Trabalhadores da Cemig não admitem assédio da gestão Zema e denunciam ao Sindieletro
O Sindieletro tem denunciado sistematicamente os assédios feitos pela gestão Zema na Cemig. Trabalhadores têm adoecido, atestados médicos são negados e acidentes ocultados. A morte do trabalhador Gabriel Luciano, de apenas 27 anos, é a expressão maior do aprofundamento do projeto privatista e do modelo de gestão privada que priorizam o lucro em detrimento à vida e às condições dignas de trabalho. Ainda assim, os gestores continuam assediando os trabalhadores e cometendo práticas antissindicais, entre outras ilegalidades.
Na greve do dia 13 de julho recebemos denúncia de trabalhadores apontando que o diretor da DGT, Tadeu Carneiro, enviou mensagem por WhatsApp com pedido pessoal para que eles não entrassem em greve e, aqueles que aderissem à greve, retornassem aos seus postos de trabalho, como se a relação trabalhista pudesse ser tratada na pessoalidade. Absurdo!
O Sindieletro repudia a postura da alta cúpula da gestão da Cemig que ainda não entendeu o que é administrar uma empresa estatal.
Outra denúncia: Assédio moral na SC/FB
Trabalhadores não admitem assédios e denunciam ao Sindieletro. Essa iniciativa é muito importante e é o jeito que tem de ser a luta: denunciar, sempre!
Em nome dos empregados da SC/FB que estão cansados de sofrer assedio moral e perseguição do gerente da SC/FB, relato:
A cartilha do diretor de gestão de pessoas, Hudson Felix, tem sido seguida à risca pelos seus liderados e, por tratar-se da área de pessoal, as denúncias de assédios praticados pelos gerentes têm sido arquivadas.
Tomamos conhecimento de uma série de denúncias de assédios
praticadas pelo gerente de folha de pagamentos e nenhuma providência parece ter sido tomada.
O adoecimento dos trabalhadores do setor tem aumentado após o retorno ao trabalho 100% presencial. É um “capitão do mato” com roupagem de gestor moderno.
Os empregados da área já sinalizaram a má gestão da equipe através das últimas 3 pesquisas de clima. Se o empregado com 3 avaliações de desempenho ruins é desligado, então, por que nenhuma providência é tomada contra os gestores ruins?
Até quando os trabalhadores terão que conviver com gerentes despreparados e sem tato para gerir pessoas?
O Sindieletro está tomando providências em relação às denúncias e permanece à disposição dos trabalhadores para acolher e dar outras tratativas.
13 de julho: dia de luta fortalece pautas da categoria eletricitária
Na ALMG, debatemos saúde e segurança, assédio, PLR, trabalho híbrido, Cemig Saúde e mais
A última quinta-feira (13) foi um importante dia de luta para a categoria eletricitária. Por vida, trabalho e dignidade, realizamos greve em todo o estado, na base territorial do Sindieletro – em memória do eletricitário Gabriel Luciano, falecido no último dia 3, por saúde e segurança como prioridade na Cemig e pelas pautas ainda em aberto com a gestão: PLR 2022. trabalho híbrido e denúncia sobre Cemig saúde e assédios. Em Belo Horizonte, os atos
começaram nas portarias do Anel Rodoviário e Quarteirão 14, desaguando na concentração em frente à Sede da Cemig. Por volta das 15h30, subimos em passeata até a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde participamos de audiência pública orquestrada pelo deputado estadual Betão (PT) e o Sindieletro para tratar sobre PLR e condições de trabalho na Cemig.
Em luto e em luta
Durante o ato, eletricitários e eletricitárias se reuniram para
reivindicar a responsabilização dos gestores da Cemig pelos acidentes, assédios e práticas imorais e antissindicais.
Contamos com a participação de diversos representantes da luta em Minas Gerais: companheiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Sindicato dos Metalúrgicos de BH, Contagem e Região (Sindimet), Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios (Sintect/ MG) e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), além dos mandatos dos deputados estaduais do PT, Beatriz Cerqueira e Betão, que trouxeram elementos de debate sobre o momento atual na Cemig e em Minas Gerais.
