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Trabalho social com pessoas refugiadas no Sesc São Paulo: 30 anos

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trabalho social com pessoas refugiadas no sesc são paulo: 30

anos

trabalho social com pessoas refugiadas no sesc são paulo:

30 anos

1995-2025

re·fú·gi·o

ref·uge refugio

(sm — latim: refugium )

1. Lugar seguro para on de alguém vai para não se expor a situaç ões de perigo; abrigo, esconderijo.

Shelter or protection from danger, trouble. Lugar adecuado para refugiarse.

2.

Amparo ou proteção que se pede a alguém.

A place, person or thing that provides shelter or protection for somebody/something.

Protección frente a un peligro o amenaza.

Fonte: Dicionário Aurélio • Source: Oxford Advanced Learner’s Dictionary • Fuente: Di ccionario Real Academia Española

Integrar e se transformar

Presidente do Conselho Regional do Sesc São Paulo

President of the SESC São Paulo Regional Council

Presidente del Consejo Regional del Sesc São Paulo

por O Sesc São Paulo desenvolve ações de integração com pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio desde 1995, ano da assinatura do convênio com a Cáritas Brasileira, via Arquidiocese de São Paulo, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Em parceria com o Senac São Paulo, a instituição passa a promover encontros formativos e de reconhecimento mútuo para que essa população obtenha autonomia no Brasil. Isso se dá tanto por meio do curso de português como língua de acolhimento quanto pelo estímulo ao intercâmbio de experiências e saberes com os brasileiros, reconhecendo as potências e contribuições das pessoas de outras nacionalidades para a diversidade cultural do país.

De forma coordenada e complementar, essas instituições mantêm um trabalho estruturado em apoio a quem procura refúgio no Brasil, com vistas à facilitação de suas inserções social e econômica em um cenário caracterizado por desafios de ordens

distintas. Essa orquestração de caráter humanitário ganha concretude em atividades educativas e culturais, seja pelas trilhas da educação não formal e permanente, como no caso do Sesc, seja pelo caminho formal da sala de aula, como praticado pelo Senac. O trabalho social com pessoas em situação de refúgio e migração, realizado há três décadas pelo Sesc, é pioneiro no engajamento em prol da agregação desse contingente populacional no país, o que implica sustentar a reciprocidade de tal processo. A busca por integrar essas pessoas, além de tornar favorável o seu ingresso e adaptação nas comunidades que as acolhem, fomenta a capacidade de mudança da própria sociedade brasileira. Ao receber novos grupos, com as práticas e valores que seus membros trazem consigo, uma nação tem a chance de se transformar e, com isso, se tornar mais complexa e plural, em razão da convivência e da solidariedade mantidas com aqueles e aquelas que encontram no Brasil um lugar de acolhimento.

Integrate and transform

eng SESC São Paulo has been developing integration programs for refugees and asylum seekers since 1995, the year the agreement was signed with Brazilian Cáritas, through the Archdiocese of São Paulo, and the United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR). In partnership with SENAC São Paulo, the institution promotes training and mutual understanding encounters so that this group can achieve autonomy in Brazil. This is done through both the Portuguese as a Second Language course and by fostering the sharing of experiences and knowledge with Brazilians, recognizing the potential and contributions of people of other nationalities to the country’s cultural diversity.

In a coordinated and complementary manner, these institutions carry out structured efforts to support people seeking refuge in Brazil, aimed at facilitating their social and economic integration in a scenario characterized by different kinds of challenges. This orchestration of a humanitarian nature takes the form of educational

and cultural activities, whether through the paths of non-formal and continuing education, as in the case of SESC, or through the formal path of the classroom, as provided by SENAC.

The social work with refugees and migrants, carried out for three decades by SESC, is pioneering for its engagement to promote the inclusion of this group in the country, which implies ensuring the reciprocity of this process. The pursuit of integrating these people, in addition to making their entry and adaptation in the communities that welcome them favorable, also fosters the capacity for change in Brazilian society itself. By receiving new groups, with the practices and values that their members bring with them, a nation has the chance to transform itself and, with this, become more complex and plural, due to coexistence and solidarity with the people who find a welcoming place in Brazil.

Integrarse y transformarse

esp El Sesc São Paulo desarrolla acciones de integración con personas refugiadas y solicitantes de asilo desde 1995, año en que se firmó el convenio con la Cáritas Brasileña, por medio de la Arquidiócesis de São Paulo, y con el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para Refugiados (Acnur). En colaboración con Senac São Paulo, la institución comenzó a promover encuentros formativos y de reconocimiento mutuo para que esta población pueda alcanzar autonomía en Brasil. Ello se lleva a cabo tanto mediante el curso de portugués como lengua de acogida como mediante el fomento del intercambio de experiencias y conocimientos con la población brasileña, reconociendo las capacidades y contribuciones de personas de otras nacionalidades a la diversidad cultural del país.

De manera coordinada y complementaria, estas instituciones mantienen un trabajo estructurado para apoyar a quienes buscan refugio en Brasil, con miras a facilitar su inserción social y económica en un contexto caracterizado por desafíos de diversa índole.

Esta articulación de carácter humanitario se materializa en actividades educativas y culturales, ya sea mediante vías de educación no formal y permanente, como en el caso del Sesc, o a través del sistema formal de clases, como es la práctica del Senac. La labor social con personas en situación de refugio y migración, desarrollada por el Sesc desde hace tres décadas, es pionera en su compromiso con la integración de este contingente poblacional en el país, lo que implica sostener la reciprocidad inherente a dicho proceso. La búsqueda por integrar a estas personas, además de favorecer su ingreso y adaptación en las comunidades que las reciben, promueve la capacidad de transformación de la propia sociedad brasileña. Al recibir nuevos grupos, con las prácticas y valores que sus integrantes aportan, una nación tiene la oportunidad de transformarse y, con ello, volverse más compleja y plural, como resultado de la convivencia y la solidaridad mantenidas con quienes encuentran en Brasil un lugar de acogida.

Dignidade como inegociávelprincípio

Director

por Há mais de três décadas, o Sesc São Paulo respondeu ao convite de Dom Paulo Evaristo Arns, que representava a organização Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp), para que, em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), trabalhasse pelo acolhimento e integração de pessoas em situação de refúgio e migração na sociedade brasileira. Esse percurso se sustenta até hoje, no entendimento de que a promoção e a defesa dos direitos humanos são indissociáveis da missão institucional.

Em parceria com tais organismos internacionais, organizações da sociedade civil e poder público, tem-se buscado promover espaços que extrapolem a lógica da acolhida emergencial e que possibilitem a criação de situações de convivência, aprendizagem e expressão cultural. Cursos de língua portuguesa realizados em parceria com o Senac São Paulo, projetos artísticos, ações formativas, iniciativas em saúde e esporte se configuram como territórios de vínculo e de produção simbólica, nos quais experiências e saberes deslocados podem se enunciar, valorizando as diversidades, reconhecendo trajetórias e ampliando o acesso a direitos.

Celebrar a longevidade dessa atuação é também reafirmar um compromisso, sem se desviar das urgências que persistem. Em um cenário global, em que deslocamentos forçados atingem números sem precedentes, a indiferença e a xenofobia, articuladas aos racismos e machismos, desafiam políticas de integração. Nesse sentido, torna-se cada vez mais necessário fortalecer redes e estimular o diálogo intercultural.

O Sesc mantém sua contribuição, a partir da ação cultural, para questionar invisibilizações e afirmar a diversidade como valor estruturante da vida democrática. Reconhece que a presença de pessoas em situação de refúgio compõe nossa sociedade e que essa condição implica responsabilidades que atravessam todas as instâncias sociais, em um exercício de cidadania para a construção de um país mais justo, plural e acolhedor. Este catálogo reúne registros, perspectivas e memórias que são muito mais do que testemunhos de uma trajetória institucional: trata-se de um chamado a seguir imaginando e experimentando coletivamente formas de convivência, nas quais a dignidade humana não seja concessão, mas fundamento.

Dignity as a non-negotiable principle

eng For over three decades, SESC São Paulo has responded to the invitation of Dom Paulo Evaristo Arns, who represented the Cáritas Archdiocese of São Paulo (Casp), to work together with the National Service for Commercial Apprenticeship (SENAC) and the United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR) to welcome and integrate refugees and migrants into Brazilian society. This work continues to this day, based on the understanding that the promotion and defense of human rights are inseparable from the institution’s mission.

In partnership with these international organizations, civil society organizations and the state, efforts have been made to promote spaces that go beyond the logic of addressing immediate needs, and enable the promotion of contexts for coexistence, learning and cultural expression. Portuguese language courses carried out in partnership with SENAC São Paulo, artistic projects, training activities and initiatives in health and sports are understood as areas of connection and symbolic production, in which displaced people’s experiences and knowledge can be expressed, valuing diversity, recognizing their history and expanding access to rights.

Celebrating the longevity of this work is also to reaffirm a commitment, without deviating from the urgencies that still persist. In a global scenario, where forced displacement has reached unprecedented numbers, indifference and xenophobia, articulated with racism and sexism, pose a challenge to integration policies. In this sense, it becomes increasingly necessary to strengthen networks and stimulate intercultural dialogue.

SESC maintains its contributions, through cultural actions, to challenge processes of invisibilization and to affirm diversity as a structuring value of democratic life. It recognizes that the presence of refugees is part of our society and that this implies responsibilities that cut across all social spheres, in an exercise of civics for the construction of a more just, plural and welcoming country.

This catalog brings together records, perspectives and memories that are much more than testimonies of an institutional trajectory: it is a call to continue imagining and collectively experimenting with forms of coexistence in which human dignity is not a concession, but a foundation.

Dignidad como principio innegociable

esp Hace más de tres décadas, el Sesc São Paulo respondió a la invitación de Don Paulo Evaristo Arns, quien representaba a la organización Cáritas Arquidiócesis de São Paulo (Casp), para que, junto con el Servicio Nacional de Aprendizaje Comercial (Senac) y el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (Acnur), trabajara en el acogimiento e integración de personas en situación de refugio y migración en la sociedad brasileña. Esta trayectoria se mantiene hasta hoy, bajo el entendimiento de que la promoción y la defensa de los derechos humanos son indisociables de su misión institucional. En colaboración con dichos organismos internacionales, organizaciones de la sociedad civil y el poder público, se ha buscado promover espacios que trasciendan la lógica de la acogida de emergencia y que permitan la creación de situaciones de convivencia, aprendizaje y expresión cultural. Los cursos de lengua portuguesa realizados junto con Senac São Paulo, los proyectos artísticos, las acciones formativas y las iniciativas en salud y deporte se configuran como espacios de encuentro y de producción simbólica, en los cuales pueden manifestarse experiencias y saberes desplazados, valorando las diversidades,

reconociendo trayectorias y ampliando el acceso a derechos.

Celebrar la longevidad de esta labor es también reafirmar un compromiso, sin desviarse de las urgencias que persisten. En un escenario global en el que los desplazamientos forzados alcanzan cifras sin precedentes, la indiferencia y la xenofobia, articuladas con el racismo y el machismo, desafían las políticas de integración. En este sentido, se vuelve cada vez más necesario fortalecer las redes y estimular el diálogo intercultural. Sesc mantiene su contribución, a partir de la acción cultural, para cuestionar las invisibilizaciones y afirmar la diversidad como valor estructurante de la vida democrática. Reconoce que la presencia de personas en situación de refugio forma parte de nuestra sociedad y que esta condición implica responsabilidades que atraviesan todas las instancias sociales, en un ejercicio de ciudadanía orientado a la construcción de un país más justo, plural y acogedor. Este catálogo reúne registros, perspectivas y memorias que son mucho más que testimonios de una trayectoria institucional: se trata de un llamado a seguir imaginando y experimentando colectivamente formas de convivencia en las que la dignidad humana no sea una concesión, sino un fundamento.

Três décadas de trabalho conjunto para a promoção dos direitos das pessoas refugiadas

em São Paulo

por Grande parte das pessoas que necessitam de proteção internacional no Brasil chega por São Paulo, e outras milhares encontram aqui as oportunidades que precisam para recomeçar suas vidas com dignidade e segurança. Há 30 anos, temos o orgulho de poder trabalhar ao lado da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp) e do Sesc São Paulo para promover o acolhimento e a proteção dessas pessoas.

Por meio de diferentes iniciativas, juntos buscamos a integração de pessoas refugiadas à sociedade paulista. De aulas de português a cursos diversos, de acesso a equipamentos públicos a opções de esporte e lazer, unimos esforços para que as pessoas refugiadas se sintam acolhidas e respeitadas.

Da mesma forma, promovemos ações que incentivam a convivência pacífica e que preparam a comunidade paulista para olhar para as pessoas refugiadas com empatia –como é o caso do projeto Refúgios Humanos, que há anos forma profissionais da rede pública de ensino para o acolhimento e a integração de estudantes refugiados.

Davide Torzilli

Representante da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) no Brasil UN Refugee Agency (UNHCR) representative in Brazil

Representante de la Agencia de la ONU para los Refugiados (Acnur) en Brasil

Em três décadas, os impactos dos conflitos e das crises humanitárias ganharam proporções maiores. Frente a todos os desafios impostos, a parceria entre e o Acnur, a Casp e o Sesc São Paulo mostra que é possível superá-los quando diferentes setores se unem com um mesmo propósito.

Three decades of collaborative efforts to promote the rights of refugees in São Paulo

Tres décadas de trabajo conjunto para la promoción de los derechos de personas refugiadas

en

São Paulo

eng A great number of people who need international protection in Brazil arrive in São Paulo, and thousands more find opportunities here to restart their lives with dignity and security. And, for 30 years, we have been proud to work alongside Cáritas Archdiocese of São Paulo (Casp) and SESC São Paulo to promote the reception and protection of these people.

Through different initiatives, together we work for the integration of refugees into São Paulo society. From Portuguese classes to various courses, from access to public facilities to sports and leisure, we join forces so that refugees feel welcome and respected.

Similarly, we promote actions that encourage peaceful coexistence and prepare the São Paulo community to view refugees with empathy – as is the case with the Refúgios Humanos (Human Refuges) project, which for years has trained professionals in the public education system to welcome and integrate refugee students.

Over three decades, the impacts of conflicts and humanitarian crises have increased significantly. Faced with all the challenges, the partnership between UNHCR, Casp and SESC São Paulo demonstrates that it is possible to overcome them when different sectors unite with a common purpose.

esp Gran parte de las personas que requieren protección internacional en Brasil llega por São Paulo, y otros miles encuentran aquí las oportunidades que necesitan para recomenzar sus vidas con dignidad y seguridad. Y, desde hace 30 años, tenemos el orgullo de poder trabajar junto a Cáritas Arquidiócesis de São Paulo (Casp) y al Sesc São Paulo para promover el acogimiento y la protección de estas personas. Por medio de diversas iniciativas, buscamos conjuntamente la integración de personas refugiadas en la sociedad paulista. De clases de portugués a cursos variados, del acceso a equipamientos públicos a opciones de deporte y recreación, aunamos esfuerzos para que las personas refugiadas se sientan acogidas y respetadas. De igual manera, promovemos acciones que incentivan la convivencia pacífica y que preparan a la comunidad paulista para mirar a las personas refugiadas con empatía, como es el caso del proyecto Refúgios Humanos (Refugios Humanos), que desde hace años capacita a profesionales de la red pública de enseñanza para el acogimiento y la integración de estudiantes refugiados. En tres décadas, los impactos de los conflictos y las crisis humanitarias han adquirido dimensiones mayores. Frente a todos los desafíos impuestos, la alianza entre Acnur, Casp y Sesc São Paulo demuestra que es posible superarlos cuando distintos sectores se unen con un mismo propósito.

Três décadas de parceria e acolhimento

Director

por O Sesc São Paulo atua há 30 anos junto a pessoas refugiadas e migrantes, uma trajetória iniciada com a assinatura do convênio entre o Sesc, o Senac e a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp). Com muita alegria, comemoramos juntos essa parceria, na promoção da integração de pessoas refugiadas e migrantes por meio do ensino do português como segunda língua.

Desde 1995, essa iniciativa pioneira, idealizada por Dom Paulo Evaristo Arns, em um contexto anterior à Lei nº 9.474/1997, a Lei de Refúgio, tem oferecido não apenas aprendizado do idioma, mas também acesso à cultura brasileira, ao lazer e à convivência democrática.

Com turmas presenciais e remotas em diversas unidades do Sesc, milhares de pessoas de diferentes nacionalidades encontraram acolhimento e oportunidades reais de reconstrução de suas vidas. A parceria também viabiliza o acesso às atividades culturais, esportivas e educativas do Sesc, fortalecendo os vínculos com a comunidade brasileira. Além disso, a Casp participa do projeto Refúgios Humanos, formando educadores da rede municipal sobre migração e refúgio.

A Cáritas Arquidiocesana de São Paulo agradece à diretoria e aos demais colaboradores do Sesc por fazerem parte dessa trajetória de inclusão, respeito e esperança, dando exemplo de que organizações com compromisso social como as nossas podem contribuir para um Brasil melhor, além de proporcionar aos nossos irmãos refugiados a dignidade humana, o direito à vida. Que Deus abençoe a todos!

Three decades of partnership and welcome

Tres décadas de colaboración y acogida

eng SESC São Paulo has been working with refugees and migrants for 30 years, a journey that began with the signing of an agreement between SESC, SENAC and the Cáritas Archdiocese of São Paulo (Casp). We are delighted to celebrate this partnership together, promoting the integration of refugees and migrants through the teaching of Portuguese as a Second Language.

Since 1995, this pioneering initiative, conceived by Dom Paulo Evaristo Arns, prior to Law No. 9,474/1997, the Brazilian Refugee Law, has offered not only language classes, but also access to Brazilian culture, leisure and democratic coexistence.

With in-person and remote classes at various SESC units, thousands of people of different nationalities have found a welcoming environment and real opportunities to rebuild their lives. The partnership also facilitates access to SESC’s cultural, sports and educational activities, strengthening ties with the Brazilian community. Furthermore, Casp participates in the Refúgios Humanos (Human Refuges) project, training educators in the municipal school system on issues related to migration and refugees.

The Cáritas Archdiocese of São Paulo thanks the administration and other SESC staff for being part of this journey of inclusion, respect and hope, giving the example that socially committed organizations like ours can contribute to a better Brazil, in addition to providing our refugee brothers and sisters with human dignity and the right to life. May God bless you all!

esp El Sesc São Paulo trabaja desde hace 30 años junto a personas refugiadas y migrantes, una trayectoria que comenzó con la firma del convenio entre Sesc, Senac y Cáritas Arquidiócesis de São Paulo (Casp). Con gran alegría, celebramos juntos esta colaboración en la promoción de la integración de personas refugiadas y migrantes mediante la enseñanza del portugués como segunda lengua. Desde 1995, esta iniciativa pionera, ideada por Don Paulo Evaristo Arns, en un contexto anterior a la Ley n.º 9.474/1997, la Ley Brasileña de Refugio, ha ofrecido no solo el aprendizaje del idioma, sino también el acceso a la cultura brasileña, al ocio y a la convivencia democrática.

Con clases presenciales y a distancia en diversas unidades del Sesc, miles de personas de diferentes nacionalidades han encontrado acogida y oportunidades reales para reconstruir sus vidas. La alianza también facilita el acceso a actividades culturales, deportivas y educativas del Sesc, fortaleciendo los vínculos con la comunidad brasileña. Además, Casp participa en el proyecto Refúgios Humanos (Refugios Humanos), formando a educadores de la red municipal sobre migración y refugio. La Cáritas Arquidiócesis de São Paulo agradece a la dirección y al resto de los colaboradores del Sesc por formar parte de esta trayectoria de inclusión, respeto y esperanza, dando ejemplo de que organizaciones con compromiso social como las nuestras pueden contribuir a un Brasil mejor, además de brindar a nuestros hermanos refugiados dignidad humana y derecho a la vida. ¡Que Dios los bendiga a todos!

20 memórias memories memorias

36 ações actions acciones

76 reflexões reflections reflexiones

100 impacto social e perspectivas

social impacts and perspectives impacto social y perspectivas

sobre o sesc 140 about SESC acerca del Sesc como se credenciar 142 issue your SESC credential emite tu credencial Sesc

O início das ações do Sesc São Paulo junto a pessoas refugiadas 24

O Sesc São Paulo e o pioneirismo no trabalho para promover acesso aos direitos humanos para todas as pessoas

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memories memorias

O início das ações do Sesc São Paulo junto a pessoas refugiadas

Desde a década de 1990, marcada pela intensificação da globalização econômica, observam-se transformações profundas na dinâmica da mobilidade humana em todo o mundo, inclusive no Brasil, com um aumento expressivo no número de solicitantes de refúgio. Antes mesmo de a legislação brasileira regulamentar o tema, o Sesc São Paulo já havia iniciado suas parcerias institucionais e ações programáticas voltadas a esse público.

O ponto de partida ocorreu no final de 1995, quando o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), então arcebispo de São Paulo, manifestou ao Sesc São Paulo a sua preocupação com o crescente número de pedidos de refúgio recebidos pelo Brasil. Dom Paulo ressaltava a necessidade de acolhimento e ampliação do suporte social e cultural destinado a esse grupo que chegava ao país. Diante desse cenário, o Sesc São Paulo firmou uma parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o Senac São Paulo (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial/SP) e a entidade católica Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp). Após o atendimento inicial pela Cáritas, as pessoas refugiadas eram encaminhadas ao Sesc São Paulo, onde tinham acesso aos serviços da instituição e a uma ampla oferta de atividades socioeducativas, artísticas, esportivas, de lazer e alimentação, entre outras.

“O Sesc São Paulo propõe, nesse início, duas frentes de trabalho: o curso de língua portuguesa para pessoas refugiadas e o acesso à alimentação. Naquele momento, muitos refugiados vinham de Angola, país africano onde se fala português. Mas muitas pessoas, principalmente as mulheres, apesar de falarem o português, não sabiam escrever nessa língua, daí a importância do curso. Recebemos muitas pessoas da América Central também, naqueles anos”, rememora Denise Collus, que é formada em Serviço Social e atuou por mais de 20 anos no Sesc São Paulo, com ações relacionadas a pessoas em situação de refúgio.

Sobre a oferta de alimentação, realizada naquele momento pelo Sesc Carmo, unidade localizada no centro da cidade, Collus destaca: “Foi uma iniciativa ainda mais importante do que o curso de português, porque as pessoas podiam escolher o horário em que almoçavam, escolhiam o que comer, administravam o seu dinheiro, decidiam com quem se sentar para fazer cada refeição”. Era a possibilidade inicial de restabelecer autonomia após a saída forçada de seus países de origem. Além da credencial do Sesc São Paulo, as pessoas refugiadas recebiam um cartão de alimentação que lhes garantia desconto no valor das refeições. Inicialmente, nos anos 1990, as atividades específicas para as pessoas em situação de refúgio concentravam-se nas unidades

Ao falar sobre as condições de refúgio no Brasil, especialmente em São Paulo, não devemos ignorar a experiência com o Sesc São Paulo. [...] Desde o primeiro contato, suas portas se abrem para acolher de forma ampla. É possível participar de oficinas, assistir a apresentações e permanecer nos espaços de convivência, onde se respira respeito e tranquilidade. Cria-se, assim, em meio ao caos de uma metrópole, um ambiente em que as pessoas podem existir sem medo.

Yara Osman fotógrafa, pianista e tradutora nascida na Síria e refugiada no Brasil desde 2016

Carmo e Consolação. Foi de modo gradativo que as demais unidades passaram a disponibilizar outros serviços e atividades voltadas a esse público.

Como reflete Yara Osman, fotógrafa, pianista e tradutora nascida na Síria e refugiada no Brasil desde 2016, “ao falar sobre as condições de refúgio no Brasil, especialmente em São Paulo, não devemos ignorar a experiência com o Sesc São Paulo. Não se trata apenas de uma instituição, mas de um abrigo simbólico. Desde o primeiro contato, suas portas se abrem para acolher de forma ampla. É possível participar de oficinas, assistir a apresentações e permanecer nos espaços de convivência, onde se respira respeito e tranquilidade. Cria-se, assim, em meio ao caos de uma metrópole, um ambiente em que as pessoas podem existir sem medo”. Do ponto de vista da socialização e da comunicação, um marco importante foi a criação, em 2001, do programa Internet Livre, que oferecia acesso gratuito à internet. O projeto tornou-se um espaço de encontro, comunicação à distância e intercâmbio cultural. Segundo Collus, “quando teve início o programa Internet Livre, as pessoas refugiadas tinham acesso de novo às músicas e notícias de seus países. Elas faziam fila para usar os computadores. Esse programa foi uma janela de volta para o mundo. Elas tomaram conta desses espaços”.

O Sesc São Paulo e o pioneirismo no trabalho para promover acesso aos direitos humanos para todas as pessoas

A atuação do Sesc São Paulo no acolhimento de pessoas refugiadas antecede a regulamentação oficial promovida pelo Estado brasileiro, estabelecida apenas no final da década de 1990, com a promulgação da Lei nº 9.474/1997, conhecida como Lei de Refúgio. Essa atuação também precede, em muitos anos, a percepção desse tema como questão central dos direitos humanos, enfatizando a preocupação e a atenção da instituição para situações humanitárias resultantes de conflitos no mundo.

Com o passar do tempo, as atividades oferecidas nas unidades passaram por transformações, promovendo a convivência entre diferentes públicos e contribuindo para a sensibilização da sociedade em relação às crises migratórias e seus impactos globais.

A partir de 2009, o trabalho com pessoas refugiadas ganha novos contornos. Com a criação da área de Identidade e Diversidade Cultural, o programa se consolida como uma das principais ações nacionais voltadas às migrações e ao refúgio, nos campos socioeducativo e cultural.

“Em todas as unidades, programações regulares dão visibilidade às histórias, culturas e trajetórias de quem vivencia o

deslocamento, transformando o acolhimento em um ato permanente de convivência e aprendizado. Mais do que atividades pontuais, trata-se de uma programação contínua que atravessa linguagens artísticas, ações educativas e formativas, sempre buscando garantir o protagonismo das pessoas refugiadas, comprometida em evidenciar a potência dessas pessoas e comunidades”, ressalta Flávia Carvalho, gerente da Gerência de Estudos e Programas Sociais (Gepros), responsável pelo programa Direitos Humanos do Sesc São Paulo.

Para Fabiana Bezerra Nogueira, assistente técnica de Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e parceira do Sesc São Paulo no projeto Refúgios Humanos, desenvolvido desde 2016, essas atividades são fundamentais para a ampliação do acesso a diferentes saberes, culturas e epistemologias, especialmente quando envolvem outros setores da sociedade, como ocorre no referido projeto. A iniciativa apresenta aos professores da rede pública de ensino as histórias e as experiências de pessoas refugiadas, com o propósito de promover a comunicação e a convivência no ambiente escolar.

Ao promover o acesso a saberes, culturas e epistemologias diversas – e, sobretudo, ao fazê-lo de forma não hierárquica –, criam-se condições para que o espaço escolar se transforme.

Fabiana Bezerra Nogueira assistente técnica de Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e parceira do Sesc São Paulo no projeto Refúgios Humanos

“Grande parte dos estudantes migrantes internacionais matriculados na rede municipal de ensino são oriundos de países do Sul Global, principalmente da América Latina e da África, sobre os quais recaem estigmas historicamente construídos em torno da pobreza, da violência e do atraso. Esses estigmas prevalecem em nossa sociedade, sustentados por uma lógica eurocêntrica e por estruturas coloniais ainda presentes nas formas de pensar, ensinar e conviver. Ao promover o acesso a saberes, culturas e epistemologias diversas – e, sobretudo, ao fazê-lo de forma não hierárquica –, criam-se condições para que o espaço escolar se transforme. Ele deixa de ser apenas um reprodutor de valores dominantes para se tornar um lugar de escuta, valorização e troca real entre diferentes formas de ser e estar no mundo”, analisa.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre migrações indicam que, nas primeiras décadas do século 21, o número de pessoas que se deslocaram em busca de melhores condições de vida atingiu um dos índices mais altos já registrados na história. Parte dessas pessoas migram em busca de oportunidades econômicas e profissionais, ou mesmo desejando novas experiências.

Mais do que atividades pontuais, trata-se de uma programação contínua que atravessa linguagens artísticas, ações educativas e formativas, sempre buscando garantir o protagonismo das pessoas refugiadas, comprometida em evidenciar a potência dessas pessoas e comunidades.

Flávia Carvalho gerente da Gerência de Estudos e Programas Sociais (Gepros), responsável pelo programa Direitos Humanos do Sesc São Paulo

No entanto, as pessoas em situação de refúgio o fazem para garantir a própria vida. O conceito de “refúgio” se relaciona diretamente ao deslocamento forçado, pois quem deixa o país de origem nessas condições geralmente não dispõe de outra alternativa e enfrenta grandes dificuldades para retornar, mesmo diante do compromisso de diversos acordos internacionais que visam garantir o retorno seguro de refugiados. O medo da morte em contextos de guerra ou catástrofe, bem como o temor de perseguição – política, religiosa, econômica, por orientação sexual ou identidade de gênero – afetam profundamente essas pessoas, colocando suas vidas em risco. Ao solicitar o refúgio em outro país, a pessoa busca por um lugar em que possa estar a salvo dos conflitos, sendo recebida pelo país de destino com todos os direitos humanos assegurados. Contudo, na prática, essa acolhida nem sempre se concretiza da forma esperada. Nesse contexto, instituições como o Sesc São Paulo, o Senac, a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e o Acnur desempenham um papel essencial, oferecendo instrumentos que favorecem a inserção na sociedade brasileira, por meio de atividades e ações socioeducativas e culturais.

no mundo globally en el mundo

dezembro de 1950

december 1950 diciembre de 1950

Criação do Acnur, o Alto Comissariado das Nações

Unidas para Refugiados, em consequência dos deslocamentos provocados pela Segunda Guerra Mundial.

UNHCR, the United Nations High Commissioner for Refugees, is created as a result of the displacement of people caused by World War II.

Creación del Acnur, el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados, como consecuencia de los desplazamientos provocados por la Segunda Guerra Mundial.

janeiro de 1951

january 1951 enero de 1951

O Acnur inicia sua atuação, buscando a proteção adequada de refugiados e solicitantes de refúgio.

UNHCR begins its work, seeking adequate protection for refugees and asylum seekers.

Acnur inicia sus actividades, buscando la protección adecuada de los refugiados y solicitantes de refugio.

1967

O Protocolo de 1967 amplia e consolida as proteções estabelecidas, abrangendo refugiados para além do continente europeu.

The 1967 Protocol expands and consolidates established protections, addressing refugees outside the European continent.

El Protocolo de 1967 amplía y consolida las protecciones establecidas, abarcando refugiados más allá del continente europeo.

no Brasil in Brazil en Brasil

década de 1990 1990s

Milhares de refugiados chegam ao país. Entre eles, muitos angolanos que fogem da guerra civil.

Thousands of refugees arrive in the country, including many Angolans fleeing civil war.

Miles de refugiados llegan al país, entre ellos muchos angoleños que huyen de la guerra civil.

1997

Lei nº 9.474/1997, conhecida como Lei do Refúgio, estabelece as diretrizes para a implementação do Estatuto dos Refugiados no país.

Law No. 9,474/1997, known as the Refugee Law, establishes guidelines for implementing the Refugee Statute in the country.

La Ley n.º 9.474/1997, conocida como Ley de Refugio, establece las directrices para la implementación del Estatuto de los Refugiados en el país.

2017

Lei nº 13.445/2017 garante a possibilidade de a pessoa refugiada trazer a família para viver no Brasil, por meio da concessão de vistos temporários.

Law No. 13,445/2017 guarantees the right for refugees to bring their families to live in Brazil through the granting of temporary visas.

La Ley n.º 13.445/2017 garantiza la posibilidad de que la persona refugiada traiga a su familia a vivir a Brasil, mediante la concesión de visas temporales.

Art. 4º

Ao migrante é garant ida no território nacional, em condiçã o de igualdade com os nacionais, a i nviolabilidade do direito à vida, à liberd ade, à igualdade, à segurança e à propri edade [...].

Migrants are guaranteed, in the natio nal territory, the same rights as nationals, the inviolability of the righ t to life, liberty, equality, security and property [...]

Al migrante se le garantiza en el terr itorio nacional, en condiciones de igualdad con los nacionales, la invio labilidad del derecho a la vida, la libertad, la igualdad, la seguridad y la propiedad [...]

Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, conhecida como a Lei de Migração

Law No. 13,445 of May 24, 2017, known as the Migration Law Ley n.º 13.445, de 24 de mayo de 2017, conocida como Ley de Migración

The start of SESC São Paulo’s work with refugees

Since the 1990s, a period marked by the intensification of economic globalization, profound transformations have been observed in the dynamics of human mobility around the world, including in Brazil, with a significant increase in the number of asylum seekers. Even before Brazilian legislation regulated the matter, SESC São Paulo had already initiated institutional partnerships and programmatic actions aimed at this group.

The starting point occurred at the end of 1995, when Cardinal Dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), then Archbishop of São Paulo, expressed his concerns to SESC São Paulo about the growing number of asylum requests received by Brazil. Dom Paulo emphasized the need for welcoming and expanding the social and cultural support for this group arriving in the country.

Given this scenario, SESC São Paulo established a partnership with the United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR), SENAC São Paulo (National Service for Commercial Apprenticeship/SP) and the Catholic organization Cáritas Archdiocese of São Paulo (Casp). Following initial assistance from Cáritas, refugees were referred to SESC São Paulo, where they had access to the institution’s services and a wide range of socio-educational, artistic, sports and leisure activities, among others, in addition to meals.

“Initially, SESC São Paulo proposed two areas of work: a Portuguese language course for refugees and access to food. At the time, many refugees came from Angola, an African country where Portuguese is spoken. But many people, especially women, despite speaking Portuguese, did not know how to write in that language, hence the importance of the course. We also received many people from Central

America in those years,” recalls Denise Collus, who has a degree in social work and worked for over 20 years at SESC São Paulo, promoting actions for refugees.

