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JSBD v25 nº2 - mar/abr 2021

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JORNAL DA SBD

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Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia l Volume 25 - n.2 - março / abril - 2021

COVID-19 Sociedade Brasileira de Dermatologia esclarece sobre a relação entre manifestações cutâneas e covid-19 Curso de Capacitação em Hanseníase da SBD em parceria com o MS, Opas e DAHW Brasil beneficia centenas de profissionais da saúde

Manual de Teledermatologia orienta associados para atendimento à distância seguro e eficaz JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 1


DIRETORIA 2021/2022

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br

PRESIDENTE:

Mauro Yoshiaki Enokihara

SP

VICE-PRESIDENTE:

Heitor de Sá Gonçalves

CE

TESOUREIRO:

Carlos Baptista Barcaui

RJ

SECRETÁRIA-GERAL:

Cláudia Carvalho Alcantara Gomes

RJ

1o SECRETÁRIO:

Geraldo Magela Magalhães

MG

2º SECRETÁRIO:

Beni Moreinas Grinblat

SP

JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Vo l u m e 2 5 - n . 2 - m a r ç o / a b r i l - 2 0 2 1 Coordenador médico do Jornal da SBD Sérgio Palma | PE

Conselho editorial Mauro Yoshiaki Enokihara Heitor de Sá Gonçalves Cláudia Carvalho Alcantara Gomes Carlos Baptista Barcaui Geraldo Magela Magalhães Beni Moreinas Grinblat Jornalista responsável Erika Drumond - Reg. MTB 31.383/RJ

Redação e edição Erika Drumond Paulo Henrique de Souza Editoração digital Nazareno Nogueira de Souza

Contato publicitário Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas.

Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ - CEP: 20090-003 E-mail: imprensa@sbd.org.br

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J EDITORIAL

COMUNICAÇÃO EM SAÚDE EM TEMPOS DE PANDEMIA

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o auge da crise sanitária, a preocupação com a saúde da população por parte das entidades médicas é constante. Nesta edição do JSBD, mostramos que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) permanece engajada na promoção de esclarecimento aos pacientes quanto à relação entre as manifestações dermatológicas e a covid-19. O tema foi abordado amplamente por meio de nota técnica elaborada pela SBD e divulgada pela equipe de comunicação da entidade nos principais meios de comunicação. A matéria de capa aborda a revisão de estudos científicos dedicados ao tema. Outro assunto relevante nesta edição e que dialoga com a temática são os riscos da mucormicose em pacientes com covid-19. Na matéria, a coordenadora do Departamento de Micoses da SBD, Rosane Orofino, afirma que "o conhecimento da doença e dos fatores predisponentes, como o descontrole da glicemia e da cetoacidose, facilitam o diagnóstico e o tratamento precoces da mucormicose”. Na coluna “Entrevista”, a dermatologista Lília Guadanhim fala sobre suplementação oral de colágeno, um assunto bastante atual nos consultórios médicos. Em “Assuntos Institucionais”, você fica a par do Curso de Capacitação em Hanseníase da SBD em parceria com o Ministério da Saúde (MS), a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e a DAHW Brasil. O curso quer levar conhecimento sobre manejo, diagnóstico e tratamento da doença que ainda atinge

milhares de brasileiros. Todo ano, cerca de 30 mil novos casos de hanseníases são contabilizados pelo Ministério. Por meio do projeto, a SBD realiza esforço para conscientizar profissionais da saúde, disseminando entre eles conhecimentos para melhores condutas clínicas. Além disso, este número reúne outros assuntos importantes para o associado, como: o lançamento do Manual de Teledermatologia, que vem com indicações práticas para auxiliar os dermatologistas a realizarem assistência médica responsável por meio de tecnologias digitais; a mudança da EBSCO como plataforma exclusiva de atualização científica do associado; a relação entre os psicofármacos e a dermatologia; e um tema que tem gerado muita polêmica entre os especialistas: a apresentação de uma ferramenta pelo Google que ajudaria na identificação de lesões dermatológicas. Os eventos online também ganham destaque na edição. A propósito, fique atento às datas de inscrição do 13o Teraderm para não perder a oportunidade de se aprofundar com expoentes da área. A programação foi elaborada com bastante cuidado e está muito diversificada. Esperamos que você aproveite a leitura desta edição do JSBD. Até a próxima. Equipe JSBD JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 3


ASSUNTOS INSTITUCIONAIS

COM O APOIO DA SBD, DERMATOLOGISTAS CAPACITAM MÉDICOS E ENFERMEIROS DE SETE ESTADOS PARA O COMBATE À HANSENÍASE

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erca de 1 mil médicos e profissionais da Atenção Primária de sete estados brasileiros, além de dermatologistas de todo o País, serão beneficiados por um programa de capacitação em hanseníase promovido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com o Ministério da Saúde, a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e a DAHW Brasil, uma organização não-governamental de origem alemã. O projeto é totalmente online, devido às limitações impostas pela pandemia de covid-19. Os módulos preparados por médicos dermatologistas da SBD estão sendo exibidos à distância, em atividades mediadas por outros especialistas convidados. Nas dinâmicas, além da apresentação das aulas pré-gravadas, há interação com os participantes nos estados, que têm suas dúvidas respondidas em tempo real. Nesta fase, o público é composto por médicos, enfermeiros e agentes da Estratégia de Saúde da Família (ESF). 4 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

JULHO - Os encontros com os profissionais da Atenção Primária da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Pernambuco e Tocantins devem se suceder até a primeira quinzena de julho. Em cada oportunidade, são apresentadas seis aulas, que abordam diferentes tópicos sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de casos de hanseníase. Até o momento, já foram realizadas cinco transmissões dessa série. Nesta semana, acontecerão outras seis. Em julho, serão realizados três grandes encontros para os dermatologistas e residentes dos Serviços credenciados da SBD. As inscrições para essa atividade, que será gratuita, serão abertas nas próximas semanas. No grupo de professores envolvidos com este projeto de capacitação em hanseníase, estão Egon Daxbacher (RJ), Lúcia Martins Diniz (ES), Maria Araci Pontes (CE), Maria Eugenia Noviski Gallo (RJ), Maria Katia Gomes (RJ), Maria Leide Wand Del Rey de Oliveira (RJ), Maurício Nobre (RN) e Sérgio Palma (PE). Além deles, há ain-


ASSUNTOS INSTITUCIONAIS

Apesar de ser possível alcançar a cura e minimizar sequelas, nem todos os serviços da rede pública, em especial os da Atenção Primária, contam com médicos, enfermeiros e agentes capacitados para atuar na detecção e encaminhamento dos pacientes

da Heitor de Sá Gonçalves (CE) e Sandra Durães (RJ), responsáveis pela coordenação geral. INDICADORES - Dados epidemiológicos revelam a pertinência da iniciativa da Gestão 2021-2022 da SBD. No Brasil, foram diagnosticados 312 mil novos casos de hanseníase, entre 2010 e 2019. Os números do Ministério da Saúde indicam uma média de 30 mil registros por ano, um número que vem mantendo discreta queda, mas não ainda significativa para sugerir o controle ou declínio da doença no País. Independentemente disso, o Brasil continua na segunda posição no ranking mundial da hanseníase, atrás apenas da Índia. Do total dos 312 mil novos registros, no período analisado, 30% foram diagnosticados já com algum grau de incapacidade física, ou seja, apresentavam perda de força ou da sensibilidade em mãos, pés ou olhos, e 10% já manifestavam deformidades visíveis, com impacto na vida dos pacientes em situações de trabalho e na realização de atividades do dia a dia. A maior incidência da hanseníase no Brasil está nas áreas com menor índice de desenvolvimento humano (IDH). O Nordeste é a região que mais identificou casos novos, entre 2010 e 2019 (43% do total, o equivalente a 132,7 mil). Em seguida, vêm o Centro-Oeste, com 20% dos casos; o Norte (19%); e o Sudeste (15%). Apenas 4% dos novos pacientes registrados são do Sul do País.

