Órgão de divulgação do SindSaúde • Especial 31 de março • Abril de 2008
Dia 31
A brava gente da saúde faz manifestação histórica
Com uma bonita mobilização, os servidores da saúde pública do Paraná deixaram a sua marca no dia 31 de março. Essa brava gente foi ao Centro Cívico, em Curitiba, protestar contra o desrespeito à jornada de trabalho e os descontos de dias trabalhados. A manifestação lembrou um ano desde que o governo passou a descontar dias trabalhados nos salários de funcionários, em retaliação à luta em defesa das jornadas da saúde. Os trabalhadores da saúde esperavam que alguém do governo tivesse sensibilidade para ouvilos com o respeito que merecem, pela dedicação com que defendem a saúde da população do Paraná. A posição de se recusar a receber pessoas que viajaram até mais de 700 km para tentar expor suas angústias foi decepcionante. As conclusões tiradas pela categoria foram emblemáticas, com servidores comentando que “ninguém esperava isso de um governante que se dizia a favor do trabalhador”; ou percebendo que “longe do discurso ficam a prática e a agressividade do tratamento dispensado aos servidores da saúde”. Mas nós não somos de baixar a cabeça diante das dificuldades. Sabemos que as conquistas não se definem numa manifestação ou reunião com o governo. Elas são resultados de uma caminhada de luta, com união e persistência, acreditando nos princípios e nos direitos que defendemos. E a hora é de avançarmos nas mobilizações. A manifestação do dia 31 mostrou que temos força e que incomodamos quem não respeita os trabalhadores da saúde.
2 Especial 31 de março • Abril de 2008
Espirito de luta
Não deixe que o Estado tire o que é seu de direito De todos os cantos do Estado, servidores vieram defender direito usurpado O ânimo e a ansiedade, desde cedo, tomavam conta dos participantes que almejavam respostas positivas do governo. Aposentados vieram em grande número e reafirmaram as reivindicações.
Reação
Governo não botava fé na rapaziada Manifestação surpreende o Executivo O governo não esperava tanta gente. O governo não esperava tanta resistência. O governo não aceita as críticas feitas. Se há avanços nesse governo, não negamos. No entanto, há problemas sérios que ninguém resolve e os que decidem ficam no empurra-empurra. Queremos solução para a falta de pessoal, para a sobrecarga de trabalho, para o assédio moral praticado pelas chefias, para a inexistência de política de saúde do trabalhador. Desde 2002, está em pauta a negociação do PCCS da saúde. Ninguém do governo encampa a discussão.
Ô abre-alas!
Comissão de frente puxa o samba da jornada A brava gente da saúde canta e manda o recado Brava gente da saúde! Longe vá...temor servil. É fazer as 30 horas E garantir qualidade É fazer as 30 horas E garantir a qualidade
O recado era claro: a brava gente da saúde, entre o pessoal da ativa e aposentados, reivindicou o PCCS da saúde, jornada de trabalho e concurso público. Mas não esqueceu de exigir menor número de chefias arrogantes e incompetentes, mais valo-
EXPEDIENTE Pressão Alta - Órgão de divulgação do SindSaúde • Especial 31 de março • Abril de 2008 SindSaúde/PR - Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais dos Serviços de Saúde e Previdência do Estado do Paraná Sede própria à Rua Mal. Deodoro, 314, 8º andar, cj.801, Ed. Tibagi, Curitiba, PR, CEP 80.010-010. Fone (41) 3322-0921, fax (41) 3324-7386. • www.sindsaudepr.org.br • contato@sindsaudepr.org.br Jornalista responsável: Luiz Hermann (DRT-PR 2331) • Diagramação: Excelência Comunicação. Fone: 8874-3736. Impressão: O Estado do Paraná • Tiragem de 6.000 exemplares. É permitida a reprodução com a citação da fonte.
rização e correção salarial. Três blocos seguiram a comissão de frente. Eles faziam referência à jornada de trabalho. Mais uma vez, foi dado a Requião a oportunidade de rever seu posicionamento sobre essa importante questão.
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Na rampa
Muitos manifestantes compararam Lerner a Requião Mesmo cansados, os servidores ainda tiveram de encarar os seguranças do Palácio das Araucárias. A comparação foi feita de imediato: “No tempo do Lerner, havia uma cerca e a gente não entrava. Com Requião, o cerco é humano e a gente não entra também.” O mote da campanha teve um grande apelo para a categoria: “Não deixe que o Estado tire o que é seu de direito”. Esse é o espírito das lutas em 2008.
Barrados na rampa
Curitiba
Caravanas de todas as regiões estiveram na mobilização de 31 de março Londrina
Parabéns, ó servidores Pelo trabalho executado No universo da saúde Reafirmamos jornada justa
Antonina, Apucarana, Arapongas, Cambé, Campo Mourão Cascavel, Castro, Cerro Azul, Cianorte, Cornélio Procópio, Coronel Vivida, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guaporema, Guarapuava, Irati, Jacarezinho, Jaguariaíva, Janiópolis, Lapa, Londrina, Mafra, Maringá, Matinhos, Paranaguá, Pato Branco, Pinhais, Piraquara, Planalto, Ponta Grossa, Pontal do Paraná, Rondon, Santa Helena, Toledo, Umuarama, Xambrê.
