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Informativo da Província - Edição 280 - Abril a Novembro de 2023

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Órgão da Província Redentorista de São Paulo • Edição N. 280 • Abril a Novembro de 2023

Província de São Paulo:

DEO GRATIAS! Entrevista: Frei traz reflexão sobre suicídio na vida religiosa p. 8

Reconfigurando: Confira os trabalhos de mais três comissões p. 23


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Sumário

3 PALAVRA DO PROVINCIAL 4 ESPAÇO DO LEITOR 5 REFLEXÃO Como modular nossa personalidade e nossa consagração ao longo da vida

8 ENTREVISTA

O suicídio na vida religiosa: realidade e prevenção

DA PROVÍNCIA 11 HISTÓRIA Província de São Paulo: da criação da vice-província à reconfiguração

21 PASTORAL

Basílica de São Geraldo

23 RECONFIGURANDO

Administração, Pastoral e Missionários Leigos

HISTÓRIA, NOSSA HISTÓRIA 30 SUA Pe. Jonathan Antônio e Ir. Marcos Vilanova

32 PARTILHA MISSIONÁRIA

Unidos em Cristo, com Maria, viver e crescer em comunidade

34 CURIOSIDADES

Jubileu dos 50 anos da comunidade redentorista Alfonsianum I – Ipiranga

37 RESENHA REDENTORISTA

São Geraldo Majela – Redescobrindo um santo

39 ESPAÇO DIÁLOGO

Eucaristia e Igreja: Formamos em Cristo um só corpo


Divulgação

EXPEDIENTE INFORMATIVO DA PROVÍNCIA Abril a Novembro de 2023 Superior Provincial Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R. Editores Pe. Jonas de Pádua, C.Ss.R. Fr. Fabrício Oliveira, C.Ss.R. Mário Pereira Revisão Ana Lúcia de Castro Leite Sofia Machado Design e Diagramação Mauricio Pereira e Maicon Santos Foto de capa Thiago Leon Email: secretariasp@cssr.com.br

Reprodução

Tiragem: 700 exemplares

2 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023


PALAVRA DO PROVINCIAL

Caros confrades, formandos, oblatos, ex-seminaristas e demais leigos, religiosos(as), familiares: Ademais, o dinamismo do carisma redentorista continua se manifestando nos diversos tipos de apostolado que realizamos, seja na Basílica de São Geraldo Majela, em Curvelo (MG); seja na Paróquia da Glória, em Juiz de Fora (MG); bem como no árduo e importante trabalho das comissões em vista do processo de reconfiguração. Nisso tudo se manifesta nossa adesão real ao projeto da Redenção abundante! Por fim, em sintonia e comunhão com o Ano Vocacional da Igreja do Brasil, destacamos as histórias vocacionais de nossos confrades Ir. Marcos Vilanova e do Pe. Jonathan Antônio. São respostas concretas ao Senhor, que continua chamando e contando conosco para sua seara evangelizadora. Nesse sentido, a celebração de jubileu áureo da casa do nosso Alfonsianum I, Casa do Juniorato do Ipiranga, é um marco referencial significativo também, pois revela o cuidado e a valorização pelas vocações que nossa Província sempre teve, e continua tendo. Não basta querer vocacionados, é preciso cuidar e formar bem os que chegam para se somarem a nós, em vista da missão! Portanto só nos resta desejar uma frutuosa leitura a todos(as). E que este Informativo traga e confirme a certeza de estarmos continuando, sinodalmente, os passos do Redentor e sendo missionários da Esperança! Foto: Thiago Leon

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hegamos novamente até vocês para, por meio destas páginas, partilhar um pouco de nossa vida e missão redentoristas. É sempre algo importante e revitalizador, pois nos faz perceber que estamos vivos e interconectados! Somente à medida que nos apoiamos e nos solidarizamos, tem sentido nos considerarmos família redentorista, ou seja, pessoas que compartilham da mesma fé, espiritualidade e ideal missionário! Pois, mesmo que cada um esteja em sua lida diária, empenhado para realizar suas tarefas ou vivendo em uma vida mais contemplativa, depois de muito ter trabalhado, porém, sentimo-nos muito unidos e igualmente marcados pela vocação redentorista! Neste número de nossa revista, entre tantos conteúdos interessantes, seremos enriquecidos com os testemunhos de confrades que fazem a memória agradecida pela bonita história de nossa querida Província Redentorista de São Paulo. Sem dúvida, essa entidade religiosa é muito mais que uma instituição eclesiástica; de fato, é o resultado de vidas e experiências que teceram, no emaranho existencial, essa forma de encarnar o espírito redentorista, neste espaço geográfico de São Paulo. São incontáveis as bênçãos e alegrias alcançadas ao longo deste tempo. Em tudo isso, bendito seja Deus! Daí ser imprescindível conhecer, em grandes traços, essa história, feita de garra e doação, para que ela continue acontecendo, ainda que, a partir de agora, em outra modalidade. De maneira muito original e perspicaz, somos agraciados com a reflexão do Pe. Dalton Barros sobre a saúde e inteligência emocional, a partir das Constituições Redentoristas, ou seja, do livro que serve de orientação e inspiração para nossa vida missionária. E, em tempos como os nossos, infelizmente, temos de abordar também, para entender mais e melhor, sobre o suicídio na vida da Igreja e dos religiosos.

Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R. Superior Provincial

Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 3


Reprodução

ESPAÇO DO LEITOR Reverendíssimos padres, irmãos e toda a família redentorista da Província de São Paulo, que alegria escrever este agradecimento a todos vocês! Sou leigo redentorista da cidade de Tietê (SP) e sou muito grato por fazer parte desta província, na Igreja do Seminário Santa Teresinha. Nesse lugar me tornei amigo de muitos missionários, o que me possibilitou participar de profissões religiosas e ordenações. A Província de São Paulo nos entregou, com suas formações, grandes missionários. Exímios mestres passaram por Tietê, preparando os jovens para ser irmãos ou padres. A cidade de Tietê foi berço de muitos redentoristas. Fico feliz em dizer que minhas orações contribuíram para a edificação das vocações. Deus abençoe o Provincial, Pe. Marlos, e preparem-se para a nova Província. Forte abraço a todos.

Órgão da Província Redentorista de São Paulo • Edição N. 279 • Janeiro, Fevereiro e Março de 2023

Luis Eduardo Bacili – Leigo redentorista Tietê-SP

As origens dos Redentoristas alemães no Brasil Reconfigurando: Confira os trabalhos das comissões de Vida Apostólica e Vocacional, p. 18

Janeiro, fevereiro e março de 2023 Edição N. 279

07/03/2023 14:03:24

Recordo, com gratidão, o primeiro contato que tive com o Secretariado Vocacional Redentorista e, a partir disso, tantos outros momentos de encontro e fraternidade com tantos Missionários Redentoristas. Pediram-me que escrevesse uma memória agradecida à Província de São Paulo, mas é certo que, para além da estrutura, a comunidade provincial é formada por muitos rostos e diferentes pessoas. E é por esses valorosos confrades que rezo meu canto de ação de graças e louvor, tantos destes que gastaram suas vidas pela copiosa redenção, tantos daqueles que quando criança tive a oportunidade de escutar pelas ondas da rádio, e tantos outros com os quais convivi e conheci. É extensa a lista daqueles que marcaram minha história e vocação, que incentivaram e marcaram presença nos diversos momentos de minha vida. Pela vida doada desses valorosos confrades ao anúncio da Copiosa redenção, quero fazer chegar ao Pai minha prece de louvor e gratidão.

Ir. Clemente (Waldemar Úrsula de Jesus), C.Ss.R.

À nova província trago nome de Aparecida, É um bom augúrio, Maria nos abraça, Esse amplexo maternal nos fortalece e nos irmana. Vai Redentorista, mais uma vez, Alargando fronteiras, empunhando com vigor, A bandeira da Evangelização com o lema: “Copiosa redenção”, O Espírito Santo os ilumine.

Em fins de maio de 1956, com 10 anos de idade, ainda menino de calças curtas, como era o costume da época, ingressei no Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Eu era mais um “peixinho” alcançado pelas redes dos missionários em suas andanças, sempre preocupados em mandar para o Seminário crianças e jovens, para continuar o trabalho em favor da Redenção e do Reino de Deus. O lema da Congregação “Copiosa apud Eum redemptio”, e do Seminário Santo Afonso “Dies impendere pro redemptis”, que contemplávamos todos os dias no altar-mor da capela, embalaram minha adolescência e juventude, marcada pela convivência alegre com nossos formadores, professores e colegas, pela intensa vida de oração e sério empenho nos estudos, aliviados por momentos de esportes, brincadeiras e passeios, que fazíamos com frequência na majestosa serra da Mantiqueira. Hoje, olhando o que ficou para trás, com 57 anos de profissão religiosa e 48 de ministério sacerdotal, faço uma memória agradecida a Deus e à Província de São Paulo por tudo aquilo que moldou e proporcionou em minha vida.

Neuza de Pontes Fabri Bussamra

Pe. Antonio Carlos Vanin Barreiro, C.Ss.R.

Finda-se uma era. A Província de São Paulo alarga seus limites geográficos, funde-se a outras, em uma nova empreitada de fé, no poder de Deus, que sempre opera maravilhas. Como oblata redentorista, coube-me a grata satisfação de dizer-lhe umas palavras pela riqueza que nos foi concedida, por meio da Revista Província, de seus caminhos, testemunhos eloquentes de redentoristas que nos precederam, ensinamentos em profusão da doutrina, incentivo à vivência na fé, sob o impulso da esperança e o caminhar, norteados pela caridade fraterna, tudo isso, em uma síntese limitada, foi o que recebemos e expressamos com gratidão.Fazemos hoje uma retrospectiva no tempo que nos foi dado assim viver. Apresentamos uma memória agradecida em tudo e por tudo. Auguramos em crescimento, progresso e expansão do espírito missionário, de novas inspirações na evangelização.

Fr. Mathias José Pereira, C.Ss.R.

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4 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

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Entrevista: Bispo destaca o Ano Vocacional da Igreja do Brasil, p. 8

Na vida Religiosa Redentorista, na Província de São Paulo, fui sempre bem acolhido e bem tratado. Tenho um excelente acompanhamento na saúde, já frágil pelos anos. Nos primeiros anos de vida consagrada, as coisas eram diferentes, não tínhamos, como hoje, a formação que se desenvolve. Para muitos, naquela época, os irmãos não precisavam estudar, e foi assim que vivi. Eu escrevi uma cartinha, com cinco linhas, e fui acolhido, há quase 60 anos. Não pude estudar, segui na profissão que já tinha, de alfaiate, por muitos anos, quase 80. Fui hortelão já mais velho. Com 50 anos de vida religiosa, pela primeira vez pude falar para o povo. Nem sabia o que falava, mas falei muitas coisas boas. Agradeço muito a graça de ser Redentorista. Eu começaria tudo de novo! Mensagem aos irmãos mais novos: Não desanimem! A doença também é graça de Deus. Na bondade de Deus, a doença ensina a viver melhor a vida religiosa.


REFLEXÃO

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COMO MODULAR NOSSA PERSONALIDADE E NOSSA CONSAGRAÇÃO AO LONGO DA VIDA

H

á uma temática em pauta: a importância de cultivar-nos, conjugando inteligência e saúde emocional na vida religiosa e presbiteral. Ela me foi proposta. E aceita. Penso em nós, Redentoristas, caminhando para a Província Nossa Senhora Aparecida. Percebo uma chance rara de autoavaliação para cada um oferecer o melhor de si mesmo. Divido a temática em três unidades. A primeira delas é a que abordamos agora: o que pode estar trafegando no mundo interior de quem, talvez involuntariamente, perturba o cotidiano saudável da Comunidade. Psicopatias?! O lado subjetivo do ser-e-conviver como consagrados Somos humanos e, como tal, pessoas. Vidas em relação. Relativos a teias de relacionamentos. Sujeitos de metamorfoses (ou estacionados?), mediante pertinentes redefinições que, na autenticidade da Fé e da Consagração, significam também conversões contínuas (se estacionados, mediocridade adaptada ao subjetivismo).