“A quantidade de acidentes de trabalho que tem acontecido na Cemig nos últimos tempos não pode ser considerado algo normal. Além disso, a luta por vida, trabalho e dignidade inclui a luta pela PLR, a luta pela Cemig Saúde e a luta pelo direito ao teletrabalho que, hoje, para desmobilizar a nossa greve, a empresa convoca trabalhadores para trabalhar no formato remoto. A mesma empresa que se nega a negociar
o modelo híbrido abre exceção neste dia para tentar prejudicar nosso dia de greve”, pontuou Emerson Andrada, nosso coordenador-geral.
Cemig não ofereceu amparo à família de Gabriel Luciano
Emerson também trouxe o panorama colocado após a morte do eletricitário Gabriel Luciano, de apenas 27 anos. A Cemig não ofereceu suporte à família e nem mesmo dedicou tempo para debater o acontecido. “Falta zelo e cuidado com a força de trabalho da Cemig. É inadmissível que um rapaz desta idade seja colocado a serviço da empresa e volte em um caixão no fim do dia. É sintomático quando, no dia seguinte à morte de um companheiro, numa das maiores bases do estado, a reflexão pelo acidente tenha durado cinco minutos. O gerente parou os trabalhadores para refletir sobre a morte de Gabriel Luciano por cinco minutos. O grau de desrespeito dessa gestão com a vida é expressado por esses cinco minutos”, disse.
“A empresa não determinou
Foto: Arquivo do Sindieletro
nenhuma mudança. Houve acidente de trânsito no Norte de Minas, acidente de linha viva há 30 dias, acidente de linha viva na semana passada, o falecimento de Gabriel Luciano. E eles disseram, ‘a partir de agora vamos parar e repensar o que está acontecendo’? Não. O máximo de reflexão foi um vídeo de três minutos do presidente dizendo que está triste”, continuou.
Ao jornal O Tempo, a Cemig afirmou que estava amparando a família de Gabriel Luciano. Não foi a informação que recebemos. “Eu estive com a mãe do Gabriel Luciano. A Cemig não deu nenhum amparo à família. O máximo que a Cemig fez foi ligar para o pai de Gabriel, pedir o número da conta e depositar a rescisão. Não houve acompanhamento psicológico para uma família que está passando por um trauma de grau extremo. Nem mesmo tiveram a coragem de ligar e dar as condolências aos pais do trabalhador”, concluiu.
Audiência na ALMG trata diversos temas
A Comissão do Trabalho, da Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais debateu, por meio de audiência pública, o avanço do número de acidentes de trabalho, a omissão da Companhia e casos de subnotificação. Além disso, outras pautas importantes que têm sido aparelhadas pela gestão de Romeu Zema (NOVO) na Cemig foram abordadas.
A atual direção da Cemig foi representada na reunião por um diretor, dois superintendentes e um gerente, que se revezaram para responder todos os questionamentos. No entanto, as respostas não trouxeram abertura para diálogo ou encaminhamentos posteriores.
O deputado Betão, presidente da Comissão de Trabalho, mediou o debate e trouxe questionamentos sobre os relatos de trabalho análogo à escravidão na companhia, fechamento de agências e bases operacionais no estado, casos graves de saúde mental entre os trabalhadores e treinamento de eletricistas contratados. A anedótica contratação de um ortopedista para cargo de gerência na Cemig também foi citada.
O deputado estadual Professor Cleiton (PV), relator da CPI da Cemig na ALMG, também compôs a mesa e criticou a ausência do Ministério Público na audiência, cobrando do órgão as medidas recomendadas no relatório final da investigação.
