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Uma inovação que amplia categorias e conquista consumidores. Nossa polpa 100% carne de salmão é ideal para hambúrguer, croquetes, pastéis, nuggets e muito mais — com todo o sabor e qualidade do salmão da Aqua.
EDITORIAL
UM SETOR EM MOVIMENTO
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m anuário é, por definição, um exercício de olhar para trás. Reunir números, organizar acontecimentos, comparar desempenhos e tentar compreender o que mudou entre um período e outro. Mas, em um setor que se transforma na velocidade do pescado brasileiro, olhar pelo retrovisor só faz sentido se isso nos ajudar a enxergar melhor a estrada à frente. E é com esse espírito que apresentamos a você o 12º Anuário Seafood Brasil!
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Mais uma vez, convidamos algumas das principais autoridades e lideranças dos diferentes elos da cadeia produtiva para, cada qual em seu Artigo (a partir da pág. 08), dividir conosco suas leituras sobre o momento atual. São produtores, representantes da indústria, do varejo, do food service, do comércio exterior, de entidades e instituições que observam o pescado a partir de pontos distintos e, justamente por isso, complementares.
acompanham este Anuário desde suas primeiras edições: transformar dados dispersos em informação útil para quem toma decisões. Sendo assim, reunimos em nossas Estatísticas (a partir da pág. 44) as principais fontes disponíveis para construir o retrato mais fiel possível dos movimentos do setor na produção, no comércio exterior e na comercialização de pescado. Em um mercado ainda marcado por lacunas de informação, cruzar fontes, acompanhar séries históricas e identificar tendências continua sendo parte fundamental do nosso trabalho. Neste ano, porém, há um ingrediente adicional. Esta edição terá circulação especial durante a Seafood Show Latin America, que chega a mais uma edição consolidando São Paulo como ponto de encontro da cadeia latino-americana de pescado. Por isso, preparamos também um Caderno Especial sobre a feira (a partir da pág. 87), antecipando algumas das inúmeras novidades que os visitantes encontrarão nos corredores, estandes, arenas e encontros programados para os três dias de evento.
Aqui, não buscamos uma visão única. É na soma das diferentes perspectivas, interesses e experiências que procuramos reproduzir os desafios e as oportunidades de uma cadeia tão diversa quanto o próprio Brasil. Aquicultura e pesca, produção nacional e importação, indústria e traders, supermercados, peixarias e restaurantes fazem parte de um mesmo mercado. De fato, eles nem sempre enfrentam os mesmos problemas ou defendem as mesmas soluções, mas dependem cada vez mais uns dos outros para crescer. Ricardo Torres Também mantivemos uma das missões que
Editor-chefe da Seafood Brasil
O encontro entre pessoas, empresas, ideias e oportunidades talvez seja a melhor maneira de descobrir para onde podemos ir, não é mesmo? Boa leitura e nos encontramos na Seafood Show Latin America!
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SUMÁRIO
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Artigos
Estatísticas 44 _
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Especial Seafood Show
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Editor-chefe: Ricardo Torres Editor-executivo: Léo Martins Impressão Printi SEAFOOD BRASIL 65 • ANUÁRIO 2026 • 1
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Lista de anunciantes 106 _
Crédito da foto de capa: IA/Criação Seafood Brasil
Repórter: Fabi Fonseca Designer: Emerson Freire Customer Service: Bruna Sena
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A Seafood Brasil é uma publicação da Seafood Brasil Editora Ltda. ME CNPJ 18.554.556/0001-95
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CONJUNTURA
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Balanços e estratégias para o setor
COMO A AMPLIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS FORTALECEU A PESCA E AQUICULTURA EM 2026
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Por Édipo Araújo*
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Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) ampliou, em 2026, as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor no Brasil. As ações realizadas ao longo do ano fortaleceram a pesca artesanal, impulsionaram a produção aquícola, ampliaram o acesso das comunidades pesqueiras a políticas sociais e avançaram no ordenamento, no monitoramento e na abertura de novos mercados para o pescado brasileiro.
Entre os principais resultados está a consolidação de políticas de longo prazo para a pesca artesanal, com iniciativas voltadas à geração de renda, educação, saúde, cultura, sustentabilidade e proteção dos territórios pesqueiros. Pesca artesanal ganha políticas de longo prazo Um dos principais marcos de 2026 foi a publicação do Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA), elaborado de forma
participativa para orientar as políticas públicas do setor pelos próximos 10 anos. Como um importante avanço para o setor, o plano reúne diretrizes para o desenvolvimento sustentável da atividade, a valorização de pescadoras e pescadores, a segurança alimentar, a conservação dos recursos pesqueiros e o fortalecimento das comunidades tradicionais. Na educação e na ciência, o MPA lançou o Programa Jovem
A saúde das comunidades também entrou no centro das ações. Em parceria com o Ministério da Saúde, nosso Ministério ampliou a estratégia de atenção primária por meio do programa Mais Saúde para as Mulheres e Famílias das Águas. A iniciativa conta com investimento inicial de R$ 500 milhões e ampliou o número de municípios elegíveis para novas equipes de Saúde da Família Ribeirinha. Em 2026, foram registradas aproximadamente 5.800 solicitações de novas equipes. A valorização da cultura e o fortalecimento econômico também avançaram. O Edital Culturas Pesqueiras, realizado em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), selecionou 114 projetos voltados à preservação e à promoção dos saberes e expressões culturais das comunidades pesqueiras. PNDSA propõe novas diretrizes para ajudar a desenvolver a aquicultura nacional
Territórios e produção ganham apoio O MPA também avançou na Política Nacional de Extensão Pesqueira Artesanal (PNEPA) e no Programa Saberes das Águas, que apoia projetos de pesquisa, extensão universitária e assistência técnica para comunidades tradicionais pesqueiras. Dos mais de R$ 6 milhões previstos no programa, quase todos os recursos já foram descentralizados. No âmbito territorial, em parceria com o Incra, 48 Projetos de Assentamento Agroextrativista Pesqueiro (PAEPs) foram criados em 14 Estados de quatro macrorregiões do País. A medida contribui para o reconhecimento e a proteção dos territórios ocupados tradicionalmente pelas
comunidades pesqueiras, beneficiando 26 mil famílias. Outra frente foi a valorização do pescado artesanal. A Portaria Interministerial MPA/MAPA nº 54/2026 atualizou regras para comprovação de origem e rastreabilidade do pescado. Também avançou o Selo Pesca Artesanal do Brasil – Identificação de Origem, que teve 25 selos monitorados no período, envolvendo seis organizações de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. PRONAF Azul amplia acesso ao crédito para pescadores e aquicultores O MPA trabalha ainda na estruturação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAF Azul – Pescador e Aquicultor, estratégia para ampliar e facilitar o acesso ao crédito por pescadores artesanais e aquicultores familiares. Neste sentido, na safra 2025/2026, as atividades de pesca e aquicultura somaram 48 mil operações, com mais de R$ 822 milhões contratados.
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Neste contexto, também avançou a implantação da Escola Povos da Pesca Artesanal, inicialmente em Goiana (PE), com investimento, também, de mais de R$ 2 milhões. O projeto integra educação, saberes tradicionais, pesquisa, extensão e inclusão digital, com foco no desenvolvimento dos territórios pesqueiros.
Já o Edital de Fortalecimento Produtivo dos Territórios Pesqueiros Artesanais, desenvolvido em parceria com o Ministério das Mulheres, destinou R$ 7 milhões a projetos com ênfase na autonomia econômica das mulheres pescadoras. Ao todo, 27 organizações da sociedade civil foram selecionadas.
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Cientista da Pesca Artesanal, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as Fundações de Amparo à Pesquisa, com investimento de mais de R$ 2,5 milhões na segunda fase, em 2026. A iniciativa concedeu 1.033 bolsas de Iniciação Científica Júnior para estudantes de 14 estados de todas as regiões do Brasil, buscando aproximar esses estudantes de comunidades pesqueiras da produção científica. Do total de estudantes contemplados, na primeira fase, 333 bolsistas concluíram seus projetos até meados de 2026 e, na segunda fase, 700 bolsas foram concedidas em maio de 2026.
CONJUNTURA De forma geral, a iniciativa busca organizar o financiamento destinado ao setor e adequar as condições de crédito aos diferentes ciclos produtivos. O PRONAF Azul reúne três linhas: Pronaf B, Pronaf Custeio e Pronaf Mais Alimentos, voltadas, respectivamente, ao microcrédito, às despesas do ciclo produtivo e aos investimentos de maior duração, como tanques, barcos, redes e equipamentos. Sendo assim, a proposta é ampliar o número de produtores com acesso ao crédito, estimular investimentos, fortalecer a produção de alimentos aquáticos e dar mais previsibilidade ao setor. Aquicultura avança com planejamento e inovação Na aquicultura, o Ministério concentrou esforços em planejamento, assistência técnica, capacitação, pesquisa, inovação e regularização do uso das águas da União. A publicação do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura (PNDSA) estabeleceu novas diretrizes para o desenvolvimento do setor e orienta as ações
do Programa Nacional de Desenvolvimento da Aquicultura (ProAqui). Também foram desenvolvidas ações de assistência técnica e gerencial por meio do Projeto Aquicultura Brasil, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), além de iniciativas com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) voltadas à capacitação, ao empreendedorismo, à inovação e à transferência de tecnologia. Por fim, na regularização do uso das Águas da União, foram celebrados 91 novos contratos de cessão em 2026, enquanto outros 1.145 processos permanecem em tramitação. Do total de contratos vigentes, mais de 100 foram fiscalizados. Ordenamento e monitoramento são fortalecidos O ordenamento pesqueiro também avançou ao longo do ano, com a atualização de medidas de gestão para pescarias como tainha, lagosta, camarão marinho e coleta embarcada de ovas de peixe-voador. Paralelamente, o MPA investiu na modernização dos sistemas de registro e monitoramento e na ampliação da transparência das informações. Entre as entregas estão o Boletim da Reconstrução da Pesca Marinha 1950–2022 e o desenvolvimento de novas ferramentas para a qualificação e a divulgação das estatísticas pesqueiras.
No primeiro semestre de 2026, exportações brasileiras de pescado alcançaram US$ 200 milhões FOB
Já o PesqBrasil Monitoramento entrou em operação inicialmente para a pescaria da tainha, com previsão de expansão para outras modalidades. Também foi entregue o Painel de Cumprimento da Pesca e Aquicultura, ferramenta destinada ao acompanhamento de instrumentos de monitoramento e controle.
O Certificado de Acreditação de Origem Legal (Caol) passou a ter prazo médio de emissão de 15 dias, enquanto processos considerados complexos passaram a ser concluídos, em média, em 1,5 dia. Também avançaram as negociações para a ampliação do acesso do pescado brasileiro aos mercados da União Europeia e do Reino Unido - no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de pescado alcançaram US$ 200 milhões Free On Board (FOB), aproximando o setor da meta anual de US$ 389 milhões FOB.
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Pescado brasileiro conquista espaço no mercado internacional Na frente comercial, nosso Ministério atuou para ampliar a competitividade do pescado brasileiro e facilitar o acesso a mercados internacionais.
Por fim, o Ministério também atuou para reduzir os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, por meio de medidas previstas no Plano Brasil Soberano, com ações para a absorção e o redirecionamento da produção que anteriormente tinha o mercado norte-americano como destino.
As entregas de 2026 reforçam uma estratégia integrada para o setor, que combina desenvolvimento produtivo, inclusão social, sustentabilidade, ciência, inovação e valorização das comunidades pesqueiras.
A história de quem trabalha com a pesca e com a aquicultura é marcada por lutas e resiliência. Nesse sentido, quem ajuda a colocar o alimento na mesa de milhões de brasileiros tem geralmente as águas como única fonte de sustento. São homens e mulheres que têm isso como missão de vida! O MPA trabalha fortemente para dar celeridade às entregas, para que as políticas públicas cheguem aos nossos pescadores e aquicultores – afinal, o setor não pode ficar invisível. Sendo assim, o ano de 2027 nos reserva desafios e oportunidades para o desenvolvimento dos setores pesqueiro e aquícola.
*Ministro da Pesca e Aquicultura
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O MPA também ampliou a articulação com o Ministério do Turismo para fortalecer o turismo de pesca e avançou na estruturação do Selo Nacional da Aquariofilia.
O conjunto de ações cria bases para ampliar a produção e a renda, fortalecer os territórios e aumentar a participação do pescado brasileiro nos mercados nacional e internacional.
Ascom/MPA
Pesca amadora e turismo também avançam A pesca amadora e esportiva também registrou avanços na execução das metas previstas no Plano Nacional para o Desenvolvimento Sustentável da Pesca Amadora e Esportiva (PNPAE). Cerca de 90% das metas de curto prazo estabelecidas para o período de 2024 a 2026 foram executadas.
PRODUÇÃO E PROCESSAMENTO
As tendências e desafios da aquicultura, pesca e indústria
OS CAMINHOS DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE PESCADO PARA SE PREPARAR PARA 2027 Por Jairo Gund*
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s anos de 2025 e 2026 submeteram a indústria brasileira de pescado a um teste de resistência. Barreiras comerciais, instabilidade regulatória, crédito caro e pressão das importações atingiram empresas de margens estreitas. Ao mesmo tempo, o período demonstrou que representação institucional, inteligência comercial e articulação
internacional produzem resultados concretos. Sendo assim, o saldo obtido oferece uma base realista para 2027: de fato, o Brasil tem produto, indústria e mercado, mas que agora, precisa transformar essas vantagens em previsibilidade. O caso dos Estados Unidos é o exemplo mais claro. Diante do tarifaço e da investigação da Seção 301, a Associação Brasileira das Indústrias
de Pescados (Abipesca) atuou em coordenação com o National Fisheries Institute (NFI) com uma estratégia que combinou dados técnicos, diálogo e presença política. Já em setembro de 2025, participamos presencialmente, em Washington (EUA), da audiência pública conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Lá, defendemos que taxar o pescado brasileiro elevaria custos, afetaria empregos nos dois países e reduziria a oferta de uma proteína saudável. A decisão anunciada em julho de 2026 confirmou a relevância desse trabalho. Os principais itens da pauta brasileira de pescado - entre eles produtos de atum, pargo, lagosta e filé de tilápia resfriado - ficaram fora da nova tarifa adicional de 25%. Foi uma vitória coletiva da Abipesca, do NFI, dos nossos exportadores e de nossos parceiros comerciais americanos.
Vitórias no exterior e a defesa da produção nacional Na Europa, 2026 também marcou uma inflexão. Depois de quase nove anos de mercado fechado para a aquicultura brasileira, foi possível reabrir o diálogo técnico e receber, em junho, uma missão de auditoria das autoridades europeias. Entre 08 e 19 de junho, a missão avaliou controles oficiais, rastreabilidade e condições sanitárias – no entanto, é bom lembrar que a retomada depende dos desdobramentos formais da auditoria. Porém, nossa expectativa é recuperar esse mercado ainda em 2026 ou, se o calendário técnico não permitir, ao longo de 2027. Voltar à União Europeia significa diversificar mercados, reduzir riscos e validar o sistema sanitário brasileiro. A pesca extrativa ainda ganhou outra avenida estratégica com o protocolo sanitário firmado entre Brasil e China. O novo modelo abriu o mercado chinês a todas as espécies da pesca extrativa abrangidas pelo protocolo, superando a lógica anterior de habilitação espécie por espécie, mudança essa que amplia o portfólio, reduz burocracia e agiliza
respostas à demanda. Com nossa biodiversidade, limitar o comércio a listas estreitas desperdiçava oportunidades. Por isso mesmo, o acordo transforma variedade em ativo econômico e pode distribuir melhor os benefícios das exportações ao longo da costa. Abrir mercados, porém, não basta: é necessário ocupá-los. Por isso, a promoção comercial permaneceu como pilar do projeto Brazilian Seafood, parceria entre Abipesca e ApexBrasil, com apoio institucional do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). As missões empresariais e as três grandes vitrines – Seafood Expo North America, em Boston; Seafood Expo Global, em Barcelona; e China Fisheries and Seafood Expo, em Qingdao - aproximam indústrias de compradores e reforçam o Brasil como fornecedor confiável. Neste sentido, cada feira integra uma estratégia contínua de acesso e conversão de contatos em contratos. No entanto, enquanto buscamos espaço no exterior, precisamos evitar a erosão desordenada do mercado doméstico – e aqui, a tilapicultura
acendeu o alerta mais visível. Em 2026, o Brasil chegou a importar mais tilápia do que exportou em determinados recortes do ano, num momento em que o setor nacional enfrentava barreiras no principal destino externo. A dependência de um único mercado externo deixa produtores e frigoríficos vulneráveis, enquanto as importações pressionam preços, investimentos e empregos. A proposta apresentada pela Abipesca de uma cota anual de 5% em referência à produção doméstica para a importação de filés de tilápia oferece uma contenção equilibrada. Não se trata de fechar o mercado nem de criar conflito diplomático – afinal, cotas são usadas por China, Canadá, Estados Unidos e União Europeia para administrar fluxos sensíveis. Para o governo, seria uma saída honrosa após o desgaste com a cadeia: preservaria relações bilaterais e daria previsibilidade à produção nacional. Todo esse panorama mostra o quanto comércio justo exige reciprocidade, controle sanitário equivalente e condições mínimas de competição.
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Inovação e automação: mesmo diante de cenários desafiadores, a indústria de pescado investe em tecnologia para elevar a competitividade para 2027
PRODUÇÃO E PROCESSAMENTO
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Paralelamente, as eleições presidenciais de 2026 abrem a possibilidade de novos rumos e de oxigenação da gestão pesqueira. Não sabemos se o MPA permanecerá como Ministério ou voltará ao status de secretaria — definição que caberá ao governo que iniciar o mandato em 2027, seja ele novo ou reeleito. Para o setor, entretanto, uma mudança é absolutamente imprescindível: encerrar o atual modelo de gestão compartilhada com o MMA. O País necessita de uma autoridade pesqueira capaz de ordenar recursos com base científica, dialogar e decidir. Afinal, sem comando claro não há segurança jurídica e, sem segurança jurídica, não há investimento de longo prazo. A essa fragilidade se somam os juros elevados e o acesso insuficiente a crédito em condições compatíveis com os ciclos produtivos e industriais — aqui, é importante ressaltar que modernização, automação, eficiência e rastreabilidade exigem capital paciente. Porém, mesmo diante das incertezas, a indústria não pode interromper seu
desenvolvimento tecnológico, pois paralisar a inovação significaria perder produtividade, mercados e competitividade. Por isso, a resposta deve combinar crédito viável, segurança regulatória, pesquisa aplicada e cooperação contínua entre indústria, universidades e fornecedores de tecnologia. Sendo assim, chegamos a 2027 com riscos, mas munidos de ativos raros: diversidade, escala aquícola, uma extensa costa, indústria habilitada e demanda crescente por proteínas saudáveis. O setor brasileiro de pescado segue resiliente e já adota medidas para atravessar a crise momentânea, diversificar destinos e elevar sua competitividade. Neste sentido, a Abipesca continuará combativa, técnica e presente onde as decisões são tomadas, defendendo o setor produtivo e, sobretudo, as indústrias brasileiras de pescado. O próximo ciclo será construído com organização, diálogo e firmeza diante do imenso potencial que o Brasil pode realizar.
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Ambiente interno: segurança jurídica e crédito para o novo ciclo O ambiente interno continua sendo o ponto mais delicado. Na pesca extrativa, por exemplo, a insegurança jurídica cresce quando a fiscalização ambiental adota interpretações que conflitam com orientações do próprio MPA. Com isso, as empresas ficam emparedadas entre comandos divergentes e sujeitas a autuações, apreensões e paralisações. Nesse cenário, a gestão compartilhada entre o MPA e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), longe de produzir equilíbrio, multiplicou instâncias, alongou decisões e travou o ambiente regulatório. De fato, cabe destacar que sustentabilidade e produção não são frentes opostas, mas exigem competências, prazos e responsabilidade decisória claros.
*Diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca)
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DA PRODUTIVIDADE À EXPANSÃO: O PRÓXIMO CICLO DA PISCICULTURA BRASILEIRA Por Francisco Medeiros*
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De fato, a cadeia chega a esse momento muito mais preparada, justamente por ter construído uma base produtiva eficiente, tecnificada e profissionalizada — resultado de investimentos em genética, manejo, controle sanitário e tecnologia que elevaram a produtividade e deram maior previsibilidade aos sistemas de produção. Nesse cenário, a tilapicultura desponta como o principal exemplo dessa transformação:
a atividade, que representa cerca de 70% da piscicultura nacional, registrou um crescimento médio de 10% ao ano nos últimos 12 anos. Esse avanço consistente foi fruto do esforço conjunto de produtores, indústrias, fornecedores e demais elos da cadeia, que apostaram na profissionalização do setor e ajudaram a ampliar a presença do pescado na alimentação dos brasileiros. Sim, o Brasil avançou significativamente em eficiência produtiva, reunindo elevados índices de rendimento tanto
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epois de uma década marcada por ganhos de produtividade, escala e profissionalização, a piscicultura brasileira entra em uma nova fase. Ou seja, o próximo passo já não depende apenas de produzir mais ou melhor, mas de transformar essa eficiência em expansão de mercado, maior valor agregado e presença internacional.
Existem práticas relacionadas ao uso de água, aditivos e formação de peso que são autorizadas no exterior, mas vedadas pelas regras brasileiras. Logo, quando esses fatores entram na composição do preço final, a comparação entre os produtos deixa de ocorrer em condições equivalentes. O caminho, portanto, não passa necessariamente por restringir o comércio, mas por garantir uma concorrência leal e equilibrada — pautada por parâmetros claros e isonômicos —, preservando ao mesmo tempo os rigorosos padrões de segurança e qualidade exigidos no Brasil.