Regarding the meals offered at that time at SESC Carmo, a unit located in the city center, Collus emphasizes: “It was an even more important initiative than the Portuguese course, because people could choose when they had lunch, choose what to eat, manage their money, and decide who to sit with for each meal.”

It was the initial chance to re-establish autonomy after the forced exile from their countries of origin. In addition to the SESC São Paulo membership card, refugees received a voucher that gave them a discount on the cost of meals.

Initially, in the 1990s, activities specifically for refugees were concentrated at the Carmo and Consolação units. Gradually, the other units began offering other services and activities aimed at this group.

As Yara Osman, a photographer, pianist and translator born in Syria and a refugee in Brazil since 2016, reflects, “when talking about refugee conditions in Brazil, especially in São Paulo, we should not overlook the experience at SESC São Paulo. It is not just an institution, but a symbolic shelter. From the first contact, its doors open to welcome people in a broad manner. It is possible to participate in workshops, attend performances, and use the common areas, where respect and tranquility are felt. Thus, in the midst of the chaos of a metropolis, an environment is created in which people can exist without fear.”

With respect to socialization and communication, an important milestone was the creation of the Free Internet program in 2001, which offered free internet access. The project provided a space for meeting, long-distance communication, and cultural exchanges.

According to Collus, “when the Free Internet program began, refugees once again had access to music and news from their countries. They lined up to use the computers. This program was a window back into the world. They took over of these spaces.”

SESC São Paulo and its pioneering work to promote access to human rights for all people

SESC São Paulo’s work in welcoming refugees predates the official regulation of the Brazilian State, established only at the end of the 1990s with the enactment of Law No. 9,474/1997, known as the Refugee Law. This work also predates, by many years, the perception of this issue as a central human rights matter, reflecting the institution’s concern and attention to humanitarian issues resulting from conflicts around the world.

Over time, the activities offered at the units have undergone transformations, promoting coexistence among different publics and contributing to raising social awareness of migration crises and their global impacts.

From 2009 onwards, work with refugees took on new dimensions. With the creation of the Identity and Cultural Diversity area, the program consolidated itself as one of the main national actions focused on migration and refugees in the socio-educational and cultural fields.

“At all units, the regular program gives visibility to the stories, cultures and trajectories of those who experience displacement, transforming welcoming into a permanent act of coexistence and learning. More than just sporadic activities, it has become an ongoing program that cuts across artistic languages, educational and training actions, always seeking to ensure the active role of refugees, committed to promoting the potential of these people and communities,” emphasizes Flávia Carvalho, manager at Social Studies and Programs Management (Gepros), responsible for the Human Rights program at SESC São Paulo.

For Fabiana Bezerra Nogueira, technical assistant for Education at the Municipal Department of Education of São Paulo and SESC São Paulo partner in the Human Refuges project, underway since 2016, these activities are fundamental for expanding access to diverse knowledge, cultures and epistemologies, especially when they involve other sectors of society, as is the case in the aforementioned project. The initiative introduces public school teachers to the stories and experiences of refugees, with the goal of promoting communication and coexistence in the school environment.

“A large part of the international migrant students enrolled in the municipal education system come from countries in the global south, mainly Latin America and Africa, which are subject to historically constructed stigmas related to poverty, violence and backwardness. These stigmas prevail in our society, sustained by a Eurocentric logic and colonial structures still present in ways of thinking, teaching and coexisting. By promoting access to diverse knowledge, cultures and epistemologies – and, above all, by doing so in a non-hierarchical manner – conditions are created for the school environment to transform. It ceases to be merely a reproducer of dominant values and becomes a place of listening, appreciation and a real exchange between different ways of living and existing in the world,” she explains.

Data from the United Nations (UN) on migration indicates that, in the first decades of the 21st century, the number of people who left their country in search of better living conditions reached one of the highest rates ever recorded in history. Some of these people migrate in search of economic and professional opportunities, or even looking for new experiences. However, people in refugee situations do so to protect their lives.

The concept of “refuge” is directly related to forced displacement, as those who

leave their country of origin under these conditions generally have no other alternative and face great difficulties in returning, even with the commitment of various international agreements aimed at guaranteeing the safe return of refugees. The fear of death in contexts of war or catastrophe, as well as the fear of persecution – political, religious, economic, or due to sexual orientation or gender identity – deeply affect these people, putting their lives at risk.

When requesting refuge in another country, a person seeks a place where they can be safe from conflict, and being received by the destination country with all human rights guaranteed. However, in practice, this welcome does not always materialize as expected.

In this context, institutions such as SESC São Paulo, SENAC, Cáritas Archdiocese of São Paulo and UNHCR play an essential role, offering tools that promote integration into Brazilian society through socio-educational and cultural activities and actions.

El inicio de las acciones del Sesc

São Paulo junto a personas refugiadas

Desde la década de 1990, marcada por la intensificación de la globalización económica, se observan transformaciones profundas en la dinámica de la movilidad humana en todo el mundo, incluso en Brasil, con un aumento significativo en el número de solicitantes de refugio. Antes incluso de que la legislación brasileña reglamentara el tema, el Sesc São Paulo ya había iniciado sus alianzas institucionales y acciones programáticas dirigidas a este público.

El punto de partida tuvo lugar a finales de 1995, cuando el cardenal Don Paulo Evaristo Arns (1921-2016), entonces arzobispo de São Paulo, manifestó al Sesc São Paulo su preocupación por el creciente número de solicitudes de refugio recibidas por Brasil. Don Paulo destacaba la necesidad de brindar acogimiento y de ampliar el apoyo social y cultural destinado a este grupo que llegaba al país.

Ante este escenario, el Sesc São Paulo estableció una alianza con el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para Refugiados (Acnur), el Senac São Paulo (Servicio Nacional de Aprendizaje Comercial/SP) y la entidad católica Cáritas Arquidiócesis de São Paulo (Casp). Tras la atención inicial brindada por Cáritas, las personas refugiadas eran derivadas al Sesc São Paulo, donde tenían acceso a los servicios de la institución y a una amplia oferta de actividades socioeducativas, artísticas, deportivas, de recreación y alimentación, entre otras.

“El Sesc São Paulo propone, en este inicio, dos frentes de trabajo: el curso de lengua portuguesa para personas refugiadas y el acceso a la alimentación.” En ese momento, muchos refugiados procedían de Angola, país africano donde se habla portugués. Pero muchas personas, sobre todo las mujeres, aunque hablaban portugués, no sabían escribir en este idioma, de ahí la importancia del curso. “Recibimos también a muchas personas de América Central en aquellos años”, recuerda Denise Collus, formada en trabajo social y quien trabajó por más de 20 años en el Sesc São Paulo en acciones relacionadas con personas en situación de refugio.

Sobre la oferta de alimentación, realizada en aquel momento por el Sesc Carmo, unidad ubicada en el centro de la ciudad, Collus destaca: “Fue una iniciativa aún más importante que el curso de portugués, porque las personas podían elegir el horario en que almorzaban, escoger qué comer, administrar

su dinero y decidir con quién sentarse a la hora de la comida.” Era la posibilidad inicial de restablecer la autonomía tras la salida forzada de sus países de origen. Además de la credencial del Sesc São Paulo, las personas refugiadas recibían una tarjeta de alimentación que les garantizaba un descuento en el valor de las comidas.

Inicialmente, en la década de 1990, las actividades específicas para las personas en situación de refugio se concentraban en las unidades Carmo y Consolação. Fue de manera gradual que las demás unidades comenzaron a ofrecer otros servicios y actividades destinados a este público.

Como reflexiona Yara Osman, fotógrafa, pianista y traductora nacida en Siria y refugiada en Brasil desde 2016, “al hablar sobre las condiciones de refugio en Brasil, especialmente en São Paulo, no debemos ignorar la experiencia con el Sesc São Paulo. No se trata únicamente de una institución, sino de un refugio simbólico. Desde el primer contacto, sus puertas se abren para ofrecer un amplio acogimiento. Es posible participar en talleres, asistir a presentaciones y permanecer en los espacios de convivencia, donde se respira respeto y tranquilidad. “Así se crea, en medio del caos de una metrópoli, un ambiente en el que las personas pueden existir sin miedo”.

Desde el punto de vista de la socialización y la comunicación, un hito importante fue la creación, en 2001, del programa Internet Livre (Internet Libre), que ofrecía acceso gratuito a internet. El proyecto se convirtió en un espacio de encuentro, comunicación a distancia e intercambio cultural. Según Collus, “cuando comenzó el programa, las personas refugiadas recuperaron el acceso a la música y a las noticias de sus países. Hacían cola para usar las computadoras. Ese programa fue una ventana de regreso al mundo. “Ellas se apropiaron de esos espacios”.

El Sesc São Paulo y el pionerismo en el trabajo para promover el acceso a los derechos humanos para todas las personas

La labor del Sesc São Paulo en el acogimiento de personas refugiadas antecede la reglamentación oficial promovida por el Estado brasileño, establecida únicamente a finales de la década de 1990 con la promulgación de la Ley n.º 9.474/1997, conocida como Ley de Refugio. Esa labor también precede, por muchos años, la comprensión de este tema como una cuestión central de los derechos humanos, lo que enfatiza la preocupación y la atención de la institución ante situaciones humanitarias derivadas de conflictos en el mundo.

Con el paso del tiempo, las actividades ofrecidas en las unidades fueron transformándose, promoviendo la convivencia entre diferentes públicos y contribuyendo a sensibilizar a la sociedad respecto a las crisis migratorias y sus impactos globales.

A partir de 2009, el trabajo con personas refugiadas adquiere nuevos contornos.

Con la creación del área de Identidad y Diversidad Cultural, el programa se consolida como una de las principales acciones nacionales orientadas a las migraciones y al refugio en los campos socioeducativo y cultural.

“En todas las unidades, las programaciones regulares dan visibilidad a las historias, culturas y trayectorias de quienes experimentan el desplazamiento, transformando el acogimiento en un acto permanente de convivencia y aprendizaje. Más que actividades

puntuales, se trata de una programación continua que atraviesa lenguajes artísticos, acciones educativas y formativas, buscando siempre garantizar el protagonismo de las personas refugiadas y comprometiéndose a destacar la potencia de estas personas y comunidades”, señala Flávia Carvalho, gerente de la Gerencia de Estudios y Programas Sociales (Gepros), responsable del programa de Derechos Humanos del Sesc São Paulo.

Según Fabiana Bezerra Nogueira, asistente técnica de Educación de la Secretaría Municipal de Educación de São Paulo y aliada del Sesc São Paulo en el proyecto Refugios Humanos, desarrollado desde 2016, estas actividades son fundamentales para ampliar el acceso a diferentes saberes, culturas y epistemologías, especialmente cuando involucran a otros sectores de la sociedad, como ocurre en dicho proyecto. La iniciativa presenta a los docentes de la red pública de enseñanza las historias y experiencias de personas refugiadas, con el propósito de promover la comunicación y la convivencia en el entorno escolar.

“Gran parte de los estudiantes migrantes internacionales matriculados en la red municipal de enseñanza proceden de países del sur global, principalmente de América Latina y África, sobre los cuales recaen estigmas construidos en torno a la pobreza, la violencia y el atraso. Estos estigmas prevalecen en nuestra sociedad, sustentados por una lógica eurocéntrica y por estructuras coloniales aún presentes en las formas de pensar, enseñar y convivir. Al promover el acceso a conocimientos, culturas y epistemologías diversas y, sobre todo, al hacerlo de forma no jerárquica, se crean las condiciones para que el espacio escolar se transforme. Deja de ser solo un reproductor de valores dominantes para convertirse en un lugar de escucha, valoración e intercambio real entre diferentes formas de ser y estar en el mundo”, reflexiona.

Datos de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) sobre migraciones indican que, en las primeras décadas del siglo XXI, el número de personas que se desplazaron en busca de mejores condiciones de vida alcanzó uno de los índices más altos registrados en la historia. Parte de estas personas migra en busca de oportunidades económicas y profesionales, o incluso deseando nuevas experiencias. No obstante, quienes se encuentran en situación de refugio lo hacen para garantizar su propia vida. El concepto de “refugio” se relaciona directamente con el desplazamiento forzado, ya que quienes dejan su país de origen en estas condiciones generalmente no cuentan con otra alternativa y enfrentan grandes dificultades para regresar, incluso ante el compromiso de diversos acuerdos internacionales que buscan garantizar el retorno seguro de las personas refugiadas. El miedo a la muerte en contextos de guerra o de catástrofe, así como el temor a la persecución – política, religiosa, económica, por orientación sexual o identidad de género – afectan profundamente a estas personas, poniendo en riesgo sus vidas.

Al solicitar refugio en otro país, la persona busca un lugar donde pueda estar a salvo de los conflictos, siendo recibida por el país de destino con todos los derechos humanos garantizados. Sin embargo, en la práctica, esa acogida no siempre se concreta de la manera esperada.

En este contexto, instituciones como Sesc São Paulo, Senac, Cáritas Arquidiócesis de São Paulo y Acnur desempeñan un papel esencial, ofreciendo instrumentos que favorecen la inserción en la sociedad brasileña por medio de actividades y acciones socioeducativas y culturales.

refugiados refugees

Pessoas que estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados.

People who are outside their country of origin due to well-founded fears of persecution related to race, religion, nationality, membership in a particular social group, or political opinion, as well as due to serious and widespread human rights violations and armed conflicts.

Personas que se encuentran fuera de su país de origen debido a temores fundados de persecución relacionados con cuestiones de raza, religión, nacionalidad, pertenencia a un determinado grupo social u opinión política, así como debido a graves y generalizadas violaciones de derechos humanos y a conflictos armados.

43,7 milhões

43.7 million

43.7 millones

Número de refugiados em todo o mundo (dados de junho de 2024).

People who were refugees worldwide, as in June of 2024. Personas refugiadas en todo el mundo, en junio de 2024.

Fonte: Acnur • Source: UNHCR • Fuente: Acnur

actions acciones

Durante os 30 anos de atuação junto a pessoas em situação de refúgio e migração, o Sesc São Paulo seguiu consolidando seu trabalho por meio de diversas ações que, simultaneamente, buscam evidenciar as desigualdades estruturais que atravessam os processos migratórios. A instituição reconhece que o deslocamento forçado é permeado por sistemas de violência, racismo, xenofobia, patriarcado e desigualdade econômica, e compreende que o fortalecimento de uma cultura de acolhimento requer o enfrentamento de estereótipos, a correção de equívocos históricos e a promoção de debates qualificados sobre as causas e as consequências da migração.

Com esse propósito, as programações educativas e culturais, as rodas de conversa, as formações de educadores, bem como as ações artísticas e mediadas, têm se configurado como espaços de expressão e protagonismo, nos quais as próprias pessoas refugiadas e migrantes assumem o papel de produtoras de narrativas, compartilhando reflexões, memórias e reivindicações.

Nesse percurso, conforme destaca João Doescher, técnico da área de Direitos Humanos, Refúgio e Migração da Gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc São Paulo, “o Sesc São Paulo reafirma o compromisso de possibilitar a ocupação de espaços de convivência e o intercâmbio de manifestações culturais, reconhecendo as potências dos grupos que vivenciam processos de deslocamento. As ações desenvolvidas vão além do acolhimento e promovem encontros que geram pertencimento, transformando percepções no tecido social”.

Projetos e ações permanentes

voltados

às pessoas refugiadas e migrantes

Curso de Português como Língua Estrangeira

A primeira turma do curso foi realizada em 1996, após a efetivação da parceria entre o Sesc São Paulo, o Acnur, o Senac São Paulo e a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo. Ao longo dos anos de atuação junto a pessoas em situação de refúgio, essa iniciativa consolidou-se como uma das ações mais relevantes da instituição.

Pessoas refugiadas e migrantes aprendem a língua portuguesa e os hábitos da cultura brasileira durante o Curso de Português como Língua Estrangeira

O curso possui uma proposta curricular estruturada com base na educação formal, com conteúdos organizados em material didático e emissão de certificado para os participantes que comparecem a, no mínimo, 70% das aulas. No entanto, mais do que uma formação acadêmica, o curso concretiza-se como uma ação voltada à inserção social das pessoas participantes, por meio da prática da língua portuguesa e da promoção do convívio, da troca e do diálogo entre todos. Além de abordar as noções básicas da língua, o curso apresenta também aspectos culturais, hábitos e costumes da sociedade brasileira. Quando chegou ao Brasil, o refugiado Esmatullah Mohsini permaneceu por dois

meses no Aeroporto de Guarulhos, sem ter para onde ir. Com o Talibã no poder, o jovem afegão de 18 anos obteve um visto humanitário e chegou sozinho ao país em novembro de 2022. No início de sua estadia, a comunicação era feita por meio de um aplicativo de tradução, uma vez que ele não falava inglês nem português. Após aprender o básico do idioma com o casal que o acolheu, Esmatullah ingressou no Curso de Português promovido pelo Sesc São Paulo.

“Fui alfabetizado pela minha mãe brasileira, que procurou ajuda na internet e descobriu esse projeto. O primeiro curso eu fiz on-line e, depois, refiz presencialmente”, relembra. Para ele, a experiência foi determinante em seu processo de adaptação.

“Primeiro, descobri que eu não estava sozinho, depois fui me soltando e conseguindo me comunicar. Foi um desafio muito grande fazer o curso on-line, mas minha mãe fez todas as aulas comigo. Presencialmente foi melhor, porque conheci outros afegãos que me ajudaram também.” Gradualmente,

Esmatullah conseguiu desenvolver sua marca de bolsas artesanais e passou a participar de outros projetos do Sesc São Paulo, como o Sabores em Refúgio.

De acordo com Evander Veríssimo, assistente social da Secretaria de Emprego, Trabalho e Renda da Prefeitura de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, a parceria entre o Sesc São Paulo e o poder público tem sido fundamental para sensibilizar gestores, trabalhadores e a sociedade em geral sobre os direitos da população migrante. No município, o Curso de Português como Língua Estrangeira tornou-se referência, com mais de 16 turmas realizadas e cerca de 320 participantes. “Essa união de esforços garante não apenas o acesso à língua portuguesa, mas também a ampliação de oportunidades de inclusão social, cultural e profissional na cidade de Osasco”, afirma. Ele relembra ainda momentos marcantes, como o caso de Ablerette Joseph, cidadã haitiana que participou do curso em 2020 e, no ano seguinte, passou a trabalhar como atendente na Secretaria de Emprego, atuando diretamente no apoio a outros migrantes em seu processo de integração. Até o ano de 2025, mais de 5 mil pessoas refugiadas participaram das aulas do curso em todo o estado de São Paulo. A iniciativa tem como objetivos minimizar as dificuldades associadas à migração forçada, contribuir para a integração de diferentes grupos de refugiados, sensibilizar as comunidades que os recebem quanto à convivência e ao acolhimento, além de colaborar com outras instituições que atuam na mesma área. Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, foi criada a versão on-line do curso, permitindo que as pessoas pudessem estudar mesmo durante o isolamento social.

Embora o curso seja voltado prioritariamente a pessoas em situação de refúgio, em algumas ocasiões ele é também oferecido a migrantes em desproteção social. Desde a implementação do projeto, as inscrições são realizadas a partir do encaminhamento das pessoas refugiadas atendidas pela Cáritas e outros parceiros.

Orquestra Mundana

Refugi

Coletivo musical formado por artistas de diferentes países, origens e tradições culturais, cujo propósito é promover o encontro entre sons, histórias e identidades diversas. O grupo reúne músicos refugiados, migrantes e brasileiros, desenvolvendo uma proposta artística que valoriza a convivência e o diálogo intercultural por meio da música. Seu repertório inclui canções tradicionais de diversas regiões do mundo, reinterpretadas em arranjos coletivos que combinam instrumentos e ritmos de diferentes territórios, resultando em uma sonoridade singular, símbolo da convivência possível entre povos. Além das apresentações, o coletivo realiza ações educativas e sociais, reafirmando a arte como instrumento de acolhimento, escuta e celebração da diversidade.

A trajetória da Orquestra Mundana teve início em 2002, ainda sem a denominação atual, embora sua semente já pudesse ser observada em projetos realizados pelo multi-instrumentista Carlinhos Antunes no Sesc São Paulo, no final da década de 1990. “Um deles se intitulou São Paulo de Todos os Povos. Reuni músicos de várias partes: Espanha, Japão, Líbano, França, Guiné, além de pessoas de várias regiões do Brasil. Outro projeto foi o Lorca na Rua, que trouxe para São Paulo músicos do mundo flamenco e do mundo árabe. Esses foram os embriões da Orquestra Mundana”, recorda Carlinhos, maestro e diretor musical do coletivo.

Inicialmente, para integrar a Orquestra, era necessário não apenas ser músico, mas

também possuir conhecimento e apreço pela diversidade e pelas culturas do mundo. O núcleo fixo da Orquestra permanecia em São Paulo, composto por brasileiros, um cubano e um libanês, com convites periódicos a artistas de outros países.

Em 2017, foi realizado no Sesc São Paulo o Projeto Refugi, em celebração aos 15 anos da Orquestra Mundana, integrando palestras, oficinas e ensaios abertos, envolvendo não apenas músicos, mas também especialistas na temática do refúgio, entidades de acolhimento e pessoas em situação de refúgio. “Todas as pessoas refugiadas ou migrantes que cantassem ou tocassem algum instrumento podiam fazer parte de um espetáculo que seria gravado e filmado. A ideia era cada integrante ser porta-voz da própria cultura e

da cultura dos companheiros da orquestra, um acolhimento coletivo”, explica Carlinhos. Esse projeto consolidou o novo nome do coletivo, que passou a ser conhecido como Orquestra Mundana Refugi. Se “Mundana” remete à ideia de alguém que percorre o mundo e acumula conhecimentos, “Refugi” expressa a integração de refugiados e migrantes, sendo o “i” final um símbolo dessa conexão.

O cantor e compositor Leonardo Matumona, natural do Congo, integrante do grupo Os Escolhidos e da Orquestra Mundana Refugi, compartilha a trajetória da própria orquestra: “Sempre cantei. Comecei muito cedo, por conta do incentivo dos meus pais. E me lembro de vários momentos felizes que a música me proporcionou. Aos 11 anos, no grupo coral da igreja, um desses momentos

me marcou demais. Eu imitava o regente durante os ensaios e, numa tarde musical, o diretor técnico decidiu que eu seria o regente do coro naquela tarde. Tudo começou ali”. Desde sua fundação, a Orquestra Mundana Refugi produziu quatro álbuns, sendo um deles lançado pelo Selo Sesc, além de participar de projetos de outros artistas e de grandes festivais. O coletivo também recebeu reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à integração cultural de pessoas em situação de refúgio e migração.

Em 2025, o grupo é composto por 22 músicos provenientes de países diversos, como Síria, Palestina, Líbano, China, Venezuela, Cuba, Congo, Guiné, Irã e França, além de convidados de outras nacionalidades.

Apresentação da Orquestra Mundana Refugi, em 2023, no Sesc 14 Bis

Sabores em Refúgio

Cozinhar transcende a técnica culinária: constitui um ato profundamente conectado às trajetórias de vida de cada indivíduo. Para a refugiada haitiana Ginette Cadet, a memória remete ao seu país natal e à convivência com a mãe: “Uma das memórias mais felizes é de quando eu cozinhava arroz e molho de quiabo no Haiti, porque essa é uma receita que aprendi com a minha mãe”, recorda. Muito mais do que ensinar técnicas culinárias, o projeto Sabores em Refúgio, criado em 2014, foi concebido como espaço de convivência e intercâmbio cultural, a partir da gastronomia e dos relatos de experiência de pessoas em situação de refúgio no Brasil. A iniciativa possibilita a partilha entre pessoas refugiadas, estudantes e professores de gastronomia. A ação é realizada em parceria entre o Sesc São Paulo e o Senac de Osasco, na região metropolitana da capital paulista,

contando com o apoio da Cáritas, do Acnur e da Secretaria de Emprego, Trabalho e Renda da Prefeitura de Osasco, responsável pelo mapeamento das pessoas em situação de refúgio na região.

Ginette participou do Sabores em Refúgio em 2024, quase seis anos após sua chegada ao Brasil. “Depois do recebimento do visto, eu comprei a passagem para o Brasil, no mês de setembro de 2018. Felizmente, não enfrentei muitos desafios na chegada, porque meu esposo já estava aqui”, relata. Durante sua participação no projeto, adquiriu novas receitas e compartilhou suas experiências com os demais participantes. “Foi um prazer participar do programa, porque eu aprendi muita coisa e compartilhei algumas coisas também”, acrescenta. O curso contempla boas práticas na cozinha, planejamento de lista de compras, elaboração de ficha técnica dos alimentos e promove a convivência entre pessoas de diversas nacionalidades. Na edição de 2024, participaram pessoas refugiadas provenientes do Congo, da Colômbia, do Afeganistão, do Haiti, da Venezuela, da República Dominicana e do Irã.

Refúgios

Humanos

Com a intenção de promover um acolhimento mais sensível e inclusivo no contexto escolar, fortalecendo vínculos e estimulando a convivência entre todos, foi criado em 2016 o projeto Refúgios Humanos, realizado pelo Sesc São Paulo em parceria com a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo, com apoio e participação do Acnur.

O ciclo formativo oferece 45 horas de capacitação a professores do Ensino Fundamental da rede pública municipal, abrangendo diferentes regiões da cidade por meio das Diretorias Regionais de Educação, e já envolveu mais de 3 mil educadores.

Com uma média de 12 palestrantes por período de formação, os encontros abordam a temática do refúgio e a ampla diversidade de experiências de pessoas refugiadas, buscando, simultaneamente, dialogar com as demandas concretas do cotidiano escolar,

dos educadores e das comunidades, também marcadas pela pluralidade. A atividade ocorre por meio da troca de experiências entre pessoas refugiadas e profissionais do Acnur, em um processo dialógico e formativo.

A metodologia do projeto prevê o convite aos professores participantes para que, em sala de aula e no ambiente escolar, compartilhem as reflexões desenvolvidas ao longo da formação, favorecendo a acolhida e a integração de crianças refugiadas nas escolas.

De acordo com Davide Torzilli, representante da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) no Brasil, “essa formação tem refletido em iniciativas que buscam entender o contexto de cada criança e adolescente não brasileiro nas escolas municipais, acolher a eles e às suas famílias e transformar as escolas em um ambiente de convivência pacífica, inclusiva e livre de preconceitos”.

As ações do projeto Refúgios Humanos destacam-se tanto pela qualidade do conteúdo desenvolvido quanto pelo interesse despertado entre os professores da rede municipal. O projeto tem como propósito sensibilizar e capacitar educadores para que aprimorem o acolhimento de crianças de diferentes nacionalidades,

Refúgios Humanos no Sesc Campo Limpo
Evento de degustação do Sabores em Refúgio no Sesc Osasco

considerando suas trajetórias, culturas e experiências de vida. As formações propõem uma abordagem participativa que valoriza a presença e a contribuição das próprias pessoas refugiadas, ampliando o diálogo intercultural e fortalecendo a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e sensíveis à diversidade. Para a pesquisadora e mediadora Eda Nagayama, “os momentos mais gratificantes do projeto são sempre quando testemunho nos participantes a descoberta da realidade do deslocamento forçado: a empatia, a profunda compreensão diante do sofrimento e da dificuldade daquele que narra sua experiência. Uma vez que sabemos, não é possível deixar de saber”.

O contato direto com a realidade das pessoas refugiadas também é um dos aspectos mais significativos do projeto, conforme destaca Fabiana Bezerra Nogueira, assistente técnica de Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo: “A aproximação com as experiências concretas desses sujeitos possibilita a quebra de estereótipos e preconceitos muitas vezes naturalizados no ambiente escolar e na sociedade. Ao ouvir suas histórias, trajetórias e desafios, educadoras e

educadores são convidados a repensar suas próprias práticas e visões de mundo. O curso também abre espaço para uma reflexão sobre as migrações contemporâneas a partir dos próprios sujeitos migrantes. Esse processo contribui para ampliar a compreensão das diferentes realidades culturais, sociais e linguísticas dos estudantes migrantes e de suas famílias, promovendo o respeito à diversidade e a inclusão no ambiente escolar de maneira mais qualificada”.

Na prática, o projeto viabiliza ações simples, mas de grande impacto, como a tradução de bilhetes enviados às famílias ou a adoção de uma linguagem escrita mais acessível, de modo a facilitar a comunicação com quem ainda não domina plenamente a língua portuguesa. Pequenas atitudes podem parecer simples, mas são elas que criam pontes de diálogo e ajudam a vencer as barreiras da língua. Além disso, incluir novos temas e referências nos currículos é essencial para reconhecer e valorizar as culturas e os povos que agora fazem parte das escolas. Esse projeto só se torna possível graças à atuação conjunta do Sesc São Paulo, do Acnur e da Secretaria Municipal de Educação no fortalecimento do projeto.

Culturas em Trânsito

O projeto em rede, realizado de forma simultânea em diversas unidades do Sesc São Paulo, tem como objetivo promover o protagonismo de pessoas que vivenciam condições de deslocamento forçado, compartilhando saberes, histórias e valores por meio da representatividade de cada participante.

Entre as trajetórias que ilustram o sentido da iniciativa, destaca-se a da educadora Leonor Solano, que chegou ao Brasil no

final de 2002, oriunda da Colômbia, após enfrentar ameaças e episódios de violência em seu país de origem. No Brasil, Leonor vivenciou os desafios relacionados à integração, como a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, a responsabilidade quase exclusiva pela criação de suas filhas, e a adaptação à nova língua e à nova cultura. No Sesc São Paulo, encontrou não apenas um espaço seguro, mas também oportunidades de atuação profissional. “O Sesc valoriza a participação da pessoa refugiada em diversas atividades e a remunera como um trabalho. Esse elemento tem sido fundamental, pois devolve a dignidade às pessoas, reconhece o seu valor, a sua capacidade, e contribui significativamente para a sua autoestima”, ressalta Leonor.

Refúgios Humanos no Sesc Pinheiros
do Culturas em Trânsito no Sesc Santana

Sons do Refúgio

O projeto celebra a potência da música como linguagem universal, capaz de expressar memórias, resistências e esperanças de pessoas em situação de refúgio e migração. A partir de uma série audiovisual com dez episódios dirigida por Pablo Francischelli, produzida e exibida pelo SescTV, e posteriormente do álbum homônimo lançado pelo Selo Sesc, a iniciativa dá voz a artistas de diferentes origens que encontraram na arte um caminho de reconstrução e pertencimento no Brasil. Mais do que reunir performances, o projeto propõe um encontro entre culturas, trajetórias e sonoridades, reafirmando o compromisso do Sesc São Paulo com a valorização da diversidade e com o fortalecimento do

diálogo como instrumento de convivência e de transformação social.

“Minha lembrança mais feliz da infância é de quando eu cantava com o meu pai e os amigos dele. Nossa casa, na Síria, era quase um centro cultural, sempre cheia de amigos. Foi nesse clima que eu cresci. Meu pai me ensinou a cantar e a primeira vez que cantei com ele eu tinha pouco mais de quatro anos”, declara a cantora e atriz Oula Alsaghir, que preserva a memória de seu país natal e de seu pai, que tocava alaúde. De origem palestina, Oula deixou a Síria em razão da guerra que teve início em 2011. Primeiro, seguiu para o Egito e, em 2015, mudou-se para o Brasil.

Em meio aos traumas do deslocamento, da hostilidade e do preconceito, a obra entrelaça letras e melodias que inspiram esperança e confiança no futuro, evidenciando também as conexões dessas pessoas com outros projetos do Sesc São Paulo.

No episódio sobre Oula, o público acompanha seu reencontro com a música, ocorrido algum tempo após sua chegada ao Brasil. Inspirada por um professor de origem libanesa, ela foi motivada a retomar o canto, prática que transformaria novamente sua vida.

Em sua terra natal, Oula atuou por mais de dez anos na área de marketing em uma empresa agrícola. Contudo, ao chegar ao Brasil sem o domínio da língua portuguesa, precisou reinventar sua trajetória. Foi pela música que estabeleceu o primeiro contato com o Sesc São Paulo, inicialmente por meio da Orquestra Mundana Refugi. Depois, participou do projeto Refúgios Humanos, que, segundo ela, foi decisivo para sua integração à sociedade brasileira. “O projeto me auxiliou muito na comunicação com os meus filhos e com a escola deles. Antes, eu tinha vergonha porque não falava bem a língua portuguesa, tinha vergonha de ir à escola onde meus filhos estudam e falar com a professora, pensava que ela não ia me entender. Mas tudo mudou quando fui convidada para fazer uma palestra no projeto Refúgios Humanos.

A série completa está disponível em O álbum pode

Uma das professoras do meu filho estava na plateia. Primeiro, fiquei com muito medo, mas a professora entendeu as dificuldades que as famílias das crianças refugiadas enfrentam no contato com as escolas. Pouco a pouco, a situação melhorou muito. Essa professora falou sobre mim para a diretora, e me convidaram para fazer uma palestra na escola. Contei minha história, a travessia do meu país para o Brasil, e quando meu filho me viu falando com orgulho, ele se transformou também: parou de ter vergonha de dizer que fala outro idioma, que come outras comidas, que escuta outras músicas”.

Outros episódios da série apresentam artistas como a cantora e compositora Anaïs Sylla, de ascendência senegalesa e francesa; as irmãs bolivianas que formam o grupo Santa Mala; o cubano Pedro Bandeira; e Guipson Pierre, natural de Porto Príncipe, entre outros.

