideram dependentes, o que representa um aumento de quase 39%, se comparado com a pesquisa feita em 2006 pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) com os estudantes brasileiros, quando os

Iuri Botão

Especialista alerta para os danos do alcolismo precoce

números mostravam que 34,8% dos adolescentes faziam uso do álcool. Na opinião da psicóloga, os números comprovam a vontade dos jovens de extrapolar os limites, na busca pelo prazer. “Os adolescentes acreditam que a identificação pessoal acontece justamente quando têm

contato com o proibido. Em alguns casos, a falta de estrutura familiar é um impulso para a iniciação do vício”, explica Aparecida. Ela acredita que o convívio ainda na infância com pais que fazem o uso do álcool serve como estímulo para os jovens. Acostumada com o trabalho intenso com

os jovens em seu consultório, Aparecida Cândido se diz preocupada com o uso abusivo do álcool entre os jovens. “É preocupante porque o álcool é a porta de entrada para outras drogas. O tratamento para recuperação do jovem é possível, mas requer muito cuidado e força de vontade”, enfatizou.

Prevenção

A primeira consulta não dói Visita ao ginecologista deve ser feita logo após a primeira menstruação Aline Joaquim aly_chrys@hotmail.com

O exame ginecológico é fundamental para a saúde da mulher e consiste na avaliação dos órgãos sexuais femininos, variando de acordo com a idade da paciente. Segundo o médico ginecologista e obstetra Gilberto Henriques Netto, a jovem deve procurar o ginecologista na primeira menstruação, quando há o desenvolvimento sexual e a transformação do corpo. Henriques Netto explica que a consulta é dividida em quatro etapas. Na primeira é feita uma entrevista com a paciente, que pode tirar suas dúvidas sobre menstrua-

Aline Joaquim

ção, cólicas, métodos Gilberto anticoncepcionais Henriques ou relação sexual. O Netto, médico exame é baseado nas ginecologista: queixas específicas da consultas devem ser anuais paciente que surgem nessa entrevista. A segunda etapa é o exame físico, toque das mamas, apalpação do abdômen, tomada de pressão, além de o exame especular, que muitas vezes é utilizado nas adolescentes consiste em olhar o colo do útero. Em outra fase do exame, é feito o cha- que não têm vida sexual ativa. Os examado toque vaginal ou toque retal que mes de sangue, urina e fezes são utilizados

quando o médico identifica algum problema no exame físico. A quarta etapa é a investigação, através de raio-x, ultra-som, tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética ou estereoscopia.. Segundo Henriques Netto, o ideal é que a mulher tenha o hábito de realizar consultas ginecológicas anuais, sendo que se a paciente sentir algum sintoma entre esse espaço de tempo deve procurar ajuda médica. O médico lembra que a ginecologia é uma área que permite diagnósticos muito precoces do câncer, que tem uma taxa de cura muito alta. O ginecologista frisa que o sigilo é firmado com a paciente, sendo que as conversas do consultório não são reveladas aos pais ou qualquer outra pessoa. Ele lembra que mesmo em casos em que o médico é amigo íntimo da família o sigilo é mantido como algo sagrado da profissão.


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CULTURA

- Na Prática

Fisiculturismo Precoce AgendaCultural

Força e músculos são o perfil do novo Tarzan

Thomaz Fernandes Sesi e Sesc realizam eventos teatrais e musicais grátis ou com preços populares. O objetivo das instituições é levar realizações artísticas para todos os públicos. Para saber a data de todos os eventos acesse o site de Sesc e Sesi e confira a agenda completa. www.sescsp.org.br e www.sesisp.org.br

Daniane Gambaroto dgambaroto@yahoo.com.br

A refilmagem do Filme Tarzan é um dos assuntos que andam movimentando Hoolywood. Não apenas por se tratar de um clássico dos desenhos e, sim, por ser uma nova versão da própria história. O foco deixa de ser o garoto criado por macacos e passa a ser uma nova ambientação da década de 1930, mesclando romance, aventura e atores com corpos musculosos e bronzeados. Curiosamente, um dos atores cotados para ser Tarzan na adolescência é um ucraniano de 14 anos que, por incentivo dos pais, desde os três anos de idade pratica musculação e artes marciais.

