Órgão de divulgação do SindSaúde Especila Lapa – nº. 1 – fevereiro de 2008
Aos 80 anos, Hospital São Sebastião é parte da história da Lapa
De sanatório para receber pacientes com doenças pulmonares, o São Sebastião atende, atualmente, pessoas acometidas de todo o tipo de moléstia
O primeiro hospital construído no Brasil com dinheiro dos cofres públicos, com 150 leitos para tratamento específico da tuberculose, o Hospital São Sebastião foi inaugurado em 30 de outubro de 1927. As informações são do site do governo do Estado. O hospital foi idealizado pelo então governador Caetano Munhoz da Rocha, na luta para amenizar o sofrimento das vítimas de tuberculose. A intenção era fazer um sanatório modelo. Entretanto, se no passado muitos doentes tiveram sua saúde recuperada, hoje, o hospital é a raiz da doença de parte dos servidores que ali trabalham.
Violência produz doença Há meses os servidores têm denunciado que o ambiente de trabalho está cada dia mais deteriorado. Isso por conta do autoritarismo que impera naquela que deveria ser uma unidade de saúde. Muitos trabalhadores estão, nesse momento, passando por situação de constrangimento e humilhação. Isso tem nome: violência moral no trabalho.
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Confira o placar: 4x0 Mais de 4 milhões para ampliar e equipar o HSS Os tempos mudaram. O governo investiu para que o hospital se modernizasse e atendesse à maioria das especialidades, inclusive no pronto-socorro. O número de leitos aumentou, assim como o atendimento foi ampliado. Mais de 4 milhões de reais foram investidos apenas nos dois últimos anos.
A verba prevista para os servidores é zero Já os servidores se animam ao ver as melhorias, que geram melhor e maior capacidade de atendimento. No entanto, a desmotivação se dá por receberem diariamente um tratamento marcado pelo desrespeito, pela humilhação, pela pressão moral e psicológica. Esse clima ruim de trabalho começou na gestão fardada do coronel-diretor daquele hospital.
Brava gente da saúde! Mas essa brava gente da saúde, sempre utilizando o branco da paz, sabe que as chefias se vão e eles permanecem. Essa brava gente entende que a população tem de ser bem atendida e é esse povo o grande aliado dos servidores, que aceitam os desafios e obstáculos impostos e luta pela sobrevivência do sistema público de saúde.
Confira os seus direitos como cidadão “Saúde: dever do Estado e direito do povo.” Art. 196, da Constituição Federal • cobre o atendimento de qualidade • exija atendimento integral. Caso o hospital ou qualquer unidade de saúde não disponha do que você necessita, a Secretaria Municipal de Saúde tem de encaminhar você a uma cidade onde possa ser atendido. • se negue a pagar qualquer cobrança. E denuncie ao Fórum Popular de Saúde ou ao SindSaúde pelo telefone 33220921 ou pelo e-mail contato@sindsaudepr.org.br. • as cobranças indevidas ou qualquer outra irregularidade podem ser denunciadas no Conselho Municipal de Saúde. O da Lapa se reúne toda última segunda-feira do mês, na Câmara dos Vereadores, às 18h.
EXPEDIENTE SindSaúde/PR - Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais dos Serviços de Saúde e Previdência do Estado do Paraná Sede própria à Rua Mal. Deodoro, 314, 8º andar, cj.801, Ed. Tibagi, Curitiba, PR, CEP 80.010-010. Fone (041) 3322-0921, fax (041) 3324-7386. Endereço eletrônico contato@sindsaudepr.org.br Jornalista responsável: Lea Okseanberg, Diagramação: Excelência Comunicação. Fone: 8874-3736. Impressão: O Estado do Paraná • Tiragem de 500 exemplares. É permitida a reprodução com a citação da fonte.
Você sabia que... • o governo Lerner ficou devendo 636 milhões de reais ao SUS do Paraná? • o governo Requião já deve mais de 1,2 bi ao mesmo sistema público de saúde? • o imposto que você paga deveria retornar à saúde e à educação? • o governo Requião, que defende o concurso público e o fortalecimento do Estado, terceiriza os serviços e contrata parte dos trabalhadores do HSS por tempo determinado? • os servidores adoecem em função da exposição a diversos riscos? • numa cozinha de hospital, as panelas de pressão são enormes e produzem um barulho descomunal? • esse ruído leva à surdez e ao estresse? • para detectar que é o ambiente de trabalho a causa da doença dos servidores, é necessário desenvolver uma série de ações que o Estado tem se negado nos últimos anos?
