Acidentes em série: é necessário parar e repensar a vida na Cemig!
Após os acidentes de julho, uma série de ocorrências com sério risco à vida aconteceram nas últimas semanas, evidenciando problema organizacional na empresa
A construção da luta pelo ACT 2023/24 passa prioritariamente pelo debate e tratamento da pauta de saúde e segurança. No atual cenário, identificamos um aumento abrupto dos adoecimentos e acidentes de trabalho. O mês de julho foi emblemático para a categoria. Perdemos o Vimerson, do TI, que tirou sua própria vida. Os colegas associam sua morte às condições de trabalho, pressão por produtividade e suposto assédio moral. Vimerson tentava transferência interna na empresa e participava de concursos públicos em outros órgãos do estado para sair do ambiente precário e adoecedor.
No dia 11 de julho, perdemos Gabriel Luciano, de apenas 27 anos, vítima de choque elétrico. A comissão que investigou o acidente observou problemas na organização do trabalho, fruto das sucessivas reestruturações que alteraram as condições nos processos de trabalho. Já ao final do mês de julho, faleceu, vítima de acidente de trânsito a serviço da Cemig, o trabalhador contratado Romero.
As mortes de julho trazem o desafio de repensar a organização do trabalho de forma a garantir, para além das atividades correlacionadas, também condições dignas de traba-
lho que preservem a vida e a saúde mental dos trabalhadores. No entanto, não vemos um empenho em tratar de forma macro os problemas relacionados à saúde e segurança na empresa.
No Chave Geral 933, comunicamos um acidente sem vítimas em Belo Horizonte, mas com grande potencial de risco à vida. Ao entregar o jornal nas bases, recebemos relatos de mais dois acidentes sem lesão, mas com o mesmo potencial de risco de choque elétrico. Um trabalhador da Provac e outro do quadro próprio informaram que, naquele mesmo final de semana, houve mais
duas religações de energia acidentais durante as atividades dos trabalhadores.
A relação das equipes precisa ser tratada de forma urgente. É necessário que a gestão da Cemig pare algumas atividades e reorganize os processos de trabalho para evitar que novos acidentes e acidentes fatais ocorram com a força de trabalho da empresa. A Pirâmide de Bird evidencia: acidentes sem lesão vão gerar acidentes fatais lá na frente. Eles são anunciados! Precisamos repensar e parar atividades para buscar alternativas que garantam o trabalho e a vida na Cemig.
Quase um mês após a entrega da pauta, gestão Zema na Cemig segue lógica desleal e desrespeitosa ao não marcar reuniões
Depois impõe prazo para fechar acordo, buscando pressionar a categoria. Não vamos aceitar!
A tática adotada pela gestão Zema na Cemig de adiar o início das reuniões de negociação do Acordo Coletivo 2023/24 para próximo à data-base revela uma estratégia que visa pressionar os trabalhadores a aceitarem condições desfavoráveis. Não é novidade, essa artimanha é muito conhecida pela categoria e tem sido usada em todas as negociações da gestão Zema na Cemig. Ao deixar as discussões para o último momento, a empresa pretende criar um ambiente de incerteza e tensão entre os funcionários, tentando desmobilizar a categoria para lutar por um acordo justo.
A postura da gestão demonstra uma falta de comprometimento com o diálogo construtivo e a negociação justa. Ao protelar as negociações, a empresa mina a confiança dos funcionários, tornando as conversas mais difíceis e contribuindo para a deterioração das relações laborais. É desleal! Mas essa pressão psicológica não fará os trabalhadores cederem a pautas que não refletem suas verdadeiras necessidades e expectativas. Estamos atentos e cobrando as negociações: Cemig, marque imediatamente a primeira reunião! A categoria não ficará à revelia dos desmandos da gestão Zema!
É fundamental que estejamos alertas para essas táticas e que nos unamos, como sindicato e categoria, para defender nossos interesses com firmeza, garantindo que a empresa cumpra suas obrigações e respeite nossos direitos como trabalhadores. Juntos, vamos resistir e lutar por acordos coletivos que realmente beneficiem a classe eletricitária.