PRECOCE - “Um dos principais problemas relacionados à assistência aos pacientes com a hanseníase é a dificuldade de se obter o diagnóstico e o tratamento precoces para a doença. Apesar de ser possível alcançar a cura e minimizar sequelas, nem todos os serviços da rede pública, em especial os da Atenção Primária, contam com médicos, enfermeiros e agentes capacitados para atuar na detecção e encaminhamento dos pacientes”, explica Heitor de Sá Gonçalves, que também é vice-presidente da SBD. Com o objetivo de suprir essa demanda a SBD idealizou este projeto, conta Sandra Durães, que ocupa a Coordenação do Departamento de Hanseníase da entidade. Com a mudança da abordagem da capacitação de presencial para online, ela afirma que a iniciativa ganhou folego e amplitude. O número de estados beneficiados dobrou e, com isso, mais profissionais receberão as orientações sobre o tema. “A queda nos indicadores de hanseníase no Brasil conta com a participação efetiva dos dermatologistas, que colaboraram com a estratégia de descentralização da assistência e têm capacitado profissionais da Atenção Primária nos últimos anos. Com o apoio da atual gestão da SBD, nossos especialistas poderão amplificar esta contribuição para reduzir o surgimento de novos casos. Assim, com a qualificação das equipes e a realização de campanhas de conscientização, como a do Janeiro Roxo, nossa meta ficará mais próxima”, ressalta Sandra Durães. j JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 5


ASSUNTOS INSTITUCIONAIS

SBD ANUNCIA QUE A EBSCO PASSA A SER PLATAFORMA EXCLUSIVA DE ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA DO ASSOCIADO

O

s associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) contam com uma nova plataforma exclusiva de acesso à informação e pesquisa científica na área da especialidade. Trata-se da EBSCO, cuja base de dados oferece, de forma gratuita e ilimitada, uma série de recursos para atender às necessidades de busca por conhecimento e de desenvolvimento profissional dos dermatologistas. A novidade acaba de ser anunciada pela Gestão 2021-2022. Para usufruir, basta entrar no site da SBD e fazer login na área restrita. O serviço pode ser acessado pelo desktop ou por meio de dispositivos móveis. O conteúdo disponível na EBSCO fornece informações necessárias para o aprimoramento do dermatologista, avaliam especialistas em ensino e pesquisa. “Convidamos nossos associados que se dedicam à investigação clínica e que procuram se manter atu6 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

alizados a respeito da produção científica em dermatologia a utilizarem essa nova plataforma. Essa é uma importante ferramenta de atualização profissional que objetiva também promover o atendimento de excelência ao paciente”, ressalta a coordenadora da Biblioteca da SBD, Clívia Oliveira. EDUCAÇÃO MÉDICA - A decisão de mudança representa uma ampliação nos investimentos em educação médica continuada para o associado, sobretudo por meio do compartilhamento de conteúdo científico de qualidade. Dentre os inúmeros recursos oferecidos pela EBSCO está o Dynamed, portal de medicina baseada em evidências, que reúne mais de 3 mil respostas rápidas e precisas para auxiliar o médico dermatologista nas decisões clínicas.


ASSUNTOS INSTITUCIONAIS A plataforma também disponibiliza o Medline Complete, que dá acesso aos principais periódicos da área da saúde. Dentre eles, estão mais de 2,4 mil indexados na Medline. Para orientar a pesquisa acadêmica, a EBSCO conta ainda com os e-books Clinical Collection. Esta coleção soma número superior a 4,1 mil títulos de diferentes especialidades médicas e mais de 5 mil periódicos completos e indexados, como o JAAD, British Journal e Jama Dermatology. DETALHAMENTO – A seguir, uma lista de serviços, produtos e funcionalidades oferecidos pela EBSCO: • Portal Médico com e-books, periódicos, teses, dissertações e ferramenta para tomada de decisão clínica; • Pesquisa integrada com portais de acesso aberto como ScieLo, DOAJ, PubMed, BDTD;

• Base com importante revistas dermatológicas (Journal of Drugs in Dermatology, Journal of Cosmetic Dermatology, Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, British Journal of Dermatology, e International Journal of Dermatology); • Calculadora Médica; • Ferramenta para compatibilidade de fármacos; • Ferramenta para interação medicamentosa; • Ferramenta para busca de fármacos; • Criação de alerta de pesquisa; • Criação de pasta; • Utilização de aplicativos;

• Biblioteca com mais de 4 mil livros eletrônicos;

• Tradução de artigos em HTML;

• Acesso a mais de 5 mil periódicos pela assinatura com editor;

• Ahead of print disponível; • Créditos em educação médica continuada; • Formatos de citação: ABNT, Vancouver etc.

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04 A 07 DE SETEMBRO DE 2021 www.sbd.org.br/eventos/

ONLINE

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DESTAQUE

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA DIVULGA NOTA TÉCNICA COM ESCLARECIMENTOS SOBRE A RELAÇÃO ENTRE MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS E COVID-19

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covid-19 pode gerar manifestações cutâneas em pacientes afetados pelo novo coronavírus, o que já pode ser comprovado por meio de exames como PCR, imunohistoquímica e microscopia eletrônica. As lesões de pele surgem em até quatro semanas depois do início dos sintomas gerais da covid-19, mas principalmente nas duas primeiras. Os quadros de exantema e urticária costumam ser mais precoces, com início concomitante aos sintomas gerais ou nos dois primeiros dias, embora existam relatos de surgimento tardio, até um mês depois. As manifestações vasculares, como pseudo-eritema pérnio, púrpura e necrose são tardias, ocorrendo em geral após a segunda semana de infecção. As conclusões fazem parte de documento divulgado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que fez uma revisão ampla de estudos científicos dedicados ao tema. O trabalho, que será disponibilizado aos especialistas, ressalta que as manifestações cutâneas, apesar de possíveis, são menos específicas do que outros sinais clínicos relacionados à covid-19, exigindo sempre uma avaliação criteriosa dos dermatologistas antes de sua classificação final. CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A assessora do Departamento de Medicina Interna da SBD, Camila Seque, responsável pela revisão, explica que a frequência das manifestações dermatológicas nos pacientes com covid-19 ainda é um dado bastante variável na literatura internacional. "Diferentes pesquisas estimam prevalências entre 0,2% e 45%. São inúmeros fatores que influenciam essa ampla variabilidade, tais como: a metodologia do estudo científico; o perfil epidemiológico das amostras; a avaliação presencial ou por telemedicina; a exclusão ou não dos diagnósticos diferenciais; entre outros", enumera. Segundo ela, no Brasil, até o momento não há estatística sobre esses achados. 8 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

SINTOMAS - Alguns estudos apontam a possibilidade das lesões cutâneas surgirem antes dos sintomas gerais da covid-19, ou seja, de serem os primeiros sinais da infecção. "Isso pode ocorrer entre 8 a 17% dos pacientes que desenvolvem quadro cutâneo", alerta Camila Seque. Segundo informa a nota técnica da SBD, nesses casos, as lesões de pele precedem em média três dias os sintomas gerais e os quadros de urticária são os mais relatados. "Tal dado é relevante, pois aponta para as manifestações cutâneas como possíveis marcadores iniciais da infecção por SARS-CoV-2, e ainda na fase pré-clínica, o que contribuiria para o diagnóstico precoce da covid-19", complementa o texto. A coordenadora Científica da SBD, Flávia Bittencourt, adverte que outro ponto controverso na literatura científica é a presença de lesões de pele como manifestação única da covid-19, ou seja, lesões cutâneas sem qualquer outro sintoma geral. "Até o momento, há poucos estudos que sustentem essa afirmação". Outro dado importante da nota técnica é sobre a relação entre as manifestações cutâneas e as formas leves e graves da doença. Segundo a especialista, elas podem se apresentar em ambas as formas, pois acometem diferentes perfis de pacientes. A nota técnica da SBD também aponta que as manifestações cutâneas mais comuns encontradas na literatura internacional como possível infecção pelo SARS-CoV-2 são: erupções máculo-papulares; urticariformes; tipo pseudo eritema pérnio; vesico-bolhosas; e livedo/necrose. "Vale ressaltar que até mesmo a frequência de cada um desses padrões é variável de acordo com cada estu-


