Escondida 24/3 a 21/4 - Sesc Ipiranga 30/3 a 27/4 (exceto dia 20/4) - Sesc Consolação
Olá! Bem vindos à peça “Escondida”! Pode ser que enquanto você estiver assistindo essa peça, você se lembre de outras histórias muito parecidas com esta. Sabe por que? Porque essa história está recheada com algumas histórias de autor desconhecido que passam de geração em geração e contos de fada que falam dos destinos humanos. São guardiãs de uma sabedoria que através de metáforas permitem que aqueles que entram em contato com elas, entrem também em contato com suas próprias histórias de um novo jeito. A peça guarda imagens de um mundo que merece existir graças a nossa imaginação. Nesse “mundo entre mundos” encontramos seres encantados pelo mundo imaginário: objetos, bichos, plantas - animados pela Magia, não como truque de mágica, mas por uma Magia cujo maior efeito é nos ajudar a sobreviver aos abismos do tempo e do espaço e a conquistar uma comunhão com tudo que é Vivo, dentro e fora de nós.
Sendo assim, essa história, como toda história que guarda em si esse material ancestral (que veio de muito tempo atrás), não é somente uma “história para crianças”. Ao imaginar junto com os atores-narradores os espaços e situações dessa peça, ficamos todos livres para ir além dos limites impostos pelo o que vemos, ouvimos ou sentimos, cruzamos, com nossa imaginação, as barreiras do real experimentando maneiras diferentes de existir. Essa é a primeira e mais antiga função das grandes histórias: com a ajuda da imaginação tecer o destino, unindo novamente os fios soltos da vida, fortalecendo-a e expandindo-a. A peça vai começar, que seja uma boa aventura e que não falte o Amor, pois, como nos diz o mestre Tolkien (que escreveu grandes histórias, como “O Senhor dos Anéis”), esse é o maior de todos os encantamentos.
Cristiana Ceschi
Escondida Imagine que você acorda num lugar desconhecido, onde nada tem nome – nem o lugar – e você nem sabe como foi parar ali. Aliás, você não se lembra de quase nada! Aí, imagine que chega uma Bruxa muito maluca, que passa o dia recolhendo tudo que foi perdido no mundo e pergunta seu nome. Mas então você percebe que não lembra nem seu nome. A Bruxa te dá 3 dias e 3 tarefas impossíveis, pra você cumprir. E nesses 3 dias, você tem que lembrar quem é. Essa é a história de Escondida, uma peça que conta como uma menina fez pra sair dessa confusão. Ela acaba tendo ajuda – de uma bonequinha de pano, de um menino maltrapilho e de bichos perdidos naquele reino.
Nome é uma coisa estranha. A gente não percebe, porque todo mundo tem um nome. E aí, o nome vira gente, faz parte da gente. O nome é quem a gente é.
Um estranho vento corre pela imensa sala, e uma bonequinha, toda suja, rasgada, sem roupas e sem olhos, rola até os pés da menina. A menina pega a boneca em suas mãos. Ela abraça a boneca bem forte, e sente aquele cheirinho que existe nos brinquedos que dormem com a gente. Sabe?
Foto por: Felipe Stuchi
É um cheirinho estranho, como se fosse o cheirinho doce do sovaco da vovó quando ela pega a gente no colo. ou aquele cheiro que tem atrás da orelha da mamãe, quando ela vem dar um beijo pra acordar a gente.
Vocês podem cantar com a gente: Música da Bruxa Dance pra esquecer! Pule, menino Isso me faz lembrar O quê? Isso me faz lembrar O quê? Nada! Dance porque Não quero saber Eu quero é dançar Até me esquecer Perdida? Sinto cheiro de perdida Sozinha? Está escondida, Minha bonequinha? Dance porque Não quero saber Eu quero é dançar Até me esquecer Esquecer é bom!
Você nunca sai do tom. Seja então mais um um ninguém, nem mau nem bom Tudo eu já me esqueci E por isso estou aqui Todos os dias rodo o mundo Buscando bem lá no fundo Abandonados, esquecidos molestados e perdidos Se você está aqui É porque já te esqueci Afinal pra que saber? Seu nome não importa Aqui tudo é esquecido Esqueça de você mesma Tudo aqui está perdido Você nada vai lembrar Ninguém vai vir te buscar Então comece a dançar O melhor é chacoalhar, chacoalhar, ah ah ah ah ah ah A memória vai falhar
Os objetos perdidos A música do papel é muito fácil É um som de vento preso que de repente, sai De ar preso dentro no peito Que dá um suspiro e vira um longo ai A do guarda-chuva é diferente É música de água corrente De chuva forte de enchente Som de gota caindo E lavando o corpo da gente E as chaves? Que som lindo Parece um milhão de crianças sorrindo Depois que alguém soltou um pum Parecem mil sininhos Que tocam bem juntinhos, Balançando apenas um Som de brinquedo é engraçado Uns cantam a marcha do soldado E uns rodam que nem pião
Os trenzinhos com fumaça Os ursinhos na pirraça E os carrinhos segue em procissão E as meias que só tem um pé Torcem pra não ter chulé Pois todos sabem que as meias (E as tampas de tupperware) Só querem ficar em paz Escondidas pelo saci, N’alguma parte de trás A canção das bonecas é estranha Parece criança fazendo manha Parece um som de neném É um som de quem nina Cantado por toda menina Embalado por outro alguém.