Um ano após o lançamento da série audiovisual, o projeto resultou em um álbum musical lançado pelo Selo Sesc. O disco reúne faixas de artistas em situação de refúgio, migrantes internacionais e apátridas, como o congolês Zola Star, radicado no Brasil desde 1993; a iraniana Mah Mooni, que veio ao país em busca de liberdade para expressar sua arte; e a cantora e compositora Fanta Konatê, cuja principal referência é seu pai, o mestre percussionista Famoudú Konatê, primeiro solista do Balé Nacional da Guiné-Conacri. O álbum conta ainda com a participação de artistas provenientes da Bolívia, de Cuba, do Senegal, do Togo e do Haiti, consolidando um mosaico sonoro de diversidade e resistência.

Evento de lançamento da série Sons do Refugio no Sesc Carmo

Direitos Humanos para Todas as Pessoas

Com o objetivo de fomentar reflexões sobre os aspectos formais dos direitos humanos e sua efetivação na realidade social, o projeto Direitos Humanos para Todas as Pessoas foi criado em 2022. A partir de atividades que abrangem feiras, intervenções artísticas, espetáculos cênicos e literários, além de debates temáticos, a iniciativa contribui para a discussão acerca dos desafios de transformar declarações, estatutos, convenções e legislações em garantias concretas de dignidade humana para todas as pessoas, incluindo aquelas em situação de refúgio.

O projeto vem sendo realizado em rede, com diversas unidades do Sesc no estado de São Paulo promovendo simultaneamente ações temáticas. Ao longo dos anos, diferentes temáticas já receberam destaque, entre elas a injustiça social e a violência, as relações entre direitos humanos e o pensamento social brasileiro, e os caminhos necessários para traduzir a palavra em ação.

“O Brasil é um país formado por diferentes povos, culturas e histórias de migração. Ignorar a pauta migratória seria ignorar a própria identidade do país e também as contribuições fundamentais que migrantes e refugiados trazem para a economia, a cultura e o fortalecimento da democracia. Pensar o Brasil sem migrantes é apagar parte essencial de sua construção social e campo intelectual”, afirma Benazira Djoco, migrante da

Guiné-Bissau e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável do governo federal brasileiro.

Benazira chegou ao Brasil ainda jovem, em busca de melhores oportunidades de vida e estudo, e já possuía algum conhecimento sobre a cultura nacional por meio da leitura de clássicos da literatura, como obras de Machado de Assis e Cecília Meireles. Em 2025, participou do projeto Direitos Humanos para Todas as Pessoas: “Esse evento foi fundamental porque reafirmou a centralidade dos direitos humanos como valor universal e inegociável. Discutir o refúgio e a migração em um espaço como o Sesc

significa trazer visibilidade a temas muitas vezes invisibilizados na sociedade, além de fortalecer a luta coletiva por dignidade, justiça e acolhimento para todos”.

Na edição de 2025, a temática abordou a criação de redes colaborativas que facilitam o trabalho conjunto entre indivíduos, organizações, coletivos, movimentos sociais, lideranças comunitárias e instituições, com o objetivo de compartilhar saberes, gerar conhecimento e alcançar metas comuns. Ao todo, 37 unidades fizeram parte do projeto, que contou com a presença de nomes como o ativista indígena Ailton Krenak, o padre Júlio Lancellotti e a pesquisadora Carla

Akotirene, militante do feminismo negro no Brasil.

“A expectativa é que o Brasil avance em políticas públicas que garantam não apenas a acolhida, mas também a integração plena dessas pessoas, com acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à participação social. O maior desafio é superar o preconceito, a xenofobia e as barreiras burocráticas que ainda impedem os refugiados de exercerem seus direitos de forma integral”, assegura Benazira. Ao promover o debate e incentivar a troca de experiências sobre o tema, o Sesc São Paulo reafirma seu papel de destaque na transformação social.

Edição de 2025 do projeto Direitos Humanos para Todas as Pessoas com o padre Júlio Lancellotti e a chef de cozinha Cintia Sanchez, realizado no Sesc 14 Bis

Refúgios Humanos para Profissionais da Saúde

Com o objetivo de sensibilizar médicos, terapeutas ocupacionais, atendentes, enfermeiros, agentes de saúde e outros profissionais, o projeto foi idealizado e realizado pela primeira vez em 2023, por meio de uma parceria entre o Sesc Carmo e a Supervisão de Saúde Sé, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, na região central da cidade.

“O principal desafio é articular saúde, migração e direitos humanos em um mesmo campo de cuidado. Isso exige enfrentar barreiras linguísticas, raciais e culturais, além de sensibilizar profissionais para práticas livres de xenofobia, racismo e LGBT+fobia”, ressalta Rocío Bravo Shuña, assessora na Gerência de Relações Institucionais do Conselho Federal de Psicologia e doutora em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).

Migrante indígena andina que vive no Brasil há mais de 13 anos, Rocío possui uma trajetória marcada por barreiras burocráticas, episódios de xenofobia e racismo, mas também fortalecida por redes de afeto. “Essa vivência inspirou minha tese de doutorado na USP, na qual analisei o cuidado em saúde como exercício de direito para mulheres migrantes usuárias do SUS”, afirma. Para ela, participar da curadoria da ação “reafirmou a importância de trazer nossa experiência de vida como parte constitutiva da metodologia do projeto”, cujo propósito é refletir sobre temas relacionados à situação de refúgio, incluindo acesso a direitos, deveres e serviços públicos; respeito à diversidade e à interculturalidade; compromisso com inclusão e equidade; e análise das dificuldades

e possibilidades de acesso aos serviços de saúde por parte dessa população.

Uma das experiências mais significativas relatadas por Rocío foi “escutar os relatos compartilhados pelas pessoas migrantes nas rodas de conversa, nas quais demonstraram como o cuidado em saúde se conecta a outros direitos, como moradia, educação e trabalho. Muitas vezes, o posto de saúde é a primeira porta de entrada dessas pessoas ao SUS e, consequentemente, aos seus direitos no país. Também foi significativo ver profissionais refletindo sobre seus próprios preconceitos e ampliando sua prática para um atendimento mais humanizado. Esses espaços mostraram como a articulação institucional pode criar refúgios de aprendizagem coletiva e transformação social”.

Durante a segunda edição do projeto, em 2024, foram discutidas questões como xenofobia, racismo, barreiras culturais além da língua, do gênero e da raça, e a importância de processos de escuta e compartilhamento de ações bem-sucedidas em atendimentos de saúde voltados a pessoas em situação de refúgio e migrantes, contribuindo para a difusão de boas práticas. Para Luciana Carvalho da Silva, analista da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, as principais dificuldades no atendimento a pessoas refugiadas relacionam-se “a questões estruturais, especialmente ao tempo de atendimento, que não considera vulnerabilidades, além de barreiras comunicacionais. Contudo, o principal desafio é manter o empenho dos profissionais da gestão para atuarem na organização, na sensibilização e na divulgação das formações”, conclui.

Atividade do Refúgios Humanos para Profissionais da Saúde no Sesc Carmo

Entre 2015 e 2024, o Brasil recebeu: Between 2015 and 2024, Brazil received: Entre 2015 y 2024, Brasil recibió:

454.165 pedidos de reconhecimento da c ondição de refugiado requests for recognition of refugee status pedidos de reconocimiento de la condición de refugiado

175 quantidade de países dos quais a s solicitações de refúgio vieram countries from which asylum requests came número de países de los que proceden las solicitudes de asilo

82% do total de solicitações foram de v enezuelanos, cubanos, haitianos e angolanos, os que mai s solicitaram refúgio no País of total request were from Venezuelans, Cubans, Haitia ns and Angolans, the populations that most requested refuge del total de solicitudes fueron de venezolanos, cubanos, haitianos y angoleños, quienes más solicitaron refugio en el país

Fonte • Source • Fuente: Observatório das Migrações Internacionais/Ministério da Justiça e Segurança Pública

Outras ações

Expressões do Refúgio

Exposição de fotografias produzidas por pessoas refugiadas em diversos pontos da cidade de São Paulo, como a Avenida Paulista e o Parque do Ibirapuera. A mostra foi apresentada no Sesc Carmo, localizado no centro de São Paulo, durante o ano de 2006.

Copa dos Refugiados

Realizada desde 2014, a Copa dos Refugiados reuniu centenas de jogadores de futebol em 16 seleções, representando países como Angola, Benin, Camarões, Colômbia, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, República da Guiné, Iraque, Mali, Marrocos, Nigéria, Congo, Síria, Tanzânia e Togo. Em 2024, a iniciativa se transformou na Copa dos Migrantes e da Diversidade, proposta pelo refugiado sírio Abdulbaset Jarour, ativista dos direitos das pessoas refugiadas, reunindo equipes compostas por migrantes de diferentes nacionalidades.

Sarau dos Refugiados

Evento voltado à celebração da diversidade cultural dos refugiados por meio da música e da poesia. Diversas edições foram realizadas ao longo dos anos, incluindo a do Sesc Pompeia (2016), na Zona Oeste paulistana, e a do Sesc Campinas (2017), no interior paulista.

Mostra Refúgios Culturais

Realizada no Sesc Vila Mariana, na Zona Sul da capital paulista, em três edições entre 2017 e 2019, a programação aludiu ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado no dia 10 de dezembro. O evento promoveu o diálogo entre culturas, visibilizando produções culturais de pessoas em situação de refúgio por meio de feiras, bate-papos, oficinas e atividades artísticas.

Alimento como Afeto, Resistência e Refúgio

As atividades transformaram o ato de cozinhar em experiência de troca, cuidado e resistência cultural, valorizando a culinária como espaço de memória e pertencimento. O ciclo de oficinas foi realizado em 2025 no Sesc Casa Verde, na Zona Norte de São Paulo, e foi conduzido por diversos profissionais, entre os quais a iraniana Mahboubeh Khademolhosseini.

Na página ao lado:

1. Oficina de Bordado Palestino

2. Sarau dos Refugiados

3. Mostra Refúgios Culturais

4. Copa dos Refugiados

5. Exposição Expressões do Refúgio

Oficina de Dança Tradicional Palestina – Dabkeh

A partir do Dabkeh, dança tradicional nascida do trabalho coletivo e símbolo de identidade, resistência e pertencimento. Realizada em diversas unidades do Sesc São Paulo, a oficina valorizou a memória coletiva em movimento. Conduzida pela cineasta e ativista política palestina Rawa Alsagheer.

Oficina de Bordado Palestino Apresentou a técnica de bordado palestino, símbolo da história e cultura do povo árabe, transmitida de geração em geração. A atividade combinou exposições conceituais com momentos práticos, permitindo aos participantes experimentar e desenvolver a técnica, conduzida pela artista palestina-síria Rahaf Hussein.

Diásporas Haitianas

Desenvolvido no Sesc Santo André, na região metropolitana de São Paulo, em parceria com a União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH), o projeto trouxe reflexões sobre os desafios enfrentados pela comunidade haitiana no Brasil, destacando sua organização coletiva e luta por direitos, e evidenciando manifestações históricas e culturais para combater estereótipos e preconceitos.

Na página ao lado:

1. Série Histórias de Refúgio

2. Oficina de Dança Tradicional Palestina – Dabkeh

3. Curso Identidade Cultural Através da Escrita

4. Alimento como Afeto, Resistência e Refúgio

5. Semana Refúgio e Migração: Convivências

Curso Identidade Cultural Através da Escrita Ministrado pelo sírio Mohamad Alsaheb, o curso aproximou o público da língua árabe, evidenciando suas conexões históricas com o português, e explorou técnicas de caligrafia e aspectos culturais dos povos árabes. A atividade foi realizada em diversas unidades do Sesc.

Semana Refúgio e Migração: Convivências

Realizada no Sesc Piracicaba, no interior paulista, em parceria com a Rede Acampa pela Paz, o projeto incluiu sessões de cinema colombiano, debates com pessoas refugiadas e uma exposição fotográfica que retratou desafios e trajetórias em diferentes contextos migratórios.

Histórias de Refúgio

Programa que traz pessoas em situação de refúgio e imigrantes residentes no Brasil contando suas histórias de vida, a cada episódio, com duração em torno de três minutos, como um convite ao exercício da escuta. Ao todo, 13 episódios estão disponíveis no YouTube do Sesc São Paulo.

Disponível em

Ongoing projects and actions aimed at refugees and migrants

Over the 30 years of working with refugees and migrants, SESC São Paulo has continued to consolidate its work in various actions that seek to highlight the structural inequalities that permeate migratory processes. The institution recognizes that forced displacement is permeated by systems of violence, racism, xenophobia, patriarchy and economic inequality, and understands that strengthening a welcoming culture requires confronting stereotypes, correcting historical misconceptions, and promoting debates about the causes and consequences of migration.

With this goal in mind, educational and cultural programs, discussion groups, educator training, as well as artistic and mediated actions, have been configured as spaces of expression and protagonism, in which refugees and migrants assume the role of producers of narratives, sharing reflections, memories and needs.

On this path, as João Doescher, a technician in the area of Human Rights, Refugees and Migration at the Social Studies and Programs Management of SESC São Paulo, points out: “SESC São Paulo reaffirms its commitment to enabling the occupation of spaces for coexistence and the exchange of cultural manifestations, recognizing the potential of groups experiencing displacement processes. The actions carried out go beyond just welcoming, and promote encounters that generate a sense of belonging, transforming perceptions within the social fabric.”

Portuguese as a Foreign Language Course

The first course was held in 1996, after the partnership between SESC São Paulo, UNHCR, SENAC São Paulo and Cáritas Archdiocese of São Paulo was created. Over the years of working with refugees, this initiative has become one of the institution’s most important actions.

The course has a structured curriculum based on formal education, with content organized in teaching material, and issues a certificate to participants who attend at least 70% of the classes. However, more than just an academic course, it is an action aimed at the social inclusion of participants, through the practice of the Portuguese language and the promotion of coexistence, sharing and dialogue among all. In addition to addressing the basics of the language, the course also presents cultural aspects, habits and customs of Brazilian society.

When he arrived in Brazil, refugee Esmatullah Mohsini stayed for two months at the Guarulhos Airport, as he had nowhere to go. With the Taliban in power, the 18-yearold Afghan obtained a humanitarian visa and arrived in the country, alone, in November of 2022. At the beginning of his stay, he communicated using a translation app, since he spoke neither English nor Portuguese. After learning the basics of the language from the couple who hosted him, Esmatullah enrolled in the Portuguese course offered by SESC São Paulo.

“I was taught to read and write by my Brazilian mother, who looked for help on the internet and discovered this project. I took the first course online and then retook it in person,” he recalls. For him, the experience was crucial in his adaptation process. “First, I discovered that I wasn’t alone, then I relaxed and managed to communicate. Taking the online course was a big challenge, but my mother took all the classes with me. In person was better because I met other Afghans who also helped me.” Over time, Esmatullah was able to create his own brand of handmade bags and began participating in other SESC São Paulo projects, such as Sabores em Refúgio (Flavors in Refuge).

According to Evander Veríssimo, a social worker at the Employment, Labor and Income Department of the City of Osasco, in the Metropolitan Region of São Paulo, the partnership between SESC São Paulo and public authorities has been fundamental in sensitizing managers, workers and society in general about the rights of the migrant population. In the municipality, the Portuguese as a Foreign

Language Course has become a reference, with more than 16 groups taught and around 320 participants. “This joining of efforts ensures not only access to the Portuguese language, but also the expansion of opportunities for social, cultural and professional inclusion in the city of Osasco,” he says. He also recalls important moments, such as the case of Ablerette Joseph, a Haitian citizen who participated in the course in 2020 and, the following year, began working as an attendant at the Employment Secretariat, directly supporting other migrants in their integration process. In 2025, more than 5,000 refugees will have participated in the course across the state of São Paulo. The initiative aims to minimize the difficulties associated with forced migration, contribute to the integration of different refugee groups, raise awareness in the communities that receive them with respect to coexistence and welcoming, and collaborate with other institutions that work in the same area. In 2020, during the Covid-19 pandemic, an online version of the course was created, allowing people to study even during social isolation.

Although the course is primarily aimed at refugees, on some occasions it is also offered to socially vulnerable migrants. Since the implementation of the project, enrollments have been through referrals of refugees assisted by Cáritas and other partners.

Mundana Refugi Orchestra

The Mundana Refugi Orchestra is a musical ensemble made up of artists from different countries, backgrounds and cultural traditions, whose purpose is to promote the encounter between diverse musical expressions, stories and identities. The group brings together refugee, migrant and Brazilian musicians in an artistic proposal that values coexistence and intercultural dialogue through music. Their repertoire includes traditional songs from various regions of the world, reinterpreted in collective arrangements that combine instruments and rhythms from different regions, resulting in a unique musical expression, a symbol of the possible

coexistence between peoples. In addition to performances, the ensemble carries out educational and social actions, reaffirming art as an instrument of welcoming, listening and celebrating diversity.

The journey of the Mundana Orchestra began in 2002, not yet with its current name, although its seed had already been planted in projects carried out by multi-instrumentalist Carlinhos Antunes at SESC São Paulo in the late 1990s. “One of them was called São Paulo de Todos os Povos [São Paulo of All Peoples]. I brought together musicians from various places: Spain, Japan, Lebanon, France and Guinea, as well as people from different regions of Brazil. Another project was Lorca na Rua [Lorca on the Street], which brought musicians from the flamenco and Arab world to São Paulo. These were the embryos of the Mundana Orchestra,” recalls Carlinhos, conductor and musical director of the ensemble.

Initially, to join the Orchestra, it was necessary not only to be a musician, but also to have knowledge and an appreciation of the diversity and cultures of the world. The core of the Orchestra remained in São Paulo, composed of Brazilians, a Cuban and a Lebanese, with periodic guest artists from other countries.

In 2017, the Refugi Project was initiated at SESC São Paulo, celebrating the 15th anniversary of the Mundana Orchestra. It included presentations, workshops and open rehearsals, involving not only musicians, but also experts on refugee issues, support organizations and refugees. “All refugees or migrants who sang or played an instrument could participate in a performance that would be recorded and filmed. The idea was for each member to be a spokesperson for their own culture and the culture of their fellow orchestra members, a collective welcoming,” explains Carlinhos. This project consolidated the collective’s new name, which became known as Mundana Refugi Orchestra. If “Mundana” refers to the idea of someone who travels the world and accumulates knowledge, “Refugi” expresses the integration of refugees and migrants, with the final “i” symbolizing this connection.

Singer and songwriter Leonardo Matumona, originally from Congo, a member of the group Os Escolhidos and the Mundana Refugi Orchestra, shares the orchestra’s own journey: “I’ve always sung. I started very early, thanks to the encouragement of my parents. And I remember many happy moments that music gave me. At age 11, in the church choir, one of those moments marked me deeply. I imitated the conductor during rehearsals and, one afternoon, the technical director decided that I should be the choir conductor that afternoon. It all started there.”

Since its founding, the Mundana Refugi Orchestra has produced four albums, one of which was released by Selo SESC, in addition to participating in projects by other artists and at major festivals. The ensemble has also received recognition from the United Nations (UN) for its contribution to the cultural integration of refugees and migrants.

In 2025, the group consists of 22 musicians from different countries, including Syria, Palestine, Lebanon, China, Venezuela, Cuba, Congo, Guinea, Iran and France, in addition to guests of other nationalities.

Sabores em Refúgio (Flavors in Refuge)

Cooking transcends culinary techniques: it is an act deeply connected to the life story of each individual. For Haitian refugee Ginette Cadet, the memory goes back to her native country and her relationship with her mother: “One of the happiest memories I have is of when I cooked rice and okra sauce in Haiti, because that’s a recipe I learned from my mother,” she recalls.

Much more than teaching culinary techniques, the Flavors in Refuge project, created in 2014, was conceived as a space for coexistence and cultural exchange, based on gastronomy and the experiences of refugees in Brazil. The initiative enables an exchange between refugees, students and cooking teachers. The action is carried out in partnership between SESC São Paulo and SENAC Osasco, in the metropolitan region of the capital of São Paulo, with the

support of Cáritas, UNHCR and the Employment, Labor and Income Department of the Municipality of Osasco, responsible for mapping refugees in the region.

Ginette participated in Flavors in Refuge in 2024, almost six years after arriving in Brazil. “After receiving my visa, I bought a ticket to Brazil in September of 2018. Fortunately, I didn’t face many challenges upon arrival because my husband was already here,” she recounts. During her participation in the project, she acquired new recipes and shared her experiences with the other participants. “It was a pleasure to participate in the program because I learned a lot and shared some things as well,” she adds.

The course covers good practices in the kitchen, shopping list planning, preparation of food technical data sheets, and promotes coexistence among people of different nationalities. In the 2024 edition, refugees from Congo, Colombia, Afghanistan, Haiti, Venezuela, the Dominican Republic and Iran participated.

Refúgios Humanos (Human Refuges)

With the intention of promoting a more sensitive and inclusive welcoming environment in schools, strengthening bonds and fostering coexistence among all, the Human Refuges project was created in 2016, carried out by SESC São Paulo in partnership with the Municipal Department of Education of the city of São Paulo, with the support and participation of UNHCR.

The training cycle offers 45 hours of training for elementary school teachers in the municipal public school system, reaching different regions of the city through the Regional Directorates of Education, and has already involved more than 3,000 educators.

With an average of 12 speakers per training period, the encounters address the theme of refuge and the wide range of experiences of refugees, while seeking, simultaneously, to engage with the concrete daily demands of school life, educators and communities, also marked by plurality. The activity involves the

sharing of experiences among refugees and UNHCR professionals, in a process of dialogue and education.

The project methodology involves inviting participating teachers to share their reflections developed during the training in the classroom and school environment, promoting the welcoming and integration of refugee children in schools.

According to Davide Torzilli, representative of the UN Refugee Agency (UNHCR) in Brazil, “this training has resulted in initiatives that seek to understand the context of each non-Brazilian child and adolescent in municipal schools, welcome them and their families, and transform schools into an environment of peaceful, inclusive and prejudice-free coexistence.”

The actions of the Human Refuges project stand out for both the quality of the content and for the interest aroused among teachers in the municipal school network. The project aims to raise awareness and empower educators to improve how children of different nationalities are welcomed, taking into account their trajectories, cultures and life experiences. The training involves a participatory approach that values the presence and contribution of the refugees, expanding intercultural dialogue and strengthening the construction of educational practices that are more inclusive and sensitive to diversity.

For researcher and mediator Eda Nagayama, “the most rewarding moments of the project are always when I witness, among the participants, the discovery of the reality of forced displacement: the empathy, a deep understanding in the face of the suffering and difficulty of those who narrate their experiences. Once we know, it is not possible to stop knowing.”

Direct contact with the reality of refugees is also one of the most important aspects of the project, as highlighted by Fabiana Bezerra Nogueira, technical assistant for Education at the Municipal Department of Education of São Paulo: “Understanding the concrete experiences of these individuals allows for the breaking of stereotypes and prejudices

that are often naturalized in the school environment and in society. By listening to their stories, trajectories and challenges, educators are invited to rethink their own practices and worldviews. The course also opens up a space for reflection on contemporary migration from the perspective of the migrants themselves. This process contributes to broadening our understanding of the different cultural, social and linguistic realities of migrant students and their families, promoting respect for diversity and inclusion in the school environment in a more qualified manner.”

In practice, the project involves simple but impactful actions, such as translating notes sent to families or adopting more accessible written language to facilitate communication with people who have not yet fully mastered the Portuguese language. Small actions may seem simple, but they create bridges of dialogue and help overcome language barriers. Furthermore, including new themes and references in the curricula is essential for recognizing and valuing the cultures and peoples that are now part of the schools. This project is only possible thanks to the joint efforts of SESC São Paulo, UNHCR and the Municipal Department of Education for strengthening the project.

Culturas em Trânsito (Cultures in Transit)

The network project, carried out simultaneously at several SESC São Paulo units, aims to promote the protagonism of people who have experienced forced displacement, sharing knowledge, stories and values through the representativeness of each participant. Among the trajectories that illustrate the meaning of the initiative, the story of educator Leonor Solano stands out. She arrived in Brazil from Colombia at the end of 2002, after facing threats and episodes of violence in her country of origin. In Brazil, Leonor experienced the challenges of integration, such as the difficulty to enter the job market, the almost exclusive responsibility for raising her daughters, and adapting to a new language and culture.

At SESC São Paulo, she found not only a safe space, but also opportunities for professional activities. “SESC values the participation of refugees in various activities and remunerates them as if they were working. This element has been fundamental, as it restores dignity to people, recognizes their value, their abilities, and contributes significantly to their self-esteem,” Leonor emphasizes.

Sons do Refúgio (Sounds of Refuge)

The project celebrates the power of music as a universal language, capable of expressing the memories, resistance and hopes of refugees and migrants. In a ten-episode audiovisual series directed by Pablo Francischelli, produced and broadcast by SESCTV, and later with the eponymous album released by Selo SESC, the initiative gives a voice to artists of different backgrounds who have found, in art, a path of reconstruction and belonging in Brazil. More than just performances, the project proposes an encounter between cultures, trajectories and musical expressions, reaffirming SESC São Paulo’s commitment to valuing diversity and strengthening dialogue as an instrument to promote coexistence and social transformation.

“My happiest childhood memory is of singing with my father and his friends. Our house in Syria was almost a cultural center, always full of friends. That’s the atmosphere I grew up in. My father taught me to sing, and the first time I sang with him, I was just a little over four years old,” says singer and actress Oula Alsaghir, who preserves the memory of her native country and her father, who played the oud. Of Palestinian origin, Oula left Syria because of the war that began in 2011. First, she went to Egypt and then, in 2015, she moved to Brazil. Amid the traumas of displacement, hostility and prejudice, the work intertwines lyrics and melodies that inspire hope and confidence in the future, also highlighting the connections of these people with other SESC São Paulo projects.

In the episode about Oula, the audience follows her re-encounter with music, which

occurred some time after her arrival in Brazil. Inspired by a teacher of Lebanese origin, she was motivated to sing again, a practice that would once again transform her life.

In her homeland, Oula worked for over ten years in marketing at an agricultural company. However, upon arriving in Brazil and not speaking Portuguese, she had to reinvent her trajectory. It was through music that she first had contact with SESC São Paulo, initially with the Mundana Refugi Orchestra. Later, she participated in the Human Refuges project, which, according to her, was crucial for her integration into Brazilian society. “The project has helped me a lot in communicating with my children and their school. Before, I was ashamed because I didn’t speak Portuguese very well, I was ashamed to go to the school where my children study and talk to the teacher, I thought she wouldn’t understand me. But everything changed when I was invited to give a talk for the Human Refuges project. One of my son’s teachers was in the audience. At first, I was very scared, but the teacher understood the difficulties that families of refugee children face in their contact with schools. Little by little, the situation improved a lot. This teacher spoke about me to the principal, and they invited me to give a talk at the school. I told my story, the journey from my country to Brazil, and when my son saw me speaking with pride, he also changed: he stopped being ashamed to say that he speaks another language, that he eats different food, that he listens to different music.”

Other episodes in the series feature artists like singer-songwriter Anaïs Sylla, of Senegalese and French descent; the Bolivian sisters who make up the group Santa Mala; the Cuban, Pedro Bandeira; and Guipson Pierre, a native of Port-au-Prince, among others.

A year after the release of the audiovisual series, the project produced a music album released by Selo SESC. The album brings together tracks by artists who are refugees, international migrants and stateless persons, such as Congolese Zola Star, who has lived in Brazil since 1993; Iranian Mah

Mooni, who came to the Brazil in search of freedom to express her art; and singer-songwriter Fanta Konatê, whose main reference is her father, the master percussionist Famoudú Konatê, first soloist of the National Ballet of Guinea-Conakry. The album also features the participation of artists from Bolivia, Cuba, Senegal, Togo and Haiti, consolidating a musical mosaic of diversity and resistance.

and the strengthening of democracy. To think of Brazil without migrants is to erase an essential part of its social construction and intellectual life,” says Benazira Djoco, a migrant from Guinea-Bissau and a member of the Council for Sustainable Economic and Social Development of the Brazilian federal government.

Direitos Humanos para Todas as Pessoas (Human Rights for All People)

Aimed at fostering reflection on the formal aspects of human rights and their implementation in social reality, the Human Rights for All People project was created in 2022. With activities including fairs, artistic interventions, theatrical and literary performances, as well as thematic debates, the initiative contributes to the discussion on the challenges of transforming declarations, statutes, conventions and legislation into concrete guarantees of human dignity for all people, including refugees.

The project is carried out in a network, with several SESC units in the state of São Paulo simultaneously promoting thematic actions. Over the years, different themes have been addressed, including social injustice and violence, the relations between human rights and Brazilian social thought, and the necessary paths to translate words into actions.

“Brazil is a country made up of different peoples, cultures and migration histories. Ignoring the migration agenda would be to ignore the country’s own identity, and also the fundamental contributions that migrants and refugees bring to the economy, culture

Benazira arrived in Brazil as a young woman, seeking better opportunities for her life and education, and already with some knowledge of the national culture through reading literary classics, such as works by Machado de Assis and Cecília Meireles. In 2025, she participated in the Human Rights for All People project: “This event was fundamental because it reaffirmed the centrality of human rights as a universal and non-negotiable value. Discussing refuge and migration in a space like SESC means bringing visibility to issues that are often made invisible in society, as well as strengthening the collective struggle for dignity, justice and acceptance for all.”

In the 2025 edition, the theme addressed the creation of collaborative networks that facilitate joint efforts between individuals, organizations, collectives, social movements, community leaders and institutions, aimed at sharing knowledge, generating expertise and achieving common goals. In total, 37 units participated in the project, which featured names like the indigenous activist Ailton Krenak, Father Júlio Lancellotti and researcher Carla Akotirene, an advocate for black feminism in Brazil.

“The expectation is that Brazil will advance in public policies that guarantee not only the welcoming, but also the full integration of these people, with access to education, work, health and social participation. The biggest challenge is overcoming prejudice, xenophobia and the bureaucratic barriers that still prevent refugees from fully exercising their rights,” Benazira explains. By promoting debate and encouraging the sharing of experiences on the topic, SESC São Paulo reaffirms its prominent role in social transformation.

The complete series is available at The album is available at

Refúgios Humanos para Profissionais da Saúde (Human Refuges for Healthcare Professionals)

With the goal of raising awareness among doctors, occupational therapists, attendants, nurses, health agents and other professionals, the project was conceived and implemented for the first time in 2023 in a partnership between SESC Carmo and the Sé Health Supervision of the Municipal Health Department of São Paulo, in the central region of the city.

“The main challenge is to address health, migration and human rights in the same field of care. This requires overcoming linguistic, racial and cultural barriers, as well as sensitizing professionals to practices that are free of xenophobia, racism and LGBT+phobia,” emphasizes Rocío Bravo Shuña, advisor to the Institutional Relations Management of the Federal Council of Psychology and PhD in Social Psychology from the University of São Paulo (USP).

An Andean indigenous migrant who has lived in Brazil for over 13 years, Rocío has a trajectory marked by bureaucratic barriers, episodes of xenophobia and racism, but also strengthened by networks of affection. “This experience inspired my doctoral thesis at USP, in which I analyzed health care as an exercise of rights for migrant women who use SUS [Brazil’s public healthcare system],” she says. For her, participating in the curation of the action “reaffirmed the importance of bringing our life experiences as a constitutive part of the project’s methodology,” whose purpose is to reflect on themes related to refugees, including access to rights, duties and public services; respect for diversity and interculturality; commitment to inclusion and equity; and analysis of the difficulties and possibilities of access to health services by this population.

One of the most significant experiences reported by Rocío was “listening to the stories shared by migrants in discussion groups, in which they demonstrated how healthcare connects to other rights, such as housing, education and work. Often, the health center is these people’s first point of entry into SUS

and, consequently, into their rights in the country. It was also significant to see professionals reflecting on their own prejudices and expanding their practice for more humanized care. These spaces showed how institutional articulation can create havens for collective learning and social transformation.”

During the second edition of the project, in 2024, issues such as xenophobia, racism, cultural barriers beyond language, gender and race, and the importance of listening processes and sharing successful actions in healthcare services for refugees and migrants were discussed, contributing to the dissemination of best practices. According to Luciana Carvalho da Silva, an analyst at the São Paulo Municipal Health Department, the main difficulties in providing care to refugees relate to “structural issues, especially the waiting time, which does not consider vulnerabilities, as well as communication barriers. However, the main challenge is ensuring the commitment of management professionals to work on the organization, awareness-raising and dissemination of training,” she concludes.

Other actions

Expressões do Refúgio (Expressions of Refuge)

An exhibition of photographs produced by refugees in various locations in the city of São Paulo, such as Avenida Paulista and Ibirapuera Park. The exhibition was held at SESC Carmo, located in downtown São Paulo, during 2006.

Copa dos Refugiados (Refugee Cup)

Held since 2014, the Refugee Cup has brought together hundreds of football players on 16 national teams, representing countries such as Angola, Benin, Cameroon, Colombia, Gambia, Ghana, Guinea-Bissau, Republic of Guinea, Iraq, Mali, Morocco, Nigeria, Congo, Syria, Tanzania and Togo. In 2024, the initiative transformed into the Copa dos Migrantes e da Diversidade (Migrants and Diversity Cup),

proposed by Syrian refugee Abdulbaset Jarour, an activist for refugee rights, bringing together teams of migrants of different nationalities.

Sarau dos Refugiados (Refugee Cultural Soiree)

An event to celebrate the cultural diversity of refugees through music and poetry. Several editions have been held over the years, including one at SESC Pompeia (2016) in the west zone of São Paulo, and at SESC Campinas (2017) in the interior of São Paulo state.

Mostra Refúgios Culturais (Cultural Refuges Exhibition)

Held at SESC Vila Mariana, in the south zone of São Paulo, in three editions between 2017 and 2019, the program alluded to International Human Rights Day, celebrated on December 10th. The event promoted a dialogue between cultures, showcasing cultural productions by refugees through fairs, talks, workshops and artistic activities.

Food as Affection, Resistance, and Refuge

The activities transformed the act of cooking into an experience of exchange, care and cultural resistance, valuing cuisine as an act of memory and belonging. The workshop series took place in 2025 at SESC Casa Verde, in the north zone of São Paulo, and was taught by various professionals, including the Iranian Mahboubeh Khademolhosseini.

