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ISSN-e 1984-8773

Volume 18 ● Número 3 ● Julho - Setembro 2026

RELATO DE CASO

ARMADILHAS DO MELANOMA: QUANDO O PERIGO ESTÁ NA FAMILIARIDADE - SÉRIE DE 5 CASOS COM MIMETISMO CLÍNICO DE DERMATOSES COMUNS APOIO CIENTÍFICO

ARTIGO ORIGINAL ■ Toxina Botulínica para o tratamento das glândulas submandibulares revisão de escopo da literatura com foco em desfechos estéticos e funcionais ■

Melasma além da pele: impacto psicossocial na qualidade de vida uma revisão narrativa

RELATO DE CASO Matricoma onicocítico em hálux: neoplasia ungueal rara em localização incomum

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www.surgicalcosmetic.org.br

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Tratamento cirúrgico de Rinofima: uma série de caso

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Criocirurgia intralesional no tratamento de queloide refratário


Surg Cosmet Dermatol. 2026;v.18: n.3 julho-setembro.

Online ISSN: 1984-8773

Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia

www.surgicalcosmetic.org.br

Publicação trimestral EDITOR-CHEFE Hamilton Ometto Stolf Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas (SP), Brazil.

COEDITORES Bogdana Victoria Kadunc Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo (SP), Brazil. Célia Luiza Petersen Vitello Kalil Universidade Federal da Fronteira Sul, Passo Fundo (RS), Brazil. Vitor Costa Fabris Centro de Estudos em Dermatologia Estética, Criciúma (SC), Brazil.

Surg Cosmet Dermatol. | Rio de Janeiro | v. 18 | n. 3 | julho-setembro. 2026 | p. 157-245. 157-249.

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Sociedade Brasileira de Dermatologia Afiliada à Associação Médica Brasileira

www.sbd.org.br

Surgical & Cosmetic Dermatology SUR­GI­CAL & COS­ME­TIC DER­MA­TO­LOGY Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia Publicação Trimestral Online ISSN: 1984-8773 l Julho - Setembro 2026 l Volume 18 l Número 3

Diretoria executiva | 2025-2026

Editores de áreas

Presidente: Carlos Baptista Barcaui | RJ

Cosmetic Dermatology Doris Hexsel Brazilian Center for Studies in Dermatology, Porto Alegre (RS), Brazil.

Vice-Presidente: Lauro Lourival Lopes Filho | PI Secretária Geral: Francisca Regina Oliveira Carneiro | PA Tesoureiro: Márcio Soares Serra | RJ Primeira Secretária: Rosana Lazzarini | SP Segunda Secretária: Juliana Kida | SC

Equipe Editorial Editor-chefe: Hamilton Ometto Stolf Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas (SP), Brazil. Universidade Estadual Paulista, São Paulo (SP), Brazil.

Carolina Malavassi Murari University of Santo Amaro, São Paulo (SP), Brazil. Laser and Technology Celia Kalil Santa Casa de Misericordia Hospital in Porto Alegre, Porto Alegre (RS), Brazil. Luciana Cirillo Maluf Azevedo ABC Medical School, Santo André (SP), Brazil. Nail surgery Nilton Di Chiacchio Municipal Civil Servant Hospital, São Paulo (SP), Brazil. Tricologia Carolina Fechine School of Medicine of the University of São Paulo, São Paulo (SP), Brazil. Luciana Pontes Ruston Clinic, São Paulo (SP), Brazil.

Coeditors: Bogdana Victoria Kadunc Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo (SP), Brazil. Célia Luiza Petersen Vitello Kalil Universidade Federal da Fronteira Sul, Passo Fundo (RS), Brazil. Vitor Costa Fabris Faculdade de Medicina da UNIARP, Caçador (SC), Brazil. Centro de Estudos em Dermatologia Estética, Caçador (SC), Brazil.

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Micrographic Surgery Felipe Cerci Mackenzie Evangelical University Hospital, Curitiba (PR), Brazil. Reconstructive Dermatologic Surgery Lauro Lourival Lopes Filho Federal University of Piauí,Teresina (PI), Brazil. Healing and wounds Gisele Viana de Oliveira Minas Gerais State Civil Servants’ Pension Institute, Belo Horizonte (MG), Brazil. Luciana Patrícia Fernandes Abbade Botucatu Medical School of the São Paulo State University – Unesp, São Paulo (SP), Brazil. Cosmetic Dermatologic Surgery Carlos Gustavo Wambier Warren Alpert Medical School, Brown University, Providence, Rhode Island, United States of America. Diagnostic Imaging Paula Tavares Colpas Pontifical Catholic University of Campinas, Campinas (SP), Brazil.


Surg Cosmet Dermatol. 2026;v.18: n.3 julho-setembro. Conselho editorial nacional Alcidarta dos Reis Gadelha Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Amazônia, Manaus (AM), Brazil.

Luciana Cirillo Maluf Azevedo Faculdade de Medicina do ABC, Santo André (SP), Brazil.

Ana Paula Gomes Meski Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Luciana Patrícia Fernandes Abbade Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista – Unesp, São Paulo (SP), Brazil.

Ana Cláudia Cavalcante Espósito Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Dermatologia e Radioterapia, Botucatu (SP), Brazil. André Luiz Simião Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas (SP), Brazil. Carlos Baptista Barcaui Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro (RJ), Brazil. Carlos Gustavo Wambier Warren Alpert Medical School, Brown University, Providence, Rhode Island, Estados Unidos da América. Carolina Oliveira Costa Fechine Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Luciana Takata Pontes Clínica Ruston, São Paulo (SP), Brazil. Luis Antonio Torezan Universidade de São Paulo – USP, São Paulo (SP), Brazil. Luiz Fernando F. Kopke Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis (SC), Brazil. Maria Fernanda Gavazzoni Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brazil. Monica Manela Azulay Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brazil.

Carolina Malavassi Murari Universidade de Santo Amaro, São Paulo (SP), Brazil.

Nilton Di Chiacchio Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo (SP), Brazil.

Emerson Vasconcelos de Andrade Lima Santa Casa de Misericordia do Recife -Recife (PE), Brazil.

Paula Tavares Colpas Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas (SP), Brazil.

Érica de Oliveira Monteiro Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo (SP), Brazil. Érico Pampado Di Santis Universidade de Taubaté – UNITAU,Taubaté (SP), Brazil.

Samira Yarak Universidade Federal de São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Fabiane Mulinari Brenner Hospital das Clínicas, Universidade Federal do Paraná, Departamento de Dermatologia, Curitiba (PR), Brazil.

Conselho internacional de revisores

Felipe Bochnia Cerci Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, Curitiba (PR), Brazil.

Jerry Brewer University of South Carolina, Colúmbia (SC), Estados Unidos da América.

Flávia Alvim Sant’anna Addor Grupo MEDCIN, Pesquisa Clínica, Osasco (SP), Brazil Francisco M. Paschoal Faculdade de Medicina do ABC, São Paulo (SP), Brazil. Gisele Viana de Oliveira Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte (MG), Brazil. Izelda Carvalho Costa Universidade de Brasília - UnB, Brasília (DF), Brazil. José Roberto Pereira Pegas Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos, Guarulhos (SP), Brazil. Lauro Lourival Lopes Filho Universidade Federal do Piauí,Teresina (PI), Brazil. Luciana Archetti Conrado Integra Dermatologia - São Paulo (SP), Brazil.

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A/C SURGICAL & COSMETIC DERMATOLOGY Av. Rio Branco, 39 18º andar Cep: 20.090-003 Rio de Janeiro-RJ, Brazil. Phone: 55 (21) 2253-6747 E-mail: surgical@sbd.org.br web­si­te: www.surgicalcosmetic.org.br A Surgical & Cosmetic Dermatology é uma publi­ca­ção ofi­cial da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em par­ ce­ r ia com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. O con­teú­do téc­ni­co-cien­tí­fi­co apre­ sen­ ta­ do nesta publi­ ca­ ção é de co-pro­ prie­ da­ de da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Equipe técnica Nazareno Nogueira de Souza

Bibliotecária Vanessa Mafra Informações sobre assinatura no site: www.surgicalcosmetic.org.br

Editada por: Sociedade Brasileira de Dermatologia.

©2019 Sociedade Brasileira de Dermatologia. Site: www.sbd.org.br Os anún­cios vei­cu­la­dos nesta edi­ção são de exclu­si­va res­pon­sa­bi­li­da­de dos anun­ cian­tes, assim como os con­cei­tos emi­ti­dos em arti­gos assi­na­dos são de exclu­si­ va res­pon­sa­bi­li­da­de de seus auto­res, não refle­tin­do neces­sa­r ia­men­te a opi­nião da SBD. Todos os direi­tos reser­va­dos e pro­te­gi­dos pela lei 9.610 de 19/02/98. Nenhuma parte dessa publi­ca­ção pode­rá ser repro­du­zi­da sem auto­r i­za­ção pré­via por escri­to da Sociedade Brasileira de Dermatologia, sejam quais forem os meios empre­ga­ dos: ele­trô­ni­co, mecâ­ni­co, foto­grá­fi­co, gra­va­ção ou quais­quer o ­ utros. Material de dis­tri­bui­ção à clas­se médi­ca. A revis­ta cons­ta no Depósito Legal, na Biblioteca Nacional, de acor­do com o Decreto nº 1.825, de 20 de dezem­bro de 1907. Licença Creative Commons

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SURGICAL & COSMETIC DERMATOLOGY / INSTRUÇÕES PARA OS AUTORES Surgical & Cosmetic Dermatology é uma revista interdisciplinar de acesso livre dedicada a publicar pesquisas sobre todos os aspectos da cirurgia dermatológica.A revista aceita artigos em Oncologia Cutânea, Cirurgia e Dermatologia Cosmética, Laser e outras Tecnologias Terapêuticas. Acesse as Políticas Editoriais para mais informações sobre: Informações gerais Idioma Acesso livre Autoria Política de revisão por pares Direitos autorais e licenças Diretrizes éticas e integridade da pesquisa PREPRINT Aceitamos a submissão de artigos depositados em repositórios de preprints. Os autores podem compartilhar seu preprint em qualquer lugar e a qualquer momento. No caso de um preprint ser aceito para publicação, encorajamos os autores a vincula-lo à sua publicação formal por meio de seu Digital Object Identifier (DOI). Os autores podem atualizar seus preprints no bioRxiv (https://www.biorxiv.org/), medRxiv (https://www.medrxiv. org/) ou outros com seus manuscritos aceitos. AVISO LEGAL As declarações e opiniões expressas nos artigos e comunicações publicadas na Surgical & Cosmetic Dermatology são de responsabilidade do(s) autor(es) e não necessariamente do(s) Editor(es), Editora ou Sociedade. DIRETRIZES PARA SUBMISSÃO A preparação correta do manuscrito torna os processos de revisão e publicação mais eficientes. Assim, recomendamos alguns cuidados que podem facilitar significativamente a preparação dos manuscritos. Os artigos devem ser inéditos e redigidos no idioma de origem do autor (português ou inglês). A equipe editorial providenciará as versões necessárias. A escolha da fonte deve ser Times New Roman ou Arial, de número 12. O título do trabalho deve ser curto e conciso, informado em português e inglês, com até 150 caracteres sem espaços, acompanhado de um título resumido. Os resumos em português e inglês devem acompanhar o formato adequado ao tipo de artigo. Os autores devem informar o nome com suas abreviaturas, e as suas afiliações institucionais, seguidos de cidade, estado e país. Os vínculos às instituições devem ser citados em ordem hierárquica (ex.1º Departamento, 2º Universidade) e não são permitidas a inclusão dos mini-currículos. Quando um autor é afiliado a mais de uma instituição, cada uma deve ser identificada separadamente. Quando dois ou mais autores estão afiliados

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à mesma instituição, a sua identificação é feita uma única vez. Autores pertencentes à Clínicas privadas devem citá-las como uma instituição. É obrigatório mencionar o número ORCID, utilizado para a identificação de pesquisadores, para o primeiro e último autores. O autor deve assumir pelo menos uma responsabilidade na elaboração do trabalho e deverá informar a contribuição de cada um na submissão. Um dos autores deve ser designado como autor correspondente, com endereço de e-mail. Deve também ser citado o local de realização do trabalho. Os autores devem informar claramente se houve conflitos de interesse e suporte financeiro. As palavras-chave devem ser citadas em português e em inglês (Keywords), totalizando 3 a 10 por idioma, devendo ser incluídas em todos os tipos de artigos. É recomendável que estas palavras estejam contidas no DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings) que podem ser acessados na internet. O número limite de palavras para os textos deve ser obedecido segundo o tipo de artigo, e computado excluindo as referências e os resumos em português e inglês. Devem ser evitadas informações introdutórias extensas e repetitivas, dando-se preferência às mais recentes, ainda não publicadas. Evite textos com repetição da mesma informação no resumo, introdução e discussão. Pesos e medidas devem ser expressos no sistema métrico decimal, e temperaturas em graus centígrados. Drogas devem ser mencionadas por seus nomes genéricos, seguidos da dosagem e posologia empregadas, evitando-se a citação de termos comerciais ou marcas. Descrições de quaisquer equipamentos, instrumentos, testes e reagentes devem conter o nome do fabricante e o local de fabricação. De acordo com o ICMJE, apenas podem ser designados como autores, aqueles que participaram ativamente no trabalho, podendo assim assumir a responsabilidade pública pelo seu conteúdo. Os créditos de autoria devem se basear exclusivamente em contribuições substanciais para: discussão e planejamento do tema e protocolo, análise ou interpretação de dados; Redação do artigo ou sua crítica; responsabilidade pela aprovação final para a publicação. Outras contribuições menores como sugestões de literatura, coleta e análise de dados, obtenção de financiamento, auxílio técnico na execução de rotinas, encaminhamento de pacientes, interpretação de exames de rotina e chefia de serviço ou departamento que não estejam envolvidas no estudo, não constituem critérios para autoria. e podem ser reconhecidas separadamente sob a forma de "agradecimentos", de acordo com a decisão dos autores.


TIPOS DE ARTIGOS A Surgical & Cosmetic Dermatology publica os seguintes tipos de artigos: ARTIGOS DE REVISÃO Artigos de Revisão podem aprofundar os temas específicos nas áreas de interesse da S&CD, algoritmos, compilações, estatísticas, consenso e guidelines. Estes trabalhos têm formato livre, porem devem conter resumo não estruturado de até 100 palavras e conclusões ou considerações finais. Limite: texto até 6000 palavras, 10 ilustrações e 60 referências. Os artigos de revisão sistemática ou metanálises devem seguir orientações pertinentes (http://cochrane.org.br). ARTIGO ORIGINAL Artigos Originais são relatos de uma pesquisa investigativa original nas áreas de Cirurgia Dermatológica, Oncologia Cutânea, Diagnóstico por Imagem, Tecnologia em Dermatologia e Dermatologia Cosmética. Exemplos: estudos experimentais, estudos clínicos, comparações e descrições de técnicas ou de métodos de avaliação. O texto deverá conter até 4000 palavras, 10 ilustrações e 35 referências e seguir o formato IMRDC (Introdução e objetivo, Métodos, Resultados, Discussão, Conclusão). Resumo: deverá ter no máximo 250 palavras e ser estruturado, contendo os itens: Introdução, Objetivo, Métodos, Resultados e Conclusões. Não é permitido afirmar que os resultados ou outros dados serão apresentados ou discutidos. Introdução: citar as razões que motivaram o estudo, descrevendo o estado atual do conhecimento sobre o tema. Utilizar o último parágrafo para especificar a principal pergunta ou objetivo do estudo, e a principal hipótese testada, se houver. Métodos: Explicar como o estudo foi feito: Tipo de estudo: descrever o seu desenho especificando a direção temporal (retrospectivo ou prospectivo), o tipo de randomização quando utilizada (pareamento, sorteio, sequenciamento, etc.), se o estudo foi cego, comparativo, controlado por placebo, etc. Local: indicar onde o estudo foi realizado (instituição privada ou pública), citar que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de sua instituição, os procedimentos de seleção, os critérios de inclusão e exclusão, e o número inicial de pacientes. Procedimentos: descrever as principais características das intervenções realizadas, detalhando a técnica e lembrando que o estudo de investigação deverá ser reprodutível. Descrição dos métodos utilizados para avaliação dos resultados. Inclusão da análise estatística descritiva e/ou comparativa com descrição do planejamento da amostra (representativa do universo a ser estudado), a análise e os testes estatísticos e apresentação dos níveis de significância adotados. A utilização de análises estatísticas não usuais é incentivada, porém neste caso, deve-se fazer uma descrição mais detalhada da mesma. Resultados: descrever os principais resultados que devem ser acompanhados de estimativas pontuais e medidas de dispersão

(p.ex., média e erro padrão) ou de estimativas intervalares (p.ex., intervalos de confiança), bem como os níveis descritivos dos testes estatísticos utilizados (p.ex.“p-value”). Os achados também devem ser interpretados sob o ponto de vista clínico. Discussão: enfatizar os novos e importantes resultados encontrados pelo estudo e que farão parte da conclusão. Relatar observações de outros estudos relevantes. Mencionar as limitações dos achados e as implicações para pesquisas futuras. Conclusões: devem ser concisas e responder apenas aos objetivos propostos. A mesma ênfase deve ser dada para estudos com resultados positivos ou negativos. DIAGNÓSTICO POR IMAGEM O Diagnóstico por Imagem aborda temas ou casos clínicos em que os exames de imagens (dermatoscopia,microscopia confocal, ultrassom e outros métodos) são fundamentais no diagnóstico ou tratamento. É composto por resumo não estruturado de até 100 palavras, texto até 1200 palavras, 6 ilustrações e 5 referências. COMO EU FAÇO? Como eu faço descreve novas técnicas ou detalhes de técnicas. Compõe-se por resumo não estruturado de até 100 palavras, introdução com revisão de literatura, métodos, resultados, discussão e conclusão. Limite: 1200 palavras, 8 ilustrações e 30 referências. RELATO DE CASO Relatos de caso são descrições de casos ou séries de casos de relevância nas áreas de interesse da S&CD, com descrição de tratamentos, complicações, etc. Contém resumo não estruturado de até 100 palavras, introdução com revisão de literatura, métodos, resultados, discussão e conclusão, sempre que pertinentes. Limite: texto até 1200 palavras, 8 ilustrações e 30 referências. CARTAS AO EDITOR As Cartas ao Editor são comentários objetivos, breves e construtivos sobre estudos ou pesquisas anteriormente publicados. Compõe-se de texto de até 600 palavras e no máximo 5 referências. COMITÊ DE ÉTICA O certificado de autorização por um Comitê de Ética é exigido apenas para os Artigos Originais de pesquisa prospectiva. REFERÊNCIAS As referências bibliográficas devem ser listadas nas últimas páginas do artigo, e numeradas de acordo com a citação no texto (em ordem numérica sequencial), seguindo o estilo Vancouver, como indicado pelo International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE). Referências citadas em legendas de tabelas e figuras devem manter a sequência com as citações no texto.Todos os autores devem ser citados se forem até seis; acima disso, devem ser mencionados os seis primeiros e “et al.”. Seguem-se exemplos dos tipos mais comuns de referências. Exemplos de citações no texto retirados do ICMJE:

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Artigo em periódico: Hallal AH, Amortegui JD, Jeroukhimov IM, Casillas J, Schulman CI, Manning RJ, et al. Magnetic resonance cholangiopancreatography accurately detects common bile duct stones in resolving gallstone pancreatitis. J Am Coll Surg. 2005;200(6):869-75. Capítulo de livro: Reppert SM. Circadian rhythms: basic aspects and pediatric implications. In: Styne DM, Brook CGD, editors. Current concepts in pediatric endocrinology. New York: Elsevier; 1987. p .91-125.

Quanto aos vídeos é necessário inserir legendas contendo informações como título do manuscrito, autoria, instituição e outros comentários pertinentes. No uso de imagens de pacientes, a identidade deverá ser resguardada, do contrário, será preciso anexar-lhes permissão por escrito para divulgação. Os gráficos deverão ser elaborados em Microsoft Excel. As tabelas dispensam sua descrição no texto tendo a finalidade de suplementá-lo e não a de aumentá-lo. As unidades utilizadas para exprimir os resultados (m, g, g/100, mL, etc.) figurarão no alto de cada coluna. Os pacientes devem ser identificados por números ou letras, e nunca pelos nomes, iniciais ou número de registro hospitalar.

Texto na Internet: Ex. com autor indicado: Fugh-Berman A. PharmedOUT [Internet]. Washington: Georgetown University, Department of Physiology and Biophysics; c2006 [cited 2007 Mar 23]. Available from: http://www.pharmedout.org/. Ex. quando o autor é uma organização: International Union of Biochemistry and Molecular Biology. Recommendations on Biochemical & Organic Nomenclature, Symbols & Terminology etc. [Internet]. London: University of London, Queen Mary, Department of Chemistry; [updated 2006 Jul 24; cited 2007 Feb 22]. Available from: http://www.chem.qmul.ac.uk/iubmb/. Apresentação prévia em eventos: Bruhat M, Silva Carvalho JL, Campo R, Fradique A, Dequesne J, Setubal A, editors. Proceedings of the 10th Congress of the European Society for Gynaecological Endoscopy; 2001 Nov 22-24; Lisbon, Portugal. Bologna (Italy): Monduzzi Editore, International Proceedings Division; c2001. 474 p.

CARTA DE APRESENTAÇÃO A carta de apresentação deve incluir as seguintes informações: Uma explicação de por que seu manuscrito é adequado para publicação em Surgical & Cosmetic Dermatology. Confirmação de que o conteúdo do manuscrito é original e não foi publicado nem está sendo considerado para publicação em outro lugar. Se o manuscrito estiver sendo enviado para uma edição especial em particular, o nome específico deve ser mencionado na carta de apresentação. Se o artigo relatar os resultados de uma intervenção de saúde em participantes humanos, a Surgical & Cosmetic Dermatology recomenda fortemente sua documentação em um registro apropriado. O número e a data de registro devem estar indicados nesta carta.

ILUSTRAÇÕES As figuras, quadros, gráficos e tabelas devem ser referidas em ordem numérica sequencial no texto em números arábicos (exemplo: Figura 3, Gráfico 7), cabendo ao Editor suprimir as redundantes. As legendas das figuras e gráficos e os títulos e notas de rodapé das tabelas devem descrever precisamente seu conteúdo com frases curtas, porém suficientes para a compreensão ainda que o artigo não seja totalmente lido. Todos devem ser inseridos no passo correspondente a ilustrações no sistema, evitando que use o campo destinado ao texto para que não contabilizem as palavras dentro das ilustrações. As figuras deverão ter resolução mínima de 300 DPI, largura mínima de 1.200 pixels com altura proporcional, e serem gravadas nos formatos JPG ou TIF. As fotografias devem estar no foco, possibilitando a visualização dos detalhes a serem demonstrados. Podem ser colocadas setas ou linhas para localizar as áreas de interesse. As legendas das imagens histológicas devem especificar a coloração e o aumento. Se uma figura já foi publicada anteriormente, deverá citar a fonte original abaixo da mesma e constar nas referências. Deverão enviar à revista a permissão do detentor dos direitos autorais para a sua reprodução. No uso de figuras que identifiquem a face de pacientes será preciso autorização por escrito para divulgação (ver no site da revista o documento Autorização para uso de fotografias).

DECLARAÇÕES DOS AUTORES As seguintes declarações devem ser incluídas na versão final do manuscrito. Espera-se que essas declarações sejam submetidas juntamente com a carta de apresentação, uma vez que a Surgical & Cosmetic Dermatology adota a revisão por pares duplo-cego. ‘Agradecimentos’ – lista de pessoas que contribuíram para o artigo (e não atendem aos critérios de autoria), incluindo colaboradores que forneceram serviços profissionais de redação ou materiais. ‘Disponibilidade de dados e materiais’ – as declarações de disponibilidade contêm informações sobre onde os dados que suportam os resultados relatados no artigo podem ser encontrados, como hiperlinks para conjuntos de dados arquivados publicamente. Exemplo de frases são: ‘Todos os dados gerados ou analisados durante este estudo estão incluídos neste artigo’; 'Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo atual estão disponíveis no repositório [NOME]', 'Os conjuntos de dados gerados durante e/ou analisados durante o estudo atual estão disponíveis junto ao autor correspondente mediante solicitação razoável', ou 'Não aplicável' se nenhum dado novo foi criado ou analisado no estudo. ‘Apoio financeiro’ – todas as fontes de financiamento do estudo devem ser divulgadas; é necessário indicar bolsas que os autores receberam para apoiar a pesquisa.

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‘Conflito de interesses’ – todos os conflitos de interesse financeiros e não financeiros devem ser declarados nesta seção. Se os autores não tiverem interesses conflitantes, é necessário mencionar ‘Os autores declaram não haver conflito de interesses’. ‘Contribuição dos autores’: Espera-se que cada autor tenha feito contribuições substanciais ao manuscrito, que devem ser especificadas nesta seção. Use as iniciais para se referir à contribuição de cada autor. Por exemplo: ‘AB, CD e EF conceberam esta pesquisa e projetaram experimentos. GH participou da concepção e interpretação dos dados. IJ realizou experimentos e análises. KL e MN escreveram o artigo e participaram de suas revisões. Todos os autores leram e aprovaram o manuscrito final'. O limite máximo de autores aceitável é de 5 (cinco); só haverá exceção para trabalhos de maior complexidade (ex. Artigo Original, Revisão) mediante justificativa e aprovação dos editores. ‘Aprovação ética/ aprovação ética e consentimento para participar’ – manuscritos que relatam estudos envolvendo participantes humanos ou dados sobre humanos devem incluir uma declaração sobre aprovação e consentimento éticos, o nome do comitê de ética que aprovou o estudo e o número de referência do comitê. Estudos envolvendo animais devem incluir uma declaração de aprovação ética. Se o manuscrito não relatar ou envolver o uso de dados de animais ou humanos, é necessário declarar 'Não aplicável'. ‘Consentimento de uso para publicação (Copyright)' – se o manuscrito contiver dados pessoais de qualquer indivíduo em qualquer forma, o consentimento para publicação deve ser obtido dessa pessoa ou, no caso de crianças, de seus pais ou tutor legal. Todas as apresentações de relatos de caso devem ter consentimento para publicação.

SUBMISSÃO Os manuscritos devem ser submetidos por meio de nosso sistema de submissão online (https://www.gnpapers.com.br/ scd/default.asp?lang=en). O autor responsável pela submissão é responsável pelo manuscrito durante o processo de submissão e revisão por pares. Ele/ela deve garantir que todos os coautores elegíveis foram incluídos na lista de autores e que todos leram e aprovaram o manuscrito submetido. Para enviar um manuscrito, os seguintes arquivos são necessários: Arquivo principal do manuscrito que não deve conter os nomes dos autores ou coautores (arquivo anônimo, pois a revista utiliza a revisão por pares duplo-cega). Referências e tabelas menores devem ser incluídas neste arquivo. Uma página de título que deve conter os nomes de todos os autores e coautores, suas afiliações, seus e-mails, e as todas as declarações de autores. Uma carta de apresentação. Arquivos de imagens. Quaisquer arquivos adicionais como material complementar ao manuscrito. Todos os documentos como Consentimento de Uso para Publicação (Copyright), Conflito de Interesses e Autorização para Publicação de Fotografias estão disponíveis no site da revista e no sistema de submissão online. Estes documentos devem ser assinados por todos os autores participantes e anexados no sistema ao se submeter o manuscrito. A Autorização para Publicação de Fotografias só é necessária quando a face do paciente é identificada por completo. O documento de Participação no Estudo só será solicitado pelos editores se houver necessidade.

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;v.18: n.3 julho-setembro. Surg Cosmet Dermatol. | Rio de Janeiro | v. 18 | n. 3 | julho-setembro. 2026 | p. 157-249. 157-245.

Índice Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia Julho - Setembro 2026 l Volume 18 l Número 3 Online ISSN: 1984-8773

ARTIGO DE REVISÃO Toxina botulínica para o tratamento das glândulas submandibulares: revisão de escopo da literatura com foco em desfechos estéticos e funcionais Doris Hexsel, Clarissa Reinehr, Patricia Caspary, Gabriela Mosena,Vitor Costa Fabris

163 167

Melasma além da pele: impacto psicossocial na qualidade de vida – uma revisão narrativa Samyra Fernanda Santos Silva, Bruna Vitória da Silva, Fernanda Pires Máximo, Raquel de Oliveira Brito, Victória Oliveira Viana, Gabriela Roncada Haddad

171 175

ARTIGO ORIGINAL

Eficácia de um sérum despigmentante contendo ácido tranexâmico + niacinamida + 4-butilresorcinol

e complexo de hidroxiácidos em comparação com hidroquinona no tratamento do melasma: ensaio clínico comparativo, randomizado e duplo-cego Sergio Schalka, Denise Steiner, Marta Furmanczyk, Anthony Brown, Monica Foyaca, Jaime Piquero Casals

174 178

Efeitos clínicos de oligopeptídeos de colágeno oral na aparência de rugas em mulheres de 45-60 anos: ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo Vivian Zague, Ana Lúcia Tabarini Alves Pinheiro, Juliana Rodrigues Pinto,Viviane Cristina Albarici, Gustavo Facchini, Samara Eberlin

182 186

Eficácia do ácido poli-L-láctico no tratamento da lipoatrofia facial associada ao HIV: uma experiência de 5 anos Márcia C. N.Yoshioka (in memoriam), Samira Yarak, Adriana Maria Porro, Jane Tomimori

193 197

A eficácia de um sérum e creme de dupla camada com ação clareadora e antienvelhecimento contendo ácido gama-aminobutírico (GABA) 3%, dimetilaminoetanol (DMAE) 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1% Widya Widita, Andi Hardianty, Anis Irawan Anwar, Andi Alfian Zainuddin, Wong Lip Wih, Cynthia Sandra Kuncoro, Annisa Alviariza, Adhisti Prihastuti, Andi Dhidit Dwiputra

200 204

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Índice

COMO EU FAÇO?

Expandindo o alcance do retalho East-West: técnica modificada para defeitos paramedianos maiores da ponta nasal Valery Lynn Turner, Pablo Vargas Mora, Rubén González Cuevas

210 214

Técnica de exérese em gota para correção de lóbulo auricular fendido após uso de alargador Giulia Zanata Rossi,Vitória Castelo Branco Rocha Ibiapina do Monte, Lorena Queiroz Furtado de Mendonça, Anna Carolina Miola

215 219

RELATO DE CASO

Criocirurgia intralesional no tratamento de queloide refratário Barbara Brunca, Giulia Maria dos Santos Goedert, Ana Paula Weber, Sofia Leite Mitidieri, André Luiz Simião

220 224

Mixoma dérmico da bainha nervosa do dedo do pé e seu manejo – relato de caso Jiten Kumar Mishra, Abhijith Valsalan, Shamendra Anand Sahu, Jalaz Joezer Rahmi

226 230

Armadilhas do melanoma: quando o perigo está na familiaridade – série de cinco casos com mimetismo clínico de dermatoses comuns Márcio Fellipe Menezes Viana, Renata Ferreira Magalhães, Andréa Fernandes Eloy da Costa França, Lucas de Teive Argollo, Thais Helena Buffo, Hamilton Ometto Stolf

230 234

Matricoma onicocítico em hálux: neoplasia ungueal rara em localização incomum Heloisa Calegari Borges, Isabelle Sousa Medeiros Torres Ferreira, Flauberto de Sousa Marinho

237 241

Tratamento cirúrgico de rinofima: uma série de casos Geovanna Mourão Ishikawa, Airton Kenji Motizuki, Natalia Megumi Morikawa, João Augusto Gomes de Souza Monteiro de Brito, Renata Mie Oyama Okajima

241 245

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

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Toxina botulínica para o tratamento das glândulas submandibulares: Revisão de escopo da literatura com foco em desfechos estéticos e funcionais Botulinum toxin for submandibular gland treatment: A scoping review of aesthetic and functional outcomes

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180577 RESUMO As glândulas submandibulares (GSM) aumentadas ou ptóticas podem impactar negativamente o ângulo mandibular e o contorno facial. A toxina botulínica tipo A (BoNT-A) já está bem estabelecida como tratamento para hipertrofia das glândulas parótidas, mas o seu uso para o tratamento das GSM ainda é pouco explorado. Foi realizada uma busca nos bancos de dados PubMed, Cochrane e LILACS, abrangendo o período de novembro de 1977 a novembro de 2024. Sete estudos atenderam aos critérios de inclusão, incluindo modelos animais, estudos cadavéricos, ensaios clínicos e relatos de caso. Os estudos que avaliaram o tamanho das GSM demonstraram redução volumétrica após a aplicação de BoNT-A. As evidências atuais sugerem que a aplicação de BoNT-A nas GSM é eficaz para reduzir o tamanho glandular e pode melhorar o contorno facial. Palavras-chave: Glândula Submandibular; Toxinas Botulínicas Tipo A; Pescoço; Envelhecimento; Estética

ABSTRACT Enlarged or ptotic submandibular glands (SmG) can negatively impact the mandibular angle and facial contour. Although botulinum toxin type A (BoNT-A) is well established as a treatment for parotid hypertrophy, its use for the treatment of SmG enlargement remains underexplored. A literature search was conducted in the PubMed, Cochrane, and LILACS databases, covering studies from November 1977 to November 2024. Seven studies met inclusion criteria, encompassing animal models, cadaveric studies, clinical trials, and case reports. Studies reporting SmG size found volumetric reduction following BoNT-A administration. Current evidence suggests BoNT-A injections into the SmG effectively reduce gland volume and may enhance facial contour. Keywords: Submandibular Gland; Botulinum Toxins,Type A; Neck; Aging; Esthetics

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Artigo de Revisão Autores: Doris Hexsel¹,² Clarissa Reinehr¹,² Patricia Caspary¹,² Gabriela Mosena¹,² Vitor Costa Fabris¹,³ ¹ 1Clínica Hexsel de Dermatologia, Departamento de Pesquisa, Porto Alegre (RS), Brasil 2 Clínica Hexsel de Dermatologia, Clínica Particular, Porto Alegre (RS), Brasil 3 Centro de Estudos em Dermatologia Estética, Departamento de Pesquisa, Criciúma (SC), Brasil

Correspondence: Vitor Costa Fabris E-mail: vitorfabris@gmail.com

Funding: None Conflict of interest: Doris Hexsel, MD: The author has acted as a speaker and consultant for Galderma. The author is also a consultant for Allergan. The other authors have no other conflict of interest to disclose.

Submitted on: 05/06/2026 Final decision: 07/09/2026 Como citar este artigo: Hexsel D, Reinehr C, Caspary P, Mosena G, Fabris V. Toxina botulínica para o tratamento das glândulas submandibulares: Revisão de escopo da literatura com foco em desfechos estéticos e funcionais. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260577.


Hexsel D, Reinehr C, Caspary P, Mosena G, Fabris V.

