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SMCC 90 anos na história da saúde em Campinas: Memórias e Legados

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José Pedro Soares Martins Coautor: Paulo Cesar Nascimento

SMCC

90 anos

na história da saúde em Campinas: memórias e legados

Campinas (SP) 2015


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Martins, José Pedro Soares SMCC : 90 anos na história da saúde em Campinas : memórias e legados / José Pedro Soares Martins, Paulo Cesar Nascimento. -- Campinas, SP : PCN Comunicação, 2015. ISBN 978-85-66141-05-4 1. Medicina - História 2. Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas - História I. Nascimento, Paulo Cesar. II. Título. 15-09904 CDD-610.9 Índices para catálogo sistemático: 1. Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas : História

610.9

Copyright © 2015 by Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas Copyright © 2015 by PCN Comunicação Pesquisa, entrevistas, texto e edição: José Pedro Soares Martins e Paulo Cesar Nascimento Fotografia: Adriano Rosa Design gráfico, diagramação e capa: Alcibiades Godoy Revisão: Martha Jalkauskas Idealização e coordenação do projeto: Dra. Fátima Maria Aparecida Ferreira Bastos Produção: PCN Comunicação Rua João Batista Mendes Pupo Nogueira, 482 13033-240 – Campinas – SP Tel.: (19) 3291-2420 pcncom@hotmail.com Agradecimentos A produção deste livro não teria sido possível sem o depoimento de pessoas que vivenciaram diferentes momentos da trajetória da SMCC e/ou conviveram com protagonistas da história aqui resgatada e contada. Nossos agradecimentos, portanto, aos que generosamente contribuíram com suas valiosas memórias para a concretização deste trabalho, bem como aos que gentilmente cederam fotos e outros documentos de seus acervos pessoais para consulta e reprodução nesta obra. Agradecemos também: aos funcionários da SMCC que auxiliaram na produção do livro, à Fundação Roberto Rocha Brito e ao Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas pela cessão de imagens de seus acervos. As fotos creditadas ao MIS nesta obra pertencem às seguintes coleções: Biblioteca Municipal de Campinas (BMC), Gilberto de Biasi (GB) e Maria Luiza Silveira P. de Moura (ML). Criação da logomarca da SMCC e do selo alusivo aos 90 anos utilizados nesta obra: Mendes Guimarães Propaganda É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos detentores dos direitos. Direitos desta obra reservados à: Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas Rua Delfino Cintra, 63 - Centro, Campinas - SP, 13013-055 Telefone: (19) 3231-2811 smcc@smcc.com.br | www.smcc.com.br

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Agradecemos aos patrocinadores, cujo apoio foi fundamental para a publicação desta obra.

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Fotos: Acervos Dra. Beatriz Mangabeira A. de Queiroz, MIS-Campinas e SMCC.


sUMÁrIo Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Apresentação 90 anos da SMCC: a memória preservada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Introdução SMCC: pelo avanço da ciência e da saúde pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo I Antecedentes da criação da SMCC, rumo à organização da classe médica. . . . . . . . . . . .

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Capítulo II Criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, em 1925 . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo III Fase de constituição da SMCC, em um cenário turbulento: 1925 a 1954 . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo IV Mobilização e construção da sede própria da SMCC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo V A criação da Unimed e o papel da SMCC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo VI A sede de campo e um novo tempo na SMCC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo VII Avanços na ciência: Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas no século 21 . . . . . .

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Anexos Departamentos e comitês científicos da SMCC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

124 Diretorias da SMCC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

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Acervo SMCC.


preFÁCIo Quando a nossa Sociedade completava setenta anos de existência, surgiu a ideia de se publicar o seu histórico, no período.

riqueza de detalhes, a evolução da nossa Sociedade.

Pedro Antunes Negrão, então Presidente, nos procurou solicitando a nossa participação para colher e compilar dados que pudessem historiar a vida da Sociedade até então. Sobremaneira honrados com o convite, propusemo-nos a enfrentar o desafio. O desfecho veio a lume por ocasião do septuagésimo aniversário, marcado pela realização do Congresso Médico de Campinas. Na sessão de abertura, realizada nos salões da Hípica, dezenas de exemplares, recém-saídos do prelo, foram distribuídos aos interessados presentes. Vinte anos se passaram desde então e agora tudo se repete. Para marcar os noventa anos de existência, nova obra comemorativa se imprime, em sequência. E mais uma vez somos solicitados a contribuir para a sua elaboração, o que nos enaltece. De início, aprovamos a ideia – mais tarde convertida em decisão – que teve a nossa Diretoria de compilar em livro uma documentação da história de vida da nossa entidade, que completa noventa anos de profícua existência. Convidados, passamos a participar das reuniões preliminares visando a objetivar tal mister, juntamente com diretores entusiasmados. Com o evoluir dos trabalhos, fomos escolhidos, por especial deferência, para prefaciar a obra que relata, com alguma

Com o passar dos anos ela só fez crescer o seu patrimônio físico, associativo e conceitual, este em Campinas e além-fronteiras. Hierarquizada no sistema federativo, é filiada da Associação Paulista de Medicina (APM) que, por sua vez, é federada da Associação Médica Brasileira (AMB). Tendo em mãos este compêndio descritivo, o leitor conhecerá fatos e feitos, curiosos e interessantes, que marcaram a dignificante trajetória da agremiação que congrega a classe médica de Campinas. Destaca-se, neste exemplar, o apreço que todos nós médicos dedicamos aos nossos antecessores, cujo desempenho tanto contribuiu para que Campinas alavancasse o elevado patamar e reconhecido conceito de Medicina em nossa cidade. O crescimento da população e o avanço das ciências deram origem às especialidades médicas, que pouco a pouco substituíram a condição de clínico geral. E é esse o escopo deste livro. Dar a conhecer e homenagear os primeiros a decidir pela setorização, dando origem às especialidades, um tributo aos pioneiros. Ao término, queremos lembrar a máxima que diz: “Não basta a uma entidade ter história. É preciso orgulhar-se dela, cultivar seus vultos e enaltecer seus feitos” Dr. Rui Ferreira Pires

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A presentação

Desde o início de nosso primeiro mandato, tínhamos o firme propósito de modernizar e profissionalizar a gestão da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Entendemos que este objetivo, que vem sendo alcançado com uma série de medidas, representa o maior desafio para a instituição se consolidar e continuar crescendo, respondendo as demandas do complexo mundo contemporâneo. Entretanto, consideramos que, para chegar ao status que aspiramos, de uma entidade cada vez mais eficiente, dinâmica e realizadora, era fundamental o resgate de nossa memória. Para a nossa diretoria, apenas podemos avançar, encarar o futuro, se conhecermos e tivermos documentada a nossa história. Os pés firmes no chão, valorizadas as nossas raízes, permitirão maiores saltos e conquistas. Foi com esta determinação que assumimos o projeto de produção de um livro para

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Foto: Martinho Caires

90 anos da Smcc: a memória preservada contar e detalhar o percurso de nove décadas da Sociedade – uma das primeiras instituições do gênero no Brasil, que tem prestado enormes serviços e deixado um rico legado para o avanço da medicina, da cirurgia e da saúde como um todo em Campinas.

É com enorme orgulho e consciência do dever cumprido, portanto, que apresentamos a nossos associados e comunidade em geral este livro, que não só relata a trajetória da SMCC, mas a insere no contexto da história da saúde em Campinas. Estão aqui os principais momentos, os problemas enfrentados, as contribuições centrais da organização para a evolução profissional, científica e tecnológica dos médicos, com benefícios para todos os segmentos sociais. Boa leitura! Dr. Clovis Acurcio Machado Presidente da SMCC


IntroDUção

Smcc: pelo avanço da ciência e da saúde pública Entre 2012 e 2014, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) promoveu 300 eventos científicos em média por ano. Mais de um evento por dia útil, com a participação de mais de 10 mil profissionais e estudantes. Com estes números, a instituição se consagra como uma das mais ativas em sua área, em termos de formação continuada da classe médica no Brasil, no momento em que os avanços científicos e tecnológicos demandam uma atualização permanente de conhecimentos. Ao completar 90 anos de atividades, a entidade continua fiel, portanto, a um dos objetivos que motivaram a sua criação, jus-

tamente a promoção de eventos científicos e de debates sobre temas fundamentais para a classe médica. Outro objetivo era “promover a união da classe médica e defender os seus interesses, especialmente os de seus associados”. De fato, a Sociedade sempre agiu, ao longo dessas nove décadas, como aglutinadora da classe médica em Campinas. Assim, ao reunir e defender os médicos, e estando sempre atenta às demandas da Medicina, em termos de atualização de conhecimentos científicos, a instituição deu importante contribuição para que a cidade de Campinas tenha consolidado a condição de um dos

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principais polos de atendimento médico e de saúde do Brasil. Todos os hospitais criados em Campinas após a constituição da SMCC tiveram a participação de médicos que dirigiram ou eram filiados à entidade. Reunidos na Sociedade e representados por ela, os médicos estiveram presentes em todos os momentos críticos para a Medicina e a Saúde em Campinas nesse percurso de 90 anos. A atuação dos médicos pioneiros da instituição foi decisiva, por exemplo, naquele momento em que Campinas, na década de 1920, ainda se recuperava de dois grandes traumas sanitários, a febre amarela do final do século 19 e a gripe espanhola dos anos 1918-19. A vocação se manteve e a Sociedade atuou em vários momentos críticos para a Medicina e a Saúde em Campinas. Na década de 1970, teve participação relevante nas ações de combate à meningite. Mais recentemente, tem promovido diversas outras iniciativas em defesa da saúde e qualidade de vida, como as campanhas de prevenção e combate a DST/AIDS, prevenção a hipertensão e várias outras doenças.

para a criação da própria Unicamp, no início da década de 1960. Como se sabe, foi a partir da Unicamp que a cidade consolidou um dos mais expressivos polos científicos e tecnológicos do Brasil. A instituição foi igualmente decisiva para a criação da Unimed Campinas, que se tornou uma das mais importantes cooperativas médicas no Brasil, com mais de 800 mil vidas cadastradas em 2014. A Unimed nasceu da reação da classe médica local contra a medicina de grupo. Outra grande contribuição da Sociedade foi para a diversificação e estruturação das especialidades médicas em Campinas. Muitos de seus dirigentes ou membros foram pioneiros em suas especialidades (ver quadro na página 37). Os mais de 40 departamentos científicos da instituição correspondem ao leque dessas especialidades, em constante aprimoramento. Boa parte do êxito da atuação da SMCC deve-se à liderança exercida pelos seus dirigentes e, em especial, pelos presidentes da diretoria executiva. Nesses 90 anos a Sociedade já teve 56 diretorias e 43 presidentes.

A ação social e comunitária tem sido uma das marcas da entidade. Foi assim quando protestou, na década de 1940, contra o aumento de subsídios para os vereadores. Continua assim, com atividades em benefício de organizações como o Centro Corsini.

A galeria de presidentes confirma como a entidade é o espelho do dinamismo e vigor da classe médica da cidade. Alguns dos mais conhecidos e prestigiados médicos locais, de renome nacional e internacional, têm integrado o seu elenco de presidentes.

Uma das campanhas comunitárias com a participação determinante da SMCC foi pela criação da Faculdade de Medicina de Campinas, que acabou sendo o embrião

O primeiro presidente, Francisco Betim Paes Leme, antes de vir para Campinas teve participação destacada na Comissão Sanitária da Ferrovia Madeira Mamoré, o que o

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levou a ser condecorado pelo Imperador Pedro II. Outro presidente, Lycurgo de Castro Santos Filho, é reconhecido como um dos principais historiadores da Medicina do país. A Sociedade já teve presidente herói de guerra – José Alfio Piason, que lutou na Segunda Guerra Mundial. Vários presidentes foram autores de destaque, como Paulo Mangabeira Albernaz, que assinou Otorrinolaringologia Prática, um livro pioneiro em língua portuguesa. Outros presidentes dirigiram instituições de peso, como Antônio Augusto de Almeida, primeiro diretor da Faculdade de Medicina de Campinas. Também existem os presidentes que criaram e dirigiram hospitais, como Octávio Bierrenbach de Castro, fundador da Casa de Saúde que levava o seu nome, na área da psiquiatria. As diretorias e os presidentes são o espelho fiel, portanto, do protagonismo da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, seja na atualização e desenvolvimento científico, seja na defesa da classe médica e população em geral, em muitos momentos importantes para a história local nos últimos 90 anos. O avanço de Campinas em muitos indicadores de desenvolvimento humano e qualidade de vida ratifica a contribuição dos médicos reunidos na Sociedade nessas nove décadas, quando a população local foi multiplicada por dez, indo de 115.567 para 1,1 milhão de habitantes.

Campinas é ainda maior, de 76,6 anos, uma das mais altas do país. A mortalidade infantil também declinou muito no período no Brasil. Caiu de mais de 170 por mil nascidos vivos em 1920 para 22 por mil em 2010. Em Campinas era ainda maior, de 10,34 por mil em 2010. Sendo uma cidade com alta renda per capita e um significativo polo médico, estruturado com a contribuição dos médicos reunidos na entidade, Campinas tem hoje uma das mais altas proporções de profissionais de Medicina do Brasil. São 6065 médicos registrados no Conselho Regional de Medicina, representando uma média de 5,4 por mil habitantes, uma das mais elevadas do país, cuja média é de 1,7 por mil, muito baixa pelos padrões da Organização Mundial da Saúde. Campinas, assim como todo Brasil, ainda tem muitos desafios a enfrentar na área médica e da saúde. Entretanto, a atuação da SMCC, em 90 anos de existência, confirmou que é possível dar novos saltos de qualidade nesses dois setores. Nos capítulos e páginas seguintes, fatos relevantes da história da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, em nove décadas de atuação.

Nesse período, a expectativa de vida dos brasileiros mais do que dobrou, indo de 34,5 anos em 1920 para 73,08 anos em 2010. Em SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 11


Vista parcial de Campinas, no final do século 19: a cultura cafeeira impulsionava a economia da cidade, mas as condições sanitárias, ainda distantes do ideal, desafiavam os médicos. Foto: Julius Nickelsen. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.


CApÍtULo I

Antecedentes da criação da SMCC, rumo à organização da classe médica A fundação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), no dia 1º de dezembro de 1925, foi o mais importante passo no sentido de organizar e reunir a classe médica na cidade que naquele momento histórico se recuperava dos traumas provocados pela febre amarela, no final do século 19, e pela gripe espanhola, que também deixou um rastro de medo e insegurança por aqui, em 1918-19. De fato, a criação de uma instituição que reunisse a classe médica era um evento mais do que natural naquela oportunidade, considerando que Campinas já acumulava uma trajetória importante em termos de estruturação de um sistema de atendimento à saúde, como um dos reflexos da cidade que cada vez mais se destacava no cenário nacional. SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 13


Instalações do lazareto em Campinas, para vítimas de moléstias contagiosas. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

Ainda existia, porém, uma lacuna, exatamente aquela deixada pela inexistência de uma instituição que, reunindo os médicos, fortalecesse ainda mais a sua atuação, ao proporcionar avanços em estudos e pesquisas, atualizando os conhecimentos dos profissionais do setor que atuavam na cidade.

Reação às epidemias

Mas, se a cidade crescia paulatinamente, com o surgimento dos ícones de um núcleo urbano florescente, como o próprio Teatro São Carlos e os primeiros jornais (Aurora Campineira, de 1858, e O Conservador, de 1860), na realidade ainda inexistiam muitos serviços sanitários que poderiam garantir uma real qualidade de vida. Na falta deles, apareciam as epidemias.

Em grande parte, os serviços de saúde criados e estruturados em Campinas foram implantados como reação a epidemias que, de tempos em tempos, assustavam a cidade. Uma das primeiras que geraram inquietação e também mobilização local foi uma epidemia de varíola, em meados do século 19.

Em 1854, quatro anos após a abertura do Teatro São Carlos, Campinas sentiu o impacto de um forte surto de varíola. O surto causou a morte de vários escravos e, com isso, nasceu a primeira iniciativa de peso no sentido de construção de um hospital, então denominado lazareto, na cidade de Campinas.

Campinas começava a se projetar no contexto nacional pela evolução da cultura cafeeira. Um dos símbolos da força da economia do café, e do potencial da cidade em termos políticos e culturais, foi a inauguração em 1850 do Teatro São Carlos. O Teatro receberia apresentações importantes, como da grande atriz francesa Sara Bernhardt, uma das maiores artistas em seu tempo no planeta.

O projeto partiu de Joaquim Corrêa de Melo, farmacêutico e botânico respeitadíssimo em escala internacional pelos seus conhecimentos sobre o café, e que na época era delegado de polícia.

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De acordo com o projeto, aprovado inicialmente pela Câmara dos Vereadores, que era presidida por Antônio Francisco do Amaral Gurgel, seria construído um lazareto (nome


obviamente derivado da Doença de Lázaro, a hanseníase, mas estendido a outras doenças), de “25 palmos em quadra, entre as estradas de Sete Quedas e de São Paulo, pegado ao valo do Capitão Elisário de Camargo Andrade”. A construção seria de “madeira roliça, porém de qualidade, e coberto de telhas”1. Pelo orçamento considerado alto pelos vereadores, de 216 mil réis, o projeto acabou não saindo do papel. A falta de um hospital se revelaria grave no ano seguinte, 1855, quando a cidade se mobilizou para impedir a instalação de uma epidemia de cólera, e, principalmente depois, em 1858, quando a varíola deixou um maior número de vítimas fatais na população, principalmente entre os pobres. Na metade da década de 1850, uma epidemia de cólera se alastrou pelo país, a partir do Pará, de acordo com estudos recentes. Entre 1855 e 56 a doença deixou mais de 200 mil mortos e a notícia de que a cólera estava se aproximando deixou a cidade em pânico. A advertência estava contida em documento remetido a Campinas pelo governo provincial e que foi lido aos vereadores pelo presidente Amaral Gurgel na sessão de 20 de agosto de 1855. O impacto foi imediato: uma comissão foi logo criada para fiscalizar as posturas que deveriam ser seguidas pelos moradores. Em setembro de 1855 a cidade foi dividida em duas áreas para facilitar o eventual combate à cólera. As zonas sanitárias seriam coordenadas por dois “homens bons”, que articulariam o trabalho dos fiscais. Uma zona, 1 MARIANO, Julio Campinas de Ontem e de Anteontem. Campinas/SP: Maranata, 1970, p.69.

entre a atual Avenida Anchieta e a Rua Barão de Jaguara, seria coordenada por Joaquim Egídio de Sousa Aranha. A outra, entre a Rua de Cima (Barão de Jaguara) e o local onde hoje está o Mercado Municipal, seria de responsabilidade de José Francisco de Andrade. Não existem registros de casos de cólera na ocasião em Campinas, mas, dois anos depois, os vereadores pediram recursos ao governo estadual para se construir um chafariz na cidade, como reflexo da preocupação sanitária despertada pelo pânico em 1855. Se a cólera não apareceu como se temia, em 1858 um novo surto de varíola gerou grande drama. O sinal vermelho foi acionado pelo delegado de polícia. Dois presos, um deles José Teodoro Ferraz, estavam com varíola, então conhecida como “peste das bexigas”, e isso em pleno Paço Municipal, uma vez que na época a cadeia funcionava no mesmo prédio da Câmara dos Vereadores, onde seria instalada depois a estátua de Carlos Gomes. Na ocasião, o Paço funcionava na altura da atual Praça Bento Quirino, onde está o monumento-túmulo de Carlos Gomes. O presidente da Câmara, Henrique Pupo de Moraes, determinou a imediata interdição do Paço e sugeriu como medidas emergenciais a instalação de bandeiras na porta da casa dos doentes, a vacinação dos presos e, de novo, a preparação de um lazareto para acomodar as vítimas, o que seria concretizado, mas de forma improvisada2. Não é conhecido o número exato de vítimas de varíola no surto de 1858-59, mas o 2 MARIANO, 1970, p.72-73.

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çou o polo ferroviário local e representou novos saltos para a configuração urbana.

Santa Casa de Misericórdia. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC

susto foi suficiente para sensibilizar importantes segmentos sociais para a necessidade de maior atenção à saúde. Foi assim que, a 4 de fevereiro de 1862, os vereadores recebiam um ofício do mesmo Joaquim Corrêa de Melo, pedindo recursos para a construção de um lazareto destinado às vítimas pobres da varíola. De acordo com o ofício, a Câmara se encarregaria de construir o lazareto, cabendo à Sociedade Beneficente presidida por Corrêa de Melo financiar os atendimentos e remédios aos doentes carentes. Por sugestão do vereador João Ataliba Nogueira, futuro Barão de Ataliba, o lazareto seria instalado em prédio alugado pela Câmara. Somente em 1862 a Sociedade Beneficente presidida por Corrêa de Melo investiu 400 mil réis na compra de remédios para os doentes pobres3. O lazareto foi inaugurado em 1863.

Primeiros hospitais A década de 1870 foi vibrante para Campinas. A economia cafeeira consolidava a cidade como uma das mais reluzentes no país. O início do funcionamento de duas companhias ferroviárias, a Paulista, em 1872 (ano da viagem da primeira composição ferroviária da companhia), e a Mogiana, em 1875, refor3 MARIANO, 1970, p.71. 16

Entretanto, as condições sanitárias ainda eram distantes do ideal. Um novo surto de varíola voltou a atemorizar a cidade entre 1874 e 1875. Em 1875, somente no mês de maio foram computadas 53 vítimas fatais. A população que podia fugia, permanecendo na cidade, em sua maioria, os pobres que não tinham condições de viajar. Nova modalidade de “medida profilática” com os surtos de 1874-75. Uma equipe de quatro pessoas saía à noite e, iluminada com querosene, recolhia os falecidos. Transportadas em carroças, as vítimas eram enterradas em cova única4. O novo surto despertou também ações de generosidade. Tendo ficado na cidade, o coronel Joaquim Quirino dos Santos financiou um precário, para os recursos da época, mas suficiente hospital para receber as vítimas indigentes da varíola. Posteriormente a Câmara financiou um hospital público, logo fechado pelo sucesso das medidas de combate à doença. Efetivamente, algumas instituições médicas particulares foram instaladas em Campinas logo no início da década de 1870 como reflexo do crescimento urbano proporcionado pela economia cafeeira. Em 1870 foi criada a Casa de Saúde São Vicente de Paulo, em 1871, a Casa de Saúde Senhor Bom Jesus, e, em 1874, a Casa de Saúde Germano. Logo emergiu a ideia de uma Santa Casa de Misericórdia, espelhada nas instituições se4 MARIANO, 1970, p.111.


expressivas contribuições à instituição, denominada inicialmente Hospital de Charidade.

Hospital Beneficência Portuguesa. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

melhantes que se proliferavam pelo território brasileiro, a partir da fundação da primeira Santa Casa, a de Santos, em 1543. Em vários momentos se falou na criação de uma unidade em Campinas. Em 1817 a Câmara Municipal debateu projeto de uma Santa Casa, que seria construída em terras doadas pelo tenente-coronel Antônio Francisco Pereira. Por vários motivos o projeto foi adiado e somente na década de 1870 as condições ficaram prontas. O líder da nova iniciativa foi o padre Joaquim José Vieira, que trabalhava como vigário na cidade desde 1860. Foi uma doação, de Maria Felicíssima de Abreu Soares, viúva do comendador Joaquim José Soares de Carvalho, que possibilitou patrimônio suficiente ao início de construção da Santa Casa. A pedra fundamental foi lançada a 19 de novembro de 1871 e novas doações, de pessoas anônimas e célebres, como o próprio Imperador Pedro II e empresários como Antônio Francisco Guimarães, o “Bahia”, viabilizaram a construção do primeiro prédio da Santa Casa, finalmente inaugurado a 1o de outubro de 18765. Os Irmãos Bierrenbach e a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro também deram 5 PAULA, CARLOS F. DE “Assistência Pública”. In Monografia Histórica do Município de Campinas. Rio de Janeiro: IBGE, 1952, p.477.

Para dirigir o cotidiano da Santa Casa foram nomeadas três Irmãs de São José. A superiora seria irmã Ana Felicité Del Carreto. O primeiro provedor, cargo que ocupou até 1883, quando nomeado bispo do Ceará, foi o padre Vieira. A primeira mesa administrativa, eleita a 6 de fevereiro de 1876, tinha ainda como integrantes Bento Quirino dos Santos (tesoureiro), Luís Silvério Alves Cruz (secretário) e Francisco Alves de Almeida Sales (procurador), além de 12 mesários6. A Irmandade de Misericórdia, constituída para gerir o hospital, teve 302 pessoas matriculadas. Com o tempo, a Santa Casa se firmou como uma das mais importantes instituições de atendimento à saúde na cidade. Muitos nomes ligados à história da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas teriam vinculação com a Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Da mesma forma, participam da história da SMCC nomes relacionados aos dois hospitais criados em Campinas pelas dinâmicas colônias portuguesa e italiana, como uma consequência natural da forte presença de imigrantes na história local. Somente entre 1882 e 1900 Campinas recebeu 10.631 migrantes estrangeiros, devidamente registrados na Hospedaria dos Imigrantes do Estado de São Paulo, sendo 75% italianos, 11,3% portugueses, 7,9% espanhóis, 3,9% alemães e 1,8% de outras nacionalidades7. 6 PAULA, CARLOS F. DE, p.477. 7 BAENINGER, ROSANA “Espaço e Tempo em Campinas: Migrantes e a Expansão do Polo Industrial

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O pioneirismo na criação de um hospital coube à colônia portuguesa. Um grupo de 45 comerciantes lusos e outros profissionais de origem portuguesa fixados na cidade, com o apoio do cônsul de Portugal, Francisco Ferreira Novo, decidiu a 17 de julho de 1873, em assembleia no Teatro São Carlos, criar uma instituição beneficente. Uma comissão, integrada por Manuel Cardoso, Francisco Ferreira de Mesquita e Guilherme Villares, foi encarregada de redigir os estatutos da Sociedade Portuguesa de Beneficência8. A presidência da primeira diretoria coube ao próprio Francisco Ferreira Novo. Os outros cargos foram ocupados por Valentim da Silveira Lopes (vice-presidente), Guilherme Villares (1o secretário), Albino de Oliveira (2o secretário), José Manuel de Faria (procurador), João Gonçalves Ferreira Novo (1o tesoureiro), Antônio Alves Pimenta (beneficente) e um corpo de oito conselheiros. A comunidade deu apoio integral à iniciativa da primeira diretoria, de construir novo hospital em Campinas. A renda de espetáculos no Teatro São Carlos, incluindo as apresentações da companhia de Furtado Coelho, era em grande parte destinada ao empreendimento da colônia portuguesa. Muitos leilões foram promovidos no Clube Semanal de Cultura Artística com o mesmo objetivo. Com os recursos doados, a Sociedade pôde comprar um terreno e, a 6 de janeiro de Paulista”, Centro de Memória da Unicamp, Coleção Campiniana. Campinas, 1996, p.31. 8 MARIANO, JULIO “Grandes estabelecimentos hospitalares de Campinas, ligados a instituições diversas”. In Monografia Histórica do Município de Campinas. Rio de Janeiro: IBGE, 1952, p.497. 18

1877, foi lançada a pedra fundamental do hospital. A instituição foi inaugurada a 29 de junho de 1879, tendo São Francisco como patrono9. Inicialmente destinado à colônia portuguesa, o Hospital da Beneficência sempre foi aberto a toda comunidade. Por ocasião dos surtos de febre amarela, entre 1889 e 1897, a instituição foi um dos principais núcleos de atendimento às vítimas. O primeiro médico do Hospital da Beneficência, Valentim José da Silveira Lopes, foi um dos médicos que mais se destacaram na cidade no período da febre amarela. Principal grupo de migrantes estrangeiros que chegou a Campinas a partir da década de 1870, os italianos também tinham forte organização. Já em 1880 funcionava uma Sociedade de Mútuo Socorro, espécie de previdência privada, dirigida por G. Breviglieri e Angélico Beluomini. A assembleia de fundação do “Circolo Italiani Uniti”, a 16 de junho de 1881, foi no Teatro São Carlos. O médico Ernesto Lancia foi eleito primeiro presidente, e Samuel Malfatti, vice-presidente. A solenidade festiva de inauguração, a 7 de agosto de 1881, também no Teatro São Carlos, teve a participação de membros da elite, como o líder republicano Francisco Glicério, o Dr. Quirino dos Santos e o escritor Júlio Ribeiro. Como primeiro médico da instituição foi nomeado Ataliba Florence e, como farmacêutico, Jacob Bolliger, que tinha empresa na Rua Direita, depois Barão de Jaguara, onde fornecia desconto de 10% aos associados do Circolo. 9 MARIANO, 1952, p.498.


Inaugurado em 1920, hospital da colônia italiana transformou-se na Casa de Saúde em 1942. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

A primeira grande campanha do Circolo Italiani foi em benefício das vítimas de grande inundação ocorrida na Itália, em 1883. Mobilização resultou na arrecadação de 845 mil réis, remetidos ao Ministério de Negócios Estrangeiros em Roma10. A direção do Circolo logo organizou uma escola para os filhos dos sócios, com dois professores bilíngues. Em 1884, por ocasião do terceiro aniversário de fundação da entidade, como relata Jolumá Brito, floresceu a ideia de construção de prédio para a escola e um hospital. O engenheiro Samuel Malfatti e o arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que tinha introduzido muitas modificações urbanísticas na cidade após seu retorno da Bélgica, em 1869, elaboraram gratuitamente o projeto de edifício em estilo clássico, inaugurado a 2 de maio de 1886 e construído com o auxílio de verbas doadas pela Câmara Municipal. 10 BRITO, JOLUMÁ História da Cidade de Campinas. São Paulo: Saraiva, 1956-1969.

Inaugurado com a escola para sócios, o edifício abrigou em 1889 enfermaria de emergência para vítimas da febre amarela. O hospital foi inaugurado em 1920 e, a 20 de setembro de 1942, transformado pelo decreto federal 383 na Casa de Saúde de Campinas. Da mesma forma, nomes importantes da história da SMCC têm relação profissional direta com os hospitais Beneficência Portuguesa e Casa de Saúde de Campinas.

Febre amarela: terror e solidariedade As epidemias de febre amarela no final do século 19 em Campinas e, em particular a de 1889, foram trágicas, mas, ao mesmo tempo, decisivas para fortalecer a consciência da necessidade de instalação de sistemas sanitários e serviços de saúde de fato eficientes e abrangentes na cidade. A projeção política e econômica de Campinas era cada vez maior em função da força

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do café. Muitos líderes do vitorioso movimento republicano, como Francisco Glicério e Campos Salles, pertenciam à elite cafeeira da cidade. Foi justamente em 1889, ano da Proclamação da República, que a ausência de condições sanitárias satisfatórias trouxe morte e muito medo para a cidade. Os registros indicam que o primeiro paciente confirmado de febre amarela em Campinas, nos surtos de 1889-1897, foi a suíça Rosa Beck, provavelmente contagiada em Santos e que morreu em fevereiro de 1899, em casa na Rua Bom Jesus, centro da cidade. A população, de 12 mil moradores na área urbana e 20 mil na zona rural, ficou reduzida a menos da metade. As medidas profiláticas tomadas não adiantaram porque ainda não se sabia que a doença tinha como vetor o mosquito Aedes aegypti, o que só veio a ser descoberto no final do século 19 pelo cubano Carlos Juan Finlay y de Barrés. Quem morava na área urbana e tinha recursos em sua maioria fugiu para outras cidades ou para suas chácaras e sítios. Logo no primeiro ano, segundo estimativas do médico Ângelo Simões, a epidemia matou 1.200 pessoas, ou 10% da população que morava na zona urbana na ocasião – algo equivalente a 100 mil pessoas na Campinas metropolitana, de 1 milhão de habitantes, do final do século 20. Foi instalado na cidade um “estado de sítio sanitário” durante o primeiro surto11. Mesmo médicos residentes em Campinas preferiram fugir. Ficaram alguns, como o próprio Ângelo 11 MELLO, FERNANDO FIGUEIRA DE “Terras de Mato”. In Campinas: Subsídios para a discussão do Plano Diretor. Campinas, 1991, p.23. 20

Simões, o mesmo Valentim José da Silveira Lopes, que tinha acusado casos de febre amarela em 1876, Antônio Alves do Banho e João Guilherme da Costa Aguiar, o ituano que dirigiu a enfermaria do Circolo Italiani durante os meses mais críticos da doença – março e abril de 1889 – e morreu vítima da enfermidade que combatia, a 19 de maio daquele ano12. A solidariedade foi instantânea. As sessões da Câmara Municipal foram transferidas para casas de campo de vereadores. Inevitável que os vereadores se destacassem no combate à epidemia, a começar pelo presidente da Câmara, José Paulino Nogueira, que foi infectado mas preferiu ficar na cidade e em atividade. Por ordem da Câmara, a farmácia do vereador Otto Langaard distribuiu gratuitamente remédios aos carentes, vítimas preferenciais da epidemia, uma vez que não conseguiam em geral fugir para outras cidades. Também por solicitação da Câmara o governo provincial enviou médicos e recursos materiais para Campinas. A mobilização foi grande na própria capital do Império. Os jornais do Rio de Janeiro se empenharam na promoção de vários eventos, com renda destinada às vítimas. Destacaram-se os jornais A Tribuna Liberal, Gazeta de Notícias, Correio Português, Jornal do Comércio, Jornal dos Economistas, Diário do Comércio, A Estação, Diário de Notícias, Revista Ilustrada, 12 SANTOS FILHO, LYCURGO DE CASTRO e NOVAES, JOSÉ NOGUEIRA “A Febre Amarela em Campinas 1889-1900”, Centro de Memória da Unicamp, Coleção Campiniana, Campinas, 1996. O autor deve a maior parte das informações sobre as epidemias de febre amarela em Campinas a esta obra.


Constitucional, Mequetrefe, A Rua, Cidade do Rio, Gazeta da Tarde e Novidades. Os jornais das colônias também colaboraram, como a Gazeta Luzitana, O Esboço, os italianos Corriere d’Italia e Voce del Popolo, Timbira, o Município Neutro e o francês L’Etoile du Sud. A mobilização dos jornais do Rio de Janeiro seria reconhecida, anos depois, com a denominação dada à praça do Centro de Convivência Cultural, de Imprensa Fluminense. Foi grande o empenho de autoridades no combate à epidemia e no atendimento às vítimas, mas nada superou a mobilização popular. Alcançou especial projeção o trabalho da Sociedade Protetora dos Pobres, criada a 7 de abril de 1889, em assembleia realizada na Matriz Nova, atual Catedral de Campinas. No auge de suas atividades, a Sociedade atendia 1.000 pessoas – 20% da população que permaneceu na área urbana – pobres por dia no depósito de alimentos e remédios montado no Rink, a casa de patinação instalada na esquina das ruas Conceição e Barão de Jaguara. As ruas próximas ficavam congestionadas com a multidão. Outras instituições foram criadas. A 18 de março de 1889 nasceu a Cruz Verde, por um grupo de italianos integrado, entre outros, por Alfredo Carneiro, Hugo Barsotti, Fernando Balletero, Francesco Fachini, Hugo Rizzi, Prudêncio de Miranda, Benjamin Taglietti, Luís Galgano e Pedro Semmi, que foram escolhidos dirigentes da entidade. A Cruz Verde foi criada e funcionava no prédio do Circolo Italiani, atendendo os membros pobres da colônia, mas também

estendeu o trabalho a outras vítimas. A enfermidade de emergência no Circolo foi destaque no atendimento aos enfermos, ao lado da Sociedade Portuguesa de Beneficência e da Santa Casa de Misericórdia. Entre 1889 e 1897, quando a epidemia foi considerada debelada, morreram 2.500 pessoas em Campinas, vítimas diretas da doença. A febre amarela deixou cicatriz enorme na cidade que crescia de modo desordenado. Sobraram histórias de dedicação, como da Irmã Maria dos Serafins Favre, a Irmã Serafina, que morreu da doença enquanto cuidava das vítimas negras e pobres em geral. A epidemia foi decisiva para uma tomada de consciência coletiva sobre as condições sanitárias da cidade. Com o apoio do presidente da Província de São Paulo, Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra, o Barão de Jaguara, foi instalada estação de tratamento de esgotos na altura do antigo Córrego do Serafim, então batizado de Canal de Saneamento. Em 1896 foi inaugurado o Desinfectório Central, em prédio da atual Avenida Anchieta e que funcionaria até 1918. A 1º de julho de 1899 começou o sistema de limpeza pública. O século 20 começaria com as sombras da febre amarela. A cidade procuraria se recuperar – e se recuperou, com brilhantismo, com importante participação da classe médica.

