Órgão de divulgação do SindSaúde/PR • Abril de 2013 • R. Mal. Deodoro, 314, cj 801, CEP 80.010-010, Curitiba-PR
Paraná de Respeito E caos anunciado
No Estado de Respeito propagandeado pelo governo, a Unidade de Suporte Avançado de Vida – Usav – é desmantelada. Ao mesmo tempo, a Sesa anuncia a implementação da rede de urgência e emergência. No Estado de Respeito propagandeado pelo governo, o atraso no vale-transporte dos servidores, que ganham
RAIO-X
até três salários mínimos, já completa nove meses. No Estado de Respeito propagandeado pelo governo, o Hemonúcleo de Francisco Beltrão está perto de decretar morte súbita. Todos os detalhes do caos que vive a Sesa, você confere nesta edição.
é uma publicação do SindSaúde/PR - Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais dos Serviços de Saúde e Previdência do Estado do Paraná. Sede própria à Rua Mal. Deodoro, 314, 8º andar, cj.801, Ed. Tibagi, Curitiba, PR, CEP 80.010-010. Fone (041) 3322-0921, fax (041) 3324-7386 • www.sindsaudepr.org.br • contato@sindsaudepr.org.br • Jornalista reponsável: Léa Okseanberg • Diagramação: Excelência Comunicação. Tiragem: 1.300 exemplares • Fone: (41) 8802-4450 • É permitida a reprodução com a citação da fonte.
Caos
Banco de sangue de Francisco Beltrão sofre com a falta de bom senso Depois de mais de 23 anos de bons serviços prestados, as trabalhadoras do Hemonúcleo de Francisco Beltrão vivem dias de angústia e humilhação. As servidoras prestaram concurso para atendentes de enfermagem. Devido à falta de concurso público, pela necessidade de aumentar a coleta de sangue e pelo interesse das servidoras, elas foram à luta e se formaram como técnicas em enfermagem. Para o Estado, ficou uma situação muito cômoda: pagavam as servidoras com salário mais baixo, de função de 1º grau, e as servidoras executavam tarefas exclusivas de quem tem 2º grau. Depois que duas das trabalhadoras do hemonúcleo ganharam na justiça o direito à diferença salarial entre as duas funções, o governo afastou as servidoras do banco de sangue com o argumento de que foi por decisão do juiz. Mas isso não é verdade. Foi determinação da PGE - Procuradoria Geral do Estado –, que desconhece a situação de falta de pessoal na Sesa. Tapa buraco - O afastamento das servidoras compromete a coleta de sangue no Hemonúcleo de Francisco Beltrão, que atende outros 26 municípios. Isso porque das seis servidoras que atuam na sala de coleta, apenas uma é contratada como técnica de enfermagem. Ou seja, não tem como uma servidora suprir a falta de cinco. Não bastasse isso, a Sesa, cometeu outro desatino. Determinou que deveria promover um rodízio de técnicos de enfermagem do HRS - Hospital Regional do Sudoeste – para suprir
a falta absoluta de pessoal no hemonúcleo. Outros problemas - Essa medida do Estado gera dois graves problemas e fere a lei. Primeiro porque a coleta de sangue exige conhecimento teórico e prático que esses servidores do hospital ainda não têm. Por isso, a enfermeira da unidade disse que não poderia se responsabilizar pelo trabalho dos servidores. Além do mais é proibido pela lei 6.174, de 1970, que o funcionário público preste serviço em mais de uma unidade.
Sem solução – Essa situação se arrasta há 15 dias. E as medidas adotadas são muito tímidas.
Aqui também cabe a pergunta: cadê o Estado de Respeito?
Rede pública de sangue à beira da falência A situação de falta de pessoal se repete em pelo menos 90% das unidades. Em Umuarama, a equipe de coleta de sangue se resume a duas servidoras. Em Campo Mourão, há seis servidores. Destes, quatro já podem se aposentar e as outras duas se aposentam em menos de dois anos. Em Cascavel, Cianorte, Jacarezinho, a situação não é diferente. Enquanto isso, a gente vê o Estado rasgando dinheiro em propaganda.
Pegadinha
Governo lança rede de urgência Serviços existentes na área são desmontados Em abril o governador lançou a Rede Paraná Urgência. No entanto, Beto Richa não cita em nenhum momento a existência das Unidades de Suporte Avançado de Vida – Usav. Essas Unidades estão em funcionamento desde 2001 e servem à população no transporte inter-hospitalar de doentes críticos. Autoridades do governo fazem referência ao Samu, Siate e Transporte Aeromédico para ampliação e qualificação dos sistemas de atendimento pré-hospitalar. Muita propaganda para quem quer implementar essa rede, escondendo que estão destruindo, sucateando, exterminando as Usav. É jogar no lixo o que tem sido feito ao longo dos anos no atendimento de pacientes vítimas de agravos urgentes à saúde. A rede Paraná Urgência/Unidade de Suporte Avançado foi instituída em 2001 e fazia parte da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná – Sesa. O objetivo do serviço é o transporte inter-hospitalar de pacientes do SUS para leitos de UTI, para os centros de especialidades ou unidades de médio risco para doentes em estado crítico. O serviço é coordenado pela central em Curitiba regulando as dez bases distribuídas. Para entender – A Usav é um serviço que tem a característica de assistência à longa distância. Já o SAMU é o resgate imediato transportando o paciente para o hospital mais próximo. A portaria 804, do Ministério da Saúde, em seu artigo 10, cita o SAMU e o Suporte Avançado de Vida como unidades da rede de atenção em urgência.
