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IMCSS I DA COOPERAÇÃO SUL-SUL DA IBERO-AMÉRICA
FUNDAMENTOS CONCEPTUAIS E METODOLÓGICOS Primeira edição — Outubro 2026
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IMCSS I
1.
ÍNDICE 1.
A Ibero-América e a medição da Cooperação Sul-Sul
03.
2.
Valor e contribuição de uma medição multidimensional da CSS
07.
3.
Critérios e definições metodologias para a construção do IMCSS-I
11.
3.1. Dimensões: quanto, como, com quem e em quê
15.
3.2. Método de cálculo: agregação, normalização e ponderação
17.
4.
Primeiros resultados para o biénio 2023-2024
31.
5.
Aprendizagens preliminares
35.
Precisões metodológicas
38.
A Ibero-América e a medição da Cooperação Sul-Sul
Após 15 edições do Relatório da CSS e Triangular na Ibero-América, o espaço ibero-americano consolidou a sua posição como uma referência na medição da Cooperação Sul-Sul (CSS). Desde o seu início, em 2007, até aos dias de hoje, e ao longo das sucessivas edições deste Relatório, os países ibero-americanos — acompanhados pela SEGIB e em coordenação com o PIFCSS — têm vindo a construir um relato sólido e baseado em evidências sobre o panorama, a evolução e as principais tendências da CSS na nossa região ao longo destes anos. Tal foi possível graças à capacidade do espaço ibero-americano de construir coletivamente — e sempre por consenso — um quadro
*Não aplicável ao Brasil, a pedido expresso do país.
conceptual e metodológico da CSS e Triangular. Por outras palavras, graças à capacidade de chegar a acordo sobre uma forma de entender a CSS e de a medir. Mas também por ter conseguido criar uma dinâmica anual de reporte, registo e consolidação de dados dessa CSS e Triangular: aquilo a que se pode chamar uma cultura de reporte para a qual não existem precedentes para estas modalidades de cooperação. Uma das principais conquistas deste processo foi o desenvolvimento e a entrada em funcionamento de um sistema de informação de dados sobre CSS e Triangular: o SIDICSS, acrónimo do nosso Sistema Integrado de Dados da Ibero-América sobre Cooperação Sul-Sul. Concebi-
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do, projetado e construído também de forma conjunta entre os técnicos dos países, a SEGIB e o PIFCSS, este sistema constitui uma boa prática da região ibero-americana em termos de medição da Cooperação Sul-Sul. O SIDICSS está em funcionamento desde 2015 e é único na sua capacidade de recolher dados, tanto a partir do papel de parceiro ofertante como do de parceiro recetor, favorecendo assim um processo de cross-check da informação. Atualmente, acumula dados sobre mais de 11.000 iniciativas de CSSeT nas quais os países ibero-americanos participaram entre 2007 e 2024. Como se pode observar, a narrativa da Ibero-América em torno do que aconteceu com a sua CSS e Triangular foi construída à volta de uma unidade de registo e medição de caráter quantitativo: as iniciativas. No espaço ibero-americano, estas são definidas como o conjunto de programas, projetos, ações de cooperação e bolsas1, através dos quais se implementam os intercâmbios entre países.
quantidade. Esta é uma fórmula frequentemente utilizada noutras modalidades tradicionais de cooperação para o desenvolvimento. No entanto, isto não significa que o espaço ibero-americano não esteja simultaneamente a trabalhar para continuar a avançar noutras fórmulas de medição relevantes para a região, que permitam, por exemplo, monetizar e/ou valorizar a cooperação. Por sua vez, a medição quantitativa foi acompanhada pela identificação de um conjunto de critérios/princípios que a região entende serem a essência da prática da sua CSS: horizontalidade, reciprocidade, procura de benefícios mútuos, intercâmbio de capacidades para além da transferência de recursos financeiros e potencial para promover as relações entre países, para mencionar apenas alguns dos mais importante2. Estes princípios estão na base de uma
cooperação que a Ibero-América entende ser realizada de forma distinta daquela que possa estar a ser efetuada noutras regiões, o que lhe confere um valor singular e diferenciador. Com esta experiência, e num contexto global em que a Ibero-América defende a transição para uma medição multidimensional do desenvolvimento, a região ainda tinha de dar um passo “mais ambicioso” em termos de medição, gerando evidências que refletissem o valor singular e diferenciador da CSS e Triangular da Ibero-América. Perante este desafio, a região ibero-americana adota uma perspetiva inovadora, procura novas fórmulas de medição e avança com a construção de uma nova ferramenta: o Índice Multidimensional da Cooperação Sul-Sul da Ibero-América (IMCSS-I).
De facto, a medição quantitativa da CSS e Triangular através do número de iniciativas permite construir um relato diferente, dimensionando quanta cooperação se faz com base na
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2.
Valor e contribuição de uma medição multidimensional da CSS
A construção do que em estatística se designa por um índice sintético, como o proposto, “implica integrar um conjunto de variáveis num único indicador; uma ação que permite enriquecer a medição de conceitos que, devido à sua natureza holística, são difíceis de abordar a partir de uma única variável ou indicador” (Palacios, 2025, p.1)3. Tal como este especialista salienta, realizar este exercício é particularmente útil para abordar fenómenos de natureza multidimensional, uma característica que define a forma como a Ibero-América entende a sua CSS. Avançar no sentido de um Índice Multidimensional de Cooperação Sul-Sul (IMCSS) implica ser capaz de integrar, numa única medição, diferentes dimensões da CSS: por exemplo,
criando uma medida que complemente a informação relativa à quantidade de iniciativas (quanta cooperação se faz), com outra de natureza qualitativa, que dê uma ideia do grau em que essa cooperação se alinha com os princípios que lhe conferem singularidade (quão Sul-Sul é o que se faz). Tal como se depreende do exposto, o exercício de elaboração deste IMCSS-I tem uma forte componente normativa, uma vez que o Índice — construído em permanente partilha e diálogo com os países ibero-americanos — necessita de conseguir captar e expressar a forma como a Ibero-América compreende e implementa os princípios por si própria definidos como orientadores da nossa CSS.
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Assim, se a região for capaz de integrar num só índice informações que, combinadas, indiquem que um país está a intensificar a sua cooperação e se confirmar com evidências que esta se alinha cada vez mais com os princípios que, na Ibero-América, são entendidos como definidores da CSS, estaremos a disponibilizar aos países ibero-americanos uma nova ferramenta de medição com enorme potencial e elevado valor estratégico. Neste sentido, dispor de um Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I) permitirá:
e singular, por ser também capaz de a medir, captando este valor diferencial. d. Proporcionar a todos os destinatários um índice simples e de fácil leitura, que, com um valor crescente de 0 a 1, apresente resultados intuitivos na sua interpretação, tanto para especialistas como para o público em geral. e. Apresentar à cidadania um novo relato da CSS que ofereça uma visão mais abrangente, compreensível e próxima desta cooperação.
a. Alinhar o exercício de medição da CSS da região com a visão multidimensional do desenvolvimento que a IberoAmérica tem vindo a promover há muito tempo em diferentes fóruns e espaços de discussão internacionais. b. Disponibilizar aos países iberoamericanos um novo instrumento para a gestão e a tomada de decisões em matéria de CSS, que funcione como guia de referência e incentivo para promover “mais cooperação” e torná-la “mais SulSul”. c. Reforçar a identidade regional e posicionar internacionalmente a Ibero-América como líder de uma cooperação transformadora, distinta
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3.