CCLA e Instituto Agronômico Por conta da febre amarela, Campinas perdeu parte expressiva do protagonismo que havia conquistado com a força do café. A presença de muitos campineiros entre os

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Desinfectório Central, inaugurado em 1896: medidas profiláticas no município. Foto: Julius Nickelsen. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

líderes do vitorioso movimento republicano era um indicativo de que a cidade se projetava cada vez mais no cenário nacional. Muitos historiadores defendem a tese de que, pelo ritmo que vinha alcançando, com o dinamismo do café associado ao vigoroso polo ferroviário, Campinas estava se credenciando inclusive para ser a nova capital estadual. A febre amarela derrubou qualquer pretensão nesse sentido, mas rapidamente a cidade se levantou, fazendo jus à analogia de que ela seria como fênix, a ave mitológica que se refaz das cinzas. Essa associação está presente por exemplo na entrada do prédio da Academia Campinense de Letras, uma construção em estilo grego na rua localizada na região central da cidade. O café continuava a irrigar a economia campineira. Na virada dos séculos 19 e 20, o Brasil respondia por mais de 50% das vendas mundiais e dois terços dos cafezais brasileiros 22

estavam em municípios paulistas, ainda sob a liderança de Campinas. Somente muito tempo depois é que a geografia do produto mudaria, com a liderança no plantio sendo assumida pelo sul de Minas Gerais, enquanto os cafezais paulistas eram substituídos pelos canaviais. Com os recursos derivados do café e em particular com o polo ferroviário, Campinas se urbanizava cada vez mais, o que levava à diversificação de sua matriz econômica. Um incipiente polo industrial começou a ser estruturado nessa transição de séculos, enquanto as atividades comerciais avançavam significativamente. Em 1900, o ano simbólico da mudança de séculos, o presidente do Brasil era um campineiro – Manuel Ferraz de Campos Salles, uma das lideranças republicanas forjadas na escalada da economia cafeeira. Era um claro sinalizador de que a cidade continuava grande e vislumbrava um futuro muito promissor.


Naquele ano Campinas somava 70 mil habitantes e aspirava a ares cosmopolitas. Os barões do café, ainda fortes, sempre viajavam à Europa e gostavam de cultivar hábitos aristocráticos. O legado do café, enfim, estava muito presente, podendo ser verificado em muitas realizações desde a década de 1870, como a inauguração, em 1875, do telefone, quatro anos depois do famoso aparelho começar a funcionar em Londres. Outro ícone da pujança e de um futuro próspero era a presença em Campinas do Instituto Agronômico, inaugurado como Estação Agronômica Imperial em 1887. Cinco anos depois, já no regime republicano, a administração do Instituto passava para o governo de São Paulo. A presença do Instituto Agronômico e de cientistas brasileiros e estrangeiros foi responsável pela consolidação em Campinas de um círculo de intelectuais que já atuava em torno dos colégios instalados na cidade, como o Culto à Ciência, fundado em 1873 e onde estudou Alberto Santos Dumont. No dia 21 de outubro de 1901, o Pai da Aviação, com seu dirigível Dumont 6, contornou a Torre Eiffel, em Paris. Dez dias depois, era fundada uma instituição que representaria um marco para a cultura local e que teria ligações importantes com a história da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Era o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), inaugurado a 31 de outubro de 1901 por um grupo de intelectuais, como o advogado João César Bueno Bierrenbach e o escritor Henrique Maximia-

no Coelho Netto, membro da Academia Brasileira de Letras. Como o próprio nome aponta, o CCLA foi fundado com um olhar muito atento para o desenvolvimento científico e seu formato de funcionamento já previa a constituição das chamadas Comissões Auxiliares de Diretoria, que eram, em sua maioria, ligadas a temas de ordem científica, como as de Matemática e Astronomia, Botânica, Zoologia, Física, Química e Mineralogia. Uma dessas Comissões era a de Ciências Médicas. Os seus primeiros responsáveis foram os médicos João Ferreirinha, Manoel de Assis Vieira Bueno e Ângelo Simões, membro da Academia de Medicina do Rio de Janeiro e que tinha se destacado no atendimento às vítimas da febre amarela. Essa comissão foi uma semente da futura Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Era um passo importante de união da classe médica local para a discussão de temas importantes sobre os rumos da profissão.

Maternidade de Campinas Um parto complicado em mulher negra realizado em 1910 pelos médicos Thomaz Alves e José Barbosa de Barros foi a semente da criação da Maternidade de Campinas, idealizada para atender as gestantes pobres, da crescente classe operária de Campinas. Revoltados com as precárias condições em que realizaram o parto, na casa da gestante, os médicos incentivaram mobilização pela criação da Maternidade, recebendo o apoio, entre outros, de Francisco Betim Paes Leme,

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Celso da Silveira Resende, Francisco Pompeu de Camargo, Mário Gatti e Armando da Rocha Brito13, nomes estritamente ligados aos momentos inaugurais da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Projetado por Mauro Álvaro de Sousa Camargo, o edifício que abrigaria inicialmente a Maternidade teve pedra fundamental lançada a 5 de fevereiro de 1911, em terreno cedido pela Câmara Municipal, no final da Avenida Andrade Neves, onde mais tarde seria localizada a Estação Rodoviária. A inauguração aconteceria a 27 de fevereiro de 1916, após ampla campanha de arrecadação de fundos. O empresário Paulo de 13 PAULA, CARLOS F. DE, p.483.

Almeida Nogueira foi um dos que auxiliaram na estruturação da Maternidade, que depois teria uma ala paga como forma de contribuir para a manutenção da casa.

Sociedades de Medicina no Brasil Campinas chegava à década de 1920 com um destacado número de médicos atuantes na cidade, que já contava com instituições de assistência à saúde de relevante contribuição à população, como nos momentos críticos da febre amarela e da gripe espanhola. A atuação da Comissão de Ciências Médicas do Centro de Ciências, Letras e Artes, por sua vez, era o indício da preocupação cres-

Maternidade de Campinas, em 1952, ainda instalada na Avenida Andrade Neves. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

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cente da classe médica com a atualização de conhecimentos. Neste cenário, amadurecia a ideia de criação de uma instituição que reunisse a classe médica, como espaço de sociabilização, organização, troca de informações e atualização de saberes científicos. Associações com esse perfil já eram conhecidas há séculos na Europa e, no Brasil, também evoluía o sentido de organização e união da categoria com esses propósitos. Uma precursora foi a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, fundada a 30 de junho de 1820 em reunião na casa do médico Joaquim Cândido Soares de Meirelles, na Rua da Cadeia (atual Rua da Assembleia), 161. Era uma consequência natural da instalação no país das primeiras academias médico-cirúrgicas, depois transformadas em faculdades, as do Rio de Janeiro, de 1813, e da Bahia, de 1815. Criada por um grupo de médicos atuantes na Santa Casa de Misericórdia, a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro durou pouco. Em 1835, passou a ser denominada Academia Imperial de Medicina, o que representou a perda de muitos dos objetivos originais e o que levou inclusive à contestação por parte de médicos, que não gostaram de ver a interferência da monarquia nos assuntos da classe. O ideal de congregação da classe permanecia e, em 1886, foi criada a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (SMCRJ). Era notória a influência do ideário republicano na nova instituição científica, muito atenta às questões da saúde pública.

Dois anos depois, a Sociedade já organizava o 1º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Em 1889, a SMCRJ já reunia 200 associados. A instituição foi referência e motivação para a classe médica de outros estados. No dia 7 de setembro de 1888 era vez da fundação da Sociedade Médico-Cirúrgica de São Paulo, tendo como presidente o médico Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra, o Barão de Jaguara. Criada em ambiente convulsionado pela evolução do movimento republicano, essa Sociedade foi dissolvida em 1891. Contudo, quatro anos depois já era fundada, a 15 de março de 1895, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, em reunião no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde a instituição funcionou inicialmente. Muitos nomes importantes da classe médica paulistana participaram da criação da instituição, com o objetivo de cuidar dos interesses da categoria. Os associados deveriam contribuir com “manancial científico obtido em sua vasta clínica e no acurado estudo de seu gabinete desta arte para o ensinamento de todos”, conforme assinala a ata da primeira reunião do grupo, realizada a 24 de fevereiro, no escritório de Sergio Florentino de Paiva Meira. Ainda em agosto de 1895, membros da Sociedade organizaram um posto médico para atendimento aos pobres. Um ano depois, em nova sede, na rua da Travessa da Sé, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo iniciava a operação de uma policlínica, com várias especialidades.

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A primeira Sociedade de Medicina de Campinas Pois Campinas, em coerência com a sua vocação histórica para a vanguarda, logo começou a trilhar o caminho das capitais, com a fundação de uma Sociedade de Medicina. No dia 18 de maio de 1903, chegou a ser inaugurada a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, com estatutos registrados no dia 30 de maio de 1903, na atual 1ª Circunscrição Imobiliária. Essa pioneira Sociedade teve como primeiro presidente o Dr. Cunha Mota. Como secretário, Ângelo Simões, médico com grande atuação no período da febre amarela, e, como tesoureiro, Vieira Bueno. O jornal Cidade de Campinas assim noticiou o fato: “Ficou anteontem definitivamente constituída esta Sociedade, o que é um título de justo orgulho para Campinas, visto que em nosso país só centros adiantados, como Bahia, São Paulo e Rio, onde há grande população e considerável número de médicos, contam instituições de tal natureza. A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, cujos estatutos já foram aprovados e cuja diretoria já se acha eleita, não se limitará a cuidar dos interesses pessoais dos membros da classe, porquanto ventilará em seu seio questões profissionais a prol da humanidade sofredora”. A informação sobre esta Sociedade pioneira em Campinas, como lembra Rui Ferreira Pires, foi divulgada pela primeira vez por um mestre no assunto, o historiador da Medicina 26

Lycurgo de Castro Santos Filho, em conferência no dia 1º de junho de 1958, na Associação Médica do Instituto Penido Burnier. Entretanto, essa Sociedade pioneira teve vida curta. Nota Rui Ferreira Pires que Manoel Alexandre Marcondes Machado informara ao historiador Lycurgo que em 1904, quando havia chegado a Campinas, não teve conhecimento de qualquer associação médica na cidade. Tudo indica que a pioneira Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas não saiu do papel e do registro em cartório.

Atuação médica na década de 1920 Existiam, portanto, organizações precursoras, que de alguma forma serviam de inspiração e modelo para os médicos de Campinas. Apesar da curta experiência de 1903, era iminente a criação de uma sociedade local como espaço de organização e atuação da classe médica, que, na década de 1920, atuava basicamente em dois campos. De um lado existia a Medicina Preventiva, de responsabilidade do Estado e que atuava essencialmente em relação às doenças infectocontagiosas, que eram muito presentes na época. A profilaxia era executada pelo Centro de Saúde, no território de Campinas, e pela Delegacia de Saúde, no âmbito regional. Também havia o Hospital de Isolamento, para atendimento às vítimas. A Medicina Curativa, por seu turno, era realizada pelas clínicas e hospitais. A figura do médico era muito respeitada e ouvida. Naquele momento funcionavam em Campi-


nas a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Irmãos Penteado, a Beneficência Portuguesa, a Casa de Saúde de Campinas, a Maternidade, o Hospital dos Socorros Mútuos (atual Coração de Jesus), as Clínicas de Oftalmo e Otorrino do Instituto Penido Burnier e o Sanatório Cândido Ferreira para o atendimento de doenças emocionais e mentais. Foram profissionais desses dois campos, da Medicina Preventiva e da Curativa, que decidiram pela criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Era um salto em termos científicos e de congregação de profissionais, e mais um exemplo da sintonia de Campinas com os avanços civilizatórios.

manecia vulnerável. As vítimas pobres eram atendidas pela Santa Casa, Sociedade Beneficência Portuguesa, Circolo Italiani e organizações sociais como a Sociedade Dançante Familiar União da Juventude. A gripe deixou um saldo de 204 mortes e 6.872 casos registrados. Esse número representava cerca de 6% da população na época, a mesma proporção de vítimas fatais durante a febre amarela. Estava claro que os serviços de saúde ainda precisavam melhorar muito. A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas seria criada nessa conjuntura de múltiplos desafios.

Não faltavam problemas a superar, tanto em Campinas como em todo o Brasil. Em 1920, a taxa de mortalidade infantil no país era de mais de 170 por mil nascidos vivos, sendo de mais de 200 por mil no Norte e no Nordeste. A expectativa de vida era de incríveis 34,5 anos. São indicadores mais do que suficientes para mostrar o estado geral da saúde da população. Campinas, especificamente, que tinha 115.567 moradores em 1920, ainda procurava se recuperar dos impactos da febre amarela de três décadas antes, e a situação se agravou com a pandemia de gripe espanhola que, depois de um rastro de destruição no planeta, com mais de 40 milhões de mortos, também deixou suas marcas por aqui. No auge da gripe espanhola, Campinas atravessou processo mais ou menos semelhante ao da febre amarela. Quem tinha recursos deixava a cidade e quem ficava perSMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 27


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Largo da Catedral, na década de 1920: o casarão à direita, na esquina da Rua Conceição com a atual Avenida Francisco Glicério, foi sede do CCLA e local de fundação da SMCC. Edição Casa do Livro Azul. Acervo MIS-Campinas/Coleção ML.


CApÍtULo II

Criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, em 1925 Um grupo de 40 profissionais, correspondendo quase à totalidade dos médicos atuantes na cidade na época, foi o responsável pela fundação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, a 1º de dezembro de 1925. Várias reuniões foram realizadas antes, ao longo do ano, para a materialização da ideia de criação de uma instituição semelhante às que existiam no Rio de Janeiro e em São Paulo. SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 29


A sede do CCLA, por outro ângulo: palco dos encontros preparatórios para a criação da Sociedade. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

Os encontros do grupo aconteciam no Salão Nobre do Centro de Ciências, Letras e Artes, um dos pontos mais estratégicos de Campinas na ocasião, na Rua Conceição, esquina com Avenida Francisco Glicério. A sede do CCLA era um casarão imponente, remanescente da época de ouro do café. Campinas tinha então cerca de 120 mil moradores. A cidade se recuperava dos grandes dramas da febre amarela e da gripe espanhola. No final de 1925 seria inaugurado o Clube Campineiro. Em 1926, aberto o Cine República e lançada a pedra fundamental do Hospital Irmãos Penteado. A cidade continuava a crescer e a se aparelhar para um novo tempo. 30

Reuniões preparatórias e fundação Foram vários encontros preparatórios da classe médica e o principal deles aconteceu no dia 19 de novembro de 1925, quando já estava bem amadurecida a ideia de criação da Sociedade. Foi novamente no Salão Nobre do CCLA. A reunião foi presidida por Miguel de Barros Penteado, que convidou os médicos Betim Paes Leme e João Penido Burnier para comporem a mesa. Foi de Penido Burnier a sugestão, aprovada pela maioria, para que fosse constituída uma comissão para redigir os estatutos da futura instituição.


Por aclamação, foram aprovados os nomes de Marcos Lindemberg, José Augusto Bastos e Vicente Baptista para integrarem a comissão. Foi marcada então uma nova reunião, para o dia 26 de novembro. Antes de encerrar o encontro do dia 19 de novembro, Miguel de Barros Penteado solicitou aos presentes que assinassem a lista de sócios-fundadores da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC). São estes os 30 nomes: Miguel de Barros Penteado Francisco Betim Paes Leme Penido Burnier Francisco Bellizzi Affonso Ferreira Belfort de Mattos Vicente Baptista Falcão de Miranda José Augusto Bastos Antonio Martins Valverde José Pinto de Moura Antonio Fessel Hermas de Carvalho Braga Clovis Peixoto Benedicto da Cunha Campos Olympio Dias Porto Nestor de Oliveira Alcides Garcia J. Pagano Brundo Guilherme Bolliger Carlos Stevenson A. Baldassari Arlindo de Lemos Júnior Luiz Vianna Barbosa Manuel Marcondes Machado Francisco de Arruda Roso Celso da Silveira Rezende Arnaldo de Campos Marcos Lindemberg J. Rollemberg Sampaio

Alguns médicos presentes ao encontro de 19 de novembro destacaram que haviam recebido de colegas a manifestação de apoio à criação da Sociedade. Os médicos que expressaram esse apoio eram Mário Gatti, Armando da Rocha Brito, Azael Lobo, Clemente de Toffoli, Alcindo Soares, Julio de Arruda, Jayme de Campos, Octavio Marcondes Machado e Araújo Mascarenhas. Todos esses médicos podem ser considerados, portanto, membros do grupo fundador da SMCC. A fundação aconteceria, de fato, no dia 1º de dezembro de 1925, no mesmo Salão Nobre do Centro de Ciências, Letras e Artes, quando nova assembleia discutiu os estatutos elaborados pela comissão e elegeu a primeira diretoria, que ficou assim composta:

Primeira diretoria 01.12.25 a 30.11.26 Presidente Francisco Betim Paes Leme Vice-presidente João Penido Burnier 1º Secretário Azael Álvares Lobo 2º Secretário Clóvis Monteiro Peixoto Tesoureiro Francisco de Arruda Roso Bibliotecário Vicente Baptista Além dos membros da diretoria, foram escolhidos os componentes das primeiras comissões científicas da instituição: • Comissão de Medicina – Hermas de Carvalho Braga, Benedicto da Cunha Campos e José Proença Pinto de Moura; • Comissão de Cirurgia – Armando da Rocha Brito, Guilherme Bolliger e Arlindo de Lemos Júnior; SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 31


• Comissão de Redação do Boletim da SMCC – Manuel Marcondes Machado, Valdemar Belfort de Mattos e Tácito Monteiro de Carvalho e Silva.

letivos, nos moldes das organizações similares que já existiam e prestavam importantes serviços para o país.

Pelos estatutos, a SMCC teria sócios fundadores, efetivos, honorários, corresponEstava fundada a Sociedade dentes e beneméritos. Entre de Medicina e Cirurgia de CamDr. Francisco Betim. Acervo SMCC. os deveres dos sócios efetivos, pinas e preenchidos os cargos. estavam os de comparecer às Os estatutos foram registrados reuniões, pagar a joia de 100$000 e as menem cartório no dia 19 de dezembro de 1925. salidades de 10$000, e aceitar os cargos e A instituição havia sido criada, conforme os comissões para os quais fossem eleitos. Enestatutos, com sete grandes objetivos: tre os direitos estavam os de votar e ser vo• Estudar e discutir assuntos relativos à tado, apresentar teses e trabalhos científicos, Medicina e ciências afins e realizar sespropor a admissão e exclusão de sócios, fresões científicas; quentar a biblioteca e receber gratuitamente • Promover a união da classe médica e as publicações da Sociedade. defender seus interesses, especialmente os de seus associados; • Publicar, periodicamente, um boletim que servisse de repositório de todos os seus atos e trabalhos; • Criar uma biblioteca para uso de seus sócios; • Sugerir e solicitar dos poderes competentes medidas concernentes à saúde pública; • Entreter correspondência com as suas congêneres nacionais e estrangeiras; • Dar pareceres, quando solicitados, sobre questões profissionais e de interesse público. Estavam evidentes o propósito de atualização científica e a reunião e organização da classe médica, mas também o de atenção para com a saúde pública e os interesses co32

Seriam realizadas assembleias ordinárias anuais, com assembleias extraordinárias quando necessário. Os mandatos dos membros da diretoria seriam anuais, com início a 1º de dezembro e término a 30 de novembro do ano seguinte. Foram 27 mandatos anuais até a 27ª diretoria, de 1º de dezembro de 1951 a 30 de novembro de 1952. Houve então uma reforma dos estatutos e os mandatos passaram a ser bienais.

Quem era o grupo fundador da SMCC Praticamente todos os profissionais médicos de Campinas da época participaram da fundação da SMCC. Eram os profissionais dos serviços públicos e também das clínicas


e hospitais particulares, muitos deles de renome nacional e internacional.

Club Campineiro. Paes Leme foi o presidente

Os integrantes da primeira diretoria e primeiras comissões eram muito representativos da categoria. Era particularmente forte a participação de médicos ligados à Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Sete médicos vinculados à Santa Casa, entre os quinze primeiros diretores ou membros das três comissões, compunham a equipe: Azael Álvares Lobo, Francisco de Arruda Roso, Hermas de Carvalho Braga, José Proença Pinto de Moura, Armando da Rocha Brito, Guilherme Bolliger e Tácito Monteiro de Carvalho e Silva.

tre 1922 e 1924, no período imediatamente

O primeiro presidente da entidade, Dr. Francisco Betim Paes Leme, acumulava uma destacada projeção no cenário médico local. Ele esteve no grupo fundador da Maternidade de Campinas, tendo sido o segundo-secretário da primeira diretoria, eleita a 12 de outubro de 1913, na assembleia realizada no

da diretoria da Maternidade de Campinas enanterior, portanto, à fundação da Sociedade. Nascido no Rio de Janeiro, a 2 de maio de 1859, Paes Leme era sexto neto por descendência direta do bandeirante Fernão Dias Paes Leme, conhecido na história oficial como o “Caçador de Esmeraldas”. Formado em 1882 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o jovem médico integrou no ano seguinte a Comissão Sanitária da histórica Estrada de Ferro Madeira Mamoré, em construção à época. Por interesses geopolíticos, em 1883 o governo brasileiro assumiu a construção da ferrovia, iniciada, e depois abandonada, pelo governo boliviano, que havia contratado um especialista norte-americano – o coronel Earl Church – para o empreendimento.

Fachada do tradicional hospital campineiro: médicos vinculados à SMCC fazem parte de sua história. Foto de Gilberto de Biasi. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

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O Brasil queria anexar o Acre, que então pertencia à Bolívia, mas onde já atuavam seringueiros brasileiros. Em 1883 foi assinado o Tratado de Petrópolis, pelo qual o Acre seria anexado ao Brasil, enquanto nosso país se comprometia a concluir a Madeira Mamoré, de interesse dos bolivianos. Como havia sido demonstrado nos momentos iniciais, era uma obra muito complicada, pela necessidade de atuação de milhares de homens em uma região com alto risco de doenças tropicais. Foi com a missão de atuar nessa área que o recém-formado Francisco Betim Paes Leme viajou para a então

longínqua Amazônia, na época de fato selvagem e desconhecida. Calcula-se que mais de 1.600 trabalhadores morreram de malária durante a construção da ferrovia, finalmente inaugurada em 1912, mas logo esvaziada de importância pela crise da borracha. Na fase final de construção atuou na mesma Comissão Sanitária o sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), que utilizou muitos dados colhidos anteriormente pelo colega Paes Leme. Por sua atuação na Amazônia profunda, Paes Leme foi condecorado pelo Imperador Pedro II quando retornou ao Rio de Janeiro,

Instituto Penido Burnier, em seus primórdios. Edições Messias. Acervo MIS-Campinas/Coleção BMC.

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com a comenda da Ordem da Rosa. Na capital do Império, foi médico de higiene e subdiretor do Jardim Botânico entre 1886 e 1889. Com a proclamação da República, os ventos políticos mudaram. Paes Leme, já casado com Maria Betina, também mudou para o interior de Minas Gerais, onde viveu anos em sua fazenda. Entre 1893 e 1904 ele foi médico da Estrada de Ferro Sapucahy, atual Rede Sul-Mineira. Radicou-se em 1904 em Campinas, onde passou a trabalhar como médico da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Entre 1910 e 1912, pouco antes, portanto, da fundação da Maternidade de Campinas, um retorno às origens: Paes Leme foi médico chefe da Comissão Sanitária vinculada à construção da Estrada de Ferro Noroeste do Estado do Mato Grosso. De volta a Campinas, outra missão importante, atuando na assistência às vítimas da gripe espanhola, em 1918. Primeiro presidente da SMCC, Francisco Betim Paes Leme faleceria a 19 de fevereiro de 1930, em Campinas. Ele é homenageado com seu nome em uma rua na cidade (Rua Dr. Betim) e com um dos bustos dos fundadores da Maternidade de Campinas, instalado no jardim de frente da entrada principal da instituição. O primeiro vice-presidente da SMCC, Dr. João Penido Burnier, também era um médico renomado. De família mineira, mas nascido em Alagoinhas, na Bahia, formou-se em 1903 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Inquieto, em 1907, por ocasião de sua primeira viagem de estudos a Paris, Penido Burnier começava a esboçar o instituto que

desejava implantar no Brasil. Três anos depois, já radicado em Campinas, como médico da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, sentia que o grande sonho começava a ficar mais próximo da realidade. Ele se materializou com a criação do Instituto Oftálmico de Campinas, fundado em 1920 e que, a partir de 1923, dois anos antes da fundação da SMCC, receberia o nome de Instituto Penido Burnier. Em 1927, dois anos após a criação da SMCC, seria fundada a Associação Médica do Instituto Penido Burnier, visando a proporcionar o fomento às atividades médicas e científicas do hospital. Já era, de algum modo, o reflexo dos ideais da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Em 1932 seria publicada a primeira edição dos Arquivos do Instituto Penido Burnier, que se tornaria uma das mais respeitadas revistas da especialidade. Penido Burnier também foi vereador em Campinas e agraciado com vários prêmios, como a Medalha “Santé Publique de France” do governo francês e a Ordem Nacional do Mérito do Brasil. Também foi membro honorário da Academia Nacional de Medicina. Dr. João Penido Burnier era mais um importante nome, portanto, a tornar a primeira diretoria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas muito representativa do dinamismo da cidade e de sua vocação para a ciência, sobretudo médica, e a tecnologia.

Primeiros trabalhos apresentados No primeiro ano de atuação, a instituição demonstrou o foco intenso que pre-

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tendia dar para a atualização científica. Logo no primeiro mandato, foram apresentados 28 trabalhos científicos, de várias naturezas, como pode ser verificado na relação abaixo:

• José Proença Pinto de Moura: “Novo tratamento da tuberculose e minha contribuição pessoal”.

• Affonso Ferreira: “Abertura do seio esfenoidal por via endosseptal. Processo de Hirech-Segura”.

• Vicente Baptista: “Considerações sobre alguns casos de diarreia transitória dos recém-nascidos com amamentação natural”; “Nota prévia sobre um novo alimento na dietética infantil”; “Sobre um caso de mixedema”; “Um caso de emprego do tubo de Schik”; “Considerações sobre alguns casos de invaginação intestinal”; “Queratomalácia em lactente com piloroespasmo”; “Sobre queratomalácia infantil”; “Eritrodermia descamativa”; “Eritema infeccioso”.

• Clóvis Monteiro Peixoto: “Cura de um caso grave de intoxicação oxicarbonada aguda pela transfusão de sangue”. • Benedicto da Cunha Campos: “Um caso de lipoma submucoso do ceco”. • Fabio Belfort de Mattos: “Sobre anafilaxia”. • Francisco Betim Paes Leme: “Tratamento do impaludismo pelo 606”. • Hermas de Carvalho Braga: “Sobre um caso de lepra”. • J. Augusto Bastos: “A febre tifoide em Campinas e os fatores de sua disseminação”. • João Lech Junior: “Nota prévia sobre tatuagem da córnea pelo cloreto de ouro”. • Marcos Lindemberg: “Vacinoterapia curativa geral”. • Nestor de Barros Oliveira: “Sobre um caso de invaginação intestinal”. • João Penido Burnier: “Valor clínico da estase pupilar – Observação concludente”; “Exoftalmo pulsátil”; “Um caso de queratite flictenular ou fascicular, evoluindo sobre uma antiga xerosis epitelial”. 36

• Rollemberg Sampaio: “Tratamento do tracoma rebelde – Método de Abadie”.

• W. Belfort de Mattos: “Novo processo de plástica da órbita”; “Plástica orbitária”; “Sobre um caso de cisticerco livre no vítreo do olho direito”; “Visão dos condutores de veículos, especialmente dos chofers e dos maquinistas”. Foi uma ampla gama de temas coberta pelos médicos pesquisadores, ratificando seu olhar atento a várias questões que inquietavam a saúde pública na época, como a tuberculose, a hanseníase e febre tifoide. Logo no primeiro ano, a Sociedade prestava relevantes serviços para a ciência e a comunidade como um todo. Um sinal de sua brilhante trajetória.


Análises Clínicas – Dr. Antonio de Souza Mariz – Fonte: Casa de Saúde de Campinas; Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho – Fonte: Dr. Lycurgo de Castro Santos Neto. Anestesiologia – Dr. Miguel Maimoni Pierro – Fonte: Hospital Irmãos Penteado; Dr. Laércio Lobo de Morais – Fonte: Hospital Vera Cruz. Cardiologia – Dr. José Proença Pinto de Moura, fundador, com o Dr. Dante Pazaneze, da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Fonte: Dr. Roberto Pinto de Moura, filho. Cirurgia Buco-Maxilo-Facial – Dr. Cássio Raposo do Amaral – Fonte: Clínica Raposo do Amaral, filho e esposa. Cirurgia Geral – Dr. Mário Gatti – Fonte: Casa de Saúde de Campinas; Dr. Hermas Braga e Dr. Múcio Drummond Murgel – Fonte: Hospital Vera Cruz; Dr. Armando Rocha Brito – Fonte: Hospital Beneficência Portuguesa. Cirurgia Plástica – Dr. Edwald Merlin Keppke e Dr. Ricardo Baroudi – Fonte: Dr. Rui Ferreira Pires. Cirurgia Vascular – Dr. Jorge Machado Ferreira – Fonte: familiares. Dermatologia – Dr. Hélio Rocha Nunes. Eletroencefalografia – Dr. Rubens Ribeiro Machado – Fonte: o próprio médico. Endocrinologia – Dr. José Teixeira de Camargo e Dr. Helion Gouveia Fagundes – Fonte: consultório. Fisiatria – Dr. Laércio Jorge Martinez – Fonte: o próprio médico. Gastroenterologia – Dr. Nagib Said e Dr. William Omati – Fonte: Dr. Nagib Said. Ginecologia e Obstetrícia – Dr. Antonio de Arruda Camargo e Dr. José Alfio Piason – Fonte: Maternidade de Campinas e Hospital Vera Cruz; Dr. Alfredo Chechia – Fonte: Casa de Saúde de Campinas. Hemoterapia – Dr. Olympio Silva Miranda. Homeopatia – Dr. Souza Ribeiro. Medicina Legal – Dr. Rodolpho de Tella. Medicina do Trabalho – Dr. Eudes Pacheco. Neurologia – Neurocirurgia – Dr. Francisco Cotta Pacheco e Dr. Tomaz Rinco – Fonte: consultório. Nefrologia – Dr. Antonio Carlos Leitão de Campos Castro. Oftalmologia – Dr. Carlos Penteado Stevenson – Fonte: Hospital Vera Cruz; Dr. João Penido Burnier – Fonte: Instituto Penido Burnier. Oncologia – Dr. Manoel Dias e Dra. Silvia Brandalise – Fonte: Hospital Dr. Domingos A. Boldrini. Ortopedia – Dr. Pascoalino Nucci – Fonte: Casa de Saúde de Campinas; Dr. Heitor Moraes do Nascimento – Fonte: Instituto Penido Burnier e Hospital Irmãos Penteado. Otorrinolaringologia – Dr. Manoel Affonso Ferreira – Fonte: Instituto Penido Burnier; Dr. Paulo Mangabeira Albernaz – Fontes: Hospital Vera Cruz e Dr. Rubens Ariani Mangabeira Albernaz. Patologia – Dr. Monteiro Sales. Pediatria – Dr. Tácito Monteiro de Carvalho e Silva e Dr. Clemente Holtman – Fontes: Santa Casa de Misericórdia e Hospital Irmãos Penteado. Pneumologia – Dr. Januário Pardo Meo e Dr. Manoel Rios Muraro – Fonte: Dr. Cirilo Pardo Meo Muraro. Proctologia – Dr. José De Angelis – Fonte: Hospital Vera Cruz. Psiquiatria – Dr. Octávio Bierrenbach de Castro e Dr. Rui Melo. Radiologia – Dr. Antonio Carlos de Souza – Fonte: Hospital Beneficência Portuguesa; Dr. Manoel Dias da Silva. Radioterapia – Dr. Manoel Dias da Silva – Fonte: Dr. Honorio Chiminazzo Jr. Reumatologia – Dr. Adil Muhib Samara. Saúde Pública – Dr. Francisco de Arruda Roso – Fonte: Dr. Rui Ferreira Pires; Dr. Mário Pernambuco. Urologia – Dr. Djalma Moscoso – Fonte: Hospital Beneficência Portuguesa; Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho – Fonte: Dr. Lycurgo de Castro Santos Neto. SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 37

Lista elaborada por Dr. Rui Ferreira Pires.

Pioneiros das especialidades médicas em Campinas


Edifício Santana, em 1938, o primeiro “arranha-céu” de Campinas. No quarto andar, a SMCC instalou sua terceira sede. Photo Parodi. Acervo MIS-Campinas.

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CApÍtULo III

Fase de constituição da SMCC, em um cenário turbulento: 1925 a 1954 As décadas de 1920 a 1950 corresponderam a um período turbulento na história brasileira e foram os anos de afirmação de Campinas no cenário brasileiro, pela instalação do parque industrial – tributário da economia do café – e diversificação das atividades urbanas. Foi nestas décadas que a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) se estruturou, ganhando cada vez mais respeitabilidade entre a classe médica e o conjunto da cidade. SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 39


Entre 1925 e 1954 foram 28 diretorias, sendo 27 com mandato anual e a 28ª delas, entre 1952 e 1954, como sendo a primeira com mandato bienal, mantido até a atualidade. Além dessa mudança estatutária, o mandato de 1952 marcou o final da primeira fase da instituição porque em 1953 a Sociedade ganhou do município um terreno para a construção de sua sede. Neste período a SMCC havia funcionado em quatro sedes provisórias, todas na região central da cidade. Começaria então, a partir de 1954, a luta pela construção da sede própria.

Na primeira sede O primeiro ano da Sociedade ainda foi de divulgação de seu nome junto aos próprios médicos e à comunidade em geral. A segunda diretoria, para o período 1926 a 1927, foi eleita com Hermas de Carvalho Braga na presidência e Arlindo de Lemos Júnior na vice-presidência. O Dr. Hermas de Carvalho Braga era vinculado ao corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Junto com Guilherme Bolliger, era responsável pelo setor de cirurgia de homens da instituição. Muito atuante na comunidade, Carvalho Braga também seria um dos sócios fundadores, a 4 de outubro de 1931, do Rotary Club de Campinas, em assembleia no Club Campineiro. Também foi vereador e, entre 1943 e 1951, diretor clínico do Hospital Vera Cruz. O segundo ano de atividades também foi marcado por intensas atividades científicas. Foram apresentados 12 trabalhos, 40

cobrindo diversas áreas do conhecimento médico: • Guilherme Bolliger: “Cisto dermoide sublingual”. • Hermas de Carvalho Braga: “A respeito dos monstros unitários”. • Arlindo de Lemos Júnior: “Um caso de cesareana”. • Paulo Mangabeira Albernaz: “Sobre um caso de síndrome de Schmidt”; “Estudo do síndrome de Menière”; “Síndrome de Gradenigo”. • Marcos Lindemberg: “Em torno do estudo hematológico de um caso de leucemia mieloide crônica”; “Relações entre o laboratório e a clínica”; “Nota prévia acerca de modificação pessoal na técnica da reação do benjoim coloidal”. • Armando da Rocha Brito: “Sobre a cesareana”; “Colecistectomias”. • Vicente Baptista: “Irisdiagnose”. As primeiras diretorias já trabalharam na primeira sede da instituição, localizada em uma casa alugada na Avenida Francisco Glicério 986, ao lado do Largo da Catedral. No local funcionava a Delegacia Regional de Saúde, dirigida por Francisco de Arruda Roso, tesoureiro da primeira e de várias diretorias subsequentes. A atuação de Arruda Roso é um marco nos anos iniciais da entidade pela sua dedicação e pelo empenho em estruturar do modo mais adequado possível as finanças de uma organização que apenas começava seus trabalhos. Francisco de Arruda Roso é mais um médico muito vinculado à Santa Casa de Misericórdia de Campinas com histó-


ria importante escrita na Sociedade. Foi diretor clínico da Santa Casa. Em 1933 integraria, com Guilherme Bolliger e Paulo Mangabeira Albernaz, ambos com história na SMCC, uma comissão constituída para propor melhorias nos serviços médicos prestados pela Santa Casa. Faleceu em 1936. Por toda a sua dedicação, Francisco de Arruda Roso foi agraciado, em sessão no dia 25 de novembro de 1935, com o título de Sócio Benemérito da Sociedade. O Hospital de Isolamento, que funcionou durante anos na Avenida da Saudade, também recebeu o nome do médico, em homenagem feita pelo governo estadual.