INTRODUÇÃO O pescoço desempenha um papel crucial na estética facial como um todo, em particular entre pacientes que buscam procedimentos de rejuvenescimento. Deformidades estruturais na região cervical podem comprometer a harmonia visual do pescoço ao alterar seu contorno natural. As glândulas submandibulares (GSM), como componentes anatômicos proeminentes dessa região, influenciam significativamente o ângulo cervicomental. Quando estão aumentadas ou ptóticas, essas glândulas podem comprometer a estética cervical ao distorcer esse ângulo e contribuir para um contorno do pescoço pouco definido.1,3 Desde sua aplicação estética inicial para o tratamento de rítides faciais, a toxina botulínica tipo A (BoNT-A) tem demonstrado eficácia terapêutica em diversas condições, incluindo rosácea e sialadenite parotídea crônica.4,5 Dadas as evidências existentes que sustentam seu uso no tratamento da hipertrofia da glândula parótida,1 é razoável supor que a toxina botulínica também possa ser eficaz no tratamento do aumento de outras glândulas salivares, como as GSM. Esta revisão de escopo tem como objetivo explorar o potencial papel da BoNT-A no tratamento da hipertrofia das GSM. Os desfechos de interesse incluíram a função glandular, o tamanho da glândula, a melhora da estética cervical e o impacto sobre a produção salivar.

sumem os sete estudos incluídos nesta revisão, consistindo em quatro estudos pré-clínicos realizados em cadáveres e modelos animais, um relato de caso em humanos e dois ensaios clínicos. Os estudos clínicos não incluíram grupo controle. Todos os estudos que avaliaram o tamanho das GSM antes e após o tratamento, tanto pré-clínicos quanto clínicos, relataram redução do tamanho das GSM após o tratamento com BoNT-A. Em geral, o tratamento foi considerado seguro, e os eventos adversos descritos nos estudos foram atribuídos a erros na técnica de injeção, com locais de injeção inadequados adjacentes ao músculo masseter, aos músculos milo-hióideos e ao tecido adiposo subcutâneo. Avaliação das glândulas submandibulares No relato de caso de G.Y. Bae et al., os autores realizaram uma avaliação preliminar antes das injeções de BoNT-A nas GSM para excluir causas alternativas de aumento glandular, como consumo de álcool, transtornos alimentares e lesões tumorais.6 Nos estudos incluídos na revisão, diferentes modalidades de imagem foram empregadas para localizar e mensurar as GSM: Bae et al. e Lee et al. utilizaram tomografia computadorizada (TC), enquanto Jung et al. utilizaram ultrassonografia (US).6,7 No estudo de Jung et al., a US foi utilizada não apenas para medir a glândula, mas também para orientar o local das injeções de BoNT-A.7

MÉTODOS Foi realizada uma busca na literatura em 11 de novembro de 2024, utilizando as bases de dados PubMed, Cochrane Library e LILACS, para identificar estudos que avaliaram o tratamento das glândulas submandibulares com toxina botulínica. A busca abrangeu artigos publicados entre novembro de 1977 e novembro de 2024. A estratégia de busca empregou os termos: “botulinum toxin” AND “submandibular gland” (“toxina botulínica” e “glândula submandibular”). Os critérios de inclusão compreenderam estudos originais, publicados em inglês, que abordassem aspectos clínicos, anatômicos, histológicos ou ultrassonográficos das glândulas salivares antes e após injeções de BoNT-A, realizados em modelos humanos ou animais e voltados ao tratamento de glândulas salivares hipertróficas ou ptóticas. Os critérios de exclusão incluíram estudos envolvendo tumores das glândulas salivares e aqueles que abordassem exclusivamente a sialorreia, sem referência à hipertrofia glandular. As variáveis extraídas incluíram o modelo do estudo (humano ou animal), o delineamento do estudo, os detalhes da intervenção, os grupos de tratamento e controle, o protocolo do estudo, o tipo de BoNT-A utilizado, os desfechos relatados e os eventos adversos.

Indicações de tratamento Nos estudos clínicos incluídos nesta revisão (n = 3), as indicações para o tratamento das GSM com BoNT-A foram: (1) preocupações estéticas em pacientes com GSM visivelmente proeminentes; e (2) avaliação do efeito das injeções de BoNT-A sobre a redução do volume das GSM em pacientes com paralisia cerebral.6-8 Avaliação das glândulas submandibulares No estudo de So J et al. (2017), as GSM foram localizadas com o uso de referências anatômicas, sem orientação por US. Os autores estabeleceram uma linha de referência entre o ângulo mandibular e o gnátio e administraram as injeções em um ponto localizado entre 20% e 35% ao longo dessa linha, a partir do ângulo mandibular, 1,5 cm abaixo da borda inferior da mandíbula, a uma profundidade de 2 cm.9 O estudo clínico de Jung et al. (2019) combinou referências anatômicas com orientação por US. Os pesquisadores dividiram a distância entre o gnátio e o ângulo mandibular em terços e realizaram a avaliação ultrassonográfica nos dois terços laterais dessa linha para avaliar o diâmetro mediolateral da glândula e orientar as injeções.7

RESULTADOS A Figura 1 apresenta os resultados da busca de acordo com o fluxograma PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). As Tabelas 1 e 2 re-

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Triagem

Identificação

Identificação de estudos através de bases de dados e registros Registros identificados de: PubMed, LILACS e Cochrane Bancos de dados: 3 Total de registros: 190 - PubMed: 171 - LILACS: 18 - Cochrane: 1

Nº de relatos removidos antes da triagem: 0

Registros triados: 190

Registros excluídos: 178

Registros buscados para recuperação: 12

Nº de registros não recuperados: 0

incluído

Registros avaliados para elegibilidade: 12

Registros excluídos: 5 - Não é artigo original: 4 - Não é escrito em inglês: 1

Estudos incluídos na revisão: 7

Figura 1: Fluxograma PRISMA.

mL de solução salina e distribuídas em cinco pontos de injeção, espaçados 5 mm entre si, utilizando uma agulha de calibre 30 e 0,5 polegada, resultando em uma dose total de 40 unidades por paciente.7 Lee et al. trataram oito pacientes com paralisia cerebral, também sob orientação por US. A BTX foi injetada na dose de

Técnica de injeção Todos os três estudos em humanos incluídos nesta revisão utilizaram orientação por US para as injeções de BoNT-A nas GSM.6-8 Jung et al. realizaram injeções guiadas por US nas GSM de 20 pacientes. Cada glândula recebeu 20 unidades de toxina onabotulínica tipo A (Botox® – BTX), diluídas em 0,2

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Hexsel D, Reinehr C, Caspary P, Mosena G, Fabris V.

Tabela 1: Resumo dos estudos pré-clínicos Estudo

Ellies et al. (2005)

Coskun et al. (2007)

So et al. (2017)

Tipo de estudo Modelo animal

Modelo animal

Modelo animal

Estudo anatômico cadavérico

Tamanho da amostra

19 ratos

40 ratos

15 ratos

6 cadáveres frescos: 2 GSM de cada cadáver

Protocolo do estudo

A BoNT-A foi injetada nas GSM e, posteriormente, foi realizada análise imunohistoquímica dos tecidos excisados

Immunohistochemical analysis of neuronal nitric oxide synthase was performed in the SmG both in untreated controls and following intraglandular BoNT-A injection

BoNT-A was injected into the SmG, and morphological changes were assessed using US on days 14 and 28 postinjection

Dye was injected into the SmG either with or without US guidance. Subsequently, the cadavers were dissected by 2 blinded physicians to assess the precision of the injections

Foi realizada análise imunohistoquímica da sintase do óxido nítrico neuronal nas GSM, tanto em controles não tratados quanto após injeção intraglandular de BoNT-A

A BoNT-A foi injetada nas GSM e as alterações morfológicas foram avaliadas por US nos dias 14 e 28 pós-injeção

Um corante foi injetado nas GSM com ou sem orientação por US. Posteriormente, os High-resolution 45-MHz cadáveres foram dissecados transducer US-guided dye por dois médicos cegados injection in the SmG para avaliar a precisão das injeções

BoNT-A injetada na GSM direita (2,5 U); a glândula esquerda recebeu 0,1 mL de solução salina

BoNT-A injetada na GSM direita (2,5 U); a glândula esquerda recebeu 0,1 mL de solução salina

BoNT-A injetada na GSM direita (2,5 U). As glândulas direitas de 5 animais foram examinadas por US no dia 14 e as de outros 5 animais no dia 28 de tratamento

Injeção de corante nas GSM guiada por US com transdutor de alta resolução de 45 MHz

8 animais não tratados

5 animais não tratados

Injeção de corante nas GSM sem orientação por US

Redução significativa da atividade de óxido nítrico sintase neuronal nas GSM tratadas com BoNT-A em comparação com os controles

Observou-se redução das GSM 2 e 4 semanas após a injeção (p < 0,01). Não foram observadas alterações histopatológicas significativas, exceto infiltração linfocitária

Erroneous sites of injection: adjacent masseter muscle, mylohyoid muscles and subcutaneous fat tissue

Não mencionado

Locais de injeção incorretos: músculo masseter adjacente, músculos milo-hióideos e tecido adiposo subcutâneo

Grupo de intervenção

Ellies et al. (1999)

Grupo controle 5 animais não tratados

Resultados

Eventos adversos

Observou-se diminuição da expressão de acetilcolinesterase nas GSM tratadas com BoNT-A

Não mencionado

Não mencionado

BoNT-A: toxina botulínica tipo A; GSM: glândulas submandibulares; US: ultrassonografia.

1 unidade/kg por glândula, com dose máxima de 100 unidades por paciente. Cinco pacientes necessitaram de sedação, enquanto os três restantes foram submetidos ao procedimento sem anestesia. A técnica de injeção, realizada por meio de um ou múltiplos pontos de injeção, não foi especificada no protocolo do estudo.8 No relato de caso de Bae et al., foram administradas, sob orientação por US, injeções de 20 unidades de BoNT-A em cada GSM. A toxina foi diluída na concentração de 4 unidades por 0,1 mL de solução salina (100 unidades em 2,5 mL de so-

lução salina). A marca da BoNT-A e a técnica de injeção (por exemplo, o número e a distribuição dos pontos de injeção) não foram informadas. O tratamento foi repetido aos 2 e 4 meses após a injeção inicial.6 Possíveis efeitos adversos Os principais efeitos adversos em potencial da injeção de BoNT-A nas GSM incluem fraqueza dos músculos adjacentes, que pode resultar em disfagia e disartria, bem como lesão intra-

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Tabela 2: Tabela 2. Resumo dos estudos clínicos Estudo

Lee et al. (2011)

Bae et al. (2013)

Jung et al. (2019)

Tipo de estudo Ensaio clínico

Relato de Caso

Ensaio clínico

Tamanho da amostra

8 participantes

1 participante

20 participantes

Protocolo do estudo

Foi utilizada TC para comparar o Injeção de BoNT-A nas GSM; tamanho das glândulas salivares antes e 3 seguimento clínico semanas após a injeção de BoNT-A

A BoNT-A foi injetada nas GSM sob orientação por US, com avaliações de seguimento por US realizadas mensalmente durante 6 meses

Foram administradas injeções de BoNT-A nas glândulas submandibulares guiadas por US, na dose de 20 unidades por lado. Uma segunda injeção foi realizada 2 meses depois, com a mesma dose (20 unidades por glândula), seguida de uma terceira injeção no mesmo intervalo e com a mesma dosagem

Foram administradas injeções de BoNT-A nas GSM guiadas por US, na dose de 20 unidades por lado, distribuídas em cinco pontos de injeção

Ausência de grupo controle

Ausência de grupo controle

Resultados

Observou-se redução significativa do tamanho das glândulas salivares 3 semanas após a injeção de BoNT-A (p < 0,05), acompanhada de melhora clínica da sialorreia

A avaliação clínica revelou melhora do contorno facial após o tratamento

Not mentioned

Eventos adversos

Não mencionado

Não mencionado

Não mencionado

Grupo de intervenção

Foram administradas injeções de BoNT-A nas GSM guiadas por US, na dose de 1 unidade por glândula por quilograma de peso corporal, com dose total máxima de 100 unidades

Grupo controle Ausência de grupo controle

BoNT-A: toxina botulínica tipo A; GSM: glândulas submandibulares;TC: tomografia computadorizada; US: ultrassonografia.

vascular ou neurovascular decorrente de técnica de injeção inadequada.7 Os locais de injeção inadequados relatados com mais frequência são os músculos milo-hióideos e o tecido adiposo subcutâneo. Para minimizar o risco de difusão da BoNT-A para as estruturas circundantes, Jung et al. recomendam o uso de injeções de alta concentração e baixo volume, o que pode reduzir a probabilidade de eventos adversos como disfagia e disartria.7

ferências anatômicas para 91,67% com a orientação por US.9 Os autores concluíram que o uso da US aumenta a precisão da injeção e também pode reduzir o risco de eventos adversos, como fraqueza dos músculos adjacentes e punção intravascular ou neurovascular durante o procedimento. Os locais mais comuns de injeção inadequada identificados foram os músculos milo-hióideos e o tecido adiposo subcutâneo.9

Injeções de toxina botulínica guiadas por ultrassonografia As injeções de BoNT-A nas GSM podem ser realizadas com ou sem orientação por US. Em um estudo cadavérico realizado por Song JI et al., a precisão das injeções guiadas por US foi comparada à das injeções baseadas exclusivamente em referências anatômicas. Os resultados demonstraram que a orientação por US melhorou significativamente a precisão das injeções (p = 0,0025).9 O estudo envolveu cadáveres frescos e comparou duas técnicas: injeções não guiadas, com base em uma linha de referência entre o ângulo mandibular e o gnátio, com os pontos de injeção posicionados entre 20% e 35% ao longo dessa linha a partir do ângulo mandibular, 1,5 cm abaixo da borda inferior da mandíbula, a uma profundidade de 2 cm; e injeções guiadas por US, utilizando um transdutor de alta resolução de 45 MHz. A precisão aumentou de 50% com o método baseado em re-

Efeitos clínicos das injeções de toxina botulínica nas glândulas submandibulares A injeção de BoNT-A nas GSM pode resultar em diversos efeitos clínicos. Do ponto de vista estético, o desfecho mais relevante é a redução do tamanho da glândula, que contribui para uma linha mandibular mais suave e definida. Estudos que utilizaram imagens de TC antes e após a injeção de BoNT-A demonstraram redução significativa do volume das GSM.6-8 No estudo de Lee Z et al., as GSM de oito pacientes com paralisia cerebral receberam injeções de BoNT-A na dose de 1 unidade/kg por glândula, seguidas de avaliação por TC para análise das alterações morfológicas 3 semanas após a injeção. Os resultados revelaram uma redução estatisticamente significativa do tamanho das GSM (p < 0,05).8 Especificamente, a área média da GSM direita diminuiu de 3,19 cm² para 2,76 cm², e a da GSM esquerda, de 2,98 cm² para 2,76 cm² após 3 semanas.8 Esse

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A

achado sustenta a observação clínica dos autores de assimetria no tamanho das glândulas em quase todos os casos. No estudo de Jung et al., 20 pacientes receberam 20 unidades de BoNT-A por GSM, administradas em cinco pontos de injeção sob orientação ultrassonográfica. Foi observada redução do diâmetro mediolateral das GSM, com efeito máximo ocorrendo 2 meses após a injeção e persistindo por aproximadamente 6 meses.7 Os autores levantaram a hipótese de que a redução glandular observada possa resultar de desnervação funcional, embora o mecanismo subjacente exato ainda seja incerto.7 Alterações histológicas e imuno-histoquímicas após a injeção de toxina botulínica na glândula submandibular A maioria dos estudos que investigaram alterações histológicas nas GSM após a injeção de BoNT foi realizada em modelos de ratos. Coskun et al. avaliaram alterações morfológicas nas GSM de ratos aos 14 e 28 dias após a injeção de BoNT-A e relataram redução significativa do diâmetro anteroposterior e da circunferência glandular em ambos os momentos (p < 0,05), com a maior redução observada no dia 28. O único achado histopatológico relevante foi a infiltração linfocitária.10 Em outro estudo, Ellies et al. demonstraram uma redução significativa nos níveis de óxido nítrico sintase neuronal nas GSM tratadas com BoNT-A (2,5 unidades de Botox® diluídas em 0,1 mL de solução salina), em comparação com glândulas não tratadas e glândulas submetidas à injeção simulada.11 Isso sugere que as vias do óxido nítrico desempenham um papel crítico na regulação neural da função das glândulas salivares. Esses achados são consistentes com o estudo anterior de Ellies et al. (1999), que relatou uma diminuição na concentração de acetilcolinesterase nas GSM de ratos tratados com BoNT, reforçando a hipótese de desnervação funcional como mecanismo da atrofia glandular.11,12

B

Figura 2: A - Demarcação do local de injeção conforme proposto por Lee et al.14 A linha verde representa a distância entre o ângulo mandibular e o gnátio. O quadrado branco indica a área-alvo, localizada 1,5 cm abaixo da borda mandibular e posicionada entre 20% e 35% da distância ao longo da linha verde, medida a partir do ângulo mandibular. B - Demarcação do local de injeção conforme descrito por Hu et al.15 A região-alvo localiza-se ao longo de uma linha vertical traçada pelo canto lateral, aproximadamente 2 cm abaixo da borda mandibular. A glândula é palpada antes da injeção para confirmar sua localização anatômica.

DISCUSSÃO Os estudos sugerem que o tamanho das GSM não aumenta significativamente com a idade; contudo, a ptose relacionada ao envelhecimento ocorre gradualmente, tornando as glândulas mais proeminentes ao longo do tempo.13 Fatores adicionais, ainda não identificados, podem contribuir para a descida ou hipertrofia das GSM com o envelhecimento. A ptose das glândulas submandibulares correlaciona-se positivamente com a idade, é comum em idosos e sua avaliação clínica precisa requer orientação anatômica ou por métodos de imagem devido à flacidez dos tecidos sobrejacentes.13 O diagnóstico da ptose das GSM pode ser desafiador, pois a flacidez dos tecidos moles sobrejacentes pode dificultar sua visualização clínica.3 Portanto, recomenda-se o uso de referências anatômicas ou métodos de imagem (por exemplo, US ou TC) para garantir a localização precisa das glândulas e a injeção segura de BoNT-A. Para auxiliar na avaliação clínica, Lee et al. propuseram um sistema de graduação para a ptose das GSM com base na

distância entre a borda inferior da mandíbula e o ponto mais inferior da glândula: Grau I, < 20 mm; Grau II, 20–25 mm; Grau III, 25–30 mm; Grau IV, > 30 mm.14 Esse sistema de graduação pode ser útil para a avaliação pré-tratamento antes da administração de injeções de BoNT-A. Em um estudo transversal, Lee et al. analisaram 100 tomografias computadorizadas (50 homens e 50 mulheres) de pacientes com idade entre 18 e 91 anos para avaliar a ptose das GSM. Foi encontrada uma correlação linear entre a idade e a descida glandular (p < 0,001), com uma taxa média de descida

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de 0,17 mm por ano. Deve-se ressaltar que 92,6% dos pacientes com 65 anos ou mais apresentaram ptose de Grau III ou IV, sem diferença significativa entre os sexos.14 Lee et al. também definiram uma “zona segura” para a injeção nas GSM (Figura 2A), recomendando a administração de BoNT-A entre 20% e 35% da distância entre o ângulo mandibular e o gnátio, 1,5 cm abaixo da borda mandibular, utilizando uma injeção a 2 cm de profundidade (agulha de 2 cm).14 Hu et al. descreveram uma técnica que envolve a palpação da glândula, seguida de injeção com uma agulha de 0,5 polegada (Figura 2B). A glândula é localizada ao longo de uma linha vertical que passa pelo canto lateral, mantendo-se uma distância de 2 cm da borda mandibular para minimizar o risco de injeção intravascular. A BoNT-A é administrada em um único ponto de injeção.15 Hu et al. recomendaram uma dose de 15 a 30 unidades de BoNT-A por glândula.15 As profundidades de injeção relatadas variam de 0,5 a 2,0 cm entre os diferentes estudos.14-16 O sistema de graduação proposto por Lee et al. fornece uma estrutura prática para a avaliação da ptose das glândulas submandibulares e pode orientar o planejamento pré-tratamento para as injeções de BoNT-A.14 As zonas de injeção, profundidades e doses definidas para a BoNT-A, conforme descrito por Lee et al. e Hu et al., permitem o tratamento seguro e eficaz das glândulas submandibulares, minimizando o risco de complicações.14,15 A atrofia glandular, particularmente após injeções repetidas de toxina botulínica, é uma preocupação potencial associada a esse tratamento. Nenhum dos estudos incluídos nesta revisão avaliou os efeitos de sessões repetidas de tratamento. Ainda assim, observou-se redução do tamanho glandular após uma única injeção, sugerindo diminuição do volume da glândula, mas a

verdadeira atrofia glandular não pode ser confirmada com base nas evidências disponíveis.17,18 Embora não tenham sido relatados casos de xerostomia nos estudos incluídos,6-8 a redução da função salivar permanece uma preocupação plausível, particularmente com tratamentos repetidos.17 Evidências experimentais e clínicas de estudos envolvendo outras glândulas salivares maiores, especialmente a parótida, sugerem que as reduções do volume glandular e da função secretora induzidas pela toxina botulínica são geralmente transitórias e reversíveis após o término do efeito farmacológico.17,18 Portanto, caso ocorra hipofunção glandular cinicamente significativa ou xerostomia, a suspensão do tratamento provavelmente permitiria a recuperação do tamanho glandular e da função salivar nos meses subsequentes.17,18 A principal limitação desta revisão de escopo é o número limitado de estudos clínicos e pré-clínicos atualmente disponíveis sobre o tema. Ainda assim, esta revisão representa um passo importante para orientar a padronização da técnica e promover maior consistência e diálogo entre estudos futuros nessa área. CONCLUSÕES Os estudos incluídos nesta revisão de escopo sugerem que as injeções de BoNT-A podem reduzir efetivamente o tamanho das GSM, resultando em melhor definição da linha mandibular e aprimoramento do contorno cervicofacial. Entretanto, uma avaliação diagnóstica minuciosa é essencial para identificar a causa subjacente das irregularidades do contorno cervical. A exclusão de etiologias alternativas para o abaulamento submandibular, como condições tumorais, infecciosas ou sistêmicas, é fundamental para garantir que o tratamento com BoNT-A seja apropriado e seguro. l

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Doris Hexsel 0000-0002-0615-9026 Aprovação da versão final do manuscrito. Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica do manuscrito. Clarissa Reinehr 0000-0003-1811-4519 Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Patricia Caspary 0009-0000-9205-3051 Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Gabriela Mosena 0000-0002-4907-2713 Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Vitor Costa Fabris 0000-0002-3540-2769 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

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Melasma além da pele: impacto psicossocial na qualidade de vida – uma revisão narrativa Melasma beyond the skin: psychosocial impact on quality of life—a narrative review

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180600 RESUMO Melasma is a chronic facial dermatosis that strongly affects mental health and self-esteem, especially among women, causing anxiety, depression, and frustration due to its visibility and recurrence. This narrative review analyzed publications from the last five years (PubMed, SciELO, LILACS, VHL) regarding the condition’s psychosocial impact.The results indicate a prevalence of depressive symptoms of up to 43.4%. Therapeutic success is found to depend on an integrated and humanized approach, combining effective treatments (such as oral tranexamic acid and the triple topical formula) with psychological support, aiming not only for lesion clearance but also for the restoration of patients’ quality of life. Keywords: Melanosis; Mental Health; Psychosocial Impact; Dermatology

ABSTRACT O melasma é uma dermatose facial crônica que com forte impacto na saúde mental e a autoestima, especialmente entre as mulheres, causando ansiedade, depressão e frustração devido à sua visibilidade e recorrência. Esta revisão narrativa analisou publicações dos últimos cinco anos (PubMed, SciELO, LILACS, BVS) sobre o impacto psicossocial da condição. Os resultados apontam prevalência de até 43,4% de sintomas depressivos. Observa-se que o sucesso terapêutico depende de uma abordagem integrada e humanizada, combinando tratamentos eficazes (como ácido tranexâmico e fórmula tripla) ao suporte psicológico, visando, além do clareamento das lesões, a restauração da qualidade de vida dos pacientes. Palavras-chave: Melanose; Saúde Mental; Impacto Psicossocial; Dermatologia

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Artigo de Revisão Autores: Samyra Fernanda Santos Silva1 Bruna Vitória da Silva2 Fernanda Pires Máximo3 Raquel de Oliveira Brito4 Victória Oliveira Viana5 Gabriela Roncada Haddad6 ¹ Universidade Nove de Julho (UNINOVE), Faculdade de Medicina, São Paulo (SP), Brasil 2 Universidade de Mogi das Cruzes, Faculdade de Medicina, Mogi das Cruzes (SP), Brasil 3 Universidade de Taubaté (UNITAU), Faculdade de Medicina, Taubaté (SP), Brasil 4 UNIATENAS, Faculdade de Medicina, Paracatu (MG), Brasil 5 Centro Universitário das Américas (FAM), Faculdade de Medicina, São Paulo (SP), Brasil 6 Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP), Faculdade de Medicina, Botucatu (SP), Brasil

Correspondência: Gabriela Roncada Haddad E-mail: gabriela.haddad@yahoo.com gabriela.haddad@unesp.br

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não É Ensaio Clínico? Não Data de submissão: 27 de junho de 2026 Decisão final: 17 de agosto de 2026

Como citar este artigo: Silva SFS, Silva BV, Máximo FP, Brito RO, Viana VO, Haddad GR. Melasma além da pele: impacto psicossocial na qualidade de vida – uma revisão narrativa. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260600.


Silva SFS, Silva BV, Máximo FP, Brito RO, Viana VO, Haddad GR.

RESULTADOS Os estudos analisados demonstram que o melasma afeta predominantemente mulheres adultas, especialmente aquelas com fototipos mais elevados, histórico de exposição solar prolongada, uso de anticoncepcionais ou alterações hormonais. Do ponto de vista psicossocial, evidenciou-se forte impacto negativo na autoestima, com relatos frequentes de vergonha, insegurança, sentimento de inferioridade e retração social. Além disso, pacientes relataram frustração com tratamentos ineficazes e sensação de desesperança diante da recorrência da condição. Foram identificados índices de prevalência de depressão de até 43,4% entre pacientes com melasma, especialmente em populações asiáticas e latino-americanas.3 A avaliação dos sintomas emocionais foi realizada por meio de instrumentos validados, como o PHQ-9 (Patient Health Questionnaire), o HADS (Hospital Anxiety and Depression Scale) e o SDS (Self-Rating Depression Scale de Zung), que demonstraram associação significativa entre melasma e sintomas de ansiedade e depressão. Observou-se ainda que o impacto psicossocial não se correlaciona necessariamente com a extensão das lesões (índice MASI), mas sim com a percepção subjetiva do paciente sobre sua aparência. Além disso, intervenções que combinam tratamento clínico eficaz, como o uso de ácido tranexâmico oral e fórmula tripla tópica, com acompanhamento psicológico, demonstraram melhora significativa na autoestima e na qualidade de vida.1,4

INTRODUÇÃO O melasma é uma dermatose crônica, recidivante e de etiologia multifatorial, caracterizada por manchas hiperpigmentadas, geralmente simétricas, que acometem áreas fotoexpostas, especialmente a face. É mais prevalente em mulheres em idade fértil, sobretudo naquelas com fototipos de Fitzpatrick III a V, sendo os principais fatores desencadeantes a exposição solar, alterações hormonais, predisposição genética, uso de anticoncepcionais e algumas medicações fotossensibilizantes.1 Apesar de ser uma condição dermatológica benigna, o melasma pode causar importantes repercussões emocionais, sociais e psicológicas. Estudos indicam que a visibilidade das lesões faciais compromete a autoestima, favorece o isolamento social e está associada a sintomas de ansiedade e depressão.2,3 Uma meta-análise recente observou prevalência de depressão de até 43,4% entre pacientes com melasma, especialmente em populações asiáticas e latino-americanas.3 A recorrência da doença, aliada à frustração com tratamentos ineficazes, contribui para o sofrimento emocional dos pacientes.2 Nesse contexto, torna-se fundamental que os profissionais de saúde adotem uma abordagem interdisciplinar, considerando tanto os aspectos clínicos quanto os psicossociais, promovendo uma assistência mais empática, integrativa e centrada no paciente.1,4 OBJETIVO Analisar o impacto psicossocial do melasma na vida dos pacientes, com ênfase nos aspectos emocionais e sociais relacionados à autoestima e à saúde mental, além de identificar estratégias terapêuticas que promovam melhora na qualidade de vida por meio de uma abordagem integrada e humanizada.

DISCUSSÃO Os impactos do melasma vão além das alterações cutâneas, atingindo profundamente a esfera emocional e social dos pacientes. As lesões hiperpigmentadas localizadas na face, região central da identidade e da comunicação interpessoal, tornam-se fonte constante de constrangimento e julgamento estético. Esse contexto favorece o desenvolvimento de baixa autoestima, ansiedade e depressão, conforme evidenciado em estudos nos quais pacientes relatam medo de exposição, autodepreciação e afastamento de interações sociais.2 Esses achados são corroborados por estudos que demonstraram elevada prevalência de sintomas depressivos em pacientes com melasma, sobretudo em populações nas quais os padrões estéticos valorizam peles mais claras.3 A associação entre melasma e sofrimento emocional destaca a necessidade de que os profissionais de saúde não apenas tratem a alteração cutânea, mas também reconheçam e acolham o sofrimento subjetivo relacionado à condição. Nesse sentido, a integração entre terapias dermatológicas e suporte psicológico representa uma estratégia promissora. O uso de ácido tranexâmico oral e da combinação tópica clássica demonstrou eficácia clínica e impacto positivo na autoestima.1 Esses achados reforçam a importância da psicodermatologia no manejo do melasma.

METODOLOGIA Este estudo é uma revisão narrativa da literatura. Foram consultadas as bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e BVS. A estratégia de busca foi realizada utilizando os descritores em inglês “melasma”, “psychosocial impact”, “quality of life” e “mental health”, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, da seguinte forma: (“melasma” AND “psychosocial impact”) AND (“quality of life” OR “mental health”). Foram incluídos estudos publicados nos últimos cinco anos, com texto completo disponível, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem os impactos psicossociais do melasma e estratégias terapêuticas com abordagens integrativas. Como critérios de elegibilidade, foram incluídas revisões sistemáticas, revisões de literatura, ensaios clínicos, estudos observacionais (transversais e longitudinais), qualitativos ou quantitativos, além de diretrizes clínicas. Foram excluídos relatos de caso, resumos simples ou expandidos, artigos sem acesso ao texto completo e publicações fora do período estabelecido.

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260600.

CONCLUSÃO Embora seja uma condição dermatológica benigna, o melasma exerce forte impacto sobre a autoestima, a vida social e a saúde mental dos pacientes, especialmente das mulheres. A literatura evidencia que a manifestação facial da doença compromete a qualidade de vida, favorecendo o desenvolvimento de ansiedade, depressão e isolamento social. Diante disso, é fundamental que os profissionais de saúde adotem uma abordagem interdisciplinar, integrando o tra-

tamento dermatológico ao suporte psicológico e ao acolhimento empático. Promover uma medicina centrada na pessoa, que compreenda o sofrimento subjetivo do paciente, é essencial para garantir, além da melhora clínica, também o bem-estar emocional. Conclui-se que o sucesso terapêutico não deve ser medido apenas pelo clareamento das lesões, mas também pela restauração da qualidade de vida e da funcionalidade social. l

REFERÊNCIAS: 1.

3. Chen W. Prevalence of depression in melasma: a systematic review and meta-analysis. Front Psychiatry. 2024;14:1276906.

Doolan BJ, Gupta M. Melasma. Aust J Gen Pract. 2021;50(12):880-5.

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4. Sharma AN. The burden of melasma: race, ethnicity, and comorbidities. J Drugs Dermatol. 2024;23(8):691-3.

CONTRIBUIÇÕES DOS AUTORES: Samyra Fernanda Santos Silva - ORCID 0009-0006-7981-5668 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Bruna Vitória da Silva - ORCID 0000-0002-3056-8559 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Fernanda Pires Máxim - ORCID 0009-0009-5697-6743 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura. Raquel de Oliveira Brito - ORCID 0000-0002-8806-357X Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Victória Oliveira Viana - ORCID 0009-0003-1583-6687 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Gabriela Roncada Haddad - ORCID 0000-0002-7516-9586 Aprovação da versão final do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito.

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Eficácia de um sérum despigmentante contendo ácido tranexâmico + niacinamida + 4-butilresorcinol e complexo de hidroxiácidos em comparação com hidroquinona no tratamento do melasma: ensaio clínico comparativo, randomizado e duplo-cego

Efficacy of a depigmenting serum containing tranexamic acid + niacinamide + 4-butylresorcinol and hydroxy acids complex compared to hydroquinone in the treatment of melasma: a randomized, double-blind, comparative clinical trial DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180564 RESUMO Introdução: O melasma é uma dermatose hiperpigmentária frequente. A hidroquinona é amplamente utilizada no tratamento do melasma, mas seu uso é limitado por seus efeitos adversos. O ácido tranexâmico tópico (TXA), isolado ou em combinação com outros agentes, é uma alternativa. Objetivos: Avaliar a não inferioridade de uma nova combinação quádrupla (QC), contendo 3% de TXA, niacinamida, 4-butilresorcinol e complexo de hidroxiácidos, em comparação com 4% de hidroquinona (HQ4) no tratamento do melasma. Métodos: Foram incluídos e randomizados 80 participantes com melasma em dois grupos: QC e HQ4. O estudo teve duração de 120 dias. Os critérios de eficácia incluíram mMASI, colorimetria (ITA e L*) e MELASQOL. Resultados: Observou-se melhora significativa dos escores de mMASI, ITA, L* e MELASQOL em ambos os grupos (p<0,05), sem diferença estatística (p>0,05) entre eles, indicando a não inferioridade do sérum QC em relação ao HQ4. Notavelmente, o novo sérum apresentou resultados superiores para mMASI, ITA e L* no D30 em comparação com HQ4, sugerindo uma maior resposta inicial ao tratamento. Conclusão: O novo sérum QC demonstrou ser não inferior ao HQ4 após 12 semanas de tratamento. Além disso, seus benefícios foram mantidos 4 semanas após a interrupção do tratamento. O sérum QC representa uma alternativa segura e eficaz ao HQ4 no tratamento do melasma facial. Palavras-chave: Hiperpigmentação; Melanose; Ácido Tranexâmico; Niacinamida ABSTRACT Background: Melasma is a common hyperpigmentary disorder. Hydroquinone is widely used to treat melasma, but its use may be limited by adverse effects. Topical tranexamic acid (TXA), alone or combined with other agents, is a potential alternative. Objectives: To evaluate the noninferiority of a new quadruple combination (QC) containing 3% TXA, niacinamide, 4-butylresorcinol and a hydroxyacid complex compared with 4% hydroquinone (HQ4) in the treatment of melasma. Methods: Eighty participants with melasma were included and randomly assigned to 2 groups: QC and HQ4. The study duration was 120 days. Efficacy criteria include mMASI, colorimetry (ITA and L*) and MELASQOL. Results: There was a significant improvement in mMASI, ITA, L* and MELASQOL in both groups (p<0.05) with no statistical difference (p>0.05) between them, indicating the noninferiority of QC serum compared with HQ4. Notably, the new serum showed greater improvements in mMASI, ITA and L* at D30 compared with HQ4, suggesting a greater initial response to treatment. Conclusion: The new QC serum demonstrated non-inferiority to HQ4 after 12 weeks of treatment. In addition, its benefits were maintained for 4 weeks after treatment discontinuation. QC serum may represent a safe and effective alternative to HQ4 in the treatment of facial melasma. Keywords: Hyperpigmentation; Melanosis;Tranexamic Acid; Niacinamide

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Artigo Original Autores: Sergio Schalka1 Denise Steiner2 Marta Furmanczyk3 Anthony Brown3 Monica Foyaca3 Jaime Piquero Casals4

1 Medcin Pesquisa Clínica, Osasco, São Paulo (SP), Brazil 2 Universidade de Mogi das Cruzes, Dermatology, Mogi das Cruzes, São Paulo (SP), Brazil 3 ISDIN, Innovation and Development, Barcelona, Catalonia, Spain 4 Dermacentric Health & Aesthetics, Barcelona, Catalonia, Spain Correspondência: Sergio Schalka E-mail: sergio.schalka@medcin.com.br Fonte de financiamento: Todos os estudos e custos de publicação foram financiados pela ISDIN, fabricante do produto estudado. Conflito de interesses: Todos os estudos e custos de publicação foram financiados pela ISDIN, fabricante do produto estudado. É ensaio clínico? ISRCTN16361887 Número CAAE de aprovação no Comitê de Ética: 70186923.2.0000.5514 Data de submissão: 16/03/2026 Decisão final: 25/06/2026

Como citar este artigo: Schalka S, Steiner D, Furmanczyk M, Brown A, Foyaca M, Casals JP. Eficácia de um sérum despigmentante contendo ácido tranexâmico + niacinamida + 4-butilresorcinol e complexo de hidroxiácidos em comparação com hidroquinona no tratamento do melasma: ensaio clínico comparativo, randomizado e duplo-cego. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260564.