Critérios e definições metodologias para a construção do IMCSS-I
O diálogo e um intercâmbio permanente em termos técnicos e políticos com os países ibero-americanos permitiram avançar na definição desta primeira versão de um Índice Multidimensional de CSS (IMCSS) da e para a Ibero-América. Com efeito, e tal como já foi referido, trata-se de um exercício que tem uma forte componente normativa. No entanto, os passos a empreender são também orientados pelo cumprimento de critérios técnicos: a construção de qualquer índice enfrenta requisitos, limitações e desafios, resumidos na Tabela 1. Por conseguinte, avançar na IberoAmérica com esta primeira definição de um Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I) exigiu:
Respeitar e interpretar o quadro conceptual e metodológico da CSS que o espaço ibero-americano construiu e consensualizou ao longo de mais de 15 anos. Selecionar os critérios/princípios que se pretendem incorporar no novo Índice, tentando respeitar as seguintes diretrizes: J Equilibrar o número de indicadores utilizados, mantendo a sua simplicidade e eficácia interpretativa. J Garantir que os dados subjacentes ao seu cálculo estão disponíveis (ou seja, dar prioridade à utilização de dados já existentes no SIDICSS). J Realizar as agregações e ponderações de acordo com critérios que garantam a maior objetividade possível.
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Tabela 1. Requisitos, limitações e desafios para a construção de um Índice REQUISITOS
LIMITAÇÕES
DESAFIOS
¤ Definição clara do conceito a medir
¤ Disponibilidade e qualidade dos dados
¤ Equilíbrio no número de indicadores utilizados
A falta de dados fiáveis, comparáveis ou completos pode limitar a inclusão de determinados indicadores-chave ou comprometer a validade do índice.
É necessário encontrar um equilíbrio entre a exaustividade e a simplicidade. A criação de demasiados indicadores pode dificultar a interpretabilidade do índice, ao passo que uma seleção demasiado restrita pode não captar adequadamente o fenómeno.
É imprescindível delimitar com precisão o fenómeno que se pretende representar, garantindo a coerência entre o conceito e os indicadores selecionados. ¤ Fundamentação teórica A construção do Índice deve ser apoiada por um enquadramento teórico que justifique a inclusão de determinadas dimensões e variáveis e oriente a interpretação do resultado final. ¤ Seleção de dimensões e indicadores As dimensões escolhidas devem ser relevantes e representativas do conceito, e cada uma delas deve ser devidamente operacionalizada através de indicadores fiáveis e comparáveis. ¤ Normalização de variáveis Uma vez que os indicadores se encontram frequentemente em diferentes escalas e unidades de medida, é necessário aplicar técnicas de normalização para os tornar comparáveis antes da sua agregação.
¤ Subjetividade nas decisões metodológicas A escolha das ponderações, o método de normalização e o modelo de agregação podem introduzir distorções se não estiverem devidamente fundamentados ou se se basearem em critérios arbitrários.
¤ Robustez estatística É necessário testar a solidez do Índice através de uma análise de sensibilidade para mostrar como os resultados variam quando as ponderações ou os métodos de agregação são alterados. ¤ Aceitação política e legitimidade Para que o índice seja útil, é necessário que seja reconhecido como legítimo e aceite pelos académicos e pelos principais agentes que o utilizarão.
¤ Ponderação e agregação Para a atribuição de pesos às diferentes variáveis ou dimensões e para a definição do método de agregação, devem ser estabelecidos critérios claros, visto estas decisões afetarem diretamente a sensibilidade do índice.
Fonte: SEGIB a partir de Palacios (2025)
. 13
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Seguindo estas orientações, são apresentadas as dimensões propostas e feita uma abordagem ao desenvolvimento da fórmula que sustenta este Índice. No entanto, antes disso, acrescenta-se outra observação metodológica. Embora este espaço ibero-americano reconheça três modalidades de cooperação (a CSS Bilateral, a Triangular e a CSS Regional), esta primeira versão do índice é concebida e testada com base numa delas: a CSS de caráter bilateral. Esta decisão deve-se ao facto de se tratar de modalidades que, embora partilhem alguns elementos, diferem substancialmente noutros. Estas diferenças tornam aconselhável uma abordagem diferente na construção dos respetivos índices. Por esse motivo, optou-se por iniciar este exercício com a modalidade que explica o maior número de intercâmbios (3 em cada 4 são CSS Bilateral)4 para, em breve — tal como indicado no final deste documento —, continuar a desenvolver índices próprios que permitam considerar os aspetos que distinguem a Triangular e a Regional.
3.1
Dimensões: quanto, como, com quem e em quê
Nesta primeira edição, o IMCSS-I agregará informações relativas a quatro dimensões diferentes. Na sua seleção, procurou-se que cada uma destas dimensões forneça, de forma agregada, informações que permitam responder a quanta cooperação se faz e a como se faz, em alinhamento com os princípios identificados pelos países ibero-americanos como definidores da sua CS5. Mais especificamente: ¼ Quanta CSS se faz? A escolha da dimensão através da qual se pode expressar dá continuidade ao quadro conceptual e metodológico com que o espaço ibero-americano tem vindo a trabalhar há mais de 15 anos: a quantidade expressa pelo número de iniciativas que são intercambiadas.
¼ Como se faz? Coloca-se a ênfase no respeito por um dos princípios definidores que reúne maior consenso: a horizontalidade. De facto, e apesar das relações de igualdade poderem manifestar-se de muitas formas ao longo das diferentes fases do ciclo de uma iniciativa, opta-se por basear a evidência numa possibilidade: a de um país participar nos intercâmbios com um papel cada vez mais dual, o que sugere a sua capacidade de atuar, simultaneamente, e de forma cada vez mais equilibrada, como ofertante e recetor de CSS6. ¼ Com quem se faz? A capacidade que a CSS tem de promover as relações entre países surge como um dos pontos fortes desta modalidade. Esta capacidade pode ser captada a partir da diversidade de parceiros com os quais se realizam intercâmbios7, uma medida possível de gerar combinando o número de países com os quais cada país intercambia com o peso relativo que cada um deles tem sobre o total da sua CSS.
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¼ Sobre que temas se faz CSS? O facto de estarmos perante uma cooperação que privilegia o reforço de capacidades, em detrimento da transferência de recursos financeiros, sugere dar valor à variedade de áreas abrangidas por essa cooperação. Utilizase o termo complementaridade porque o próprio desenvolvimento tem causas múltiplas e, neste contexto, mede-se a variedade de áreas que contribuem para esse objetivo, somando-se umas às outras. Para a estimar, combinase a variedade de áreas que cada país intercambia com o seu grau de representatividade face à cooperação total.8
3.2
Método de cálculo: agregação, normalização e ponderação
De acordo com o exposto, uma primeira proposta para o Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I) seria composta por quatro subíndices. Em concreto, esses subíndices são os seguintes:
¼ Quantidade de CSS (Cest), que responde à questão quanto se faz. ¼ Horizontalidade da CSS (Hi,t), que observa o como se faz. ¼ Diversidade da CSS (Di,t), que mostra com quem. ¼ Complementaridade (Setorial) (CSi,t), que revela em que áreas se faz essa CSS.
