JORNAL DA SBD
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Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia l Volume 25 - n.5 e 6 - setembro / dezembro - 2021
JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 1
DIRETORIA 2021/2022
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br
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1o SECRETÁRIO:
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SP
JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA
Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Vo l u m e 2 5 - n . 5 e 6 - s e t e m b r o / d e z e m b r o - 2 0 2 1 Coordenador médico do Jornal da SBD Sérgio Palma | PE
Conselho editorial Mauro Yoshiaki Enokihara Heitor de Sá Gonçalves Cláudia Carvalho Alcantara Gomes Carlos Baptista Barcaui Geraldo Magela Magalhães Beni Moreinas Grinblat Jornalista responsável Paulo Henrique de Souza - RP GO - 00008609
Redação e edição Francisco Baracho Jackelyne Amaral Lívia Torres Müller Mendonça Paulo Henrique de Souza Estagiário Levi Castro Editoração digital Nazareno Nogueira de Souza Contato publicitário Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas.
Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ - CEP: 20090-003 E-mail: imprensa@sbd.org.br
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EDITORIAL
AÇÕES DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE DOENÇAS DERMATOLÓGICAS MARCAM O FIM DE ANO DA SBD
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proximidade do fim de mais um ano traz ao centro da vida cotidiana os preparativos para as tradicionais festas de Natal e Ano Novo e, no Brasil, a época é marcada ainda pela chegada do verão tropical e das – mais que merecidas – férias! Em comunhão com esse ritmo de festividades, na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), as atividades também ganham tons vibrantes, sobretudo em função do planejamento e da organização do Dezembro Laranja, campanha anual de prevenção ao câncer de pele. Para a edição de 2021 da iniciativa, um novo conceito foi especialmente desenhado refletindo o panorama desses tempos de pandemia: conjugar os cuidados de fotoproteção, necessários para reduzir as chances de surgimento do câncer de pele, à prevenção à covid-19. Todos os detalhes das ações elaboradas para a campanha de 2021, cujo slogan é “Adicione mais fator de proteção ao seu verão”, são justamente o tema da matéria de capa do Jornal da SBD. A campanha Dezembro Laranja também repercute em levantamentos de dados acerca dos diagnósticos de câncer de pele em todo o país. Na seção “Política e saúde”, a leitura dos números do Painel Oncologia revela que pelo menos 205 mil novos casos da doença foram registrados entre 2013 e 2021. A matéria ainda aponta um potencial de subnotificação de diagnósticos, já que a ferramenta fonte dessas informações só passou a exigir o registro desses casos a partir de 2018. Reflexo disso é que 90% dos diagnósticos de câncer de pele, registrados nos últimos oito anos, estão concentrados entre 2018 e julho de 2021. Outro assunto abordado nas páginas a seguir é o surto de prurido epidêmico que afetou os moradores da Região Metropolitana de Recife. A editoria “Saúde pública” traz o mistério resolvido por uma equipe de dermatologistas que atua no Nordeste. A nota técnica emitida pela SDB foi fundamental para orientar as autoridades sanitárias quanto ao tratamento correto ministrado à população. Na sessão “Outros olhares” um dos assuntos gira em torno dos cuidados necessários na prescrição de suplementos vita-
mínicos e antioxidantes. A SBD faz alerta ao uso indiscriminado dessas substâncias que estão de fácil acesso à população, podendo ser adquiridas sem a necessidade de prescrição. A assessora do Departamento de Dermatologia Geriátrica, Marcelle Nogueira, fala dos riscos de complicações decorrentes do uso excessivo de suplementação, dos perigos da automedicação e os suplementos mais seguros para a prescrição aos pacientes. Em “Assuntos institucionais”, fique por dentro dos resultados de 2021 dos Anais Brasileiros de Dermatologia. O aumento em 69% no fator de impacto ao longo de 12 meses é o grande destaque da matéria. Ainda na mesma sessão, saiba mais sobre o projeto “Mohs Convida”, que tem como objetivo promover reuniões bimestrais com os associados interessados na área de oncologia cutânea. Em alusão a Campanha Nacional de Conscientização sobre Psoríase, esta edição do JSBD aborda a disponibilização, no SUS e planos de saúde, das terapias imunobiológicas voltadas ao tratamento dessa e outras doenças dermatológicas graves. A sessão “Saúde pública” traz o informe da SBD com orientações sobre como solicitar o acesso aos medicamentos para seus pacientes. A pesquisa do Datafolha sobre a percepção dos brasileiros com relação à dermatite atópica, revela o quadro de preconceito e desinformação da população a respeito da enfermidade. O estudo registrou que, a cada 10 pessoas, 3 acreditam que a dermatite atópica é um problema de saúde contagioso, além da recorrência em relacionar o problema com maus hábitos de higiene. A pesquisa foi publicada pela SBD e, nesta edição, você confere mais detalhes na seção “Outros olhares”. A edição ainda traz o parecer da SBD sobre a consulta pública da Conitec acerca da incorporação de testes em hanseníase no SUS, além de um resumo das atividades realizadas pelos serviços credenciados à SBD e das filiadas estaduais. Boa leitura e até a próxima edição! j
Equipe JSBD JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 3
DESTAQUE
DEZEMBRO LARANJA 2021: NO VERÃO, OS CUIDADOS COM A COVID-19 E A PREVENÇÃO AO CÂNCER DE PELE DEVEM ANDAR LADO A LADO
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este verão, vamos conjugar prevenção ao coronavírus com cuidados para reduzir as chances de casos de câncer de pele? Esta é a proposta da campanha do Dezembro Laranja, organizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em 2021. A intenção é dar início ao esforço de mobilização no período que abriga o Natal e estendê-lo pelos meses seguintes. Nos alertas, a SBD quer deixar claro que o atual momento pede que junto com o uso do álcool gel, máscaras e distanciamento, os brasileiros cultivem as práticas de fotoproteção.
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DESTAQUE Com a queda nos indicadores de morbidade e de mortalidade relacionados à covid-19, estima-se que neste verão as praias e os espaços abertos voltarão a ser ocupados com muito mais intensidade. No entanto, alertam os especialistas da SBD, a retomada da normalidade não deve ser feita sem atenção às recomendações das autoridades sanitárias, ainda atentas à possibilidade de aumento dos casos de contaminação pelo coronavírus. Além desse cuidado, afirmam, a população deve agregar à sua rotina as medidas de prevenção contra o câncer de pele. “Adicione mais fator de proteção verão ao seu verão”: esta é mensagem central da campanha do Dezembro Laranja 2021. Esse mote estará presente em uma série de conteúdos desenvolvidos pela SBD especialmente para a ação. Serão peças para redes sociais, com dicas de cuidados; vídeos com orientações de médicos dermatologistas; e gravações feitas por personalidades estimulando os brasileiros à aderirem aos cuidados preconizados; entre outras abordagens que buscam a conscientização.
ADESÃO - Em 2021, entre as celebridades que participam voluntariamente da iniciativa estão os atores Tony Ramos e Carmo Dalla Vecchia, as cantoras Kelly Key e Karol Conká, a modelo Claudia Liz, e os jornalistas Tom Borges (TV Record) e Eliane Cantanhede (TV Globo). Além deles, dezenas de outras artistas, intelectuais e influenciadores também aderiram à iniciativa, assim como instituições públicas e privadas, como o Congresso Nacional, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e inúmeros governos estaduais e prefeituras. Todas as entidades ajudaram a montar uma rede nacional de apoio à causa. Isso ocorreu de duas formas: com a iluminação de sedes e monumentos na cor laranja e com a replicação em seus canais de comunicação do material produzido pela SBD incentivando a população a incorporar à sua rotina alguns cuidados. Dentre as recomendações, estão: cultivar hábitos de fotoproteção, que incluem o uso de óculos de sol e blusas com proteção UV, bonés ou chapéus; optar pela sombra; evitar a exposição ao sol entre 9h e 16h; e utilizar filtro solar com FPS igual ou superior a 30, reaplicando-o a cada duas horas ou sempre que houver contato com a água.