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Discriminação é visível no São Sebastião Do refeitório à condução, duas ‘espécies’ de humanos convivem no mesmo local Muitos ainda não sabem, mas discriminação social é infringir a Constituição Federal - CF. Na gestão do coronel-diretor do Hospital São Sebastião, a CF foi rasgada. É tamanha a diferenciação feita entre as raças e as ‘sub-raças’ que há dois refeitórios: um é para a turma do bandejão e o outro, para a da porcelana. O pessoal que freqüenta o bandejão é sem cargo comissionado. São aqueles servidores
que dão o sangue mesmo. Nesse refeitório, como o nome diz, as pessoas se servem em uma grande bandeja, num bufê de alumínio, e a comida é o trivial simples. Nem precisa mais. Já o povo da porcelana dispõe de pratos de louça, toalhas para as mesas, copos de vidro, saladas enfeitadas, maior variedade para escolha e, claro, carne grelhada para o coronel-diretor, que alega ser hipertenso e diabético.
Faça o que digo, mas não faça o que faço! A jornada de 40 horas só é exigida daqueles que passaram em concurso público. A vista fica grossa para a maioria dos cargos de chefia que, para cumprir dedicação deveriam cumprir a mesma jornada de 40 horas. Enquanto o coronel-diretor prega a moralidade no cumpri-
mento da jornada, esquece que há trabalhadores contratados de forma absolutamente ilegal, pois o Estado não abriu concurso público. O coronel, munido da farda, sabe que a contratação por tempo determinado é um desrespeito frontal a Constituição Federal.
Uns cumprem a jornada que querem e outros são cobrados e têm de fazer as 40 horas
Turmas do bandejão e da porcelana são duas raças diferentes. Portanto, há discriminação.
Carrão para um. Sucatão para muitos! A discriminação não pára por vão ao hospital e revigoram a esaí. O coronel-diretor mora em perança de que um dia esse estaCuritiba e diariamente vai e vol- do de coisas vai mudar. ta da Lapa, trecho de cerca de 140 quilômetros. Só que com o carro do Estado. Quem paga essa conta sou eu, é você e todo o povo do Paraná. Os servidores, que vão da Lapa até o Hospital – aproximadamente seis quilômetros diários – depois de muito reclamar do ônibus precário da década de 60 e de um biarticulado com as borrachas furadas, conseguiram fazer com que o governo desse uma melhorada nesses veículos. Coletivamente
Jornada de 30 horas é garantia de qualidade Há muito os servidores esta- quando o paciente apresenta uma duais da saúde cumprem jornada parada cardíaca? Um derrame? E de 30 horas semanais. Ninguém é em caso de doença terminal? melhor nem pior que qualquer ouVocê percebe o estresse que tro trabalhador. Mas é árdua a natureza do trabalho desses profissionais. É necessária uma dose a mais de paciência para lidar com pessoas doentes. Em geral, elas ficam mais fragilizadas e sensíveis. Esses servidores têm de dar banho, trocar a roupa de cama, fazer a barba ou pentear os cabelos. Eles fazem toda a higiene pessoal dessa população. Imagine um profissional ao receber um acidentado, com grave hemorragia interna. E o que fazer Ato do SindSaúde pela jornada de
esse servidor passa para buscar o diagnóstico e salvar aquela vida? Todo minuto faz diferença nessa hora. É quando o profissio-
30 horas
nal mais precisa de tranqüilidade, de um ambiente de trabalho harmônico. Só assim, é possível enfrentar, de forma ágil, os desafios que podem surgir a cada minuto. Agora se coloque no lugar de um profissional que recebe uma família trazendo o indivíduo com surto psicótico ou uma tentativa de suicídio. Em todos os casos, esses servidores têm de lidar com os pacientes e com os familiares. Às vezes, esses profissionais são portadores de boas notícias. Outras, nem tanto. Não raro é necessário compartilhar a dor com a família. Mas, para isso, há que ter estrutura.