Inclusão do pequeno produtor e segurança jurídica No mercado interno, a regulação sanitária e ambiental também exige atenção. Embora novas exigências sejam importantes para aprimorar controles e garantir a sustentabilidade, elas precisam considerar a realidade econômica de quem produz. Como mais de 90% da produção de peixes no País está nas mãos de pequenos produtores — que foram fundamentais para a expansão da atividade —, uma agenda regulatória proporcional é essencial para profissionalizar o setor sem criar barreiras proibitivas à permanência desses produtores no campo. Da mesma forma, o setor acompanha com atenção as discussões sobre o enquadramento da tilápia e de outras espécies de interesse econômico como “espécies invasoras”. A pauta ambiental é legítima e precisa ser tratada com responsabilidade, mas decisões com potencial de afetar uma cadeia produtiva inteira devem considerar também seus profundos impactos econômicos e sociais. O que pode impulsionar o próximo ciclo? Apesar dos desafios, a perspectiva para 2027 é altamente positiva, pois os fundamentos da atividade permanecem sólidos: a cadeia continua investindo, o consumo interno apresenta margem para expansão e a tilapicultura mantém uma trajetória consistente de crescimento. O setor já dispõe de uma base produtiva forte e madura. Por isso, o que se busca agora, é um ambiente de negócios
favorável para converter essa eficiência em mercado. Em suma, segurança jurídica, regras proporcionais, concorrência equilibrada e políticas públicas alinhadas à realidade do campo serão determinantes para que produtores de todos os portes participem desse novo momento. Sendo assim, para o ano que vem, a expectativa é de continuidade do crescimento, com mais eficiência, maior valor agregado e novas oportunidades comerciais. A piscicultura brasileira já avançou de forma significativa em produtividade e profissionalização. Agora, o próximo passo é fazer com que essa maturidade se traduza em valor agregado, competitividade e expansão de mercado.
*Presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR)
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Isonomia regulatória e concorrência leal Contudo, a diferença de preços entre o produto nacional e o importado não pode ser analisada isoladamente sob a ótica do custo de produção. Estudos da Embrapa Pesca e Aquicultura apontam que os custos de produção da tilápia, em dólar, são muito semelhantes entre produtores vietnamitas e brasileiros em regiões polos, como o Oeste do Paraná e Santa Catarina. Esse dado evidencia que a competitividade final depende, sobretudo, das condições de processamento, dos mecanismos de apoio governamental em cada país e dos procedimentos industriais permitidos.
Tilapicultura mantém trajetória crescente para consolidar otimismo para a cadeia de pescado em 2027
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É sob essa ótica que precisam ser analisados os desafios recentes enfrentados pelo setor. A entrada de filés de tilápia do Vietnã no mercado brasileiro, por exemplo, trouxe uma nova dimensão para o debate sobre competitividade.
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em viveiros escavados quanto em sistemas de tanque-rede. Com essa base consolidada e uma cadeia cada vez mais estruturada, o grande desafio passa a ser a conversão dessa capacidade produtiva em novas oportunidades comerciais — o que exige ampliar o consumo interno, agregar valor aos produtos, fortalecer a industrialização e diversificar os mercados de exportação.
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SEM ESCOLHER UM LADO: É HORA DE UNIÃO A FAVOR DO CONSUMIDOR!
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Por Marcel da Luz Simões*
Brasil tem condições excepcionais para ampliar a produção, o processamento e o consumo de pescado, mas não conseguirá realizar esse potencial colocando produção nacional, indústria e importação em lados opostos — afinal, todos são partes complementares da mesma cadeia. Essa é a tese da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes) para 2025/2026 e o horizonte de 2027. A associação reúne, desde 2016, indústrias, importadores, exportadores, distribuidores, tradings e varejistas. Por essa razão, não defendemos uma origem contra outra, mas sim o o abastecimento do consumidor brasileiro com qualidade, inocuidade e regularidade.
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A Abrapes não acredita que o desenvolvimento do pescado no País dependa da escolha entre produzir ou importar. O Brasil precisa produzir e
processar melhor, comercializar com eficiência, importar de forma responsável aquilo que complementa sua oferta e, sobretudo, criar condições para que o brasileiro consuma mais pescado. Produção em alta e o desafio do consumo A produção nacional está crescendo. Em 2025, a piscicultura brasileira ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, segundo o Anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). O marco merece ser celebrado, assim como os investimentos em aquicultura, tecnologia, genética e processamento. Todo esse avanço amplia escala, empregos e o sortimento doméstico, mas não encerra o desafio do abastecimento. Em 2024, a disponibilidade aparente de pescado no Brasil ficou em 2,6 milhões de toneladas, ou 12,22 kg por habitante. O dado mostra que o consumo segue baixo diante das demais proteínas animais, mas evidencia que há espaço de mercado. O que falta é integração da cadeia para ocupar esse espaço com previsibilidade. Importação e complementaridade no prato A importação entra como opção para os consumidores brasileiros, não como substituta da produção. Salmão, bacalhau, A junção da produção nacional, indústria e importação garante a regularidade do abastecimento de pescado no País
polaca, pangasius, merluza e outras espécies ajudam a manter variedade, disponibilidade durante o ano inteiro, escala para o varejo e o food service, além do hábito de consumo. No acumulado de janeiro a julho de 2026, por exemplo, o Chile respondeu por 42,2% do volume importado e o Vietnã por 25,3%, com salmões e trutas concentrando em valores 56,7% das compras. Já na exportação, os Estados Unidos absorveram 29,4% do volume e 40,5% do faturamento. Ou seja, produzir mais no Brasil e importar o que o mercado demanda são movimentos que se reforçam quando a regra do jogo é estável. Essa complementaridade também está presente no que o consumidor já encara como produto do dia a dia. Grande parte da sardinha enlatada e do atum ralado usa matériaprima importada — ainda que o enlatamento ocorra, na imensa maioria dos casos, em plantas no Brasil. Até a alga nori que envolve o sushi chega importada. Por isso, num mercado de mais de 200 milhões de habitantes, com consumo ainda baixo, qualquer acréscimo de oferta representa muito — ou seja, restringir essa proteína de excelente qualidade é restringir o próprio hábito. De fato, a variedade de espécies, preços, texturas e sabores faz do pescado uma opção para todos os brasileiros. Logo, se alguém diz que não gosta de peixe, é sinal de que ainda não experimentou todos.
De fato, o pescado opera com estoque refrigerado, prazo de recebimento e capital intensivo e por isso, ele precisa de regras claras, tempo de adaptação e isonomia entre origens e elos da cadeia. Integração, previsibilidade e desenvolvimento de mercado compõem a mesma agenda. Sem os dois primeiros, o terceiro não acontece: o brasileiro não passa a comer mais pescado. Com isso, é importante pensar que 12 kg por habitante não são o teto, mas sim o ponto de partida. Para a Abrapes, 2027 não é ano de escolher lado. É ano de juntar produção, indústria e comércio em favor da mesa do brasileiro.
*Presidente da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes)
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Deste modo, o setor entra em 2027 em plena transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), diante do desafio de adaptação ao chamado split payment (ou pagamento dividido). Neste contexto, a CBS substitui PIS e Cofins a partir de janeiro, com o split payment separando o tributo no momento da liquidação financeira. Dependendo da
forma e do cronograma de sua implementação, o mecanismo poderá produzir impactos relevantes sobre o fluxo de caixa, o capital de giro e a própria dinâmica financeira das empresas, tornando a transição tributária um dos principais desafios do setor nos próximos anos.
Divulgação/Abrapes
Segurança jurídica e o nó tributário O terceiro pilar é a segurança jurídica e a previsibilidade. Em 2026, o setor conviveu com mudanças tributárias abruptas, diferenças de tratamento entre Estados, alterações regulatórias e sanitárias e decisões que impactam investimentos já realizados. E aqui, quando a regra muda no meio do caminho, fragmenta-se o mercado e penaliza-se quem já estruturou planta, estoque e contrato. Incerteza administrativa vira custo — e custo vira preço no balcão.
OS DESAFIOS QUE TRAVAM A PESCA NACIONAL DE NAVEGAR RUMO AO SOL EM 2027
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Por Joaquim Felipe Anacleto*
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biênio 2025/2026 deixou um legado ambíguo para a pesca industrial brasileira. De um lado, avançamos na reconstrução de um ambiente de diálogo que havia sido perdido; de outro, seguimos reféns de um modelo de gestão que insiste em nos fazer dar um passo à frente e dois para trás. Entender essa contradição, bem como o que ela custa ao setor em investimento e planejamento, é essencial para pensar os próximos anos da atividade.
Diálogo, ciência e o fortalecimento dos CPGs A reativação dos Comitês Permanentes de Gestão (CPGs) — fóruns que reúnem governo, setor produtivo e comunidade científica para discutir, com base técnica, o manejo dos principais recursos pesqueiros do País — foi crucial. Ainda assim, muitas discussões patinam quando as crenças ideológicas se sobrepõem à ciência. Fortalecer esses fóruns não é um detalhe burocrático, mas o reconhecimento de que a pesca só se sustenta quando as
decisões nascem de um processo transparente, participativo e amparado em dados científicos. Neste contexto, o Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) acompanhou de perto essa retomada e defende que os CPGs sejam mantidos e fortalecidos, com um calendário regular de reuniões e respeito à ciência e aos debates já consolidados. Na mesma direção, os programas de pesquisa e monitoramento voltaram a ganhar
Marcos Porto/Flirck Prefeitura Municipal de Itajaí
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Arquivo Sindipi
PRODUÇÃO E PROCESSAMENTO
Pesquisa a bordo e dados técnicos: a presença de cientistas e monitoramento em alto-mar fornecem a base científica essencial para a gestão responsável do pescado no País
Gestão compartilhada: o gargalo que trava a indústria Sem diminuir o valor do que foi conquistado, é preciso nomear um problema que trava a gestão pesqueira no País: a gestão compartilhada. Enquanto a pesca continuar sob o comando de múltiplos órgãos, com competências sobrepostas e posições muitas vezes conflitantes entre si, seguiremos repetindo o mesmo ciclo. Afinal, um avanço técnico é construído, celebrado e logo neutralizado por alguma
decisão administrativa que ignora o que foi debatido e acordado nos fóruns de gestão. Isso desgasta a credibilidade das instituições, desestimula o investimento de longo prazo e corrói a confiança do setor produtivo no próprio processo de participação que ajudamos a reconstruir.
previsibilidade plurianual e, sobretudo, o fim da gestão compartilhada. De fato, a pesca industrial brasileira já provou que sabe sentar à mesa, ouvir a ciência e construir consensos. Agora, falta ao Estado dar o mesmo passo, com a mesma constância.
A pesca industrial é um dos setores mais relevantes da produção de alimentos no Brasil, gerador de empregos, divisas e proteína de altíssima qualidade, além de importante fornecedor para mercados internacionais cada vez mais exigentes quanto à origem, rastreabilidade e sustentabilidade do pescado. Não é razoável que um setor dessa envergadura — e com esse potencial de crescimento — continue sujeito a decisões tomadas em meio a disputas entre os órgãos responsáveis. Defendemos uma governança pesqueira integrada, que preserve o espaço técnico dos CPGs e da pesquisa, mas que tenha também unidade de comando, para que o setor não pague, na prática, o preço da desarticulação institucional. Para 2027, nossa expectativa é objetiva: que o diálogo entre governo, setor produtivo e academia seja consolidado, que os investimentos em pesquisa cresçam e ganhem
Divulgação/Sindipi
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 22
algum espaço na agenda nacional. Em Santa Catarina, a pesca industrial tem acolhido cientistas a bordo e feito todos os esforços para fomentar a pesquisa, pois sabemos que o embarque de observadores, a coleta de dados de desembarque, a avaliação de estoques e os projetos acadêmicos sobre espécies de interesse comercial constituem o alicerce de qualquer política pesqueira responsável. Sem dados robustos e atualizados, a gestão vira refém de suposições, pressões conjunturais e interpretações apressadas de indicadores isolados. Por isso insistimos: o financiamento a esses programas precisa ser tratado como política de Estado, com previsibilidade orçamentária, e não como iniciativa pontual que aparece e desaparece conforme o humor do momento.
*Presidente do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 23
PRODUÇÃO E PROCESSAMENTO
OÁSIS SALOBRO: A REVOLUÇÃO DO CAMARÃO NO SEMIÁRIDO PARA ESCREVER O 2027 Por Itamar Rocha*
O
Na verdade, o grande diferencial da carcinicultura brasileira, cuja exploração e produção contam com 99,8% de participação da Região Nordeste, a despeito de o País dispor de amplas condições em todos os seus Estados e regiões, está diretamente relacionado à sua expansão. Além das tradicionais fazendas estabelecidas em regiões estuarinas desde a década de 1980, o grande salto ocorreu a partir do início dos anos 2000, quando o camarão-marinho (P. vannamei), originário do Pacífico, passou a ser produzido em áreas do interior com disponibilidade de águas oligohalinas (salinidade baixa) e mesohalinas (salinidade média).
ABCC
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 24
s censos da carcinicultura brasileira referentes à produção de camarão do ano de 2025 — realizados nos Estados de Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará e Piauí pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) em 2026 — trazem informações fidedignas, coletadas diretamente nas fontes e com georreferenciamento das unidades produtoras. Esses dados revelam uma realidade altamente promissora, destacando que a superação dos desafios exige intervenções de fácil execução. Afinal, trata-se de uma atividade primária que utiliza águas “impróprias para o consumo humano”, opera sem ciclos de produção definidos e que, mesmo sem apoio governamental, já contribui decisivamente para estabelecer uma nova ordem econômica no desafiador semiárido da Região Nordeste.
A interiorização e o avanço dos pequenos produtores Como resultado dessa interiorização, a exploração com o P. vannamei ganhou um novo ritmo, saltando de pouco mais de 100 micro e pequenos empreendimentos em 2011 (ao longo dos rios Paraíba e no Vale do Jaguaribe, no Ceará) para mais de 3.000 empreendimentos. Esse avanço abrangeu o Rio Mamanguape (PB), Coruripe (AL) e, de forma especial, os vastos mananciais do aquífero Jandaíra — que se estende da
3 principais Estados produtores
região do Mato Grande (RN) até Russas (CE). Nessas localidades, as águas apresentam baixa salinidade ou alta alcalinidade e dureza, ambiente no qual o P. vannamei encontrou condições propícias para se desenvolver, alcançando níveis de produtividade superiores aos registrados em águas estuarinas do Brasil e do exterior.
Principais Estados produtores
MARANHÃO
CEARÁ
RIO GRANDE DO NORTE
PARAÍBA
PIAUÍ
PERNAMBUCO ALAGOAS
Nesse sentido, o novo censo da carcinicultura paraibana, realizado pela Associação dos Carcinicultores da Paraíba (ACPB) em 2025, já destaca dois importantes polos produtores: o Polo Costeiro (com 9 municípios e 142 fazendas) e o Polo do Interior (com 33 municípios e 262 fazendas), somando uma produção de 19.730,85 toneladas de camarão. Cabe ressaltar que a expressiva maioria dos carcinicultores locais (93,1%) é formada por micro (85,4%) e pequenos (7,7%) empreendimentos com 0,1 a 10 hectares, enquanto médios produtores (11 a 50 ha) representam 5,9% e grandes empreendimentos (acima de 51 ha) somam apenas 1,0%.
SERGIPE
BAHIA
120.000
180.000
240.000
225.000
PROJEÇÃO
77.000
65.000
76.000
60.000
85.000
85.000
75.000
75.000
69.571
0
0
0
0
0
218
314
82
0
0
0
514
77
277
612
0
108
-100% 108
65.000 1.601
70.000 9.397
65.000 15,215
65.000 30.098
30.098 41.947
21.274 21.274
75.904 52.118
25.388 9.962
16.054 2.250
3%
.51
99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 20 19 20 20 20 21 20 22 20 23 20 24 20 25 20 26 20 27
14
-33,47%
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 25
Fonte: ABCC, 2026
19
19
98
0
7.254 400
50.000
65.253 21.274
,3%
05
2.4
40.000 21.274
100.000
90.000
5% 27
150.000
112.000
200.000
150.000
EXPORTAÇÃO
250.000
210.000
PRODUÇÃO
PROJEÇÃO
300.000
250.000
BRASIL: EVOLUÇÃO (1998-2003), DECLÍNIO DA PRODUÇÃO E DAS EXPORTAÇÕES (2003-2016), RECUPERAÇÃO DA PRODUÇÃO (2017-2024) E PROJEÇÃO (2025-2027)
PRODUÇÃO E PROCESSAMENTO Da mesma forma, o censo da carcinicultura de Sergipe revelou um crescimento expressivo, saltando de 224 empreendimentos em 2011 para 1.300 em 2025. Essa exploração já contribui de maneira significativa para a geração e distribuição de renda no meio rural dos municípios impactados, estabelecendo uma nova ordem econômica no litoral. Além disso, o potencial de águas mesohalinas de Sergipe, que até então era inexplorado, é de tal ordem que sua exploração racional pode transformar a socioeconomia primária de suas regiões interioranas. As oportunidades estão postas e os produtores rurais de Sergipe, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte estão motivados. As leis de interiorização da carcinicultura potiguar e paraibana vão disciplinar e dar segurança jurídica aos investidores, pois contemplam incentivos específicos: empreendimentos de até 15 hectares de lâmina d’água de viveiros de produção de camarão ficam isentos de qualquer taxa estadual. Por essa razão, a
ABCC incluirá esses pontos nos Planos de Desenvolvimento da Carcinicultura que serão apresentados ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), ao novo Presidente do Brasil e aos novos governadores da Região Nordeste. Mercado global, o exemplo do Equador e o chamado ao País Em realidade, a carcinicultura marinha — setor no qual o País já se destacou em produtividade (alcançando 6.083 kg/ha em 2003) — é uma atividade cujo produto, o camarão P. vannamei, terá sempre demandas nacionais e internacionais reprimidas. Já no âmbito interno, o consumo per capita de camarão no País cresceu de 0,2 kg em 2003 para 1,5 kg em 2025, com perspectiva de atingir 3,0 kg per capita até 2030. No cenário internacional, os destaques ficam com a China, maior produtora (2,56 milhões de toneladas) e maior importadora (901.563 t / US$ 4,794 bilhões), seguida por Estados Unidos (795.641 t / US$ 7,03 bilhões) e União Europeia (455.776 t / US$
3,359 bilhões) — o segundo e o terceiro maiores importadores mundiais, que serão compradores permanentes. Nesse contexto, se os novos governadores das regiões Nordeste e Norte, juntamente com as representações da sociedade organizada e os agentes financeiros oficiais, dispensarem a atenção requerida em infraestrutura básica, licenciamento ambiental e disponibilização de financiamentos (seja para investimentos ou custeio operacional), as perspectivas serão altamente promissoras. Afinal, a radiografia do Censo da Carcinicultura Brasileira de 2025, em fase de conclusão, já evidencia um crescimento setorial contínuo. Além disso, os Planos de Desenvolvimento da Carcinicultura de Sergipe, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte apontam caminhos para atrair investidores e viabilizar a exploração plena e racional de seus vastos recursos hídricos com a produção de P. vannamei.
ABCC
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 26
A expansão da carcinicultura no semiárido fortalece milhares de micro e pequenos produtores, estabelecendo uma nova ordem econômica no Nordeste
Portanto, o desafio do Brasil passa pelo despertar das prefeituras, dos governos estaduais, do Governo Federal e dos agentes financeiros oficiais sobre a crucial importância da carcinicultura para o fortalecimento do meio rural nordestino. É preciso ter
O camarão-marinho produzido já é a “estrela da gastronomia mundial de frutos do mar” — e o Equador já se tornou o seu maior exportador mundial. Acorda, Brasil!
*Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 27
Para efeito de comparação, o Equador, com seu território de 256,3 mil km², produzia e exportava menos camarão do que o Brasil em 2002 e 2003. Contudo, chegou a 2025 com uma produção de 1.521.817 toneladas e exportações de 1.398.000 toneladas, movimentando US$ 8,4 bilhões.
presente que o camarãomarinho já ocupou o 2º lugar na pauta de exportações do setor primário do Nordeste e o 1º lugar (53%) das exportações de pescado do País em 2003. Naquele mesmo período, ocupou a 1ª posição nas importações de camarão pequeno e médio dos Estados Unidos (2003) e a 1ª posição nas importações de camarão tropical da União Europeia em 2004 (com destaque para a França, onde deteve 28% de participação). Contudo, o setor perdeu competitividade a tal ponto que se retirou do mercado internacional. Divulgação/ABCC
Trata-se de uma atividade que não depende das chuvas, gera micro e pequenos negócios e proporciona vida com dignidade — sendo a única alternativa real para fixar o homem no campo e conter o êxodo rural.
COMÉRCIO E CONSUMO
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A visão de quem exporta, compra ou comercializa
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 28
O PESCADO EM UMA CESTA MAIS SELETIVA Por Marcio Milan*
O
consumo de pescado no varejo alimentar chega a 2027 em um ambiente diferente do observado poucos anos atrás. Afinal, o consumidor continua atento ao preço, mas combina essa preocupação com conveniência, qualidade nutricional, tamanho das porções e adequação dos produtos à rotina.