Schalka S, Steiner D, Furmanczyk M, Brown A, Foyaca M, Casals JP.

INTRODUÇÃO O melasma é uma doença crônica adquirida de hiperpigmentação da pele, caracterizada clinicamente por máculas acastanhadas, particularmente na face.1 Embora possa afetar ambos os sexos e diversas etnias, é mais prevalente em mulheres em idade fértil, especialmente naquelas com fototipos de Fitzpatrick intermediários (III a V).2 Embora não seja totalmente compreendida, a etiologia do melasma envolve fatores intrínsecos, como predisposição familiar e perfil hormonal, bem como fatores ambientais, especialmente a exposição à radiação solar (luz ultravioleta e visível).2,3,4 Devido à sua cronicidade e tendência à recidiva, o tratamento do melasma permanece um desafio para os dermatologistas. A hidroquinona (HQ) tópica é considerada o padrão-ouro, mas pode causar efeitos adversos tanto transitórios (como dermatite de contato) quanto permanentes (como ocronose).1,2 Por essas razões, seu uso é recomendado em concentração máxima de 4% e por um período limitado, geralmente de até 90 dias.1 Isso desincentiva médicos e pacientes a utilizá-la e destaca a necessidade de alternativas mais seguras. Recentemente, novas opções terapêuticas, com menos efeitos adversos e eficácia comparável à da HQ, foram propostas para o tratamento do melasma. O ácido tranexâmico (TXA) tem se destacado como uma alternativa atraente. O TXA é utilizado há muitos anos como agente antifibrinolítico no tratamento do sangramento menstrual intenso.4,5 Estudos recentes apresentaram resultados promissores com o TXA tópico como tratamento alternativo para o melasma, devido à sua capacidade de inibir o ativador do plasminogênio (AP) e interferir na via plasminogênio/plasmina, reduzindo fatores melanogênicos como prostaglandinas, leucotrienos, fator de crescimento fibroblástico (FGF) e hormônio estimulador de alfa-melanócitos (α-MSH).5,6 Além disso, um estudo demonstrou que o TXA reduz o número de vasos sanguíneos CD31+ e regula negativamente a expressão da endotelina-1, um fator melanogênico que induz a pigmentação. Um estudo em porquinhos-da-índia também observou inibição da atividade da tirosinase.7 Com base na literatura disponível, o TXA tópico em concentrações que variam de 2% a 5% demonstrou eficácia semelhante à de agentes que contém HQ, com menos eventos adversos.4,7 O TXA a 2%, nas formulações em emulsão e loção para o tratamento do melasma, demonstrou melhora estatisticamente significativa no escore MASI nas semanas 4 e 8.7 Um estudo duplo-cego de face dividida avaliou a eficácia do TXA lipossomal a 5% versus creme de HQ a 4%.7 Observou-se redução estatisticamente significativa do escore MASI na semana 12. Embora tenha sido observada maior redução do escore MASI com o TXA lipossomal a 5%, não foi relatada diferença estatística entre os dois tratamentos.7 Outros agentes despigmentantes eficazes e amplamente utilizados incluem a niacinamida e o 4-n-butilresorcinol (4nBR).

A niacinamida é a forma ativa da niacina (vitamina B3) e precursora de coenzimas como a nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADH) e a nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato (NADPH). Estudos in vitro demonstraram que a niacinamida reduz significativamente a transferência de melanossomos para os queratinócitos.8 Também apresenta efeito anti-inflamatório na pele e é considerada segura para uso em pacientes gestantes e lactantes.1 No melasma, o tratamento com niacinamida a 4% durante 8 semanas resultou em redução de 62% no escore MASI.9 Demonstrou-se que o 4nBR inibe a atividade tanto da tirosinase quanto da proteína 1 relacionada à tirosinase, que catalisa a oxidação do intermediário melanogênico ácido 5,6-dihidroxiindol-2-carboxílico. Ensaios clínicos demonstraram a eficácia do 4nBR em concentrações de 0,1% e 0,3%.10,11 Um estudo comparativo duplo-cego, randomizado e de face dividida comparou a eficácia da aplicação de um sérum de 4nBR a 0,3%, duas vezes ao dia, com a do veículo em 28 mulheres com fototipos de Fitzpatrick III-IV e melasma.12 Após 12 semanas, o 4nBR alcançou escores de pigmentação significativamente menores do que o veículo. Outro estudo duplo-cego, randomizado e de face dividida, envolvendo 23 mulheres coreanas com melasma encontrou redução significativa do índice de melanina após a aplicação de 4nBR a 0,1% encapsulado em lipossomas, em comparação com o veículo, após 8 semanas.13 Também foi relatado que os hidroxiácidos são benéficos no tratamento de lesões pigmentares. Os hidroxiácidos são uma classe de ácidos carboxílicos orgânicos com um ou mais grupos hidroxila ligados à posição alfa ou beta do grupo carboxila. Podem ser classificados em alfa-hidroxiácidos (AHAs), beta-hidroxiácidos (BHAs) e poli-hidroxiácidos (PHAs).14 A principal atividade dos hidroxiácidos está relacionada às suas propriedades queratolíticas e queratoplásticas, que reduzem a espessura do estrato córneo ao mesmo tempo que promovem o aumento da renovação celular, potencializando a eficácia dos agentes despigmentantes. Além disso, demonstrou-se que os AHAs melhoram a arquitetura da pele ao aumentar o ácido hialurônico epidérmico e espessar a derme por meio do aumento da síntese de glicosaminoglicanos e colágeno. Estudos demonstraram que os AHAs estimulam a produção de colágeno e a renovação epidérmica sem induzir a produção de citocinas pró-inflamatórias, sustentando seu perfil de segurança em condições de pele sensível, como o melasma.14,15,16 Esses efeitos contribuem para a dispersão da melanina, a reversão da atipia celular e a melhora geral das lesões hiperpigmentadas.15 A combinação de ingredientes que atuam em diferentes etapas da via da melanogênese constitui uma abordagem moderna e eficiente para o tratamento do melasma.17 Levando isso em consideração, foi desenvolvido um novo sérum em gel cosmético (QC) que contém múltiplos ingredientes ativos.18 Essa formulação contém TXA, 4nBR, niacinamida e uma combinação de hidroxiácidos (gluconolactona, ácido fítico, ácido mandélico e ácido salicílico), com propriedades esfoliantes que promovem a

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18:e20260564.

remoção de queratinócitos pigmentados das camadas superiores para clarear a pele.18 A eficácia dessa formulação foi demonstrada anteriormente.18 In vitro, ela reduziu a produção de melanina em 67,0% no D21 (p < 0,001), em comparação com os controles. A eficácia clínica e a tolerabilidade após aplicações duas vezes ao dia durante 3 meses foram demonstradas em 35 indivíduos com hiperpigmentação facial leve a moderada, por meio de avaliação instrumental e clínica. Esses resultados sustentaram a eficácia e a tolerabilidade dessa nova formulação. O objetivo deste estudo foi avaliar a não inferioridade dessa nova formulação (QC) no tratamento do melasma em comparação com o tratamento padrão-ouro, a hidroquinona a 4% (HQ4). MATERIAL E MÉTODOS Foi realizado um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e de centro único no Brasil, entre julho e dezembro de 2023. O estudo foi conduzido de acordo com as diretrizes Good Clinical Practices e recebeu aprovação ética em conformidade com as regulamentações federais emitidas pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco (USF), sob o número CAAE 70186923.2.0000.5514 e parecer nº 6.155.206, em 30 de junho de 2023. As voluntárias assinaram um termo de consentimento no qual concordaram em participar do estudo e autorizaram o uso dos dados para publicação. Um total de 80 participantes foi incluído no estudo. As idades variaram de 35 a 64 anos, com média de 50 anos. Os critérios de inclusão compreenderam mulheres com idade entre 35 e 65 anos, com melasma moderado a grave havia pelo menos 1 ano, que não haviam recebido tratamento nos últimos 3 meses. Gestantes e lactantes foram excluídas do estudo. Os critérios de exclusão incluíram perda de seguimento, desvio de protocolo ou adesão ao tratamento inferior a 80%. As participantes elegíveis foram randomizadas em dois grupos: Grupo I – Tratamento investigacional – combinação quádrupla (QC): sérum facial com TXA a 3%, NIC a 4,5%, 4nBR a 0,3% e um complexo de hidroxiácidos composto por gluconolactona a 5%, ácido fítico a 4% e ácido mandélico a 1,5%, além de protetor solar FPS 50+. Grupo II – Tratamento comparativo – hidroquinona a 4% (HQ4) mais protetor solar FPS 50+. As participantes foram orientadas a aplicar o sérum QC (grupo I) ou HQ4 (grupo II) nas lesões faciais duas vezes ao dia (pela manhã e à noite) e a aplicar o protetor solar pela manhã (imediatamente após o tratamento despigmentante) e reaplicá-lo a cada 2 horas. Os produtos foram utilizados durante 90 dias consecutivos. Avaliações clínicas, medidas colorimétricas e avaliações da qualidade de vida autorrelatadas foram realizadas nas visitas D0 (inicial), D30 (intermediária), D90 (visita final de uso do produto) e D120 (1 mês pós-tratamento). As avaliações dermatológicas foram realizadas por der-

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matologista especialista e incluíram uma avaliação de segurança e a determinação do Melasma Area and Severity Score modificado (mMASI), conforme previamente descrito e validado.19 A colorimetria foi avaliada pela determinação do parâmetro L* (luminosidade) e do ITA (Individual Typology Angle — Ângulo de Tipologia Individual) na pele afetada pelo melasma em cada visita, por meio do Chroma Meter CR-400 (Konica Minolta). A colorimetria permite quantificar a intensidade do eritema e da pigmentação da pele. O colorímetro possibilita a mensuração rápida e não invasiva da cor da pele, com base no sistema de coordenadas L*a*b*, estabelecido pela Commission Internationale de l’Éclairage (CIE). A determinação é realizada por meio de uma lâmpada policromática de arco de xenônio, que fornece iluminação à pele, e de seis fotocélulas de silicone de alta sensibilidade, três das quais monitoram a luz produzida pela lâmpada, enquanto as demais medem a luz refletida pela amostra. Um pulso de luz visível é emitido pela fonte sobre a superfície da pele, e a luz refletida é analisada por um único sistema óptico conectado a um microprocessador, que calcula o resultado.20 O sistema L*a*b* é a ferramenta mais amplamente utilizada para quantificar a cor da superfície da pele. A medida L* varia em uma escala do preto ao branco, com valores de 0 a 100, respectivamente. A coordenada a* representa valores de cor que variam do verde (valores negativos) ao vermelho (valores positivos), e a coordenada b* representa valores que variam do azul (valores negativos) ao amarelo (valores positivos). A coordenada L* (luminosidade) correlaciona-se com o índice de melanina.20 O ITA (Individual Typology Angle), determinado pela equação (ITA° = [Tangente do Arco ((L* - 50) / b*)] 180 / 3,14159) e expresso em radianos, representa o tom da pele e apresenta boa correlação com a pigmentação cutânea.20 Em cada visita, as participantes foram instruídas a preencher a Melasma Quality of Life Scale (MELASQOL), um questionário de qualidade de vida validado.21 O desfecho primário foi avaliar a não inferioridade do sérum QC em comparação com HQ4 para o tratamento do melasma facial, considerando como desfecho a alteração do mMASI após 90 dias (D90) de uso e 30 dias após a suspensão do tratamento (D120). Os desfechos secundários foram a alteração dos parâmetros colorimétricos (ITA e L*) e da qualidade de vida, como medido pelo questionário MELASQOL. O teste de normalidade de Shapiro-Wilk foi utilizado para determinar a normalidade dos dados. Quando a hipótese de normalidade não foi rejeitada, utilizou-se o teste t de Student para dados pareados para comparar os diferentes tempos experimentais e o teste t de Student para amostras independentes para comparar os tratamentos. Quando a normalidade foi rejeitada, utilizou-se o teste de Wilcoxon para dados pareados para comparar os diferentes tempos experimentais. Os resultados foram considerados estatisticamente significativos ao nível de significância de 5% (P ≤ 0,05).


Schalka S, Steiner D, Furmanczyk M, Brown A, Foyaca M, Casals JP.

RESULTADOS Das 80 participantes previamente randomizadas, 58 concluíram o estudo: 30 participantes no grupo I e 28 participantes no grupo II. Vinte e uma participantes abandonaram o estudo e foram excluídas devido à perda de seguimento. Uma participante abandonou o estudo na visita D30 por motivos pessoais não relacionados ao estudo e uma participante foi excluída do estudo porque sua adesão ao tratamento foi inferior a 80%, o que constituía um dos critérios de exclusão. A taxa de perda de seguimento, superior à esperada, esteve relacionada principalmente ao longo período de seguimento e ao cronograma rigoroso de visitas, que muitas vezes podem limitar a adesão em estudos cosméticos, e

não a eventos adversos relacionados ao tratamento. O fluxograma do estudo, de acordo com o CONSORT 2010, é apresentado na figura 1. As principais variáveis clínicas e demográficas dos grupos no momento da inclusão são apresentadas na Tabela 1. Em relação à segurança, foram observados eventos adversos não graves nas voluntárias tratadas tanto com o sérum QC quanto com HQ4. Os eventos foram considerados leves, consistindo principalmente em ardência e queimação, compatíveis com dermatite irritativa, e se resolveram apesar da continuidade do tratamento. Quanto à eficácia, os resultados dos desfechos predefinidos são apresentados a seguir:

Fluxograma CONSORT 2010

Inclusão

Avaliadas para elegibilidade (n=102) Excluídas (n=22) ♦ Não atenderam aos critérios de inclusão (n=20) ♦ Recusaram-se a participar (n=2) ♦ Outros motivos (n=0)

Randomizadas (n=80)

Alocação Grupo I (grupo investigacional) Alocadas para a intervenção (n=40) ♦ Receberam a intervenção alocada (n=40) ♦ Não receberam a intervenção alocada (n=0)

Grupo II (grupo de comparação) Alocadas para a intervenção (n=40) ♦ Receberam a intervenção alocada (n=40) ♦ Não receberam a intervenção alocada (n=0)

Seguimento Perda de seguimento (n=10)

Perda de seguimento (n=11)

Intervenção descontinuada (n=0)

Intervenção descontinuada (baixa adesão) (n=1)

Análise Analisadas de acordo com o protocolo (n=30) ♦ Excluídas da análise (n=0)

Analisadas de acordo com o protocolo (n=28) ♦ Excluídas da análise (n=0)

Figura 1. Fluxograma CONSORT

415 181 177


Surg Cosmet Dermatol. 2026;18:e20260564.

A – Avaliação Clínica (mMASI) Os resultados e a variação (redução) do mMASI de D0 para D30, D90 e D120 são apresentados na Tabela 2. Os dois grupos apresentaram uma redução estatisticamente significativa do mMASI em todas as visitas em relação à visita inicial. Esses resultados demonstram a eficácia de ambos os tratamentos na redução dos sinais clínicos do melasma durante o período de tratamento de 90 dias e o período pós-tratamento de 30 dias. Deve-se ressaltar que, em D30, o grupo tratado com o sérum QC apresentou maior redução relativa do mMASI (-10,43%) em comparação com HQ4 (-2,65%). Embora a diferença não tenha sido estatisticamente significativa, observou-se uma tendência a uma resposta inicial mais rápida com o sérum. São necessárias investigações adicionais para confirmar esse possível benefício. O teste de Mann-Whitney foi aplicado para comparar as alterações ao longo do tempo entre os dois grupos. Em comparação com D0, não foi observada diferença estatisticamente significativa entre o sérum QC e HQ4 em nenhuma das visitas (p > 0,05), indicando a não inferioridade do sérum QC em comparação com HQ4% na avaliação do mMASI.

Embora o estudo não tenha sido originalmente dimensionado nem delineado para estabelecer uma margem formal de não inferioridade, a ausência de diferenças estatisticamente significativas em todos os desfechos sugere que os dois tratamentos têm eficácia comparável. B – Ângulo de Tipologia Individual (ITA) Os resultados e a variação (aumento) do ITA de D0 para D30, D90 e D120 são apresentados na Tabela 3. Os resultados apresentados na Tabela 3 mostraram que ambos os tratamentos foram eficazes em aumentar o ITA e, logo, reduzir a intensidade da pigmentação do melasma. Ambos os tratamentos apresentaram alterações estatisticamente significativas na comparação de D30, D90 e D120 com a visita inicial. Deve-se ressaltar que o efeito do sérum no aumento do ITA foi mais intenso em D30 (27,36%) do que o de HQ4% (20,25%), o que sugere uma resposta inicial mais rápida, em consonância com a observada para o mMASI. Surpreendentemente, após a suspensão do tratamento, houve aumento contínuo do ITA, em particular no grupo tratado com o sérum QC (ΔITA D120 vs. D90: 0,9 para o sérum QC vs. -0,8 para HQ4%), demonstrando um efeito residual

Tabela 1. Dados clínicos e demográficos das participantes (n = 58). Parâmetros Grupo I (Sérum QC) Grupo II (HQ4%) 35-39 1 (3,33%) 2 (7,14%) 40-49 12 (40,00%) 10 (35,71%) Idade 50-59 12 (40,00%) 14 (50,00%) 60+ 5 (16,67%) 2 (7,14%) I 0 (0,00%) 0 (0,00%) II 0 (0,00%) 0 (0,00%) III 8 (26,67%) 12 (40,00%) Fototipo IV 18 (60,00%) 15 (50,00%) V 4 (13,33%) 1 (3,33%) VI 0 (0,00%) 0 (0,00%) mMASI, mediana (quartis) em D0 L*, 8,15 (6,4 - 10,8) 7,55 (3,95 - 11,15) mediana (quartis) em D0 51,8 (48,1; 54,3) 51,1 (47,7; 55,4) ITA, mediana (quartis) em D0 2,96 (-3,04; 4,04) 2,37 (-3,49; 3,96) MELASQOL, mediana (quartis) em D0 48,3 (13,1) 46,5 (16,6) Tabela 2. Comparação intragrupo de D30, D90 e D120 com D0 nos grupos I (Sérum QC) e II (HQ4). n = 58. Dados apresentados como mediana e quartis. Grupo I (Sérum QC) Grupo II (HQ4) mMASI % de redução em comparação com D0 mMASI % de redução em comparação com D0 D0 8,15 (6,4 - 10,8) 7,55 (3,95 - 11,15) D30 7,30 (5,2 - 10,5) -10,43%* 7,35 (3,5 - 10,2) -2,65%* D90 5,95 (4 - 9,6) -26,99%* 4,90 (2,8 - 6,85) -35,10%* D120 4,95 (3,4 - 8,3) -39,26%* 3,45 (2,2 - 5,55) -54,30%* * (p<0,05) Teste de Wilcoxon. Comparação entre Dx e D0.

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Schalka S, Steiner D, Furmanczyk M, Brown A, Foyaca M, Casals JP.

Tabela 3. Comparação intragrupo de D30, D90 e D120 com D0 para os grupos I e II. n=58. Dados apresentados como mediana e quartis. Grupo I (Sérum QC) Grupo II (HQ4%) ITA mediano (radianos) % increase compared with % de aumento em comparação com D0 D0 ITA (radianos) D0 2,96 (-3,04; 4,04) 2,37 (-3,49; 3,96) D30 3,77 (-2,86; 4,23) 27,36%* 2,85 (-1,63; 4,37) 20,25%* D90 3,56 (-0,24; 4,3) 20,27%* 3,92 (0,82; 4,27) 65,40%* D120 3,98 (2,15; 4,45) 34,46%* 3,85 (-0,39; 4,20) 62,45%* * (p<0,05) Teste de Wilcoxon. Comparação entre Dx e D0.

mesmo após a suspensão. A análise do ΔITA entre a lesão e a pele saudável perilesional (dados não apresentados) identificou melhora progressiva da uniformidade da pigmentação com ambos os tratamentos, sendo que o grupo do sérum QC alcançou uma redução cumulativa de 56,25% em D120, em comparação com 50,00% para HQ4. Embora a diferença entre os grupos não tenha sido estatisticamente significativa, a redução sustentada observada no grupo do sérum sugere eficácia consistente e duradoura na melhora da uniformidade do tom da pele. Não houve diferença estatisticamente significativa (teste de Mann-Whitney; p < 0,05, conforme apresentado no original) na variação do ITA entre os dois grupos, sugerindo eficácia equivalente dos tratamentos na redução da intensidade da pigmentação nas lesões de melasma.

D – MELASQOL Os resultados dos questionários preenchidos pelas voluntárias para avaliar a qualidade de vida das pacientes com melasma (MELASQOL) são apresentados na Tabela 5. Os resultados demonstraram redução estatisticamente significativa nos escores do MELASQOL em ambos os grupos em todas as visitas. Os resultados refletem a autopercepção das participantes quanto à melhora da qualidade de vida em relação ao melasma. Não houve diferença estatisticamente significativa (teste de Mann-Whitney; p < 0,05) na variação do MELASQOL entre os dois grupos, sugerindo que ambos os tratamentos foram bem percebidos pelas participantes quanto à redução do impacto do melasma na qualidade de vida.

C – Luminosidade (L*) Os resultados e a variação (aumento) do parâmetro L* (luminosidade) de D0 para D30, D90 e D120 são apresentados na Tabela 4. Houve aumento significativo da luminosidade das lesões de melasma durante e após os tratamentos em ambos os grupos. Conforme observado para o ITA, o aumento do parâmetro L* persistiu mesmo após a suspensão do tratamento. Não houve diferença estatisticamente significativa (teste de Mann-Whitney; p < 0,05, conforme apresentado no original) na variação de L* entre os dois grupos, destacando a eficácia comparável dos dois regimes terapêuticos no clareamento das lesões de melasma.

DISCUSSÃO Os resultados demonstram não inferioridade nos desfechos clínicos, colorimétricos e de qualidade de vida nas voluntárias tratadas com a nova combinação despigmentante (QC), contendo ácido tranexâmico a 3%, niacinamida a 4,5%, 4-butilresorcinol a 0,3% e um complexo de hidroxiácidos contendo gluconolactona a 5%, ácido fítico a 4% e ácido mandélico a 1,5%, em comparação com o tratamento padrão-ouro, hidroquinona a 4%. Inicialmente, o mMASI foi avaliado como desfecho primário, demonstrando redução significativa (p < 0,05) de 10,43% após 30 dias de tratamento com a nova combinação, que continuou a melhorar ao longo de 90 dias (26,99%) e mesmo após 30 dias da suspensão do tratamento (39,26%). Deve-se

Tabela 4. Comparação intragrupo de D30, D90 e D120 com D0 para os grupos I e II. n=58. Dados apresentados como mediana e quartis. Grupo I (Sérum QC) Grupo II (HQ4) L* % de aumento em comparação com D0 L* % de aumento em comparação com D0 D0 51,8 (48,1; 54,3) 51,1 (47,7; 55,4) D30 54,0 (48,6; 55,4) 4,25%* 51,7 (49,4; 56,1) 1,17%* D90 53,0 (49,9; 56,9) 2,32%* 54,9 (50,3; 58,1) 7,44%* D120 53,9 (50,8; 59,2) 4,05%* 54,1 (49,8; 56,5) 5,87%* * (p<0,05) Teste de Wilcoxon. Comparação entre Dx e D0. 617 183 179


Surg Cosmet Dermatol. 2026;18:e20260564.

Tabela 5. Comparação intragrupo de D30, D90 e D120 com D0 para os grupos I e II. n=58. Dados apresentados como mediana e quartis. Grupo I (Sérum QC) Grupo II (HQ4) MELASQOL % de redução em comparação MELASQOL % de redução em comparação com D0 com D0 D0 48,3 (13,1) 46,5 (16,6) D30 38,7 (16,8) -19,88%* 34,9 (17,1) -24,95%* D90 32,7 (17) -32,30%* 31,5 (18)-32,26%* D120 35,1 (17,9) -27,33%* 32,8 (19,3) -29,46%* * (p<0,05) Teste de Wilcoxon. Comparação entre Dx e D0.

ressaltar que o efeito do sérum QC foi mais intenso do que o da HQ4 nesse momento. Destaca-se o efeito residual do sérum QC após a suspensão do tratamento, sugerindo atividade continuada dos agentes despigmentantes na epiderme. Em comparação com a HQ4, não houve diferença estatisticamente significativa no mMASI, indicando eficácia comparável entre o produto investigacional e a HQ4%. Como o estudo não foi dimensionado para um desenho formal de não inferioridade, essa afirmação deve ser interpretada como eficácia comparável, e não como não inferioridade estatística estrita. Nas avaliações colorimétricas, os resultados seguiram a mesma tendência, com melhora significativa observada após 30 dias de tratamento e evolução positiva nas visitas subsequentes, com atividade residual após a suspensão. A ausência de diferenças estatisticamente significativas entre os grupos sustenta a eficácia comparável do sérum QC e da HQ4. Além disso, o sérum QC demonstrou melhora sustentada, com efeitos residuais significativos no mMASI, ITA e L* após a suspensão do tratamento, destacando seu potencial como alternativa de longo prazo e bem tolerada. A avaliação do MELASQOL foi consistente com os achados anteriores, com melhora significativa desde a visita inicial até 90 dias. Os dois grupos evoluíram de maneira semelhante, e não foi observada diferença estatisticamente significativa entre eles. Sintomas leves de ardência e queimação, compatíveis com dermatite irritativa, foram relatados tanto com o sérum QC quanto com a HQ4. Essas manifestações clínicas têm sido amplamente relatadas em pacientes tratados com hidroquinona. Em relação ao produto investigacional, os sintomas podem estar relacionados à presença do complexo de hidroxiácidos, cuja ação queratolítica pode afetar a integridade da barreira cutânea e produzir os sintomas descritos. Publicações anteriores que compararam produtos que continham niacinamida e outros ingredientes despigmentantes encontraram resultados semelhantes, com redução de aproximadamente 30% no mMASI em 16 semanas,1 uma melhora alcançada após 12 semanas de tratamento no presente estudo. Considerando esses estudos, os resultados do presente estudo apresentaram ação mais rápida da QC.

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Em comparação com o estudo anterior realizado com o mesmo produto, foram observadas algumas diferenças nos resultados. O mMASI apresentou maior redução no estudo anterior após 90 dias de tratamento (63%) em comparação com os resultados encontrados no presente estudo (27%). Essa diferença pode estar relacionada às diferenças nas populações avaliadas (participantes brasileiras versus portugueses) e, possivelmente, à época do ano em que os estudos foram realizados. Como está bem documentado, o melasma tende a piorar após a exposição solar, mesmo com o uso de filtro solar. Os demais parâmetros não podem ser comparados diretamente entre os estudos. Do ponto de vista clínico, a possibilidade de utilizar um tratamento tópico com eficácia comparável à da hidroquinona a 4%, mas com início de ação mais rápido, é altamente atraente tanto para dermatologistas quanto para seus pacientes. Este estudo apresenta algumas limitações. Foi realizado em um único centro, com tamanho amostral relativamente pequeno, o que pode limitar a generalização dos resultados. A taxa de perdas foi maior do que a ideal, principalmente relacionada ao longo período de seguimento e ao cronograma de visitas, e não a eventos relacionados ao tratamento. Além disso, não foi definida uma margem de não inferioridade pré-especificada, e o estudo não teve poder estatístico para uma análise formal de não inferioridade. Contudo, o desenho randomizado e duplo-cego e a consistência dos resultados em todos os desfechos sustentam a robustez dos achados. Estudos multicêntricos futuros, com populações maiores e mais diversas, são necessários para confirmar e ampliar esses resultados. CONCLUSÃO O sérum despigmentante contendo ácido tranexâmico, niacinamida, 4-butilresorcinol e hidroxiácidos foi eficaz na redução dos parâmetros clínicos e colorimétricos e na melhora da qualidade de vida em pacientes com melasma após 12 semanas de tratamento. Sua eficácia foi comparável à da hidroquinona a 4%, ao mesmo tempo que demonstrou efeito despigmentante inicial mais rápido e benefício residual após a suspensão do tratamento. Esses achados sustentam o sérum QC como uma alternativa segura e eficaz para o manejo do melasma. l


Schalka S, Steiner D, Furmanczyk M, Brown A, Foyaca M, Casals JP.

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Sergio Schalka 0000-0003-2425-7962 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Denise Steiner 0000-0001-6450-9234 Aprovação da versão final do manuscrito, Revisão crítica do manuscrito Marta Furmanczyk 0000-0003-3524-514X Aprovação da versão final do manuscrito. Concepção e planejamento do estudo, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica do manuscrito Anthony Brown 0000-0002-1271-310X Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Monica Foyaca 0009-0005-3244-6626 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Jaime Piquero Casals 0000-0002-4481-5602 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

www.surgicalcosmetic.org.br/

Efeitos clínicos de oligopeptídeos de colágeno oral na aparência de rugas em mulheres de 45-60 anos: ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo Clinical aesthetic effects of oral collagen oligopeptides on wrinkle appearance in women aged 45-60 years: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180573 RESUMO Introdução: A suplementação oral de colágeno tem sido investigada como estratégia para suporte à aparência da pele, embora os efeitos clínicos sejam geralmente modestos. Em dermatologia estética, a magnitude e o padrão temporal das alterações são relevantes. Objetivo: Avaliar os efeitos da suplementação oral com oligopeptídeos de colágeno na aparência de rugas faciais em mulheres de 45-60 anos. Métodos: Ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo com 102 mulheres. As participantes receberam oligopeptídeos de colágeno (2,5 g/dia) ou placebo durante 12 semanas. A intensidade das rugas foi o desfecho primário, avaliado por meio de imagens digitais padronizadas. A densidade dérmica e os sinais ópticos associados ao colágeno foram analisados como desfechos exploratórios. Resultados: Observou-se redução significativa na intensidade das rugas no grupo ativo na semana 8. A redução já era observável na semana 4, sem significância, e os valores permaneceram numericamente inferiores na semana 12. O placebo apresentou variações discretas. Os parâmetros exploratórios apresentaram aumentos numéricos, sem significância estatística. Conclusão: A suplementação com oligopeptídeos de colágeno associou-se à redução da intensidade das rugas, com efeito precoce e manutenção parcial ao longo do tempo, indicando benefício estético mensurável. Palavras-chave: Envelhecimento da Pele; Colágeno; Suplementos Nutricionais; Peptídeos; Derme

Artigo Original Autores: Vivian Zague1 Ana Lúcia Tabarini Alves Pinheiro2 Juliana Rodrigues Pinto2 Viviane Cristina Albarici2 Gustavo Facchini2 Samara Eberlin2

Genu-in - JBS S/A, Pesquisa e Desenvolvimento, São Paulo (SP), Brasil 2 Kosmoscience Group, Pesquisa e Desenvolvimento, Valinhos (SP), Brasil 1

Correspondência: Vivian Zague E-mail: vivian.zague@genu-in.com / gustavo@kosmoscience.com

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesse: Nenhuma Número CAAE de aprovação no Comitê de Ética: 70137923.4.0000.5514

ABSTRACT Introduction: Oral collagen supplementation has been investigated as a strategy to support skin appearance, although clinical effects are generally modest. In aesthetic dermatology, both the magnitude and temporal pattern of changes are relevant. Objective: To assess the effects of oral supplementation with collagen oligopeptides on facial wrinkle appearance in women aged 45-60 years. Methods: A randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial was conducted in 102 women. Participants received collagen oligopeptides (2.5 g/day) or a placebo for 12 weeks. Wrinkle intensity was the primary endpoint, assessed using standardized digital imaging. Dermal density and collagen-related optical signals were analyzed as exploratory outcomes. Results: A significant reduction in wrinkle intensity was observed in the active group at week 8. A reduction was already apparent at week 4, although not statistically significant, and values remained numerically lower at week 12. The placebo group showed minor variations. Exploratory parameters showed numerical increases but were not statistically significant. Conclusion: Collagen oligopeptide supplementation was associated with a reduction in wrinkle intensity, with an early effect that was partially maintained over time, indicating a measurable aesthetic benefit. Keywords: Skin Aging; Collagen; Dietary Supplements; Peptides; Dermis 201 186 182

Data de submissão: 29 de abril de 2026 Decisão final: 9 de julho de 2026

Como citar este artigo: Zague V, Pinheiro ALTA, Pinto JR, Albarici VC, Facchini G, Eberlin S. Efeitos clínicos de oligopeptídeos de colágeno oral na aparência de rugas em mulheres de 4560 anos: ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo. Surg. Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260573.


Zague V, Pinheiro ALTA, Pinto JR, Albarici VC, Facchini G, Eberlin S.