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.C.Ss.R.

Somos sujeitos e nossas circunstâncias (em casa e na Pastoral), em gradativas transmutações para melhor. Ou não?! Cansaço psicoespiritual por vezes nos acontece. Aborrecidos. Repetitivos. Acomodados. Sendo assim, estamos enredados em nossas teias maléficas: as inverdades, os autoenganos. As muitas desculpas que pouco desculpam. Tudo somado, nós nos tornamos como somos. Construtores de nós mesmos, em meio a apoios e reconhecimento, de face para desencontros e desencantos. Afinal de contas, somos também mistério. O danoso é viver misteriosamente aos olhos dos outros, confrades e povo de Deus. A possível perda, em parte, de uma boa “saúde mental” é (e será) sempre uma história personalizada. Bem ao feitio de cada qual, em sua originalidade maltratada. Esta situação é bio-psíquica-espiritual. “A possível perda, Tudo a ver com a em parte, de uma estrutura indiviboa ‘saúde mental’ dual e suas graé sempre uma história personalizada” máticas orienta-

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Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 5


doras de escolhas, preferências. O que pode decretar a existência de CRISE. Carecemos, então, de critérios. Eles serão apanhados onde e como? Esse quadro da vida pode receber muitos nomes. É uma realidade compósita. Algumas atitudes e certos comportamentos denunciam um desencaixe da pessoa em relação a... (completa você, por favor!). Ah, os traços emocionais, as insatisfações queixosas, a repetitividade de desencaixes. Todos apontam para a dificuldade de bem-viver. Algo se rompeu. Alguma fratura sobreveio. Vida fragmentada, raízes não purificadas, talvez porque nunca percebidas. Ou sempre recusadas. Cicatrizes não curadas até agora? Supuram. Pessoa fazendo-se de vítima? Onde está a bendita autoestima? Onde a certeza fiducial de “Deus me ama”, “sou precioso a seus olhos”? Parece que um véu de tristeza recobre a realidade. Cobre a visão. Vale relembrar: quando o inconsciente (ele existe) perturba pelo lado sombrio, chamemos o lado criativo, a coragem de ser: levanta-te e anda. É preciso reescutar esta voz. Nós temos pulsões, tantas. Instintos, não. Que pulsão está no comando? Somos cultura, e a falta de cultiva, cria condições equivocadas. Abertas as comportas para as compulsões. Em crise de dificuldades ou desatino, a sabedoria leva-nos a verificar: o que não cultivei? Cultivo é obra de persistência, vigilância, paciência. Ah, que dificultoso é ser inconsciente de si mesmo e dos desajustes na convivência. Somos ou não vinculados ao ideal de um carisma e de uma Missão? Inspiradores da alegria de ser. Existir. Partilhar a redenção da vida. O chamado vocacional nos potencia. O testemunho de que aquele que segue a Cristo, homem perfeito, torna-se ele mesmo mais homem. Que bênção! Sujeitos de nós mesmos e nossas habilidades relacionais Sujeitos somos. Jamais donos do viver. O desafio: sair do egocentrismo ao “outro que guarda um segre-

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REFLEXÃO

“O chamado vocacional nos potencia”

do: o segredo de quem sou” (Sartre). Não pode ser que os outros sejam o inferno. Como me posiciono face aos problemas, reagindo saudavelmente aos desafios? Eu preciso do olhar do outro para me conhecer, identificar-me. Companheiros são indispensáveis. Parcerias são a regra da vida. Amigos? Ah, que preciosidade. Qual o valor da fraternidade em uma vida em Comunidade? Eu e a convivência com meus confrades: em que tonalidade está esta canção? Eu e meu entorno social no pastoreio. Não facilita em nada a saúde mental, a predominância do eu-indivíduo com raras teias relacionais dentro e fora de casa. Meu caminho: minha competência e minha adaptabilidade psicossocial. Habilidades relacionais, outras tantas faces da Caridade, amor-ágape: inteligência emocional, autocontrole, empatia e cia. Como nos ajudam “figuras de referência”? A vocação não é vínculo de pertença? Falam de resiliência. Os romanos falavam latim: Agredi et sustine. Ousa (enfrenta) e aguenta firme. “Aquele que não me mata, me fortalece” (Nietzsche). Concorda? O rosário da vida de Jesus. Crises? Crie. Convivência renovada, longe do isolamento e da indiferença. Convivência: afetos em turbulência. A repetição dos mesmos comportamentos inadequados desagrega. Afeta a saudabilidade. Pulsões não elaboradas podem reverter-se em compulsões deletérias,


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REFLEXÃO

incontroláveis. Perdas de “saúde mental” sobrevêm em uma cultura de excessos. Qualquer desmedida coloca em derrapagem o trem da vida. O que há em nós, algo não identificado e assumido, como é deletério, intoxica o ambiente. Por que tanta recusa de logo buscar ajuda? As intoxicações avançam rápido. Atenção ao quarteto de plantão em nossas vidas: Saúde-Sanidade-Sabedoria-Santificação. Faz parte do projeto de vida. Evita, muitíssimas vezes, os adoecimentos. Cultivo! Prevenção.

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“Os traços emocionais apontam para a dificuldade de bem-viver”

Conclusão Esse tom de conversa sobre algumas fontes envenenadas, que intoxicam pessoas e a vida em Comunidade (psicopatias do cotidiano), sugerem ao leitor uma singela revisão. Não há cura quando não há prevenção. Bendita possibilidade nossa, a resiliência. Há, sim, alguns fatores de prevenção que são apontados nos livros especializados, frutos da observação clínica e de pesquisas. Eis alguns: Autoconfiança. Alegria e otimismo aprendidos na escola da vida. A boa medida em tudo. Temperança versus destemperos. Flexibilidade mental, sabendo lidar com as ambiguidades. Capacidade de suportar tensões. Para nós, a esperança da salvação em comum. O saber recomeçar. Cito, o que me parece, uma síntese: – As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram o sofrimento, conheceram a derrota, conheceram o esforço, conheceram a perda e encontraram seu caminho para fora das profundezas. Essas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade e uma compreensão da vida que as enchem de compaixão, gentileza e uma profunda preocupação amorosa. PESSOAS BONITAS NÃO ACONTECEM POR ACASO (Elisabet Kübler-Ross). Se poesia, parece, também é ciência da prevenção. Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R. Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 7


Arquivo pessoal

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ENTREVISTA

O SUICÍDIO NA VIDA RELIGIOSA: Realidade e prevenção

8 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

Mário Pereira /A12

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número de suicídios no Brasil avança ano após ano. O levantamento mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou um aumento de 11,8% no número de suicídios, em relação ao ano de 2021. Foram 16.262 registros, que representam uma média de 44 por dia. Esse tema, tão delicado e ainda pouco divulgado, ganha espaço também entre os religiosos. Uma pesquisa de 2008, apresentada no Congresso do ISMA Brasil, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes da atualidade, à frente de policiais, executivos e motoristas de ônibus. Doutor em Teologia e pesquisador em Mariologia, o Frei Jonas Nogueira da Costa, da Ordem dos Frades Menores (OFM), foi convidado para ser orientador do Retiro Espiritual do Capítulo Eletivo da futura Província Nossa Senhora Aparecida. Na oportunidade, ele falou sobre como o projeto de vida não recebe a devida atenção no dia a dia de ordens e congregações, elevando o número de religiosos e religiosas com adoecimento psíquico.

Frei Jonas participou do Capítulo Eletivo da futura Província Nossa Senhora Aparecida, em setembro de 2023

A explicação do Frei Jonas foi ampliada para a atual edição do Informativo da Província, na qual ele ainda destaca a importância de tornar os ambientes das comunidades cada vez mais humanos e leves, de modo a valorizar a qualidade de vida dentro de ordens e congregações. Confira:


ENTREVISTA 1 – Quarenta pessoas se matam no Brasil por dia deveriam ser um projeto de vida. e, segundo uma pesquisa, de agosto de 2016 a Um projeto de vida deveria ter uma “pergunta junho de 2023, 40 padres se mataram no Brasil. secreta”, pois é da ordem da afetividade de cada Trata-se de uma média de 5 a 6 padres que se suipessoa, que nasce do eros em cada um de nós. Essa cidaram por ano nestes últimos 7 anos. Quais são pergunta é: onde está minha paixão? Ou: para onde os fatores de risco para o fenômeno do suicídio minha energia vital me impulsiona? Descobrir isso na Vida Religiosa e Presbiteral? é uma missão imprescindível para qualquer pessoa. Primeiramente, precisamos nos lembrar Se na experiência ambulatorial a expressão que o suicídio não tem apenas um fa“pulso fraco ou pulso ausente” é sinal tor desencadeante. Ele se ancora de alerta máximo, também na vida em elementos subjetivos, inreligiosa o é. Isso porque a autrapsíquicos e sociais, que se sência de pulso/pulsão leva articulam na vida de difeao adoecimento psíquico. rentes modos. O aspecto Não ter paixão, ausência que configura um fator de energia vital pulsando de risco para todas as em direção a seu objeto pessoas é aquilo que pode afeto é a circunstância demos denominar como em que se deve procurar “tristeza profunda”. Desauxílio. Cada caso é um se primeiro fator de risco, caso, mas a pessoa preé que outras mudanças de cisa dizer desse estado de comportamento vão se danapatia para outra, quer seja do. Nem todas as pessoas que o superior, um psicólogo, um experimentam uma “tristeza proamigo. funda” pensam no autoextermínio, contudo, algumas acabam adquirindo uma Shutterstock 3 – De que forma a espiritualidade e a cocompreensão que, diante de sua dor e seu sofrimenmunidade religiosa podem contribuir nesse proto, não existe mais sentido para todas as coisas ou cesso de prevenção e cuidado? não existe solução para um problema que se impõe, Toda a vida religiosa consagrada deve viver na logo, sente a necessidade de minimizar os efeitos do contemplação, independentemente se é um instidesespero. tuto monástico ou de vida apostólica. Hoje, somos convidados a uma mística de olhos abertos. Logo, olhamos nossos confrades como quem busca os si-

Mário Pereira /A12

2 – Como tratar o suicídio na Vida Religiosa e Presbiteral, e quando procurar uma rede de apoio ou ajuda profissional? Uma das formas de prevenção de suicídio na Vida Religiosa e Presbiteral começa quando tomamos um tema que tem sido muito mal trabalhado em nossos ambientes, que é o do projeto de vida. Muitas vezes ele se torna óbvio demais (repetição de horários e estatutos canônicos), romantizado (uma ideia de espiritualidade que não passa pela humanidade), inalcançável (a pessoa espera o irrealizável para si mesma) e outras possibilidades que nunca

Frei da Ordem dos Frades Menores lembra que “nem todas as pessoas que experimentam uma tristeza profunda pensam no autoextermínio” Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 9


4 – Qual conversão pessoal e estrutural precisamos ter para proporcionar mais ambientes saudáveis para a convivência fraterna? Nessa circunstância, a conversão pessoal e a estrutural/institucional são dois lados de uma mesma moeda. Partindo da conversão estrutural/institucional, precisamos entender que nem todo religioso está apto para todo e qualquer tipo de trabalho, não levando em consideração talentos ou limites pessoais. Ou ainda, diante de tantos limites pessoais, tomar cuidado para não sobrecarregar alguns poucos que, honesta e corajosamente, se colocam a serviço. A instituição precisa se perguntar pelo modo como colaborar com o equilíbrio bio-físico-psíquico de cada religioso, para que ele possa dar o melhor de si mesmo. Tomando agora a conversão pessoal, o outro lado da mesma moeda, faz-se necessário que o religioso não queira ser “pau pra toda obra e capaz de tomar paulada em toda obra”. Precisa reconhecer que ninguém tem a obrigação de ser excelente em tudo o que faz e que deve adequar a demanda de trabalho de acordo com suas capacidades. Contudo, isso implica que todos se empenhem em colaborar da melhor forma com a vida/missão da Congregação. Às vezes, uma pessoa tem uma carga maior de trabalho porque outros se dão ao luxo de contribuir com o mínimo do mínimo. O que levanta a questão do porquê tão pouco em um modo de vida que nos pede oblatividade.

