SEXTA-FEIRA 11 DE SETEMBRO DE 2020 | R$ 1,00
Edição: 4.326 - Ano XXI - www.bomdiaonline.com
ON-LINE
Maurício Tizumba, Wilson Sideral, Grupo Galpão e Angelo Oswaldo no Festival de Inverno de Itabira Foto: Maria Tereza Bicalho – Acom CMJM
Vereadores e ativistas culturais cobram diálogo com a Prefeitura Página 3
M IRANTE Sheila Malta
DE PESSOAS E GIRASSÓIS.. Setembro chegou trazendo a Primavera e seus encantos...não só nas flores e arvores frondosas, mas nas pessoas também. Existem pessoas que florescem o ano inteiro e outras mais raras, somente em setembro! Página 2
Cenários entrevista Cinthia Carvalho, precursora do teatro em João Monlevade Página 4
BOM DIA
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
cidade
2. EXPEDIENTE
BOM DIA • Administrativo: Luiz Gonazaga de Castro • Edição/Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga
Em edição on-line, 46º Festival de Inverno de Itabira contará com grandes atrações
• Comercial Geraldo Magela Dindão • Comercial: comercial@bomdiaonline.com 31. 975208093 • Impressão: Gráfica BOM DIA • Colaboradores: Márcio Naoto Suzuki (Up Street) Marcos Martino (BOM DIA) Sheila Malta (Mirante) Lorena Gabrielle (Minuto com a Nutri) • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Central de Comunicação - SC . Redação e Administração Av Getúlio Vargas 4232, Carneirinhos, sala 106, CEP 35930.002 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.1515 • BOM DIA online: www.bomdiaonline.com
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Itabira - A Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) divulgou a programação oficial do 46º Festival de Inverno de Itabira. O evento, que acontece entre os dias 11 (amanhã) e 20 deste mês, acontecerá pela primeira vez em formato on-line e contará com Maurício Tizumba, Felipe Bedetti e Tadeu Franco, Rubinho do Vale, Wilson Sideral, Grupo Galpão, Angelo Oswaldo, dentre outras atrações. Em 2020, o Festival de Inverno tem como tema “Sou Minas Gerais” e presta uma homenagem aos 300 anos do nosso estado. Dessa forma, o evento busca trazer algumas das vertentes que
compõem a rica cultura mineira, como música, teatro, artes visuais, gastronomia e outros Ao todo, o evento conta com 41 atrações artístico-culturais divididas em: oficinas (19), apresentações musicais (14), contações de histórias (2), palestras (2), bate-papos (2), teatros infantis (2), teatro adulto (1) e exposição (1). Devido ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, o 46º Festival de Inverno acontecerá de forma on-line. Para isso, serão realizadas transmissões ao vivo e exibições de vídeos gravados pelo canal da FCCDA no YouTube— com algumas oficinas acontecendo pelo Google Meet. O 46º Festival de Inverno de Itabira é uma realização da Prefeitura Municipal de Itabira e da FCCDA e teve um custo total de R$ 150 mil — valor patrocinado integralmente pela mineradora Vale. O evento, ainda, conta com o apoio da Valenet, Origami Propaganda, Unimed Itabira, Soiér Odontologia, Estância do Sol, Fazenda Gramagô, Restaurante da Lili, Aradíssimo, Nutri Vida e Instituto ITI.
M IRANTE Sheila Malta
DE PESSOAS E GIRASSÓIS..
Setembro chegou trazendo a Primavera e seus encantos...não só nas flores e arvores frondosas, mas nas pessoas também. Existem pessoas que florescem o ano inteiro e outras mais raras, somente em setembro! Há ainda as que nunca floresceram e as que passam pelas quatro estações sem sequer serem notadas... A qual categoria você pertence? Setembrinos? Florescimento perpétuo ou perene? Fato é que, da mesma forma que os girassóis buscam o sol, as pessoas podem buscar sua própria luz, sem se preocupar com os brilhos alheios... E daí se a sua luz brilhar menos ou mais... o importante é que você nunca pare de brilhar! Sejamos vagalumes de noite, para iluminarmos caminhos escuros. E, girassóis de dia, para guiar outros nesta imensa estrada chamada... VIDA! Brilhe para si e para os outros. ET LUX IN TENEBRIS... E preocupe-se em manter sua chama acesa. Esqueça a vela do vizinho. Se ela queima mais ou menos, deixe que ele a alimente de acordo com a necessidade. APENAS VIVA E...DEIXE VIVER! Entenda, de uma vez por todas que, sua luz própria não se apaga porque outra pessoa a cobiça e vice versa. Ela se apaga, quando você desiste de brilhar, por medo do que os outros irão pensar de você! Brilhe, brilhe o dia inteiro ... Lembre-se do girassol, que se inclina, de acordo com a direção do sol, e nunca desiste, mesmo em dias levemente nublados. Ele não inveja a luz do sol. Pelo contrário: se nutre da luz do astro rei e encanta o mundo. Que tal refletir a luz de Deus? Bom restinho de semana para vocês!
