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Catas nov2019

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BOM DIA

Catas Altas

Cidade Histórica e Ecológica - Novembro de 2019 - Ano XII - Nº 136 - Distribuição Gratuita Dirigida

Tribunal de Justiça bloqueia contas de ex-prefeito que se defende acusando prefeitura de perseguição Página 3

Mineração nas escarpas da Serra do Caraça ameaça patrimônio geológico, paleontológico e hídrico de Minas

Saga de catas altas - tomo iii

Lucas Naschimoto

A rica história da Freguesia de Nossa Senhora de Catas Altas do Mato Dentro continua. Páginas 6 e 7

Terminal rodoviário tem processo de licitação iniciado

Não só Catas Altas pode perder, mas toda bacia do Piracicaba corre risco hídrico caso seja efetivada a mineração na Chapada de Canga (foto) e nas encostas da Serra do Caraça. Página 4 e 5. Página 2

Catas Altas é representada por estudantes em Pequim

Alunos de Catas Altas embarcaram no dia 19 para China onde participarão da Olimpíada Internacional de Matemática. O grupo, formado por 16 pessoas, sendo 12 alunos e quatro chegaram dia 21 no país asiático e permanecem até o dia 25 de novembro, em Pequim. Nas fotos a comitiva quando em conexão em Dubai, nos Emirados Árabes – Oriente Médio. Página 8


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Processo de licitação da obra do terminal rodoviário é iniciado

Catas Altas vai contar com um terminal rodoviário e uma sede para a futura Guarda Municipal. A Prefeitura já iniciou o processo para licitar a obra e divulgou o projeto com as primeiras imagens em 3D da estrutura. O empreendimento será construído na rua Augusto Franklin Pereira, em frente ao local onde será erguido o Centro Educacional. No local, com área total de 935,39 metros quadrados, funcionarão tanto a rodoviária como a sede da guarda municipal. O espaço para o terminal será de 840,28 metros e, além da área coberta de embarque e desembarque dos passageiros nos ônibus (das linhas intermunicipais, turísticas e escolar para alunos do ensino médio), contará com estacionamento, banheiros

confortáveis com fraldário, instalações privativas para pessoas com deficiência, lanchonete, centro de informações turísticas, área de convivência, bicicletário e guichês. “Além da questão logística, a construção da rodoviária é uma obra que vem atender à uma exigência do Ministério Público. Há uma determinação para que seja retirado todo trânsito pesado do centro histórico, a fim de preservar o patrimônio local. Desta forma, precisávamos encontrar um lugar para que a população pudesse embarcar e desembarcar com segurança”, explica o prefeito José Alves Parreira. A definição da localização do Terminal Rodoviário levou em consideração questões da acessibilidade e dos impactos causados ao meio

ambiente urbano, em especial ao patrimônio histórico de Catas Altas. Além disso, a obra está prevista no Plano Diretor criado em 2005 e no Plano Municipal de Turismo (PMT) 2013-2020. O Plano aponta a falta de ponto de venda de passagens de ônibus intermunicipais como uma das “Áreas críticas de Infraestrutura e serviços básicos”. “Vamos resolver essa questão com construção desse terminal. Inclusive, essa meta deveria ter sido cumprida em 2104, conforme o cronograma de ações do componente “Infraestrutura e serviços básicos” do Plano”, completa o prefeito. “Além de ser um benefício visível para a população, que vai contar com um espaço próprio para pegar o ônibus, vai

ser uma melhoria para o turista. Não tem coisa melhor do que chegar em um destino que nos recebe em um ambiente bonito e acolhedor. A rodoviária será este espaço. Vai facilitar para o turista que chegar à nossa cidade e contribuir com o desenvolvimento do turismo local”, explica o secretário de Turismo e Cultura, Rodolpho Sanches. Além do espaço para os ônibus, no complexo do terminal também vai funcionar a sede da nova guarda municipal com todos os ambientes necessários ao pleno funcionamento que são: recepção, sala de diretoria, sala multiuso, almoxarifado, copa e banheiros com chuveiro. O espaço terá 95 metros quadrados e poderá abrigar uma futura central

de monitoramento com a implantação do projeto Olho Vivo. “Estamos organizando o concurso público, para contratação de 12 guardas municipais para aturem no município. Esse efetivo irá contribuir com a segurança de Catas Altas”, destaca o vice-prefeito Fernando Rodrigues Guimarães. Completando a funcionalidade e o benefício logístico para a população, o empreendimento também receberá um paisagismo personalizado para se integrar ao conjunto arquitetônico local. A preocupação com a sustentabilidade também está presente no projeto. O espaço terá toda a iluminação em LED e aproveitamento das condições naturais de iluminação, ventilação e do terreno.