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PasCom Perpétuo Socorro Educandos

nais de Cristo. Não é um olhar intrometido, mas um olhar de afeto, de companheirismo. Sabemos que nem sempre alcançamos isso, por isso é que nunca deixamos de perguntar sobre o que existe em nós para que fiquemos tão irritados quando vemos o outro. Ou entender que existem situações de ausência de caráter que torna uma convivência terrível. Mas se esquivar da responsabilidade de tornar nossas comunidades ambientes mais humanos, leves, capazes de deixar os religiosos mais predispostos a partilhar a vida e seus sentimentos já é um grande fator de cuidado com a qualidade de vida.

5 – Quais hábitos o religioso consagrado pode praticar para cultivar sua saúde emocional? Autorrespeito e atenção consigo mesmo. Os dois hábitos caminham juntos, mas, pedagogicamente, vamos diferenciar. Autorrespeito como um dos mais nobres resultados do processo de formação para a maturidade. Entender que você não abandona as coisas que gosta de fazer, mas as adequa de acordo com o momento da vida e o lugar onde está. Que o descanso e o lazer são fundamentais. Que não se acumula férias vencidas, para nunca gozar dessa pausa restauradora. Não sermos nosso próprio carrasco. Logo, é necessária a atenção. Querer perseguir um fim que é inacessível e irrealizável é lançar-se em um perpétuo estado de descontentamento, que nos deixa propensos à Síndrome de Burnout e a tantas coisas e a tantas outras patologias. Também devemos estar atentos para algo que podemos chamar de “suicídio disfarçado”, como o abuso de álcool, direção irresponsável, pornografia, abuso de medicamentos sem acompanhamento médico e tantos outros. Sabemos que isso não acaba bem. Enfim, precisamos nos amar, entender-nos, aceitar-nos para sermos homens consagrados ao amor a Deus e ao próximo. Fr. Fabrício Oliveira, C.Ss.R, Mário Pereira e Pe. Jonas Luiz de Pádua, C.Ss.R.

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ENTREVISTA


HISTÓRIA DA PROVÍNCIA

PROVÍNCIA DE SÃO PAULO:

da criação da vice-província à reconfiguração

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história da Província Redentorista de São Paulo é revisitada desde a última edição da revista “Informativo da Província”, pelo Pe. Victor Hugo Lapenta, C.Ss.R, psicólogo e estudioso da Congregação do Santíssimo Redentor, que viveu boa parte das transformações da unidade paulista. Depois de apresentar as origens dos redentoristas alemães para o Brasil, Pe. Victor Hugo compartilha, nesta edição, os passos seguintes da Província de São Paulo. Os textos passam pela criação e consolidação da então Vice-Província, os primeiros anos já como Província, e terminam com as transformações vividas após o Concílio Vaticano II. Os processos de reestruturação e reconfiguração nos confirmam o fim iminente desta rica história centenária, relembrada nestas páginas por um Redentorista, que estudou e viveu grande parte dos acontecimentos da Unidade paulista. São linhas de inspiração, que reforçam o compromisso do contínuo e eterno anúncio da Copiosa Redenção, na vindoura Província Nossa Senhora Aparecida.

Criação e consolidação da Vice-Província de São Paulo Já em 1894 a Missão Redentorista, vinda da Baviera para o Brasil, instalou comunidades, uma em Aparecida, no Santuário Diocesano, e outra em Campinas de Goiás, sede da Missão, logo transferida para Aparecida. Contexto ambiente – No Brasil, os bávaros encontraram uma população católica, devotos, porém ignorantes e pouco sacramentados. Eram os tempos de oligarquia agrária da República Velha até a revolução getulista de 1930, e aí se davam a urbanização e nascente indústria. Em âmbito internacional, duas guerras mundiais (1914-18 e 1939-45) iriam complicar a vida dos religiosos alemães no Brasil. Nos começos havia um distanciar-se das autoridades civis frente à religião. Mas o Cardeal Sebastião Leme levou a entendimentos, realizando, em 31 de maio de 1931, a proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, em solenidade na Capital Federal, com 1 milhão de fiéis, episcopado,

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HISTÓRIA DA PROVÍNCIA

Patrimônio Histórico CSSR

Reprodução/Santuário Cristo Redentor

Pelo menos dois nomes a não perder: o Pe. Vicente Grilhisl, um Irmão da primeira turma a vir para o Brasil, que obteve um dinâmico sacerdócio missionário, e o Pe. Pelágio Sauter, o apóstolo de Trindade, futuro santo canonizado de Goiás.

Dom Masella, Núncio Apostólico, elevou a Missão em São Paulo a Província, em 1944

Grosso, reservando-se os direitos de passagem e de pregação de missões. Moradias – Em Campinas de Goiás, tudo a fazer: construção de moradia e da matriz, plena produção agrária para sustento da comunidade, desenvolvimento de pastoral para uma região rural com paróquias sem padre, realização de desobrigas e festas do Santuário de Trindade. Há um bonito paralelo entre os beneditinos a civilizar a Europa e os redentoristas a evangelizar o sul goiano. 12 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

Comunidade do Convento de Aparecida, em 1912

Em Aparecida, só em 1912 foi inaugurado o Convento da Comunidade, que abrigou o Vice-Provincialado até 1936, quando ele foi instalado na Penha. A moradia servia também de hospedagem para o clero peregrino. O Seminário Santo Afonso até 1939 foi parte da comunidade do Santuário, alojado em um chalé acanhado para uns poucos jovens. Isso levou, em 1902, à compra do Hotel Arlindo, na Praça, com espaço para até 30 alunos. Foi adquirida uma propriedade no bairro da Pedrinha, para férias dos seminaristas. Em 1917, inauguraram um prédio para o Seminário. Este, em 1929, para ceder a casa aos participantes do Congresso Mariano, foi levado para o Colegião, uma construção grandiosa, porém não acabada. Aos cem anos, o Seminário iria orgulhar-se de uma história de 3.486 matriculados. Hoje, temos entre eles 16 bispos, uns 400 padres e dois Superiores Gerais da Congregação. Patrimônio Histórico CSSR

Presidência da República, Corpo Diplomático, intelectuais, políticos e militares. O Cardeal levou o Presidente Vargas a beijar a imagem da Senhora Aparecida. Foi implantado o Cristo Redentor no alto do Corcovado. Diante do potencial católico, o Governo permitiu o catecismo nas escolas e as capelanias militares. Título canônico e territórios – A Missão passou a ser Vice-Província até 1944, quando foi elevada à Província. A Unidade abrangia São Paulo e Goiás, tinha futuro nos Estados sulinos e atendia o Sul de Minas Gerais. Ela cedeu o Paraná aos redentoristas do Mato

Patrimônio Histórico CSSR

Scala News

Implantação do Cristo Redentor no alto do Corcovado foi uma das ações que marcou o potencial católico, na década de 1930

Colégio Santo Afonso, no início do séc. XX


Padres Redentoristas, na inauguração da comunidade de Tietê, em 1936

Consolidação – 1904 foi o ano de estabilização. Aparecida hospedou os bispos da Província Eclesiástica Meridional para uma Assembleia Nacional. Esta terminou em 8 de setembro, com a Coroação de Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil. E brotaram fundações: Penha (1905-67), Bom Jesus dos Perdões (1913-20), Araraquara (1920), Pindamonhangaba (1928-66), Tietê (1935), São João da Boa Vista (1940). Em terras gaúchas, Pelotas (1920-21), Cachoeira do Sul (1921-95), Carazinho (1935-37), Pinheiro Marcado (1937-59) e Ijuí (1941-49). Buscavam vocações germanas e italianas e um refúgio para os religiosos da Alemanha, ameaçados pelo nazismo. Vida conventual – Os congregados viviam as normas rígidas dos velhos tempos, separados do mundo em clausura severa, em obediência passiva, cultivo da espiritualidade redentorista, uso o tempo todo do hábito religioso, bênçãos do Superior para água e coisas menores e para as saídas de casa, em meditações, orações, estudos, reuniões semanais,

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Noviciado em Pindamonhangaba, em 1935

zeladores e capítulos de culpas, exercícios penitenciais, silêncio, leituras durante as refeições, recreios comuns, feriados às quintas-feiras, tudo suporte para o carisma apostólico. Lideranças – Centralizada, a Congregação tinha Reitor-Mor vitalício Pe. Geraldo Pires de Souza, 1º Provincial de São Paulo em Roma. Os Superiores todos eram nomeados por ele. Pe. Geraldo Pires de Souza foi, em 1939, o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de Vice-Provincial. Os Irmãos – Eram inferiores aos clérigos, com direito a duas comunhões eucarísticas na semana. Suas vestes eram sem Ir. Bento, pintor e escultor o colarinho, no refeitóque fez o Cristo Crucificado rio, deviam ocupar mesa para a entrada do século XX separada, proibidos de entrar na biblioteca e de ler jornais e revistas. Vida piedosa, submissa, de trabalhos domésticos. Foram uma força decisiva na implantação da Vice-Província. Não podem ser esquecidos o Ir. Simão, da turma inicial, autor de altares e de móveis; o Ir. Bento, pintor e escultor, que fez o Cristo Crucificado para a entraPe. Gebardo Wiggerman da do século XX, hoje, nas paredes da Basílica Histórica, e talhou o primeiro presépio do Santuário, crucifixos e santos para as casas; o Ir. Lucas, o porteiro, gentil e atuante junto aos romeiros, e tantos outros!

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HISTÓRIA DA PROVÍNCIA

Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 13


14 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

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Juvenistas-1º ano 1943

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Padres Redentoristas em Missão, na cidade de Batatais (SP), em abril de 1940

A realização da Santas Missões sempre foi uma marca da Província Redentorista de São Paulo Patrimônio Histórico CSSR

Formação – O Visitador Gebardo Wiggerman foi um hábil organizador de forças. Conseguiu que viessem da Baviera outras turmas, elementos maduros e entusiasmados formandos. Ele se deu conta de que vocações brasileiras completariam os quadros. Confiou ao Pe. Valentim von Riedl a direção do seminário. Imagina-se a alegria dos dois quando os primeiros formandos foram ordenados presbíteros, na Baviera, em 1912 – Pes. Oscar Chagas Azeredo, José Lopes Ferreira, Orlando Lino de Morais e José Benedicto da Silva. O Noviciado havia sido na Penha e em Aparecida. A Vice-Província passou essa etapa da formação para Perdões e Aparecida, até fundar a casa de Pindamonhangaba. Desde os anos 30, alemães e holandeses, brasileiros e argentinos, falavam de um Estudantado latino-americano. E ele surgiu na Argentina, indo os clérigos brasileiros para lá, em 1932, apesar do desgosto de muitos na Baviera e no Brasil. Decidiu-se o Vice-Provincial, Pe. Leonardo Eckl, por um estudantado e o instalou em Tietê, na Chácara Santa Teresinha, começando a construção. Eram os anos de 1935-36. Com isso, estavam os clérigos e professores longe da guerra e do nazismo. Melhor ainda, a Unidade brasileira estava completa para autonomia. Atuação Pastoral – Os redentoristas, zelosos, desenvolveram uma pastoral extraordinária coerente com o carisma da Congregação. Assinalem-se: 1. O empenho pastoral junto aos romeiros abriu caminhos para a Senhora Aparecida ser elevada à Rainha e Padroeira do Brasil. Com intenção de dinamizar tal devoção, Dom Joaquim Arcoverde colocara os Redentoristas no Santuário Diocesano. A igreja do Santuário foi sagrada em 1909 como primeira Basílica Menor do Brasil. Em 1929, com apoio de Dom Duarte, Arcebispo de São Paulo, e de Dom Leme, do Rio de Janeiro, o Pe. Antão Jorge, C.Ss.R, pároco e reitor do Santuário, fez realizar-se em Aparecida um Congresso Mariano Nacional, decisivo para a declaração por Pio XI do padroado nacional da Senhora Aparecida.

