Que o raio parta [May the lightning crash it all up] • Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo [Director of Sesc São Paulo].
No dito popular, o impropério "vá para o raio que o parta" é usado para manifestar indignação diante de alguém ou algo que tire a pessoa do sério. Na arquitetura brasileira, porém, parte da expressão foi utilizada para designar uma vertente paraense que se distinguiu por tomar de empréstimo, e por reeditar, elementos da estética modernista no desenho das casas de cida des como Belém, em meados do século 20. Ali, o emprego de fachadas ornadas com cacos de azulejos, portas e janelas com molduras inclinadas, cobogós esmaltados e telhados maripo sa respondia aos anseios de grupos sociais emergentes, que buscavam se desvencilhar dos modelos arquitetônicos eclético e neocolonial, tidos como ultrapassados. Por sua vez, a exposição Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil se vale da efeméride de 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922 para incursionarhistórica e geogra ficamente pelo Brasil,de norteasul, muitoalém dasfronteiraspaulistas,sondandoo paísemsuas manifestações descentralizadas de modernidade. Lançando mão de um olhar contemporâneo sensível a questões de diversidade, representatividade e decolonialidade, Raio-que-o-parta desafia a versão canônica paulistocêntrica. Se o raio há de partir a pretensa coesão dessa nar rativa, que o faça para trazer à tona as mais distintas ficções modernas brasileiras. É a simultaneidade de ensaios não coincidentes de modernidade, vigentes num país de proporções continentais e de desigualdades abissais, que interessa justapor e deixar falar por si. Para isso, o grupo curatorial, formado por profissionais oriundos de diferentes estados brasileiros, aposta na variedade de meios, extrapolando as linguagens consagradas das be las-artes. Daí a significativa presença da fotografia, do cinema, das revistas ilustradas e, ainda, da documentação de ações efêmeras, cruciais para expandir o entendimento das muitas mo dernidades experimentadas no Brasil, abarcando as culturas populares e midiáticas. O Sesc realiza a presente exposição no âmbito de sua ação em rede Diversos 22: proje tos, memórias, conexões, concebida para tratar do centenário de 1922 e do bicentenário de 1822, colocando em pauta as movimentações instauradas por esses eventos históricos por meio de suas memórias (e contramemórias). Refletir sobre elas de modo consequente impli ca conjugar as ideias de país simbolizadas portais marcos com as urgências do presente; por isso a busca por contemplar o que ficou de fora do raio delineado pelo modernismo paulista, visibilizando outros legados. Como constituir perspectivas que possibilitem pensar o país de forma suficientemente diversa e complexa, com suas contradições e potências, vertendo-as em recursos propositivos? Eis a questão.
As the saying goes, "vá para o raio que o parta" ["damn it!", literally "go away to where the lightning can crash you up!"] are cursing words to show one is angry or annoyed. ln Brazilian architecture, however, a part of this expression was applied to describe a style that originated in Pará State and featured some modero esthetic traces in mid-20th century home projects. Those buildings boasted tile mosaic façades, leaning door and window frames, glazed cobogó bricks, butterfly roofs, and other components appreciated by emerging social classes who were trying to get rid of eclectic and neoclassical architectural models. The Raio-que-o-parta:ficções do moderno no Brasil exhibition celebrates the 100th anniversary of the 1922 Modero Art Week. It will cross the borders of São Paulo State to explore Brazil in its geographically and historically decentralized moderoity manifestos. ln line with current demands for representativeness, diversity, and decoloniality, this exhibition challenges the São Paulo State-biased long-established view of the subject. If the raio [lightning] in the exhibition title is expected to partir [crash] this presumably cohesive narrative, let us hope it will do so by bringing several other Brazilian modero fictions to surface. Here, non-contemporary moderoity essays are juxtaposed to speak for themselves and for a country with huge dimensions and appalling inequality. ln order to achieve this goal, the curatorial team was comprised by people from various Brazilian states who fo cused on a variety of media and stepped beyond long-lasting fine art languages. Hence, the pieces of photography, film, illustrated magazines, and brief actions that were critical to understanding the various moderoities experimented in Brazil in an attempt to encompass popular and media cultures. Sesc is holding this exhibition as part of its Diversos 22: projetos, memórias, conexões network action plan with a view to exploring not only the 1922 Modero Art Week 100th anni versary, but also the 200th anniversary of the 1822 Brazilian lndependence. As we critically examine those milestones, we can link them to present demands - and that is the very reason why we went beyond the São Paulo State scene in search of other legacies. How can we develop new approaches to looking at Brazil as a diverse, complex country with conflicting potential features and turo them into propositional resources? That is the question.
