ELETRO CAST
Energia, cultura e debate de ideias
PLR 2026 na Cemig expõe limites da negociação mais uma vez pág. 2
Cemig Saúde: atenção às informações sobre os novos planos pág. 2
Escala 6x1: quando o trabalho ocupa a maior parte da sua vida pág. 3
NOSSA LUTA É POR VIDA, DIGNIDADE E TRABALHO JORNAL DO SINDIELETRO-MG FILIADOÀCUT,FRUSEECNU
Os eletricitários do Anel Rodoviário marcaram presença na assembleia sobre PLR 2026, realizada no dia 9 de abril. Crédito: Arquivo Sindieletro
A negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na Cemig foi encerrada no último mês e, mais uma vez, escancarou a falta de negociação real, algo que o Sindieletro denuncia há anos.
Apesar da aprovação da proposta nas assembleias realizadas entre 9 e 22 de abril, o sindicato avalia que as reuniões aconteceram de forma protocolar. Não houve construção coletiva dos critérios da PLR; o que se apresentou foi um pacote fechado, com margens mínimas de alteração e forte desigualdade entre as partes.
Enquanto trabalhadores da base recebem valores que não ultrapassam dois salários, cargos de alta gestão podem alcançar
Cemig Saúde: atenção às informações sobre os novos planos
Modelo entra em vigor a partir de junho, altera a forma de cobrança e redefine o custeio da assistência
Os novos planos da Cemig Saúde representam uma mudança significativa na forma de organização da assistência à saúde dos eletricitários e eletricitárias. O antigo PSI será substituído por um novo modelo que altera tanto as opções de planos quanto, principalmente, a lógica de financiamento.
Essa mudança não aconteceu sem enfrentamento. Foi a mobilização da categoria, organizada pelo Sindieletro-MG e entidades parceiras, que impediu um desmonte mais profundo. A campanha “Sem saúde, não tem energia” garantiu a manutenção do plano, ainda que com mudanças importantes.
A nova estrutura substitui o modelo familiar pela cobrança individual, baseada na idade e na modalidade escolhida: Vital (com abrangência estadual e opções de enfermaria ou apartamento) ou Master (nacional e exclusivo para apartamento). Para mitigar o impacto financeiro dessa transição, o acordo prevê uma ajuda de custo temporária distribuída ao longo
A conversa abordou as distorções do modelo atual e o papel da PLR dentro de uma disputa mais ampla sobre a organização do trabalho e o futuro das estatais. O Sindieletro defende a adoção da PLR 100% linear, como forma de justiça distributiva e valorização do conjunto da categoria.
Essa mesma perspectiva está no Projeto de Lei nº 5.435/2026, apresentado por Betão na ALMG, que propõe a distribuição 100% linear da PLR em todas as estatais. O programa aborda este e mais aspectos da gestão Zema em Minas Gerais.
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dos próximos anos. A coparticipação permanece em 30% com teto mensal, mantendo as coberturas hospitalares e ambulatoriais já conhecidas.
Além da reorganização dos planos, a mudança altera a lógica de financiamento, transferindo o custo de forma mais direta aos beneficiários. Novas funcionalidades foram incorporadas, como o transporte aeromédico e a ampliação do teleatendimento, mas a sustentabilidade do modelo dependerá do acompanhamento das revisões periódicas do custeio. É um cenário que exige atenção constante à evolução das mensalidades e às condições de acesso à saúde garantidas pela categoria.
A última Eletrolive do Sindieletro, divulgada em 8 de maio de 2026, trouxe informações atualizadas sobre os novos planos. Assista em: youtube.com/sindieletromgoficial
A Cemig Saúde lançou um site exclusivo com todos os detalhes sobre os novos planos.
As mudanças começaram, e o acompanhamento é fundamental.
SEM NÃOSAÚDE, TEM ENERGIA
Os novos planos da Cemig Saúde passam a vigorar em 1º de junho de 2026. Crédito: Arquivo Sindieletro
Escala 6x1: quando o trabalho ocupa a maior parte da sua vida
Novo episódio do Eletrocast trata de como a jornada de seis dias afeta
o tempo, a saúde e a vida fora do trabalho
O 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, manteve o debate sobre jornada e condições de trabalho no Brasil atualizado: em plena sexta-feira, milhares de mineiros saíram às ruas bradando por mais dignidade e tempo livre para o povo.
