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Ano 85 | Nยบ 11 | 5 de julho de 2018
Porto Alegre, 5
2 O Bancário
#TODOSPORTUDO
A participação de todos é tudo A primeira mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, em 28 de junho, mostrou aquilo que o movimento sindical já havia alertado. A Campanha Nacional 2018 será difícil. Precisamos lutar muito para proteger a nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e os nosso direitos de trabalhadores conquistados com muita luta. Os banqueiros não mostraram disposição de assinar o pré-acordo que garante a ultratividade, quer dizer, a renovação das nossas conquistas históricas até 31 de agosto. Isso significa que não temos garantidos o nosso piso salarial, nossas PLRs e nem mesmo as cláusulas que conquistamos em 2016, num acordo acertado de dois anos depois de uma greve de 31 dias. É tempo de mobilização para uma Campanha Nacional diferente de todas as outras. Estamos lutando contra o golpe que a Reforma Trabalhista representou e contra os retrocessos político, econômico e social.Por isso, o SindBancários está programando a partir do dia 9/7 caravanas nos locais de trabalho para conversar bem de perto sobre o que está em jogo. O sinal amarelo está ligado. O alerta é máximo. Sinal verde para a nossa participação.
O Bancário Jornal do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) - filiado à CUT e à Fetrafi/RS. Presidente: Everton Gimenis. Diretor de Comunicação: Carlos Eduardo Bobsin. Jornalista Responsável: Clóvis Victória (MTb 13.829). Redatores: Clóvis Victória, José Antônio Silva (MTb 3.870). Social Media: Josias Bervanger (MTb 14.235). Projeto gráfico e diagramação: Nina de Oliveira (MT 6612RS). Ilustração: Augusto F. Bier. Arte: Gerson Schneider. Impressão: Grupo Sinos. Tiragem: 10 mil exemplares. Casa dos Bancários - Rua Gal Câmara, 424 CEP 90010-230 - Porto Alegre - RS Tel: (51) 3433.1200 redacao@sindbancarios. org.br | www.sindbancarios.org.br|www. facebook.com/SindBancarios.PoA|twitter. com/@sindbancarios
Fotos Clóvis Victória Jr./SindBancários
BANRISUL
E o diálogo, diretoria?
Colegas da Caixa mostraram força durante Dia Nacional em Defesa do Saúde Caixa
CAIXA
Um bom começo de luta Não foi por caso que colegas de dois locais de trabalho da Caixa em Porto Alegre participaram de Dia Nacional de Lutas em Defesa do Saúde Caixa na sexta-feira, 20/6. A chamada era para vestir branco em defesa do Saúde Caixa, mas a senha foi a mobilização em defesa do acordo específico da Caixa na Campanha Nacional 2018. Empregados do banco 100% público desceram do Edifício-Sede Querência no Centro de Porto Alegre para reivindicar respeito e mostrar indignação contra o desmonte que a Caixa faz no Saúde Caixa e no banco 100% público. Os colegas da agência do Edifício Marcílio Dias, no Bairro Menino Deus, também participaram em peso.
Não é para menos. Afinal, o governo Temer quer vender a Caixa de qualquer jeito. Já tentou passar as lotéricas nos cobres e não conseguiu. E o que faz então? Fecha agências, demite empregados, aumenta o volume de trabalho e consegue piorar a situação ao reduzir sua participação no Saúde Caixa, praticamente acabado com o nosso Plano de Saúde. Vamos ficar atentos. A Caixa já mostrou força e tem história de mobilização. Na sexta-feira, 13/7, em São Paulo, os colegas do Comando Nacional dos Bancários e da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) realizam a primeira mesa de negociação específica com a diretoria.
A pauta de reivindicações específicas do Banrisul já está na mão da diretoria do Banrisul. Mas, desde a tarde de 15 de junho, quando foi entregue por diretores da Fetrafi-RS, do SindBanbcários e de Sindicatos do Interior à direção na sede da DG, em Porto Alegre, não há nenhum indicativo de disposição para negociar. Precisamos conversar sobre muitas coisas, diretoria do banco público dos gaúchos. Aliás, essa atual diretoria não tem lá muita disponibilidade para o diálogo. Afinal, depois de, junto com o governo do Estado, vender ações do Banrisul sem comunicar por fato relevante... Há problemas de comunicação. No mínimo.