Richard Sandrak, possui corpo escultural, musculoso, fruto de um treinamento de cinco dias por semana, dos quais dois são dedicados especialmente aos abdominais e os outros três se reservam às artes marciais. Com força suficiente para levantar um peso superior a 100 quilos, Richard possui uma dieta de “marombeiro”, regada a muita verdura, frutas, aveia, peixe e Richard Sandrak, considerado o garoto frango. Alem é claro, de suple- mais forte do mundo mentos vitamínicos. O filme ainda não tem estréia pre- que futuramente se tornaram filmes vista. O que se pode esperar é que este deram certo, como é o caso de Peter seja mais um sucesso Disney, uma vez Pan, Inspetor Bugiganga, entre outros. que todas as apostas em animações Fonte: www.vocesabia.net

Muito além do jardim

Um clássico que promete mudar sua visão do mundo Jardineiro descobre o real depois de passar a vida assistindo TV Divulgação

Lígia Martins Paloni ligia.paloni@terra.com.br

Você já imaginou conhecer o mundo apenas pela tela de uma televisão? Foi assim que o jardineiro Chance, interpretado por Peter Sellers, conheceu o mundo. Após a morte do seu patrão foi obrigado a deixar a mansão em que viveu para enfrentar o exterior jamais vivido. O filme ‘Muito além do jardim’ foi lançado em 1979 nos Estados Unidos com a direção de Hal Ashby, conquistando o Oscar de melhor Ator Coadjuvante com Melvyn Douglas e também dois Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Ator com Peter Sellers e Melhor Ator Coadjuvante com Melvyn Douglas. No filme, Chance, um homem ingênuo, passa toda a vida cuidando de um jardim na mansão e assistindo televisão, seu único contato com o mundo e forma de aprendizado naquela época. Ele nunca tinha entrado em um carro, não sabia ler ou escrever, não possuía carteira de identidade, enfim, não existia oficialmente.

O ator Peter Sellers interpreta o jardineiro Chance

Quando seu patrão morre, Chance perde o emprego, é obrigado a deixar a mansão e se depara com a realidade apenas assistida pela televisão. Após os primeiros passos no mundo fora das telas, Chance é acidentalmente atropelado pelo automóvel de Benjamin Rand, interpretado por Melvyn Douglas, um magnata que torna-se seu amigo e chega a apresentá-lo à alta sociedade americana.

De forma curiosa, tudo dito por Chance ou até mesmo o seu silêncio é considerado genial por sua falta de experiência e assimilações com o jardim que conhecia muito bem. Um mundo surpreendente vivido de forma simples faz com que jovens de hoje repensem nos valores e na importância da comunicação e transfiram para sua realidade, cada vez com mais tecnologias e afastamento da real identidade.

Divulgação

Ucraniano de 14 anos é cotado para viver homem das selvas nos cinemas

01/05 - Sesc/Teatro Os amestradores do trabalho Com Cia. Roma Produções Piracicaba 10h30 às 15h30. Grátis   Sesi/Música César Roversi e grupo de choro.  20 horas. Entrada: Franca  02/05 - SESI/Teatro O Rei dos Urubus Diálogos ágeis e inteligentes, precisos e diretos. O espetáculo desperta no público a vontade e a necessidade de discutir e refletir sobre a realidade. A montagem preserva o texto e transpõe ao palco a crítica sobre o sensacionalismo da mídia de forma inteligente. 20h. Também será exibida no dia 03/05 Não recomendado paras menores de 14 anos. 07/05 - Sesc/Música Rádio 80 A banda homenageia uma das épocas mais criativas da história musical: os anos 80.   20h. Lanchonete. Ingressos limitados. Grátis 08/05 - Sesc/Música Margareth Realli No show “Homenagem às Divas” uma volta ao romantismo dos anos 60. No repertório, inesquecíveis sucessos de Elizeth Cardoso, Dolores Duran e Maysa. Às 20h. Lanchonete. Ingressos limitados. Grátis    09/05 - SESI/Teatro “Contos proibidos de Antropofocus” Espetáculo de intensa criatividade e lirismo que utiliza o som como ação para provocar o jogo cômico entre os atores e a platéia. O ponto forte do trabalho é a interessante investigação sobre a força cômica que o som possui. O grupo já recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante do Festival Nacional de Teatro de Florianópolis, edição de 2007. 20h evento também será exibido no dia 10/05. Não recomendado paras menores de 12 anos. Endereços: Sesi Piracicaba: Av. Luiz Ralph Benatti, 600 Vila Industrial. Tel. (19) 3421-2884 Sesc Piracicaba: Rua Ipiranga, 155 centro - Piracicaba - SP - Tel. (19) 3437-9292