Com propostas em discussão no Congresso Nacional, a escala 6x1 volta ao centro das disputas por direitos. A forma como o tempo de trabalho é distribuído tem efeitos diretos na vida fora do emprego — da convivência familiar ao acesso à educação e ao descanso.
Também foi no dia 1º que o governo Lula protocolou no Congresso uma proposta de redução da jornada de trabalho, colocando o tema de forma mais direta na pauta legislativa. O projeto se soma a outras iniciativas já em tramitação.
O fim da escala 6x1 é a grande batalha da classe trabalhadora neste ano a nível nacional. Atentos ao debate público e organizados também nesta pauta, o Sindieletro trouxe o tema ao Eletrocast em seu terceiro episódio.
O programa reuniu Lucas Sidrach, coordenador nacional do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT); Carlos Machado, economista da subseção do Dieese no Sindieletro; e Jairo Nogueira, presidente da CUT Minas. A mediação ficou por conta de Ronei Cardoso, coordenador da Regional Metropolitana do sindicato.
Durante o episódio, os convidados discutiram os efeitos da escala 6x1 sobre a rotina dos trabalhadores, especialmente em setores como comércio e serviços. A combinação entre jornadas extensas, baixos salários e alta rotatividade reduz o tempo disponível fora do trabalho e pressiona o cotidiano. A conversa recuperou ainda o histórico da redução da jornada no país e apresentou experiências recentes de reorganização do tempo de trabalho.
Lucas Sidrach sintetizou: “Se o trabalho é um direito, o descanso também tem que ser”. A experiência prática de redução da jornada também entra na discussão. Jairo Nogueira relatou a adoção da escala 4x3 na CUT Minas, com alternação das folgas entre sexta e segunda-feira. Segundo ele, a mudança não interrompeu as atividades e trouxe retorno positivo.
Já o economista Carlos Machado relembrou que as previsões catastróficas se provaram erradas em outros momentos da história. Ele lembrou que o mesmo pânico se instaurou na Constituição de 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas. Na época, diziam que o desemprego ia aumentar e o PIB cairia, mas nada disso aconteceu e a economia absorveu os custos sem gerar desemprego.
O episódio também abordou os impactos na saúde, com destaque para o aumento de afastamentos por transtornos mentais, e o peso adicional sobre as mulheres, que acumulam trabalho remunerado e tarefas domésticas.
Os próximos meses serão decisivos para a luta pelo fim da 6x1. Só a pressão popular pode mudar essa história!
Descaso da gestão Zema/Simões na Cemig já causou vários acidentes somente neste ano
Ocultação de casos dificulta prevenção e análise dos riscos enfrentados pela categoria
2026 já começou pesado para a categoria eletricitária da Cemig. Casos graves em Uberlândia e dois acidentes fatais, em Itapagipe e em Andradas, evidenciam que a saúde e a segurança dos trabalhadores ainda não são prioridades para a gestão Zema/Simões. Nos últimos anos, voltamos a ter um grande volume de acidentes causados por queda de altura e choque elétrico.
Agora, o adoecimento mental também faz parte do cotidiano da categoria, fruto do excesso de pressão e assédio moral institucionalizado.
Como já noticiado pelo Sindieletro, há grande subnotificação no setor, principalmente entre os terceirizados. Portanto, no dia 28 de abril, data que marca a memória das vítimas de acidentes de trabalho, o Sindieletro não deixou o calendário passar em branco.
Na Sede e no Anel Rodoviário, debatemos com a categoria e relembramos as consequências da política de assédio e pressão implantada na Cemig: adoecimento, acidentes e mortes. O Sindieletro sempre reivindicou participação ativa na elaboração de políticas de saúde e segurança na empresa.
Também acompanhamos análises de acidentes, prestamos apoio a trabalhadores em situação vulnerável e temos diversas propostas no Acordo Coletivo de Trabalho para proteção da categoria eletricitária.
Conte com o seu sindicato para receber orientação e apoio e, principalmente, organize-se conosco na luta por condições dignas para a classe trabalhadora.
O Eletrocast 04 trouxe Marta Freitas, engenheira mecânica, coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador de Minas Gerais e integrante da coordenação nacional do MAM (Movimento pela Soberania na Mineração), para falar sobre o tema.
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Trabalhadora no Ato Unificado, realizado na Praça Raul Soares no dia 1º de maio. Crédito: Fernando Dutra