Os animais abandonados Bichos Os homens nos abandonaram Destruíram nossos lares Nos bateram, machucaram Poluíram nossos ares Mas nós somos a natureza E vamos reconstruir Com o trabalho que a gente faz As florestas, hortas, mares, são nossos lares E a cultura da paz Formiguinha – Eu e as minhas irmãzinhas Estávamos no limoeiro Catando nossas folhinhas veio um homem e destruiu o nosso formigueiro Coro de Formigas Formiga, formigão Foi embora de montão Formiguinha – Todo bicho que vive em bando Chega o homem com sua ganância
Joga veneno em tudo na Velhice e na Infância E vai nos matando Nos exterminando Coro de Formigas Nós sabemos separar as sementes e as folhas Conhecemos nossa terra, seus segredos, não sofra Todas juntas vamos te ajudar. PassarinhoEu fui arrancado de dentro do ninho, meu primeiro pio foi no chão Meu tronco cortado, dos pais separado Em gaiola jogado, e eu fugi dessa prisão Hoje eu vivo pelos fios, junto com os meus irmãos Eu vou ver nascer a mata, vou plantar essas sementes E de árvores cobrir, esse mundo, novamente
Cachorrinhos – O meu dono levou-me um dia pra passear Me deixou na estrada, e disse que ia buscar Eu esperei por muitos dias; cansei, de esperar lixo pra cá, lixo pra lá, virei lata e depois com os bichos vim me juntar, para esse mundo mudar! Gata Eu morava num apartamento e era muito mimada Um dia eu ouvi um canto já era de madrugada Eu saí pela janela e pela lua eu fui encantada Mas quando voltei para casa, a janela estava trancada Hoje eu vivo pelos muros sou uma gata abandonada Nós gatos já nascemos pobres e pela rua fui libertada!
Menino Anjo Menino – Vamos embora?
Eis-me aqui
Menina - Eu não sei como fazer.
Mas na roda Mundo roda Tanta volta E eu caí, Veio assim veio Doce flor Me sorrir Veio pra me soltar me libertar Com quem sou mundo todo cobrir
Menino Mas você já fez tudo! E até você se lembrou Salvou nosso mundo e me libertou Salvou nosso mundo e me libertou E agora eu posso cobrir esse mundo com tudo que sou Com tudo que eu sou Menina – Mas quem é você? Você é uma criança como eu? Je suis l’amour Yo soy el amor ich bin liebe cause i’m the love Eu sou o amor E Também ouço Chamam Anjo Protetor
Menina – Mas, eu não quero ficar longe de você! Eu sou O vento que soprou Eu sou O amor que você plantou Seu nome agora já lembrou Diga ele onde você for E onde você for eu vou Lembre de mim Espalhe Esse amor você achou Eu fico aqui do seu ladinho seu coraçãozinho Vai lembrar do meu som
Sobre a Cia Auspiciosa Você sabe o que é “auspiciosa”? É uma coisa que que gera esperanças, que dá sorte. E nós nos achamos muito sortudos mesmo, porque nos encontramos nessa vida e fazemos teatro juntos. Mas nós colocamos esse nome no grupo, porque gostamos de fazer peças que falem de um mundo melhor e de pessoas que se tornam melhores. Peças que emocionam e dão esperança pras pessoas. Nossa primeira peça chama “A Princesa Errante e o Príncipe Errado” e conta a história de uma menina queria fazer coisas de menino e um menino que queria fazer coisas de menina. Ué, mas existe isso de coisa de menino e coisa de menina? É isso que nós discutimos nessa peça. Agora, estamos com essa peça nova, que você veio ver. Ela nasceu quando juntamos muito amor, histórias, músicas e pessoas que amamos. A Ana e o Cris se conhecem e trabalham juntos há muito tempo. A Ana escreve os textos, o Cris compõe as músicas e os dois atuam nas peças.
Nós também chamamos sempre pessoas de quem gostamos muito pra trabalhar com a gente. Na outra peça, a gente chamou a Nina Blauth. Nessa peça chamamos a Cris Rocha pra estar no palco com a gente e a Cristiana Ceschi pra dirigir. Tem também o André Teles e a Vânia Jacomis, que já estão com a gente desde a outra peça e mais algumas pessoas que fizeram os figurinos, as bonecas, a produção e tudo mais que precisa pra fazer uma peça.
Foto por: Felipe Stuchi
Nos sentimos muito auspiciosos de ter você agora nos vendo e lendo sobre a peça também!
Foto por: Felipe Stuchi
Ficha Técnica Duração: 60 minutos Elenco: Ana Roxo, Cristiano Meirelles e Cris Rocha Texto: Ana Roxo Direção: Cristiana Ceschi Direção musical: Cristiano Meirelles Músicos: Carolina Nagayoghi, Filipe Astolfi, Nina Blauth, Simone Julian e Rodrigo Viturino Figurino: Claudia Schapira Bonecas: Polerito Arts Iluminação: Vânia Nunes Jaconis Técnico de som: André Teles Alves Produção executiva: Aymberê Produções Artísticas
Escondida Sesc Ipiranga: 24/03 a 21/04, Domingos, às 11h Sessões com disponibilidade para agendamentos de grupos: 27/3, quarta-feira às 10h e 14h30 Agendamentos através do e-mail: agendamento@ipiranga.sescsp.org.br Sesc Consolacão: 30/03 a 27/04, Sábados, às 11h (exceto dia 20/4) Sessões exclusivas para grupos 10/4, quarta-feira às 10h e 15h Agendamentos através do e-mail: agendamento@consolacao.sescsp.org.br
Sesc Consolação Rua Dr. Vila Nova, 245 Higienópolis-Mackenzie Tel: +55 11 3234 3000 /sescconsolacao sescsp.org.br/consolacao Sesc Ipiranga Rua Bom Pastor, 822 Tel.: +55 11 3340 2000 /sescipiranga sescsp.org.br/ipiranga