SMCC ALERTA Departamentos Científicos de Infectologia • Coloproctologia • Família e Comunidade • Urologia Frente ao surgimento de casos de Monkeypox (“varíola dos macacos”) em nossa região, a SMCC, por meio dos seus Departamentos Científicos, faz um alerta aos profissionais, principalmente, das especialidades com maior probabilidade de receberem pacientes com sintomas iniciais, para que estejam atentos e tomem as devidas precauções e notifiquem casos suspeitos.
INFORMATIVO MONKEYPOX A doença Monkeypox (MPX) é classificada como uma doença zoonótica viral (cujos reservatórios naturais são animais silvestres) em países da África Central e Ocidental. Em 2022 foi confirmada pela primeira vez a transmissão em diversos países não africanos: entre 1 de janeiro a 15 de julho de 2022, 12.6695 foram confirmados casos de Monkeypox no mundo. DADOS DEMOGRÁFICOS Dados mundiais em relação ao sexo estão disponíveis para 73% (4406/6027) dos casos. Destes, 99,5% (4385/4406) são do sexo masculino, e a mediana a idade dos casos notificados Figura 1A
é de 37 anos (intervalo interquartil: 31-43). Homens entre 18 e 44 anos continuam sendo desproporcionalmente mais afetados por este surto, pois representam 79% dos casos. Figura 1A: Distribuição mundial por idade e sexo dos casos confirmados de Monkeypox de 1 de janeiro de 2022 a 4 de julho às 17:00 CEST (esquerda); Figura 1B: Curva epidêmica de casos mundiais confirmados de Monkeypox por faixa etária, de 1º de janeiro de 2022 a 4 de julho 17:00 CEST (direita) Figura 1B
NA EUROPA, A MAIOR PARTE DOS CASOS A TRANSMISSÃO OCORREU ENTRE HSH1 E BISSEXUAIS:
Sexual Orientation
Count (%)
MSM2
1923 (28,4%)
Bisexual
16 (0,2%)
Heterosexual
15 (0,2%)
Unknown or undetermined
637 (13,8%)
Missing
3891 (57,4%)
Total
6782 (100%)
1 - Homem sexo com homem 2 - Men sex to men
No estado de São Paulo em dia 14 de julho último estavam confirmados 240 casos de Monkeypox, sendo 208 em São Paulo, seis em São Bernardo do Campo, dois em Indaiatuba, três em Osasco, dois em Cajamar, um em Campinas, cinco em Itapevi, um em Itaquaquecetuba, dois em Santo André, um em São José dos Campos, dois em Sertãozinho, um em Vinhedo, um em Itararé, dois em Ribeirão Preto, dois em Diadema e outro em Santa Barbara D’Oeste. Todos os pacientes estavam com boa evolução do quadro e acompanhados pelas vigilâncias epidemiológicas dos seus respectivos municípios, com o apoio do Estado. DADOS CLÍNICOS Os sinais e sintomas duram de duas a quatro semanas. O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. Os casos de MPX descritos no surto atual apresentam algumas características atípicas: a lesão se inicia nas áreas genital e/ou perianal e nem sempre se dissemina para outras partes do corpo. Além disso, os sintomas prodrômicos podem ser leves ou ausentes. Essas características dos casos mais recentes de MPX podem ser facilmente confundidas com infecções sexualmente transmissíveis (IST) ou com varicela. Importante destacar que a confirmação de uma IST não descarta Monkeypox, pois as infecções podem ocorrer simultaneamente: a presença de uma IST não exclui MPX. Pacientes com lesão característica ou que preencham um ou mais dos critérios epidemiológicos definidos no conceito de caso suspeito devem ser testados para MPX. A transmissão entre humanos ocorre principalmente por meio de contato próximo através de secreções respiratórias, lesões de pele de pessoas infectadas ou objetos contaminados. A
transmissão via gotículas respiratórias usualmente requer contato próximo e prolongado com o paciente infectado. No surto atual a transmissão tem ocorrido principalmente por contato sexual entre HSH. Assim, devemos considerar como caso suspeito todo indivíduo de qualquer idade que, a partir de 15 de março de 2022, apresente início súbito de lesão de pele ou mucosa aguda sugestiva de Monkeypox, única ou múltipla, em qualquer parte do corpo (incluindo região genital, anal, perianal), associada ou não a adenomegalia ou relato de febre E um dos seguintes vínculos: a) ter vínculo epidemiológico com casos suspeitos, prováveis ou confirmados de Monkeypox, desde 15 de março de 2022, nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas OU b) histórico de contato íntimo com desconhecido/a(s) e/ou parceiro/a(s) casual(is), nos últimos 21 dias que antecederam o início dos sinais e sintomas OU c) histórico de viagem a país endêmico ou com casos confirmados de Monkeypox nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas OU d) ter vínculo epidemiológico com pessoas com histórico de viagem a país endêmico ou país com casos confirmados de Monkeypox, desde 15 de março de 2022, nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas. Desta forma, pacientes com lesão genital e/ou anal (única ou múltipla), por vezes muito dolorosa, devem ser considerados com suspeita de Monkeypox. A conduta frente a estes casos está na Nota Informativa do Ministério da Saúde publicada em 14 de julho de 2022 e disponível no site https://egestorab.saude.gov.br/image/?file=20220707_N_ SEIMS-0027761288-NotaInformativa-Monkeypoxcompressed_2689728990280792060.pdf
EXEMPLOS DE LESÕES DE MONKEYPOX: Fotos: UK Health Security Agency
Fotos cedidas pelo Dr. Filipe Veiga
REFERÊNCIAS:
1-https://cdn.who.int/media/docs/default-source/2021-dha-docs/20220706_monkeypox_external_sitrep_final.pdf?sfvrsn=1b580b3d_4&download=true, acessado em 16 de julho de 2022 2- https://ourworldindata.org/monkeypox, acessado em 18 de julho de 2022 3- https://monkeypoxreport.ecdc.europa.eu/, acessado em 18 de julho de 2022 4- https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/clinicians/clinical-recognition.html, acessado em 16 de julho de 2022 5- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022./julho/monkeypox-nota-tecnica-orienta-equipes-de-saude-da-atencao-primaria, acessado em 16 de julho de 2022