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Chave Geral 939

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Na defesa da renovação do nosso ACT 2023, atuamos nas frentes da mediação e do diálogo

Além das nossas lutas e o processo do dissídio coletivo, buscamos mediação com parlamentares da bancada progressista na ALMG, com o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho em Minas por um ACT digno. Nosso recado já está colocado: resistimos às retaliações e ao autoritarismo da gestão da empresa Pág. 03

Relatos que emocionam e chocam: trabalhadores revelam as suas penúrias sem o ticket. Gestores da Cemig, que ganham altos salários, têm ideia dos impactos para os eletricitários e suas famílias? Pág. 02

Jornal dos eletricitários e eletricitárias de Minas Gerais - Nº 939 2

Trabalhadores relatam os impactos da falta do ticket. Será que os gestores sabem do mal que infligem a quem gera riqueza para a Cemig?

O vale alimentação e o vale refeição são frutos de uma política pública estabelecida pela lei 6321, de abril de 1976, criando o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). As empresas cadastradas no PAT recebem incentivos fiscais para garantir alimentação dos trabalhadores, trabalhadoras e suas famílias. Essa lei foi criada para alterar uma condição anterior da classe trabalhadora que, dada a proporção, passava por insegurança alimentar, cabendo a participação do Estado no subsídio de tal política social.

Recebemos o vale alimentação/re -

feição na Cemig desde a década de 80, e em nenhuma gestão anterior, independente da sigla partidária que estivesse à frente do governo no estado foi imposta tal medida com tamanha desumanidade na história da categoria eletricitária.

Na gestão Zema, o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi, que tem salário de 133 mil reais e bônus de 1 milhão e 300 mil reais, é esse presidente com tal condição financeira que teve a coragem de cortar o pagamento do vale alimentação/refeição, tirando a comida da mesa de muitos trabalhadores e trabalhadoras da Cemig. Independente do resulta-

do do ACT 2023/2024, o corte do pagamento do ticket e os devidos impactos na condição de segurança alimentar dos trabalhadores e trabalhadoras da Cemig, ficarão marcados na história como a gestão barbárie, que chantageia a categoria retirando sua condição de alimentação para pressionar a categoria a fechar um acordo que não é de seu interesse . Vários trabalhadores e trabalhadoras atenderam ao chamado do Sindieletro para enviar seus relatos sobre o impacto do não pagamento do ticket nos seus processos de trabalho e na condição de sua vida e de seus familiares.

Os relatos mostram o quanto o trabalhador e a trabalhadora dependem do ticket para a alimentação deles e da família, e expressam também a decepção e a indignação com a imposição da gestão da empresa de cortar o benefício para enfraquecer a luta da categoria eletricitária em defesa do ACT. Será que os gestores têm ideia do mal que infligem aos eletricitários e eletricitárias?

Para garantir a objetividade e o sigilo de quem nos enviou depoimento, realizamos a edição dos relatos, sem comprometer a essência das manifestações. Confira:

Do sonho à decepção. A falta do ticket é uma situação que

me traz angústia

A Cemig está na minha vida desde que nasci, meu pai entrou na empresa em meados dos anos 70 e nasci em meados dos anos 80. Sempre tive o sonho de entrar para a Cemig vendo o orgulho do meu pai ao sair todos os dias de casa para trabalhar, sempre feliz pelo reconhecimento que ele recebia vestindo aquele uniforme. Em 1997 ele decidiu se aposentar

para ficar mais perto da família. Vi a tristeza dele, mas a família acalentou o seu coração. Com a decisão de se aposentar, ele optou pela manutenção do plano de saúde pensando em ter uma velhice mais tranquila, para ele e para minha mãe. Eu mantive o sonho de entrar na Cemig e busquei essa colocação, até que consegui passar no concurso. Foi um momento muito especial na minha vida, ficamos muito emocionados, tanto eu quanto meu pai. E mantive esse orgulho que aprendi com meu pai. Mas, hoje, me vejo em uma situação que me traz muita angústia. Tenho um filho especial, ele

faz tratamento e se eu não conseguir comprar o que ele consegue ingerir, fica sem se alimentar. Meu filho e também meus pais idosos dependem do meu vale-alimentação. Além disso, hoje, meu pai e minha mãe estão com o direito ameaçado de usufruir do plano de saúde. Hoje me sinto tão desvalorizada em ver a pressão que fazem para os funcionários aderirem a outros sindicatos ou aprovar acordos que prejudicam benefícios que lutamos para conseguir. Sinto um imenso descaso com quem faz a empresa funcionar. Tenho um misto de sentimentos quando escuto que a

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estimativa é de fechar o ano com 10 bilhões de lucro. Raiva, vergonha, ansiedade. Isso tudo a custa de quem e de que? Hoje somos como fantoches nas mãos dos que têm poder. E ainda tenho medo do que posso sofrer caso descubram esses meus sentimentos.

Fiquei sem almoçar para comprar o leite das crianças

Todo mês conto com o ticket para complementar a alimentação, sobretudo da família. Sou pai de três crianças, de 04, 08 e 10 anos; as minhas filhas ainda têm

muito dependência de alimentação com o leite. Hoje o consumo é de 12 caixas de leite por semana. Tenho a minha vida financeira muito correta, pois pago todas as contas (água, energia elétrica, internet e outras contas mais) com o salário que recebo.

Desde o dia 25/11/23 as coisas aqui em casa ficaram um pouco pior, as crianças me pedem o leite para fazer o “toddy’ e eu sempre digo que amanhã vou trazer... essa semana consegui comprar 03 caixas de leite, pois na terça, dia 28/11, fiquei sem almoçar, e disse para as minhas filhas que tinha que economizar o leite para dar até sábado. Estou escrevendo aqui e pensando que dia 01/12 não vou almoçar, para poder comprar o leite no fim semana. E na semana que vem a gente vê como vai ficar.