Campanha a todo vapor
Nossa campanha teve o pontapé inicial no final do mês de julho, quando iniciamos as setoriais de levantamento de pré-pauta. No dia 22 de agosto, o Sindieletro realizou um ato simbólico em Belo Horizonte, durante o qual entregou a pauta de reivindicações da categoria para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2023/24. A pauta foi entregue tanto na sede da Cemig quanto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Na Cemig, a pauta foi entregue à gestão da empresa por meio do coordenador-geral do Sindieletro, Emerson Andrada. Ele apresentou os principais pontos da pauta e solicitou ali mesmo a primeira reunião de negociação da campanha. No entanto, o presidente da empresa, Reynaldo Passanezi, não nos recebeu, seguindo a postura autoritária
semelhante ao presidente anterior, Cledorvino Belini.
Estamos a todo vapor nas mobilizações contra a PEC de Zema, que pretender mudar a Constituição Mineira para facilitar a venda das estatais. Participamos do histórico ato unificado do dia 29 de agosto; seguimos dialogando com parlamentares, movimentos e população; e marcamos presença em audiências públicas sobre o tema que vem surgindo na capital e em todo o estado. A direção do Sindieletro realizará setoriais em todas as regionais de Minas Gerais, estabelecendo um debate crítico contra as privatizações, em defesa de nosso ACT, e levando os materiais de campanha para a categoria. As setoriais estão previstas para ocorrer entre os dias 18 e 29 de setembro. Procure o coordenador de sua regional para mais informações!
O sindicato está mobilizado para pressionar e garantir as pautas de interesse da categoria eletricitária. Pressione você também! Vista sua camisa de luta – desta ou de campanhas passadas –, use os adesivos do Sindieletro, compartilhe nosso conteúdo. Participe das atividades e audiências!
Cemig: esse “trem” é nosso!
da privatização
Parlamentares, sindicatos e movimentos populares trouxeram perspectivas diversas sobre as ameaças à Constituição
Mineira e às estatais Jornal
A audiência da Comissão de Administração Pública da ALMG abordou, na última sexta-feira (15), a PEC protocolada pelo governo de Romeu Zema que propõe mudar a Constituição Mineira para facilitar a venda das estatais. E o Sindieletro, é claro, marcou presença junto à categoria eletricitária. A audiência foi requerida pela deputada Beatriz Cerqueira (PT).
Os motivos pelos quais as privatizações de empresas como Cemig, Copasa e Gasmig são prejudiciais foram destrinchados: demissões, má prestação de serviços, tarifas altas e desabastecimento foram algumas das consequências negativas expostas durante a audiência.
Com o auditório José Alencar lotado, representando grande di-
versidade do funcionalismo público e movimentos sociais, todos os convidados à mesa durante a audiência se posicionaram contra a emenda à Constituição de Romeu Zema.
A PEC 50, fruto de luta da categoria eletricitária, estabeleceu em 2001 que a aprovação de leis para desestatização de empresas estatais de distribuição de gás, saneamento básico e de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica exige quórum de 3/5 da ALMG, ou seja, 48 deputados, com votação em dois turnos, além da realização do referendo popular. É exatamente isso que o governador quer mudar.
Zema desafiou o povo mineiro, e o povo mineiro dará sua resposta
O deputado Professor Cleiton (PV) relembrou a CPI da Cemig na ALMG, da qual foi relator, e sua relação com a tentativa de privatização da empresa. “Eu consegui ter acesso aos conselhos da Boston Group durante a CPI da Cemig: eram quebrar a coluna da Cemig, substituindo servidores de carreira por homens do mercado sem nenhum vínculo com nossa empresa, trazidos de outro estado. E o processo de desidratação continua vendendo ativos e participações históricas alcançadas pela Cemig. Por exemplo: a venda da
Muitos pontos de vista, uma resposta: privatizar não é a solução
Fernando Duarte, supervisor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), lembrou que a Copasa e a Cemig são empresas de economia mista, controladas pelo Estado, mas com ações privadas na bolsa. Segundo ele, a Cemig gerou um lucro superior a R$ 4 bilhões no ano passado – número que o Sindieletro divulgou na última semana neste Chave Geral – e a Copasa, de R$ 937 milhões, resultando em expressivos dividendos para o Estado.