Workshop on Traditional Palestinian Dance Workshop –

Dabkeh

Dabkeh, a traditional dance born from collective work and a symbol of identity, resistance and belonging. Held at various SESC São Paulo units, the workshop valued collective memory in movement. Led by Palestinian filmmaker and political activist Rawa Alsagheer.

Palestinian

Embroidery Workshop

The workshop presented Palestinian embroidery techniques, a symbol of the history and culture of the Arab people, passed

down from generation to generation. The workshop combined conceptual presentations with practical sessions, allowing participants to experiment and apply the techniques, led by the Palestinian-Syrian artist Rahaf Hussein.

Haitian Diasporas

Held at SESC Santo André, in the metropolitan region of São Paulo, in partnership with the Haitian Immigrants Social Union (USIH), the project involved reflections on the challenges faced by the Haitian community in Brazil, highlighting their collective organization and struggle for rights, and discussed historical and cultural manifestations to combat stereotypes and prejudices.

Cultural Identity Through Writing Course

In the play, a young Lebanese man comes to Brazil with the intention of soon returning to Lebanon, where he left his pregnant wife behind. The play addresses issues such as memory, diaspora and identity. It was performed at SESC Ipiranga, in the south region of the capital, among other units.

Refugee and Migration Week: Coexistence

Held at SESC Piracicaba, in the interior of São Paulo state, in partnership with the Rede Acampa pela Paz (Camp for Peace Network), the project included screenings of Colombian films, discussions with refugees, and an exhibition of photographs that portrayed the challenges and journeys in different migratory contexts.

Refuge Stories

This program features refugees and immigrants living in Brazil sharing their life stories in episodes of approximately three minutes, inviting viewers to practice listening. A total of 13 episodes are available on the SESC São Paulo YouTube channel.

Proyectos y acciones permanentes destinados a personas refugiadas y migrantes

Durante los 30 años de actuación junto a personas en situación de refugio y migración, el Sesc São Paulo ha continuado consolidando su labor por medio de diversas acciones que, de manera simultánea, buscan evidenciar las desigualdades estructurales que atraviesan los procesos migratorios. La institución reconoce que el desplazamiento forzado está permeado por sistemas de violencia, racismo, xenofobia, patriarcado y desigualdad económica, y comprende que el fortalecimiento de una cultura de acogimiento requiere enfrentar estereotipos, corregir equívocos históricos y promover debates calificados sobre las causas y consecuencias de la migración.

Con este propósito, las programaciones educativas y culturales, los círculos de conversación, las formaciones de educadores, así como las acciones artísticas y mediadas, se han configurado como espacios de expresión y protagonismo, en los cuales las propias personas refugiadas y migrantes asumen el papel de productoras de narrativas, compartiendo reflexiones, memorias y reivindicaciones.

En este recorrido, tal como destaca João Doescher, técnico del área de Derechos Humanos, Refugio y Migración de la Gerencia de Estudios y Programas Sociales del Sesc São Paulo, “el Sesc São Paulo reafirma el compromiso de posibilitar la ocupación de espacios de convivencia y el intercambio de manifestaciones culturales, reconociendo las potencias de los grupos que atraviesan procesos de desplazamiento. Las acciones desarrolladas van más allá del acogimiento y promueven encuentros que generan sentido de pertenencia, transformando percepciones en el tejido social”.

Curso de Portugués como Lengua Extranjera

El primer grupo del curso se realizó en 1996, tras la formalización de la alianza entre las instituciones Sesc São Paulo, Acnur, Senac

São Paulo y Cáritas Arquidiócesis de São Paulo. A lo largo de los años de actuación junto a personas en situación de refugio, esta iniciativa se consolidó como una de las acciones más relevantes de la institución.

El curso cuenta con una propuesta curricular estructurada con base en la educación formal, con contenidos organizados en material didáctico y la emisión de un certificado para las personas participantes que asisten, como mínimo, al 70% de las clases. No obstante, más que una formación académica, el curso se concreta como una acción orientada a la inserción social de las personas participantes, por medio de la práctica de la lengua portuguesa y de la promoción de la convivencia, el intercambio y el diálogo entre todos. Además de abordar las nociones básicas del idioma, el curso también presenta aspectos culturales, hábitos y costumbres de la sociedad brasileña.

Cuando llegó a Brasil, el refugiado Esmatullah Mohsini permaneció durante dos meses en el Aeropuerto de Guarulhos, sin tener a dónde ir. Con el Talibán en el poder, el joven afgano de 18 años obtuvo un visado humanitario y llegó solo al país en noviembre de 2022. Al inicio de su estadía, la comunicación se realizaba por medio de una aplicación de traducción, ya que no hablaba inglés ni portugués. Después de aprender lo básico del idioma con la pareja que lo acogió, Esmatullah ingresó al curso de portugués promovido por el Sesc São Paulo.

“Fui alfabetizado por mi madre brasileña, quien buscó ayuda en Internet y descubrió este proyecto. Hice el primer curso online y luego lo repetí de manera presencial”, recuerda. Para él, la experiencia fue determinante en su proceso de adaptación. “Primero, descubrí que no estaba solo, luego fui soltándome y logrando comunicarme. Fue un gran desafío hacer el curso online, pero mi madre asistió a todas las clases conmigo. Presencialmente fue mejor, porque conocí a otros afganos que también me ayudaron”. Gradualmente, Esmatullah logró desarrollar su marca de bolsos artesanales y pasó a participar en otros proyectos del Sesc São Paulo, como Sabores em Refúgio (Sabores en Refugio).

Según Evander Veríssimo, asistente social de la Secretaría de Empleo, Trabajo y Renta de

la Municipalidad de Osasco, en la Región Metropolitana de São Paulo, la alianza entre Sesc São Paulo y el poder público ha sido fundamental para sensibilizar a gestores, trabajadores y a la sociedad en general sobre los derechos de la población migrante. En el municipio, el Curso de Portugués como Lengua Extranjera se ha convertido en una referencia, con más de 16 cohortes realizadas y cerca de 320 participantes. “Esta unión de esfuerzos garantiza no solo el acceso al idioma portugués, sino también la ampliación de las oportunidades de inclusión social, cultural y profesional en la ciudad de Osasco”, afirma. Él recuerda también momentos significativos, como el caso de Ablerette Joseph, ciudadana haitiana que participó en el curso en 2020 y, al año siguiente, pasó a trabajar como asistente en la Secretaría de Empleo, actuando directamente en el apoyo a otros migrantes en su proceso de integración.

Hasta el año 2025, más de cinco mil personas refugiadas participaron en las clases del curso en todo el estado de São Paulo. La iniciativa tiene como objetivos minimizar las dificultades asociadas a la migración forzada, contribuir a la integración de diferentes grupos de personas refugiadas, sensibilizar a las comunidades receptoras respecto a la convivencia y el acogimiento, además de colaborar con otras instituciones que actúan en la misma área. Durante la pandemia de Covid-19, en 2020, se creó la versión en línea del curso, lo que permitió que las personas pudieran estudiar incluso durante el aislamiento social.

Aunque el curso está dirigido prioritariamente a personas en situación de refugio, en algunas ocasiones también se ofrece a migrantes en condición de desprotección social. Desde la implementación del proyecto, las inscripciones se realizan a partir de la derivación de las personas refugiadas atendidas por Cáritas y otras organizaciones asociadas.

Orquesta Mundana Refugi

La Orquesta Mundana Refugi es un colectivo musical formado por artistas de diferentes países, orígenes y tradiciones culturales, cuyo propósito es promover el encuentro entre sonidos, historias e identidades diversas. El grupo reúne a músicos refugiados, migrantes y brasileños, desarrollando una propuesta artística que

valora la convivencia y el diálogo intercultural por medio de la música. Su repertorio incluye canciones tradicionales de diversas regiones del mundo, reinterpretadas en arreglos colectivos que combinan instrumentos y ritmos de distintos territorios, dando como resultado una sonoridad singular, símbolo de la convivencia posible entre los pueblos. Además de las presentaciones, el colectivo realiza acciones educativas y sociales, reafirmando el arte como un instrumento de acogimiento, escucha y celebración de la diversidad. La trayectoria de la Orquesta Mundana comenzó en 2002, aún sin la denominación actual, aunque su semilla ya podía observarse en proyectos realizados por el multiinstrumentista Carlinhos Antunes en el Sesc São Paulo, a finales de la década de 1990. “Uno de ellos se tituló São Paulo de Todos os Povos. Reuní músicos de diversas partes: España, Japón, Líbano, Francia, Guinea, además de personas de varias regiones de Brasil. Otro proyecto fue Lorca na Rua, que trajo a São Paulo músicos del mundo flamenco y del mundo árabe. “Esos fueron los embriones de la Orquesta Mundana”, recuerda Carlinhos, maestro y director musical del colectivo. Inicialmente, para integrar la orquesta, era necesario no solo ser músico, sino también poseer conocimiento y aprecio por la diversidad y por las culturas del mundo. El núcleo fijo de la Orquesta permanecía en São Paulo, compuesto por brasileños, un cubano y un libanés, con invitaciones periódicas a artistas de otros países. En 2017 se realizó en el Sesc São Paulo el Proyecto Refugi, en celebración de los 15 años de la Orquesta Mundana, integrando conferencias, talleres y ensayos abiertos, involucrando no solo a músicos, sino también a especialistas en la temática del refugio, entidades de acogimiento y personas en situación de refugio. “Todas las personas refugiadas o migrantes que cantaran o tocaran algún instrumento podían formar parte de un espectáculo que sería grabado y filmado. La idea era que cada integrante fuera portavoz de su propia cultura y de la cultura de los compañeros de la orquesta, un acogimiento colectivo”, recuerda Carlinhos. Ese proyecto consolidó el nuevo nombre del colectivo, que pasó a ser conocido como Orquesta Mundana Refugi. Si “Mundana” remite a la idea de alguien que recorre el mundo

y acumula conocimientos, “Refugi” expresa la integración de personas refugiadas y migrantes, siendo la “i” final un símbolo de esa conexión.

El cantante y compositor Leonardo Matumona, originario del Congo, integrante del grupo Os Escolhidos y de la Orquesta Mundana Refugi, comparte la trayectoria de la propia orquesta: “Siempre he cantado. Empecé muy temprano, gracias al incentivo de mis padres. Y recuerdo varios momentos felices que la música me proporcionó. A los 11 años, en el coro de la iglesia, uno de esos momentos me marcó mucho. “Imitaba al director durante los ensayos y, en una tarde musical, el director técnico decidió que yo sería el director del coro ese día. Todo comenzó allí”.

Desde su fundación, la Orquesta Mundana Refugi ha producido cuatro álbumes, uno de ellos lanzado por el Sello Sesc, además de participar en proyectos de otros artistas y en grandes festivales. El colectivo también recibió reconocimiento de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) por su contribución a la integración cultural de personas en situación de refugio y migración.

En 2025, el grupo está compuesto por 22 músicos provenientes de diversos países —Siria, Palestina, Líbano, China, Venezuela, Cuba, Congo, Guinea, Irán y Francia—, además de invitados de otras nacionalidades.

Sabores em Refúgio (Sabores en Refugio)

Cocinar trasciende la técnica culinaria: constituye un acto profundamente conectado con las trayectorias de vida de cada individuo. Para la refugiada haitiana Ginette Cadet, la memoria remite a su país natal y a la convivencia con su madre: “Uno de los recuerdos más felices es cuando cocinaba arroz y salsa de okra en Haití, porque esa es una receta que aprendí de mi madre”, recuerda. Mucho más que enseñar técnicas culinarias, el proyecto Sabores en Refugio, creado en 2014, fue concebido como un espacio de convivencia e intercambio cultural, a partir de la gastronomía y de los relatos de experiencia de personas en situación de refugio en Brasil. La iniciativa posibilita el intercambio entre personas refugiadas, estudiantes y docentes de gastronomía. La acción se realiza en colaboración entre el Sesc São Paulo y el Senac de Osasco, en la región

metropolitana de la capital paulista, contando con el apoyo de Cáritas, Acnur y la Secretaría de Empleo, Trabajo y Renta de la Municipalidad de Osasco, responsable por el mapeo de las personas en situación de refugio en la región. Ginette participó en Sabores en Refugio en 2024, casi seis años después de su llegada a Brasil. “Después de recibir la visa, compré el pasaje para Brasil en septiembre de 2018. Afortunadamente, no enfrenté muchos desafíos al llegar, porque mi marido ya estaba aquí”, relata. Durante su participación en el proyecto, adquirió nuevas recetas y compartió sus experiencias con las demás personas participantes. “Fue un placer participar en el programa, porque aprendí muchas cosas y también compartí algunas”, añade.

El curso abarca buenas prácticas en la cocina, planificación de la lista de compras, elaboración de la ficha técnica de los alimentos y promueve la convivencia entre personas de diversas nacionalidades. En la edición de 2024 participaron personas refugiadas provenientes del Congo, Colombia, Afganistán, Haití, Venezuela, República Dominicana e Irán.

Refúgios Humanos

(Refugios Humanos)

Con la intención de promover un acogimiento más sensible e inclusivo en el contexto escolar, fortaleciendo vínculos y estimulando la convivencia entre todos, en 2016 se creó el proyecto Refugios Humanos, realizado por el Sesc São Paulo en colaboración con la Secretaría Municipal de Educación de la ciudad de São Paulo, con el apoyo y participación de Acnur.

El ciclo formativo ofrece 45 horas de capacitación a docentes de la educación primaria de la red pública municipal, abarcando diferentes regiones de la ciudad por medio de las Direcciones Regionales de Educación, y ya ha involucrado a más de tres mil educadores.

Con un promedio de 12 conferencistas por período de formación, los encuentros abordan la temática del refugio y la amplia diversidad de experiencias de personas refugiadas, buscando, simultáneamente, dialogar con las demandas concretas del cotidiano escolar, de los educadores y de las comunidades, también marcadas por la pluralidad. La actividad se desarrolla por

medio del intercambio de experiencias entre personas refugiadas y profesionales de Acnur, en un proceso dialógico y formativo.

La metodología del proyecto prevé invitar a los docentes participantes para que, en el aula y en el entorno escolar, compartan las reflexiones desarrolladas a lo largo de la formación, favoreciendo el acogimiento y la integración de niñas y niños refugiados en las escuelas.

Según Davide Torzilli, representante de la Agencia de la ONU para Refugiados (Acnur) en Brasil, “esta formación ha dado lugar a iniciativas que buscan comprender el contexto de cada niño y adolescente no brasileño en las escuelas municipales, acogerlos a ellos y a sus familias, y transformar las escuelas en un entorno de convivencia pacífica, inclusiva y libre de prejuicios”.

Las acciones del proyecto Refugios Humanos se destacan tanto por la calidad del contenido desarrollado como por el interés generado entre los docentes de la red municipal. El proyecto tiene como propósito sensibilizar y capacitar a los educadores para que mejoren el acogimiento de niñas y niños de diferentes nacionalidades, considerando sus trayectorias, culturas y experiencias de vida. Las capacitaciones proponen un enfoque participativo que valora la presencia y la contribución de las propias personas refugiadas, ampliando el diálogo intercultural y fortaleciendo la construcción de prácticas pedagógicas más inclusivas y sensibles a la diversidad.

Para la investigadora y mediadora Eda Nagayama, “los momentos más gratificantes del proyecto son siempre aquellos en los que presenció cómo los participantes descubren la realidad del desplazamiento forzado: la empatía, la profunda comprensión ante el sufrimiento y las dificultades de quienes narran su experiencia. “Una vez que sabemos, no es posible dejar de saber”.

El contacto directo con la realidad de las personas refugiadas es también uno de los aspectos más significativos del proyecto, según destaca Fabiana Bezerra Nogueira, asistente técnica de Educación de la Secretaría Municipal de Educación de São Paulo: “La aproximación con las experiencias concretas de estas personas permite romper estereotipos y prejuicios muchas veces naturalizados en el ámbito escolar y en la sociedad. Al escuchar sus historias, trayectorias y desafíos,

los docentes son invitados a repensar sus propias prácticas y visiones del mundo. El curso también abre espacio para una reflexión sobre las migraciones contemporáneas desde la perspectiva de los propios migrantes. Este proceso contribuye a ampliar la comprensión de las diferentes realidades culturales, sociales y lingüísticas de los estudiantes migrantes y sus familias, promoviendo el respeto a la diversidad y la inclusión en el entorno escolar de manera más cualificada”. En la práctica, el proyecto viabiliza acciones simples, pero de gran impacto, como la traducción de mensajes enviados a las familias o la adopción de un lenguaje escrito más accesible, con el fin de facilitar la comunicación con quienes aún no dominan plenamente la lengua portuguesa. Pequeñas actitudes pueden parecer simples, pero son ellas las que crean puentes de diálogo y ayudan a superar las barreras del idioma. Además, incluir nuevos temas y referencias en los currículos es esencial para reconocer y valorar las culturas y los pueblos que ahora forman parte de las escuelas. Este proyecto solo es posible gracias a la actuación conjunta del Sesc São Paulo, Acnur y la Secretaría Municipal de Educación en el fortalecimiento de la iniciativa.

Culturas em Trânsito (Culturas en Tránsito)

El proyecto en red, realizado de forma simultánea en diversas unidades del Sesc São Paulo, tiene como objetivo promover el protagonismo de personas que experimentan condiciones de desplazamiento forzado, compartiendo saberes, historias y valores mediante la representatividad de cada participante. Entre las trayectorias que ilustran el sentido de la iniciativa, se destaca la de la educadora Leonor Solano, quien llegó a Brasil a finales de 2002, proveniente de Colombia, tras enfrentar amenazas y episodios de violencia en su país de origen. En Brasil, Leonor vivió desafíos relacionados con la integración, como la dificultad para ingresar al mercado laboral, la responsabilidad casi exclusiva por la crianza de sus hijas y la adaptación al nuevo idioma y a la nueva cultura. En el Sesc São Paulo encontró no solo un espacio seguro, sino también oportunidades de actuación profesional. “El Sesc valora la

participación de la persona refugiada en diversas actividades y la remunera como un trabajo. Este elemento ha sido fundamental, ya que devuelve la dignidad a las personas, reconoce su valor, su capacidad, y contribuye significativamente a su autoestima, señala Leonor.

Sons do Refúgio

(Sonidos del Refugio)

El proyecto celebra la potencia de la música como lenguaje universal, capaz de expresar memorias, resistencias y esperanzas de personas en situación de refugio y migración. A partir de una serie audiovisual de diez episodios dirigida por Pablo Francischelli, producida y exhibida por SescTV, y posteriormente del álbum homónimo lanzado por el Selo Sesc, la iniciativa da voz a artistas de diferentes orígenes que encontraron en el arte un camino de reconstrucción y pertenencia en Brasil. Más que reunir espectáculos, el proyecto propone un encuentro entre culturas, trayectorias y sonoridades, reafirmando el compromiso del Sesc São Paulo con la valorización de la diversidad y con el fortalecimiento del diálogo como instrumento de convivencia y de transformación social.

“Mi recuerdo más feliz de la infancia es cuando cantaba con mi padre y sus amigos. Nuestra casa, en Siria, era casi un centro cultural, siempre llena de amigos. Fue en ese ambiente que crecí. “Mi padre me enseñó a cantar y la primera vez que canté con él tenía poco más de cuatro años”, declara la cantante y actriz Oula Alsaghir, quien preserva la memoria de su país natal y de su padre, que tocaba el laúd. De origen palestino, Oula dejó Siria debido a la guerra iniciada en 2011. Primero se trasladó a Egipto y, en 2015, se mudó a Brasil.

En medio de los traumas del desplazamiento, la hostilidad y el prejuicio, la obra entrelaza letras y melodías que inspiran esperanza y confianza en el futuro, evidenciando también las conexiones de estas personas con otros proyectos del Sesc São Paulo.

En el episodio sobre Oula, el público acompaña su reencuentro con la música, ocurrido algún tiempo después de su llegada a Brasil. Inspirada por un profesor de origen libanés, fue motivada a retomar el canto, una práctica que volvería a transformar su vida.

En su país natal, Oula trabajó por más de diez años en el área de marketing en una empresa agrícola. Sin embargo, al llegar a Brasil sin dominio del idioma portugués, necesitó reinventar su trayectoria. Fue a través de la música que estableció su primer contacto con el Sesc São Paulo, inicialmente por medio de la Orquesta Mundana Refugi. Posteriormente, participó en el proyecto Refugios Humanos, que, según ella, fue decisivo para su integración en la sociedad brasileña. “El proyecto me ayudó mucho en la comunicación con mis hijos y con la escuela de ellos. Antes, tenía vergüenza porque no hablaba bien portugués, me daba miedo ir a la escuela donde estudian mis hijos y hablar con la profesora; pensaba que no me entendería. Pero todo cambió cuando fui invitada a dar una charla en el proyecto Refúgios Humanos. Una de las profesoras de mi hijo estaba en el público. Al principio, tuve mucho miedo, pero la profesora comprendió las dificultades que enfrentan las familias de los niños refugiados al relacionarse con las escuelas.” Poco a poco, la situación mejoró mucho. Esa profesora habló de mí con la directora, y me invitaron a dar una conferencia en la escuela. Conté mi historia, la travesía desde mi país hasta Brasil, y cuando mi hijo me vio hablando con orgullo, él también cambió: dejó de sentir vergüenza por hablar otro idioma, comer comidas diferentes, escuchar otro tipo de música”.

Otros episodios de la serie presentan artistas como la cantante y compositora Anaïs Sylla, de ascendencia senegalesa y francesa; las hermanas bolivianas que conforman el grupo Santa Mala; el cubano Pedro Bandeira y Guipson Pierre, natural de Puerto Príncipe, entre otros.

Un año después del lanzamiento de la serie audiovisual, el proyecto dio lugar a un álbum musical publicado por el Selo Sesc. El disco reúne temas de artistas en situación de refugio, migrantes internacionales y apátridas, como el congoleño Zola Star, radicado en Brasil desde 1993; la iraní Mah Mooni, quien llegó al país en busca de libertad para expresar su arte; y la cantante y compositora Fanta Konatê, cuya principal referencia es su padre, el maestro percusionista Famoudú Konatê, primer solista del Ballet Nacional de Guinea-Conakri. El álbum cuenta además

con la participación de artistas provenientes de Bolivia, Cuba, Senegal, Togo y Haití, consolidando un mosaico sonoro de diversidad y resistencia.

La serie completa está disponible en El álbum puede accederse en

Direitos Humanos para Todas as Pessoas (Derechos Humanos para Todas las Personas)

Con el objetivo de fomentar reflexiones sobre los aspectos formales de los derechos humanos y su materialización en la realidad social, el proyecto Direitos Humanos para Todas as Pessoas (Derechos Humanos para Todas las Personas) fue creado en 2022. Con actividades que abarcan ferias, intervenciones artísticas, espectáculos escénicos y literarios, además de debates temáticos, la iniciativa contribuye a la discusión sobre los desafíos de transformar declaraciones, estatutos, convenciones y legislaciones en garantías concretas de dignidad humana para todas las personas, inclusive aquellas en situación de refugio.

El proyecto se ha llevado a cabo en red, con diversas unidades del Sesc en el estado de São Paulo promoviendo simultáneamente acciones temáticas. A lo largo de los años, diferentes temáticas han recibido destaque, entre ellas la injusticia social y la violencia, las relaciones entre los derechos humanos y el pensamiento social brasileño, y los caminos necesarios para traducir la palabra en acción.

“Brasil es un país formado por distintos pueblos, culturas e historias de migración. Ignorar la agenda migratoria sería ignorar la propia identidad del país y también las contribuciones fundamentales que los migrantes y refugiados aportan a la economía, la cultura y al fortalecimiento de la democracia. Pensar en Brasil sin migrantes es borrar una parte esencial de su construcción social y de su campo intelectual”, afirma

Benazira Djoco, migrante de Guinea-Bisáu y miembro del Consejo de Desarrollo Económico Social Sostenible del gobierno federal brasileño. Benazira llegó a Brasil siendo muy joven, en busca de mejores oportunidades de vida y estudio, y ya conocía un poco la cultura brasileña a través de la lectura de clásicos de la literatura, como las obras de Machado de Assis y Cecília Meireles. En 2025, participó en el proyecto Derechos Humanos para Todas las Personas: “ese evento fue fundamental porque reafirmó la centralidad de los derechos humanos como valor universal e innegociable. Debatir sobre refugio y migración en un espacio como el Sesc significa dar visibilidad a temas que a menudo son invisibles en la sociedad, además de fortalecer la lucha colectiva por la dignidad, justicia y acogida para todos.”

En la edición de 2025, la temática abordó la creación de redes colaborativas que facilitan el trabajo conjunto entre individuos, organizaciones, colectivos, movimientos sociales, liderazgos comunitarios e instituciones, con el objetivo de compartir saberes, generar conocimiento y alcanzar metas comunes. En total, 37 unidades formaron parte del evento, que contó con la participación de figuras como el activista indígena Ailton Krenak, el sacerdote Júlio Lancellotti y la investigadora Carla Akotirene, militante del feminismo negro en Brasil.

“La expectativa es que Brasil avance en políticas públicas que garanticen no solo la acogida, sino también la plena integración de estas personas, con acceso a la educación, al trabajo, a la salud y a la participación social. El mayor desafío es superar los prejuicios, la xenofobia y las barreras burocráticas que aún impiden que los refugiados ejerzan plenamente sus derechos”, asegura Benazira. Al promover el debate y fomentar el intercambio de experiencias sobre el tema, el Sesc São Paulo reafirma su papel destacado en la transformación social.

Refúgios Humanos para Profissionais da Saúde (Refugios Humanos para Profesionales de la Salud)

Con el objetivo de sensibilizar a médicos, terapeutas ocupacionales, asistentes, enfermeros, agentes de salud y otros profesionales,

el proyecto fue concebido y realizado por primera vez en 2023, mediante una alianza entre Sesc Carmo y Supervisão de Saúde Sé, de la Secretaría Municipal de Salud de São Paulo, en la región central de la ciudad.

“El principal desafío es articular salud, migración y derechos humanos en un mismo campo de cuidado. Esto exige enfrentar barreras lingüísticas, raciales y culturales, además de sensibilizar a los profesionales para prácticas libres de xenofobia, racismo y LGBT+fobia”, enfatiza Rocío Bravo Shuña, asesora en la Gerencia de Relaciones Institucionales del Consejo Federal de Psicología y doctora en Psicología Social por la Universidad de São Paulo (USP).

Rocío, una migrante indígena andina que vive en Brasil desde hace más de trece años, posee una trayectoria marcada por barreras burocráticas, episodios de xenofobia y racismo, pero también fortalecida por redes de afecto.

“Esta experiencia inspiró mi tesis doctoral en la USP, en la que analicé la atención médica como ejercicio de derecho para mujeres migrantes usuarias del SUS (sistema público de salud en Brasil), afirma. Para ella, participar en la curaduría de la acción “reafirmó la importancia de traer nuestra experiencia de vida como parte constitutiva de la metodología del proyecto”, cuyo propósito es reflexionar sobre temas relacionados con la situación de refugio, incluyendo el acceso a derechos, deberes y servicios públicos; el respeto a la diversidad y a la interculturalidad; el compromiso con la inclusión y la equidad; y el análisis de las dificultades y posibilidades de acceso a los servicios de salud por parte de esta población.

Una de las experiencias más significativas relatadas por Rocío fue “escuchar los relatos compartidos por las personas migrantes en charlas, en los cuales demostraron cómo el cuidado en salud se conecta con otros derechos, como la vivienda, la educación y el trabajo. Muchas veces, el puesto de salud es la primera puerta de entrada de estas personas al SUS y, consecuentemente, a sus derechos en el país. También fue significativo ver a los profesionales reflexionando sobre sus propios prejuicios y ampliando su práctica hacia una atención más humanizada. Estos espacios demostraron cómo la articulación

institucional puede crear refugios de aprendizaje colectivo y de transformación social”. Durante la segunda edición del proyecto, en 2024, se discutieron cuestiones como xenofobia, racismo, barreras culturales más allá del idioma, del género y de la raza, y la importancia de procesos de escucha y de intercambio de acciones exitosas en la atención en salud dirigida a personas en situación de refugio y migrantes, contribuyendo así a la difusión de buenas prácticas. Según Luciana Carvalho da Silva, analista de la Secretaría Municipal de Salud de São Paulo, las principales dificultades en la atención a personas refugiadas están relacionadas “con cuestiones estructurales, especialmente con el tiempo de atención, que no considera las vulnerabilidades, además de las barreras comunicacionales. No obstante, el principal desafío es mantener el compromiso de los profesionales de la gestión para actuar en la organización, la sensibilización y la difusión de las formaciones”, concluye.

Otras acciones

Expressões do Refúgio

(Expresiones del Refugio)

Exposición de fotografías producidas por personas refugiadas en diversos puntos de la ciudad de São Paulo, como la Avenida Paulista y el Parque Ibirapuera. La muestra fue presentada en el Sesc Carmo, ubicado en el centro de São Paulo, durante el año 2006.

Copa dos Refugiados (Copa de los Refugiados)

Realizada desde 2014, la Copa de los Refugiados reunió a cientos de jugadores de fútbol en 16 selecciones, que representaban a países como Angola, Benín, Camerún, Colombia, Gambia, Ghana, Guinea-Bisáu, República de Guinea, Irak, Malí, Marruecos, Nigeria, Congo, Siria, Tanzania y Togo. En 2024, la iniciativa se transformó en la Copa dos Migrantes e da Diversidade (Copa de los Migrantes y de la Diversidad), propuesta por el refugiado sirio Abdulbaset Jarour, activista de los derechos de las personas refugiadas, reuniendo equipos compuestos por migrantes de diferentes nacionalidades.

Sarau dos Refugiados (Sarao de los Refugiados)

Evento dirigido a la celebración de la diversidad cultural de las personas refugiadas por medio de la música y la poesía. A lo largo de los años se realizaron diversas ediciones, entre ellas la del Sesc Pompeia (2016), en la zona oeste de São Paulo, y la del Sesc Campinas (2017), en el interior del estado.

Mostra Refúgios Culturais

(Muestra Refugios Culturales)

Realizada en el Sesc Vila Mariana, en la zona sur de la capital paulista, en tres ediciones entre 2017 y 2019, la programación aludió al Día Internacional de los Derechos Humanos, celebrado el 10 de diciembre. El evento promovió el diálogo entre culturas, visibilizando producciones culturales de personas en situación de refugio por medio de ferias, charlas, talleres y actividades artísticas.

Alimento como Afeto, Resistência e Refúgio (Alimento como Afecto, Resistencia y Refugio)

Las actividades transformaron el acto de cocinar en una experiencia de intercambio, cuidado y resistencia cultural, valorizando la gastronomía como espacio de memoria y pertenencia. El ciclo de talleres se llevó a cabo en 2025 en el Sesc Casa Verde, en la zona norte de São Paulo, y fue conducido por diversos profesionales, entre ellos la iraní Mahboubeh Khademolhosseini.

Oficina de Dança Tradicional

Palestina – Dabkeh (Taller de Danza

Tradicional Palestina – Dabkeh)

A partir del Dabkeh, danza tradicional nacida del trabajo colectivo y símbolo de identidad, resistencia y pertenencia. Realizado en diversas unidades del Sesc São Paulo, el taller valorizó la memoria colectiva en movimiento. Conducido por la cineasta y activista política palestina Rawa Alsagheer.

Taller de Bordado Palestino

Presentó la técnica del bordado palestino, símbolo de la historia y la cultura del pueblo árabe, transmitida de generación en generación.

La actividad combinó exposiciones conceptuales con momentos prácticos, permitiendo a los

participantes experimentar y desarrollar la técnica, conducida por la artista palestina-siria Rahaf Hussein.

Diásporas Haitianas

Desarrollado en el Sesc Santo André, en la región metropolitana de São Paulo, en colaboración con la Unión Social de los Inmigrantes Haitianos (USIH), el proyecto ofreció reflexiones sobre los desafíos enfrentados por la comunidad haitiana en Brasil, destacando su organización colectiva, su lucha por derechos, y visibilizando manifestaciones históricas y culturales para combatir estereotipos y prejuicios.

Curso Identidad Cultural a Través de la Escritura

Impartido por el sirio Mohamad Alsaheb, el curso acercó al público a la lengua árabe, evidenciando sus conexiones históricas con el portugués, y exploró técnicas de caligrafía y aspectos culturales de los pueblos árabes. La actividad se realizó en diversas unidades del Sesc São Paulo.

Semana Refúgio e Migração: Convivências (Semana Refugio y Migración: Convivencias)

Realizado en el Sesc Piracicaba, en el interior paulista, en colaboración con la Red Acampa pola Paz, el proyecto incluyó sesiones de cine colombiano, debates con personas refugiadas y una exposición fotográfica que retrató desafíos y trayectorias en diferentes contextos migratorios.

Histórias de Refúgio (Historias de Refugio)

Programa que presenta a personas en situación de refugio y a inmigrantes residentes en Brasil contando sus historias de vida, en cada episodio, con una duración de alrededor de tres minutos, como una invitación al ejercicio de la escucha. En total, hay 13 episodios disponibles en el canal de YouTube del Sesc São Paulo.

Disponible en

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Fenomenologia Migratória

Handerson Joseph 83

Perspectivas do futuro do refúgio

Luís Felipe Aires Magalhães

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Sapatos sem dono, pés descalços: o chamado ético da vulnerabilidade

Eda Nagayama

reflexões

reflections reflexiones english version 88 versión en español 93

Diversos aspectos da vida de pessoas em situação de refúgio orientam a abordagem dos artigos deste capítulo. Handerson Joseph, doutor em Antropologia Social, parte de conceitos fenomenológicos para buscar novos entendimentos sobre a questão do refúgio. Luís Felipe Aires Magalhães, do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/Unicamp), reflete sobre as perspectivas do futuro do refúgio. Por fim, a pesquisadora e mediadora Eda Nagayama escreve sobre os questionamentos em torno de uma sociedade que possa se pautar pela inclusividade.