Para o supermercado, essa mudança amplia as possibilidades da categoria e exige mais precisão no sortimento, no abastecimento e na leitura das diferentes ocasiões de consumo. Estudos divulgados pelo administrativo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) ajudam a acompanhar essa
transformação. Em 2024, quando o levantamento da NielsenIQ ainda utilizava painel domiciliar, atum e sardinha enlatados apareciam sob pressão — no atum, a penetração nos lares caiu de 20,5% para 14,9%, enquanto a frequência anual de compra passou de 2,5 para 2,1; na sardinha, a penetração recuou de 41,8% para 38,2% e a frequência, de 2,7 para 2,4.
Perfis de consumo, canais e concentração de marcas A leitura por perfil de consumo acrescenta outras dimensões a essa análise. Na cesta de alimentos analisada, o peixe enlatado apresentou incidência de 4,8% e média de 2,5 itens por compra. Entre os formatos de loja, o atacarejo registrou a maior incidência, com 9,2% e média de 2,8 itens, enquanto nos supermercados com cinco ou mais checkouts a incidência foi de 2,9% e, nos de um a quatro checkouts, de 1,7%. No recorte socioeconômico adotado pelo estudo, a incidência
Paralelamente, observa-se ainda uma forte concentração entre as principais marcas: com base nas vendas de 2025, as cinco líderes responderam por 97,4% das vendas de atum e bonito e por 89,9% das de sardinha enlatada no universo pesquisado pela NielsenIQ. Essa dinâmica, combinada às transformações nas ocasiões de consumo, impõe ao varejo o desafio de adequar o sortimento, as apresentações e os níveis de conveniência aos diferentes perfis de consumidores. A força da peixaria e a agenda estratégica para 2027 A peixaria, por sua vez, continua exercendo um papel relevante na estrutura das lojas. Entre as empresas do Ranking ABRAS 2026 que informaram a composição do faturamento por seção, cerca de três em cada quatro operam peixaria — e, considerando essa base de respondentes, a seção representou aproximadamente 0,9% do faturamento total dessas empresas. Além disso, entre as empresas do Ranking que trabalham com produtos importados, cerca de uma em cada cinco indicou a peixaria entre as categorias importadas. De fato, a procura por proteínas ganhou relevância em meio a mudanças no perfil das famílias, nas rotinas e nas escolhas alimentares. Esses movimentos aparecem associados a carrinhos mais seletivos, porções menores e maior atenção à composição das refeições. Ou seja, trata-se de uma transformação mais ampla na alimentação que favorece proteínas
capazes de entregar qualidade, conveniência e valor nutricional em porções reduzidas — e, neste sentido, o pescado reúne todos os atributos para disputar esse espaço. Para 2027, esse cenário abre uma agenda varejista concreta: ampliar a oferta de porções menores, filés e cortes prontos, embalagens adequadas a refeições individuais, congelados de maior conveniência e pratos preparados; trabalhar maior diversidade de espécies e diferentes faixas de preço; e assegurar a regularidade de abastecimento. Nesse processo, a produção nacional e as importações podem atuar de forma complementar na composição do sortimento e na disponibilidade de produtos ao longo do ano. Em última análise, o desafio para o varejo será transformar esses movimentos em maior frequência de compra, aproximando o pescado dos mais diferentes perfis, rotinas e ocasiões de consumo.
*Vice-presidente de Relações Institucionais e Administrativo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 29
Já no levantamento divulgado em 2026, o crescimento em volume vendido ganhou força. Atum e bonito movimentaram R$ 902,4 milhões, com alta de 15,3% no faturamento, 7,8% nas unidades vendidas e 6,9% no preço médio. Por sua vez, a sardinha enlatada chegou a aproximadamente R$ 1,25 bilhão, registrando expansão de 20,2% no faturamento, 8,9% nas unidades e 10,4% no preço médio. Chama a atenção o fato de a variação em unidades ter ganhado ritmo entre as duas edições — no atum e bonito, o avanço passou de 2,1% no levantamento de 2025 para 7,8% no de 2026, enquanto na sardinha a aceleração foi de 5,8% para 8,9%.
do peixe enlatado foi de 3,6% nas classes A/B, 4,7% na classe C e de 6,9% nas classes D/E. Regionalmente, Norte e Nordeste registraram as maiores incidências, atingindo 6,7% e 5,7%, respectivamente. Entre os segmentos analisados dentro da categoria, a sardinha em conserva apresentou incidência de 67% e o atum em conserva, de 38,6%, o que evidencia a relevância de ambos no consumo de pescado enlatado.
Divulgação/Abras
A partir de 2025, contudo, a metodologia mudou e passou a considerar dados de vendas captados diretamente no varejo, razão pela qual não é adequado formar uma série direta com o ano anterior. Na edição de 2025, com dados do ano móvel até abril daquele ano, atum e bonito movimentaram R$ 764,2 milhões, com crescimento de 12% no faturamento, resultado esse impulsionado principalmente pela alta de 9,7% no preço médio, enquanto as unidades avançaram 2,1%. Na sardinha enlatada, que alcançou R$ 1,026 bilhão, a composição foi diferente: o faturamento cresceu 9%, com avanço de 5,8% nas unidades e de 3,1% no preço médio.
COMÉRCIO E CONSUMO Por Paulo Solmucci*
O
COM A MESA CHEIA: A CONTA DE BARES E RESTAURANTES PARA 2027
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 30
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s bares e restaurantes do Brasil caminham para faturar R$ 540 bilhões em 2026, consolidando uma trajetória ascendente após registrar R$ 495 bilhões em 2025 e R$ 455 bilhões em 2024. O Índice Abrasel-Stone de agosto ratificou esse aquecimento ao apontar uma alta de 7,4% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano anterior — a 11ª elevação consecutiva na comparação anual. O movimento avançou em 23 dos 24 Estados acompanhados, liderado pela Região Nordeste. E aqui, é importante dizer que os dados do IBGE reforçam a pujança do segmento: em julho, o consumo de alimentação fora do lar cresceu 5,4%, superando com folga o avanço de 0,9% registrado pelo conjunto do setor de serviços. Por trás desses números expressivos pulsa uma força social determinante. Afinal o setor reúne mais de 1,5 milhão de estabelecimentos, movido por cerca de 2 milhões de empreendedores — o que o posiciona como um dos maiores polos de empreendedorismo do País — e emprega cerca de 5 milhões de trabalhadores, respondendo por quase 8% dos empregos do Brasil. Presente em cada município brasileiro, o segmento atua como a principal porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho e gera um efeito multiplicador imediato na economia local: quando um restaurante abre as portas, a padaria, o hortifrúti e a distribuidora de bebidas da vizinhança vendem mais. Para milhões de famílias, nosso setor representa o próprio sustento, visto que mais da metade dos empreendedores atua como Microempreendedor Individual (MEI). Soma-se a isso o protagonismo feminino, já que as mulheres ocupam uma proporção maior no comando dessas casas do que na indústria ou no comércio tradicional. O salão cheio e o desafio da rentabilidade no setor Contudo, a movimentação nos salões esconde uma realidade financeira extremamente apertada.
Inovação, eficiência no delivery e as demandas ao poder público Foi justamente para municiar o empresário contra essas adversidades que a Abrasel realizou o 1º Salão Abrasel, nos dias 15 e 16 de setembro, na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. O evento reuniu mais de 7 mil visitantes e cerca de 200 marcas expositoras, aproximando diretamente os decisores de compra dos fornecedores — inclusive concorrentes entre si —
em um ambiente aberto voltado a democratizar a inovação para os pequenos estabelecimentos. Durante os debates, foram identificados os gargalos operacionais por onde a receita escapa. Uma pesquisa realizada pela 99Food em parceria com a Abrasel, junto a 1.710 gestores, revelou que os aplicativos já respondem por 58% das vendas de delivery. Apesar disso, 78% das casas mantêm a mesma linha de produção para o atendimento presencial e para as entregas, e um terço opera no limite da capacidade nos horários de pico, falha essa decisiva, pois atrasos e pratos frios levam o cliente a migrar de estabelecimento com um simples toque na tela.
necessita de crédito acessível, tributação justa para os pequenos negócios e segurança jurídica nas regras trabalhistas para contratações nos períodos de maior movimento. Sendo assim, os bares e restaurantes provaram, em 2026, que sabem crescer. Já em 2027, eles precisam de condições para transformar todo esse crescimento conquistado neste ano em lucro e em novos empregos.
No espaço Cozinha 4.0 do evento, conseguimos demonstrar aos visitantes que a automação e o controle de estoque em tempo real já são perfeitamente acessíveis à rotina de pequenos restaurantes. Nos palcos, lideranças discutiram estratégias para reter talentos em um mercado de trabalho concorrido, além dos impactos do uso de canetas emagrecedoras, que começam a alterar o perfil de consumo de parcela da clientela. A lição do Salão é que eficiência virou questão de sobrevivência. Ou seja, quem conhece seus números e usa dados para decidir, chega mais forte a um ano de crescimento mais lento. E para isso, a Abrasel vai continuar levando esse conhecimento a cada associado. Ao poder público, resta cumprir o seu papel. Um segmento que emprega 5 milhões de pessoas e impulsiona a inclusão profissional
*Presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 31
No ambiente externo, disputas comerciais e conflitos geopolíticos pressionam o câmbio e elevam as cotações de alimentos e combustíveis, com impacto direto no custo de produção da gastronomia. No mais, após o pleito de outubro, o governo terá de promover ajustes nas contas públicas — e o formato desse ajuste definirá se o pequeno negócio terá fôlego para prosperar ou se arcará sozinho com a conta. Diante disso, quem adiar o planejamento estratégico para a virada do ano chegará atrasado.
Bares e restaurantes buscam equilibrar a satisfação do público com a rentabilidade do negócio
Caio Veloso
Diante disso o cenário para 2027 traz mais incertezas do que convicções, com a economia dando sinais de desaceleração, enquanto o crédito encarecido pesa no bolso tanto de quem consome quanto de quem investe. Somando isso, o consumo das famílias, motor do desempenho recente, ainda tende a perder fôlego.
Imagem gerada com IA
Em julho, apenas 42% dos bares e restaurantes operaram com lucro, segundo a pesquisa de conjuntura da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) — um recuo frente aos 47% registrados em dezembro de 2025. Paralelamente, um em cada cinco estabelecimentos (20%) encerrou o mês no prejuízo. Neste cenário, despesas com aluguel, folha de pagamento, insumos, energia elétrica e tarifas de aplicativos de entrega sobem em ritmo superior à capacidade de repasse dos preços ao cardápio sem afugentar o consumidor. Com isso, grande parte das empresas trabalha com o caixa no limite e sem reservas para imprevistos, enfrentando a dura rotina de vender mais e ganhar menos.
COMÉRCIO E CONSUMO
COMO A ARGENTINA CONSOLIDOU US$ 2,09 BILHÕES EM EXPORTAÇÃO GLOBAL DE PESCADO?
I
Por Juan Antonio Lopez Cazorla*
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 32
mpulsionada pelo forte crescimento da lula e por uma maior diversificação de mercados, a indústria pesqueira argentina gerou, em 2025, mais de US$ 2,091 bilhões — reafirmando seu papel estratégico na atração de divisas e no desenvolvimento produtivo. Ao todo, a atividade gerou US$ 2,091 bilhões em divisas (alta de 8,5% em relação ao ano anterior), com um volume exportado de 561.676 toneladas (crescimento interanual de 6,2%). Trata-se do segundo melhor registro histórico do setor, superado apenas pelo resultado de 2018, quando o volume comercializado atingiu US$ 2,149 bilhões. O grande motor desse avanço foi o crescimento das vendas externas de lula, cujas exportações saltaram 32,5% em volume e 47,7% em faturamento frente a 2024, alcançando US$ 550 milhões e 193.385 toneladas. Somaram-se a isso os incrementos no embarque de merluza-hubbsi — com altas de 2,3% em valor e 1,3% em volume, totalizando US$ 326 milhões e 127.422 toneladas —, além dos destaques para a merluza-negra (US$ 65 milhões), a corvina (US$ 53 milhões) e a centolha (US$ 27 milhões). Esse desempenho permitiu reverter a tendência de queda que vinha sendo apresentada pelo camarão-argentino, produto que, ainda assim, se manteve como o principal item da pauta exportadora pesqueira ao movimentar US$ 867 milhões e 119.775 toneladas.
Em termos de destinos globais, China (US$ 486 milhões), Espanha (US$ 373 milhões) e Estados Unidos (US$ 158 milhões) lideraram o ranking, concentrando juntos 48,6% do faturamento total. Em 2025, a China ultrapassou a Espanha como principal comprador do pescado argentino, impulsionada pelo forte apetite por lula, enquanto o mercado espanhol reduziu as aquisições do camarão do país vizinho. O Brasil, por sua vez, ocupou o 8º lugar na pauta de exportações pesqueiras da Argentina, representando 4% do valor total embarcado ao somar US$ 83,5 milhões — dos quais US$ 66,3 milhões corresponderam aos filés de merluza-hubbsi, equivalente a quase 80% desse montante direcionado ao País. Na dinâmica de preços, o camarão-argentino, em suas diversas apresentações, alcançou valor médio de US$ 7.240 por tonelada em 2025 (alta de 12,8% em relação a 2024). A lula registrou preço médio de US$ 2.846 por tonelada (avanço de 11,5%), enquanto a merluza-hubbsi teve cotação média de US$ 2.556 por tonelada (aumento de 1%). Com isso, a indústria extrativa da Argentina se consolidou como geradora vital de divisas em 2025, expandindo faturamento e volume. Balanço dos primeiros sete meses de 2026 O perfil da indústria pesqueira argentina se mantém estritamente exportador. Durante a primeira metade de 2026, a Argentina
embarcou 334.665 toneladas de produtos de pescado, movimentando US$ 1,173 bilhão. Neste sentido, as principais espécies na liderança foram a lula, com US$ 466,8 milhões (39,7% do valor total), o camarão-argentino, com US$ 430,3 milhões (36,7%), e a merluza-hubbsi, com US$ 166,8 milhões (14,2%). Nos primeiros meses do ano, mais de 136.000 toneladas foram destinadas à China, acompanhada pela Espanha, com pouco mais de 40.600 toneladas — mercado duplo que representou mais de US$ 624 milhões. Nesse período, o Brasil figurou na quinta posição ao lado da Itália, somando US$ 43,5 milhões em vendas. Até o final de julho de 2026, foram exportadas para o País mais de 12.000 toneladas de pescado. Gestão sustentável e rastreabilidade integral Esses resultados expressivos são viabilizados por um modelo de gestão ancorado no Regime Federal de Pesca (Lei 24.922), que estabelece o uso racional dos recursos sob critérios ecossistêmicos, em conformidade com as diretrizes do Código de Conduta para a Pesca Responsável da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Nessa estrutura, a Subsecretaria de Recursos Aquáticos e Pesca (SSRAyP) atua como autoridade de aplicação, enquanto o Conselho Federal Pesqueiro (CFP) planeja
são publicados semanalmente, detalhando volume, local e época de captura, ferramenta essa crucial para o acompanhamento contínuo dos estoques.
A administração de cada pescaria respeita suas especificidades operacionais: para os peixes de escama e fundo (como merluza-hubbsi e merluzanegra), se adota o sistema de Cotas Individuais Transferíveis de Captura (CITC), combinado a amplas zonas de defeso e controle de esforço de pesca. Para a lula e o camarãoargentino, o manejo se fundamenta na abertura e no fechamento de áreas em função dos rendimentos e dos tamanhos dos espécimes, com rigoroso monitoramento no caso do camarão para não ultrapassar os limites de bycatch. Em matéria de transparência, os relatórios estatísticos nacionais
Além disso, o controle e a fiscalização da frota operam por monitoramento de frota por satélite (VMS) e vigilância permanente na Zona Econômica Exclusiva pelo Sistema Guardacostas da Prefeitura Naval Argentina. Essa estrutura é integrada ao Sistema Nacional de Certificação de Capturas e Exportações, que emite o Certificado de Captura Legal Digital para cada lote exportado. Trata-se de uma rastreabilidade completa que combate a Pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada (INDNR) e assegura o acesso da indústria argentina aos mercados de alta exigência, como a União Europeia e os Estados Unidos — requisito chave para sustentar e expandir as vendas globais em 2027.
Divulgação
a política pesqueira nacional. O CFP reúne representantes da União e das províncias litorâneas, fundamentando suas decisões em análises e recomendações científicas do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Pesqueiro (Inidep).
* Subsecretário da Subsecretaria de Recursos Aquáticos e Pesca da Argentina (SSRAyP)
BACALHAU TEM NOME:
BACALA MARE
É nesse universo que a Rebela, uma das maiores importadoras de bacalhau do Brasil, construiu sua experiência e conhecimento. Essa trajetória também está presente na Bacala Mare, marca que representa sua atuação industrial. Com registro SIF e estrutura especializada, a Bacala Mare foi pioneira no corte de bacalhau no Brasil, desenvolvendo diferentes apresentações, como lombos, filés, postas e desfiados, que unem qualidade, praticidade e versatilidade.
Rebela e Bacala Mare. Tradição, experiência e inovação a serviço da qualidade.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 33
Presente nas mesas brasileiras e em momentos de celebração, o bacalhau atravessa gerações e reúne tradição, sabor e memória afetiva. Para chegar à mesa com qualidade, porém, o cuidado começa muito antes do preparo: na escolha da matéria-prima, na cura, na conservação e em todo o processo de produção.
COMÉRCIO E CONSUMO
O SALMÃO CHILENO E A REFORMA TRIBUTÁRIA Por Melanie Whatmore*
P
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 34
ara a indústria salmonicultora chilena, o Brasil não é simplesmente mais um destino de exportação: ele é um mercado construído com quatro décadas de trabalho contínuo, relações comerciais de longo prazo e uma presença de marca que poucos setores conseguiram sustentar com a mesma consistência no exterior. Desse modo, compreender a dimensão do que o País representa — e o que a reforma tributária em curso coloca sobre a mesa — é o objetivo das páginas que escrevi para este Anuário.
Quatro décadas e um mercado de primeira linha Atualmente, o Brasil figura como o terceiro destino mundial das exportações de salmão chileno, posicionado atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. Em 2025, as exportações superaram 122.000 toneladas, atingindo um valor próximo a US$ 853 milhões — o que consolida um crescimento de 25% no volume nos últimos cinco anos. A produção de 2025 confirmou essa tendência positiva, registrando safras acima das projeções iniciais e garantindo um fluxo de abastecimento altamente estável para o mercado brasileiro. De fato, o dado que melhor ilustra a posição do Chile no País é expressivo: 99,7% do salmão consumido no Brasil provém do Chile. Trata-se de uma participação de mercado que não decorre de uma vantagem tarifária pontual nem de um acordo comercial específico, mas sim de décadas
de construção de confiança com importadores, distribuidores, operadores do HoReCa (acrônimo que significa hotel, restaurante e café) e redes de varejo. Nesse contexto, desde 2011 a marca setorial Salmón de Chile — criada pela ProChile em conjunto com a indústria salmonicultora — opera com presença direta no mercado nacional. São 14 anos de investimento contínuo em posicionamento, desenvolvimento de mercado e trabalho conjunto com a cadeia de valor local, figurando como um dos programas de marca setorial mais longevos operados pela salmonicultura chilena no mundo. Um ecossistema de alto valor e perfil nutricional O que diferencia o mercado brasileiro de outros destinos globais não é apenas o volume, mas a profundidade e a complexidade do ecossistema comercial estruturado em torno da proteína. Afinal, o País abriga hoje mais de 16.700 restaurantes de culinária japonesa, que movimentam receitas anuais superiores a R$ 12,8 bilhões e geram mais de 150.000 empregos diretos. Na prática, o canal HoReCa absorve cerca de 70% de todo o salmão chileno importado pelo País. Ao mesmo tempo, o varejo consolidou o salmão fresco nas gôndolas dos principais supermercados, expandindo sua penetração nos lares de renda média e abrindo perspectivas promissoras de crescimento adicional para o setor supermercadista.
Para os agentes que operam nessa cadeia, essa dinâmica se traduz em um ativo valioso de longo prazo que combina demanda estrutural crescente, consumidores que já incorporaram o produto à rotina e um fluxo de suprimento vindo do Chile que provou ser altamente confiável e competitivo. Além da eficiência logística, o posicionamento nutricional funcionou como um dos pilares centrais para a expansão do consumo. Neste sentido, o salmão destaca-se como a fonte mais acessível de ômega-3 de cadeia longa (EPA e DHA) no mercado nacional, sustentado por evidências científicas que associam seu consumo regular à redução de 25% a 36% no risco de doenças cardiovasculares. Trata-se de um atributo que respalda os investimentos da distribuição no fomento à demanda, demonstrando que o potencial do produto no Brasil está longe de ser esgotado. O impacto e os riscos da reforma tributária Esse cenário de expansão sustentada se encontra condicionado por uma variável crítica de política fiscal que afeta diretamente todos os elos da cadeia: a reforma tributária brasileira. A implementação dos novos tributos como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirão o modelo atual, poderá resultar em uma alíquota efetiva de aproximadamente 26,5% sobre o salmão, caso a proteína não seja incluída na cesta básica nacional.
Por essas razões, o Instituto Salmón de Chile vem apresentando às autoridades brasileiras defesas técnicas e econômicas
As condições de produção para 2026 e 2027 mantêm-se altamente favoráveis, com safras projetadas na indústria chilena para suprir com folga as necessidades do Brasil. A variável crítica, portanto, não reside na oferta, mas na definição da política fiscal. Ou seja, as decisões tomadas nos próximos meses indicarão se o crescimento recente foi o prelúdio de uma curva de expansão duradoura — ou o teto de um mercado comprimido por uma tributação que desconsidera o valor estratégico e nutricional da proteína no País.