“Em termos econômicos, Cemig e Copasa são empresas saudáveis, premiadas e geradoras de lucros que garantem caixa para o Governo do Estado. Abrir mão dessa receita e falar em privatização para recuperação fiscal é muito problemático, é uma lógica tosca e perversa que imperou no passado”, lembrou.
Duarte também frisou que o argumento de maior competividade, usado para justificar essas privatizações, também não se sustenta em atividades como energia e saneamento, porque estas seriam naturalmente áreas de monopólio. Jai-
ro Nogueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores em Minas (CUT-MG), explicou que não existe tecnologia que permita colocar mais de um cabo de energia na rede. “O que Zema está propondo, na verdade, é um monopólio privatista de energia”, disse Jairo.
Relembrando a privatização da Eletrobras, Fabíola Antezana, vice-presidenta da Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU), realizou um histórico do processo de privatização da empresa, retomado em 2020 e finalizado recentemente. Segundo Fabíola, houve um processo intencional de sucateamento da empresa ainda durante a gestão estatal. Dos 17 mil trabalhadores que a Eletrobras tinha em 2016, restaram 6,5 mil, lamentou ela. O blecaute que ocorreu em agosto foi consequência da falta de trabalhadores experientes no sistema, disse.
Outros exemplos de privatizações extremamente mal sucedidas na área de energia e saneamento foram citados, como a situação da Copel no Paraná – vendida a preço de banana – e a da Saneouro, em Ouro Preto, controlada desde 2019 por uma empresa da Coréia do Sul, que já deixou mais de 11 mil pessoas sem acesso à água.
participação da Light na Renova por R$1. Quem lembra? E quem comprou por R$1, depois vendeu por R$900 milhões”, lembrou. Nosso coordenador geral, Emerson Andrada, também trouxe o tema da CPI da Cemig como ponto de inflexão do debate sobre a privatização da estatal. “O Zema diz que as empresas precisam ser privatizadas por conta da corrupção. Daí a Cemig passa por uma avalanche de corrupção sob sua gestão, gera um relatório extenso com o indiciamento de quase toda a cúpula da empresa... e ele, que falava que tomaria providências imediatas sobre corrupção na empresa, tomou a providência imedia-
tamente: escondeu tudo e constrangeu o Ministério Público a fazer o mesmo”, disse.
Emerson também trouxe a visão de Zema sobre o caráter público da Cemig: “O governador fala que precisa privatizar para desfazer as amarras burocráticas. Mas ele esquece de dizer que essas amarras são os dispositivos legais que impedem as pessoas de utilizar o patrimônio público como se privado fosse”.
“Dentro da Cemig, temos o maior número de acidentes de trabalho dos últimos anos. Disparado! Mais que solucionar problemas do serviço e dos trabalhadores da área, a lógica do governo Zema é trans-
ferir dinheiro do bolso dos cidadãos para o mercado financeiro. É por isso que ele quer privatizar: para facilitar essa dinâmica sem a ALMG e o povo no caminho. Zema desafiou o povo mineiro, e o povo mineiro dará sua resposta”, finalizou.
A PEC ainda não começou a tramitar na ALMG, pois ainda precisa ser lida em Plenário, marcando seu recebimento formal. Nesta terça-feira (19), outra audiência pública para tratar o tema foi realizada por requerimento da deputada estadual Lohanna França (PV).
Com informações da ALMG
O Sindieletro, junto a outros sindicatos, movimentos sociais e populares e mandatos parlamentares, se reuniu no dia 22 de agosto, um dia após o governo Zema protocolar a PEC do “medo do povo” – como foi batizada pela deputada estadual Beatriz Cerqueira –, para construir um calendário de lutas robusto para o enfrentamento ao projeto privatista do governo Zema e para a luta pela manutenção do referendo popular na Constituição Mineira. Mais um passo será dado no próximo final de semana: o acampamento do MST Pátria Livre, em São Joaquim de Bicas, receberá o Encontro estadual de formação em defesa das estatais mineiras.