EXPEDIENTE

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Catas Altas • Diretor Geral/Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Comercial: (31) 99965-4503 • Diagramação: Sérgio Henrique Braga • Bom Dia Catas Altas online: www.facebook/bomdiacatasaltas Circulação: Catas Altas e mala direta para todo Brasil Impressão: Gráfica Bom Dia Tiragem: 2.000 exemplares

Razão Social : Geraldo Magela Gonçalves MEI CNPJ 27.776.573/0001-68 Inscrição Estadual: Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 dindao@bomdiaonline.com

O jornal não se responsabiliza por matérias assinadas e ou pagas que são identificadas fechadas em box


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Justiça bloqueia contas de ex-prefeito que se diz vítima Por três votos favoráveis e nenhum contrário a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais deu provimento ao recurso interposto pela Prefeitura de Catas Altas e promoveu o bloqueio das contas do ex-prefeito Saulo Morais de Castro, em até R$121.220,00 (cento e vinte e um mil e duzentos e vinte reais). O fato se deu em ação onde o ex-prefeito é acusado de improbidade administrativa ante a suposta malversação de verba e patrimônio público, consistente no repasse irregular de recurso financeiro à Liga de Desportos de Catas Altas. Tão logo começou a circular a notícia que suas contas haviam sido bloqueadas, o ex-prefeito divulgou um vídeo falando sobre o caso. No vídeo, Saulo Morais nega existir irregularidades, se diz perseguido pela prefeitura e fala que tudo será esclarecido: “Durante toda minha vida em Catas Altas, cerca de 42 anos, sempre procurei ser direito com minhas coisas e durante minha administração busquei sempre ajudar as pessoas”, revela. Ainda no vídeo Saulo Morais diz que o problema sobre o processo se deu devido ser alegado que não existia convênio entre a prefeitura e a Liga: “O Convênio existe, depois vou apresentar pra vocês”, relata. Segundo a ação, inicialmente deveria haver instrumento de convênio entre a entidade e o município para que pudesse existir o repasse do dinheiro público à liga, o que Saulo Morais alega existir. No entanto, a ação não se prende à existência deste documento, há ainda a menção de várias ações irregulares atinentes aos

pagamentos efetuados, não existindo a correta prestação de contas destes valores, incluindo notas duplicadas e notas emitidas em data posterior ao campeonato. Também não havia em tempo a declaração de utilidade pública, após autorização legislativa, tornando a entidade apta a receber tais valores. Diante dos fatos apresentados os desembargadores Kildare Carvalho, Moreira Diniz e Dárcio Lopardi Mendes, acataram o pedido do recursos manifestando a favor da indisponibilidade de bens do ex-prefeito. Perseguição

Saulo Morais divulgou vídeo se defendendo

Procurado pela reportagem, questionado se poderia usar o vídeo como posicionamento frente os acontecimentos, o ex-prefeito disse que sim, reafirmando que tudo seria esclarecido. No vídeo Saulo alega que os seus opositores, ao invés de trabalhar estão só visando persegui-lo: “Puseram pessoas só pra vasculhar a administração anterior. Eles fizeram mais um processo contra mim, pra me tirar do páreo estão com medo de disputar as eleições comigo em 2020”. Saulo se refere a oposição dizendo “eles”, não especificando uma pessoa.