O refúgio em análise: reflexões de pesquisadores sobre o tema

Fenomenologia Migratória

Handerson Joseph

Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional, UFRJ. Professor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS), UFRGS. Professor do Programa de Pós-graduação em Estudos de Fronteira (PPGEF), Unifap (Universidade Federal do Amapá).

Diretor da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). Coordenador do Grupo de Trabalho CLACSO Migraciones y Fronteras Sur-Sur

1. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES (OIM).

“Relatório Mundial sobre Migração de 2024 revela últimas tendências e desafios mundiais para mobilidade humana”. OIM Brasil, 7 maio 2024. Disponível em: https://brazil.iom. int/pt-br/news/ relatorio-mundialsobre-migracaode-2024-revelaultimas-tendenciase-desafios-mundiais-para-mobilidade-humana.

Acesso em: 17 out. 2025.

2. BANCO MUNDIAL. In 2024 remittance flows to low- and middle-income countries are expected to grow modestly Disponível em: https://blogs. worldbank.org/ en/peoplemove/ in-2024--remittanceflows-to-low--andmiddle-incomecountries-ar. Acesso em: 17 out. 2025.

Nessas duas últimas décadas, as pessoas migrantes, em situação de refúgio e apátridas têm ocupado cada vez mais as manchetes nos meios de comunicação, ganhado mais visibilidade nas redes sociais (Facebook, Instagram e TikTok), nos debates públicos e nos discursos dos governos. Além do mais, também têm sido cada vez mais sujeitos de estudos acadêmicos em todo o mundo. Se, por um lado, uma boa parte da sociedade civil e das instituições não governamentais tem se mobilizado em prol dos fenômenos migratórios, por outro, as lutas, a autonomia, os agenciamentos e o protagonismo migrante têm ganhado cada vez mais destaque.

Em 2024, a Organização Mundial das Migrações (OIM) publicou o Relatório Mundial Sobre Migração, que traz à tona as últimas tendências e os desafios mundiais para a mobilidade humana, além das mudanças significativas nos fenômenos migratórios globais. Destacaria três principais delas:

• Remessas internacionais tiveram um aumento de 650%, passando de 128 bilhões para 831 bilhões de dólares entre 2000 e 2022;

• Remessas de migrantes ultrapassam os investimentos estrangeiros diretos no aumento do PIB das nações em desenvolvimento;

• Com 281 milhões de migrantes em todo o mundo, o número de pessoas deslocadas alcançou a cifra recorde de 117 milhões ao final de 2022 (OIM, 2024)1

Estas três principais mudanças destacadas do relatório evidenciam que a migração internacional continua sendo um fenômeno crucial para o futuro da humanidade, notadamente no que diz respeito às mudanças humanas, sociais e econômicas. As guerras, as violências e os desastres ambientais, entre outros, também têm impulsionado e contribuído de forma exponencial para esse aumento significativo de pessoas deslocadas em todo o mundo.

Paralelamente a essas mudanças, em 2024 também houve um crescimento de 5,8% da taxa das remessas enviadas por migrantes e não migrantes para vários países em todo o mundo, um número bem superior

3. CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de; SILVA, Sarah F. Lemos. Relatório Anual OBMigra 2023OBMigra 10 anos: Pesquisa, dados e contribuições para políticas. Série Migrações. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança Pública/Conselho Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração Laboral. Brasília, DF: OBMigra, 2023.

4. JUNGER DA SILVA, Gustavo; CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de. Refúgio em números: 10ª Edição. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança Pública/ Departamento das Migrações. Brasília, DF: OBMigra, 2025.

aos 1,2% registrados em 2023. Os cinco principais países em que as remessas representam uma proporção maior do Produto Interno Bruto entre as nações de baixa e média rendas são Tajiquistão (45% do PIB), seguido por Tonga (38%), Nicarágua (27%), Líbano (27%) e Samoa (26%). Na lista também constam países como Honduras (25,2%), Guatemala (19,6%), Haiti (18,7%) e Jamaica (17,9%)2 . Nessas duas últimas décadas, com a intensificação do fenômeno migratório Sul-Sul, o Brasil registrou um aumento de forma exponencial de pessoas migrantes e em situação de refúgio. Entre 2013 e 2022, as pessoas de nacionalidades venezuelana, haitiana, argentina e colombiana foram as que mais solicitaram residência no Brasil, o que caracteriza uma mudança significativa nas principais correntes migratórias, que passaram a se consolidar a partir do e no Sul Global 3 .

Os dados do OBMigra mostram que se, em 2013, havia 90 mil pessoas migrantes internacionais no mercado formal, em 2022, esse número alcançou 200 mil, mais do que o dobro. As principais nacionalidades são venezuelana, haitiana e paraguaia, e as ocupações estão relacionadas aos alimentadores de linha de produção e magarefes, principalmente o abate de aves e frigoríficos de suínos3. Em 2022, pela primeira vez, desde 2014, as pessoas trabalhadoras venezuelanas no mercado formal ultrapassaram em volume as trabalhadoras haitianas.

No ano de 2024, o Brasil atingiu o número de 156.612 pessoas reconhecidas como refugiadas, tendo alcançado um aumento de 9,5% se comparado ao ano de 2023, que registrou 142.980 pessoas reconhecidas como refugiadas oriundas de 130 países. No referido ano, houve um aumento significativo de mulheres, além de crianças, adolescentes e jovens até 18 anos de idade, representando 41,8% das pessoas reconhecidas como refugiadas no Brasil4 .

O aumento de forma exponencial das pessoas migrantes de cor preta e parda no Brasil, aliado às novas políticas migratórias com mais ênfase nos direitos humanos, contribui para destacar que novos imaginários de migrações são necessários no país, de modo que a gestão e as práticas

5. JOSEPH, Handerson.

Cor e dinâmicas raciais nas migrações internacionais no Brasil: configurações de desigualdades e horizontes de possibilidades.

In: CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu

Ribeiro de ; SILVA, Sarah F.

Lemos. Relatório

Anual OBMigra 2023 - OBMigra

10 anos Pesquisa, Dados e Contribuições para Políticas.

Série Migrações. Brasília, DF: OBMigra, 2023.

6. HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Parte I. Tradução de Márcia de Sá Cavalcanti.

2. ed. Petrópolis: Vozes, 1988. p. 57.

7. Idem. p. 65.

governamentais das migrações internacionais no cenário atual brasileiro possam contemplar as dinâmicas raciais e de cor.

Os dados evidenciam que a maioria das mulheres brancas migrantes ocupa os setores relacionados ao trabalho administrativo e intelectual, enquanto as mulheres migrantes de cor preta e parda ocupam os lugares mais desvalorizados. Algumas atividades se tornam trabalhos subalternos, visto que alguns serviços são mais valorizados por determinados grupos raciais5 . ***

O filósofo Martin Heidegger, em sua obra clássica Ser e tempo, define a palavra fenomenologia como “as coisas em si mesmas”6. O termo tem sua raiz no grego, e tem dois componentes: fenômeno e logos. De acordo com o filósofo, a fenomenologia seria, portanto, a ciência dos fenômenos. Originalmente, essa obra de Heidegger foi publicada em 1927. Muito antes de sua publicação, a migração e o refúgio já se consolidavam como um fenômeno, portanto, o fenômeno migratório e a mobilidade humana manifestavam-se (e continuam se manifestando) como práticas constitutivas da história humana e, para uma boa parte dos seres humanos e de suas sociedades, a mobilidade e o refúgio seriam horizontes de possibilidades para buscar a vida, fazer a vida e ganhar a vida

Se a fenomenologia seria, assim, a ciência dos fenômenos, a fenomenologia migratória seria a ciência dos fenômenos migratórios. Esta última ciência tem contribuído para compreender a mobilidade humana como constitutivo do devir humano e do futuro da humanidade, seja do ponto de vista econômico, social, cultural ou tecnológico, entre outros. Heidegger afirma que a fenomenologia é um “deixar e fazer ver por si mesmo aquilo que se mostra, tal como se mostra a partir de si mesmo”7 . Diria que a fenomenologia migratória se torna uma ferramenta teórica importante para analisar os fenômenos migratórios, notadamente as tendências, os horizontes e as perspectivas migratórias.

Perspectivas do futuro do refúgio

Luís Felipe Aires Magalhães

Professor credenciado no Departamento de Demografia da Unicamp e no Programa de Pós-graduação em Demografia da Unicamp.

Coordenador adjunto do Observatório das Migrações em São Paulo

1. Algumas dessas atividades tiveram a participação de pesquisadores e pesquisadoras do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO/Unicamp), coordenado pela professora Rosana Baeninger (NEPO/Unicamp), sobretudo por meio de lançamentos de livros, cursos e conferências sobre o tema da migração e do refúgio no Brasil.

2.

MADUREIRA, André de Lima; ROSA, William Torres Laureano da. 25 Anos da Lei 9.474/1997: uma leitura da lei brasileira à luz de legislações nacionais latino-americanas. In: RAMOS, André de Carvalho et al (org.). 25 Anos da Lei Brasileira de Refúgio Brasília, DF: Acnur, 2022.

Em grande medida, o histórico de atuação do Sesc São Paulo junto à população migrante e às pessoas em situação de refúgio no Brasil é, ao mesmo tempo, produto e produtor da conjuntura migratória e de refúgio contemporâneos em nosso país. Conhecer esta dinâmica recente é, portanto, condição indispensável para compreendermos as perspectivas do futuro da migração e do refúgio; as suas urgências em termos de políticas públicas e acesso a direitos; e os desafios colocados à atuação do Sesc São Paulo.

As atividades culturais, formativas e de acolhimento realizadas pelo Sesc São Paulo junto à população migrante e em situação de refúgio1 iniciam-se em 1995, portanto, apenas dois anos antes da promulgação da Lei do Refúgio (Lei nº 9.474/1997), que amplia a definição universal de refugiado, vigente desde a Convenção de 1951, ao inserir, de maneira pioneira no continente, a grave e generalizada violação de direitos humanos como condição para a admissibilidade, que passaria então a ser avaliada, caso a caso, por um órgão criado especificamente para esta finalidade, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Não obstante os avanços representados pela Lei do Refúgio 2, a cobertura jurídica para imigrantes mantinha-se vinculada à Lei de Segurança Nacional 3. Em completo anacronismo com a perspectiva dos direitos humanos presente tanto na Lei do Refúgio como na própria Constituição Federal de 1988, o Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/1980), entulho ditatorial que se manteve vigente até 2017, quando de sua substituição pela Nova Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), contribuía à subalternização do status político de imigrantes, à sua condição de cidadania apenas formal, à dificuldade de acesso a serviços públicos, à inexistência de políticas públicas para migrantes e à superexploração de sua mão de obra, ainda que no mercado formal de trabalho 4

3. RAMOS, André de Carvalho et al. (coord.). Nova Lei de Migração: os três primeiros anos. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/ Unicamp); Observatório das Migrações em São Paulo – FADIP, 2020.

4. MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/Unicamp, 2024.

5. SAYAD, Abdelmalek. Imigração ou os paradoxos da alteridade São Paulo: Edusp, 1998.

6. TRUZZI, Oswaldo. Redes em processos migratórios. Tempo Social Revista de Sociologia da USP, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 199-218, 2008.

7. PERES, Roberta Guimarães. Que marcadores sociais fazem a diferença: Contribuições para uma perspectiva intersecional das migrações internacionais. In: MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al (org.). Migração e refúgio temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/Unicamp, 2024.

Esse descolamento protetivo entre os marcos legais do refúgio e da migração condicionam desigualdades de acesso a direitos, porém, tendo em vista que a xenofobia estrutural e as políticas migratórias no país são produto de um pensamento de Estado assimilacionista, ambos os grupos acabam condenados a uma situação de permanente provisoriedade 5. Claro está que essa condição não se impõe de forma homogênea a todos os grupos migrantes e refugiados: a existência de redes migratórias 6 e os marcadores de gênero, raça e classe 7 nos permitem identificar especificidades não apenas entre as nacionalidades mas também, e principalmente, entre migrantes de uma mesma nacionalidade.

Esse problemático passado se impõe, agora, como desafio civilizatório. As perspectivas futuras do refúgio e da migração no Brasil guardam relação direta com o modelo de Governança Migratória, isto é, com o paradigma que orienta a política migratória e de refúgio. Esse paradigma deve ser estruturado de forma participativa, com o protagonismo de migrantes e refugiados. Este é o maior desafio a ser enfrentado na formulação das futuras políticas migratórias e de refúgio: institucionalizar mecanismos protetivos incentivando a participação social desses sujeitos.

Nos últimos anos, particularmente no período entre a I e II Conferência Nacional sobre Migrações, Refúgio e Apatridia (Comigrar), isto é, entre 2014 e 2024, a participação social de imigrantes e pessoas em situação no refúgio tem dado sinais de esgotamento 4 . Há algumas causas para tal esgotamento, que devem ser compreendidas para entendermos de forma mais precisa quais são os desafios de uma Governança Migratória e de Refúgio participativa e democrática.

A primeira causa é econômica: a recessão entre 2014 e 2016, seguida pela estagnação de 2016 a 2021, promoveram o fim de um ciclo econômico expansivo. Em uma conjuntura de crise, migrantes e refugiados, enquanto elos mais frágeis do sistema capitalista, são ainda mais prejudicados 8. É preciso reconhecer, no entanto, que essa vulnerabilidade é estrutural, e não conjuntural: mesmo em contextos de crescimento econômico, migrantes e refugiados são objeto preferencial de mecanismos de superexploração da força de trabalho 9

8. MÉSZÁROS, István. A crise estrutural do capital São Paulo: Boitempo, 2009. 9. MAGALHÃES, Luís Felipe Aires. A imigração haitiana em Santa Catarina: perfil sociodemográfico do fluxo, contradições da inserção laboral e dependência de remessas no Haiti. Tese (Doutorado em Demografia), Programa de Pós-graduação em Demografia –Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017. 10. VEDOVATO, Luís Renato; ASSIS, Ana Elisa Spaolonzi Queiroz. Direito Migratório e Política Nacional de Migração, Refúgio e Apatridia: A impotância da abordagem consensual para proteção da dignidade humana. In MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/ Unicamp, 2024.

A segunda causa é política. No mencionado período, não obstante a revogação do Estatuto do Estrangeiro e a promulgação da Nova Lei de Migração, o Executivo Federal foi ocupado por gestões notadamente pouco sensíveis à agenda social e de políticas públicas. Entre 2016 e 2018, foi implementado um programa de ajuste fiscal e de redução do gasto público, além de estabelecido um conjunto de vetos importantes à Nova Lei de Migração. Já no período de 2019 a 2022, houve desarticulação e redução do escopo de programas sociais; reforço de mecanismos de controle militar de fronteiras e de fluxos (como a Operação Acolhida); e o rompimento com o Pacto Global da ONU para Migração Segura, Ordenada e Regular. Mais recentemente, houve retrocessos relevantes à questão migratória e de refúgio, sobretudo por meio da Nota Técnica nº 18/2024/Gab-Demig/Demig/Senajus/ MJ, que retira a cobertura e a proteção da Nova Lei de Migração aos migrantes em trânsito no Brasil; e da Portaria Interministerial nº 51, de 27 de dezembro de 2024, que, na prática, limita a emissão de visto de acolhida humanitária para haitianos no Brasil.

A terceira causa da inexpressiva/diminuta participação social de migrantes e refugiados reside na própria manifestação do assimilacionismo brasileiro, por meio da Operação Acolhida. Esta operação, militarizada e coordenada pelas Forças Armadas brasileiras, voltada ao ordenamento de fronteiras, abrigamento e interiorização de migrantes venezuelanos no país, faz do maior fluxo migratório contemporâneo, a imigração venezuela, uma migração dirigida 4 , tutelada pelo Estado brasileiro. Que autonomia e participação social poderão emergir de um fluxo tutelado pelo Estado?

A recém-promulgada Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (Decreto nº 12.657, de 7 de outubro de 2025), que estava prevista na Nova Lei de Migração10 e foi fortemente reivindicada na II Comigrar, trata de forma muito geral e superficial da participação social de imigrantes. Entretanto, sua presença no Decreto é importante para estimular municípios, estados e mesmo o próprio Governo Federal a criar conselhos e fóruns representativos de imigrantes e refugiados. Tais espaços tornam o Estado aberto às demandas de migrantes e refugiados, reconhecendo-as como legítimas em suas especificidades – etapa indispensável para a superação do assimilacionismo.

Sapatos sem dono, pés descalços: o chamado ético da vulnerabilidade

Eda Nagayama

Atriz, escritora e pesquisadora, doutora em Estudos Linguísticos e Literários pela USP. Autora de Desgarrados (2015) e Yaser (2018), atua nas áreas de literatura, memória e narrativas de deslocamentos migratórios. Sua pesquisa aborda temas como pós-memória, trauma cultural, identidades e alteridade

Um par de chinelos de plástico cor-de-rosa. Sobre a larga tira, um Piu-Piu amarelo. Sem Frajola. Vi pela primeira vez nos pés de Maria, uma menina de uns seis anos em um campo de refugiados na minúscula Alexandreia, Grécia, em 2016. Pés e chinelos sujos de poeira e terra, unhas mal aparadas. Ficou a imagem dos pés, não sendo permitido fotografar os rostos. Vi os chinelos pela segunda vez, alinhados a outros sapatos por tamanho e cor, na instalação Laundromat (2017), do artista e ativista chinês Ai Weiwei, exposta na Galeria Nacional de Praga, República Tcheca. As muitas roupas e sapatos que compunham a obra haviam sido abandonados no campo de Idomeni, também na Grécia, depois coletados e higienizados, antes de serem selecionados e organizados em diálogo com imagens postadas no então Twitter, hoje X. Alguns pares pareciam recém-saídos de lojas, outros traziam marcas de uso, algum dano. Vistos em conjunto, eram os sapatos sem par que, órfãos, causavam apreensão: um pé deixado descalço, o outro lado perdido, afundado no lodaçal do campo abarrotado e inundado pelas chuvas. Agora ordenados, os sapatos evidenciavam seu potencial de afetividade ao remeterem à condição humana de vulnerabilidade e desproteção, bem como à necessidade de alento e conexão para uma existência plena. Mais do que as roupas, sapatos são objetos vestigiais, nos quais são impressos rastros do uso, uma pessoalidade orgânica e biológica, o suor e o formato dos pés, o caminhar e a maneira como corpo e pés se equilibram em movimento. Sapatos dizem também de sua época, da moda e do gosto, dos recursos usados na sua fabricação, podendo ainda denotar posição social. Na obra de Ai Weiwei, os sapatos eram indícios – presentes – de uma massa de individualidades – ausentes –, anônimas e sem voz, aos milhares. Em um mercado de modelos e materiais globalizados, os sapatos não são exclusivos de lugar algum, habitados por sírios ou bengalis, somalis ou ucranianos, ou mesmo por nossos próprios pés. Podem ainda dialogar no tempo e no espaço, com sentidos criados a partir de contextos singulares: a montanha de sapatos de prisioneiros mortos pelo regime nazista, exibidos no museu do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia; o pé de uma bota degustada com bons modos em Em busca do ouro (The Gold Rush, 1925), filme de Charlie Chaplin, semelhante ao par muito desgastado e sujo pintado por Van Gogh (Shoenen, Van Gogh Museum, Amsterdã, 1886). Vistos sob o risco de contaminação e contágio, ao portarem vestígios das terras de origem, os sapatos devem ser deixados para trás. Na Mare Nostrum (2013-2014), operação naval e aérea do governo italiano que resgatou mais de 150 mil pessoas no Mar Mediterrâneo, a equipe de acolhida, em rigorosas vestimentas de proteção que se tornariam familiares na pandemia, oferecia calçados tipo crocs genéricos. A contaminação

não se restringiria àquela de doenças e bactérias, mas ao próprio senso de alteridade, em sua carga arquetípica e simbólica, quando a diferença é alvo de um julgamento moral, tomada como ameaça a ser combatida e eliminada: o outro é indesejável, mau. Em uma abordagem radical e simplista, os “remédios” sociais aplicados são brutais e imponderados: por parte do Estado – perseguição, separação, prisão, expulsão e deportação; pela população civil – violência, em muitos modos e gradações. Seria possível cultivar uma sociedade pautada pela inclusividade, da diferença como descoberta e conjunção? Esse foi o cerne da revisão do projeto Refúgios Humanos, quando o Sesc celebra 30 anos de desafios, realizações e méritos diante de um tema de urgência e de exponencial crescimento futuro. Ao repensar os encontros entre educadores, migrantes e refugiados, atestou-se a incontornável questão da comunicabilidade: como transmitir a intensidade e a complexidade de experiências, por vezes traumáticas e específicas de um grupo e localidade, a priori distintas e distantes da realidade brasileira?

Em inglês, a expressão “calçar os sapatos do outro” descreve o sentimento de empatia. A analogia traz consigo empecilho e desconforto: todos diferentes, os pés nem sempre se ajustam e, como diz o ditado, cada um sabe onde lhe aperta o sapato. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa apresenta uma relação entre identidade e um repetitivo espelhamento ao definir empatia como “capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende, etc.” Trata-se, então, de outro tipo de impasse: como sentir, querer, apreender como outro que não eu, sem que haja algum tipo de falseamento, um “eu” travestido de “outro”?

No lastro dessa impossibilidade empática, podemos, então, retomar a proposição moral do filósofo Emmanuel Lévinas (1906-1995) como princípio fundamental da ética: o ser humano deve ser responsável pelo outro. Tal chamado não se estabelece, então, por força, mas justamente pela vulnerabilidade e necessidade moral de proteção do outro contra qualquer forma de violência. Essa vulnerabilidade poderia encontrar analogia na desproteção dos pés. Na recorrente longa trajetória dos deslocamentos forçados, os sapatos se perdem: pés infantis crescem, sapatos se estragam, se entregam, desistem da jornada. Descalços e vulneráveis, os pés se ferem nos escombros de terras devastadas por bombardeios. Se nus, sim, mas também sujos, desonram a sagrada oração voltada para Meca, sem água para livrá-los das impurezas. Cuidar e lavar os pés do outro é gesto consagrado de humildade e reverência a uma vida de sentido e compaixão, de comunidade. Em uma responsividade ao chamado ético, que os nossos – todos os pés –, possam estar protegidos, limpos e livres para caminhar sobre o mundo.

Refuge under analysis: reflections on the topic by researchers

Different aspects of the lives of refugees inform the approach of the articles in this chapter. Handerson Joseph, PhD in social anthropology, uses phenomenological concepts to seek a new understanding of the refugee issue. Luís Felipe Aires Magalhães, from the “Elza Berquó” Population Studies Center (NEPO/UNICAMP), reflects on the future prospects of refugees. Finally, researcher and mediator Eda Nagayama writes about the questions for a society that can be guided by inclusivity.

Migratory Phenomenology

Handerson Joseph

PhD in Social Anthropology from the National Museum, UFRJ. Professor and coordinator of the Graduate Program in Social Anthropology (PPGAS), UFRGS. Professor of the Graduate Program in Border Studies (PPGEF), Unifap (Federal University of Amapá). Director of the National Association of Graduate Studies and Research in Social Sciences (ANPOCS). Coordinator of the CLACSO Working Group Migrations and South - South Borders

Over the past two decades, migrants, refugees and stateless people have increasingly made headlines in the media, gained more visibility on social media (Facebook, Instagram and TikTok), in public debates and in government discourse. Furthermore, they have also increasingly become the subject of academic studies around the world. While, on the one hand, a significant portion of civil society and non-governmental institutions have mobilized in support of migration issues, on the other, migrant struggles, autonomy, agency and protagonism have gained increasing prominence.

In 2024, the International Organization for Migration (IOM) published the Global Migration Report, which highlights the latest global trends and challenges of human mobility, as well as significant changes in

global migration phenomena. I would highlight three main points:

• International remittances increased by 650% between 2000 and 2022, from USD 128 billion to USD 831 billion.

• Migrant remittances exceeded foreign direct investment in the GDP growth of developing nations.

• With 281 million migrants worldwide, the number of displaced people reached a record 117 million at the end of 2022 (IOM, 2024)1 .

These three key changes highlighted in the Report demonstrate that international migration remains a crucial phenomenon for the future of humanity, particularly with respect to human, social and economic change. Wars, violence and environmental disasters, among others, have also driven and contributed exponentially to this significant increase in displaced people worldwide. In parallel to these changes, in 2024 there was also a 5.8% increase in the amount of remittance sent by migrants and non-migrants to various countries around the world, a figure well above the 1.2% increase recorded in 2023. The top five countries where remittances account for a significant portion of Gross Domestic Product among low- and middle-income countries are Tajikistan (45% of GDP), followed by Tonga (38%), Nicaragua (27%), Lebanon (27%) and Samoa (26%). The list also includes countries like Honduras (25.2%), Guatemala (19.6%), Haiti (18.7%) and Jamaica (17.9%)2 .

Over the past two decades, with the intensification of South-South migration, Brazil has seen an exponential increase in migrants and refugees. Between 2013 and 2022, Venezuelans, Haitians, Argentines and Colombians were the most likely to apply for residency in Brazil, marking a significant shift in the main migration flows, which have begun to consolidate from, and within, the Global South 3 .

OBMigra data demonstrates that while in 2013 there were 90,000 international migrants in the formal labor market, by 2022 that number had more than doubled

to 200,000. The main nationalities are Venezuelan, Haitian and Paraguayan, and the occupations are mostly in manufacturing and meatpacking production lines, primarily for poultry and pork processing 3 . In 2022, for the first time since 2014, the number of Venezuelan workers in the formal labor market surpassed Haitian workers.

In 2024, Brazil had 156,612 recognized refugees, a 9.5% increase compared to 2023, with 142,980 recognized refugees from 130 countries. In that year, there was a significant increase in the number of women, as well as children under 18 years of age, representing 41.8% of the people recognized as refugees in Brazil4

The exponential increase in black and brown migrants in Brazil, combined with new migration policies with a greater emphasis on human rights, underscores the need for new migration imaginaries in the country, so that government administration and practices for international migration in the current Brazilian scenario also consider racial and color dynamics.

The data shows that the majority of white migrant women work in sectors related to administrative and intellectual work, while black and brown migrant women occupy the most undervalued positions. Some activities become menial jobs, as certain services are more valued by certain racial groups 5 .

The philosopher Martin Heidegger, in his classic work Being and Time, defines phenomenology as “things in themselves”6 . The term has its roots in Greek and has two components: phenomenon and logos. According to the philosopher, Phenomenology would, thus, be the science of phenomena.

This work by Heidegger was originally published in 1927. Long before its publication, migration and seeking refuge had already been established as phenomena and, thus, the phenomenon of migration and human mobility manifested themselves (and continue to manifest themselves) as constitutive practices of human history. For a large number of

human beings and their societies, mobility and seeking refuge would be horizons of possibilities for seeking life, making a new life, and earning a living.

If Phenomenology would be the science of phenomena, migratory Phenomenology would be the science of migratory phenomena. This latter science has contributed to our understanding of human mobility as constitutive for becoming human and the future of humanity, whether from an economic, social, cultural or technological perspective, among others.

Heidegger states that “Phenomenology means to let that which shows itself be seen from itself in the very way in which it shows itself from itself”6 . I would say that migratory phenomenology becomes an important theoretical tool for analyzing migration phenomena, especially migration trends, horizons, and perspectives.

1. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR MIGRATION (IOM). “World Migration Report 2024 reveals latest global trends and challenges for human mobility.” IOM Brazil May 7, 2024. Available at: https://brazil.iom.int/pt-br/news/ relatorio-mundial-sobre-migracao-de-2024-revelaultimas-tendencias-e-desafios-mundiais-paramobilidade-humana. Accessed on: October 17, 2025.

2. WORLD BANK. In 2024, remittance flows to low- and middle-income countries are expected to grow modestly. Available at: https://blogs.worldbank.org/en/peoplemove/ in-2024--remittance-flows-to-low--and-middle-incomecountries-ar. Accessed on: October 17, 2025.

3. CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de; SILVA, Sarah F. Lemos. Relatório Anual OBMigra 2023 - OBMigra 10 anos Pesquisa, dados e contribuições para políticas. Série Migrações. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança Pública/ Conselho Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração Laboral. Brasília, DF: OBMigra, 2023.

4. JUNGER DA SILVA, Gustavo; CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de. Refúgio em números: 10ª Edição. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança Pública/ Departamento das Migrações. Brasília, DF: OBMigra, 2025.

5. JOSEPH, Handerson. Cor e dinâmicas raciais nas migrações internacionais no Brasil: configurações de desigualdades e horizontes de possibilidades. In: CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de; SILVA, Sarah F. Lemos. Relatório Anual OBMigra 2023OBMigra 10 anos: Pesquisa, Dados e Contribuições para Políticas. Série Migrações. Brasília, DF: OBMigra, 2023.

6. HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Parte I. Tradução de Márcia de Sá Cavalcanti. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1988. p. 57.

Perspectives on the Future of Refuge

Accredited professor in the Department of Demography at UNICAMP and in the Graduate Program in Demography at UNICAMP.

Deputy coordinator of the Migration Observatory in São Paulo

To a large extent, SESC São Paulo’s history of work with the migrant and refugee population in Brazil is both a product and a producer of the contemporary migration and refugee situation in our country. Understanding this recent dynamic is, therefore, an essential condition for understanding the future prospects for migration and refugees; their urgent needs in terms of public policy and access to rights; and the challenges SESC São Paulo’s work faces.

The cultural, training and welcome activities carried out by SESC São Paulo for the migrant and refugee population1 began in 1995, just two years before the enactment of the Refugee Law (Law No. 9,474, of July 22, 1997), which broadens the universal definition of refugee, in force since the 1951 Convention, by including, in a pioneering manner on the continent, the serious and general violation of human rights as a condition for admissibility, which would then be evaluated, on a case-by-case basis, by a body created specifically for this purpose, the National Committee for Refugees (CONARE).

Despite the advances afforded by the Refugee Law2, legal protection for immigrants remained tied to the National Security Law3 . In a completely anachronistic juxtaposition to the Human Rights perspective contained not only in the Refugee Law, but also in the 1988 Federal Constitution itself, the Foreigner Statute (Law No. 6,815/80), a dictatorial legacy that remained in effect until 2017, when it was replaced by the New Migration Law (Law No. 13,445/2017), contributed to the subordination of immigrants’ political status, their status as merely formal citizens, the difficulty in accessing public services, the lack of public policies for migrants, and the overexploitation of their labor, even in the formal labor market 4

This protective disruption between the legal frameworks for refugee and migration result in inequalities in access to rights. However, given that structural xenophobia and migration policies in the country are the product of assimilationist state thinking, both groups end up condemned to a situation of permanent provisionality5. Of course, this condition does not apply uniformly to all migrant and refugee groups: the existence of migration networks6 and the markers of gender, race and class7 allow us to identify specificities not only among nationalities but also, and especially, among migrants of the same nationality.

This problematic past now poses a civilizing challenge. The future prospects for refugees and migration in Brazil are directly related to the Migration Governance model— that is, the paradigm that guides migration and refugee policy. This paradigm must be structured in a participatory manner, with the protagonism of migrants and refugees. This is precisely the greatest challenge to be faced in formulating future migration and refugee policies: institutionalizing protective mechanisms that encourage the social participation of these individuals.

In recent years, particularly in the period between the First and Second National Conferences on Migration, Refugees and Statelessness (COMIGRAR), between 2014 and 2024, the social participation of immigrants and refugees has shown signs of exhaustion 4. There are several causes for this exhaustion, which must be considered to more accurately understand the challenges of participatory and democratic Migration and Refugee Governance.

The first cause is economic: the recession from 2014 to 2016, followed by stagnation from 2016 to 2021, brought an end to a growing economic cycle. In a crisis, migrants and refugees, as the weakest links in the capitalist system, are even more harmed 8. It must be recognized, however, that this vulnerability is structural, not circumstantial: even in contexts of economic growth, migrants and refugees are the preferred targets of mechanisms of super-exploitation in the labor force9

The second cause is political. During the aforementioned period, notwithstanding the repeal of the Statute on Foreigners and the enactment of the New Migration Law, the Federal executive branch was held by administrations notably insensitive to the social agenda and public policies. Between 2016 and 2018, a fiscal adjustment program and a reduction in public spending were implemented, in addition to a number of important vetoes to the New Migration Law. In the period from 2019 to 2022, there was a dismantling and reduction in the scope of social programs; reinforcement of military control mechanisms at borders and on the flow of migration (such as Operation Welcome); and a break with the UN Global Compact for Safe, Orderly and Regular Migration. More recently, there have been significant setbacks to the issue of migration and refugees, especially with Technical Note No. 18/2024/Gab-Demig/Demig/Senajus/ MJ, which removes the scope and protection of the New Migration Law for migrants in transit in Brazil; and Interministerial Decree No. 51, of December 27, 2024, which, in practice, limits the issuance of humanitarian visas for Haitians in Brazil.

The third cause for the insignificant/ minimal social participation of migrants and refugees lies in the very manifestation of Brazilian assimilationism, through Operation Acolhida. This operation, militarized and coordinated by the Brazilian Armed Forces, aimed at regulating borders and receiving and resettling Venezuelan migrants in the country, makes the largest contemporary migratory flow, Venezuelan migration, a directed migration4 overseen by the Brazilian state. What autonomy and social participation can emerge from a flow overseen by the state?

The recently enacted National Policy on Migration, Refugees and Statelessness (Decree No. 12,657, of October 7, 2025), which was provided for in the New Migration Law10 and was strongly advocated at the II Comigrar, addresses the social participation of immigrants in a very general and

superficial manner. However, its inclusion in the Decree is important for encouraging municipalities, states, and even the Federal Government itself, to create councils and forums representing immigrants and refugees. These spaces make the State more open to the demands of migrants and refugees, recognizing them as legitimate in their specificities—an essential step toward overcoming assimilationism.