ENCONTRO ESTADUAL DE FORMAÇÃO EM DEFESA
DAS ESTATAIS MINEIRAS em 23 e 24 de setembro de 2023. Inscreva-se!
Participe do encontro de construção de ações contra o ultraliberalismo do governador Romeu Zema e a sua política de sucateamento e entrega do patrimônio público mineiro. Entre os dias 23 e 24 de setembro de 2023, sábado e domingo, representantes de dezenas de orga-
nizações e cidades de todas as regiões do estado irão se reunir para estudar a atual conjuntura e traçar estratégias de luta: em defesa do referendo popular de consulta a população sobre as estatais; contra o Regime de Recuperação Fiscal; e pela realização de um plebiscito popular como ferramenta de diálogo com a população, formação e mobilização popular.
Local: Acampamento
Pátria Livre (MST) – Bairro Fecho do Funil, São Joaquim de Bicas (MG).
Transporte: Haverá ônibus saindo do CRJ – Praça da Estação, no Centro de BH, às 7h.
Inscreva-se:
Mobilização em diversas frentes
Várias frentes foram constituídas. Na frente institucional, Sindieletro e outras organizações estão realizando au-
diências públicas nas Câmaras Municipais. Já foram realizadas audiências em Monte Carmelo e Coromandel. No dia 25 de setembro, haverá audiência em Uberlândia.
O diálogo com deputados também está sendo realizado. Em Araguari, através do eletricitário e vereador de Monte Carmelo Wilson Dornelas (PMDB/MG), conversamos com o deputado estadual Raul Belém (CIDADANIA/MG) sobre os prejuízos da privatização e da retirada do referendo da Constituição Mineira – uma conquista de Itamar Franco. Também dialogamos com o deputado estadual Enes Cândido (PP/MG) em Governador Valadares.
Foram realizadas audiências públicas sobre o tema nos dias 15 e 19 na ALMG, para fomentar o debate e pressionar parlamentares a arquivar o projeto. Outras agendas institucionais também estão programadas na regional Norte para a segunda quinzena de outubro, em Montes Claros e outras cidades. No dia 10 de outubro, Belo Horizonte também realizará sua audiência. Estamos buscando em
outras cidades.
Nossa mobilização segue nas redes e nas ruas: a histórica greve do dia 29 de agosto, panfletagem em pontos estratégicos, distribuição de edição especial do Brasil de Fato, com 120 mil exemplares, e tuitaço, entre outras ações. No último final de semana, o coordenador da regional Leste do Sindieletro, Lucimar Lizandro, e o coordenador geral do Sindieletro, Emerson Andrada, participaram de articulação em Governador Valadares junto ao Sind-UTE, ao MST e à ex-prefeita do município, Eliza Costa. Em São João Del Rei, o coordenador da regional Mantiqueira, Fabio Parreira, e o secretário geral do Sindieletro, Jefferson Silva, participaram de plenária na rua realizada pelo Levante Popular da Juventude e Movimento Brasil Popular, dialogando com a população sobre os impactos da privatização. O sindicato dos servidores da Universidade Federal, o vereador Rogério Bosco e a vereadora Lívia também participaram do espaço e se comprometeram com o fortalecimento da luta na cidade e região.

Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais - Rua Mucuri, nº 271- Bairro Floresta - Belo Horizonte/MG CEP: 30150-190
Departamento de Comunicação do Sindieletro-MG • Diretores responsáveis: Jefferson Silva e Emerson Andrada • Edição: Maria Beatriz de Castro • Redação: Jefferson
e
de
• Revisão: Jefferson Silva • Diagramação: Júlia Rocha • Telefones: Sede: (31) 3238-5000 Fax: (31) 3238-5049 Regionais: Leste: (33) 3271-1200 - Mantiqueira: (32) 3333-7063 Metalúrgica: (31) 3238-5026 - Norte: (38) 32223600 - Oeste: (37) 3222-7611 - Triângulo: (34) 3212-5001 - Vale do Aço: (31) 3822-3003 E-mail: cinformacao@sindieletromg.org.br • Edição impressa com tiragem de 3.400
Silva
Maria Beatriz
Castro