Vocação científica Os trabalhos científicos foram, com efeito, o destaque nos primeiros anos da nova entidade. A terceira diretoria, para o período 01.12.1927 a 30.11.1928, foi presidida por Azael Álvares Lobo, tendo Carlos Penteado Stevenson como vice-presidente. O Dr. Azael Álvares Lobo também tinha forte ligação com a Santa Casa, da qual integrava o seu corpo clínico. Era também muito ligado à Maternidade de Campinas, da qual seria presidente entre 1938 e 1946. Sempre com forte atuação filantrópica, foi sócio fundador do Rotary Club de Campinas e diretor tanto do Correio Popular como do Diário do Povo. Foi presidente da Sociedade dos Amigos da Cidade e cofundador do Tênis Clube de Campinas. No mesmo ano em que dirigiu a SMCC, Azael Lobo apresentou três trabalhos científicos na instituição: “Hemorragia intensa por

torsão de um fibroma pediculado do fundo do útero com fibroma uterino”; “Dois casos de mal-de-engasgo”; e “Acidose”. Estes foram os demais trabalhos científicos apresentados no período 1927-1928, quando Azael Lobo dirigia a instituição: • Antonio Azevedo: “Propidon nas supurações crônicas”. • Carlos Penteado Stevenson: “Impregnação da córnea pelo acetato de chumbo”; “Quisto dermoide da córnea”. • Celso da Silveira Rezende: “Nós do cordão umbilical”. • Benedicto da Cunha Campos: “Um caso de pneumoperitônio espontâneo”. • Cyro Natalino: “Um caso de paralisia do 3º nervo craniano”. • Francisco Betim Paes Leme: “Eclâmpsia puerperal – Tratamento de cinco casos pela administração subcutânea de éter sulfúrico”. • Alfredo Gomes Júlio: “Um caso de paralisia traumática do nervo radial”; “Suturas por crina dos fragmentos ósseos nas fraturas da clavícula”. • Hermas de Carvalho Braga: “Sobre hipotensão e hipertensão arteriais”; “Um caso de hidronefrose”. • Paulo Mangabeira Albernaz: “Estudo acerca do pólipo da leishmaniose”; “Um raríssimo caso de Gundú”; “Considerações sobre três casos de coleções purulentas da fossa temporal”; “Abcesso do espaço hioepiglótico”. • Armando da Rocha Brito: “Um caso de torsão de uma trompa grávida”; “Diver-

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Grupo de médicos, em 1943, com integrantes da SMCC (a partir da esquerda): Dr. Alfredo Gomes Júlio, Dr. Adhemar Jürgensen, Dr. Manoel Dias da Silva, Dr. Paulo Mangabeira Albernaz, Dr. Ediberto Pereira, Dr. Armando Rocha Brito Jr., Dr. Heraldo Novaes, Dr. Ferreira Jorge, Dr. Roberto Rocha Brito, Dr. Clemente Holtman, Dr. Armando Rocha Brito, Dr. Vicente B. Silva, Dr. Hermas de Carvalho Braga, Dr. Riolando Ferreira, Dr. Azael Lobo, Dr. Ruy Melo e Dr. Geraldo Corrêa. Acervo Fundação Roberto Rocha Brito.

ticulite de Meckel aguda”; “Um caso de ferimento intestinal por bala, com ressecção da alça lesada”. A quarta diretoria, entre 01.12.28 e 30.11.29, foi presidida por Arlindo Joaquim de Lemos Júnior. Não são conhecidos os demais membros da diretoria, que não constam no livro de atas da Sociedade. O Dr. Arlindo de Lemos Júnior foi outra figura destacada no cenário médico e social de Campinas. Formado em 1916 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, atuou como clínico geral, cirurgião geral, ginecologista e obstetra. Durante sua gestão, deu todo apoio – assim como a Sociedade em geral – à fundação, a 25 de novembro de 1929, do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed). O apoio à criação do Sindicato era um sinal da vocação da SMCC para as grandes causas sociais e da classe médica. 42

Arlindo Joaquim de Lemos Júnior também teve importante atuação política, tendo sido vereador e, na qualidade de presidente da Câmara Municipal, assumido o cargo de prefeito entre maio e dezembro de 1951, com a saída do prefeito Miguel Vicente Cury. Lemos Júnior doou o terreno onde foi construído o Estádio Brinco de Ouro da Princesa, do Guarani Futebol Clube, e a área onde foi erguida a sede da Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia, no centro de Campinas. Em sua gestão, prosseguiu a intensa atividade científica na entidade, com a apresentação destes trabalhos: • Carlos Penteado Stevenson: “Dois doentes apresentando uma irritação simpática remota por ossificação do vítreo”; “Descolamento da retina”. • Clóvis Monteiro Peixoto: “Hemoglobinúria paroxística”.


• Hermas de Carvalho Braga: “Quatro casos de fratura do corpo do fêmur”; “Torsão do grande epiplon”. • Paulo Mangabeira Albernaz: “Evolução viciosa do dente do siso”; “Abcesso odontogênico do septo nasal”; “Relações entre seio maxilar e tracoma”. • Nestor de Barros Oliveira: “Hidronefrose”. • Januário de Pardo Meo (convidado): “Pneumotórax artificial”. • Armando da Rocha Brito: “Inundação peritoneal por hemorragia ovariana”; “Um caso de perfuração do ceco, de origem amebiana, num doente com apendicite”. A quinta diretoria, entre 01.12.29 e 30.11.30, foi presidida por Paulo Mangabeira Albernaz, tendo Clóvis Monteiro Peixoto como vice-presidente. Albernaz era mais um médico que integrava o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Este foi o primeiro de dois mandatos de Paulo Mangabeira Albernaz. Ele voltaria à presidência na vigésima diretoria, entre 01.12.1944 a 30.11.1945. O Dr. Paulo Mangabeira Albernaz também tem uma rica biografia. Nascido a 25 de janeiro de 1896, em Bagé (RS), filho de um oficial médico do Exército brasileiro, muito criança ainda se transferiu com a família para a Bahia, onde cursou o primário e o secundário em vários estabelecimentos de ensino de Salvador. Formou-se em 1919 na Faculdade de Medicina da capital baiana, especializou-se em Otorrinolaringologia e foi auxiliar acadêmico do Instituto Oswaldo Cruz da Bahia (1916-1918) e da cadeira de Anatomia Patológica (1916-1917).

O médico mudou para São Paulo, começando a vida profissional em Jaú, onde trabalhou na Santa Casa e foi fundador da Sociedade de Medicina local. Em julho de 1926, a convite do colega Carlos Penteado Stevenson, Albernaz radicou-se em Campinas e logo passou a integrar as atividades da SMCC. Paulo Mangabeira Albernaz foi o fundador da Clínica Otorrinolaringológica do Hospital da Santa Casa, que liderou por 30 anos, no último período com o apoio do filho Luiz Gastão. O médico foi fundo em sua área, publicando mais de 400 trabalhos, entre artigos, conferências e livros sobre o tema, como Otorrinolaringologia Prática, de 1930 e que somaria várias edições, tendo sido o pioneiro em língua portuguesa. Um dos momentos importantes de sua trajetória foi o de ter sido, ao lado de outros 30 médicos, um dos fundadores da Escola Paulista de Medicina, onde seria catedrático de Clínica Otorrinolaringológica durante trinta e três anos (vinte e oito de ensino). Seria igualmente professor da cátedra de Anatomia Descritiva da Faculdade de Odontologia da Universidade Católica de Campinas, de 1950 a 1963. Três anos depois, receberia do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco a comenda de Grande Oficial de Ordem do Mérito Médico. Entre outros prêmios, também recebeu do governo italiano a Ordem da Solidariedade Italiana e, em 1969, o “Prêmio Elíseo Segura” (medalha de ouro) destinado ao especialista de maior projeção na América Latina. Paulo Mangabeira Albernaz integrou diversas associações científicas nacionais e es-

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trangeiras, como a Academia Nacional de Medicina, a Societé Française d’O. R. Laryngologie e a Sociedad de O. R. Laringologia del Uruguay.

da Rocha Brito, de 01.12.30 a 30.11.31. Também não há registro no livro de atas da Sociedade dos nomes dos demais integrantes da diretoria.

Sempre esteve, portanto, ao lado da ciência, até a sua morte em 1982, em Campinas. Com essa tônica marcou sua primeira passagem pela presidência da SMCC. Foram 17 trabalhos científicos apresentados na Sociedade nesse período, sendo quatro deles pelo próprio Paulo Mangabeira Albernaz:

O Dr. Armando da Rocha Brito estava no grupo fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e integrou a sua primeira Comissão de Cirurgia. Era um dos médicos com forte ligação com a Santa Casa de Misericórdia de Campinas e também esteve na primeira diretoria da Maternidade de Campinas, entre 1913 e 1916, como segundo tesoureiro.

• Azael Álvares Lobo: “Metrorragia”. • Bernardes de Oliveira: “Um caso de megacólon”; “Atelectasia pulmonar pós-operatória”; “Cálculo ureteral”. • Carlos Penteado Stevenson: “Etiologia do tracoma”; “Extração de corpos estranhos intraoculares, não magnéticos”; “Queimadura grave nos olhos por projeção de cal”; “Glaucoma”. • Alfredo Gomes Júlio: “Fratura cominutiva da rótula”. • Hermas de Carvalho Braga: “Fratura atípica do omoplata”; “Corpo estranho intrarticular do joelho”. • Paulo Mangabeira Albernaz: “Tumor da hipófise curado pela radioterapia – Dois casos de observação”; “Técnica pessoal para localização de corpos estranhos intraoculares, pelos Raios-X”; “Anomalias do aparelho hioideo e sua importância em otorinolaringologia”; “Síndrome otolítica”. • Armando da Rocha Brito: “Hidroapêndice”; “Um interessante caso cirúrgico”. A atuação científica também marcou a gestão da sexta diretoria, presidida por Armando 44

Era, portanto, uma grande referência na comunidade médica local, quando assumiu a presidência da SMCC. Em sua gestão foram apresentados vários trabalhos científicos. Era a confirmação de como os primeiros anos da Sociedade foram muito voltados para os estudos e a atualização científica: • Azael Álvares Lobo: “Um caso de bócio”; “Ptose uterina e ausência congênita dos anexos esquerdos”. • Bernardes de Oliveira: “Metabolismo basal”; “Cisto hidático do figado”; “Motricidade do apêndice humano, estudada in vitro”; “Sobre a teoria de Dufour a respeito da patogenia dos cálculos biliares múltiplos facetados”. • Campos Pagliucchi: “Indicações da radioterapia”. • Carlos Penteado Stevenson: “Ainda sobre o glaucoma”. • Alfredo Gomes Júlio: “Um caso de tumor volumoso da faca”; “Dois casos de ectopia testicular abdominal, com localização irregular”; “Posição rara do apêndice”.


• Guilherme Bolliger: “Três casos de moléstia de Recklinghausen”; “Um caso de peritonite supurada tendo por origem apendicite gangrenada e fístula ureteral produzida por cálculo”. • Hermas de Carvalho Braga: “Um caso de apendicite aguda, complicando a gravidez”; “Operação de Jacobeus (primeira no Brasil – em colaboração com Januário de Pardo Meo)”; “Abcesso amebiano do fígado”; “Um caso de mesenterite supurada”. • Paulo Mangabeira Albernaz: “Paracentese do tímpano com lesão do golfo da jugular”; “Um caso de corpo estranho do esôfago”; “Mastoidite posterior e perfuração do occipital”; “Um caso de nistagmo da cabeça”; “Um caso de dentadura encravada no esôfago”; “Três casos de tentativa de degolamento”. • Olavo Rocha Filho: “Indicações terapêuticas nas úlceras gastroduodenais”. • Januário de Pardo Meo: “Operação de Jacobeus (primeira no Brasil – em colaboração com Hermas de Carvalho Braga)”. • Armando da Rocha Brito: “Uso do soro de Normet após as grandes hemorragias”; “Dois casos de rupturas intestinais por contusão abdominal”; “Adenosarcoma embrionário do rim, em criança de quatro anos”; “Dois casos de mola hidatiforme, com degeneração cística dos ovários”; “Um caso de vesícula bilocular infectada”; “Dois casos cirúrgicos”. Casado com Odila Maia Rocha Brito (filha de Orosimbo Maia, prefeito de Campinas na primeira metade dos anos 1900),

Armando teve quatro filhos. Um deles, Roberto Rocha Brito, também ocuparia a presidência da SMCC quinze anos após a gestão exercida pelo pai.

Campinas na era revolucionária A sétima diretoria, presidida por Januário Pardo Meo, entre 01.12.31 e 30.11.32, teve sua gestão em um dos períodos mais convulsionados da história local. Em 9 de julho de 1932, estourava o movimento que ficou conhecido como a Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1930, Campinas havia registrado uma população de pouco mais de 120 mil moradores. Vários setores da sociedade paulista, e também de outros estados, questionavam os rumos do governo de Getúlio Vargas, que chegara ao poder com um golpe de Estado em novembro de 1930. Os paulistas, sobretudo, demandavam a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Os ânimos se acirraram a 23 de maio de 1932, quando quatro jovens que participavam de ato pró-Constituinte em São Paulo foram mortos. No dia 9 de julho, tropas da 2ª Região Militar e da Força Pública de São Paulo, lideradas por Euclides Figueiredo e Isidoro Dias Lopes, se declararam em conflito com o governo federal. Houve enorme adesão de Campinas ao movimento armado. No dia 16 de julho, voluntários de Campinas partiram para o front. O quartel-general dos campineiros foi instalado no Largo do Rosário. No dia 18 de setembro, um dos grandes traumas locais: o bombardeio da Estação

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central da Companhia Paulista de Ferrovias pelo avião conhecido como “Vermelhinho”. Nesse ataque morreu o menino Aldo Chiorato, de 9 anos. Campinas era – e continua sendo – uma das únicas cidades brasileiras bombardeadas por avião na história. O movimento revolucionário foi sufocado pelas tropas aliadas a Vargas, embora em 1933 o presidente tenha convocado uma Assembleia Nacional Constituinte, o grande objetivo dos revoltosos. Foi neste clima que se deu a gestão da diretoria presidida pelo Dr. Januário Pardo Meo. Nascido em Campinas em 15 de junho de 1902, era filho dos fazendeiros italianos Donato Meo e Miquelina Pardo Meo. Estudou no Liceu Salesiano e Cesário Mota e formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil no Rio de Janeiro em 1925, ano, portanto, de fundação da SMCC. Vítima de tuberculose pulmonar, Pardo Meo tratou e se curou em Campos do Jordão, onde permaneceu por dois anos. Decidiu que seria pneumologista e, naquela cidade, já trabalhava com importantes tisiologistas, como o Dr. Covelo Jr. De volta a Campinas, Januário Pardo Meo abriu consultório na Rua Luzitana 1251 e foi pioneiro em tisiologia na cidade. No início da década de 1930, realizou, com o cirurgião Hermas de Carvalho Braga, a primeira operação de Jacobeus da América do Sul. Era uma técnica de visualização da cavidade peritoneal que recebeu o nome de um médico sueco, considerado o precursor desse tipo de cirurgia. 46

Januário e seu cunhado, o também tisiologista Manoel Rios Muraro, foram sócios no Instituto Pardo Meo-Muraro, especializado em doenças pulmonares. Inaugurada em 1941, em Campinas, em um edifício estilo art deco, ainda preservado na Avenida Andrade Neves 589, a clínica ganhou prestígio nacional graças à reconhecida capacidade de seus profissionais e à execução de procedimentos avançados à época, como o pneumotórax para a cicatrização de lesões pulmonares denominadas “cavernas”, conta o filho de Manoel, o também médico Cirilo Pardo Meo Muraro. Importantes personalidades de todo o país foram atendidas no Instituto, afirma Cirilo. Ele lembra ainda de coincidências que marcaram a vida do pai e de Januário: nascido em Itapira, em 1909, Manoel também era filho de fazendeiros (o italiano Jorge Muraro e a espanhola Maria Rios), estudou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil e, da mesma forma, se especializou em moléstias pulmonares após se curar de tuberculose em Campos do Jordão. Pardo Meo também seria presidente do Sindicato dos Médicos de Campinas e de outra de suas paixões, o Guarani Futebol Clube. Faleceria em Campinas a 16 de agosto de 1969. O Brasil estava mudando e a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, também. A gestão de Januário Pardo Meo foi a última na primeira sede da instituição, na Rua Francisco Glicério. Em seu mandato já se discutia a possibilidade de mudança para uma nova sede, o que aconteceu na gestão seguinte.


Antigo Instituto Pardo Meo-Muraro, que ainda conserva as características arquitetônicas da época de sua fundação. Acervo MIS-Campinas. Coleção BMC.

Na segunda sede A entidade mudou para uma nova sede no dia 11 de junho de 1933, na gestão de Carlos Penteado Stevenson na presidência da oitava diretoria. A nova sede ficava na Rua Barão de Jaguara 1433. Era a última quadra da rua, ao lado da Praça Bento Quirino e da Basílica do Carmo. Neste local, passou a funcionar a sede das chamadas Sociedades Reunidas, integradas pela Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, Sindicato dos Médicos (presidido por Arlindo de Lemos Júnior) e Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campinas (presidida por Wilson Coelho de Souza). Durante muito tempo, esse foi um dos endereços mais importantes de Campinas, pois se tratava do local de encontro das três profissões mais destacadas da época: médicos, engenheiros e arquitetos. A inauguração da nova sede ocorreu oficialmente, em sessão solene, no dia 22 de agosto de 1933. Para marcar a ocasião, o professor Dr. Almeida Prado, da Faculdade de Medicina da USP, foi convidado para abordar em conferência o tema “Cloremia e suas variações patológicas”. A SMCC permanecia fiel

Corpo clínico do Instituto Pardo Meo-Muraro (a partir da esquerda): Dr. Silvio Pádua, Dr. Manoel Rios Muraro, Dr. Januário Pardo Meo, Dr. Israel Martins e Dr. Geraldo Amaral. Acervo Dr. Cirilo Pardo Meo Muraro.

à sua vocação científica, na diretoria presidida por Carlos Penteado Stevenson. O Dr. Carlos Penteado Stevenson nasceu em Campinas, a 25 de março de 1894. Fez os estudos iniciais em Campinas e ainda em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Formou-se primeiro em Agrimensura e, depois, em Medicina, tendo se especializado em oftalmologia, área em que se destacaria. Foi assistente no Instituto Penido Burnier. Depois de viagem de estudos à Europa, montou clínica na Rua Treze de Maio. Foi um dos fundadores da SMCC e publicou diversos estudos científicos. Publicaria, entre outros estudos, os livros Considerações acerca do Tracoma (Publicações do Brasil-Médico, Editora Sodré & Cia, Rio de Janeiro, 1927); Glaucoma e seu Tratamento (Cia. Stella Editora, Campinas, 1934) e As injeções de álcool – fenol no descolamento

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da retina (tipografia da Casa Genoud, Campinas, 1936). Faleceria a 12 de agosto de 1975. A nona diretoria, entre 01.12.33 e 30.11.34, foi presidida por Hermas de Carvalho Braga, em segundo mandato à frente da instituição. Na sua segunda gestão, a SMCC concedeu pela primeira vez o título de “Sócio Benemérito” e o agraciado foi Paulo Mangabeira Albernaz pelos relevantes serviços prestados à Medicina, à Sociedade e à comunidade em geral. A décima diretoria, entre 01.12.34 e 30.11.35, foi presidida pelo Dr. Antonio Bernardes de Oliveira. A cidade ainda sentia os impactos da Revolução Constitucionalista de 1932, três anos antes. No dia 9 de julho de 1935, houve a inauguração do Monumento aos Voluntários Constitucionalistas de Campinas, obra do escultor Marcelino Velez, ao lado do Cemitério da Saudade. Foi um grande acontecimento na época e a diretoria da SMCC estava presente no ato. O Brasil como um todo ainda vivia os ventos revolucionários, de um lado, e os impactos de um governo central que cada vez mais tendia para o autoritarismo, o que efetivamente aconteceria com o Estado Novo de 1937: um endurecimento do regime de Getúlio Vargas. O país, contudo, prosseguia e a sociedade civil continuava a sua organização em várias esferas, como no caso da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, com seu foco na reunião e organização dos médicos e no desenvolvimento científico. Antonio Bernardes de Oliveira nasceu a 3 de fevereiro de 1901, em São Paulo. For48

mou-se em 1925 na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, depois ligada à USP, onde se tornaria professor livre-docente de clínica cirúrgica. Por um breve período atuou em Campinas, chegando à presidência da SMCC, mas ainda em 1935 passou a integrar a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Atuou no Sanatório Esperança, atual Hospital Infantil Menino Jesus, na Rua dos Ingleses, bairro da Bela Vista, de 1928 a 1951. No ano seguinte passou a atuar na Escola Paulista de Medicina, atualmente ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sendo o criador e primeiro titular da disciplina de gastroenterologia cirúrgica. Teve grande atuação científica, com a publicação de 89 trabalhos, a maioria em revistas especializadas, e três livros, como A evolução da Medicina até o início do século XX” (1981, 434 páginas), em convênio com a Secretaria de Estado da Cultura. Também integrou a Sociedade Brasileira de Escritores Médicos (Sbem). Antonio Bernardes de Oliveira, patrono da cadeira 109 da Academia de Medicina de São Paulo, faleceria a 16 de junho de 1981, aos 80 anos.

Tempo de mudanças, em Campinas e na SMCC O ano de 1936 foi crucial para a história do século 20 em Campinas porque marcou a inauguração de dois pilares para uma cidade cada vez mais urbanizada e industrializada. Na prática, Campinas já havia se refeito dos impactos das epidemias da febre amarela e


da gripe espanhola, e também dos efeitos da crise de 1929 que abalaram a cultura cafeeira. Os sinais de que a urbanização avançaria eram nítidos, exigindo mudanças de postura dos cidadãos e dos governantes. Em 1933, quando o prefeito nomeado era Perseu Leite de Barros, o engenheiro Carlos Wiliam Stevenson – pai do médico Carlos Penteado Stevenson – havia pronunciado uma conferência no Rotary Clube criticando o perfil urbano de Campinas e apontando a urgência de reformulações, para sua adequação ao formato da sociedade do automóvel que se implantava em todo mundo. “Campinas de hoje ao receber os ilustres personagens que a visitam e honram – tradicional Princesa que é e será – não tem para apresentar-se senão os antiquados trajes, quase andrajosos, da dificilmente transitável urdidura das suas ruas deselegantes, estreitas, mal edificadas, cortadas de incômodas sarjetas e que, em pontos mais centrais da cidade, se transformam em desordenado conjunto de vielas com aspecto desolador”, afirmou Stevenson. O engenheiro pediu então a elaboração de um plano para mudar a paisagem urbana da Princesa D´Oeste, título conquistado com a liderança da cultura cafeeira no século 19: “E todos nós, campineiros natos e de boa adoção, queremos ver esboçado o plano de uma nova cidade, a Campinas de Amanhã, que possa abrir aos visitantes os solares da hospitalidade, pelas portas largas e bem traçadas avenidas, cheias de ar, de luz de elegantes prédios e bons edifícios públicos”.

O apelo de Stevenson se materializou, com a contratação em 1934 do escritório do arquiteto Prestes Maia para coordenar a elaboração de um Plano de Melhoramentos Urbanos, que seria concluído em 1938. Com efeito o Plano Prestes Maia, como ficou conhecido, mudaria radicalmente o cenário do centro histórico de Campinas, o território onde a cidade nasceu, cresceu e ficou conhecida, o espaço de atuação de suas instituições mais importantes, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas entre elas. Os dois eventos de 1936 estavam, então, afinados com este “espírito do tempo”, com esse anseio de mudanças. Foram eles a inauguração do novo sistema de captação de água para Campinas, no Rio Atibaia, e do Edifício Santana, o primeiro “arranha-céu” da cidade. O novo sistema de captação de água, em Sousas, era uma demanda decorrente do crescimento populacional e urbano, que projetava ser ainda maior nas décadas seguintes, o que de fato ocorreu. Trata-se do mesmo sistema de captação de água que abastece Campinas oito décadas depois. O sistema também era decorrência da preocupação crescente dos cidadãos e do poder público com a saúde pública, em uma cidade que já havia sofrido grandes traumas com a febre amarela e outras epidemias. Em 1934, uma Comissão Especial de Saneamento, nomeada pelo Conselho Municipal, presidido pelo mesmo engenheiro Carlos Stevenson, emitiu um parecer propondo a captação de água no Atibaia, substituindo o sistema de captação na Rocinha, depois cidade de Vinhedo.

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Fachada do Hospital Álvaro Ribeiro. Foto: Cartão postal Edição Nossa Casa. Acervo MIS-Campinas.

Foi este novo sistema de captação de água no Rio Atibaia, inaugurado em 1936, que permitiu o impressionante crescimento urbano campineiro nas décadas seguintes, colaborando para a melhoria das condições sanitárias em geral, com reflexo no próprio declínio da mortalidade, como aconteceria em outras regiões do país. No mesmo ano também começou a funcionar o Edifício Santana, considerado o primeiro “arranha-céu” de Campinas e um marco arquitetônico para a cidade. Foi o pioneiro da inevitável verticalização, que marcou praticamente todas as grandes cidades globais. O prédio foi projetado e construído pelo Escritório Técnico Lix da Cunha, dirigido pelo engenheiro-arquiteto que se tornaria um dos ícones locais. O Santana foi construído em estilo art deco, na esquina das ruas Barão de Jaguara e César Bierrenbach. A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas vivenciou todas essas mudanças locais, tanto que ela se mudaria justamente para... o Edifício Santana! A mudança de sede foi muito discutida durante a décima-primeira diretoria, presidi50

Dr. Araújo Mascarenhas em consulta no posto de puericultura do Hospital Álvaro Ribeiro. Foto Imperial. Acervo MIS-Campinas.

da por Mário José de Almeida Pernambuco, no período 01.12.35 a 30.11.36. Natural de Belém (Pará), Mário foi professor, médico e sanitarista até a sua morte, aos 57 anos, em 1948. Formou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro e passou a atuar como urologista, embora tenha ainda se especializado em Saúde Pública pela Universidade Johns Hopkins (EUA), em 1929, dedicando-se também a essa área a partir de então, conforme lembra seu neto, o reumatologista José Carlos de Almeida Pernambuco. Após sua passagem pela SMCC, Mário exerceu diversos cargos e funções públicas no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. José Carlos compartilha uma curiosidade: na década de 1910, quando cursava a universidade, o avô jogou futebol pelo Fluminense. Pernambuco, inclusive, foi um dos jogadores do time carioca a integrar a Sele-


ção Brasileira que disputou a Copa Roca, torneio da época que reunia apenas as equipes de Brasil e Argentina. Na gestão de Mário Pernambuco, naquele momento crítico e transformador vivenciado por Campinas, a Sociedade mantinha-se atenta ao “espírito do tempo”. A entidade estava representada, no dia 3 de maio de 1936, na inauguração da Casa de Saúde Dr. Bierrenbach de Castro, um marco na história da saúde mental de Campinas. Foi fundado pelo Dr. Octávio Bierrenbach de Castro, então psiquiatra do Hospital do Juquery, depois Franco da Rocha. No dia 17 de outubro de 1936, novamente com a presença da diretoria da instituição, outra importante obra na área da saúde era inaugurada em Campinas, o Hospital Álvaro Ribeiro. O estabelecimento recebeu este nome em homenagem ao jornalista Álvaro Ribeiro, criador do Diário do Povo (em 1912) e do Correio Popular (em 1929) e o idealizador de campanha pela criação de um hospital para crianças pobres. A pedra fundamental do hospital havia sido instalada já no Natal de 1922, após grande campanha de imprensa liderada por Ribeiro, também vereador por vários mandatos. A inauguração do hospital na Vila Industrial aconteceria somente em 1936, sem a presença do seu idealizador, falecido em 1929. O primeiro presidente da nova instituição foi o médico João Penido Burnier, de estreita ligação com a história da SMCC. Com duas novas instituições, a área da saúde também demonstrava estar em sinto-

nia com as mudanças rápidas dessa segunda metade da década de 1930 em Campinas (e no Brasil). A Sociedade sempre acompanhando essa movimentação.

A sede no Edifício Santana A mudança para a nova sede, no novíssimo Edifício Santana, aconteceria em 1937, quando a diretoria era pela segunda vez presidida por Januário Pardo Meo. Foi mais um ano difícil para o país, pela implantação, a 10 de novembro, do Estado Novo por Getúlio Vargas. Era uma reação ao crescimento tanto da esquerda, com o Partido Comunista liderado por Luiz Carlos Prestes, como da direita, com o integralismo de Plinio Salgado, lançado à presidência da República a 12 de junho de 1937. Mesmo nesse clima efervescente, a Sociedade prosseguiu sua caminhada. Sob a presidência de Januário Pardo Meo, instalouse em um bom espaço no quarto andar do Edifício Santana. Por mais de uma década a Sociedade ficaria neste endereço, onde continuaram a ser desenvolvidas importantes atividades científicas. Entre outros, participariam de conferências neste período nomes de destaque na Medicina, como Alípio Corrêa Neto (grande cirurgião e autor de vários livros, lutaria ao lado dos Pracinhas na Itália na Segunda Guerra Mundial e seria reitor da USP no final da década de 1950), Rubião Meira (um dos primeiros reitores da USP e autor de vários livros), Dutra de Oliveira, Felício Cintra do Prado (amparense, grande especialista em gastroenterologia clínica) e Oscar Monteiro de Barros (destaque na área de doenças tropicais e infecciosas).

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Formatura do Curso de Radiologia da GE promovido pela SMCC em 1942. Acervo Fundação Roberto Rocha Brito.

Outros conferencistas foram Aderbal Tolosa (importante especialista em neurologia), Jairo Ramos (cardiologista de destaque, fundador dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia), José Ramos Jr. e Antonio Barros de Ulhoa Cintra (um inovador endocrinologista, foi um dos criadores da Fapesp, tendo sido o primeiro presidente do seu Conselho Superior).

Um sinal da sintonia da classe médica com as tendências daquele momento foi a inauguração, a 15 de agosto de 1936, do pavilhão cirúrgico Irmãos Penteado, embrião do Hospital Irmãos Penteado, inaugurado a 20 de dezembro do mesmo ano, com a unificação dos pavilhões “Dr. Salustiano Penteado” e “Severo Penteado” da Santa Casa de Misericórdia.

Este elenco de conferencistas demonstra a preocupação primordial da SMCC com a qualidade das discussões e com o desenvolvimento científico a partir da troca de informações. Uma vocação original da Sociedade, mantida em época de rápida transformação.

O primeiro diretor clínico do novo hospital era Antonio Bernardes de Oliveira, presidente da SMCC em 1935. Compunham o corpo clínico os médicos Bonifácio de Castro Filho, Vicente Torregrossa, Heitor de Moraes Nascimento, Silvio de Oliveira Barros, Fernando Faria e Mário de Almeida Pernambuco, presidente da SMCC naquele ano. Pernambuco foi nomeado chefe da enfermaria de urologia do novo hospital.

O mandato da décima-terceira diretoria, presidida pelo Dr. Alfredo Gomes Júlio, já foi todo cumprido na nova sede, no Edifício Santana. Do quarto andar do prédio os médicos podiam avistar as mudanças no cenário urbano – e elas seriam expressivas nos anos seguintes. A área da saúde estava totalmente afinada com as mudanças em curso. Era evidente a necessidade de ampliação e qualificação permanente dos serviços de saúde para atender a uma demanda crescente, em uma cidade cada vez mais urbanizada e populosa. Em 1934 Campinas tinha cerca de 134 mil moradores. 52

Outros dois nomes ligados à história da Sociedade estavam à frente dos serviços prestados pelo Hospital Irmãos Penteado. Januário Pardo Meo, ex-presidente da entidade em dois mandatos, passou a chefiar o pavilhão de tuberculosos. Ele inclusive apresentou um plano para reforma das enfermarias de tuberculosos, que estavam em situação absolutamente inadequada. As novas enfermarias para tuberculosos seriam inauguradas em 15


de agosto de 1938. Para médicos adjuntos do pavilhão foram nomeados os doutores Manoel Rios Muraro e Paulo Fonseca de Barros. Outro nome vinculado à trajetória da SMCC é o de Alfredo Gomes Júlio, presidente da entidade em 1938, nomeado chefe da enfermaria de cirurgia de homens do novo hospital. Em 1939, Gomes Júlio assumiria a diretoria clínica do Irmãos Penteado, com a transferência de Antonio Bernardes de Oliveira para São Paulo. Ao lado de seu exercício profissional, Alfredo Gomes Júlio teve uma carreira política de destaque em Campinas. Foi secretário municipal de Saúde e vereador, tendo chegado à presidência da Câmara Municipal. Sua atuação seria muito importante para a doação de terreno do município para que nele fosse edificada a sede própria da Sociedade. Seu sucessor na presidência da SMCC foi Gabriel Porto, à frente do mandato de 01.12.38 a 30.11.39. Foi o primeiro ano após a publicação do Plano Prestes Maia, que mudaria radicalmente a configuração urbana local. As alterações começaram a ser sentidas nesse mesmo ano de 1939, com o alargamento do trecho inicial da Rua Conceição, em frente à Catedral. Modificação no coração da cidade, como prenúncio de uma verdadeira reviravolta nos anos seguintes. O otorrinolaringologista Dr. Gabriel Porto integrava desde 1926 o Instituto Penido Burnier. Toda a sua carreira seria marcada pela dedicação ao atendimento clínico e ao desenvolvimento científico. Em 1940, ano seguinte ao seu mandato, seria o fundador do Posto de

Puericultura do Cambuí, ligado à Associação Beneficente Nossa Senhora das Dores. Também fundaria um centro de reabilitação para deficientes auditivos e visuais, que depois receberia a denominação de Centro de Reabilitação Dr. Gabriel Porto, ligado à Unicamp, onde lecionou de 1965 e 1973. Para sucedê-lo na presidência da Sociedade, para o período 01.12.39 a 30.11.40, foi eleito o Dr. Roldão de Toledo, e, entre os membros da diretoria, o primeiro secretário, Lycurgo de Castro Santos Filho. Foi de Lycurgo de Castro Santos Filho a ideia de criação de um boletim para publicação de todos os atos ligados à SMCC. O Boletim de fato passou a circular em 1940, com Santos Filho à frente durante muitos anos. Roldão de Toledo, o presidente nesse ano, tinha vinculação com a Santa Casa de Misericórdia de Campinas.

Brasil e Segunda Guerra Mundial Aquele início da década de 1940, com o Brasil no Estado Novo e Campinas em grande transformação urbana, teve como grande pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939. O conflito que deixaria milhões de mortos marcou para sempre a civilização e não deixaria de influenciar a vida de todas as pessoas, mesmo a milhares de quilômetros dos campos de batalha. Todos os ramos de atividade sofreram o impacto daqueles anos de barbárie – e a Medicina foi um deles. O presidente da décima-sexta diretoria, entre 01.12.40 e 30.11.41, foi o mesmo Dr. Lycurgo

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Obras do Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho, um dos maiores historiadores da Medicina. Acervo Dr. Luis Eduardo M. de Castro Santos.

de Castro Santos Filho, idealizador e principal redator do Boletim da Sociedade. Nascido no Rio de Janeiro, a 10 de junho de 1910, filho do Dr. Lycurgo de Castro Santos e Judith Murtinho de Castro Santos, Lycurgo de Castro Santos Filho fez o curso ginasial no Ginásio São Joaquim, de Lorena (SP), e se doutorou em Medicina em 1934, na então Faculdade Nacional de Medicina (RJ). Logo mudou para Campinas, onde seria um dos fundadores do Hospital Santo Antônio. Alcançaria fama internacional por ter se tornado um dos maiores historiadores da Medicina. Entre seus vários livros, escreveu: História da Medicina no Brasil (1947, 2 volumes), Uma Comunidade Rural do Brasil Antigo (1956), Pequena História da Medicina Brasileira (1966) e História Geral da Medicina Brasileira (1977). Além de presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (1940-1941), Lycurgo seria presidente da Academia Campinense de Letras (1960-76), da qual foi presidente de honra; da Regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos (1976-77); e da Academia Paulista de História (1977-79). Foi ainda diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Campinas 54

(1970-73), bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa (196869 e em 1972), convidado especial da Fundação Josiah Macy Júnior, de Nova York (1971). Entre outros prêmios, ganhou o da Sociedade Paulista de História da Medicina (1961).

Além disso, foi professor de História da Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (1965-70), de Cultura Brasileira e de História da Cultura na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1969-74) e membro das Academias Nacional de Medicina, Campinense de Letras, Paulista de História e Carioca de Letras; dos Institutos Históricos e Geográficos Brasileiro, de São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Sergipe, da Sociedade Internacional de História da Medicina (Paris) e de mais de uma dezena de associações. Foi o 10º presidente da Academia Paulista de Letras (1983-86). Mais um grande nome, portanto, a compor a galeria dos presidentes da SMCC. Lycurgo de Castro Santos Filho faleceria a 23 de setembro de 1998. O sucessor de Lycurgo na presidência foi Octávio Bierrenbach de Castro (01.12.41 a 30.11.42). Médico psiquiatra, fundador do primeiro hospital neuropsiquiátrico de Campinas, a Casa de Saúde Dr. Bierrenbach de Castro. Prosseguiu o estímulo à atividade científica na Sociedade. Nascido em Campinas em 2 de agosto de 1907, o Dr. Bierrenbach de Castro se formou em 1930 na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Foi residente no Sanatório Pinel


e depois psiquiatra no Hospital do Juquery. Já em 1932 estabelecia o seu consultório na Rua Barão de Jaguara, então a principal rua de Campinas, com muitas lojas elegantes – era o centro nervoso da cidade, o espaço do exercício da política e de promoção das artes. A partir de 1933, Bierrenbach de Castro atuou como voluntário no hospital Cândido Ferreira, no então Arraial de Sousas. A Casa de Saúde Dr. Bierrenbach de Castro havia sido inaugurada em 1936 em uma chácara no Guanabara – desde então, o bairro se tornou uma referência para a área médica na cidade. Sempre teve ao seu lado a esposa, dona Lúcia Ribeiro de Castro. O terreno havia sido alugado. Foi depois adquirido pela família Bierrenbach de Castro. Na casa grande que existia na chácara foi instalado o pavilhão para os pacientes masculinos. Mais adiante foi alugada uma chácara do lado oposto ao da atual Rua Rafael Sampaio, para o pavilhão feminino.

cos como Roberto Silveira Pinto de Moura, Rubens Ribeiro Machado, José Ely Meirelles Villela, Suly Isaac Urbach, Édison Azenha, Antonio Reis Villalobos, Otávio Rizzi Coelho, Roque Balbo, e os cirurgiões-dentistas Floriano de Azevedo Marques, Oscar Carneiro e João Ferraz Brochado. A Casa de Saúde Dr. Bierrenbach de Castro, dirigida durante muitos anos pela Dona Lúcia Bierrenbach de Castro Pádua, foi campo de estágio para alunos de psicologia, enfermagem e serviço social, das universidades de Campinas e várias cidades brasileiras. Octávio Bierrenbach de Castro, o fundador, faleceu em 12 de janeiro de 1988, aos 81 anos. Durante a sua gestão na Sociedade, três marcos para a história local. No dia 15 de março de 1942, houve a abertura solene dos cursos das Faculdades Campineiras, depois PUC-Campinas. Era mais um sinal da sintonia de Campinas com os novos tempos. A 9 de junho, o Centro de Ciências, Letras e Artes inaugurava a sua sede própria, na Rua Bernardino de Campos. Já no dia 28 de setembro acontecia a inauguração do edifício da Associação Comercial e Industrial de Campinas, um ícone arquitetônico no centro. A cidade cada vez mais urbanizada apontava para o futuro e a SMCC acompanharia todo esse processo.