Nosso coordenador-geral, Emerson Andrada, trouxe o contexto atual sobre a ocorrência de acidentes na empresa. A ocultação de acidentes pode elevar os valores que a empresa é obrigada a repassar à Previdência Social, daí as supostas tentativas de ocultamento. O acidente fatal de Gabriel Luciano está sob apuração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Minas Gerais e o Sindieletro está acompanhando os casos. PLR em debate: 100 mil para o presidente da Cemig, zero para parte da categoria
A intransigência nas negociações com as entidades sindicais foi pauta relevante no debate. O economista da subseção do Dieese no Sindieletro/MG, Carlos Machado, trouxe o debate da PLR a partir da ótica de deturpação do conceito de negociação: “A empresa trouxe um novo modelo de PLR que reflete o estilo de gestão atual. O espírito da PLR é o pacto entre o capital e o trabalho. Se não existe esse pacto, o acordo perde sua efetividade e gera uma série de conflitos que poderiam ser evitados. Observamos uma posição intransigente da Cemig e uma decisão de não negociar, e sim impor. Os trabalhadores perdem, mas a empresa também perde ao não estabelecer um pacto com os trabalhadores. Por fim, a sociedade também perde”, avaliou.
A deputada Beatriz Cerqueira trouxe uma reflexão sobre o revanchismo escancarado que a gestão Zema na Cemig tem praticado contra os sindicatos, evidenciada na negociação de PLR. “Outros sindicatos assinaram, então quem não assinou é o culpado? Isso foi dito aqui. Quem não assinou representa a maioria. É um outro erro de gestão. Temos que respeitar todas entidades sindicais, mesmo que não gostemos da sua forma de atuação, porque é muito combativa, por exemplo”, disse. “O patrão cuida da sua visão de mundo e o trabalhador cuida da sua visão de mundo. Se a forma de fazer luta do Sindieletro estivesse errada, a maioria da categoria não estaria no Sindieletro. Quem decide a sua representação é a categoria, de forma independente”, pontuou. Em suma, a Cemig tentou “punir a categoria para que não confiassem mais no Sindicato”. “Negociação termina quando negocia”, concluiu.
Salário, remuneração variável e demais privilégios de Passanezi e diretores
No debate, nosso coordenador-geral trouxe os valores recebidos pela alta cúpula da Cemig. “O presidente Passanezi recebe R$98.650 mensais. Os diretores, R$77.760 mensais. São esses os salários que presidentes e diretores recebem para, inclusive, colocar em risco a vida dos eletricitários”, expôs.
O bônus pago ao presidente da Cemig, combinado ao Conselho de administração e pago em sua integralidade, corresponde a dez vezes seu valor mensal. Ou seja, sua bonificação foi algo em torno de R$1 milhão de reais. Já os diretores recebem 7 vezes o salário mensal em bonificação, perfazendo um total ligeiramente acima de R$500 mil. “É isso que essas pessoas iluminadas recebem para negar a PLR aos trabalhadores”, concluiu. O salário de Gabriel Luciano girava em torno de R$3 mil ou R$4 mil. Os terceirizados recebem algo em torno de R$2 mil. “Os reembolsos que a diretoria recebe a partir da adesão aos novos planos da Cemig Saúde são até 6 vezes o valor do teto para o trabalhador comum. O seguro de vida da diretoria é opcional, mas a Cemig banca 100%. Por fim, há uma proposição de reajuste dos salários atuais em até 3 vezes”, denunciou Emerson. “Enquanto isso, nós, trabalhadores da empresa, somos chamados de custo “pós-emprego” e despesa. Enquanto isso, negligencia-se o investimento na saúde e segurança do trabalhador e da trabalhadora”, acrescentou.
Trabalhadores trazem relatos do dia a dia na empresa
Trabalhadores presentes na audiência deram seus depoimentos sobre o clima na Cemig sobre aspectos de saúde e segurança e relações de trabalho.
“Há pilares que precisamos seguir a partir de normas regulamentadoras para segurança. Ficamos muito cha-
teados quando vemos as revisões em normas baseadas nas NR’s para que haja o desvio de procedimento. Com o desvio de procedimento, você pode desempenhar uma série de funções sozinho. Há trabalhadores atuando por até 12h”, denunciou o coordenador da regional Mantiqueira do Sindieletro, Fábio Souza Parreira.