Tribunal de Justiça deferiu o bloqueio das contas do Ex-prefeito

Prefeitura comenta O prefeito José Alves Parreira, procurado pela reportagem, disse que às acusações do ex-prefeito de perseguição são infundadas, mesmo porque a maioria dos processos que ele enfrenta são de origens ou de denúncias partidas da Câmara Municipal ou do Ministério Público: “Dinheiro público é coisa séria e a coisa pública é burocrática, não se pode ir gastando sem respeitar a legislação. Como a justiça é lenta, a maioria das ações que aparecem hoje decorreram de denúncias antigas e que só agora houve atuação direta da justiça, portanto não existe perseguição”, comentou. O prefeito disse ainda que o chefe do executivo não pode ser omisso quando aparece uma denúncia e ou suspeita de irregularidades – sendo sua obrigação buscar esclarecer os fatos. Procurado pela reportagem para comentar sobre o caso o vice-prefeito Fernando Guimarães foi taxativo: “O ex-prefeito Saulo, como esteve dentro da administração, sabe muito bem como funciona e sabe também que se a Câmara e ou o Ministério Público solicita informações e ou apresenta alguma denúncia, elas tem que ser apuradas, gostemos ou não. Mas como ele disse que fez tudo certo e está tranquilo não vejo motivo para se alterar e acusar alguém de perseguição. É só aguardar e deixar as coisas serem esclarecidas”, disse.

Adultos entre 20 e 29 anos são vacinados contra sarampo até dia 30 de novembro A Prefeitura de Catas Altas iniciou a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra Sarampo 2019. Nesta fase, serão imunizados adultos entre 20 e 29 anos que ainda não foram vacinados. A vacina estará disponível de segunda a sexta na UBS Moacir Francisco de Sá (sede) e no posto de saúde do Morro D’Água Quente, durante o horário de funcionamento das unidades. Meta - Catas Altas não teve registro de casos da doença, mas a meta é vacinar 95% do público-alvo, incluindo as crianças de seis meses a menores de cinco anos que foram imunizadas na primeira etapa da campanha entre 7 e 25 de outubro. Quem está imunizado - Considera-se vacinada a criança que possuir duas doses da vacina triviral ou o adulto com duas doses de triviral ou dupla viral. Sarampo - uma doença infecciosa grave, altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo (Measles morbillivirus). Sua transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. A única maneira de evitar o sarampo é pela vacina. As pessoas geralmente só contraem a doença uma única vez na vida.


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Mineração nas escarpas da Serra do Caraça ameaça futuro Hídrico de Catas Altas e de toda Bacia do Piracicaba Catas Altas, suas águas e seu turismo: um futuro nada promissor Catas Altas! Uma cidade presépio cercada de majestosas serras e morrarias. Catas Altas, uma cidade incrustada no ponto nevrálgico do que se denominou “Circuito Turístico do Ouro”. Catas Altas, o município que abriga um dos mais altos pontos da história de Minas Gerais e do Brasil, inestimável elemento do Patrimônio Ecológico-Histórico-Cultural Nacional. Afinal, Catas Altas, uma cidade que teria tudo para ser um Centro de Convergência Turístico, alicerçado nos atributos de Natureza e Cultura. No entanto, Catas Altas não o é e não parece disposta a sê-lo. Não é este centro de convergência por razões que aliam a falta de foco condizente com seu maior potencial turístico - o binômio Natureza/Cultura - à ausência de uma projeção publicitária/midiática de alcance no mínimo nacional. Não parece disposta a ser este centro de convergência porque assiste de “braços cruzados” (?) à deterioração de seu quadro paisagístico-ecológico. Às vésperas do último feriado ilustraram claramente um aspecto desta péssima situação: faltou energia elétrica e, na sequência, fornecimento d´água, durante dias, enquanto a maioria das pousadas já apresentava lotação quase completa. No caso da interrupção do fornecimento de

mananciais e suas fragilidades

Caso sejam liberados os projetos pretendidos pelas mineradoras em Catas Altas, além do impacto direto na qualidade de vida da população, o agravante no que se refere a segurança hídrica, não só da cidade, mas de toda bacia do Piracicaba.