Já em dezembro de 1937, Bierrenbach de Castro passou a ter a parceria na Casa de Saúde do Dr. João de Souza Coelho, formado em Curitiba, pela Faculdade Federal de Medicina do Paraná. Outros médicos que atuaram na Casa de Saúde na época foram Dr. José Francisco Monteiro Salles e Dr. Heitor Nascimento, analista e radiologista, ligados ao Instituto Penido Burnier.

Hospital Vera Cruz

Também se dedicaria muito à Casa de Saúde Dr. Bierrenbach de Castro o Dr. Décio Bierrenbach de Castro, irmão de Octávio. Novos pavilhões seriam construídos na antiga chácara, com a incorporação de médi-

Para suceder Dr. Octávio Bierrenbach de Castro, foi eleito o Dr. Francisco Monteiro Salles (01.12.42 a 30.11.43). Foi um ano importante para a história da Medicina em Campinas, pela criação na rua – depois avenida

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Fachada do Hospital Stevenson (depois denominado Hospital Vera Cruz) e seu corpo clínico (a partir da esquerda): Dr. Paulo Mangabeira Albernaz, Dr. A. Bernardes de Oliveira e Dr. J. Schwenk (em primeiro plano); Dr. Carlos Stevenson, Dr. Ribeiro dos Santos e Dr. Oswaldo de Oliveira Lima (em segundo plano). Acervo Fundação Roberto Rocha Brito.

– Andrade Neves 73 do Hospital Stevenson, logo depois Hospital Vera Cruz, um dos mais importantes da comunidade. O hospital foi criado por um grupo liderado por Carlos Stevenson (ex-presidente da SMCC) e que teve a participação de Alfredo Gomes Júlio (também ex-presidente da entidade), Manoel Dias da Silva, Vicente B. da Silva, Januário Pardo Meo (mais um ex-presidente da instituição) e Roberto Rocha Brito, que seria um dos grandes pilares da instituição nas décadas seguintes. No ano da criação do novo hospital, Roberto Rocha Brito era o bibliotecário da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, ratificando a estreita ligação da organização com a evolução dos serviços médicos locais. Campinas crescia rapidamente e a área da saúde estava atenta às novas demandas 56

de uma cidade que aspirava a melhorias constantes dos serviços médicos. O sucessor de Francisco Monteiro Salles foi João de Souza Coelho (01.12.43 a 30.11.44). João de Souza Coelho seria vereador em dois mandatos e vice-prefeito de Campinas.

O fim da guerra O ano de 1945 marcou o início de uma era de grandes transformações planetárias, e não foi diferente no Brasil e em Campinas. O


fim da Segunda Guerra Mundial, com a rendição dos alemães em maio e a explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto, no Japão, foi o término de um pesadelo que resultou em mais de 100 milhões de mortes – a maior tragédia de todos os tempos. Ao mesmo tempo, foi o começo da Guerra Fria, que dividiria o mundo sob o duplo domínio das novas grandes potências, os Estados Unidos e a União Soviética. Com o fim da Segunda Guerra e o declínio (ao menos temporário) dos governos autoritários, ruía a base ideológica que sustentou o longo governo de Getúlio Vargas, que durou 15 anos. Assim como o mundo estava cansado de tanta guerra, de tantas mortes, o Brasil também estava farto da ditadura varguista. O presidente da SMCC nesse ano icônico de 1945 foi Paulo Mangabeira Albernaz, em seu segundo mandato à frente da instituição. Seu sucessor foi o então vice, Dr. René Penna Chaves (01.12.45 a 30.11.46). Filho do sanitarista Leocádio Chaves, René nasceu em Paris, em 1906, quando o pai, então pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, viajara à França acompanhado da esposa para uma temporada no Instituto Pasteur. Formou-se em 1929 na Universidade Federal do Rio de Janeiro e se tornou patologista. Convidado por Penido Burnier, mudou-se para Campinas pouco tempo depois, vindo a trabalhar também no Hospital Vera Cruz, onde foi o primeiro médico responsável pelo laboratório da instituição. Na década em que esteve à frente da Sociedade, René começou a se interessar

por outros ramos da Medicina, como a endocrinologia e a alergologia. Foi esta última especialidade que o levou para a psiquiatria, após constatar a relação entre as alergias e o estresse emocional dos pacientes, conforme lembra seu filho, o também psiquiatra Pedro Penna Chaves. Até falecer em 1979, René foi ainda professor do curso de odontologia da PUC-Campinas, vereador, deputado estadual e membro da Academia Campinense de Letras.

O pós-guerra em Campinas O pós-guerra, que começava com Penna Chaves na presidência da Sociedade, foi um período de enorme crescimento para Campinas. Somente entre 1946 e 1954, a área total ocupada pelo núcleo urbano subiu para 53 milhões de metros quadrados – para se ter uma ideia, entre 1730 e 1945 o espaço urbano tinha atingido 15 milhões de metros quadrados, segundo Zimmermann, citado por Roberto Luiz do Carmo, em “Distribuição Populacional, Meio Ambiente e Qualidade de Vida em Campinas”. Para suceder Penna Chaves, foi eleito o Dr. Roberto Rocha Brito (01.12.46 a 30.11.47) para a 22ª diretoria. Nascido a 9 de abril de 1917 e formado pela tradicional Faculdade de Medicina da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, Roberto Rocha Brito foi aos Estados Unidos para vários cursos de aperfeiçoamento em urologia. Durante sua gestão, o médico já era um dos líderes do Hospital Vera Cruz, fundado quatro anos antes e, com destaque cada vez maior em sua especialidade, ele naturalmen-

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te deu continuidade às atividades científicas da Sociedade. Vários eventos, como congressos com a presença de expoentes internacionais, ocorreram quando o doutor Roberto presidiu a instituição e contribuíram para o expressivo crescimento da urologia, ressalta seu neto, o também médico urologista Roberto Rocha Brito Bresler. Para muitos, ele foi um dos grandes nomes mundiais em ressecções intrauretrais da próstata, igualmente denominadas de RTU (ressecções transuretrais da próstata), realizadas por meio de endoscopia e, por isso, consideradas menos invasivas. Em suas mais de seis décadas de profissão, Roberto Rocha Brito publicaria centenas de trabalhos científicos em sua área, obtendo reconhecimento internacional: foi o primeiro urologista sul-americano a receber o título de “Membro Honorário da American Urological Association”, em 1987, e o primeiro brasileiro a pertencer à American Association of Genitourinary Surgeons. Em 1987, seria criada a Fundação Rocha Brito, dedicada ao desenvolvimento técnico-científico e à filantropia. Ele faleceria em 2001. Seu sucessor veio a ser o Dr. Celso Wey Magalhães (01.12.47 a 30.11.48). Foi um ano muito importante para a história da Sociedade, pois nele ocorreu o primeiro grande movimento reivindicatório liderado pela organização em defesa da classe médica. Desde então, a SMCC se firmaria como grande representante da categoria, nos diversos momentos em que os médicos lutaram por melhores condições de trabalho, 58

incluindo melhor remuneração pelos serviços prestados. Em 1948, a mobilização foi pela equiparação salarial dos médicos funcionários do Estado aos vencimentos dos bacharéis e engenheiros. Importantes nomes nesse movimento foram os de Jairo Ramos e Alípio Correa Neto. Uma grande assembleia promovida pela SMCC teve a participação de médicos de cidades vizinhas. O movimento conseguiu significativas conquistas para a categoria. Era um nítido sinal do avanço da consciência de cidadania como reflexo dos novos tempos vindos da queda de Getúlio Vargas, de modo concomitante ao fim da Segunda Guerra Mundial. Em 1º de janeiro de 1948, não por acaso, tomaram posse os primeiros prefeitos e vereadores eleitos após a redemocratização do país. Em Campinas, o novo prefeito era Miguel Vicente Cury. Entre os vereadores, quatro comunistas, que concorreram pelo PTB. A legislatura de 1948-51 também foi marcada pela atuação, inédita até então, de duas mulheres como suplentes e que chegaram a exercer o mandato no período, Vera Pinto Telles e Silvia Simões Magro, as primeiras representantes femininas no Legislativo campineiro depois de 150 anos. Indícios de mudanças. A SMCC também se transformaria, com a mudança para uma nova sede.

Na quarta sede As conversações em torno da transferência para uma nova sede marcaram a 24ª diretoria, presidida por Antonio Augusto de


Almeida (01.12.48 a 30.11.49). Esta nova sede seria inaugurada exatamente no dia posterior à mudança de presidentes.

lista”. Os laços entre as duas instituições se tornavam cada vez mais estreitos, o que ficou claro na gestão de Arsênio Oswaldo Sevá.

O Dr. Antonio Augusto de Almeida, como os demais presidentes, foi um nome muito representativo da classe médica. Ele seria, entre 1963 e 1969, o primeiro diretor da Faculdade de Medicina de Campinas, o embrião da Unicamp.

Nascido em Campinas, a 30 de novembro de 1916, Sevá fez o curso primário em Sousas e estudou ginásio e científico no Colégio Culto à Ciência. Cursou a Faculdade de Medicina de São Paulo, onde se formou em 1940, voltando a Campinas para se tornar um médico em tempo praticamente integral, no princípio trabalhando com Roldão de Toledo e depois assumindo consultório particular, em clínica geral e de cardiologia. Trabalhou por muitos anos no Hospital Irmãos Penteado.

Durante o seu mandato na Sociedade, a instituição se filiou à Associação Paulista de Medicina (APM), que havia sido fundada em 29 de novembro de 1930. A filiação aconteceu a 18 de junho de 1949, após decisão unânime em assembleia. A quarta sede da SMCC foi, de fato, inaugurada a 1º de dezembro de 1949, primeiro dia do mandato do presidente da 25ª diretoria, o Dr. Arsênio Oswaldo Sevá (01.12.49 a 30.11.50). A nova sede ficava no quarto andar da Rua Dr. Quirino 1352. Era o novo prédio da Caixa Econômica Estadual, na esquina da Rua Thomaz Alves, e cujo projeto original previa um edifício de três andares. Houve, entretanto, entendimentos com as Sociedades Reunidas de Campinas, dos engenheiros e arquitetos, que apresentaram a proposta de locação de um espaço no novo prédio, o que levou à construção de um andar a mais. Participaram das negociações Jordano Ribeiro, Lito Marcondes, João Lech Júnior e Benedicto da Cunha Campos. A inauguração da nova sede, junto com as parcerias das Sociedades Reunidas, aconteceu em sessão solene, com palestra do professor Jairo Ramos sobre “A Associação Paulista de Medicina e o meio médico pau-

Durante a Segunda Guerra Mundial, Sevá participou da reorganização da Cruz Vermelha no Brasil. Em 1943, ministrou um curso preparatório para mulheres que poderiam atuar como socorristas em caso de conflito. Foi nesse curso que conheceu Aparecida, aquela que seria a sua esposa. O casamento aconteceu em 1945 e o casal teve cinco filhos: Adriana, Arsênio, Andrea, Augusto e Ariadne. A dedicação à Medicina era absoluta, lembram as filhas. “Conhecemos Campinas com meu pai; íamos com ele visitar os doentes”, conta Adriana, que também é médica. A bordo do automóvel, invariavelmente a maleta de médico, que ficava ao lado do motorista. A arquiteta Andrea lembra, por sua vez, que o pai, quando ia ao cinema, geralmente no Ouro Verde, deixava indicada a cadeira onde ficaria, para ser acionado em caso de emergência. Viagem fora de Campinas apenas a trabalho e em congressos, diz dona Aparecida.

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O Dr. Arsênio Oswaldo Sevá trabalhou até o dia anterior a seu falecimento, a 27 de julho de 1985. Ele foi, com outros médicos, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em 1943. Foi amigo Grupo de amigos, ex-colegas de faculdade e presidentes da SMCC, em foto de 1946 (a partir da esquerda): Roberto Franco do Amaral, José Alfio Piason, Arsênio Oswaldo Sevá e Antônio Carlos de Souza. Acervo Família Sevá.

A filha Ariadne conta que o pai integrava um grupo de amigos médicos, composto ainda por Antônio Carlos de Souza, Roberto Barbosa e os ex-presidentes da SMCC, Roberto Franco do Amaral e Alfio Piason. Sevá e Souza foram, inclusive, responsáveis pela decisão de Franco do Amaral em se estabelecer em Campinas.

do Dr. Euryclides de Jesus Zerbini e vários outros cardiologistas. O Dr. Sevá tinha a Medicina no coração.

A década de 1950 O sucessor de Arsênio Oswaldo Sevá foi Carlos Penteado Stevenson (01.12.50 a 30.11.51), em seu segundo mandato à frente da SMCC. A instituição começava em nova sede a década de 1950, em um momento de aceleração das transformações urbanas e sociais na cidade.

A SMCC e os subsídios dos vereadores Em alguns momentos, quando achou oportuno e apropriado, a SMCC se posicionou abertamente em relação a temas políticos e sociais de Campinas, não diretamente associados à sua área de atuação. Foi o caso da polêmica, que durou mais de um ano, em torno do aumento dos subsídios dos vereadores, entre 1948 e 1949, correspondente ao mandato de Antonio Augusto de Almeida. No final de 1948, a Câmara Municipal aprovou o aumento dos salários, gerando uma reação imediata. O tema foi levado a debate para a diretoria da Associação Comercial de Campinas, a 27 de dezembro. Lourenço Lunardi Gallo defendeu a expedição de mandado de segurança 60

contra o ato da Câmara. Pela Lei Orgânica dos Municípios, a alteração dos subsídios poderia acontecer somente no mandato subsequente ao da decisão tomada. No início de junho a Câmara resolveu revogar a resolução sobre o aumento dos subsídios. Entretanto, o vereador Francisco Ribeiro Sampaio apresentou nova proposta, revogando a decisão e aumentando os subsídios para cerca de 4 mil cruzeiros fixos e 250 por sessão. A polêmica se estendeu, levando à intervenção de um mediador, o monsenhor Emílio José Salim. No dia 12 de novembro, o religioso procurou o Correio Popular, solicitando que fosse interrompida a campanha movida pelo


Em 1950 Campinas tinha 152.547 habitan-

A SMCC sempre esteve totalmente em

tes, sendo 106.834 na área urbana e 45.713 na

sintonia com a evolução urbana e social de

zona rural, segundo o IBGE. A tendência de ur-

Campinas e também se adaptou a esse mo-

banização era crescente.

mento. Logo na primeira assembleia da se-

O Plano Prestes Maia estava no auge da

gunda gestão de Carlos Penteado Stevenson,

implementação, com a preparação da cidade

a 27 de dezembro de 1950, houve a primeira

para a “Era do Automóvel”. Com o avanço da

grande mudança nos estatutos da Socieda-

industrialização e do comércio, Campinas já

de, ampliando de um para dois anos o man-

havia recuperado o dinamismo abalado pela

dato as diretorias eleitas.

febre amarela, gripe espanhola, Revolução de 1932 e 2ª Guerra Mundial.

Durante a gestão de Stevenson, os médicos campineiros estiveram muito envolvidos

Com as inovações e incentivos à urbani-

em um dos episódios mais tristes da história

zação, a área construída era cada vez maior.

local, com o desabamento do Cine Rink, na

Entre 1955 e 1976, a área ocupada pela cida-

tarde do dia 16 de setembro de 1951. No in-

de chegaria a 85,7 milhões de m , de acordo

tervalo da partida entre Ponte Preta e XV de

com Zimmermann, citado por Roberto Luiz

Novembro de Piracicaba, no Estádio “Moisés

do Carmo (op.cit).

Lucarelli”, o sistema de som anunciou o pedi-

2

jornal contra os subsídios, com o apoio da Associação Comercial e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. O monsenhor Salim havia mediado um acordo pelo qual os vereadores entregariam os subsídios ao religioso, para que fossem encaminhados à Santa Casa de Misericórdia e ao Asilo dos Inválidos. A Associação Comercial e a SMCC emitiram, então, um comunicado conjunto, “ao povo de Campinas”. No comunicado, as entidades reafirmaram que manteriam a campanha, junto com o Correio Popular, até que fosse revogada a resolução que estabeleceu os subsídios para os exercícios de 1948 e 1949. As entidades também se

manifestaram contrárias ao encaminhamento dos subsídios para as instituições de caridade, pois o objetivo principal da campanha não objetivava “o desvio do dinheiro do bolso dos vereadores para as instituições mencionadas, e sim a devolução do referido subsídio aos cofres municipais”. Em suma, a resolução anterior deveria ser revogada e os novos subsídios seriam de Cr$ 2 mil mensais (metade do que era previsto) e Cr$ 250,00 por sessão, sendo no máximo quatro por mês, a contar de 1950. Aceitas as condições propostas, as entidades e o jornal se comprometeram a não tocar mais no assunto, o que foi feito.

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do de comparecimento aos portões de saída de médicos que estivessem no local.

Um momento marcante nesse momento foi a participação de membros da Sociedade no processo que resultaria na construção do novo prédio da Maternidade de Campinas, na Avenida Orosimbo Maia, deixando o espaço que ocupava desde o início na Avenida Andrade Neves e onde seria erguida a nova rodoviária. No dia 25 de outubro de 1952, aconteceu a abertura das propostas para a construção do novo edifício da Maternidade. Poucos dias depois, assumiria a primeira diretoria da SMCC eleita para um mandato de dois anos. Foi justamente nessa gestão, presidida por José Martins Rocha, que a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas daria um dos mais importantes passos em sua trajetória rumo à construção de sua sede própria. 62

Dr. Hermas de Carvalho Braga

Dr. Azael Álvares Lobo

Acervo Dr. José Carlos de A. Pernambuco

Grande comoção em toda cidade, ainda visível quando o sucessor de Stevenson na presidência, Alfredo Gomes Júlio, assumiu o cargo, como o último com mandato de um ano, indo de 01.12.51 a 30.11.52. Como sempre na história da SMCC, Gomes Júlio era importante médico de Campinas, tendo participado da fundação do Hospital Vera Cruz em 1943. Tinha grande reputação e integraria, por exemplo, o primeiro grupo de suplentes do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), que teve a sua primeira eleição no dia 15 de dezembro de 1955.

Fotos: Acervo SMCC

Como forma de evitar tumulto, o desastre no Rink foi anunciado somente ao final da partida. O cinema, que tinha capacidade para mais de mil pessoas, estava lotado para a sessão dupla com “Os Salteadores” e “Amar foi minha ruína”. O teto desabou e em poucos minutos a tragédia estava consumada, com a morte de 40 pessoas e mais de 400 feridos.

P

Dr. Antonio Bernardes de Dr. Mário José de Oliveira Almeida Pernambuco

Dr. Francisco Monteiro Salles

Dr. João de Souza Coelho


Acervo Fundação Roberto Rocha Brito

Presidentes no período de 01.12.1926 a 30.11.1952

Dr. Paulo Mangabeira Albernaz

Dr. Armando da Rocha Brito

Dr. Januário Pardo Meo

Dr. Alfredo Gomes Julio

Dr. Gabriel Porto

Dr. Roldão de Toledo

Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho

Dr. René Penna Chaves

Dr. Roberto Rocha Brito

Dr. Celso Wey Magalhães Dr. Antonio Augusto de Almeida

Dr. Carlos Penteado Stevenson

Acervo Dr. Luis Eduardo M. de Castro Santos

Dr. Arlindo Joaquim de Lemos Júnior

Acervo Família Sevá

Dr. Octávio Bierrenbach de Castro

Dr. Arsênio Oswaldo Sevá

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A Casa do Médico: sede própria foi inaugurada em 20 de agosto de 1971, na Rua Delfino Cintra, próximo da Avenida Francisco Glicério, no Centro de Campinas. Acervo SMCC.


CApÍtULo IV

Mobilização e construção da sede própria da SMCC Com a primeira diretoria eleita para um mandato de dois anos, a SMCC sinalizava para uma nova etapa de sua trajetória. Em um cenário de grandes transformações no panorama urbano e social, era a indicação da necessidade de melhor planejamento das ações e mais tempo para a sua execução. O momento de uma cidade em rápida urbanização exigia isso. A gestão do Dr. José Martins Rocha na presidência da vigésima-oitava diretoria foi de 01.12.52 a 30.11.54. Em outubro de 1953, a grande notícia, com a confirmação da doação de um terreno, pelo Município de Campinas, para que a entidade construísse a sua sede própria. O autor do projeto de doação foi o vereador Alfredo Gomes Júlio, justamente o último presidente da Sociedade. O processo de construção até a inauguração ainda demoraria 18 anos, mas desde o mandato de Martins Rocha a questão já ocupava o topo das prioridades da instituição. SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 65


Faculdade de Medicina de Campinas Os mandatos de José Martins Rocha e de seus sucessores também seriam marcados por um dos grandes temas que mobilizaram a classe médica local e a comunidade campineira em praticamente toda a década de 1950: a criação e inauguração da Faculdade de Medicina de Campinas. A SMCC teve participação ativa em todo o processo, que mais uma vez estava em total sintonia com as demandas de uma cidade em rápido crescimento urbano e populacional. Um artigo de 1946, publicado pelo jornalista Luso Ventura, é considerado o marco inicial da campanha que levaria à criação da Faculdade de Medicina de Campinas e, depois, da Unicamp. Luso Ventura era editor-chefe do Diário do Povo e defendeu a criação de uma Faculdade de Medicina na cidade que estava em franco processo de desenvolvimento. Começou então um movimento local pela criação da Faculdade. Em 1953 o governador Lucas Nogueira Garcez, pela Lei n° 2.154, de 30 de junho, criava a Faculdade de Medicina de Campinas. Esta lei, entretanto, nunca saiu de fato do papel. Em 1955, era criado o Conselho de Entidades de Campinas, por iniciativa da Associação Comercial e do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA). A ideia era reunir todas as entidades locais importantes, para pensar o futuro da cidade. Presidente da Associação Comercial, Ruy Rodriguez teve grande papel nesse momento como secretário-executivo 66

do Conselho de Entidades, que assumiu a campanha pela criação da Faculdade de Medicina de Campinas. A mobilização foi muito forte e em 1958 o deputado estadual Ruy de Almeida Barbosa apresentou projeto à Assembleia, novamente versando sobre a criação da Faculdade de Medicina de Campinas. Com base no projeto, o governo Jânio Quadros editou a Lei n° 4.996, dispondo sobre a criação da Faculdade. O professor Cantídio de Moura Campos chegou a ser nomeado diretor pro tempore da Faculdade, mas novas dificuldades, econômicas e políticas, impediam a instalação da unidade. Foi então que em 1960 o presidente da SMCC, Roberto Franco do Amaral, retomou a campanha pela instalação da Faculdade de Medicina em Campinas. A Sociedade era integrante do Conselho de Entidades, que continuou firme em sua mobilização próFaculdade. No dia 28 de dezembro de 1962, o governador Carlos Alberto de Carvalho Pinto criava a Universidade Estadual de Campinas, incorporando a Faculdade de Medicina criada em 1958. O primeiro diretor pro tempore da Faculdade, Cantídio de Moura Campos, foi transformado em reitor da nova Universidade. O médico Antonio Augusto de Almeida, que havia sido presidente da SMCC, foi nomeado primeiro diretor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Parecia que finalmente a Faculdade tão sonhada se tornaria realidade. Novas manobras políticas, porém, tiveram que ser superadas. O sucessor de Carvalho Pinto, Adhe-


mar de Barros, não tinha interesse em dar continuidade a qualquer iniciativa do governo anterior e chegou a determinar, em março de 1963, através de decreto, a extinção da Universidade Estadual de Campinas, transformada em instituto isolado e sem licença para criar novos cursos. Com o apoio dos médicos reunidos na SMCC e da sociedade em geral, aglutinada pelo Conselho de Entidades, Cantídio de Moura Campos e Antonio Augusto de Almeida continuaram os esforços pela instalação da FCM e da Universidade, mesmo com o decreto de Adhemar de Barros. Saíram, assim, em busca de um local para a instalação da Faculdade, como ponto de partida para a viabilização da Universidade. Foram cogitados vários locais, mas a Faculdade de Ciências Médicas acabou sendo instalada em dois andares do novo prédio, então ainda não concluído, da Maternidade de Campinas, na Avenida Orosimbo Maia. Foi lá que os primeiros 50 alunos tiveram suas aulas iniciais. A aula inaugural da Faculdade de Medicina foi no dia 20 de maio de 1963. Sem apoio real do governo estadual, a Faculdade enfrentou muitos problemas em seus anos iniciais, com falta de verba para uma estrutura adequada. Nada que impedisse, entretanto, a obstinação dos médicos. Em meados da década de 1960, as aulas de clínica médica e o treinamento cirúrgico passaram a ser feitos em instalações da Santa Casa de Misericórdia de Campi-

nas, pois o espaço na Maternidade não era mais suficiente. O apoio que faltava para a Faculdade de Medicina funcionar de modo apropriado viria com o novo reitor da Unicamp, Zeferino Vaz, que, curiosamente, havia sido contrário à criação da Faculdade em Campinas na década de 1950. Ele entendia que Campinas era muito próxima de São Paulo e que novas faculdades deveriam ser instaladas em cidades mais distantes. Acabou, contudo, se tornando reitor por sugestão ao governador Adhemar de Barros feita por um dos grandes líderes do movimento em Campinas, Eduardo de Barros Pimentel. O governador lhe perguntou sobre algum nome e ele citou o de Zeferino. Indagado sobre a resistência, pelo próprio Zeferino, Pimentel argumentou que procuraria convencer a comunidade, o que de fato aconteceu e Vaz se tornou o grande nome da história da Unicamp. As condições de funcionamento provisório da Faculdade permaneceriam até 1986, quando finalmente começou a funcionar em prédio próprio, no campus da Unicamp. No início era um prédio de três andares em terreno de 1,2 mil metros quadrados, com crescimento progressivo, até atingir os mais de 130 mil m2 atuais. Um longo e árduo processo, com a participação importante, em todas as fases, da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. A Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp é hoje uma das mais importantes e disputadas do Brasil, referência internacional no segmento.

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Dr. Luiz Gastão Mangabeira Albernaz discursa em sua posse na SMCC: presidentes sintonizados com as demandas de uma cidade em rápida transformação nos anos 1950-1960. Acervo Dra. Beatriz Mangabeira A. de Queiroz.

Os mandatos na SMCC Durante o período que foi da mobilização da comunidade até a inauguração da Faculdade de Medicina e da própria Unicamp, a Sociedade teve como presidentes José Alfio Piason (01.12.54 a 30.11.56), Antonio Carlos de Souza (01.12.56 a 30.11.58), Luiz Gastão Mangabeira Albernaz (01.12.58 a 30.11.60) e Roberto Franco do Amaral (01.12.60 a 30.11.62). Todos eles contribuíram muito nesse grande movimento local de cidadania, que resultou na estruturação de uma das maiores universidades brasileiras e, dentro dela, uma das principais faculdades de ciências médicas do país. Com uma história muito ligada à Maternidade de Campinas, o Dr. José Alfio Piason era um conhecido médico na cidade e também um herói de guerra. Ele foi um dos médicos que participaram pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. 68

Além de suas atividades médicas e militares, o tenente José Alfio Piason foi responsável pela produção, durante a campanha da FEB na Itália, pelo jornal E a cobra fumou!. O curioso título se deve à afirmação recorrente no país, no início do grande conflito, de que era “mais fácil a cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”. Pois a cobra fumou e o jornal se tornou um sucesso entre a tropa. Era feito sem qualquer censura, ao contrário do que ocorria com as publicações no Brasil, submetidas ao rígido controle do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo de Getúlio Vargas. Era um jornal crítico, que não poupava nem os chefes militares. Durante a gestão de José Alfio Piason começaram as discussões sobre a construção da sede própria da Sociedade, em função da doação do terreno pelo poder público muni-


cipal. Ele foi presidente da entidade em um período crítico para Campinas, quando a cidade sentia cada vez mais os impactos das mudanças urbanísticas proporcionadas pelo Plano Prestes Maia. Em abril de 1956, foi demolido o antigo Mercado das Hortaliças, conhecido como Casa das Andorinhas, situado no local hoje batizado de Largo das Andorinhas, ao lado do Palácio dos Jequitibás, sede da Prefeitura Municipal. Em maio, começava a demolição da Igreja do Rosário, concluída em setembro, gerando grande comoção na opinião pública. Ela ficava onde hoje é a Praça Visconde de Indaiatuba, mais conhecida como Largo do Rosário, palco das grandes manifestações políticas locais. De qualquer modo a cidade estava em franco crescimento. Em 1955 foi inaugurado o Cine Ouro Verde e começaram as corridas noturnas no Hipódromo do Bonfim. Em 1956 começou a pavimentação da estrada para Sousas e foi inaugurado o Supermercado Campineiro, o primeiro de Campinas nos moldes como hoje é conhecido. Os sucessores de Piason na presidência, Antonio Carlos de Souza e Luiz Gastão Mangabeira Albernaz, também eram médicos muito conhecidos e respeitados na comunidade. O Dr. Antonio Carlos de Souza foi um dos responsáveis, ao lado de Arsênio Oswaldo Sevá, também ex-presidente da SMCC, pela vinda para Campinas de Roberto Franco do Amaral. Eles tinham sido colegas de turma e convidaram Amaral para conhecer, em Campinas, o Instituto Penido Burnier, onde o Dr. J. F. Monteiro Salles procurava

um especialista para assumir a direção do Departamento de Análises Clínicas. Franco do Amaral permaneceria no Instituto Penido Burnier até meados de 1962, justamente o segundo ano de sua gestão como presidente da Sociedade. Um dos três filhos, todos médicos, de Paulo Mangabeira Albernaz, Luiz Gastão Mangabeira Albernaz, por sua vez, foi um dos responsáveis pela instalação do Serviço de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, no início da década de 1960, ao lado de nomes como Gabriel Porto, Raul Guedes de Mello, Manoel Afonso Ferreira Filho, Celso Guimarães, George Bernardes e Sinézio Dechichi. Muitas vezes esse grupo, do qual faziam partes vários dirigentes da SMCC, se reuniu na “Cantina do Mário”, o centro de encontros da Faculdade, ainda na Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Oscar Maudonnet foi o primeiro residente. Nascido em Jaú em 1923, Luiz Gastão veio ainda criança com a família para Campinas e, após formar-se em Otorrinolaringologia, em 1948, pela Escola Paulista de Medicina, estabeleceu-se profissionalmente na cidade com um consultório onde clinicava em conjunto com o pai. Foi médico concursado do serviço público de saúde no extinto IAPC (Instituto de Aposentadoria dos Comerciários), depois transformado em INPS, médico do SESI e do Hospital Vera Cruz. Lecionou junto com o pai na cadeira de anatomia descritiva no curso de Odontologia da PUC-Campinas e também foi docente na Universidade São Francisco, em Bragança Paulista.

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De seus oito filhos, dois abraçaram a carreira médica: Beatriz Mangabeira Albernaz de Queiroz e Rubens Mangabeira Albernaz. Ambos trabalharam com o pai até a aposentadoria deste em 2003, e destacam a sua personalidade afável e cordata, bem como seu constan- Nota promissória da campanha de arrecadação de recursos para a construção da sede te interesse por novida- própria. Acervo Dr. Cláudio Fernandes. des na Medicina (uma técnica cirúrgica mais Naquele período, um dos desafios eram avançada ou um medicamento mais eficaz) as consequências da hiper-bilirrubinemia e que pudesse disponibilizar aos seus pacienera frequente atender recém-nascidos, entes. Gastão faleceu em 2008, aos 85 anos. viados por Eduardo de Almeida, do berçário O sucessor de Luiz Gastão Mangabeira Albernaz foi justamente o Dr. Roberto Franco do Amaral, de 01.12.60 a 30.11.62. Ele teve papel relevante no processo que levou à oficialização da criação da Unicamp e da Faculdade de Medicina.

da Maternidade de Campinas. Desse relacionamento com Eduardo de Almeida, que presidia a Maternidade, e acordo com o doutor J. A. Piason, diretor clínico e ex-presidente da SMCC, nasceu a ideia da Maternidade de Campinas ter seu próprio laboratório.

Após sua formatura, o Dr. Roberto Franco do Amaral recebeu bolsa de estudos para o Laboratório de Saúde Pública do Estado de Nova York e Laboratório de Betesda, concedida pelo Pan American Sanitary Bureau. Passou então a gerir um Laboratório de Análises em São Paulo, após ter trabalhado na produção de soro e vacinas. Isto na década de 1950, até receber o convite dos amigos Sevá e Souza para conhecer Campinas, onde acabou se instalando. Ficou na direção do Departamento de Análises Clínicas do Penido Burnier até 1962, quando estava à frente da Sociedade.

Foi assim que, a 6 de outubro de 1962, foi fundado o Laboratório Franco do Amaral, com a participação do Dr. Oscar Gerin, que nele atuou por muitos anos. Nos anos de 1970, os médicos patologistas clínicos Ricardo Franco do Amaral, Luis Alberto Souza e Paulo Clemente Cezar passaram a colaborar e continuar as atividades do Laboratório.

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Durante o mandato de Roberto Franco do Amaral, um grande marco na história da entidade, além de sua participação na luta pela criação da FCM e da própria Unicamp: foi durante sua gestão que se aventou, pela


primeira vez, a ideia de criação de uma tabela de honorários médicos para se padronizar a remuneração, então heterogênea, de serviços prestados aos institutos de previdência social. Pois essa luta duraria anos, com vários capítulos. Era mais um passo no sentido de fortalecimento da classe médica, tendo a Sociedade como grande espaço de diálogo, mobilização e deliberação.

Campanha e construção da sede própria O sucessor de Roberto Franco do Amaral na presidência foi o Dr. Gabriel Porto, à frente da diretoria entre 01.12.1962 e 30.11.1964. Em um dos períodos mais convulsionados da história do país, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas também foi abalada por um grande drama: Justamente após o golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart. Em meio a toda a turbulência que se seguiu ao movimento militar, a SMCC foi informada de que deveria deixar a sede na Rua Dr. Quirino, esquina com a Thomaz Alves. Foi um choque, pela medida inesperada, mas imediatamente o presidente Gabriel Porto deflagrou as providências para a busca de uma nova sede. A solução foi encontrada pelo oferecimento do engenheiro Edward de Vita Godoy do segundo andar do prédio que havia construído na Rua General Osório 883. Na realidade era um apartamento, com espaço menor do que o ocupado na Rua Dr. Quirino, mas foi ali que a Sociedade instalou

a sua quinta sede provisória e, para isso, foi obrigada a vender parte de seu mobiliário, por duzentos e vinte mil cruzeiros, conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária de 23 de julho de 1964. A mesma ata registra um voto de louvor ao presidente Porto, proposto por Elias Farah, pela “atitude elogiável e brilhante na conquista da sede provisória”. Para Rui Ferreira Pires, o episódio certamente contribuiu para alimentar o desejo da classe médica de apressar o processo de construção da sede própria da instituição. Já haviam se passado dez anos da doação do terreno pelo Município. A campanha pela construção da sede própria teve continuidade no mandato do Dr. José Ataliba Ozamis Aboin Gomes, entre 01.12.1964 e 30.11.1966. Nascido em Campinas, no dia 29 de julho de 1916, era filho de um casal de espanhóis que imigrou para o Brasil no início do século 20. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Praia Vermelha), foi casado com Joana Zanaga Aboin Gomes, também médica e colega de turma. Era uma época em que poucas mulheres estudavam Medicina, mas a esposa do Dr. Aboin Gomes se especializou em pediatria e exerceu atividades também em Campinas até o seu falecimento. A Dra. Joana Zanaga foi uma grande filantropa, sendo líder das Senhoras Sorotimistas de Campinas. José Ataliba O. Aboin Gomes foi diretor clínico do Hospital Real Sociedade Portuguesa de Beneficência durante 30 anos. Operou ao lado de Armando Rocha Brito, grande mestre, e de seu filho Armando Rocha Brito Júnior

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 71


A sede foi erguida em terreno doado pela Prefeitura de Campinas. Acervo SMCC.

desde sua chegada a Campinas, após concluir Medicina e residência no Rio de Janeiro. Aboin Gomes foi ainda uma ativa liderança política, sendo vereador em três mandatos: de 1952 a 1955, de 1960 a 1963 e de 1979 a 1972. Representou a Câmara Municipal de Campinas no Conselho Municipal de Promoção Social no ano de 1971, no governo de Orestes Quércia. Ainda na área médica, foi sócio fundador da Unimed Campinas. Reconhecido cirurgião, operou milhares de pessoas e sempre estava disposto a orientar os médicos mais jovens. Era muito respeitado. Em sua gestão, teve de fato continuidade a campanha pela construção da sede própria. Papel importante nessa campanha teve Elias Farah, tesoureiro por quatro mandatos consecutivos, nas gestões de Gabriel Porto, Aboin Gomes, William Omati e Benedito Costa Lima, que inauguraria a sede própria. 72

O engenheiro Marino Ziggiatti foi contratado para a elaboração do projeto para a Casa do Médico, a sede própria da SMCC. Faltavam os recursos financeiros e eles começaram a aparecer em função de uma campanha de remissão, conduzida pelo tesoureiro Elias Farah. Lembra Rui Ferreira Pires que foi oferecida a todos os sócios a oportunidade de se candidatarem à categoria de “sócio remido”, com limitado número de vagas, mediante contribuição. A campanha foi um sucesso e a Construtora Penteado de Freitas foi contratada para executar o projeto de Marino Ziggiatti. Começaram então, enfim, as obras de construção da sede própria. O sucessor de Aboin Gomes na presidência, Dr. William Omati, deu continuidade ao processo. Seu mandato foi de 01.12.1966 a 30.11.1968.