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Sesc 24 de Maio
Povo: Ipuriná Nome do desenhista: Mapéu. Lugar: rio Ituxý (rio Purús).
Povo: Baniwa. Nome do desenhista: Hilário. Lugar: Aldeia Marabitána no Alto Rio Negro.
Figuras: a. Cachorro. b. Fantasma. c. Lagarto pequeno. d. Peixe Matrinchã. e. Onça. f. Arraia (lp: paueru).
Figuras: a. Cobra. b. Jacaré. c. Tartaruga. d. Peixe.
Povo: Ipuriná. Nome do desenhista: Mapéu. Lugar: rio Ituxý (rio Purús).
Povo: Baré. Nomes dos desenhistas: =1 Hyacinto. =2 Lino. Lugar: =1 Aldeia Solano no Casiquiare. =2 Aldeia Boavista no Casiquiare.
Figuras: a. Dr. Koch. b. Mutum sentado num galho. c. Macaco-coatá. d. Yaburú.
Figuras: a=1 Onça e anta. b=1 Tamanduá. a=2 Yabutí. b=2 Anta. c=2 Onça. d=2 Tucano. e=2 Tamanduá.
Povo: Bakairi. Nome do desenhista: Lúchu. Lugar: Aldeia Maigéri no rio Kuliséhu (Alto Xingu).
Povo: Siusí. Lugar: Ararípirá – Cachoeira do rio Aiarý.
Figuras: a. Arara. b, c. Peixe. d. Lagarto. e. Tartaruga. f. Anta. g. Jacaré.
Figuras: a. Mutum. b. Macaco-barrigudo. c. Beija-flor. d. Macaco-prego. e. Onça e veado. f. Yabutí. g. Yakú. h. Arara. i. Mulher. k. Homem com coroa de penas.
Povo: Siusí Nome do desenhista: Táru. Lugar: rio Aiarý. Figuras: a. Homem com carautana. b. Homem com arco. c. Homem com espingarda. d. Dr. Koch. e. Otto Schmidt. f. Jirau com panela. g. Homem na canoa.
Povo: =1 Tukano. =2 Mirití-tapuyo (Tukano). Lugar: rio Tiquiê. Figuras: = Batelão (embarcação grande). =2 a. Casa dos Dessana. b. Dono da casa. c. Mulher.
Povo: Kobéua. Nome do desenhista. Pauáke. Lugar: Aldeia Namokolíba no rio Cuidiarý. Figuras: a. Inambú grande (Crypturus). b. Macaco-barrigudo. c. Yakú (Penelope). d. Cachorro. e. Macaco (Cebus). f. Karará.
Povo: Kobéua. Nome do desenhista: Ualí. Lugar: Aldeia Namokolíba no rio Cuduiarý. Figuras: a. Festa de dança. b. Veado. c. Peixe-Pakú. d. Veadinho. e. Peixe-Pirapukú. f. Peixe-Tamatá. g. Peixe-Pakú. h. Beija-flor. i. Máscara de dança. k. Pescador. l. Peixes-Uakarí. m. Peixe-Pirandirá. n.Peixes-Pirapukú. o. Peixe-Surubí. p., q., r. Peixes Uatukupá. s. Yabutí. t. Canoa com pescadores. u. Karará. v. Máscara de dança. w. Nada.
Povo: Kobéua. Nome do desenhista: Pauáke Yauíde. Lugar: rio Cuduiarý. Figuras: a., b., c., d. Máscaras de dança.
Povo: Tukano. Lugar: Pari-Cachoeira do rio Tiquiê. Figuras: Ornamentos.