O eletricista Henrique de Paula relatou o breve treinamento aplicado aos novos eletricistas e refutou a fala do superintendente de Gestão de Pessoas da Cemig, Brunno Viana, sobre a experiência dos contratados. “Há trabalhos no sistema elétrico de potência que são executados sozinhos. Se um funcionário sofrer um acidente sozinho, quem vai socorrer ele? O consumidor presente, que não tem treinamento? A CIPA hoje é um instrumento inócuo, que não cumpre sua proposta. Segurança do trabalho se tornou um instrumento persecutório”, denunciou.
O companheiro eletricista Matheus Oliveira confrontou o discurso e a prática dos gestores da empresa. “Os gerentes reuniram a turma de vários setores e fizeram um discurso muito legal sobre segurança. Um colega aproveitou a ocasião e trouxe a relação entre os acidentes de trânsito e a instrução por EAD. Então, os gerentes fizeram um 180º no discurso. A segurança é importante no diálogo, mas se atrapalha a produtividade, não. Para eles, três dias de instrução presencial a cada cinco anos é muito”, relatou. É importante lembrar que houve acidente de trânsito fatal no Norte de Minas há poucas semanas.
O secretário-geral do Sindieletro, Jefferson Silva, trouxe a reflexão sobre a privatização predatória que não poupará ninguém dentro da Cemig. “É importante ver a gestão da empresa aqui para estabelecer o debate. Mas lamento ver trabalhadores que entraram na empresa como eletricistas e que sucumbiram a uma gestão que degrada a vida e a empresa. Nin-
guém está a salvo no projeto de privatização, haja visto as demissões na gerência”.
Jefferson também questionou Brunno Viana sobre a comparação feita entre a PLR 2017 e a PLR 2022: “Em 2017, não tínhamos uma assembleia da categoria aprovando a proposta. Em 2022, nós temos uma aprovação da categoria dentro do prazo da Justiça, reconhecido por lei. O diretor Marney foi até Juiz de Fora dizer que pagariam a PLR se a categoria aprovasse em assembleia. Com o Sindieletro, é esse revanchismo”, pontuou.
“Não podemos sair daqui sem uma agenda envolvendo a ALMG para resolvermos os impasses que são colocados. Precisamos do presidente Reynaldo Passanezi sentado aí [na mesa de audiência pública na ALMG] para prestar contas do desmonte praticado na Cemig”, finalizou.
Por fim, foram realizados encaminhamentos solicitando informações sobre o acidente de Gabriel Luciano, justificativa para manutenção das agências terceirizadas, estratégias de coibição de práticas de assédio, números de acidentes na empresa e agendamento de reunião com a mediação da ALMG sobre a PLR 2022.
Dissídio de greve
Na sexta-feira (14), foi realizada a audiência de conciliação sobre o dissídio de greve proposto pelo Sindieletro a respeito da greve do dia 13 de julho. O desembargador instrutor ofereceu a conciliação, mas a Cemig segue intransigente e recusou. O Sindicato defendeu o direito do trabalhador de receber a PLR 2022. Já a procuradora sugeriu que a empresa reflita sobre o impacto de suas decisões no ambiente de trabalho, lembrando que a situação de parte dos trabalhadores receberem PLR e parte não receberem não deve ajudar no ambiente organizacional.
Além disso, o pagamento de PLR para todos ajuda, inclusive, no comprometimento com cumprimento de metas. Sem possibilidade de conciliação, o desembargador encerrou a audiência e deu prazo de dez dias para a apresentação de documentos. Depois disso, a Cemig apresentará sua defesa e o processo irá a julgamento.
Continue acompanhando o Sindieletro para novas informações.
Você pode assistir à audiência pública do dia 13 de julho na íntegra pelo canal de Youtube da ALMG.
Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais - Rua
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Departamento de Comunicação do Sindieletro-MG • Diretores responsáveis: Jefferson Silva e Emerson Andrada • Edição: Mariângela de Castro
Revisão: Jefferson Silva
Diagramação: Júlia Rocha
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Sindicato
Mucuri,
Redação: Jefferson Silva, Maria Beatriz de Castro e Mariângela
Foto: Arquivo do Sindieletro
Imagens da greve no interior: Regionais Mantiqueira, Triângulo e Vale do Aço