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Bênção dos carros, em Missão realizada em 1967


Inícios Provinciais (1944-1962) Para os Redentoristas de São Paulo, não foi simples e fácil a aquisição da autonomia de Província. E esta os levou para um sólido desenvolvimento e uma longa e trabalhosa colheita dos frutos apostólicos. Em 1944, a Vice-Província estendia-se pelos calorosos solos goianos, abrigava-se nos gélidos invernos dos pampas gaúchos, estando ao centro nos temperados planaltos paulistas. Em 1953, Lages, em Santa Catarina, ampliaria o quadro territorial. O governo da Unidade residia na Penha, um bairro paulistano. A entidade, em outubro daquele ano, celebrava o jubileu áureo da fundação em

Pe. Valentim Mooser foi o pioneiro da Comunicação Social em Aparecida Patrimônio Histórico CSSR

Riqueza partilhada pelos Redentoristas, a devoção caracterizou os Padres Gebardo, João Batista Kiermaier, Antônio Andrade e todos, enfim. 2. As Santas Missões. Trazer missionários para o Brasil era parte do projeto do episcopado nacional. As comunidades da Vice-Província se sabiam missionárias. Cada Superior de Comunidade decidia com autonomia suas missões, pois equipes serão iniciativas de mais tarde. Araraquara, progressista, no centro do Estado e núcleo ferroviário, foi escolhida para o mister, liderando pregações no oeste paulista. A Vice-Província, em 1941, realizou grandiosa preparação missionária da cidade de São Paulo, para o Congresso Eucarístico Nacional no ano seguinte. Entre os missionários da Unidade estão os Padres Vitor Coelho, Oscar Chagas, Orlando Lino de Moraes, Miguel Poce, Henrique Barros, Daniel Marti, Sílvio Copetti. Lembremos sobretudo o Pe. Geraldo Pires, o grande mestre formador de 108 missionários, ele mesmo brilhante e gracioso orador. 3. Da impressora manual e do semanário de 1900 nasceram as Oficinas Gráficas de Arte Sacra, hoje Editora Santuário, e todo o complexo das Comunicações Sociais. Nome a lembrar: Pe. Valentim Mooser. Brasileiros! Levantemos nosso cântico jucundo! Cristo vive, Cristo reina, Cristo impera em todo o mundo! (Hino do Congresso Eucarístico Nacional de 1942)

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Construção do atual prédio do Seminário Santo Afonso, em 1951

Aparecida de sua primeira comunidade. Ela estava tranquilamente consolidada, com a completa organização de uma Unidade, zelosa no desempenho no Santuário da Padroeira do Brasil, nas missões paroquiais e nas copiosas atuações redentoras. Festa Jubilar – Eram 10 as comunidades da Vice-Província. Em termos de pessoal, tinham 64 padres, 37 irmãos, cerca de 50 clérigos, 19 noviços e 200 seminaristas menores. Em acordo tácito, o missionário Pe. Vítor Coelho, e com ele alguns outros, colhia abundância de vocacionados. Pe. Pedro Henrique os Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 15


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16 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

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passou por cartas, visitas canônicas, Capítulo Geral da Congregação, visitas de Conselheiro Geral e do novo Pe. Geral Leonardo Buys. O tempo e a história tudo transformaram em guerra passada e acabada. Os germanos desistiram da pérola brasileira, e a Baviera criou uma Vice-Província no Japão. Generosidade e Justiça – Em contraposição às turbulências, Pe. Pires enviou e levou as comunidades a enviarem para a Baviera caixas e caixas de alimentos, roupas e tecidos, botões e linhas, calçados, remédios, tudo além do dinheiro e espórtulas de missas. No Capítulo Geral de 1947, Pe. Pires foi um dos homens do dinheiro, doando sem medidas aos carentes. Pe. Antônio Macedo, em 1948, substituiu Pe. Pires como Provincial e também como generoso doador. Ele foi além e pagou velha dívida alegada pelos bávaros. Toda a complexidade interna dos eventos iniciais de sua Província e as atuações nas paróquias e igrejas

Pe. Vítor Coelho de Almeida entrevistando romeiros em Aparecida Patrimônio Histórico CSSR

recebia no Seminário e Pe. Valentim Mooser garantia os gastos com as rendas da gráfica a produzir artes sacras. Tal acordo se contrapunha aos que pretendiam transferir o seminário para o Rio Grande do Sul, alegando as vocações de italianos e alemães, desejosos de um lugar para acolher os confrades fugitivos do nazismo e de uma Alemanha derrotada na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Desde 1939, a liderança da Vice-Província estava em mãos de um brasileiro, o Pe. Geraldo Pires de Souza. Em complexo e muito sigiloso conjunto de iniciativas, ele lutou e conseguiu a elevação da Unidade brasileira à Província autônoma. Para tanto, serviu-se do apoio do Núncio Apostólico Dom Bento Aloísio Mazzela, de capelães militares das tropas brasileiras em combate na Itália, do Provincial da Argentina, de gente da Espanha e outros mais. Isso em meio à guerra, que desde 1942 o Brasil, unido aos Aliados (americanos, ingleses, russos e outros), sustentava contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), a guerra que impedia qualquer contato vice-provincial com a materna Unidade Redentorista de Munique. Proclamada a Província – Pe. Pires organizou a celebração do jubileu de ouro da vinda dos Redentoristas bávaros, em 1894. Convocou para Aparecida a presença dos Superiores das Comunidades, recebeu o Núncio Apostólico, o Cabido Metropolitano de São Paulo, e mais gente ilustre, e em 30 de outubro houve, na Basílica solene, a Missa Pontifical e, à noite, foi cantado um vibrante Te Deum. Em seguida, a surpresa. Foi lido o telegrama do Superior Geral da Congregação com a elevação da Unidade Paulista como Província autônoma e Pe. Pires como Superior Provincial. Este, em fala brilhante, deu graças e declarou Nossa Senhora Aparecida como Madre Provincial. Turbulências – Na Província nascente, uma quase totalidade de confrades ficou muito feliz. Mas um grupelho, entre os 36 confrades alemães da Unidade brasileira, uniu-se para uma reação. Propuseram transformar o Rio Grande do Sul em Vice-Província da Baviera. A contenda envolveu paulistas, mesmo um novo Governo Provincial, gaúchos, bávaros e o Governo Geral, arrastando-se até 1953. O conflito

Pe. Galvão e o seu programa “Marreta na Bigorna” também marcaram as transmissões da Rádio Aparecida


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HISTÓRIA DA PROVÍNCIA

Início da construção da Igreja do Jardim Paulistano, na capital paulista

Do Vaticano II à Reconfiguração A segunda metade do Século XX caracterizou-se na Província Redentorista de São Paulo por robustos passos de atualização. Deram-se eles por inspiração do Concílio Vaticano II. Dentro da figuração do próprio Papa São João XXIII, seu convocador, foi o Concílio uma abertura das janelas eclesiais para os tempos modernos. São João XXIII estava inspirado por Deus para a convocação do Sínodo Universal e para os inícios de sua realização, em 1962. Daí sua tranquila coragem de enfrentar oposições nos tradicionais ní-

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próprias não foram obstáculo para os Redentoristas se dedicarem a uma consistente atuação apostólica extraordinária em todos os setores – Santas Missões, retiros, Meios de Comunicação Social, santuários, giros pelas dioceses, Cursilhos de Cristandade, Legião de Maria, e tudo o mais que fosse para a redenção dos mais abandonados e excluídos.

Seminário São Geraldo, para a formação de Irmãos, foi fundado em 1956

veis eclesiásticos mais elevados. Seu sucessor, São Paulo VI, dele herdou a continuidade conciliar até o final em 1964. A Província Redentorista de São Paulo vinha se remodelando. Ela se repartiu: criou, em 1956, a Vice-Província do Rio Grande do Sul, elevada à Província, em 1964, ano em que Goiás viu nascer sua Vice-Província, declarada Província, em 1994. Isso

Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 17


HISTÓRIA DA PROVÍNCIA estabilizou o território da Unidade Paulista – o Estado de São Paulo e mais o Triângulo Mineiro.

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Eventos e impactos prévios e atuais – O Pe. Antônio Macedo, Superior Provincial, em 1948, conduziu os gloriosos festejos dos 50 anos do Seminário Santo Afonso, reunindo em Aparecida os Superiores de todas as Comunidades, os Clérigos, noviços, seminaristas e ex-alunos. Estavam presentes Dom João Muniz, ex-aluno do Seminário, os Monsenhores do Cabido da Arquidiocese de São Paulo, padrinhos de vocações, benfeitores e amigos da Congregação. Foi uma densa programação: pontificais, ordenações sacerdotais, peças de teatro, concertos musicais, jantares festivos, jogos e fotos. – Contudo, logo depois, o Cardeal Motta decidiu que os Redentoristas lhe devolvessem o Colegião, que abrigava o Seminário. A Província, de 1950 a 1953, lançou-se à construção de seu prédio. Fez tudo e de tudo, desde os projetos de Pes. Inocêncio Pereira e

Humberto Pieroni, olarias para os tijolos e ladrilhos, e o comando das obras até as decorações piedosas da Capela do Seminário pelo Pe. Isidro de Oliveira. Inaugurava-se com solenidade o Seminário em 1953. – Em 1948, a Província enviou para Roma três jovens padres para obterem formação especializada para o magistério no Estudantado de Tietê. Pe. Juvenal Roriz foi o primeiro doutor em Filosofia da Província, Pe. Ariovaldo Amaral obteve o doutorado em Direito Canônico e Civil, e o Pe. Leone Ceva especializou-se em Teologia Dogmática. O Colégio Maior, de Roma, daí por diante foi frequência sucessiva de membros da Província. Depois do Vaticano II, a Unidade Paulista investiu abundantemente nos estudos renovadores. Além da Capital Pontifícia, Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Canadá, Colômbia e, quem sabe, outros lugares ainda foram países onde os nossos estudaram. – Superando restrições eclesiásticas e concorrências políticas de aparecidenses, a Província conse-

Vista do prédio do ITESP 18 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023


Mário Pereira/ A12

HISTÓRIA DA PROVÍNCIA

Redentoristas em celebração no Santuário Nacional de Aparecida, em 2023

guiu a concessão de uma minúscula onda de rádio. Em 9 de julho de 1951 nascia a Rádio Aparecida, uma dimensão nova a complementar o Santuário Nacional da Padroeira do Brasil – uma ampliação das forças missionárias da Congregação. A soma de outras ondas foi construindo a maior emissora católica das Américas. Lá estava o Pe. Vítor Coelho com Os Ponteiros Apontam para o Infinito, a Consagração a Nossa Senhora, programas bíblicos e catequéticos, educação familiar e higiene. Lá também estariam Pe. Rubem Galvão com a Marreta na Bigorna e dezenas de sucessores. – A Rádio Aparecida somou-se à Editora Santuário, dando início ao complexo dos Meios de Comunicação Social, integrados da Congregação Redentorista e do Santuário Nacional. Editoras, Rádio Aparecida, TV Aparecida, A12.com, em seus ramos complementares, são responsabilidades funcionais missionárias redentoristas, que ampliam mundialmente a devoção a Nossa Senhora Aparecida, enquanto evangelizam os mais pobres. – Em 1955, Pe. Antônio Macedo é elevado a Bispo Auxiliar de São Paulo. Foi o primeiro de um

conjunto episcopal, gerado na Província (12 entre arcebispos e bispos). E são dois os confrades da Província eleitos Superiores Gerais da Congregação Redentorista: Pe. Tarcísio Ariovaldo Amaral e o atual, Pe. Rogério Gomes. – Iniciadas no Jardim Paulistano, as construções da Igreja paroquial e do convento, muda-se do bairro da Penha para lá a Sede Provincial. Era o ano de 1953. Pouco depois, o Pe. José Ribolla, Superior Provincial, em gesto que julgava coerente com o Vaticano II, entrega para a Arquidiocese de São Paulo a Paróquia da Penha. – Mudanças e mais mudanças: em 1956, fundou-se, na fazenda de Potim (SP), o Seminário São Geraldo, para a formação de Irmãos. Em 1957, surgiu a comunidade de Garça (SP), para a paróquia e projeto de pré-seminário. Porém é um grupo de seminaristas filósofos, que por um tempo lá ficou. Em 1995, ela se mudou para o conjunto paroquial-missionário de Panorama, às beiras do Rio Grande, e lá permaneceu até ser extinta. 1959 foi o ano dos começos de Pré-Seminário de Sacramento, no Triângulo Mineiro. Lá, a paróInformativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 19