Ci,t
Hi,t
Di,t
CSi,t
QUANTIDADE
HORIZONTALIDADE
DIVERSIDADE
COMPLEMENTARIDADE
Quanto se faz? Iniciativas (Ações e Projetos)
Como se faz? (Ofertante-RecetorPapel dual)
Com quem se faz? Quantidade de países com os quais se estabelecem intercâmbios
Em que áreas se faz? Variedade de áreas temáticas reforçadas
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A seguir, e antes de proceder à concretização do IMCSS-I propriamente dito, é feita uma aproximação aos métodos de cálculo definidos para sustentar cada um destes subíndices.
Quantidade de CSS (Cest) A estimativa deste subíndice parte da agregação dos diferentes tipos de iniciativas através dos quais a CSS de caráter bilateral é implementada: projetos, ações e bolsas (assimiladas provisoriamente — e daqui em diante — às ações, tal como exposto na nota de rodapé)9. Neste sentido, o facto de um projeto resultar da realização de um conjunto de ações10, implica que o processo de agregação de projetos e ações neste subíndice não pode ocorrer assumindo uma equivalência de 1:1 entre ambos os tipos de iniciativas. Consequentemente, qualquer estimativa da quantidade requer incorporar um fator de ponderação entre ações e projetos: ou seja, um valor que permita estabelecer uma equivalência entre ambos os tipos de iniciativas o mais próxima possível da realidade da CSS ibero-americana.
Para atribuir um valor ao fator de ponderação a aplicar na agregação de ações e projetos para o cálculo deste subíndice de quantidade, foram tomadas como referência as seguintes evidências, ambas contidas no SIDICSS: ´ A sistematização dos documentos de formulação dos projetos de CSS intercambiados bilateralmente pelos países ibero-americanos e registados no SIDICSS sugere que a execução completa de um projeto bilateral de CSS, com uma duração média de 1,4 anos, implica a realização de 9,5 atividades. Destas, 3,6 são realizadas numa modalidade virtual e quase 6, numa modalidade presencial11. ´ Uma análise comparativa dos dados relativos aos custos que os países ibero-americanos declararam assumir para poderem concluir a execução das suas iniciativas bilaterais de CSS sugere que, por cada dólar destinado à implementação de uma ação, são destinados até 6 à implementação de um projeto.12
Tendo em conta estes dados — parciais, mas convergentes — é razoável concluir que a implementação de um projeto equivale à realização de 6 ações, todas executadas de forma presencial. Este por-
menor é pertinente, visto tratar-se de ações/missões que exigem a mobilização de recursos financeiros que, ao comparar os custos das iniciativas, se mantêm precisamente nessa mesma proporção de 6:1. Da mesma forma, a realização das análises de sensibilidade e dos testes de robustez pertinentes13 confirma a adoção e aplicação de um fator de ponderação de 6. Uma vez definido este fator, procede-se à determinação do subíndice de quantidade numa fórmula de cálculo. Para o efeito, é necessário seguir estes dois passos: PASO 1. Agregação de iniciativas, aplicando um fator de ponderação que atribui aos projetos um valor 6 vezes superior ao das ações.
Ci,t=6 pi,t+ai,t Em que: pi,t representa o número de projetos em que o país i participa no ano t. ai,t representa o número de ações em que o país i participa no ano t.
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PASO 2. Padronização da quantidade, de modo a poder ser expressa na mesma escala de valores do IMCSS-I: um intervalo (0,1)14. Para realizar esta padronização, é utilizado o método de Normalização Min-Max (0,1)15, que permite transformar o intervalo de valores em que se situa o número de iniciativas nos países ibero-americanos num determinado período (por exemplo, entre um mínimo de 0 e um máximo de 1.630)16 num novo intervalo de valores, mas numa escala que vai de 0,000 a 1,000 (a mesma em que será lido o IMCSS-I). Por conseguinte, o subíndice que estima a quantidade de CSS padronizando o valor obtido para o intervalo (0,1), responde à seguinte fórmula:
Cest=
Ci,t - Cmin
__________________________
C
max
- C
min
Horizontalidade da CSS (Hi,t) A construção deste subíndice requer poder medir a capacidade de um país para participar nos intercâmbios bilaterais de CSS, a partir de um papel cada vez mais dual, ou seja, combinando, da forma mais equilibrada possível, o exercício dos papéis de parceiro ofertante e de parceiro recetor. Tal como definido no espaço ibero-america-
2 Hi,t=
(
6 pai,t+aai,t 6pi,t+ai,t
)
no, em cada iniciativa bilateral, o exercício desses papéis pode ocorrer em três cenários distintos: participação “apenas” como ofertante; interação “apenas” como recetor; ou participação no intercâmbio, oferecendo e recebendo simultaneamente, a partir de um papel dual, bidirecional ou de dupla via.17
+ 1-
Em que: pai,t representa el número de proyectos realizado por el país i en el año t ejerciendo el rol ambos. pai,t representa o número de projetos realizados pelo país i no ano t, exercendo o papel ambos. poi,t representa o número de projetos realizados pelo país i no ano t exercendo o papel de parceiro ofertante. pri,t representa o número de projetos realizados pelo país i no ano t exercendo o papel de
I6poi,t+aoi,t-(6pri,t+ari,t)I
6poi,t+aoi,t+6pri,t+ari,t+ε
3
parceiro recetor. aai,t representa o número de ações realizadas pelo país i no ano t, exercendo o papel ambos. aoi,t representa o número de ações realizadas pelo país i no ano t exercendo o papel de parceiro ofertante. ari,t representa o número de ações realizadas pelo país i no ano t exercendo o papel de parceiro recetor. O valor ε=10 -9 é incluído para evitar resultados indeterminados.
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Neste sentido, esta primeira versão do subíndice de Horizontalidade tem como objetivo captar o quão dual é a participação de um país no conjunto dos seus intercâmbios. Para esse efeito, a fórmula proposta parte dos seguintes pressupostos: ´ Toma como referência os pesos relativos que o exercício de cada papel (ofertante, recetor e ambos) representa no total das ações e projetos que um país leva a cabo num determinado momento. ´ Considera que “é a mesma coisa” participar numa iniciativa “apenas” como ofertante ou “apenas” como recetor; pelo que ambos os tipos de participação se agregam com a equivalência 1:1, sem necessidade de ponderação. ´ Considera que participar numa iniciativa, desempenhando simultaneamente os dois papéis (ofertante e recetor), “vale mais”, ou seja, o dobro; por isso, é introduzida uma equivalência de 2:1 entre o exercício do papel ambos e o exercício dos papéis de ofertante/ recetor, introduzindo assim um fator de ponderação igual a 2.