*Diretora Executiva do Instituto Salmón de Chile
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 35
Na prática, para os importadores e distribuidores locais, esse quadro representa a contração da demanda no canal responsável pela maior fatia das vendas. Já para o varejo, isso se traduz em menor giro de um item proteico de alto valor agregado. Em suma, para toda a cadeia — do produtor no Chile ao restaurante no Brasil —, o imposto elevado significa frear uma trajetória de expansão que se desenhava com clareza nos últimos 5 anos.
fundamentadas. A inclusão do salmão na cesta básica justifica-se tanto por seus benefícios à saúde pública quanto pela preservação dos empregos e dos investimentos no País. Afinal, o que está em jogo não é apenas o fluxo de exportações entre as duas nações, mas a própria estabilidade de um ecossistema que importadores, distribuidores e comerciantes locais ajudaram a erguer ao longo de quatro décadas.
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Como este cenário estabelecido, as projeções do Instituto Salmón de Chile apontam para um impacto severo: encarecimento de 15% a 25% no preço ao consumidor final, retração estimada de 13% a 20% no volume demandado pelo HoReCa e um risco direto sobre 8.000 a 25.000 postos de trabalho na gastronomia japonesa.
COMÉRCIO E CONSUMO
QUASE 200 ANOS DE RELAÇÃO: OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DO BACALHAU NORUEGUÊS NO BRASIL Por Randi Bolstad*
relação entre a Noruega e o Brasil construída em torno do pescado tem quase dois séculos de história. Em 1842, o primeiro navio norueguês chegou ao País trazendo uma carga de pescado salgado e seco. Desde então, essa tradição se incorporou à gastronomia brasileira e o Brasil se consolidou como um dos principais mercados globais para os produtos convencionais noruegueses.
Imagem gerada com IA
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 36
Essa trajetória explica a força do bacalhau da Noruega entre os consumidores locais. Contudo, o momento atual do mercado nos convida a olhar para o futuro. Afinal, a demanda pelo produto permanece aquecida enquanto a disponibilidade da matéria-prima se mostra mais restrita — combinação que exige atenção de toda a cadeia e abre espaço para novas estratégias, espécies e oportunidades. No cenário internacional, os números mais recentes ajudam a dimensionar o ritmo do setor: em agosto, a Noruega exportou R$ 8,41 bilhões em pescado para o mundo, registrando um salto de R$ 1 bilhão (ou 14%) frente ao mesmo mês do ano anterior. Esse resultado foi impulsionado principalmente pela expansão no volume de salmão comercializado a preços elevados e pela valorização de espécies como bacalhau, cavala, arenque e Saithe. O crescimento do valor das exportações, no entanto, ocorre em um mercado marcado por limitações na oferta de matériasprimas. Restrições de cotas e menor volume de capturas pressionam
os preços para cima. No Brasil, o acompanhamento do Conselho Norueguês da Pesca reflete esse movimento: o preço do bacalhau saltou de R$ 104 em 2022 para R$ 207 no levantamento recente, enquanto o Saithe passou de R$ 50 para R$ 86. Trata-se de um retrato claro do mercado, mostrando que mesmo diante de um volume menor disponível, a demanda sustentada mantém as cotações em patamares elevados. Diversificação, ações no food service e o mercado de salmão Diante de uma oferta restrita e de preços elevados em 2026, ampliar o conhecimento do mercado sobre o portfólio norueguês torna-se estratégico. Além do tradicional bacalhau da Noruega (Gadus morhua), a oferta de outros peixes salgados e secos, como Saithe, Zarbo e Ling, surge como alternativa de valor para ampliar as opções de consumidores e profissionais do setor. Essa estratégia esteve presente nas campanhas realizadas em torno da Copa do Mundo de Futebol e do Dia dos Pais, estreladas pelo jogador norueguês Erling Haaland como embaixador. A ação combinou conteúdo digital, criadores de conteúdo, mídia, relações públicas e ativações nos pontos de venda para aproximar a origem norueguesa do público. Outra frente decisiva reside no food service: ao longo do segundo semestre, o Conselho intensifica a interlocução com bares, restaurantes e chefs por meio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes
É nesse contexto que realizaremos, pelo terceiro ano
Sendo assim, o futuro do pescado norueguês no País passa, portanto, por reconhecer a força de uma tradição consolidada sem deixar de responder às transformações do mercado. Em um cenário em que a demanda continua sendo um importante motor e a disponibilidade de determinadas espécies impõe desafios, diversificar o portfólio, ampliar o conhecimento sobre diferentes produtos, fortalecer relações comerciais e aproximar produtores, importadores, varejo, food service e consumidores são os caminhos para construir os próximos capítulos dessa relação
*Diretora Brasil do Conselho Norueguês da Pesca no Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 37
Paralelamente, o Conselho trabalha para aprofundar o conhecimento sobre o mercado brasileiro de salmão norueguês e criar conexões diretas entre os mercados da Noruega e do Brasil. O projeto abrange a identificação de stakeholders, análises de mercado e oportunidades de cooperação entre diferentes elos da cadeia, estruturando uma base orientada por dados para futuras iniciativas com o produto fresco. Em agosto, a Noruega exportou 153.602 toneladas de salmão R$ 6,46 bilhões para o mundo, registrando alta de 19% em valor e 7% em volume frente a 2025 — o maior valor mensal já registrado na história das exportações norueguesas de salmão.
consecutivo, o seminário “O Futuro do Bacalhau”, no dia 20 de outubro, em São Paulo, em conjunto com a Seafood Show Latin America. Sendo o Brasil um dos mercados globais mais relevantes para o pescado salgado e seco, o encontro reunirá diferentes atores da cadeia para debater as perspectivas para o bacalhau da Noruega e para o setor de maneira mais ampla.
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(Abrasel), do Salão Abrasel e de workshops em parceria com o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio) — apresentando a tradição do bacalhau da Noruega, rendimentos pós-dessalgue e possibilidades práticas de utilização nos cardápios.
AS ESTRATÉGIAS E MERCADO DO PESCADO DO ALASCA NA AMÉRICA LATINA EM 2027 Por Letícia Fernanda Baptiston*
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 38
E
m 2025, os Estados Unidos exportaram US$ 56 milhões em pescado para a América do Sul e México, sendo o salmão responsável por 79% do valor (US$ 44.866.280) e 68,7% do volume (3.822 t). Entre os mercados latino-americanos, México e Chile se destacaram na importação de pescado do Alasca. Juntos, somaram US$ 37 milhões, cerca de 64% do valor total importado pelos seis países analisados (US$ 56,7 milhões).
Neste contexto, o México foi o grande destaque, com US$ 24 milhões importados, o equivalente a 41% do total da região. Foi também o único mercado a crescer em valor e em volume ao mesmo tempo: +3% em valor e +9% em volume, chegando a cerca de 4 mil toneladas.
Já o Chile ficou em segundo lugar, com US$ 13 milhões, e manteve o valor em alta (+0,5%) mesmo com uma queda de 17% no volume — ou seja, o mercado chileno pagou mais por quilo, sinal de uma demanda por produtos de maior valor agregado. Isso mostra como o mercado latinoamericano percebe a qualidade desta matéria-prima de origem certificada, com congelamento a bordo, que garante o máximo frescor do pescado do Alasca aos seus parceiros comerciais. Por outro lado, em 2025, as importações brasileiras caíram 37% em valor e 55% em volume — respectivamente US$ 2,8 milhões e 536 toneladas. A retração refletiu um ambiente comercial mais cauteloso, influenciado pelas tensões tarifárias entre
Brasil e Estados Unidos, além da sazonalidade e da disponibilidade anual das espécies selvagens. Apesar da retração brasileira nas importações, a Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI), sob a gestão de Rodrigo Mascareñas, segue atuando com ações voltadas para o incremento de importação e comercialização das espécies selvagens do Alasca para o Brasil, assim como aos demais países da América Latina. Destaque para a polaca do Alasca Em 2025, o Brasil importou US$ 133 mil em polaca do Alasca, com o México importando US$ 38 mil (com crescimento de 436% em valor, somando 13 toneladas) e o Peru importando US$ 307 mil (420% a mais que em 2024, com 249 toneladas). Todo esse
ASMI/Divulgação
COMÉRCIO E CONSUMO
Surimi de polaca do Alasca No último ano, 383 toneladas, valoradas em mais de US$ 1 milhão, foram comercializadas para a
Polaca do Alasca ganha espaço no mercado brasileiro e latino-americano tanto em blocos congelados para o food service, quanto na produção de surimi para a gastronomia oriental
América Latina, crescimento esse que representou 43% em volume e 51% em valor. Em todo este cenário, o Brasil importou 288 toneladas, aproximadamente US$ 864 mil, um crescimento de 8% em volume e 11% em valor.
Esse volume expressivo mostra que a indústria nacional reconhece e vem incorporando essa matériaprima de alta qualidade na formulação de produtos inovadores comercializados no País a cada ano. Atualmente, o surimi de polaca
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 39
De fato, por ser uma matériaprima padronizada, sem aditivos no processamento e de rápido preparo (cozinhe congelado), o custo desta espécie é previsível e conta perdas mínimas no preparo, fatores esses que devem ser considerados pelos importadores no momento de agregar peixes ao portfólio. Em outras palavras, estamos falando de um peixe de alta qualidade, comercializado em blocos congelados de 7,5 kg, que possibilita o desenvolvimento de produtos versáteis, em diferentes porções para o varejo, o food service, com alto custo-benefício para o segmento de refeições coletivas.
ASMI/Divulgação
cenário reflete a qualidade, as oportunidades e a versatilidade que o bloco de polaca do Alasca oferece aos importadores.
COMÉRCIO E CONSUMO CATEGORIA DE PESCADO IMPORTADO
VALOR (US$)
VOLUME (T)
Salmões
44.866.280
3.822
Outros peixes brancos
5.721.890
861
Sablefish
3.188.463
128
Surimi de polaca do Alasca
1.174.799
383
Bacalhau do Pacífico
785.163
36
Polaca do Alasca
480.054
308
Ovas de salmão
408.673
7
FlatFish
100.411
6
Outras espécies
30.167
11
Total
56.755.900
5.562,9
Fonte: DataMyne
O que reforça este fato é que até o momento, entre os meses de janeiro e agosto de 2026, a
ASMI/Divulgação
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 40
Frota pesqueira do Alasca opera sob normas de manejo sustentável desde 1959, fornecendo pescado selvagem com alto padrão de frescor para o mercado global
América Latina importou 4 mil toneladas de pescado americano, somando mais de US$ 26 milhões. Isso reflete a disponibilidade dos estoques de pescado para importação pelo Alasca.
Perspectivas para 2027 É difícil prever o comportamento do mercado até 2027, mas os dados mostram que a polaca do Alasca e o surimi devem seguir em pauta, com incrementos na importação na América Latina. Para o salmão, como 2027 é um ano ímpar e historicamente associado a safras mais volumosas, pode favorecer bastante a recomposição da oferta após um 2026 mais restrito. Aqui, vale ressaltar ainda que a ASMI LatAm segue atuando com suporte aos importadores, indústria, varejo e food service, com ações para a promoção do pescado selvagem do Alasca, educando o consumidor e estimulando novos relacionamentos com players no mercado com objetivo de atrair novos importadores para o pescado que vem desse Estado americano.
Por outro lado, no que tange a oferta de salmão selvagem, estudos realizados pelo McKinley Research Group (MRG), mostrou que a safra de salmão de 2026 foi marcada por redução na oferta global, com quedas previstas de 15% para o sockeye, 17% para o pink e 26% para o keta, o que tende a sustentar os preços. Sendo assim, para 2027, a expectativa é de recuperação, impulsionada pelo ciclo natural do salmão pink, historicamente mais abundante nesses anos. Como costumo dizer, estamos falando de peixes selvagens e naturais, que possuem a sustentabilidade em sua constituição desde 1959. Ou seja, neste ano de 2026, há uma alta demanda pela importação do pescado selvagem do Alasca, por outro lado, estamos falando de peixes sazonais. Já no caso da polaca do Alasca comercializada em blocos congelados e para o surimi, já se observa um incremento no volume de importação comparado ao ano de
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do Alasca, é utilizado na produção de diversos produtos, posicionados ao setor de gastronomia japonesa, como kamaboko, naruto e tikuwá, além do kani kama, já conhecido pela indústria. De fato, este é um setor que está em expansão e que vem importando mais volumes anualmente, desenvolvendo assim novos produtos para o mercado nacional.
2025 — trata-se da espécie que possui a pesca mais abundante e sustentável do Alasca.
*Gestora do departamento Market Insights e AI na empresa River Global, que representa a Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI) na América Latina
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SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 42
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 43
ESTATÍSTICAS
PRODUÇÃO 1. PANORAMA 2026
O
setor de pescado no Brasil iniciou 2026 imerso em um cenário regulatório e geopolítico complexo, moldado ao longo de 2025. Um dos marcos mais expressivos foi a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), firmada em janeiro deste ano. Embora o tratado simbolize uma oportunidade histórica para a reabertura do mercado europeu às exportações brasileiras, o impacto prático sobre o setor permanece suspenso. A retomada efetiva depende da aprovação das autoridades sanitárias europeias, que realizaram uma auditoria in loco em junho de 2026, mas até o fechamento desta edição ainda não haviam divulgado uma resposta oficial.
Paralelamente, o desdobramento das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos adicionou mais uma camada de incerteza, impulsionando a necessidade de redirecionamento das exportações nacionais para mercados alternativos. No âmbito doméstico, o debate sobre as importações de tilápia do Vietnã centralizou as atenções nos campos político, fiscal e sanitário, tudo isso enquanto a piscicultura nacional alcançou marcas expressivas, conforme as fontes disponíveis.
pesca extrativa mantiveram um padrão de oscilação e relativa estabilidade, avançando de 785 mil toneladas para 910,4 mil toneladas, a produção aquícola nacional registrou uma expansão expressiva, saltando de 479,4 mil toneladas para a marca recorde de 1,251 milhão de toneladas. Por outro lado, a frente do comércio exterior, enquanto as importações mantiveram patamar acima das 600 mil toneladas (604,8 mil toneladas em 2025), as exportações atingiram o ápice da série histórica, somando 97,5 mil toneladas — movimento que reforça o papel da aquicultura como motor de tração da oferta doméstica e da inserção internacional do Brasil.
A evolução consolidada dos fluxos da cadeia de pescado brasileira entre 2010 e 2025 evidencia a virada estrutural liderada pela aquicultura. Enquanto as capturas da
PRODUÇÃO NACIONAL + COMEX - 2010 - 2025 (TON.) MPA, IBGE, PEIXEBR, ABCC E OUTROS* Fonte: Até 2013: boletim estatístico do MPA. Demais anos: levantamento do consultor Wilson Santos, feito especialmente para a Seafood Brasil Aquicultura
Pesca extrativa
Exportação
Importação
1.251.098
1.250.000
1.187.745 1.075.768 993.062
1.000.000
785.000
833.830 800.000
839.216 827.000
829.000
750.000
963.628
832.000
991.263 757.425 729.584 822.000
748.586 713.466 783.000
833.562 759.000 753.600
927.005 719.636 759.000 782.560
665.909 675.314 479.398
505.211
530.000
827.500 758.000
878.930 779.000
901.756
910.410
595.045
604.811
855.869 801.117 723.788
657.746
560.546
554.566
584.589
555.648
520.578
500.000
47.294
40.026
35.731
38.722
45.688
49.891
47.475
57.256
54.216
50.794
77.271
66.687
97.487
44.173
85.625
39.420 2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
Seafood Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 44
250.000
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 45
PRODUÇÃO 2. PRODUÇÃO DA AQUICULTURA BRASILEIRA O setor aquícola brasileiro encerrou 2025 consolidando uma trajetória de expansão consistente e crescente maturidade produtiva. Excepcionalmente nesta edição de nosso anuário, nossas análises não contemplarão os dados do Anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), por sua vez, divulgados em fevereiro e já disponíveis em nosso portal e no site da entidade. De acordo com os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM/IBGE), a produção nacional de pescado cultivado alcançou a marca de 965,37 mil toneladas em 2025, representando um
avanço de 8,87% em relação ao ciclo anterior. O faturamento acompanhou esse ritmo aquecido e subiu 12,37%, injetando R$ 12,25 bilhões na economia do País. Embora o mercado ainda passe por ajustes, os indicadores apontam que a combinação entre ganhos de eficiência no manejo, contínuos investimentos em genética e a sólida recuperação do consumo interno sustentou a valorização da proteína aquícola. Esse movimento se refletiu no preço médio pago ao produtor, que registrou alta de 3,21%, fechando o ano em R$ 12,69 por quilo.
PRODUÇÃO DA AQUICULTURA POR TIPO DE PESCADO - TON. | (IBGE PPM 2025)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 46
Volume (KG)
Ranking volume
Pescado
1
Valor da produção (Mil Reais)
Preço médio (R$/KG)
2024
2025
Var. % 2024>2025
2024
2025
Var. % 2024>2025
2024
2025
Var. % 2024>2025
Tilápia
506.252.652
533.656.294
5,41%
4.918.002
5.229.225
6,33%
R$ 9,71
R$ 9,80
0,87%
2
Camarão
145.831.975
172.394.165
18,21%
3.038.532
3.629.485
19,45%
R$ 20,84
R$ 21,05
1,04%
3
Tambaqui
120.446.772
124.506.554
3,37%
1.495.894
1.605.564
7,33%
R$ 12,42
R$ 12,90
3,83%
4
Tambacu, tambatinga
47.657.179
64.181.175
34,67%
543.539
752.999
38,54%
R$ 11,41
R$ 11,73
2,87%
5
Pintado, cachara, cachapira e pintachara, surubim
12.954.244
18.993.336
46,62%
199.426
321.110
61,02%
R$ 15,39
R$ 16,91
9,82%
6
Carpa
14.284.123
13.610.723
-4,71%
181.889
177.975
-2,15%
R$ 12,73
R$ 13,08
2,69%
7
Ostras, vieiras e mexilhões
9.608.563
9.922.467
3,27%
120.191
135.175
12,47%
R$ 12,51
R$ 13,62
8,91%
8
Pacu e patinga
7.003.681
6.534.973
-6,69%
89.213
83.741
-6,13%
R$ 12,74
R$ 12,81
0,60%
9
Matrinxã
6.019.528
4.784.072
-20,52%
80.914
75.174
-7,09%
R$ 13,44
R$ 15,71
16,90%
10
Outros peixes
3.409.906
3.849.445
12,89%
39.192
42.986
9,68%
R$ 11,49
R$ 11,17
-2,84%
11
Curimatã, curimbatá
3.321.683
3.625.667
9,15%
38.779
44.106
13,74%
R$ 11,67
R$ 12,16
4,20%
12
Piau, piapara, piauçu, piava
2.892.303
2.775.652
-4,03%
39.724
39.816
0,23%
R$ 13,73
R$ 14,34
4,44%
13
Pirapitinga
1.789.287
1.844.947
3,11%
25.952
26.941
3,81%
R$ 14,50
R$ 14,60
0,68%
14
Pirarucu
1.778.007
1.678.645
-5,59%
33.730
32.801
-2,75%
R$ 18,97
R$ 19,54
3,00%
15
Truta
1.595.580
1.364.454
-14,49%
35.974
33.336
-7,33%
R$ 22,55
R$ 24,43
8,36%
16
Traíra e trairão
757.573
719.657
-5,00%
8.522
8.890
4,32%
R$ 11,25
R$ 12,35
9,81%
17
Jatuarana, piabanha e piracanjuba
441.559
412.395
-6,60%
5.715
5.390
-5,69%
R$ 12,94
R$ 13,07
0,98%
18
Lambari
355.687
242.873
-31,72%
5.064
4.797
-5,27%
R$ 14,24
R$ 19,75
38,73%
19
Tucunaré
205.832
197.408
-4,09%
2.669
2.573
-3,60%
R$ 12,97
R$ 13,03
0,52%
20
Dourado
66.933
70.324
5,07%
1.648
1.684
2,18%
R$ 24,62
R$ 23,95
-2,74%
886.673.067
965.365.226
8,87%
10.904.569
12.253.768
12,37%
R$ 12,30
R$ 12,69
3,21%
TOTAL
Fonte: IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 47
PRODUÇÃO
PRODUÇÃO DA AQUICULTURA POR TIPO DE FORMA JOVEM | (IBGE PPM 2025) Milheiros Ranking volume
Forma jovem
2024
1
Larvas e pós-larvas de camarão
2 3 TOTAL
Receita (R$ mil)
2025
Var. % 2024>2025
2024
21.210.434
22.278.913
5,04%
Alevinos
1.746.214
1.984.806
Sementes de moluscos
78.349 23.034.997
Preço médio (R$/Milheiro)
2025
Var. % 2024>2025
2024
2025
Var. % 2024>2025
279.523
323.306
15,66%
R$ 13,18
R$ 14,51
10,12%
13,66%
518.551
588.612
13,51%
R$ 296,96
R$ 296,56
-0,13%
52.256
-33,30%
3.906
2.127
-45,55%
R$ 49,85
R$ 40,70
-22,48%
24.315.975
6%
801.980
914.045
13,97%
R$ 34,82
R$ 37,59
7,97%
Fonte: IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025
No segmento de insumos e formas jovens, a aquicultura brasileira registrou um avanço de 6% no volume total produzido, somando 24,32 bilhões de unidades e movimentando R$ 914,05 milhões em receita (+13,97%). O desempenho foi impulsionado pelo mercado de alevinos, que movimentou 1,98 bilhão de unidades (+13,66%) e R$ 588,61 milhões em receita (+13,51%), mantendo os preços médios estáveis em R$ 296,56 por milheiro (-0,13%). As larvas e pós-larvas de camarão lideraram o volume absoluto com 22,28 bilhões de unidades (+5,04%), registrando forte avanço de 15,66% no faturamento (R$ 323,31 milhões) devido à alta de 10,12% no preço médio (R$ 14,51 por milheiro). Em contrapartida, a produção de sementes de moluscos recuou 33,30% em volume (52,26 milhões) e 45,55% em receita (R$ 2,13 milhões), refletindo a retração de 22,48% nos preços médios praticados.