INTRODUÇÃO O envelhecimento cutâneo é o produto de uma interação complexa entre mecanismos biológicos intrínsecos, como programação genética, flutuações hormonais e declínio cronológico, e estressores extrínsecos, incluindo exposição à radiação ultravioleta, poluição ambiental e fatores comportamentais. Em conjunto, esses fatores comprometem progressivamente a arquitetura dérmica, levando à redução da elasticidade, ao afinamento da derme e à formação de rugas clinicamente visíveis.1 Entre as diversas manifestações do envelhecimento cutâneo, a aparência das rugas continua a ser um dos desfechos mais relevantes e perceptíveis na dermatologia estética, servindo como importante parâmetro para avaliar a eficácia das intervenções. Dada a natureza multifatorial do envelhecimento cutâneo, intervenções nutricionais e ingredientes alimentares funcionais capazes de modular a homeostase da matriz extracelular (MEC) têm recebido atenção crescente como estratégias complementares para a manutenção da saúde da pele. Nesse contexto, a capacidade dessas intervenções de produzir alterações mensuráveis na aparência da pele, particularmente sob condições clínicas controladas, representa um importante desafio translacional na área.1–3 O colágeno, a proteína fibrilar predominante da MEC dérmica, desempenha papel estrutural central na manutenção da integridade mecânica e da firmeza da pele. Com o avanço da idade, a síntese de colágeno diminui, enquanto sua degradação enzimática se acelera, resultando na fragmentação das fibras de colágeno e na perda progressiva da resistência à tração. Essas alterações relacionadas à idade na dinâmica do colágeno estão estreitamente associadas à deterioração clinicamente observável da aparência da pele, contribuindo para a flacidez cutânea, a redução do tônus e a formação de rugas mais profundas.2 Entre as intervenções nutricionais voltadas à integridade da MEC, os peptídeos de colágeno (PCs) hidrolisado têm recebido atenção crescente. Derivados da clivagem enzimática do colágeno tipo I nativo, esses peptídeos possuem baixo peso molecular e são absorvidos eficientemente após a ingestão oral. Após a ingestão, peptídeos específicos derivados do colágeno podem ser detectados no plasma. Relatos indicam que são capazes de se acumular na derme, onde se acredita que atuem como mensageiros bioquímicos, potencialmente interagindo com a atividade dos fibroblastos e favorecendo processos relacionados à MEC, conforme sugerido por estudos experimentais e translacionais.3–6 Dados experimentais fornecem plausibilidade biológica para os mecanismos propostos. Estudos in vitro demonstraram que os peptídeos de colágeno podem aumentar a atividade dos fibroblastos, elevando a síntese de procolágeno tipo I e reduzindo a expressão ou a atividade das metaloproteinases da matriz (MMP1 e MMP-2). Zague et al.7 demonstraram que os hidrolisados de colágeno promoveram a deposição de proteínas da MEC em fibroblastos provenientes tanto de pele protegida do sol quanto de pele fotoenvelhecida, com efeitos mais pronunciados sob estresse induzido por radiação UV, sustentando um possível papel modulador dos peptídeos derivados do colágeno em condições de

desafio dérmico. Peptídeos de baixo peso molecular que contêm hidroxiprolina são particularmente relevantes, pois demonstraram interagir com vias associadas aos fibroblastos e modular processos associados à MEC, fornecendo uma justificativa estrutura-função baseada principalmente em modelos experimentais, relevante para a interpretação de aplicações de alimentos funcionais.7,8 Mais recentemente, Zague et al.9 ampliaram esses achados ao integrar evidências moleculares e clínicas. Em um ensaio clínico randomizado que envolveu 85 mulheres, a ingestão diária de oligopeptídeos de colágeno (Col-OP, 2,5 g/dia) foi associada a melhorias na firmeza e na elasticidade da pele em comparação com o placebo, enquanto a hidratação apresentou melhora consistente, embora sem significância estatística. Análises complementares de expressão gênica indicaram a regulação positiva de componentes da matriz extracelular (procolágeno I, decorina e biglicano) e de TIMP-1, juntamente com regulação negativa de MMP-1 e versicano, fornecendo suporte em nível molecular para uma modulação coordenada de vias relacionadas à matriz dérmica, que pode contribuir para os efeitos clínicos observados.9 Em conjunto, esses resultados reforçam a plausibilidade biológica dos peptídeos de colágeno como potenciais moduladores da homeostase da MEC e da qualidade geral da pele. Ainda assim, inconsistências entre os estudos, decorrentes de diferenças nos perfis peptídicos, nos regimes de dosagem e nos desenhos metodológicos, têm levado a uma variabilidade substancial nos desfechos clínicos relatados. Meta-análises recentes enfatizam a necessidade de formulações padronizadas e de ensaios rigorosamente controlados para confirmar a eficácia e caracterizar mais detalhadamente, em vez de estabelecer de forma definitiva, a base molecular dos efeitos observados.9–11 Diante da necessidade de avaliações objetivas baseadas em imagens e de biomarcadores dérmicos capazes de captar de forma sensível alterações relacionadas à MEC in vivo, este estudo testou a hipótese de que a suplementação oral diária com oligopeptídeos de colágeno (2,5 g/dia por 12 semanas) promoveria uma redução mensurável na intensidade das rugas faciais, com ênfase especial no padrão temporal da resposta, em comparação com o placebo.Variações na densidade dérmica e em marcadores ópticos relacionados ao colágeno foram avaliadas como desfechos complementares e exploratórios, com o objetivo de sustentar a plausibilidade biológica e fornecer uma avaliação integrada das alterações estruturais e ópticas relacionadas à pele, e não de estabelecer efeitos mecanísticos definitivos. MATERIAIS E MÉTODOS Substância de Teste O produto investigacional consistiu em oligopeptídeos de colágeno de grau alimentício (Col-OP; detalhes do fabricante omitidos para fins de revisão cega), fornecidos na forma de pó e derivados de colágeno bovino tipo I por meio de hidrólise enzimática controlada. O produto investigacional foi fornecido

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em sachês de dose única, cada um contendo 2,5 g de Col-OP, a serem dissolvidos em água antes da ingestão oral. O placebo também foi fornecido na forma de pó, em sachês idênticos, e apresentava aparência, sabor e textura correspondentes para manter o cegamento. A mistura peptídica resultante apresentava peso molecular médio de aproximadamente 4 kDa, com cerca de 40% dos fragmentos abaixo de 1 kDa. O perfil peptídico do Col-OP foi caracterizado analiticamente, confirmando uma distribuição reprodutível de oligopeptídeos derivados do colágeno de baixo peso molecular, compatível com as especificações de um hidrolisado padronizado de colágeno bovino tipo I. Esse nível de caracterização físico-química foi considerado suficiente para os objetivos da presente investigação clínica. Embora as sequências de peptídeos individuais sejam proprietárias, estudos anteriores demonstraram que peptídeos derivados do colágeno de baixo peso molecular podem alcançar a corrente sanguínea após a ingestão oral12 e têm sido associados à modulação de vias relacionadas à MEC, incluindo a atividade dos fibroblastos e o equilíbrio MMP/TIMP.7,9 Essas observações prévias fornecem plausibilidade biológica, mas não devem ser interpretadas como evidência mecanística direta no contexto do presente ensaio clínico. O placebo consistiu em um pó isocalórico e organolepticamente idêntico, composto por maltodextrina e sem peptídeos de colágeno. O placebo apresentava aparência, sabor e textura correspondentes para assegurar o adequado cegamento das participantes e dos investigadores. Não foram incluídos compostos bioativos, aromatizantes ou outros excipientes funcionais com potencial atividade biológica. Desenho do estudo e participantes O protocolo foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco, localizada em Bragança Paulista, São Paulo, Brasil (CAAE nº 70137923.4.0000.5514; parecer nº 6.123.303, emitido em 16 de junho). Todas as voluntárias forneceram consentimento informado por escrito antes da inclusão no estudo. O estudo foi conduzido de acordo com os princípios da Declaração de Helsinque e as diretrizes de Boas Práticas Clínicas (GCP — Good Clinical Practice), em conformidade com todos os requisitos regulatórios nacionais aplicáveis. Este foi um ensaio clínico unicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Foram selecionadas e randomizadas 102 mulheres com idade entre 45 e 60 anos, representando os fototipos de Fitzpatrick II a V (49 para o grupo Col-OP e 53 para o grupo placebo). A sequência gerada por computador utilizou probabilidade igual de alocação (1:1), sem blocos ou balanceamento forçado do tamanho final dos grupos; portanto, ocorreu por acaso um pequeno desequilíbrio numérico, com 49 participantes alocadas ao grupo Col-OP e 53 ao grupo placebo. As avaliações clínicas iniciais foram realizadas antes da randomização para confirmar a comparabilidade entre os grupos de tratamento. Os critérios de exclusão incluíram gestação ou lactação, qualquer condição dermatológica ativa ou a realização de pro-

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cedimentos médicos ou estéticos em curso que pudessem afetar os desfechos. Foi proibido o uso de retinoides tópicos, peelings químicos ou intervenções semelhantes nas 4 semanas anteriores à avaliação inicial. Durante todo o ensaio, as participantes foram instruídas a evitar exposição excessiva à radiação UV, bronzeamento artificial e produtos dietéticos ou tópicos destinados a efeitos antienvelhecimento. Foi permitido o uso dos produtos básicos de cuidados com a pele utilizados habitualmente pelas participantes, limitado a limpadores, hidratantes e filtros solares, desde que esses produtos já fizessem parte de sua rotina antes da inclusão e permanecessem inalterados durante todo o estudo. As participantes também foram orientadas a manter hábitos alimentares, métodos contraceptivos e rotinas de cuidados com a pele consistentes durante o período do estudo. A adesão a essas restrições foi monitorada em cada visita do estudo, e o não cumprimento foi definido prospectivamente como critério para exclusão do estudo. As participantes foram randomizadas, com probabilidade de alocação planejada de 1:1, para receber Col-OP ou placebo durante 12 semanas, utilizando uma sequência de randomização gerada por computador. A distribuição desigual de 49:53 refletiu o uso de randomização simples e não resultou de exclusões segundo critérios de elegibilidade predefinidos. Ambos os materiais de teste foram fornecidos em sachês idênticos, cada um contendo uma dose diária única (2,5 g), a ser dissolvida em água e consumida pela manhã. A randomização foi gerada por computador utilizando uma sequência aleatória predefinida, e tanto as participantes quanto os investigadores permaneceram cegos quanto à alocação dos grupos durante todo o estudo. A ocultação de alocação foi assegurada pelo uso de sachês idênticos e numerados sequencialmente, preparados por um farmacêutico independente, e a conformidade foi monitorada em cada visita por meio da contagem sistemática dos sachês e do uso de questionários de adesão padronizados. As visitas do estudo foram realizadas na avaliação inicial e nas semanas 4, 8 e 12, sob condições ambientais controladas. Avaliações As visitas do estudo foram realizadas no momento inicial e nas semanas 4, 8 e 12. Todas as avaliações instrumentais foram realizadas sob condições ambientais padronizadas, seguindo procedimentos operacionais predefinidos. A intensidade das rugas foi quantificada por meio de imagens digitais de alta resolução padronizadas, associadas a software de análise específico (ImageJ 1.47v, National Institutes of Health, Bethesda, MD, EUA). Todas as fotografias foram obtidas sob iluminação controlada, a uma distância fixa da câmera e com posicionamento facial padronizado, utilizando um imobilizador mecânico de cabeça. O processamento das imagens foi realizado por meio de uma macro predefinida, que quantificou o parâmetro Rq (raiz quadrada média da rugosidade — root-mean-square roughness). A Rq corresponde à raiz quadrada média dos desvios de altura do perfil dentro da área de análise e foi utili-


Zague V, Pinheiro ALTA, Pinto JR, Albarici VC, Facchini G, Eberlin S.

zado como principal descritor quantitativo da intensidade das rugas e como desfecho clínico primário do estudo. A densidade dérmica foi avaliada utilizando um equipamento de ultrassom de alta frequência de 22 MHz, o Ultrascan UC22 (Courage + Khazaka Electronic GmbH, Colônia, Alemanha). Foram obtidas três medidas consecutivas em cada sítio anatômico, sendo posteriormente calculada a média, a fim de minimizar a variabilidade técnica e dependente do operador. Em paralelo, os sinais ópticos relacionados ao colágeno foram estimados indiretamente por espectroscopia de reflectância difusa (ERD, também conhecida como DRS), utilizando o espectrofluorímetro FluoroMax-4 (HORIBA Scientific, Edison, NJ, EUA). O comprimento de onda de excitação foi definido em 290 nm, os espectros de emissão foram registrados entre 300 e 500 nm e todos os espectros foram normalizados em relação ao pico máximo de fluorescência do triptofano antes do cálculo da razão. Os espectros foram obtidos em triplicata em cada sítio anatômico e posteriormente calculada a média, a fim de minimizar a variabilidade relacionada ao instrumento. A razão colágeno/triptofano foi calculada como um marcador óptico exploratório e não invasivo associado a sinais dérmicos relacionados ao colágeno e não deve ser interpretada como uma medida direta da biossíntese de colágeno ou da remodelação estrutural. Com

base nos valores da razão colágeno/triptofano obtidos em 10 regiões faciais anatomicamente definidas (Figura 1), foi gerado um mapa de envelhecimento exploratório. O mapa resultante (Figura 4) foi apresentado como uma imagem codificada por cores, com uma escala variando de 0,0 (indicando sinal relacionado ao colágeno muito baixo, representado em branco) a 3,0 (indicando sinal relacionado ao colágeno muito alto, representado em azul-escuro). A intensidade das rugas foi definida como o desfecho clínico primário do estudo, com ênfase especial em sua evolução temporal ao longo do período de intervenção. A densidade dérmica e a razão colágeno/triptofano obtida por ERD foram definidas como desfechos secundários exploratórios, com a intenção de fornecer contexto biológico complementar e uma interpretação integrada dos achados instrumentais, e não evidências mecanísticas definitivas. Todos os avaliadores foram treinados antes do início do estudo e seguiram procedimentos operacionais padronizados durante todo o período do estudo. Os procedimentos de calibração dos instrumentos e de controle de qualidade foram realizados de acordo com as recomendações dos fabricantes. Análise Estatística Os dados foram analisados por meio de análise de covariância (ANCOVA) e modelos lineares de efeitos mistos, incorporando grupo, tempo e sua interação (grupo × tempo) como fatores fixos e o participante como efeito aleatório. A estrutura de efeitos mistos foi utilizada para avaliar a trajetória temporal geral das respostas ao longo das visitas do estudo, permitindo a avaliação dos efeitos do tempo e de possíveis interações grupo × tempo, além das comparações entre os grupos em cada ponto temporal. Os contrastes entre os grupos foram expressos como médias ajustadas e estimativas de mudança em relação ao basal, acompanhadas de intervalos de confiança de 95% e tamanhos de efeito padronizados (g de Hedges), a fim de facilitar a interpretação da magnitude dos efeitos juntamente com sua significância estatística, com ênfase especial no desfecho primário. Os valores de p foram corrigidos para comparações múltiplas dentro de cada desfecho nos diferentes pontos temporais pelo método de Holm-Bonferroni. Todos os modelos incluíram os valores basais como covariáveis, quando apropriado. As premissas dos modelos, incluindo normalidade, homoscedasticidade e independência dos resíduos, foram avaliadas por meio de procedimentos diagnósticos convencionais, como a inspeção das distribuições dos resíduos, a avaliação da homogeneidade das variâncias e a identificação de observações influentes. Para os desfechos expressos em porcentagem (razão colágeno/ triptofano), as distribuições dos resíduos também foram avaliadas quanto à assimetria; não foram identificados desvios substanciais das premissas dos modelos. Os dados ausentes foram tratados sob a premissa de ausência aleatória (MAR — missing at random). Os modelos lineares de efeitos mistos foram estimados pelo método da máxima verossimilhança restrita, permitindo a inclusão de

Figura 1: Regiões faciais anatomicamente definidas para espectroscopia de reflectância difusa (ERD). Foram selecionadas 10 regiões faciais padronizadas para captar a variabilidade na formação de rugas e na remodelação dérmica em diferentes zonas anatomicamente distintas. Espectros de fluorescência normalizados para colágeno e triptofano foram obtidos em cada sítio sob condições padronizadas. Foram coletados espectros em triplicata e calculada a média para reduzir a variabilidade local e melhorar a consistência das medições. A razão colágeno/triptofano resultante foi utilizada como marcador óptico exploratório e serviu de base para a geração do mapa de envelhecimento facial apresentado na Figura 4.

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todas as observações disponíveis sem necessidade de imputação de dados. Todos os testes estatísticos foram bicaudais, com nível de significância predefinido de α = 0,05. As análises primárias seguiram o princípio da intenção de tratar, utilizando análise dos casos disponíveis no âmbito da estrutura de efeitos mistos. Foram realizadas análises de sensibilidade utilizando modelos de efeitos mistos para confirmar a robustez dos principais achados da ANCOVA. Todos os procedimentos estatísticos foram definidos a priori, antes do desvendamento dos dados, e aplicados de forma consistente a todos os desfechos. Todas as análises foram realizadas utilizando o software R, versão 4.3.1 (R Foundation for Statistical Computing,Viena, Áustria). Foi realizada uma análise de poder post hoc utilizando o tamanho de efeito observado para a intensidade das rugas na semana 8 (g de Hedges ≈ 0,28). Com base no tamanho amostral final (n = 49 no grupo ativo e n = 53 no grupo placebo), α = 0,05 e em um desenho de ANCOVA bicaudal, o poder estatístico alcançado foi estimado em aproximadamente 65% para o tamanho de efeito observado. Esse nível de poder estatístico reflete a capacidade de detectar efeitos de tratamento modestos dentro das limitações impostas pelo tamanho da amostra e é consistente com as magnitudes de efeito relatadas tipicamente em estudos de intervenções nutricionais e estéticas. No entanto, o valor permanece abaixo do limiar convencional de 80%, indicando sensibilidade limitada para detectar pequenas diferenças entre grupos, particularmente nos desfechos secundários exploratórios e nas comparações realizadas em pontos temporais mais tardios, devendo, portanto, ser interpretado nesse contexto.12

Característica Idade, anos Intensidade das rugas (basal) Densidade dérmica (basal)

Os tamanhos de efeito esperados para o planejamento foram derivados de ensaios clínicos randomizados anteriores que avaliaram peptídeos de colágeno, incluindo Proksch et al.,13 Asserin et al.14 e Zague et al.,9 que relataram tamanhos de efeito entre 0,25 e 0,45 para desfechos relacionados a rugas e elasticidade, utilizando doses diárias de 2,5–5 g. Supondo um tamanho de efeito esperado conservador de 0,30, α = 0,05 e poder estatístico de 80%, estimou-se a necessidade de um mínimo de 45–50 participantes por grupo. O tamanho amostral final do presente estudo situou-se dentro dessa faixa recomendada para a detecção de efeitos modestos no desfecho primário, embora se reconheça a menor sensibilidade para os desfechos secundários exploratórios e para pequenas diferenças entre grupos em pontos temporais mais tardios. RESULTADOS População do Estudo Das 102 mulheres randomizadas, 49 foram alocadas ao grupo Col-OP e 53 ao grupo placebo. Essa distribuição de 49:53 refletiu o uso de randomização simples gerada por computador, com igual probabilidade de alocação e sem balanceamento forçado por blocos, e não exclusões após a randomização com base em critérios de elegibilidade. Quatro participantes (2 de cada grupo) suspenderam a participação antes da visita de 12 semanas, todas por motivos pessoais não relacionados ao tratamento ou a eventos adversos. Não foram relatados eventos adversos relacionados ao tratamento que levassem à suspensão e não foram observados eventos adversos graves durante o período do estudo.

Tabela 1: Características basais dos participantes Ativo (n = 49) Placebo (n = 53) 53 (4) 53 (4) 8,78 (2,09) 8,41 (2,40) 9,63 (3,38) 10,04 (2,48)

Valor de p NS NS NS

Todos os valores são apresentados como média (desvio-padrão). NS = não significativo.

Ponto temporal

Tabela 2: Variações na intensidade das rugas (ANCOVA, MMQ ± IC 95%) Ativo Placebo (média dos mínimos (média dos mínimos Δ entre grupos Valor de p quadrados e Δ ± IC quadrados e Δ ± IC (IC 95%) 95%) 95%)

Semana 4

–0,066 (–0,15 a 0,01)

–0,002 (–0,09 a 0,08)

–0,066 (–0,15 a 0,01)

0,08

Semana 8

–0,110 (–0,17 a –0,05)

–0,025 (–0,09 a 0,04)

–0,085 (–0,141 a –0,028

0,046

–0,040 (–0,10 a 0,02)

–0,055 (–0,14 a 0,02)

0,09

Semana 12

–0,095 (–0,16 a –0,03)

g de Hedges (IC 95%) –0,17 (–0,40 a 0,06) –0,28 (–0,51 a –0,05) –0,19 (–0,42 a 0,04)

ANCOVA: análise de covariância; IC: intervalo de confiança; MMQ: média dos mínimos quadrados.Todos os modelos foram ajustados pelos valores iniciais; valores de Δ entre grupos negativos indicam uma maior redução da intensidade das rugas no grupo ativo em comparação com o placebo.

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Figura 2: Variações temporais na intensidade das rugas, na densidade dérmica e nos sinais ópticos relacionados ao colágeno durante 12 semanas de suplementação. A intensidade das rugas (parâmetro Rq), a densidade dérmica avaliada por ultrassonografia de alta frequência e os sinais ópticos relacionados ao colágeno, expressos como a razão colágeno/triptofano obtida por espectroscopia de reflectância difusa (ERD), são apresentados como variação média em relação ao valor inicial com intervalos de confiança de 95% nas semanas 4, 8 e 12 para as participantes que receberam oligopeptídeos de colágeno (Col-OP, 2,5 g/dia) ou placebo. Os valores de mudança em relação ao basal são apresentados para reduzir a influência da variabilidade basal e ilustrar os padrões de resposta temporal entre as visitas; valores negativos indicam redução da intensidade das rugas em relação ao basal, sendo que valores menores de Rq correspondem a uma melhora na topografia da superfície cutânea. A intensidade das rugas foi o desfecho primário predefinido e apresentou a maior separação entre grupos na semana 8, quando foi observada uma diferença estatisticamente significativa (p < 0,05, corrigido pelo método de Holm-Bonferroni). Uma redução já era evidente na semana 4, e os valores permaneceram numericamente menores na semana 12, sugerindo manutenção parcial da resposta ao longo do tempo. A densidade dérmica e os sinais ópticos relacionados ao colágeno foram desfechos exploratórios pré-especificados; embora as diferenças entre grupos para esses parâmetros não tenham atingido significância estatística, ambas as medidas apresentaram padrões temporais numericamente consistentes e alinhados ao desfecho clínico primário. Em conjunto, esses achados proporcionam uma visão integrada da trajetória da resposta ao longo do tempo, com significância estatística observada para a intensidade das rugas e achados exploratórios nas medidas instrumentais complementares.

Não foram relatados desvios de protocolo relacionados à ingestão do produto ou ao uso de tratamentos concomitantes proibidos. Os parâmetros demográficos e clínicos basais, incluindo idade, fototipo de Fitzpatrick e gravidade das rugas, foram, de modo geral, comparáveis entre os grupos, indicando equilíbrio adequado entre eles (Tabela 1). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, no início do estudo, para as principais variáveis demográficas ou clínicas. A amostra por protocolo incluiu 98 mulheres, e todas as análises seguiram o princípio da intenção de tratar, com análise dos casos disponíveis no âmbito da estrutura de efeitos mistos para medidas repetidas. A retenção geral no estudo foi alta, com suspensões equilibradas entre os braços de tratamento, corroborando a validade interna do ensaio.

gas em comparação com o placebo. Esse ponto temporal representou a maior separação entre os grupos durante o período de intervenção. Detalhes das mudanças médias ajustadas e das estimativas dos tamanhos de efeito são apresentados na Tabela 2. No grupo ativo, uma tendência de redução já era evidente na semana 4, e os valores permaneceram numericamente mais baixos na semana 12, enquanto as participantes que receberam placebo apresentaram redução principalmente na avaliação final. Esse padrão temporal é compatível com um início precoce da resposta, seguido por uma diferença máxima entre os grupos no ponto temporal intermediário e manutenção parcial do efeito ao longo do tempo. A Figura 2A apresenta a tendência temporal média e a Figura 3, imagens representativas de uma participante, ilustrando o padrão qualitativo de redução na profundidade das rugas e na rugosidade da superfície, de forma consistente com os achados observados no grupo. Embora o tamanho de efeito padronizado tenha sido pequeno (g de Hedges), os valores negativos de Δ entre grupos indicam maior redução da intensidade das rugas no grupo ativo em comparação com o placebo. A consistência dos efeitos di-

Intensidade das Rugas Foi observada uma diferença entre grupos estatisticamente significativa na mudança da intensidade das rugas em relação ao valor basal na semana 8, quando a suplementação com Col-OP esteve associada a uma redução da intensidade das ru-

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Figura 3: Imagens representativas da intensidade das rugas de uma participante suplementada com Col-OP. Imagens digitais de alta resolução de uma participante representativa na visita inicial (T0) e após 4, 8 e 12 semanas de suplementação. A participante foi selecionada com base em uma trajetória de resposta próxima à mediana do grupo para as variações na intensidade das rugas. As imagens foram adquiridas em condições padronizadas e processadas utilizando uma macro predefinida do ImageJ para calcular o parâmetro Rq. A representação tridimensional da superfície é apresentada com uma escala topográfica codificada por cores (amarelo indica elevações e azul-escuro indica vales mais profundos), proporcionando uma representação qualitativa das alterações na rugosidade da superfície cutânea ao longo do tempo. Essas imagens têm como objetivo ilustrar padrões morfológicos consistentes com os achados em nível de grupo e não representam uma comparação quantitativa.

Figura 4: Mapa de envelhecimento facial derivado dos valores da razão colágeno/triptofano (obtidos por espectroscopia de reflectância difusa [ERD]). O mapa de envelhecimento foi gerado a partir dos valores médios da razão colágeno/triptofano obtidos nas dez regiões faciais anatomicamente definidas apresentadas na Figura 1 para as participantes do grupo Col-OP. A visualização representa uma integração espacial dos sinais ópticos relacionados ao colágeno, com escala de cores variando de 0,0 (sinal muito baixo, branco) a 3,0 (sinal muito alto, azul-escuro). Os valores foram normalizados apenas para fins de visualização, a fim de permitir a comparação entre as regiões faciais. O mapa tem como objetivo ilustrar padrões de distribuição espacial dos sinais ópticos relacionados ao colágeno e não representa uma comparação estatística nem uma medida direta do conteúdo de colágeno ou da remodelação estrutural. Dada a natureza exploratória desse marcador óptico, a figura deve ser interpretada apenas como uma representação qualitativa, complementando as tendências temporais observadas na Figura 2C. 267 192 188


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Ponto temporal Semana 4 Semana 8 Semana 12

Tabela 3: Variações na densidade dérmica (ANCOVA, MMQ ± IC 95%) Ativo (média dos Placebo (média dos Δ entre grupos mínimos quadrados e Δ mínimos quadrados Valor de p (IC 95%) ± IC 95%) e Δ ± IC 95%) +0,42 +0,25 +0,17 0,62 (–0,18 a +1,02) (–0,32 a +0,82) (–0,65 a +0,99) +0,48 +0,33 +0,15 0,71 (–0,10 a +1,06) (–0,25 a +0,91) (–0,70 a +1,00) +0,44 +0,36 +0,08 0,82 (–0,16 a +1,04) (–0,22 a +0,94) (–0,76 a +0,92)

g de Hedges (IC 95%) +0,05 (–0,15 a +0,25) +0,04 (–0,16 a +0,24) +0,02 (–0,18 a +0,22)

ANCOVA: análise de covariância; ERD: espectroscopia de reflectância difusa; IC: intervalo de confiança; MMQ: média dos mínimos quadrados.Todos os modelos foram ajustados pelos valores iniciais; valores de Δ entre grupos negativos indicam um maior sinal óptico relacionado ao colágeno no grupo ativo em comparação com o placebo.

Ponto temporal

Tabela 4: Variações na razão colágeno/triptofano (ERD, ANCOVA, MMQ ± IC 95%) Ativo (Δ% da MMQ ± IC Placebo (Δ% da MMQ ± Δ% entre grupos Valor 95%) IC 95%) (IC 95%) de p

g de Hedges (IC 95%)

Semana 4

+18% (–5% a +41%)

+6% (–12% a +24%)

+12% (–15% a +39%)

0,22

+0,12 (–0,10 a +0,34)

Semana 8

+24% (–2% a +50%)

+9% (–10% a +28%)

+15% (–14% a +44%)

0,18

+0,14 (–0,08 a +0,36)

Semana 12

+30% (–5% a +65%)

+12% (–8% a +32%)

+18% (–13% a +49%)

0,16

+0,18 (–0,05 a +0,41)

ANCOVA: análise de covariância; ERD: espectroscopia de reflectância difusa; IC: intervalo de confiança; MMQ: média dos mínimos quadrados.Todos os modelos foram ajustados pelos valores iniciais; valores de Δ entre grupos negativos indicam um maior sinal óptico relacionado ao colágeno no grupo ativo em comparação com o placebo.

recionais em múltiplas abordagens analíticas reforça a robustez do padrão temporal observado, apesar da magnitude modesta das mudanças. Esses achados apresentaram direção consistente nas análises de sensibilidade realizadas com modelos lineares de efeitos mistos, que reproduziram o padrão temporal geral observado nos resultados da ANCOVA. A magnitude modesta do efeito provavelmente reflete a variabilidade interindividual nas características basais das rugas e na cinética de resposta. Essa variabilidade costuma ser observada em ensaios clínicos na área de dermatologia estética que envolvem perfis heterogêneos de envelhecimento cutâneo. Não foram relatados eventos adversos relacionados aos procedimentos de imagem nem desconforto das participantes.

os intervalos de confiança de 95% incluíram zero em todos os pontos temporais (Tabela 3). Ambos os grupos apresentaram pequenas flutuações numéricas ao longo do tempo, sem um padrão direcional consistente que favorecesse claramente o tratamento ativo. O tamanho de efeito correspondente foi desprezível, indicando um efeito detectável limitado sobre a densidade dérmica durante o período de intervenção de 12 semanas. As análises por ANCOVA e de sensibilidade em modelos de efeitos mistos produziram resultados consistentes e não significativos. Observou-se variabilidade intragrupo entre as visitas, permanecendo dentro da faixa esperada para medidas de densidade dérmica baseadas em ultrassonografia. Sabe-se que a ultrassonografia de alta frequência está sujeita a variabilidade dependente do operador e do sítio avaliado, o que pode contribuir para a variabilidade das medidas nas avaliações dérmicas. De modo geral, os dados ultrassonográficos não indicaram alterações estatisticamente significativas na densidade dérmica durante o período do estudo.

Densidade Dérmica As avaliações ultrassonográficas revelaram pequenos aumentos na densidade dérmica após a ingestão de Col-OP (Figura 2B). Embora o grupo ativo tenha apresentado valores numericamente mais elevados em todas as visitas após a inicial, essas alterações não alcançaram significância estatística, uma vez que

Sinais Ópticos Relacionados ao Colágeno Avaliados por Espectroscopia de Reflectância Difusa

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260573.

As medidas obtidas por ERD, utilizada neste estudo como um marcador óptico indireto e não invasivo de sinais relacionados ao colágeno, e não como uma medida direta da biossíntese de colágeno ou da remodelação estrutural, indicaram aumento numérico das razões colágeno/triptofano no grupo Col-OP em comparação com o placebo (Figura 2C). A razão colágeno/triptofano aumentou progressivamente durante toda a intervenção, atingindo aproximadamente 30% acima do valor inicial na semana 12 no grupo Col-OP, enquanto o grupo placebo apresentou aumento de aproximadamente 12%. Embora as diferenças entre grupos não tenham alcançado significância estatística, o padrão temporal permaneceu consistentemente favorável em todas as visitas após a inicial (Tabela 4). Ambos os grupos apresentaram pequena variabilidade entre as visitas, embora o grupo ativo tenha demonstrado um padrão numericamente mais consistente ao longo do tempo. O tamanho de efeito padronizado foi pequeno, indicando um sinal detectável limitado nas condições deste estudo. As análises de sensibilidade que utilizaram modelos de efeitos mistos produziram padrões semelhantes e não significativos, confirmando a consistência dos perfis temporais observados entre as diferentes abordagens analíticas. A Figura 4 ilustra o mapa de envelhecimento gerado a partir dos valores médios da razão colágeno/triptofano no grupo Col-OP, fornecendo uma representação visual complementar da variação espacial dos sinais ópticos relacionados ao colágeno; a escala de cores foi normalizada para fins de visualização. Essa representação foi incluída para facilitar a interpretação qualitativa dos padrões espaciais e não para permitir comparações quantitativas. O mapa reflete os valores médios dentro do grupo ativo e não representa uma comparação estatística formal. Considerando a natureza exploratória desse biomarcador óptico, esses achados devem ser interpretados como exploratórios e complementares, e não como evidência conclusiva de alterações associadas à MEC. DISCUSSÃO Neste ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, a suplementação diária com oligopeptídeos de colágeno padronizados (2,5 g/dia) atingiu o desfecho clínico primário predefinido por meio da redução estatisticamente significativa da intensidade das rugas em comparação com o placebo na semana 8. Melhoras já eram evidentes na semana 4 e permaneceram numericamente favoráveis na semana 12, sugerindo início precoce seguido de manutenção parcial da resposta. A densidade dérmica não apresentou alterações detectáveis, enquanto os sinais ópticos relacionados ao colágeno demonstraram aumentos numéricos consistentes ao longo da suplementação, fornecendo suporte complementar para o padrão geral dos achados clínicos. Embora o tamanho de efeito observado para a redução das rugas tenha sido modesto, a variação correspondente na Rq da rugosidade reflete uma modificação mensurável da topografia da superfície cutânea. No contexto da dermatologia

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nutricional e cosmética, variações dessa magnitude são relatadas com frequência e podem estar associadas a melhoras perceptíveis na aparência de rugas finas em condições controladas. O perfil temporal observado, com alterações precoces seguidas por uma diferença entre grupos mais evidente na semana 8, é compatível com um padrão de resposta gradual tipicamente associado à suplementação oral. Esses achados sugerem que mudanças quantitativas relativamente pequenas podem refletir mudanças dinâmicas nas características da superfície cutânea que não são plenamente capturadas por desfechos estruturais secundários em um período de 12 semanas. Os achados do presente estudo são, de modo geral, consistentes com estudos experimentais e clínicos anteriores que investigaram peptídeos derivados do colágeno. Evidências provenientes de modelos in vitro indicam que esses peptídeos podem modular vias relacionadas à MEC, incluindo a síntese de colágeno e a atividade das metaloproteinases da matriz.7,8 Estudos clínicos também relataram melhoras em parâmetros como elasticidade, hidratação e aparência das rugas após 8 a 12 semanas de suplementação.13,14 No entanto, a magnitude desses efeitos geralmente é modesta, refletindo a natureza progressiva e cumulativa das intervenções nutricionais em comparação com abordagens procedimentais ou tópicas. Por exemplo, Proksch et al. relataram melhoras na elasticidade da pele com doses entre 2,5 e 5 g/dia, além de efeitos residuais observados após a suspensão da suplementação.13 Em uma análise subsequente, foram observadas reduções no volume das rugas periorbitárias nas semanas 4 e 8, acompanhadas por aumento dos níveis de procolágeno I e elastina. De forma semelhante, Asserin et al. descreveram melhoras na hidratação da pele, na densidade dérmica e na organização da rede de colágeno, corroboradas por achados ex vivo.14 Em conjunto, esses estudos sugerem um padrão temporal no qual mudanças precoces podem surgir durante o primeiro mês e tornar-se mais evidentes entre as semanas 8 e 12, o que é consistente com o perfil temporal observado no presente estudo. Evidências adicionais provenientes de outros contextos clínicos reforçam a relevância mais ampla da suplementação com colágeno. Um ensaio clínico randomizado de maior duração sobre celulite identificou melhoras na ondulação da pele e na densidade dérmica, particularmente em indivíduos com menor IMC.15 Mais recentemente, a suplementação com cartilagem de peixe hidrolisada foi associada a melhoras em parâmetros relacionados às rugas e na ecogenicidade dérmica.16 Esses achados indicam que os efeitos dos peptídeos derivados do colágeno podem se estender a diferentes regiões anatômicas e desfechos estruturais, embora a variabilidade entre os estudos permaneça substancial. Nesse contexto, os resultados do presente estudo estão, de modo geral, alinhados com a literatura, embora a magnitude das mudanças tenha sido comparativamente menor. Diversos fatores podem contribuir para essa diferença, incluindo variações na composição dos peptídeos, na dose, nas características basais


Zague V, Pinheiro ALTA, Pinto JR, Albarici VC, Facchini G, Eberlin S.

das participantes e nas metodologias analíticas. Em especial, a ausência de efeitos estatisticamente significativos sobre a densidade dérmica contrasta com alguns relatos anteriores.14,15 Entretanto, deve-se considerar que o presente estudo não foi especificamente dimensionado para detectar diferenças nos desfechos secundários, em especial aqueles relacionados a desfechos estruturais. Além disso, a duração de 12 semanas pode não ter sido suficiente para capturar dinâmicas mais lentas de remodelação da MEC. Os achados espectroscópicos devem ser interpretados como exploratórios, mas, ainda assim, fornecem contexto biológico complementar para os desfechos clínicos. Os sinais ópticos relacionados ao colágeno apresentaram aumento numérico progressivo durante a suplementação, atingindo aproximadamente 30% acima do valor inicial após 12 semanas no grupo ativo, enquanto o aumento foi de aproximadamente 12% no grupo placebo. Embora as diferenças entre os grupos não tenham atingido significância estatística, o padrão temporal consistente observado em todas as visitas após a inicial sugere que alterações sutis relacionadas à MEC podem acompanhar a redução observada na intensidade das rugas. Dada a variabilidade inerente às medições ópticas, são necessários estudos maiores, que incorporem biomarcadores moleculares complementares, como procolágeno I, TIMP-1 e MMPs, para caracterizar melhor a relevância biológica desses achados. Os pontos fortes deste estudo incluem seu desenho randomizado e duplo-cego, o uso de desfechos objetivos baseados em imagens e a aplicação de um modelo estatístico predefinido que combina ANCOVA e modelos de efeitos mistos. A integração de múltiplas modalidades de avaliação, incluindo imagens, ultrassonografia e espectroscopia, também proporciona uma perspectiva mais ampla sobre as alterações relacionadas à pele. No entanto, algumas limitações devem ser reconhecidas. Estas incluem o tamanho amostral moderado para os desfechos secundários, o desenho unicêntrico e o uso de métodos proprietários de processamento de imagens, que podem limitar a comparabilidade entre estudos. Além disso, a ausência de validação por biomarcadores diretos restringe a interpretação mecanística, enquanto a população do estudo, limitada a mulheres de 45–60 anos, pode limitar a generalização dos achados. Do ponto de vista translacional, a convergência entre melhoras clínicas modestas e a plausibilidade biológica existente justifica investigações adicionais em populações maiores e mais diversificadas. Estudos futuros se beneficiariam de períodos de seguimento mais longos, de metodologias de aquisição de imagens padronizadas e da inclusão de desfechos estruturais e moleculares validados. Essas abordagens podem ajudar a definir melhor a relação entre alterações biológicas mensuráveis e desfechos clinicamente perceptíveis. Em suma, a suplementação diária com oligopeptídeos de colágeno por 12 semanas esteve associada a uma redução pequena, porém mensurável, da intensidade das rugas, atingindo significância estatística na semana 8. Não foram observadas alterações

significativas na densidade dérmica, enquanto os sinais ópticos relacionados ao colágeno apresentaram aumento numérico consistente, sem significância estatística. Esses achados são consistentes com um perfil de resposta modesto e dependente do tempo e devem ser interpretados à luz do tamanho de efeito limitado e da natureza exploratória dos desfechos secundários. É importante destacar que esses achados complementam nosso estudo clínico randomizado anterior, que utilizou o mesmo ingrediente à base de oligopeptídeos de colágeno e encontrou melhoras na firmeza e elasticidade da pele e na expressão gênica relacionada à MEC, ampliando, assim, as evidências clínicas para diferentes desfechos complementares relacionados ao envelhecimento cutâneo. São necessários estudos adicionais para definir melhor a magnitude, a durabilidade e a relevância clínica desses efeitos. CONCLUSÃO A suplementação diária com um oligopeptídeo de colágeno padronizado (Col-OP; 2,5 g/dia por 12 semanas) esteve associada a uma redução estatisticamente significativa da intensidade das rugas na semana 8 em comparação com o placebo. Embora a magnitude da variação tenha sido limitada, o padrão temporal é consistente com uma resposta precoce seguida de manutenção parcial ao longo do tempo. Não foram observados efeitos significativos em relação à densidade dérmica, enquanto os sinais ópticos relacionados ao colágeno apresentaram um aumento numérico consistente que não atingiu significância estatística. Esses achados devem ser interpretados como exploratórios e de suporte. De modo geral, os resultados indicam que a suplementação oral de colágeno pode contribuir para melhorias mensuráveis, embora modestas, na aparência da pele nas condições deste estudo. São necessárias pesquisas adicionais para definir melhor a magnitude, a durabilidade e a relevância biológica desses efeitos. Declaração sobre o uso de IA generativa e tecnologias assistidas por IA no processo de redação Durante a preparação deste manuscrito, os autores utilizaram o ChatGPT (OpenAI, GPT-4 ou versão posterior) como ferramenta de assistência por IA para auxiliar no aprimoramento linguístico e na clareza da expressão. A ferramenta foi utilizada exclusivamente para fins de edição, incluindo correção gramatical, reestruturação de frases e melhoria da legibilidade do texto em inglês. Nenhuma ferramenta de IA foi utilizada para análise de dados, geração de dados, interpretação dos resultados ou geração de conteúdo científico. Todas as saídas foram revisadas e editadas criticamente pelos autores, que assumem total responsabilidade pela precisão, integridade e originalidade do manuscrito final. l Agradecimentos Os autores agradecem a todas as participantes do estudo e à equipe clínica por suas contribuições.