A fórmula resultante corresponde a uma operação matemática que — com base nos pressupostos anteriores — permite, além disso: identificar quão equilibrado é o exercício entre os papéis; replicar um tratamento de 6:1 para projetos e ações; e apresentar um valor entre 0 e 1, alinhado com o do IMCSS.
Diversidade da CSS (Di,t) Para estimar este subíndice, optou-se por aplicar e adaptar uma variação do Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH). Trata-se de um indicador amplamente reconhecido pela sua capacidade de medir os níveis de dispersão e concentração do comércio internacional a partir de múltiplas perspetivas, nomeadamente as que afetam as exportações, as importações ou os parceiros de um país. Assim, com o objetivo de avaliar quão diversificada está a Cooperação Sul-Sul de um país em termos de parceiros — e tendo aprendido com experiências anteriores na utilização deste indicador —,18 é gerada a variante Índice de Herfindahl-Hirschman dos Países (IHHP), que permite calcular a Diversidade a partir de uma combinação de dois dados: o número de países com os quais se realizam intercâmbios e o grau de representatividade de cada um deles em relação ao conjunto dos parceiros num determinado período.
Tendo em conta o exposto, o cálculo inicia-se da seguinte forma:
N
IHHPi,t= ∑ p2i,j,t j=1 Em que: pi,j,t representa a participação do país j na CSS do país i no ano t.
Neste momento, já temos uma fórmula que gera um valor [0,1], o mesmo que será utilizado para ler o IMCSS-I. No entanto, é necessário efetuar um ajustamento. Porque o IMCSS-I não só se moverá entre 0 e 1, como, além disso, a sua leitura será “crescente”, o que significa que um país estará “melhor” quando o resultado obtido se aproximar de 1 e não quando se afastar desse valor. Para tal, o IMCSS-I necessitará que os seus componentes/subíndices produzam resultados que possam ser lidos nesse mesmo sentido.
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O Índice de Herfindahl-Hirschman dos Países (IHHP) oscila entre 0 e 1, mas é interpretado de forma inversa ao desejado: se o cálculo se mantiver tal como está, quanto mais próximo de 1 estiver, maior será a concentração; quanto mais próximo de 0 estiver, maior será a diversificação, ou, neste caso, a Diversidade, em termos de parceiros. Neste sentido, interpretar o resultado do IHHP no sentido inverso (“crescente”) exige uma padronização simples: subtrair de 1 o resultado que agora se obtém. Por conseguinte, a fórmula que calcula a Diversidade da CSS ficará da seguinte forma:
Di,t = 1 - IHHPi,t
Complementaridade (Setorial) (CSi,t) Procurando agora medir a Complementaridade (Setorial) e seguindo a mesma lógica utilizada para o subíndice anterior, é gerada a variante do Índice de Herfindahl-Hirschman dos Setores (IHHS). Este indicador permite estimar a distribuição da CSS de um país pelos 30 setores de atividade reconhecidos no espaço ibero-americano19, combinando dois tipos de informação: o número de setores em que cada país realiza intercâmbios e o peso relativo de cada um deles no total dos intercâmbios. O IHHS é obtido da seguinte forma:
Por fim, tal como acontecia no caso da Diversidade e pelas mesmas razões, a fórmula que calcula a Complementaridade (Setorial) será obtida após a padronização do IHHS, subtraindo-o de 1. Assim, o cálculo seguirá a seguinte orientação:
CSi,t = 1 - IHHSi,t
N
IHHSi,t= ∑ s2i,j,t j=1
Em que: si,j,t representa a participação do setor j na CSS do país i no ano t.
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Índice Multidimensional de CSS (IMCSSi,t) Após a geração dos quatro subíndices, resta proceder à sua agregação. Mas, antes dessa agregação — e para garantir que o resultado seja totalmente robusto — é necessário realizar um duplo exercício, indispensável e sempre complementar: ´ Em primeiro lugar, é preciso realizar um teste que permita verificar se todas as dimensões partem, inicialmente, do mesmo grau de representatividade, ou seja, se serão agregadas mantendo entre si uma relação de 1:1. ´ A seguir, é necessário atribuir fatores de ponderação a cada uma das dimensões: trata-se, agora, de “alterar esse 1 para 1 inicial”, de “adotar critérios normativos ou políticos” que atribuam a cada dimensão “um novo peso relativo”, de acordo com o “valor” que se pretenda atribuir a cada dimensão no índice final.
Nesse sentido, o exercício de teste realizado sugere uma “sobrerrepresentação” inicial das dimensões da Diversidade e da Complementaridade, que
contrasta com uma “infrarrepresentação” da de Horizontalidade. Isto acontece pelo seguinte motivo: as fórmulas foram padronizadas para garantir que os valores se situem entre [0,1]. E é assim que acontece. No entanto, quando se aplicam os dados relativos a cada um dos países e ao biénio 20232024, a “evidência empírica” revela o seguinte: A Quantidade ocupa praticamente todo o intervalo possível de valores (de 0,000 a 0,844); ao passo que a Diversidade e a Complementaridade se situam em intervalos de valores “elevados” (de 0,927 a 0,983 no primeiro caso, e de 0,693 a 0,935 no segundo) e a Horizontalidade faz o mesmo com valores “baixos”, oscilando entre 0,000 e 0,582.20 Caso se mantivesse assim no cálculo do IMCSS-I, as dimensões da Diversidade e da Complementaridade partiriam sempre de um “valor inicial” mais elevado que o da Horizontalidade, uma dimensão que ficaria sistematicamente sub-representada. Para corrigir esta situação e garantir que os graus de representatividade são equivalentes (1:1), é neces-
sário realizar uma nova padronização através do método de Normalização Min-Max (0,1). Desta vez, a padronização não se aplica às fórmulas, mas sim aos resultados preliminares obtidos para as dimensões da Diversidade, da Complementaridade e da Horizontalidade: desta forma, os respetivos intervalos de valores “deslocam-se” para um novo intervalo mais amplo, com equivalência 1:1 em relação ao da Quantidade, que será a dimensão mantida como referência.21 Após a padronização e garantida uma equivalência inicial de 1:1 para cada uma das dimensões que integram o IMCSS-I, é dado um último passo, que consiste em propor o peso a atribuir a cada um dos subíndices (dimensões) adotados na fórmula final. A realização das respetivas análises de sensibilidade confirma a robustez estatística da proposta apresentada, a qual, em conformidade com o exposto nas secções anteriores, assume um duplo critério: ´ Por um lado, é atribuído o mesmo peso, de 50%, a cada um dos dois grandes componentes do IMCSS: o quantitativo (índice de Quantidade),
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assimilado ao quanto se faz, a opção que até hoje tem sustentado — e continuará a sustentar — a medição da CSS na Ibero-América; e o qualitativo, entendido com base nos três índices que acompanham os princípios da Horizontalidade, Complementaridade e Diversidade, e que foi concebido para refletir “quão Sul-Sul” é essa cooperação que se faz. ´ Por outro lado, no âmbito do componente qualitativo, decide-se atribuir um peso relativamente maior (30%) à dimensão da Horizontalidade,
considerada a característica definidora da CSS na Ibero-América, sobre a qual existe um consenso unânime. Desta forma, a Diversidade e a Complementaridade (Setorial) dividem equitativamente os restantes 20%, ficando-lhes atribuídos, em cada caso, 10% do peso total.22
Seguindo estes critérios, a fórmula matemática que permitirá estimar o Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I) é a seguinte:
CANTIDAD
50% Ci,t
est IMCSS-Ii,t = 50% Ci,t + 30%Hi,t + 10% Di,t + 10%CSi,t
HORIZONTALIDAD
O seu cálculo dará um resultado que oscila entre [0,1] como valores mínimo e máximo. Cada IMCSS será estimado com três casas decimais. A interpretação será crescente
30% Hi,t
IMCSSi,t
DIVERSIDAD
e, quando o IMCSS-I se aproximar de 1, entender-se-á que se está a fazer mais CSS e que esta é cada vez mais horizontal, diversa e complementar.