3. PANORAMA E DISTRIBUIÇÃO DA PISCICULTURA No recorte regional da piscicultura nacional, que alcançou 783 mil toneladas em 2025, a Região Sul manteve sua hegemonia absoluta, respondendo por 35,2% de toda a produção do País (aproximadamente 275,6 mil toneladas), impulsionada principalmente pelo forte parque fabril e pela integração do Paraná na criação de tilápias. A Região Sudeste consolidou-se na segunda colocação, concentrando 18,6% do volume nacional (cerca de 145,6 mil toneladas). Em seguida, o Nordeste garantiu a terceira posição com 16,6% da safra de peixes (130,0 mil toneladas), acompanhado de perto pela Região Norte, que somou 16,0% do total (125,3 mil toneladas), sustentada pela tradição do cultivo de espécies nativas como o tambaqui. Fechando o panorama geográfico, o Centro-Oeste contribuiu com 13,6% da produção brasileira de peixes (106,5 mil toneladas), destacando-se na oferta de híbridos e peixes redondos.
PRODUÇÃO DE PEIXES POR REGIÃO (2025)
Sul
35,2%
Sudeste
18,6%
Nordeste
16,6%
Norte
16,0%
Centro-Oeste 0,0%
13,6% 10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
Participação
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 48
Fonte: IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 49
PRODUÇÃO 3. 1 ANÁLISE POR ESPÉCIES E ESTADOS PRODUTORES PISCICULTURA: TILÁPIA, PEIXES REDONDOS E NATIVOS Desde a inclusão da piscicultura na PPM/IBGE em 2013, a tilápia se mantém como a principal espécie produzida no Brasil. Em 2025, representou 68,2% do volume de peixes de criação no País (533,65 mil toneladas), movimentando R$ 5,23 bilhões (+6,33%). A espécie responde por mais de 55% de todo o pescado nacional, com o Paraná como destaque absoluto: sozinho o Estado é responsável por 27,4% de toda a piscicultura brasileira (214,2 mil toneladas) e 39,2% da oferta de tilápia (209,3 mil toneladas).
COMPOSIÇÃO DA PISCICULTURA (2025)
O agrupamento formado por peixes redondos (tambaqui, tambacu e tambatinga) alcançou 188,7 mil toneladas em 2025 — 24,1% do total da piscicultura. Na divisão interna, o tambaqui respondeu por 124,5 mil toneladas (16% do total nacional) e a categoria tambacu/tambatinga por 64,2 mil toneladas (8,2%). Neste segmento, Rondônia liderou a produção nacional do grupo com 32,8% do total do País, sustentado sobretudo pelo tambaqui, que compõe 92,8% da piscicultura estadual.
Pintado, cachara, surubim, cachapira, pintachara
Já o grupo “Demais espécies” somou 60,7 mil toneladas em 2025, composto por: Pintado, cachara, surubim, cachapira e pintachara (18,8 mil toneladas; 2,4% da piscicultura nacional); Carpa (13,6 mil toneladas; 1,7%); Pacu e patinga (6,5 mil toneladas; 0,8%); e demais espécies (22,2 mil toneladas; 2,7%). Mato Grosso destacou-se como o maior produtor do segmento, como a origem de 16,8 mil toneladas — equivalente a 27,7% da produção nacional dessa categoria.
Carpa
Pacu e patinga 0,80%
1,7% Demais espécies 2,7%
2,4% Tambacu e tambatinga 8,2% Tambaqui
Tilápia
15,9%
68,2% Fonte: IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025.
CARCINICULTURA (P. VANNAMEI) A carcinicultura brasileira manteve sua trajetória de expansão em 2025, superando os desafios sanitários de anos anteriores. A produção nacional de camarão saltou 18,21%, atingindo a marca recorde de 172,39 mil toneladas e gerando R$ 3,63 bilhões em valor de produção (+19,45%). A atividade apresenta forte concentração geográfica: a Região Nordeste responde por 99,7% do camarão cultivado no País. O Ceará lidera isoladamente com 53,3% da produção nacional (91,9 mil toneladas), seguido pelo Rio Grande do Norte, com 38,0 mil toneladas (22,0%). Somados, os dois Estados aumentaram sua oferta em 15,4 mil toneladas no ano.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 50
Nos municípios, destacam-se Aracati (CE), principal produtor do Brasil com 21,3 mil toneladas (12,4% do total nacional), Jaguaruana (CE) com 12,0 mil toneladas (7,0%), e Pendências (RN) com 8,9 mil toneladas (5,2%). Russas (CE) e Arez (RN) completam o ranking com 4,1% cada.
COMPOSIÇÃO DA PRODUÇÃO DE CAMARÃO (2025)
Demais Estados/Nordeste 24,7%
Rio Grande do Norte 22,0%
Ceará 53,3%
Fonte: IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025
MALACOCULTURA (OSTRAS, VIEIRAS E MEXILHÕES) A produção brasileira de moluscos bivalves manteve a trajetória de recuperação em 2025, alcançando 9,92 mil toneladas (+3,27%) e movimentando R$ 135,2 milhões (+12,5% em relação a 2024). A Região Sul detém a hegemonia quase total da atividade, concentrando 90,0% de toda a produção nacional. Esse domínio é sustentado por Santa Catarina, que responde isoladamente por 88,1% do volume brasileiro de moluscos. Os seis maiores municípios produtores do Brasil são catarinenses (Palhoça, Florianópolis, Bombinhas, Penha, Governador Celso Ramos e São José), que juntos correspondem a 85,0% da malacocultura nacional.
COMPOSIÇÃO DA PRODUÇÃO DE MALACOCULTURA (2025)
Demais Estados (RJ, SP, PR, etc.) 11,9%
Santa Catarina 88,1%
Fonte: IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025
Pescados com qualidade
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SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 51
do Exija cedor e forn seu alidade a qu dutos pro dos ás ubr Nat
O sabor que faz a diferença
PRODUÇÃO 4. NUTRIÇÃO ANIMAL O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) confirmou a trajetória de crescimento do setor em 2025 com a produção nacional de rações alcançando a marca de 92 milhões de toneladas, representando um avanço superior a 3% em comparação a 2024. Para 2026, as projeções consolidadas apontam para mais de 98 milhões de toneladas. No primeiro trimestre de 2026, a demanda por rações para aquicultura atingiu cerca de 500 mil toneladas. O setor iniciou o ano em um ambiente de maior previsibilidade operacional após as oscilações de 2025, embora ainda monitore de perto os impactos da concorrência com os importados, a oscilação nos custos de produção, a segurança jurídica e os gargalos regulatórios. Com o avanço tecnológico no campo, a recuperação do consumo doméstico e a busca por novos canais de exportação, a expectativa é que a demanda anual de rações para a aquicultura alcance 1,97 milhão de toneladas em 2026.
PRODUÇÃO DE RAÇÕES (MILHÕES DE TON. | 2014-2026
OUTROS
TOTAL
2014
2014
2014
2014
2014
2014
2014
2014
2014
37,000
15,200
8,020
0,600
2,492
0,100
0,754
0,831
65,00
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
Var. %
2015
38,000
2,70%
15,800
3,95%
8,000
-0,25%
0,580
-3,33%
2,440
-2,09%
0,105
5,00%
0,835
10,74%
0,830
-0,12%
66,59
Var. % 2,55%
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
2016
Var. %
37,800
-0,53%
16,400
3,80%
8,200
2,50%
0,580
0,00%
2,500
2,46%
0,085
-19,05%
0,840
0,60%
0,831
0,12%
68,16
0,9%
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
2017
Var. %
38,500
1,82%
16,500
0,61%
8,500
3,53%
0,579
-0,17%
2,580
3,10%
0,089
4,49%
0,920
8,70%
0,832
0,12%
69,51
2,0%
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
2018
Var. %
38,500
0,00%
16,800
1,79%
8,600
1,16%
0,585
1,03%
2,650
2,64%
0,074
-20,27%
1,160
20,69%
0,850
2,12%
70,45
1,4%
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
2019
Var. %
39,70
3,02%
17,700
5,08%
11,400
24,56%
0,59
1,52%
2,81
5,69%
0,081
8,64%
1,160
0,00%
0,837
-1,55%
75,52
7,2%
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
2020
Var. %
41,40
4,11%
18,80
5,85%
11,90
4,20%
0,62
3,88%
3,09
9,06%
0,088
7,95%
1,290
5,43%
0,845
0,95%
79,41
5,0%
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
2021*
Var. %
42,60
2,82%
19,70
4,57%
12,20
2,46%
0,63
2,06%
3,48
11,21%
0,092
4,35%
1,354
4,73%
0,849
0,47%
82,36
3,7%
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
2022*
Var. %
42,60
0,00%
20,50
3,90%
12,10
-0,83%
0,61
-2,94%
3,72
6,45%
0,095
3,16%
1,395
2,94%
0,855
0,70%
83,38
1,2%
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
2023*
Var. %
43,40
1,84%
20,80
5,29%
12,10
-0,83%
0,64
1,87%
4,00
13,00%
0,107
14,18%
1,574
13,98%
0,621
-36,71%
84,93
3,1%
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
2024*
Var. %
44,1
3,1
21,6
1
14,3
3,1
1,00
0
4,01
4
0,227
0,9
1,57
5,1
0,625
0,8
89,22
2,6
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
2025
Var. %
45,3
2,65%
22,5
4,00%
15,4
7,14%
1,01
0,99%
4,04
0,74%
0,249
8,84%
1,64
4,27%
0,631
0,95%
92,66
3,71%
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
2026**
Var. %
47,5
4,86%
23,6
4,89%
16,1
4,55%
1,01
0,00%
4,15
2,72%
0,258
3,61%
1,71
4,27%
0,631
0,00%
96,929
4,61%
Fonte: Estimativa Sindirações | **Previsão Sindirações * Balanço anual de janeiro a setembro de 2026. Compilado Seafood Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 52
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE RAÇÕES PARA AQUICULTURA (2015-2026) Peixes
Total
Camarões
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
1,234 1,16
1,241 1,16
1,377 1,289
1,446 1,354
1,48 1,395
1,681 1,574
0,94 0,835
0,925 0,84
1,009 0,92
0,105
0,085
0,089
0,074
0,081
0,088
0,092
0,095
0,107
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
1,69 1,5
1,9 1,63
1,97 1,71
0,192
0,24
0,26
2024
2025
2026
0,0
Fonte: Sindirações. Compilado Seafood Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 53
PRODUÇÃO DE CAPTURA 5. PANORAMA DA PESCA EXTRATIVA NACIONAL O monitoramento da atividade pesqueira em cinco principais Estados das regiões Sul e Sudeste — Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Paraná — registrou um volume total de 297.411,38 toneladas de pescado desembarcadas ao longo de 2025.
DESEMBARQUE DE PESCADO POR SEGMENTO E ESTADO (2025) Pesca industrial (t)
O balanço consolidado evidencia a predominância estrutural da pesca industrial, responsável por 67,07% das capturas totais (199.466,89 t). Por sua vez, a pesca artesanal respondeu por 32,93% do volume físico estocado e comercializado na região (97.944,49 t).
Santa Catarina
Rio de Janeiro
12.171
Para a elaboração desta edição do Anuário, a Seafood Brasil contou novamente com a parceria institucional no fornecimento de dados dos Programas de Monitoramento da Atividade Pesqueira (PMAP) do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, executados pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), pelo Instituto de Pesca e pela Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj). Em Santa Catarina, os dados são provenientes do Programa Macrorregional de Caracterização da Atividade Pesqueira (PMCAP), coordenado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Todos os dados apresentados referem-se ao ciclo de 2025.
São Paulo
3.721
5.279
Espírito Santo
2.704
1.713
Paraná
2.202
18
0
Pesca artesanal (t)
77.147
121.304
71.153
50.000
100.000
150.000
200.000
Fonte: Compilação PMAP/ Seafood Brasil
DINÂMICA DOS POLOS E FROTAS ESTADUAIS (2025) Espírito Santo: a produção pesqueira marinha monitorada somou 4.417,09 toneladas em 2025 (1,49% do total regional), representando um crescimento de 28% em relação a 2024. A expansão capixaba combina fatores biológico-pesqueiros e o fortalecimento do próprio monitoramento (PMAP-ES em seu quarto ano ininterrupto). Houve um aumento de 12% no número de unidades produtivas ativas em relação a 2024 e maior engajamento dos pescadores na prestação de dados.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 54
Rio de Janeiro: consolidou-se como o segundo maior produtor regional, com 83.323,76 toneladas desembarcadas na base de dados. O aparelho de pesca cerco traineira foi o responsável pelas maiores produções das principais espécies: sardinha-verdadeira, sardinhaboca-torta, cavalinha, savelhas, xereletes, sardinha-laje e anchova. Já a corvina foi principalmente capturada pelas redes de emalhe e as tainhas pelos cercos fixos, conhecidos no Rio de Janeiro como Cercadas na Baía de Sepetiba, e Currais na Baía de Guanabara. São Paulo: o Estado registrou um desembarque total de 8.999,38 toneladas de pescado em 2025. As operações abrangeram 16 municípios costeiros e cerca de 30 mil viagens pesqueiras monitoradas. No ano, a produção apresentou um declínio de 12% em comparação a 2024. De acordo com os pesquisadores, a retração foi motivada pelo aumento acentuado dos custos operacionais das saídas pesqueiras, com consequente retração da atividade, principalmente no setor artesanal. Paraná: a pesca é quase que exclusivamente artesanal. Guaratuba consolida-se como a capital da pesca no Paraná, sendo responsável por 57,3% de toda a produção (cerca de 1.272 toneladas). O Camarão-sete-barbas é o principal recurso biológico explorado pelas comunidades locais, compondo 54,4% de todas as capturas estaduais (cerca de 1.207,6 toneladas). Os principais aparelhos e métodos empregados pelas frotas paranaenses são o arrasto duplo, as redes de emalhe e a coleta manual. Santa Catarina: reafirma sua condição de maior complexo pesqueiro e industrial do País. Em 2025, o Estado desembarcou 198.451,30 toneladas de pescado. O segmento industrial responde por 121.304,00 toneladas (61,13% da produção estadual e 60,81% de toda a pesca industrial pesquisada). Já a pesca artesanal catarinense registrou 77.147,30 toneladas (38,87% do volume estadual). A infraestrutura portuária e fabril de Santa Catarina absorve os maiores volumes de desembarque do ranking: Itajaí com 83.811 toneladas, seguido por Navegantes, com 39.226 toneladas.
PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS NO DESEMBARQUE REGIONAL MONITORADO (2025) Participação (%)
66,7%
Santa Catarina
28,0%
Rio de Janeiro
3,0%
Espírito Santo
1,5%
Paraná
0,7%
0%
20%
40%
60%
80%
Fonte: Compilação PMAP/ Seafood Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 55
São Paulo
PRODUÇÃO DE CAPTURA 6. PAUTA DE CAPTURAS E MÉTODOS DE PESCA A pauta de capturas nos Estados monitorados apresenta forte concentração volumétrica em poucas espécies. A sardinha-verdadeira lidera isolada com 121.868 toneladas, seguida pela corvina (25.024 toneladas), bonito-listrado (15.615 toneladas), camarão-sete-barbas (12.338 toneladas) e tainha (12.023 toneladas). No âmbito tecnológico e operacional, o cerco com traineira consolida-se como a principal arte de pesca da região, responsável por 158.932 toneladas desembarcadas (mais de 53% do volume total). As redes de emalhe (51.496 toneladas) e o arrasto duplo (24.381 toneladas) completam o ranking.
PRINCIPAIS ESPÉCIES DESEMBARCADAS POR VOLUME (2025)
PRINCIPAIS MÉTODOS E APARELHOS DE PESCA (2025)
Volume desembarcado (t)
Sardinhaverdadeira
Volume desembarcado (t) Cerco traineira
121.868
158.932
Rede de emalhe 25.024
Corvina
Arrasto duplo
15.615
Bonito-listrado
51.496 24.381
Arrasto de parelha
Camarãosete-barbas
12.338
Tainha
12.023
0
13.455
Vara e isca-viva
12.131
Linhas diversas
10.894
Demais métodos
25.000
50.000
75.000
100.000
125.000
26.123
0
50.000
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 56
Fonte: Compilação PMAP/ Seafood Brasil
100.000
150.000
200.000
Fonte: Compilação PMAP/ Seafood Brasil
7. PRINCIPAIS MUNICÍPIOS DE DESEMBARQUE
OS DESAFIOS ESTATÍSTICOS DO PESCADO NO BRASIL
A infraestrutura de descarga reflete uma alta concentração territorial e industrial: apenas dez municípios/complexos portuários concentram 79,1% de todo o pescado desembarcado nos cinco Estados pesquisados. O complexo portuário formado por Itajaí (SC) e Navegantes (SC) consolida-se como o maior hub pesqueiro nacional, absorvendo sozinho 41,4% (123.037 toneladas) de todo o volume regional.
Em mais um ano de produção do Anuário Seafood Brasil, lidamos com o mesmo desafio de sempre: a obtenção de dados estatísticos unificados do setor. Por isso, para esta publicação é também fundamental trazermos reflexões sobre a obtenção de dados do setor no País. O pescado no Brasil ainda enfrenta em 2026 o gargalos dos dados oficiais consolidados para a tomada de decisão estratégica. Embora existam dados provenientes de fontes como a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Programas de Monitoramento da Atividade Pesqueira (PMAP), painéis do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e outras instituições, as informações apresentam divergências estruturais resultantes das diferentes metodologias empregadas. Apesar das estatísticas disponíveis indicarem tendências claras para o mercado, a fragilidade de dados oficiais unificados permanece como um entrave ao planejamento estratégico. O consultor Wilson Santos analisa o panorama atual, dividindo a radiografia estatística entre o segmento produtivo (aquicultura) e a atividade extrativa. Segundo ele, o modelo agro incorporado pela aquicultura brasileira assumiu a estatística como base de gestão, definindo parâmetros claros de onde, como e quando chegar — a exemplo da meta de atingir 1 milhão de toneladas de tilápia até 2030. Neste cenário, o acompanhamento da PeixeBR passa a ser fundamental, com modelos matemáticos monitorados internamente no dia a dia com segurança. O IBGE, por sua vez, para ele, conta com modelo próprio, mas apresenta como grande inconveniente o delay entre a ocorrência do fato e a publicação da estatística. “As diferenças que ocorrem entre as metodologias não têm grande importância. O mais importante para a gestão é a tendência positiva, e os dois modelos projetam um forte crescimento para os próximos anos. As diferenças entre as duas informações também estão com tendência a convergirem”, pontua Santos. Em contraste com a piscicultura, a gestão de dados na pesca extrativa apresenta gargalos operacionais e institucionais significativos. Conforme Santos, a cobertura oficial do MPA via Mapas de Bordo restringe-se a espécies específicas (como atuns e afins, lagosta, tainha e pargo), o que representa menos de 10% do total das capturas projetadas no País. Assim, ele destaca que a ausência de dados consolidados atinge diretamente recursos de elevado volume comercial: “Sardinha e corvina, os dois principais recursos em quantidade da pesca extrativa, não têm estatísticas consolidadas de captura nacional”, diz. Neste cenário, o suporte analítico regional permanece concentrado nos Programas Estaduais de Monitoramento (PMAP).
Ranking
Município / Porto
UF
Volume Desembarcado (t)
1º
Itajaí
SC
83.811
2º
Navegantes
SC
39.226
3º
Angra dos Reis
RJ
35.801
4º
Niterói
RJ
29.900
5º
Laguna
SC
14.009
6º
Florianópolis
SC
9.424
7º
São Gonçalo
RJ
8.831
8º
Santos / Guarujá
SP
4.901
9º
Governador Celso Ramos
SC
4.768
10º
Biguaçu
SC
4.560
—
Demais 72 Municípios
Vários
62.179
TOTAL
UNIVERSO 5 ESTADOS
5E
297.411
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 57
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 58
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 59
ESTATÍSTICAS
COMEX 1. VISÃO GERAL, VOLUME E VALOR
O
comércio exterior brasileiro de pescado atravessou os primeiros 8 meses de 2026 sob um ambiente incomum de instabilidade conjuntural e reorganização das rotas globais. Neste Anuário, as análises realizadas em parceria com Abraão Oliveira, engenheiro de pesca e cofundador da JubartData, mostram que as exportações nacionais foram impactadas pela volatilidade nas políticas comerciais dos Estados Unidos e por alterações tarifárias
recorrentes, enquanto fornecedores asiáticos ganharam espaço no mercado interno brasileiro. Os dados consolidados até agosto indicam que o Brasil manteve o volume físico exportado, mas com uma pauta alterada, novos destinos prioritários e menor valor médio obtido. De janeiro a agosto de 2026, o País importou 215,4 mil toneladas de pescado, alta de 9,9% frente ao mesmo período de 2025, movimentando US$ 1,21 bilhão
(+17,2%), o maior faturamento da série histórica para o período desde 2013. Em contrapartida, as exportações ficaram praticamente estáveis em volume (48,8 mil toneladas, +0,1%), mas a receita recuou 10,6%, somando US$ 243,5 milhões. Como resultado dessa dinâmica, o déficit da Balança Comercial do pescado ampliou-se em 27,2%, com base no mesmo período de 2025, atingindo o saldo negativo de US$ 963,6 milhões.