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Vivian Zague 0009-0001-1958-0207 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Ana Lúcia Tabarini Alves Pinheiro 0000-0002-0226-2544 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura Juliana Rodrigues Pinto 0000-0002-6387-7243 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Viviane Cristina Albarici 0000-0001-6181-8859 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Gustavo Facchini 0000-0003-0111-7596 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Samara Eberlin 0000-0001-7001-801X Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

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Eficácia do ácido poli-L-láctico no tratamento da lipoatrofia facial associada ao HIV: uma experiência de 5 anos

Effectiveness of poly-L-lactic acid for the treatment of HIV-associated facial lipoatrophy: a 5-year experience DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180557 RESUMO Introdução: A lipoatrofia facial associada ao HIV prejudica as relações sociais, a adesão ao tratamento e a saúde mental, frequentemente levando à depressão. A correção da lipoatrofia facial está associada a uma melhora significativa na qualidade de vida. Objetivos: Avaliar a eficácia do ácido poli-L-láctico (PLLA) na correção da lipoatrofia facial associada ao HIV. Métodos: Sessenta e um pacientes com lipoatrofia facial associada ao HIV receberam injeções mensais de PLLA até obterem melhora clínica. O desfecho primário foi a necessidade de retratamento. Dois dermatologistas independentes e o pesquisador classificaram a lipoatrofia com base em fotografias. A espessura da prega cutânea malar foi medida com adipômetro. Resultados: Todos os pacientes apresentaram melhora da lipoatrofia facial após recebem, em média, 7,9 frascos de PLLA. A espessura da prega cutânea melhorou 105%. O seguimento máximo foi de 58 meses e a duração média do efeito foi de 33,4 meses. Melhores respostas ocorreram em pacientes que suspenderam a HAART ou que apresentavam contagem inicial de CD4+ mais elevada. Respostas inferiores foram observadas em casos de lipoatrofia muito grave e pele fina. Conclusão: O PLLA constitui uma alternativa eficaz e duradoura para a lipoatrofia facial moderada associada ao HIV, mas apresenta resultados limitados em pacientes com pele muito fina e lipoatrofia grave. Palavras-chave: Copolímero de Ácido Poliláctico e Ácido Poliglicólico; Síndrome de Lipodistrofia Associada ao HIV; Espessura de Dobras Cutâneas;Terapia Antirretroviral de Alta Atividade

ABSTRACT Introduction: HIV-associated facial lipoatrophy can impair social relationships, treatment adherence, and mental health, frequently leading to depression. Correction of facial lipoatrophy is associated with significant improvement in quality of life. Objectives: To evaluate the efficacy of poly-L-lactic acid (PLLA) in correcting HIV-related facial lipoatrophy. Methods: Sixty-one patients with HIV-associated facial lipoatrophy received PLLA injections once a month until clinical improvement.The primary endpoint was the need for retreatment.Two independent dermatologists and the researcher classified lipoatrophy according to photographs. Malar skinfold thickness was measured with an adipometer. Results: All patients showed improvement in facial lipoatrophy after receiving a mean of 7.9 vials of PLLA. Skinfold thickness improved by 105%. Maximum follow-up was 58 months, and the mean duration of the effect was 33.4 months. Patients who discontinued HAART or had higher CD4+ cell counts at baseline presented better responses. Lower responses were observed in patients with very severe lipoatrophy and thinner skin. Conclusion: PLLA treatment is an effective and durable alternative for patients with moderate HIV-associated facial lipoatrophy, but of limited effectiveness for patients with thin skin and very severe lipoatrophy. Keywords: HIV-Associated Lipodystrophy Syndrome; Polylactic Acid-Polyglycolic Acid Copolymer; Antiretroviral Therapy, Highly Active; Skinfold Thickness 311 197 193

Artigo Original Autores: Márcia C N Yoshioka¹ (in memoriam) Samira Yarak¹ Adriana Maria Porro¹ Jane Tomimori¹ ¹ Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Dermatologia, São Paulo (SP), Brasil ² Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS, Dermatologia, São Paulo (SP), Brasil

Correspondência: Samira Yarak E-mail: s.yarak@unifesp.br

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesse: Nenhum Número CAAE de aprovação no Comitê de Ética: IRB #079/2001 Data de submissão: 7 de fevereiro de 2026 Decisão final: 17 de agosto de 2026

Como citar este artigo: Yoshioka MCN, Yarak S, Porro AM, Tomimori J. Eficácia do ácido poli-L-láctico no tratamento da lipoatrofia facial associada ao HIV: uma experiência de 5 anos. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260557.


Yoshioka MCN, Yarak S, Porro AM, Tomimori J.

INTRODUÇÃO A terapia antirretroviral altamente ativa (HAART), um regime combinado composto de duas ou mais classes de medicamentos antirretrovirais com diferentes alvos no ciclo de replicação do HIV, foi introduzida em meados da década de 1990 para o tratamento da infecção pelo HIV.1 A lipodistrofia foi descrita em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) pela primeira vez em 1998.2 Inicialmente, acreditava-se que os inibidores da protease fossem a principal causa, mas os análogos de nucleosídeos3,4 e o próprio HIV também são responsáveis.5 A lipodistrofia é uma associação de redistribuição de gordura e distúrbios metabólicos, como resistência à insulina e hipertrigliceridemia. A redistribuição de gordura caracteriza-se por lipoatrofia das pernas, braços e face e lipohipertrofia do abdômen, mamas e pescoço, com consequente desenvolvimento de uma “corcova” característica. A lipoatrofia é, de longe, a mais incômoda dessas alterações, interferindo nas relações sociais e na adesão ao tratamento e causando depressão.6,7 O tratamento da lipoatrofia facial está, portanto, associado à melhora na qualidade de vida. Não existe uma estratégia comprovada para o tratamento eficaz da lipoatrofia facial em PVHIV. O ácido poli-L-láctico (PLLA) é um polímero biocompatível e biodegradável derivado dos isômeros L-láctico e D-láctico e tem sido utilizado como abordagem terapêutica para restaurar o volume facial perdido, melhorando a aparência e a qualidade de vida dos pacientes. O uso do PLLA é recomendado para o tratamento da lipoatrofia facial associada ao HIV e tem aprovação nos Estados Unidos desde 2004.8 Existem muitos estudos8-18 sobre PLLA e PVHIV, principalmente relacionados à segurança e eficácia, mas a maioria tem períodos de seguimento de até 2 anos. Não há padronização quanto à quantidade de PLLA indicada para cada paciente e à avaliação dos desfechos. A ausência de um método objetivo e de fácil utilização para medir a gordura regional é uma dificuldade importante na avaliação da lipodistrofia em PVHIV.19 A melhora da prega cutânea da bochecha, medida com adipômetro, e a melhora do escore de gravidade da lipoatrofia da região malar, avaliada por meio de fotografias, foram utilizadas como métodos de avaliação para determinar a resposta ao tratamento. O objetivo deste estudo foi avaliar métodos de mensuração da lipoatrofia relacionada às PVHIV que recebiam HAART, estabelecer fatores associados a uma melhor resposta ao PLLA e identificar quadros clínicos relacionados à durabilidade das injeções de PLLA.

pelo HIV, contagem de células CD4+, carga viral, regime de HAART e índice de massa corporal (IMC). Todos os pacientes foram tratados no Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS, São Paulo, Brasil, e forneceram consentimento informado por escrito. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da instituição (IRB nº 079/2001). A avaliação da gravidade da lipoatrofia baseou-se em fotografias digitais dos aspectos frontal e lateral da face, obtidas com uma câmera digital Sony Cyber-shot DSC F707T. A avaliação concentrou-se exclusivamente na região das bochechas. Para minimizar o viés, três dermatologistas analisaram as fotografias — dois especialistas independentes e a autora, que administrou as injeções de PLLA, mediu a espessura da prega cutânea da bochecha e realizou as consultas de seguimento. Os pacientes receberam escores clínicos de 0 a 20, de acordo com a área e a profundidade afetadas, classificados como lipoatrofia leve (0–5), moderada (5,1–10), grave (10,1–15) e muito grave (15,1–20). As fotografias digitais obtidas imediatamente antes do primeiro tratamento e 1 mês após a última injeção foram consideradas, respectivamente, as avaliações pré e pós-tratamento. Além disso, a avaliação incluiu medições da prega cutânea da bochecha em ambos os momentos. Um adipômetro científico (Cescorf) foi posicionado ao longo de uma linha virtual que se estendia da porção inferior do lóbulo da orelha até as narinas, com a medição realizada um centímetro lateralmente às narinas. Cada frasco de PLLA (Sculptra, Sanofi-Aventis) foi reconstituído com 3 mL de água estéril pelo menos 4 horas antes do procedimento. Imediatamente antes do procedimento, 1 mL de lidocaína a 2% foi adicionado ao frasco, que foi então agitado vigorosamente. Cada paciente recebeu um frasco por bochecha em cada consulta, exceto na última, quando meio frasco poderia ser injetado em cada bochecha, de acordo com a avaliação da dermatologista. As injeções foram realizadas na junção da derme profunda com o tecido subcutâneo, utilizando uma agulha de calibre 25. Os locais de injeção cobriram toda a região afetada, com intervalos de 1 cm, utilizando 0,1 mL de suspensão a cada aplicação, em quatro direções. Os pacientes foram tratados em intervalos de 4 semanas. O número de frascos de PLLA foi determinado durante as consultas de seguimento, e a decisão de suspender o tratamento foi tomada em conjunto pelo paciente e pelo médico. Após as injeções, foi realizada massagem vigorosa para distribuir uniformemente o PLLA. Os pacientes foram orientados a aplicar gelo e massagear a região duas vezes ao dia, durante 3 dias, bem como a evitar exposição excessiva à luz solar e exercícios intensos. Os pacientes foram avaliados a cada 2 meses durante o primeiro ano e a cada 6 meses até que houvesse indicação de retratamento. A indicação de retratamento, acordada pelo paciente e pelo médico, foi considerada um desfecho. A correlação de Pearson e o teste t pareado foram utilizados para a análise estatística, e o nível de significância foi estabelecido em p < 0,05.

MÉTODOS Este estudo é um ensaio clínico prospectivo, não randomizado, envolvendo PVHIV com lipoatrofia facial moderada a grave. Sessenta e uma (61) PVHIV com lipoatrofia moderada a muito grave, sem preenchimentos prévios, receberam injeções de PLLA nas bochechas. O tratamento foi administrado entre outubro de 2002 e outubro de 2004, com o seguimento e a coleta de dados concluídos em fevereiro de 2008. Os principais parâmetros analisados incluíram idade, sexo, duração da infecção

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260557.

RESULTADOS A idade média dos 61 pacientes foi de 44,6 (9,3) anos (30 a 71), e 86,9% eram do sexo masculino. Vinte e quatro pacientes (39,3%) foram classificados como apresentando lipoatrofia moderada, 22 (36,1%) como apresentando lipoatrofia grave e 15 (24,6%) como apresentando lipoatrofia muito grave. Cinquenta e oito pacientes concluíram o tratamento; 3 foram perdidos na fase de seguimento devido a doença cardiovascular, depressão e abandono do tratamento do HIV (4,9%). O tempo médio desde o diagnóstico da infecção pelo HIV foi de 111,3 meses, e os pacientes apresentavam sinais de lipoatrofia havia 30,6 meses antes do início do estudo (mediana = 24 meses). A contagem média do nadir de células CD4+ foi de 176,3 × 106/L, e a mediana foi de 114 × 106/L antes da HAART. Por outro lado, a contagem média de células CD4+ aumentou para 495,6 × 106/L, e apenas 5 pacientes apresentavam contagem de células CD4+ inferior a 200 × 106/L quando o estudo foi iniciado. A carga viral estava abaixo de 400 cópias/mm3 em 33 pacientes (54,1%), e a carga viral detectável mediana foi de 8.005 cópias/mm3. Todos os pacientes, exceto um, foram tratados com estavudina durante uma média de 44,4 meses, e o paciente restante foi tratado com zidovudina durante 61 meses. Quinze pacientes suspenderam a HAART por períodos que variaram de 2 a 51 meses, devido a diversos motivos: toxicidade medicamentosa, adesão inadequada e interrupção estruturada do tratamento. Em alguns pacientes, a HAART foi iniciada quando a contagem de células CD4+ estava acima de 350 × 106/L, quando o tratamento precoce era recomendado, apesar dos critérios relativos à contagem de células CD4+.1

A

Em alguns desses pacientes, a HAART foi interrompida. Observamos que os pacientes que tiveram sua terapia antirretroviral suspensa apresentaram correlação entre o tempo de suspensão e a duração dos resultados (coeficiente de correlação de Pearson r = 0,771; p < 0,001). Os pacientes receberam uma média de 7,9 frascos de PLLA até a obtenção de melhora clínica. Eles foram tratados em 2 a 7 sessões, com um total de 4 a 13 frascos de PLLA. Antes do procedimento, o escore médio da avaliação clínica era de 11,9, representando lipoatrofia grave (Figura 1a). Após o tratamento, o escore médio foi de 4,2, demonstrando melhora significativa (p < 0,001) (Figura 1b). A espessura média da prega cutânea era de 6,09 mm antes do tratamento, aumentando para 11,03 mm ao final (81%; p < 0,001, teste t pareado). A melhora máxima da espessura da prega cutânea foi de 12,47 mm, obtida 15,9 meses após o término do tratamento, correspondendo a uma melhora de 105%. Observamos uma correlação inversa entre os escores clínicos e a espessura da prega cutânea pré-tratamento (r = −0,675; p < 0,001) (Figura 2). Houve uma relação entre a quantidade de PLLA utilizada e os escores de gravidade da lipoatrofia (r = 0,609; p < 0,001), conforme avaliado pelas fotografias. A correlação não foi significativa quando comparada à espessura da prega cutânea (r = −0,359; p = 0,06). Houve uma correlação negativa entre a espessura da prega cutânea pré-tratamento e o escore da avaliação clínica obtido a partir das fotografias pós-tratamento (r = −0,589; p < 0,001). Também houve uma boa correlação entre os escores clínicos pré e pós-tratamento, demonstrando que os pacientes com escores

B

Figura 1: Aspectos clínicos. A - Pré-tratamento (escore = 16); local de mensuração da prega cutânea; B - Pós-tratamento (escore = 5,0). 333 199 195


Yoshioka MCN, Yarak S, Porro AM, Tomimori J.

Lipoatrofia moderada Lipoatrofia grave Lipoatrofia muito grave

Prega cutânea pré-tratamento

Figura 2: Comparação entre a gravidade da lipoatrofia e medidas da prega cutânea pré e pós-tratamento (em mm).

Prega cutânea pós-tratamento

pré-tratamento piores também apresentaram os piores escores pós-tratamento (r = 0,740; p < 0,001). Os pacientes não apresentaram pápulas ou nódulos como complicações do procedimento, e efeitos imediatos, como equimoses, dor e edema, não foram considerados. Cinquenta e três pacientes concluíram o seguimento até a indicação de um novo tratamento. Cinco pacientes não concluíram o seguimento devido a morte por infarto do miocárdio, diagnóstico de câncer retal, insuficiência renal, mudança de residência e tratamento com polimetilmetacrilato. O período de seguimento máximo foi de 58 meses, e o período médio de seguimento foi de 31,7 meses. Os resultados foram mantidos por 25 a 48 meses na maioria dos pacientes (n = 44). A duração média do efeito foi de 33,4 meses. Em fevereiro de 2008, quando interrompemos a coleta de dados, dois pacientes ainda não haviam necessitado de retratamento. Houve uma tendência a uma correlação fraca entre idade e durabilidade do efeito (r = −0,275; p = 0,047). Não houve associação entre a durabilidade do tratamento com PLLA e o tempo de lipoatrofia, o tempo desde o diagnóstico da infecção pelo HIV, a contagem do nadir de CD4+, a carga viral ou o IMC. Por outro lado, a contagem de células CD4+ no momento do tratamento com PLLA apresentou correlação fraca com a durabilidade dos resultados (r = 0,342; p = 0,013). A quantidade de PLLA apresentou correlação inversa fraca com a duração dos resultados (r = −0,356; p = 0,009). O escore de gravidade clínica antes do tratamento apresentou correlação inversa com a durabilidade das injeções de PLLA (r = −0,525; p < 0,001).

esse período, não observamos nenhum evento adverso importante. A complicação relatada com mais frequência após a injeção de PLLA na literatura8-13 é o desenvolvimento de pápulas e/ou nódulos palpáveis e/ou visíveis. O risco de formação de pápulas e nódulos está diretamente relacionado às propriedades físico-químicas do polímero, à sua taxa de degradação, ao método de reconstituição, ao local de aplicação e à resposta imunológica do paciente.16-18 Acreditamos que essas complicações não ocorreram neste estudo devido à diluição prévia do PLLA para um volume compatível, ao posicionamento correto do produto na junção da derme profunda com o tecido subcutâneo e pela prática de evitar áreas de pele fina, como as regiões orbital e temporal. Além disso, a resposta imunológica do hospedeiro pode ter desempenhado um papel na prevenção de reações adversas.16-18 Os pacientes deste estudo haviam sido diagnosticados com infecção pelo HIV havia, em média, quase 10 anos. A maioria havia obtido melhora do estado imunológico após a HAART, pois a maioria apresentava carga viral indetectável no momento das injeções de PLLA. A gravidade e a duração da infecção pelo HIV e a supressão viral eficaz foram descritas como fatores de risco para a lipoatrofia associada ao HIV,19,20 conforme observamos neste estudo. O uso de análogos de nucleosídeos pode alterar a função mitocondrial nos adipócitos e, por fim, causar apoptose.21 A estavudina foi implicada como o principal análogo de nucleosídeo responsável pela toxicidade mitocondrial,22 e, por consequência, pelo desenvolvimento de lipodistrofia. Todos os pacientes, exceto um, haviam recebido estavudina por mais de 3 anos. Demonstrou-se que o uso prolongado de HAART, especialmente de estavudina, está associado à lipodistrofia.23 Não existe um método padrão-ouro para avaliar a lipoatrofia facial. Por esse motivo, muitos autores sugeriram diferentes abordagens, como ultrassonografia,15 ressonância magnética (RM),24 tomografia computadorizada (TC)25 e antropometria.25

DISCUSSÃO O uso de PLLA para lipoatrofia associada ao HIV e para fins cosméticos tem sido amplamente relatado na literatura, embora os dados sobre seguimento de longo prazo sejam escassos.8-14 Nosso seguimento mais longo foi de quase 5 anos e, durante

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A avaliação pré-tratamento utilizando adipômetro e fotografias digitais revelou uma correlação inversa entre os escores de gravidade clínica e a espessura da prega cutânea da bochecha, demonstrando que esses métodos, além de eficazes, também apresentam boa relação custo-benefício e são fáceis de implementar na prática clínica. Embora exames de imagem radiológica tenham sido utilizados para avaliar a lipoatrofia facial, cada técnica apresenta limitações específicas.15,21-23 Além disso, esses métodos, incluindo a ultrassonografia de alta frequência, com frequência são caros demais para aplicação clínica de rotina. Em seu estudo, Mest e Humble11 demonstraram uma melhora de 65,1% na prega cutânea medida ao final do tratamento e de 73% no seguimento de 12 meses. Esses autores limitaram a quantidade máxima de PLLA injetada, e havia pacientes que precisariam ser submetidos a mais sessões de tratamento. Até o momento, não existe padronização quanto à quantidade de PLLA a ser injetada, à diluição para o tratamento da lipoatrofia associada ao HIV ou ao número de sessões, dificultando as comparações com outros estudos. Levy et al. utilizaram uma quantidade de PLLA semelhante àquela utilizada neste estudo, e os resultados duraram mais de 2 anos.13 Neste estudo, o número de aplicações foi determinado com base na satisfação do paciente, sendo sua concordância um fator fundamental no processo de tomada de decisão. O período prolongado de seguimento permitiu uma avaliação completa da longevidade das injeções de PLLA, que duraram quase 3 anos. Sugerimos que o número ideal de sessões de tratamento seja determinado por meio de um processo de tomada de decisão compartilhada, equilibrando a satisfação do paciente com a experiência médica. A quantidade de PLLA necessária para alcançar o resultado desejado esteve estreitamente relacionada aos escores de gravidade da lipoatrofia, conforme avaliado por fotografias digitais. Contudo, não foi observada correlação significativa entre esse requisito e as medidas da prega cutânea pré-tratamento. Essa discrepância pode decorrer de variações individuais na espessura cutânea,26 uma vez que pacientes com medidas de prega cutânea semelhantes podem apresentar diferentes graus de lipoatrofia. Além disso, o envelhecimento, tanto natural quanto acelerado pela infecção pelo HIV, pode reduzir a firmeza da pele, levando à flacidez e comprometendo a precisão das avaliações da prega cutânea. A perda progressiva de suporte estrutural afeta tanto a precisão das medições quanto a resposta da pele ao tratamento com PLLA, reduzindo, em última análise, sua eficácia bioestimuladora e o aumento volumétrico. Em alguns pacientes, mesmo quando utilizamos uma quantidade maior de PLLA, apesar do aumento da espessura cutânea, a melhora clínica não foi tão evidente. Também houve uma correlação negativa entre as medidas da prega cutânea pré-tratamento e os escores da avaliação clínica com base nas fotografias pós-tratamento, sugerindo que, quanto mais fina a pele, pior o resultado do tratamento com PLLA. Por esse motivo, deve ser realizada uma avaliação completa da lipoatrofia, incluindo a utilização do adipômetro e a avaliação clínica. Portanto, uma avaliação clínica multifatorial é essencial

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para determinar o protocolo de tratamento mais adequado para cada paciente. Após o tratamento, a avaliação das fotografias demonstrou melhora em todos os pacientes (p < 0,001), com o escore passando de 11,9 para 4,2 na escala de gravidade. Entretanto, os pacientes que apresentavam escores pré-tratamento piores também apresentaram menor melhora após o tratamento, mesmo quando uma quantidade maior de PLLA foi utilizada. Foi sugerido que pacientes com perda de gordura grave não alcançam bons resultados com PLLA e que melhores resultados são observados em pacientes que apresentam lipoatrofia há menos tempo.27 Acreditamos que exista um limite para a melhora clínica de cada indivíduo e que, uma vez atingido esse limite, o aspecto clínico não melhore, independentemente da quantidade de PLLA injetada. Ao analisar os fatores que poderiam interferir na durabilidade, observamos que os pacientes que tiveram sua terapia antirretroviral suspensa apresentaram resultados mais duradouros, proporcionais à duração da suspensão. A melhora clínica durou mais de 48 meses em 3 pacientes, e todos eles haviam tido sua HAART suspensa por períodos de 21 a 51 meses. Acreditamos que a eficácia observada nesses pacientes esteja associada tanto à melhora da lipoatrofia quanto à possível recuperação parcial da gordura.28,29 Estudos sobre a durabilidade do PLLA indicam que seus efeitos clínicos em geral não excedem 30 a 40 meses.14,30 Entretanto, uma hipótese alternativa sugere que o PLLA pode persistir no tecido por mais tempo do que se supõe e que os estudos disponíveis deveriam se concentrar exclusivamente nos desfechos clínicos, sem considerar a presença prolongada do biomaterial no tecido. Como o mecanismo de ação do PLLA se baseia na neocolagênese,31 seria de esperar uma pior resposta em adultos mais velhos, devido ao comprometimento da produção de colágeno e ao aumento de sua degradação.32 Inevitavelmente, observamos essa tendência, mas com uma correlação fraca. A contagem de células CD4+ no momento do tratamento com PLLA apresentou correlação fraca com a durabilidade do tratamento com PLLA, e a gravidade da lipoatrofia apresentou correlação inversa com a durabilidade. Com base nesses achados, podemos sugerir que, quanto melhor o estado imunológico do paciente, mais duradoura é a resposta, e que uma lipoatrofia mais grave também resulta em um efeito menos duradouro do tratamento. A lipoatrofia facial não possui um método de mensuração padronizado, e as abordagens propostas, como RM, ultrassonografia e TC, apresentam limitações e custos elevados. Nossa análise revelou uma correlação inversa entre os escores clínicos e as medidas obtidas com o adipômetro, corroborando a utilização de fotografias digitais e avaliação antropométrica como alternativas práticas e de boa relação custo-benefício para a avaliação clínica. Observamos que os pacientes que receberam mais frascos de PLLA apresentaram efeitos menos duradouros do tratamento, ao contrário do que seria esperado. É possível que, uma vez injeta-


Yoshioka MCN, Yarak S, Porro AM, Tomimori J.

da uma quantidade ideal de PLLA, características intrínsecas de cada indivíduo determinem o resultado. Os pacientes que receberam mais PLLA também foram aqueles com os piores escores de gravidade. Em outras palavras, pacientes com lipoatrofia mais grave apresentam piores resultados. Assim, o estudo confirma a eficácia do PLLA no tratamento da lipoatrofia facial moderada a grave em pacientes positivos para o HIV; entretanto, a pele fina e a lipoatrofia grave impõem determinadas limitações, exigindo abordagens terapêuticas complementares. Em alguns casos, os efeitos do PLLA persistiram por até 48 meses, ressaltando sua importância no manejo estético e psicossocial desses pacientes.

de rotina. Embora o tamanho amostral deste estudo tenha sido relativamente pequeno, a longa duração do estudo proporcionou uma estrutura robusta para avaliar os efeitos de longo prazo do PLLA, compensando, em parte, essa limitação. Restrições adicionais incluem a ausência de um grupo controle e de protocolos de injeção padronizados, ambos os quais poderiam afetar a reprodutibilidade do tratamento e a comparabilidade dos desfechos. CONCLUSÕES As injeções de PLLA melhoram a lipoatrofia malar em PVHIV em uso de HAART. Este estudo identificou características associadas a melhores respostas, como o estado imunológico e a suspensão da HAART. Por outro lado, a espessura da pele e a gravidade da lipoatrofia estão associadas a piores respostas ao PLLA. A gravidade da lipoatrofia também está relacionada ao uso de um maior número de frascos de PLLA e a uma menor duração dos resultados. Com base nesses achados, podemos sugerir que o tratamento com PLLA é uma boa opção para pacientes que apresentam lipoatrofia associada ao HIV leve ou moderada, mas não serão obtidos bons resultados em pacientes com lipoatrofia grave e pele mais fina. l

LIMITAÇÕES As diferenças individuais na espessura cutânea significam que a avaliação das medidas de prega cutânea entre diferentes pacientes é inerentemente variável, limitando sua precisão como métrica comparativa. Da mesma forma, as modalidades de imagem, apesar de suas capacidades avançadas, continuam limitadas pela ausência de protocolos de mensuração padronizados e pelo seu alto custo, restringindo sua viabilidade para aplicação clínica

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Márcia C N Yoshioka (in memoriam) Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura. Samira Yarak ORCID: 0000-0002-5657-6645 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Adriana Maria Porro ORCID: 0000-0003-0736-4790 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Jane Tomimori ORCID: 0000-0002-2407-6646 Análise estatística; Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Participação efetiva na orientação da pesquisa; Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito.

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

www.surgicalcosmetic.org.br/

A eficácia de um sérum e creme de dupla camada com ação clareadora e antienvelhecimento contendo ácido gama-aminobutírico (GABA) 3%, dimetilaminoetanol (DMAE) 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1%

The effectiveness of a whitening and anti-aging double-layer serum and cream containing gamma-aminobutyric acid (GABA) 3%, dimethylaminoethanol (DMAE) 2%, cysteamine 2.5%, and bakuchiol 1% DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180574 RESUMO Introdução: As terapias combinadas que visam múltiplos mecanismos de envelhecimento cutâneo e de hiperpigmentação para o clareamento da pele e o antienvelhecimento são cada vez mais exploradas. Contudo, a eficácia combinada de ácido gama-aminobutírico (GABA), dimetilaminoetanol (DMAE), cisteamina e bakuchiol ainda é limitada. Objetivo: Avaliar a eficácia de um sérum e creme em camadas (double-layer) contendo GABA 3%, DMAE 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1% em relação à luminosidade da pele, diminuição dos poros e redução das rugas. Métodos: Neste ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo com duração de 8 semanas, 50 participantes foram randomizadas e 44 completaram o estudo. Os desfechos incluíram rugas, poros, luminosidade (valor L) e índice de melanina, avaliados na data de início e nas semanas 2, 4, 6 e 8. Os dados foram analisados com o uso de MANOVA de medidas repetidas. Resultados: Houve interação tempo × grupo significativa para o valor L (p < 0,001), com aumento modesto no grupo tratamento (+1,63) e mudança mínima no controle (-0,49). As rugas variaram ao longo do tempo em ambos os grupos, sem diferença clinicamente relevante. Não houve efeito significativo nos poros ou no índice de melanina. Conclusão: A formulação melhorou a luminosidade da pele, sem evidência de efeito despigmentante ou antienvelhecimento estrutural em 8 semanas. Palavras-chave: Agentes GABAérgicos; Envelhecimento; Cisteamina ABSTRACT Background: Combination therapies targeting multiple pathways of skin aging and hyperpigmentation are increasingly explored. However, the combined efficacy of gamma-aminobutyric acid (GABA), dimethylaminoethanol (DMAE), cysteamine, and bakuchiol remains limited. Objectives: To assess the efficacy of a double-layer serum and cream containing GABA 3%, DMAE 2%, cysteamine 2.5%, and bakuchiol 1% on skin brightness, pore count, and wrinkles. Methods: In this 8-week, double-blind, randomized, placebo-controlled trial, 50 participants were randomized, and 44 completed the study. Subjects received either the active formulation or a placebo. Outcomes included wrinkle scores, pore counts, skin brightness (L-value), and melanin index assessed at baseline and weeks 2, 4, 6, and 8. Data were analyzed using repeated-measures MANOVA. Results: A significant time-by-group interaction was observed for L-value (p < 0.001), with the treatment group showing a modest increase (+1.63) compared to minimal change in controls (-0.49). Wrinkle scores changed over time in both groups without clinically meaningful between-group differences. No significant treatment effects were observed for pore counts or melanin index. Conclusion: The formulation improved measured skin brightness but did not demonstrate significant depigmenting or structural anti-aging effects over 8 weeks, suggesting primarily cosmetic benefits. Keywords: GABA Agents; Cysteamine; Aging

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Artigo Original Autores: Widya Widita¹ Andi Hardianty¹ Anis Irawan Anwar¹ Andi Alfian Zainuddin² Wong Lip Wih³ Cynthia Sandra Kuncoro¹ Annisa Alviariza¹ Adhisti Prihastuti¹ Andi Dhidit Dwiputra¹ ¹ Universidade de Hasanuddin, Dermatologia, Venereologia e Estética, Makassar, Sulawesi do Sul, Indonésia ² Universidade de Hasanuddin, Departamento de Saúde Pública e Medicina Comunitária, Makassar, Sulawesi do Sul, Indonésia ³ Lipwih Synergylab Company, Lipwih Synergylab Company, Bekasi, West Java, Indonésia

Correspondência: Widya Widita E-mail: widya.widita@med.unhas. ac.id

Submetido em: 30 de abril de 2026 Decisão final: 29 de julho de 2026

Como citar este artigo: Widita W, Hardianty A, Anwar AI, Zainuddin AA, Wih WL, Kuncoro CS, Alviariza A, Prihastuti A, Dwiputra AD. A eficácia de um sérum e creme de dupla camada com ação clareadora e antienvelhecimento contendo ácido gama-aminobutírico (GABA) 3%, dimetilaminoetanol (DMAE) 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1%. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260574.


