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Ano 85 | Nยบ 1 | 10 de janeiro de 2018
Porto Alegre, 1
2 O Bancário
UM ANO DE LUTAS E
N
a defesa dos empregos, dos direitos e das conquistas dos bancários, o Sindicato esteve presente em cada banco público ou privado, sempre que foi necessário. Nossos maiores desafios foram garantir empregos e direitos trabalhistas ameaçados pelo desgoverno de Michel Temer e pelo pacotão privatista de José Ivo Sartori. Também combatemos as iniciativas de privatização e enfraquecimento dos bancos públicos fundamentais ao desenvolvimento do estado e do país, como a Caixa Federal, o BB, o Banrisul, Badesul e BRDE.
Banrisul
Caixa
Nossa luta em defesa dos empregos, realização de concursos, manutenção de direitos e condições de trabalho no banco que é responsável pela maior parte dos grandes programas sociais do Brasil nunca cessou. Sob sol ou chuva, foram muitos dias de luta, protestos e mobilizações. E a pressão do SindBancários e de todas as entidades do setor funcionou: no último dia 07 de dezembro, em reunião do Conselho de Administração da instituição, foi retirada a cláusula que iria transformar o grande banco público do país em uma S/A e escancarava as portas para a privatização. A Caixa continua 100% pública!
Itaú
O Bancário Jornal do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) - filiado à CUT e à Fetrafi/RS. Presidente: Everton Gimenis. Diretor de Comunicação: Mauro Salles. Jornalista Responsável: José Antônio Silva (MTb 3.870. Redator: José Antônio Silva. Social Media: Josias Bervanger (MTb 14.235). Projeto gráfico e diagramação: Nina de Oliveira (MT 6612RS). Ilustração: Augusto F. Bier. Arte: Gerson Schneider. Impressão: Grupo Sinos. Tiragem: 12 mil exemplares. Casa dos Bancários - Rua Gal Câmara, 424 CEP 90010-230 - Porto Alegre - RS Tel: (51) 3433.1200 redacao@sindbancarios.org.br | www.sindbancarios.org.br|www.facebook.com/SindBancarios. PoA|twitter.com/@sindbancarios
O ano de 2017 consolidou uma vitória dos bancários do Itaú acometidos por Ler/Dort, pois em 2016 o banco foi condenado por violações sistemáticas ao direito à saúde. Mas na área de abrangência do SindBancários, não houve o que comemorar: o Itaú foi o “campeão” negativo, com 55 casos de subnotificação de CATs (seguido do Bradesco, com 64, e do Santander, com 36). A instituição financeira em geral desconsidera o parecer do médico assistente (médico do bancário) e costuma julga os adoecidos “aptos para o trabalho”. Mas uma vitória se deu com a eleição da Chapa 1, apoiada pelo Sindicato, na eleição dos representantes dos participantes da Fundação Itaú-Unibanco. Além disso, o acordo coletivo de dois anos garantiu, entre outros direitos, o pagamento da PLR e do PCR em setembro.
Pode-se dizer que o ano de 2017 resistência dos gaúchos e gaúcha pelo SindBancários, em defesa público. Tivemos vitórias, mas Sa siste de privatizar e quer colocar o moeda de troca na renegociação d RS com a União. O governador f em dezembro em sua tentativa de v do Banri a bancos estrangeiros o nacionais. Mas procurou ficar co ações, o que o mercado não aceit o controle total da instituição. A pretendida venda de ações do ban ao governo entre R$ 1,5 bi e R$ que mal paga uma folha de pagam vidores públicos. A ameaça contin o SindBancários está na rua com para coletar 70 mil assinaturas e en Plenário da Assembleia Legislativ de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) qualquer governo estadual de ven ficar com menos de 51% do contro (Confira o anúncio na capa desta e
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O Bancário 3
E RESISTÊNCIA Bradesco Em meio a uma
conjuntura desfavorável aos trabalhadores, os sindicatos conseguiram garantir e ampliar direitos dos funcionários do Bradesco, ratificando acordos coletivos aditivos à CCT, que tratam de cláusulas específicas para o Telebanco, Bradesco Financiamentos, Cipa Treinet e Ponto Eletrônicos. Para Telebanco e Bradesco Financiamentos ficou definido, valor adicional de salário a cada dia de trabalho que coincidir com sábado, domingo e feriado; intervalo de
7 foi de muita as, liderados do Banrisul artori não deo banco como da dívida do foi derrotado vender ações ou privados om 26% das tou pois quer Além disso, a nco renderia 2 bilhões, o mento dos sernua e por isso a campanha ncaminhar ao va um Projeto ) que impede nder ações e ole do banco. edição).