CRISTO REDENTOR JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 5
DESTAQUE
CONGRESSO NACIONAL
DIAGNÓSTICO PRECOCE - Em caso de surgimento de sinais e sintomas suspeitos, o médico dermatologista deve ser consultado para fazer o diagnóstico precoce do quadro. Se for constatada uma lesão cancerosa, ele orientará o início do tratamento. É preciso prestar a atenção em pintas que crescem, manchas que aumentam, sinais que se modificam ou feridas que não cicatrizam pois podem revelar o câncer de pele. A rotina do autoexame facilita o reconhecimento dos casos. A SBD ressalta ainda que a exposição solar exagerada e desprotegida ao longo da vida, além dos episódios de quei madura solar, são os principais fatores de risco do câncer de pele. Apesar de ser um problema de saúde que pode afetar qualquer pessoa, há perfis que são mais propensos ao seu surgimento. Neste grupo, estão os que têm a pele, cabelos e olhos claros; aqueles com histórico familiar dessa doença; os portadores de múltiplas pintas pelo corpo e pacientes imunossuprimidos e/ou transplantados. A SBD ressalta que os que apresentam estas características precisam de maior cuidado com a pele e passar por avaliação frequente com um médico dermatologista. TUMORES - De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), os números de câncer de pele no Brasil são preocupantes. A doença corresponde a 27% de todos os tumores malignos no país, sendo os carcinomas basocelular e espinocelular (não melanoma) responsáveis por cerca de 180 mil novos casos da doença por ano. Já o câncer de pele
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ELEVADOR LACERDA
DESTAQUE
BEIRA RIO
melanoma tem em torno de 8,5 mil casos novos por período. A incidência do câncer de pele é maior do que os cânceres de próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago. Há oito anos a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza o #DezembroLaranja, sempre com grande engajamento da população e de outras instituições e entidades. O público interessado pode se engajar na campanha e compartilhar nas redes sociais, customizando a foto de perfil e as publicações da SBD, por exemplo. A divulgação nas plataformas digitais (Facebook, Instagram, Youtube e Site) contará com o apoio das seguintes hashtags: #DezembroLaranja, #CancerdePeleECoisaSeria, #CancerdePele #Maisprotecaonoverao #CampanhaCancerdePele2021. DOENÇA - O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele. Existem diferentes tipos de câncer da pele que podem se manifestar de formas distintas, sendo os mais comuns denominados carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular – chamados de câncer não melanoma – e que apresentam altos percentuais de cura se diagnosticados e tratados precocemente. Um terceiro tipo, o melanoma, apesar de não ser o mais incidente, é o mais agressivo e potencialmente letal. Quando descoberta no início, a doença tem mais de 90% de chance de cura. O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente na população, correspondendo a cerca de 70% dos casos. Se manifestam por lesões elevadas peroladas, brilhantes ou escurecidas que crescem lentamente e sangram
FIESP
com facilidade. Por sua vez, o carcinoma espinocelular surge como o segundo tipo de câncer de pele de maior incidência no ser humano. Ele equivale a mais ou menos 20% dos casos da doença. É caracterizado por lesões verrucosas ou feridas que não cicatrizam depois de seis semanas. Podem causar dor e produzirem sangramentos. METÁSTASE - Já o melanoma, apesar de corresponder apenas cerca de 10% dos casos, é o mais grave deles, pois quadros avançados podem provocar metástases (espalhamento do tumor para outros órgãos do corpo humano) e levar à morte. Este tipo é geralmente constituído de pintas ou manchas escuras que crescem e mudam de cor e formato gradativamente. As lesões também podem vir acompanhadas de sangramento. Desde 2014, a SBD promove o Dezembro Laranja, iniciativa que faz parte da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele. Desde então, sempre no último mês do ano, são realizadas diferentes ações em parceria com instituições públicas e privadas para informar a população sobre as principais formas de prevenção e a procurar um médico especializado para diagnóstico e tratamento. O câncer da pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, com cerca de 180 mil novos casos ao ano. Quando descoberto no início, tem mais de 90% de chances de cura. O #DezembroLaranja conta com patrocínio da Johnson&Johnson, Galderma, Nivea, La Roche Posay, Vichy e Hypera. j . JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 7
POLÍTICA E SAÚDE
SUBESTIMADO, CÂNCER DE PELE TEM PELO MENOS 205 MIL NOVOS CASOS REGISTRADOS NOS ÚLTIMOS OITO ANOS NO PAÍS Entre 2013 e 2021, essa doença gerou 374 mil internações na rede pública e foi a causa da morte de quase 32 mil brasileiros aponta análise feita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
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elo menos 205 mil brasileiros receberam diagnóstico de câncer de pele nos últimos oito anos. Neste mesmo período, os dados oficiais registram a morte 32 mil pessoas por conta dessa doença. As informações foram levantadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que lança nesta semana a campanha Dezembro Laranja, de conscientização sobre o câncer de pele. A análise sugere que os dados oficiais estejam subnotificados. Isso porque o Painel Oncologia Brasil, fonte das informações sobre diagnóstico, levou alguns anos para se impor como importante instrumento de gestão. Criado a partir da Lei 12.732/12, que estabelece prazos máximos para o início do tratamento de pacientes diagnosticados com câncer, o Painel só passou exigir o registro do diagnóstico de câncer de pele a partir de 2018. Antes disso, as informações não eram colhidas com o mesmo critério. “No entanto, a falta de informações, que impacta no desenvolvimento de políticas públicas sobre o tema, persiste. Apesar da evolução da metodologia para alimentar o Painel Oncologia, sob responsabilidade do Ministério da Saúde, ainda há inúmeros municípios que carecem de acesso a serviços especializados, retardando e dificultando o diagnóstico da doença e, consequentemente, aos dados epidemiológicos”, raciocina o presidente da SBD, Mauro Enokihara. Ao avaliar os números registrados pela plataforma, a SBD constatou que entre 2013 e 2017 o número de novos diagnósticos de câncer de pele foi de aproximadamente 4 mil casos a cada ano. Com o aperfeiçoamento da ferramenta e dos fluxos de informações, esse número saltou significativamente. Entre 2018 e julho de 2021, o total de diagnósticos de câncer de pele registrados chegou 184.095, ou seja, cerca de 46 mil ao ano. MAPA DO CÂNCER - Os estados que mais notificaram casos de câncer de pele entre 2013 e 2021, foram São Paulo (52.876), Paraná (27.204), Rio Grande do Sul (27.056), Minas Gerais (22.668) e Santa Catarina (16.975). A região com o maior percentual de casos, em relação ao número total de registros, é o Sudeste, com 42% dos casos de todo o País. O Sul ganha destaque por reunir três estados situados no ranking dos cinco que mais registraram casos de câncer de pele no Brasil.
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Estados que mais notificaram casos de câncer de pele entre 2013 e 2021
Já o Norte contabilizou o menor número de casos no período. Embora seja a segunda maior Região do País, reúne apenas 2,7% do total de casos informados no Painel Oncologia Brasil, com 5.543 casos entre 2013 e 2021. Apesar disso, 40% dos casos registrados na região Norte estão no estado do Pará, que totalizou 2.234 diagnósticos de câncer de pele no período observado. O Nordeste somou 29.236 casos no período analisado – cerca de 14% do total. Nessa região, o estado com maior concentração de casos é a Bahia, com 6.222 registros da doença, seguido pelo Ceará, com 6.206 diagnósticos entre 2013 e 2021. Por sua vez, o Centro-Oeste registrou um total de 12.956 casos, o equivalente a 6,3% do total. Na região, o estado com maior concentração de casos é o Mato Grosso do Sul, com 4.956 registros da doença, seguido por Goiás, com 4.841 diagnósticos entre 2013 e 2021.