Na literatura internacional como possível infecção pelo SARS-CoV-2 são: erupções máculo-papulares; urticariformes; tipo pseudo eritema pérnio; vesico-bolhosas; e livedo/necrose

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DESTAQUE

Alguns estudos apontam a possibilidade das lesões cutâneas surgirem antes dos sintomas gerais da covid-19, ou seja, de serem os primeiros sinais da infecção. Isso pode ocorrer entre 8 a 17% dos pacientes que desenvolvem quadro cutâneo

do. Grande parte das pesquisas de revisão sistemática relata maior frequência das erupções maculo-papulares (até 70%), seguida das lesões vasculares (incluindo pseudo eritema pérnio), enquanto outros relatam que o padrão mais comum seriam as lesões tipo eritema pérnio (até 75%). Já os quadros urticariformes, vesiculares e livedo/necrose parecem ser mais raros", salienta o texto. ALOPÉCIA - A revisão divulgada pela SBD aborda uma questão que pode ter relação com a maior susceptibilidade de adoecimento dos homens em relação às mulheres, inclusive com chance de evolução para a forma mais grave da doença, com risco de internação e óbito. De acordo com a dermatologista Camila Seque, uma possível explicação para essa predisposição do sexo masculino à infecção e ao pior prognóstico seria a associação entre a via dos andrógenos e a infectividade do SARS-CoV-2. Ele explica que um dos marcadores clínicos da expressão dos andrógenos é justamente a alopécia androgenética (AGA), que pode ser um possível fator de risco para a covid-19, uma vez que estudos observaram elevada frequência de AGA entre os homens internados por covid-19.

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Além disso, o uso de medicações antiandrógenas, amplamente indicadas nos casos de AGA, parecem ter um efeito protetor na doença, com redução dos sintomas e menores chances de necessitarem de cuidados em UTIs. Porém, a pesquisadora salienta que ainda não há estudos, com metodologia adequada, que demonstrem efetivamente se a introdução dessas medicações após o diagnóstico de covid-19 teria algum benefício terapêutico ou, até mesmo, risco adicional. EVOLUÇÃO - O tema deve gerar novos documentos. Segundo especialistas que acompanham a evolução da pandemia, por se tratar de uma doença recente, cujo conhecimento ainda está em construção, as informações sobre a covid-19 podem mudar em semanas ou meses. No caso das manifestações cutâneas, ainda há dúvidas sobre a real frequência das manifestações dermatológicas na covid-19, quais as mais relevantes e mecanismos fisiopatológicos envolvidos, entre outros. "Acompanhar o crescimento diário do conhecimento sobre a covid-19 em todas as áreas da medicina, inclusive na dermatologia, é uma excelente oportunidade de aprendizado e contribuição para sua construção, sempre com a esperança de que a ciência traga mais respostas que se reflitam em benefícios, tanto para os pacientes quanto para a sociedade", concluiu Camila Seque. j


ENTREVISTA

COLABORADORA DA UNIDADE DE COSMIATRIA DA ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA ESCLARECE PONTOS CENTRAIS SOBRE SUPLEMENTAÇÃO ORAL DE COLÁGENO

LÍLIA GUADANHIM Colaboradora da Unidade de Cosmiatria da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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ara esclarecer dúvidas recorrentes a respeito da suplementação oral de colágeno e, desse modo, auxiliar os dermatologistas brasileiros a conseguirem melhores resultados no tratamento de seus pacientes, o Jornal da SBD convidou para um bate-papo aprofundado UMA referência no assunto: Lília Guadanhim, colaboradora da Unidade de Cosmiatria da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na conversa, a especialista discorreu sobre: diferença entre os tipos de colágeno disponíveis; doses diárias recomendadas; associação da suplementação para tratamentos reumatológicos e para a pele; uso em pacientes com doenças preexistentes; suplementação combinada de colágeno com vitaminas; entre outros tópicos. Confira a seguir entrevista na íntegra:

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ENTREVISTA Jornal da SBD – Todos os colágenos são iguais ou existem diferenças em função do formato (cápsulas, pó e outros)? Existe uma opção mais indicada? LG – Quando o tema é colágeno, torna-se relevante sempre distinguir se estamos lidando com colágeno propriamente dito ou colágeno hidrolisado. O colágeno, em si, é uma molécula de alto peso, obtida a partir da gelatina. Em sua forma original, como colágeno não hidrolisado, ele tem 450 kilodaltons. Uma molécula com massa atômica que não consegue ser absorvida pelo organismo e, assim, não desempenha papel biológico. Costumo brincar: os pacientes que tomam colágeno não hidrolisado estão pagando caro para tomar gelatina. Para fins terapêuticos, é fundamental que primeiro ocorra o processo de hidrólise do colágeno, para sair dos 450 kilodaltons a um peso molecular que varia de três a seis kilodaltons. Nessa forma, sim, haverá peptídeos de colágeno, que conseguem ser bem absorvidos e desempenham papel biológico. Em relação à sua formulação, tanto faz se ele vem em forma de comprimido, balinha ou pó. A atenção deve estar voltada à dose. Os produtos que existem no mercado variam de 2,5g a 10g, o que é uma quantidade grande. É difícil conseguir colocar tudo isso em cápsula, por exemplo. Eu já ouvi depoimentos de pacientes que compraram colágeno fora do País e na embalagem a recomendação era tomar várias cápsulas ao dia, e eles não tomavam, por acharem excessivo. Isso é o que não pode. Tanto faz a forma de administração, desde que seja um produto com patente estudada e que o paciente respeite a prescrição indicada. É preciso saber qual é a característica de cada um dos produtos. Não necessariamente quanto mais, melhor. Jornal da SBD – Uma dúvida frequente sobre o colágeno vem de pacientes que já usam o produto para tratamento das articulações. Se o paciente já utiliza esse tipo de colágeno, ele pode tomar também o colágeno para a pele? LG – Sim. É possível fazer essa associação para pacientes que já usam o produto com foco no tratamento de articulações, ossos ou doenças reumatológicas. Essa associação não gera efeitos deletérios. É importante esclarecer que, quando o colágeno passa pelo processo de hidrólise, ele já pode gerar peptídeos com ação otimizada para pele, articulações e ossos. A partir daí, há formulações que direcionam efeitos mais específicos em algum dos tecidos. Só que não existe nada na literatura sobre benefícios de efeito cruzado. Mas, com base na minha experiência, acredito, sim, que os peptídeos usados com foco na saúde da pele também podem influenciar positivamente nas articulações, e vice-versa.

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Jornal da SBD – Um grupo específico de pacientes cada vez maior é o de pessoas veganas. Existe algum colágeno que não seja de origem animal para atender esse público? LG – Infelizmente, ainda não. O colágeno disponível no mercado é sempre obtido a partir de fonte animal. Vem da pele ou dos ossos de porcos, bois e peixes. No Brasil, há duas patentes principais e as origens são bovina e suína. Jornal da SBD – A partir de qual idade a reposição é recomendada? LG – Essa é uma das dúvidas mais frequentes. Eu ancoro a recomendação com base na literatura médica. Apesar de sabermos que o processo de envelhecimento começa de forma mais intensa em torno dos 25 anos, em geral, as pesquisas disponíveis sobre a suplementação oral de colágeno avaliam a faixa etária de 35 até 65 anos. Num estudo específico, há a análise de um subgrupo mostrando que, talvez, existam melhores resultados em pacientes acima dos 50 anos. Mas só um estudo aponta isso. Desse modo, de 35 a 65 anos, é o período com respaldo. De todo modo, não há contraindicação se quisermos começar a suplementação em pacientes mais velhos. Jornal da SBD – E por quanto tempo se mantém a suplementação? LG – O processo de envelhecimento é contínuo. Mas ressalto: segundo os estudos disponíveis na literatura, os acompanhamentos dessa suplementação são de oito a 12 semanas. Seguimentos mais longos acompanham os pacientes por até seis meses. Por isso, minha indicação é em torno de ao menos 12 semanas, para conseguir avaliar a terapêutica. Se a resposta for satisfatória, mantemos por mais tempo. Jornal da SBD – Existe algum risco para saúde? E restrição por interação medicamentosa? LG – Esse é um cuidado relevante. O colágeno é considerado um suplemento alimentar sem contraindicação. Ele é seguro, uma vez que não contém gorduras, carboidratos, colesterol e possui baixo risco alergênico. Inclusive, o Food and Drug Administration (FDA, nos Estados Unidos) classifica o colágeno como um produto Generally Recognized as Safe (GRAS). Eles partem do princípio que a suplementação é segura. Não há problema fazer em pacientes com doenças reumatológicas, doenças renais, nada disso. Jornal da SBD – A vitamina C ajuda na absorção? Há uma oferta considerável no mercado de produtos que associam o colágeno a outras vitaminas. Qual a recomendação?