Nascido em Damasco, na Síria, William Omati era filho de José Omati e Maroca Kirche Omati. Tinha cinco irmãos e uma irmã. Formou-se em Contabilidade aos 16 anos e também se graduou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, sempre recebendo as melhores notas de toda a sua turma durante o curso. Durante a Faculdade, deu aulas de anatomia para se manter. De volta a Campinas, trabalhou na Casa de Saúde e na Beneficência Portuguesa, foi médico do INPS e das Lojas Americanas. Mantinha consultório particular na Rua Visconde do Rio Branco. Especializouse em cirurgia de vias biliares pela Universidade de Córdoba, na Argentina. Esportista nato, competiu em natação e tênis. Era considerado um dos melhores tenistas de sua geração. Fanático torcedor da Ponte Preta, foi diretor do clube e também sócio do Mogiana, fundador da Sociedade Hípica de Campinas, fundador do Clube Enseada em Americana e do Ilha Porchat Clube. Também foi presidente do Tênis Clube de Campinas. Leitor voraz, aprendeu a ler e escrever em inglês, francês e espanhol por conta própria. Foi condecorado pelo governo italiano com o título de comendador por seus trabalhos a serviço da colônia italiana como médico. Adorava o mar e, quando estava em Ubatuba, sua casa virava um grande ambulatório, pois na época a estrada era de terra e, por isso, os acessos eram muito precários. O amor ao mar rendeu muitos episódios curiosos. Uma vez comprou barco em Recife e, mesmo tendo tido edema pulmonar, uma

semana antes navegou da capital pernambucana até Ubatuba, para desespero da mulher Lais e preocupação dos quatro filhos. William Omati era um empreendedor e fundou a empresa Fiama, de tecidos. Durante sua gestão foi executada a maior parte das obras de construção da sede própria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Faleceu em 3 de agosto de 1988, em Campinas. Caberia ao sucessor de William Omati, Benedito da Costa Lima, concluir o processo de levantamento de fundos e construção da sede própria. Estava terminando a turbulenta década de 1960 para o Brasil. No dia 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional número 5, mais conhecido como AI-5, significou o endurecimento do regime militar. Uma das características do período militar foi o êxodo populacional. Milhões de pessoas deixaram o campo e foram viver nas cidades. Campinas foi uma delas. Em 1970 a cidade chegava a 375.864 moradores, quase o dobro dos 219.303 de 1960. Com o crescimento da população, aumentou a demanda pelos serviços públicos, sobretudo em educação e saúde.

Uma década de realizações Foi comum na trajetória de 90 anos da SMCC, assim como acontece na maioria das instituições, a emergência de grupos de médicos que acabaram permanecendo nos principais cargos diretivos durante alguns períodos. São pessoas com relações de amizade, mas principalmente com afinidades no campo das ideias, de concepções sobre a prática profissional e a própria condução da Sociedade.

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 73


Assim aconteceu com o grupo eleito para compor a 36ª diretoria, presidida pelo Dr. Benedito da Costa Lima entre 01.12.1968 e 30.11.1970. Foi neste mandato, inclusive, que, por reforma dos estatutos, aprovada a 16 de maio de 1969, foi ampliada a composição da diretoria, com o acréscimo dos cargos de 2º vice-presidente, secretário geral e segundo tesoureiro. A reforma dos estatutos já era uma das metas da nova diretoria, anunciadas logo no discurso de posse de Benedito da Costa Lima na presidência. O objetivo da ampliação dos cargos dirigentes era fortalecer a atuação da entidade, com a participação de maior número de membros à frente da instituição. Outra das metas era a implementação do plano de ação para a construção da sede própria. O processo se arrastava há longos anos e corria-se até o risco de perder o terreno doado pelo município, se não se viabilizasse a tempo a edificação. Foi então iniciada uma campanha de contribuição. Enquanto prosseguia a campanha pela construção da Casa do Médico, a SMCC era palco de importantes iniciativas. No dia 1º de agosto de 1969, por exemplo, na sede da Rua General Osório 844 - 2 º andar, teve início a regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Urologia. Participaram da reunião de fundação os médicos Augusto Amélio da Motta Pacheco, Roberto Rocha Brito, Wilson Simas, Nelson Caprini, José Albuquerque e Hamilton José Borges. A primeira diretoria da regional teve suas primeiras reuniões, de fato, em Campinas. O mandato dessa diretoria era provisório e duraria até a realização do XII Congresso 74

Brasileiro de Urologia, entre 19 e 22 de novembro de 1969. A diretoria era integrada por Augusto Amélio da Motta Pacheco (presidente), Hamilton José Borges (secretário) e Nelson Caprini (tesoureiro). A partir da segunda diretoria, até o ano de 1974, as reuniões da diretoria da SBU-SP foram realizadas na sede da Associação Paulista de Medicina. Outros locais foram utilizados provisoriamente, até a aquisição da sede própria, na Rua Augusta 2933 - 3º andar, conjunto 31. Por sua vez, a inauguração da sede própria, a Casa do Médico, se deu a 20 de agosto de 1971, na Rua Delfino Cintra, Centro de Campinas, bem próximo da Avenida Francisco Glicério. A normatização, o incentivo e a supervisão dos Departamentos Científicos, igualmente visando ao seu fortalecimento, eram outras das metas anunciadas por Costa Lima e devidamente cumpridas ao longo dos anos seguintes por ele mesmo em um segundo mandato, entre 01.12.1971 e 30.11.1973, e por seu sucessor, Rui Ferreira Pires, que também exerceria dois mandatos consecutivos. Mais uma meta anunciada por Costa Lima, a 1º de dezembro de 1968, e perseguida com obstinação nos seus mandatos e nos de Rui Ferreira Pires, era o da continuidade dos trabalhos desenvolvidos pela diretoria anterior, junto ao INPS, para implantação do regime assistencial por livre escolha. O regime da livre escolha e pagamento por serviço prestado era defendido pela Associação Médica Brasileira e Associação Paulista de Medicina. A ideia era que todos os médicos


que fizessem a escolha seriam credenciados pelo INPS e pagos pelos serviços de fato prestados. Não haveria vínculo empregatício.

O médico lembra que foi executado um grande trabalho de convencimento dos colegas de profissão sobre os benefícios da livre escolha. “Conversamos com funcionários subalternos, agentes, chefinhos e chefões e até com o Ministro do Trabalho e Assistência Social, de então”, relata Pires.

Da mesma forma, os pacientes poderiam escolher livremente o seu médico de confiança, sem intermediação. Naturalmente essa demanda encontrou forte resistência na Previdência Social, dificultando a sua implantação. O INPS, no auge do regime militar, temia “perder o controle da situação”, como observa Rui Ferreira Pires, que acompanhou e participou de todo processo.

A livre escolha não foi alcançada, apesar da forte e inédita mobilização dos médicos de Campinas e de outras cidades do Estado. Foi neste contexto que emergiu o movimento que resultou na criação da Unimed Campinas.

Presidentes no período de 01.12.1952 a 30.11.1973

Dr. José Alfio Piason

Dr. Antonio Carlos de Souza

Dr. Luiz Gastão Mangabeira Albernaz

Dr. Roberto Franco do Amaral

Fotos: Acervo SMCC

Dr. José Martins Rocha

Dr. Dr. Gabriel Porto

Dr. José Ataliba Ozamis Aboin Gomes

Dr. William Omati

Dr. Benedito da Costa Lima

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 75


Sede da Unimed Campinas: trajetória de 45 anos da cooperativa está estreitamente ligada à luta dos médicos campineiros, liderada pela SMCC.


CApÍtULo V

A criação da Unimed e o papel da SMCC Em 2014, a Unimed Campinas, de acordo com seu Relatório de Sustentabilidade, alcançou a impressionante marca de 820 mil vidas em sua carteira de clientes, como pessoas físicas ou beneficiárias de convênios via pessoa jurídica. Com mais de 3.200 médicos cooperados, a singular entidade tem mais de 70% do mercado onde atua. A Unimed Campinas opera, além da cidade-sede, em Artur Nogueira, Cosmópolis, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna, Monte Mor, Paulínia, Santo Antonio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. Todos esses números configuram a Unimed Campinas como uma gigante do ramo da saúde suplementar no Brasil. A trajetória de 45 anos da cooperativa está estreitamente ligada à luta dos médicos campineiros, liderada pela SMCC.

Greve na ditadura militar A Unimed Campinas é fruto da luta histórica da classe médica pelo reconhecimento de seus serviços, através de condições adequadas de trabalho e SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 77


remuneração justa. Dois fatos na década de 1960 contribuíram para que fosse criado na categoria um clima de insatisfação, que levou a um histórico movimento associativo, em plena ditadura militar. Em 21 de novembro de 1966, através do Decreto-lei no. 72, o presidente da República, general Humberto de Alencar Castello Branco, criou o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), a partir da unificação de seis Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs): IAPM (Marítimos), IAPC (Comerciários), IAPB (Bancários), IAPI (Industriários), IAPETC (Empregados em Transportes e Cargas) e IAPFESP (Ferroviários do Estado de São Paulo). Os IAPs haviam sido criados na década de 1930 pelo presidente Getúlio Vargas, por sua vez substituindo as antigas Caixas de Aposentadorias e Pensões. Com a unificação dos institutos e a criação do INPS, da noite para o dia todos os trabalhadores brasileiros passaram a ser beneficiários da Previdência Social. Bom de um lado, pelas implicações sociais da medida, mas, de outro lado, foi um forte impacto nos serviços de saúde. As clínicas particulares sentiram o abalo e muitas fecharam. Médicos que não tinham vínculo com alguma organização hospitalar, como as Santas Casas e congêneres, sofreram os impactos da medida. Começou, então, a polêmica, ainda não encerrada, a respeito do pagamento da Previdência pelos serviços prestados pela classe médica. Mas outro ingrediente contribuiu para alimentar a insatisfação em parte expressiva da classe médica, naqueles conturbados anos 60. Foi a emergência no país da chama78

da medicina de grupo, não-estatal, a partir do modelo que vigorava desde a década de 1920 nos Estados Unidos. No Brasil, a medicina de grupo começa a operar, inicialmente, para atender aos operários do ABC paulista, onde se instalaram as grandes multinacionais do setor automobilístico. Depois a medicina de grupo se propagou para outras regiões, sempre com forte atuação no Estado de São Paulo, o mais rico e populoso do país. Cidade importante no cenário nacional, Campinas evidentemente atraía os interesses dessa nova modalidade de serviços médicos. Um hospital foi adquirido por organização com as características da medicina de grupo, o que gerou uma forte reação da classe médica. O grande foco de conflito era realmente a relação com a Previdência. As clínicas particulares foram esvaziadas, mas logo se constatou que o serviço previdenciário não dava conta de atender todos os casos, sobretudo os mais complicados. As contenções orçamentárias eram cada vez maiores, com reflexo na qualidade dos serviços prestados. Foi neste cenário que emergiu, em pleno 1968, o ano mais efervescente da ditadura militar (e no mundo como um todo, como ficou claro com o movimento dos estudantes franceses em maio), a luta pela livre-escolha ampla, geral e irrestrita. Os líderes do movimento da livre-escolha no Estado de São Paulo foram Pedro Kassab, na capital, e Benedito da Costa Lima, em Campinas, com total apoio e mobilização da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas.


Em março de 1968, a entidade se declarou em sessão permanente. A partir daí foram dezenas de reuniões e assembleias, ordinárias e extraordinárias, em um movimento crescente que culminou com o inevitável: uma greve na classe médica, nas vésperas da edição do Ato Institucional Número 5, o AI-5, de 13 de dezembro de 1968, que marcou o endurecimento do regime militar e o cerceamento definitivo das liberdades democráticas por um largo período. Os acontecimentos de fato se precipitaram em outubro de 1968, a partir da paralisação dos ortopedistas e urologistas de Campinas. Em meados de outubro, a agência local do INPS acenou com a convocação de médicos de cidades vizinhas, se continuasse o movimento grevista em Campinas. Uma assembleia da Sociedade, no dia 22 de outubro, foi muito importante em termos dos rumos da mobilização da classe médica. A assembleia foi realizada no ambulatório de ginecologia da Casa de Saúde e teve maciça presença de médicos. “Mais uma vez a dignidade dos médicos foi atingida”, afirmou na assembleia Roberto da Rocha Brito, sobre as declarações dos representantes locais do INPS, a emissora de rádio local, sobre a mobilização da classe médica. Foi então que a assembleia votou, e aprovou, a proposta de Celso Mazariol: “Paralisação de todo atendimento ao INPS pelos médicos da SMCC – os casos de risco de vida imediato serão atendidos independentemente da Previdência”. Um dos veementes defensores da proposta de Mazariol foi Jeber

Juabre, que depois teria papel determinante na criação da Unimed Campinas. A radicalização foi a tônica de outras propostas, como a de que não se permitisse, durante a paralisação, a entrada de “médicos estranhos” nas unidades hospitalares. Foi igualmente proposta a expulsão dos associados da SMCC que não aderissem à mobilização. Por sugestão de Artur Almeida, foram criadas comissões para o atendimento em caso de emergência, graciosamente se fosse o caso, durante o movimento grevista. Gustavo Murgel, por sua vez, comentou que não havia perigo, em sua opinião, de os médicos serem enquadrados na Lei de Segurança Nacional em função do movimento grevista. Claro, era uma opinião, que provavelmente mudaria se fosse emitida pouco tempo depois, após a edição do AI-5 que instalou um clima de terror no Brasil. Foi então marcada a paralisação geral, para começar às 12 horas de 23 de outubro, às 7 horas para os médicos que participavam da assembleia. Artur Almeida ficou encarregado de organizar os atendimentos de emergência. Também foi criada uma comissão de comunicação para o contato com a imprensa. Igualmente aprovada a proposta de que fosse afastado o responsável máximo local pelo INSS, considerado inábil para conduzir as negociações que se seguiriam. O movimento foi deflagrado, com grande repercussão, local, estadual e nacional. A estrutura planejada pelos médicos funcionou e no dia seguinte, 24 de outubro, uma comissão formada pelo presidente da Socie-

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A criação da Unimed Campinas

dade, William Omati, e outros médicos se encontrou no Rio de Janeiro com o ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho. Por sugestão do ministro, outro encontro foi marcado para o dia 25, em São Paulo, entre a comissão de médicos e o presidente do INPS, Francisco Luiz Torres de Oliveira.

Um dos mais ativos na mobilização dos médicos em 1968, no auge da ditadura militar, pelo reconhecimento adequado aos serviços prestados para Dr. Jeber Juabre liderou a criação da Unimed Campinas. Acervo SMCC.

Na noite do dia 25, nova assembleia da SMCC em Campinas, com várias decisões importantes. Em primeiro lugar, que seria exigida a imediata reconsideração de dispensa dos médicos credenciados atingidos por circular da agência da Previdência em Campinas. Do mesmo modo, seria pedido o abono das faltas durante os dias do movimento. A determinação dos médicos, como ficou claro na assembleia, era a de que as conversações com os representantes oficiais sobre a paralisação em Campinas deveriam ocorrer em ambiente neutro, como no auditório da Associação Comercial e Industrial de Campinas, estando ausente o coordenador médico local da agência previdenciária. Já a presença do agente seria indispensável. Enquanto o movimento prosseguia, com atendimento apenas aos casos de emergência, nova reunião com os representantes oficiais foi marcada para o dia 30 de outubro. Os médicos decidiram então manter o movimento até o dia 31 de outubro, quando seria feita uma avaliação dos avanços – ou não – nas conversações. 80

a sociedade foi o Dr. Jeber Juabre. Foi sob a sua liderança que

se desencadeou o processo que culminou na criação da Unimed Campinas, sempre tendo a SMCC como o grande espaço de discussão e decisão. Nascido em Glicério, interior de São Paulo, Juabre se formou em Medicina no Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar. Inicialmente no Hospital Central Souza Aguiar e depois na Santa Casa de Misericórdia da Guanabara. Em meados da década de 1960 estabeleceu-se em Campinas, onde se tornou uma grande liderança da classe médica. Jeber Juabre era secretário geral na primeira gestão de Benedito da Costa Lima quando se desenrolou todo o processo que culminou na criação da Unimed. Ele estava com o presidente, Benedito Costa Lima, na reunião com o ministro Jarbas Passarinho, sobre os rumos do movimento dos médicos de Campinas. No encontro, o ministro citou a movimentação que levou à criação da primeira cooperativa médica do Brasil, a Unimed de Santos. A partir daí não parou mais a evolução dos fatos, até a criação da Unimed de Campinas, a segunda do país.


Jeber Juabre era amigo de infância do primeiro presidente da Unimed Santos, o ginecologista e obstetra Edmundo Castilho. A Unimed Santos foi fundada no dia 18 de dezembro de 1967, por um grupo inicial de 23 médicos. De novo com Benedito Costa Lima, Juabre foi a Santos para conhecer a experiência e ficou muito entusiasmado. Era necessário um mínimo de 20 médicos para fundar uma cooperativa, mas, como sempre aconteceu na vida da SMCC, a ideia era de que a nova modalidade de atendimento médico deveria ser discutida por toda a classe. Foi então convocada uma assembleia da Sociedade para se discutir a aprovação da criação da Unimed Campinas. Dos 68 médicos presentes, 67 aprovaram a iniciativa e aa unidade foi fundada no dia 17 de dezembro de 1970, no início do segundo mandato de Benedito Costa Lima. As primeiras reuniões da diretoria da Unimed Campinas aconteceram na última sede provisória da SMCC. Depois, passaram a acontecer reuniões na sala dos médicos da Casa de Saúde de Campinas. A parceria ficou ainda mais estreita quando a recém-fundada Unimed Campinas e a SMCC passaram a compartilhar um espaço na Avenida Andrade Neves 707. Foi o último endereço provisório da Sociedade. A sólida união com a SMCC foi, de fato, fundamental para a implantação e rápido crescimento da Unimed Campinas. Com essa relação ficou mais fácil o convencimento dos médicos sobre os benefícios da ação cooperativada.

Jeber Juabre ficou encarregado da organização e da gestão, pois já tinha conhecimento acumulado na área como médico das Indústrias Romi, de Santa Bárbara D´Oeste. Lá ele teve contato com questões administrativas que foram essenciais para viabilizar e agilizar a implantação da Unimed Campinas. Outros médicos, estabelecidos há mais tempo na região, ficaram encarregados da divulgação da ideia, que aos poucos foi ganhando simpatia. Outra frente de atuação buscava contato com as empresas para convencê-las a aderir à nova modalidade de medicina. As primeiras grandes empresas a assinarem contrato com a Unimed Campinas foram a Robert Bosch do Brasil, a Sears e a Merck, Sharp & Dohme. Logo vieram outras empresas importantes, como PUC-Campinas, Coca-Cola, Indústrias Romi e vários sindicatos e associações profissionais. Em 1972, menos de dois anos após a sua criação, a Unimed Campinas já contava com 50 contratos, representando 40 mil vidas atendidas. A lista de médicos cooperados só crescia, dos 67 iniciais para 273 no segundo ano e 314, no terceiro. Duas décadas depois, já eram 500 mil vidas atendidas. Em 2014 já eram mais de 820 mil vidas, sendo mais de 8.000 contratos empresariais. Uma história de sucesso e total ligação com a trajetória da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas.

Surto de meningite No início da década de 1970, teve início um surto de meningite que se alastrou de

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forma preocupante e impactante no Estado de São Paulo. O governo paulista foi então motivado a deflagrar uma vacinação em massa para a população. Em 1975, solicitada a cooperar, a SMCC, em conjunto com a Sociedade dos Amigos da Cidade de Campinas, requisitou entre os associados colaboração voluntária para enfrentar o mal que se propagava. Houve grande adesão. Um plano logístico foi elaborado e, com a participação do povo, a iniciativa obteve sucesso. Uma importante parcela da população foi vacinada, em Campinas e em todo o Estado. O surto declinou. No período do segundo mandato de Costa Lima, um grande passo para o fortalecimento do polo médico local, com a inauguração em março de 1973 do Centro Médico de Campinas, fruto da iniciativa de um grupo de médicos, liderados pelo Dr. John Lane. Foi fundamental, para a materialização do novo hospital, o apoio do então diretor da unidade da Bosch, Wolfgang Sauer. De fato, a concretização e o funcionamento do CMC representam o maior investimento social já feito pela empresa alemã no Brasil. Estruturado no Distrito de Barão Geraldo, ao lado do campus da Unicamp, o Centro Médico de Campinas se tornaria um dos melhores e mais bem equipados hospitais da região, e talvez do Brasil. O hospital é um dos únicos na região de Campinas a ter escola de enfermagem reconhecida pelo MEC, capacitando mais de mil auxiliares e técnicos em 40 anos. O CMC é, ainda, pioneiro em artroscopia no interior de São Paulo e foi um dos pionei82

ros em videolaparoscopia no Brasil. Também pioneiro no conceito de Day Hospital e foi o primeiro hospital brasileiro a implantar marca-passo cardíaco de demanda. Um hospital, enfim, em sintonia com a vocação científica e tecnológica de Campinas.

Médicos e a vocação solidária A criação da Unicamp, no início da década de 1960, consolidou a vocação de Campinas em sediar um dos mais importantes polos científicos e tecnológicos do país. Naturalmente o setor médico e da saúde em geral é um dos mais beneficiados por esse processo. A presença de um polo de C&T e de inovação tem grande impacto em avanços também na área das ciências médicas e da saúde. Uma decorrência desse ambiente propício foi a criação, em Campinas, de organizações não-governamentais direcionadas para atender a demandas específicas na área da saúde, não devidamente atendidas pelo Estado e por políticas públicas. Essas instituições privadas, sem fins lucrativos, também estão em sintonia com uma vocação histórica da cidade para a ação solidária. Campinas dando respostas a questões emergentes e desafiadoras. Entre as décadas de 1970 e 1980 surgiram várias e importantes organizações com este perfil. Em 1975 nasceu, pelas mãos do cirurgião plástico Cássio Raposo do Amaral, que acabava de se especializar na França, a Sociedade Brasileira de Pesquisa e Assistência para Reabilitação Crânio Facial (Sobrapar). Em pouco tempo a instituição se tornaria uma referência nacional e internacional


no tratamento de deformidades da face, sendo uma das únicas do país no gênero a fornecer tratamento gratuito via SUS (Sistema Único de Saúde). A 25 de janeiro de 1978, era criado o Centro Infantil de Investigação Hematológica “Dr. Domingos Boldrini”, que recebeu um impulso inicial da Fundação Robert Bosch do Brasil. Com instalações construídas e ampliadas nos anos de 1980 e 90, e, sob a direção da Dra. Silvia Brandalise, o Boldrini também se tornaria uma referência mundial no tratamento de diversas patologias sanguíneas (como doença falciforme, talassemia, hemofilias e anemias) e câncer em crianças. Outra organização de grande relevância nasceria, na década de 1980, em resposta ao grande drama humano suscitado pelo surgimento da AIDS. No início, muito preconceito e desinformação em relação ao tema, mas um grupo de pesquisadores da Unicamp teria papel fundamental para modificar essa atitude. Coordenado pelo médico Antônio Carlos Corsini, professor nos Departamentos de Microbiologia e Imunologia da Universidade, o grupo se encarregou de difundir informações precisas sobre a doença e de estimular novos procedimentos sociais em relação aos portadores do vírus HIV. Em setembro de 1982, Corsini participava de um curso de Imunologia em Lausanne, Suíça, quando contraiu uma grave doença. Retornou ao Brasil em janeiro de 1982 e, mesmo doente, continuou se dedicando aos trabalhos com a AIDS. A 29 de janeiro de 1984 o médico faleceria. Três anos depois, a 20

de janeiro de 1987, um grupo de estudiosos que haviam sido orientados pelo professor da Unicamp fundou o Centro de Controle e Investigação Imunológica “Dr. Antônio Carlos Corsini”, em homenagem ao pioneiro da compreensão da AIDS em Campinas. Como acontecia com outras instituições pioneiras, como o Centro Boldrini e a Sobrapar, o Centro Corsini também alcançaria na área de AIDS o status de referência internacional. Sob a direção da Dra. Silvia Bellucci, o Corsini passaria a prestar completo atendimento a portadores do HIV, no âmbito da infectologia, imunologia, psiquiatria e tratamento dentário. A instituição se dedicaria, do mesmo modo, a promover várias campanhas de esclarecimento sobre a doença, em termos da prevenção e do combate aos preconceitos. Em dezembro de 1984 seria a vez da criação da Fundação Síndrome de Down, estruturada com uma linha inovadora em termos de educação especial para os portadores durante a infância e adolescência. Entre os fundadores, o Dr. Ulysses Moraes de Oliveira.

Novas metas, novas conquistas O forte trabalho desenvolvido nas duas gestões de Benedito da Costa Lima, que levou à criação da Unimed Campinas e à inauguração da sede da SMCC, credenciou a escolha de seu candidato à sucessão, o Dr. Rui Ferreira Pires, eleito para a 38ª diretoria, entre 01.12.1973 e 30.11.1975, permanecendo em um segundo mandato, entre 01.12.1975 e 30.11.1977.

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Baile do Dia do Médico, na Sociedade Hípica de Campinas, nos anos 1970: data tradicionalmente celebrada com pompa e circunstância. Acervo SMCC.

Nascido em Campinas, Pires se formou na Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, em 1960. São Paulo tinha apenas quatro faculdades de medicina na época, duas na capital, uma em Sorocaba e a outra em Ribeirão Preto. Ingressou no serviço público, no centro de saúde na Avenida Orosimbo Maia, e também atuou na Clínica Santo Antônio, na Avenida Barão de Itapura. Sua participação na SMCC começou a convite do próprio antecessor, Benedito da Costa Lima. Rui foi secretário na diretoria, nas duas gestões de Costa Lima. “Sempre estivemos muito alinhados. Era um trabalho em parceria”, lembra. A gestão de Rui Ferreira Pires foi marcada por um novo período de grandes realizações. Foi mais uma vez traçado um plano de metas, 84

cumprido ao longo dos quatro anos. Uma delas era liquidar as dívidas da Sociedade, demanda essencial no momento em que a instituição começava uma nova etapa com a sede própria. Mobiliar a sede era, naturalmente, uma outra meta importante. Era necessário dar as condições adequadas para o funcionamento da Casa do Médico, como grande espaço de desenvolvimento científico e congraçamento dos médicos de Campinas. Fortalecer a Unimed era outra meta, consequência natural do processo que levou à criação da cooperativa. A consolidação da Unimed, nota Rui Ferreira Pires, era uma “arma” importante contra a medicina de grupo e, como derivação da mobilização dos médicos de Campinas, a cidade alcançou projeção crescente na esfera estadual e federal, o que pode ser veri-


ficado pela eleição de Rui Ferreira Pires como primeiro vice-presidente da APM. Pires chegaria a assumir a presidência da Associação Paulista de Medicina, em função do falecimento do presidente, Henrique Arouche de Toledo. Com isso ele se afastou temporariamente da presidência da SMCC. No momento de estruturação da sede própria, a SMCC completava 50 anos em 1975. A programação do cinquentenário foi aberta em grande estilo, com a presença em fevereiro, como conferencista, de Euryclides de Jesus Zerbini, na época um dos mais conhecidos médicos brasileiros, de fama internacional.

No mesmo dia, foram homenageados os remanescentes do grupo que fundou a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas: Carlos Penteado Stevenson, Alcindo Toledo Soares e Olympio Dias Porto. A programação dos 50 anos foi encerrada também de forma brilhante, com o baile do Dia do Médico, a 18 de outubro. Foi neste período, de fato, que a data passou a ser celebrada com pompa e circunstância, com eventos do Tênis Clube de Campinas ou na Sociedade Hípica de Campinas. Durante o mandato de Rui Ferreira Pires, um grande passo para o ensino da Medicina

Presidente no período de 01.12.1973 a 30.11.1977

Dr. Rui Ferreira Pires: gestão voltada à estruturação da Casa do Médico, após a sua construção.

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de Campinas. Em 1975, começou a funcionar a Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, o segundo na cidade, após o da Unicamp. Foi o início de uma nova etapa na saúde local, com a formação de novos médicos e, inclusive, com o início de uma disputa, nunca declarada, entre alunos e formados da Unicamp e PUC-Campinas. Muitos médicos que passaram ou que ainda passariam pelos quadros diretivos da SMCC foram dar aula na PUC, assim como já acontecera no caso da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Um desdobramento natural foi a estruturação de um novo e importante hospital em Campinas, o Celso Pierro. O médico do mesmo nome havia comprado, em 1973, terras na altura da avenida John Boyd Dunlop, onde projetava edificar o que denominava “Cidade da Saúde”, em uma área de 5 mil metros quadrados. Mas o médico acabou falecendo, em 1977, e a família doou a clínica erguida na “Cidade da Saúde” para a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. A Universidade assumiu a dívida da construção e adquiriu terrenos no entorno, onde então instalou os cursos de Medicina, Enfermagem e Odontologia, além de montar o Hospital e Maternidade “Celso Pierro”, inaugurado em 1978, com 150 leitos. A primeira cirurgia seria feita em 1979. Depois o campus passaria a receber outras faculdades (Ciências Biológicas, Ciências Farmacêuticas, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia e Terapia Ocupacional) do chamado Centro de Ciências da Vida 86

Dr. Zeferino Vaz, então reitor da Unicamp, recebe o título de Sócio Honorário da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, em 1977. Acervo SMCC.

(CCV). O Hospital “Celso Pierro” se consolidaria, depois de mais de 30 anos de existência, como um dos mais importantes centros de atendimento médico, com serviços de extrema relevância prestados à comunidade local e regional. Criação e fortalecimento da Unimed, construção e estruturação da sede própria para a SMCC, fortalecimento em geral da classe médica em Campinas. Os dois mandatos de Rui Ferreira Pires, somados às gestões de Benedicto da Costa Lima, representaram um dos momentos mais ricos da história de 90 anos da SMCC. Quase no final do mandato de Pires, um ato simbólico. A diretoria executiva, pelo presidente Dr. Merlin, propôs em conselho deliberativo, em reunião presidida pelo Dr. João de Souza Coelho, e aprovou a concessão do título de Sócio Honorário da Sociedade ao professor Dr. Zeferino Vaz, então reitor da Unicamp, título entregue no dia 21 de outubro de 1977. A SMCC estava madura para mais um capítulo fundamental de sua história.


A visita do ministro Fato relevante no primeiro mandato de Pires foi a presença, pela primeira e única vez na história, de um ministro de Estado na sede da SMCC. Foi o ministro do Trabalho no governo Geisel, Arnaldo Prieto, e aconteceu no dia 18 de setembro de 1974. Prieto veio a Campinas como paraninfo da primeira turma de concludentes do Curso de Medicina do Trabalho, realizado em convênio entre a Unicamp e a Fundacentro. Foi a primeira vez de um curso na área no interior paulista, e a SMCC teve importante participação na sua realização.

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1 - A partir da esquerda: Dr. Jeber Juabre, Dr. Rui Ferreira Pires e o ministro Arnaldo Prieto. 2 - O formando Dr. Antonio Jofre de Vasconcelos recebe seu certificado das mãos do ministro. 3 e 4 - O auditório do Instituto Agronômico de Campinas ficou lotado para a cerimônia de formatura. 5 - Dr. Rui Pires (à direita) discursa durante coquetel de recepção ao ministro na sede da SMCC. Acervo Dr. Antonio Jofre de Vasconcelos.

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Com deslumbrante cenário cinematográfico, espaço é reconhecido como uma das mais bonitas sedes de campo de instituições médicas do Brasil.

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CApÍtULo VI

A sede de campo e um novo tempo na SMCC O 1º vice-presidente de Rui Ferreira Pires no segundo mandato, Edwald Merlin Keppke, foi o seu sucessor natural na presidência, para o mandato de 01.12.1977 a 30.11.1979. Nesse período, a SMCC obteve outra importante conquista: a sua sede de campo, uma das mais completas e bonitas do país. O Dr. Edwald Merlin Keppke nasceu em Curitiba, em 1931, de família de origem suíça. Estudou na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte, onde, em 1954, foi presidente do diretório acadêmico Lucas Machado. Fez residência em cirurgia geral e também em cirurgia plástica no Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo. Passou por vários estágios no Brasil e no exterior. Radicou-se em Campinas em 1961, tendo colaborado na estruturação da Unicamp, onde foi professor até 1977. Ocupou diversos cargos de diretoria na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e também em vários congressos da especialidade. Publicou incontáveis trabalhos científicos. SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 89


Como notável cirurgião plástico, Merlin se tornou um empresário bem-sucedido, “uma celebridade internacional, uma lenda viva”, na definição do Dr. Antonio Jofre de Vasconcelos, seu grande colaborador e amigo. O consultório particular do cirurgião plástico era frequentado regularmente por mulheres de todas as partes do Brasil e de diversos países, motivadas pela fama que alcançou na profissão. Merlin atuou em várias organizações. Em 1971, como lembra Antonio Jofre de Vasconcelos, o Dr. Celso Queiroz Guimarães, presidente do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região, liderou uma greve desses profissionais em Campinas, foi preso e cassado. O sindicato dos médicos foi fechado. Em 1972, Benedito da Costa Lima, presidente da SMCC, procurou o Dr. Merlin e pediu que ele reabrisse o sindicato, porque ele era o único que poderia fazê-lo, já que não dependia de emprego em institutos do governo (INPS). Vasconcelos relata: “O Dr. Merlin não se esquivou da convocação e se tornou presidente. Encontrou o sindicato com apenas 50 sócios. Contratou dois advogados trabalhistas, o deputado Francisco Amaral e o Dr. Geraldo Bassoli, que, juntos, realizaram inúmeras palestras aos médicos de Campinas e de outras cidades, explicando os direitos trabalhistas dos médicos. Foi um sucesso. Até o fim de sua gestão, o sindicato cresceu 1.800% e tinha 900 associados”. Foi com este background e como vice-presidente na última gestão de Rui Fer90

reira Pires que Merlin se tornou presidente da SMCC. Fez, naturalmente, um grande mandato, com destaque para a obtenção da sede de campo da instituição, nos Bosques de Notre Dame. Uma das melhores sedes de campo de uma organização associativa no Brasil foi estruturada na sede da Fazenda São Vicente, doada por Caio Paes de Barros. Um grande gesto de generosidade, que seria devidamente reconhecido pela Sociedade. A Fazenda São Vicente havia sido adquirida pelo bisavô de Paes de Barros em 1834, quando Campinas não era cidade, mas a Vila de São Carlos. A Fazenda contribuiu diretamente para a transformação da vila em cidade, em 1840. Nela Funcionava uma serraria que abastecia praticamente a toda a região. Campinas começava a se tornar o principal polo cafeeiro do país e a elevação da vila à categoria de cidade era questão de tempo. Desde então, a Fazenda passou de geração para geração até chegar às mãos de Paes de Barros. Ele era natural de São Paulo, onde estava a sede administrativa da São Vicente. Formado em engenharia elétrica, trabalhou em várias empresas do ramo, atuando, por exemplo, na Hidrelétrica Jaguari, de propriedade de seu primo Silvio Maia. Em 1970, Paes de Barros se casou com Tufia Cutait, irmã do médico Daher Elias Cutait, diretor do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, professor da USP, considerado o “Pai da Coloproctologia Latino-americana”. Herdeiro da Fazenda, Caio Paes de Barros construiu a sede em homenagem à esposa.