POLÍTICA E SAÚDE Painel-Oncologia - BRASIL Diagnósticos de Melanoma maligno da pele (C43) e Outras neoplasias malignas da pele (C44), por ano do diagnóstico segundo UF de Residência Estado 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021* São Paulo 1.044 1.019 846 855 822 9.324 17.923 13.809 7.234 Paraná 703 722 742 696 702 5.401 8.874 6.036 3.328 Rio Grande do Sul 424 399 389 419 402 3.690 10.048 7.653 3.632 Minas Gerais 440 406 409 426 397 3.324 7.878 6.170 3.218 Santa Catarina 332 343 328 301 297 2.355 5.853 4.658 2.508 Bahia 164 145 133 144 133 1.342 2.058 1.240 863 Ceará 246 251 263 260 270 941 1.750 1.368 857 Rio de Janeiro 159 133 146 135 142 293 2.225 1.703 1.247 Mato Grosso do Sul 57 54 79 63 49 1.050 2.048 1.183 373 Rio Grande do Norte 45 52 57 61 64 1.068 1.758 1.166 608 Goiás 97 90 98 99 90 999 1.638 1.119 611 Espírito Santo 74 78 84 81 107 569 1.470 1.079 942 Pernambuco 142 192 153 153 126 746 950 757 628 Mato Grosso 49 43 42 58 46 296 1.035 592 335 Paraíba 82 64 85 91 86 453 696 524 298 Maranhão 43 20 38 29 32 591 769 529 220 Pará 82 90 107 90 81 211 708 647 218 Alagoas 32 46 41 55 46 216 544 433 221 Amazonas 11 22 10 14 12 145 354 551 287 Rondônia 53 36 50 35 26 68 355 504 206 Piauí 51 59 48 46 52 273 366 197 92 Distrito Federal 21 19 14 11 13 22 181 225 157 Sergipe 11 9 27 14 23 51 107 199 173 Tocantins 15 6 3 11 15 24 120 126 66 Roraima 1 2 2 2 2 2 36 42 10 Acre 3 5 4 2 3 11 8 12 6 Amapá 4 1 4 3 1 3 2 6 7 Total 4.385 4.306 4.202 4.154 4.039 33.468 69.754 52.528 28.345 Fonte: Painel Oncologia Brasil. *Até julho de 2021. Elaboração: SBD/360°CI
Total 52.876 27.204 27.056 22.668 16.975 6.222 6.206 6.183 4.956 4.879 4.841 4.484 3.847 2.496 2.379 2.271 2.234 1.634 1.406 1.333 1.184 663 614 386 99 54 31 205.181
INTERNAÇÕES - O mapa do câncer de pele permite também identificar o impacto do câncer de pele sobre o atendimento hospitalar. Apesar da subnotificação do número de pessoas com a doença, dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS indicam que os casos mais graves de câncer de pele levaram à hospitalização cerca de 374 mil brasileiros entre 2013 e agosto de 2021. No que se refere às internações, São Paulo é o Estado que registrou o maior volume de ocorrências no período (96.870), representando 26% do total. Após, vêm Paraná (57.417) e Rio Grande do Sul (38.593). No período analisado, segundo o levantamento da SBD as unidades da federação com menores registros desse tipo foram Roraima (194, Acre (162), e Amapá (150). Desse total, 26% das hospitalizações estão no estado de São Paulo e outros 15% no Paraná. “Esses números mostram que o câncer de pele, ao contrário do que muitos pensam, é um problema de saúde que, se não for bem tratado, pode ter consequências sérias”, alerta o presidente da SBD. Para ele, o Brasil precisa investir em estratégias de prevenção e diagnóstico precoce para evitar o agravamento dos casos. LETALIDADE - Existem dois principais tipos de câncer de pele: o mais frequente é o não melanoma que, apesar de maligno, tem grandes chances de cura se detectado precocemente. Quando diagnosticado ainda no início, ele pode ser tratado no próprio consultório do dermatologista, com uma pequena cirurgia. O outro é o melanoma, que representa apenas 3% dos cânceres malignos da pele sendo um dos mais graves, devido ao maior potencial de provocar metástase (a disseminação para outros órgãos). Segundo a análise da SBD, a cada ano cerca de 4 mil brasileiros morrem em razão da doença. Entre 2013 e 2020, os casos mais graves levaram a óbito 31.666 pessoas. “Esse
Morbidade Hospitalar do SUS - por ano e local de residência - Brasil Internações hospitalares para tratamento de Melanoma maligno da pele (C43) e Outras neoplasias malignas da pele (C44) Estado São Paulo Paraná Rio Grande do Sul Minas Gerais Santa Catarina Pernambuco Goiás Rio Grande do Norte Rio de Janeiro Espírito Santo Bahia Ceará Maranhão Mato Grosso do Sul Mato Grosso Alagoas Paraíba Piauí Pará Distrito Federal Amazonas Tocantins Rondônia Sergipe Roraima Acre Amapá Total
2013
2014
2015
2016
2017
2018
9094 9.942 10.968 11.649 11.884 12997 4970 5.448 6.249 6.148 7.153 8283 3068 3.452 3.659 4.288 4.808 5043 2739 3.314 3.415 4.050 4.079 4347 1762 1.842 2.282 3.029 3.296 3353 1764 1.192 1.586 1.636 2.449 2645 1464 1.622 1.549 1.716 1.735 2101 1132 1.314 1.510 1.202 1.655 1923 1046 1.143 1.286 1.087 1.297 1422 795 1.117 1.198 1.342 1.237 1307 731 501 624 713 1.169 2229 696 686 644 527 1.209 1256 471 586 676 676 871 1070 468 472 422 496 751 838 573 629 800 708 972 690 335 241 255 326 450 516 305 428 418 456 471 363 551 505 242 254 270 389 158 154 165 169 195 264 162 140 134 200 267 218 47 95 489 464 352 64 150 148 106 147 217 236 58 107 125 151 131 119 99 83 61 79 94 105 9 25 21 21 28 17 14 17 11 19 14 23 18 17 16 19 22 9 32.679 35.220 38.911 41.572 47.076 51.827
2019 14.426 8.305 6.366 4.887 3.851 2.342 1.841 1.951 1.953 1.770 2.061 1.581 1.115 1.367 831 590 320 357 384 288 78 189 246 75 34 25 14 57.247
2020
2021*
9.894 6.016 6.637 4.224 4.994 2.915 3.814 2.344 3.244 1.732 1.468 1.281 1.551 1.212 1.386 850 1.325 1.053 1.149 836 1.520 1.190 1.194 846 771 410 886 744 535 390 467 351 168 133 104 90 357 212 180 224 54 25 229 101 197 167 121 134 27 12 17 22 17 18 42.306 27.532
Total 96.870 57.417 38.593 32.989 24.391 16.363 14.791 12.923 11.612 10.751 10.738 8.639 6.646 6.444 6.128 3.531 3.062 2.762 2.058 1.813 1.668 1.523 1.301 851 194 162 150 374.370
Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). *Até agosto de 2021. Elaboração: SBD/360°CI
Mortalidade - Brasil Óbitos por Residência, por Região/Unidade da Federação e Ano Categoria CID-10: C43 Melanoma maligno da pele e C44 Outras neoplasias malignas da pele Região / UF 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020* Total São Paulo 756 773 889 894 932 875 1.036 1.011 7.166 Rio Grande do Sul 364 433 413 412 477 461 477 421 3.458 Minas Gerais 249 302 349 307 368 377 418 397 2.767 Paraná 277 278 304 324 327 335 339 375 2.559 Rio de Janeiro 298 283 300 289 245 265 342 328 2.350 Santa Catarina 234 184 212 228 235 254 255 280 1.882 Bahia 174 157 168 218 200 234 237 258 1.646 Ceará 162 152 172 190 184 187 229 223 1.499 Pernambuco 134 136 163 163 187 208 220 191 1.402 Goiás 71 98 124 111 128 127 139 123 921 Paraíba 59 85 91 67 96 76 88 104 666 Espírito Santo 74 61 54 78 86 98 93 105 649 Rio Grande do Norte 43 65 61 82 72 71 95 78 567 Pará 53 45 52 68 93 83 90 97 581 Piauí 64 62 74 71 65 74 80 62 552 Maranhão 56 47 47 60 66 55 85 64 480 Mato Grosso 39 29 49 45 49 53 77 62 403 Mato Grosso do Sul 33 49 50 47 44 53 38 50 364 Distrito Federal 45 48 36 41 46 39 35 45 335 Sergipe 38 31 30 40 43 49 53 45 329 Alagoas 34 29 33 43 42 43 51 49 324 Amazonas 23 29 28 38 24 40 37 45 264 Rondônia 18 25 14 22 24 29 35 24 191 Tocantins 10 12 23 31 19 20 22 26 163 Acre 6 8 7 5 18 8 6 8 66 Roraima 2 7 7 2 8 4 10 6 46 Amapá 5 2 9 7 2 7 4 36 Total 3.316 3.433 3.752 3.885 4.085 4.120 4.594 4.481 31.666 Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM. *Dados preliminares para 2020. Elaboração: SBD/360°CI