Widita W, Hardianty A, Anwar AI, Zainuddin AA, Wih WL, Kuncoro CS, et al.

INTRODUÇÃO O envelhecimento cutâneo e os distúrbios de pigmentação continuam a ser preocupações importantes na prática dermatológica e na ciência cosmética. As queixas comuns incluem envelhecimento cutâneo, rugas, pigmentação, ressecamento e aspecto opaco da pele. Muitos pesquisadores continuam a buscar diversas estratégias e soluções para abordar essas questões.1 A pele mais clara ainda é considerada uma vantagem estética entre certos grupos étnicos, particularmente entre mulheres de ascendência asiática e africana com fototipos de Fitzpatrick IV–VI.2 A preferência por uma pele mais clara entre as mulheres indonésias reflete padrões de beleza mais amplos predominantes em toda a Ásia, onde o mercado de produtos de clareamento da pele está se expandindo rapidamente. Um estudo clínico realizado em Yogyakarta com 74 mulheres indonésias demonstrou a demanda por produtos de clareamento da pele.3,4 As alterações nas camadas epidérmica e dérmica decorrentes do processo de envelhecimento resultam em alterações estruturais e funcionais da pele. Novas pesquisas têm se concentrado em diversos compostos ativos, como ácido gama-aminobutírico (GABA), dimetilaminoetanol (DMAE), cisteamina e bakuchiol.2 O GABA é amplamente distribuído entre os neurônios corticais, reduzindo a excitabilidade neuronal ao diminuir a frequência dos potenciais de ação neuronais. Em aplicações dermatológicas, demonstrou-se que o GABA aumenta significativamente a proliferação de células dérmicas, retarda os processos de envelhecimento cutâneo, atenua a senescência celular epidérmica e melhora a hidratação da pele.5,6 O DMAE é considerado um precursor indireto da acetilcolina. A substância contribui para a síntese de colágeno dérmico e desempenha um papel nos mecanismos antienvelhecimento.7 O bakuchiol é um meroterpeno fenólico natural isolado dos frutos da planta Psoralea corylifolia. É reconhecido por sua ampla variedade de efeitos farmacológicos, incluindo atividades antienvelhecedora, anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e antineoplásica. A cisteamina é conhecida como um agente eficaz e seguro para o tratamento do melasma, por reduzir o conteúdo de melanina. A despigmentação ocorre por meio da inibição da atividade da tirosinase.7 O uso de séruns e cremes destinados à luminosidade da pele e ao tratamento antienvelhecimento aumentou substancialmente em muitos países, incluindo a Indonésia. Entretanto, estudos que demonstrem a eficácia da combinação de GABA, DMAE, cisteamina e bakuchiol como agentes de clareamento e antienvelhecimento ainda são limitados. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia de um sérum e creme de dupla camada para clareamento e ação antienvelhecimento contendo esses componentes ativos.

contendo GABA 3%, DMAE 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1%, melhora o valor L da pele na semana 8 e afeta o escore de rugas, o escore de poros, o índice de melanina e os eventos adversos em mulheres de 30–50 anos com fototipos III–V de Fitzpatrick. MATERIAIS E MÉTODOS Desenho e local do estudo Este foi um ensaio clínico unicêntrico, de dois grupos, paralelo, de superioridade, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com alocação individual na proporção de 1:1 e seguimento de 8 semanas. O ensaio foi realizado no Departamento de Dermatologia e Venereologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Hasanuddin/Hasanuddin University Hospital, Makassar, Sulawesi do Sul, Indonésia, de março a agosto de 2025. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Hasanuddin (93/UN4.6.4.5.31/PP36/2025). Todas as participantes forneceram consentimento informado por escrito. O ensaio foi registrado retrospectivamente no ClinicalTrials.gov (NCT07477288) em março de 2026. Envolvimento de pacientes e do público Pacientes e membros do público não participaram do desenho, condução, análise, interpretação ou relato deste ensaio. Alterações no protocolo Não foram realizadas alterações importantes nos critérios de elegibilidade, nas intervenções, nos desfechos primários ou secundários, na duração do seguimento ou no tamanho amostral planejado após o início do estudo. Participantes As participantes elegíveis eram mulheres de 30–50 anos com fototipos de Fitzpatrick III–V que compareceram às clínicas de dermatologia participantes, estavam dispostas a seguir o regime do estudo e assinaram os termos de consentimento informado. O protocolo também especificava a não utilização de vitamina C, selênio ou outros suplementos antioxidantes durante o mês anterior. Os critérios de exclusão foram gestação, amamentação, menopausa, terapia hormonal ou contracepção hormonal, uso de tratamento tópico ou sistêmico para clareamento da pele durante o mês anterior, lesões hiperpigmentadas nos locais de medição (incluindo melasma, lentigos ou efélides) e histórico de hipersensibilidade a GABA, DMAE, cisteamina ou bakuchiol. Tamanho da amostra O protocolo calculou um mínimo de 20 participantes por grupo, utilizando proporções de resposta presumidas de 80% e 40%, alfa bicaudal de 0,05 (Zα = 1,96) e poder de 80% (Zβ

OBJETIVO Determinar se, em comparação com placebo, um regime de sérum-creme de dupla camada, com duração de 8 semanas e

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Fotografia clínica Fotografias faciais foram obtidas no início do estudo e até a semana 8 utilizando uma câmera Nikon D3100 com lente de 18–55 mm e o sistema de análise facial Janus-III. As fotografias foram obtidas utilizando a mesma posição facial, distância da câmera, iluminação e fundo em cada consulta.

= 0,84). Após considerar uma taxa de perdas de 10%, o tamanho amostral planejado foi de 22 participantes por grupo (44 no total). O recrutamento foi ampliado para 25 participantes por grupo. Por fim, 50 participantes foram randomizadas. Randomização, alocação e cegamento As participantes foram alocadas na proporção de 1:1 por randomização simples para o grupo ativo (Grupo A) ou para o grupo placebo (Grupo B). As participantes e os avaliadores dos desfechos estavam cegados. Os produtos ativos e o placebo foram fornecidos em embalagens de aparência idêntica. Foi utilizada randomização simples, sem estratificação ou bloqueio. Os participantes e os avaliadores dos desfechos estavam cegados quanto à alocação do tratamento.

Eventos adversos e adesão Nenhum evento adverso grave foi relatado. O número e o tipo de eventos adversos não graves, as desistências devido a eventos adversos e os dados quantitativos relativos à adesão não estavam disponíveis na análise fornecida. Análise estatística As análises foram realizadas utilizando o SPSS versão 22.0. As variáveis contínuas são apresentadas como médias e desvios-padrão. As comparações entre os grupos em consultas individuais utilizaram o teste t para amostras independentes para dados com distribuição normal e o teste U de Mann-Whitney para dados com distribuição não normal. A análise de variância multivariada (MANOVA) para medidas repetidas, utilizando o traço de Pillai, avaliou os efeitos do tempo, do grupo e da interação tempo × grupo. Um valor de p bicaudal < 0,05 foi considerado estatisticamente significativo, e o eta quadrado parcial foi relatado como medida do tamanho do efeito. A análise de eficácia foi uma análise de casos completos das participantes com dados até a semana 8, analisados de acordo com seus grupos de randomização; não foi realizada imputação de dados ausentes nem análise de sensibilidade. As diferenças entre os grupos na mudança entre o início do estudo e a semana 8 e os intervalos de confiança de 95% foram calculados post hoc a partir dos termos de erro dos contrastes de medidas repetidas correspondentes. Não foi realizada análise interina nem utilizado um critério de interrupção.

Intervenções Os participantes de ambos os grupos higienizavam o rosto com cinco gotas do sabonete facial fornecido pela manhã e à noite. Em seguida, o grupo ativo aplicava duas gotas do sérum ativo em todo o rosto, aguardava 1 minuto e aplicava uma unidade de ponta do dedo do creme ativo em todo o rosto. A mesma sequência era repetida 2 vezes ao dia durante 8 semanas. Os produtos ativos continham GABA 3%, DMAE 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1%. O grupo placebo seguia a mesma sequência de higienização, aplicação do sérum, espera e aplicação do creme, utilizando produtos placebo sem os ingredientes ativos. A adesão foi avaliada por autorrelato das participantes durante as consultas de seguimento; não foi especificado um limiar quantitativo de adesão. O uso concomitante de agentes clareadores e suplementos antioxidantes não era permitido, conforme definido nos critérios de elegibilidade. A adesão ao tratamento foi avaliada pelas participantes em cada consulta de seguimento. Desfechos e avaliações O desfecho primário pré-especificado para este relato foi a variação na luminosidade da pele (valor L) entre o início do estudo e a semana 8. Os desfechos secundários foram as mudanças no escore de rugas, no escore de poros e no índice de melanina. As avaliações foram realizadas no início do estudo e nas semanas 2, 4, 6 e 8. A luminosidade da pele foi medida com um Chromameter (Konica Minolta, Japão), no qual L = 0 representa preto e L = 100 representa branco. O índice de melanina foi medido com um Mexameter MX 18 (Courage + Khazaka, Alemanha). O protocolo especificava medições na testa e em ambas as bochechas, repetidas 3 vezes nos mesmos locais. Os escores de rugas e poros foram obtidos utilizando o sistema de análise facial Janus-III (PIE Co., Coreia do Sul). Em cada consulta, as participantes foram questionadas sobre tolerabilidade e eventos adversos, incluindo prurido ou ardor, eritema, irritação e formação de bolhas. Eventos adversos graves e suspensões do tratamento devido a eventos adversos foram monitorados durante todo o período de 8 semanas.

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RESULTADOS Das 50 participantes, 44 completaram o seguimento de 8 semanas e foram incluídas na análise final (Figura 1). Durante o seguimento, 3 participantes do grupo ativo e 3 do grupo placebo foram perdidas do seguimento. As características basais eram comparáveis entre os grupos. A idade média das participantes do Grupo A foi de 38 anos, em comparação com 39 anos no Grupo B. Todas as participantes foram classificadas como fototipo de Fitzpatrick III. IMC, etnia, gravidade da hiperpigmentação basal e tipo de pele categórico não foram registrados no banco de dados do estudo. Foram observadas mudanças ao longo do tempo na contagem de poros, nos escores de rugas, no valor L e no índice de melanina em ambos os grupos durante o período de 8 semanas. Os eventos adversos foram monitorados durante todo o período do estudo. Nenhum evento adverso grave foi relatado.


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Entretanto, a interação tempo × grupo não foi significativa (p = 0,236), e não foram observadas diferenças consistentes entre os grupos nos momentos individuais, indicando que a variação temporal observada não poderia ser atribuída ao tratamento designado. Os valores L médios no início do estudo foram semelhantes (tratamento 48,21 [4,25] vs. controle 48,62 [2,49]). O efeito geral do tempo sobre os valores L aproximou-se, mas não atingiu, a significância convencional (p = 0,065). É importante ressaltar que houve uma interação tempo × grupo (p < 0,001), indicando que os grupos de tratamento e controle apresentaram trajetórias de luminosidade diferentes ao longo do tempo (Tabela 3, Figura 4). Em termos absolutos, o grupo de tratamento apresentou um pequeno aumento nos valores L entre o início do estudo e a semana 8 (≈ +1,63), enquanto o grupo controle apresentou variação mínima (≈ −0,49), o que é consistente com um aumento da luminosidade cutânea medida, mesmo sem uma redução significativa no índice de melanina. Embora mensurável estatisticamente, a magnitude da variação no valor L foi relativamente modesta, e sua perceptibilidade clínica permanece incerta. Os valores basais do Mexameter foram semelhantes entre os grupos (tratamento 218,5 [63,4] vs. controle 211,3 [34,7]) (Tabela 4, Figura 5). O efeito temporal geral apresentou uma tendência de melhora (p = 0,051), mas a interação tempo × grupo não foi significativa, e não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nas consultas individuais. Assim, as leituras do Mexameter não demonstraram um efeito de tratamento claro ao longo de 8 semanas. Fotografias clínicas padronizadas representativas de 2 participantes do grupo ativo e 2 participantes do grupo placebo no início do estudo e na semana 8 são apresentadas nas Figuras 6 e 7. Essas fotografias são apresentadas apenas para fins de ilustração visual e não foram utilizadas para substituir as medidas quantitativas de desfecho pré-especificadas.

Avaliadas para elegibilidade (n = 50)

Randomizadas (n = 50)

Alocadas para tratamento (n = 25)

Alocadas para controle (n = 25)

Perda de seguimento (n = 3)

Perda de seguimento (n = 3)

Completaram o estudo (n = 22)

Completaram o estudo (n = 22)

Figura 1: Fluxograma CONSORT

Desfechos de eficácia Na semana 8, o valor L médio aumentou de 48,21 para 49,84 no grupo ativo, correspondendo a uma mudança média de +1,63. No grupo placebo, o valor L médio diminuiu de 48,62 para 48,13, correspondendo a uma mudança média de −0,49. A diferença entre os grupos na variação foi de 2,11 unidades (IC 95%, 0,90–3,33; p = 0,001). Também foi observada uma interação tempo × grupo significativa (p < 0,001). O escore médio de rugas variou de 63,14 para 65,32 no grupo ativo e de 66,32 para 66,00 no grupo placebo. A diferença entre os grupos na variação foi de 2,50 pontos (IC 95%, 1,33–3,67; p < 0,001), representando uma melhora. A relevância clínica da diferença observada permanece incerta (Figura 2). Não foi observada interação tempo × grupo estatisticamente significativa para o escore de poros (p = 0,236). Não foi observado efeito de tratamento significativo no índice de melanina durante o seguimento de 8 semanas. No início do estudo, os escores de rugas eram comparáveis entre os grupos (média [DP]: tratamento 63,14 [6,01] vs. controle 66,32 [4,55]). Os escores de rugas variaram ao longo do tempo (efeito intrassujeitos, traço de Pillai; p = 0,009) (Tabela 1, Figura 2). Os escores de rugas variaram ao longo do tempo em ambos os grupos (efeito intrassujeitos, p = 0,009). Embora tenha sido observada uma interação tempo × grupo significativa para os escores de rugas (p < 0,001), a magnitude clínica dessa variação foi mínima e não representou uma redução substancial na gravidade das rugas durante o período de 8 semanas. As contagens de poros basais foram semelhantes entre os grupos (tratamento 56,14 [10,82] vs. controle 53,96 [12,23]). As medidas de poros variaram ao longo do tempo (efeito intrassujeitos; p = 0,006), refletindo uma variação geral entre as consultas (Tabela 2, Figura 3).

1

DISCUSSÃO No envelhecimento cronológico, as espécies reativas de oxigênio (EROs) são produzidas principalmente por meio do metabolismo oxidativo celular, enquanto o envelhecimento extrínseco resulta da perda do equilíbrio redox causada por fatores ambientais, como a radiação ultravioleta (UV).8 A pigmentação da pele é determinada principalmente pela síntese de melanina nos melanócitos. A pigmentação anormal é um sintoma comum associado ao envelhecimento cutâneo.9 A radiação UV e a luz visível aumentam a expressão de genes específicos dos melanócitos (tirosinase, Tyrp1 e tautomerase da dopacroma) e estimulam a produção do hormônio estimulante de α-melanócitos (α-MSH).10 Os produtos finais de glicação avançada (AGEs) se acumulam no colágeno e na elastina dérmicos, ligam-se aos receptores para AGEs (RAGE) nos melanócitos e ativam a fosforilação da quinase regulada por sinal extracelular (ERK) e da

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Tabela 1. Comparação dos escores de rugas nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Grupo A

Grupo B

Total

Rugas S-0

63.136

66.318

64.727

Rugas S-2

63.864

66.364

65.114

Rugas S-4

64.455

65.636

65.045

Rugas S-6

64.773

65.636

65.205

Rugas S-8

65.318

66.000

65.659

Tabela 2. Comparação dos escores de poros nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Grupo A

Grupo B

Total

Poros S-0

56.136

53.955

55.045

Poros S-2

56.773

54.273

55.523

Poros S-4

57.227

54.091

55.659

Poros S-6

57.682

54.182

55.932

Poros S-8

58.273

54.682

56.477

Figura 2 :. Variações nos escores de rugas (azul = Grupo A, verde = Grupo B) nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Fonte: arquivo dos autores.

Figura 3: Variações nos escores de poros (azul = Grupo A, verde = Grupo B) nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Fonte: arquivo dos autores.

proteína de ligação ao elemento de resposta ao AMPc (CREB), levando ao aumento da expressão do fator de transcrição associado à microftalmia (MITF) e da tirosinase.11 A radiação UV e as EROs intrínsecas ativam as vias da proteína quinase ativada por mitógeno (MAPK), levando à formação da proteína ativadora 1 (AP-1), que estimula a transcrição de diversas enzimas responsáveis pela degradação do colágeno, incluindo as metaloproteinases de matriz 1 (MMP-1), 3 e 9.12 O acúmulo intracelular mediado por AGEs gera EROs, danifi-

cando proteínas dérmicas e desencadeando uma resposta de sinalização inflamatória que contribui para o fotoenvelhecimento, como o surgimento de rugas.11 Acredita-se que o afinamento da derme seja causado pela redução da secreção de colágeno pelos fibroblastos dérmicos. O afinamento da derme é responsável por alterações morfológicas importantes nas rugas cutâneas.13 Os poros cutâneos são aberturas aumentadas dos folículos pilossebáceos que podem ser afetadas pela idade, sexo, genética, exposição à ra-

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Tabela 3. Comparação dos escores de valor L nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Grupo A

Grupo B

Total

Valor L S-0

48.207

48.615

48.411

Valor L S-2

48.544

48.413

48.478

Valor L S-4

48.965

47.509

48.237

Valor L S-6

49.642

48.411

49.027

Valor L S-8

49.835

48.129

48.982

Tabela 4. Comparação dos escores de índice de melanina nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Grupo A

Grupo B

Total

Mexameter S-0

218.544

211.288

214.916

Mexameter S-2

219.182

220.424

219.803

Mexameter S-4

224.136

226.818

225.477

Mexameter S-6

222.015

216.015

219.015

Mexameter S-8

216.682

214.955

215.818

Figura 4: Variações nos escores de valor L (azul = Grupo A, verde = Grupo B) nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Fonte: arquivo dos autores.

Figura 5: Variações nos escores de índice de melanina (azul = Grupo A, verde = Grupo B) nas participantes do estudo durante o período de tratamento de 8 semanas. Fonte: arquivo dos autores.

diação UV, etnia e secreção sebácea.14 A exposição crônica à radiação UV induz enzimas degradativas na derme, reduzindo o colágeno e a elastina e exacerbando a dilatação dos poros.15 Neste estudo, observamos os efeitos de um regime de dupla camada, composto por um sérum e um creme contendo GABA 3%, DMAE 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1%, sobre a luminosidade da pele (valor L), a contagem de poros e os esco-

res de rugas. Embora estatisticamente detectável, a magnitude da variação no valor L foi modesta e pode não representar uma melhora clinicamente significativa. A ausência de alterações significativas no índice de melanina sugere que um efeito despigmentante real não foi demonstrado durante o período de 8 semanas. Demonstrou-se que o GABA aumenta a expressão de filagrina, promovendo, assim, a formação e a função adequadas da

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Figura 6: Fotografias clínicas dos grupos A e B.

FIGURA 7: Fotografias clínicas dos grupos A e B.

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barreira cutânea.16 O tratamento com GABA aumenta os níveis de transcritos de colágeno tipo I ao mesmo tempo que reduz a expressão de MMP-1, uma enzima responsável pela degradação do colágeno. Por esse mecanismo, o GABA regula a expressão do colágeno tipo I, contribuindo para a melhora da elasticidade cutânea.17 Também ajuda a atenuar a senescência das células epidérmicas e aumenta a hidratação da pele, melhorando coletivamente a integridade e a aparência geral da pele.16 O GABA inibe a melanogênese induzida por α-MSH por meio da ativação dos receptores GABAA e GABAB, levando à regulação negativa da cascata de sinalização cAMP–CREB– MITF–tirosinase e à supressão dos níveis intracelulares de Ca²+. Como o Ca²+ atua como um mensageiro secundário importante que medeia a ativação dos melanócitos por meio de receptores acoplados à proteína G (GPCRs), como o MC1R, sua elevação promove tanto a síntese de melanina quanto a transferência de melanossomas para os queratinócitos. O GABA atenua a biossíntese de melanina induzida por α-MSH, principalmente por meio da redução da sinalização intracelular de Ca²+, ressaltando seu papel regulador na modulação da melanogênese.18 O DMAE é considerado um precursor indireto da acetilcolina ou um análogo da vitamina B colina. Seu mecanismo de ação proposto envolve a participação na contração muscular sob a derme, bem como na adesão celular entre a epiderme e a derme. O aumento do tônus muscular pode proporcionar um efeito lifting não cirúrgico. Além disso, o DMAE pode influenciar a síntese de colágeno dérmico.7,19 O DMAE apresenta atividade de sequestro de radicais hidroxila que compete com a prolina e a hidroxiprolina, ambas capazes de reduzir radicais hidroxila (•OH) e formar radicais nitroxila. Esse achado demonstra a capacidade do DMAE de neutralizar radicais hidroxila livres, sugerindo, assim, seu mecanismo de ação antienvelhecimento.7 Demonstrou-se que o gel de DMAE a 3% é seguro e eficaz na atenuação de linhas da testa e rugas finas periorbitárias, bem como na melhora do volume e do formato dos lábios e da aparência geral da pele facial.19 As melhoras nos desfechos relacionados às rugas são sustentadas pelos efeitos biológicos estabelecidos dos ingredientes ativos. As contribuições do DMAE e do GABA podem ser mediadas pela firmeza dérmica, pela estabilização das membranas e pela modulação da inflamação neurogênica ou do tônus muscular cutâneo, complementando, assim, as ações estimuladoras do colágeno. A cisteamina é um composto aminotiol sintetizado fisiologicamente nas células humanas e atua como agente despigmentante. Demonstrou-se que é eficaz e segura no tratamento do melasma, por reduzir o conteúdo de melanina. A despigmentação ocorre por meio da inibição da atividade da tirosinase, uma enzima que desempenha papel fundamental no processo de melanogênese.20 A cisteamina é um poderoso antioxidante endógeno que degrada o peróxido de hidrogênio nas células e, teoricamente, pode atuar como agente antienvelhecimento. A cisteamina tópica pode reduzir significativamente a hiperpigmentação dos lenti-

gos solares, mesmo sem a mistura com retinol ou ácido glicólico. A cisteamina exerce seu efeito antimelanogênico, em parte, por sua capacidade de quelar metais. Ela se liga a íons de metais de transição, incluindo ferro e cobre, e neutraliza os radicais hidroxila produzidos por meio de reações do tipo Fenton, regulando negativamente, de forma indireta, a cascata de melanogênese.21 Em um estudo controlado aberto, pacientes com melasma que receberam cisteamina a 5% apresentaram uma redução de 11,5% no conteúdo de melanina após 12 semanas em comparação com o início do estudo.22 O aumento observado no valor L pode ser explicado pelas propriedades farmacológicas conhecidas dos componentes individuais. Entretanto, esse aumento ocorreu sem reduções correspondentes no índice de melanina, sugerindo que efeitos ópticos ou de superfície podem ter contribuído para o resultado. Em uma série de casos de 16 semanas envolvendo 7 participantes, a aplicação tópica de um complexo de cisteamina–isobionicamida resultou em uma redução perceptível do tamanho dos poros e melhora da textura da pele na análise tridimensional por imagem, acompanhadas de suavização visível de linhas finas e rugas.21 Demonstrou-se que o bakuchiol inibe a síntese de melanina e suprime a formação de cílios primários em células dendríticas, levando à inibição da melanogênese.23 O mecanismo proposto envolve a regulação negativa da expressão da tirosinase e a inibição das vias de sinalização dependentes de Rho, ambas as quais desempenham papéis fundamentais na regulação da melanogênese. Além disso, o bakuchiol pode bloquear a atividade do α-MSH e da tirosinase, o que resulta, em última análise, na redução da intensidade da pigmentação na superfície da pele.24 Demonstrou-se que um sérum contendo uma combinação de extrato de bakuchiol previne a expressão excessiva de IL-8 e p16 na pele exposta à radiação UVA, exercendo, assim, um efeito firmador sobre a pele. O bakuchiol também promove a síntese dos colágenos tipos I, III e IV, contribuindo para a melhora da estrutura e da elasticidade dérmicas. Além disso, o bakuchiol aumenta a permeabilidade da pele, favorecendo a liberação de ingredientes ativos, e apresenta propriedades antienvelhecimento, hidratantes e rejuvenescedoras que, em conjunto, melhoram a condição e a aparência geral da pele.24 Demonstrou-se que o bakuchiol apresenta efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios potentes e proporciona benefícios antienvelhecimento semelhantes aos do retinol, sem as reações adversas típicas associadas aos retinoides. Ele atua como um sequestrante eficaz de radicais peroxila do ácido linoleico, radicais DPPH, radicais hidroxila e radicais glutationila. Além disso, demonstrou-se que sua capacidade antioxidante inibe a regulação positiva de MMP-9 in vivo.25 Também pode inibir a atividade da MMP-1 de forma mais eficaz que o retinol.26 Embora cada componente tenha demonstrado benefícios dermatológicos individuais, sua eficácia clínica combinada ainda é incerta. A ausência de variações significativas no índice de melanina, apesar da presença de agentes despigmentantes co-

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nhecidos, como a cisteamina, pode ser explicada pela duração relativamente curta (8 semanas), pela liberação insuficiente dos ingredientes ativos ou por limitações de penetração relacionadas à formulação. O tamanho amostral relativamente pequeno e a curta duração podem limitar a generalização dos achados e a capacidade de detectar alterações sutis, particularmente nos desfechos relacionados à melanina. Estudos futuros com períodos de seguimento mais longos e tamanhos amostrais maiores são necessários para confirmar a relevância clínica.

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CONCLUSÃO Este estudo randomizado e duplo-cego demonstra que um sérum e creme de dupla camada contendo GABA 3%, DMAE 2%, cisteamina 2,5% e bakuchiol 1% é uma formulação cosmética em potencial para aumentar a luminosidade da pele e modular sua aparência. Ao longo de 8 semanas, a formulação de dupla camada melhorou a luminosidade da pele (valor L), mas não demonstrou melhora clinicamente significativa nos escores de rugas. Entretanto, não foram observados efeitos significativos sobre o índice de melanina ou a contagem de poros. Esses achados sugerem um benefício cosmético na melhora da aparência da pele em vez de efeitos despigmentantes confirmados. l

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Widita W, Hardianty A, Anwar AI, Zainuddin AA, Wih WL, Kuncoro CS, et al.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Widya Widita ORCID: 0000-0002-0044-1389 Análise estatística; Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Participação efetiva na orientação da pesquisa; Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito Andi Hardianty ORCID: 0009-0009-5071-9105 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Anis Irawan Anwar ORCID: 0000-0002-1830-5617 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Andi Alfian Zainuddin ORCID: 0000-0003-4436-3906 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito Wong Lip Wih Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Cynthia Sandra Kuncoro ORCID: 0009-0002-9971-4953 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Annisa Alviariza ORCID: 0000-0001-5337-109X Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Adhisti Prihastuti ORCID: 0009-0007-9079-6995 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Andi Dhidit Dwiputra ORCID: 0009-0001-4006-002X Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito FINANCIAMENTO E DECLARAÇÕES Fonte de financiamento: Este estudo foi apoiado pela Lipwih Synergylab Company, que forneceu apoio financeiro e os produtos utilizados neste estudo.

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

www.surgicalcosmetic.org.br/

Expandindo o alcance do retalho East-West: técnica modificada para defeitos paramedianos maiores da ponta nasal Extending the reach of the East-West flap: a modified technique for larger paramedian nasal tip defects DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180585

Como eu faço? Autores: Valery Lynn Turner1 Pablo Vargas Mora2,3 Rubén González Cuevas2,3 1

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RESUMO A reconstrução de defeitos paramedianos da ponta nasal é desafiadora devido à pele espessa e aderente e à mobilidade tecidual limitada nessa região. O retalho de avanço East-West é uma técnica reconstrutiva bem estabelecida, mas seu uso tem sido tradicionalmente limitado a defeitos menores que 1,5 cm. Descrevemos uma modificação que incorpora uma extensão em forma de crescente, orientada superiormente, na base do triângulo de Burow inferior, com o objetivo de redistribuir a tensão durante o fechamento e preservar o tecido saudável adjacente. Essa modificação amplia a aplicabilidade do retalho a defeitos maiores, mantendo a simplicidade da técnica. Nos casos apresentados, a técnica proporcionou resultados estéticos satisfatórios, sem distorção clinicamente aparente da ponta nasal ou outras complicações, representando uma opção reconstrutiva prática para defeitos paramedianos maiores e selecionados da ponta nasal. Palavras-chave: Cirurgia de Mohs; Retalhos Cirúrgicos; Nariz

3

Universidad de los Andes, Department of Dermatology, Santiago (RM), Chile Universidad de Chile, Department of Dermatology, Santiago (RM), Chile Instituto Nacional del Cáncer, Unidad de Melanoma y Cáncer de piel, Santiago (RM), Chile

Correspondência: Valery Lynn Turner E-mail: valeryturnerg@gmail. com / vturner@miuandes.cl

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesses: Nenhum

ABSTRACT Reconstruction of paramedian nasal tip defects is challenging because of the thick, adherent skin and limited tissue mobility in this region.The East-West advancement flap is a well-established reconstructive technique but has traditionally been limited to defects smaller than 1.5 cm.We describe a modification incorporating a superiorly oriented crescent-shaped extension at the base of the inferior Burow’s triangle to redistribute closure tension and preserve adjacent healthy tissue.This modification extends the applicability of the flap to larger defects while maintaining simplicity. In the cases presented, the technique achieved satisfactory aesthetic outcomes without clinically apparent nasal tip distortion or other complications, representing a practical reconstructive option for selected larger paramedian nasal tip defects. Keywords: Mohs Surgery; Surgical Flaps; Nose

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Data de submissão: 22 de maio de 2026 Decisão final: 3 de julho de 2026

Como citar este artigo: Turner VL, Mora PV, Cuevas RG. Expandindo o alcance do retalho East-West: técnica modificada para defeitos paramedianos maiores da ponta nasal. Surg. Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260585.


Turner VL, Mora PV, Cuevas RG.

INTRODUÇÃO A reconstrução de defeitos paramedianos da ponta nasal representa um desafio cirúrgico devido à pele espessa e aderente e à mobilidade tecidual limitada na região supraponta.1 O retalho East-West, também conhecido como retalho de avanço horizontal, constitui uma opção reconstrutiva conceitualmente simples e eficaz para essa região; entretanto, seu uso tem sido tradicionalmente limitado a defeitos menores que 1,5 cm.2,3 Descrevemos uma modificação do retalho de avanço East-West para a reconstrução de defeitos paramedianos maiores da ponta nasal após cirurgia micrográfica de Mohs. A técnica modificada incorpora uma extensão em forma de crescente, orientada superiormente, na base do triângulo inferior. Essa modificação preserva o tecido saudável adjacente e, ao mesmo tempo, reduz a tensão excessiva durante o fechamento, ampliando, assim, a aplicabilidade do retalho East-West a defeitos maiores.

TÉCNICA O retalho East-West tradicional envolve o avanço horizontal da pele do dorso nasal e a excisão de dois triângulos de Burow (Figura 1). O triângulo superior estende-se verticalmente acima do defeito, enquanto o triângulo inferior é orientado medialmente em direção à columela. A largura do triângulo superior deve corresponder à largura do defeito, com altura vertical suficiente para evitar a formação de deformidade em cone ao longo do dorso nasal. Na modificação proposta, a base reta do triângulo de Burow inferior é substituída por um crescente orientado superiormente, que se estende do ponto médio da borda lateral do defeito em direção ao lado contralateral, com comprimento igual à largura horizontal do defeito (Figura 2). A altura do triângulo inferior pode ser ajustada de acordo com o tamanho e a localização do defeito e com as dimensões da ponta nasal. Pontas nasais mais estreitas ou defeitos mais distais podem exigir um triângulo inferior mais curto, medindo 50%–70% da altura do triângulo superior.

Figura 1: Representação esquemática do retalho East-West tradicional

Figura 2: Representação esquemática do retalho East-West modificado, incorporando uma extensão em forma de crescente, orientada superiormente, na base do triângulo inferior

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260585.

O procedimento inicia-se com a excisão do triângulo de Burow superior e do triângulo inferior modificado, com sua base em forma de crescente orientada superiormente. O amplo descolamento no plano abaixo do sistema músculo-aponeurótico superficial (sub-SMAS), abrangendo a ponta e a região supraponta nasal, é fundamental para permitir a avaliação da distorção da ponta durante o avanço do retalho e assegurar o fechamento com tensão mínima.1,5 O retalho resultante, em formato de cone, é então avançado horizontalmente para preencher o defeito. Recomenda-se o fechamento do tecido subcutâneo com fios absorvíveis 4-0 ou 5-0, seguido de fechamento superficial com fios de náilon 6-0 (Figuras 3 e 4).2 O manejo pós-operatório consiste em cuidados conservadores com a ferida. O sítio cirúrgico é higienizado diariamente com solução salina estéril, sem necessidade de curativos especializados. Os pontos de náilon são removidos entre 7 e 10

dias após o procedimento. Após a retirada dos pontos, a cicatriz é mantida com fita de micropore, e um creme hidratante de barreira é aplicado durante 1 mês para favorecer a maturação adequada da cicatriz. DISCUSSÃO O retalho East-West, inicialmente descrito por Robins e posteriormente por Goldberg, Alam e outros autores, é uma opção reconstrutiva bem estabelecida para defeitos da região supraponta nasal.4 A modificação proposta preserva a simplicidade conceitual do retalho tradicional, ao mesmo tempo que amplia sua aplicabilidade a defeitos maiores da ponta nasal. Ao substituir o triângulo inferior convencional de base reta por um desenho em forma de crescente, a técnica modificada maximiza a preservação do tecido saudável adjacente, ao mesmo tempo que minimiza a tensão durante o fechamento e a distorção do contorno.

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Figura 3: Retalho East-West modificado para reconstrução de defeito paramediano da ponta nasal. A - Defeito paramediano da ponta nasal antes da reconstrução. B - Marcação pré-operatória do retalho East-West modificado. C - Excisão do triângulo superior e incisão do triângulo inferior modificado. D - Descolamento do retalho. E - Avanço horizontal do retalho sobre o defeito. F Fechamento final com o retalho suturado em posição

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Turner VL, Mora PV, Cuevas RG.

Uma possível desvantagem dessa modificação é o estreitamento da ponta nasal no plano horizontal. Entretanto, esse efeito foi discreto em nossos pacientes e considerado esteticamente aceitável. Na avaliação pós-operatória, não foram observados abaulamento do retalho (pincushioning) nem deformidade clinicamente aparente da ponta nasal. O acompanhamento aos 3 e 6 meses demonstrou resultados estéticos satisfatórios. Diversas técnicas alternativas estão disponíveis para a reconstrução de defeitos da ponta nasal, cada uma com vantagens e limitações específicas. O retalho bilobado proporciona mobilidade tecidual considerável por meio de dupla transposição, mas pode resultar em linhas de sutura mais extensas, deformidade em alçapão (trapdoor) e irregularidades do contorno. O retalho nasojugal crescente constitui outra opção eficaz, mas requer incisões que se estendem ao longo do sulco alar, as quais podem

ser mais difíceis de esconder.4,5 O retalho frontal paramediano permanece uma importante opção reconstrutiva para defeitos maiores ou mais complexos; entretanto, geralmente requer um procedimento em duas etapas e implica maior complexidade reconstrutiva. CONCLUSÃO O retalho de avanço East-West modificado representa uma opção reconstrutiva promissora para defeitos paramedianos maiores e selecionados da ponta nasal. Os casos apresentados sugerem que essa modificação pode proporcionar resultados estéticos e funcionais favoráveis, preservando o contorno nasal e o tecido saudável adjacente. Estudos adicionais, com maior número de pacientes e períodos de acompanhamento mais longos, são necessários para confirmar esses achados e definir melhor as indicações e limitações dessa técnica. l

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Figura 4: Retalho East-West modificado para reconstrução de defeito paramediano da ponta nasal. A - Defeito paramediano da ponta nasal antes da reconstrução. B - Marcação pré-operatória do retalho East-West modificado. C - Excisão dos triângulos superior e inferior modificado, seguida de amplo descolamento. D - Avanço do retalho sobre o defeito. E - Fechamento final com o retalho suturado em posição. F - Aspecto clínico 3 meses após a cirurgia, em vista frontal

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260585.