HISTÓRIA DA PROVÍNCIA quia foi assumida em 1971, sendo pouco depois inaugurada nessa casa a formação propedêutica. Hoje, Sacramento abriga um Centro de Assistência Social (CAS). O noviciado de Pindamonhangaba mudou-se para Tietê, utilizando a casa que se esvaziara com a ida do Teologado, no mesmo ano, para a Rodovia Raposo Tavares, no km 20, na periferia de São Paulo. Um acordo com os Verbitas e Carlistas criou o ITESP, situado no bairro do Ipiranga, na capital paulista. Transferiu-se para o bairro a comunidade dos clérigos, construiu-se a Casa dos Professores e a Biblioteca Provincial. No Instituto, por alguns anos, funcionou um Curso Superior de Teologia Moral. – Em uma descentralização congregacional, pela primeira vez, a Província elegeu seu Superior Provincial, o Pe. Amador Leardini, em 1971. Este presidiu o Capítulo Provincial de 1971-72, que fez os novos Estatutos Provinciais, coerentes com o Vaticano II e o Capítulo Geral da Congregação. Passou os estudos filosóficos dos formandos para antes do Noviciado, realizou anualmente cursos de integração teológica para toda a Província e, em seu Governo, foram criados os Secretariados da Província e três equipes missionárias provinciais. – Os formandos iniciaram estudos filosóficos e de História com os Salesianos de Lorena (SP). Depois, a Filosofia mudou-se para a fundação de Campinas (SP). – Em 1996 a Vice-Província de Recife uniu-se a São Paulo. E a Província partiu para casas de periferia em Mauá (SP), Cidade Tiradentes, Jardim Oratório e Diadema (SP), colocando comunidades de clérigos. Entre tantos fazeres e desmanchares, veja o leitor, que outros muitos não foram aqui recordados. A Província, em momento nenhum, deixou de pregar Missões Paroquiais, tocou a construção da Nova Basílica, viu os romeiros chegarem aos milhões, formou novas gerações, enfim, viveu! E somos MISSIONÁRIOS DA ESPERANÇA, CONTINUANDO OS PASSOS DO REDENTOR. Pe. Victor Hugo Lapenta, C.Ss.R. 20 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

Dom Vicente Ferreira O futuro se desenhará pela nossa capacidade resiliente de conversão: eclesial, ecológica e cultural.

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João Éder/TV Aparecida

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BASÍLICA DE SÃO GERALDO CENTRO DE IRRADIAÇÃO DO EVANGELHO NO SERTÃO MINEIRO certo sentimento de encontro ou reencontro com Deus, ou uma mensagem de fé e espiritualidade”. A cidade de Curvelo, conhecida como a “terra de São Geraldo” no Brasil, tornou-se patrimônio cultural e religioso de Minas Gerais. Todos os anos, milhares de romeiros dirigem-se para esta terra abençoada, para visitar seu santo de devoção. O saudoso Pe. Celso, professor, historiador e poeta, afirmou: “Se Curvelo se apraz do apelido de princesa gentil do sertão, mais se orgulha por ter acolhido São Geraldo em seu coração”. Basílica de São Geraldo

E

m Curvelo, portal do sertão e do cerrado mineiro, encontra-se a Basílica de São Geraldo, reconhecida internacionalmente por ser a única no mundo dedicada exclusivamente a São Geraldo, o padroeiro das mamães e de seus bebês. Sua construção iniciou-se em 22 de março de 1912 e terminou em março de 1918. É uma Basílica de rara beleza e de inestimável valor artístico, com pinturas que evocam fatos da vida de nosso querido São Geraldo, obra dos italianos Victorio Giulio e Gino Gorretti, primos de Santa Maria Goretti. No decorrer desses 105 anos, aos cuidados de zelosos padres e irmãos redentoristas, com a colaboração do povo de Curvelo e dos romeiros, o Santuário Basílica firmou-se como centro de evangelização e espaço que favorece um encontro profundo com Deus e com os irmãos. Recebeu reformas, ampliações e, internamente, foi todo restaurado. É como se diz: “Ninguém deixa o Santuário, é uma constante, sem momentos de reflexão e oração mais aprofundada, sem levar consigo para casa

Pe. Américo de Oliveira é reitor da Basílica de São Geraldo Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 21


Basílica de São Geraldo

Oitava de São Geraldo é realizada do último sábado de agosto ao primeiro domingo de setembro

Basílica realiza o Terço das Crianças

A Basílica de São Geraldo consolidou-se como um espaço privilegiado de evangelização. Procura, de forma sempre criativa, acolher bem os romeiros e os devotos para que possam fazer uma experiência profunda de fé, por meio da escuta da Palavra de Deus proclamada, da celebração dos Sacramentos, em particular da Eucaristia e da Reconciliação. Ao chegar à Basílica, o fiel sempre encontrará um missionário redentorista disponível para lhe acolher e ajudar. É referência, também, para a cidade de Curvelo e para toda a região. Além da atividade pastoral e missionária, como, por exemplo, Celebrações Eucarísticas, atendimento das confissões, direção e formação espiritual, novenas e assistência às famílias mais necessitadas, há duas grandes festas em honra a São Geraldo, que atraem milhares de romeiros vindos das diversas partes do Brasil. São elas a Oitava e a Festa Litúrgica. Oitava de São Geraldo A primeira Oitava de São Geraldo aconteceu em 1917, realizada em outubro, por ocasião da festa de São Geraldo. A partir de 1953, inicia-se no último sábado de agosto, encerrando-se no primeiro domingo de setembro. Cada ano escolhe-se uma temática especial. Durante a Oitava, reza-se o terço, às 6h30, e são celebradas missas na Basílica, às 7h, 12h e 15h. A missa solene é sempre na Praça da Basílica. Há celebrações comunitárias do Sacramento da Penitência e o atendimento de confissões in22 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

dividuais de manhã, à tarde e à noite. Os doentes acamados, ou impossibilitados de se locomoverem, são visitados em suas residências, para confissão e comunhão. Várias instituições e movimentos são envolvidos na Oitava, como, por exemplo: as paróquias da cidade, colégios, hospitais, associações etc. Após a celebração da noite, funcionam as “barraquinhas de São Geraldo”, com comidas típicas e shows com artistas da região. Encerra-se com a missa solene, seguida da grande procissão com a Imagem de São Geraldo. Muitos devotos se “vestem de São Geraldo”, em agradecimento às graças alcançadas. Calcula-se que aproximadamente 30 mil pessoas participam desse momento. Festa Litúrgica de São Geraldo Em outubro, realizam-se o tríduo e a festa de São Geraldo no domingo mais próximo do dia 16, dia de São Geraldo Majela. A programação é praticamente a mesma da Oitava, mudando apenas na duração dos dias. Conta, também, com a presença de romeiros, porém, desta vez, a participação mais expressiva é dos curvelanos e dos devotos das cidades vizinhas. Além desses grandes eventos de fé, os devotos honram São Geraldo nas pequenas romarias dos domingos ao longo do ano, bem como nas visitas durante a semana. Percebe-se, no dia a dia da Basílica, uma dinâmica missionária. Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R.

João Éder/TV Aparecida

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Alessandro Cardoso

RECONFIGURANDO

REESTRUTURAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO

O

processo de reestruturação e reconfiguração da Congregação, iniciado há mais de trinta anos, ganha ares de proximidade de nossa realidade com os diversos encaminhamentos e, no nosso caso, mais recentemente com a realização da grande assembleia em vista da nova província, que ganhou o nome de “Província Nossa Senhora Aparecida”. Brevemente veremos o novo governo provincial assumindo antigos e novos desafios, em vista de uma missão renovada. Muitos se envolveram nesse processo, nos mais variados fóruns e nas mais variadas instâncias, pois a colaboração para uma congregação reconfigurada e reestruturada é obrigação de cada confrade. Nas Províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, foi muito perceptível a contribuição das diversas subcomissões, que subsidiaram os governos na percepção de direção a seguir, em uma perspectiva de comunhão e participação, uma vez que os resultados nascem sempre a quatro mãos.

A subcomissão para a administração, composta pelos padres Flávio Leonardo (Província do Rio), que após seu falecimento foi substituído pelo Pe. Carlos Viol, Pe. Adam Rapala (Vice-Província da Bahia) e o Pe. Luiz Cláudio A. de Macedo (Província de São Paulo), iniciou seus trabalhos considerando a realidade administrativa e financeira de cada unidade. A experiência e o conhecimento de cada confrade membro da subcomissão, na gestão econômica e financeira de sua província, foram iluminados, inicialmente, com assessoria do Dr. Hugo Sarubbi Cysneiros de Oliveira e, posteriormente, pela TÁFER, ambos com longo histórico de assessoria de entidades religiosas. A cada passo dado, a trajetória era exposta aos superiores provinciais, ouvindo suas ponderações, esclarecendo dúvidas e, principalmente, levantando hipóteses do melhor caminho, visto que cada unidade redentorista possui um cenário bem distinto, seja no formato administrativo ou na constituição legal, além de realidaInformativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 23


Arquivo pessoal

RECONFIGURANDO

Encontro das comissões em vista da reconfiguração das (Vice) Províncias em 2021

des econômico-financeiras e patrimoniais diversas, número de confrades associados etc. Não era uma questão de encontrar o melhor decreto que determinasse a unificação, até porque isso seria desastroso, oneroso e traria em seu bojo riscos legais, visto que estamos falando de uma entidade (São Paulo) certificada, uma entidade (Rio de Janeiro) parcialmente certificada e parcialmente entidade religiosa, e uma totalmente religiosa (Bahia). A comissão, em suas diversas conjecturas, passou a considerar a opção que oferecesse menos riscos jurídicos e, de comum acordo com a assessoria, sugeriu aos Governos Provinciais o modelo de uma Nova Unidade Canônica (nova Província), preservando-se temporariamente três modelos administrativos regionais. Em outras palavras: As três Províncias (São Paulo, Rio e Bahia) serão unificadas canonicamente, mantendo-se as Mantenedoras (associações civis) no formato atual na esfera civil (ainda separadas e independentes), temporariamente, enquanto se realizará um estudo mais aprofundado de como efetivar a unificação jurídica/ financeira civil das associações. O estudo deverá acontecer durante o processo de implementação da nova província, a partir das diretrizes do Superior Provincial, que será o representante canônico e civil das entidades Redentoristas. Haverá um Ecônomo Provincial para toda a Província unificada, responsável pela consolidação das informações das realidades administrativa e financeira para os Governos Provincial e Geral. Considerando a realidade geográfica da nova província, Ecônomos Regionais poderão ser indicados ou eleitos (a definir) para a gestão de mantenedoras fora do domicílio do Ecônomo Provincial, em São Paulo. 24 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

A Nova Província seguirá com os procedimentos canônicos regulares (de forma unificada), como a eleição de um só Governo Provincial, estabelecendo-se as diretorias de cada Mantenedora, e o estatuto canônico deverá prever os poderes do Superior Provincial e Ecônomo Provincial, bem como dos Ecônomos Regionais (se houver) para a representação nas mantenedoras fora da residência do Ecônomo Provincial. Os poderes previstos para o Ecônomo Regional serão base para as procurações outorgadas civilmente nas Mantenedoras (associações civis). O Superior Provincial e o Ecônomo Provincial assumem, respectivamente, como Diretor Presidente e Diretor Financeiro das Mantenedoras. Também será necessário realizar uma revisão do Estatuto Social de cada Mantenedora para padronização das prerrogativas/competências das Diretorias, sobretudo as do Diretor Presidente e do Diretor Financeiro. Haverá, ainda, uma Assembleia Geral em cada Mantenedora, para “eleição” civil da Diretoria em consonância com o Estatuto Social (para cumprir o formato civil), salvaguardando a eleição do Superior Provincial e do Ecônomo Provincial e, para isso, será necessário: * Atualizar o quadro associativo em cada Mantenedora; * Todos os confrades serão associados em todas as unidades; * Revisar o prazo de mandato das Diretorias de cada Mantenedora, de forma a estabelecer um alinhamento de mandato com o novo Governo Provincial unificado.