ENTREVISTA LG – Precisamos observar esse ponto com atenção. Existe muito boato na internet e no boca a boca. A resposta científica é que a vitamina C é um fator importante para a síntese de colágenos, no entanto, a enorme maioria dos estudos só avalia a suplementação isolada de colágeno. Há pouquíssimas pesquisas que analisam essa suplementação combinada com outras vitaminas. Logo, não há na literatura essa recomendação. Além disso, sempre há o risco de hipervitaminose. Se fizer a reposição por um tempo maior, tem que estar atento a isso. Também precisamos lembrar que a suplementação de determinadas vitaminas em pacientes com predisposição a algumas doenças pode aumentar o risco de deflagração. Isso é válido para doenças cardiovasculares, alguns tumores. Por isso, é fundamental estar sendo acompanhado por um médico e avaliar a dose e o tempo. Jornal da SBD – Em relação ao horário de uso do colágeno? Deve ser tomado em jejum? LG – Quanto a esse ponto, não há recomendação técnica. Ele pode ser tomado depois do almoço, em jejum, tanto faz. Jornal da SBD – Os pacientes que já fazem uso de outros procedimentos que estimulam a produção de colágeno têm melhores resultados se associam à sua terapêutica a suplementação oral? LG – Racionalmente, faz todo sentido realizar um procedimento para estimular a produção de colágeno e associar a isso a suplementação oral. Há um estudo feito na Coréia, que avaliou esse resultado em oito pacientes submetidos ao laser fracionado não ablativo. Nessa pesquisa, o autor explica, inclusive, que no pós-procedimento de laser não ablativo os pacientes têm muita queixa de ressecamento e eritema. Logo, ele resolveu avaliar essa diferença entre quatro pacientes que receberam a suplementação, e outros quatro que não receberam. Ele introduziu a suplementação com peptídeos de colágeno duas semanas antes de realizar o procedimento e continuou duas semanas após. Apesar desse ter sido um estudo bem pequeno, a conclusão do autor é que a satisfação dos pacientes que receberam a suplementação foi bem maior e houve menores efeitos de ressecamento e eritema. Logo, essa associação faz sentido, mas ainda há poucos casos descritos. É um tema aberto. Jornal da SBD – Como é realizada triagem de pacientes para iniciar a suplementação? Qual a expectativa do tratamento? LG – A expectativa é algo fundamental a se alinhar com o paciente, antes de iniciar o processo. Há pacientes que se queixam de flacidez e celulites inten-

sas no rosto. Nesses casos, a suplementação com colágeno hidrolisado não vai resolver o problema. Por isso, eu gosto de demonstrar pontualmente o que existe reportado em termos de evidências para cada patente disponível no mercado. A partir daí, chegamos a uma conclusão em conjunto. Os registros indicam melhora em cerca de 28% da hidratação e 9% da densidade do colágeno dérmico, além de redução de 30% na fragmentação desse colágeno. Também há publicações indicando aumento da elasticidade, em média 7; diminuição do volume de rugas na região periocular; e em um estudo específico, com viés de condução, mas que faz biópsia por sucção da região periocular, mostra 65% de aumento do pró-colágeno tipo 1 e aumento de 18% da elastina. Esses são os benefícios que podemos esperar, pensando em envelhecimento. Há ainda um estudo sobre celulite, que costumo citar, porque mostra redução de 11% do relevo da pele. Entre melhorar 11% e olhar no espelho e enxergar isso de forma objetiva existe uma lacuna. Por isso, realmente é preciso alinhar muito bem com o paciente as expectativas. Se ele estiver de acordo com as evidências descritas do benefício, a suplementação surge, então. como opção. j *As respostas da médica foram elaboradas a partir dos seguintes estudos: sserin, J., et al. The effect of oral collagen peptide A supplementation on skin moisture and the dermal collagen network: evidence from an ex vivo model and randomized, placebo‐controlled clinical trials. Journal of Cosmetic Dermatology 14 (2015): 291-301. Choi, Franchesca D., et al. Oral collagen supplementation: a systematic review of dermatological applications. Journal of Drugs in Dermatology 18 (2019): 9-16. roksch, E. et al. Oral supplementation of specific P collagen peptides has beneficial effects on human skin physiology: a double-blind, placebo-controlled study. Skin Pharmacology and Physiology 27 (2014): 47-55. roksch, E., et al. Oral intake of specific bioactive P collagen peptides reduces skin wrinkles and increases dermal matrix synthesis. Skin Pharmacology and Physiology 27 (2014): 113-119. chunck, M. et al. Dietary supplementation with speS cific collagen peptides has a body mass index-dependent beneficial effect on cellulite morphology. Journal of Medicinal Food 18 (2015): 1340 - 1348. JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 13


COM A PALAVRA

MAGDA WEBER Professora adjunta da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

USO DOS PSICOFÁRMACOS NA DERMATOLOGIA

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esde março de 2020, no Brasil, convivemos com a pandemia causada pelo SARS-COV2, o que tem afetado os mais variados segmentos da sociedade, da medicina e da vida em geral. Na dermatologia não poderia ocorrer de forma diferente. Estamos frente a uma piora da qualidade de vida dos pacientes e a um aumento das dermatoses em geral (além das causadas pela covid-19) e também das psicodermatoses. Os efeitos psicossociais da pandemia, o aumento das dermatites de contato e outras dermatoses pelo uso de desinfetantes, lavagem frequente das mãos e de toda a pele, uso de EPIs, em especial nos trabalhadores da saúde, acesso limitado a consultas dermatológicas, distanciamento social são fatores que contribuem para uma piora da qualidade de vida dos pacientes. É fato que a pandemia do SARS-COV2 tem acarretado várias alterações psicológicas, incluindo ansiedade, depressão, medo acentuado, insônia e sentimentos de negação da doença. Cabe ao dermatologista, ao atender seus pacientes, atentar cuidadosamente neste momento aos sintomas e sinais destas alterações psicológicas, visando definir se são exclusivamente por conta de alguma dermatose ou se estão associados a alterações decorrentes da pandemia. 14 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

O uso de psicofármacos, que em muitas dermatoses é extremamente útil e indicado, deve ser avaliado cuidadosamente, com base nos sintomas e sinais psicológicos decorrentes da pandemia e dos sinais e sintomas das dermatoses específicas. Além disso, cabe lembrar que, na dermatologia, os pacientes cosmetológicos são um grupo que muitas vezes demandam um cuidado especial, sobretudo com relação à identificação dos transtornos dismórficos corporais. Esse grupo deve ser bem avaliado no atual momento para que não seja deixado sem diagnóstico, transtorno maior do que todos que já se fazem presentes durante este período excepcional dos dias de hoje. O dermatologista, como todos os trabalhadores da área da saúde, está diariamente sendo confrontado com novos desafios decorrentes da pandemia, novas dermatoses, novos conceitos. Trazer para o presente à luz destes novos conhecimentos conceitos dermatológicos já existentes e tratamentos já consagrados, se faz indispensável na contemporaneidade. As psicodermatoses e seu tratamento adequado não podem ser esquecidas e deixadas de ser tratadas adequadamente. j


COVID-19 - MUCORMICOSES

SBD ESCLARECE OS BRASILEIROS SOBRE OS RISCOS RELACIONADOS À MUCORMICOSE, DOENÇA OPORTUNISTA QUE PODE AFETAR PACIENTES COM COVID-19

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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulga nesta quarta-feira (2) esclarecimento à população sobre fungo causador de micoses que, de acordo com relatos clínicos científicos, podem afetar pacientes de covid-19 com problemas respiratórios e na pele. Segundo o Departamento de Micoses da SBD, a chamada mucormicose é uma doença oportunista que, em geral, não tem potencial patogênico. Ou seja, pessoas sadias entram em contato com os fungos, mas não ficam doentes. Contudo, organismos debilitados ficam suscetíveis a maiores complicações.