Para garantir a alimentação da família, deixei contas a pagar

des para pagamentos. A alimentação é prioridade e o impacto da falta do ticket é evidente: estou deixando de pagar algumas contas, mas logo virá a consequência. Não sei até quando vou conseguir segurar a barra, uma vez que o financeiro é um dos pilares da estrutura de uma família.

E, pra piorar, tudo isso acaba nos deixando emocionalmente abalados, pois a insegurança alimentar da família é primordial, vindo a nos comprometer no trabalho.

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Estou na empresa há 17 anos, com muito orgulho. São mais de 200 meses sem nunca ter deixado de receber o ticket alimentação, esse que garante a alimentação da minha família. Meu salário é comprometido com as demais despesas familiares, uma vez que minha esposa pode contribuir pouco, por ser autônoma. Pagamos escola do filho, água, luz, telefone, Internet, e outras despesas do mês.

Diante da decisão da Cemig de não pagar o ticket alimentação para alguns funcionários, a minha situação ficou muito complicada em casa, pois tive que começar a fazer uma escala de priorida-

Atacaram minha honra e minha capacidade laboral

Tenho mais de 35 anos de prestação de serviço a esta empresa e em nenhum outro momento nessa trajetória de vida, trabalho e dignidade, fui tão grave e vergonhosamente atacado nos meus direitos e na minha honra. Desta vez, atacaram minha honra e minha capacidade laboral, pois, não sendo possível o resultado do meu trabalho suprir as necessidades de minha família, entendo que falhei enquanto provedor, enquanto pai, enquanto esposo. Mas não como trabalhador. O resultado está posto.

Sou casado, pai de dois filhos. E tenho nestes últimos dias sentido os aspectos mais nefastos da ausência de uma boa alimentação. Sair para trabalhar e deixar minha família em casa sabendo que a falta de alimentação pode provocar perdas significativas na constituição educacional e no desenvolvimento das relações humanas e familiares daqueles entes é por demais desalentador.

Receio que outros colegas possam estar nesta mesma condição, mas por vergonha ou qualquer outro sentimento não relatem suas preocupações, o que pode impactar nos aspectos humanos conectados à mudança de humor, à falta de atenção nas atividades, diminuição de força física e possíveis acidentes graves.

Faço aqui um apelo aos gestores que tanto dizem estar preocupados com a segurança no trabalho e do trabalhador: um não existe sem o outro, e o resultado deste processo temos claro na apresentação dos resultados da companhia. E não vejo justiça no processo negocial quando, para chegarmos a bom tom, seja necessária a imposição

de tão dura retaliação àqueles que de fato estão em desvantagem no processo.

Postura truculenta coloca riscos à saúde e segurança

Informo que a falta do crédito do valor do ticket alimentação tem acarretado transtornos no planejamento financeiro de minha família. Espero que a gestão da Cemig entenda que essa postura truculenta que tem tomado na condução de um acordo coletivo coloca seus empregados sob sérios riscos de ocorrências de acidentes e diversas situações constrangedoras em ambiente de trabalho.

ACT 2023: além do dissídio, buscamos mediação em duas frentes

Saiba de que maneira o Sindieletro está atuando para resolver

Além das mobilizações realizadas junto à categoria eletricitária e o andamento do processo de dissídio coletivo, o Sindieletro está agindo em mais frentes, junto aos parlamentares estaduais e instituições públicas, para que o impasse em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho 2023 seja solucionado. Dois pedidos de mediação estão em andamento. Um deles por intermédio do deputado estadual Betão (PT), que busca, através da Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e em conjunto com a Superintendência Regional do Trabalho, mediação junto ao superintendente do Ministério do Trabalho em Minas, Carlos Calazans. O outro processo de

mediação é capitaneado pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), que junto ao Ministério Público busca a mediação do líder do governo na ALMG, o deputado estadual João Magalhães (MDB).

Na terça-feira (12) o MPT chamou a gestão da Cemig para reunião de mediação, mas o encontro foi suspenso por conta de compromissos da direção da Cemig. Estamos buscando a remarcação. Junto à deputada Beatriz Cerqueira, houve duas reuniões com a direção da Cemig: nos dias 11 e 18 de dezembro. Comprometida com a representação da categoria, a direção do Sindieletro argumentou e contra-argumentou de forma incisiva sobre

os efeitos da contra pauta da gestão da empresa, buscando um possível acordo sem prejuízos para a categoria. No entanto, o antagonismo entre os interesses da categoria e da gestão privatista de Zema na Cemig dificultam um bom acordo.

Nas mediações, o Sindieletro aponta a intransigência da Cemig e seu impacto negativo no ambiente de trabalho da empresa, evidenciando a necessidade de intervenção no processo.

“A greve do dia 13 de novembro deu o importante recado de que a categoria não está disposta a aceitar de forma passiva as retaliações e o autoritarismo da empresa”, afirma Emerson Andra -

da, nosso coordenador-geral. “Enquanto aguarda o julgamento do dissídio, a gestão Zema na Cemig aplica punições coletivas na categoria. Não vamos ceder a essa pressão”, salienta, fazendo referência a medidas como a retirada do ticket, a negativa do adiantamento do pagamento e as ameaças de retirada de outros direitos previstos no ACT.

Vamos continuar atuando de diversas maneiras para garantir o ACT 2023 da categoria eletricitária. Os trabalhadores e trabalhadoras já mostraram que não vão ceder. Vamos protestar a cada ataque da gestão da Cemig aos nossos direitos conquistados.

Cemig: esse “trem” é nosso!

o impasse do acordo coletivo

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