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
BOM DIA
política
3.
Vereadores e ativistas culturais cobram diálogo com a Prefeitura sobre Lei Aldir Blanc Foto: Maria Tereza Bicalho – Acom CMJM
João Monlevade - Em reunião realizada na manhã dessa quarta-feira, 9, na Câmara Municipal de João Monlevade, vereadores e ativistas culturais cobraram da Prefeitura um diálogo aberto a respeito da Lei nº 14.017/2020, denominada “Lei Aldir Blanc”, aprovada em junho. O encontro foi solicitado por meio de requerimento de autoria dos vereadores Belmar Diniz (PT) e Thiago Titó (PDT) convocando a diretora presidente da Fundação Casa de Cultura, Claira Ferreira, para esclarecer algumas dúvidas a respeito da lei. Segundo Claira, inicialmente a Prefeitura havia determinado até o dia 31 de agosto o prazo para o cadastro de agentes e espaços culturais que pleiteiam receber o benefício. Contudo, ela explicou que devido à importância do cadastramento, o mesmo ficará permanentemente aberto. “Nosso objetivo é utilizarmos esse cadastro em outras ocasiões”, disse. Até terça-feira, 8, haviam se cadastrado 53
Vereadores e ativistas culturais cobraram da Prefeitura um diálogo aberto a respeito da “Lei Aldir Blanc”
espaços culturais e 104 agentes culturais. De acordo com a lei, o prazo para apresentação do plano de ação se encerra no dia 16 de outubro. Dessa forma, a liberação do recurso para estados e municípios ocorrerá em até 10 dias após a aprovação do plano. No lote 1, cujos planos foram aprovados até o dia 1 de setembro, o pagamento será feito até esta sexta-feira, 11. No lote 2, que contempla planos aprovados entre 2 e 16 de setembro, o recurso será liberado até o próximo dia 26. Quanto ao lote 3, referente aos planos aprovados entre 17 de setembro e 1º
de outubro, os estados e municípios recebem até 11 de outubro. Já no lote 4, cujos planos forem aprovados entre 2 e 16 de outubro, os recursos serão liberados até o dia 26 de outubro. Claira afirmou que João Monlevade deverá ser contemplada no 2º lote. “Estamos trabalhando para enviar o plano de ação até o dia 16 de setembro. Faltam apenas alguns direcionamentos jurídicos para concluirmos o plano”, declarou. Claira explicou, ainda, que será formado um Comitê Gestor que irá fiscalizar a aplicação do recurso que será destinado ao município no valor
de R$568 mil. Segundo a presidente da Casa de Cultura, esse comitê deverá ser composto pela Associação Comercial e Industrial (Acimon), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – 75ª Subseção e Câmara Municipal. O objetivo é que essas entidades indiquem representantes para integrar o comitê que sejam do setor cultural e tenham conhecimento técnico. Porém, a sugestão foi criticada pelos agentes culturais e vereadores presentes. Para a cantora Nadja Lírio, representante do Gira Cultura Monlevade, não existe a necessidade de
que essas entidades façam suas indicações para o Comitê Gestor já que o município conta com um Conselho Popular de Cultura composto por representantes do setor cultural em diversas vertentes. “Nada mais justo que enquanto artistas e gestores culturais tenhamos voz ativa para contribuir com a aplicação correta da Lei Aldir Blanc no município. Vivemos numa democracia e, por isso, buscamos um diálogo transparente entre comunidade e poderes constituídos”, declarou. A fala de Nadja foi enaltecida pelo artista e produtor cultural Niel Flávio que criticou a falta
de diálogo do Executivo a respeito da questão. “Esperamos que a Prefeitura mude sua postura diante da situação e conduza a questão de maneira séria e transparente. Queremos ser ouvidos e, no mínimo, não esperamos outra coisa a não ser participar do comitê”, ponderou. Os vereadores Belmar Diniz, Thiago Titó, Guilherme Nasser (MDB) e Gentil Bicalho (PT) manifestaram apoio aos profissionais da cultura e ressaltaram que o Executivo deve melhorar o diálogo com os diversos setores da sociedade. “Reconhecemos o esforço da Claira frente à Casa de Cultura e, especialmente, no que diz respeito à Lei Aldir Blanc, mas é preciso que a Administração Municipal esteja realmente aberta ao diálogo”, afirmou Guilherme. O emedebista foi acompanhado pelos demais vereadores. Por fim, Belmar disse que irá solicitar à Prefeitura a apresentação do plano de ação à Câmara assim que o mesmo for concluído. Além disso, será encaminhado ofício à prefeita Simone Carvalho solicitando a participação de agentes culturais no Comitê Gestor.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
BOM DIA
cultura
4.
Cenários entrevista Cinthia Carvalho, precursora do teatro em João Monlevade O CENÁRIOS conversou com a atriz Cinthia Carvalho, uma atriz que vivenciou tempos de maior efervescência cultural na cidade. Hoje em dia, mesmo em um cenário de desolação e de refluxo artístico-cultural, ela encontra espaço para ter esperança. Mas vamos à entrevista. CENÁRIOS - Cinthia, a Sheila Malta me sugeriu entrevistá-la e me falou o trabalho maravilhoso que você fez no teatro. Qual a sua leitura da época? Cinthia - Então, nosso trabalho no teatro começou nos anos 80, naquele “boom” cultural que surgiu como resposta aos anos de chumbo iniciados com o golpe de 64 e que, então, chegavam ao fim. A juventude queria se expressar e buscou isso por meio das diversas vertentes artísticas. Houve uma proliferação de bandas de rock, por exemplo, e o teatro não ficou para trás. Aqui em Monlevade havia dois ou três grupos que se dedicavam às artes cênicas. CENÁRIOS - Havia uma cena do teatro à época na cidade? Havia ajuda do poder público? Cinthia - Creio que, pelos motivos já ditos, havia uma vontade muito grande de dar voz às diversas expressões artísticas e, por isso, os festivais se fortaleciam. Entre eles, o “Festival de Inverno”. Acho que
aí foi que o Poder Público contribuiu mais: criando os espaços para que a arte se manifestasse. A Casa de Cultura também ofereceu um curso com dois professores do Palácio das Artes, o Walmir José e o Luís Paixão, e isso desenvolveu muito a nossa técnica teatral. No mais, buscávamos patrocínio no comércio e nas demais empresas da cidade. CENÁRIOS - Quais eram os principais nomes do teatro à época? Cinthia - Muita gente boa passou pelos grupos Oficina, Roda Viva e outros. Seria injusto citar os maiores
nomes da época, mas pelo menos dois se tornaram grandes atores: o Ricardo Nortier e o Renato Milani. CENÁRIOS - A arte de representar migrou dos teatros para a tv e agora pra internet. Existe esperança pro teatro presencial? O que fazer para que o teatro volte a ser visto pelos brasileiros? Cinthia - Há um problema histórico-cultural no nosso País que faz do teatro uma arte ainda pouco apreciada. O brasileiro se apega muito à música e isso é ótimo, claro, mas lê muito pouco, assiste a pouquíssimos espetáculos
de teatro e raramente vai a uma exposição de artes visuais, por exemplo. Acho que a mudança desse cenário, como de quase todo o resto, vem com a melhoria da educação. Precisamos educar para a cultura, a arte. Tenho esperança! CENÁRIOS - Qual o estilo de teatro da sua preferência? Cinthia - Gosto de todos. CENÁRIOS - Como você vê a cena do teatro na cidade? Não deveria haver mais estímulos? Cinthia - Hoje vejo com tristeza. Nunca tivemos grandes oportunidades. Sequer um teatro tínhamos. Mas, pelo menos, havia uma vontade de fazer acontecer. Havia um apoio público, ainda que, como eu disse, ele fosse limitado. Hoje o cenário é outro. É preciso ser muito obstinado para querer fazer arte por aqui, mas ainda temos guerreiros e guerreiras. CENÁRIOS - Monlevade tem hoje espaços apresentações teatrais? Cinthia - O melhor é o CEJM. Já é muito perto do que tínhamos nos anos 80/90. CENÁRIOS - Por que Monlevade não tem cursos de teatro? Cinthia - Hoje em dia pelo menos não vemos anunciado qualquer tipo de curso de interpretação. Mantive cursos de teatro por um bom tempo em Monlevade. Ten-
tei criar um espaço para cursos de arte em geral, mas pouca gente se interessou. Aí entra aquela questão cultural de que falei. Há quem pense que Monlevade só tem vocação para a usina e festas em repúblicas, mas creio que temos espaço para as artes também. Quem sabe, com mais projetos públicos voltados para a arte e a cultura, não conseguimos recuperar o vigor daquele tempo? Tínhamos duas ótimas salas de cinema, dois ou três grupos de canto coral; dois ou três gru-
pos de teatro; grupos de dança, bandas de música... Podemos e devemos recuperar esse cenário. CENÁRIOS - Como você enxerga o teatro do futuro? Cinthia - O teatro seguirá firme, porque, se de um lado, é mais procurado em sociedades que valorizam a arte e a cultura, de outro, em tempos de obscurantismo, ele é instrumento de luta, lugar de fala. Hoje ele segue na batalha por um amanhã de explosão cultural e, como já disse, nutro grandes esperanças.