1. Some of these activities had the participation of researchers from the Observatory of Migrations in São Paulo (NEPO/UNICAMP), coordinated by Professor Rosana Baeninger (NEPO/UNICAMP), mainly through book launches, courses and conferences on the topic of migration and refugees in Brazil.

2. MADUREIRA, André de Lima; ROSA, William Torres Laureano da. 25 Anos da Lei 9.474/1997: uma leitura da lei brasileira à luz de legislações nacionais latino-americanas. In RAMOS, André de Carvalho et al. (org.). 25 Anos da Lei Brasileira de Refúgio Brasília, DF: ACNUR, 2022.

3. RAMOS, André de Carvalho et al. (coord.). Nova Lei de Migração os três primeiros anos. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/UNICAMP); Observatório das Migrações em São Paulo – FADIP, 2020.

4. MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al. (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” –NEPO/UNICAMP, 2024.

5. SAYAD, Abdelmalek. Imigração ou os paradoxos da alteridade São Paulo: Edusp, 1998.

6. TRUZZI, Oswaldo. Redes em processos migratórios. Tempo Social: Revista de Sociologia da USP, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 199-218, 2008.

7. PERES, Roberta Guimarães. Que marcadores sociais fazem a diferença: Contribuições para uma perspectiva interseccional das migrações internacionais. In: MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al. (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/UNICAMP, 2024.

8. MÉSZÁROS, István. A crise estrutural do capital São Paulo: Boitempo, 2009.

9. MAGALHÃES, Luís Felipe Aires. A imigração haitiana em Santa Catarina: perfil sociodemográfico do fluxo, contradições da inserção laboral e dependência de remessas no Haiti. Doctoral thesis - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP, 2017.

10. VEDOVATO, Luís Renato; ASSIS, Ana Elisa Spaolonzi Queiroz. Direito Migratório e Política Nacional de Migração, Refúgio e Apatridia: A importância da abordagem consensual para proteção da dignidade humana. In MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al (org.). Migração e refúgio temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/UNICAMP, 2024.

Shoes with no owner, bare feet: the ethical call of vulnerability

Actress, writer and researcher with a PhD in Linguistic and Literary Studies from the University of São Paulo (USP). Author of Desgarrados (2015) and Yaser (2018), she works in the areas of literature, memory and narratives of migratory displacement. Her research addresses topics such as post-memory, cultural trauma, identities and otherness

A pair of pink plastic flip-flops. On the wide strap, a yellow Tweety Bird. No Sylvester. I first saw them on Maria’s feet, a girl of about six, in a refugee camp in tiny Alexandria, Greece in 2016. Her feet and flip-flops were dusty and dirty, her toenails poorly trimmed. The image of her feet remained, as no photographs of faces were permitted. I saw the flip-flops for a second time, lined up with other shoes by size and color, in the installation Laundromat (2017) by Chinese artist and activist Ai Weiwei, on display at the National Gallery in Prague, Czech Republic. The many clothes and shoes that made up the installation had been abandoned in the Indomeni camp, also in Greece, then collected and sanitized, before being selected and organized in a dialogue with images posted on what was then Twitter, now X. Some pairs looked fresh out of the box, others bore signs of use, some were damaged. Seen together, it was the pairless shoes, orphans, that caused apprehension: one foot left bare, the other shoe lost, sunk in the mud of a crowded field, flooded by the rains. Now ordered, the shoes revealed their potential for affection by evoking the human condition of vulnerability and lack of protection, as well as the need for comfort and connection for a full existence.

More than clothing, shoes are vestigial objects, imprinted with traces of use, an organic and biological personality, the sweat and shape of the foot, the gait and the way the body and feet are balanced in movement. Shoes also speak of their time, fashion and taste, the resources used in their

manufacture, and they can even denote social status. In Weiwei’s work, shoes were signs—present—of a mass of individualities—absent—anonymous and voiceless, thousands upon thousands. In a globalized market of models and materials, shoes are not exclusive to any one place, worn by Syrians or Bangladeshis, Somalis or Ukrainians, or even by our own feet. They can also dialogue with time and space, with meanings created from singular contexts: the mountain of shoes of prisoners killed by the Nazi regime, displayed in the Auschwitz-Birkenau State Museum, a concentration camp museum in Poland; a boot eaten with good table manners in The Gold Rush (1925), a film by Charles Chaplin, similar to the very worn and dirty pair painted by Van Gogh (Shoes, Van Gogh Museum, Amsterdam, Vincent van Gogh Foundation, 1886).

Seen as a risk of contamination and contagion, bearing vestiges of their homeland, shoes must be left behind. In Mare Nostrum (2013-2014), the Italian government’s air-naval operation that rescued more than 150,000 individuals from the Mediterranean Sea, the reception team, wearing protective clothing that would become familiar during the pandemic, offered individuals generic Crocs. Contamination was not limited to disease and bacteria, but also the very sense of otherness, with its archetypal and symbolic charge, where difference is the target of moral judgment, seen as a threat to be combated and eliminated: the other is undesirable, evil. In a radical and simplistic approach, the social “remedies” applied are brutal and thoughtless: on the part of the State – persecution, separation, imprisonment, expulsion and deportation; and on the part of the civilian population –violence, in many forms and degrees. Would it be possible to cultivate a society guided by inclusivity, by difference as discovery and connection? This was the essence of the review of the Human Refuges project, as SESC celebrates 30 years of challenges, achievements and merits while confronting an issue of urgency and exponential future

growth. By rethinking the encounters between educators, migrants and refugees, the unavoidable question of communicability was evident: how to convey the intensity and complexity of experiences, sometimes traumatic and specific to a group and location, a priori distinct and distant from Brazilian reality?

In English, one of the expressions for “empathy” is precisely “to put yourself in someone else’s shoes.” The analogy brings with it obstacles and discomfort: everyone is different, their feet don’t always fit, and, as the saying goes, everyone knows where their shoes pinch. The Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa presents a relationship between identity and repetitive mirroring: “the ability to identify with another person, to feel what they feel, to want what they want, to understand the way they understand etc.” This, then, presents another kind of impasse: how can one feel, want and understand as someone other than oneself, without some kind of falsification, an “I” disguised as “other”?

Weighing this empathic impossibility, we can then return to the moral proposition of philosopher Emmanuel Lévinas (19061995) as a fundamental principle of ethics: human beings must be responsible for others. This calling is not established, then, by force, but precisely by the vulnerability and moral need to protect others from any form of violence. This vulnerability finds an analogy in the lack of protection of feet. In the recurring long trajectory of forced displacement, shoes are lost: children’s feet grow, shoes are damaged, they desist, they give up on the journey. Naked and vulnerable, feet are injured in the rubble of lands devastated by bombings.

Naked, yes, but also dirty, they dishonor the sacred prayer facing Mecca, without water to cleanse them of impurities. Caring for and washing the feet of others is a consecrated gesture of humility and reverence for a life of meaning and compassion, of community. In response to the ethical call, may our feet—all feet—be protected, clean and free to walk the world.

El refugio en análisis: reflexiones de investigadores sobre el tema

Diversos aspectos de la vida de personas en situación de refugio orientan el abordaje de los artículos de este capítulo. Handerson Joseph, doctor en Antropología Social, parte de conceptos fenomenológicos para buscar nuevas comprensiones sobre la cuestión del refugio. Luís Felipe Aires Magalhães, del Núcleo de Estudios de Población “Elza Berquó” (NEPO/Unicamp), reflexiona sobre las perspectivas de futuro del refugio. Por último, la investigadora y mediadora Eda Nagayama escribe sobre los cuestionamientos en torno a una sociedad que pueda orientarse por la inclusividad

Fenomenología migratoria

Handerson Joseph

Doctor en Antropología Social por el Museo Nacional, Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ). Profesor y coordinador del Programa de Posgrado en Antropología Social (PPGAS) de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS). Profesor del Programa de Posgrado en Estudios de Frontera (PPGEF) de la Universidad Federal de Amapá (Unifap). Director de la Asociación Nacional de Posgrado e Investigación en Ciencias Sociales (ANPOCS). Coordinador del Grupo de Trabajo CLACSO Migraciones y Fronteras Sur- Sur

En las últimas dos décadas, las personas migrantes, refugiadas y apátridas han ocupado cada vez más los titulares de los medios de comunicación, ganando mayor visibilidad en las redes sociales (Facebook, Instagram y TikTok), en los debates públicos y en los discursos de los gobiernos. Además, se han convertido progresivamente en objeto de estudios académicos en todo el mundo. Si, por un lado, una parte importante de la sociedad civil y de las instituciones no gubernamentales se ha movilizado en favor de los fenómenos migratorios, por otro, las luchas, la autonomía,

las acciones y el protagonismo de los migrantes han cobrado cada vez mayor relevancia. En 2024, la Organización Internacional para las Migraciones (OIM) publicó el Informe Mundial sobre Migración, que pone de relieve las últimas tendencias y los desafíos globales en torno a la movilidad humana, además de los cambios significativos en los fenómenos migratorios a nivel mundial. Destacaría tres de los principales:

• Las remesas internacionales aumentaron un 650%, pasando de 128.000 millones a 831.000 millones de dólares entre los años 2000 y 2022;

• Las remesas de personas migrantes superan a las inversiones extranjeras directas en el aumento del PIB de los países en desarrollo;

• Con 281 millones de migrantes en todo el mundo, el número de personas desplazadas alcanzó la cifra récord de 117 millones a finales de 2022 (OIM, 2024)1 .

Estos tres cambios principales destacados en el informe ponen de manifiesto que la migración internacional sigue siendo un fenómeno crucial para el futuro de la humanidad, especialmente en lo que respecta las transformaciones humanas, sociales y económicas. Las guerras, la violencia y los desastres medioambientales, entre otros factores, también han impulsado y contribuido de manera exponencial a este aumento significativo de personas desplazadas en todo el mundo.

Paralelamente a estos cambios, en 2024 también se produjo un crecimiento del 5,8 % en el volumen de remesas enviadas por migrantes y no migrantes a diversos países del mundo, una cifra muy superior al 1,2% registrado en 2023. Los cinco principales países en los que las remesas representan una mayor proporción del Producto Interno Bruto (PIB) entre los países de ingresos bajos y medios son Tayikistán (45% del PIB), seguido de Tonga (38%), Nicaragua (27%), Líbano (27%) y Samoa (26%). En la lista también figuran países como Honduras

(25,2%), Guatemala (19,6%), Haití (18,7%) y Jamaica (17,9%) 2

En las últimas dos décadas, con la intensificación del fenómeno migratorio Sur-Sur, Brasil ha registrado un aumento exponencial de migrantes y en situación de refugio. Entre 2013 y 2022, las personas de nacionalidad venezolana, haitiana, argentina y colombiana fueron las que más solicitaron la residencia en el país, lo que representa un cambio significativo en las principales corrientes migratorias, que pasaron a consolidarse consolidaron desde y dentro del Sur Global 3 .

Los datos de OBMigra muestran que, si en 2013 había 90.000 personas migrantes internacionales en el mercado formal, en 2022 esa cifra alcanzó los 200.000, más del doble. Las principales nacionalidades son venezolana, haitiana y paraguaya, y las ocupaciones están relacionadas con operarios de la línea de producción y matarifes, principalmente la faena de aves y los mataderos de cerdos 3. En 2022, por primera vez desde 2014, los trabajadores venezolanos en el mercado formal superaron en volumen a los trabajadores haitianos.

En el año 2024, Brasil alcanzó la cifra de 156.612 personas reconocidas como refugiadas, lo que supone un aumento del 9,5% en comparación con el año 2023, en el que se registraron 142.980 personas procedentes de 130 países. En ese mismo año, se produjo un aumento significativo de mujeres, así como de niños, adolescentes y jóvenes de hasta 18 años, que constituyeron el 41,8 % de las personas reconocidas como refugiadas en Brasil4 .

El aumento exponencial de personas migrantes negras y mestizas en Brasil, junto con las nuevas políticas migratorias centradas en los derechos humanos, pone de manifiesto la necesidad de nuevos imaginarios sobre las migraciones en el país, de modo que la gestión y las prácticas gubernamentales relacionadas con las migraciones internacionales en el contexto brasileño actual puedan contemplar las dinámicas raciales y de color.

Los datos muestran que la mayoría de las mujeres migrantes blancas se concentran en puestos relacionados con el trabajo administrativo e intelectual, mientras que las mujeres migrantes negras y pardas ocupan los puestos más desvalorizados. Algunas actividades terminan configurándose como trabajos subalternos, ya que algunos servicios son más valorados por determinados grupos raciales5 . ***

El filósofo Martin Heidegger, en su obra clásica Ser y tiempo, define la palabra fenomenología como “las cosas en sí mismas”6 . El término proviene del griego y se compone de dos elementos: fenómeno y logos. Según el filósofo, la fenomenología sería, por lo tanto, la ciencia de los fenómenos. Originalmente, esta obra de Heidegger fue publicada en 1927. Mucho antes de su publicación, la migración y el refugio ya se habían consolidado como un fenómeno, por lo que el fenómeno migratorio, la movilidad humana se manifestaba (y continúa manifestándose) como una práctica constitutiva de la historia humana. Para una gran parte de los seres humanos y sus sociedades, la movilidad y el refugio representan horizontes de posibilidades para buscar la vida, construir la vida y ganarse la vida

Si la fenomenología es, por lo tanto, la ciencia de los fenómenos, la fenomenología migratoria sería la ciencia de los fenómenos migratorios. Esta última ha contribuido a comprender la movilidad humana como parte constitutiva del devenir humano y del futuro de la humanidad, ya sea desde una perspectiva económica, social, cultural o tecnológica, entre otras.

Heidegger afirma que la fenomenología es un “dejar y hacer ver por sí mismo aquello que se muestra, tal y como se muestra a partir de sí mismo”6. Podemos decir que la Fenomenología migratoria se convierte en una herramienta teórica importante para analizar los fenómenos migratorios, en particular las tendencias, los horizontes y las perspectivas de migración.

1. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES (OIM). “Relatório Mundial sobre Migração de 2024 revela últimas tendências e desafios mundiais para mobilidade humana”. OIM Brasil 7 maio 2024. Disponible en: https://brazil.iom.int/pt-br/news/relatorio-mundialsobre-migracao-de-2024-revela-ultimas-tendenciase-desafios-mundiais-para-mobilidade-humana. Consultado el: 17 de octubre de 2025.

2. BANCO MUNDIAL. In 2024, remittance flows to lowand middle-income countries are expected to grow modestly. Disponible en: https://blogs.worldbank.org/en/ peoplemove/in-2024--remittance-flows-to-low-and-middle-income-countries-ar. Consultado el: 17 de octubre de 2025.

3. CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de; SILVA, Sarah F. Lemos. Relatório Anual OBMigra 2023 - OBMigra 10 anos Pesquisa, dados e contribuições para políticas. Série Migrações. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança Pública/ Conselho Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração Laboral. Brasília, DF: OBMigra, 2023.

4. JUNGER DA SILVA, Gustavo; CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de. Refúgio em números: 10ª Edição. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança Pública/ Departamento das Migrações. Brasília, DF: OBMigra, 2025.

5. JOSEPH, Handerson. Cor e dinâmicas raciais nas migrações internacionais no Brasil: configurações de desigualdades e horizontes de possibilidades. In CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de; SILVA, Sarah F. Lemos. Relatório Anual OBMigra 2023 - OBMigra 10 anos Pesquisa, Dados e Contribuições para Políticas. Série Migrações. Brasília, DF: OBMigra, 2023.

6. HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo Parte I. Tradução de Márcia de Sá Cavalcanti. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1988.

Perspectivas del Futuro del Refugio

Luís Felipe Aires Magalhães

Profesor acreditado en el Departamento de Demografía de la Unicamp y en el Programa de Posgrado en Demografía de la Unicamp. Coordinador adjunto del Observatorio de Migraciones en São Paulo

En gran medida, el historial de actuación del Sesc São Paulo junto a la población migrante y las personas en situación de refugio en Brasil es, al mismo tiempo, producto y productor de la coyuntura migratoria y de refugio contemporánea en el país. Conocer esta dinámica reciente es, por lo tanto, una condición

indispensable para comprender las perspectivas futuras de la migración y del refugio; sus urgencias en términos de políticas públicas y acceso a los derechos; y los desafíos que enfrenta la actuación del Sesc São Paulo.

Las actividades culturales, formativas y de acogida realizadas por el Sesc São Paulo junto con la población migrante y en situación de refugio1 comenzaron en 1995, apenas dos años antes de la promulgación de la Ley de Refugio (Ley n.º 9.474, de 22 de julio de 1997). Esta ley amplió la definición universal de refugiado, vigente desde la Convención de 1951, al incluir, de manera pionera en el continente, la grave y generalizada violación de los derechos humanos como condición para la admisibilidad, que pasaría a ser evaluada, caso por caso, por un órgano creado específicamente para este fin: la Comisión Nacional para los Refugiados (Conare).

A pesar de los avances que supuso la Ley de Refugio2, la cobertura jurídica de los inmigrantes permanecía vinculada a la Ley de Seguridad Nacional 3. En completo anacronismo con la perspectiva de los derechos humanos presente no solo en la Ley de Refugio sino también en la propia Constitución Federal de 1988, el Estatuto del Extranjero (Ley n.º 6.815/80), vestigio dictatorial que se mantuvo vigente hasta 2017, cuando fue sustituido por la Nueva Ley de Migración (Ley n.º 13.445/2017), contribuía a la subalternización del estatus político de los inmigrantes, a su condición de ciudadanía meramente formal, a la dificultad de acceso a los servicios públicos, a la ausencia de políticas públicas para migrantes y a la sobreexplotación de su fuerza de trabajo, incluso en el mercado laboral formal4

Este desajuste protector entre los marcos legales de refugio y migración condiciona las desigualdades en el acceso a los derechos. No obstante, considerando que la xenofobia estructural y las políticas migratorias del país son producto de un pensamiento estatal asimilacionista, ambos grupos terminan condenados a una situación de provisionalidad permanente5. Está claro que esta condición no se impone de manera homogénea a todos los

grupos de migrantes y refugiados: la existencia de redes migratorias6 y los marcadores de género, raza y clase7 nos permiten identificar especificidades no solo entre nacionalidades, sino también, y sobre todo, entre migrantes de una misma nacionalidad.

Este problemático pasado se impone ahora como un desafío civilizatorio. Las perspectivas futuras del refugio y la migración en Brasil están directamente relacionadas con el modelo de Gobernanza Migratoria, es decir, con el paradigma que orienta la política migratoria y de refugio. Dicho paradigma debe estructurarse de forma participativa, con el protagonismo de migrantes y refugiados. Este es, precisamente, el mayor desafío a enfrentar en la formulación de las futuras políticas migratorias y de refugio: institucionalizar mecanismos de protección que fomenten la participación social de estos sujetos. En los últimos años, particularmente en el período comprendido entre la I y la II Conferencia Nacional sobre Migraciones, Refugio y Apatridia (Comigrar), es decir, entre 2014 y 2024, la participación social de inmigrantes y personas en situación de refugio ha dado señales de agotamiento 4 . Existen algunas causas de dicho agotamiento que deben comprenderse para entender con mayor precisión cuáles son los desafíos de una Gobernanza Migratoria y de Refugio participativa y democrática.

La primera causa es económica: la recesión entre 2014 y 2016, seguida del estancamiento de 2016 a 2021, puso fin a un ciclo económico expansivo. En un contexto de crisis, los migrantes y refugiados, como eslabones más frágiles del sistema capitalista, resultan aún más perjudicados8. Sin embargo, es preciso reconocer que esta vulnerabilidad es estructural y no coyuntural: incluso en contextos de crecimiento económico, los migrantes y refugiados son objeto preferencial de mecanismos de sobreexplotación de la fuerza de trabajo 9 .

La segunda causa es política. En el mencionado período, a pesar de la revocación del Estatuto del Extranjero y de la promulgación

de la Nueva Ley de Migración, el Poder Ejecutivo federal estuvo ocupado por administraciones notoriamente poco sensibles a la agenda social y a las políticas públicas. Entre 2016 y 2018, se implementó un programa de ajuste fiscal y de reducción del gasto público, además de establecerse un conjunto de vetos importantes a la Nueva Ley de Migración. Ya en el período de 2019 a 2022, hubo una desarticulación y reducción del alcance de los programas sociales; un refuerzo de los mecanismos de control militar de fronteras y de flujos (como la Operación Acogida); y la ruptura con el Pacto Mundial de la ONU para una Migración Segura, Ordenada y Regular. Más recientemente, hubo retrocesos relevantes en materia migratoria y de refugio, especialmente por medio de la Nota Técnica n.º 18/2024/Gab-Demig/Demig/Senajus/MJ, que retira la cobertura y la protección de la Nueva Ley de Migración a las personas migrantes en tránsito por Brasil; y de la Portaría Interministerial n.º 51, del 27 de diciembre de 2024, que, en la práctica, limita la emisión de visas de acogida humanitaria para ciudadanos haitianos en Brasil.

La tercera causa de la escasa o limitada participación social de migrantes y refugiados reside en la propia manifestación del asimilacionismo brasileño, a través de la Operación Acogida. Esta operación, militarizada y coordinada por las Fuerzas Armadas brasileñas, está orientada al control fronterizo, al alojamiento y la reubicación interna de migrantes venezolanos en el país. De este modo, el mayor flujo migratorio contemporáneo, la inmigración venezolana, se convierte en una migración dirigida 4, tutelada por el Estado brasileño. ¿Qué grado de autonomía y participación social puede surgir de un flujo tutelado por el Estado?

La recién promulgada Política Nacional de Migraciones, Refugio y Apatridia (Decreto Nº 12.657, de 7 de octubre de 2025), prevista en la Nueva Ley de Migración10 fuertemente reivindicada durante la II Comigrar, aborda de forma muy general y superficial la participación social de los inmigrantes. Sin embargo,

su presencia en el Decreto es importante, ya que busca incentivar a los municipios, estados e incluso al propio Gobierno Federal a crear consejos y foros representativos de inmigrantes y refugiados. Estos espacios abren el Estado a las demandas de migrantes y refugiados, reconociéndolas como legítimas en sus especificidades, una etapa indispensable para superar el asimilacionismo.

1. Algunas de estas actividades contaron con la participación de investigadores e investigadoras del Observatorio de Migraciones de São Paulo (NEPO/ Unicamp), coordinado por la profesora Rosana Baeninger (NEPO/Unicamp), especialmente a través de lanzamientos de libros, cursos y conferencias sobre la temática de la migración y el refugio en Brasil.

2. MADUREIRA, André de Lima; ROSA, William Torres Laureano da. 25 Anos da Lei 9.474/1997: uma leitura da lei brasileira à luz de legislações nacionais latino-americanas. In: RAMOS, André de Carvalho et al. (org.). 25 Anos da Lei Brasileira de Refúgio Brasília, DF: Acnur, 2022.

3. RAMOS, André de Carvalho et al (coord.). Nova Lei de Migração: os três primeiros anos. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (Nepo/Unicamp); Observatório das Migrações em São Paulo – FADIP, 2020.

4. MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al. (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/ Unicamp, 2024.

5. SAYAD, Abdelmalek Imigração ou os paradoxos da alteridade São Paulo: Edusp, 1998.

6. TRUZZI, Oswaldo. Redes em processos migratórios. Tempo Social: Revista de Sociologia da USP São Paulo, v. 20, n. 1, p. 199-218, 2008.

7. PERES, Roberta Guimarães. Que marcadores sociais fazem a diferença: Contribuições para uma perspectiva interseccional das migrações internacionais. In MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/ Unicamp, 2024.

8. MÉSZÁROS, István. A crise estrutural do capital São Paulo: Boitempo, 2009.

9. MAGALHÃES, Luís Felipe Aires. A imigração haitiana em Santa Catarina: perfil sociodemográfico do fluxo, contradições da inserção laboral e dependência de remessas no Haiti. Tese (Doutorado em Demografia), Programa de Pós-graduação em Demografia –Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017.

10. VEDOVATO, Luís Renato; ASSIS, Ana Elisa Spaolonzi Queiroz. Direito Migratório e Política Nacional de Migração, Refúgio e Apatridia: A importância da abordagem consensual para proteção da dignidade humana. In: MAGALHÃES, Luís Felipe Aires et al (org.). Migração e refúgio: temas emergentes no Brasil. Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – NEPO/Unicamp, 2024.

Zapatos sin dueño, pies descalzos: el llamado ético de la

vulnerabilidad

Eda Nagayama

Actriz, escritora e investigadora, doctora en Estudios Lingüísticos y Literarios por la USP. Autora de Desgarrados (2015) y Yaser (2018), trabaja en las áreas de literatura, memoria y narrativas de desplazamientos migratorios. Su investigación aborda temas como posmemoria, trauma cultural, identidades y alteridad

Un par de chinelas de plástico color rosa. Sobre la ancha tira, un Piolín amarillo. Sin Silvestre. Las vi por primera vez en los pies de María, una niña de unos seis años, en un campo de refugiados en la diminuta Alejandría, Grecia, en 2016. Pies y chinelas cubiertas de polvo y tierra, uñas mal cortadas. Quedó grabada la imagen de los pies, no estaba permitido fotografiar los rostros. Vi esas chinelas por segunda vez, alineadas junto a otros zapatos por tamaño y color, en la instalación Laundromat (2017), del artista y activista chino Ai Weiwei, expuesta en la Galería Nacional de Praga, República Checa. Las numerosas prendas y zapatos que componían la obra habían sido abandonados en el campo de Idomeni, también en Grecia, luego recolectados y lavados antes de ser seleccionados y organizados en diálogo con imágenes publicadas en lo que entonces era Twitter, hoy X. Algunos pares parecían recién salidos de tiendas; otros, marcados por el uso, presentaban algún daño. Vistos en conjunto, eran los zapatos sin par que, huérfanos, provocaban inquietud: un pie descalzo, el otro perdido, hundido en el lodazal del campo saturado e inundado por las lluvias. Ahora ordenados, los zapatos revelaban su potencia afectiva al remitir a la condición humana de vulnerabilidad y desprotección, así como a la necesidad de consuelo y conexión para una existencia plena.

Más que la prendas, los zapatos son objetos vestigiales, donde quedan impresas las huellas del uso: una personalidad orgánica y biológica, el sudor y la forma de los pies, la manera de caminar, el modo en que el cuerpo y los pies se equilibran en movimiento. Los zapatos también hablan de su época: de la moda, del gusto, de los recursos con que fueron fabricados, y pueden incluso denotar posición social. En la obra de Weiwei, los zapatos eran indicios presentes de una masa de individualidades ausentes, anónimas y sin voz, a los miles. En un mercado de modelos y materiales globalizados, los zapatos no pertenecen a ningún lugar específico: pueden haber sido calzados por sirios o bengalíes, somalíes o ucranianos, o incluso por nuestros propios pies. También dialogan en el tiempo y el espacio, cargados de sentidos creados por contextos singulares: la montaña de zapatos de prisioneros asesinados por el régimen nazi, expuesta en el Museo del Campo de Concentración de Auschwitz, en Polonia; una bota saboreada con buenos modales en La quimera del oro (The Gold Rush, 1925), de Charles Chaplin; o el par muy desgastado y sucio pintado por Van Gogh (Shoes, Van Gogh Museum, Amsterdam, Vincent van Gogh Foundation, 1886).

Vistos bajo el riesgo de contaminación y contagio, por portar vestigios de las tierras de origen, los zapatos deben dejarse atrás. Durante la operación Mare Nostrum (2013-2014), misión aero-naval del gobierno italiano que rescató a más de 150 mil personas en el mar Mediterráneo, el equipo de acogida, protegido con rigurosos trajes que luego se volverían familiares en la pandemia, ofrecía calzados Crocs genéricos. La contaminación no se limitaba a enfermedades o bacterias, sino también al propio sentido de alteridad, en su carga arquetípica y simbólica, cuando la diferencia se convierte en objeto de juicio moral, tomada como una amenaza que debe combatirse y eliminarse: el otro es indeseable,

es malo. Desde un enfoque radical y simplista, los “remedios” sociales aplicados resultan brutales e desmedidos: por parte del Estado – persecución, separación, prisión, expulsión y deportación; por parte de la población civil – violencia, en muchos modos y grados.

¿Sería posible cultivar una sociedad basada en la inclusión, donde la diferencia sea descubrimiento y conjunción? Esa fue la esencia de la revisión del proyecto Refúgios Humanos (Refugios Humanos), cuando el Sesc celebró 30 años de desafíos, logros y méritos frente a un tema urgente y de crecimiento exponencial. Al repensar los encuentros entre educadores, migrantes y refugiados, se hizo evidente la inevitable cuestión de la comunicabilidad: ¿cómo transmitir la intensidad y complejidad de experiencias a veces traumáticas y específicas de un grupo o lugar, a priori tan distintas y lejanas de la realidad brasileña?

En inglés, una de las acepciones de “empatía” es precisamente “ponerse en los zapatos del otro”. Pero la analogía trae consigo obstáculo e incomodidad: como son todos distintos, los pies no siempre se ajustan, y como dice el refrán, cada uno sabe dónde le aprieta el zapato. El Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa establece una relación entre identidad y un reflejo repetitivo: “capacidad de identificarse con otra persona, de sentir lo que ella siente, de querer lo que ella quiere, de percibir del modo en que ella percibe, etc.” Surge entonces otro tipo de impasse: ¿cómo sentir, querer o percibir como otro que no soy yo, sin caer en un falseamiento, sin que un “yo” se disfrace de “otro”?

En la estela de esta imposibilidad empática, podemos retomar la proposición moral del filósofo Emmanuel Lévinas (19061995) como principio fundamental de la ética: el ser humano debe ser responsable del otro. Ese llamado no se establece por la fuerza, sino precisamente por la vulnerabilidad y necesidad moral de proteger al

otro contra cualquier forma de violencia. Esa vulnerabilidad puede encontrar su analogía en la desprotección de los pies. En la larga y repetida trayectoria de los desplazamientos forzados, los zapatos se pierden: los pies infantiles crecen, los zapatos se desgastan, se entregan, se rinden ante el camino. Descalzos y vulnerables, los pies se hieren entre los escombros de tierras devastadas por bombardeos. Descalzos, sí; pero también sucios, deshonran la oración sagrada dirigida a La Meca, sin agua que los libre de las impurezas. Cuidar y lavar los pies del otro es un gesto consagrado de humildad y reverencia a una vida con sentido y compasión, de comunidad. En respuesta al llamado ético, que nuestros pies —todos los pies— puedan estar protegidos, limpios y libres para caminar por el mundo.

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Espaços de diversidade: o impacto social e as perspectivas de ações futuras

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O olhar voltado para os próximos 30 anos

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social impacts and perspectives

impacto social y perspectivas english version 124 versión en español 132

impacto social e perspectivas

Espaços de diversidade: o impacto social e as perspectivas de ações futuras

Trinta anos de trabalho representam um marco significativo e merecem ser celebrados. A reflexão sobre as ações passadas, a avaliação das estratégias adotadas e o planejamento de iniciativas futuras constituem etapas fundamentais desse percurso.

Os impactos das ações culturais e socioeducativas realizadas de forma contínua contribuíram para a criação de um contexto que incentivou outras organizações a desenvolverem trabalhos voltados à migração e ao refúgio. “O Sesc São Paulo foi o primeiro parceiro da Cáritas nos cursos de português para pessoas refugiadas. Essa experiência abriu caminho para outras instituições pensarem cursos semelhantes”, afirma o Padre Marcelo Marostica Quadro, vice-diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo.

Para Miguel Pachioni, oficial de comunicação do Acnur, os impactos sociais decorrentes dessa parceria são altamente positivos. “Por meio de iniciativas culturais, empreendedoras, educativas, de bem-estar e formação cidadã, o Sesc tem possibilitado não apenas o acesso a serviços fundamentais, mas também a construção de espaços de convivência onde a diversidade é acolhida e celebrada, onde o respeito às

diferenças é justamente um elemento que nos aproxima”, destaca. Entre os impactos mais relevantes, ele ressalta: “Essa atuação tem um impacto direto na redução das desigualdades, no combate à xenofobia e na valorização das contribuições que as pessoas refugiadas trazem para a sociedade brasileira, evidenciando saberes e traços culturais que moldam o tecido social e nossa capacidade de evolução. Ao longo dos anos, o Sesc ajudou a transformar percepções sociais, promovendo inclusão efetiva e afetiva. Isso é essencial para que a pessoa refugiada não seja vista apenas por sua condição de vulnerabilidade, mas em seu potencial para contribuir com a comunidade que a acolhe e é por ela acolhida”.

No contexto nacional, observam-se avanços significativos, como a instituição da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (2025), por meio do Decreto nº 12.657/2025. Essa medida tem por objetivo coordenar e articular ações de diferentes áreas do governo federal, em cooperação com estados, municípios, sociedade civil e organismos internacionais, a fim de promover os direitos das pessoas migrantes, refugiadas e apátridas no Brasil.

Por meio de iniciativas culturais, empreendedoras, educativas, de bemestar e formação cidadã, o Sesc tem possibilitado não apenas o acesso a serviços fundamentais, mas também a construção de espaços de convivência onde a diversidade é acolhida e celebrada, onde o respeito às diferenças é justamente um elemento que nos aproxima.

Miguel Pachioni oficial de comunicação do Acnur

Também reconhece o papel dessas populações como agentes de desenvolvimento econômico e social, reforçando princípios como interculturalidade, responsabilidade compartilhada e valorização do enraizamento comunitário. Trata-se de um avanço tanto simbólico quanto concreto, ao institucionalizar mecanismos de coordenação intersetorial e fortalecer a participação social, reafirmando a migração como uma questão de direitos, e não apenas de controle.