RECONFIGURANDO Dentre as primeiras tarefas do novo governo provincial estão: a definição sobre atuação do Governo Provincial e suas prerrogativas junto às mantenedoras, com elaboração de estatuto regimental; estudo sobre a manutenção da vida religiosa na província unificada e a forma de seu custeio para posterior unificação jurídica/civil das entidades e estudo sobre formato e procedimentos para a unificação jurídica civil das mantenedoras e sua implementação. Esses passos serão os primeiros de muitos, em um longo percurso que exigirá discussões, lucidez e habilidade técnica para que os bens e a administração da nova província continuem a serviço da missão. Não nos faltam empenho, luzes e sabedoria. Que a Virgem Aparecida, “que sempre andou conosco em toda parte”, interceda por nós! Pe. Luiz Cláudio Alves de Macedo, C.Ss.R. Alessandro Cardoso

A Comissão e a assessoria recomendaram que mandados civis devem iniciar 60 dias após as eleições provinciais. Se houver Ecônomos Regionais, eles atuarão como procuradores do Ecônomo Provincial, com os poderes que lhe forem outorgados e pré-estabelecidos no estatuto canônico. Todos os confrades, que então passarão a pertencer a uma só Província, devem ser associados em todas as Mantenedoras civis, mediante Assembleia Geral conforme cada Estatuto Social. Algo importante que a administração deverá ter em mente é que, embora todos os confrades passem a ser associados em todas as Mantenedoras, as despesas/custos com a vida religiosa não devem ser custeadas por São Paulo, para não prejudicar a manutenção de seu Certificado de Filantropia (CEBAS). Para isso, é preciso encontrar os meios jurídicos permitidos para se transferir recursos financeiros para as unidades que custearão as despesas da vida religiosa.

Pe. Nelson Linhares (à esq.) e Pe. Marlos Aurélio (à dir.), durante a realização da Assembleia da Nova Província em setembro de 2023 Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 25


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RECONFIGURANDO

PASTORAL: PASSOS CONCRETOS PARA A REVITALIZAÇÃO DA MISSÃO

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abendo que a Reestruturação não pode ser pautada apenas pela busca da eficácia e que comunidades reestruturadas não se formam como em um passe de mágica; que a Igreja peregrina é chamada por Cristo a uma perene reforma perene, por ser uma instituição humana e terrena, no dia 2 de outubro de 2019, aconteceu em Aparecida, no Seminário Santo Afonso, a primeira reunião da Comissão de Reconfiguração das três unidades (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia). Nessa reunião, foram criadas várias subcomissões e, entre elas, a Subcomissão de Pastoral, integrada pelos padres Inácio, Stanislau, João Batista e José Cláudio, reforçada depois com a chegada do Pe. Antonio Niemec. Poucos dias depois, a comissão encontrou-se em São Paulo e, em uma reunião, além de definir as competências da comissão, definiu-se os passos que seriam dados em nosso trabalho para envolver confrades, comunidades e Frentes Apostólicas, no grande trabalho de elaboração de um Projeto de Plano Apostólico.

Equipe da subcomissão de Pastoral reunida em Belo Horizonte (MG), em 2022

Assim como aconteceu com outros setores, o advento da pandemia da Covid-19 complicou bastante o andamento dos trabalhos da Comissão de Pastoral, que depois teve seu nome trocado para Comissão de Animação Missionária. Mesmo assim, de forma virtual ou presencial, várias reuniões aconteceram e, com o abran26 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

damento da pandemia, encontros foram realizados para efetivar nosso trabalho. Encontros, como aquele que aconteceu em abril de 2021, na Casa de Retiro São José, em Belo Horizonte (MG), com representantes de todas as comissões, foram balizando o andamento dos trabalhos e sempre tínhamos em mente as parcerias que já estavam sendo realizadas entre as três unidades e o contentamento gerado a partir dessas iniciativas. A proposta de trabalho da comissão contou com um bom envolvimento dos confrades e das comunidades e, na grande assembleia realizada em maio deste ano, em Aparecida, foi apresentado o projeto do Plano Apostólico. Nossa ressalva é de que a Reestruturação é um processo que deve ir adiante, impelindo-nos, a partir da integração das Unidades, a dar passos concretos no fortalecimento da missão, com a nova estruturação missionária. O Plano Apostólico redigido pela comissão se apresenta como um subsídio para que sejamos “Missionários da esperança, continuando os passos do Redentor” (XXVI Capítulo Geral – 2022). A exemplo da Igreja, queremos ser também uma congregação em saída, em uma maior proximidade com nossos interlocutores, na busca da fidelidade ao nosso carisma fundacional. Desejamos que nos anos que temos pela frente aprendamos a “olhar por cima dos muros” que nos separam, superando barreiras de mentalidade e de costumes, com a coragem necessária de abandonar as comodidades, saindo da zona de conforto onde nos instalamos, para que a real missionariedade aconteça na Província Nossa Senhora Aparecida. Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.


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RECONFIGURANDO

MISSIONÁRIOS LEIGOS REDENTORISTAS vivemos, mais do que nunca, precisamos de homens e mulheres que se sintam chamados ao trabalho Missionário, conosco, para levar a Boa-Nova da Redenção aos mais necessitados de nosso mundo hodierno. Com isso, nossa Congregação, após o Capítulo geral de 1991, em seu Documento final, preocupada com a realidade vindoura, pediu para as comunidades e Províncias, espalhadas pelo mundo, para incentivarem o trabalho com os Leigos. A Congregação viu que a missão compartilhada com leigos, homens e mulheres, é essencial para a missão e planejamento apostólico de nossa missão, tornando-se fundamental. Quem são esses leigos? São os fiéis que, incorporados à Igreja pelo batismo, mantendo presença e participação efetivas na Comunidade Cristã, optam, livre e conscientemente, por viver essa consagração batismal nas condições comuns da vida e da sociedade, juntamente com os Missionários Redentoristas consagrados. Arquivo pessoal

A

o falar dos Missionários Redentoristas, gostaria, primeiramente, de demostrar, bem resumidamente, o porquê dos Missionários Leigos, quem são e sua Missão na Congregação e na Igreja Povo de Deus. Por isso, busquei expor aqui parte de nosso Diretório, para que o amigo(a) leitor possa conhecer um pouquinho de nossos Missionários Leigos Redentoristas. Nossa Congregação do Santíssimo Redentor está passando por um momento histórico, muito significativo, que é nossa Reestruturação. E, dentro desse contexto, também está o Missionário Leigo Redentorista. Quando falamos em Missionários, vêm em nossa mente as palavras de Jesus que dizia: “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Lc 10,2b). Leigo, não no sentido pejorativo, são homens e mulheres comprometidos com a pregação do Evangelho, no mundo, na sociedade e em nossa Igreja. Redentorista é o nome de nossa Congregação, fundada por Santo Afonso Maria de Ligório, no intuito de levar a Palavra de Deus, por meio das Missões, levar o Cristo Redentor aos mais pobres e abandonados, na periferia de Nápoles, na Itália. Em nosso Diretório dos Missionários Leigos Redentoristas, como podemos ver no texto a seguir, procuramos especificar quem é e sua missão dentro da Congregação. Hoje, diante da realidade em que

Pe. Chicão (com o livro na mão) é um dos representantes da subcomissão dos Leigos Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 27


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Essa categoria do Missionário Leigo A parceria com os Missionários Redentorista é um reconhecimento Leigos Redentoristas na ação do Governo Geral da Congremissionária da Congregagação Redentorista, como ção, visa partilhar a esuma forma de colaborapiritualidade redentoção e participação (isto rista e realizar suas é, associação), na vida prioridades apostóapostólica dos Missiolicas, favorecendo a nários Redentoristas, melhor compreensem o vínculo da consão da realidade sagração religiosa dos sócio-humanovotos; não fazendo -religiosa-polítiparte, juridicamente, da ca-econômica e comunidade redentorisambiental (cf. Doc. ta em sentido estrito. Pode Puebla n. 786), rém, parpor parte dos congre“A missão ticipando gados, permitindo-lhes compartilhada com leigos, homens ativamenaprimorar o testemunho e mulheres, é essencial profético e o compromisso para a missão te da vida e planejamento apostólico” apostólica histórico, exigidos pela profissão Arquivo pessoal com os Rereligiosa. dentoristas consagrados (padres e irmãos), formanO Missionário Leigo Redentorista é uma pesdo uma família missionária. Considerando o estado soa de formação cristã e católica que, consciente eclesial próprio dos leigos, a instituição, Missionário de sua consagração batismal, quer viver e experiLeigo Redentorista, busca aprofundar a vocação camentar a vida cristã de forma missionária, na preracterística do leigo, na Igreja e no mundo, a partir do gação da Palavra de Deus. Como membro de um incremento da espiritualidade e missão redentoristas, grupo de associados leigos, vinculado à Congrerespeitando a especificidade de sua missão e de seu gação do Santíssimo Redentor, compromete-se carisma. voluntariamente a participar na obra de evangelização dos mais pobres e abandonados e na vida Pe. Francisco de Assis Miguel, C.Ss.R. da comunidade redentorista.

Celebração na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte, reúne Redentoristas e Missionários Leigos

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Documento do Capítulo Geral de 1991 se preocupou em incentivar o trabalho dos Redentoristas com os Leigos

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RECONFIGURANDO


RECONFIGURANDO

EXPECTATIVAS DAS UNIDADES SOBRE A RECONFIGURAÇÃO PROVÍNCIA DE SÃO PAULO “A Vice-Província da Bahia e as Províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo, às vias de se tornarem uma só Província! Horizontes carregados de esperança! Somos todos já membros de uma única Família: a de Afonso de Ligório. Temos buscado plantar a Copiosa Redenção no território que tem cabido a nossas distintas Unidades. Em breve, esses três distintos territórios também se tornarão um só, e entregue a todos nós. Novos e maiores desafios sim, mas para uma Família também maior, somando experiências vividas e expectativas de maior zelo na vida e missão!” Pe. Domingos Sávio, C.Ss.R. PROVÍNCIA DO RIO “Vejo a nova Província Redentorista de Nossa Senhora Aparecida como uma possante aeronave prestes a decolar, com um auspicioso plano de voo, verbalizado nos Sete Princípios da Reestruturação, sobretudo o de n. 2: ‘A Reestruturação para a Missão deve estimular novo despertar de nossa Vida Apostólica’. E nesse momento histórico parece-me ouvir São Clemente a nos dizer uma de suas frases preferidas, que está gravada junto a seu túmulo em Viena: ‘Coragem, irmãos, Deus dirige tudo para sua glória e para nosso bem’.” Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. VICE-PROVÍNCIA DA BAHIA “O caminho para a reestruturação é em vista da missão e de uma maior fidelidade ao carisma Redentorista. Seguimos alargando horizontes, indo além dos territórios para anunciar o Evangelho. Muito trabalho já foi realizado até aqui. Um processo que envolveu muitos confrades e leigos em etapas de escutas, elaboração de sínteses, comissões e projetos. Tendo participado deste caminho, pertencendo a algumas subcomissões e também como representante da Vice-Província da Bahia nas reuniões da Reestruturação, percebo o quanto o sentimento vem sendo transformado e somos a cada dia encantados pelo novo que se aproxima. O ‘sim’ dado a esse desafio de ressignificações geográficas, culturais e de mentalidade demonstra o quanto nossa consagração de fato rege nossa vida.” Pe. Marcos da Silva, C.Ss.R. Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 29


Luiz Oliveira/A12

SUA HISTÓRIA, NOSSA HISTÓRIA

PE. JONATHAN ANTÔNIO DA SILVA, C.Ss.R.

