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Voz do servidor março 2015 issu

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PUBLICAÇÃO DO SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS - EDIÇÃO 55 DE MARÇO DE 2015

Cadê a valorização do servidor?

Campanha Salarial

Pacotaços

São José dos Pinhais é o Seja qual for a sigla ou a município com o 2º maior cor, a conta sempre sobra PIB do Paraná e o 2º maior para o trabalhador. arrecadador de ICMS do Estado. Páginas 4 e 5 Páginas 6 e 7

Organizados lutamos melhor A construção de um sindicato forte e representativo depende de sua participação. Páginas 9


1990


Sistema Ăšnico de AssistĂŞncia Social


12 VOZ DO SERVIDOR, EDIÇÃO 55 DE MARÇO DE 2015

SERVIDOR EM FOCO

Compromisso com a missão de educar Apesar da falta de reconhecimento e valorização, funcionária pública é exemplo de dedicação e amor ao trabalho

Pode parecer clichê, mas poucas pessoas têm uma história de vida como a de Cida. Servidora pública desde 2002, formada em pedagogia, hoje ela trabalha como auxiliar geral no Centro Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-Ad). Trabalhadora consciente de seus direitos, motivada por natureza e sempre disposta a aprender, é difícil não se emocionar ao ouvir um pouco de sua trajetória. Aparecida Carvalho Faria, nasceu em Adrianópolis, município situado numa das regiões mais carentes do Paraná, o Vale do Ribeira. Criada no campo, Cida era a mais velha entre outros 10 irmãos. Sendo a única filha mulher, desde cedo teve que ajudar no trabalho de casa e por isso não pode freqüentar a escola como seus irmãos. Tudo indicava um futuro previsível, ligado à roça, aos trabalhos domésticos e com poucas perspectivas de mudança. Mas aos 26 anos, a vontade de ser livre e de conhecer as coisas do mundo falou mais alto. Em 1980 ela deixou Adrianópolis com destino a Curitiba. Foram três anos na capital. Só que a cidade grande não foi bem o que ela

esperava. “Parecia que eu tinha caído no inferno”, relembra. Buscando novos ares, partiu novamente. Dessa vez o destino foi São José dos Pinhais, onde mora até hoje. A oportunidade de morar em São José surgiu com um convite para trabalhar como doméstica numa casa de família. Tudo ia bem, mas os patrões logo perceberam que a nova funcionária não sabia ler nem escrever. Percebendo em Cida um tremendo potencial, os então patrões – e hoje amigos – a matricularam num colégio. A partir dali, a vida de Aparecida seguiria outro rumo e daria muitas guinadas. A possibilidade de adquirir conhecimento, aprender sobre o mundo e aniquilar de vez a sombra do analfabetismo a inspiraram. Ávida por saber, a curiosidade de Cida aumentava gradativamente. Ela já não queria apenas ler e escrever; Cida queria ser cidadã. Para ela era importante não apenas conhecer, mas entender. Queria saber os porquês. No meio dessa caminhada ela conheceu o atual marido, o Jorge. Casados há 28 anos, são pais de três filhos: O Fabiano (27), a Jayne (20) e a Jayce (17). Dos três filhos do casal, dois já freqüentam a faculdade – um deles inclusive faz pós-graduação. A mais nova sonha em ser policial. Mas nada na vida de Aparecida foi conquistado sem lutas. Após entrar em 2002 na prefeitura com um cargo de confiança, prestou concurso no mesmo ano, mas só foi chamada em 2005. Antes trabalhava na Educação. Com a aprovação no concurso, foi transferida para a

Saúde. No início a mudança nada agradou a servidora, pois estava acostumada com as pessoas e a rotina no setor antigo. Mas apesar do desconforto inicial, o trabalho na Saúde foi responsável pelo florescer de um novo sonho: Cida queria ser enfermeira. Determinada e decidida, foi logo correndo atrás. Primeiro fez o curso de auxiliar de enfermagem e depois o de técnica. O próximo passo já está nos planos para 2015: ela agora quer fazer faculdade de enfermagem. O objetivo é se qualificar para, em breve, poder se dedicar inteiramente à profissão. Ela prestou o concurso público realizado no início deste ano para auxiliar de enfermagem. Apesar de ainda não se saber quando será divulgado o resultado do concurso, ela é só confiança. Sempre otimista e vibrante, ao ser perguntada se passará ou não, a resposta é rápida e não deixa dúvidas: “já passei”, diz ela entre sorrisos.

Responsabilidade e consciência

conhecer melhor a realidade dos demais servidores. Na greve de 2008, Cida foi extremamente atuante e de lá para cá – sempre que pode – está envolvida nas questões e reivindicações dos servidores municipais de São José dos Pinhais. “Foi a minha primeira greve. Não sabia bem como as coisas aconteciam, mas fiquei emocionada. Ali eu acordei para a vida”, relembra. Hoje, ela é uma espécie de referência para outros servidores do setor. Quando chega alguém novo no trabalho ou se algum colega tem dúvidas sobre seus direitos, Cida está lá para esclarecer, orientar e auxiliar da melhor forma possível. “Hoje eu cuido e oriento os meus lá no setor, os mais novos. Porque eu vi o quanto isso me fez falta quando eu entrei para o serviço público. Eu faço questão de transmitir tudo aquilo que eu aprendo, que eu leio, sempre mobilizando o pessoal. É uma questão de consciência e de cidadania”, afirma Cida.

Além de mãe presente e esposa dedicada, ela também é fortemente envolvida com a causa sindical e a luta dos servidores municipais de SJP. O despertar para a luta dos trabalhadores aconteceu em 2008, durante uma cerimônia na Câmara de Vereadores, quando Cida foi abordada por representantes do Sinsep. Após uma breve conversa, ela começou a se aproximar do sindicato e passou a

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