Foi uma obra erguida com enorme capricho, a partir do projeto do arquiteto Ugo di Pace, o preferido de grande parte dos membros da elite paulistana. A decoração, do mesmo modo, teve a assinatura do designer Terri de La Estuffa, igualmente renomado na capital paulista. O próprio Caio completou o projeto, com o plantio de duas mil árvores no entorno da sede. Durante muito tempo, a sede da São Vicente foi um dos pontos de encontro preferidos da sociedade paulistana nos finais de semana. Grupos de 40 a 50 pessoas eram recebidos regulamente no espaço, que também servia, naturalmente, de local para a educação dos filhos de Caio Paes de Barros e Tufia. Em 1979, entretanto, Caio decidiu vender a fazenda e foi nesse momento que surgiu uma grande oportunidade de negócio com a SMCC. Caio era grande amigo de Merlin e entre eles avançaram as conversas. A proposta evoluiu para estes termos: os médicos comprariam 100 lotes da fazenda e, em troca, a Sociedade receberia de presente a sede, com 40 mil metros quadrados. Assim as negociações foram estabelecidas, tendo como intermediários Brás Soares Filho e Amoedo Neto, ex-prefeito de Mogi Mirim, proprietários da imobiliária que cuidou do loteamento. O local do loteamento foi batizado de Sítio de Recreio Bosques de Notre Dame. Começaram as vendas. O primeiro comprador foi o próprio Merlin e, de fato, muitos lotes foram adquiridos por médicos. Por

outro lado, a proposta ia ao encontro dos anseios antigos da SMCC de ter uma sede de campo apropriada para eventos sociais e também para seminários e outros eventos da classe médica. De novo é Antonio Jofre de Vasconcelos que se recorda: “Por falta de tempo, era muito difícil, quase impossível, dar certo. O Dr. Merlin atirou-se ao trabalho. Empenhou toda a sua dedicação e todo o seu prestígio pessoal na empreitada. Comprou a primeira chácara, para dar o exemplo. Conversou, telefonou e visitou seus amigos, convencendo-os a comprarem também. Além disso, cada um que comprasse teria que arrumar outro comprador. Era uma “corrente de vendas”. Havia também uma excelente equipe de corretores de imóveis trabalhando. Os outros membros da diretoria também ajudaram, mas, sem dúvida, 100% do mérito coube ao Dr. Merlin”. Foi assim que, no mandato de Edwald Merlin Keppke, a entidade conquistou sua esplêndida sede de campo. A cerimônia oficial de doação e inauguração aconteceu em grande estilo, no dia 1º de dezembro de 1979, um sábado pela manhã. O evento coincidiu com a posse da nova diretoria, presidida pelo Dr. Roberto Schmidt Neto. A placa comemorativa foi descerrada por Sandra Keppke, esposa de Edwald Merlin Keppke, que deixava a presidência, e por Dirce Hadler Ferreira de Camargo, esposa do presidente da Associação Paulista de Medicina, Dr. Aloysio Geraldo Ferreira de Camargo, um dos que se pronunciaram na ocasião.

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Sandra Keppke (à esquerda) e Dirce Ferreira de Camargo descerram a placa inaugural da sede. Acervo SMCC.

Presentes, entre outros, o prefeito municipal em exercício, José Roberto Magalhães Teixeira, o secretário municipal de Saúde, Dr. Sebastião de Moraes, e o comandante da Guarnição Militar de Campinas, general Luis Silva Vasconcelos. A sede de campo foi o ponto alto da gestão de Merlin Keppke à frente da entidade, mas ele também foi firme na defesa da classe médica e continuou incentivando as atividades científicas da Sociedade. Um editorial publicado no Boletim Informativo da SMCC, ano VII, número 31, de 1º de junho de 1978, mostra a sua postura em relação aos assuntos da categoria. Afirmava o editorial: “É muito comum ver colegas se queixando em corredores de hospitais e instituições e é comum encontrar colegas reclamando isoladamente. Porém, é raro a queixa chegar ao seu lugar devido, isto é, ao órgão de classe. Tem-se até a impressão de que a classe médica é desunida, o que não é correto. Tão PECULIARES e tão SACRIFICADAS são as condições de trabalho dos médicos que esta classe profissional, queira ou não queira, tem que ser a mais unida de todas”. E completava, com uma linguagem crítica, nada comum naquele momento em que o país ainda vivia o regime militar: “É preciso, porém, que todos se lembrem de que defen92

O então prefeito Magalhães Teixeira (à esquerda) acompanha pronunciamento do Dr. Merlin Keppke (à direita). Acervo SMCC.

der seus direitos é uma obrigação de cada cidadão, e que reivindicar os direitos da classe médica, perante as instituições, é muito MAIS do que um DIREITO, uma OBRIGAÇÃO de cada profissional consciente”. Um exemplo da preocupação da gestão do Dr. Merlin com a área científica foi a realização, entre 28 e 30 de setembro de 1978, do curso intensivo “A Terceira Idade: aspectos bio-sócio-psicológicos e problemas reumáticos e terapêuticos”, pelo Departamento de Reumatologia da SMCC, presidido pelo Dr. Edson Rossi. Começava naquela época a discussão sobre a Terceira Idade, e a SMCC estava atenta à nova demanda. Com o fim de seu mandato na presidência da Sociedade, Merlin continuou brilhando na profissão. Ele faleceu a 28 de setembro de 2014.

Estruturação da sede de campo A estruturação e ocupação da sede de campo, logo após a doação, foram implementadas ao longo dos dois mandatos do Dr. Roberto Schmidt Neto, entre 01.12.1979 e 30.11.1981, na 41ª diretoria, e entre 01.12.1981 e 30.11.1983, na 42ª. Schmidt formou-se em Ribeirão Preto e, de volta a Campinas, foi trabalhar na Beneficência Portuguesa.


Frequentado pela sociedade paulistana na década de 1970, o preservado casarão da outrora Fazenda São Vicente conserva as características de seu glamoroso passado. Fotos P&B - Acervo SMCC.

Schmidt era a pessoa certa para o momento certo. Sempre foi um esportista, com medalhas e troféus em várias modalidades, como basquete, polo aquático e natação. Dirigiu a Associação Atlética na Faculdade. Foi médico do Guarani logo depois de formado. Em uma de suas viagens à Europa teve o propósito de assistir às Olimpíadas. Logo em seguida à sua posse, em grande evento na sede de campo, Roberto Schmidt Neto deu início à elaboração e execução de um plano para se ocupar o novo local. O primeiro passo foi a montagem de um restaurante, como cartão de visitas, para atrair o associado. Em seguida veio a construção do campo de futebol e da quadra de tênis, executada com o apoio do pai do presidente, Roberto Schmidt, que teve importante histórico na modalidade. Outras obras foram a ampliação da caixa d’água, a transformação de depen-

dências da sede da fazenda em vestiários e assim por diante. Schmidt acompanhava pessoalmente o desenrolar das obras. Ia para Sousas quase todos os dias, em uma época em que os acessos eram precários. Também em seu mandato foi criada a Festa Junina da instituição, o que contribuiu para ocupar e movimentar a sede de campo. Sempre animado, Schmidt ajudava a construir as barracas com as próprias mãos. Além da dedicação impressionante à estruturação da sede de campo, Schmidt não se descuidou dos assuntos de interesse da classe médica. Com isso foi eleito vice-presidente da Associação Paulista de Medicina. Como mais um grande feito em seu mandato, a SMCC foi declarada de Utilidade Pública no âmbito estadual, em 28 de abril de 1982. Uma iniciativa do médico e deputado estadual, Abrahim Dabus.

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Um cenário de cinema Quando atravessa a portaria da sede de campo, dentro do condomínio Bosques de Notre Dame, o visitante já percebe que se trata de um lugar muito especial. Um pequeno oásis de verde e tranquilidade, a poucos quilômetros da concentração de asfalto e concreto de Campinas. Para chegar ao espaço onde está o edifício principal da sede de campo, é preciso percorrer uma arborizada alameda. À esquerda, um pequeno bosque, onde diversas espécies de aves são vistas regularmente e não é raro apreciar a presença de alegres e espertos micos-saguis. O estacionamento principal fica ao lado do bosque. Depois dessa entrada prazerosa, o visitante chega ao topo do terreno, onde foi erguida a imponente residência, transformada na sede de campo. O cenário é de cinema. Na frente do casarão, uma ampla piscina, com as letras da sigla SMCC no fundo, em destaque. Um pouco abaixo da piscina, as quadras de tênis, em saibro, próximas ao parque infantil, todo equipado com vários brinquedos montados em madeira rústica. Também ao lado da piscina, o espaço destinado ao restaurante, onde os privilegiados frequentadores podem apreciar as delícias do cardápio em meio a uma atmosfera de paz e em sintonia com a natureza. São cinco quiosques ao todo, espalhados pelo terreno, que soma 40 mil 94

metros quadrados. Atrás do casarão, dois campos de futebol, cuja manutenção é feita regularmente pelo caseiro que mora na propriedade. Uma quadra de vôlei de areia e outra atração, no meio de uma coleção de árvores. O destaque, porém, é mesmo o casarão, que conta com nove suítes, um berçário, sala de jogos, ampla sala de estar, sala de jantar, sala de televisão e cozinha, entre outros ambientes. A longa escada de madeira, os móveis de época, o pé direito alto, as amplas janelas que permitem uma visão panorâmica são outras atrações, que situam o visitante em outro tempo histórico, clássico e romântico. É reconhecidamente uma das mais bonitas sedes de campo de instituições médicas do Brasil e as expectativas da direção da SMCC são muito positivas em relação ao futuro do local. Para o presidente Clovis Acúrcio Machado, um novo momento foi criado com a extensão da Avenida Mackenzie, até um ponto do Distrito de Sousas, bem próximo da sede de campo. “O acesso ficou muito mais fácil. São poucos metros entre o asfalto e a sede de campo. É possível pensar em um salto de qualidade na sua ocupação”, afirma o presidente, que iniciou uma ampla reforma no casarão, de modo a equipá-lo adequadamente para uso integral dos associados.


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No parque infantil, bem como nas demais dependências (ao lado), a atmosfera é de paz e sintonia com a natureza.

A tabela de honorários Dr. João Antonio Vozza foi o sucessor de Roberto Schmidt Neto na presidência da SMCC para o período 01.12.1983 a 30.11.1985. Foi um momento muito rico para a sociedade brasileira, o da transição da ditadura militar para o da Nova República, da redemocratização do país. A campanha pelas diretas-já, nos primeiros meses de 1984, foi um dos mais importantes acontecimentos políticos da história brasileira, e Campinas não ficou de fora, claro, desse processo. Pelo contrário, a cidade sediou um dos primeiros comícios desse movimento por eleições diretas, no Largo do Rosário, tradicional palco de manifestações políticas. A Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas atuou como uma espécie de embaixa-

dora das diretas-já, pois se apresentou em quase todos os grandes comícios nas principais capitais estaduais. O resultado da mobilização não foi exatamente o desejado, pela derrota da emenda das diretas-já, que havia sido apresentada pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT), e depois pela morte prematura do primeiro presidente civil após a ditadura, Tancredo Neves, mas as sementes do desejo de democratização, da intensa movimentação social, permaneceram e continuaram dando os seus frutos. A SMCC refletiu esse panorama nacional, no mandato de Vozza. João Antonio Vozza era patologista clínico formado na segunda turma da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto. Tornou-se doutor em medicina pela Unicamp, onde foi chefe do Laboratório de Patologia Clínica en-

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tre 1976 e 1980. Presidiu em duas oportunidades a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e foi autor de vários trabalhos científicos. Em 1976, o 10º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica foi realizado em Campinas. Radicado na cidade desde o início da década de 1960, fundou em 1965 o Laboratório Vozza, que se tornaria uma referência em seu segmento. Em 1974, por exemplo, participou do I Levantamento Brasileiro de Patologia Clínica. Vozza permaneceria à frente do laboratório até 1999, sendo sucedido pelo filho, João Antonio Vozza Júnior. Ele faleceria em 2011. Um dos destaques do mandato de João Antonio Vozza foi a adoção, como referência, da Tabela de Honorários Médicos da Associação Médica Brasileira. Como observa Rui Ferreira Pires, essa premissa depois se tornaria óbvia, mas não era assim na época, início da década de 1980. Muitos dos chamados “convênios” relutavam em adotar a tabela indicada pela AMB e assumida pela SMCC. “Foi preciso muita persistência e coerência, e bater insistentemente nessa tecla, para que fosse, enfim, conseguida a sua padronização”, explica o médico, ex-presidente da Sociedade. Outra luta na época foi contra os chamados “curandeiros”, que na realidade estavam enganando a população menos informada e de boa-fé, apenas para ganhar dinheiro. Após uma campanha liderada pela Sociedade, houve resistência crescente contra os “curandeiros”, reduzindo-se os espaços para a sua atuação. A gestão de João Antonio Vozza, contudo, também se dedicou à continuidade das 98

obras de adequação da sede de campo, iniciadas nos mandatos anteriores. Outro ponto que mereceu grande dedicação da diretoria foi a proposta do INPS de adoção de um “contrato-padrão” que seria assinado pelos hospitais conveniados. Mais uma vez a SMCC foi demandada a dar a sua posição, como havia feito no forte movimento no final da década de 1960. Após análises minuciosas, a Sociedade se manifestou contrária à proposta do INPS, que acabou não vigorando. Seguindo uma espécie de tradição entre os presidentes da SMCC, Vozza foi depois eleito diretor distrital da APM. Seu sucessor na presidência da Sociedade foi outro médico patologista. Dr. João Plutarco Rodrigues Lima foi o presidente da 44ª diretoria, entre 01.12.85 e 30.11.87. Natural de Pernambuco e formado no Ceará, Plutarco foi residente no Rio de Janeiro antes de radicar-se em Campinas em 1967, convidado como professor associado na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Em maio de 1969, Plutarco foi um dos fundadores do Instituto de Patologia de Campinas (IPC), criado nas dependências da Maternidade, na gestão de Modesto Antonio de Lemos Carvalhinho na presidência. O Instituto foi pioneiro em vários métodos diagnósticos no interior de São Paulo. Durante a gestão de Plutarco, foi criado o Conselho Interinstitucional Municipal de Saúde (CIMS) de Campinas, cuja primeira reunião aconteceu em 27 de julho de 1987. O presidente da SMCC estava na reunião, também representando a Maternidade de Campinas.


Mais um momento histórico para a classe médica e a saúde de Campinas, e mais um reflexo do momento vivido pelo país. Estava em curso a elaboração de uma nova Constituição, marcando em definitivo o fim do regime militar, que havia criado legislações de exceção. Nesse contexto houve a mobilização de toda a sociedade brasileira para que a Constituinte, e, em consequência, a Carta Magna, de fato refletissem os anseios do país. Nesta conjuntura multiplicaram-se as ações locais por maior participação da sociedade na definição de políticas públicas, e o Conselho Interinstitucional Municipal de Saúde de Campinas foi uma delas. Cada vez mais a classe médica e a sociedade em geral atentas e mobilizadas pela construção de um sistema de saúde de qualidade e gratuito. A SMCC mais uma vez estava presente. Outros participantes da primeira reunião, do órgão que atualmente é o Conselho Municipal de Saúde de Campinas, foram Maria Lúcia Quaresma Passos Jorge (PAM 1 – Inamps), Flávio Zambrone (Unicamp), Wilson Gerônymo (Hospital Álvaro Ribeiro), Pio Pereira dos Santos (Ersa), Edson Bueno (Ersa), José Carlos Ramos de Oliveira (HMCP-PUCC), Regina Muller (Centro Infantil de Investigações Hematológicas “Dr. Domingos Boldrini”), Paulo Pessagno (Inamps – Secretaria Executiva CRIS), Clarissa Mendes Nogueira (Secretaria Executiva CIMS), David Braga Júnior (Secretaria Executiva (CIMS), Márcia Aparecida do Amaral (Secretaria Executiva CIMS), Silvia Simões Teixeira Nicolau (Assistente do CIMS). Depois os mecanismos de participação seriam aperfeiçoados e, a 4 de junho de

1990, o Projeto de Lei 171/90 criaria os Conselhos Locais de Saúde (CLS) “nas unidades públicas municipais promotoras de saúde”, nos termos da composição tripartite, com representação dos trabalhadores da saúde, da comunidade e da administração. Também neste cenário de mobilização nacional, foi durante o mandato de Plutarco que se criou, com ativa participação da SMCC, o escritório regional de Campinas do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), abrigado temporariamente, e por um bom período, na própria sede da Sociedade. A representante local no Conselho era Silvia Brandalise, do Centro Boldrini. Com o novo escritório regional, foram agilizados os processos ligados aos médicos de Campinas e região, sendo economizadas muitas viagens a São Paulo. Um fato de repercussão internacional que se refletiu no mandato de Plutarco na presidência foi a morte do jogador de futebol e oficial das forças armadas árabes Ahmed Atig Hamed, em Campinas. O jogador do Al Nasser Clube, de Dubai, foi internado em hospital local em julho de 1985 para uma cirurgia de remoção de osso acessório do tornozelo direito, mas acabou falecendo após choque anestésico e permanecer alguns dias em coma profundo. O fato provocou uma discussão sobre ética médica e profissional. Um processo foi aberto no Conselho Regional de Medicina. Na condição de patologista, o presidente da SMCC acompanhou ativamente dos debates. Não houve condenação ao final do processo.

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A Sociedade permaneceu ao lado dos associados e fez uma mudança estatutária, transformando a Comissão de Defesa de Classe em Comissão de Defesa Profissional, de caráter mais abrangente. A nova Comissão também passou a ser integrada, por exemplo, pelos diretores clínicos dos hospitais. No seu mandato, Plutarco fez uma homenagem especial a Alfredo Gomes Júlio, que foi crucial para a doação do terreno para a instituição. O auditório da SMCC passou a ser batizado de “Alfredo Gomes Júlio”. João Plutarco Rodrigues Lima também presidiu a Assembleia de Delegados da APM, durante sua gestão à frente da Sociedade. Mais um sinal da respeitabilidade alcançada pelos médicos de Campinas, reunidos na SMCC. Plutarco também se destacou em outras áreas. Foi presidente do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) e secretário municipal de Cultura no governo de Francisco Amaral.

Informatização e combate à inadimplência O presidente seguinte da SMCC, Dr. Edison Jalbut, permaneceu por duas gestões no cargo, de 01.12.87 a 30.11.89 e de 01.12.89 a 30.11.91, correspondendo às 45ª e 46ª diretorias. Em 1991 Campinas chegava a 847.595 moradores, um grande salto em relação aos 664.559 habitantes de 1980. A informatização dos serviços e da gestão representou um dos pontos importantes do mandato. Foram adquiridos computadores para viabilizar a informatização inicialmente da secretaria e da tesouraria. Desde 100

então, houve um desenvolvimento permanente da informatização da entidade, sempre acompanhando os avanços no setor. Outra preocupação do mandato foi com o combate à inadimplência. A informatização facilitou os procedimentos, pois o antigo sistema dificultava manter em dia as tarefas de cobrança e arrecadação. Um salto neste sentido foi o convênio mantido com a Unimed, através do qual se passaria a descontar da produção de cada cooperado o valor da mensalidade paga à SMCC. Com isso houve uma estabilização do caixa, permitindo novas ações. Uma delas foi a contratação de uma assessoria jurídica permanente, o que passou a ser um forte serviço prestado aos associados. Também se tornou viável a aquisição de um terreno de 5.000 metros quadrados no Jardim Santa Cândida, fortalecendo o patrimônio da Sociedade. Outro pilar das duas gestões de Edison Jalbut foi a realização do Primeiro e do Segundo Congresso Médico de Campinas, um grande passo no sentido da projeção da SMCC junto à sociedade em geral e, também, na linha do fortalecimento de seus departamentos científicos. Um dos marcos da gestão de Jalbut foi a criação, em 1989, do Departamento Jurídico (Dejur) da SMCC com o propósito de proteger os interesses ético-profissionais dos médicos de Campinas e região, promovendo a defesa dos associados em processos judiciais envolvendo o eventual questionamento de condutas médicas, os chamados “erros médi-


cos”, por imperícia, imprudência e negligência, nas áreas ética, cível e criminal. Em termos de congraçamento, foram revitalizados os jantares anuais em função do Dia do Médico, lembrado a 18 de outubro. O sucessor de Jalbut na presidência, também para dois mandatos consecutivos, foi um colega de especialidade. Durante o segundo mandato do Dr. Jalbut, o Dr. Tadeu Fernando Fernandes assumiu a direção do Departamento de Pediatria da SMCC. Ele ficaria por 22 anos à frente do Departamento, período em que foi valorizada a formação médica continuada em Pediatria e estabelecida uma parceria com a Prefeitura Municipal, visando ações comuns e melhoria dos serviços públicos no setor.

Mandatos do Dr. Negrão Dr. Pedro Antunes Negrão esteve à frente da diretoria da SMCC entre 01.12.1991 e 30.11.93 e entre 01.12.1993 e 30.11.95. Foram as diretorias de números 47 e 48. Nascido em Itapetininga, Negrão formou-se pela PUC-Sorocaba em 1965 e se especializou em ginecologia. Em 1966 foi para São Paulo fazer um estágio na Santa Casa, em ginecologia, e de obstetrícia no Hospital Pérola Byington. Foi então convidado pelo professor Bussamara Meme, seu professor em Sorocaba, a ir para Campinas como primeiro residente da Unicamp, na cadeira de Ginecologia e Obstetrícia, em maio de 1966. Lá permaneceu por longo tempo. Residente pioneiro, foi professor no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Facul-

dade de Medicina até o final da década de 1970. Com tempo parcial na Unicamp, também mantinha atividades no Hospital Irmãos Penteado e na Maternidade de Campinas, além do consultório próprio. O Dr. Negrão sempre manteve forte atividade filantrópica. Foi, por exemplo, fundador da Creche Lar Ternura, no Jardim Santa Cândida. Participava do movimento Encontro de Casais com Cristo, promovido pela Igreja Católica, trazido pelo padre Valbert, canadense. Um grupo de casais desse movimento resolveu então criar uma creche para receber filhos de mulheres em condição de prostituição do Jardim Itatinga. Com o tempo, a creche passou a atender crianças em geral da região e, em 2015, são 80 crianças atendidas em tempo integral, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e da legislação vigente sobre educação infantil. A Creche Lar Ternura é considerada de utilidade pública municipal, estadual e federal, e mantém parceria com a Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal e com a Fundação FEAC, a Federação das Entidades Assistenciais de Campinas. Dr. Negrão também é médico voluntário da Casa de Jesus, na Vila Brandina. Presidiu a Maternidade de Campinas entre março de 2012 e março de 2015 e é um dos fundadores da Unicred, da qual é presidente. Foi ainda conselheiro de administração da Unimed, de 1986 a 1994, e idealizador do Comitê Educativo da Unimed, juntamente com o Dr. Edmir Deberaldini e o Dr. Jair Franklin. Foi com este espírito empreendedor que Pedro Antunes Negrão esteve à frente

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da SMCC, tendo como uma de suas marcas a defesa profissional. Foi em sua gestão que, como lembra Rui Ferreira Pires, se consolidou a tabela da Associação Médica Brasileira como único parâmetro aceitável para a remuneração do trabalho médico. “Por não ser estática e estar em permanente processo de adequação, a cada alteração que sofria sempre se seguiam rodadas de negociação com Deus e todo mundo”, lembra Pires.

sarão, já que a região onde ele está localizado é sujeita a descargas atmosféricas.

Exatamente em função do domínio que adquiriu sobre o assunto, Negrão passou a integrar, em 1992, a Comissão Nacional de Honorários Médicos da AMB. Mais um reflexo da projeção alcançada pela mobilização dos médicos de Campinas e pela SMCC.

O Terceiro e o Quarto Congresso Médico foram realizados durante o mandato de Pedro Antunes Negrão, dando sequência ao trabalho iniciado por Edison Jalbut. “Campinas não tinha um congresso médico multidisciplinar e consideramos importante manter a iniciativa, oferecendo algo mais para médicos da cidade e região”, afirma Pedro Antunes Negrão.

Houve uma grande preocupação, durante as gestões de Negrão, com a ampliação dos benefícios aos associados da instituição. E eles vieram, como a cotação de seguros de automóvel, licitação de bens, cópias xerográficas, serviços de despachante junto ao Detran, envio de fax para associados e compra de medicamentos a preço de custo. Também passou a se regular a produção e distribuição da Folha Médica, periódico da Sociedade. Atenção também para o patrimônio. A sede da entidade foi remodelada, com a criação de novos ambientes. A sede de campo também recebeu melhorias, como a perfuração de poço artesiano e a construção de reservatório com capacidade para armazenar 40 mil litros, o que resultou no equacionamento do abastecimento de água. Foi aprimorado, igualmente, o sistema de iluminação. Outra melhoria foi a instalação de para-raios no ca102

Todas essas iniciativas resultaram na ampliação do quadro de associados, atingindo cerca de 2.600, o que demandou o recadastramento geral e a criação da carteira de identificação. Foram implementados neste período três novos departamentos científicos: Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Medicina Legal e Pneumologia.

Valorização profissional com o Dr. Curi O sucessor de Pedro Antunes Negrão foi o Dr. Jorge Carlos Machado Curi, presidente de 01.12.95 a 30.11.97 e de 01.12.97 a 30.11.99, nas 49ª e 50ª diretorias. Foi o último mandato antes do século 21 e, por isso, marcado por uma fase de transição e muitas realizações, preparando a SMCC para um novo tempo. Natural de Pirajuí, região de Bauru, Curi formou-se na Unicamp em 1979. Fez residência médica na Universidade em Cirurgia Geral e Aparelho Digestivo. Logo depois de formado, foi convidado a se associar à SMCC e à APM, que já conhecia por ter participado de vários eventos na Casa do Médico, como


ocorre com a maioria dos estudantes da Unicamp e PUC-Campinas.

mudança da moeda brasileira, do Cruzado para o Real, em função do Plano Real de 1994.

Após a formatura, o contato continuou, pela participação em cursos de educação médica continuada. Sua atuação na SMCC começou como membro e dirigente dos Departamentos de Gastroenterologia e Cirurgia.

A classe médica vinha sofrendo uma importante defasagem nos honorários pela vigência da antiga URV (Unidade Real de Valor). Assim, havia grande expectativa dos profissionais pelo resgate da remuneração adequada dos serviços, por exemplo no caso das operadoras de saúde suplementar, como a Unimed.

Em 1995, quando era vice-presidente do Departamento de Cirurgia, foi candidato pelo grupo Dignidade Médica à presidência da Sociedade. Foi em um cenário delicado, pela

Foi então embasado na bandeira da defesa profissional e da autonomia da classe que

Acervo SMCC

Acervo SMCC

Presidentes no período de 01.12.1977 a 30.11.1999

Dr. Edwald Merlin Keppke

Dr. Roberto Schmidt Neto

Dr. Edison Jalbut

Dr. João Antonio Vozza

Dr. Pedro Antunes Negrão

Dr. João Plutarco Rodrigues Lima

Dr. Jorge Carlos Machado Curi

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 103


o grupo Dignidade Médica se candidatou e foi eleito para a direção da SMCC, tendo Jorge Machado Curi na presidência. Pelo momento político e econômico, o médico lembra que “houve muita unidade entre os colegas” em torno do resgate da dignidade profissional, particularmente diante dos planos de saúde. Também era o momento de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988 e então embrionário, o que também exigiu a mobilização e muito debate entre a classe. Toda essa discussão levaria, depois, à regulamentação dos planos de saúde, na segunda metade da década de 1990. “Foi um movimento médico muito feliz, em conjunto com a Associação Paulista de Medicina, o Conselho de Medicina local e o Sindicato dos Médicos de Campinas”, lembra Curi. A SMCC centralizava as discussões, no âmbito do Departamento de Convênios, que então existia. Houve grande mobilização da classe. Assembleias menores aconteceram no auditório da própria entidade. Houve assembleias de mais de 500 médicos em locais como o anfiteatro do Culto à Ciência. Com a APM, presidida por Eleusis Vieira de Paiva, houve um movimento unificado em todo o Estado de São Paulo, em torno da negociação com os planos de saúde. O movimento levou a um acordo com as operadoras de saúde suplementar, com a arbitragem da FIPE-USP. Toda essa mobilização, com marcada participação da SMCC, foi a origem da futura implantação da CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos 104

Médicos), quando o mesmo Eleusis se tornou presidente da Associação Médica Brasileira. Não foi um processo simples, mas, com a tenacidade dos médicos e arbitragem da FIPE, houve um aumento no valor da consulta de R$ 18,00 a R$ 20,00 para, progressivamente, R$ 27, R$ 28 e R$ 29,00. Os procedimentos representavam maior complexidade e, neste âmbito, as negociações prosseguiram até o estabelecimento da CBHPM em 2003. A mobilização foi vitoriosa, em Campinas e em todo o Estado de São Paulo, embora com resultados distantes dos almejados inicialmente pelos médicos. Com esse movimento de união dos profissionais, independentemente de correntes político-partidárias, eles se fortaleceram muito diante das operadoras dos planos de saúde suplementar. Foi naturalmente uma grande luta, que tomou grande parte dos quatro anos de mandato de Curi à frente da SMCC.

CIPA nas escolas de Campinas Um movimento interessante entre o primeiro e segundo mandato de Curi na presidência da SMCC foi o envolvimento da Sociedade na implantação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) nas escolas e instituições de recreação e lazer de Campinas. Esse processo começou no Departamento de Saúde Escolar da SMCC, presidido entre 1996 e 1997 pela Dra. Rosemarie Algayer Huber. A ideia era a de implantação da CIPAs nas escolas e instituições de recreação e lazer, visando sobretudo à prevenção de acidentes envolvendo crianças, como fruto de um trabalho


envolvendo profissionais das áreas de educação, saúde, comunidade e, principalmente, os pais e os próprios alunos. Todos esses atores se reuniriam e trabalhariam regularmente, com o objetivo de implantar e difundir a cultura de prevenção de acidentes, e a consequente valorização de sua integridade física e mental. Foram realizados cursos de primeiros socorros na criança em idade escolar, que visavam à capacitação de escolas e organizações de recreação e lazer, preparando-as para a implantação das CIPAs. Foram ministrados doze cursos, entre setembro de 1997 e dezembro de 1999, com a participação de profissionais de educação de dezenas de escolas públicas e particulares de Campinas, Americana, Hortolândia, Valinhos, Piracicaba, Sumaré, Monte Mor, Mogi Mirim, Paulínia, Limeira e Poços de Caldas. Também presentes representantes das secretarias municipais de Saúde de Campinas, Sumaré, Vinhedo, Hortolândia, Monte Mor, São Roque, Paulínia, Americana e Mogi Mirim. Todo o empenho do Departamento foi recompensado com a Lei Municipal 9997, de 5 de março de 1999, a partir de projeto dos vereadores Luiz Carlos Rossini e Dr. Pedro Serafim, de implantação das CIPAs nas escolas e clubes de Campinas. Outro resultado de todo esse empenho foi a confecção e publicação em 1999 do manual Machuquei... e agora?, assinado pela Dra. Rosemarie Algayer Huber, com ilustrações de Flávio Augusto Rossi. Um manual para colorir, distribuído em escolas e clubes, com instruções muito práticas sobre como proceder na prevenção e em casos de acidentes com crianças.

A trajetória de debates e implantação das CIPAs nas escolas e clubes também contou com o apoio do Departamento do Trauma da SMCC, presidido pelo Dr. Mário Mantovani e a participação do Dr. Guilherme Vieira Meireles. O Departamento Jurídico da Sociedade, por meio da Dra. Vera Lúcia Espinoza, também contribuiu ativamente. Foi um caso muito claro da contribuição da SMCC para a melhoria da atenção à saúde em Campinas, com repercussão regional, estadual e nacional. Outra marca da segunda gestão de Curi foi o esforço por avanços da informática em Saúde, sendo oferecidos cursos de capacitação dos médicos e até contatos para facilitar a aquisição de computadores. A segunda gestão também se caracterizou por ações voltadas para a população. Ganhou muita notoriedade a campanha de doação de órgãos após morte encefálica do paciente. Da mesma forma, houve ampla campanha pela vida saudável através de atividades físicas e alimentação adequada. Como consequência da mobilização vitoriosa dos médicos, diante das operadoras dos planos de saúde, Jorge Curi acabou atuando em outras organizações médicas. Foi diretor de Defesa Profissional da APM, membro do Conselho Estadual de Saúde, conselheiro do Cremesp (2003-2008) e membro do Conselho Deliberativo da AMB, além de vice-presidente da APM na gestão 2002-2005. Tornou-se presidente da Associação Paulista de Medicina no ano de 2005.

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 105


Sede da SMCC: atuação em prol do avanço da Medicina reflete na categoria médica e na comunidade em geral.


CApÍtULo VII

Avanços na ciência: Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas no século 21 No início do século 21, que ensejava grandes expectativas para todo o planeta, começava uma nova etapa para a SMCC, sempre em sintonia com as transformações da cidade. Campinas chegava em 2000 a 1 milhão de moradores. Nesse ano, a cidade se transformou na sede de mais uma região metropolitana, integrada por SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 107


19 municípios (depois 20, com a incorporação de Morungaba). Uma cidade de porte metropolitano, sede de um dos polos científicos e tecnológicos mais importantes do país, Campinas chegava ao século 21 com avançada estrutura de atendimento médico. De fato, os rápidos avanços tecnológicos na área médica têm sido um dos marcos no novo século e a cidade tem refletido essa evolução. Como a grande representante da classe médica, a SMCC tem acompanhado esse processo, respondendo com grande atividade de seus departamentos científicos, cada vez mais preocupados com a atualização de conhecimentos, uma vocação da Sociedade desde a sua criação, em 1925.

Gestão do Dr. Zeitouni O presidente da Sociedade na transição de séculos e milênios foi o Dr. Albert Zeitouni, entre 01.12.99 e 30.11.2002. Foi o primeiro mandato com três anos de duração, em conformidade com mudança estatutária. Zeitouni era um renomado médico psiquiatra. Nascido em Alexandria, no Egito, a 18 de março de 1947, era filho de Dib Zeitouni e Mary Hezkiel Levy Zeitouni. Veio para o Brasil com 11 anos, naturalizou-se brasileiro e se casou com Ellen de Freitas Zeitouni, com quem teve quatro filhos. Em 2001, quando ainda presidia a instituição, recebeu o título de Cidadão Campineiro. Além da dedicação à área científica e defesa profissional, a gestão de Albert Zeitouni foi marcada por uma grande abertura para a comunidade. Foi nesse mandato que se criou, por exemplo, o Prêmio Paes Leme, com o 108

propósito de homenagear personalidades, médicas ou não, e entidades e/ou programas sociais que tenham contribuído, direta ou indiretamente, para o exercício livre e ético da Medicina em Campinas. O Prêmio é uma homenagem ao médico Francisco Betim Paes Leme, primeiro presidente da SMCC e um dos fundadores da Maternidade de Campinas. Alguns premiados com a honraria indicam a atenção da Sociedade em relação a vários setores da comunidade de Campinas. No dia 30 de agosto de 2002, a entidade entregou o Prêmio Paes Leme, em sua terceira edição, para o Programa Paideia – Saúde da Família, implantado em Campinas pela Secretaria Municipal de Saúde. Assim o presidente da Sociedade, Albert Zeitouni, comentou o reconhecimento: “O projeto foi escolhido pelo espírito inovador e vasto alcance social, o que tem resultado em positivas manifestações junto à classe médica de Campinas”. O apoio da SMCC foi importante para a consolidação do Programa Saúde da Família naquele momento. Foi um reconhecimento mais do que justo. Apenas nos seis primeiros meses de operação do Paideia, as equipes cumpriram média mensal de 2.890 visitas domiciliares. Um novo conceito de saúde, com foco na prevenção, com respaldo da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Vencedor do III Prêmio Paes Leme, o Instituto Agronômico de Campinas completou 115 anos em 2002. Foi o primeiro instituto de pesquisa a ser premiado pela Sociedade. De acordo com o presidente Albert Zeitouni, o prêmio foi concedido em função de o Instituto Agronômico, em seus diversos segmentos,


Da maquete ao prédio atual, a ampliação da sede social

As obras de reforma e ampliação da sede social marcaram os 75 anos da Sociedade. Fotos à esquerda: acervo SMCC.

como de pesquisa aplicada e básica, atividades de ensino em pós-graduação, sempre ter alcançado conquistas admiradas pela classe médica da região. A Rádio CBN e a Unimed Campinas foram também vencedores em 2002, na edição que consolidou o Prêmio Paes Leme. Por sua atuação na defesa da classe médica, Albert Zeitouni foi eleito diretor distrital da Associação Paulista de Medicina (APM). Faleceria a 6 de março de 2005. Posteriormente, seu livro Vida Branca, Vida Dourada, reunindo as crônicas que escreveu para o Correio Popular, foi lançado com o apoio da SMCC e a renda, revertida para a Apascamp. A APM, por sua vez, lançou o Concurso de Crônicas “Albert Zeitouni”.

Implantação da Tabela CBHPM Os primeiros anos do século 21 foram marcados pela intensificação das ações da classe médica pela valorização profissional. O marco nesse sentido foi a implantação da tabela CBHPM, começando em Campinas na gestão do Dr. Jayme Malek, correspondendo à 52ª diretoria da Sociedade.