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ou Jonathan Antônio da Silva, nascido em Formiga (MG), terra das “areias brancas”. Vivi minha infância e adolescência, até antes de ingressar no seminário, no distrito de Pontevila, que fica na Zona Rural, às margens do lago de Furnas. Sou filho de José Alaor e Marlene. Tenho um irmão, Maike, que é seis anos mais novo do que eu. Se fosse me descrever, arriscaria dizer que sou, com todas as minhas limitações, um ser bondoso, humano e devoto. Sim, desde minha infância, na capelinha dedicada a Nossa Senhora Aparecida, em Pontevila, aprendi a amar Maria. Ela me faz chegar a Jesus. Em minha amada Pontevila, desde pequeno, com o incentivo de minha família, fui inserido na vida pastoral da comunidade eclesial. Meus pais sempre trabalharam nas pastorais, comissões e nos órgãos representantes dos conselhos da comunidade local. Minha mãe foi minha catequista. Já confirmado em meu batismo, fui membro da pastoral da criança e catequista. Ajudava na liturgia e participava das novenas nos setores. Enfim, enquanto comunidade eclesial, se perguntarem pelo “Dioninho”, lá em Pontevila, muitos na hora saberão dizer quem é. Meu interesse pela vida religiosa surgiu de uma forma muito simples, e quando eu percebi, roubou-me o

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coração. Aos dezessete anos, já com o desejo de ser padre, aconteceu na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, minha paróquia de origem, as Santas Missões Redentoristas. Nesse ínterim, fui convidado para cozinhar para os missionários, que ficariam em minha comunidade. Nesse vaivém de cozinhar, dez dias para os que, futuramente, seriam meus confrades, percebi que ser “só padre” era pouco para mim. A Vida Religiosa e a missionariedade falavam mais forte em meu interior. Foi então que decidi que queria ser um Redentorista. Meu processo vocacional iniciou-se no ano de 2012. Em 2013, participei da convivência vocacional e fui aprovado. No dia 27 de janeiro, daquele mesmo ano, passei a residir no Seminário Propedêutico Santíssimo Redentor, em Santa Bárbara d’Oeste-SP Enfim, em minha história de vida e vocação, desde a infância, percebo a presença fiel de Nossa Senhora com título de Aparecida. A nós, que a veneramos na pequena imagem marcada pela riqueza do encontro das diversas raças e povos, peço-a: “Dá-me a serenidade de amar sempre mais meus irmãos e minhas irmãs. Ajuda-me a encher as vidas vazias e reavivar nossas forças como frescor do Evangelho. E obrigado, Mãe, por me fazeres ser tão feliz, pertencendo à família Redentorista”.


SUA HISTÓRIA, NOSSA HISTÓRIA

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esde muito jovem fui inserido por minha família em minha paróquia de origem, São Sebastião, em Cruzília-MG. Junto de meus pais, meus avós e meus irmãos, sempre pude presenciar a ação de Deus em nosso lar, e ali começou a brotar em meu coração o verdadeiro desejo de servir a Jesus mais de perto. Com a ideia mais amadurecida em meu coração, na fase adulta, ingressei no antigo Seminário São Geraldo, no Potim (SP). Ali, vivenciando a vida religiosa, comunitária e desenvolvendo meus trabalhos pastorais no Santuário Nacional, eu pude, cada dia mais, responder ao chamado de Deus, que ardia em meu coração. No ano de 2012, o Seminário São Geraldo foi transferido para a cidade de Sorocaba (SP), onde vivi também e tive a oportunidade de trabalhar nas pastorais da Paróquia São Geraldo Majela, tendo uma formação dentro do seminário e alimentando cada vez mais a vida espiritual e vocacional. No ano de 2013, fui acolhido como pré-noviço e, no ano de 2014, iniciei, ao lado de vários noviços, de vários estados e confrades que residiam

Luiz Oliveira/A12

IR. MARCOS VILANOVA, C.Ss.R.

naquela comunidade, meu processo de noviciado na cidade de Tietê (SP). Foi um momento de grande crescimento em minha vida pastoral, espiritual e no convívio com o povo de Deus. Já no ano de 2015, fui acolhido pela Congregação e professei meus primeiros votos de Pobreza, Castidade e Obediência. Foi um momento sublime em minha vida. Entre 2015 e 2023, tive a oportunidade de trabalhar como Irmão Redentorista em diversas frentes missionárias, como Santas Missões Redentoristas, Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Santuário da Imaculada Conceição no Recife, Paróquia Santa Cruz em Araraquara e, desde outubro de 2020, trabalho no Santuário e Paróquia do Senhor Bom Jesus de Pirapora. Após professar meus votos perpétuos na Congregação do Santíssimo Redentor, em abril de 2023, continuo agradecendo a Deus essa tão linda vocação, que é ser Irmão Religioso na Congregação do Santíssimo Redentor, e com muita fé em seu filho, o Bom Jesus, continuo respondendo diariamente a esse chamado. Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 31


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PARTILHA MISSIONÁRIA

“UNIDOS EM CRISTO, COM MARIA, PARA VIVER E CRESCER EM COMUNIDADE”

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vida missionária movida pelo Espírito de Deus é dinâmica e fecunda. É feita de movimentos surpreendentes: em cada estação, uma nova estrada se abre para novas experiências. Exigentes, mas fortalecedoras. Após 20 anos de atividades missionárias, no campo da Formação, da Promoção Vocacional e da administração, fui enviado para as Minas Gerais, para auxiliar nas atividades pastorais da primeira Comunidade Redentorista do Brasil, em Juiz de Fora. Era 14 de fevereiro de 2022, quando aqui cheguei. Como Vigário Paroquial, tenho degustado das riquezas da vida missionária, ao assumir novas funções. Pela primeira vez, minhas forças estão direcionadas para o campo das atividades paroquiais. Aqui, há 31 grupos de pastorais e movimentos que dão vivacidade à vida comunitária. É uma seara nova e instigante, espaço fecundo de crescimento pessoal e espiritual. Nossa Comunidade religiosa é composta

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por 7 confrades, que atuam nos desafios de uma das mais antigas igrejas da cidade, a tradicional “Igreja da Glória”: A vida paroquial é dinamizada dentro de três dimensões: a acolhida (Caridade), a oração (Liturgia) e a missão (Palavra). Todas as atividades pastorais, movimentos e ações sociais são regidas por equipes coordenadoras, tendo um confrade como diretor espiritual. Coube a mim acompanhar o Ambulatório Nossa Senhora da Glória, a Pastoral da Música e do Canto Litúrgico, Pastoral dos Coroinhas e Acólitos, Pastoral da Catequese infantil, a Pastoral da Catequese do Crisma e a Pastoral do Batismo. Mas minhas atividades mais frequentes estão voltadas para a área da Música e do Canto Litúrgico. Temos 4 grupos de canto-coral. Com a marca “Musicare”, os grupos se preparam para as missas solenes e outras apresentações. O primeiro a ser criado foi o Coro Misto, que se reúne semanalmente para o exercício do can-


Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

PARTILHA MISSIONÁRIA

Paróquia em Juiz de Fora (MG) conta com 31 grupos pastorais

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Pe. Torres e a equipe do Ambulatório Nossa Senhora da Glória

Outra dimensão muitíssimo importante para vida pastoral de uma paróquia é o Sacramento da Reconciliação. A Comunidade Redentorista mantém a tradição do atendimento de confissões. Há também muitos pedidos para o acompanhamento espiritual ou atendimentos extra. A presença nos hospitais também faz parte de nosso apostolado, seja para a Unção dos Enfermos ou para a Confissão. A visita aos enfermos em suas residências e o auxílio na celebração de missas, em paróquias das redondezas, também são frequentes. Arquivo pessoal

to litúrgico; hoje, conta com 45 integrantes. O segundo foi o Coro Infantil, com 14 crianças; frequentemente se apresentam em momentos especiais das atividades paroquiais. O Coro Masculino São José foi criado em 19 de março, quando cantaram a Missa de seu patrono. O desafio lançado aos homens foi aceito por 15 senhores corajosos, que continuam animados para o serviço a que foram chamados. Formado por jovens da Paróquia, o “Quarteto Musicare” foi o último grupo a ser criado, no intuito de enveredar por outras “paisagens musicais”. Além de colaborar nas celebrações solenes, os grupos de canto e música têm realizado atividades extra: Coroação da imagem de Nossa Senhora, no mês de maio; coroação da imagem do Sagrado Coração de Jesus, representação do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida; concerto natalino, envolvendo as forças musicais da paróquia; Saraus etc. Destaque para a “Cantata da Paixão”, ou “Dueto entre a Alma e Jesus Cristo”, de Santo Afonso de Ligório, apresentado pela primeira vez na Igreja da Glória, na Quarta-feira Santa deste ano. A Paróquia da Glória conta com 8 grupos de canto, que se distribuem nas 18 missas semanais.

Pe. Torres com uma equipe de coral da Paróquia

Atividades mais frequentes do Pe. Torres estão voltadas para a área da Música e do Canto

A vida pastoral na Paróquia de Nossa Senhora da Glória é muito animada. O povo mineiro, cheio de gentilezas e vivacidade nas relações, motiva nossa ação apostólica. É uma realidade muito abençoada para a vida eclesial. Isso por causa da ação fecunda dos sábios e destemidos confrades que nos antecederam, desde os primeiros que aqui chegaram, em 1894. Rendo graças a Deus pela fineza com que Ele me conduziu enviando-me à Comunidade Redentorista da Glória, para, “unidos em Cristo, com Maria, viver e crescer em Comunidade”, com essa porção do povo de Deus, na Arquidiocese de Juiz de Fora. Pe. José de Lima Torres, C.Ss.R. Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 33


Patrimônio Histórico C.Ss.R

CURIOSIDADES

JUBILEU DOS 50 ANOS

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Comunidade Redentorista – Alfonsianum I: São José alegra-se por celebrar os 50 anos de história. Pode-se dizer que esta é uma casa fundamental e especial para a formação dos Missionários Redentoristas. A histórica casa, situada na Rua Oliveira Alves, 230, no bairro do Ipiranga, São Paulo, iniciou-se no ano de 1973, com sua compra ainda no governo do Padre José Ribolla, C.Ss.R. Nessa época, começou a abrigar os estudantes de teologia. Anteriormente, o antigo Alfonsianum era localizado ao lado da Rodovia Raposo Tavares. Foi-se percebendo a necessidade de uma mudança para uma casa menor e que favorecesse a vivência comunitária. Sendo assim, foi a partir de julho que os primeiros moradores começaram a chegar à nova comunidade, mas somente no dia 2 de agosto de 1973 que oficialmente ocorreu a mudança de toda a turma de teólogos. Com meio século de história, essa comunidade religiosa vai se renovando a cada ano, pois abrigou

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diversos confrades oriundos das cinco regiões do Brasil e também vindos da América Latina e da África. Por isso, iniciamos em março a abertura do ano jubilar com a celebração eucarística, presidida pelo diretor e formador Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R. Ao longo do semestre, a comunidade recebeu as visitas de ex-diretores e superiores da casa, dentre eles, o Pe. Domingo Sávio, C.Ss.R., que relatou o início de sua caminhada na comunidade: “Antiga-

Comunidade do Alfonsianum em 2023

Arquivo pessoal

DA COMUNIDADE REDENTORISTA ALFONSIANUM I – IPIRANGA


Patrimônio Histórico C.Ss.R

CURIOSIDADES

Patrimônio Histórico C.Ss.R

Estudantes de Teologia em celebração do Dia de São Francisco, em outubro de 1994

Patrimônio Histórico C.Ss.R

Patrimônio Histórico C.Ss.R

Pe. Dal Bó, Dom Majella, Pe. Mauro J. Matiazzi e Pe. Sebastião Reis, em foto de 1980

mente, os formandos moravam em um prédio que ficava na Rodovia Raposo Tavares e haviam cerca de 200 quartos, com quase 110 formandos, entre estes estavam incluídos os Salvatorianos, isto em 1968. Por causa do Concílio, houve muitas saídas dos formandos, tanto nos redentoristas como em outras congregações. Desta forma, o prédio foi ficando vazio e, mais à frente, no ano 1971/72, esse lugar foi vendido para o Governo do Estado de São Paulo, e a Província comprou a casa do Ipiranga, que pertencia à família do Maluf”. Também participou dos festejos jubilares da comunidade o arcebispo de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella, C.Ss.R. Ele recordou o tempo em que era estudante e formador, quando viveu durante dez anos nessa casa. Como estudante, relatou que todos os junioristas assumiam cargos para a boa convivência e distribuição de tarefas na casa. O arcebispo redentorista relembrou os momentos de boas partilhas de vida, como a rotina estudantil e os fatos que ocor-