quadro indica a importância de reforçarmos ações para a sua prevenção. Quando descoberta no início, essa doença tem 90% de chances de cura”, afirma Mauro Enokihara. Conforme destaca, “é preciso conscientizar a população da necessidade de buscar o diagnóstico precoce, assim como o sistema de atendimento à saúde para a necessidade da notificação dos casos para que possamos contribuir com políticas públicas que aumentem as chances de tratamento e cura dos pacientes”. j JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 9
SAÚDE PÚBLICA
DERMATOLOGISTAS DESCOBREM A CAUSA DE SURTO MISTERIOSO DE PRURIDO EPIDÊMICO QUE AFETOU A POPULAÇÃO DE PERNAMBUCO
Lesões papulosas e eritematosas em face interna dos antebraços decorrentes da dermatite
D
ermatologistas que atuam no Nordeste ajudaram a resolver um mistério que afetava moradores de munícipios da Região Metropolitana de Recife. Com o suporte da Sociedade Brasileira da especialidade (SBD), eles implementaram uma série de ações que permitiram identificar as causas de mais de 200 casos de dermatites registrados nas localidades. As queixas dos pacientes foram divulgadas pela imprensa em função de suas características e do desconhecimento da sua origem, até o momento. Por fim, foi confirmado que o problema tem relação com as asas de uma mariposa. O surto de dermatites pápulo-eritêmato-pruriginosas, com aspecto urticariforme, desafiou os serviços 10 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
Mariposa do gênero Hylesia, responsável pela erupção
médicos da cidade. Os casos aconteceram em duas comunidades limítrofes à mata, localizadas em uma área de reserva de mata Atlântica do Parque Estadual de Dois Irmãos, em Recife (PE). Trabalho realizado pelos dermatologistas Cláudia Ferraz e Vidal Haddad Junior permitiu descartar várias hipóteses levantadas para explicar a origem do surto. Entre as possibilidades aventadas, estavam intoxicação por ivermectina, escabiose (sarna), picadas de insetos e outras. Contudo nenhuma com comprovação técnica ou científica.
SAÚDE PÚBLICA
Exame direto de lesão papulosa mostrando presença de estruturas alongadas compatíveis com cerdas da Hylesia
“A hipótese de escabiose era absurda, pois o tipo de transmissão é outro, a distribuição e aspecto das lesões cutâneas eram distintos e nenhum ácaro foi achado em muitas amostras de exame direto e exames histopatológicos”, cita nota técnica assinada pelos dois especialistas da SBD. ACESSE AQUI A NOTA TÉCNICA NA ÍNTEGRA Para identificar as causas reais, a dermatologista Cláudia Ferraz conduziu uma pesquisa sobre a história epidemiológica correta e descreveu adequadamente as lesões, o que levou a suspeitar da provável etiologia. Por sua vez, Vidal Haddad Junior, que havia testemunhado e publicado outros surtos, esclareceu a etiologia da erupção.
A chave do problema repousa nas asas de mariposas do gênero Hylesia, que se reproduzem nesta época do ano e causam epidemias de dermatites em vários pontos do país. Estes insetos entram em ambientes domésticos e ao se debaterem contra focos de luz, liberam cerdas corporais minúsculas que penetram profundamente na pele humana e causam a intensa dermatite observada. Além da inflamação inicial, descrita na histopatologia como um infiltrado linfocitário, existe a probabilidade de formação de granulomas em fases posteriores. A dermatite permanece por dias e até semanas, devido à permanência das cerdas (“flechettes”) na pele. Estas cerdas podem ser observadas na pele e exames realizados as mostraram com clareza. Os especialistas da SBD explicam que o tratamento é feito com foco na inflamação com corticoides tópicos e anti-histamínicos e, por vezes, dependendo da extensão das lesões, o uso de corticoides sistêmicos pode ser necessário. “Com a comprovação das cerdas no exame direto, história clínica e epidemiológica extremamente compatível e relato de mariposas no local feito pelos moradores, concluímos que o mistério está resolvido e esperamos que os tratamentos corretos sejam ministrados à população”, assinalam os dermatologistas Claudia Ferraz e Vidal Haddad Júnior. j
25 a 28 de agosto 2022
São Paulo/SP JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 11
OUTROS OLHARES
SBD ALERTA PARA CUIDADOS NA PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS PARA EVITAR SUPERDOSAGENS E RISCOS À SAÚDE DOS PACIENTES
Marcelle Nogueira
Assessora do Departamento de Dermatologia Geriátrica da SBD
V
itaminas e antioxidantes podem fazer mal à saúde? A resposta é sim, se forem usados de forma indiscriminada, sem atenção aos limites do organismo e fora do acompanhamento de um médico. Esse é o alerta da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para a população que, em busca de rejuvenescimento ou de maior proteção contra doenças, abusa dessas substâncias, quase sempre disponíveis para compra nas farmácias sem a necessidade de prescrição. Em tratamentos para a pele, cosmiátricos ou clínicos, os dermatologistas podem lançar mão de suplementos vitamínicos. De acordo com a assessora do Departamento de Dermatologia Geriátrica da SBD, Marcelle Nogueira, eles podem ser prescritos em diferentes situações dentro da dermatologia. Seja para ajudar no tratamento de doenças que afetam cabelos e unhas, seja para controlar quadros mais complexos, como o vitiligo. No entanto, Marcelle Nogueira chama a atenção para dois pontos: o risco de complicações decorrentes do uso excessivo de suplementação, como o surgimento do câncer, e as prescrições feitas pelos médicos sem a adequada avaliação do quadro clínico do paciente. "As vitaminas podem ter papéis antioxidantes, mas temos vias para memória, hormonais e de cognição que precisam de oxidação. Por isso, não podemos simplesmente antioxidar", afirmou. Outra complicação citada pela especialista é que o uso indiscriminado de suplementos pode causar alte12 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
rações nos exames laboratoriais, dificultando ou levando a um diagnóstico equivocado. Segundo ela, pode acontecer, por exemplo, com o cruzamento do uso de biotina, que é uma vitamina, e a medida no sangue de hormônio tiroidiano e de até enzimas cardíacas. AUTOMEDICAÇÃO - Para evitar problemas, a assessora da SBD cita duas recomendações. Os interessados em suplementação precisam evitar a automedicação e, antes de qualquer decisão, conversar com um médico sobre o uso dessas substâncias. Por sua vez, lembra ainda que cabe ao profissional pedir exames que mensurem a quantidade da substância a ser reposta no organismo para avaliar a necessidade de uma dose extra. "Durante a pandemia de covid-19, vejo muita prescrição de vitamina D. Porém, o excesso dessa vitamina também tem impacto negativo no organismo, pois pode predispor a alterações do metabolismo ósseo. Quando vamos prescrever alguma suplementação, devemos verificar o nível daquela substância no sangue do paciente. Se o paciente tem um nível muito baixo, você vai precisar de uma dose maior. Ou seja, a prescrição é feita de forma individualizada", detalhou. Marcelle Nogueira também lembra de outro aspecto que costuma ser ignorado nas consultas: o risco de dosagens sobrepostas. Isso ocorre quando o paciente busca diferentes especialistas e recebe, de cada um, uma receita. Pode acontecer de haver prescrições que, utilizadas de modo simultâneo, causem um ex-
OUTROS OLHARES
As vitaminas podem ter papéis antioxidantes, mas temos vias para memória, hormonais e de cognição que precisam de oxidação. Por isso, não podemos simplesmente antioxidar.
