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Ano 84 | Nยบ 7 | 12 abril de 2017
Porto Alegre, 12 de abril de 2017
2 O Bancário ORGANIZAÇÃO DA NOSSA LUTA
Vamos defender os empregos
Muitos trabalhadores bancários não se lembram ou não viveram o retrocesso que representou para os nossos direitos os anos 1990. Era tempo de crises financeiras, de inflação nas alturas e de austeridade. E como se combatia a crise financeira que batia na porta dos trabalhadores empobrecidos? Gerando mais crises, cortando salários e produzindo desemprego. Após a troca de governo federal, um passado que acreditávamos superado voltou a assombrar os trabalhadores. No dia 22/3, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 4302, o da terceirização, e praticamente impôs o fim da obrigação do empregador assinar a nossa Carteira de Trabalho. Mas a tarefa do golpe nos nossos direitos ainda não terminou. Os atuais ocupantes do Palácio do Planalto, além de estarem procurando desvincular suas biografias das denúncias de corrupção, querem terminar
o serviço que os governos dos anos 1990 começaram. Temer apressa a votação da Reforma Trabalhista (PL 6787/2016), pressiona deputados de sua base a aprovarem uma Reforma da Previdência (PEC 287) que inviabiliza milhões de aposentadorias. Na Reforma Trabalhista, que deve ser votada até 19 de abril, há uma missão sombria: ampliar para 12 horas a jornada diária de trabalho, impor o contrato temporário sem direito às multas rescisórias e FGTS, além de impor fim das férias de 30 dias e fazer com que o negociado valha mais que o legislado. Patrões vão para as mesas de negociação abrir a possibilidade de extinguir 13º salário e até férias. Trabalhadores temendo o desemprego não terão outra alternativa a não ser aceitar. Essa proposta de legislação altera mais de 100 artigos da CLT e, junto com a terceirização, abre o precedente para que gran-
des empresários reduzam seus custos do trabalho e aumentem os lucros. O discurso de Temer é de que o Brasil está em uma crise profunda e gasta demais e que todas essas reformas irão modernizar as relações de trabalho e gerar empregos. Ora, é exatamente o contrário. O ajuste fiscal aprofunda a crise e o desemprego. Cria rombo nas contas públicas. E a saída para superar este momento? Aumentar impostos. Essa estratégia já se mostrou equivocada. E o efeito disso? Foi ampliar o desemprego, aprofundar problemas sociais. A conjuntura atual é de reestruturação. Não vamos cair nessa chantagem. É tempo de os bancários unirem as forças e lutar contra a precarização do trabalho e em defesa do emprego. A nossa história mostra que só a nossa luta nos garante! A GREVE de 28 de abril é mais um passo da nossa caminhada.
15 ANOS DO GAS
Júri popular avalia Reforma da Previdência O Grupo de Ação Solidária (GAS) do SindBancários celebra seus 15 anos com uma proposta inovadora. Trata-se da organização de um júri popular que vai colocar no banco dos réus uma das propostas de ataque a direitos dos trabalhadores mais avassaladoras da história. A partir das 9h, da segunda-feira, 17/4, no auditório da Fetrafi-RS (Rua Fernando Machado, 820, Centro Histórico de Porto Alegre), um corpo de sete jurados formado por entidades sindicais e de representação da sociedade
civil irá julgar a Reforma da Previdência, PEC 287, proposta pelo governo federal. O objetivo do júri popular é promover um debate técnico de esclarecimento sobre os pormenores da Reforma da Previdência. Dentre outras instituições convidadas, farão parte do evento, OAB, Ajuris, Amatra, Contraf, GAS, FETRAFI e MST. Farão parte do júri pessoas favoráveis e contrárias à proposta de reforma, além de juízes e outros membros das carreiras jurídicas para fazermos um verdadeiro júri no qual a
reforma da previdência seja a ré. O Grupo da Ação Solidária (GAS) do SindBancários se reúne todas as quartas-feiras, no auditório da Casa dos Bancários, para promover a comunicação entre bancários e bancárias afastados por motivos de saúde de suas atividades laborais. São em torno de 200 integrantes do grupo que adoeceram em razão da gestão dos bancos, que costumam cobrar metas abusivas e pressionar os bancários em suas rotinas de trabalho, levando ao estresse e ao adoecimento.