Se o Ministério da Saúde mantém as Usav, por que a Sesa quer exterminar esse serviço no Paraná?
Já parte das ambulâncias do SAMU tem equipamento, mas com menor capacidade de funcionamento, o que não permite transporte de longa distância.
Por que a Sesa, que tem equipe que atua há mais de sete anos nesse serviço com expertise no setor, vem desmontando as equipes?
O marketing - O governo fala em ter avião, helicóptero para o transporte de pacientes. Então, vamos pensar na operacionalização dessa proposta:
Por que a Sesa quer repassar essa tarefa aos municípios e ficar apenas com a função de ser mero financiador para manutenção do serviço? Os transportes inter-hospitalares, realizados pelas Usav, são de longa distância com pacientes críticos. Não é adequado, do ponto de vista técnico, realizar troca de veículo a cada município. Isso porque é preciso levar em conta o estado de saúde dessas pessoas. Para isso, as ambulâncias das Unidades Avançadas são equipadas com gases medicinais em quantidade suficiente para garantir a sobrevida dos pacientes por várias horas. Esses veículos também têm monitores, bombas de infusão, ventiladores, materiais e insumos para suprir as necessidades e minimizar a exposição e risco dos doentes entre a unidade hospitalar de origem e a de destino.
– Quantos hospitais possuem heliporto? – Quantos aeroportos têm todo o equipamento para decolagem e aterrissagem com chuva ou tempo nublado? Nem Londrina, a segunda maior cidade do Estado, tem! A verdade dos Samus Pato Branco, Litoral, Londrina e Cornélio têm Samus regionais. A lista de problemas vai desde o atraso do pagamento dos salários, gerando greve, até a falta de recursos para o conserto das ambulâncias e falta de manutenção nos equipamentos médicos para garantir o atendimento com qualidade a pessoa socorrida pelo serviço de urgência. Usav e Samu são serviços complementares! Que a Sesa repense a política com esta visão!
Vergonha
Sesa atrasa pagamento do vale-transporte desde julho do ano passado Os servidores da Secretaria de Saúde - Sesa - que recebem vale-transporte para ir trabalhar convivem constantemente com atrasos no pagamento. Desde julho do ano passado a Secretaria tem se mostrado incapaz de garantir que os VT´s cheguem até os trabalhadores. O secretário Michele Caputo assume que não há argumento que justifique o atraso. Mas assumir a responsabilidade é pouco diante de nove meses de atraso permanente sem previsão alguma de solução desse caos. Enquanto a Sesa não tem competência para resolver o problema, os servidores é que tiram de seu salário dinheiro para se deslocar de casa para o trabalho.
Impacto - Vale lembrar que só
recebe vale-transporte os servidores da Sesa que recebem até três salários mínimos. O dinheiro gasto com condução faz muita falta no fim do mês.
Se fosse só em uma unidade... A situação do atraso do VT não é só no HRL. Também está atrasado em Londrina, nos hospitais Zona Sul e Zona Norte, no Hospital de Ponta Grossa, no Hospital Regional do Sudoeste, nas regionais de saúde. Enfim, a situação é crônica e geral.
Servidores ficam em maus lençóis Desde julho, trabalhadores de diversas unidades passam por difícil situação. Teve servidor que, durante os meses de atraso, emprestou dinheiro para poder trabalhar. No Hospital Regional do Litoral, a situação parece mais grave: são cinco meses de atraso. Para um trabalhador, que faz a escala de 12 por 36, são aproximadamente R$ 100 reais. Para os que trabalham 8 horas por dia, são quase 200 reais. Teve servidor que teve de pegar dinheiro dos filhos para poder trabalhar. Outros emprestaram do vizinho, e teve até quem faltou por falta de dinheiro para ir até o trabalho. Ruim para a assistência e ruim para o servidor que ainda terá um dia de trabalho descontado. Semana passada foram pagos alguns meses de atraso no HRL. Porém, não para todos os servidores. Ou seja, o problema continua! Outro problema - Quando são pagos os atrasados, o pagamento vem em forma de vale e daí o servidor não tem o que fazer com tanto VT. No caso dos servidores que emprestaram dinheiro para ir ao trabalho, não poderão agora pagar com os vales atrasados e daí surge mais um problema. Sem falar que durante todo o tempo os trabalhadores tiveram desconto de 1% do vale-transporte, conforme previsão legal. Uma vez que o vale não é pago no mês e ocorre o desconto, consideramos que o Estado está fazendo apropriação indevida. Tal situação não pode mais ocorrer. Os trabalhadores que constroem um Paraná de Respeito precisam ser valorizados. Precisam de condições adequadas de trabalho para poderem oferecer uma boa assistência. No nosso entendimento, só com auxílio transporte será resolvido esse problema. Auxílio transporte, pago em dinheiro e para todos. Essa é a nossa reivindicação.
Mobilização - Por conta desse atraso e para denunciar outros problemas que afligem a rotina do HRL, os trabalhadores fizeram plantão-protesto em frente ao hospital para conversar com as pessoas que chegavam para atendimento. Com faixas e panfletos, conversamos com todos e expusemos os problemas. A população ficou indignada em saber que corre solto dinheiro para aumento dos cargos comissionados e falta para o pagamento do VT e para a melhoria do hospital.