cesso da substância no organismo. Por isso, ela aponta como imprescindível o médico dermatologista ter ciência de tudo que o paciente toma, seja indicado por outros profissionais, seja por conta própria. "O paciente deve sempre ajudar o médico em seu raciocínio clínico. Deve confiar e ser sincero, contando sobre todas as vitaminas e fórmulas manipuladas que está tomando. Também deve relatar todas as suas condições de base, se é diabético, hipertenso, seus sinais e sintomas. Ao omitir informações, ele pode comprometer os resultados que espera alcançar”, afirmou ao deixar uma dica para os dermatologistas: sempre tenham uma tabela de conversão à mão para não correr o risco de fazer uma superdosagem. ABORDAGEM - Ainda na etapa da consulta, a assessora da SBD ressalta que o paciente será avaliado do ponto de vista clínico e laboratorial. Na primeira abordagem, são analisados os sinais dos cabelos, das unhas e até da pele. Já na laboratorial, o pedido de exame é feito a partir da suspeita clínica, feita anteriormente. "Existem situações específicas para cada condição. Diante de um quadro de queda de cabelo, por exemplo, é importante pedir a dosagem não só de vitaminas, mas elementos que são importantes para a manutenção da saúde do fio e do folículo piloso. Um dos elementos importantíssimos é o ferro e todo seu metabolismo", analisou. Sobre as substâncias em si, a dermatologista explica que entre os suplementos mais seguros está a coenzima q10, devido ao baixo risco de efeitos colaterais e complicações para o paciente, quando usado em doses adequadas. Esse foi tema de sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). "No estudo, recrutamos pacientes idosas para suplementação oral com a substância e, após a realização do experimento, observamos uma grande melhora na espessura da epiderme e de alguns marcadores moleculares relacionados ao envelhecimento", conta. O trabalho será publicado ain-
da este ano e já foi apresentado no Congresso Mundial de Dermatologia, em Milão, na Itália, em 2019. Além do uso dermatológico, a coenzima q10 é utilizada para melhora da função cardíaca e do índice de massa corpórea. A substância também teria o potencial de melhorar a hipertensão arterial e os índices dos pacientes diabéticos. Por outro lado, a assessora cita três outros suplementos que considera de risco, os quais deveriam ser prescritos apenas em caso de necessidade. São eles: o ácido hialurônico oral, a vitamina E e o betacaroteno. "Devemos ter atenção à prescrição de ácido hialurônico oral devido à questão dos receptores em células neoplásicas. Já em relação à vitamina E, há estudos com grande grau de evidência, mostrando o aumento do risco de morte. Outros trabalhos também mostram o aumento do risco do câncer de próstata causado pela mesma substância", revelou. Segundo ela, a dose responsável por colocar em risco o paciente equivale a 400 unidades internacionais (UI) por dia. "Esse é um valor que vemos pacientes tomando com frequência", comentou. Já com relação ao betacaroteno, retirado de vegetais e frutas que possuem pigmentos amarelados e alaranjados, como a cenoura, ela lembra que sua suplementação em doses de 30 miligramas por dia pode aumentar as chances de câncer de pulmão, principalmente em pacientes tabagistas. "Vejo pacientes usando essa vitamina de uma forma recreativa, tomando para ir à praia, bronzear a pele. Em alguns casos, usam doses relativamente altas para terem simplesmente esse benefício estético da pele quando exposta ao sol. Entretanto, o ideal seria obter essas vitaminas e suplementos pela alimentação, pois ao consumirmos in natura dificilmente atingimos doses tóxicas", frisou. Falar do uso de suplementos alimentares toca em questões de mercado. O Brasil é o terceiro maior mercado dessas substâncias em todo o mundo. Apenas Estados Unidos e Austrália têm um consumo superior. Os dados são da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri). Entre 2010 e 2016, o faturamento do mercado de suplementação passou de R$ 637 milhões para R$ 1,49 bilhão. Outro trabalho mostra como esse uso se disseminou pelos lares. Ao buscar por uma boa saúde ou uma melhora na aparência, muitas pessoas recorrem aos suplementos vitamínicos. Hoje, essas substâncias estão presentes em 59% dos lares brasileiros, com, no mínimo, uma pessoa da casa consumindo algum produto. Os dados são da segunda edição da pesquisa "Hábitos de Consumo de Suplementos Alimentares no Brasil", encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), em 2020. j JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 13
AÇÕES INSTITUCIONAIS
EDITORES DOS ABD APRESENTAM RESULTADOS DA PUBLICAÇÃO EM 2021
D
urante a Reunião do Conselho da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), realizada em outubro, os editores dos Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD) apresentaram os resultados da publicação em 2021. Na oportunidade, enfatizaram o aumento expressivo do Fator de Impacto (FI) e a queda do percentual de recusa dos artigos nacionais submetidos. “Apresentamos esses dados aos associados porque queremos que todos trabalhem conosco, acessem as newsletters e valorizem a comunicação científica da
FIGURA 1: FATOR DE IMPACTO DOS ABD 2010 A 2020
dermatologia brasileira e ibero-latina”, enfatizam os editores dos Anais. O Fator de Impacto dos ABD aumentou 69% ao longo de 12 meses. O índice passou de 1,121, relativos a 2019, para 1,896, no ano seguinte (Figura 1). O cálculo é feito pelo Journal of Citation Reports (JCR). Essa alta permitiu que a publicação avançasse da 57° para a 51° posição entre os 68 periódicos de Dermatologia indexados no PubMed e auditados para efeitos de cálculo do FI (Figura 2). Paralelamente, o CiteScore, no mesmo período, mostrou avanço de 1,9 para 2,2. “Essas métricas, entre outras, avaliam a influência dos periódicos científicos e informam o número de citações recebidas em relação aos artigos publicados em determinado período. Aos que desejam se aprofundar nesses cálculos e demais métodos de avaliação de periódicos científicos, recomendamos o artigo de Miot H, Ianhez M, Ramos PM. Trends of the main bibliometric indicators of Anais Brasileiros de Dermatologia (2010-2019). An Bras Dermatol. 2021; 96:309-14”, explicam os editores. SUBMISSÃO DE ARTIGOS – Outro informe apresentado na reunião foi em relação ao percentual de recusa dos artigos submetidos à publicação. Esse
14 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
AÇÕES INSTITUCIONAIS FIGURA 2: RANKING FI-2020 (DE 68 PERIÓDICOS AUDITADOS):
FIGURA 3: MÉDIA EDITORIAL E VELOCIDADE DE PUBLICAÇÃO PARA ARTIGO PUBLICADO
Submissão até Primeira Decisão
Submissão até Aprovação