energia elétrica, é sabido e “assumido” que nos encontramos num “fim de linha” sobrecarregado pela demanda da atividade minerária que rói o pé da serra. O problema é de escala regional e cabe às administrações municipais da região exigir soluções adequadas e urgentes junto à CEMIG. No caso da água, no entanto, o problema se expressa na escala municipal e envolve responsabilidades múltiplas, em um contexto sócio-político bastante complexo. Como e porquê? Estruturação dos recursos hídricos do município Urge, primeiro, demonstrar a organização do sistema de recursos hídricos

do município, para, em seguinte, analisar os problemas existentes e as sérias ameaças à sua integridade. 1 - Se por um lado, o território municipal possui mananciais hídricos suficientes para atender à demanda local, sua gestão e proteção ficam longe do mínimo estado de satisfação; 2 – a distribuição da água ao consumidor é gerenciada pela Administração Municipal, mas as nascentes que abastecem a rede não beneficiam de proteção legal, além de serem situadas em áreas de propriedade de empresas mineradoras. Considerando, ainda, a probabilidade de não ser detentora das outorgas, fica a administração à mercê das constantes alterações ambientais geradas por esta atividade

que demonstra, dia a dia, que não estabelece limite nenhum ao seu voraz apetite de minério; 3 – os cursos d´água do município, tal como representados no mapa, são organizados em 3 sistemas hidrográficos que estruturam o armazenamento e oferta de Recursos Hídricos: - Sistema 1: bacia do ribeirão Valéria, que nasce nos sedimentos ferríferos da Chapada da Canga e drena a faixa oriental do município, onde recebe o córrego Tanquinho, além dos que nascem nos quartzitos da Serra do Pinho; tais como o Paciência, Manoel Luis e Mato Grosso; - Sistema 2: bacia do rio Maquiné, que nasce nas rochas ferríferas do pé da Serra do Caraça e drena a

porção central do município, onde recebe os córregos Vianteiro, do Retiro e do Bileto, além dos córregos que nascem também no mesmo manancial (Paracatu, Pitangui, da Piçarra e da Laje) ou nos sedimentos ferríferos da Chapada da Canga (dos Coqueiros e Chico Carro); - Sistema 3: um conjunto de bacias de cabeceiras drenando os altos da Serra do Caraça (córregos da Barragem, Cascata e Cascatinha formando o ribeirão Caraça, além dos córregos Brumadinho e Quebra-Ossos, entre outros), sendo alimentadas por nascentes alojadas nos quartzitos, mas levando suas águas para o município de Santa Bárbara. Organização dos

As primeiras lições que surgem desta estrutura dos recursos hídricos são as seguintes: 1 - no que tange aos mananciais d´água do município, as rochas ferríferas do pé da serra do Caraça e os sedimentos ferríferos da Chapada da Canga são de vital importância, pois correspondem aos reais aquíferos da região. As primeiras são a expressão do Aquífero Cauê onde águas têm residência de até centenas de anos, os segundos constituem uma verdadeira esponja com volume aproximado de 2.730 Hm3 e uma alta porosidade que prenuncia um grande potencial de armazenamento em aquífero granular; 2 - os quartzitos de ambas as serras são muito silicificados o que impede um armazenamento em sistema granular e ocasiona uma perda rápida da água acumulada no período chuvoso. Isto explica o fato de as cachoeiras secarem em meio à estação invernal; 3 - as águas produzidas por, aproximadamente, 30% do território municipal, nos altos da Serra do Caraça apresentam um razoável potencial em água superficial, graças ao relevo abaciado da área do santuário e o selamento dos pacotes de quartzitos por rochas metamórficas e ígneas impermeáveis, mas de difícil armazenamento no longo prazo. Ressalta-se,


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Catas Altas por outro lado que além do abastecimento do santuário e sua RPPN, essas águas atendem poucas propriedades rurais do noroeste do município. Ameaças aos mananciais locais e à hidrologia regional O potencial hídrico do Município de Catas Altas é submetido a sérias ameaças, cuja intensidade cresce há décadas e apresenta evidências de continuidade e até aceleração do processo de degradação. Os agentes da degradação das condições hidrológicas são de duas naturezas principais, mas com efeitos altamente sinérgicos: 1 - os incêndios que afetam, anualmente, áreas da escarpa da Serra do Caraça e da Chapada da Canga, onde são desenvolvidas atividades minerárias, alterando fortemente os solos

e impedindo a manutenção da cobertura vegetal, o que diminui a capacidade de infiltração para recarga de ambos os aquíferos; 2 - a atividade minerária que, ao extrair o minério de ferro das poucas jazidas sobrando, está, em ambos os casos e automaticamente, destruindo os únicos volumes de rochas que abrigam os aquíferos: é como se se quebrasse a garrafa onde se pretende guardar sua água na geladeira. Neste sentido, pesquisa do Núcleo de Geomorfologia Aplicada e Gestão Ambiental (IGC/UFMG) analisou, por interpretação de imagens de satélite, o crescimento de manchas de solo nu na Chapada da Canga, compatíveis com áreas de extração mineral, entre as datas de fevereiro 2018 e setembro 2019, quando somaram uma superfície de 20,28 hectares. Uma