COMÉRCIO EXTERIOR DE PESCADO: VOLUME, VALOR E PREÇO MÉDIO (JAN–AGO/2026 × 2025) Volume jan– ago/2025 (t)
Volume jan– ago/2026 (t)
Var. volume
Valor 2025 (US$ mi)
Valor 2026 (US$ mi)
Var. valor
US$/kg 2025
US$/kg 2026
Var. US$/kg
Importação
195.934
215.406
+9,9%
1.030,3
1.207,2
+17,2%
5,26
5,60
+6,6%
Exportação
48.769
48.802
+0,1%
272,5
243,5
−10,6%
5,59
4,99
−10,7%
FLUXO
Imagem gerada com IA
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 60
Fonte: Comex Stat/MDIC via pipeline JubartData
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 61
COMEX IMPORTAÇÃO - VOLUME (MIL T)
IMPORTAÇÃO - VALOR (US$ MILHÕES, CIF)
400
Ano fechado Jan-último mês
1.500 1.250
300
1.000 200
750 500
100 0
250 16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
0
26
EXPORTAÇÃO - VOLUME (MIL T)
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
EXPORTAÇÃO - VALOR (US$ MILHÕES, FOB) 400
70 60
300
50 40
200
30 20
100
10 0
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
0
26
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · 2016–2026 (2026 até agosto)
A divergência entre volume e faturamento nas exportações é um dos fatores centrais para compreender o desempenho do setor no ano. Neste sentido, o preço médio por quilo exportado recuou 10,7%, caindo de US$ 5,59 para US$ 4,99/kg. A decomposição dos dados da JubartData demonstra que essa redução foi gerada quase integralmente pela alteração no mix de produtos: a cavalinha (negociada a uma média de US$ 1,48/kg) saltou de 0,3% para 12,1% do volume total embarcado, e a corvina também ampliou sua participação, enquanto a tilápia perdeu espaço relativo. O Brasil comercializou um volume equivalente ao ano anterior, que por sua vez, foi sustentado por espécies de menor valor unitário.
EXPORTAÇÃO: PRINCIPAIS ESPÉCIES | JAN-AGO/2026 Participação das principais espécies no valor e no volume Lagostas
19,9%
3,7%
Atuns e afins Tilápias
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 62
Pargos
4,5%
Corvinas Subprodutos
2,2%
Cavalinhas
10,3%
8,1% 7,6%
20,3%
6,8% 3,6%
12,1%
1,3% 2,2% 1,1% 0,3%
Sardinhas Ovas
11,8%
14,4% 15,1%
1,0% 0,3%
Camarões 0%
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago/20
% do volume % do valor
5%
10%
15%
20%
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 63
COMEX - EXPORTAÇÃO 2. RECONFIGURAÇÃO DOS DESTINOS GLOBAIS E INCERTEZAS COMERCIAIS EXPORTAÇÃO: PRINCIPAIS PAÍSES | JAN-AGO/2026 A readequação da pauta refletiu-se diretamente no mapa dos parceiros comerciais. Os Estados Unidos mantiveram a liderança em receita, porém reduziram suas compras em 30,3% em volume e 33,4% em valor no acumulado até agosto.
Participação no valor e no volume Estados Unidos China Hong Kong
7,2% 7,1%
0,9%
Argentina
40,0%
29,9%
12,7%
6,3% 7,1%
Esse movimento ocorreu em meio a incertezas regulatórias e tarifárias. Em julho de 2026, a Representação Comercial dos EUA (USTR) estabeleceu uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito da Seção 301 - medida que, embora tenha deixado grande parte das posições do pescado de fora, ampliou a cautela sobre custos de acesso no principal mercado comprador do País. A retração no mercado americano, contudo, inserese em uma tendência prévia: em uma visão de três anos, as vendas aos EUA já registravam queda acumulada de 10% em volume e 13% em valor na comparação com 2023.
4,5%
Taiwan (Formosa)
1,6% 3,5%
Costa do Marfim
11,6%
2,8% 0,4% 2,3% 3,6% 2,3% 2,0% 1,8% 1,4%
Austrália Peru República Dominicana Canadá 0%
% do volume % do valor
10%
20%
30%
40%
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago/2026
REGIÕES DE ORIGEM E DESTINO: VALOR X VOLUME | JAN-AGO/2026 Participação no valor e no volume IMPORTAÇÃO
EXPORTAÇÃO
América do Sul
América do Norte
Ásia
Ásia
Europa
América do Sul
Oriente Médio
África
América do Norte
América Central e Caribe % do volume % do valor
África 0%
20%
40%
% do volume % do valor
Oceania
60%
0%
10%
20%
30%
40%
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago/2026
Simultaneamente ao recuo norte-americano, o continente africano expandiu sua participação. A África absorveu 16,4 mil toneladas de pescado brasileiro até agosto (+79,0%), tornando-se o principal destino em volume (33,6% das toneladas exportadas). Em faturamento, no entanto, representou 10,6% da receita (US$ 25,8 milhões). A Costa do Marfim destacou-se com o desembarque de 5,7 mil toneladas (volume quase cinco vezes superior ao de 2025), concentradas em espécies populares. Essa expansão sustentou o volume físico exportado pelo Brasil, mas contribuiu para a redução do preço médio ponderado.
EXPORTAÇÃO: VARIAÇÃO POR ESTADO | JAN-AGO/2026 X 2025 8 maiores Estados por valor CE
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 64
PA SC SP PR RS RN Volume (t) Valor (US$)
MS -60%
-40%
-20%
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago/2026 · Comex Stat/MDIC via pipeline JubartData
0%
20%
40%
EXPORTAÇÃO POR ESTADO | JAN–AGO/2026 × 2025 UF
Volume 2026 (t)
% volume
Var. volume
Valor 2026 (US$ mi)
% valor
Var. valor
US$/kg 2026
Var. US$/kg
CE
7.642
15,7%
+3,0%
66,4
27,3%
−3,2%
8,69
−6,1%
PA
5.125
10,5%
−1,4%
45,4
18,7%
−0,6%
8,86
+0,7%
SC
13.701
28,1%
+30,2%
33,0
13,5%
+9,7%
2,41
−15,7%
SP
3.445
7,1%
−17,6%
28,7
11,8%
−3,5%
8,33
+17,1%
PR
2.975
6,1%
−46,6%
14,5
6,0%
−35,4%
4,88
+21,0%
RS
8.904
18,2%
+27,3%
14,3
5,9%
+36,7%
1,60
+7,4%
RN
1.128
2,3%
−38,8%
9,2
3,8%
−56,9%
8,19
−29,6%
MS
1.003
2,1%
−25,7%
6,7
2,7%
+1,2%
6,64
+36,2%
PE
617
1,3%
−30,6%
4,6
1,9%
−33,3%
7,53
−3,8%
BA
620
1,3%
−19,1%
4,5
1,9%
−48,2%
7,28
−36,0%
Fonte: Comex Stat/MDIC via pipeline JubartData · jan–ago/2026 × 2025
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 65
A exportação é mais espalhada entre os Estados em que a importação e o ranking mudam conforme a medida. Em valor, Ceará (US$ 66 milhões) e Pará (US$ 45 milhões) lideram, com lagosta e peixes de alto valor, a cerca de US$ 9/kg. Em volume, Santa Catarina (13,7 mil toneladas, +30%) e Rio Grande do Sul (8,9 mil toneladas, +27%) vêm na frente, com produtos mais baratos, entre US$ 1,60 e US$ 2,40/kg. Já o Paraná caiu 47% em volume.
COMEX - IMPORTAÇÃO 3. O AVANÇO ASIÁTICO E A ARBITRAGEM NO MERCADO INTERNO No fluxo de importações, a Ásia consolidou sua presença no abastecimento nacional. O Chile permaneceu como o maior fornecedor em valor (57,8% do total importado, somando 92,8 mil toneladas sustentadas pelo salmão). Contudo, o Vietnã apresentou o crescimento mais acelerado: alcançou 54,3 mil toneladas até agosto (+31,6%), respondendo por 25,2% de todo o volume de pescado importado pelo Brasil. Em um período de 3 anos, o volume importado do Vietnã acumulou crescimento próximo a 200%.
IMPORTAÇÃO: PRINCIPAIS PAÍSES | JAN-AGO/2026 Participação dos principais países no valor e no volume Chile
14,3%
Vietnã China Noruega Argentina Portugal Peru Equador Taiwan (Formosa) Tailândia
25,2%
6,9% 9,3% 5,9% 3,3% 5,1% 7,3% 4,2% 1,5% 1,6% 1,7% 1,1% 1,8% 0,6% 1,9% 0,4% 0,6% 0%
57,0%
43,1%
% do volume % do valor
10%
20%
30%
40%
50%
60%
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago/2026
Historicamente concentrada no panga, a presença vietnamita expandiu-se para a tilápia. Até 2024, o Brasil praticamente não importava filé de tilápia, mas nos primeiros 8 meses de 2026, atingiram 10,2 mil toneladas (US$ 43,2 milhões), com origem predominantemente vietnamita. Concomitantemente, as exportações brasileiras de tilápia recuaram 41,7% em volume. Esses dados evidenciam uma alteração rápida no posicionamento brasileiro no comércio global da espécie: redução no volume enviado ao exterior e nova corrente de produto importado entrando no mercado interno.
PEIXES BRANCOS IMPORTADOS: A CESTA TROCOU DE ESPÉCIE (JAN-AGO DE CADA AN0) Panga, merluzas, polaca-do-alasca e tilápia. Preço só com ao menos 100 toneladas no ano
100%
Participação no volume (%)
Preço CIF (US$/t) 4.000
80%
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 66
3.000 60% 2.000
40%
1.000
20% 0%
2013
2015
2017
2019
2021
Panga
2023 Merluzas
2025
0
2013
Polaca-do-alasca
2016
2019
2022
2025
Tilápia
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago de cada ano Nota: Não houve importação de tilápia entre 2013 e 2025 - por isso, não há registro de preços no período. Em 2026, com a retomada das importações, o gráfico apresenta um ponto isolado
Salmão chileno: quatro décadas de mercado. Novos caminhos pela frente. A afirmação de Melanie Whatmore resume um dos principais pontos de atenção para o futuro do salmão no Brasil. Em entrevista à Seafood Brasil, a Diretora Executiva do Instituto Salmón de Chile analisa os impactos da reforma tributária e os caminhos para o mercado.
CONFIRA O ARTIGO COMPLETO NAS
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 67
PAGINAS 34 E 35
COMEX - IMPORTAÇÃO TILÁPIA: IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO MENSAL (TONELADAS) Meses sem registro de importação ficam sem ponto (não são zero)
2.000 t
Exportação Importação
1.500 t 1.000 t 500 t
Ago/26
Jul/26
Jun/26
Mai/26
Abr/26
Mar/26
Fev/26
Jan/26
Dez/25
Nov/25
Out/25
Set/25
Ago/25
Jul/25
Jun/25
Mai/25
Abr/25
Mar/25
Fev/25
Jan/25
0
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan/2025–ago/2026
O avanço vietnamita ganha relevância porque ocorre num momento de reorganização mais ampla das rotas globais. Exportadores asiáticos também enfrentam mudanças de acesso aos Estados Unidos e procuram diversificar destinos. Para o Brasil, a consequência prática é uma concorrência maior entre origens justamente quando os exportadores nacionais também buscam recompor mercados de maior valor. O País deixa de ser apenas uma ponta compradora ou vendedora e passa a ocupar duas posições no mesmo rearranjo internacional.
IMPORTAÇÃO POR ESTADO | JAN–AGO/2026 × 2025 UF
Volume 2026 (t)
% volume
Var. volume
Valor 2026 (US$ mi)
% valor
Var. valor
US$/kg 2026
Var. US$/kg
SP
90.474
42,0%
+3,1%
539,2
44,7%
+8,4%
5,96
+5,1%
SC
64.900
30,1%
+12,4%
334,9
27,7%
+22,9%
5,16
+9,3%
RJ
23.357
10,8%
+24,0%
149,5
12,4%
+37,3%
6,40
+10,7%
MG
11.240
5,2%
+30,2%
57,0
4,7%
+32,3%
5,07
+1,6%
PE
6.599
3,1%
+3,1%
29,2
2,4%
+0,4%
4,42
−2,6%
RO
6.266
2,9%
+77,0%
28,6
2,4%
+76,0%
4,56
−0,5%
RS
3.855
1,8%
+20,8%
24,8
2,1%
+31,2%
6,44
+8,6%
AL
3.367
1,6%
+10,1%
20,6
1,7%
+30,5%
6,12
+18,5%
CE
2.033
0,9%
+4,1%
5,3
0,4%
+18,6%
2,59
+13,8%
PB
887
0,4%
−16,2%
5,0
0,4%
−7,8%
5,61
+10,0%
Fonte: Comex Stat/MDIC via pipeline JubartData
Na análise por Estados, São Paulo e Santa Catarina mantêm a liderança isolada na recepção do pescado importado. Juntos, os dois somam 72,1% de todo o volume que entra no País. Já Santa Catarina cresceu mais (+12,4% em volume e +22,9% em valor). Por fim, o Rio de Janeiro (+24,0% em volume) e Minas Gerais (+30,2%) também avançaram, e Rondônia quase dobrou (+77,0%).
IMPORTAÇÃO: VARIAÇÃO POR ESTADO | JAN-AGO/2026 X 2025 A pauta importadora permanece altamente concentrada em salmões e trutas, que responderam por 57,3% das divisas (US$ 692,2 milhões, +17,5%) e 42,2% do volume (90,9 mil toneladas, +14,7%). O filé congelado de pangas firma-se como o segundo item em volume (43,8 mil toneladas, +6,6%), representando 10,6% do faturamento total.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 68
8 maiores Estados por valor
SP SC RJ MG PE RO RS Volume (t) Valor (US$)
AL
0%
10%
20%
30%
40%
50%
Fonte: Comex Stat/MDIC via pipeline JubartData · jan–ago/2026 × 2026
60%
70%
80%
O bacalhau recuou 21,1% em volume (12,0 mil toneladas), mas avançou 9,4% em faturamento (US$ 134,5 milhões), impulsionado pela forte alta de 38,6% no seu preço médio (US$ 11,16/kg). Em sentido oposto, as compras de atuns e afins registraram expansão volumétrica de 38,6% (9,2 mil toneladas).
IMPORTAÇÃO: PRINCIPAIS ESPÉCIES | JAN-AGO/2026 Participação no valor e no volume (sem o grupo Outros)
Salmões e trutas Bacalhaus
5,6%
Panga Merluzas Tilápia Atum e afins Polaca-do-alasca Camarão Sépias e lulas Sardinhas e sardinelas
11,1% 10,6%
4,1% 6,3% 3,6% 4,8% 3,0% 4,3% 1,8% 3,0% 1,5% 1,0% 1,4% 2,3% 0,6% 2,6% 0%
10%
57,3%
42,2%
20,4%
% do volume % do valor
20%
30%
40%
50%
60%
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 69
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago/202
COMEX - SÍNTESE E PERSPECTIVAS
4. A DINÂMICA DE PREÇOS E O SALDO ANUAL Do lado da importação, o preço médio subiu 6,6% em dólar, de US$ 5,26 para US$ 5,60/kg. A alta veio quase toda do encarecimento dos próprios produtos, especialmente bacalhau, merluza e salmão. Ainda assim, o câmbio trabalhou na direção oposta: com dólar médio cerca de 9,5% menor, o quilo importado ficou 3,5% mais barato em reais.
PREÇO MÉDIO DO PESCADO NO COMÉRCIO EXTERIOR (US$/T) Valor dividido pelo volume
US$ por toneladas
8.000
Exportação (FOB), ano fechado
Importação (CIF), ano fechado
Exportação (FOB), jan-ago
Importação (CIF), jan-ago
6.000
4.000
2.000
0 2016
2018
2020
2022
2024
2026
Fonte: Comex Stat/MDIC · JubartData · linhas tracejadas = janeiro a agosto
O saldo de 2026, portanto, vai além do recorde das importações ou da queda da receita exportadora. O ano redesenhou rotas: os Estados Unidos perderam participação, a África absorveu mais volume, o Vietnã avançou como fornecedor e a tilápia passou a circular nos dois sentidos da balança brasileira. Em 2027, a questão será saber quais dessas mudanças eram resposta a uma conjuntura excepcional e quais passarão a fazer parte da nova estrutura do mercado.
VETORES ESTRUTURAIS PARA ACOMPANHAR EM 2027 Este cenário consolida quatro variáveis estratégicas para o monitoramento do mercado no próximo ciclo:
Imagem gerada com IA
Imagem gerada com IA
Variáveis climáticas (El Niño): intensidade do fenômeno El Niño e seus efeitos na temperatura da água, disponibilidade hídrica, logística e custos de produção nas origens chilenas e asiáticas.
Novo regime tributário: transição operacional e tributária com o início da cobrança da CBS a partir de 1º de janeiro de 2027 e os ajustes necessários nos sistemas de importação (Duimp) e tomada de créditos.
Imagem gerada com IA
Dinâmica cambial: impacto direto da cotação do dólar sobre a competitividade relativa do pescado nacional frente aos concorrentes importados.
Imagem gerada com IA
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 70
Acesso ao mercado norteamericano: capacidade do setor exportador brasileiro de recompor margens nos EUA ou diversificar para mercados de maior valor unitário.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 71
ESTATÍSTICAS
MERCAD0 INTERNO 1. INDÚSTRIA E PROCESSAMENTO NACIONAL
A
trajetória da produção física industrial de pescado no Brasil apresentou forte volatilidade no ciclo de 2025 a 2026, com impactos diretos sobre o planejamento do setor e o abastecimento do mercado doméstico. No segundo semestre de 2025, o indicador acumulado no ano manteve-se próximo da neutralidade, registrando
leve variação positiva em julho (+0,4%), estagnação entre agosto e setembro (-0,5%) e encerramento em dezembro com modesto crescimento de 1,0%. A virada para 2026 começou com forte aceleração em janeiro (+14,7% de variação acumulada no ano), impulsionada pela
recomposição de estoques e maior volume de processamento. Contudo, a partir do segundo bimestre de 2026, a produção industrial de pescado perdeu tração e entrou em terreno negativo acentuado, acumulando retracões de dois dígitos entre abril (-12,1%) e julho (-13,2%).
PRODUÇÃO FÍSICA INDUSTRIAL DO PESCADO | 2025 A 2026 Número-índice (2022=100)
PIMPF - Variação acumulada no ano (%)
150,000
200
118,879 107,535
107,111
111,910
109,668 92,315
100,796
99,450
92,744
97,686
100,000
50,000
89,222
97,578
150
97,942
100
0,4
-0,5
-0,5
0,6
0,2
1
50
14,7 -3,2
-9,3
-12,1
-13,2
0 -50
0,000 Jul. 2025
-13,3 -13,8
Out. 2025
Jan. 2026
Abr. 2026
Jul. 2026
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Anual - Empresa (PIA-Empresa)
Seafood Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 72
Nota: Para os dados de 2024, o IBGE iniciou uma nova série com atualização prevista até meados de 2026.
1.1 PERFIL DOS PRODUTOS E DESEMPENHO POR ESPECIALIDADE A análise das unidades industriais ativas no Brasil segundo sua principal especialidade em 2024 demonstra a predominância do processamento primário (filés e cortes congelados), acompanhada do crescimento de produtos específicos da pesca e aquicultura. Ao observar a contagem de unidades industriais por linha de produto, o segmento de “Filés frescos, refrigerados ou congelados” lidera a estrutura fabril (representando 34,5% do total de plantas), seguido pelo processamento de “Peixes inteiros congelados” (25% do total de plantas).
INDÚSTRIAS DE PESCADO NO BRASIL CONFORME A ESPECIALIDADE | 2024* Bexigas natatórias, tripas e outros itens não comestíveis 5,2% Preparações e conservas de peixes 6,7%
Crustáceos congelados 17,9% Farinhas, pós e pellets 1,6%
Peixes, filés e outras carnes de peixes secos, salgados ou defumados
5,2%
Peixes inteiro congelado 25%
Filés frescos, refrigerados ou congelados 34,5%
Moluscos e outros invertebrados aquáticos 4%
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 73
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal - Produto | *Dados mais recentes disponíveis
MERCADO INTERNO 1.2 FATURAMENTO E MARGEM OPERACIONAL POR PRODUTO Os dados mais recentes disponíveis mostram que as preparações e conservas de peixes lideram entre os produtos da indústria de pescado em valor das vendas, com R$ 3,09 bilhões, e registram R$ 3,01 bilhões em receita líquida. O desempenho, porém, contrasta com o indicador de margem, que ficou negativo em 2,50%.
PRODUTOS COM MAIOR FATURAMENTO (MIL R$) | 2024* Valor das vendas (Mil Reais)
Receita líquida de vendas (Mil Reais)
Margem
4.000.000,00
-2,50% 3.000.000,00
15,09% 4,45%
2.000.000,00
-28,45% 1.000.000,00
-29,99%
7,37% 0
Crustáceos congelados
Filés frescos, refrigerados ou congelados
Moluscos e outros invertebrados aquáticos
Peixes inteiros congelados
Peixes, filés e outras carnes de peixes secos, salgados ou defumandos
-7,62% Preparações e conservas de peixes
Pratos prontos de pescado
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal - Produto | *Dados mais recentes disponíveis
1.3 DESEMPENHO E ESTRUTURA FINANCEIRA DAS UNIDADES INDUSTRIAIS No ano-base de 2024, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início a uma nova série metodológica da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), que traz o retrato consolidado do parque fabril do pescado no Brasil. A nova série contabilizou 498 indústrias de pescado ativas no País. Em termos financeiros, o conjunto dessas unidades fabris movimentou um total de receita líquida de R$ 11,84 bilhões. Em contrapartida, o total de custos e despesas operacionais atingiu R$ 10,63 bilhões no mesmo período.