10% Di,t
IMCSSi,t = [0,1]
COMPLEMENTARIEDAD
10% CSi,t 6 / 15
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4.
Primeiros resultados para o biénio 2023-2024
O primeiro teste deste IMCSS-I foi aplicado ao biénio 2023-2024, mais concretamente, e tal como já foi referido, a uma das três modalidades reconhecidas neste espaço:23 a CSS de caráter bilateral, na qual participam os 19 países ibero-americanos da América Latina e do Caribe (ALC), desde o México até ao Chile, incluindo Cuba e a República Dominicana no Caribe hispânico. Este primeiro exercício aplica-se aos 19 países à exceção do Brasil, por solicitação expressa deste. Nesta primeira proposta, foi criada uma tabela que permite identificar o valor do IMCSS-I para cada país, bem como alguns dados que sustentam o cálculo dos subíndices. A referida informação está organizada em colunas, da seguinte forma:
y Países (os 19, exceto o Brasil), ordenados por ordem alfabética. y IMCSS-I correspondente a cada país para o ano 2023-2024. y Quanto se faz, representado a partir da Quantidade de iniciativas (soma de ações e projetos)24 realizadas por cada país no biénio 2023-2024. y Como se faz, indicador de Horizontalidade ilustrado com base nos pesos relativos que cada papel (ofertante/ambos/recetor) representa no total dos intercâmbios bilaterais de CSS realizados pelo país no biénio 2023-2024. y Com quem, ilustrando a Diversidade em termos de relações com base no número de países com os quais cada um dos países realiza intercâmbios de CSS.
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IMCSS I
y Em quê, representando a Complementaridade (Setorial) com um dado relativo ao número de setores em torno dos quais se reforçam capacidades.
Tal como se pode observar na tabela anterior, para o biénio 2023-2024, o valor do IMCSS-I oscila entre 0,155 e 0,826, sendo o valor médio para o conjunto da região de 0,461. Mais de metade dos países (Honduras, Panamá, Paraguai, El Salvador, Guatemala, Rep. Dominicana, Bolívia, Equador, Costa Rica, Uruguai, Peru e Argentina) registam valores próximos dessa média, oscilando entre 0,300 e 0,600. Entretanto, Cuba, Chile, México e Colômbia situam-se em valores superiores a 0,600 e, em alguns casos, até a 0,800. Por outro lado, a Nicarágua e a Venezuela registam um IMCSS-I inferior a 0,300.
Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I) 2023-2024 QUANTO SE FAZ?
COMO SE FAZ?
COM QUEM?
SOBRE QUE?
Diversidade Nº países
Complementaridade Nº setores
Países
IMCSS-I
Argentina
0,585
104
35%
38%
28%
46
23
Bolivia
0,406
82
12%
15%
73%
41
20
Chile
0,673
210
41%
56%
3%
45
29
Colombia
0,826
227
33%
33%
34%
84
25
Costa Rica
0,483
80
28%
18%
55%
34
21
Cuba
0,612
385
91%
3%
5%
104
18
Ecuador
0,465
102
24%
19%
58%
40
21
El Salvador
0,355
87
14%
3%
83%
41
21
Guatemala
0,357
72
22%
4%
74%
33
21
Honduras
0,305
62
8%
6%
85%
42
21
México
0,692
193
41%
45%
14%
32
26
Nicaragua
0,155
7
0%
0%
100%
31
7
Panamá
0,324
57
12%
7%
81%
33
17
Paraguay
0,326
56
16%
7%
77%
33
19
Perú
0,567
170
28%
36%
36%
39
25
Rep. Dominicana
0,385
70
19%
9%
73%
41
22
Uruguay
0,560
81
19%
40%
42%
33
22
Venezuela
0,272
23
35%
0%
65%
36
9
Horizontalidade Quantidade Nº iniciatiOfertante Ambos Recetor vas
Nota: O Brasil não está incluído, atendendo a um pedido expresso do próprio país. Fonte: SEGIB
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INDICE MULTIDIMENSIONAL
IMCSS I
5.
Aprendizagens preliminares
Há mais de 15 anos que todos os avanços no quadro conceptual e metodológico da CSS realizados no espaço ibero-americano têm sido orientados por um denominador comum: o esforço partilhado e a construção numa perspetiva coletiva. A proposta deste Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I), incluída e sintetizada neste documento, mantém-se fiel a esta premissa. É importante referir que o valor acrescentado desta reflexão coletiva é duplo: por ter tido lugar, e por ter conseguido que a Ibero-América, com a liderança técnica da SEGIB, tenha avançado para uma proposta que concilia o rigor metodológico e a robustez estatística, com um equilíbrio fundamentado e justificado entre os critérios técnicos e políticos que devem acompanhar a construção de um indicador desta natureza.25
De facto, os países ibero-americanos concordaram em salientar que o IMCSS-I:25 y Constitui um avanço em termos de medição da CSS. y Vem complementar (e não substituir) a medição quantitativa da CSS, uma vez que acrescenta informação qualitativa e fornece uma visão mais completa sobre a nossa cooperação e a forma como esta é realizada. y Reforça o relato da CSS da IberoAmérica, entendida pela própria região como uma cooperação singular, distinta e transformadora. Trata-se do relato da Ibero-América ao mundo sobre a sua CSS e sobre o que se pode aprender com ela. y Coloca à disposição dos países uma nova ferramenta com enorme potencial, na medida em que lhes permite dispor de novas orientações
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INDICE MULTIDIMENSIONAL
IMCSS I
e referências para a gestão e a tomada de decisões sobre a sua própria CSS.26
O resultado alcançado até aqui é, portanto, um excelente ponto de partida. No entanto, dada a sua natureza e os desafios com que se depara, o IMCSS-I estará permanentemente num processo de desenvolvimento e melhoria contínuos. Neste sentido, a cooperação evolui e será necessário acompanhar atentamente as tendências e necessidades de informação que venham a surgir no futuro. O IMCSS tem de poder adaptar-se para refletir a evolução da CSS e, assim, ser aplicável a realidades atualmente não consideradas (por exemplo, a cooperação descentralizada ou a cooperação realizada por governos subnacionais). Esta flexibilidade é semelhante à verificada noutro indicador multidimensional de referência, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que atualmente é utilizado em combinação com outras variantes ajustadas, como o Índice de Desenvolvimento Humano Planetário (IDHP) ou o IDH Subnacional.
panha) de 30 de junho a 3 de julho de 2025 — tem sido marcado pela aceitação da natureza multidimensional do desenvolvimento e pela potencial eficácia de modalidades como a Cooperação Sul-Sul — de caráter mais técnico —, enquanto ferramenta para alcançar o desenvolvimento num contexto de fortes restrições financeiras. Assim, o Índice Multidimensional da CSS da Ibero-América (IMCSS-I) surge num momento-chave para reivindicar e potenciar a experiência acumulada pela região, consolidar a liderança da Ibero-América e da SEGIB na medição da CSS e conseguir afirmar-se como ferramenta indispensável e de referência para enriquecer a cooperação para o desenvolvimento integral da nossa região. .