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busca no sistema de informações SIGMINE da ANM revelou a gravidade da ameaça sobre este manancial. Somente no que diz respeito às áreas incluídas, mesmo que parcialmente, no município de Catas Altas,

encontrou-se os 3 requerimentos seguintes: - 1 Requerimento de Pesquisa (34,75 ha) de minério de ferro, protocolizado pela empresa Canga Exploração e Venda de Areia e Cascalho Ltda ME, em 22/05/2019. Al-

gumas superfícies desnudas detectadas pelo estudo se encontram inseridas no perímetro requerido; - 1 Autorização de Pesquisa (1,188 ha) de minério de ferro, atendendo a demanda protocolizada pela empresa Vale SA,

em 26/07/2019. A maioria das áreas desnudas detectadas pela pesquisa se situa neste perímetro. - 1 Concessão de Lavra (307,71 ha) de bauxita, atendendo a demanda requerida pela empresa Vale SA, em 09/04/2019.

Adeus Chapada da Canga e águas de Catas Altas Instituto Prístino

Só sobra dizer adeus à Chapada da Canga e seu manancial tão precioso para o município. Essa pesquisa forneceu elementos valiosos para, também, entender a impossibilidade de adquirir uma porção de terreno na borda da chapada, para instalação do Projeto

de Observatório Astronômico PMCA/UFMG. Caso se somasse isto aos desejos da empresa Vale SA de ampliar as atividades de extração de minério de ferro do Distrito Fazendão, dir-se-á, também, adeus aos mananciais que hoje abastecem a popula-

ção de Catas Altas e Morro d´Água Quente. Finalmente, deve-se lembrar que a extração de minério de ferro na Serra da Boa Vista já alterou profundamente o armazenamento no Aquífero Cauê que abastecia o córrego Quebra-Ossos.

Vale do Aço em perigo A extensão dos danos à hidrologia regional

Lagoas naturais sobre canga, região da Chapada de Canga no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. Recentemente foi descrita uma espécie de perereca (Sphaenorhynchus canga) endêmica dessas lagoas. Talvez a única espécie de anfíbio que seja exclusiva das cangas. Ao fundo, podemos visualizar a Serra do Caraça.

Os corpos hídricos fluviais são corpos em movimento que tanto transportam motivos de alegria e de vida saudável, quanto são obrigados a carregar motivos de tristeza e desespero. E haja vista que a extração minerária, principalmente a de ferro, estende uma triste mancha sobre a continuidade das escarpas da Serra do Caraça no município de Mariana, onde se localizam outras nascentes vitais do rio Piracicaba, é óbvio que o conjunto desta bacia está tendo seu regime hidrológico fortemente afetado e suas águas poluídas. As cidades da segunda Região Metropolitana de Minas Gerais, a do Vale do Aço, que agrupa os municípios de Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso, com seus quase 500.000 habitantes, deveriam ter motivos de sobra para alimentar dúvidas quanto ao seu futuro hídrico. Ipatinga em especial, com sua dependência extrema dos aquíferos aluviais do rio Piracicaba, é um dos casos mais sérios neste contexto. A usina siderúrgica da empresa USIMINAS, assentada sobre um lençol aluvial de até 80 metros de espessura, terá sérios problemas caso se acentuarem as estiagens, com seus correlatos rebaixamentos dos níveis freáticos. * Alauoa Saadi - Geógrafo, Professor Titular do IGC/UFMG e empresário do setor turístico de Catas Altas


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Saga da Freguesia de Nossa Senhora de Catas Altas do Mato Dentro - tomo iii Por Éder Ayres Siqueira

