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MOLDES E PLÁSTICOS‘2020 Diversificar Indústria quer conquistar novos clientes e mercados Esta revista é suplemento integrante da edição nº 4324 de 30 de janeiro de 2020 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente
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SIE
Criatividade e investimento para além da embalagem
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REGIÃO DE LEIRIA | MOLDES E PLÁSTICOS 2020
Negócio da SIE cresce e diversifica-se para além da embalagem A sinalização rodoviária e as soluções técnicas são os dois segmentos de mercado em que a empresa quer crescer. Pelo caminho, continua a renovar o parque de máquinas e a afirmar a marca SIE
“Estás preparado para o negócio da tua vida?”. No final da reportagem do REGIÃO DE LEIRIA, já um cliente esperava cá fora pelo administrador da SIE. Estava de olho no “gradeamento” da empresa que queria replicar para um dos seus espaços. O uso de lamelas para delimitar recintos foi uma ideia de Nuno Frois que tem colhido elogios. Não é a única. Na receção da SIE, é impos-
sível não reparar nos candeeiros feitos com barricas invertidas. É outra das suas ideias que, em tom de brincadeira, diz poder, um dia, vender à Ikea. Formado em Engenharia Civil, o design aplicado ao plástico é uma área para a qual Nuno Frois, 38 anos, tem revelado vocação. Está há cerca de 10 anos na SIE, com uma presença reforçada desde a reestruturação acionista em 2014,
ano em que a família adquiriu a totalidade do capital. Foi um momento de viragem. Em 2015, um investimento de 4,5 milhões de euros, no âmbito do Portugal 2020, permitiu dar início à renovação do parque de máquinas. A par disso, a empresa tem procurado crescer noutros segmentos de mercado, para além da embalagem, e tem apostado na comunicação. Quer afirmar-se, cada vez mais, como marca SIE e deixar cair a versão
mais extensa do nome: Sociedade Internacional de Embalagens. Mas vamos por partes.
No início era o brinquedo A sociedade, atualmente instalada na zona de Santa Clara, em Leiria, nasceu há 60 anos como tantas outras fábricas de plástico da região. O seu core business era o brinquedo. Evoluiu depois para a embalagem. Começou por produzir frascos pequenos e, mais tarde, recipientes maiores como garrafões e barricas. A tecnologia adotada, a extrusão-sopro, deu à empresa reconhecimento e quota de mercado. Ainda hoje, com uma equipa de 50 pessoas, é nessa
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tecnologia que assenta o seu core business. “Queremos ser reconhecidos como uma empresa com valências e um know how muito específico na extrusão-sopro e apostamos em grandes volumes – dos 5 litros para cima - que é um mercado mais reduzido, mas que também existe”, explica Nuno Frois. Nesse segmento, a quota de mercado em Portugal é elevada, mas o mercado da SIE estende-se à Península Ibérica. A empresa tem a vantagem de possuir um portefólio alargado de artigos “e não é tão comum encontrarmos uma empresa assim, que tem desde frasquinhos a barricas”, completa. O packaging representa entre 75% a 80% da faturação global da empresa que, em 2019, atingiu os 6,3 milhões euros, mais um milhão do que em 2018. “A embalagem é o nosso core, o nosso ADN e onde ganhamos volume e massa crítica para depois conseguirmos abordar outras áreas de negócio”, refere o administrador. No entanto, a embalagem, pelo seu cariz de quase commodity, é uma área de negócio com margens mais apertadas, o que tem conduzido a uma tentativa de diversificação quer de segmentos quer de mercados-alvo.
Reconhecimento no segmento de traffic As outras áreas onde a SIE está a crescer são o traffic e o technical. A primeira, com os artigos de sinalização rodoviária, já se tornou uma marca distintiva da empresa. As
lamelas, por exemplo, começam a ser procuradas para outros fins, como revela o início deste texto. Em breve, vai também entrar em produção um artigo distinguido nos iF Design Awards 2019, um dos mais importantes prémios de design a nível mundial, promovido pelo iF – International Fórum Design GmbH, com sede em Hannover, na Alemanha. Trata-se de um sistema de barreiras rodoviárias temporário, portátil e durável, desenvolvido em parceria com a empresa da Marinha Grande WeADD. O artigo está em fase final de testes e ensaios e começará a ser comercializado num futuro próximo. Os primeiros artigos de sinalização rodoviária surgiram entre 2006 e 2007. “Foi algo fortuito que, como muitos outros projetos, veio até nós”, conta Nuno Frois. A empresa decidiu arriscar no desenvolvimento e produção de um separador. Correu bem e, a partir daí, começou a desenvolver outros artigos relacionados com sinalização rodoviária como o hito e a lamela. Nuno Frois explica que o conceito já existia. “Renovámo-lo e adaptámo-lo para extrusão-sopro, processo que tem vantagens competitivas face à rotomoldagem”, clarifica o administrador, acrescentando que, quando se trata de peças em quantidade, a rentabilidade é maior.