Dr. Jayme Malek nasceu em São Paulo, veio para Campinas em 1980 e se formou em Medicina na PUC. Sempre se imaginou como cirurgião e esta seria a sua especialidade. Tornou-se cirurgião e depois médico do trabalho. Agora, gerente no Hospital Vera Cruz. Foi também gestor na Unimed Campinas. Conheceu a SMCC quando apareceu a oportunidade de se tornar cooperado da Unimed Campinas. Havia uma forte ligação entre as duas organizações e, para se tornar membro da cooperativa, havia a obrigação de se tornar associado da SMCC. A primeira participação na Sociedade foi como presidente da sede de campo. Ali começava um ciclo que durou mais de dez anos, com sua participação em várias gestões. Foi secretário geral e diretor financeiro, até a eleição como presidente. A luta pela implantação da CBHPM foi, pela conjuntura histórica, um dos marcos da gestão de Malek.

O que é a tabela CBHPM Proposta pela Associação Médica Brasileira e outras entidades, a CBHPM foi editada

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 109


pela primeira vez em 2003, após aprovação, a 7 de agosto de 2003, pelo Conselho Federal de Medicina, através da Resolução CFM 1.673/03. A tabela emergiu da luta histórica dos médicos brasileiros pela remuneração justa de seus serviços e, especificamente, de sua valorização diante da consolidação do Sistema de Saúde Suplementar, regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e implementado pelas operadoras de planos de saúde. Durante décadas, como lembra a AMB, cada operadora criava e aplicava sua própria tabela de códigos e procedimentos, de acordo com seus interesses específicos, sem critérios claros, sem qualquer conceito de hierarquização. A CBHPM foi então construída, após muita discussão e participação de organizações como a própria AMB, Federação Nacional dos Médicos (FENAM) e Conselho Federal de Medicina (CFM). A partir da lógica da hierarquização entre todos os procedimentos médicos, uma classificação foi estruturada sob a coordenação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE-USP). Esta classificação foi discutida por todas as Sociedades de Especialidades, estruturada e codificada. A CBHPM acabou sendo reconhecida pelo Sistema de Saúde Suplementar e incorporada progressivamente pelas operadoras. Naturalmente não foi e não tem sido um processo automático, mas envolvendo várias reuniões e negociações. Não foi diferente em Campinas, sede de uma Região Metropolitana desde 2000, com mais de três milhões de moradores, alta renda per capita em relação a outras regiões brasileiras e naturalmente 110

espaço de concorrência entre várias operadoras de saúde suplementar. Pois o lançamento da discussão para a implantação da CBHPM em Campinas aconteceu com uma série de eventos no auditório da SMCC, entre os dias 13 e 15 de outubro de 2003. A Sociedade promoveu intensa mobilização na classe médica, chamando a atenção pelos benefícios da tabela CBHPM. Houve muita discussão antes do lançamento. Cerca de 130 médicos lotaram o auditório da instituição durante a assembleia geral extraordinária convocada pelas entidades médicas e realizada na noite de 12 de julho de 2003, quando foi aprovada por aclamação a adesão oficial dos médicos da região de Campinas ao movimento para implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A assembleia discutiu vários aspectos ligados à implantação desse novo mecanismo de cobrança de honorários e deliberou, por unanimidade, sobre os seguintes itens: 1. Adesão ao movimento nacional das entidades médicas pela implantação da CBHPM. 2. Manter estado de assembleia permanente dos médicos de Campinas. 3. Elaboração de novo ofício endereçado às operadoras de planos de saúde que atuam na região, dando prazo até 30 de julho para que se manifestem com relação à implantação da CBHPM, agendando na secretaria da SMCC reunião para início das negociações com as entidades médicas. 4. Realização de ato público no próximo dia 9 de agosto, às 12h, em frente à sede social da SMCC, para esclarecimento à população, por meio de manifesto escrito, assinado pe-


las entidades médicas regionais, a respeito do movimento pela implantação da CBHPM. 5.

Realização de nova assembleia geral extraordinária no dia 9 de agosto, às 19h30, na sede social, com o objetivo de discutir e deliberar a respeito da resposta das operadoras, andamento do movimento e novas ações.

6.

Finalização do trabalho de mapeamento das tabelas atualmente utilizadas pelas operadoras, dos valores hoje praticados e estratificação das mesmas para auxílio no processo de negociação e tomada de decisão.

7.

ntensificação dos trabalhos da Comissão de Gestão em Serviços de Saúde, com representantes da Comissão Regional de Honorários Médicos, para acompanhamento das negociações com as operadoras de planos de saúde vinculadas aos hospitais de Campinas.

8.

Acompanhamento da utilização das Diretrizes da Associação Médica Brasileira pelas operadoras de planos de saúde e seus médicos credenciados ou cooperados, e elaboração de novos protocolos regionais, com respaldo das entidades médicas e regionais das Sociedades de Especialidade.

9.

Comunicação imediata ao Cremesp para atuação competente e cabível do Conselho diante do descumprimento por parte dos médicos das deliberações da assembleia, sejam referentes à aplicação de diretrizes e protocolos ou, ainda, aos aspectos definidos no Capítulo VII do Código de Ética Médica, da relação entre médicos, especialmente os artigos 77, 78 e 80.

10. Solicitação à AMB de ferramenta com a correspondência total dos procedimentos da CBHPM em relação às versões anteriores da tabela ou lista de procedimentos. 11. Elaboração de abaixo-assinado, utilizandose a própria lista da assembleia geral, a ser

encaminhado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), solicitando a manutenção da proibição de abertura de novos cursos de medicina em São Paulo. 12. Início de mobilização e atuação do Sindicato dos Médicos de Campinas, frente à discussão do dissídio coletivo dos médicos de 2004, definindo um piso digno para a categoria e fiscalizando as condições de trabalho dos profissionais médicos nos ambulatórios de operadoras de saúde da região, nas clínicas e hospitais, assegurando os direitos trabalhistas desses profissionais. 13. Apoio aos médicos que não estão recebendo seus honorários das operadoras de planos de saúde e acompanhamento de suas iniciativas de descredenciamento e subsequente paralisação de atendimento.

A assembleia geral foi conduzida por representantes das entidades que integram a Comissão Regional de Honorários Médicos, como o presidente da SMCC, Jayme Malek Júnior, o diretor distrital da Associação Paulista de Medicina (APM), Albert Zeitouni, o vice-presidente da APM, Jorge Curi, e o 1º secretário da SMCC, Paulo Borgonovi, com a participação do presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral, e do presidente do Cremesp, Clóvis Constantino. Os entendimentos prosseguiram ao longo de 2004, até a realização de uma assembleia pela implantação da CBHPM no dia 9 de agosto. Novos diálogos, até outra assembleia, no dia 29 de novembro de 2004, quando foram tomadas deliberações importantes. A primeira delas foi pela manutenção das negociações junto às operadoras, visando ao cumprimento do prazo para implantação da CBHPM, estipulado para o mês de janeiro de

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 111


2005. Ao longo dos anos seguintes, deu-se progressivamente a luta pela implantação da CBHPM em Campinas junto às operadoras do poderoso Sistema de Saúde Suplementar.

Novo Código Civil Dois assuntos tomaram grande parte das atenções da SMCC em 2003: a entrada em vigor do novo Código Civil e a mobilização relacionada às alterações na legislação municipal regulamentando o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). A vigência do novo Código Civil alterou a relação médico-paciente. A partir dele, o consentimento informado adquiriu maior relevância. O médico poderia ser questionado por negligência em relação ao paciente. De modo a esclarecer as novidades trazidas pelo Código Civil, a SMCC promoveu alguns eventos coordenados pelo Departamento Jurídico. Boa parte da agenda de 2003 foi de fato tomada pelas conversas relacionadas às mudanças na legislação sobre o ISSQN em Campinas. As modificações foram derivadas da Lei Complementar 116/2003, do Executivo Federal, alterando a normatização anterior desse imposto, e ampliando a lista de serviços sujeitos a pagamento. A regulamentação deveria acontecer na esfera dos municípios e, desde o início, a SMCC esteve atenta aos impactos das mudanças no exercício profissional da classe médica. O princípio adotado pela diretoria, presidida por Jayme Malek, era o de que os médicos não poderiam absorver novos custos resultantes das mudanças na legislação do ISSQN. Foi esta a posição do presidente 112

na audiência pública realizada em novembro na Câmara Municipal. Na área científica e social, a entidade prosseguiu suas atividades em 2003. No dia 5 de outubro, o Prêmio Paes Leme foi concedido ao engenheiro elétrico Caio Paes de Barros, doador da sede da Fazenda São Vicente para a SMCC, que a transformou em sua sede de campo, uma das mais bonitas do Brasil. Foram muitos os eventos e de todos os departamentos científicos da Sociedade na gestão do Dr. Malek. A 25 de novembro de 2004, por exemplo, o Departamento Jurídico da SMCC promoveu a palestra “Responsabilidade penal do médico”, com o diretor do Fórum de Campinas, José Henrique Rodrigues Torres. A 1º de dezembro a Comissão para Estudos de Bioética e Ética Médica, com o Núcleo de Bioética e Ética Médica da FCM/Unicamp, realizaram o debate “A lei do ato médico – corporativismo ou responsabilidade social?”. Ao longo de 2005, atividades científicas intensas, com destaque para o VIII Congresso Médico de Campinas e I Congresso de Saúde de Campinas e Região, entre os dias 20 e 23 de abril, com a participação de cerca de 900 pessoas no The Royal Palm Plaza. Aconteceram eventos de 30 especialidades médicas. Um momento especial foi a divulgação, durante uma inédita Mesa Redonda sobre Meio Ambiente e Saúde Humana, do Manifesto pela Proteção da Saúde do Cidadão, com a defesa do Princípio da Precaução e alertas sobre produtos transgênicos e uso intensivo de agrotóxicos no país. Participaram o biólogo Mohamed Habib, o químico Edson Thomaz e os médicos Carlos Eduardo Cantúsio Abrahão


e Enídio Ilário, coordenador da Comissão de Estudos em Bioética e Ética Médica da SMCC.

dos Residentes de Campinas e Região, realizado dia 15 de outubro de 2007.

No dia 19 de maio, o Departamento Jurídico realizou a palestra “Ética e bioética em uma sociedade em transformação”, com o juiz de direito Cassio Modenesi Barbosa. Outro destaque do ano foi a inauguração, dia 29 de agosto, do Museu da Medicina “Prof. Dr. Antônio Francisco Bastos”, na sede da Sociedade. Um museu com vários objetos de uso médico ao longo dos tempos.

Em janeiro do ano anterior, a Sociedade recebeu a visita de Françoise Berthoud, médica pediatra e homeopata suíça, residente na França, integrante do Fórum Europeu de Vigilância Vacinal. Ainda em 2006, destacaram-se o IV Curso Internacional de Urgências Cirúrgicas e Trauma, do Hospital Mário Gatti, realizado no auditório da SMCC, e o I Encontro Médico com a Comunidade. Houve ainda a entrega do 6º Prêmio Paes Leme para o Centro Corsini, para a APOT (Associação Promocional Oração e Trabalho, do Padre Haroldo) e para o médico Jamiro da Silva Wanderley.

A primeira mulher na presidência da SMCC A sucessão de Jayme Malek foi marcada por um fato histórico. Pela primeira vez a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas seria presidida por uma mulher, Denise Barbosa. Ela exerceria dois mandatos, correspondendo à 53ª e 54ª diretorias. Natural de São João da Boa Vista, formou-se na PUC-Campinas e se radicou na cidade. Seu primeiro contato com a SMCC foi através do Departamento de Pneumologia. Uma das mudanças importantes de sua gestão, após reforma estatutária, foi a redução de cargos da diretoria, de 38 para 18. “Estava difícil trabalhar com tantas diretorias”, resume. Em sua administração a sede de campo foi muito utilizada para eventos sociais, como Festa Junina, Dia das Crianças e Festa de Natal. Foram realizados os primeiros jogos da primavera, com a participação de alunos da PUC-Campinas e Unicamp. Aproximar os alunos e professores das duas universidades foi, igualmente, um dos propósitos do I Fórum

Muitas atividades em responsabilidade social durante o ano, como o Happy Hour Solidário, em benefício do Centro Corsini e Lar dos Velhinhos de Campinas. Na mesma linha aconteceu o lançamento do livro Vida Branca, Vida Dourada, de Albert Zeitouni, com renda para a Apascamp. Em março de 2007 teve início a Pós-Graduação Lato Sensu em Perícias Médicas, em parceria com a Fundação Unimed, com 380 horas/ aula. No dia 29 de setembro de 2008, aconteceu a abertura do curso “O Direito em Oito Lições, relações entre mundo médico e jurídico”, sobre temas como Direito Constitucional e DH, Responsabilidade Civil e Direito Tributário, Direito Empresarial Comercial e Direito Trabalhista, Família e Sucessões e Direito Penal e Processo Penal. “O objetivo sempre foi a formação básica para a classe médica”, afirma Denise Barbosa, reeleita para o mandato de 2008-2011. As atividades sociais continuaram, e também as científicas, de todos os depar-

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tamentos. No dia 22 de setembro de 2010, por exemplo, a SMCC sediou um julgamento simulado de médico, promovido pela Delegacia de Campinas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e a própria Sociedade. O evento também foi transmitido ao vivo pela web, pelo Instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde, de Campinas. Um momento crítico foi a paralisação de médicos ocorrida em julho de 2011, como forma de sensibilizar alguns planos de saúde, que ainda se recusavam a implementar, na integralidade, o que estava previsto nas tabelas CBHPM. A SMCC e a Delegacia Regional do Cremesp atuaram no sentido de levar as reivindicações dos médicos para os planos. No segundo semestre de 2011, a entidade teve novas eleições. O Dr. Clovis Acurcio Machado foi eleito para a presidência, para o mandato 2011-2014.

Planejamento estratégico para a SMCC Construir um planejamento estratégico e investir na profissionalização da SMCC. Esta foi uma das marcas principais da primeira gestão do Dr. Clovis Acurcio Machado em sua primeira gestão na presidência da SMCC, entre 2011 e 2014, prosseguindo no início de seu segundo mandato, entre 2014 e 2017. “O planejamento estratégico é hoje uma iniciativa essencial para uma organização que deseja ser eficiente”, observa o médico, à frente das diretorias de números 55 e 56 da Sociedade. Dr. Clovis Acurcio Machado nasceu em Barretos, interior de São Paulo, e se formou pela Faculdade de Medicina de Catanduva, 114

especializando-se em ortopedia. Na década de 1980 estudou no Alfred I. DuPont Hospital for Children, de Wilmington, Delaware, e na Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia, Pennsylvania. De volta ao Brasil, começou o doutorado e passou a trabalhar no Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto. Foi então convidado por um amigo a conhecer Campinas e aqui se estabeleceu, desde 1986, trabalhando no Hospital Irmãos Penteado e outros hospitais, participando da abertura da Clínica de Fraturas, na Avenida Andrade Neves, e da Clínica de Traumatologia e Ortopedia. Clovis Acurcio Machado atuou no Conselho Fiscal da Unicred e Unimed, e na SMCC está desde 2005, inicialmente como diretor financeiro na primeira gestão de Denise Barbosa. “A SMCC é a Casa do Médico. Deve ser cada vez mais uma entidade representativa dos médicos”, afirma o presidente, sobre sua visão a respeito da entidade. O ano de 2012, primeiro da gestão de Clovis Acurcio Machado, foi marcado pela implementação de auditorias externas como meio de melhor compreensão do cenário geral da SMCC e de identificação de suas forças e fragilidades. A partir daí, seriam desenhados planos e ações que levassem a uma atuação mais efetiva da Sociedade junto ao médico e à comunidade em geral. Essa primeira parte do processo de diagnóstico e planejamento estratégico foi concluído em 2013, com a definição das atividades de todas as áreas e das equipes para geri-las. Foi então configurado um Organograma e efetuados a Descrição e Avaliação de Cargos,


o Plano de Cargos e Salários, a Política Salarial, o Regulamento Interno, Normas e Procedimentos para todas as atividades e estruturação do Arquivo Digital. Todo um conjunto de medidas visando à modernização da gestão, preparando a instituição para os desafios contemporâneos e assegurando melhores condições de trabalho para as futuras diretorias. Outra linha de atuação no primeiro mandato de Clovis, desde o primeiro ano, foi o fortalecimento dos cursos e eventos científicos, de modo que fosse fomentado o conhecimento e sua atualização, em sintonia com os propósitos originais da SMCC e com as demandas do mundo contemporâneo, que pede profissionais cada vez mais atentos à complexidade de problemas e situações, e capacitados para equacioná-los de modo rápido. Um serviço que passou a ser oferecido ao associado foi o de atualização e capacitação dos colaboradores dos médicos por meio do Programa de Aperfeiçoamento e Capacitação das Secretárias (PAC). Em pouco tempo, o “PAC da SMCC” beneficiou grande número de profissionais que atuam nas clínicas e consultórios. O propósito do PAC era oferecer treinamento e qualificação às secretárias, visando a melhoria da eficiência, qualidade dos serviços e atendimento aos pacientes. O programa era ministrado em cursos (módulos) com distintos focos e objetivos. Foi executada, igualmente, uma grande reforma do portal da SMCC na internet, que passou a contar com layout mais moderno e em sintonia com a era da comunicação digital, e a disponibilizar informações atualizadas para a classe médica, também como fruto das

demandas dos tempos atuais. Igualmente reformatada a revista MedicAção, assim como foram incrementados os email-marketings e newsletters. A SMCC também passou a ter uma presença mais efetiva nas redes sociais. Uma ação importante foi a constituição de um Comitê Permanente para tratar dos diferentes aspectos do Direito da Saúde e da Judicialização da Medicina, visando a orientar hospitais, clínicas e médicos sobre ações preventivas no setor. Justamente para debater a judicialização da medicina, a SMCC promoveu a aproximação com a seção de Campinas da Ordem dos Advogados do Brasil. O primeiro encontro aconteceu no dia 29 de outubro de 2013 e, desde então, foram promovidas diversas atividades, também envolvendo organizações como Cremesp, Faculdades de Direito e Sindicato dos Médicos de Campinas e região. Na mesma linha, o Departamento Jurídico tem se mantido muito ativo nos últimos anos, com média de 300 processos anuais e alta taxa de sucesso. No início de 2013, os associados passaram a contar com novo Clube de Benefícios, abrangendo um elenco de facilidades, vantagens e descontos exclusivos em benefícios extensivos aos dependentes. Já entre as medidas tomadas com relação às sedes social e de campo, o aprimoramento dos controles de acesso às instalações. Na sede de campo foram reformados o telhado do casarão e anexos, quiosques, playground, campos de futebol e quadras de tênis. A lanchonete foi revitalizada. O Prêmio Paes Leme de 2012 foi entregue ao Prof. Dr. Nelson Adami Andreollo, chefe

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da Disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Unicamp e ex-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. A premiação deveu-se ao seu empenho e dedicação na formação de novos profissionais e pela sua contribuição ao desenvolvimento da área médica. O Prêmio também foi entregue a duas instituições sociais: a Associação Amigos da Criança (AMIC), que atua no combate à fome e pela inclusão nos bairros Parque Oziel e Monte Cristo, em Campinas, e ao Lar da Amizade “Ilce da Cunha Henry”, atuante no cuidado com pessoas idosas de baixa renda. Uma atividade social muito marcante em 2012 foi a realização, no dia 4 de outubro, de palestra com Carlos Cabral, que promoveu uma imersão dos mais de 120 médicos presentes no mundo dos vinhos, com destaque para aqueles produzidos na América do Sul, particularmente na Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Somados, esses quatro países representam mais de 80% dos vinhos consumidos no país. Carlos Cabral é fundador da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho e um dos mais importantes consultores na área. Em 2013, os departamentos científicos promoveram 300 eventos, média que tem se mantido nos últimos anos. Praticamente um evento por dia, excluindo-se dois meses de recesso.

Defesa Profissional consolidada O ano de 2013 ficou marcado pelo resgate da defesa profissional do médico e de sua dignidade. Nesse ano a SMCC elaborou o Programa de Defesa Profissional – Prodep, com uma série de medidas no setor. Foi constituí116

do um Grupo de Gestão do Prodep, composto por três advogados, médicos, um especialista em comunicação e assistentes, visando à formulação e implementação de uma cultura de defesa profissional do médico. Como ponto de partida para o Programa, inédito na história da entidade, foram promovidos fóruns de defesa profissional, com a participação de toda a liderança das entidades médicas e representantes do Judiciário. A intenção era que todas as medidas fossem pensadas e executadas em conjunto com organizações como APM, CRM, Sindimed e OAB. A primeira ação derivada do Prodep foi a confecção de uma Cartilha de Defesa Profissional, com orientações e precauções que todo médico deve tomar. Cursos e conferências sobre direitos e obrigações dos médicos estão no horizonte do Programa de Defesa Profissional da SMCC. Uma das inquietações da Sociedade que levaram à idealização do PRODEP foi a forte tendência de judicialização da Medicina verificada nos últimos anos. O médico deve estar cada vez mais atento, em função da complexidade que o exercício da profissão alcançou nos últimos anos. O lançamento do Prodep foi antecedido e também sucedido por uma série de ações na área da defesa profissional. Em 2012, foram realizados quatro fóruns: Visão Global do Judiciário Paulista na Relação “Médico X Convênio” e “Paciente X Médico” – Dra. Lígia Cristina de Araujo Bisogni; A Situação Atual da Saúde Suplementar no Brasil – Deputado Federal Eleuses Paiva (PSD/SP); A visão dos advogados e juízes sobre como proceder à negociação dos


entre SMCC e SEBRAE para capacitação empresarial dos médicos.

Protesto contra o Projeto Mais Médicos

A publicação orienta sobre condutas preventivas.

valores dos serviços médicos prestados para as empresas de saúde complementar; e Saúde Pública no Banco dos Réus – Situação atual e perspectivas de futuro na RMC. Em 2013, além da Caminhada pela Saúde, saindo da SMCC e indo até o Paço Municipal, houve o 3º Fórum Regional de Defesa dos Honorários médicos; o 23º Fórum Regional de Defesa da Saúde e Valorização do Médico; entrevista na Câmara dos Vereadores de Campinas para tratar do assunto planos de saúde em um modelo mesa redonda no programa de TV Câmara em Debate, produzido pela assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas; e Diálogo Aberto com o Secretário de Saúde da Prefeitura de Campinas, este, no Salão Vermelho da Prefeitura. No ano de 2014, a 22 de maio, a diretoria da SMCC aprovou o projeto do Teatro Fórum de Defesa Profissional. A 20 de agosto aconteceu o Fórum Sogesp “Valorização Profissional / Honorários Médicos”. E, no dia 12 de novembro, foi assinado convênio de parceria

O Projeto Mais Médicos, do governo federal, que promoveu a vinda para o Brasil de dezenas de médicos estrangeiros, em sua maioria cubanos, provocou questionamentos por parte de boa parte da classe médica brasileira, inclusive em Campinas. O Mais Médicos foi instituído pela Medida Provisória 621, de 8 de julho de 2013. Medida esta contestada pela SMCC, por ter sido editada sem a participação, em sua elaboração, das entidades médicas brasileiras. No dia 3 de julho de 2013, cerca de 1.000 médicos, de diversas unidades de saúde da cidade, participaram de uma manifestação pelas ruas centrais da cidade. Os serviços de urgência e emergência foram mantidos durante o protesto. “Nunca fomos contra a presença de médicos estrangeiros. A questão é trazer profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde sem a revalidação dos diplomas”, observou o presidente da Sociedade, Dr. Clovis Acurcio Machado. O dirigente lembrou que, segundo números do Revalida, menos de 10% dos médicos estrangeiros que se candidatam a atuar no Brasil mostram reais condições de exercer a profissão no país. Em 2012, números ainda mais inquietantes, pois, dos 629 médicos estrangeiros que fizeram os exames do Revalida, somente dois foram considerados habilitados. O que se trata, portanto, é a forma como os médicos estrangeiros foram trazidos para o

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Espaço “Albert Zeitouni” revitalizado Um dos propósitos da gestão iniciada em 2011 e reeleita em 2014 tem sido o de fortalecer a integração e a sociabilidade entre os profissionais médicos. Com este pensamento a diretoria se propôs e executou uma completa reforma do terceiro piso da sede social, visando a torná-lo um espaço acolhedor e elegante, destinado a encontros dos associados e à realização de eventos sociais e culturais.

para eventos específicos. O bar também passou por uma reconfiguração. O projeto arquitetônico foi supervisionado pela design de interiores Jane Marise Valente Perez. Assim, o espaço social do terceiro piso foi integralmente redesenhado para receber os associados e convidados, por exemplo em eventos dos departamentos científicos. Uma obra que significou a valorização da Casa do Médico.

Na prática, essa obra representou a revitalização do “Espaço Albert Zeitouni”, em homenagem ao ex-presidente em cuja gestão houve a ampliação da sede social. Inaugurado em setembro de 2015, o local pode acomodar até 80 pessoas. Foram instalados equipamentos de ar condicionado e televisores, e houve remodelação da cozinha e dos banheiros, inclusive com a estruturação de um banheiro para cadeirantes. O piano – doado em 2002 pelo Dr. Francisco Américo Neto, delegado da APM – é uma atração especial

Elegante e acolhedor, o espaço totalmente repaginado acomoda até 80 pessoas. No detalhe, o piano doado pelo Dr. Francisco Américo Neto. Fotos: Martinho Caires.

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Brasil através do Mais Médicos, em particular no caso dos cubanos, por meio de convênio com a Organização Panamericana de Saúde (Opas). A manifestação também foi pela destinação de 10% do orçamento público para a saúde e, igualmente, pela implantação da carreira para o profissional médico que atue nos serviços públicos. “O governo deveria fortalecer o SUS, ampliar os investimentos em saúde e melhorar as condições de trabalho dos médicos que já atuam no país”, completou o presidente da SMCC. A manifestação teve início na porta da sede da Sociedade, na Rua Delfino Cintra, e seguiu em direção ao Palácio dos Jequitibás, sede da Prefeitura Municipal. Os manifestantes foram recebidos nas escadarias do prédio por um representante da Secretaria Municipal de Saúde. Posteriormente, o secretário municipal Dr. Carmino de Souza convidou a SMCC e representantes de outras entidades e serviços de saúde da cidade para um encontro no Salão Vermelho do Paço Municipal. A instituição nota que, na realidade, não há falta de médicos no Brasil. Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP, denominada “Demografia Médica no Brasil”, mostrou que entre 1970 e início do século 21, o número de médicos no país cresceu 557%, enquanto no período a população brasileira aumentou mais de 100%. O que existe, observa o presidente Clovis Acurcio Machado, é a má distribuição de profissionais pelo território brasileiro. Eles estão mais concentrados nas regiões Sul e Sudeste do país, enquanto há um déficit considerável nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

A atuação da SMCC, entretanto, no caso não se limitou à manifestação. A Sociedade participou de várias reuniões promovidas pela Associação Paulista de Medicina, sempre na defesa dos interesses da classe médica e da população. A SMCC participou de outras ações importantes em 2013 referentes à defesa da classe médica. Foi intermediária, por exemplo, da negociação entre os associados e a Assimédica, sobre honorários que se encontravam defasados. A Sociedade também participou do 3º Fórum Regional de Defesa dos Honorários Médicos e 23º Fórum Regional de Defesa da Saúde e Valorização do Médico, realizados dia 16 de julho em seu auditório, em parceria com a APM, e ainda de outro encontro com a participação da AMB no The Royal Palm Plaza, em Campinas. Neste mesmo eixo, em 2013 houve o fortalecimento do Departamento Jurídico, com a dotação de novos recursos e organização do arquivo morto, além de apoio a estagiários de Direito, auxiliando as advogadas Vera Lucia Espinoza e Márcia Conceição Pardal Côrtes no acompanhamento dos processos. Um dos eventos científicos importantes de 2013 foi o Intergastro & Trauma (IG&T 2013), organizado pela SMCC, Unicamp, PUC-Campinas e Hospital Municipal “Mário Gatti”, e com a participação de várias outras instituições. Os eventos do Departamento de Cirurgia Plástica receberam a acreditação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Comissão Nacional de Acreditação (CNA). Entre os nomes que participaram dos eventos promovidos pelo departamento, estiveram o Dr.

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Passeata organizada pela instituição: presença atuante na comunidade. Acervo SMCC.

Ivo Pitanguy, Dr. José Horácio Aboudib, Dr. Ricardo Baroudi e, claro, o ex-presidente da SMCC, Dr. Merlin Keppke. No dia 25 de maio de 2013, a entidade promoveu, no The Royal Palm Plaza, o evento Sociedade Solidária, que passou a substituir o Happy Hour Solidário, e novamente o beneficiado foi o Centro Corsini. Foi um evento especial, pela homenagem à ex-presidente do Corsini, Dra. Silvia Belucci, falecida a 30 de dezembro de 2012. Em 20 de julho realizou, na sede de campo, o Arraiá Beneficente, com renda revertida para Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia. Durante quatro meses, desde abril, a SMCC promoveu o Curso de Saúde Financeira. Foram tratados os temas “Os 10 principais erros que o investidor pode cometer”, “Planejando os investimentos”, “Seguros e Previdência”, “A importância do orçamento no seu projeto de vida”. O Curso visou à difusão de informações para o aprimoramento da administração da carreira e dos investimentos pessoais do associado. A participação no Curso de Saúde Financeira foi feita mediante doação de alimentos pelos participantes, doados ao Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), que funciona junto ao Ceasa Campinas. Os cursos de idiomas – inglês, italiano, francês e espanhol – continuaram a ser oferecidos. 120

No segundo semestre de 2013, a SMCC promoveu a campanha de vacinação contra o vírus HPV – o Papilomavírus Humano – para associados e dependentes. A SMCC também tem participado ativamente do Outubro Rosa, de conscientização sobre o câncer de mama. A cerimônia oficial de encerramento do Outubro Rosa de 2013, inclusive, foi realizada na entidade, com a presença do secretário municipal de Saúde de Campinas, Carmino A. Souza, e da primeira-dama do município, Sandra Ciocci.

Exposição pela paz Entre os dias 4 e 16 de agosto de 2014, a sede da SMCC tornou-se um território em defesa da paz universal ao receber a exposição “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer!”, com o objetivo de lembrar a população sobre as explosões nucleares nas duas cidades japonesas no final da Segunda Guerra Mundial, dando início à corrida armamentista nuclear e à chamada Guerra Fria. Os objetos então expostos vieram do Japão, através da Associação Médica de Hiroshima. Eram 30 pôsteres com imagens e textos informativos, além de cinco DVDs reunindo depoimentos de sobreviventes das tragédias. Animações japonesas e documentários complementavam a exposição, totalmente aberta ao público.


Acervo SMCC

Foto: Martinho Caires

Presidentes no período de 01.12.1999 a 30.11.2017

Dr. Albert Zeitouni

Dr. Jayme Malek

Departamento Acadêmico O dia 18 de novembro de 2014 foi histórico para a SMCC. Nessa data tomou posse a primeira diretoria do Departamento Acadêmico, como um espaço de fortalecimento de todos os departamentos científicos da Sociedade, agora com a participação dos alunos. O projeto de criação do Departamento, coordenado pelo Dr. Marcelo Amade Camargo, foi discutido amplamente com um grupo de alunos das três faculdades de medicina de Campinas. “Mais um passo para fortalecer o trabalho científico da SMCC”, afirma o presidente da instituição, Clovis Acurcio Machado. A primeira coordenação do Departamento é integrada por Alexandre Pereira de Avellar Junior (São Leopoldo Mandic), coordenador; Fernanda Garcia Callegari (PUC-Campinas), vice-coordenadora; Thalita dos Reis Ruba (PUC-Campinas), vice-coordenadora; Gabriel Jacir Tardem (São Leopoldo Mandic), secretário; Pedro de Oliveira Vasques (Unicamp), secretário; e Julia Lopes Garrafa (Unicamp), secretária. A criação do Departamento Acadêmico foi mais uma ação visando ao fortalecimento da nova política de apoio aos projetos dos departamentos e comitês científicos. Por essa política, passou a haver uma detalhada avaliação

Dra. Denise Barbosa

Dr. Clovis Acurcio Machado

dos projetos no âmbito dos departamentos e comitês científicos, candidatos a receber apoio da SMCC. Esse apoio pode acontecer da criação de artes gráficas, impressos e divulgação até apoio logístico e financiamento parcial, dependendo da pontuação e impacto do projeto. Outro fato histórico em 2014 foi o lançamento do Prêmio Mérito Científico SMCC, criado com o propósito de reconhecer e premiar os esforços dos associados. Os melhores trabalhos de cada especialidade serão selecionados pelos departamentos e comitês científicos, e um júri especial, composto por renomados pesquisadores e cientistas, que elegerão os vencedores. Entre 12 e 18 de outubro de 2014, a SMCC promoveu a I Semana dos Médicos, com quatro atrações. No dia 12 de outubro, Dia da Criança, um evento para os filhos dos funcionários abriu a Semana, na sede de campo. No dia 14 de outubro, na sede social, organizou-se uma apresentação de integrantes da Associação Brasileira Carlos Gomes de Cantores Líricos – Campinas (ABAL), com acompanhamento ao piano de Carlos Wiik. O terceiro evento da Semana dos Médicos foi a noite “Vinhos do Novo Mundo”, com o consultor Carlos Cabral. No quarto e último evento, no dia 18 de outubro, o Dia do Médico, a Semana foi encerrada com os tradicio-

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Diretoria da SMCC (a partir da esquerda): Luiz Inácio Quaglia Passos, José Roberto Franchi Amade, Sandor Dosa Acras, Donizeti Cesar Honorato, Marco Aurélio Bussacarini, Clovis Acurcio Machado, Irineu Francisco Debastiani, Fátima Maria Ap. F. Bastos, Marcelo Amade Camargo, Ricardo Antonio Araujo, Danilo Glauco P. Villagelin Filho, Antonio Cesar Antoniazzi e Carmen Sylvia Ribeiro. Foto: Martinho Caires.

nais jantar e baile de gala, na Sociedade Hípica de Campinas. Durante a Semana foram arrecadados 140 quilos de alimentos, doados para a instituição Lar da Amizade.

Cooperação com o município Dr. Clovis Acurcio Machado foi reeleito para um novo mandato no segundo semestre de 2014. Esta é a 56ª diretoria da história da SMCC, correspondente ao período 01.12.2014 a 30.11.2017. O ano 2015 começou intenso. Logo no dia 23 de fevereiro, a Sociedade vivenciou mais uma data histórica, com a assinatura do primeiro Termo de Cooperação com a Prefeitura Municipal de Campinas. A assinatura entre o prefeito Jonas Donizette e o presidente da entidade, Clovis Acurcio Machado, teve a presen122

ça de vários diretores da instituição e do secretário municipal de Saúde, Cármino Antonio de Souza. O propósito do Termo de Cooperação é estabelecer esforços conjuntos pela promoção e prevenção em saúde pública. Pouco antes, no dia 4 de fevereiro de 2015, o auditório da entidade sediou o evento Clube Benedicto Montenegro, reunião científica do Capítulo de São Paulo do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Com o tema “Transfusão de Sangue: Riscos e Benefícios”, o evento contou com o apoio do Comitê de Cirurgia do Trauma da SMCC e Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT). Em março de 2015 a instituição promoveu mais um Dia Mundial do Rim, em conjunto com o Instituto do Rim e Clínica Humanitas, e, em maio, esteve presente no Maio Amarelo, ini-


ciativa voltada para a prevenção de acidentes de trânsito, que provocam milhares de mortes todo ano no país e no mundo. As atividades em Campinas foram abertas oficialmente no dia 24 de abril, no Expo Dom Pedro, ao lado do Shopping Dom Pedro, durante o Intergastro & Trauma 2015, considerado um dos maiores eventos médicos no Estado de São Paulo.

Perspectivas de futuro As atividades da SMCC continuam intensas. Os mais de 40 departamentos científicos promovem ações permanentes. São muitos os planos da diretoria presidida por Clovis Acurcio Machado, que pretende, por exemplo, efetuar uma ampla reforma da sede de campo, visando a uma ocupação intensa de suas belas instalações. O presidente observa que a ampliação da Avenida Mackenzie, no distrito de Sousas, melhorou muito as condições de acesso à sede de campo. Existe, portanto, um momento novo para a propriedade. O aprimoramento constante da administração e gestão da Sociedade, o fortalecimento cada vez maior dos departamentos científicos e, agora, do Departamento Acadêmico, bem como a promoção de novos eventos e atividades para congregar e reunir os associados, são algumas das metas, assinala o presidente. Um pilar importante dos dois mandatos de Clovis Machado tem sido a atuação da primeira vice-presidente, Dra. Fátima Maria Aparecida Ferreira Bastos, que está à frente de muitas ações que vêm sendo implementadas pela atual diretoria. Natural de Santa Cruz das Palmeiras (SP), a Dra. Fátima estudou Medicina em Vassouras, no Rio de Janeiro, formando-se

em 1981. Fez residência no Hospital Irmãos Penteado com o Dr. Roberto Leitão e, sob o estímulo dele, abriu consultório. Além de atuar nesse hospital até hoje, especializouse em Clínica Médica e Geriatria. Dra. Fátima também atuou na Unimed Campinas, como diretora médico-social. Na sua gestão, foi implantado, de forma pioneira em todo o sistema Unimed, um serviço de atendimento domiciliar denominado ADUC (Assistência Domiciliar Unimed Campinas), hoje obrigatório em todo Brasil pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Outra iniciativa de sua gestão foi a criação do Programa Saúde Toda Vida, voltado para a prevenção de doenças e a qualidade de vida na terceira idade. Na SMCC, Fátima Bastos integrou os Departamentos de Clínica Médica e Geriatria e foi vice-diretora do Departamento Social na gestão de Jayme Malek e diretora do mesmo Departamento no primeiro mandato de Denise Barbosa. Fátima Bastos entende que o fortalecimento dos departamentos científicos tem sido um ponto fundamental para a Sociedade. “São reconhecidos profissionais à frente dos departamentos, cada vez mais importantes para a atualização dos conhecimentos, o que hoje é essencial para a profissão”, resume Fátima, que também idealizou e coordenou o projeto deste livro sobre os 90 anos da instituição. Com o Dr. Clovis Acurcio Machado à frente, a SMCC almeja continuar crescendo e representando a classe médica de Campinas, em benefício dos avanços científicos e tecnológicos, da defesa profissional e, por extensão, da saúde pública de Campinas. É o que a instituição tem feito, em nove décadas de intensas atividades.