Chegamos ao ano de 1722, e, devido a demanda, havia dois cobradores dos Quintos Reais em Catas Altas, sendo os mineradores e senhores de engenho o capitão Thomé Fernandes do Valle (meu, três vezes, hexavô materno) e o capitão Domingos Nunes Neto (vinculado a traficantes de escravos na capitania da Bahia), e o povo já estava organizado na Irmandade do Santíssimo Sacramento. A referida irmandade existe até hoje, sendo a única que resistiu aos tempos e tempestades. Uma irmandade religio-

sa tinha, além da religiosidade, função social, e não raro, envolvia em assuntos políticos. Ela assistia os necessitados, e quando morria um pobre ela providenciava até a sepultura para seu descanso eterno. Havia muitas pessoas que faziam parte de mais de uma irmandade, porque na naquela época não se podia contar muito, ou praticamente nada, com relação a casas de misericórdia e outros serviços públicos. Então, era melhor participar de duas, três, pois isso facilitaria, principalmente na hora da

morte, para o irmão ser assistido por várias irmandades, tendo toda a pompa em seu funeral. Outra coisa importante é que a maioria das igrejas e capelas foram mantidas e custeadas pelas irmandades religiosas. As irmandades dos negros podiam até resgatar escravos, caso justificadamente postos à venda pelos senhores, e muitas delas usufruíam dos direitos que lhes assistiam. 1723 Em 1723, foram cobradores dos Quintos Reais, em Catas Altas, o

minerador e senhor de engenho o capitão Domingos Nunes Neto e o minerador e fazendeiro, capitão-mor Manoel Jorge Coelho, anteriormente citado, que faleceu em 24/4/1733 com um capital de 2:504$135 réis, representando 704,398 em libras. Já o cobrador dos Quintos Reais, dos dois anos anteriores, o minerador e senhor de engenho, capitão Thomé Fernandes do Valle, que faleceu em 24/1/1748, tinha um capital de 40:991$593, que em libras representava 11.530,687, sendo o terceiro mais rico da região

Catas Altas manteve sempre uma grande população de escravos, sejam nas minas de ouro ou nas fazendas

Em 1725, os cobradores dos Quintos Reais eram o minerador e senhor de engenho capitão Domingos Nunes Neto e o capitão-mor Manoel Jorge Coelho, sendo que o primeiro possuía 77 escravos seus com seus sócios, camaradas e feitores e 88 escravos para o meio quinto, e o segundo tinha 72 escravos, e mais

71 para o meio quinto. Neste ano, outros senhores que foram cobradores dos Quintos Reais com seus escravos: o capitão Thomé Fernandes do Valle, possuía 69 escravos para o meio quinto, e 67 escravos seus e de seus camaradas, sendo que alguns trabalhavam na agricultura. O Sr. João da Cunha

possuía 10 escravos para o meio quinto, o capitão Manoel Ferreira de Souza tinha 28 e mais 27 para o meio quinto e o capitão Miguel Gonçalves de Carvalho possuía 17 escravos, e ainda o Sr. Antônio Teixeira Basto que era cobrador em São Sebastião, possuía em Catas Altas, 5 escravos. A escravidão foi muito

grande nesta terra das catas altas. “A escravidão (denominada também de escravismo, escravagismo ou escravatura) é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo, imposta por meio da força. Em algumas sociedades, desde os

de Vila do Carmo, que hoje é Mariana. A Libra Esterlina é a moeda oficial do Reino Unido e seus territórios, e sua cotação, hoje, está R$ 5,42. (Em reais hoje o valor seria R$62.496.323,54). Catas Altas foi um arraial muito rico, mas muitos não souberam aproveitar dessa riqueza. Muitos não foram honestos, e infelizmente, muitos são falazes.

Em 1724, o cobrador dos Quintos Reais, em Catas Altas, era o minerador, fazendeiro e senhor de engenho, capitão Domingos Nunes Neto. E, a freguesia foi tornada colativa, por meio do Alvará de 16 de fevereiro, tendo como primeiro vigário colado, o padre Domingos Luís da Silva. Ainda no ano de 1724, ano bissexto do século XVIII do atual calendário gregoriano, da Era de Cristo, com 52 semanas,

que teve início em um sábado e terminou em um domingo, foi criado o Distrito com a denominação de Catas Altas de Mato Dentro, pelo alvará de 16 de fevereiro, pertencendo a Santa Bárbara até 21 de dezembro de 1995, ano comum do século XX que começou em um domingo, segundo o calendário gregoriano, e terminou também em um domingo. “Quando um município tem sua sede elevada à categoria de cidade, não depende mais da cidade polo e passa a receber seus próprios recursos, diz-se que foi emancipado politicamente.” Catas Altas alcançou a sua liberdade administrativa para que o progresso chegasse... Tudo tem seu começo. Cada município tem sua arrecadação e deve ser bem administrada para que seus recursos sejam utilizados onde se deve, priorizando o que é mais importante.