“O conhecimento da doença e dos fatores predisponentes, como o descontrole da glicemia e da cetoacidose, facilitam o diagnóstico e o tratamento precoces da mucormicose. Esse é o principal aliado para salvar vidas, pois essa micose oportunista tem progressão rápida e é muitas vezes fatal, com mortalidade em 40-50% dos casos. No Brasil, outras doenças do mesmo tipo, como a aspergilose invasiva e a candidíase sistêmica, são mais comuns do que a mucormicose nos pacientes com covd-19, sendo que também exigem atenção semelhante”, disse a coordenadora do Departamento de Micoses da SBD, Rosane Orofino. JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 15


COVID-19 - MUCORMICOSES

GRUPO DE RISCO - Os indivíduos mais vulneráveis à mucormicose são portadores de diabetes melito descompensado ou com cetoacidose. No grupo de risco, ainda estão usuários de corticoides de forma prolongada, além de pacientes com alguns tipos de câncer, queimados graves, portadores de feridas abertas e transplantados de órgãos sólidos. O aumento do ferro sérico e a diminuição dos linfócitos, que ocorrem na covid-19, também são fatores que predispõem a essa micose oportunista. “Há algum tempo a Índia vem relatando aumento dos números da mucormicose e curiosamente é também o segundo país em casos de diabetes melito do mundo, o que pode ser fator de predisposição ao seu surgimento. Dos 101 casos dessa micose oportunista relacionados à covid-19 descritos recentemente, 82 deles aconteceram na Índia”, lembrou Rosane Orofino. A apresentação clínica mais frequente da mucormicose é rino-ocular. Começa com edema (inchaço) e endurecimento da região nasal ou em volta dos olhos, dor na face e secreção nasal sanguinolenta. Essa doença pode rapidamente progredir para lesão cerebral e morte, se não houver diagnóstico e tratamento precoces. Os fungos entram nos vasos sanguíneos, causam embolia e infarto, levando à necrose tecidual. A maioria dos casos que chegam a acometer o cérebro são fatais. Pode ainda ter acometimento pulmonar ou de outros órgãos.

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SINTOMAS - Quando acomete os pulmões, os sintomas da mucormicose são parecidos com os da covid-19 (febre, tosse e falta de ar). O uso de corticoides, usados para diminuir a inflamação intensa em pacientes com o coronavírus, também pode ser um dos fatores envolvidos no aparecimento dessa micose oportunista. Sobre o tratamento, a SBD explica que ele consiste na retirada cirúrgica do tecido necrosado e infectado (desbridamento), o que ajuda na melhoria da cicatrização e na diminuição de secreções. Ainda é recomendado o emprego de antifúngicos sistêmicos em ambiente hospitalar, como anfotericina B, posaconazol e isavuconazol. Os fungos da Ordem Mucorales são adquiridos pela inalação de conídios (esporos). Estão presentes no ar, solo, material orgânico em decomposição e contaminam alimentos como frutas, pães etc. Os principais são Rhizopus sp, Mucor sp, Lichtheimia sp, Rhizomucor sp, entre outros, que não são pretos, como vem sendo divulgado pelos meios de comunicação. “Talvez a cor escura da lesão da pele e mucosa decorrente da necrose do tecido tenha levado a esse termo equivocado”, ressaltou a coordernadora do Departamento de Micoses da SBD. j


MÍDIA E SAÚDE

PARA ESPECIALISTAS, FERRAMENTA DO GOOGLE NÃO SUBSTITUIRÁ O PAPEL DO MÉDICO DERMATOLOGISTA NO DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS

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pesar de avanços tecnológicos que têm surgido, o papel do médico dermatologista ainda é fundamental para o diagnóstico de doenças que afetam pele, cabelos e unhas. Essa é a avaliação de especialistas no uso da telemedicina ao avaliar anúncio de lançamento de uma ferramenta pelo Google que ajudaria na identificação de lesões. O serviço, que se chama Derm Assist, pode entrar em operação até o fim do ano, nos Estados Unidos, mas ainda aguarda autorização da Food and Drug Administration (FDA), agência federal de saúde dos Estados Unidos. No Brasil, não há previsão de lançamento. O coordenador do Departamento de Teledermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Daniel Holthausen Nunes, considera que esse tipo de mecanismo pode ser útil, mas não substitui a atuação do médico no fechamento do diagnóstico sobre eventuais problemas. Segundo ele, o objetivo do Derm Assist é útil ao apontar possíveis doenças existentes, ficando a cargo do dermatologista confirmar, ou não, a suspeita. SOFTWARE - O Google explica que pelo Derm Assist o usuário poderá encaminhar fotos de sua erupção, lesão ou mancha para análise do software abastecido com imagens de referência de 288 doenças de pele. Após buscar correspondências, a ferramenta indica possíveis transtornos associados ao material enviado, mas não é capaz de fazer o diagnóstico definitivo. “Essa tecnologia pode acelerar a ida ao consultório médico, facilitando diagnósticos precoces, especialmente na triagem de lesões graves, como o câncer de pele, que

normalmente não causa sintomas evidentes nos primeiros momentos. Não é raro o paciente só buscar por um dermatologista quando a situação já está avançada, com prognóstico negativo”, disse Daniel Holthausen Nunes. Chao Lung Wen, responsável pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), reforça que a novidade não substituirá os dermatologistas. “Esse mecanismo não invadirá a responsabilidade e os cuidados médicos com os pacientes. Somente o médico pode assumir as condutas terapêuticas e o tratamento, traçando um raciocínio investigativo, a partir das informações clínicas de cada paciente, como o biótipo”, alerta. DEMOCRATIZAÇÃO – Questões éticas devem ser consideradas quanto ao uso de plataformas desse tipo, ressalta Chao Lung Wen. Na sua avaliação, a SBD pode assumir um papel importante, em nome da segurança da população, analisando – quando possível – a beneficência e a não-maleficência desta ferramenta, a partir dos preceitos da bioética. O especialista acredita que o médico moderno - com capacidade de análise crítica, investigativa e de comunicação –, com o suporte da tecnologia, pode ser capaz de aperfeiçoar sua relação de confiança com os pacientes, oferecendo assistência e contemplando aspectos de segurança, eficiência e empatia. “Assim, será viável promover maior comprometimento da população, por meio dessas condutas, ajudando-a a conhecer melhor sua saúde, as doenças e os autocuidados”, finaliza. j JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 17


MÍDIA E SAÚDE

SBD PUBLICA CARTILHA VOLTADA AOS ASSOCIADOS SOBRE LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS levar a identificação de uma pessoa natural, de maneira direta ou indireta, por referência a um nome, a um número de identificação ou a um ou mais elementos específicos da sua identidade física, fisiológica, psíquica, econômica, cultural ou social. A cartilha explica, ainda, qual é o papel, nesse contexto, da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão que zela pela proteção dos dados pessoais no Brasil. É esclarecido, então, que compete a ANPD fiscalizar e aplicar sanções em caso de descumprimento à legislação, sendo assim sua responsabilidade é definir, em regulamento próprio, como serão aplicadas essas sanções administrativas. As penalidades pelo descumprimento só passarão a ser aplicadas a partir de agosto deste ano, período estipulado para as empresas se adequarem às normas.