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Valery Lynn Turner 0000-0002-2195-5725 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito Pablo Vargas Mora 0000-0002-9388-2940 Aprovação da versão final do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica do manuscrito Rubén González Cuevas 0000-0003-1707-7373 Aprovação da versão final do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito

525 218 214


ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

www.surgicalcosmetic.org.br/

Técnica de exérese em gota para correção de lóbulo auricular fendido após uso de alargador

Waterdrop excision technique for repairing a split earlobe after ear stretching

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180550 RESUMO O lóbulo auricular é perfurado com frequência, podendo evoluir com defeitos significativos, especialmente após o uso de alargadores. A correção desses defeitos representa um desafio cirúrgico devido à maior perda tecidual e ao risco de deformidades. Relatamos o caso de um homem de 26 anos com defeito residual no lóbulo auricular esquerdo após uso de alargador, tratado por meio de uma nova técnica de exérese em formato de gota. A abordagem permitiu fechamento simples, preservação da curvatura inferior e excelente resultado estético, configurando uma alternativa viável para defeitos intermediários do lóbulo. Palavras-chave: Deformidades Adquiridas da Orelha; Piercing Corporal; Cirurgia Plástica

ABSTRACT The earlobe is often pierced, and complications such as significant defects may occur, particularly after the use of ear gauges. Surgical correction of these defects is challenging due to tissue loss and the risk of aesthetic deformities. We report the case of a 26-year-old man with a residual left earlobe defect following ear gauge use, successfully treated with a novel waterdrop-shaped excision technique. This approach allowed simple primary closure while preserving the natural contour and volume of the earlobe, resulting in an excellent aesthetic outcome.This technique represents a feasible alternative for intermediate earlobe defects. Keywords: Ear Deformities, Acquired; Body Piercing; Surgery, Plastic

Como eu faço? Autores: Giulia Zanata Rossi1 Vitória Castelo Branco Rocha Ibiapina do Monte1 Lorena Queiroz Furtado de Mendonça1 Anna Carolina Miola1 1

UNESP, Infectologia, Dermatologia, Diagnóstico por Imagem e Radioterapia, Botucatu (SP), Brasil

Correspondência: Anna Carolina Miola E-mail: anna.c.miola@unesp.br

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não Data de submissão: 20 de janeiro de 2026 Decisão final: 13 de agosto de 2026

Como citar este artigo: Rossi GZ, Monte VCBRI, Mendonça LQF, Miola AC. Técnica de exérese em gota para correção de lóbulo auricular fendido após uso de alargador. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260550.

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Rossi GZ, Monte VCBRI, Mendonça LQF, Miola AC.

INTRODUÇÃO O lóbulo auricular é um local perfurado com frequência, seja com finalidade estética ou por hábitos culturais. No entanto, a prática traz possíveis complicações, como o lóbulo fendido. Nesse contexto, a lobuloplastia é um procedimento em demanda crescente, tanto por mulheres quanto por homens, insatisfeitos com os defeitos estéticos causados no lóbulo pelo uso de piercings, alargadores ou brincos.1 Existem diferentes abordagens para a correção desses defeitos, que vão da aplicação local de ácido tricloroacético a 90% a procedimentos cirúrgicos, como o fechamento primário de tecido desepitelizado ou o uso de retalhos ou enxertos.2 A escolha da técnica deve ser individualizada, com o objetivo de atingir o melhor resultado estético possível. A maioria das descrições de técnicas cirúrgicas leva em consideração a existência de fendas ocasionadas por brincos comuns. Em contrapartida, o uso de alargadores se tornou bastante comum, e os defeitos ocasionados pelo seu uso costumam não ser equivalentes aos habituais lóbulos fendidos por brincos. Tais defeitos causam maior desconforto estético quando da desistência do uso do adorno, pois envolvem maior perda tecidual e flacidez, principalmente na porção inferior do lóbulo. Isso torna a correção desafiadora, podendo ocorrer deformidades inestéticas decorrentes do procedimento cirúrgico.3 Na literatura, há poucas descrições de técnicas cirúrgicas voltadas para a correção desses defeitos. Relatamos aqui o caso de um paciente que apresentava defeito no lóbulo auricular esquerdo, causado por uso prévio de alargador, e corrigido com a técnica de exérese em gota. A técnica foi desenvolvida para este caso e obteve resultado estético satisfatório, com preservação da curvatura inferior. Adicionamos uma breve revisão sobre as técnicas cirúrgicas descritas na literatura para a correção de defeitos no lóbulo de tamanho médio a grande.

Figura 1: Demarcação cirúrgica utilizando a técnica de exérese em gota para correção de lóbulo alargado. A “ponta” da gota termina na porção mais lateral do lóbulo, de forma que seu desenho seja paralelo à porção mais inferior, evitando distorções.

TÉCNICA CIRÚRGICA O paciente selecionado para o procedimento era do sexo masculino, de 26 anos, com histórico de uso de alargador havia três anos. Ao interromper o uso do alargador, o paciente notou a persistência de um orifício de 6 mm de diâmetro no lóbulo auricular esquerdo, com distorção e alongamento local (Figura 1), sendo então encaminhado para correção cirúrgica do defeito. Durante o planejamento cirúrgico, observamos que a revitalização do furo com desepitelização clássica com fechamento primário, utilizada em cirurgias convencionais de correção de lóbulo fendido, não seria adequada, visto que o tamanho do orifício correspondia a mais de um terço do tamanho do lóbulo. Além disso, o uso de alargadores leva à flacidez do lóbulo e ao afinamento da porção mais inferior deste, o que pode dificultar a reconstrução com técnicas que envolvem a desepitelização da borda inferior do lóbulo. Para evitar as complicações descritas anteriormente, foi desenvolvida a técnica de exérese em gota. A desepiteli-

Figura 2: Pós-operatório imediato: manutenção do formato do lóbulo, sem distorções.

zação do defeito é realizada no formato de uma gota d’água, de forma que a porção mais volumosa da gota contempla a área do defeito a ser corrigida, enquanto a “ponta” da gota é estrategicamente posicionada na porção mais lateral do lóbulo e paralelamente à sua porção inferior, com o objetivo de respeitar o formato da curvatura do lóbulo no momento do fechamento (Figura 2). No caso descrito, para que o fechamento ocorresse sem deformidades, uma pequena porção de pele na extremidade da ponta inferior foi excisada para evitar redundâncias no fechamento (Figura 3). A anestesia foi feita com lidocaína sem vasoconstritor, por meio de bloqueio do nervo auricular maior.

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Figura 3: Imagem do pré-operatório A e do pós-operatório B em escala de cinza para melhor identificação das estruturas auriculares. Em verde: trago; em vermelho: hélice; em amarelo: porção inferior do lóbulo, suturada com o defeito após a excisão de tecido cutâneo redundante. É importante notar que, apesar da retirada do tecido em excesso, não houve redução significativa global do lóbulo, visto que o defeito causado pelo alargador aumenta o volume global local (imagem complementada por inteligência artificial).

Após a exérese da área previamente marcada no planejamento pré-cirúrgico, realizou-se a sutura simples entre as duas bordas, respeitando a anatomia local, com fio de nylon 6.0. A técnica permitiu o fechamento com resultado estético satisfatório, com preservação da curvatura inferior e simetria lobular, e sem perda global de volume do lóbulo quando comparado ao lóbulo antes do procedimento, apesar do tamanho importante do defeito pré-operatório (Figura 3B). Após 3 meses de seguimento, o resultado estético manteve-se estável, sem retração cicatricial ou deformidade secundária. DISCUSSÃO O objetivo deste artigo é descrever uma nova técnica para a correção de defeitos intermediários de lóbulo, visando um bom resultado estético e a restauração do formato natural do lóbulo auricular, e revisar as técnicas descritas na literatura. Poucas publicações enfocam a descrição dos lóbulos fendidos, especialmente após o uso de alargadores. Para defeitos pequenos, o fechamento primário precedido ou não da realização de punch, e para defeitos grandes, a excisão com retalhos de avanço e zetaplastias já são classicamente utilizados.4,5,6,7 No entanto, há poucos relatos para os defeitos médios, para os quais dois desafios devem a ser considerados: a deformação da curvatura natural da margem inferior, a qual exigirá cuidado técnico na restauração do contorno do lóbulo; e a maior perda tecidual local, visto que os alargadores possuem essa característica como consequência de seu uso.8 O fechamento primário clássico pode causar distorção, com estreitamento e elongação do lóbulo e, por conse-

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quência, um resultado estético insatisfatório. Diferentes técnicas para correção de defeitos médios envolvem retalhos de rotação ou transposição, com preservação da borda inferior, mantendo as dimensões do lóbulo.9 No entanto, para o caso relatado, tais abordagens não seriam esteticamente adequadas devido ao aumento das proporções do lóbulo, além de serem mais complexas e exigirem maior habilidade e treinamento do cirurgião. A técnica de fechamento em gota dos lóbulos foi desenvolvida com o objetivo de respeitar o formato original do lóbulo, porém de mais fácil realização quando comparada com técnicas como a rotação ou o O-Z do lóbulo, que requerem maior refinamento.4 Além disso, lóbulos que foram submetidos ao uso de alargadores geralmente têm maior flacidez, o que dificulta seu fechamento e, muitas vezes, exige maior retirada de tecido desvitalizado, o que pode impossibilitar a execução de um retalho mais complexo.10-15 A Tabela 1 descreve as principais técnicas cirúrgicas de correção de lóbulo fendido, incluindo suas vantagens e desvantagens, e a Figura 4 mostra a representação de cada técnica cirúrgica. É crucial que seja mantida a curvatura inferior do lóbulo em cirurgias de lobuloplastia, de modo que o cirurgião deve estar atento e ser cuidadoso no planejamento, principalmente em casos nos quais o defeito cause perda tecidual importante, como no uso de alargadores. Com o presente caso, descrevemos uma técnica cirúrgica tecnicamente simples e ainda não descrita, com resultados promissores na correção de lóbulos fendidos por alargadores.


Rossi GZ, Monte VCBRI, Mendonça LQF, Miola AC.

Tabela 1: Comparação entre as técnicas de correção de lóbulos fendidos com defeitos médios ou grandes Técnica

Descrição

Vantagens

Desvantagens

Boutray, 2020⁹

Desepitelização do defeito; sutura em crescente transversal na face anterior e sutura em crescente longitudinal na face posterior.

Tecnicamente fácil; não há necessidade da reconstrução com retalhos; boa para defeitos médios.

Pode causar deformidades em defeitos maiores.

Arévalo-Ortega, 2025⁶

Uso de punch 4 ou 5 mm após alongamento da lâmina cortante com uma pinça.

Tecnicamente fácil e rápida; não há necessidade de material cirúrgico complexo; excelente para defeitos pequenos a médios. Nível de dificuldade mediano.

O diâmetro do punch não é suficiente para defeitos de tamanhos maiores.

Henderson-Malata, 2010¹¹

Exérese completa da porção alargada do lóbulo medial até o início da fenda; desepitelização da face medial; margem lateral do lóbulo da orelha, que faz parte do túnel, é utilizada como um retalho de padrão aleatório; fechamento do defeito em forma de L.

Nível de dificuldade mediano.

Reduz substancialmente o tamanho do lóbulo.

Técnica de Arasaratnam-Pek, 2011¹²,¹³

Desepitelização de todo o defeito; desepitelização da face lateral do lóbulo; sutura da face lateral do lóbulo em caracol.

Preserva o formato arredondado do lóbulo.

Tecnicamente mais difícil e demorada.

Técnica de Collins, 201514

Exérese da porção inferior do lóbulo alargado; desepitelização do defeito; avanço com base posterior-superior avançado anteriormente para ser suturado no defeito.

Preserva o formato arredondado do lóbulo.

Tecnicamente mais difícil e demorada.

Técnica de Williams, 201015

Exérese da porção inferior do lóbulo alargado; desepitelização do defeito; sutura borda a boda do defeito no centro

Tecnicamente mais fácil que a técnica de Collins; permite retirada de tecido flácido da porção inferior.

O lóbulo pode ficar mais pontiagudo quando comparado à técnica de Collins.

Figura 4: Esquema representativo das principais técnicas cirúrgicas descritas para correção de lóbulo fendido por uso de alargadores. As linhas tracejadas em verde mostram as áreas de desepitelização; as áreas em vermelho mostram as áreas de tecido excisadas devido à redundância; as linhas tracejadas em azul evidenciam as linhas de sutura de cada técnica (imagem desenhada por inteligência artificial e complementada pelos autores).

CONCLUSÃO A correção de defeitos decorrentes do uso de alargadores nos lóbulos é desafiadora, dado o risco de deformidades e a redução do volume global do lóbulo. A correção por exérese em gota permite a preservação do formato do lóbulo sem comprometer significativamente o volume global local, e

apresenta baixo nível de dificuldade, o que a viabiliza na rotina do consultório. São necessários estudos comparativos com outras técnicas de modo a encontrar os melhores resultados estéticos e funcionais para defeitos no lóbulo auricular com maiores perdas teciduais. l

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260550.

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Giulia Zanata Rossi 0000-0001-8501-2286 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura. Vitória Castelo Branco Rocha Ibiapina do Monte 0000-0002-1361-5480 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura. Lorena Queiroz Furtado de Mendonça 0009-0009-5377-1945 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura. Anna Carolina Miola 0000-0001-8926-734X Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

www.surgicalcosmetic.org.br/

Criocirurgia intralesional no tratamento de queloide refratário

Relato de Caso

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180565

1

Intralesional cryosurgery in the treatment of refractory keloids

RESUMO O queloide é uma resposta fibroproliferativa benigna do tecido cicatricial que ultrapassa os limites da ferida inicial, caracterizado por elevada taxa de recidiva apesar dos diversos tratamentos disponíveis, inclusive procedimentos combinados. Relata-se paciente do sexo feminino com queloides múltiplos e espontâneos, refratários à cirurgia e a infiltrações intralesionais de corticoides, com grande impacto na qualidade de vida. Realizou-se abordagem combinada com ressecção cirúrgica e criocirurgia intralesional. Após um ano, observou-se regressão sustentada, com redução volumétrica, estabilidade clínica e ausência de recidiva. O relato reforça essa técnica como estratégia eficaz em terapias combinadas no manejo de queloides refratários. Palavras-chave: Queloide; Cicatriz Hipertrófica; Crioterapia; Criocirurgia

ABSTRACT Keloids are a benign fibroproliferative response of scar tissue that extends beyond the boundaries of the original wound, characterized by a high recurrence rate despite the various available treatments, including combination therapy. We report the case of a female patient with multiple spontaneous keloids, refractory to surgical excision and intralesional corticosteroid injections, with a significant impact on quality of life. A combined approach consisting of surgical excision and intralesional cryosurgery was performed. After one year, sustained regression, volumetric reduction, and no recurrence were observed.This case highlights intralesional cryosurgery as an effective strategy in the combined management of refractory keloids. Keywords: Keloid; Cicatrix, Hypertrophic; Cryotherapy; Cryosurgery

Autores: Barbara Brunca1 Giulia Maria dos Santos Goedert1 Ana Paula Weber1 Sofia Leite Mitidieri1 André Luiz Simião1 PUC-Campinas, Dermatologia, Campinas (SP), Brasil

Correspondência: Barbara Brunca E-mail: barbarabrunca@gmail.com / andresimiao@gmail.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 16 de março de 2026 Decisão final: 29 de julho de 2026

Como citar este artigo: Brunca B, Goedert GMS, Weber AP, Mitidieri SL, Simião AL. Criocirurgia intralesional no tratamento de queloide refratário. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260565.

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Brunca B, Goedert GMS, Weber AP, Mitidieri SL, Simião AL.

INTRODUÇÃO Os queloides são distúrbios fibroproliferativos benignos caracterizados por crescimento além dos limites da lesão inicial, resultantes da cicatrização desregulada, levando à deposição excessiva de colágeno. Ao contrário das cicatrizes hipertróficas, não apresentam regressão espontânea e com frequência estão associados a prurido, dor e impacto estético relevante, além de elevadas taxas de recidiva.1,2 Diversas terapêuticas têm sido empregadas no tratamento dessas lesões, incluindo infiltrações intralesionais de corticoides, laser, excisão cirúrgica e placas de silicone. Entretanto, nenhuma abordagem isolada apresenta eficácia plenamente satisfatória, sendo frequentemente necessária a associação de diferentes modalidades terapêuticas.2,3 Nesse contexto, algoritmos terapêuticos têm sido propostos para orientar a escolha sequencial de tratamentos. O ASAP (Assessment, Soften, Approach, Prevent – Avaliação, Amolecer, Abordagem, Prevenir) propõe uma abordagem escalonada com base na avaliação da lesão, amolecimento do tecido cicatricial, tratamento direcionado e prevenção de recorrências.4 A criocirurgia intralesional surge como alternativa promissora por promover a destruição seletiva do tecido fibroproliferativo por meio de dano térmico controlado, com subsequente remodelação do colágeno.3,5 Relata-se o caso de uma paciente com queloides múltiplos e refratários tratados com excisão cirúrgica e criocirurgia intralesional, com evolução clínica favorável. A paciente concordou com o procedimento e com a posterior publicação, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido. Os autores seguiram a Declaração de Helsinque.

RELATO DO CASO Mulher, 26 anos, com queloides múltiplos desde os 8 anos, iniciados após perfuração bilateral dos lóbulos auriculares, com acometimento progressivo de outras regiões na ausência de novos traumas. Ao exame, apresentava lesões nos lóbulos auriculares, na região suprapúbica, na vulva, no braço e na coxa direita, associadas a prurido e importante impacto na qualidade de vida (Figuras 1–4). Ao longo de 12 anos, foi submetida a múltiplas excisões cirúrgicas e infiltrações intralesionais de triancinolona e 5-fluorouracil, com recorrência em todas as abordagens. Diante da persistência do quadro, realizou-se ressecção parcial do queloide suprapúbico, com fechamento primário por sutura contínua ancorada (Figura 5). O exame anatomopatológico evidenciou proliferação de feixes espessos de colágeno hialinizado, dispostos de forma desorganizada na derme, confirmando o diagnóstico de queloide. Após a retirada dos pontos, iniciou-se o procedimento de criocirurgia intralesional da lesão suprapúbica, de maior impacto para a paciente. A criocirurgia intralesional foi realizada sob anestesia infiltrativa com lidocaína associada a vasoconstrictor, após antissepsia com clorexidina aquosa. Utilizou-se agulha estéril para biópsia óssea (NEO OXUS®, Medax), calibre 11G × 100 mm, introduzida ao longo do maior eixo do queloide até transfixar completamente a lesão, mantendo-se sua extremidade exteriorizada para reduzir o risco de enfisema subcutâneo. Acoplada ao equipamento de crioterapia com nitrogênio líquido por meio de mangueira de silicone, a agulha permitiu o congelamento progressivo do tecido queloidiano do centro para a periferia (Figura 6).

Figura 1: Múltiplos queloides na coxa direita.

Figura 2: Queloides no braço direito.

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Figura 5: Aspecto clínico da ferida operatória imediatamente após a ressecção parcial do queloide suprapúbico, seguida de fechamento primário por sutura contínua ancorada.

Figura 3: Lóbulo auricular direito: queloide decorrente de perfuração prévia.

Figura 4: Região suprapúbica e vulvar: extenso queloide linear e nodular. Foram realizadas duas sessões de criocirurgia intralesional, com intervalo de um mês. Em cada sessão, realizaram-se dois ciclos de congelamento de 60 segundos, intercalados por descongelamento completo do tecido. O tempo de congelamento foi contabilizado após o congelamento integral do queloide, respeitando seus limites clínicos e evitando a propagação do congelamento para a pele adjacente. Ao fim do procedimento, realizou-se curativo com gaze estéril e vaselina, mantido por 48 horas, seguido de curativos diários com vaselina até a cicatrização por segunda intenção completa. Após a epitelização, foi reiniciado o uso contínuo de placa

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Figura 6: Técnica de criocirurgia intralesional. Acoplamento da agulha estéril para biópsia óssea (NEO OXUS®, Medax), calibre 11 G × 100 mm, ao equipamento de crioterapia por nitrogênio líquido por meio de mangueira de silicone. Introdução da agulha para transfixar completamente o queloide, permitindo a passagem do gás resfriado pelo lúmen da agulha e o congelamento progressivo da lesão do centro para a periferia, com preservação dos tecidos adjacentes.


Brunca B, Goedert GMS, Weber AP, Mitidieri SL, Simião AL.

de silicone como terapia adjuvante (Figura 7). Um mês após a última sessão, observou-se redução volumétrica significativa, melhora clínica e melhora da qualidade de vida. Durante o seguimento, após a confirmação de nova gestação, optou-se pela suspensão das terapias invasivas, mantendo-se apenas medidas conservadoras e uso de placas de silicone. Após um ano de seguimento, a paciente permanecia estável, sem recidiva das lesões tratadas ou surgimento de novos queloides (Figura 8). DISCUSSÃO O manejo do queloide permanece desafiador, sobretudo em pacientes com lesões múltiplas, de início precoce e comportamento recidivante. A fisiopatologia envolve hiperproliferação fibroblástica, produção excessiva de colágeno tipo III e alterações na sinalização de citocinas e fatores de crescimento, resultando em crescimento persistente além dos limites da lesão original.1 A tendência à recorrência após intervenções terapêuticas isoladas constitui um dos principais obstáculos no tratamento. A literatura indica que a excisão cirúrgica isolada apresenta altas taxas de recidiva, com frequências superiores a 50%, podendo alcançar índices ainda maiores em indivíduos predispostos.2,3 Da mesma forma, infiltrações com corticoides intralesionais, amplamente utilizadas, apresentam resultados variáveis e dependentes da adesão a múltiplas sessões, além de possíveis efeitos adversos locais, como atrofia cutânea e telangiectasias.1,3 Nesse cenário, a criocirurgia consolidou-se como modalidade terapêutica relevante no tratamento de cicatrizes hi-

pertróficas e queloides.6,7 Seu mecanismo de ação baseia-se na formação de cristais de gelo intracelulares, ruptura de membranas celulares, dano vascular secundário com microtrombose e subsequente necrose tecidual, culminando em remodelação do colágeno.6,7 Além disso, o congelamento promove a redução da atividade fibroblástica e a diminuição da vascularização local, fatores que contribuem para o controle do crescimento cicatricial.8 A criocirurgia intralesional representa um avanço técnico, promovendo a destruição seletiva do tecido fibroproliferativo com relativa preservação da epiderme adjacente.6 Uma revisão sistemática conduzida por van Leeuwen et al.6 observou reduções volumétricas significativas após crioterapia intralesional, com taxas de recorrência inferiores àquelas observadas com excisão isolada. Khattab et al.8 corroboraram esses achados ao evidenciarem redução clínica expressiva, associada à diminuição da densidade vascular e à reorganização das fibras colágenas após o tratamento. A literatura enfatiza melhores resultados quando a criocirurgia é empregada como parte de uma abordagem multimodal.3,6 No presente caso, a paciente foi submetida à ressecção parcial da lesão suprapúbica, criocirurgia intralesional e uso de placa de silicone. Embora a evolução clínica tenha sido favorável, não é possível determinar a contribuição individual de cada modalidade terapêutica nem atribuir os resultados obtidos exclusivamente à criocirurgia intralesional. Os eventos adversos descritos incluem dor transitória, edema, eritema e alterações pigmentares.6,7 Complicações gra-

Figura 7: Aspecto clínico no pós-operatório imediato da primeira sessão de criocirurgia intralesional, realizada após ressecção cirúrgica parcial do queloide suprapúbico. Observa-se edema e eritema discretos da lesão tratada, compatíveis com o efeito imediato do congelamento, com preservação dos tecidos adjacentes e sem complicações imediatas.

Figura 8: Ferida operatória após aproximadamente um ano de seguimento. Após ressecção cirúrgica parcial, duas sessões de criocirurgia intralesional e uso contínuo de placa de silicone, observa-se manutenção da redução volumétrica, cicatriz estável, sem sinais clínicos de recorrência ou surgimento de novas lesões na área tratada.

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260565.

ves são raras quando a técnica é executada corretamente. No presente caso, não foram observados efeitos adversos relevantes, reforçando a segurança e a aplicabilidade do método mesmo em uma área anatômica sensível. A evolução clínica favorável, com redução volumétrica progressiva e ausência de recidiva, destaca a relevância do acompanhamento longitudinal em pacientes com histórico de múltiplas recorrências. A estabilidade das lesões, mesmo após a suspensão temporária das terapias invasivas durante a gestação, sugere resposta terapêutica sustentada até o momento. Embora o presente relato não permita uma generalização ampla, sua relevância reside na documentação de estratégias terapêuticas aplicadas a apresentações clínicas incomuns. Nesse caso, destaca-se o aparecimento de múltiplos queloides espontâneos desde a infância, sem relação consistente com novos traumas, característica rara que sugere predisposição individual e comportamento fibroproliferativo mais agressivo, possivelmente associado a fatores genéticos. Esse perfil pode justificar a recorrência

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elevada e a refratariedade observadas, conferindo maior interesse clínico ao caso. Persistem, entretanto, lacunas na literatura quanto à padronização do tempo ideal de congelamento, do número de sessões e dos intervalos entre aplicações.6 A heterogeneidade dos estudos disponíveis evidencia a necessidade de ensaios clínicos controlados e de maior uniformidade metodológica para a definição de protocolos otimizados. Ainda assim, as evidências atuais sustentam que a criocirurgia intralesional é uma alternativa promissora quando empregada como parte de uma estratégia terapêutica multimodal para queloides refratários. CONCLUSÃO Apresenta-se uma técnica simples de ressecção cirúrgica parcial, criocirurgia intralesional e uso de placa de silicone, resultando em melhora significativa, estabilidade clínica e ausência de recidiva durante o período de seguimento, sem ocorrência de efeitos adversos graves. A abordagem representa uma alternativa viável para o manejo de casos complexos de queloides múltiplos e refratários. l

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625 228 224


Brunca B, Goedert GMS, Weber AP, Mitidieri SL, Simião AL.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Barbara Brunca 0000-0002-2492-8474 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Giulia Maria dos Santos Goedert Obtenção, análise e interpretação dos dados.

0000-0002-6672-0276

Ana Paula Weber 0000-0002-8841-7817 Obtenção, análise e interpretação dos dados Sofia Leite Mitidieri 0009-0000-2752-9391 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. André Luiz Simião 0000-0002-0246-2001 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

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Mixoma dérmico da bainha nervosa do dedo do pé e seu manejo – Relato de caso Dermal nerve sheath myxoma of the toe and its management – A case report

Relato de caso Autores: Jiten Kumar Mishra1 Abhijith Valsalan1 Shamendra Anand Sahu1 Jalaz Joezer Rahmi1 1

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180536 RESUMO O mixoma da bainha nervosa (MBN) é um tumor benigno raro originário da bainha dos nervos periféricos, que geralmente se apresenta como um pequeno nódulo nas extremidades de adultos jovens. Relatamos um caso incomum de MBN dérmico em dedo do pé de um homem de 40 anos, presente desde o nascimento. Devido às suas características clínicas inespecíficas, o MBN pode ser de difícil diagnóstico antes da biópsia e pode assemelhar-se a outras lesões benignas de partes moles. A avaliação histopatológica e imuno-histoquímica é, portanto, essencial para o estabelecimento de um diagnóstico preciso. O conhecimento dessa entidade incomum e sua inclusão no diagnóstico diferencial de pequenas lesões subcutâneas de consistência firme podem facilitar o manejo adequado e contribuir para evitar erros diagnósticos. Palavras-chave: Mixoma; Neurotecoma; Dedos do pé

All India Institute of Medical Sciences Raipur, Burns and Plastic surgery, Raipur, Chhattisgarh, Índia

Correspondência: Shamendra Anand Sahu E-mail: shamendrasahu@gmail. com

ABSTRACT Nerve sheath myxoma (NSM) is a rare benign tumor of peripheral nerve sheath origin that typically presents as a small nodule on the extremities of young adults.We report an unusual case of dermal NSM of the toe in a 40-year-old man, present since birth. Due to its nonspecific clinical features, NSM may be difficult to diagnose before biopsy and can resemble other benign soft-tissue lesions. Histopathologic and immunohistochemical evaluation is therefore essential for establishing accurate diagnosis. Awareness of this uncommon entity and its inclusion in the differential diagnosis of small, firm subcutaneous lesions may facilitate appropriate management and help prevent misdiagnosis. Keywords: Myxoma; Neurothekeoma;Toes

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesses: Nenhum Data de submissão: 2 de novembro de 2025 Decisão final: 29 de junho de 2026

Como citar este artigo: Mishra JK, Valsalan A, Sahu SA, Rahmi JJ. Mixoma dérmico da bainha nervosa do dedo do pé e seu manejo – Relato de caso. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260536.

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Mishra JK, Valsalan A, Sahu SA, Rahmi JJ.

RELATO DO CASO Homem de 40 anos apresentou-se com aumento de volume indolor na região dorsolateral do quarto dedo do pé direito, presente desde o nascimento e com crescimento progressivo. A lesão havia se tornado dolorosa aproximadamente 1 ano antes da apresentação. Não havia história de trauma, sangramento da lesão ou presença de lesões semelhantes em outras regiões do corpo. Ao exame físico, observou-se lesão subcutânea dolorosa à palpação, de consistência firme a endurecida, não pulsátil, não compressível, de superfície lisa e aspecto lobulado, medindo 2 × 1 cm, localizada na face dorsal do quarto dedo do pé direito. A lesão apresentava aderência à pele sobrejacente, mas não restringia a movimentação do dedo do pé (Figura 1). Não foram identificadas lesões semelhantes em outras regiões, nem linfadenopatia regional. Radiografia simples do pé não revelou alterações. A citologia aspirativa com agulha fina indicou neoplasia benigna de células fusiformes. A lesão foi completamente excisada em regime ambulatorial, sob anestesia por bloqueio digital, e encaminhada para exame histopatológico. A ferida resultante foi submetida a fechamento primário, permanecendo uma pequena área cruenta residual para cicatrização por segunda intenção. O exame histopatológico do tumor excisado revelou células fusiformes a estreladas, com discreta atipia nuclear, citoplasma eosinofílico escasso e prolongamentos bipolares e multipolares. As células encontravam-se imersas em estroma mixoide fibrilar, sem áreas de necrose ou mitoses atípicas (Figuras 2 e 3). Após 2 anos de acompanhamento, não havia evidências de recidiva local (Figura 4).

posteriormente reconhecido como uma entidade distinta. Estudos subsequentes demonstraram diferenças morfológicas sutis, perfis imuno-histoquímicos distintos e características ultraestruturais diferentes entre esses dois tipos de tumor. Casos relatados de MBN envolveram diversos sítios anatômicos, incluindo as extremidades (dedo da mão, joelho e região pré-tibial), o pescoço1 e a língua. O MBN ocorre mais frequentemente durante a terceira e a quarta décadas de vida, com proporção entre homens e mulheres de aproximadamente 1:1. Em contraste, os neurotecomas acometem predominantemente as extremidades superiores e a região da cabeça e pescoço, geralmente durante a segunda e a terceira décadas de vida, com predomínio no sexo feminino.2 Macroscopicamente, os MBNs geralmente se apresentam como nódulos ou massas firmes, indolores e de crescimento lento, medindo de 0,4 a 4,5 cm. Ao corte, podem conter múltiplos nódulos mucoides pequenos, bem delimitados, translúcidos e esbranquiçados. Histologicamente, esses tumores apresentam uma estrutura multilobular característica, com lóbulos individuais compostos por células fusiformes e estreladas, dispostas em padrões espiralados, lamelares e concêntricos. As células encontram-se imersas em abundante estroma mixoide e geralmente apresentam discreto pleomorfismo nuclear e mitoses raras. As lesões podem acometer a epiderme, a derme ou o tecido subcutâneo.3 Na análise imuno-histoquímica, as células tumorais geralmente apresentam forte positividade para proteína S100, proteína glial fibrilar ácida (GFAP) e vimentina. A expressão do antígeno de membrana epitelial (EMA) é frequentemente ausente ou restrita a um pequeno número de células perineurais.4 Em nosso paciente, a marcação para S100 foi difusamente positiva nas células fusiformes, enquanto o EMA apresentou expressão difusa nas células perineurais, que eram mais numerosas na periferia da lesão, indicando diferenciação bidirecional schwanniana e perineural. Padrão semelhante de diferenciação bidirecional foi

DISCUSSÃO Os neurotecomas foram inicialmente descritos como tumores cutâneos benignos com diferenciação de bainha nervosa; entretanto, o mixoma dérmico da bainha nervosa (MBN) foi

Figura 1: Mixoma dérmico da bainha nervosa na região distal do quarto dedo do pé direito 265 231 227


Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260536.

Figura 2: Aspecto macroscópico da peça cirúrgica excisada

Figura 4: Aspecto clínico após 2 anos de acompanhamento, sem evidências de recidiva local

Figura 3: Exame histopatológico mostrando epitélio escamoso estratificado hiperqueratótico com acantose focal e lóbulos mixoides bem delimitados na derme, contendo tecido fibroso e células neoplásicas fusiformes a estreladas (hematoxilina e eosina, ×10)

previamente relatado por Zamecnik et al.5 Os achados à microscopia eletrônica no MBN incluem lâminas externas únicas ou duplicadas envolvendo as células, junções semelhantes a desmossomos, microfilamentos citoplasmáticos, figuras de mielina e prolongamentos citoplasmáticos interdigitantes.6 Evidências moleculares mais recentes reforçam a distinção entre MBN e neurotecoma. Um estudo de expressão gênica

663 232 228

comparando os dois tumores demonstrou que o neurotecoma expressa predominantemente genes que codificam glicoproteínas e metaloproteinases associadas a macrófagos e fibroblastos. Também foi observada expressão diferencial do gene S100B entre MBN e neurotecoma. Esses achados fornecem evidências adicionais de que o MBN é uma neoplasia originária da bainha dos nervos periféricos e constitui uma entidade distinta do neurotecoma.3 A excisão cirúrgica completa é geralmente o tratamento de escolha para lesões sintomáticas, uma vez que a excisão incompleta está associada a elevado risco de recidiva local.5 O diagnóstico diferencial histopatológico do MBN inclui diversos tumores mixoides, particularmente neurofibroma plexiforme,


Mishra JK, Valsalan A, Sahu SA, Rahmi JJ.

neurofibroma mixoide, schwannoma mixoide, perineurioma extraneural e mixomas cutâneo, justa-articular e intramuscular.7 Os mixomas cutâneos que acometem a derme e o tecido subcutâneo podem, de modo semelhante, ser constituídos por múltiplas massas mixoides contendo células neoplásicas fusiformes a estreladas. Entretanto, os mixomas cutâneos são positivos para CD34 e negativos para proteína S100, proporcionando uma distinção imuno-histoquímica útil em relação ao MBN.8

extraneural, mixoma cutâneo, mixomas intramuscular e justa-articular, mucinose cutânea e hamartomas. Essas entidades podem compartilhar características citológicas, incluindo material mixoide e células benignas fusiformes a estreladas, tornando a avaliação histopatológica e imuno-histoquímica essencial para o estabelecimento de um diagnóstico preciso.9 O diagnóstico pré-operatório pode ser desafiador devido à ausência de características clínicas ou de imagem específicas. Este caso ressalta a importância de considerar o MBN dérmico no diagnóstico diferencial de lesões mixoides de partes moles de longa evolução em localizações incomuns, como os dedos dos pés. A excisão cirúrgica completa é importante, pois a remoção incompleta pode resultar em recidiva local. Portanto, recomenda-se acompanhamento clínico, particularmente após excisão incompleta ou quando houver suspeita de doença residual.10 l

CONCLUSÃO O MBN dérmico é uma neoplasia mixoide benigna originária da bainha dos nervos periféricos. Seu diagnóstico diferencial citológico inclui neurotecoma, neurofibroma mixoide, neurofibroma plexiforme, schwannoma mixoide, perineurioma

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10. Bergamin, F., Gangemi, E. N., Cerato, C., Clemente, A., Borsetti, M., Suriani, A., Taraglio, S. An unusual case of neurothekeoma of the arm in an adult. J Ortho Traumatol. 2015;17(3):287–90.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Jiten Kumar Mishra 0000-0001-6357-5299 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Abhijith Valsalan 0000-0001-9827-3645 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Shamendra Anand Sahu 0000-0003-0877-8725 Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Jalaz Joezer Rahmi 0000-0002-3330-0136 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito.