tempos mais remotos, os escravos eram legalmente definidos como uma mercadoria ou como despojos de guerra. Os preços variavam conforme as condições físicas, habilidades profissionais, idade, procedência e destino.” “A Igreja Católica, desde o século XV, pronunciou sua posição através de vários papas, condenando a escravidão. Apesar dos pronunciamentos papais, na prática não houve oposição da Igreja à escravização dos negros durante o Brasil Colonial (séculos XV XIX). Muito pelo contrário, destacavam-se entre os grandes proprietários de escravos os membros de ordens cristãs como a dos beneditinos.” Veremos mais a frente

sobre os diversos padres de Catas Altas com bastantes escravos. No ano de 1725, em um documento, a população escrava de Catas Altas era de 1.828 pessoas para 213 proprietários, em outro era de 1.693 escravos. Acontecia muito, o que acontece hoje, a sonegação, e muitos senhores não declaravam o total de escravos que possuíam para pagar menos imposto. Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Eles passavam as noites nas senzalas (galpões escu-

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ros, úmidos e com pouca higiene) e eram acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia. Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira.

Morro D’Água Quente Ainda em 1725, naquele ano, temos a primeira referência sobre o Morro D’Água Quente num “Termo de vistoria que se faz por cima da cachoeira que fica de fronte das casas do Tenente-coronel Domingos Vieira da Cunha sobre suas terras minerais” quando o Licenciado José Gomes Ferreira requereu cinco datas de terra para minerar. A referida terra “tinha

Ainda no ao de 1725... No Brasil aconteceu um fato importante: Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o segundo Anhanguera, encontrou ouro em Goiás. Ele era sobrinho-neto do capitão-mor e ouvidor de São Paulo Amador Bueno da Ribeira, “O Aclamado”, meu 10.º avô materno. Enquanto isso, em Catas Altas, os cobradores do Quinto Real que possuíam ‘Vendas’ no arraial, eram: o minerador Sr. 1727

Capitão-mor e ouvidor de São Paulo Amador Bueno da Ribeira, _O Aclamado_, 10.º avô materno de Éder Ayres Siqueira

início no caminho que ia para a roça que foi de Miguel de Oliveira que tinha no Pitangui e que estava devoluta”, Isso quer dizer que o Senhor Miguel de Oliveira (já havia falecido), foi, talvez, o primeiro proprietário da Mina do Pitangui, conclui-se assim que, a extração de ouro no local denominado ‘Morro D’Água Quente’ foi bem no início do século XVIII. O nome do distrito de Morro D’Água Quente foi

porque no morro onde os primeiros faiscadores, mineradores... exploraram, havia uma mina de água quente, isto é, uma fonte termal que com o passar do tempo está perdendo a caloria. “Fonte termal é a emergência de água subterrânea aquecida (aquífero termal), seja pelo calor causado pelo gradiente geotérmico, seja por processos de vulcanismo. As fontes termais existem em toda a Terra, incluindo o fundo dos oceanos.”

Em 1727, no dia 7 de fevereiro, Catas Altas recebeu a primeira visita do bispo de Rio de Janeiro Dom Frei de Guadalupe e do Conselho de Sua Majestade, sendo visitador o próprio bispo, e secretário o padre Christóvão de Magalhães Pinto. O cobrador era o minerador Sr. João da Cunha. E, conforme o padre José de Evangelista de Souza, meu parente, padrinho de crisma e amigo, teve naquele ano o início da Confraria de Nossa Senhora do Terço. Reinava em Portugal D. João V que acudiu o Papa na guerra contra os Turcos e enriqueceu o País com a descoberta de ouro e diamantes no Brasil. Minas Gerais foi a capitania que mais produziu ouro no século XVIII. “Ao ouro juntou-se o rendimento do açúcar, do tabaco e dos escravos. Com o ouro, D.João V pôde sustentar uma corte faustosa e proteger as artes e as letras.” Continuando a história de Catas Altas no ano de 1727, ano comum do século XVIII, que teve início a uma quarta-feira e terminou também a uma quarta-feira. Naquele ano aconteceu o casamento do minerador português capitão Thomé