percentual foi de 76% em 2020 e, em 2021, até outubro, foi de 74%. Segundo explicam os especialistas, a análise dos artigos recém submetidos passa pelos editores que, coletivamente, em reuniões semanais, decidem quais vão prosseguir e quais recusar. A primeira análise leva em consideração diversos fatores, como interesse do tema, qualidade do texto, qualidade da documentação (científica e fotográfica, quando é o caso) e a seção à qual se destina. “Nunca é demais informar que os relatos de caso perfazem a grande maioria das submissões. Eles agora estão incluídos na seção de Cartas-Casos Clínicos, o que faz com que apenas relatos excepcionais, que apresentem fato novo, não repetitivo, seja aprovado para prosseguir como artigo”, explicam os editores. Na etapa seguinte, os artigos são encaminhados aos revisores e, ao mesmo tempo, para a análise
Submissão até Publicação no Prelo
Submissão até Publicação
da editoria técnica. Nessa segunda etapa, a depender da opinião dos revisores ou da não observância dos requisitos técnicos, o texto pode também ser recusado. APROVAÇÃO – Os editores dos ABD explicam também o ainda longo tempo transcorrido entre a submissão do texto e sua publicação, em plataforma online e impressa [Figura 3]. De acordo com eles, quando do artigo aprovado, no caso de publicação virtual o tempo entre a submissão e a publicação do texto a espera é de 41,3 semanas, em média. Na versão física, esse período é de 48,9 semanas. “Isso é consequência do grande estoque de artigos, essencialmente àqueles pertencentes às seções Relato de Caso, Cartas-Casos Clínicos e Cartas-Investigação. E também, forçoso dizer, ao limite entre 2630 artigos publicados a cada fascículo. A redução do intervalo, entre ser submetido e ser publicado, passa JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 15
AÇÕES INSTITUCIONAIS
FIGURA 4: CITAÇÕES RECEBIDAS (2020) POR ARTIGOS SEGUNDO A SEÇÃO A QUE PERTENCE Tipos de artigos publicados
Ítens citáveis
Citações
% Não citados
Artigo Especial
3
21
0
Educação Médica Continuada (EMC)
12
65
0
Consenso Suplementar
7
25
14
Revisão
15
43
13
Investigação
105
157
30
Caso clínico
69
67
42
Dermatopatologia
17
12
63
Dermatologia Tropical / Infectoparasitária
6
4
67
Imagens em dermatologia
13
3
92
FIGURA 5: PRINCIPAIS COMPETIDORES EVOLUÇÃO DO CITSCORE 2016-2020
pela redução de aceites nas seções já inflacionadas e pela publicação rotineiramente do máximo de 30 artigos por fascículo, segundo o limite do contrato com a Elsevier”, esclarecem. SEÇÕES – Das seções existentes (Figura 4), as que têm impacto maior são EMC, Revisão, Suplemento, Artigo Especial e Investigação. Dos textos publicados nestes espaços, entre 70% e 100% dos artigos receberam (2020) ao menos uma citação. Por outro lado, Relatos de Casos (58% dos artigos), Dermatopatologia (37%), Dermatologia Tropical/Infecciosas (33%) e Imagens (8%) receberam ao menos uma citação. “Esses dados mostram que temos que pensar em estratégias para ampliar a visibilidade e a qualificação dos artigos dessas seções dos ABD. Como, por exemplo, sugerir títulos mais comunicativos, atraentes, 16 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
ampliarmos o número limite de palavras e sermos mais exigentes quanto ao tema e à documentação fotográfica clínica e histológica”, enfatizam os editores. EVOLUÇÃO – Por fim, foi apresentada a evolução dos ABD no CiteScore [Figura 5], entre 2016 e 2020 (inclusive), frente a periódicos que são considerados seus competidores mais próximos. “Nossa meta é superar ou, pelo menos, nos igualarmos a essas prestigiadas publicações. Para isso, temos que contar com artigos de qualidade, com o apoio ímpar dos revisores, e o prestígio dos colegas que publicam em periódicos internacionais. Por isso, convidamos todos os associados à SBD a trabalhar conosco, acessar nossas newsletters, e a valorizar a comunicação científica da dermatologia Brasileira e Ibero-Latina”, concluíram. j
AÇÕES INSTITUCIONAIS
MOHS CONVIDA: SBD LANÇA NOVO PROJETO SOBRE CIRURGIA MICROGRÁFICA E ONCOLOGIA CUTÂNEA
O
s associados à Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) terão acesso a mais uma atividade exclusiva: o Mohs Convida. O projeto, coordenado pelo Departamento de Cirurgia Micrográfica da SBD, visa promover reuniões bimestrais com discussões de forma multidisciplinar sobre a área, envolvendo residentes e especialistas interessados na área de oncologia cutânea. Cada encontro tem vagas limitadas. As aulas têm duração de uma hora e meia e não ficarão gravadas para acesso posterior. “É um projeto de muita importância para aqueles que realizam a cirurgia micrográfica e para o dermatologista interessado no tratamento do câncer de pele. Queremos que seja um espaço de trocas e de atualização para o cotidiano do especialista”, explica Mariana Meireles, coordenadora do Departamento de Cirurgia Micrográfica da SBD. O tema do primeiro encontro foi focado em casos perioculares e contou com a participação de uma
oftalmologista especialista em plástica ocular e vias lacrimarias. “Os temas futuros ainda não foram definidos, mas a ideia é sempre trazer um convidado de outra especialidade, que não seja da dermatologia, mas que também atue no tratamento do câncer”, diz Mariana. j
JSBD Volume 25 l N. 5 - 2021 | 17
SAÚDE PÚBLICA
SBD ORIENTA MÉDICOS SOBRE DISPONIBILIDADE NO SUS E PLANOS DE SAÚDE DE MEDICAMENTOS DE ALTA EFICÁCIA CONTRA PSORÍASE E OUTRAS DOENÇAS GRAVES
A
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulga nesta semana um informe aos mais de 10 mil médicos da especialidade a respeito da disponibilização das terapias imunobiológicas que ajudarão no tratamento de doenças dermatológicas graves, que afetam a qualidade de vida de milhões de pessoas. Neste informe, a SBD lembra que os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) já podem ter acesso as terapias imunobiológicas para o tratamento da psoríase e da hidradenite supurativa e os pacientes do sistema privado (operadoras de saúde) já têm cobertura obrigatória desta terapia para psoríase, hidradenite supurativa e urticária crônica espontânea. 18 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
Com esse aviso, a SBD orienta os profissionais sobre a possibilidade da obtenção dessas drogas, o que era uma reinvindicação antiga. “Além do envio de mensagens para os médicos, vamos promover lives para discutir com os dermatologistas os avanços no tratamento de doenças que afetam a pele. Isso faz parte de uma estratégia que ocorre em outubro, mês dedicado à psoríase. Trata-se de uma doença inflamatória, não contagiosa e crônica, cujo cuidado representa um desafio para todos”, ressalta André Carvalho, coordenador da Campanha Nacional de Conscientização sobre Psoríase, promovida pela SBD.