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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) publicou uma cartilha na qual esclarece os principais pontos e dúvidas a respeito da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD - Lei nº 13.709). O dispositivo, aprovado em 2018, está em vigência desde 2020, sendo que suas sanções entrarão em vigor a partir de 1º de agosto deste ano. O material voltado aos associados esclarece, principalmente, o que é a norma e suas implicações. A LGPD se aplica a pessoas jurídicas de direito público e privado, que realizam o tratamento de dados, como é o caso da SBD; bem como às pessoas físicas que têm seus dados coletados, independentemente do meio (físico ou digital), no país onde estejam ou onde estejam localizadas suas informações. DADOS PESSOAIS - O assunto é de suma importância, pois visa a segurança jurídica, padronizando normas e práticas e promovendo a proteção de dados pessoais de todos os cidadãos, em âmbito nacional. Nesse sentido, considera-se dados pessoais a informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável. Ou seja, quaisquer informações que possam 18 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

ASSOCIADOS – Nesse sentido, a SBD reafirma seu compromisso em empreender todos os esforços para garantir as medidas necessárias ao enquadramento e respeito à Lei nº 13.709/2018. Especialmente considerando o artigo 18, a entidade se coloca à disposição para qualquer esclarecimento sobre o tratamento de dados, sempre que requisitado pelos associados. A SBD ressalta ainda que, de acordo com a norma, são direitos da população em geral obter a qualquer momento e mediante requisição as seguintes respostas: confirmação da existência de tratamento e acesso a dados; correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados; anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com o disposto na Lei. Os cidadãos podem ainda solicitar a portabilidade dos dados a outro fornecedor de serviço ou produto, mediante requisição expressa e observados os segredos comercial e industrial, de acordo com a regulamentação do órgão controlador; a eliminação dos dados pessoais tratados com o consentimento do titular, exceto em hipóteses previstas na Lei; informação de entidades públicas e privadas com as quais o controlador realizou uso compartilhado de dados; e informação sobre a possibilidade de não fornecer consentimento e sobre as consequências da negativa. j


OUTROS OLHARES

SBD PREPARA LANÇAMENTO DO MANUAL DE TELEDERMATOLOGIA

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Documento trará orientações para atendimento à distância seguro e eficaz

ma publicação repleta de indicações práticas para auxiliar os dermatologistas brasileiros a realizarem assistência médica responsável, eficiente e humanizada, por meio de tecnologias digitais. Esse é o intuito do “Manual de Teledermatologia”, que será divulgado em breve pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O documento, com cerca de 80 páginas, traz orientações acerca das características inerentes ao atendimento à distância, quando realizado em sua forma síncrona ou assíncrona. Todo conteúdo tem como bases principais a legislação atualmente vigente no Brasil sobre o tema, assim como “a preocupação ética em fornecer as melhores práticas em saúde ao paciente”, frisa o coordenador do Departamento de Teledermatologia da SBD, Daniel Holthausen Nunes. CAPÍTULOS – Entre os tópicos abordados no Manual, há esclarecimentos sobre os tipos de teledermatologia existentes, com detalhes sobre as vantagens e limitações de cada método. Além disso, a publicação apresenta um breve relato histórico e uma série de apontamentos para a operacionalização eficiente e segura dessa metodologia: • Mídia training para teleatendimento; • Guia técnico; • Privacidade em ambiente virtual; • Plataformas seguras; • Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE);

• Procedimento pós-consulta; • E muito mais. A publicação traz ainda ilustrações, fotografias e quadros esquemáticos que visam facilitar o entendimento do leitor, detalhando temas como: criptografia de dados; cuidados com a captação da imagem; estruturação de laudo; e outros. Conforme salienta o presidente da SBD, Mauro Enokihara, em função da pandemia de covid-19, a telemedicina de modo geral se impôs como uma nova realidade, que vem exigindo rápida adaptação dos dermatologistas. “O intuito da SBD, por meio desse Manual, é elucidar ponto a ponto da teledermatologia, com proposições objetivas e práticas voltadas aos cuidados da pele, cabelos e unhas. É um compilado com as informações necessárias para realizar atendimento eficiente e seguro, com um olhar especial direcionado ao paciente”, sintetiza. O documento está sendo elaborado em parceria pelos dermatologistas: Daniel Holthausen Nunes, coordenador do Departamento de Teledermatologia da SBD; Fabiane Noronha Bergonse, mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Marcelo Caldeira Guimarães Wieser, ex-presidente da SBD-Resp; e Omar Lupi, ex-presidente da SBD. A revisão ficou a cargo do chefe da disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da FMUSP, Chao Lung Wen. j JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021 | 19


POLÍTICA E SAÚDE

BIOMÉDICA NÃO PODE REALIZAR PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS INVASIVOS, AFIRMA JUSTIÇA FEDERAL EM

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PROCESSO MOVIDO PELA SBD

s biomédicos não devem invadir a competência do profissional da medicina, devendo ficar restritos aos atos privativos de sua profissão. Esse argumento foi utilizado em decisão anunciada pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), a qual reafirmou decisão judicial anterior, proferida em primeira instância. O resultado representa uma vitória para a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que, por meio de seu Departamento Jurídico, apresentou denúncia de invasão de competência junto ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, a partir de um caso específico. Como resultado dessa representação, o MP ajuizou ação civil pública para impedir uma biomédica acusada de realizar procedimentos estéticos. Já no pedido de liminar, a Justiça havia se manifestado favoravelmente ao pleito da SBD. Naquela decisão já ficava determinado que a profissional não-médica se abstivesse, em sua clínica ou qualquer outro local de atendimento ao público, de ofertar procedimentos estéticos invasivos sem supervisão médica. De acordo com o Departamento Jurídico da SBD, apesar da decisão ser aplicada apenas o caso analisado, ela serve de parâmetro para denúncias e julgamentos. MULTA - Dentre os serviços que ela ficou proibida de oferecer estavam: preenchimento facial e labial, toxina botulínica, mesoterapia, escleroterapia, depilação a laser, radiofrequência, peeling de diamante, peeling químicos, ultrassom, carboxiterapia, máscara de LED, drenagem linfática, laser CO2 fracionado, luz intensa pulsada, criolipólise e fio de sustentação. No 20 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

caso de descumprimento da determinação da Justiça, a biomédica ficou sujeita à multa de R$ 2 mil para cada hipótese de descumprimento. Diante da liminar favorável à SBD, a biomédica recorreu ao Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, sendo que o juiz Sérgio Renato Tejada Garcia negou o pedido de recurso. Na sua argumentação, o magistrado destacou que os atos administrativos do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), que permitem a realização de procedimentos estéticos por profissionais desta categoria, desrespeitam leis federais. Extrapolação - O magistrado destaca que a Resolução nº 241/14 e as Normativas nº 03, 04 e 05/2015, todas da CFBM, não observam o que está previsto na Lei nº 6.684/79, que condiciona o biomédico a realizar atividades para as quais está legalmente habilitado sob a supervisão de um médico. Além disso, pontuou o juiz, a Lei nº 12.842/2013 preceitua que os procedimentos estéticos invasivos são atividades privativas de profissionais da medicina. No entendimento dele, os atos publicados pelo CFBM extrapolam seu limite de regulamentação. “A SBD tem se mantido vigilante contra abusos cometidos por profissionais de outras categorias, numa ação contínua de combate ao exercício ilegal da medicina, especialmente na área da estética. Desde 2017, a entidade já protocolou mais de 1,2 mil denúncias contra profissionais não médicos pela prática de irregularidades, sendo que muitas delas se transformaram em ações civis públicas, como a que foi julgada pelo TRF4”, ressaltou o Geraldo Magela Magalhães, 1º-secretário da SBD da Gestão 2021-2022. j


EVENTOS

NO ENCERRAMENTO DE SIMPÓSIO DE CABELOS E UNHAS, DERMATOLOGISTAS SÃO CONVIDADOS A PARTICIPAREM DE PRÓXIMOS EVENTOS DA SBD

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s dermatologistas têm três grandes encontros marcados com o aperfeiçoamento técnico científicos nos meses de junho e de julho. O informe foi dado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Mauro Enokihara, no encerramento do Simpósio de Cabelos e Unhas, realizado entre os dias 27 e 29 de maio, em conjunto pela SBD e SBD Regional São Paulo (SBD-RESP).