Antônio Teixeira Basto, o minerador e senhor de engenho capitão Domingos Nunes Neto e o minerador Sr. João da Cunha com uma Venda cada um, e o minerador capitão-mor Manoel Jorge Coelho com 2 Vendas. Vendas eram os comércios de secos e molhados. Ainda se ouvem muitos dizerem venda: “Em localidades pequenas, afastadas da civilização, usa-se a denominação de “venda” para estabelecimentos de pequeno por-

te onde são vendidos de tudo um pouco, não se compara a uma mercearia pela quantidade do estoque. Essas vendas não têm estoque grande de mercadoria, e grande parte da freguesia costuma pagar por mês uma caderneta de fiado. Esse tipo de venda também pode ser encontrada em canteiros de obras, em fazendas e outras localidades onde trabalhadores costumam pagar suas despesas por mês no dia do pagamento.”

Fernandes do Valle, que já se encontrava em Catas Altas, pelo menos, em 1716 com fazenda e escravos, com D. Thereza da Fonseca Magalhães, nascida em Congonhas do Campo, hoje, Congonhas, filha do coronel Pedro da Fonseca Magalhães Maldonado e Da. Helena do Prado Cabral. Casamento realizado na Catedral da Sé em Mariana, no dia 1.º de ja-

neiro. Casal do qual descendo, meus três vezes, hexavós maternos, sendo a família mais antiga que deixou descendentes nas Catas Altas. Curiosidade: Naquele ano, faleceu na Inglaterra, o astrônomo, alquimista, filósofo natural, teólogo e cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, Isaac Newton. O tempo não para...

Dom João V, Rei de Prtugal, que usou o ouro de Minas Gerais e de Catas Altas para a cultura e as artes

Moeda cunhada em Ouro Preto, uma das mais famosas do mundo, provavelmente com o ouro de Catas Altas, ano em que Minas mais enviou o metal para Portugal


BOM DIA

Catas Altas

Novembro de 2019 - Página 8

Estudantes catasaltenses representam Minas Gerais e o Brasil na China Depois de conquistarem ouro e prata na edição brasileira da Olimpíada Internacional da Matemática Sem Fronteiras (OIMSF), doze alunos de Catas Altas buscam conquistar a vitória internacional. Os alunos do 4º e 5º anos da Escola Agnes Pereira Machado foram selecionados para representarem o Brasil no World Mathematics Team Championship 2019 (WMTC), campeonato mundial de matemática que está sendo sediado em Pequim, na China. A comitiva catasaltenses embarcou rumo à China na terça-feira, dia 19/11. Contando com o apoio de toda comunidade, da prefeitura e de empresas, após muitas promoções e trabalho, o grupo conseguiu levantar recursos para custear a viagem. A Vale custeou as passagens aéreas aos 12 alunos e 4 acompanhantes e a iniciativa dos organizadores responsáveis pela viagem já garantiu cerca de R$ 50 mil com doações, bingos, rifas e o apoio da Prefeitura Municipal de Catas Altas, que concedeu diárias internacionais para os professores. Participar da competição na China será a concretização de uma realização antes impossível para os alunos. “É um sonho que nem chegamos a sonhar. É uma conquista grande para uma escola pública e do interior do estado. Os alunos estão dedicados em aulas de matemática e inglês. Agradeço imensamente a Vale por nos ajudar a representar Catas Altas, Minas Gerais e o Brasil”, afirma a coordenadora pedagógica da escola, Meira Ferreira. Apoio Além de toda a comunidade, diversas empresas da região estão apoiando a viagem com recursos financeiros, entre outras ajudas. Entre elas o Eco Centro Escarpas do Caraça, CFC Roda De Ouro de Santa Bárbara, Help Hair Beauty Salon, Barbearia Help Hair, Bloco No Chapados, Alugar Equipamentos e Manutenção Ltda, Loc Mais, Locação e Manutenção de Equipamentos.


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Catas nov2019 by sergiohenriquebraga - Issuu