Júri popular da Reforma da Previdência (PEC 287) Segunda-feira, 17/4 | 9h às 12h | Auditório da Fetrafi-RS (Rua Fernando Machado, 820, Centro Histórico de Porto Alegre) Baixe o leitor de qr-code e confira, pelo seu celular, a programação completa dos 15 anos do GAS ou digite em seu navegador de preferência o endereço migre.me/wpVBG
DESMONTE
Preparando a privatização dos bancos púbicos
No início dos anos 2000, por dois anos consecutivos, a Caixa deu prejuízo. Desde 1998, o Banco do Brasil e a própria Caixa criaram condições para dividir empregados entre aqueles que têm mais e menos direitos. Volta e meia, entra governo e sai governo no RS, e o Banrisul é ameaçado de venda. Desde o ano passado, quando o antipopular Michel Temer assumiu a presidência, os bancos públicos federais voltaram atrás na sua história. A Caixa reduziu, mais uma vez, por um programa de aposentadoria, o número de funcionários. E, depois que os colegas passaram a trabalhar nos sábados para dar informações e pagar FGTS, a pressão, o volume de trabalho impedem que um bom serviço público por parte dos seus empregados seja prestado à população que mais precisa. No Banco do Brasil, há uma reestruturação que corta benefícios históricos como o VCP e é feita às pressas. O caso do Banrisul é exemplar desses tempos. Para que o Estado entre em um Regime de Recuperação Fiscal, o governo federal pressiona pela sua venda. O problema é que a venda do Banrisul e de todo o patrimônio do RS vai dar uma folga de três anos no pagamento da dívida pública e ampliar o estoque da dívida em R$ 30 bilhões, o que até o governo Sartori admite que vá acontecer. Ora, bancos públicos são importantes agentes de combate a crises financeiras, propulsores
de geração de riquezas. A Caixa, com seus programas sociais, o Banco do Brasil, com sua pujança e saúde financeira, e o Banrisul, com os dividendos que rendem ao RS a possibilidade de investir em saúde, educação e segurança. Um gestor público que não reconhece a importância de um banco público e só pensa em vendê-lo quer esconder sua incompetência? Ou não passa de um chantagista?. O que, de uns tempos para cá passou a ser comum em relação aos bancos públicos, entre os quais podemos incluir o BNDES, e o Badesul? Pensem bem, bancários e bancárias. Não está faltando gestão competente? Ora, na última década, esses bancos deram lucro, cresceram e ajudaram o país a enfrentar crises. Pensar em privatização ou federalização e somente nisso impede que um gestor trace e execute alternativas para enfrentar crises. Manter empregos nos bancos públicos é uma delas. Quem sabe o discurso de crise não tem contaminado a nossa defesa dos bancos públicos. É preciso competência, vontade de trabalhar e amor aos bancos públicos. Será que os atuais gestores públicos veem os bancos públicos com o mesmo sentimento que os bancários? Pensamos que não. Porque vender tudo que é público e retirar direitos de trabalhadores não é a solução para a saída de crises. Administrar bem é fundametal!
EDITAL DE AVISO À COMUNIDADE - GREVE
O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região torna público à comunidade que os bancários irão realizar uma greve/paralisação no dia 28 de abril próximo, somando-se ao chamado das Centrais Sindicais contra a Reforma da Previdência. Sem discussão com a sociedade civil, essa medida pretende igualar a idade mínima de 65 anos entre homens e mulheres e estabelecer 49 anos de contribuição ininterrupta para o recebimento da aposentadoria integral. Esta paralisação será ratificada, ou não, por assembleia geral convocada para ser realizada, na terça-feira, 18 de abril de 2017, às 18h, em primeira chamada, e, às 18h30, em segunda e última chamada, no auditório da Casa dos Bancários, sito à Rua General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre, 11 de abril de 2017. A Diretoria
O Bancário Jornal do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) - filiado à CUT e à Fetrafi/RS. Presidente: Everton Gimenis. Diretora de Comunicação: Ana Guimaraens. Jornalista Responsável: Clóvis Victória (MTb 13.829). Redatores: Clóvis Victória, José Antônio Silva (MTb 3.870). Social Media: Josias Bervanger (MTb 14.235). Projeto gráfico e diagramação: Nina de Oliveira (MT 6612RS). Ilustração: Augusto F. Bier. Arte: Gerson Schneider. Estagiária: Marina Lehman. Impressão: Gráfica Relâmpago. Tiragem: 12 mil exemplares. Casa dos Bancários - Rua General Câmara, 424 CEP 90010-230 - Porto Alegre - RS Telefone: (51) 3433.1200 redacao@sindbancarios.org.br | www.sindbancarios.org.br | www.facebook.com/ SindBancarios.PoA | twitter.com/@sindbancarios