4º Ano de Teologia do ITESP em foto na Alfonsianum, em 1976

Comunidade Alfonsianum, em 1976

Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 35


Fr. Gustavo da Silva Santos, C.Ss.R. 36 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

Patrimônio Histórico C.Ss.R

Padres Olivo C. Zolin, João Barbosa, Gervásio e Elpídio Tabarro, em 1975

Torneio de Basquete em 1972, na Comunidade Alfonsianum da Rod. Raposo Tavares Patrimônio Histórico C.Ss.R

riam na pastoral. Sendo formador, acrescentou que foi um tempo ótimo em sua vida, mas passou por algumas situações, dentre elas, o fechamento ou até a própria venda da casa religiosa para que os junioristas vivessem nas periferias da cidade, algo que não ocorreu. Os redentoristas assumiram outras áreas pastorais, como Mauá, Sapopemba, Diadema e Cidade Tiradentes, mas não saíram do Ipiranga. Em junho, no dia 30, houve a celebração jubilar, que fora presidida pelo Superior Provincial, Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R, contando com a presença de ex-diretores e antigos formandos, que por aqui passaram. O Superior Provincial contou a história de fundação do Alfonsianum, como também sua importância para a província, e que ele mesmo morou na casa, quando era juniorista. Ao final da celebração, foi feita a inauguração da placa comemorativa na entrada da casa e, em seguida, houve a confraternização. São cinquenta anos de momentos, fatos e histórias recordadas na memória e no coração de cada confrade, que viveu nessa comunidade. Com as bênçãos de Deus e a intercessão de São José, padroeiro da comunidade, continuemos firmes nos estudos teológicos e prosseguindo no anúncio da Copiosa Redenção, com o coração aberto para os desafios da sociedade.

Patrimônio Histórico C.Ss.R

CURIOSIDADES

2º ano de Teologia, na época que a Alfonsianum era localizada na Rodovia Raposo Tavares, em 1972


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RESENHA REDENTORISTA

SÃO GERALDO MAJELA

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REDESCOBRINDO UM SANTO

oder falar alguma coisa a mais sobre a vida e a missão de um Irmão Redentorista, do quilate de São Geraldo Majela, seja em que época for, é sempre muito gratificante. Certa vez, chegou a minhas mãos a belíssima obra literária do padre Brendan McConvery, C.Ss.R, intitulada São Geraldo Majela – Redescobrindo um Santo. Durante a leitura dessa obra, eu fui reentrando no mundo do jovem Geraldo Majela: “O Irmão Redentorista que fugiu pela janela de seu quarto, que tinha sido transformado em um cárcere privado, para tornar-se Santo” (McConvery, 2023, p. 25). Após a leitura da obra do padre McConvery, obriguei-me a fazer com que seu conteúdo chegasse não somente ao conhecimento dos devotos de São Geraldo Majela, mas também ao conhecimento

de todos aqueles que se esforçam e buscam a santidade. Daí, surgiu a ideia e, com ela, a necessidade de traduzir o texto do padre McConvery; e assim foi feito. A obra do padre Brendan McConvery, C.Ss.R, edição brasileira, conta com uma apresentação feita por mim, o tradutor da obra original para o português. Em seguida, temos uma introdução feita pelo padre Brendan McConvery, C.Ss.R. Depois, por meio de nove capítulos, temos a oportunidade de aprofundarmo-nos na vida e na missão do Irmão Geraldo Majela: o Missionário Redentorista, que fugiu de casa para se tornar Santo. Cada um desses capítulos é um caminho que nos leva para o interior da vida, da missão e da espiritualidade redentoristas, que tanto marcaram os feitos do Irmão Geraldo Majela. Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 37


A obra citada tem um Apêndice que, de forma magistral, nos toma pela mão e nos introduz no mundo orante de nosso querido e santo Irmão Majela. Por fim, mas não menos importante, o livro está ilustrado com belíssimas fotografias, que foram cedidas pelo Pe. McNamara, C.Ss.R. As fotografias, por sua vez, visualizam a vida e a missão do Irmão Geraldo Majela, em sua incansável busca pela santidade, e fazem parte de sua história. O nome Geraldo Majela é um nome bastante conhecido por nós católicos. Muitos são os que recorrem a sua intercessão. Principalmente, as mulheres que estão tentando engravidar ou as mães que estão em trabalho de parto. Elas invocam o nome de São Geraldo Majela, para que tudo transcorra bem com elas e com seus bebês. Muitas crianças carregam consigo o nome de Geraldo Majela. A obra do padre Brendan McConvery não é mais um livro sobre a vida e a missão de São Geraldo Majela. Sua obra é mais um caminho ou uma oportunidade para conhecermos que São Geraldo Majela é muito mais do que tudo o que conseguimos perceber, por meio de suas imagens sagradas, que se encontram nos santuários, nas igrejas e capelas. São Geraldo Majela não é um santo de aparência pálida, doentia, sofrida, com os olhos virados para o alto. Ele é o “redentorista que foi para o céu através da janela de seu quarto”. O amigo dos pobres. Fazer a vontade de Deus era seu único querer. E assim ele o fez. Enquanto ele viveu, viveu fazendo a vontade de Deus. A obra citada tem exatamente o objetivo de nos reapresentar a vida e a missão de São Geraldo Majela, principalmente para aqueles que podem

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João Éder/ TV Aparecida

RESENHA REDENTORISTA

Devota na Basílica de São Geraldo, em Curvelo (MG)

não estar familiarizados com esse santo de devoção. A obra é também um convite para orarmos com ele, que nasceu e foi criado em uma família pobre do Sul da Itália (Muro). São Geraldo Majela foi um Irmão leigo redentorista. Ele não foi teólogo, escritor ou pregador famoso. Foi um Irmão redentorista obediente a Deus e apaixonado pela Congregação do Santíssimo Redentor. Entrou para a Congregação Redentorista e nela tornou-se santo, amando e respeitando sempre os mais pobres e abandonados. São Geraldo Majela morreu antes de completar trinta anos de idade. Seu amor pelas pessoas, de todas as idades, era notável. Esse amor, por sua vez, transformou-o em um santo, não apenas de seu tempo, evidentemente, mas também de nosso tempo fluido e fortemente marcado por muitas feridas. Adquira o livro São Geraldo Majela – Redescobrindo um santo, do padre Brendan McConvery, e seja você também um santo à luz da vida, da missão e da espiritualidade de nosso querido Irmão Redentorista e Santo: São Geraldo Majela. Padre Vinícius Ponciano, C.Ss.R.


ESPAÇO DIÁLOGO

EUCARISTIA E IGREJA: FORMAMOS EM CRISTO UM SÓ CORPO

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este ano, completam-se 20 anos da encíclica Ecclesia de Eucharistia, que foi escrita pelo Papa São João Paulo II, em 2003, para expressar a íntima relação entre Eucaristia e Igreja. Com efeito, a Eucaristia é o maior e mais excelso bem da Igreja, fonte e ápice da vida cristã e eclesial (cf. LG, n. 11), sacramento da unidade (cf. EE, n. 23), vínculo da caridade (cf. At 2,42-47). Toda a vida sacramental da Igreja se une à Eucaristia e a ela se ordena, porque neste augusto mistério se encontra o próprio Cristo, nossa Páscoa. É na Eucaristia e pela Eucaristia que o Senhor se dá a nós como alimento para a vida eterna (cf. Jo 6,44-51). Santo Afonso a define como “fornalha de amor”, uma vez que neste sacramento admirável experimentamos o amor de Deus que a todos quer alcançar.

Como reforça o Magistério sempre vivo da Igreja, a Eucaristia é memorial da morte e da ressurreição do Senhor. Usualmente, a palavra memorial (do grego anámnesis) exprime o ato de recordar-se de algo que já passou. Contudo, do ponto de vista litúrgico e teológico, fazer memória não é meramente girar em torno de um pregresso e que está cada vez mais distante, mas é trazer o evento memorado para bem perto de quem o celebra, atualizando-o e reconhecendo que a ação de Deus permanece no presente. Dizer, portanto, que a Eucaristia é memorial da morte e da ressurreição do Senhor significa que ela se torna presente e atualiza o evento pascal de Cristo morto e ressuscitado. O Espírito Santo, que, durante séculos, ficou no olvido, presentifica e atualiza o memorial Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023 • 39


“com Cristo. A celebração eucarística é, e sempre eucarístico. É por isso que, em toda celebração eucaserá, comunitária, porque a Eucaristia faz-nos desrística, unida à anamnese está a epiclese. Aquela que cobrir que Cristo morto e ressuscitado se manifesta recorda o evento salvífico ocorrido no passado, que como nosso contemporâneo no mistério da Igreja, sempre incluiu esta, ou seja, a invocação do Espírito seu Corpo. Assim, a celebração eucarística deverá Santo, para que atualize, no aqui e agora da celebraser compreendida como celebração da Igreja – Cação, a salvação trazida por Jesus Cristo. beça e membros. Na verdade, quando participamos A Sacrosanctum Concilium, primeiro documento da celebração eucarística, a cruz e a ressurreição de votado e aprovado pelos Padres conciliares, trouxe Jesus estão presentes. o termo Mistério pascal para o centro da liturgia Destarte, a celebração eucarística é o momento cristã. Realmente, o Mistério pascal nos conduz ao no qual, por meio do memorial e da invocação do coração da História da Salvação e, por esse motivo, Espírito Santo, recorda-se e presentifica o Mistério constituiu o objeto principal da celebração eucaríspascal, centro da liturgia cristã. Os fiéis batizados, tica, posto que este Mistério envolve toda a vida de em virtude de sua participação ativa, plena, consCristo, assim como a vida de todos os fiéis que o ciente e frutuosa na ação sagrada, experimentam, celebram com fé. Assim, a Igreja, fiel ao mandato de concreta e profundamente, o Mistério central da fé Jesus na Última Ceia – “Fazei isto em memória de cristã, saboreando, assim, o “fruto da nossa Redenmim” (1Cor 11,24) –, celebra, com súplicas e preces, ção” (SC, n. 2). É, realmente, lapidar o ensinamena Eucaristia, memorial da morte pascal do Senhor. O to do Papa São João Paulo II: “A Eucaristia edifica a Mistério Pascal é, portanto, o núcleo de toda ação Igreja e a Igreja faz a Eucaristia” (EE, n. 26). Somos litúrgica da Igreja. Todo o agir cristão consiste em chamados, pois, a renovar nossa fé em tão sublime realizar na vida o Mistério pascal que se celebra nos mistério e a fazermos de nossa vida missionária uma sacramentos. Desse modo, a celebração litúrgica, de vida mais eucarística. modo especial a Eucaristia, sintetiza a vida cotidiana do cristão, tornando-a extensão de toda a vida de Fr. Pablo Vinícius Reis Moreira, C.Ss.R. Cristo; de sua morte e ressurreição. O Mistério pascal encontra sua força quando vivido e celebrado de modo dinâmico e participativo. O envolvimento dos fiéis em torno do Mistério, que é o próprio Cristo, fundamenta a actuosa participatio (participação ativa) desejada pelo Concílio Vaticano II. O alcance da consciência em torno do Mistério celebrado se revela na ecclesia; local, por excelência, “Ecclesia de Eucharistia” foi escrita pelo Papa João Paulo II, em 2003 do encontro pessoal 40 • Informativo da Província • Abril a Novembro de 2023

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