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Departamentos e comitês (Gestão 2014-2017)

Departamentos Científicos ACADÊMICO NOME ALEXANDRE PEREIRA DE AVELLAR JÚNIOR FERNANDA GARCIA CALLEGARI PEDRO DE OLIVEIRA VASQUES LOPES THALITA DOS REIS RUBA JULIA LOPES GARRAFA

CARGO COORDENADOR VICE-COORDENADORA VICE-COORDENADOR SECRETÁRIA SECRETÁRIA

ACUPUNTURA NOME GABRIELA DE LIMA FREITAS EDMILSON ROCHA MARQUES CLARISSA WALDIGE MENDES NOGUEIRA

CARGO COORDENADORA 1º SECRETÁRIO 2ª SECRETÁRIA

ALERGIA E IMUNOLOGIA NOME MÔNICA DE FREITAS LEITÃO ELI MANSUR

CARGO COORDENADORA 1º SECRETÁRIO

ANESTESIOLOGIA NOME EDGAR YUGUE JOSÉ EDUARDO BAGNANA OROSZ EDUARDO REN NAKASHIMA

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

CANCEROLOGIA (ONCOLOGIA) NOME ANDRÉ DEEKE SASSE PAOLA BERTOLOTTI CARDOSO PINTO ANDRÉ AUGUSTO J. GEMEINDER DE MORAES

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA 2º SECRETÁRIO

CARDIOLOGIA NOME FERNANDO PIZA DE SOUZA CANNAVAN ALOISIO MARCHI DA ROCHA ALESSANDRO FRANJOTI CHAGAS

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

CIRURGIA CABEÇA E PESCOÇO NOME JOSÉ FRANCISCO DE SALES CHAGAS

CARGO COORDENADOR

CIRURGIA GERAL NOME ANDRÉ CANESSO PIERRO JOSÉ LUIS BRAGA DE AQUINO

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO

CIRURGIA PEDIÁTRICA NOME ROGERIO FORTUNATO DE BARROS MARIA GIOVANA OLIVEIRA FARIAS LUIZ HENRIQUE PEREIRA

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA 2º SECRETÁRIO

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CIRURGIA PLÁSTICA NOME RODRIGO PINTO GIMENEZ RENATA RITA OLIVEIRA FERNANDES JULIANO PEREIRA

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA 2º SECRETÁRIO

CIRURGIA TORÁCICA NOME JOSÉ CLAUDIO TEIXEIRA SEABRA KARINA CUZIOL

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA

CIRURGIA VASCULAR NOME ARLINDO NASCIMENTO LEMOS JÚNIOR RUBENS NELSON GOMES ANTONIO CLAUDIO GUEDES CHRISPIM

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

CLÍNICA MÉDICA NOME ANTONIO CESAR ANTONIAZZI MONALISA FERNANDA BOCCHI DE OLIVEIRA

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA

COLOPROCTOLOGIA NOME BIANCA OLIVEIRA SILVA SODRÉ CLÁUDIO SADDY RODRIGUES COY

CARGO COORDENADORA 1º SECRETÁRIO

ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA NOME DANILO GLAUCO PEREIRA VILLAGELIN NETO VALÉRIA BAHDUR CHUEIRE SYLKA RODOVALHO

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA 2ª SECRETÁRIA

ENDOSCOPIA NOME JOSÉ OLYMPIO MEIRELLES SANTOS CIRO GARCIA MONTES SÉRGIO GNATOS LOMBARDI

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

GASTROENTEROLOGIA NOME TIAGO SEVÁ PEREIRA GUSTAVO SEVÁ PEREIRA LUIZ ROBERTO LOPES

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

GERIATRIA NOME FÁTIMA MARIA APARECIDA FERREIRA BASTOS

CARGO COORDENADORA

GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA NOME CARLOS ALBERTO POLITANO LUIZ EDMUNDO FORTE FRANCHIN MARKUS TRAUE

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

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científicos da SMCC HOMEOPATIA NOME MATHEUS MARIM RUY MADSEN BARBOSA NETO RODOLFO FERNANDES DE OLIVEIRA INFECTOLOGIA NOME RODRIGO NOGUEIRA ANGERAMI

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

CARGO COORDENADOR

MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE NOME CARGO ZELIETE LINHARES LEITE ZAMBON COORDENADORA GIULIANO DIMARZIO 1º SECRETÁRIO FERNANDA DE ALMEIDA SILVEIRA 2ª SECRETÁRIA

PATOLOGIA CLÍNICA NOME CESAR ALEX DE OLIVEIRA GALORO SILVIA MARLI MAGRIN SAULLO

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA

PEDIATRIA NOME PÉRICLES MENDONÇA DIAS DA MOTTA FLÁVIO MAYNARDES ARAUJO WALTER PAZINATTO

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

PNEUMOLOGIA NOME RENE PENNA CHAVES NETO

CARGO COORDENADOR

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

MEDICINA INTENSIVA NOME MAURO HILKNER SILVA DESANKA DRAGOSAVAC

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIO

PSIQUIATRIA NOME LUCIANO VIANELLI RIBEIRO FERNANDO YUKIO TOMITA JOSÉ LUIZ CASSEB

MEDICINA LEGAL E PERICIA MÉDICA NOME WALDIR FAVARIN MURARI JULIANO PELLEGRINI ROBERTO VON ZUBEN DE ANDRADE

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM NOME CARGO ANDRÉ LUIS BARBOSA FERNANDES COORDENADOR ANA MARIA BLASI DE TOLEDO PIZA 1ª SECRETÁRIA ANA LUISA CAMPAGNARO 2ª SECRETÁRIA

NEUROLOGIA NOME DEMETRIUS KASAK P. ABRAHÃO MARIA GRACIA I. GOMES

CARGO COORDENADOR 1ª SECRETÁRIA

REUMATOLOGIA NOME PLÍNIO JOSÉ DO AMARAL ÁLVARO PASCHOAL FILHO RUBENS BONFIGLIOLI

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

NUTROLOGIA NOME JORGE CARLOS MACHADO CURI ALEXANDRE ESTEVES DE SOUZA LIMA ROBERTO JOSÉ NEGRÃO NOGUEIRA

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

UROLOGIA NOME WAGNER EDUARDO MATHEUS RICARDO DESTRO SAADE

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO

OFTALMOLOGIA NOME ÁLVARO PEDROSO DE CARVALHO LUPINACCI JOSÉ MÁRIO ROCHA DE ANDRADE

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO

ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA NOME MAURO DUARTE CARON FLÁVIO LEITE ARANHA JR. MUSTAFA AHMAD ZOGHBI

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

OTORRINOLARINGOLOGIA NOME JOSÉ ROBERTO FRANCHI AMADE EDILSON ZANCANELLA MÁRIO BAZANELLI JUNQUEIRA FERRAZ

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

Comitês Científicos CIRURGIA DO TRAUMA NOME ELCIO SHIYOITI HIRANO GUSTAVO PEREIRA FRAGA

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO

MEDICINA INTENSIVA PEDIÁTRICA NOME MARCELO BARCIELA BRANDÃO ROBERTO JOSÉ NEGRÃO NOGUEIRA ALEXANDRE ESTEVES DE SOUZA LIMA

CARGO COORDENADOR 1º SECRETÁRIO 2º SECRETÁRIO

SAÚDE ESCOLAR NOME ROSEMARIE ALGAYER HUBER CEZIRA MARIA MILUZZI ORTEGA

CARGO COORDENADORA 1ª SECRETÁRIA

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 125


Diretorias da SMCC 1ª DIRETORIA - 01.12.25 a 30.11.26 Presidente - Francisco Betim Paes Leme; Vice-presidente - João Penido Burnier; 1º Secretário - Azael Álvares Lobo; 2º Secretário - Clóvis Monteiro Peixoto; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário Vicente Baptista. 2ª DIRETORIA - 01.12.26 a 30.11.27 Presidente - Hermas de Carvalho Braga; Vice-presidente - Arlindo de Lemos Júnior; 1º Secretário - Benedicto de Cunha Campos; 2º Secretário - Paulo Mangabeira Albernaz; Tesoureiro - Renato Henry; Bibliotecário - Alfredo Gomes Júlio. 3ª DIRETORIA - 01.12.27 a 30.11.28 Presidente - Azael Álvares Lobo; Vice-presidente - Carlos Penteado Stevenson; 1º Secretário - Clóvis Monteiro Peixoto; 2º Secretário - Nestor de Barros Oliveira; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário - Antonio Azevedo. 4ª DIRETORIA - 01.12.28 e 30.11.29 Foi presidida por Arlindo Joaquim de Lemos Júnior. Não são conhecidos os demais membros da diretoria, que não constam no livro de atas da Sociedade. 5ª DIRETORIA - 01.12.29 a 30.11.30 Presidente - Paulo Mangabeira Albernaz; Vice-presidente - Clóvis Monteiro Peixoto; 1º Secretário - Antonio C.M. Azevedo; 2º Secretário - Antonio de Souza Mariz; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário - J. Pagano Brundo. 6ª DIRETORIA - 01.12.30 a 30.11.31 Foi presidida por Armando da Rocha Brito. Também não há registro no livro de atas da Sociedade dos nomes dos demais integrantes da diretoria. 7ª DIRETORIA - 01.12.31 a 30.11.32 Presidente - Januário Pardo Meo; Vice-presidente - Hermas de Carvalho Braga; 1º Secretário - Benedicto da Cunha Campos; 2º Secretário - Roldão de Toledo; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário Oswaldo de Oliveira Lima. 8ª DIRETORIA - 01.12.32 a 30.11.33 Presidente - Carlos Penteado Stevenson; Vice-presidente - A. Bernardes de Oliveira; 1º Secretário - Antonio de Souza Mariz; 2º Secretário - Azael Álvares Lobo; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário Olavo Rocha Filho. 9ª DIRETORIA - 01.12.33 a 30.11.34 Presidente - Hermas de Carvalho Braga; Vice -presidente - Benedicto da Cunha Campos; 1º

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Secretário - Eduardo de Almeida; 2º Secretário - Passos Maia; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário - Januário Pardo Meo. 10ª DIRETORIA - 01.12.34 a 30.11.35 Presidente - Antonio Bernardes de Oliveira; Vice-presidente - Manoel Dias; 1º Secretário - Arlindo de Lemos Júnior; 2º Secretário - Líbia Grandinetti; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário - Sylvio de Oliveira Barros. 11ª DIRETORIA - 01.12.35 a 30.11.36 Presidente - Mário Pernambuco; Vice-presidente - Paulo Mangabeira Albernaz; 1º Secretário - Azael Álvares Lobo; 2º Secretário - Luiz de Tella; Tesoureiro - Francisco de Arruda Roso; Bibliotecário - Sylvio de Oliveira Barros. 12ª DIRETORIA - 01.12.36 a 30.11.37 Presidente - Januário Pardo Meo; Vice-presidente - Roldão de Toledo; 1º Secretário - Arlindo de Lemos Júnior; 2º Secretário - Passos Maia; Tesoureiro - Paschoalino Nucci; Bibliotecário - Paulo Afonso Ribeiro. 13ª DIRETORIA - 01.12.37 a 30.11.38 Presidente - Alfredo Gomes Julio; Vice-presidente - Oswaldo de Oliveira Lima; 1º Secretário - Gabriel Porto; 2º Secretário - Carlos Mendes de Paula; Tesoureiro - Paschoalino Nucci; Bibliotecário - Vicente Benedicto Silva. 14ª DIRETORIA - 01.12.38 a 30.11.39 Presidente - Gabriel Porto; Vice-presidente - Luiz de Tella; 1º Secretário - Francisco Monteiro Salles; 2º Secretário - Armando da Rocha Brito; Tesoureiro - Paulo Afonso Ribeiro; Bibliotecário - Armando Strazzacappa. 15ª DIRETORIA - 01.12.39 a 30.11.40 Presidente - Roldão de Toledo; Vice-presidente - Clóvis Monteiro Peixoto; 1º Secretário - Lycurgo de Castro Santos Filho; 2º Secretário - Miranda Filho; Tesoureiro - Riolando S. Ferreira; Bibliotecário - Inácio I. Alves Corrêa. 16ª DIRETORIA - 01.12.40 a 30.11.41 Presidente - Lycurgo de Castro Santos Filho; Vice-presidente - Liraucio Gomes; 1º Secretário - Heitor Nascimento; 2º Secretário - José de Angelis; Tesoureiro - João de Souza Coelho; Bibliotecário - João Ferreira Jorge. 17ª DIRETORIA - 01.12.41 a 30.11.42 Presidente - Octávio Bierrenbach de Castro; Vice-presidente - Clemente Holtman Junior; 1º Secretário - José Martins Rocha; 2º Secretário - Arsênio Oswaldo Sevá; Tesoureiro - Armando Strazzacappa; Bibliotecário - Antonio de Souza Mariz. 18ª DIRETORIA - 01.12.42 a 30.11.43 Presidente - Francisco Monteiro Salles; Vi-

ce-presidente - Múcio Drummond Murgel; 1º Secretário - João de Souza Coelho; 2º Secretário - Pedro Agápio de Aquino Neto; Tesoureiro - Luiz de Tella; Bibliotecário Roberto Rocha Brito. 19ª DIRETORIA - 01.12.43 a 30.11.44 Presidente - João de Souza Coelho; Vicepresidente - João Ferreira Jorge; 1º Secretário - Arsênio Oswaldo Sevá; 2º Secretário - Manoel Affonso Ferreira Filho; Tesoureiro - Riolando da Silva Ferreira; Bibliotecário Walter Amaral Campos. 20ª DIRETORIA - 01.12.44 a 30.11.45 Presidente - Paulo Mangabeira Albernaz; Vice-presidente - Renê Penna Chaves; 1º Secretário - Arsênio Oswaldo Sevá; 2º Secretário - Laerte de Moraes; Tesoureiro - Alcides Gomes Miranda; Bibliotecário - Walter Amaral Campos. 21ª DIRETORIA - 01.12.45 a 30.11.46 Presidente - Renê Penna Chaves; Vice-presidente - João Lech Júnior; 1º Secretário - Paulo Afonso Ribeiro; 2º Secretário - Oswaldo Mendes Leite; Tesoureiro - Alcides Gomes Miranda; Bibliotecário - Mário Matallo. 22ª DIRETORIA - 01.12.46 a 30.11.47 Presidente - Roberto Rocha Brito; Vice-presidente - Eduardo de Almeida; 1º Secretário - Laerte de Moraes; 2º Secretário - José Ataliba O. Aboin Gomes; Tesoureiro - Alcides Gomes Miranda; Bibliotecário - Saulo Barbosa. 23ª DIRETORIA - 01.12.47 a 30.11.48 Presidente - Celso Wey Magalhães; Vice-presidente - José Teixeira de Camargo; 1º Secretário - Cesar de Godoi; 2º Secretário - Orlando de Freitas; Tesoureiro - Alcides Gomes Miranda; Bibliotecário - Moysés Libermann. 24ª DIRETORIA - 01.12.48 a 30.11.49 Presidente - Antonio Augusto de Almeida; Vice-presidente - Olympio Miranda Filho; 1º Secretário - Saulo Barbosa; 2º Secretário - Antonio Pires Barbosa; Tesoureiro - Alcides Gomes Miranda; Bibliotecário - Fernando Monteiro. 25ª DIRETORIA - 01.12.49 a 30.11.50 Presidente - Arsênio Oswaldo Sevá; Vice -presidente - Eduardo de Almeida; 1º Secretário - Laércio Lobo de Moraes; 2º Secretário - Antonio Carlos de Souza; Tesoureiro - Alcides Miranda; Bibliotecário - Moysés Libermann. 26ª DIRETORIA - 01.12.50 a 30.11.51 Presidente - Carlos Penteado Stevenson; Vice-presidente - José Martins Rocha; 1º Secretário - Walter Amaral Campos; 2º Secretário - Oswaldo Mendes Leite; Tesoureiro - Décio


Bierrenbach de Castro; Bibliotecário - Carlos André Di Mônaco.

Ferreira; Tesoureiro - Elias Farah; Bibliotecário - Vasco Rezende Ribas D´Ávila.

27ª DIRETORIA - 01.12.51 a 30.11.52 Presidente - Alfredo Gomes Júlio; Vice-presidente - José Alfio Piason; 1º Secretário - Oswaldo Mendes Leite; 2º Secretário - Orlando de Moraes Burgos; Tesoureiro - Décio Bierrenbach de Castro; Bibliotecário - Carlos André Di Mônaco.

36ª DIRETORIA - 01.12.68 a 30.11.70 Presidente - Benedito da Costa Lima; 1º Vice-presidente - Gustavo Adolpho de Souza Murgel (José Augusto Ferreira dos Reis); 2º Vice-presidente - José Augusto Ferreira dos Reis (Celso Queiroz Guimarães) - 1º Secretário - Rui Ferreira Pires; 2º Secretário - Jessé de Paula Neves Jorge; Secretário Geral Jeber Juabre; 1º Tesoureiro - Elias Farah; 2º Tesoureiro - José Michel Kalaf; Bibliotecário - Hugo Pagano Gallo.

28ª DIRETORIA - 01.12.52 a 30.11.54 Presidente - José Martins Rocha; Vice-presidente - José Alfio Piason; 1º Secretário - Orlando de Moraes Burgos; 2º Secretário - Luiz Gastão Mangabeira Albernaz; Tesoureiro - Décio Bierrenbach de Castro; Bibliotecário Carlos André Di Mônaco. 29ª DIRETORIA - 01.12.54 a 30.11.56 Presidente - José Alfio Piason; Vice-presidente - Antonio Carlos de Souza; 1º Secretário - Luiz Gastão Mangabeira Albernaz; 2º Secretário - Alberto Affonso Ferreira; Tesoureiro - Oswaldo Mendes Leite; Bibliotecário - Roque José Balbo. 30ª DIRETORIA - 01.12.56 a 30.11.58 Presidente - Antonio Carlos de Souza; Vice-presidente - Roberto Franco do Amaral; 1º Secretário - Décio Bierrenbach de Castro; 2º Secretário - Altino Gouvea; Tesoureiro Oswaldo Mendes Leite. 31ª DIRETORIA - 01.12.58 a 30.11.60 Presidente - Luiz Gastão Mangabeira Albernaz; Vice-presidente - Décio Bierrenbach de Castro; 1º Secretário - Altino Gouvea; 2º Secretário - Alberto Lucena; Tesoureiro Oswaldo Mendes Leite; Bibliotecário - Paulo Orestes Braga. 32ª DIRETORIA - 01.12.60 a 30.11.62 Presidente - Roberto Franco do Amaral; Vice-presidente - Oswaldo Mendes Leite; 1º Secretário - Orlando de Moraes Burgos; 2º Secretário - Gustavo Adolpho de Souza Murgel; Tesoureiro - William Omati; Bibliotecário - Alberto Lucena. 33ª DIRETORIA - 01.12.62 a 30.11.64 Presidente - Gabriel Porto; Vice-presidente - Wiliam Omati; 1º Secretário - Benedito da Costa Lima; 2º Secretário - Vasco Rezende Ribas D’Ávila; Tesoureiro - Elias Farah; Bibliotecário - Edwald Merlin Keppke. 34ª DIRETORIA - 01.12.64 a 30.11.66 Presidente - José Ataliba Ozamis Aboin Gomes; Vice-presidente - William Omati; 1º Secretário - Antonio Ribas Cunha; 2º Secretário - Mathias José de Barros Ponikwar; Tesoureiro - Elias Farah; Bibliotecário Edwald Merlin Keppke. 35ª DIRETORIA - 01.12.66 a 30.11.68 Presidente - William Omati; Vice-presidente - Benedito da Costa Lima; 1º Secretário - Wilson Simas; 2º Secretário - Alberto Affonso

37ª DIRETORIA - 01.12.71 a 30.11.73 Presidente - Benedito da Costa Lima; 1º Vice-presidente - Jeber Juabre; 2º -Vice-presidente - José Augusto Ferreira Reis; Secretário Geral - Rui Ferreira Pires; 1º Secretário - Ricardo Baroudi; 2º Secretário - Jessé de Paula Neves Jorge; 1º Tesoureiro - Celso Queiroz Guimarães; 2º Tesoureiro - Antonio Carlos Corsini; Bibliotecário - Rogério Antunes Pereira Filho. 38ª DIRETORIA - 01.12.73 a 30.11.75 Presidente - Rui Ferreira Pires; 1º Vice-presidente - Sebastião Ximenes; 2º Vice-presidente - Ronaldo Aguiar Souza Zulian; Secretário Geral - José Albuquerque; 1º Secretário - Waldeyer Arouca; 2º Secretário - Jessé de Paula Neves Jorge; 1º Tesoureiro - Roberto Schmidt Neto; 2º Tesoureiro - Luiz Yoshida; Bibliotecário - Fernando Abarca Scheline. 39ª DIRETORIA - 01.12.75 a 30.11.77 Presidente - Rui Ferreira Pires; 1º Vice-presidente - Edwald Merlin Keppke; 2º Vice-presidente - Luiz Yoshida; Secretário Geral - Luiz Abdala; 1º Secretário - Claudio Fernandes; 2º Secretário - Evandro Gomes de Matos; 1º Tesoureiro - Antonio de Pádua Franceschi; 2º Tesoureiro - João Luiz Carvalho Pinto e Silva; Bibliotecário - Antonio Jofre de Vasconcelos. 40ª DIRETORIA - 01.12.77 a 30.11.79 Presidente - Edwald Merlin Keppke; 1º Vice-presidente - Roberto Schmidt Neto; 2º Vice-presidente - Luiz Abdala; Secretário Geral - Alberto F. Piccolotto Nacarato; 1º Secretário - Antonio Carlos Ferreira Menegazzo; 2º Secretário - Antonio Jofre de Vasconcelos; 1º Tesoureiro - Antonio de Pádua Franceschi; 2º Tesoureiro - Eduardo Pires do Rio. 41ª DIRETORIA - 01.12.79 a 30.11.81 Presidente - Roberto Schmidt Neto; 1º Vice-presidente - Hugo José Pagano Gallo; 2º Vice-presidente - Gustavo de Souza; Secretário Geral - Carlos Roberto D´Otaviano; 1º Secretário - Pedro Nunes Negrão; 2º Secretário - Júlio Luis Gonçalves; 1º Tesoureiro - Divaldo Queiroz; 2º Tesoureiro - Orestes Cavichiolli. 42ª DIRETORIA - 01.12.81 a 30.11.83 Presidente - Roberto Schmidt Neto; 1º Vi-

ce-presidente - Carlos Roberto D´Otaviano; 2º Vice-presidente - Nelson Ari Brandalise; Secretário Geral - Rui Ferreira Pires; 1º Secretário - Rogério Antunes Pereira Filho; 2º Secretário - Júlio Luis Gonçalves; 1º Tesoureiro - Luiz Fernando A. Vanetti; 2º Tesoureiro - Osamu Ikari. 43ª DIRETORIA - 01.12.83 a 30.11.85 Presidente - João Antonio Vozza; 1º Vicepresidente - Irmo Humberto Morelli; 2º Vice-presidente - Nelson Ari Brandalise; Secretário Geral - Rui Ferreira Pires; 1º Secretário - Luiz Antonio K. Bittencourt; 2º Secretário - Abel Luiz Ferreira Neto - Diretor Social - Décio Jorge de Lima Filho; 1º Tesoureiro - Luiz Fernando A. Vanetti; 2º Tesoureiro - José Roberto de Toledo. 44ª DIRETORIA - 01.12.85 a 30.11.87 Presidente -João Plutarco Rodrigues Lima; 1º Vice-presidente - Alberto F. Picolotto Naccarato; 2º Vice-presidente - Alexsander Sperlescu; Secretário Geral - Cirilo Meo Muraro; 1º Secretário - Ney Félix Macedo; 2º Secretário Flavio Antonio Quilicci; Diretor Social - Wilson Norato da Silva; 1º Tesoureiro - José Roberto de Toledo; 2º Tesoureiro - Vera Lúcia Gomes. 45ª DIRETORIA - 01.12.87 a 30.11.89 Presidente - Edison Jalbut; 1º Vice-presidente - Fernando Abarca Scheline; 2º Vice-presidente - Francisco Eduardo Prota; Secretário Geral - Nelson Pires Modesto; 1º Secretário - Olímpio Amélio Maia; 2º Secretário - Elizabeth Aparecida B. Quagliato; Diretor Social Simon Saikali; 1º Tesoureiro - Heitor Panetta; 2º Tesoureiro - Ronaldo Zulian. 46ª DIRETORIA - 01.12.89 a 30.11.91 Presidente - Edison Jalbut; 1º Vice-presidente - Francisco Eduardo Prota; 2º Vice-presidente - Nelson Pires Modesto; Secretário Geral - Fernando Abarca Schelini; 1º Secretário - Franz S. Cavalcanti; 2º Secretário - Otávio Rizzi Coelho; Diretor Social - Boris Raskin; 1º Tesoureiro - Heitor Panetta; 2º Tesoureiro - Gustavo A. Ferreira. 47ª DIRETORIA - 01.12.91 a 30.11.93 Presidente - Pedro Antunes Negrão; 1º Vice-presidente - Alexander Sperlescu; 2º Vice-presidente - Francisco Eduardo Prota; Secretário Geral - Nelson Pires Modesto; 1º Secretário - Franz S. Cavalcanti; 2º Secretário - Alice H. R. Garcia; Diretor Social - Boris Raskin; 1º Tesoureiro - Odair Stopiglia; 2º Tesoureiro - Ivan Lorenzato. 48ª DIRETORIA - 01.12.93 a 30.11.95 Presidente - Pedro Antunes Negrão; 1º Vice-presidente - Alexsander Sperlescu; 2º Vice-presidente - Orestes Mazzariol Junior; Secretário Geral - Osmar Gross Schweller; 1º Secretário - Luiz Fernando Camargo; 2º Secretário - Eurico Pereira Neto; Diretor So-

SMCC – 90 ANOS NA HISTÓRIA DA SAÚDE EM CAMPINAS: MEMÓRIAS E LEGADOS | 127


cial - Jane Márcia Rocha Lima; 1º Tesoureiro - Ivan Lorenzzatto; 2º Tesoureiro - Antonio Carlos F. Menegazzo. 49ª DIRETORIA – 01.12.95 a 30.11.97 Presidente – Jorge Carlos Machado Curi; 1º vice-presidente – Celso Limoli Junior; 2º vice-presidente – Murillo A. Almeida; Secretário Geral – Pedro Serafim Junior; 1º secretário – Marizete Eide; 2º secretário – Carlos H. Bissoto; 1º tesoureiro – Neucenir Roberti Gallani; 2º tesoureiro – Cesar Augusto Amin Sanged; Diretora social – Mirian Martins Airoldi; Diretor de sede de campo – Jayme Malek Junior; Tesoureiro – Aristides Manoel dos Santos Bragheto. 50ª DIRETORIA – 01.12.97 a 30.11.99 Presidente – Jorge Carlos Machado Curi; 1º vice-presidente – Celso Limoli Junior; 2º vice-presidente – Ubirajara Ferreira; Secretário Geral – Jayme Malek Junior; 1º secretário – Marizete Eide; 2º secretário – Carlos H. Bissoto; 1º tesoureiro – Neucenir Roberti Gallani; 2º tesoureiro – Albert Zeitouni; Diretor social – Mirian Martins Airoldi; Diretor de sede de campo – Otacílio de Camargo Junior; Secretário geral – Julio Cesar Fontana Rosa; Tesoureiro – Flávio Leite Aranha Junior. 51ª DIRETORIA – 01.12.99 a 30.11.2002 Presidente – Albert Zeitouni; 1º vice-presidente – Ubirajara Ferreira; 2º vice-presidente – João Luis Kobel; Secretário Geral – Celso Limoli Junior; 1º secretário – Susete Marques Pereira; Diretor Administrativo – Wilson Pires de Camargo Junior; Adjunto – Elson Franco; Diretor Financeiro – Jayme Malek Junior; Adjunto – Maurício M. Serafim; Diretor de Patrimônio – Gerson Muraro Laurito; Adjunto – José Tadeu S. Santomauro; Diretor Científico – José Luis Simonetti; Adjunto – Fernando Antônio Branquinho; Diretor Cultural – Antônio Francisco Bastos; Adjunto – Carlos Alberto Politano; Diretora Social – Maria José Soares de Sales; Adjunto – Denise Barbosa Malek; Diretor de Marketing – Miguel Carlos Hyssa Brondi; Adjunto – Américo Marcone Cabral de Lima; Diretor de Comunicação – Neucenir Teixeira Junior; Adjunto – Milton Roberto Marchi de Oliveira; Diretor de Informática – Nelson Teixeira Junior; Adjunto – Nevair Roberti Gallani; Diretor de Economia Médica – José Emílio Duran Bueno; Adjunto – Marcos Eurípedes Pimenta; Diretora de Defesa Profissional - Eglê Venâncio de Marco; Adjunto – José Espin Neto; Diretor de Serviços Gerais – Arlindo Joaquim Lemos Junior; Adjunto – Mirian Martins Airoldi; Sede de Campo: Diretor – Judson da Costa Mauro; Diretora Tesoureira – Ceres Lúcia Cavalcanti Batista. 52ª DIRETORIA – 01.12.2002 a 30.11.2005 Presidente – Jayme Malek Junior; 1º vicepresidente – João Luis Kobel; 2º vice-pre-

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sidente – José Luis Simonetti; Secretário Geral – Wilson Pires de Camargo Junior; 1º secretário – Paulo César Borgonovi; Diretor Administrativo – Maria José Soares de Salles; Adjunto – Márcio Melo de Azevedo; Diretor Financeiro – Eglê Venâncio de Marco; Adjunto – Clovis Acurcio Machado; Diretor de Patrimônio – Waldir Favarin Murari; Adjunto – José Renato dos Santos; Diretor Científico – Antonia Paula Marques de Faria; Adjunto – Adriano Fregonesi; Diretor Cultural – João Plutarco Rodrigues Lima; Adjunto – Antonio Francisco Bastos; Diretora Social – Denise Barbosa Malek; Adjunto – Susete Marques Pereira; Diretor de Marketing – Carlos Alberto Politano; Adjunto - Miguel Carlos Hyssa Brondi; Diretor de Comunicação – Milton Roberto Marchi de Oliveira; Adjunto – Ana Paula Coral; Diretor de Informática – Nevair Roberti Gallani; Adjunto – José Emílio Duran Bueno; Diretor de Economia Médica - Marcos Eurípedes Pimenta; Adjunto – Plinio Conti de Faria Junior; Diretora de Defesa Profissional – Roberto César Quinta Reis; Adjunto – Judson da Costa Mauro; Diretor de Serviços Gerais – Elson Franco; Adjunto – Arlindo Joaquim Lemos Junior; Sede de Campo: Diretor – Azael Roberto Bordin; Diretor secretário – Paulo Newton Danzi Salvia; Diretor Tesoureiro – Flávio Celso da Silva; Diretor de Esportes – Paulo Roberto Franco de Godoy; Adjunto – Adalton Rafael de Toledo. 53ª DIRETORIA – 01.12.2005 a 30.11.2008 Presidente - Denise Barbosa Malek; 1º vice -presidente - Wilson Pires de Camargo Jr; 2º vice-presidente - João Luis Kobel; Secretário Geral -Paulo César Borgonovi; 1º secretário - Gilson Luiz Duz; Diretor Administrativo - José Renato dos Santos; Adjunto - Plinio Conti de Faria; Diretor financeiro - Clovis Acurcio Machado; Adjunto - Miguel Carlos H. Brondi; Diretor de patrimônio - Azael Roberto Bordin; Adjunto - Luiz Edmundo F. Franchin; Diretor científico - Adriano Fregonesi; Adjunto - Paulo César R. Sanches; Diretor Cultural - Nilva Ferreira Pereira; Diretora Social - Fátima Maria A.F.Bastos; Adjunta – Carla Rosana G.Silva; Diretor de Marketing - Tadeu Fernando Fernandes; Adjunto - Paulo Roberto Valente - Diretor de Comunicação - Fernando Y.Tomita; Adjunto - Enídio Ilário; Diretor de Informática - Mauro Hilkner Silva; Adjunto - Biagio de Almeida Barbosa; Diretor de Economia Médica - João Plutarco R.Lima; Adjunto - Rubens A.Fichelli; Diretor de Defesa Profissional - José Roberto F.Amade; Adjunto - Eglê Venecâncio De Marco; Diretor de Serviços Gerais - Waldir Favarin Murari; Adjunta - Susete Marques Pereira; Diretor de Esportes - Pedro Ferreira de Freitas; Adjunto - Fabrício Sampaio Antonialli.

54ª DIRETORIA – 01.12.2008 a 30.11.2011 Presidente – Denise Barbosa Malek; 1º vice-presidente – José Renato dos Santos; 2º vice-presidente – Paulo Roberto Valente; Secretário Geral – Azael Roberto Bordin; 1º secretário – Paulo Roberto Franco de Godoy; Diretor de Finanças e Patrimônio – Clovis Acurcio Machado; Adjunto – José Roberto Franchi Amade; Diretor Científico – José Luis Braga de Aquino; Adjunto – Paulo Eduardo de Araujo Barnabé; Diretora de Eventos – Fátima Maria A. Ferreira Bastos; Adjunto – Márcio de Melo Azevedo; Diretor Administrativo – Paulo César Borgonovi; Adjunto – José Roberto Destefenni; Diretor de Comunicação e Marketing – Wilson Pires de Camargo Junior; Adjunto – Evandro Perez Barberatto; Diretor de Defesa Profissional – Waldir Favarin Murari; Adjunto – Moacyr Esteves Perche; Sede de Campo: Diretor – Márcio Jansen de O. Figueiredo; Adjunto – Fabrício Sampaio Antonialli. 55ª DIRETORIA – 01.12.2011 a 30.11.2014 Presidente – Clovis Acurcio Machado; 1º vice-presidente – José Renato dos Santos; 2º vice-presidente – Fátima Maria Aparecida Ferreira Bastos; Secretário Geral – Arnaldo Stelini Junior; 1º secretário – Silvio Luis de Oliveira; Diretor Administrativo - Waldir Favarin Murari; Adjunto – Luiz Inácio Quaglia Passos; Diretor Financeiro e de Patrimônio - José Roberto Franchi Amade; Adjunto - Donizeti Cesar Honorato; Diretor de Sede de Campo – Márcio Jansen de O.Figueiredo; Adjunto – Marco Antonio Belluzzo; Diretor científico Marcelo Amade Camargo; Adjunto – José Luis Braga de Aquino; Diretor de eventos – Denise Barbosa; Adjunta – Giovana Gera Hobeika; Diretor de Comunicação e Marketing Adjunto – Ulysses Moraes de Oliveira; Diretor de Defesa Profissional – Marco Aurélio Bussacarini; Adjunto – Cássio Arruda Soares. 56ª DIRETORIA – 01.12.2014 a 30.11.2017 Presidente - Clovis Acurcio Machado; 1º vicepresidente - Fátima Maria A. Ferreira Bastos; 2º vice-presidente - Carlos Alberto Salomão Muraro; Secretário Geral - Silvio Luis de Oliveira; 1º secretário - Arnaldo Stelini Junior (in memorian); Diretor Administrativo - Waldir Favarin Murari; Adjunto - Admar Concon Filho; Diretor Financeiro e de Patrimônio - José Roberto Franchi Amade; Adjunto - Donizeti Cesar Honorato; Diretor de Sede de Campo - Ricardo Antonio Araujo; Adjunto - Antonio Cesar Antoniazzi; Diretor Científico - Marcelo Amade Camargo; Diretor de Eventos - Luiz Inácio Quaqlia Passos; Adjunto – Irineu Franscisco Debastiani; Diretor de Comunicação e Marketing - Carmen Sylvia Ribeiro; Adjunto - Cesar Augusto Amin Sanged; Diretor de Defesa Profissional – Marco Aurélio Bussacarini; Adjunto - Egle Vecenancio de Marco.


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