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Coronel-autocrático promove a Santa Inquisição no Hospital da Lapa Tem até o Tribunal do Santo Ofício criado para investigar e determinar o destino dos supostos subversivos Para aqueles que ainda não cie de júri. Era o Tribunal do Sansabem, uma rápida história que to Ofício. Os réus eram aqueles começou na Idade Média. No oes- que discordavam dos princípios te da Europa, os chamados de- instituídos pela fé cristã ou os mônios da heresia arrebanhavam que pensavam diferente. Nas temidas cortes da adeptos e, seInquisição, a gundo a Igreja “Deixará de ter um acusação era siRomana perturbavam a Ordem. tempo em que qualquer nônimo de senNa verdade, coronel-diretor, no lugar tença de morte das mais variaesses heréticos, de deter-se para salvar das: ou eram os subversivos eram pessoas vidas, estaria enviando mutilados ou tinham a carne disimples e bemcentenas delas para a intencionadas lacerada e os ossos quebrados. que queriam remorte.” Enfim, as vítiformar o que Autor desconhecido mas confessaconsideravam vam coisas. E os excessivo na Igreja. Já o Vaticano, cercado azarados, queimados vivos e em de uma Pompa Imperial, detin- fogueira de madeira verde para ha poder político e gastava que a agonia se prolongasse. Qualquer semelhança é energia envolvendo-se em intrigas da corte. mera coincidência. O fato é que Formou-se, então uma espé- a prática do coronel-diretor é
Liderança é transferida, via comunicado verbal Aos que não se submetem ao coronel-diretor e não se deixam manipular, a transferência é a solução. Aramis Santos Domingues, que pertenceu à direção do SindSaúde de 93 a 98, é inevitavelmente uma liderança e referência para os servidores do Hospital da Lapa. E ao fantasiar uma ameaça em Aramis, o coronel-diretor foi difamando o líder entre os colegas. Nem por isso, Aramis deixou de ser referência entre os colegas ou deixou de executar as tarefas do dia-a-dia no trabalho. Irritado por constatar que a imagem do ex-dirigente permanecia inatingível e que o objetivo não estava ao alcance da patente, o coronel-diretor colocou Aramis à disposição da Secretaria Estadual da Saúde. A direção sindical, ao apoiar o servidor, denunciou o caso
à Secretaria. Uma das chefias presentes à reunião declarou que o coronel-diretor teria dito que Aramis não teria identidade com a atual administração. Durante 20 anos, Aramis trabalhou sem nenhum processo administrativo ou algo que desabonasse a conduta do funcionário. A pergunta é: o que houve agora? O que significa falta de identidade com a atual administração? Para acabar com os constrangimentos que grande parte dos servidores está submetida, só a Secretaria da Saúde pode reverter esse triste quadro, colocando em prática o discurso que faz: o de humanizar o atendimento e estabelecer uma relação democrática de trabalho.
a da farda. Os servidores já apelidaram a sala do gestor de ‘Sala do Dops’ – Departamento de Ordem e Política Social – local onde se praticavam as torturas dos anos verde-oliva que este país viveu. Qualquer servidor que discorde dele é chamado à sala do coronel e as chefias atuam como
grande júri. O processo é rápido, sem formalidades, sem direito à defesa. Ao réu, a única alternativa é confessar e retratar-se e aceitar o domínio e a autoridade do coronel. Os direitos de liberdade e de livre escolha não são respeitados. Já houve casos em que a cena final da atual inquisição beirou à insanidade.
Médicos são afastados por relatar causa do colapso de servidora que passou pela sala do Dops O médico vivo mais antigo do Hospital Regional da Lapa, Alfredo Vidal Moreira, junto com o filho, foi colocado à disposição da Sesa. Vidal Moreira foi diretor-geral do São Sebastião de 83 a 89. Em 2005, foi diretor-clínico. Por ser morador da Lapa e o mais antigo do hospital, ameaçava a gestão patenteada do coronel. Alfredo Elkhe Moreira, o filho, foi atender a uma servidora que entrara em colapso logo
após uma sessão de tortura, promovida pelo coronel-diretor. Elkhe Moreira constatou que a funcionária encontrava-se em crise de ansiedade e profundo estresse, causado pela inquisição do coronel-diretor. Fez o relatório e, logo depois, pai e filho foram colocados à disposição. Essa é a prática dos inseguros: elimina-se o que abala e nada enfrenta.
Não ouse ouvir, enxergar ou falar. O problema é eliminado pelo coronel-fardado com uma canetada de transferência.