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA SBD PARA JUNHO E JULHO Segundo ele, os associados devem reservar espaço em suas agendas para participarem do Conexão SBD – Edição especial sobre biológicos, em 5 de junho; do II Simpósio de Cirurgia Micrográfica, em 19 de junho; e do 13º Teraderm, de 2 a 4 de julho. “Estas atividades oferecem aos especialistas acesso a conteúdo atualizado e relevante neste momento de pandemia. Independentemente dos problemas em curso, os dermatologistas precisam estar preparados para responder às necessidades dos pacientes”, disse.

O Simpósio de Cabelos e Unhas abordou avanços e atualizações da especialidade sobre estes temas, a partir da análise de pesquisas e novas abordagens terapêuticas. Mais de 80 palestrantes brasileiros e estrangeiros, com experiência em doenças capilares e ungueais, trouxeram nesta nova edição discussões sobre questões relacionadas a essas duas áreas fundamentais à dermatologia.

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EVENTOS

CURSOS DE APROFUNDAMENTO - Biópsia de leito ungueal com punch leito, envelhecimento capilar e doenças inflamatórias foram alguns dos temas abordados. Além disso, seis cursos de aprofundamento também fizeram parte da programação científica, lançando luzes sobre aspectos da alopecia areata, dermatoscopia nas unhas, alopecia frontal fibrosante, alopecia androgenética masculina e feminina e cirurgia de unhas em consultório. Durante o encontro, também merecem destaque as homenagens feitas a três especialistas que atuam na área de cabelos e que possuem as maiores publicações internacionais: Rodrigo Pirmez, Paulo Muller Ramos e Daniel Fernandes Melo; além do dermatologista Ival Peres Rosa, chefe do Serviço do 22 | JSBD Volume 25 l N. 2 - 2021

Hospital do Servidor de São Paulo, pela sua contribuição à dermatologia brasileira. Ao final, a dermatologista Aline Donati recebeu agradecimento especial pelo trabalho desenvolvido na organização do Simpósio. Além dela, participaram desse processo de coordenação do evento: Fabiane Brenner, Alessandra Anzai, Priscila Kakikazi, Nilton Gioia Di Chiacchio e Nilton Di Chiachio. “Foram três dias de aprendizado contínuo e dinâmico, com espaço para muita troca de experiências e acesso a conteúdo repleto de inovações úteis à prática médica”, sintetizou Fabiane Brenner, que fez um lembrete aos que participaram: o conteúdo gravado ficará disponível aos inscritos por mais 30 dias, após o encerramento do evento. j


EVENTOS

COM CENTENAS DE INSCRITOS, 43º DERMATROP REFORÇA PREOCUPAÇÃO DA SBD COM TEMAS LIGADOS À SAÚDE PÚBLICA

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ais de 800 inscritos, 28 palestrantes e uma programação científica multidisciplinar e aprimorada. Esse é o saldo do 43º Simpósio de Dermatologia Tropical (Dermatrop). O evento, realizado em formato online pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), nos dias 21 e 22 de maio, discutiu as principais novidades a respeito do diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas, parasitárias e outros temas que impactam a saúde pública do país. “A aceitação do público foi a melhor possível”, sintetizou o presidente da SBD, Mauro Enokihara.

Numa avaliação direta sobre a relevância do Dermatrop, ele também fez questão de frisar que o evento atende justamente à preocupação da SBD com o ensino, o aprendizado e a pesquisa em dermatologia em todos os campos da especialidade, sendo direcionado aos profissionais de todas as gerações. A coordenação do 43º Dermatrop da SBD ficou a cargo dos especialistas Mauro Enokihara; Heitor de Sá Gonçalves (vice-presidente da SBD); Sinésio Talhari (um dos idealizadores do evento); e Sérgio Palma.

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EVENTOS

“O evento acontece há mais de 40 anos, com apenas duas interrupções ao longo desse período. Sem dúvida é um dos encontros mais tradicionais da dermatologia brasileira, com contribuições para o aprimoramento do atendimento e para a ampliação dos estudos das dermatoses que tanto acometem as populações negligenciadas do nosso país”, disse. TROPICAL - O vice-presidente da SBD, Heitor Gonçalves de Sá, salientou que a atual gestão da SBD tem trabalhado em diversas frentes para promover o resgate da dermatologia tropical aplicada às doenças negligenciadas. O esforço visa fortalecer o especialista da entidade e reforçar a dermatologia clínica e sanitária do Brasil. Segundo adiantou, ao longo deste ano serão implementadas diferentes ações voltadas às doenças tropicais. Entre elas, a capacitação em hanseníase para dermatologistas que atuam nesta área, por meio do programa de atenção básica e estratégia de saúde da família de diferentes estados brasileiros; a criação de nova Campanha de Hanseníase; e ainda a realização do Simpósio Internacional de Hanseníase, programado para agosto. “São projetos que visam cumprir uma das muitas vocações técnicas científicas da entidade, que é a área de doenças tropicais, bem como seu papel como instituição civil responsável por apoiar a saúde pública brasileira”, salienta Heitor Gonçalves de Sá.

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TEMAS - O total de 31 temas sobre micologia, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), infectologia e outros ganharam destaque durante os seis blocos de programação científica do 43° Dermatrop. O encontro também contou com duas sessões de discussão de casos clínicos dos Serviços Credenciados. Nelas, os especialistas trocaram experiências e ampliaram sua capacidade diagnóstica e terapêutica das doenças tropicais. Além disso, durante todo o evento os participantes puderam esclarecer as dúvidas dos congressistas por meio de um chat exclusivo. “A importante adesão dos dermatologistas neste evento mostrou o alto interesse em aprimorar conhecimentos a respeito de atuais tratamentos e condutas de dermatoses mais prevalentes nas populações negligenciadas. Nosso compromisso, ao promover eventos de alta qualidade técnica como este, é de incentivar a educação médica continuada, sempre pensando em oferecer o melhor tratamento possível ao paciente”, disse o presidente da SBD. j


EVENTOS

EM FORMATO ONLINE, 13º TERADERM ACONTECE EM JULHO COM PROGRAMAÇÃO ATENTA ÀS NOVIDADES EM TERAPIAS DERMATOLÓGICAS

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s mais descobertas nas áreas de cosmiatria e tricologia, bem como abordagens recentes no tratamento de doenças, serão destaque na programação do 13º Teraderm, organizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O encontro acontece de 2 a 4 de julho, ainda em formato virtual, mas com a proposta de manter o tradicional dinamismo nos debates, mas sem abrir mão da qualidade das abordagens.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA E INSCREVA-SE Dentre os temas em perspectiva no 13º Teraderm estão: gestão de consultório na pandemia, uso de minoxidil oral nas alopecias, a relação entre covid-19 e manifestações cutâneas, emprego de tecnologia 4D, transtorno dismórfico corporal e transgêneros; e prescrição de imunobiológicos. No total, serão abordados mais 20 temas relacionados à vivência em consultório. Além disso, haverá simpósios satélites diariamente disponíveis aos inscritos. DÚVIDAS - Para estimular a interação, serão disponibilizados canais para que os participantes enviem perguntas aos palestrantes e coordenadores. “O objetivo é garantir que haja efetivamente a possibilidade de sanar dúvidas, em tempo real”, complementa John Veasey, coordenador do 13º Teraderm.