30 minutos para almoço e mais duas pausas de 10 minutos sem acréscimo no final da jornada. Conquistamos ainda a possibilidade dos bancários transferirem valores do vale-alimentação (VA) para o vale-refeição (VR) e vice-versa.
Banco do Brasil
Também na mira do governo Temer, o Banco do Brasil teve fechamento de agências e redução de quadros. Mas o movimento sindical conseguiu frear a ânsia privatista do governo. No início de fevereiro, por exemplo, o SindBancários conseguiu liminar que suspendeu a condição imposta pelo Banco do Brasil
de condicionar o recebimento do VCP a assinatura de um acordo em que os funcionários teriam que abrir mão das horas extras. Entre outras conquistas houve a garantia de pagamento de incorporação de função aos bancários com mais de dez anos de cargo, que tinham sido descomissionados na reestruturação.
Santander
O ano terminou com uma das maiores paralisações já realizadas contra um banco. Em todo o país, incluindo Porto Alegre e RS, centenas de agências tiveram suas atividades interrompidas no dia 20 de dezembro. Motivos não faltaram: o banco começou a colocar em prática pontos da reforma trabalhista de Temer, passando por cima das garantias dadas pelo Acordo Coletivo
de Trabalho que tem validade até 31 de agosto de 2018. Demissões em massa, imposição de acordo individual para banco de horas e fracionamento de férias. Além disso, sem negociação, mudou a data de pagamento do salário e do décimo-terceiro. E aumentou abusivamente os valores do plano de saúde. Em 2018, essa luta vai continuar!
2018 – a batalha continua A resistência e a luta de bancários, funcionalismo estadual e oposição ao governo de José Ivo Sartori conseguiram frustrar as tentativas de privatização dos bancos públicos do estado e das empresas estatais em 2017, embora muitas fundações estaduais - como Piratini (Rádio e TV Cultura), FEE e Zoobotânica - estejam em processo de extinção. Mas o governador do PMDB e seus operadores do desmonte do estado preparam um novo pacotaço para 2018: e não dá para ficar sentado esperando para ver o que acontece. O Banrisul continua na mira dos defensores do estado mínimo – uma questão ideológica, pois o banco dos gaúchos e gaúchas tem sido uma garantia de recursos para todos os governos gaúchos. E até mesmo para o de Sartori, que precisou se valer dos recursos do Banrisul para pagar (através de empréstimos aos servidores) o 13° Salário do funcionalismo estadual. Um dos elementos que pressionam Sartori é a admissão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do governo de Michel Temer, que para abater a dívida do estado com a União exige a entrega de empresas e bancos fundamentais ao desenvolvimento do estado. Neste balaio, entrariam CEEE, Corsan, Sulgas,
CRM – além do Banrisul, BRDE e Badesul.
BRDE e Badesul
O governador não parece nada preocupado com o bem-estar da maioria dos municípios gaúchos. O Badesul e o BRDE são responsáveis por financiar projetos de investimento em quase todo o estado, em áreas como agronegócio e agricultura familiar, hidrelétrica, apoio a prefeituras, energia eólica, saúde e medicamentos, agropecuária e agroindústria familiar, máquinas e implementos agrícolas, geração e distribuição de energia e muito mais. E não oneram em nada os cofres do estado – pois têm orçamento próprio.
Jogo de compadres
Também vale lembrar que os “custos” das fundações de pesquisa, ciência e cultura do estado atingem cerca de R$ 164 milhões ao ano. Enquanto isso, as isenções fiscais do governo Sartori ao grande empresariado parceiro e cúmplice, trazem imenso prejuízo ao estado. Em ato de repúdio ao RRF de Sartori, em dezembro último, os deputados oposicionistas demonstraram que apenas uma empresa – a Inova, do megaempresário Lirio Parisotto – obteve R$ 340 milhões em isenções do governo. E gerou cinco (5) empregos...