SAÚDE PÚBLICA
Segundo ele, os avanços foram incorporados, mas nem todos os dermatologistas estão cientes disso ou sabem como solicitar o acesso aos medicamentos para seus pacientes. Por isso, a SBD decidiu atuar junto aos seus associados, o que permitirá a eles alcançar melhores resultados no acompanhamento dos casos da doença. Carvalho explica que para saber como proceder em cada estado, o médico deve buscar as secretárias estaduais ou municipais de saúde e centrais de atendimento que as operadoras disponibilizam aos profissionais. COMEMORAÇÃO - A possibilidade de contar com esse suporte terapêutico é motivo de comemoração, acreditam os especialistas da SBD. Depois de anos de negociação com o governo e representantes dos planos de saúde, as pessoas que sofrem com a psoríase podem solicitar acesso a medicamentos de alta eficácia dentro da rede pública e junto aos planos de saúde. O número de beneficiados diretos é grande: cerca de cinco milhões de brasileiros. A aprovação da incorporação dos imunobiológicos foi publicada em setembro de 2019, no Sistema Único de Saúde (SUS). Em abril de 2021, foi a vez da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovar a inclusão dessas drogas no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. No entanto, apesar dos avanços, a SBD espera que essa relação seja ampliada nas duas esferas, por isso mantém tratativas no âmbito da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da ANS. "A SBD vem há anos trabalhando junto ao Ministério da Saúde e aos planos para incorporar os imunobiológicos na assistência dos pacientes. Essa luta visa melhorar o atendimento para pacientes com psoríase e com outros problemas”, conta Paulo Oldani, coordenador do Comitê de Imunobiológicos da SBD. Segundo ele, essas drogas (produzidas a partir de células vivas) são muito eficientes no tratamento de doenças imunomediadas. Elas agem em pontos específicos bloqueando o processo inflamatório, responsável pelo surgimento da doença. TERAPIAS - Em 2019, os medicamentos imunobiológicos incluídos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para psoríase no âmbito do SUS foram: adalimumabe, como primeira opção de tratamento; secuquinumabe e o ustequinumabe, indicados numa segunda etapa, após falha ou contraindicação da primeira opção; e o etanercepte, para pacientes pediátricos, que falharam ou tenham contraindicação à terapia tradicional. Este ano o risanquizumabe também foi
incorporado ao SUS, mas ainda não está sendo dispensado aos pacientes. No segmento dos planos de saúde, a mudança começou dois anos depois (2021) com incorporação de sete medicamentos imunobiológicos ao rol de procedimentos e eventos em saúde, após a aprovação pela ANS. Adalimumabe, etanercepte, guselcumabe, infliximabe, ixequizumabe, secuquinumabe e ustequinumabe aparecem nesta relação. A SBD espera que em breve outras duas drogas - risanquizumabe e o certolizumabe – passem a fazer parte destas opções de tratamento para quem tem plano de saúde. Na avaliação dos especialistas, o benefício é evidente. “Nós tínhamos uma demanda reprimida. No SUS, havia vários casos de pacientes que estavam com medidas judiciais. Nos planos de saúde, alguns conseguiam por liberalidade. Agora o acesso é garantido e facilitado. Então, com certeza houve uma melhora na saúde e na qualidade de vida dessas pessoas, pois eram pacientes que já não tinham mais opção de tratamento”, afirmou Oldani. ARSENAL - A principal vantagem para o dermatologista aparece no aumento do arsenal terapêutico para a assistência à pessoa com psoríase. “Com essas novas opções, o tratamento pode ser individualizado. Há pacientes que respondem melhor a um mecanismo de ação do que outros. Então, termos alternativas ajuda bastante. Além disso, a psoríase grave gera várias comorbidades, o que, muitas vezes, exige ajustes nos procedimentos para poder se adequar a elas", disse Heitor de Sá Gonçalves, vice-presidente da SBD. Para ele, o acesso aos medicamentos marca um novo tempo. Na sua avaliação, essa oferta, hoje disponível, era impensável há dez anos. “A tendência é melhorar, porque temos algumas perspectivas já saindo do forno, para outras formas de psoríase, como a do tipo pustulosa. Com isso, vamos conseguir gerar economia para o SUS, ao reduzir despesas com o tratamento de comorbidades, e oferecer ao paciente condições de se integrar à sociedade, o que ajuda até na sua saúde mental e produtividade", ressaltou. Há inúmeras opções de tratamento, que incluem medicamentos de uso tópico, sistêmico, biológico e com fototerapia, conforme a gravidade e o estágio da doença. A principal meta do tratamento é eliminar total ou quase totalmente as lesões na pele, diminuindo o impacto da doença na qualidade de vida funcional, física e psíquica. Para saber o tratamento mais indicado, procure um dermatologista. j JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 19
OUTROS OLHARES
PESQUISA DO DATAFOLHA REVELA: BRASILEIROS DESCONHECEM E TÊM PRECONCEITO COM RELAÇÃO À DERMATITE ATÓPICA, DOENÇA QUE AFETA MILHÕES DE PESSOAS
E
stimular Três em cada dez brasileiros acreditam que a dermatite atópica, uma doença caracterizada por pele seca, lesões avermelhadas e coceira intensa, é um problema de saúde contagioso, ou seja, que pode ser transmitido pelo contato direto. Essa visão equivocada indica o preconceito comA respeito a esse quadro que afeta de 15% a 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos. A conclusão aparece em pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (23) pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O trabalho foi realizado pelo Instituto Datafolha, com apoio institucional da biofarmacêutica AbbVie. 20 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
Nesta data (23/09), quando se comemora o Dia da Conscientização da Dermatite Atópica, a SBD revela que na percepção de 47% da população, essa enfermidade é causada por maus hábitos de higiene; 46% acreditam, erroneamente, que o paciente não poderia ter contato com crianças; e 36% entendem que pessoas com manifestações visíveis não deveriam sair de casa, ir à escola ou ao trabalho. No entendimento de 33%, elas não poderiam até mesmo usar o transporte público. “É preciso combater o preconceito contra pessoas que apresentam a dermatite atópica. Trata-se de um
OUTROS OLHARES
DERMATITE ATÓPICA - POPULAÇÃO BRASILEIRA
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 MAUS HÁBITOS DE HIGIENE
47%
NÃO PODERIA TER CONTATO COM CRIANÇAS
EVITAR SAIR DE CASA
EVITAR USAR TRANSPORTE PÚBLICO
problema de saúde que causa desconforto, mas pode ser tratado com a ajuda de médicos dermatologistas, com o apoio de outros profissionais da saúde. Neste processo, os pacientes devem ser respeitados em sua individualidade, evitando-se posturas agressivas ou restritivas contra eles”, ressaltou Mauro Enokihara, presidente da SBD, que neste mês promove uma campanha de conscientização sobre o tema. PERCEPÇÃO - O preconceito é mais um sintoma visível da dermatite atópica, conforme demonstra o estudo que ajuda a compreender um pouco sobre a percepção que cerca esse problema de saúde. Os dados demonstram que, apesar de relativamente comum em diferentes faixas etárias, a dermatite atópica (DA) ainda é desconhecida por boa parte dos brasileiros. A pesquisa mostra que menos da metade da população (37%) a reconhece, e mesmo entre este público o conhecimento ainda é parcial. A falta de informação leva apenas 4% dos entrevistados que conhecem a doença a afirmarem corretamente que dermatite atópica e eczema atópico são sinônimos. Para 21% deles, trata-se de uma reação
46%
36%
33%
alérgica e outros 21% a veem apenas como uma doença de pele. No entanto, entre os que ouviram falar sobre eczema atópico, 58% não sabem o que é a enfermidade. Embora 59% dos brasileiros tenham apresentado pelo menos um dos sintomas característicos da dermatite atópica, o diagnóstico para esta doença ocorreu em apenas 1% dos casos. Outros 2% foram diagnosticados como alergia. Para o vice-presidente da SBD, Heitor de Sá Gonçalves, esse resultado revela duas situações. “Em primeiro lugar, muitas pessoas não procuram a ajuda dos médicos para tratarem o desconforto causado pelas lesões e coceiras. Além disso, sabemos que há dificuldade de os próprios médicos reconhecerem os quadros que indicam a presença deste problema de saúde na população, o que impede o diagnóstico correto”, disse. SINTOMAS - Os dados confirmam este entendimento. A pesquisa revelou que cerca de metade dos adultos que apresentaram três ou mais sintomas de dermatite atópica não procurou um médico (53%). Entre os que JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 21
OUTROS OLHARES
RELATO DOS ENTREVISTADOS PACIENTES ADULTOS DIAGNOSTICADOS COM DA SINTOMAS DESDE A INFÂNCIA PEQUENAS BOLHAS QUE SE ROMPEM E MINAM ÁGUA
APRESENTAM PELO MENOS QUATRO DOS CINCO SINTOMAS DA ENFERMIDADE COMO COCEIRA PELE SECA
PEQUENAS BOLHAS
DESCAMAÇÃO