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CULTURA

Na Prática - Abril/2009

Grafite Divulgação

Muros do bairro Alvorada com novo visual após grafite dos artistas

Arte que transforma as

ruas

Patrícia Elias patriciaelias.ies@hotmail.com

De maneira tímida, ruas e bairros de Piracicaba recebem novas cores em sua paisagem. Um grupo de grafiteiros chamado Arts Crew, formado por nove amigos, tem como objetivo abrir as portas para o grafite e banir a pichação da cidade. Muitos ambientes de Piracicaba estão sujos por rabiscos e pichações e o grafite muda esse visual com cores e desenhos. No bairro da Alvorada, a transformação foi visível aos moradores quando, por iniciativa própria, os jovens cobriram o muro que ficava em um local escuro do bairro com desenhos e palavras de ordem. Os rabiscos foram trocados pelas letras “bombers”, um estilo de grafite. O grafite acaba incentivando muitos jovens a deixarem a pichação que é feita durante a noite e em lugares proibidos. É o caso de Fernando Marengo, 18 anos, mais conhecido como Joey, que abandonou a pichação e criou seu estilo de pintar. Para ele, o grafite é arte, pois também existe uma preocupação com a estética e

uma idéia de mudar o local em que está pintando. “Se é arte ou vandalismo, vai depender da visão de quem vê!”, afirma. As cores têm o poder de mudar um lugar e o que falta é estímulo dos poderes públicos e patrocínio, pois as ações do Arts Crew são mantidas pelos próprios grafiteiros, que fazem esse trabalho por amor.

Grupo de jovens se reúne para mudar o visual de bairro de Piracicaba

Leonardo Ribeiro, chamado de Fênix, 24 anos, trabalha como auxiliar técnico e tem como paixão o grafite, que lhe abriu os olhos para um novo mundo. Desde criança sempre gostou de desenhar no papel e há três anos leva sua arte para as ruas de Piracicaba. A prática o incentiva a fazer uma faculdade de artes no futuro.

Grafite também é escola Dos três elementos do Hip Hop, formado também pelo Break e pelo Rap, o grafite é a arte das ruas. A sala de aula é a rua, o lápis é o spray e o local do desenho pode ser um muro, uma quadra ou viaduto. Assim é o aprendizado para quem quer ser grafiteiro. Cristiano Sturt, 36 anos, apelidado de Pafa, é formado em artes plásticas e desde os 20 anos faz grafite. Faz parte da primeira escola do grafite, em Piracicaba, que representa os primeiros grafiteiros da cidade. Na opinião dele, precisa investir nas oficinas, pois

elas dão um fundamento no desenho e permitem ao artista aperfeiçoar as técnicas. Osvaldo Ferreira, 29 anos, chamado de Formiga, faz parte de outra geração, que além do grafite trabalha com oficinas para crianças carentes em projetos sociais, como a Casa do Hip Hop e na Fundação Casa (antiga Febem). Mesmo sendo de épocas diferentes. a luta de cada grupo é sempre de se respeitar nas diferentes áreas e com o objetivo de passar uma nova mensagem para a sociedade.

Para realizar esse tipo de arte o grupo não recebe nada. Cada trabalho expressa a luta para que essa arte não morra e também para permitir que outros jovens desenvolvam seu talento, principalmente entre as comunidades mais pobres. “Comprar uma lata de spray é inacessível para o povo pobre e nesse meio pode ter alguém com talento e ficar esquecido, sendo que poderia ser um ótimo artista”, declara Fênix. No bairro do Morumbi a quadra de esportes e a área de lazer receberam as cores do Arts Crew, que também ajuda na limpeza da cidade, pois alguns lugares estão muito sujos e a pintura transforma os ambientes, deixando-os limpos e preservados por mais tempo. Para Osvaldo Ferreira, 29 anos, conhecido como Formiga, o grafite tem evoluído e a arte está sendo mais conhecida e respeitada pelas pessoas. Além de forma de protesto, traz uma mensagem para quem passa no local. “O grafiteiro sempre vai expressar o que está dentro dele, por isso é importante criar na sociedade uma conscientização de leitura para esse tipo de arte”, afirma.

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