INDICADOR INDUSTRIAL (ANO-BASE: 2024)
VALOR CONSOLIDADO
Indústrias de pescado (plantas ativas)
498 unidades
Total de receita líquida
R$ 11.844.708 mil
Total de custos e despesas operacionais
R$ 10.635.378 mil
Resultado bruto operacional
R$ 1.209.330 mil
Margem bruta média do setor (%)
10,21%
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Anual - Empresa (PIA-Empresa / 2024 - *Série Nova com atualização em 2026) Nota: para a variável “número de empresas”, o IBGE informa que cada empresa é contada uma vez em cada abertura. Por isso, os totais de grupos, divisões e do Brasil podem ser menores que a soma de suas categorias
Seafood Brasil
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 74
PRODUÇÃO DAS UNIDADES INDUSTRIAIS DO PESCADO (IBGE / PIA 2024*)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 75
MERCADO INTERNO
2. INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS E IMPACTO NO PESCADO No mercado doméstico, nos últimos 12 meses até agosto, o pescado subiu 1,7%, conforme o índice oficial de inflação do Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE. O índice ficou abaixo da alimentação no domicílio, que avançou 2,8%, e muito abaixo das carnes, com alta de 9,0%. As análises desta seção foram realizadas em parceria com Abraão Oliveira, engenheiro de pesca e cofundador da JubartData. O agregado esconde movimentos importantes: a tilápia subiu 5,0% e o salmão 6,4%. Em São Paulo, a alta em 12 meses da tilápia chegou a 8,6%, enquanto Curitiba foi a única região pesquisada pelo IBGE com queda, de 0,4%. IPCA ACUMULADO EM 12 MESES ATÉ 08/2026 (BRASIL)
IPCA DA TILÁPIA, 12 MESES ATÉ AGO/2026, POR REGIÃO METROPOLITANA
Pescado e outras proteínas contra a inflação geral
O IBGE não pesquisa tilápia em Belém e no Rio de Janeiro
Alimentação fora do domicílio
+5,4%
+5,0%
Brasil
+9,0%
+3,4%
Grande Vitória
-5,1%
+2,0%
Recife
+1,7%
Pescado
-2%
0%
Fonte: IBGE/SIDRA, tabela 7060 · Brasil
2%
4%
6%
+0,7%
Porto Alegre
+6,4%
Salmão
-4%
+1,7%
Salvador
+5,0%
Tilápia
-6%
+6,8%
Belo Horizonte
Carnes Frango em pedaçõs
+7,6%
Fortaleza
+2,8%
Alimentação no domicílio
+8,6%
São Paulo
+4,2%
IPCA geral
8%
-0,4%
Curitiba
10%
-2%
0%
2%
4%
6%
8%
10%
Fonte: IBGE/SIDRA, tabela 7060 · 12 meses até ago/2026
A base própria da JubartData reforça essa leitura. Comparando sempre o mesmo filé de tilápia congelado, São Paulo registrou alta de apenas 1,5% entre janeiro e agosto, mas o mesmo produto em Brasília subiu 3,2%, em Salvador 5,2%, em Fortaleza 8,4% e em Teresina 11,2%. Em resumo, mesmo no ano em que o Brasil passou a importar filé de tilápia em escala, a queda esperada não apareceu no supermercado.
FILÉ DE TILÁPIA CONGELADO NO VAREJO DAS CAPITAIS (MESMO PRODUTO)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 76
CAPITAL
VARIAÇÃO JAN–AGO/2026
João Pessoa (PB)
+0,6%
Curitiba (PR)
+1,4%
São Paulo (SP)
+1,5%
Aracaju (SE)
+1,7%
Recife (PE)
+2,1%
Brasília (DF)
+3,2%
Rio de Janeiro (RJ)
+5,0%
Salvador (BA)
+5,2%
Natal (RN)
+6,3%
Fortaleza (CE)
+8,4%
Porto Alegre (RS)
+9,2%
Maceió (AL)
+9,6%
Teresina (PI)
+11,2%
Nota: capitais com ao menos 8 produtos distintos comparáveis em todos os meses. Fonte: coletas próprias JubartData · jan–ago/2026
Apesar do cenário, isso não significa que a importação não tenha produzido efeitos competitivos. Significa que eles não podem ser medidos apenas pelo preço da gôndola. Parte do pescado importado circula por distribuidores, indústria e food service, e mudanças de margem, canal, marca, rendimento industrial e logística podem absorver ou redistribuir o impacto da oferta adicional. Para a tilápia, essa distinção é especialmente importante: o produto vietnamita entrou rapidamente no País ao mesmo tempo em que a exportação brasileira da espécie recuava.
3. ATACADO E CIRCULAÇÃO DE VOLUMES A circulação do pescado na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o maior entreposto atacadista da América Latina, revela os sinais mistos com a negociação de 28,7 mil toneladas de pescado entre janeiro e agosto de 2026, 1,6% acima de 2025.
PEIXES BRANCOS: O ENTREPOSTO É UM CANAL PEQUENO PARA O IMPORTADO Volume negociado na Ceagesp, jan-ago (t) 600 500
Ceagesp + importação do Brasil
2024
2,7%
3%
2025 2026
400
2%
300
1,2%
200
1,4%
1%
0,2% 0,2%
100
0,1%
0%
0 Panga (Pangasius)
Filé de merluza
Filé de tilápia
Panga (Pangasius) (Vietnã)
Merluza (Argentina)
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 77
Fonte: Ceagesp; Comex Stat/MDIC · JubartData · jan–ago
MERCADO INTERNO CEAGESP: PARTICIPAÇÃO NO VOLUME DE PESCADO | JAN-AGO 10 maiores produtos de 2026 19,1%
Tilápia (inteira) Salmão importado do Chile
10,7%
Sardinha fresca
A tilápia inteira continua o produto mais negociado, mas perdeu participação, de 21,9% para 19,1%. Por sua vez, o salmão importado do Chile foi o que mais ganhou espaço, saltando de 9,1% para 12,8%. Em preço, o salmão inteiro saiu de R$ 51,78/kg em dezembro de 2025 para R$ 65,80/kg em agosto de 2026, alta de 27%, enquanto o filé de tilápia no atacado permaneceu entre R$ 41 e R$ 43/kg durante o ano.
12,8%
7,6%
Camarão de cativeiro
6,9%
Corvina
6,6%
Pescada branca
4,4%
Peixes diversos processados
2,6%
Tainha
2,6%
Tambaqui
jan-ago/2025
2,6%
Cavalinha 0%
jan-ago/2026 5%
10%
15%
20%
Fonte: Ceagesp, categoria Pescados · jan–ago 2026 × 2025
Quando se observa a cadeia por estágios, a diferença fica ainda mais clara. Em agosto, a tilápia aparecia a R$ 9,52/kg viva no produtor, R$ 12,29/ kg inteira no atacado, R$ 42,37/kg em filé no atacado e entre R$ 47,45 e R$ 87,47/kg no filé congelado das redes acompanhadas pela JubartData. Esses valores não devem ser lidos como margens diretamente comparáveis, porque processamento, rendimento, embalagem, tributos e serviços mudam entre os elos. Eles mostram, porém, como o preço ao consumidor é formado muito depois da produção. PREÇO MÉDIO MENSAL NO ATACADO DA CEAGESP (R$/KG) Filé de tilápia
Salmão inteiro fresco (Chile) 2024
65
2025
R$/kg
60
2026
55 50 45 40 35
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fonte: Ceagesp · 2024–2026
ÍNDICE DE PREÇO POR ESTÁGIO DA CADEIA | 2026 (JAN = 100) Tilápia
Salmão Atacado - inteiro fresco (Ceagesp) IPCA - Salmão (SP)
115 110 105 100 95
Produtor (CEPCA) Atacado - inteira (Ceagesp) Atacado - filé (Ceagesp) Varejo SP (mesmo produto) filé fresco Varejo SP (mesmo produto) filé congelado IPCA - tilápia (SP)
90 85 Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 78
Fonte: CEPEA, Ceagesp, varejo JubartData em São Paulo (mesmo produto), IBGE · jan–ago/2026
PERSPECTIVAS: 3 FRENTES QUE MERECEM ATENÇÃO PARA 2027 El Niño - a Organização Meteorológica Mundial projeta persistência do fenômeno até pelo menos fevereiro, com intensidade muito forte. No Brasil, boletins oficiais apontam risco de alterações importantes no padrão de chuvas e temperatura. Para a pesca e aquicultura, isso pode significar efeitos sobre disponibilidade hídrica, temperatura da água, qualidade ambiental e logística. No Chile, principal origem do salmão consumido no Brasil, as condições oceânicas também merecem monitoramento. São riscos, não uma previsão automática de oscilações de preços, e os últimos dados de preços do salmão, por questões climáticas, já começam a aparecer. Reforma Tributária - a mudança econômica relevante começa em 2027, com a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a transição do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A legislação prevê redução de 60% das alíquotas para produtos aquícolas e pesqueiros in natura, observadas as definições legais, mas o setor não deve tratar todo pescado como uma categoria tributária única. Enquadramento, classificação do produto, créditos e posição de cada elo da cadeia serão determinantes para indústria, distribuição e varejo. Renda - nos testes realizados pela JubartData com mais de 70 indicadores disponíveis, a relação estatística mais consistente apareceu entre a renda real dos empregadores e a importação de salmão, com defasagem de 3 a 6 meses. Para os peixes brancos, nenhuma variável econômica testada ainda se sustentou com a mesma robustez. Assim, espécies e canais respondem a motores diferentes.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 79
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 80
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 81
ESTATÍSTICAS
CONSUMO 1. O CENÁRIO DO CONSUMO
O
ritmo de crescimento no consumo de pescado em 2025 apresentou um relativo arrefecimento em comparação com os picos anteriores, mas continuou a se expandir em uma tendência que se mostra irreversível a cada ano. De acordo com a análise do consultor Wilson Santos, esse crescimento ocorre de forma orgânica, saudável e sustentável, o que traz previsibilidade e segurança aos agentes econômicos da cadeia. Em 2025, o mercado nacional consumiu 2.668.832 toneladas de pescado, representando um crescimento anual de 2,7% (ou cerca de 64 mil toneladas a mais por ano).
Embora a cadeia varejista tenha mantido sua relevância na comercialização doméstica, o verdadeiro carro-chefe no consumo está no crescimento contínuo do food service. Seguindo a dinâmica dos últimos anos, o avanço da oferta é impulsionado pela aquicultura nacional, com forte liderança da tilápia e do camarão, somada à aquicultura mundial via importações de panga e salmão. Em 2025, o brasileiro consumiu 60% do pescado vindo da aquicultura (nacional e importado). A pesca extrativa, por sua vez, não indica tendência de crescimento no longo prazo. Os volumes atuais ainda se sustentam graças às capturas de sardinha dos últimos
2 anos, recurso que historicamente já demonstrou forte sensibilidade a alterações oceanográficas e climáticas. No País, apenas três espécies ou grupos (sardinha, atuns e corvina) registram capturas acima de 50 mil toneladas, e apenas a sardinha consegue atingir picos eventuais superiores a 100 mil toneladas. No segmento dos importados com origem na pesca extrativa, é possível observar uma forte concentração na linha de secos e salgados (acima de 100 mil toneladas) e na merluza (acima de 50 mil toneladas). Ambos perderam competitividade nos últimos anos, registrando quedas de consumo superiores a 10% e não acompanhando o ritmo de expansão do consumo geral.
2. CONSUMO APARENTE PER CAPITA E PROJEÇÃO PARA 2026 Em 2025, o crescimento líquido do índice foi de 2,3%, atingindo a marca de 12,51 kg de pescado per capita/ ano no Brasil. Para o acumulado de 2026, a projeção do especialista aponta um crescimento de 4% no consumo total. Com esse avanço, o País poderá atingir pela primeira vez na história a marca de 13,0 kg/habitante/ano.
Os indicadores já disponíveis para o decorrer de 2026 confirmam a sustentação da curva de crescimento: observa-se um forte avanço nas importações, estabilidade nos volumes da pesca extrativa e desempenho positivo da tilápia e do camarão na aquicultura nacional.
Magnific
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 82
O consumo aparente per capita é o indicador de maior referência e notoriedade no setor. Com base nos dados do IBGE, a população brasileira em julho de 2025 foi estimada em 213.421.037 habitantes. Neste sentido, Santos destaca que o baixo crescimento demográfico do País (de apenas 0,4% ao ano) favorece diretamente a evolução deste índice, projetando sucessivos recordes para os próximos anos.
CONSUMO PER CAPITA DE PESCADO NO BRASIL (KG/HAB/ANO)
Consumo Per Capita (kg/hab/ano)
15
11,65
11,96 11,1
10,78
10,67
11,06
11,32 10,62
10,4
10,2
10,5
2018
2019
2020
2021
11,75
12,23
12,51
2024
2025
13
10
5
0 2012
2013
2014
2015
2016
2017
2022
2023
Proj. 2026
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 83
Fonte: Compilado e análise de Wilson Santos
CONSUMO 3. CONCENTRAÇÃO DE MERCADO A análise conduzida por Santos revela que a demanda brasileira permanece concentrada: apenas oito espécies ou segmentos com consumo acima de 50 mil toneladas no ano representam cerca de 65% do consumo total de pescado no Brasil. Neste contexto, a tilápia (cultivo) e o camarão (88% cultivo) representam juntos cerca de 35% do total, evidenciando o quanto o consumo é concentrado. Já as conservas (sardinha e atum) ocupam a 3ª posição em volume consumido. As conservas de sardinha mantêm forte participação (66% da categoria), com crescimento alinhado à média do pescado. No entanto, as conservas de atum (34% do grupo) registram forte escalada, atingindo altas de dois dígitos. Por sua vez, o panga manteve sua trajetória de crescimento acelerado em 2025, superando o salmão em volume total consumido no País. O tambaqui apresentou estabilidade nos volumes consumidos ao longo do ano, enquanto a categoria de peixes secos/salgados e a merluza registraram retrações acima de 10%.
ESPÉCIES DE MAIOR CONSUMO E CONCENTRAÇÃO DE MERCADO (2025) ESPÉCIES / CATEGORIAS
VOLUME JAN–DEZ/2025 (T)
VOLUME (KG) PER CAPITA
VAR.% (PARTICIPAÇÃO)
Tilápia
683.219
3,201
25,6%
Camarão
255.000
1,195
9,6%
Conservas
186.400
0,609
7,0%
Panga
162.986
0,764
6,1%
Salmão
145.105
0,680
5,4%
Tambaqui
120.849
0,566
4,5%
Peixes Salgados
102.935
0,482
3,9%
Merluza
61.845
0,290
2,3%
Outros
945.493
4,395
35%
Fonte: dados consolidados por Wilson Santos em setembro de 2026: PeixeBR, ABCC, Comex Stat, ICCAT, Univali e IBGE
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 84
Canva
Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 12,51 kg de pescado per capita/ano.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 109
CADERNO ESPECIAL
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 110
POR DENTRO DO MAIOR ENCONTRO DO SETOR DE PESCADO DA AMÉRICA LATINA Saiba como explorar o pavilhão, conhecer os lançamentos em destaque e entender como as empresas do mercado têm lidado com os desafios fiscais, logísticos e de consumo deste ano
A
no passado, o burburinho característico dos corredores do Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), entregou, logo nos primeiros passos, a atmosfera única da Seafood Show Latin America. E para a edição 2026, certamente isso deve acontecer de novo. Afinal, esse som que você ouve enquanto caminha pelas ruas do maior encontro da cadeia do pescado na América Latina, é o do reencontro entre velhos conhecidos do setor, do aperto de mão que sela uma nova parceria e da troca rápida de cartões entre quem acabou de se conhecer. Há quem percorra os estandes movido pela curiosidade de ver de perto os lançamentos que vão redefinir as gôndolas e cardápios. Já outros ocupam as arenas de palestras para decifrar as tendências e rumos do mercado. Por fim, há ainda quem se contagie com a empolgação de torcer e aprender a cada corte preciso nas competições gastronômicas.
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 85
Por Fabi Fonseca
Seafood Show Latin America/Francal Feiras
SEAFOOD SHOW LATIN AMERICA
A feira conectou indústrias, distribuidores, varejo, fornecedores, lideranças políticas e representantes setoriais em um ambiente focado em negócios
Para quem está presente em São Paulo de 20 a 22 de outubro ou para quem acompanha os desdobramentos da feira pelas páginas da Seafood Brasil, o evento funciona como um grande termômetro do setor. A expectativa para esta edição é superar as marcas do ano anterior, que mobilizou mais de 4.500 profissionais de 24 países e 25 Estados brasileiros, reunindo compradores, indústrias,
importadores e operadores de food service. Promovida pela Francal em parceria com a Seafood Brasil, a feira traz uma estrutura planejada para racionalizar a navegação no pavilhão e, ao mesmo tempo, sintetizar para todo o mercado onde estão os maiores ganhos de eficiência do setor. “Assumimos o desafio de entregar um evento ainda
BÚSSOLA NO PAVILHÃO E VITRINE DO MERCADO NACIONAL E GLOBAL
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Para maximizar o tempo do visitante no Anhembi e oferecer uma visão clara da distribuição do mercado a quem lê à distância, o pavilhão principal foi organizado por áreas estratégicas de interesse: Mercado nacional e beneficiamento: espaço dedicado às empresas, nacionais ou internacionais com operação no País, voltadas ao processamento, beneficiamento e abastecimento do mercado brasileiro. Tecnologia de processamento: área voltada às soluções industriais, automação, máquinas, equipamentos e refrigeração. Pescado internacional: pavilhão dedicado às empresas situadas fora do Brasil, missões comerciais, exportadores e importadores globais. Insumos e gastronomia: espaço dedicado a fornecedores de insumos para restaurantes e culinária japonesa, localizado próximo à arena do Campeonato Brasileiro de Sushi.
maior, que acompanhasse a complexidade e a reorganização do setor em 2026. Renovamos a programação e ampliamos as áreas do pavilhão para oferecer conteúdo altamente qualificado, inteligência de mercado e o ambiente ideal para quem precisa impulsionar a eficiência e gerar novos negócios”, destaca Ricardo Torres, head da Seafood Show Latin America e editor-chefe da Seafood Brasil. Projeto Cardume e Hub de Embalagens Mais do que área de exposição, a Seafood Show 2026 atua como laboratório de novas soluções para gargalos históricos da cadeia. Uma das principais novidades é a estreia do Projeto Cardume, vitrine criada para dar visibilidade a novos entrantes e pequenas startups do setor que passam a apresentar suas soluções lado a lado com gigantes consolidadas. Na área de tecnologia, a novidade é o Hub de Embalagens, ambiente voltado a demonstrar inovações em conservação, atmosfera modificada e apresentações convenientes para o varejo e food service. Balanço de 2026: desafios fiscais, eficiência e novas margens A efervescência de negócios no Anhembi reflete um ano de intensa reorganização para as empresas do setor. Ao longo de 2026, a indústria e os importadores enfrentaram pressões tributárias, custos logísticos e mudanças no perfil do consumidor, exigindo eficiência operacional para manter a competitividade. Gargalos tributários e o impacto no mercado de importados As mudanças fiscais figuraram entre os principais entraves do ano. “2026 abriu o ano com sérias controvérsias de âmbito fiscal. Às voltas com o prenúncio da Reforma Tributária, os importadores de pescado sofreram
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SEAFOOD SHOW LATIN AMERICA Tenha todo o mapa e programação do evento na palma da sua mão:
alta do preço do petróleo e seu impacto direto na logística terrestre e aérea”, destaca Felipe Rojas, diretor comercial da Invermar.
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com mudanças advindas dos encerramentos de tratamentos (PIS, COFINS e etc). Assim, algumas espécies de pescado passam a ser interpretadas como não essenciais, o que é uma incoerência, pois já compunham posição na cesta básica”, conta Sandra M. Takahashi Nonaka, Managing Director da Nordsee.