procuraram ajuda especializada, 33% dos pacientes e 67% dos cuidadores (ou responsáveis por crianças até 15 anos) precisaram ir em dois ou mais médicos diferentes em busca do tratamento adequado. Tanto entre os adultos (32%) quanto entre as crianças (46%), o principal diagnóstico foi “alergia”. Por fim, ainda que apresentassem vários sinais, 34% dos adultos e 23% das crianças saíram das consultas sem diagnóstico, ainda que 44% dos pacientes e 54% dos cuidadores tenham alegado que a intensidade dos sinais e sintomas é moderada ou grave. De acordo com o relato dos entrevistados, entre os pacientes adultos, 50% apresentam pelo menos quatro dos cinco sintomas da enfermidade como coceira (87%), pele seca (86%), pele irritada com vermelhidão (73%), descamação (55%) e ‘pequenas bolhas que se rompem e minam água’ (37%). Dentre eles, embora 28% relatem a presença de sintomas desde a infância, apenas 36% foram diagnosticados. Entre os entrevistados com até dois sintomas, sete em cada dez não procuraram um médico (69%). Dos que buscaram, 26% dos adultos e 56% das crianças foram diagnosticados como alergia e 40% dos adultos e 52% das crianças não receberam nenhum diagnóstico, apenas recomendações e medicamentos. DERMATOLOGIA - Com relação à especialidade da medicina indicada para tratar a dermatite atópica, os entrevistados reconhecem na dermatologia a mais preparada. Entre os brasileiros sem sinais da doença, 69% disseram que procurariam um dermatologista, 13% buscariam um clínico geral e 2% um alergista/imunologista. 22 | JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021
PELE IRRITADA COM VERMELHIDÃO
“A percepção dos entrevistados sobre a dermatologia como sendo a área mais preparada para diagnosticar e tratar a dermatite atópica serve de estimulo aos nossos especialistas para que continuem a se qualificar para o oferecer aos pacientes e seus familiares o melhor atendimento”, finalizou o presidente da SBD. A pesquisa do Datafolha ouviu 1.001 pessoas de todas as regiões do país, por telefone, entre 9 e 23 de outubro de 2020. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Com idade média de 43 anos, esse grupo foi composto por 52% de mulheres, com idade média de 43 anos e 49% com renda familiar de até dois salários mínimos. Deste universo, 67% são economicamente ativos, sendo 19% assalariados registrados e 12%, trabalhadores temporários. j
POLÍTICA E SAÚDE
SBD DIVULGA PARECER SOBRE CONSULTA PÚBLICA DA CONITEC ACERCA DA INCORPORAÇÃO DE TESTES EM HANSENÍASE, NO SUS
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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) publicou um documento com os pareceres sobre as consultas públicas (CP) nº 95, 96 e 98, que foram promovidas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) sobre a inclusão de três testes laboratoriais de hanseníase ao Sistema Único de Saúde (SUS). No texto, a SBD apresenta os pontos positivos e, em caso de dúvidas ou contrapontos, expõe as preocupações da entidade para execução do plano proposto na Consulta. CLIQUE AQUI E LEIA O TEXTO COMPLETO A consulta de número 95 trata sobre o “Teste qualitativo in vitro, por amplificação de DNA e hibridização reversa em fita de nitrocelulose, para detecção de Mycobacterium leprae resistente a rifampicina, dapsona ou ofloxacino em pacientes acometidos por hanseníase e com suspeita de resistência a antimicrobianos” O objetivo do exame é detectar a resistência a antimicrobianos utilizados no tratamento. Já a CP de nº96 se refere ao “Teste rápido imunocromatográfico para determinação qualitativa de anticorpos IgM anti-Mycobacterium leprae para diagnóstico complementar de Hanseníase”. Por sua vez, a CP 98 aborda o “Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para o diagnóstico de hanseníase”.
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SBD DE GOIÁS SBD-GO realiza a 88ª Jornada Goiana de Dermatologia A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Goiás (SBD-GO) realizou, no dia 16 de setembro, a 88ª Jornada Goiana de Dermatologia. O encontro aconteceu no formato virtual e contou com a participação de um grande número de associados, que debateram temas relacionados à assistência aos pacientes e também à gestão dos consultórios. A jornada foi aberta pelo presidente da SBD-GO, Eduardo Álvares, e teve como palestrantes a advogada Bruna Linhares (GO), os dermatologistas Cíntia Cunha (MG), Danilo Teixeira (GO), Fábio Francesconi (AM), Omar Lupi (RJ) e Natasha Crepaldi (MT) e o cirurgião plástico Ricardo Boggio (SP). Entre os temas em pauta estavam "O que a dermatologia precisa saber sobre a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais", "Como ter uma equipe de alta performance", "Os princípios do preenchimento guiado por ultrassom: o que você deve pensar na sua forma de preencher", "Estáfilo: da foliculite à sepse", "Como conseguir bons resultados combinando tratamentos corporais", "Restauração facial global" e "Pele x Covid x Vacinas".
No dia 21 de outubro, a SBD-GO promoveu outro evento informativo e científico: o VII Encontro de Terapêutica na Psoríase. Durante toda a manhã, dermatologistas avaliaram casos clínicos relacionados à psoríase em criança, em paciente obeso, em paciente idoso e a psoríase cutânea e articular deformante em paciente jovem. O evento marca o Mês de Conscientização sobre a Psoríase, celebrado em outubro. No dia 22 de outubro, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) homenageou médicos que colaboraram na transmissão do conhecimento sobre aspectos da covid-19. Paulo Ricardo Criado, coordenador do Departamento de Medicina Interna da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), foi nomeado e se apresentou como representante da entidade. Além disso, colaborou com aula gravada no Youtube e em duas edições do livro digital sobre a covid-19 do Cremesp.
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SERVIÇOS CREDENCIADOS CURSO DE MICOLOGIA DA FACULDADE DE MEDICINA NOVA ESPERANÇA (FAMENE)
Na foto, os residentes e especializandos dos primeiro, segundo e terceiro anos e os professores palestrantes Em setembro, o Serviço de Residência e Especialização Médica em Dermatologia da Faculdade de Medicina Nova Esperança (Famene), em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, promoveu o Curso de Micologia. Em oito horas, foram debatidos os “Tópicos Avançados em Micologia”. O curso contou com palestras dos professores Neuza Maria Cavalcante, Adriano F. Alves e Wallace F. Blohem.
SERVIÇO DE DERMATOLOGIA DA SANTA CASA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Em setembro, a Santa Casa de São José dos Campos e o Dermacamp participaram do Congresso Mundial sobre epidermólise bolhosa (EB), promovido pela DEBRA International, em Moscou, na Rússia. Foram quatro dias de intensos trabalhos, conferências, workshops e grupos de discussão, com a participação dos mais importantes pesquisadores estudiosos desta doença tão complexa. A Santa Casa de São José dos Campos é parceira no Brasil da EB-CLINET, rede de pesquisas e apoio às pessoas com epidermólise bolhosa. Essa rede mundial existe desde 2011 e, além de pesquisas clínicas, produz materiais científicos voltados aos profissionais de saúde, aos pacientes com EB e seus familiares. Recentemente, temos colaborado com a publicação de excelentes CPG, os "Clinical Practice Guidelines", e também folders sobre a doença. O Congresso na Rússia contou com 14 mil pessoas de todo o mundo, desde os maiores pesquisadores até pacientes e suas famílias, com atividades
voltadas a todas as categorias. Apresentamos trabalho sobre as dificuldades dos pacientes com o acesso às consultas médicas e de enfermagem durante a pandemia e mostramos a utilização das ferramentas de teleatendimento. Nos últimos cinco anos, as pesquisas envolvendo novas terapias avançaram muito em número e qualidade, trazendo grandes esperanças para os pacientes com EB, suas famílias e para os médicos que cuidam da epidermólise bolhosa. JSBD Volume 25 l N. 5 e 6 - 2021 | 25
SERVIÇOS CREDENCIADOS SERVIÇO DE DERMATOLOGIA DO HOSPITAL SANTA CASA DE CURITIBA O professor Dr. Caio Cesar Silva de Castro, preceptor do Serviço de Dermatologia do Hospital Santa Casa de Curitiba, foi convidado para ser Membro do Medical Advisory Board da Global Vitiligo Foundation (GVF), com sede em Chicago, nos EUA. O objetivo principal do Conselho Consultivo Médico é fornecer informações médicas
relevantes e precisas para melhor informar o Conselho de Administração da GVF e a comunidade de vitiligo em geral. É composto por dermatologistas e cientistas respeitados, com experiência significativa em pesquisa de vitiligo, atendimento clínico e educação. A fundação é formada por médicos, cientistas e também por pacientes.
SERVIÇO DE DERMATOLOGIA DA POLICLÍNICA GERAL DO RIO DE JANEIRO Em dezembro, a PGRJ completou 140 anos de fundação. Com isso, foi realizado um evento para celebrar a data. Entre as atividades do evento, a dermatologia esteve presente na aula sobre "Dermatoscopia", com as professoras Manuela Boleira e Gabriella Campos.
DEPARTAMENTO
Departamento de Dermatologia e Medicina Interna da SBD
Em outubro, o coordenador do Departamento de Dermatologia e Medicina Interna da SBD, Paulo Criado, foi um dos homenageados pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) por sua colaboração na transmissão de conhecimento sobre aspectos da covid-19.
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