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Armadilhas do melanoma: Quando o perigo está na familiaridade – série de cinco casos com mimetismo clínico de dermatoses comuns Melanoma pitfalls: When danger lies in familiarity – a series of 5 cases of clinical mimicry of common dermatoses

Relato de Caso Autores: Márcio Fellipe Menezes Viana1 Renata Ferreira Magalhães1 Andréa Fernandes Eloy da Costa França1 Lucas de Teive Argollo1 Thais Helena Buffo1 Hamilton Ometto Stolf1 1

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180596 RESUMO Relatamos cinco casos de melanoma com apresentação clínica inicial sugestiva de dermatoses comuns, incluindo queratose seborreica, carcinoma basocelular, doença de Bowen, queratose actínica e melanose solar. Em quatro casos, a dermatoscopia documentada revelou achados discordantes da hipótese inicial e motivou biópsia; em um caso, a evolução clínica e sangramentos recorrentes indicaram excisão, confirmando melanoma nodular espesso. A série destaca como padrões familiares favorecem ancoragem diagnóstica e atraso na suspeição. História evolutiva, preocupação do paciente, exame de pele total, dermatoscopia sistemática e baixo limiar para biópsia são estratégias práticas para reduzir vieses e melhorar o diagnóstico precoce. Palavras-chave: Melanoma; Dermoscopia; Erros de Diagnóstico

ABSTRACT We report 5 cases of melanoma with initial clinical presentations suggestive of common dermatoses, including seborrheic keratosis, basal cell carcinoma, Bowen disease, actinic keratosis, and solar lentigo. In 4 cases, documented dermoscopy revealed findings discordant with the initial clinical impression and prompted biopsy; in 1 case, lesion evolution and recurrent bleeding prompted excision, confirming a thick nodular melanoma.This series highlights how familiar clinical patterns may promote diagnostic anchoring and delay suspicion. Lesion evolution, patient concern, total-body skin examination, systematic dermoscopy, and a low threshold for biopsy are practical strategies for reducing biases and improving early diagnosis. Keywords: Melanoma; Dermoscopy; Diagnostic Errors

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Universidade Estadual de Campinas, Dermatologia, Campinas (SP), Brasil

Correspondência: Márcio Fellipe Menezes Viana Email: mfellipe.menezes@gmail.com / marciofm@unicamp.br Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não Data de submissão: 17 de junho de 2026 Decisão final: 16 de julho de 2026 Como citar este artigo: Viana MFM, Magalhães RF, França AFEC, Argollo LT, Buffo TH, Stolf HO. Armadilhas do melanoma: Quando o perigo está na familiaridade – série de cinco casos com mimetismo clínico de dermatoses comuns. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260596.


Viana MFM, Magalhães RF, França AFEC, Argollo LT, Buffo TH, Stolf HO.

INTRODUÇÃO Melanomas podem mimetizar lesões mais prevalentes na rotina dermatológica, como carcinoma basocelular (CBC), doença de Bowen, queratose actínica (QA), queratose seborreica e outras dermatoses benignas ou queratinocíticas. Esse mimetismo favorece vieses cognitivos, especialmente ancoragem e fechamento prematuro do diagnóstico, ao ativar padrões clínicos familiares e reduzir a percepção de risco.1-3 A dermatoscopia aumenta a acurácia diagnóstica para detecção de melanoma em comparação ao exame clínico isolado e pode funcionar, na prática, como uma estratégia para interromper o reconhecimento intuitivo de padrões quando há discordância entre a impressão clínica inicial e os achados morfológicos.4 Em cenários nos quais a dermatoscopia não está disponível ou não foi documentada, a história de evolução da lesão — correspondente ao critério “E” da regra do ABCDE — deve reduzir o limiar para biópsia, especialmente diante de crescimento, mudança de cor, alteração de superfície, sintomas ou sangramento.4-7 Além disso, o exame de pele total pode aumentar a detecção de câncer cutâneo mesmo em pacientes com queixa focal, reduzindo a “visão em túnel” no contexto ambulatorial. A preocupação expressa pelo paciente também pode apoiar a decisão clínica quando a avaliação é inconclusiva.9,10 Esta série é apresentada por seu valor didático e aplicabilidade imediata na rotina dermatológica, ao demonstrar cinco apresentações aparentemente comuns que ocultavam melanoma.

esquerdo de surgimento há 6 meses, com aspecto clínico inicial de doença de Bowen ou CBC superficial. A dermatoscopia registrada evidenciou padrões vasculares (padrão de vasos polimórficos e áreas sem estruturas) incompatíveis com uma queratose isolada, motivando biópsia diagnóstica. Histopatologia confirmou melanoma extensivo superficial in situ (Figura 3). Caso 4: Paciente de 48 anos, fototipo II, com nódulo, de surgimento há vários meses, na região pré-auricular esquerda, eritematoso, com brilho perolado, de aspecto clínico compatível com CBC. A dermatoscopia foi registrada e levantou suspeita de lesão melanocítica/atípica, determinando biópsia excisional, e não incisional como seria na suspeita do CBC. A confirmação histopatológica foi melanoma nodular hipomelanótico, com índice de Breslow de 2,3 mm (Figura 4).

RELATO DOS CASOS Série retrospectiva de cinco casos submetidos a excisão cirúrgica. Para cada caso, foram descritos: local anatômico, evolução, padrão clínico, achados dermatoscópicos e anatomopatológico. Caso 1: Paciente, 70 anos, fototipo II, com múltiplas máculas acastanhadas homogêneas semelhantes a melanose solar ou QA pigmentada, sem lesão que se destacasse, em geral, das demais. À dermatoscopia da região temporal esquerda, evidenciou sinais de atipia melanocítica, elevando a suspeita e motivando biópsia diagnóstica. Histopatologia confirmou lentigo maligno (Figura 1). Caso 2: Paciente, 60 anos, fototipo III, com história de lesão na coxa esquerda com surgimento há mais de 5 anos, com sangramentos frequentes secundários a manipulação. Ao exame, lesão verrucosa de grandes dimensões, clinicamente compatível com ceratose seborreica; sem dermatoscopia registrada. A retirada foi indicada por tamanho, crescimento ao longo do tempo e preferência informada da paciente. Histopatologia confirmou melanoma nodular de padrão nevoide, com índice de Breslow de 4 mm. A ausência de registro da dermatoscopia neste caso foi deliberadamente mantida na análise como parte do fenômeno estudado, reforçando a necessidade de baixa tolerância a incerteza diante de lesões em evolução (Figura 2). Caso 3: Paciente, 62 anos, fototipo III, com história de lesão eritematosa levemente descamativa no membro superior

Figura 1. Mácula pigmentada na região temporal esquerda. À dermatoscopia, pigmentação folicular assimétrica e projeções lineares emergindo de óstios foliculares. No círculo preto, pigmentação folicular assimétrica e estruturas romboidais.

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260596.

Figura 2. Lesão hiperqueratótica verrucosa de 3 cm, na coxa esquerda. Na histopatologia, há proliferação melanocítica em arranjo com padrão papilomatoso em meio aos pseudocistos córneos, hiperceratose, contornos bem delimitados e aspecto exofítico. Os melanócitos epitelioides atípicos estão situados na junção dermoepidérmica, e, na derme, as células lesionais reduzem de tamanho, imitando a maturação em profundidade do nevo melanocítico. Na imunohistoquímica com marcador HMB-45 (×40), visualizada a maturação em profundidade imitando um nevo melanocítico.

703 236 232

Figura 3. Placa eritematosa levemente descamativa no antebraço esquerdo, em torno de 1,5 cm (círculo preto). À dermatoscopia, observadas estruturas branco brilhantes e padrão vascular atípico. Histopatologia revela proliferação melanocítica atípica predominantemente juncional, com crescimento lentiginoso ao longo da camada basal e irregularidade arquitetural (distribuição assimétrica/heterogênea), com focos sugestivos de disseminação pagetoide (melanócitos isolados suprabasais).


Viana MFM, Magalhães RF, França AFEC, Argollo LT, Buffo TH, Stolf HO.

Figura 4. Pápula eritematosa de aproximadamente 1 cm na região pré-auricular esquerda, com brilho perolado. À dermatoscopia, observados glóbulos e rede atípicos, véu branco-azulado e fundo róseo leitoso. Histopatologia revela proliferação celular densa, nodular/expansiva, assimétrica e pouco circunscrita, ocupando principalmente a derme superficial e média, composta por células atípicas em arranjos em lençóis/ninhos mal definidos, com escasso ou ausente pigmento melânico (compatível com padrão hipomelanótico).

Caso 5: Paciente, 68 anos, fototipo II, lesão eritemato-queratósica no antebraço direito, com aspecto clínico inicial de doença de Bowen ou QA. A dermatoscopia registrada evidenciou padrões vasculares incompatíveis com tal diagnóstico, motivando biópsia diagnóstica. Histopatologia confirmou melanoma extensivo superficial in situ (Figura 5).

que mimetizam lesões não melanocíticas representem apenas cerca de 1,4% dos casos em centros terciários, sua relevância clínica é desproporcional, pois essas apresentações estão associadas a maior espessura de Breslow, maior frequência de micrometástases e maior positividade do linfonodo sentinela, refletindo o atraso diagnóstico inerente ao mimetismo clínico.1 Mais do que ausência de sinais de malignidade, essas apresentações exploram atalhos cognitivos inerentes ao raciocínio diagnóstico, especialmente o reconhecimento intuitivo de padrões, favorecendo vieses como ancoragem e fechamento prematuro do diagnóstico. Esses mecanismos, fundamentais para a prática médica cotidiana, tornam-se vulneráveis quando lesões

DISCUSSÃO Os cinco casos apresentados ilustram um mesmo mecanismo diagnóstico: apresentações clínicas suficientemente familiares para induzir ancoragem em hipóteses muito mais prevalentes, apesar de corresponderem a melanomas. Embora melanomas

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Figura 5. Placa eritematosa levemente descamativa em torno de 1,2 cm no braço esquerdo. À dermatoscopia, observado fundo eritematoso, estruturas branco brilhantes e vasos atípicos. Histopatologia confirmou diagnóstico de melanoma in situ tipo lentigo maligno.

malignas reproduzem características típicas de dermatoses muito mais prevalentes, aumentando o risco de atraso diagnóstico.2,3 O caso 2 exemplifica esse fenômeno. Uma lesão verrucosa, clinicamente compatível com queratose seborreica, revelou melanoma nodular com índice de Breslow de 4 mm. Nesse contexto, a ausência de documentação dermatoscópica evidencia uma limitação relevante da avaliação inicial e reforça que lesões em evolução, mesmo quando aparentemente benignas, devem reduzir — e não aumentar — o limiar para biópsia. A dermatoscopia representa uma das principais estratégias para mitigar esse processo de ancoragem diagnóstica. Ao substituir a impressão clínica inicial por uma avaliação sistemática de critérios morfológicos, ela reduz a dependência exclusiva do reconhecimento intuitivo de padrões e aumenta significativamente a acurácia diagnóstica. Revisão sistemática envolvendo mais de 23 mil lesões demonstrou aumento significativo da sen-

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sibilidade e da especificidade para o diagnóstico de melanoma quando a dermatoscopia foi associada ao exame clínico, reduzindo simultaneamente melanomas não diagnosticados e excisões desnecessárias.4 Na presente série, esse benefício foi evidente em quatro dos cinco casos, nos quais a documentação dermatoscópica modificou a hipótese diagnóstica inicial ao revelar estruturas incompatíveis com doença de Bowen, QA ou CBC. Além de aumentar a acurácia diagnóstica, a dermatoscopia auxilia na identificação de variantes de melanoma particularmente desafiadoras. Melanomas que simulam queratose seborreica frequentemente apresentam assimetria estrutural, vasos atípicos e ausência dos critérios clássicos de queratose, enquanto melanomas amelanóticos ou hipomelanóticos podem apresentar fundo rosado associado a vasos polimórficos, simulando CBC, tumores queratinocíticos ou dermatoses inflamatórias.5,6 Esses achados reforçam que a dermatoscopia deve ser utilizada não


Viana MFM, Magalhães RF, França AFEC, Argollo LT, Buffo TH, Stolf HO.

apenas para confirmar a hipótese clínica inicial, mas sobretudo para identificar elementos que a contradigam. Entretanto, a dermatoscopia não substitui a história clínica. A evolução da lesão, representada pelo critério “E” da regra do ABCDE, foi incorporada aos critérios de avaliação clínica do melanoma justamente por contemplar mudanças em tamanho, forma, cor, superfície ou sintomas, incluindo sangramento e sensibilidade.7 O caso 2 ilustra esse princípio: apesar da ausência de dermatoscopia documentada, o crescimento progressivo e os episódios recorrentes de sangramento motivaram a excisão, permitindo o diagnóstico definitivo. O atraso diagnóstico decorre da interação entre fatores relacionados ao paciente e ao médico. Muitos pacientes retardam a procura por assistência após perceberem alterações na lesão, enquanto tratamentos empíricos, baixa suspeição clínica e demora no encaminhamento também contribuem para o diagnóstico em estágios mais avançados.8 Nesse cenário, a preocupação expressa pelo paciente deve ser considerada um dado clínico adicional, especialmente quando associada a lesões em evolução ou com características atípicas.9 Outro aspecto relevante evidenciado por esta série é a importância do exame de pele total. Além de reduzir a chamada “visão em túnel”, centrada exclusivamente na queixa principal, essa prática aumenta a detecção de tumores cutâneos adicionais, incluindo melanomas não relacionados ao motivo inicial da consulta, constituindo uma estratégia simples e de elevado impacto na prática dermatológica.10

Os casos apresentados permitem destacar três recomendações práticas para a rotina dermatológica: (1) incorporar e documentar sistematicamente a dermatoscopia, especialmente em lesões aparentemente banais, porém atípicas ou em evolução; (2) manter baixo limiar para biópsia quando houver discordância entre a impressão clínica, a história evolutiva e os achados dermatoscópicos; e (3) integrar, de forma sistemática, a evolução da lesão, a preocupação do paciente e o exame de pele total ao raciocínio diagnóstico. O principal desafio dos melanomas mimetizadores não é a ausência de sinais de malignidade, mas sua capacidade de reproduzir padrões clínicos extremamente familiares ao dermatologista. A familiaridade, portanto, não deve reduzir a vigilância diagnóstica; ao contrário, deve estimular uma avaliação mais criteriosa diante de lesões em evolução ou com achados discordantes. A integração entre história clínica, dermatoscopia documentada, exame de pele total e baixo limiar para confirmação histopatológica constitui uma estratégia prática para reduzir vieses cognitivos, minimizar atrasos diagnósticos e melhorar o prognóstico do melanoma. l Agradecimento À Dra Mercedes Cristina Mongeli Martim Paro pela documentação de um caso demonstrado neste artigo e seu entusiasmo pela dermatoscopia da pele.

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673 239 235


Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260596.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Márcio Fellipe Menezes Viana 0009-0005-1663-9591 Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura Renata Ferreira Magalhães 0000-0001-9170-932X Análise estatística, Revisão crítica do manuscrito Andréa Fernandes Eloy da Costa França 0000-0003-1657-4570 Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo Lucas de Teive Argollo Obtenção, análise e interpretação dos dados Thais Helena Buffo 0000-0002-6833-7596 Aprovação da versão final do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura Hamilton Ometto Stolf 0000-0002-3540-2769 Aprovação da versão final do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito

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Matricoma onicocítico em hálux: neoplasia ungueal rara em localização incomum Onychocytic matricoma of the hallux: a rare nail neoplasm at an unusual site

Relato de Caso Autores: Heloisa Calegari Borges1 Isabelle Sousa Medeiros Torres Ferreira1 Flauberto de Sousa Marinho1 1

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180592 RESUMO O matricoma onicocítico (MOC) é uma neoplasia benigna rara da matriz ungueal que se apresenta como paquimelanoníquia longitudinal e com grande capacidade onicogênica. Há poucos casos relatados na literatura, sendo a maioria em unhas das mãos. O tratamento é cirúrgico, com excisão completa da lesão, o que é curativo na maioria dos casos. O presente relato descreve um caso de MOC localizado no hálux, contribuindo para o reconhecimento clínico e histopatológico dessa entidade. Palavras-chave: Unhas; Doenças Raras; Neoplasias

ABSTRACT Onychocytic matricoma (OCM) is a rare benign neoplasm of the nail matrix that presents as longitudinal pachymelanonychia with striking onychogenic capacity. Few cases have been reported in the literature, mostly involving the fingernails. Treatment consists of complete surgical excision of the lesion, which is curative in most cases. We report a case of OCM on the great toenail, contributing to the clinical and histopathologic recognition of this entity. Keywords: Nails; Rare Diseases; Neoplasms

Faculdade de Medicina Nova Esperança, Dermatologia, João Pessoa (PB), Brasil

Correspondência: Heloisa Calegari Borges E-mail: heloisacalegarib@gmail. com

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesses: Nenhum Data de submissão: 04/06/2026 Decisão final: 06/08/2026

Como citar este artigo: Borges HC, Ferreira ISMT, Marinho FS. Matricoma onicocítico em hálux: neoplasia ungueal rara em localização incomum. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260592.

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Borges HC, Ferreira ISMT, Marinho FS.

INTRODUÇÃO O matricoma onicocítico (MOC) é uma neoplasia benigna, monodáctila, originada da matriz ungueal, descrita por Perrin et al. em 2012. Caracteriza-se por notável capacidade onicogênica, manifestando-se por espessamento da lâmina ungueal associado à melanoníquia longitudinal — quadro denominado paquimelanoníquia longitudinal.1,2 Desde sua descrição inicial, poucos casos foram relatados na literatura, predominando o acometimento das unhas das mãos. A maioria dos casos descritos envolve adultos entre a quarta e a sexta décadas de vida, com discreto predomínio masculino.3-5 O envolvimento de unhas dos pés é incomum, com poucos casos documentados.3-8 Alvarez et al. relataram o primeiro caso em paciente negro, também localizado em hálux, confirmando a possibilidade de apresentações em diferentes fototipos.9 Apesar de seu comportamento indolente, o MOC frequentemente simula tumores malignos, como melanoma subungueal e doença de Bowen, gerando preocupação diagnóstica e necessidade de intervenções cirúrgicas.4,6,9 Em revisão recente de 14 casos, Perrin et al. destacaram a raridade do acometimento em unhas dos pés, observando apenas quatro ocorrências nessa topografia.3 O presente relato tem como objetivo descrever um caso de MOC localizado no hálux, contribuindo para o reconhecimento clínico e histopatológico dessa entidade.

RELATO DO CASO Paciente masculino, 54 anos, fototipo III, procurou atendimento por “linha preta” assintomática em hálux esquerdo com 3 anos de evolução. Referia progressão gradual da pigmentação nos últimos meses. Ao exame, observou-se faixa longitudinal enegrecida, com cerca de 3 mm de largura, associada a espessamento localizado/pontual da lâmina ungueal, discreta onicólise distal e ausência de sinal de Hutchinson (Figura 1). A dermatoscopia revelou melanoníquia longitudinal homogênea e ceratose subungueal localizada (Figuras 2, 3 e 4). Diante da suspeita de onicopapiloma pigmentado ou MOC, foi realizada a biópsia excisional. Após assepsia e antissepsia, realizou-se bloqueio digital proximal, seguido de descolamento distal da lâmina ungueal com visualização de lesão pigmentada de distribuição longitudinal, localizada em matriz (Figura 5). Foi então realizado shaving da lesão, com envio do material para exame histopatológico.

Figura 1: Faixa longitudinal de pigmento enegrecido em lâmina ungueal, além de ceratose subungueal pontual do primeiro pododáctilo esquerdo.

Figuras 2 e 3. Dermatoscopia da lâmina ungueal mostrando melanoníquia longitudinal e discreta onicólise distal.

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Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260592.

Figura 4. Dermatoscopia da borda livre da unha e ceratose subungueal localizada com áreas de pigmentação.

Figura 6. Lâmina ungueal com frequentes pérolas onicocíticas (setas) e hiperceratose (hematoxilina e eosina, ×40).

Com base nos achados clínicos, dermatoscópicos e histológicos, estabeleceu-se o diagnóstico de MOC subtipo acantótico. O paciente evoluiu com cicatrização completa e ausência de recidiva após 18 meses de seguimento.

Figura 5. Imagem do intraoperatório demonstrando lesão pigmentada disposta de forma longitudinal em topografia de matriz ungueal.

O exame histopatológico mostrou proliferação epitelial intraepidérmica composta por células basaloides, dispostas em ninhos e cordões, com formação de pérolas onicocíticas. Havia escassa pigmentação melânica e ausência de atipias citológicas ou mitoses, mas identificou-se presença de elastose e fibrose dérmica (Figura 6).

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DISCUSSÃO Clinicamente, o MOC se manifesta como uma faixa pigmentada longitudinal, única e monodáctila, podendo associar-se à paquioníquia e à ceratose subungueal distal. A ausência de dor e de história de trauma é comum, e a evolução é lenta e assintomática.1,3,5 Os achados dermatoscópicos, descritos por Perrin et al., incluem pontos e aglomerados brancos arredondados ou ovais, estrias longitudinais regulares, hemorragias filiformes e espessamento da borda livre.3 Tais achados refletem a queratinização anômala e o espessamento localizado da lâmina. Conforme descrito por Spaccarelli et al., a forma hipopigmentada do MOC pode mimetizar o onicomatricoma, apresentando espessamento da placa sem pigmento visível.6 O MOC é considerado a contraparte epitelial do onicomatricoma e pode manifestar-se clinicamente como melanoníquia longitudinal, xantoníquia ou leuconíquia, em geral associadas a espessamento localizado da lâmina ungueal.3,5,7 Em contraste, o subtipo pigmentado apresenta melanoníquia devido à deposição de melanina na camada basal da matriz, sem proliferação melanocítica.1,4 O exame histopatológico é determinante para o diagnóstico. O MOC exibe proliferação intraepitelial de células onicocíticas com maturação gradativa, resultando em queratinização abrupta e formação de pérolas onicocíticas.1,3,4 Três subtipos principais foram descritos: 1) acantótico – predomínio de epitélio espessado sem papilomatose; 2) acantótico-papilomatoso – papilas epiteliais superficiais com esferas de células pré-ceratogênicas e ceratogênicas; 3) ceratogênico – zona ceratogênica proeminente e maturação tardia.3,8


Borges HC, Ferreira ISMT, Marinho FS.

O caso aqui descrito apresentou padrão acantótico, sendo o acantótico-papilomatoso o subtipo mais frequentemente observado nas revisões de Perrin et al.3 É importante diferenciá-lo do melanoma subungueal. Ao contrário do melanoma, o MOC se caracteriza pela ausência de atipias, invasão dérmica e proliferação melanocítica.4,6 A diferenciação da queratose seborreica (QS) também é importante. Enquanto o MOC se cornifica com esferas de onicocíticos retentores de núcleos eosinofílicos, a QS apresenta cistos pseudocórneos. Áreas semelhantes a cistos pseudocornosos em MOC apresentam duas camadas distintas, as zonas pré-ceratógena e ceratógena, ausentes na QS.9 A imunohistoquímica pode auxiliar na diferenciação entre tumores da matriz ungueal. O MOC demonstra positividade para LEF-1, marcador onicogênico útil para distinguir de carcinoma onicocítico e ceratose subungueal.3,9

O tratamento é cirúrgico, com excisão completa da lesão, sendo curativo na maioria dos casos.3,5 Não há relatos de transformação maligna ou metástase, e a recorrência é rara e está associada a ressecções incompletas. O prognóstico é bom, com manutenção estética da unha após reparo cirúrgico adequado. CONCLUSÃO O MOC é uma neoplasia benigna rara da matriz ungueal que pode clinicamente imitar tumores malignos, sobretudo o melanoma subungueal. O reconhecimento de seus padrões clínicos, dermatoscópicos e histopatológicos é fundamental para evitar diagnósticos equivocados. Este caso reforça a importância de incluir o MOC no diagnóstico diferencial das melanoníquias longitudinais e paquioníquias subungueais, especialmente em casos envolvendo unhas dos pés. l

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Heloisa Calegari Borges 0000-0002-8026-262X Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura Isabelle Sousa Medeiros Torres Ferreira 0000-0002-9597-3272 Obtenção, análise e interpretação dos dados Flauberto de Sousa Marinho 0000-0002-9337-9931 Aprovação da versão final do manuscrito, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito

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ISSN-e 1984-8773 APOIO CIENTÍFICO:

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Tratamento cirúrgico de rinofima: uma série de casos Surgical treatment of rhinophyma: a case series

Relato de Caso Autores: Geovanna Mourão Ishikawa1 Airton Kenji Motizuki2 Natalia Megumi Morikawa1 João Augusto Gomes de Souza Monteiro de Brito1 Renata Mie Oyama Okajima1,2 Universidade do Estado do Pará, Ambulatório de Dermatologia, Belém (PA), Brasil 2 Universidade Federal do Pará, Medicina, Belém (PA), Brasil 1

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180543 RESUMO A rosácea é uma doença inflamatória caracterizada por quatro estágios clínicos, em que a última fase evolutiva é a rosácea fimatosa. A evolução insidiosa e crônica pode gerar quadros exuberantes de rinofima associado à repercussão funcional, como obstrução nasal. O presente estudo objetiva relatar uma série de cinco casos de rinofima exuberante tratados com eletrocirurgia que tiveram resultado satisfatório após até quatro sessões. Palavras-chave: Rinofima; Eletrocirurgia; Rosácea

ABSTRACT Rosacea is an inflammatory disease characterized by 4 clinical stages, with phymatous rosacea representing the final stage of progression. Its insidious and chronic course may result in exuberant rhinophyma associated with functional impairment, including nasal obstruction. This study reports a series of 5 cases of exuberant rhinophyma treated with electrosurgery, with satisfactory outcomes achieved after up to four treatment sessions. Keywords: Rhinophyma; Electrosurgery; Rosacea

Correspondência: Geovanna Mourão Ishikawa E-mail: geovannapantoja30@ gmail.com

Fonte de financiamento: Nenhum Conflito de interesses: Nenhum Data de submissão: 23/12/2025 Decisão final: 20/08/2026

Como citar este artigo: Ishikawa GM, Motizuki AK, Morikawa NM, Brito JAGSM, Okajima RMO. Tratamento cirúrgico de rinofima: uma série de casos. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260543.

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Ishikawa GM, Motizuki AK, Morikawa NM, Brito JAGSM, Okajima RMO.

INTRODUÇÃO A rosácea é uma doença crônica e inflamatória caracterizada por quatro estágios clínicos, em que a última fase evolutiva é a rosácea fimatosa.1 Essa alteração caracteriza-se por hiperplasia das glândulas sebáceas e do tecido conjuntivo, acarretando expressiva hipertrofia da pele, sendo denominada de rinofima quando ocorre em área nasal.2 A frequência dessa patologia é relativamente rara, sendo mais comum em homens a partir dos 50 anos de idade.3 A evolução insidiosa e crônica pode gerar quadros exuberantes associados à repercussão funcional, como obstrução nasal, além do impacto estético, social e psicológico no paciente.3 O rinofima não apresenta um tratamento padrão-ouro, sendo relatadas na literatura técnicas cirúrgicas, terapia laser CO2, peeling com ácido tricloroacético e tratamentos sistêmicos com retinoides e antibióticos. No entanto, a abordagem cirúrgica é descrita como mais resolutiva para apresentações extensas.4 Assim, o presente estudo teve como objetivo relatar uma série de cinco casos de rinofima exuberante tratados com eletrocirurgia que apresentaram resultado satisfatório.

RELATO DE CASO Cinco pacientes com rinofima, acompanhados no serviço de dermatologia, foram submetidos a eletrocirurgia. O procedimento cirúrgico ocorreu em todos os pacientes da seguinte forma: Antissepsia local com digliconato de clorexidina 2%. Bloqueio anestésico com lidocaína 2%, com epinefrina em região do nervo infraorbital bilateral, associado à aplicação em superfície de dorso nasal. Foram utilizados bisturi elétrico monopolar de baixa frequência Wavetronic® 120 Nano, no modo cut, com potência de 20 W; eletrodo reto em alça de 3 a 5 mm de diâmetro para remoção de tecido fimatoso; eletrodo bola de 3 a 5 mm para hemostasia e modelamento do contorno nasal. Imediatamente após o procedimento, observou-se restauração do contorno nasal, com preservação da arquitetura e da superfície cruenta homogênea, sem áreas de carbonização ou sangramento ativo, evidenciando adequada hemostasia (Figura 1). Em seguida, foi realizado curativo oclusivo com vaselina sólida, com cicatrização por segunda intenção. Além disso, foi pres-

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Figura 1: A - Pós-operatório imediato da 1ª sessão da eletrocirurgia para rinofima. B. Pós-operatório imediato da 3ª sessão de eletrocirurgia para rinofima, evidenciando remodelamento do contorno nasal, preservação do arcabouço osteocartilaginoso e adequada hemostasia.

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crita cefalexina 500 mg, a cada 6 horas, por 7 dias, via oral, para prevenção de infecção secundária, e pomada de colagenase com cloranfenicol 0,6 U/g + 0,01 g/g, uma vez ao dia, até reepitelização tecidual. Caso 1: homem, 60 anos, sem comorbidades, com rinofima há 16 anos, evoluindo com obstrução nasal. Foram realizadas quatro sessões de eletrocirurgia, com intervalo de 3 a 4 meses entre elas, em que se obteve um resultado estético e funcional satisfatório do dorso nasal (Figura 2). Caso 2: homem, 71 anos, sem comorbidades, com rinofima há 3 anos, realizou duas sessões de eletrocirurgia, com intervalo de 3 meses entre os procedimentos, e apresentou bom desfecho (Figura 3).

Caso 3: homem, 67 anos, com rosácea fimatosa há 6 anos, realizou duas sessões com tratamento cirúrgico e demonstrou excelente resultado (Figura 4). Caso 4: homem, 63 anos, hipertenso, com rinofima há 5 anos, realizou duas sessões de eletrocirurgia em asa nasal, com período de 5 meses entre os procedimentos, e apresentou resultado satisfatório (Figura 5). DISCUSSÃO A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele cuja etiopatogenia é multifatorial. Essa condição envolve tanto alterações do sistema imune quanto disfunções neurovasculares do organismo e frequentemente causa o comprometimento da qua-

Figura 2: Pré e pós-tratamento cirúrgico de rinofima com quatro sessões de cirurgia.

Figura 3: Pré e pós-tratamento cirúrgico de rinofima com duas sessões de cirurgia.

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Ishikawa GM, Motizuki AK, Morikawa NM, Brito JAGSM, Okajima RMO.

Figura 4: Pré e pós-tratamento cirúrgico de rinofima com duas sessões de cirurgia.

Figura 5: Pré e pós-tratamento cirúrgico de rinofima em asa nasal com duas sessões de cirurgia.

Figura 6: Pré e pós-tratamento cirúrgico de rinofima com três sessões de cirurgia.

lidade de vida dos portadores.3-6 Quanto à epidemiologia, afeta cerca de 5% da população mundial, com predomínio em indivíduos de fototipos baixos (Fitzpatrick I e II) e maior frequência em mulheres.5,6 O rinofima diferencia-se, sendo observado principalmente em homens caucasianos maiores de 50 anos, com uma razão homem e mulher que varia entre aproximadamente 5:1 e 30:1. Relatos em homens de ascendência asiática ou afro-americana existem, porém são incomuns e raros.5-7 O rinofima é considerado um achado patognomônico da rosácea e pode apresentar-se clinicamente como um espessamento da pele, associado com eritema, edema e telangiectasias, que progride com proliferação de tecido fibroso e glândulas sebáceas, acentuação dos orifícios foliculares e outras estruturas da região nasal.5-8

Há diversas abordagens terapêuticas descritas na literatura para rinofima, como utilização de lasers ou de isotretinoína oral; entretanto, a excisão cirúrgica ainda constitui-se como base para o tratamento dessa condição.5,6,8 Nesse sentido, a eletrocirurgia apresenta-se como uma alternativa terapêutica eficaz para o rinofima devido a baixo custo, maior segurança e menor agressividade.6,9,10 Além disso, essa modalidade cumpre os objetivos e as etapas dos tratamentos excisionais para o rinofima descritos por Oliveira et al., o que incluiu excisar o excesso de tecido fimatoso, refinar o contorno nasal, realizar a hemostasia da região e indicar bons cuidados pós-operatórios para o paciente, indicando a eletrocirurgia como um dos principais métodos de tratamento para essa condição.5

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As principais complicações documentadas para essa modalidade terapêutica incluem danos térmicos ao tecido local e risco de cicatrizes inestéticas. No entanto, os benefícios abrangem menor agressão do tecido, maior satisfação dos resultados no pós-operatório e melhora funcional e da qualidade de vida do paciente.6,7,10 Os casos descritos estão em consonância com a literatura, pois apresentaram excelentes desfechos estéticos e funcionais, além do baixo custo e da elevada satisfação do paciente, o que corrobora os bons resultados obtidos com tratamentos cirúrgicos semelhantes relatados na literatura médica.2,4,7,10

CONCLUSÃO Conclui-se que a eletrocirurgia constitui uma opção terapêutica eficaz para o tratamento de rinofima, sobretudo em quadros exuberantes como os descritos neste relato, proporcionando também elevado grau de satisfação estética e funcional ao paciente. Caso 5: homem, 68 anos, hipertenso, com rinofima há 5 anos, realizou três sessões de cirurgia, com intervalo de 4 meses entre cada intervenção, e apresentou boa resposta clínica (Figura 6). l

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Geovanna Mourão Ishikawa 0000-0001-6404-6938 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito. Airton Kenji Motizuki 0009-0002-7188-0984 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica do manuscrito. Natalia Megumi Morikawa 0000-0001-9533-3307 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica do manuscrito. João Augusto Gomes de Souza Monteiro de Brito 0000-0001-7286-7066 Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura. Renata Mie Oyama Okajima 0000-0003-2168-5515 Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

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