Também se destaca por contemplar temas historicamente periféricos no debate migratório, como a apatridia, a proteção diferenciada e a integração local. Entretanto, persiste o desafio de assegurar a aplicação uniforme da política em todos os estados e municípios, garantindo que as populações em maior situação de vulnerabilidade, como mulheres, crianças, pessoas LGBTQIA+, povos indígenas e refugiados com baixo nível de escolaridade tenham seus direitos plenamente assegurados. “Para tanto, é imprescindível um esforço conjunto do poder público, da sociedade civil, das instituições e das organizações”, pondera Flávia Carvalho, gerente da Gerência de Estudos e Programas Sociais (Gepros).

O olhar voltado para os próximos 30 anos

Ao projetar sua atuação para o futuro do trabalho com as pessoas refugiadas e migrantes, o Sesc São Paulo reafirma seu compromisso com a construção de uma sociedade plural. Essa perspectiva futura baseia-se na convicção de que a educação, a cultura e o convívio social constituem instrumentos essenciais para o fortalecimento dos laços comunitários e a promoção dos direitos humanos em um contexto global em constante transformação. Diante de novos desafios, como o aumento dos deslocamentos forçados, as crises ambientais e as tensões sociais, a instituição renova sua disposição de cooperação com parceiros e redes de apoio, ampliando oportunidades de integração e aprendizagem. Assim, mantém-se fiel à sua trajetória histórica, ao mesmo tempo que valoriza as possibilidades emergentes de cada encontro, de cada história e de cada acolhimento, reafirmando que as pessoas em situação de refúgio representam expressão de potencialidade. Miguel Pachioni, oficial de comunicação do Acnur, enfatiza os desafios futuros diante do aumento dos deslocamentos forçados, decorrentes de conflitos e mudanças climáticas, com impactos cada vez mais frequentes

e severos. “É nos momentos mais difíceis que os valores fundamentais de uma parceria que se estende por anos, sendo inclusive aprimorada com o tempo, são evidenciados. O Acnur acredita que a educação, as trocas culturais e a promoção de oportunidades de integração, como o aprendizado de idiomas e o acesso a serviços de qualidade, são pilares centrais para o desenvolvimento integral do ser humano em seu meio social, e o Sesc São Paulo tem se mostrado um parceiro estratégico nessa agenda da valorização do humano”, pontua. Nesse sentido, a perspectiva é expandir iniciativas conjuntas que promovam sensibilização social, novos aprendizados e experiências, permitindo que as pessoas se reconheçam como agentes transformadores de suas próprias realidades e das comunidades em que vivem.

O Padre Marcelo Marostica Quadro, da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp), reforça que as perspectivas incluem o combate à xenofobia. “Trabalhar cada vez mais essa questão em campanhas, envolver as comunidades locais, as pessoas que frequentam o Sesc São Paulo: tudo isso para romper com a imagem negativa e preconceituosa

Trabalhar cada vez mais essa questão [xenofobia] em campanhas, envolver as comunidades locais, as pessoas que frequentam o Sesc São Paulo: tudo isso para romper com a imagem negativa e preconceituosa que ainda se possa ter em torno das pessoas refugiadas e migrantes.

Padre Marcelo Marostica Quadro Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp)

que ainda se possa ter em torno das pessoas refugiadas e migrantes.” Ele destaca ainda que, no século 21, não é mais viável conceber o movimento migratório ou as políticas associadas de forma homogênea, pois há especificidades a serem consideradas. É necessário ter atenção a crianças, mulheres, idosos, povos indígenas, pessoas com deficiência, bem como à saúde mental, área na qual o Sesc São Paulo pode contribuir significativamente, utilizando cultura e lazer como instrumentos de promoção do bem-estar, não apenas para recém-chegados em situação de refúgio, mas também para aqueles que já residem no Brasil e enfrentam carência de moradia, emprego ou outros desafios sociais, comuns à população brasileira. Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo, enfatiza: “Ao abrir suas portas para que pessoas refugiadas e migrantes ocupem os espaços e compartilhem suas trajetórias, ao longo de três décadas, o Sesc reafirma seu papel como instituição educativa que promove a dignidade, o encontro e os direitos humanos. Cada ação é também um gesto de acolhimento e uma afirmação de que, em São Paulo, o refúgio encontra lugar”.

Ao longo deste capítulo, constam depoimentos de alguns parceiros do Sesc São Paulo nestas três décadas de atuação junto a pessoas em situação de refúgio.

Entre as histórias, está a da fotógrafa, pianista e tradutora Yara Osman, nascida na Síria em 1989, que migrou para o Brasil em 2016. Em seu depoimento, ela afirma que nunca sentiu sua “identidade tão plenamente notada quanto sentiu no Sesc”.

Fabiana Bezerra Nogueira e Karine Evelyn Alves Carvalho, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, parceiras do projeto Refúgios Humanos, lembram que a “efetivação de uma política educacional que respeite, acolha e valorize as pessoas migrantes é, antes de tudo, um projeto de sociedade mais justa”.

Já Lara Lopes, nascida em Moçambique, na África, afirma que no Sesc compreendeu “que poderia fazer a diferença, simplesmente compartilhando minha história e fazendo com que os que me ouviam tivessem mais empatia pelo diferente, pelo migrante”.

Agora escritas, essas histórias se tornam registro, arquivo dos avanços concretizados, além de desejo de garantia dos direitos humanos a todas as pessoas.

Depoimentos

Oula Alsaghir

O Sesc abriu outro mundo à minha frente, seja ao cantar ou falar ou responder às perguntas nos bate-papos. Depois dos meus shows, sempre eu saí cheia de esperança e chocada de tanta curiosidade cultural que o povo brasileiro tem. Quanta diversidade tem em um só país! Isso é incrível para mim. E foi isso que não me deixou me sentir estrangeira e me fez ser bem recebida e acolhida. Percebi que tem lugar para todo mundo. Isso me aproximou mais dos meus filhos e das escolas deles.

Quando fui convidada para participar no curso Refúgios Humanos, desde 2018 até hoje, e quando falei e compartilhei minhas dificuldades como mãe de outro país, que fala outra língua, que é de outra cultura, e cujos filhos estudam nas escolas brasileiras, eu então revivi, literalmente. E então aprendi que não importa se não falo português tão fluente. Sempre tem um jeito de me comunicar com as professoras. Minha vida mudou mesmo: participei de vários shows, tanto com a Orquestra Mundana Refugi ou com minha banda e outras participações em que tive a honra de cantar ao lado de músicos e cantores famosos.

Oula Alsaghir Palestina

São Paulo, como maior receptor de migrantes internacionais no Brasil, destaca-se por ter sido o primeiro município a instituir uma política migratória própria, reconhecendo as pessoas migrantes como sujeitos de direitos. [...]

Em 2021, a Secretaria Municipal de Educação (SME) publicou o documento Currículo da Cidade: Povos Migrantes – Orientações Pedagógicas, como resposta direta à demanda por diretrizes que orientassem a atuação das escolas frente à crescente presença de estudantes migrantes na rede municipal. Além disso, destaca-se o investimento na formação continuada, contando com importantes parcerias, como a celebrada com o Sesc através do curso Refúgios Humanos : direito à vida em um mundo sem fronteiras , que possibilitou a participação de parcela considerável de educadoras e educadores, em diálogos interculturais que apresentam caminhos possíveis e potentes.

A efetivação de uma política educacional que respeite, acolha e valorize as pessoas migrantes é, antes de tudo, um projeto de sociedade mais justa, plural e democrática, capaz de romper com as estruturas da colonialidade.

Fabiana Bezerra Nogueira

Karine Evelyn Alves Carvalho

Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER/SME)

A partir da minha experiência com o Sesc São Paulo, compreendi que o refúgio não é apenas um deslocamento geográfico, mas um verdadeiro teste aos valores da justiça e da dignidade humana. Nos espaços do Sesc encontrei o significado concreto dos direitos humanos quando eles deixam de ser apenas discurso e se transformam em prática – quando a palavra se torna gesto de acolhimento e responsabilidade. [...] Como um dos fundadores do coletivo Ponto Zero do Refúgio, vejo na parceria com o Sesc um exemplo do que as instituições podem ser quando colocam o ser humano no centro. O espaço que o Sesc nos oferece não é um apoio temporário, mas a expressão viva de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva, onde a dignidade é preservada e as vozes que vêm de longe podem ser ouvidas.

Anas Obaid Síria

O Sesc São Paulo tem sido, ao longo de 30 anos, um espaço essencial de acolhimento, visibilidade e valorização das pessoas em situação de refúgio. Sua atuação vai além das atividades culturais e educativas: ela cria pontes, abre caminhos e fortalece a dignidade de quem precisou deixar seu país em busca de proteção e esperança. Na minha trajetória como imigrante da Guiné-Bissau, pude testemunhar e vivenciar o quanto o Sesc contribui para transformar vidas. Suas iniciativas de integração social, acesso à cultura, ao esporte e à educação são ferramentas poderosas que ampliam horizontes e permitem que imigrantes e refugiados encontrem pertencimento e construam novas histórias em solo brasileiro.

Anas Obaid
Benazira Djoco Guiné-Bissau

Mudar de país de forma forçada é atravessar fronteiras emocionais e existenciais. O refúgio não é só falta: somos indivíduos, com talentos e histórias que merecem florescer. [...] Em São Paulo, o Sesc se tornou meu porto seguro: em meio ao barulho da cidade, oferece silêncio, escuta e acolhimento. [...]

Foi no Sesc que encontrei uma rede de apoio essencial. Da oficina de cantos nasceu o grupo Tananir, do qual participei com mulheres brasileiras e refugiadas, unindo vozes e culturas.

Também vivi experiências no Sarau Vozes Femininas, nas oficinas de culinária, no grupo de música iraniana e no curso Refúgios Humanos, que impactou professores da rede pública e transformou trajetórias. [...] No Sesc, descobri que não somos apenas sobreviventes: somos criadores, artistas, pensadores e, acima de tudo, seres humanos.

Yara Osman Síria

Cheguei ao Brasil no final de 2012, em meio a muita desinformação sobre o que significava ser refugiado. Muitos confundiam o termo com ‘foragido’, e isso tornava minha integração ainda mais difícil.

Naquele momento, trabalhar com arte parecia algo distante, embora fosse um sonho guardado em mim. Fundei o grupo Os Escolhidos apenas para matar a saudade do meu país, mas em 2013 conheci uma instituição que mudou tudo: o Sesc. [...]

Hoje posso dizer que meu sonho se tornou realidade. O Sesc não apenas abriu portas para minha carreira, mas mostrou que é possível recomeçar. Suas ações de acolhimento, cursos de idioma e atividades culturais oferecem aos refugiados algo essencial: esperança. Esperança de reconstruir a vida, de transformar a dor em criação e de mostrar que, mesmo longe de casa, é possível florescer.

Willy Roberto Leonardo Matumona
Leonardo Matumona Angola e República Democrática do Congo

Eu chamo de PALCO das vozes, porque foi onde eu aprendi que toda história tem valor e pode ser instrumento num país distante. No Sesc, compreendi que poderia fazer a diferença simplesmente compartilhando minha história e fazer com que os que me ouviam tivessem mais empatia pelo diferente, pelo imigrante.

Hoje sei que, para além de ser um palco, o Sesc é também um lugar de saber. Sou grata ao Sesc pelas inúmeras oportunidades que deu, não somente a mim, mas a diversos imigrantes de várias nacionalidades de levarem suas histórias, culturas, sabores e saberes para partilhar com o Brasil.

Espero que o projeto continue e que mais conexões sejam criadas de modo a desmistificar o o termo Refúgio, porque por muito tempo ele sofreu preconceito pela falta de conhecimento sobre o porquê de muitas pessoas se tornarem refugiados ou estarem em situação de refúgio.

No início, nossa relação com o Sesc foi de acolhimento, tivemos acesso à alimentação, dentista e lazer em meio a uma situação em que parecia quase impossível reconstruir nossa história, em um território onde tudo era novo e muito diferente. Para mim e para minhas irmãs, ocupar esse espaço era sinônimo de diversão e tranquilidade, pois ali éramos respeitadas e aceitas tal qual nós éramos, [...] atravessadas pela experiência do refúgio. Ocupar esses espaços nos deu coragem para romper o silêncio e acreditar que nossas histórias merecem e devem ser contadas, em nome de todos aqueles que vieram antes de nós e pelos que ainda virão!

C’ayu Tze Colômbia
Lara Lopes Moçambique

O Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes de São Paulo reconhece a relevância estratégica do Sesc São Paulo como parceiro institucional e cultural na integração social, cultural e cidadã de imigrantes e refugiados. [...] As unidades do Sesc têm se constituído em espaços de acolhimento, pertencimento e reconstrução de trajetórias, promovendo o acesso à cultura, ao lazer, à saúde, à educação e à convivência comunitária.

A valorização da diversidade cultural é pilar da atuação do Sesc, evidenciado em oficinas gastronômicas, festivais, exposições e formações que dão visibilidade às vozes e saberes das comunidades migrantes. [...] Com programas de inserção profissional, contratação de refugiados como artistas, oficineiros e palestrantes, e ações conjuntas de sensibilização social, o Sesc se afirma como aliado fundamental na construção de uma cidade inclusiva e justa.

Oriana Jara

Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes de São Paulo (CRAI)

Acampa pela Paz e o Direito a Refúgio é uma rede internacional que promove ações para que as populações vulneráveis em busca de novos territórios sejam acolhidas e tenham novas chances de existência. [...] Aqui no Brasil, desde 2022 temos parceria com o Sesc Piracicaba. [...]

Ao lado do Sesc, buscamos provocar o público a repensar o refúgio, os direitos humanos e acolher as populações vulneráveis em busca de território.

Acampa pela Paz

Minha experiência com o Sesc começou no centro de São Paulo. Pensar no Sesc e no refúgio é lembrar de Denise Orlandi Collus nos recebendo no Sesc Carmo com amabilidade e carinho, entregando-nos a carteirinha e os tickets para o almoço. Inicialmente era gratuito, e depois o almoço custava R$ 2. Foi um apoio fundamental.

[...] O Sesc demonstrou a sua capacidade de compreender e se adaptar ao processo de integração.

Nesse caminho, o Sesc entendeu que a participação da pessoa refugiada em diversas atividades podia ser compreendida e remunerada como um trabalho. Esse elemento tem sido fundamental, pois devolve a dignidade às pessoas, reconhece o seu valor, a sua capacidade e contribui significativamente para a sua autoestima.

[...]

O trabalho do Sesc, que se estende a programas como Culturas em Trânsito, a oferta de cursos de português e projetos de empregabilidade e formação com o Senac, demonstra uma visão integral que vai além da assistência, apostando na autonomia, no empoderamento e na desconstrução da xenofobia. Ao facilitar o acesso à cultura, arte, esporte e educação, e ao promover o protagonismo das pessoas migrantes e refugiadas, o Sesc consolida o seu papel como um ator fundamental na garantia dos direitos humanos e na construção de uma sociedade brasileira verdadeiramente acolhedora, respeitosa da diversidade de gênero e da orientação sexual.

Neste 30º aniversário, o meu mais sincero reconhecimento e gratidão à trajetória, à contribuição e à imensa importância social desse programa.

[...] Para uma imigrante e refugiada, o impacto do Sesc é sentido de uma forma particularmente vital: o acolhimento. A chegada a um novo país é marcada pela busca por inserção social, aprendizado da cultura local e reconstrução de laços comunitários.

Os programas do Sesc – como cursos de línguas e de qualificação profissional, oficinas de arte e encontros comunitários – atuam como pontes de integração. Eles oferecem não apenas o conhecimento técnico ou cultural, mas um espaço seguro onde a história de vida do recém-chegado não é apagada, mas valorizada. Minha história como imigrante e refugiada se cruza com a do Sesc no processo de reconstrução.

Meu filho passou parte da infância no programa Curumim do Sesc Pompeia, com educadores muito amigáveis e comprometidos, que o ajudaram a se integrar e a ter diferentes amigos. No início, foi um pouco difícil, mas depois veio uma integração.

Claudine Shindany Kumbi
República Democrática do Congo
Claudine Shindany Kumbi

Sou sírio, sobrevivente da guerra, refugiado há 11 anos no Brasil. Hoje sou deputado estadual suplente em São Paulo e presidente da Identidade Humana Global. [...] Coordeno a Copa dos Refugiados e Imigrantes, maior evento de futebol que reúne a comunidade migrante. [...]

Minha trajetória se entrelaça ao Sesc, que me acolheu em projetos como o curso de português, o Refúgios Humanos, saraus e debates. [...] O Sesc deu rosto e voz às pessoas migrantes e refugiadas, promovendo acesso à cultura, educação, esporte e lazer.

Acolhimento humanizado, respeito e apoio marcaram minha reconstrução, inclusive em momentos de fragilidade pessoal. [...] Hoje, sigo como produtor cultural e artista contratado, compartilhando vivências de fé, superação e esperança. Meu sentimento é único: GRATIDÃO.

Abdulbaset Jarour

Síria

Nenhum imigrante usa o verbo ‘migrar’ da mesma forma.

Todos nós deixamos nossa terra natal com esperança.

Ninguém deixa sua casa tão facilmente.

Os motivos da migração são diferentes para cada pessoa.

Mas, depois da migração, todos nós definimos nossos anseios da mesma maneira!

Sesc entrou na minha vida para me dizer: Não fique em silêncio, grite sua voz, resgate seus direitos.

Irã

Navid Manafi Rasi
Navid Rasi

Quando cheguei ao Brasil, trazia comigo o desejo de recomeçar e de oferecer aos meus filhos uma vida mais segura e cheia de oportunidades. No entanto, o caminho foi cheio de desafios, adaptação e aprendizado. Foi no Sesc que encontrei acolhimento, escuta e a chance de me reconstruir, não apenas profissionalmente, mas também como pessoa.

O trabalho do Sesc tem um impacto social profundo, pois transforma vidas com ações que unem educação, cultura e solidariedade. Cada projeto reflete o compromisso de olhar para o outro com empatia e respeito, incluindo e respeitando nossa cultura em cada projeto.

Essa experiência se entrelaça com a minha história porque me ensinou que o trabalho com propósito pode mudar destinos. No Sesc, aprendi que cuidar do outro é também uma forma de curar a si mesmo. Hoje, sinto orgulho de fazer parte da história de uma instituição que não apenas forma profissionais, mas também fortalece pessoas, histórias e une a família.

Lembro da primeira vez que comi de forma saudável no Sesc Carmo: parecia um detalhe, mas aquele prato de comida me deu forças para continuar a caminhada, como se fosse combustível para acreditar que a vida podia ser reconstruída. No Sesc Avenida Paulista, subi até o mirante e, olhando a cidade lá de cima, entendi que São Paulo não iria me devorar, eu teria forças para vencer. O Sesc Belenzinho guarda minhas memórias mais ternas. Levei minha filha incontáveis vezes à piscina, e ela sempre dizia: ‘Mãe, quero trabalhar aqui, porque aqui as pessoas sorriem e são felizes’. Anos depois, ela se tornou a primeira jovem aprendiz refugiada do Sesc. Meu coração quase explodiu de orgulho. [...]

Também vivi pequenos milagres do cotidiano: no Sesc Vila Mariana, me senti como um pássaro livre de muitas cores, sempre voando mais alto. No calor intenso do Sesc 24 de Maio, aliviei a saudade da minha família da Venezuela com sorvete de iogurte e pés no espelho d’água. No Sesc 14 Bis, dancei salsa para soltar do corpo a dor de abraços que nunca mais voltaram.

Spaces of diversity: social impacts and perspectives for future action

Thirty years of work represents a significant milestone and deserves to be celebrated.

Reflecting on past actions, evaluating the strategies adopted and planning future initiatives are fundamental steps in this journey.

The impacts of the ongoing cultural and socio-educational actions carried out have contributed to the creation of a scenario that has encouraged other organizations to develop work focused on migration and refugees. “SESC São Paulo was Cáritas’ first partner in the Portuguese language courses for refugees. This experience paved the way for other institutions to consider similar courses,” says Father Marcelo Marostica Quadro, vice-director of Cáritas Archdiocese of São Paulo (CASP).

For Miguel Pachioni, UNHCR communications officer, the social impacts resulting from this partnership are very positive. “Through cultural, entrepreneurial, educational, well-being and civic education initiatives, SESC has enabled not only access to essential services, but also the construction of spaces for coexistence where diversity is welcomed and celebrated, where respect for differences is precisely the element that brings us closer together,” he emphasizes.

Among the most important impacts, he highlights: “This work has a direct impact on reducing inequalities, combating xenophobia, and valuing the contributions that refugees bring to Brazilian society, highlighting knowledge and cultural traits that shape the social fabric and our capacity for evolution. Over the years, SESC has helped transform social perceptions, promoting effective and affective inclusion. This is essential so that refugees are not seen only

for their vulnerable condition, but for their potential to contribute to the community that welcomes them and is welcomed by them.”

In the national context, significant progress has been made, such as the establishment of the National Policy on Migration, Refugees and Statelessness (2025), through Decree No. 12,657/2025. This measure aims to coordinate and articulate actions from different areas of the federal government, in cooperation with states, municipalities, civil society and international organizations, to promote the rights of migrants, refugees and stateless persons in Brazil.

There is a recognition of the role of these populations as agents of economic and social development, reinforcing principles such as interculturality, shared responsibility, and the appreciation of community roots. This is both a symbolic and concrete advance, as it institutionalizes intersectoral coordination mechanisms and strengthens social participation, reaffirming migration as a matter of rights, and not just control.

It also stands out for addressing historically peripheral issues in the migration debate, such as statelessness, differentiated protection and local integration. However, the challenge remains of ensuring the uniform application of the policy in all states and municipalities, guaranteeing that the most vulnerable populations, such as women, children, LGBTQIA+ people, indigenous peoples and refugees with low levels of education, have their rights fully guaranteed. “To this end, a joint effort by public authorities, civil society, institutions and organizations is essential,” says Flávia Carvalho, manager of Social Studies and Programs Management (Gepros).

Looking ahead to the next 30 years

In planning future work with refugees and migrants, SESC São Paulo reaffirms its commitment to building a pluralistic society. This future perspective is based on the conviction that education, culture and social interaction are essential tools for strengthening community ties and promoting human rights in a constantly changing global context. Faced with new challenges, such as increased forced displacement, environmental crises and social tensions, the institution renews its willingness to cooperate with partners and support networks, expanding opportunities for integration and learning. Thus, it remains true to its historical trajectory, while valuing the emerging possibilities of each encounter, each story, and each welcoming of refugees, reaffirming that refugees represent an expression of potential.

Miguel Pachioni, UNHCR communications officer, emphasizes the future challenges in the face of increased forced displacement resulting from conflicts and climate change, with increasingly frequent and severe impacts.

“It is in the most difficult moments that the fundamental values of a partnership that extends over years, and has even improved with time, are highlighted. UNHCR believes that education, cultural exchange and the promotion of integration opportunities, such as language learning and access to quality services, are central pillars for the integral development of humans in their social environment, and SESC São Paulo has proven to be a strategic partner in this agenda of valuing the human being,” he explains.

In this sense, the perspective is to expand joint initiatives that promote social

awareness, new learning and experiences, allowing people to recognize themselves as agents of transformation of their own realities and the communities in which they live.

Father Marcelo Marostica Quadro, from Cáritas Archdiocese of São Paulo (CASP), reinforces that the perspectives include combating xenophobia. “Working more and more on this issue in campaigns, involving local communities, and people who frequent SESC São Paulo: all this to break with the negative and prejudiced image that may still exist with respect to refugees and migrants.” He also emphasizes that, in the 21st century, it is no longer viable to conceive of the migratory movement and associated policies in a homogeneous manner, as there are specificities to be considered. It is necessary to pay attention to children, women, the elderly, indigenous peoples and people with disabilities, as well as mental health, an area where SESC São Paulo can contribute significantly, using culture and leisure as instruments to promote well-being, not only for newcomers in refugee situations, but also for people who already reside in Brazil and face a lack of housing, employment, or other social challenges common among the Brazilian population.

Luiz Galina, regional director of SESC São Paulo, emphasizes: “By opening its doors so that refugees and migrants can occupy the spaces and share their journeys, over three decades, SESC reaffirms its role as an educational institution that promotes dignity, encounters, and human rights. Each action is also a gesture of welcome and an affirmation that, in São Paulo, refuge has a place.”

Testimonials

In this chapter, you can read testimonials from many of SESC São Paulo’s partners over three decades of working with refugees.

Among the stories is that of photographer, pianist and translator Yara Osman, born in Syria in 1989, who immigrated to Brazil in 2016. In her testimony, she claims that she has never felt her “identity so fully recognized as she did at SESC.”

Fabiana Bezerra Nogueira and Karine Evelyn Alves Carvalho, from the São Paulo Municipal Department of Education, partners in the Refúgios Humanos (Human Refuges) project, point out that “the implementation of an educational policy that respects, welcomes and values migrants is, above all, a project for a more just society.”

Lara Lopes, born in Mozambique, Africa, says that at SESC she understood “that I could make a difference, simply by sharing my story and making those who listened to me feel more empathy for those who are different, for migrants.”

Now written, these stories become a record, an archive of the progress made, as well as a desire to guarantee human rights for all people.

invited to participate in the Human Refuges course, from 2018 until today. When I spoke and shared my difficulties as a mother from another country—speaking another language, coming from another culture, with children studying in Brazilian schools—I truly came alive again. I learned that even if I don’t speak Portuguese perfectly, there’s always a way to communicate with the teachers. My life truly changed. In addition to the numerous shows I performed, whether with the Mundana Refuge orchestra, with my own band, or in other collaborations, I had the honor of singing alongside renowned musicians and singers.

Oula Alsaghir

Palestine

SESC opened another world to me, whether through singing, speaking or answering countless questions in the conversations that followed my shows. I always left feeling full of hope and amazed by the cultural curiosity of the Brazilian people. The amount of diversity in just one country is incredible to me. This is what kept me from feeling like a foreigner—I felt welcomed, embraced, and could see that there’s room for everyone. It also brought me closer to my children and their schools when I was

São Paulo, as the largest recipient of international migrants in Brazil, stands out for being the first municipality to establish its own migration policy, recognizing migrants as subjects with rights. [...]

In 2021, the Municipal Department of Education (SME) published the document Currículo da Cidade: Povos Migrantes – Orientações Pedagógicas (Curriculum for the City of Migrant Peoples – Pedagogical Guidelines), as a direct response to the demand for guidelines to guide schools’ actions in light of the growing number of migrant students in the municipal school system. Furthermore, investments in continuing education, including important partnerships such as the one with SESC with the course Refúgios Humanos: direito à vida em um mundo sem fronteiras

(Human Refuges: the right to life in a world without borders), allowed a significant number of educators to participate in intercultural dialogues that present possible and powerful paths forward. The implementation of an educational policy that respects, welcomes, and values migrants is, above all, a project for a more just, pluralistic and democratic society, and one that breaks with the structures of coloniality.

Fabiana Bezerra Nogueira Karine Evelyn Alves Carvalho Education Center for Ethnic-Racial Relations (NEER) - SME

From my experience at SESC São Paulo, I understood that refuge is not just a geographic displacement, but a true test of the values of justice and human dignity. In SESC’s spaces, I discovered the concrete meaning of human rights, when they cease to be mere rhetoric and become practice — when words become gestures of welcome and responsibility.

[...]

As one of the founders of the Ponto Zero do Refúgio collective, I see the partnership with SESC as an example of what institutions can become when they place the human being at the center. The space SESC offers us is not a temporary support, but the living expression of a more just, diverse and inclusive society, where dignity is preserved and voices from afar can be heard.

Anas Obaid Syria

SESC São Paulo has been, for 30 years, an essential space for welcoming, providing visibility and valuing refugees. Its work goes beyond cultural and educational activities: it builds bridges, opens up paths, and strengthens the dignity of those who have had to leave their country in search of protection and hope. Throughout my journey as an immigrant from GuineaBissau, I have witnessed and experienced how much SESC contributes to transforming lives. Its initiatives for social integration, access to culture, sports and education are powerful tools that broaden horizons and allow immigrants and refugees to find belonging and write new stories on Brazilian soil.

Benazira Djoco

Guiné-Bissau

Being forced to move to another country means crossing emotional and existential boundaries. Refuge isn’t just an absence: we are individuals, with talents and stories that deserve to flourish. [...] In São Paulo, SESC became my safe haven: amidst the noise of the city, it offers silence, listening and welcome. [...] It was at SESC that I found an essential support network. The Tananir group emerged from the singing workshop, in which I participated with Brazilian and refugee women, uniting voices and cultures. I also had experiences at the Sarau Vozes Femininas

(Female Voices cultural soiree), cooking workshops, the Iranian music group and the Human Refuges course, which impacted public school teachers and transformed their careers. [...]

At SESC, I discovered that we are not just survivors: we are creators, artists, thinkers and, above all, human beings.

Yara Osman

Syria I arrived in Brazil at the end of 2012, amidst a lot of misinformation about what it meant to be a refugee. Many confused the term with ‘fugitive,’ and this made my integration even more difficult. At that time, working with art seemed distant, although it was a dream I had always held. I founded the group Os Escolhidos (The Chosen) just to overcome my longing for my country, but in 2013 I discovered an institution that changed everything: SESC. [...]

Today I can say that my dream has come true. SESC not only opened doors for my career, but it also showed me that it’s possible to start over. Its welcoming actions, language courses and cultural activities offer refugees something essential: hope. Hope to rebuild their lives, to transform pain into creation, and to show that, even far from home, it’s possible to flourish.

Leonardo

I call it a STAGE for voices, because it was where I learned that every story has value and can be an instrument in a distant land. It was at SESC where I realized I could make a difference, simply by sharing my story and making those who listened to me more empathetic toward those who are different, toward immigrants. Today, I know that more than being just a stage, SESC is also a place of knowledge. I am grateful to SESC for the countless opportunities it has given not only me, but also different immigrants and nationalities, to share their stories, cultures, flavors and knowledge with Brazil. I hope the project continues and more connections are created to demystify the word ‘refugee’, because for a long time it has suffered from prejudice due to a lack of knowledge about why many people become refugees or seek refuge.

Lara Lopes Mozambique

At first, our relationship with SESC was one of welcome, we had access to meals, dental care and leisure activities in a situation where it seemed almost impossible to rebuild our story, in a place where everything was new and very different. For my sisters and me, being in this space was synonymous with fun and tranquility, because there we were respected and accepted just as we are, [...] permeated

by the experience of refuge. Being in these spaces gave us the courage to break the silence and believe that our stories deserve to and must be told on behalf of all those who came before us and those yet to come!

C’ayu

Colombia CRAI-SP recognizes the strategic importance of SESC São Paulo as an institutional and cultural partner in the social, cultural and civic integration of immigrants and refugees. [...] SESC units have established themselves as spaces for welcoming, belonging and rebuilding trajectories, promoting access to culture, leisure, health, education and community life.

The appreciation of cultural diversity is a pillar of SESC’s work, evidenced in culinary workshops, festivals, exhibitions and training programs that give visibility to the voices and knowledge of migrant communities. [...] With professional employment integration programs, hiring refugees as artists, workshop leaders and speakers, and joint social awareness initiatives, SESC asserts itself as a fundamental ally in building an inclusive and just city.

Oriana Jara

Reference and Service Center for Immigrants (CRAI)

Acampa pela Paz

My experience with SESC began in downtown São Paulo. Thinking about SESC and refuge brings to mind Denise Orlandi Collus, who welcomed us at SESC Carmo with kindness and affection, handing us our membership card and vouchers for lunch. Initially, it was free, but later, lunch cost BRL 2.00. It was a crucial support.

[...]

SESC demonstrated its capacity to understand and adapt to the integration process. On this path, SESC understood that refugee participation in various activities could be understood and remunerated as work. This element has been crucial, as it restores dignity to people, recognizes their value and capabilities, and contributes significantly to their self-esteem.

[...]

Acampa pela Paz e o Direito a Refúgio (Camp for Peace and the Right to Refuge) is an international network that promotes actions to ensure that vulnerable populations seeking new lands are welcomed and have new opportunities for survival. [...] Here in Brazil, we have had a partnership with SESC Piracicaba (SP) since 2022. [...] Together with SESC, we seek to encourage the public to rethink the idea of refuge and human rights, and welcome vulnerable populations seeking a new home.

SESC’s work, which extends to programs such as Culturas em Trânsito (Cultures in Transit),

Matumona Angola and the Democratic Republic of the Congo

the provision of Portuguese courses, and employability and training projects with SENAC, demonstrates a holistic vision that goes beyond assistance, focusing on autonomy, empowerment and the deconstruction of xenophobia. By facilitating access to culture, art, sports and education, and promoting the empowerment of migrants and refugees, SESC consolidates its role as a fundamental actor for guaranteeing human rights and building a truly welcoming Brazilian society that respects gender diversity and sexual orientation.

On this 30th anniversary, I express my sincere recognition and gratitude for the trajectory, contributions and immense social importance of this program.

Leonor Solano Colombia

[...] For an immigrant and refugee, the impact of SESC is felt in a particularly vital way: welcome. Arriving in a new country is marked by the search for social integration, learning the local culture and rebuilding community ties. SESC programs – such as language and professional training courses, art workshops and community gatherings – act as bridges for integration. They offer not only technical and cultural knowledge, but a safe space where the newcomer’s life story is not erased, but valued. My ‘story’ as an immigrant and refugee intersects with that of SESC in the

process of reconstruction.

My son spent part of his childhood in the Curumim program at SESC Pompeia, with very friendly and committed educators who helped my son integrate and make different friends. It was a little difficult at first, but after integration was easy.

Claudine Shindany Kumbi Democratic Republic of the Congo

I am Syrian, a war survivor, and a refugee in Brazil for 11 years. Today, I am a deputy state representative in São Paulo and president of Global Human Identity. [...] I coordinate the Refugee and Immigrant Cup, the largest soccer event that brings together the migrant community. [...]