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Adicionalmente, Nonaka destaca a alteração no ICMS no Estado de São Paulo, que trouxe uma tarifa adicional para a importação de pescado. “Em uma tentativa de proteger a produção do Estado, atira e ricocheteia para todos os lados atingindo espécies que nem competem entre si. Vantagens concorrenciais advindas de regimes ou benefícios tributários fogem da essência que busca o regime unificado de arrecadação (Reforma Tributária) e que rege a neutralidade econômica, transparente e racional. Entender
as circunstâncias e os meios que o mercado recorre, bem como a lógica dos impostos, desafia a compreensão de qualquer investidor estrangeiro”, avalia. O impacto das mudanças fiscais paulistas repercutiu na cadeia de importação. “Este ano para nós estava indo muito bem, até junho quando fomos surpreendidos, como todos, pela nova tributação estadual no pescado importado”, relata Fabio Karam, diretor de operações da Karam’s Pescados. A dinâmica do salmão: eficiência logística e alta na demanda Para além das questões tributárias, a logística e os custos operacionais exigiram uma gestão rigorosa. “Do ponto de vista operacional, 2026 foi marcado por uma pressão constante sobre a estrutura de custos do setor, impulsionada principalmente pela
Vantagens concorrenciais advindas de regimes ou benefícios tributários fogem da essência que busca o regime unificado de arrecadação (Reforma Tributária) e que rege a neutralidade econômica, transparente e racional - Sandra M. Takahashi Nonaka (Nordsee)
Segundo Rojas, a resposta da empresa veio por meio da inovação tecnológica. “Enfrentamos o desafio acelerando a adoção da aquicultura de precisão: a integração de inteligência artificial para a estimativa de biomassa e a automação da alimentação nos permitiram otimizar a taxa de conversão alimentar (FCR), contendo os custos operacionais.” Como consequência, sob a ótica comercial, o balanço foi positivo para o fornecimento do salmão chileno. “A crescente demanda brasileira por proteínas saudáveis encontra hoje um aliado estratégico em nosso modelo produtivo: graças à rastreabilidade digital em tempo real e à previsibilidade proporcionada pela tecnologia em nossos processos, garantimos ao importador brasileiro um fornecimento constante, fresco e com padrão homogêneo, equilibrando as pressões de custos com uma proposta de alto valor competitivo.” Na dinâmica do mercado de salmão chileno, o crescimento da demanda brasileira surpreendeu as projeções iniciais. “No início de 2026, um dos principais desafios era como absorver os maiores volumes de salmão. No entanto, nos encontramos com uma demanda muito mais dinâmica do que o esperado. O salmão está se consumindo cada vez mais e em mais mercados, formatos e ocasiões”, avalia Max Dominguez, Regional Manager de LATAM da AquaChile. Apesar de enfrentar gargalos operacionais no período — como
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SEAFOOD SHOW LATIN AMERICA
O consumidor está comendo menos, mas escolhendo melhor Larissa Vieira Ribeiro (ie Pescados)
as dificuldades de transporte e conectividade com os mercados durante os meses de julho e agosto por conta das intensas nevascas na Cordilheira dos Andes —, o porta-voz da empresa reforça o papel estratégico do País nesse ciclo positivo: “Miramos o fechamento de 2026 como um momento histórico para o salmão no Brasil. Estamos vivendo um momento excepcional.”
Competitividade industrial, tecnologia e produção nacional Na indústria de equipamentos, os custos fabris, a disponibilidade de componentes e a logística continuam exigindo atenção constante. Para contornar esse cenário, a estratégia passa por priorizar a eficiência desde a concepção dos projetos. “Um dos principais fatores para manter Matéria continua após os anúncios
RADAR DE ATRAÇÕES: O QUE MOVIMENTA O EVENTO? Tanto para quem vivencia o evento no Anhembi quanto para quem busca inteligência de mercado, a programação técnica e as premiações sinalizam os produtos e profissionais que lideram a transformação do setor: 4º Prêmio Seafood Innovation Show: premiação expandida que reconhece os lançamentos mais promissores em quatro categorias: Pescado para Varejo; Pescado para Food Service; Tecnologia para Frigoríficos e Indústria; e Insumos e Serviços para Food Service. Campeonato Brasileiro de Sushi: organizado pela Nagoya Sushi School sob liderança de André Kawai, reúne talentos de todo o País sob avaliação do AJSA Sushi Skills Institute. O campeão garante vaga direta na World Sushi Cup 2027, em Tóquio. 5ª edição do Melhores Peixeir@s do Brasil: reconhecimento focado na valorização dos profissionais de atendimento e manipulação na ponta do varejo. Seafood Service Show: demonstrações culinárias de pescado com chefs renomados e curadoria da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Seafood Talk Show: grande palco de conteúdo com debates e tendências que moldam o futuro do mercado de pescado na América Latina.
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Seafood Celebration Show: coquetel e encontro de relacionamento entre executivos, autoridades e lideranças da cadeia.
A arena de demonstrações culinárias reúne profissionais do setor para apresentar novas aplicações práticas do peixe no cardápio do food service
Disputado em duplas, o prêmio Melhores Peixeir@s do Brasil celebrou a excelência técnica e a dedicação dos profissionais da ponta do varejo.
Concurso nacional consagra os lançamentos mais inovadores do ano, impulsionando novas categorias no varejo e food service
Crédito fotos: Seafood Show Latin America/Francal Feiras
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SEAFOOD SHOW LATIN AMERICA DESTAQUES NUMÉRICOS
4.500+ 24 25
nossa competitividade é termos domínio sobre o projeto e a fabricação dos equipamentos. Nossa empresa desenvolve e fabrica sua linha no Brasil, com engenharia própria, estoque de peças de reposição e assistência técnica especializada. Isso reduz a dependência de equipamentos importados completos e nos dá maior capacidade para customizar cada solução”, explica Wellington Santos, diretor da Frigostrella.
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A aposta no fortalecimento da produtividade nacional também norteia os passos da MQ Pack. “Hoje, temos consciência de que o grande problema do Brasil é a falta de competitividade. O País deixou de ser competitivo em diversos setores, principalmente no industrial. Diante disso, a gente vem investindo expressivos recursos e desenvolvendo diversos projetos para que possamos produzir melhor”, afirma Marcos Queiroz, diretor proprietário da empresa. Ao analisar o desempenho específico do setor de pescado para a companhia, Queiroz aponta um ano positivo em vendas, ainda que o cenário macroeconômico exija cautela. “As vendas do setor superam as do ano anterior. No entanto, no panorama geral, a empresa registra um desempenho um pouco menor quando se observa o resultado macro do negócio”, pontua.
PAÍSES E ESTADOS
brasileiros estiveram representados na feira anterior
Já na aquicultura nacional, os ganhos de eficiência da cadeia verticalizada têm assegurado a liderança do produto brasileiro, como demonstra a Copacol. “No segmento de tilápia congelada, enquanto o mercado cresce 13,5%, a Copacol avança 14,4%, consolidando sua liderança nacional, com 33,4% de participação de mercado”, afirma Alexandre Martinez Lachi, gerente de Marketing, Trade, P&D e SAC da cooperativa. Mesmo para empresas estruturadas e com controle total das etapas produtivas, o ano trouxe desafios operacionais. “Um dos principais desafios tem sido manter a competitividade diante da pressão sobre os custos de produção e de um mercado com maior presença de
Por sua vez, o suprimento de matériasprimas e a expansão de mercado demandaram especialização e alianças estratégicas. “O foco tem sido criar oportunidades para que a matéria-prima do Alasca seja transformada localmente em produtos adequados às diferentes necessidades do mercado”, pontua Rodrigo Mascareñas, consultor do Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI) na América Latina. Mudança de hábitos, novos canais e as perspectivas para o consumo A transformação no perfil do consumidor final abriu novas oportunidades para as empresas do setor. “Uma das principais oportunidades que identificamos neste ano está na mudança de comportamento do consumidor. O consumidor está comendo menos, mas escolhendo melhor. Está mais atento à qualidade dos alimentos e busca produtos com mais proteína, menos gordura, mais praticidade e, ao mesmo tempo, não abre mão do sabor”, enfatiza Larissa Vieira Ribeiro, diretora de Marketing da ie Pescados. Para ela, esse cenário destaca o grande potencial do camarão para alavancar vendas não apenas na indústria, mas também em supermercados, bares e
Pavilhão do Anhembi será palco de intensas negociações e parcerias estratégicas entre compradores e fornecedores do setor
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profissionais e compradores marcaram presença na última edição, base para o crescimento em 2026
produtos importados e novas marcas”, complementa Lachi.
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restaurantes. No entanto, esse crescimento requer estrutura. “Por isso, temos investido na profissionalização da gestão, em tecnologia, planejamento de estoques, logística e controle de custos, buscando crescer de forma competitiva sem abrir mão da qualidade”, completa.
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Já para Guilherme Blanke, CEO da Noronha Pescados, o mercado aponta para a resistência de itens mais nobres, que não têm acompanhado o crescimento de um setor desafiado por custos e tributos elevados. “A gente tem conseguido aumentar as vendas por termos aberto novas linhas de produtos e com parcerias realizadas. Fecharemos o ano com crescimento acima de 20% em vendas brutas e com boa lucratividade, mas o grande esforço que vem sendo feito não tem sido compatível com os resultados obtidos”, avalia. Para o próximo ano, a Noronha Pescados planeja manter a expansão das vendas, focando no ganho de margem. “Com a otimização dos mercados atuais, abertura de novos mercados e a inclusão de outros produtos na linha e a otimização dos custos, esperamos ter em 2027 o melhor ano de nossa história”, prevê Blanke. A garantia de regularidade no fornecimento aliada à expansão comercial também é tratada como prioridade para quem atua diretamente com as vendas ao
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Com a Selic começando o ano em 15%, carregar estoque ficou caro para toda a cadeia Paulo Melo Pscheidt (Costa Sul Pescados)
Eventos da programação, como o Campeonato Brasileiro de Sushi, rendem experiências que vão além da negociação comercial entre fornecedores e clientes
varejo e atacado. “Ao longo de 2026, a empresa manteve o foco na eficiência operacional e na expansão comercial. Nosso maior desafio é conseguir os melhores fornecedores e embarcações que tenham os melhores produtos para atender nossos clientes”, afirma Rodrigo Alvares Marques, sócio-proprietário da Aquarius Pescados. Tendências de embalagem, juros altos e automação nas fábricas Na ponta final do varejo, 2026 consagrou uma alteração comportamental marcante, influenciada por novos hábitos de saúde e readequação de renda. “O consumidor mudou em 2026. Ele passou a buscar produtos mais saudáveis e com mais proteína. Parte disso é efeito do GLP-1, as canetas emagrecedoras: quem usa come menos, e o pouco que come precisa ter proteína. O pescado entra exatamente aí. A embalagem acompanhou, e cresceu a procura por porções fracionadas e práticas, até a individual”, analisa Paulo Melo Pscheidt, gerente de produtos da Costa Sul Pescados. Pscheidt detalha como a indústria readequou formatos para enfrentar o
custo do capital e a escassez de mão de obra. “Com a Selic começando o ano em 15%, carregar estoque ficou caro para toda a cadeia - as redes enxugaram estoques. Por isso revimos o mix: gramatura menor reduz o tíquete sem tirar o pescado da lista”, explica. Ele alerta, contudo, que a mudança exige tecnologia no chão de fábrica. “Embalar porções tão pequenas de forma manual não fecha a conta. Falta mão de obra no País inteiro, e a saída tem sido investir continuamente em automação.”
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SEAFOOD BRASIL NA ESTRADA
NORUEGA: DAS ÁGUAS FRIAS AO MERCADO BRASILEIRO A Seafood Brasil esteve na Costa Oeste do país para registrar o funcionamento das cadeias de produção de salmão do Atlântico. A reportagem completa você confere na edição #66 da revista Seafood Brasil
Por Ricardo Torres
A
convite da exportadora Norwell, que celebra 30 anos de fundação em 2026, a equipe da Seafood Brasil esteve na Noruega para acompanhar de perto o ciclo de produção do salmão do Atlântico em terra e no mar, considerado um dos mais avançados do mundo. A empresa norueguesa opera sob um modelo societário descentralizado, no qual dois terços das ações pertencem a sete famílias de produtores locais e o terço restante aos próprios colaboradores. No município de Askvoll, nossa visita se concentrou nos locais de produção marinha da Sandnes Fiskeoppdrett, empresa familiar estabelecida em 1984 e gerida por Veronica Sandnes e sua família. A fazenda conta com gaiolas instaladas nos fiordes para manter a densidade de estocagem em 2% de peixe para 98% de água corrente, além de utilizar equipamentos com inteligência artificial para o controle do piolho-do-mar (sea lice) na produção.
Presença confirmada no Brasil e na Seafood Show Com um volume anual de exportação de 35.000 a 40.000 toneladas, a Norwell está de olho nas perspectivas abertas pelo acordo comercial entre EFTA e Mercosul. Por isso, a exportadora estrutura um projeto focado no mercado brasileiro.
Seafood Brasil
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Como marco dessa estratégia, a Norwell confirmou presença como expositora na Seafood Show Latin America deste ano, em São Paulo. A representante da marca no Brasil, Mai Tonheim, estará no estande junto ao CEO global da empresa, Snorre Kvammen.
A NORUEGA SERÁ DESTAQUE DA PRÓXIMA SEAFOOD BRASIL A cobertura completa dessa expedição para Noruega será um dos destaques da edição #66, que trará detalhes sobre o modelo de governança, o bem-estar animal e as tecnologias industriais da companhia.
Não deixe de acompanhar nossa próxima edição e conferir essa viagem completa!
Seafood Brasil
Já em Florø, a reportagem acompanhou as operações do frigorífico Slakteriet (planta SF-222), empresa responsável pelo abate, evisceração e embalagem de 55.000 toneladas de salmão por ano. A instalação opera com velocidade de linha de um peixe por segundo e com a tecnologia Pre-Rigor Frozen, que realiza o abate e o congelamento rápido do peixe a -30°C em poucas horas após a colheita.
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NA VITRINE SEAFOOD SHOW LATIN AMERICA
AQUACHILE
Salmão para toda obra A estratégia desenhada pela empresa chilena para o mercado brasileiro envolve a expansão das formas de consumo diário, afastando a proteína do uso restrito a ocasiões festivas. Por isso, no evento de 2026, o público vai encontrar no estande da marca um portfólio que abrange desde peixes inteiros, filés e porções tradicionais até uma linha de empanados, como tiras, hambúrgueres e nuggets. Outro destaque da Aquachile para restaurantes e lanchonetes é a polpa de salmão, base alimentícia versátil que amplia as possibilidades de criação de cardápios otimizando a relação de custo e benefício.
ALASKA SEAFOOD MARKETING INSTITUTE
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O chamado do Alasca
O pescado do Alasca chega mais uma vez à Seafood Show Latin America representado pela Alaska Seafood Marketing Institute, que leva à feira um portfólio de espécies selvagens do estado americano como uma alternativa para importadores e processadores brasileiros. Composto por espécies de águas frias como polaca, bacalhau do Pacífico, salmão keta, black cod, halibut e ovas, o catálogo da empresa foca na oferta de matérias-primas que podem ser transformadas localmente em diferentes formatos, cortes e produtos para atender às demandas do varejo e do food service para o consumo nacional.
AQUARIUS PESCADOS Alta costura do mar
Destacar o rigor técnico no controle de processos e o posicionamento de sua linha de pescado premium é o objetivo da empresa durante os três dias de feira deste ano. Desenhada para manter a constância da qualidade entregue, a linha conta com padronização de cortes, porções e embalagens desenvolvidas para assegurar estabilidade no rendimento das receitas de hotéis, bufês e restaurantes. Ao eliminar surpresas no tamanho e formato, a Aquarius Pescados garante o fornecimento regular dessas matérias-primas, reduz a variação de aproveitamento nas cozinhas profissionais e ainda facilita a gestão de custos operacionais.
COPACOL
Respirando novos ares
COSTA SUL
A regra é ser prático
Uma nova embalagem em bandeja plástica com tecnologia de atmosfera modificada acompanha um filé de tilápia resfriado de 400 g. Este é o destaque da Copacol para o evento deste ano, novidade essa que ainda visa prolongar o frescor, o sabor e a textura da carne. Além disso, o lançamento também incorpora um novo padrão de filetagem, focado na uniformidade visual dos cortes para facilitar a exposição no ponto de venda, reduzindo a necessidade de manipulação, mão de obra e perdas na operação.
Três novidades da empresa desembarcam na feira para fisgar o público que procura opções de pratos para preparo rápido. O primeiro é o hambúrguer de tilápia de 90 g, integrante da Linha Prática que chega ao varejo sem empanamento e livre de glúten e lactose. Já na família dos porcionados, o lombo de atum de 400 g traz pedaços de 100 g embalados individualmente, facilitando o descongelamento fracionado. Por fim, para o food service, a aposta da Costa Sul está nos bolinhos de tilápia em pacotes de 800 g, formulados com alto percentual de carne e ideais para fritura na air fryer sem a adição de óleo.
FRIGOSTRELLA
Desenvolvida para garantir autonomia, eficiência e maior controle sobre a conservação do pescado para varejo e food service, a máquina de gelo em escamas será o destaque no estande da Frigostrella. Produzindo gelo entre -9 °C e -12 °C, a empresa destaca que o formato das escamas proporciona uma superfície de contato ampliada com o pescado, otimizando o resfriamento e a manutenção do frescor. Com fabricação nacional, a estrutura do cilindro evaporador ainda conta com opções em liga de alumínio naval ou aço inoxidável, assegurando robustez e conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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O inverno chegou
NA VITRINE SEAFOOD SHOW LATIN AMERICA
IE PESCADOS Do mar para a brasa
Criar novas ocasiões de consumo é a estratégia por trás da nova linha focada em petiscos e churrascos da ie Pescados. O catálogo recém-lançado da marca traz à feira de 2026 opções prontas como espetinhos de camarão e de tilápia, além de lula em anéis e camarões empanados na versão tradicional e recheada com requeijão. Essa diversificação busca inserir a categoria no happy hour e nas refeições informais. Os visitantes também podem encontrar o portfólio de camarões da marca, com tamanhos que vão do 91/110 ao 11/15 em diferentes apresentações: inteiro, sem cabeça, descascado sem vísceras e tail-on.
INVERMAR
Um peixe de respeito Impulsionar a promoção do salmão coho como um pilar estratégico da oferta chilena, contando com o apoio da infraestrutura tecnológica e sustentável da empresa. Esse é o objetivo da Invermar, destaca as certificações internacionais rigorosas que esta espécie recebeu, como a Aquaculture Stewardship Council (ASC) e Antibiotic-Free (ABF), além do padrão de sua eco-piscicultura Aucha com tecnologia RAS, que utiliza recirculação com 98,5% de reutilização de água doce. De acordo com a empresa, isso permite obter um smolt – quando o salmão jovem deixa a água doce e migra para o oceano – com maior robustez e imunidade, garantindo um produto final com mortalidade mínima e padrões de segurança alimentar superiores.
KARAM’S PESCADOS SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 102
Mostrando que o japa tá diferente Para focar na praticidade de consumo da culinária oriental em casa, a empresa leva à feira sua nova linha de pré-fritos que inclui o Hot Roll Bite, o Hot Temaki e o Popcorn Salmão. Segundo Karam’s Pescados, o diferencial dos itens é que eles foram desenvolvidos com um processo de empanamento integral 360°. Assim, cada unidade conta com uma camada que atua como um escudo térmico durante o preparo na air fryer, protegendo o arroz e o recheio do ressecamento. A nova linha não tem a necessidade de descongelar o alimento antes do preparo.
NORDSEE
A Rainha do Sul
MQ PACK
Pesando inovação
Conhecida no mercado externo como a “Rainha das Merluzas”, a merluza austral (Merluccius australis) foi trazida pela Nordsee para reinar não só nos corredores da Seafood Show deste ano, mas também conquistar novos súditos em restaurantes e distribuidores. Capturado nas águas do Pacífico Sul chileno, o peixe branco nobre possui certificação Marine Stewardship Council (MSC) de pesca sustentável, controle pelas cotas e rastreabilidade total da produção. A espécie é comercializada em embalagens institucionais de matéria-prima, demandando fracionamento próprio caso o destino sejam os supermercados.
Voltadas para o processamento fabril, as novas balanças de múltiplos cabeçotes pesadores e a linha de inspeção automática de metais são os destaques da MQ Pack para a redução da dependência de mão de obra. Focadas no processamento de tilápia e outras espécies, os maquinários realizam pesagem, empacotamento e detecção de contaminantes de forma autônoma. O diferencial de negócio dos equipamentos está na oferta de hardware de padrão global e software aberto, acompanhados de suporte remoto vitalício gratuito e acervo de vídeos instrutivos para que o próprio cliente realize manutenções.
NORONHA PESCADOS A embalagem cartonada Tetra Recart, desenvolvida em parceria com a Tetra Pak, é a grande novidade tecnológica da marca - inclusive, ela já estará presente na moqueca de tilápia, produto da empresa que concorre ao prêmio Seafood Innovation Show deste ano. Paralelamente, a Noronha Pescados estará lançando três novas embalagens da Linha Popeye: o camarão cinza médio cozido e descascado de 300 g; o camarão cinza grande 36/40 tail on cozido de 300 g; e o salmão porção embalado individualmente de 400 g. Por fim, a marca ainda apresenta em seu estande o atum em pedaços e a salada de atum.
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Uma caixinha de surpresas
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SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 106
LISTA DE ANUNCIANTES ANUNCIANTE
PÁGINA
ABIPESCA
005
ADM
071
American Seafoods
041
AMESP
077
AquaChile
003
AquaChile
4ª Capa
Aquarius
069
Aquatec
037
Aurora
089
Alaska Seafood Marketing Institute
053
Ayamo
047
Brusinox
2ª Capa
Cajucoco
073
Cermaq
080/081
CG Seafood
091
Congelados Ártico
063
Copacol
058/059
Costa Sul
065
DP Austral
095
Ecil | Inak
055
Fenacam
3ª Capa
Frescatto
015
Friocenter Pescados
035
Iberconsa
057
ie Pescados
079
Invermar
061
JBT Marel
049
Karam`s Mar
027
KPM Logistics
087
Lex Experts
083
Marpex
099
Natubras
051
Nordsee
019
Norwell
045
Opergel | Oceani
021
Pesquali
075
Potiporã
042/043
Rebela | Bacala Mare
033
Riberalves
097
Salmón de Chile
067
Satel Despachos
039
Seafood From Norway
092/093
Seafood Show Latin America
104/105
Tramontina
023
Vitanutri
007
Vivenda
011
FENA
20 AM 26
17 a 20 de novembro de 2026
XXII Simpósio Internacional de Carcinicultura Tipo de inscrição
Até 29/10 Após 29/10
Não Sócio R$600,00 R$700,00 Sócio
R$500,00 R$600,00
Estudante R$200,00 R$250,00
17 a 20 de novembro de 2026
XIX Simpósio Internacional de Aquicultura
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PALESTRANTES NACIONAIS E INTERNACIONAIS
SEAFOOD BRASIL • ANUÁRIO 2026 • 108