Por fim, é de salientar que o debate internacional — especialmente após a 4.ª Conferência das Nações Unidas sobre o Financiamento do Desenvolvimento (4FfD), que teve lugar em Sevilha (Es-
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IMCSS I
PRECISÕES METODOLÓGICAS 01.
Em 2023, após um exercício coletivo que se prolongou por mais de 3 anos, os países ibero-americanos decidiram começar a sistematizar os concursos de bolsas como um novo tipo de iniciativas. princípios resumem os consensos 02. Estes alcançados pelos Responsáveis de Cooperação
(RC) Ibero-Americanos. Podem ser consultados no capítulo que os próprios RC elaboraram para as edições de 2009 e 2010 do então denominado Relatório da Cooperação Sul-Sul na Ibero-América.
da intervenção (mimeo) de Juan Carlos 03. Excerto Palacios Cívico (Universidade de Barcelona)
durante a apresentação de uma primeira proposta do IMCSS aos países ibero-americanos, no âmbito do Intercâmbio Técnico “A Ibero-América e os desafios da medição da Cooperação Sul-Sul (CSS)”, que teve lugar na sede da SEGIB, em Madrid, nos dias 20 e 21 de maio de 2025. o Relatório da Cooperação Sul-Sul 04. Segundo e Triangular na Ibero-América 2024, em 2023,
a CSS Bilateral, apesar de ter perdido quase 10 pontos percentuais desde 2007, continua a ser a modalidade mais importante, representando até 77% do total dos intercâmbios na região. Entretanto, no mesmo período, a Cooperação Triangular e a CSS Regional registaram um aumento da sua participação, mas situam-se em percentagens mais baixas: 15% e 8%, respetivamente.
decisão de limitar o número de dimensões a 05. Aquatro é também motivada pelo respeito por um
critério de consistência estatística e interpretabilidade: na estatística, limitar o número de indicadores contribui para manter o equilíbrio necessário entre exaustividade e clareza.
de Trabalho n.º 4, 06. OdeDocumento 2013, intitulado “Geração de
indicadores para a Cooperação Sul-Sul. Um olhar sobre o trabalho realizado no âmbito do PIFCSS” reunia as reflexões que os países ibero-americanos já estavam a desenvolver sobre as formas alternativas (e, simultaneamente, complementares) de medir a horizontalidade. Entre as opções consideradas, destacava-se a dualidade, entendida como expressão da possibilidade que um país tem de participar, em condições de igualdade, na oferta e receção da cooperação implementada.
07.
As edições de 2009 e 2010 do Relatório da Cooperação Sul-Sul na IberoAmérica apresentam o que os Responsáveis de Cooperação designaram como critérios e pontos fortes da CSS da nossa região. Um dos aspetos mais destacados refere-se à capacidade que a CSS tem de favorecer “as relações entre países de uma mesma região, promovendo a integração e as boas relações de vizinhança, bem como a relação com países parceiros de outras regiões com os quais se podem construir alianças.” A dimensão relativa à diversidade é precisamente aquela que procura captar esta capacidade. Plano de Ação de Buenos Aires 08. O(PABA) de 1978 (reconhecido como
um dos marcos basilares da Cooperação Sul-Sul) estabelecia que esta se baseava na solidariedade para a ampliação e o reforço das capacidades, através de uma cooperação técnica que desenvolve a sua ação em múltiplos setores. O reconhecimento de que a capacidade da CSS para atuar num número cada vez mais amplo de setores constitui um ponto forte desta modalidade foi reafirmado pela comunidade internacional na Declaração que, em 2019, comemorou o 40.º aniversário desse Plano de Ação. A dimensão de complementaridade aqui proposta tenta precisamente medir esta “amplitude setorial”.
2023, os países ibero-americanos 09. Em decidiram reconhecer um novo
tipo de iniciativas: (os concursos de) bolsas. Consequentemente, este espaço passa a reconhecer a instrumentalização da modalidade bilateral da CSS (na qual se foca esta primeira edição do IMCSS-I) através de três tipos de iniciativas: ações, projetos e bolsas (os programas não computam para o caso bilateral). Neste sentido, o registo de ações e projetos remonta a 2007; ao passo que o das bolsas — explicitadas como tal de acordo com a nova definição metodológica — tem início em 2025. Neste contexto, o facto de não ser possível construir séries históricas de bolsas, leva a que se recomende a sua integração neste subíndice de quantidade, contabilizando as bolsas como se se tratasse de ações pois este tinha sido precisamente o tratamento recebido até que, em 2023, se chega ao novo consenso metodológico. Daqui em diante, portanto, e ao longo de todo o documento, apenas se falará de projetos e ações, ficando as bolsas entendidas dentro destas últimas. espaço ibero-americano, um projeto 10. No define-se como “um conjunto de
ações inter-relacionadas destinadas a alcançar um objetivo comum (…).“ Inclui os seguintes elementos: um período de execução definido, um orçamento, resultados esperados e, além disso, deve prever um mecanismo de acompanhamento e avaliação (…). Por seu lado, uma ação “executa-se pontualmente, uma única vez, através de variantes específicas (assessoria, estágio, investigação conjunta, missão de diagnóstico, seminário, entre outras)” (ver a Nota metodológica da edição de 2024 do Relatório da CSS e Triangular na Ibero-América). dados foram obtidos após a 11. Estes sistematização de 86 documentos de
projeto e similares (atas de comissões mistas, orçamentos e avaliações intercalares ou finais,
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INDICE MULTIDIMENSIONAL
IMCSS I
entre outros), associados a 75 projetos bilaterais de CSS, que estiveram em execução em algum momento entre 2022 e 2024, equivalendo a 8,1% do total de projetos totais registados nesses mesmos anos (1.068).
12.