My journey is intertwined with SESC, which welcomed me in projects like the Portuguese course, Human Refuges, cultural soirees and debates. [...]

SESC gave a face and a voice to migrants and refugees, promoting access to culture, education, sports and leisure.

A humanized welcome, respect and support marked my reconstruction, even in moments of personal fragility. [...] Today, I am a cultural producer and contracted artist, sharing experiences of faith, resilience and hope. My feeling is singular: GRATITUDE.

No immigrant uses the verb ‘migrate’ in the same way. We all leave our homeland with hope.

No one leaves their home so easily.

The reasons for migration are different for everyone.

But, after migration, we all define our desires in the same way!

SESC came into my life to tell me:

Don’t be silent, shout your voice, reclaim your rights.

Navid Manafi Rasi

Iran When I arrived in Brazil, I brought with me the desire to start over and offer my children a safer life, full of opportunities. However, the path was full of challenges, adaptation and learning. It was at SESC that I found acceptance, listening, and the chance to rebuild myself, not only professionally, but also as a person.

SESC’s work has a profound social impact, transforming lives through actions that combine education, culture and solidarity. Each project reflects a commitment to looking at others with empathy and respect, including and respecting our culture in each project. This experience is intertwined with my story because it taught me that purposeful work can change destinies. At SESC, I learned that caring for others is also a way to heal oneself. Today, I am proud to be part of the history

of an institution that not only trains professionals, but also strengthens people, stories, and unites families.

I remember the first time I ate healthy food at SESC Carmo: it seemed like a small detail, but that plate of food gave me the strength to keep going, as if it were the fuel to believe that life could be rebuilt. At SESC Avenida Paulista, I went up to the observation level and, looking down at the city, I understood that São Paulo wouldn’t devour me; I would have the strength to succeed. SESC Belenzinho holds my fondest memories. I took my daughter to the pool countless times, and she always said, ‘Mom, I want to work here because people smile and are happy here.’ Years later, she became SESC’s first refugee apprentice. My heart almost burst with pride.

[...]

I also experienced small, everyday miracles: at SESC Vila Mariana, I felt like a free, colorful bird, always soaring higher. In the intense heat at SESC 24 de Maio, I overcame my longing for my family in Venezuela with yogurt ice cream and my wetting feet in the reflecting pool. At SESC 14 Bis, I danced salsa to release the pain in my body of hugs that will never return.

Marifer Vargas Range

Venezuela

Espacios de diversidad: el impacto social y las perspectivas de acciones futuras

Treinta años de trabajo representan un hito significativo y merecen ser celebrados. La reflexión sobre las acciones pasadas, la evaluación de las estrategias adoptadas y la planificación de iniciativas futuras constituyen etapas fundamentales de este recorrido.

Los impactos de las acciones culturales y socioeducativas realizadas de manera continua contribuyeron a la creación de un contexto que incentivó a otras organizaciones a desarrollar trabajos orientados a la migración y al refugio. “El Sesc São Paulo fue el primer aliado de Cáritas en los cursos de portugués para personas refugiadas. Esta experiencia abrió el camino para que otras instituciones pensaran en cursos similares”, afirma el sacerdote Marcelo Marostica Quadro, vicedirector de Cáritas Arquidiócesis de São Paulo (CASP).

Según Miguel Pachioni, oficial de comunicación de Acnur, los impactos sociales derivados de esta alianza son altamente positivos. “A través de iniciativas culturales, emprendedoras, educativas, de bienestar y de formación ciudadana, el Sesc ha permitido no solo el acceso a servicios fundamentales, sino también la creación de espacios de convivencia donde se acoge y se celebra la diversidad, y donde el respeto a las diferencias es precisamente un elemento que nos une”, señala. Entre los impactos más relevantes, él destaca: “Esta labor tiene un impacto directo en la reducción de las desigualdades, en la lucha contra la xenofobia y en la valoración de las contribuciones que las personas refugiadas aportan a la sociedad brasileña, poniendo de relieve conocimientos y rasgos culturales que moldean el tejido social y nuestra capacidad de evolución. A lo largo de los años, el Sesc ha ayudado a transformar las percepciones sociales, promoviendo una inclusión efectiva y afectiva. Esto es esencial para que la persona refugiada no sea vista solo por su condición

de vulnerabilidad, sino por su potencial para contribuir a la comunidad que la acoge y, que a su vez, es acogida por ella”.

En el contexto nacional, se observan avances significativos, como la instauración de la Política Nacional de Migraciones, Refugio y Apatridia (2025), por medio del Decreto n.º 12.657/2025. Esta medida tiene como objetivo coordinar y articular acciones de diferentes áreas del gobierno federal, en cooperación con estados, municipios, sociedad civil y organismos internacionales, con el fin de promover los derechos de personas migrantes, refugiadas y apátridas en Brasil.

Existe el reconocimiento del papel de estas poblaciones como agentes de desarrollo económico y social, reforzando principios como la interculturalidad, la responsabilidad compartida y la valorización del arraigo comunitario. Se trata de un avance tanto simbólico como concreto, al institucionalizar mecanismos de coordinación intersectorial y fortalecer la participación social, reafirmando la migración como una cuestión de derechos y no únicamente de control.

También se destaca por contemplar temas históricamente periféricos en el debate migratorio, como la apatridia, la protección diferenciada y la integración local. No obstante, persiste el desafío de asegurar la aplicación uniforme de la política en todos los estados y municipios, garantizando que las poblaciones en situación de mayor vulnerabilidad —como mujeres, niñas y niños, personas LGBTQIA+, pueblos indígenas y personas refugiadas con bajo nivel de escolaridad— tengan plenamente asegurados sus derechos. “Para ello, es imprescindible un esfuerzo conjunto del poder público, de la sociedad civil, de las instituciones y de las organizaciones”, reflexiona Flávia Carvalho, gerente de la Gerencia de Estudios y Programas Sociales (Gepros).

Una mirada hacia los próximos 30 años

Al proyectar su labor hacia el futuro del trabajo con las personas refugiadas y migrantes, el Sesc São Paulo reafirma su compromiso con la construcción de una sociedad plural. Esa perspectiva futura se basa en la convicción de que la educación, la cultura y la convivencia social constituyen instrumentos esenciales para el fortalecimiento de los lazos comunitarios y la promoción de los derechos humanos en un contexto global en constante transformación. Frente a nuevos desafíos, como el aumento de los desplazamientos forzados, las crisis ambientales y las tensiones sociales, la institución renueva su disposición de cooperar con socios y redes de apoyo, ampliando oportunidades de integración y aprendizaje. De este modo, se mantiene fiel a su trayectoria histórica, al mismo tiempo que valora las posibilidades emergentes de cada encuentro, de cada historia y de cada acogimiento, reafirmando que las personas en situación de refugio representan una expresión de potencialidad.

Miguel Pachioni, oficial de comunicación de Acnur, enfatiza los desafíos futuros ante el aumento de los desplazamientos forzados, derivados de conflictos y cambios climáticos, con impactos cada vez más frecuentes y severos. “Es en los momentos más difíciles cuando se revelan los valores fundamentales de una alianza construida a lo largo de los años y continuamente perfeccionada. Acnur cree que la educación, los intercambios culturales y la promoción de oportunidades de integración, como el aprendizaje de idiomas y el acceso a servicios de calidad, son pilares fundamentales para el desarrollo integral del ser humano en su entorno social. Sesc São Paulo ha demostrado ser un socio estratégico en esta agenda de valorización de lo humano”, señala.

En ese sentido, la perspectiva es ampliar iniciativas conjuntas que promuevan la

sensibilización social, nuevos aprendizajes y experiencias, permitiendo que las personas se reconozcan como agentes transformadores de sus propias realidades y de las comunidades en las que viven.

El sacerdote Marcelo Marostica Quadro, de Cáritas Arquidiócesis de São Paulo (CASP), reafirma que las perspectivas incluyen el combate a la xenofobia. “Trabajar cada vez más esta cuestión mediante campañas, involucrar a las comunidades locales, a las personas que frecuentan el Sesc São Paulo: todo ello con el fin de romper con la imagen negativa y prejuiciosa que aún pueda existir en torno a las personas refugiadas y migrantes”. Él destaca además que, en el siglo XXI, ya no es viable concebir el movimiento migratorio o las políticas asociadas de forma homogénea, pues existen especificidades que se deben considerar. Es necesario prestar atención a niñas y niños, mujeres, personas mayores, pueblos indígenas y personas con discapacidad, así como a la salud mental, área en la cual el Sesc São Paulo puede contribuir significativamente, utilizando la cultura y el ocio como instrumentos de promoción del bienestar, no solo para quienes llegan recientemente en situación de refugio, sino también para quienes ya residen en Brasil y enfrentan falta de vivienda, empleo u otros desafíos sociales, comunes a la población brasileña. Luiz Galina, director regional del Sesc São Paulo, enfatiza: “Al abrir sus puertas para que personas refugiadas y migrantes ocupen los espacios y compartan sus trayectorias, a lo largo de tres décadas, el Sesc reafirma su papel como institución que promueve la dignidad, el encuentro y los derechos humanos. Cada acción es también un gesto de acogimiento y una afirmación de que, en São Paulo, el refugio encuentra su lugar”.

Testimonios

A lo largo de este capítulo, podrá leer testimonios de muchos aliados del Sesc São Paulo a lo largo de estas tres décadas de trabajo con personas en situación de refugio.

Entre las historias se encuentra la de la fotógrafa, pianista y traductora Yara Osman, nacida en Siria en 1989, que emigró a Brasil en 2016. En su testimonio, afirma que nunca sintió su “identidad tan plenamente reconocida como en el Sesc”.

Fabiana Bezerra Nogueira y Karine Evelyn Alves Carvalho, de la Secretaría Municipal de Educación de São Paulo, colaboradoras del proyecto Refúgios Humanos, recuerdan que la “implementación de una política educativa que respete, acoja y valore a las personas migrantes es, ante todo, un proyecto de sociedad más justa”.

Por su parte, Lara Lopes, nacida en Mozambique, África, afirma que en el Sesc comprendió “que podía marcar la diferencia simplemente compartiendo mi historia y haciendo que quienes me escuchaban sintieran más empatía por lo diferente, por la persona migrante”.

Ahora, al estar escritas, estas historias se convierten en registro, en archivo de los avances logrados, además de reflejar un deseo de garantizar los derechos humanos a todas las personas.

veo en la alianza con el Sesc un ejemplo de lo que pueden ser las instituciones cuando ponen al ser humano en el centro. El espacio que el Sesc nos ofrece no es un apoyo temporal, sino la expresión viva de una sociedad más justa, diversa e inclusiva, donde se preserva la dignidad y se pueden escuchar las voces que vienen de lejos.

Oula Alsaghir Palestina

A partir de mi experiencia con el Sesc São Paulo, comprendí que el refugio no es solo un desplazamiento geográfico, sino una verdadera prueba para los valores de la justicia y la dignidad humana. En los espacios del Sesc encontré el significado concreto de los derechos humanos cuando dejan de ser solo un discurso y se convierten en práctica — cuando la palabra se transforma en gesto de acogida y responsabilidad. [...] Como uno de los fundadores del colectivo Ponto Zero do Refúgio (Punto Cero del Refugio),

São Paulo, como principal destino de migrantes internacionales en Brasil, se destaca por haber sido el primer municipio en instaurar una política migratoria propia, reconociendo a las personas migrantes como sujetos de derechos. [...] En 2021, la Secretaría Municipal de Educación (SME) publicó el documento Currículo da Cidade Povos Migrantes –Orientações Pedagógicas (Currículo de la Ciudad Pueblos Migrantes: Orientaciones Pedagógicas), como respuesta directa a la demanda de directrices que orientan la actuación de las escuelas ante la creciente presencia de estudiantes migrantes en la red municipal. Además, la inversión en formación continua, contando con importantes alianzas como la celebrada con el Sesc a través del curso Refúgios Humanos: direito à vida em um mundo sem fronteiras (Refugios Humanos: derecho a la vida en un mundo sin fronteras), posibilitó la participación de una parte considerable de educadores y educadoras en diálogos interculturales que presentan caminos posibles y potentes.

La implementación de una política educativa que respete, acoja y valore a las personas migrantes es, ante todo, un proyecto de sociedad más justa, plural y democrática, que rompa con las estructuras de la colonialidad.

Fabiana Bezerra Nogueira

Karine Evelyn Alves Carvalho Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER) - SME

A partir de mi experiencia con el Sesc São Paulo, comprendí que el refugio no es solo un desplazamiento geográfico, sino una verdadera prueba para los valores de la justicia y la dignidad humana. En los espacios del Sesc encontré el significado concreto de los derechos humanos cuando dejan de ser solo un discurso y se convierten en práctica — cuando la palabra se transforma en gesto de acogida y responsabilidad. [...] Como uno de los fundadores del colectivo Ponto Zero do Refúgio (Punto Cero del Refugio), veo en la alianza con el Sesc un ejemplo de lo que pueden ser las instituciones cuando ponen al ser humano en el centro. El espacio que el Sesc nos ofrece no es un apoyo temporal, sino la expresión viva de una sociedad más justa, diversa e inclusiva, donde se preserva la dignidad y se pueden escuchar las voces que vienen de lejos.

Anas Obaid

Siria

El Sesc São Paulo ha sido, a lo largo de 30 años, un espacio esencial de acogida, visibilidad y valoración de las personas en

situación de refugio. Su actuación va más allá de las actividades culturales y educativas: crea puentes, abre caminos y fortalece la dignidad de quienes tuvieron que abandonar su país en busca de protección y esperanza. En mi trayectoria como inmigrante de Guinea-Bisáu, pude ser testigo y experimentar cuánto contribuye el Sesc a transformar vidas. Sus iniciativas de integración social, acceso a la cultura, al deporte y a la educación son herramientas poderosas que amplían horizontes y permiten que inmigrantes y refugiados encuentren un lugar al que pertenecer y donde construir nuevas historias en suelo brasileño.

Benazira Djoco Guinea-Bisáu

Cambiar de país de forma forzada es cruzar fronteras emocionales y existenciales. El refugio no es solo carencia: somos individuos, con talentos e historias que merecen florecer. [...] En São Paulo, el Sesc se convirtió en mi puerto seguro: en medio del bullicio de la ciudad, ofrece silencio, escucha y acogida. [...] Fue en el Sesc donde encontré una red de apoyo esencial. Del taller de canto nació el grupo Tananir, del cual participé junto a mujeres brasileñas y refugiadas, uniendo voces y culturas. También viví experiencias en el Sarao Vozes Femininas, en los talleres de cocina, en el grupo de música iraní y en el curso Refúgios Humanos (Refugios Humanos), que impactó a docentes de la red pública y transformó trayectorias. [...] En el Sesc descubrí que no solo

somos sobreviviventes: somos creadores, artistas, pensadores y, sobre todo, seres humanos.

Yara Osman

Siria Llegué a Brasil a finales de 2012, en medio de mucha desinformación sobre lo que significaba ser refugiado. Muchos confundían el término con ‘fugitivo’, lo que dificultaba aún más mi integración. En ese momento, trabajar con arte parecía algo lejano, aunque era un sueño que llevaba guardado en mi interior. Fundé el grupo Os Escolhidos en bomenaje a la nostalgia que tenía de mi país, pero en 2013 conocí una institución que lo cambió todo: el Sesc. [...] Hoy puedo decir que mi sueño se ha hecho realidad. El Sesc no solo abrió puertas para mi carrera, sino que me demostró que es posible empezar de nuevo. Sus acciones de acogida, cursos de idiomas y actividades culturales ofrecen a los refugiados algo esencial: esperanza. Esperanza de reconstruir la vida, de transformar el dolor en creación y de demostrar que, incluso lejos de casa, es posible prosperar. Leonardo Matumona Palestina

por lo diferente, por el inmigrante. Hoy sé que, además de ser un escenario, el Sesc es también un lugar de conocimiento. Le agradezco por las innumerables oportunidades que no solo me ha brindado a mí, sino también a diversos inmigrantes y nacionalidades para llevar sus historias, culturas, sabores y saberes para compartirlos con Brasil. Espero que el proyecto continúe y que se creen más conexiones, de modo que se desmitifique la palabra REFUGIO, porque ha sufrido prejuicio por la falta de conocimiento sobre por qué muchas personas se convierten en refugiadas o se encuentran en estado de refugio.

Lara Lopes Mozambique

Lo llamo ESCENARIO de las voces, porque fue allí donde aprendí que toda historia tiene valor y puede ser un instrumento en un país distante. Fue en el Sesc donde comprendí que podía marcar la diferencia, simplemente compartiendo mi historia y haciendo que quienes me escuchaban sintieran más empatía

Al principio, nuestra relación con el Sesc fue de acogida, tuvimos acceso a alimentación, dentista y recreación en medio de una situación en la que parecía casi imposible reconstruir nuestra historia, en un territorio donde todo era nuevo y muy diferente. Para mí y para mis hermanas, ocupar ese espacio era sinónimo de diversión y tranquilidad, porque allí éramos respetadas y aceptadas tal y como éramos. [...] atravesadas por la experiencia del refugio. Ocupar estos espacios nos dio valor para romper el silencio y creer que nuestras historias merecen y deben ser contadas, en nombre de todos aquellos que vinieron antes que nosotras y de los que aún vendrán.

C’ayu Tze Colombia

El CRAI-SP reconoce la importancia estratégica del Sesc São Paulo como socio institucional y cultural en la integración social, cultural y ciudadana de inmigrantes y refugiados. [...] Las unidades del Sesc se han convertido en espacios de acogida, pertenencia y reconstrucción de trayectorias, promoviendo el acceso a la cultura, la recreación, la salud, la educación y la convivencia comunitaria. La valorización de la diversidad cultural es un pilar de la actuación del Sesc, que se evidencia a través de talleres gastronómicos, festivales, exposiciones y formaciones que dan visibilidad a las voces y saberes de las comunidades migrantes. [...]

Con programas de inserción profesional, contratación de personas refugiadas como artistas, talleristas y conferencistas, así como acciones conjuntas de sensibilización social, el Sesc se afirma como un aliado fundamental en la construcción de una ciudad inclusiva y justa.

Oriana Jara

Centro de Referencia y Atención a Inmigrantes (CRAI)

repensar el refugio, los derechos humanos y acoger a las poblaciones vulnerables en busca de territorio.

Acampa pola Paz Mi experiencia con el Sesc comenzó en el centro de São Paulo. Pensar en el Sesc y en el refugio es recordar a Denise Orlandi Collus recibiéndonos en el Sesc Carmo con amabilidad y cariño, entregándonos la tarjeta y los tickets para el almuerzo. Al principio era gratuito, y luego el almuerzo costaba R$ 2.

Fue un apoyo fundamental.

[...]

El Sesc demostró su capacidad de comprender y adaptarse al proceso de integración. En este sentido, la institución entendió que la participación de la persona refugiada en diversas actividades podía ser considerada y remunerada como un trabajo. Este elemento ha sido fundamental, ya que devuelve la dignidad a las personas, reconoce su valor, su capacidad, y contribuye significativamente a su autoestima.

[...]

Acampa pela Paz e o Direito a Refúgio (Acampa pola Paz e o Dereito a Refuxio) es una red internacional que promueve acciones para que las poblaciones vulnerables en busca de nuevos territorios sean acogidas y tengan nuevas oportunidades de existencia. [...] Aquí en Brasil, desde 2022 tenemos una alianza con el Sesc Piracicaba (SP). [...] Junto a dicha institución, buscamos provocar al público a

El trabajo del Sesc, que se extiende a programas como Culturas em Trânsito (Culturas en Tránsito), la oferta de cursos de portugués y proyectos de empleabilidad y formación con el Senac, demuestra una visión integral que va más allá de la asistencia, apostando por la autonomía, el empoderamiento y la deconstrucción de la xenofobia. Al facilitar el acceso a la cultura, el arte, el deporte y la educación, y al promover el protagonismo

de las personas migrantes y refugiadas, el Sesc consolida su papel como actor fundamental en la garantía de los derechos humanos y en la construcción de una sociedad brasileña verdaderamente acogedora, respetuosa de la diversidad de género y de la orientación sexual. En este 30º aniversario, mi más sincero reconocimiento y gratitud por la trayectoria, la contribución y la inmensa importancia social de este programa.

Leonor Solano Colombia

[...] Para una inmigrante y refugiada, el impacto del Sesc se percibe de una manera particularmente vital: la acogida. La llegada a un nuevo país está marcada por la búsqueda de la inserción social, el aprendizaje de la cultura local y la reconstrucción de lazos comunitarios.

Los programas del Sesc –como cursos de idiomas y de capacitación profesional, talleres de arte y encuentros comunitarios – actúan como puentes de integración. Ofrecen no solo conocimientos técnicos o culturales, sino también un espacio seguro donde la historia de vida del recién llegado no se borra, sino que se valora. Mi ‘historia’ como inmigrante y refugiada se entrelaza con la del Sesc en el proceso de reconstrucción. Mi hijo pasó parte de su infancia en el programa Curumim del Sesc Pompeia, con educadores muy amables y comprometidos que lo ayudaron a integrarse y a hacer

diferentes amigos. Al principio fue un poco difícil, pero luego la integración fue un hecho.

sirio, sobreviviente de la guerra, refugiado desde hace 11 años en Brasil. Actualmente soy diputado estatal suplente en São Paulo y presidente de Identidade Humana Global. [...] Coordino la Copa de Refugiados e Inmigrantes, el mayor evento futbolístico que reúne a la comunidad migrante. [...] Mi trayectoria se entrelaza con el Sesc, que me acogió en proyectos como el curso de portugués, Refúgios Humanos, saraos y debates. [...] El Sesc dio rostro y voz a las personas migrantes y refugiadas, promoviendo el acceso a la cultura, la educación, el deporte y la recreación. La acogida humanizada, el respeto y el apoyo marcaron mi proceso de reconstrucción, incluso en momentos de fragilidad personal. [...] Hoy sigo como productor cultural y artista contratado, compartiendo experiencias de fe, superación y esperanza. Mi sentimiento es único: GRATITUD.

Abdulbaset Jarour Siria

Ningún inmigrante usa el verbo ‘migrar’ de la misma manera.

Todos dejamos nuestra tierra natal con esperanza.

Nadie abandona su hogar tan fácilmente.

Los motivos de la migración son diferentes para cada persona. Pero, después de la migración, ¡todos definimos nuestros anhelos de la misma manera!

El Sesc entró en mi vida para decirme:

No guardes silencio, alza tu voz, recupera tus derechos.

Navid Manafi Rasi Iran

Cuando llegué a Brasil, traía conmigo el deseo de recomenzar y de ofrecer a mis hijos una vida más segura y llena de oportunidades. Sin embargo, el camino estuvo lleno de desafíos, adaptación y aprendizaje. Fue en el Sesc donde encontré acogida, alguien que me escuchara y la oportunidad de reconstruirme, no solo profesionalmente, sino también como persona.

El trabajo del Sesc tiene un profundo impacto social, ya que transforma vidas con acciones que unen educación, cultura y solidaridad. Cada proyecto refleja el compromiso de mirar al otro con empatía y respeto, incluyendo y respetando nuestra cultura en cada proyecto.

Esta experiencia se entrelaza con mi historia porque me enseñó que el trabajo con propósito puede cambiar destinos. En el Sesc aprendí que cuidar al otro es también una forma de sanarse a uno mismo. Hoy, siento orgullo de formar parte de la historia de

una institución que no solo forma profesionales, sino que también fortalece personas, historias y une a la familia.

Francis Irina Salazar

Venezuela Recuerdo la primera vez que comí de forma saludable en el Sesc Carmo: parecía un detalle sin importancia, pero ese plato de comida me dio fuerzas para continuar el camino, como si fuera combustible para creer que la vida se podía reconstruir. En el Sesc Avenida Paulista, subí al mirador y, mirando la ciudad desde arriba, comprendí que São Paulo no me devoraría, que tendría fuerzas para salir adelante. El Sesc Belenzinho guarda mis recuerdos más tiernos. Llevé a mi hija innumerables veces a la piscina, y ella siempre decía: ‘Mamá, quiero trabajar aquí, porque aquí la gente sonríe y es feliz’. Años después, ella se convirtió en la primera joven refugiada aprendiz del Sesc. Mi corazón casi estalló de orgullo. [...]

También viví pequeños milagros cotidianos: en el Sesc Vila Mariana, me sentí como un pájaro libre de muchos colores, siempre volando más alto. En el intenso calor del Sesc 24 de Maio, alivié la nostalgia por mi familia en Venezuela con helado de yogur y los pies en el espejo de agua. En el Sesc 14 Bis, bailé salsa para liberar de mi cuerpo el dolor de los abrazos que nunca más volvieron.

Marifer Vargas Range

Sobre o Sesc

Saiba mais sobre a ação do Sesc São Paulo

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Conozca más sobre la acción del Sesc São Paulo

por O Serviço Social do Comércio (Sesc) –entidade privada com finalidade pública, criada por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo –, tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral. Fundada em 1946, desde então a instituição tem elaborado propostas que efetivam uma atuação educativa continuada no campo da cultura em sua diversidade.

No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para a sustentabilidade, para a diversidade e para a acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos.

O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.

About SESC São Paulo

Sobre el Sesc

São Paulo

eng Social Service of Commerce (SESC) is a private, non-profit institution with a public purpose created by entrepreneurs in the trade of goods, services, and tourism. Its mission is to enhance the quality of life for workers in these sectors, their families, and society as a whole.

Established in 1946, SESC has since developed a continuous educational effort in the field of culture in all its diversity. In the state of São Paulo, SESC operates a network of 44 locations, including cultural and sports centers as well as specialized facilities. It also offers programs in social tourism, health, sustainability, diversity, and accessibility, along with food services and special initiatives for children, youth, and older adults. SESC also coordinates Mesa Brasil, an institutional program dedicated to combating hunger and reducing food waste.

SESC thus carries out a permanent non-formal education initiative aimed at valuing individuals by fostering autonomy, social interaction, and contact with diverse forms of expression and ways of thinking, acting, and feeling.

esp El Servicio Social del Comercio (Sesc), entidad privada de carácter público, creada por iniciativa del empresariado del sector del comercio de bienes, servicios y turismo, tiene como misión contribuir a la calidad de vida de los trabajadores de estas categorías, de sus dependientes y la sociedad en general. Fundada en 1946, desde entonces la institución ha elaborado propuestas que concretan una acción educativa continua en el ámbito cultural en toda su diversidad. En el estado de São Paulo, el Sesc cuenta con una red de 44 unidades, que incluye centros culturales y deportivos, así como unidades especializadas. Además, ofrece actividades de turismo social, programas de salud, educación para la sostenibilidad, la diversidad y la accesibilidad, alimentación, programas especiales para niños, jóvenes y personas mayores, además del Sesc Mesa Brasil, un programa institucional de lucha contra el hambre y el desperdicio de alimentos. De este modo, el Sesc desarrolla una acción de educación no formal permanente con el objetivo de valorar a las personas al estimular la autonomía, la convivencia y el contacto con expresiones y diversas formas de pensar, actuar y sentir.

Como se credenciar

Saiba mais sobre a Credencial Plena do Sesc

Learn more about SESC Credential

Más información sobre la Credencial

por A Credencial Plena é um direito das pessoas com registro em carteira, que são estagiárias, temporárias, se aposentaram ou estão desempregadas em empresas do co -

mércio de bens, serviços e turismo e seus dependentes. Com ela, você tem acesso prioritário a benefícios como descontos na compra de ingressos e serviços pagos, como tratamento odontológico, cursos, viagens, passeios e hospedagens em hotéis e pousadas do Sesc pelo Brasil.

Como fazer a Credencial Plena?

On-line, pelo aplicativo Credencial Sesc SP, ou em centralrelacionamento. sescsp. org br. Também é possível agendar, nesses canais, horários para a realização desses serviços presencialmente, ou ainda dirigir-se a uma Central de Atendimento de uma unidade do Sesc.

Quem pode ser dependente?

Cônjuge ou companheiro, filhos, enteados, irmãos e netos de até 24 anos, pai, mãe, padrasto, madrasta, avôs e avós.

Qual é a validade da Credencial Plena?

Até dois anos. Para estagiários, a validade corresponde à vigência do estágio; a validade para pessoas desempregadas é de até 24 meses após a baixa na carteira de trabalho.

How to issue a Credential

Cómo obtener la Credencial

eng The SESC Credential is a right for people with a formal employment record, who are interns, temporary workers, retired or unemployed in companies in the goods, services and tourism trade and their dependents. With it, you have priority access to benefits such as discounts on ticket purchases and paid services, such as dental treatment, courses, trips, tours and accommodation in SESC hotels and inns throughout Brazil.

How to issue a SESC Credential?

Access the Credencial SESC SP app or the website centralrelationship. sescsp. org. br to issue or renew the Credential online. In these same places, it is also possible to schedule a time to visit one of our units in person.

Who can be dependent?

Spouse or partner, children, stepchildren, siblings and grandchildren up to 24 years old, father, mother, stepfather, stepmother, grandfathers and grandmothers.

What is the validity of the SESC Credential?

Up to two years, for interns, the validity period corresponds to the duration of the internship; for unemployed people, the validity period is up to 24 months after the termination of employment.

esp La Credencial Plena es un derecho de las personas con registro laboral, que sean practicantes, trabajadores temporales, jubiladas o desempleadas en empresas del comercio de bienes, servicios y turismo, así como de sus dependientes. Con ella, se tiene acceso prioritario a beneficios como descuentos en la compra de entradas y servicios de pago, como tratamiento odontológico, cursos, viajes, paseos y alojamiento en hoteles y posadas del Sesc en todo Brasil.

¿Cómo obtener la Credencial Plena? Online, a través de la aplicación Credencial Sesc SP, o en centralrelacionamento. sescsp. org.br. También es posible agendar, a través de estos canales, horarios para realizar los servicios de forma presencial, o acudir directamente a un Centro de Atención de una unidad del Sesc.

¿Quién puede ser dependiente? Cónyuge o compañero(a), hijos, hijastros, hermanos y nietos hasta los 24 años, padre, madre, padrastro, madrastra, abuelos y abuelas.

¿Cuál es la validez de la Credencial Plena? Hasta dos años. Para practicantes, la validez corresponde a la duración del programa de prácticas; para personas desempleadas, la validez es de hasta 24 meses después de la baja en la libreta de trabajo.

Sesc – Serviço Social do Comércio

Administração Regional no Estado de São Paulo

Sesc – Social Service of Commerce

São Paulo State Regional Management

Sesc – Servicio Social del Comercio

Administración Regional en el Estado de São Paulo

Presidente do Conselho Regional

Chairman of the Council

Presidente del Consejo Regional

Abram Szajman

Diretor do Departamento Regional

Regional Director

Director del Departamento Regional

Luiz Deoclecio Massaro Galina

Superintendências

Deputy Directors

Superintendencias

Técnico-Social

Social-Technical Rosana Paulo da Cunha

Comunicação Social Communication Comunicación Social Ricardo Gentil

Administração Administration Administración

Jackson de Andrade Matos

Assessoria Técnica e de Planejamento

Technical and Planning Advisor

Asesoría Técnica y de Planificación

Marta Raquel Colabone

Assessoria Jurídica

Legal Advisor

Asesoramiento Jurídico

Carla Bertucci Barbieri

Gerências

Departments

Gerencias

Estudos e Programas Sociais | Social

Studies and Programs | Estudios y Programas Sociales Flávia Carvalho

Estudos e Desenvolviment o | Studies and Development | Estudios y Desarrollo

João Paulo Leite Guadanucci Artes Gráficas |

Graphic Design | Diseño Gráfico Rogerio

Ianelli Difusão e Promoção | Publicity and Promotion | Difusión y Promoción

Ligia Moreira Moreli

Trabalho Social com Pessoas Refugiadas no Sesc São Paulo: 30 anos

Social Work with Refugees at SESC São Paulo: 30 Years

Trabajo Social con Personas Refugiadas en el Sesc São Paulo: 30 años

Equipe | Team | Equipo

André Dias, Cleber Paes, Erica Dias, Fabíola Tavares Milan, Guilherme Barreto, Karina Camargo Leal, Silvia Eri Hirao, Silvio Basilio, Thaís Ferreira Rodrigues

Pesquisa | Research | Investigación

João Doescher (coordenação | coordination | coordinación), Sandra Mirabelli, Camila Santos Medeiros, Fernanda Suemi Perruso, Alan Dias Fernandes, Patrícia Quadros

Produção e Edição do Conteúdo | Content Production and Editing | Producción y Edición de Contenidos Lúcia Nascimento Tradução | Translation | Traducción Gama

Traduções Revisão de Textos | Text Revision | Revisión de Textos Luiz Henrique Soares

Tratamento de Imagens | Image Retouch | Retoque de Imágenes Felipe Caetano

Identidade Visual e Projeto Gráfico | Visual

Identity and Graphic Design | Identidad Visual y Diseño Gráfico Luiz Felipe Santiago

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD

S493t Sesc São Paulo

Trabalho Social com Pessoas Refugiadas no Sesc São Paulo – 30 Anos / Sesc São Paulo.São Paulo: SESC SP, 2025. 148 p.; 17cm x 23cm. – (Volume único)

Obra trilíngue: português, espanhol e inglês

Inclui bibliografia e índice.

ISBN: 978-65-89239-32-1

1. Trabalho Social. 2. Pessoas Refugiadas.

3. Migração. 4. História do refúgio no Brasil. 5. Direitos Humanos. I. Título.

2025-5340

Índice para catálogo sistemático:

1. Trabalho Social 361

2. Trabalho Social 36

CDD 361

CDU 36

Odilio Hilario Moreira Junior – Bibliotecário CRB-8/9949

papel Supremo DuoDesign 300g/m

Alta Alvura 90 g/m tipografia Chalet, de Andy Cruz e Ken Barber Times, de Stanley Morison tiragem 1.000 exemplares fevereiro 2026

Selo FSC horizontal

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