No universo dos trabalhadores No universo do labor Nós merecemos mais justiça! Castro
Ponta Grossa
Cianorte e Litoral
Pato Branco
Campo Mourão
4 Especial 31 de março • Abril de 2008
Na mesa
Servidores expõem angústias às autoridades Em 4 de abril a secretária da Administração Maria Marta Lunardon e o diretor geral da Secretaria da Saúde, Carlos Manuel dos Santos, receberam uma comissão de servidores para negociação. Parece que eles queriam mesmo distância da categoria mobilizada.
A direção do SindSaúde levou para a reunião servidores de diferentes locais de trabalho de todo o Estado, além de uma representante dos aposentados. Eram vinte pessoas expressando a força daqueles que dias antes foram ignorados pelo governo.
Dia 4 - enfim, sobe-se a rampa
A conversa começou com o clima tenso, quando Maria Marta falou do descontentamento do governo com a manifestação. Em especial, com a repercussão dada pela imprensa. Os servidores salientaram que a manifestação do dia 31 foi marcada para lembrar que há um ano o governo implantou descontos salariais em dias trabalhados. Também aproveitaram para expor o descontentamento com o governo pela falta de condições de trabalho, com chefias incompetentes e autoritárias e com o desrespeito às jornadas de trabalho da saúde. Presentes No final da reunião, foi entregue à secretária e ao Carlos Manoel, já que Gilberto Martin estava ausente, camisetas símbolo da manifestação do dia 31. A mensagem inscrita na camiseta era: “Álvaro
Negociação tensa
joga cavalos, Lerner mata de fome, Requião... pode assinar a lei das 20 e 30 horas. Tá na sua mão Requião”. Num clima receptivo e sereno, o vice-governador Orlando Pessuti e o chefe da Casa Civil Rafael Iatauro receberam em mãos a camiseta.
Negociações só avançarão se continuarmos mobilizados Compare no quadro as nossas reivindicações e a posição do governo sobre cada questão Reajuste salarial
PCCS da saúde
Queremos: Reajuste pela inflação de maio de 2007 a abril de 2008, em torno de 5% (projeção)para servidores da ativa e aposentados.
Queremos: Aprovação do PCCS próprio da Saúde, com a participação paritária dos servidores na sua elaboração.
Governo: Há o compromisso de repor esta perda. Não está defininda data de implantação.
Governo: O governo incluiu o PCCS da Saúde no Plano Estadual de Saúde e diz que ele será elaborado na Mesa Permanente de Negociação do SUS, com a participação do sindicato.
Reposição das perdas Queremos: A reposição da inflação dos dez anos que nossos salários ficaram sem reajuste. Para que nossos salários tenham o mesmo valor de agosto de 1995 (quando ficaram congelados) é necessário corrigi-lo em 82%. O SindSaúde propõe pagamento em três parcelas de 27,3% ao ano, para zerar as perdas até o fim do mandato.
Política de saúde do trabalhador
Governo: Não quer discutir a questão.
Governo: O governo aceita discutir, mas não assume compromissos de prazo ou de proposta.As peculiaridades do serviço desenvolvido, sobrecarga de trabalho, assédio moral e más condições de ambiente de trabalho são elementos que fazem adoecer os servidores públicos. É necessária uma política de prevenção, tratamento e acompanhamento desses funcionários, preservando todos os seus direitos, para que todos possamos viver e trabalhar melhor.
Compensação pelo atraso do reajuste Queremos: Pagamento de abono de 13,36%, ao pessoal em atividade e aposentados, para repor o que deixou de ser pago entre maio e setembro do ano passado, atrasando o pagamento do reajuste.
Queremos: A implementação de política de saúde do trabalhador que contemple a vigilância dos ambientes e processos de trabalho, com a prevenção de riscos ambientais e a criação de registro de dados epidemiológicos para priorizar a adoção de medidas de prevenção.
Governo: Não quer discutir a questão.
GAS para os aposentados Queremos: Que o governo passe a pagar a GAS para os aposentados. Governo: Alega problemas técnicos e legais. Comprometeu-se em buscar alternativas.
Reajuste da GAS Queremos: Correção de 16,6% , para repor a inflação desde outubro de 2004, quando foi implantada.
Decreto da promoção Queremos: A revogação do Decreto 1982/07 e a definição de critérios mais justos, que estimulem os servidores a buscar melhor formação. Governo: Não quer discutir a questão.O Decreto 1982 foi feito para impedir as promoções do maior número de servidores. Queremos critérios mais justos e que estimulem os servidores a buscar melhor formação.
Concurso público
Governo: Estuda a possibilidade de corrigir em torno de 8,5%.
Queremos: Concurso público amplo para as atuais e as novas unidades de saúde, acabando com as terceirizações.
Jornada de trabalho
Governo: Afirmou que está avaliando as condições para realizar concurso para a saúde e defende as terceirizações de serviços por meio de parcerias.
Queremos: que o governo mantenha a jornada máxima de 30 horas na saúde e respeite as leis nacionais que definem jornadas de 20 e 24 horas para diversos segmentos. Governo: Não quer discutir a questão.
Veja mais fotos da manifestação: www.sindsaudepr.org.br