O presidente da SBD, Mauro Enokihara, ressalta que a organização do encontro sinaliza o compromisso da Gestão 2021-2022 com a qualificação do médico dermatologista. “Apesar da do distanciamento físico, a SBD oferece opções de educação continuada. Neste sentido, o Teraderm é um exemplo de como unir a modernidade das tecnologias de comunicação à melhor tradição do ensino médico”, disse. A Comissão Organizadora lembra ainda que o conteúdo gravado durante o 13º Teraderm ficará disponível por mais 30 dias aos inscritos, após a realização do evento. Isso permitirá aos interessados rever apresentações preferidas. Além de John Veasey compõem o grupo de coordenadores, os seguintes dermatologistas: Clarisse Zaitz, Jayme de Oliveira Filho e Ricardo Shiratsu. A coordenação científica da SBD está a cargo de Flávia Vasques Bittencourt. j

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SÃO PAULO A SBD-Resp comunica a reformulação da plataforma de atualização científica Dermatoflix. A partir deste ano, ela passa a ser gratuita e atualizada semanalmente com conteúdos rápidos e voltados para responder as dúvidas mais frequentes do cotidiano médico. A plataforma está organizada por áreas de interesse, como: cabelos, oncologia, cosmiatria, doenças infecciosas, e o conteúdo disponível em diferentes formatos, como vídeos educacionais, entrevistas, casos clínicos dos Serviços Credenciados e podcasts. Além disso, uma vez por mês, ocorre um encontro ao vivo, sempre aos sábados das 8h às 12h, com um bate-papo e dica prática dos maiores experts de São Paulo. Trata-se do Resp em Casa, que também pode ser acessado dentro do Dermatoflix. Acesse já e atualize-se: www.dermatoflix.com.br

RIO DE JANEIRO A Regional Rio de Janeiro convida para o 14º Simpósio de Cosmiatria e Laser. Este ano, o evento acontecerá no formato online nos dias 25 e 26 de junho, 24 e 25 de setembro e 3 e 4 de dezembro. A programação de junho contemplará painéis sobre temas como nutracêuticos em cosmiatria; controvérsias em fotoproteção; dermocosméticos e fórmulas magistrais: seu papel no receituário; melasma; entre outros destaques. Ao se inscrever uma única vez, o associado garante vaga nas seis datas do evento. Além disso, todo o conteúdo será gravado e disponibilizado por 30 dias no portal SBD-RJ. A programação completa pode ser conferida em: www.sbdrj.org.br ARTE DE FORMULAR – A nova edição do curso será realizada no dia 21 de agosto. Será uma oportunidade para o médico dermatologista

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personalizar o tratamento, aumentar a adesão à terapêutica e otimizar o uso das medicações. Entre os temas abordados estão princípios da formulação e bases dermatológicas, com as doutoras Deborah Marques e Gabriela Deutsch, e veganos, naturais ou biocosméticos: o que a cosmetologia verde já tem a oferecer, com a médica Daniele Balbi. Para inscrições e outros detalhes, acesse: www.sbdrj.org.br


SERVIÇOS CREDENCIADOS UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ (UNITAU) – SP No final do mês de março, Flávia Regina Ferreira assumiu o comando do Serviço de Dermatologia do Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT/Unitau), após vinte e dois anos como assistente do ambulatório, sob a chefia de Samuel Henrique Mandelbaum. A Profa. Flávia, o Dr. Samuel e a Dra. Fátima Maria de Oliveira Rabay fundaram em 1999 o Serviço que hoje já conta com 20 turmas formadas e é referência para todo o Vale do Paraíba Paulista e Litoral Norte. “Uma história de muito trabalho e muita luta, mas também de muitas vitórias e alegrias. Agradeço ao Dr. Samuel Henrique Mandelbaum por toda a confiança ao longo desses anos e todos os ensinamentos recebidos. Agradeço também a acolhida dos demais chefes de Serviço da Sociedade Brasileira de Dermatologia”, disse a Profa. Flávia. No último dia 9 de maio, o Serviço de Dermatologia da Unitau, com seu residente Fábio Augusto Peroni Garcia, conquistou o primeiro lugar no concurso de casos clínicos do evento RESP em Casa, da Regional São Paulo da SBD. SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO – RJ O Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro informa que desde o início de fevereiro disponibiliza à população o setor de ultrassonografia. O atendimento ocorre às 2ª e 5ª feiras no período da tarde. Além disso, cursos presenciais e online estão sendo programados e vários trabalhos desenvolvidos neste novo espaço, que está sob a chefia do dermatologista Estêvão Vargas. O Serviço comunica ainda que o 35º Congresso da AEAPA foi mais um sucesso de público, tendo reunido 820 participantes para atualização e reciclagem por meio de seis cursos online. Pela primeira vez, o encontro foi realizado em formato bilíngue.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP O mês de março marcou o início da sexta turma do estágio de aperfeiçoamento em dermatologia da Santa Casa de São José dos Campos, em São Paulo. Após prova de acesso, os alunos iniciaram o seu primeiro ano de suas atividades, num total de três anos. Iniciado em 2016, o estágio do Serviço de Dermatologia foi o passo inicial do Instituto de Ensino e Pesquisas da Santa Casa de São José dos Campos.

No dia 1º de março foi realizada a cerimônia de abertura das atividades letivas, com o encontro de todos os residentes, professores e diretores da Santa Casa. Da esquerda para direita estão as residentes: Ediane de Pinho Nishimoto, Diana Harumi Sasaki e Marcela Romanelli Freire Rezende Moratori.

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DEPARTAMENTO

FOTOBIOLOGIA O Departamento de Fotobiologia realizou live no início de abril para atualização sobre o tema e divulgação do Manual Prático de Fototerapia da SBD, que está à disposição dos associados na área restrita do site. O encontro contou com a participação de 250 interessados. Durante a live, os associados puderam enviar suas dúvidas para os especialistas via chat. “Temos respondido

às questões dos associados, e breve faremos um simpósio com foco principalmente nos Serviços Credenciados e seus respectivos responsáveis pela fototerapia. Estamos, também, programando uma pesquisa para conhecer que associados trabalham com fototerapia no Brasil”, adianta a coordenadora do Departamento de Fotobiologia da SBD, Ivonise Follador.

DEPARTAMENTO DE LASER Por Por Luis Torezan (coordenador) e Paulo Barbosa (assessor) No dia 18 de maio, o Departamento de Laser da SBD realizou um simpósio online por meio da plataforma do Conexão SBD, contando com duas abrangentes exposições teóricas. Na primeira aula “Rejuvenescimento da face e pescoço com Laser e Radiofrequencia microagulhada (RFMA)”, proferida pela médica Maria Luiza Freitas, foram abordadas a utilização dos lasers ablativos, não ablativos, luz intensa pulsada, laser de picossegundos e RFMA. A segunda exposição, realizada pela doutora Daniela Pimentel, destacou o tema “Ultrassom microfocado isolado e em combinação com outras técnicas no rejuvenescimento da face e pescoço”. Da mesma maneira, foi uma aula didática e bastante abrangente, mostrando os melhores resultados e indicações, complicações, assim como a combinação da técnica com bioestimuladores, preenchedores e toxina botulínica. Após as exposições, ocorreu rica discussão com todos os membros do Departamento e sob coordenação geral do 1º secretário da SBD, Geraldo Magela Magalhães. Cabe ressaltar, que o Simpósio de Laser fica gravado na plataforma Conexão SBD para posterior acesso dos associados. A iniciativa da SBD na realização desses eventos científicos deve-se ao incansável trabalho da atual Diretoria, que visa à participação ativa dos associados, sobretudos dos mais jovens. Nossa intenção, nesse Simpósio de Laser, foi promover a

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interação de experts com dermatologistas que já trabalham ou que ainda possuem dúvidas na utilização de diversas técnicas associadas a laser e outros aparelhos. De capital importância, a nosso ver, é a adesão dos associados ao programa Conexão SBD. Por meio dele, são oferecidos cursos didáticos, gratuitos e com relevante conteúdo, sempre mostrando isenção aos conflitos de interesse e colaborando, de maneira assertiva e isenta, para o embasamento e enriquecimento científico dos nossos associados, sobretudo dos mais jovens. Infelizmente, nos dias atuais, vivemos uma enormidade de cursos paralelos ao programa Conexão SBD, que tentam absorver os associados com propostas, conteúdo e grupos de discussão. Enfatizamos, no entanto, que nossa sociedade conta com mais de 10 mil associados e luta incansavelmente pelo aprimoramento científico dos seus membros. Aproveitamos para comunicar que o Departamento de Laser da SBD tem como intenção futura a organização de um canal de comunicação dentro do site da SBD, para assessorar e auxiliar os associados na venda, compra e locação de aparelhos das diversas tecnologias disponíveis e aprovadas no mercado brasileiro. A coordenação do Departamento está sob responsabilidade de Luis Torezan e tem como assessores Paulo Barbosa, Daniela Pimentel e Maria Luiza Pires de Freitas.


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JSBD v25 nº2 - mar/abr 2021 by Sociedade Brasileira de Dermatologia - Issuu