Fortes desafios nos esperam neste ano Nós bancários, junto com outros setores da sociedade gaúcha, temos que lutar contra o projeto privatista de José Ivo Sartori, que vai novamente tentar vender as ações do Banrisul para preparar sua entrega ao mercado. Também devemos enfrentar novas tentativas de privatizar o Badesul e extinguir o BRDE. Na verdade, a defesa dos bancos públicos vai para a linha de frente da nossa atuação, para a manutenção dos nossos empregos e do papel social das instituições, pois estão sob ameaça também bancos nacionais do porte do Banco do Brasil e da Caixa. Em 2018, também encerra-se o prazo de validade do nosso Acordo Coletivo de Trabalho, assinado em 2016, e que garantiu nossos direitos apesar dos ataques de Temer aos trabalhadores e da Reforma Traba-
lhista que ele conseguiu aprovar no Congresso. Ou seja: teremos uma Campanha Salarial muito difícil, e a categoria precisa fincar o pé para não perdermos nossas conquistas. E não podemos esquecer das reestruturações nos bancos e do avanço digital que nos ameaça. Este é um ano de lutar ainda contra a Reforma da Previdência, que praticamente impede a maioria da população de ter um merecido descanso ao final da carreira. Temer não conseguiu aprovar a medida no ano passado, mas ela vai voltar com tudo neste ano: precisamos estar unidos e fortes. E – não dá para esquecer! - neste 2018 teremos eleições. Precisamos votar em candidatos compromissados com a maioria da população, e não em “salvadores da pátria” que só beneficiam os setores privilegiados.
Porto Alegre, 10 de janeiro de 2018
4 O Bancário ANIVERSÁRIO
Sindicato faz 85 anos em meio a grandes desafios “Quando nossa entidade completa 85 anos, neste 2018, é fundamental dizer que o sindicalismo é um instrumento cada vez mais importante para a defesa dos trabalhadores, hoje golpeados por uma reforma trabalhista cruel e inconstitucional”, diz o presidente do nosso SindBancários, que festeja sua data de fundação no próximo dia 18. “Basta recordar que o governo ilegítimo de Temer está fragilizando até mesmo a Justiça do Trabalho”, aponta Everton Gimenis. No quadro político de insegurança como o que estamos vivendo no Brasil, após o impeachment que apeou Dilma Roussef da Presidência, as garantias legais dos trabalhadores sofrem ataques
dos setores conservadores e do rentismo nacional e internacional. “Não temos escolha: nossa opção é resistir ou resistir”, avalia Gimenis. Papel histórico Precisamos não esmorecer e avançar nos direitos e conquistas, e este tem sido o papel do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região desde o dia 18 de janeiro de 1933. A trajetória da entidade se inicia logo após a falência do Banco Pelotense e no contexto da Grande Depressão, após o crack da Bolsa de Nova York em 1929. A luta começou pela defesa do emprego, passou pela defesa da democratização do país - como durante a Ditadura Militar (1964-1985) - e se estende até os dias de hoje.
O SindBancários é protagonista na organização da Convenção Coletiva de Trabalho Nacional dos bancários, única categoria que possui um acordo nacional no Brasil, e de inúmeras conquistas, como a PLR, a 13ª Cesta Alimentação e a redução de jornada de trabalho. Programação A programação de aniversário de 85 anos, mais simples neste contexto de medidas que afetam nosso mercado de trabalho, prevê um Debate sobre Reforma da Previdência, na sede do Sindicato, às 18h da quinta-feira. O evento deverá ter a presença, a ser confirmada, do senador Paulo Paim (PT-RS), relator da CPI da Previdência.
CAMPANHA DE SINDICALIZAÇÃO
Vem fazer parte da luta de todos os bancários No mesmo dia 18, integrado aos festejos de aniversário, o Sindicato estará lançando uma grande campanha de sindicalização, visando fortalecer nossa entidade e a categoria num momento bastante difícil do país, especialmente para os trabalhadores. “Michel Temer conseguiu aprovar no Congresso Nacional, no ano passado, uma Reforma Trabalhista que rasga a CLT e joga o Brasil de volta ao início do século passado, quando os trabalhadores praticamente não tinham direitos legais”, lembra Everton Gimenis. “Nosso Sindicato já mostrou, inclusive durante a Ditadura Militar, que faz a dife-
rença na defesa dos direitos dos bancários. Agora estamos em um novo momento de resistência, e só seremos mais fortes com a participação de toda a categoria. Vem para o Sindicato!”, finaliza o presidente.