Comunicar mais a vertente technical A SIE sempre desenvolveu e pro-
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lhor. Tem é o problema de ser mal gerido no seu fim de vida, quando passa a resíduo”. No entanto, ressalva, “não existe outro material tão versátil, tão moldável, a um baixo custo e com um impacto ambiental reduzido, comparativamente a outros materiais”. E esses, diz, “são argumentos muito fortes, o que há é muito ruído aqui à volta”.
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duziu produtos técnicos, porém, nunca o comunicou, ativamente. “O mercado que estamos a tentar desenvolver neste momento e a fomentar mais é o technical, é um segmento que já trabalhávamos há algum tempo mas não comunicávamos”, revela Nuno Frois. A extrusão-sopro continua a ser a tecnologia adotada, mas neste caso as soluções técnicas não se destinam à embalagem. São, por exemplo, produtos para a indústria automóvel, como tubagens para ventilação, para mobiliário hospitalar ou para a área de desporto, como a série de peças que servem de complemento a uma tabela de basquetebol vendidas à Decathlon. “Esta é uma área que queremos desenvolver. No fundo já fazíamos alguns projetos, mas essencialmente que vinham até nós, não eramos nós que os procurávamos e a ideia foi criar mesmo este segmento e comunicá-lo de forma a que os clientes percebam que
Durante os próximos três anos, a SIE vai continuar apostada em terminar o ciclo de investimentos que iniciou após a mudança do núcleo acionista em 2014
português consome cerca de 80% da produção, mas no segmento de traffic, por exemplo, a produção segue quase na totalidade para o país vizinho. No packaging, há espaço para aumentar quota de mercado em Espanha. “É onde o nosso portefólio se poderá encaixar melhor, mas a ideia é replicar todos os produtos”, refere Nuno Frois.
também temos esta valência e não nos ligarem apenas à área da embalagem”, sustenta Nuno Frois.
Plástico: uma questão de educação e cultura
A entrada destas duas áreas de negócio na cadeia produtiva da empresa acontece de forma natural. O empresário explica que as máquinas são as mesmas e que, nos artigos mais técnicos, existem alguns ajustes, quer de moldes quer de equipamentos, mas que não envolvem investimentos significativos. Em termos de mercado-alvo, Espanha é aquele que deverá crescer nos próximos tempos. O mercado
Sobre a má reputação de que, neste momento, gozam os materiais plásticos, o administrador da SIE assegura que ele não se está a refletir no negócio. Ao assentar no modelo B2B, a empresa não sente tanto o impacto que a mensagem antiplástico está a ter no consumidor final. Nuno Frois diz-se plenamente convencido de que se trata de uma fase que vai ser ultrapassada. “Verdade seja dita: não existe atualmente nenhum material me-
No seu entender, é necessário “ir à base que é a educação e cultura”, no sentido de “aprender a gerir os materiais da melhor forma”, quer pela questão ambiental, quer pela lógica económica. “Precisamos de políticas que fomentem a economia circular não só nos plásticos mas na gestão de resíduos”, sustenta. Na cadeia de produção da SIE, o material reciclado entra sobretudo nos artigos de traffic. Na área da embalagem, é mais difícil existir um produto standard, uma vez que é necessário atender ao destino da embalagem. A customização é a regra, mas Nuno Frois nota que, nesta matéria, “os clientes estão muito mais sensíveis”. É por isso é natural que a empresa venha a trabalhar cada vez mais com material reciclado. Por agora e durante os próximos três anos, a SIE vai continuar apostada em terminar o ciclo de investimentos que iniciou após a mudança do núcleo acionista em 2014. Nuno Frois adianta que, em causa, estão dois objetivos grandes: a modernização do parque de máquinas e a aposta em novos produtos com um carácter inovador. l