Entre 2007 e 2024, os países ibero-americanos forneceram dados relativos ao Custo Orçamentado e/ou Executado, total ou parcial, para 44% dos 4.848 projetos bilaterais de CSS realizados nesse período. A mesma informação foi igualmente comunicada para 26% das 3.970 ações implementadas. Embora incompletos e parciais, estes dados permitem estimar de forma indicativa o custo médio suportado pelos países para financiar a plena execução de ambos os tipos de iniciativas: 282.191 dólares (USD) no caso dos projetos; 48.868 dólares (USD) no caso das ações. A comparação entre os dois valores sugere que a realização de cada projeto requer um financiamento 5,85 vezes superior ao de uma ação. exercício necessário quando se escolhe um 13. Um fator de ponderação consiste em calcular o índice
atribuindo diferentes valores a esse fator e comparar em que medida os resultados obtidos variam em cada caso. Este exercício permite analisar a sensibilidade do indicador face a alterações na ponderação de uma variável: Em que medida é que o resultado se altera quando se utiliza outro valor? Os resultados continuam válidos e coerentes? Se não apresentarem variações significativas, a estabilidade do resultado é uma prova da robustez estatística do índice. Neste contexto, foi realizada uma análise de sensibilidade, calculando o IMCSS-I de cada país (versões IMCSS-I1 e IMCSS-I2) para o biénio 2023-2024, e comparando os resultados obtidos ao alternar dois fatores de ponderação diferentes: a) Por um lado, o valor 6 (adotado nesta versão), que fica associado a um IMCSS-I1; b) Por outro, o valor 9,5 (caso se adote a relação projetoação resultante dos documentos de projeto), o que implica a realização deste teste num IMCSS-I2;
Os testes realizados sugerem alterações mínimas e pouco significativas. Em concreto, calcular o Índice Multidimensional dos países com um fator de 9,5 (IMCSS-I2) provoca uma variação absoluta média de 0,003 em relação ao IMCSS-I1, obtido com a aplicação do fator 6. A isto há que acrescentar que o intervalo de variação que se produz ao alternar o cálculo do Índice com base em ambos os fatores de ponderação oscila entre uma variação negativa mínima de um milésimo (-0,001) e um aumento máximo inferior a dois centésimos (0,018). O resultado da análise realizada permite afirmar que se está perante um indicador robusto e pouco sensível às alterações nos critérios de ponderação do subíndice de quantidade. padronização é um passo 14. Aimprescindível na construção de
qualquer índice multidimensional, pois permite transformar cada um dos indicadores originais, de modo a que todos partilhem e sejam expressos com base na mesma escala de valores. Deste modo, todas as dimensões do índice se tornam comparáveis e, em última instância, passam a poder ser combinadas e agregadas. três métodos principais 15. Destacam-se de padronização: o da Normalização
Min-Max (0,1); o da Padronização do tipo Z-score; e o da transformação com base em metas ou valores ótimos. Opta-se pelo primeiro método, pois apresenta um resultado muito intuitivo que, além disso, oscila na mesma escala de valores em que se pretende expressar o IMCSS. Os outros métodos são descartados: o primeiro, porque não permite delimitar os valores num intervalo fixo; e o segundo, porque só é utilizado para medir o desempenho em relação a limiares desejáveis, o que não se
aplica no caso deste Índice Multidimensional. mínimo considerado na 16. Opadronização é sempre zero e o
máximo depende da identificação do valor relativo à quantidade mais elevada registada pelos países ibero-americanos no período para o qual o índice é calculado. A título de exemplo, caso se pretenda calcular a série histórica do IMCSS para os biénios que vão de 2017-2018 a 2023-2024, o primeiro passo consiste em calcular a quantidade de iniciativas para cada um dos países e para cada um dos biénios, de acordo com a fórmula de agregação, aplicando uma equivalência de 6:1 entre projetos e ações. Neste caso, ao realizar este exercício, o valor mais elevado corresponde ao valor estimado para o México durante o biénio de 20172018: 57 ações e 262 projetos que, ao serem agregados com um fator de ponderação igual a 6, se transformam em 1.629 iniciativas. Este valor é estabelecido a título de referência e, a partir desse momento, todos os cálculos de padronização, para todos os países e para todo o período, são efetuados utilizando o intervalo de valores de quantidade que vai de 0 (mín.) a 1.630 (máx.).
17.
Em março de 2012, no âmbito do Seminário-Workshop SEGIB-PIFCSS, realizado em Montevideu, (Uruguai), os países ibero-americanos decidiram definir iniciativas “bidirecionais” de CSS Bilateral, entendendo-se por estas “aquelas em que os dois parceiros atuam simultaneamente como ofertantes e recetores de cooperação”, exercendo o que passou a ser designado por um papel ambos. Este passo metodológico permitiu definir e começar a abordar e a sistematizar de forma adequada um conjunto de casos que se começaram a manifestar nos anos anteriores e que rapidamente adquiriram uma importância crescente. De facto, durante o biénio 2023-
41
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IMCSS I
2024, os países ibero-americanos realizaram mais de 500 iniciativas bilaterais de CSS, das quais, em praticamente 30%, participaram simultaneamente como ofertantes e recetores, ou seja, assumindo um papel ambos ou dual. Para mais informações, consulte a página 26 da edição de 2012 do Relatório da CSS na Ibero-América.
neste espaço pode ser consultada na Nota Metodológica no final do Relatório de 2024 através do seguinte link: https://informesursur. org/es/report/informe-de-la-cooperacion-sursur-y-triangular-en-iberoamerica-2024/.
possibilidades que o Índice de Herfindahl18. As Hirschman (IHH) oferece no caso da CSS
cada um dos subíndices: valores elevados de 0,952 e 0,897 para as dimensões relativas à Diversidade e à Complementaridade; um valor de 0,302 para a Quantidade; e um valor mais baixo, de 0,290, para a Horizontalidade.
já tinham sido amplamente exploradas neste espaço ibero-americano. Em concreto, as edições do Relatório da CSS na Ibero-América, publicadas entre 2013 e 2018, aplicavam uma variação do IHH para medir o grau de concentração e dispersão da oferta e da receção de CSS de cada país. Os resultados do seu cálculo — obtidos a partir da soma dos quadrados dos pesos relativos que cada parceiro tem sobre a oferta ou receção final das iniciativas de um país, no seu papel de ofertante ou de recetor, respetivamente — permitiam saber, por exemplo, quão concentrada estava a oferta/ receção de CSS de um país em relação aos seus parceiros. Esta CSS dependia de muitos parceiros? Ou de poucos? A sistematização efetuada permitiu, inclusive, estabelecer uma escala de interpretação dos resultados. Assim, com valores de intervalo (0,1), estabeleceu-se a seguinte interpretação: abaixo de 0,1000, considerava-se que a oferta/receção da CSS de um país se encontrava diversificada entre um número significativo de parceiros; entre 0,1000 e 0,1800, considerava-se que estava moderadamente concentrada; e acima de 0,1800, concentrada ou altamente concentrada. setores de atividade definidos a nível 19. Os ibero-americano são 30, mais a categoria
“multissetorial” que se aplica apenas ao caso específico das bolsas. Tal como foi antecipado, e dada a equiparação provisória que, neste exercício, foi efetuada das bolsas em relação às ações, a categoria multissetorial é identificada com o setor da Educação. Em qualquer caso, a classificação setorial acordada
é também reforçado pela distância 20. Isto entre os valores médios obtidos para
facto, a normalização dos 21. De valores preliminares obtidos após
o primeiro cálculo dos diferentes subíndices “alarga” e “alinha” os intervalos em que cada uma das dimensões que necessitam de ser padronizadas se movimentam: A Diversidade substitui o intervalo [0,927-0,983] por [0,4481,000], passando o seu valor médio de 0,952 para 0,694; a Complementaridade substitui o intervalo [0,693-0,935] por [0,491-0,997], passando o seu valor médio de 0,897 para 0,918; e a Horizontalidade faz o mesmo, transformando o intervalo [0,000-0,582] em [0,000-0,998], elevando o seu valor médio de 0,275 para 0,497. proposta de ponderações é 22. Esta adotada após a realização da análise
de sensibilidade correspondente e a obtenção dos respetivos testes de robustez. Em concreto, o IMCSS-I foi calculado — para cada país ibero-americano e no biénio 2023-2024 — com base em duas combinações de ponderações diferentes: a agora proposta (50%-30%-10%10%), resultando deste cálculo o IMCSS-I1; e a estabelecida numa versão anterior (50%-20%15%-15%), correspondente ao IMCSS-I2.