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Primeira mesa específica Sexta-feira, 13/7 | em São Paulo
Caravanas do SindBancários em Defesa da CCT Nacional e dos direitos dos trabalhadores
DE 9 A 12 DE JULHO EM PORTO ALEGRE E REGIÃO
BANCO DO BRASIL
Disposição de negociar, mas sem Cassi Na primeira reunião de negociação da sexta, 29/6, entre o BB e a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), a direção do BB afirmou estar disposta a negociar sobre os pontos da pauta dos trabalhadores. Mostrou disposição para negociar o pré-acordo que garante a ultratividade, quer dizer, a manutenção dos direitos da Convenção Coletiva de Trabalho Específica anterior enquanto o acordo atual não é assinado até 31 de agosto.
O grande problema é a insensibilidade da diretoria do Banco do Brasil em relação à saúde dos trabalhadores. Os diretores não querem nem ouvir falar em manter os direitos que conquistamos com a Cassi. O banco amplia as metas, não repõe trabalhadores, terceiriza agências, corta comissões. O desmonte do BB produz adoecimento e o que a direção faz? Ataca a Cassi, impedindo que novos funcionários tenham direito.
Defesa da Cassi mobiliza colegas em 20/6 em frente a Super de Porto Alegre
5 de julho de 2018
O Bancário 3
ENTREVISTA JUBERLEI BACELO, DIRETOR DA FETRAFI-RS
“2018 será um divisor de águas” Quando se acomodou em um das cadeiras da grande mesa do Hotel Maksoud Plaza em São Paulo, o bancário do Santander e diretor da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, não estava participando somente da primeira rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários com a Fenaban no dia 28/6. Fazia história como um dos dirigentes bancários com mais participações em todo o Brasil nas mesas de negociações com os banqueiros. Do lado certo da luta, o dos trabalhadores, e olhando nos olhos dos representantes dos banqueiros, ele sabia que aquele momento inciaria “um divisor de águas” na história de lutas dos bancários.
Qual foi a sua impressão da primeira mesa com a Fenaban? Juberlei – Minha impressão é que se confirmou o que vínhamos afirmando, de que nossos direitos que constam na CCT estão ameaçados. Pela primeira vez, os bancos não assinam o pré-acordo que garantiria a validade dos direitos a partir de 1º de setembro, mesmo que ainda não tivessem concluídas as negociações. Com o fim da ultratividade nos contratos coletivos, aprovado na reforma trabalhista, isso significa que, se, no dia 31 de agosto, não tivermos renovado nossa convenção, não temos nenhum direito garantido. Quanto do atual contexto social, político e jurídico influencia na correlação de forças que permeia essa negociação? Juberlei – Os bancos foram um dos principais financiadores do golpe sobre a democracia do país. O objetivo do golpe é claro. Eles querem descontar nos trabalhadores os custos da crise econômica duradoura que vivemos no país. A reforma trabalhista, aprovada logo depois do impedimento da presidenta [Dilma Rousseff], tem esse objetivo. Essa reforma visa acabar com qualquer proteção que tenha a classe trabalhadora, inclusive com os sindicatos. A grande mídia tem papel importante na manipulação do povo, dividindo ainda mais a classe trabalhadora. Criaram
Juberlei diz que, apesar da crise, bancários estão diante de uma oportunidade de unidade e resistência muitas dificuldades, inclusive na alternativa judicial. Seja alterando as leis ou na cooptação do judiciário. É o grande acordo nacional “com o Supremo, com tudo”. Isso cria muitas dificuldades na resistência da categoria. Portanto, a correlação de forças é favorável aos bancos, para que apliquem a reforma sobre nós. “Os bancos foram um dos principais financiadores do golpe sobre a democracia do país.” Quais são os riscos reais a que os trabalhadores, e especialmente os bancários, estão expostos este ano? Juberlei – Se não houver uma grande mobilização dos bancários, o risco de perdermos direitos que foram acumulados ao longo de gerações através da luta coletiva, como nossa jornada de seis horas ou a gratificação semestral, que só tem no RS, BA, SE e PB, é muito real. Nos anos 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, os bancários enfrentaram um cenário tão adverso quanto o de agora. É possível comparar o cenário de agora com o daquele período? Juberlei – Nos anos 90, enfrentamos um cenário parecido com o de agora. Com a introdução do modelo neoliberal, o ataque aos direitos e ao patrimônio público era semelhante. Mas havia uma divisão na classe patronal devido à financeirização da economia, já que o setor produtivo não tinha muito
acordo, e o movimento sindical ainda acumulava alguma força devido às grandes lutas de massa que marcaram o final dos anos 80. Isso criava condições melhores de resistência. Tanto que conseguimos proteger a maioria dos direitos e parte das empresas públicas. Mas como já aconteceu em outros países, o retorno do neoliberalismo se dá de uma forma mais virulenta e autoritária. E no Brasil não é diferente. Com certeza, hoje o cenário é muito pior. Uma unidade muito grande do poder econômico em um cenário em que temos um governo ilegítimo, que não tem nada a perder. Que não se preocupa com a opinião popular. Apenas em atender as expectativas do capital nacional e internacional. “O retorno do neoliberalismo se dá de uma forma mais virulenta e autoritária (...) Com certeza, hoje o cenário é muito pior.” Os bancários construíram uma Convenção Coletiva Nacional há mais de 25 anos (1992). Como e por que essa unidade nacional foi construída? Juberlei – Antes do nosso acordo coletivo nacional, os acordos eram por estados, e, na grande maioria, construídos nos Tribunais Regionais. Com a concentração bancária nos anos 90, isso criava dificuldade para os bancos, já que tinham que praticar políticas salariais diferenciadas. Como a categoria já se organizava nacionalmente, a construção da CCT fortaleceu nossas lutas na hora da negociação. Claro
que isso foi em um período também de resistência, em uma conjuntura desfavorável, tanto que durante anos éramos obrigados a trocar índice por abonos que resultavam em um achatamento salarial. Os bancários suportaram perdas e reajuste zero nos anos de ajuste neoliberal. A partir de 2002, essa condição mudou. Por que, durante governos progressistas, os trabalhadores melhoraram de vida? Juberlei – A partir de 2002, isso começa a mudar. Com a eleição de Lula, passamos a ter um governo não tão comprometido com o poder econômico. Que não tratava os movimentos sociais como um caso de polícia. Que entendia a importância de um estado forte para poder intervir na economia. Isso criou as condições do retorno das mobilizações coletivas. Tanto que voltamos a fazer grandes greves da categoria que resultaram em conquistas de novos direitos e a recuperação salarial através de aumentos reais. “Com a eleição de Lula, passamos a ter um governo não tão comprometido com o poder econômico.” Diante das perdas com a reforma trabalhista e a terceirização, impostas aos trabalhadores, o que muda na organização dos trabalhadores para buscar reverter esses retrocessos? Como é possível reverter esse quadro de perdas o mais breve possível?
Juberlei – No cenário atual de precarização do mundo do trabalho, com cortes de direitos, terceirizações e outros ataques, os bancos ainda têm o ingrediente de cada vez mais piorar as condições de trabalho dos bancários. Essas condições levam ao adoecimento da categoria. Por outro lado, os bancos criam restrições na assistência à saúde, já que no último período eles têm atuado no sentido de também reduzirem custos com os planos. Isso demonstra o pensamento da elite brasileira. De que nunca aceitaram a abolição da escravatura. Portanto, a reversão desse cenário passa por duas frentes. Primeiro, os bancários precisam se conscientizar da necessidade da luta coletiva, da participação e do fortalecimento dos sindicatos como instrumento dessa defesa. Segundo, compreender a importância do processo eleitoral deste ano. A perspectiva de reversão dessa era que se criou com o golpe passa pela eleição de candidatos comprometidos com nossas pautas. O poder econômico dá mostras de que não aceitará uma decisão soberana do povo brasileiro, já que mantém preso o principal candidato da oposição e líder das pesquisas eleitorais [Luiz Inácio Lula da Silva]. A categoria precisa compreender isso e juntamente com o restante da classe trabalhadora tomar as ruas na luta pelo reestabelecimento da democracia no país. Só isso poderá nos dar novamente a esperança de dias melhores. Por que a Campanha Nacional 2018 será histórica e o que devemos, como trabalhadores, aprender com ela? Juberlei – A Campanha Nacional de 2018 será um divisor de águas. Temos a necessidade de uma grande unidade dos bancários para construir um processo de mobilização capaz de resistir a esses ataques. Isso será capaz de fazer avançar a consciência do bancário, de que para buscarmos uma vida mais feliz é preciso lutar coletivamente. Todos os nossos direitos coletivos são frutos dessa luta e não de bondade de nossos patrões. E é dessa forma que devemos nos defender nesse momento.
Porto Alegre, 5 de julho 2018
4 O Bancário VENDA DE AÇÕES DO BANRISUL
Tem coisa aí sim! Sempre que algum gestor público quer impor a forma como enxerga o setor público e faz isso atropelando os desejos de um povo inteiro, há reação. E quando as normas legais são atropeladas, pode até ser crime. Pois foi o que aconteceu quando o governador José Ivo Sartori, em conluio com a diretoria do Banrisul, passou ações preferenciais e ordinárias do banco público nos cobres em 10 e 27 de abril passado. Assumiu todos os riscos em nome de uma crise fiscal que não se resolve nem de longe vendendo empresas públicas e nem o Banrisul. O SindBancários e a Fetrafi-RS denunciaram a órgãos competentes suspeitas sobre um pregão de 15 minutos depois de o governo e o banco anunciarem que não iriam mais vender ações em 27 de abril. Tudo ficou meio que feito atrás de uma cortina preta, na escuridão. Mas agora o anúncio de que o Ministério Público do Estado (MPRS) e o Ministério Público Federal (MPF) por meio da Pro-
CINEDEBATE
?
Que negócio é esse
:: Quem ganhou com essa venda? :: Por que o Banrisul usou a corretora BTG Pactual para intermediar a venda de ações se o Banrisul tem uma corretora de primeira? :: Por que as ações foram vendidas tão rapidamente e a um preço 31% inferior ao pregão anterior? :: Que negócio é esse, governador? :: Quem lucrou com a venda que deixou o Governo do Estado com dinheiro que mal cobre um terço da folha de pagamento de um mês? curadoria Regional da 4ª Região vão investigar a existência de crime por meio de manipulação do mercado e uso indevido de informação privilegiada. O Ministério Público do Estado abriu inquérito civil para apurar os pontos obscuros da transação, lançando luz à penumbra sartoriana. O banco leiloou 2,9 milhões de ações ordinárias (com direito a voto). A venda teve valor unitário muito abaixo do praticado no mercado – de apenas R$ 17,65 cada papel, o que trouxe grande prejuízo ao Estado e ao banco, conforme registrou o próprio MP, na portaria de instauração
do inquérito. O primeiro leilão ocorrera no dia 10 de abril, quando o Governo do Estado mandou vender 26 milhões de títulos preferenciais (sem direito a voto), que renderam R$ 484, 9 milhões em 10 de abril. No segundo, as ações renderam cerca de R$ 50 milhões. Há denúncias do Sindicato também no Ministério Público de Contas (MPC), no Tribunal de Contas do Estado (TCE), na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nesta última já há inquérito para investigar uso de informações privilegiadas.
A violência não ajuda a depressão Projeto do SindBancários que proporciona a oportunidade de discutir questões estruturais da sociedade, organização do trabalho e adoecimento dos trabalhadores, através de obras cinematográficas, o CineDebate, volta propondo uma reflexão do universo masculino. A partir das 15h do dia 09/07, será exibido o filme “Clube da Luta”, de 1999. O longa, dirigido por David Fincher, conta as angústias de um homem deprimido e vítima de insônia, que passa a participar de um grupo secreto que se encontra para lutar, como
tentativa de extravasar suas tensões. Os protagonistas são Brad Pitt e Edward Norton. Após a exibição do filme, haverá um debate no CineBancários, com a presença do secretário-geral do SindBancários e estudante de Sociologia Luciano Fetzner, além do psicólogo do Sindicato André Guerra. A sessão é gratuita. Como assistir A sala de cinema do Sindicato tem capacidade para 81 espectadores. O cinema fica no prédio do SindBancários.
CineDebate - Clube da Luta Segunda-Feira, 9/7 | 15h | CineBancários
PREMIADOS
Valeu a sindicalização Logo que teve o nome anunciado na transmissão ao vivo do primeiro sorteio da Campanha de Sindicalização do SindBancários na tarde da sexta, 15/6, pela página no facebook, como ganhador da bicicleta, o colega Marcos Faustino, do Banrisul, deixou seu comentário. Ele disse que não tem mais desculpa para adiar o início das atividades físicas. Quando recebeu o cheque na quarta, 4/7, contou que precisou repensar. Optou
por pegar um cheque no valor da bicicleta para “pedalar as dívidas”. O sorteio da bicicleta foi o ponto alto da transmissão e da primeira série de premiação para bancários que se recadastraram ou se filiaram ao Sindicato desde novembro do ano passado. Outros 30 colegas ganharam bolsas térmicas. Elas estão sendo entregues nas agências de cada um dos contemplados por dirigentes do Sindicato.
No próximo dia 15 de julho, o segundo sorteio já está marcado. Serão sorteadas mais 30 bolsas térmicas e um smartphone. Não perca a chance. Para concorrer, imprima a ficha de inscrição, preencha-a e entregue-a no setor de arrecadação do Sindicato ou chame o diretor de sua região. A ficha deve estar assinada. Ela é um documento.
Marcos recebeu cheque no valor da bicicleta para ‘pedalar dívidas’ Saiba aqui como participar, veja o nome dos ganhadores do primeiro sorteio no link bit.ly/2JXJhMX e ajude o Sindicato a te defender, sindicalizando-se