A diferença entre ambas as versões reside no facto de a versão atual (IMCSS-I1) atribuir maior peso à Horizontalidade (H ganha 10 pontos percentuais) e retirar peso à Diversidade e à Complementaridade (Setorial) (D e CS perdem 5 pontos cada). Ao comparar os resultados gerados em cada proposta, conclui-se que o valor médio do IMCSS-I1 (0,461) se situa ligeiramente abaixo (-0,031 pontos) de um potencial IMCSS-I2 (0,492), sendo também reduzido o intervalo em que esta variação oscila (de -0,077 a 0,019). O exposto sugere uma sensibilidade pouco significativa e um resultado robusto e coerente. Este último aspeto é reforçado por uma análise país a país, que permite verificar que uma proposta que atribua maior peso à Horizontalidade aumenta precisamente o valor do índice para aqueles que desempenham um papel mais dual. Com efeito, o gráfico seguinte mostra que os países que, à partida, apresentam uma maior Horizontalidade (por exemplo, devido a uma maior participação do papel ambos no total dos seus intercâmbios) coincidem com aqueles cujo IMCSS-I1 cresce mais em relação ao IMCSS-I2. Esta correlação positiva é visível através de uma nuvem crescente de pontos: os países com maior papel dual (mais de 30% dos intercâmbios) registam, na sua maioria, variações de sinal positivo, oscilando entre 0,004 e um máximo de 0,019 — ver quadrante superior direito —, ao passo que os países com uma menor dualidade (papel ambos em menos de 20% dos seus intercâmbios) apresentam variações negativas (entre 2 e 8 centésimas) — ver quadrante inferior esquerdo.
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INDICE MULTIDIMENSIONAL
Variación valor IMCSS 60
Peso iniciativas rol ambos
IMCSS I
Correlação entre o peso do papel ambos e a variação do IMCSS-I ao estimar uma maior Horizontalidade
Chile
50 40 30 Rep. Dominicana
Bolivia
Panamá El Salvador
-0,100
Costa Rica
Paraguay
Guatemala
Honduras Nicaragua
Cuba
-0,080
Ecuador
-0,060
Venezuela
-0,040
-0,020
México Uruguay Argentina Perú Colombia
20 10 0 0,000
0,020
0,040
Fonte: SEGIB
três modalidades são: CSS Bilateral, CSS 23. As Regional e Cooperação Triangular. de salientar que se trata do número de 24. Éiniciativas que foram efetivamente mantidas
em execução por cada um dos países, pelo menos em algum momento de 2023-2024, e, portanto, da Quantidade sem padronizar.
parte das decisões tomadas 25. Grande durante a construção deste índice procurou
basear-se na memória do que foi construído como espaço ibero-americano ao longo de mais de 15 anos (referências a resultados e acordos de atividades/ reuniões/workshops em que os próprios países participaram), bem como em referências bibliográficas sobre o tema (desde os próprios Relatórios até às declarações da ONU, como as do PABA, PABA+40 e 4FfD). Da mesma forma, as decisões adotadas combinaram sempre um duplo critério: garantir a viabilidade técnica (a existência de dados para o efeito, por exemplo) e confirmar, através de análises de sensibilidade relativas a cada novo parâmetro, que o resultado era estatisticamente robusto.
de informação sobre a evolução 26. Dispor do IMCSS e dos respetivos subíndices
ao longo do tempo pode revelar-se extremamente útil para um país que necessite de dados para orientar decisões estratégicas e/ou de gestão da sua CSS. A título de exemplo, foram elaborados dois gráficos: um para o Chile e outro para o Uruguai. Ambos apresentam a evolução do seu IMCSS-I e dos respetivos subíndices (C de Quantidade; H, de Horizontalidade; D, de Diversidade e C(S) de Complementaridade (Setorial)) entre os biénios 2017-2018 e 20232024. A análise de cada caso sugere dois cenários distintos, que implicam quadros de ação e de gestão diferentes para os responsáveis. Em concreto: a) No caso do Chile, o IMCSS-I manteve-se estável nos dois primeiros biénios, com valores em torno de 0,700. No entanto, no biénio seguinte (2021-2022), o IMCSS-I sofreu uma queda significativa de -15,1%, tendo o valor final ficado abaixo de 0,600. A perda de valor do índice devese a uma queda acentuada na Quantidade de iniciativas: -34,1%. Tal fez com que o subíndice passasse de um valor notável de 0,744 para 0,490. No biénio 2023-2024, a tendência inverteu-se novamente e o IMCSS-I recuperou, ainda que de forma parcial, atingindo um valor notável de 0,673.
A inflexão na sua evolução e o impulso ascendente parecem ter uma dupla origem: a recuperação da Quantidade e o impulso que recebe de um crescimento notável da Horizontalidade, que aumenta mais de uma décima. b) No caso do Uruguai, o IMCSS-I registou, em dois biénios consecutivos, valores próximos de 0,580. No biénio 2021-2022, o índice registou uma ligeira descida, limitando-se a uma diminuição de meia décima, o que o deixou em 0,521. Esta diminuição deveu-se, em grande parte, a uma queda na Quantidade (-9,1%), mas, acima de tudo, na Horizontalidade, que registou uma descida de quase duas décimas. O seu impacto é muito importante, dado que a Horizontalidade do Uruguai se situa na faixa de valores mais elevada possível (entre o valor mínimo de 0,832 registado no biénio 2021-2022 e o valor máximo de 1,000 registado precisamente nos dois anos anteriores). No biénio 2023-2024, o IMCSS-I do Uruguai recuperou parcialmente o seu valor, com um aumento de 7,5%, situando o índice em 0,560. Tal como é possível observar no gráfico, esta recuperação não se deveu à Quantidade, mas sim à Diversidade (aumento de 19,3%) e à Horizontalidade, um componente que, como já se verificou, é altamente determinante.
Evolução do IMCSS-I do Chile e do Uruguai, por componentes e por biénio. 2017-2018 a 2023-2024. CHILE
URUGUAY
Fonte: SEGIB
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IMCSS I
Com financiamento de AECID: