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JSBD v24 nº4/5 - jul/out 2020

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JORNAL DA SBD

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Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia l Volume 24 - n. 4 e 5 - julho / outubro - 2020

CONSELHO DELIBERATIVO DA SBD APROVA OS RESULTADOS ALCANÇADOS PELA GESTÃO 2019-2020

A REINVENÇÃO DA CIÊNCIA COM O FENÔMENO DAS LIVES

CRENÇAS PESSOAIS EXPLICAM A FORÇA DO MOVIMENTO ANTIVACINA NO PAÍS JSBD Volume 24

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DIRETORIA 2019/2020

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br

PRESIDENTE:

Sérgio Palma

PE

VICE-PRESIDENTE:

Mauro Yoshiaki Enokihara

SP

TESOUREIRO:

Egon Luiz Rodrigues Daxbacher

RJ

SECRETÁRIA-GERAL:

Cláudia Carvalho Alcantara Gomes

RJ

1ª SECRETÁRIA:

Flávia Vasques Bittencourt

MG

2º SECRETÁRIO:

Leonardo Mello Ferreira

ES

JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Vo l u m e 2 4 - n . 4 e 5 - j u l h o / o u t u b r o - 2 0 2 0 Coordenador médico do Jornal da SBD Caio Castro | PR

Conselho editorial Sérgio Palma Mauro Yoshiaki Enokihara Egon Luiz Rodrigues Daxbacher Cláudia Carvalho Alcantara Gomes Flávia Vasques Bittencourt Leonardo Mello Ferreira

Jornalista responsável Erika Drumond - Reg. MTB 31.383/RJ Redação Erika Drumond Paulo Henrique de Souza

Editoração digital Nazareno Nogueira de Souza, Carlos Caldas e Bruno Abraão de Souza Contato publicitário Priscila Rudge Simões

A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas.

Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ - CEP: 20090-003 Email: imprensa@sbd.org.br

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EDITORIAL

NOVA EDIÇÃO DO JSBD DESTACA O FUTURO DA MEDICINA DIGITAL

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m tempos de quarentena, as transmissões ao vivo, ou as lives, se tornaram nova maneira de interagir com o público e dar visibilidade a diferentes tipos de atividades. Durante todo esse tempo de isolamento, grande quantidade de pessoas foi mobilizada na web para assistir a todos os tipos de debates, palestras, aulas, eventos de música, de cinema, de saúde e muitos outros. No Brasil, esse tipo de transmissão ganhou tanta força, que o país domina o ranking mundial de lives no Youtube, no caso de eventos e shows musicais. Independentemente do tipo de conteúdo, as transmissões ao vivo são uma forma de promover um sentimento de comunidade em períodos de pandemia. Além de um modo de realizar parcerias para que artistas e outros profissionais de áreas diversas continuem mostrando seu trabalho. No campo da ciência, as lives também se destacaram levando conhecimento aos médicos e profissionais de saúde. No caso da SBD, desde abril, a instituição tem promovido semanalmente lives ao vivo sobre diferentes temas da dermatologia e muitos com significativa audiência. Dessa forma, tanto médicos dermatologistas quanto a população puderam durante essas iniciativas trocar informações e esclarecer suas dúvidas. Sobre o tema, esta edição apresenta duas matérias: uma com o resumo das 12 lives promovidas de agosto até início de novembro pela SBD, e outra sobre a visão do Conselho Federal de Medicina (CFM) a respeito desse tipo de transmissão ao vivo para o acesso à informação e sua difusão. A edição traz também considerações relevantes sobre a relação entre doenças dermatológicas/saúde mental/ pandemia, como a tricotilomania e sua relação com a Covid-19. Para falar sobre o assunto, a equipe convidou mais uma vez a psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Carmita Abdo. Segundo a especialista, a combinação do uso de medicamentos e terapia cognitivo-comportamental leva a melhores resultados, mas para isso o paciente precisa desejar iniciar o tratamento. Neste número ainda apresentamos matéria sobre o movimento antivacinas no país, um assunto tão relevante quando necessário, sobretudo em um momento mundial em que as informações oficiais sobre saúde se chocam continuamente com as fake news. Por que nos últimos tem-

pos as vacinas têm sido mais temidas do que as doenças? Como médicos e profissionais de saúde devem se preparar para reforçar a importância da vacinação e como os movimentos antivacinas podem ser um entrave no enfrentamento ao novo coronavírus? Essas e outras questões foram respondidas pela dermatologista Cecília Bortoletto. “Se os movimentos antivacinas, por meio dos seus sites e das redes sociais, divulgarem informações falsas sobre as novas vacinas, será que conseguiremos imunizar uma parcela importante da população mundial para que possamos construir o ‘novo normal’?”, ela questiona. A entrevista está muito elucidativa e didática, com a médica desenhando a situação atual do país e do mundo em relação à necessidade da imunização, entre outros pontos. Outro assunto importante abordado nas páginas a seguir diz respeito a Reunião do Conselho Deliberativo, realizada no final de outubro. A avaliação positiva de atividades comandadas pela atual gestão foi a marca do encontro online. Com a participação dos delegados, representando a entidade nacional e suas filiadas estaduais, houve um debate bastante participativo sobre questões importantes para a especialidade em diferentes áreas, como fluxos administrativos, defesa profissional, ensino médico e formação de especialistas. Elogiado pela organização, eficiência e dinâmica dos debates, o formato online contou com a aprovação de 92% dos que acompanharam o encontro. O anúncio dos aprovados no TED 2020 está disponível na edição; assim como o lançamento, em outubro, da terceira edição do Consenso Brasileiro de Psoríase e do Manual de Fototerapia da SBD. Os documentos podem ser acessados na área restrita do nosso site. Por fim, gostaríamos de lembrar que o novo aplicativo da SBD está disponível para download nas lojas da Apple Store e Google Play. Por meio da ferramenta, é possível acessar a timeline dos eventos e interagir ao vivo com a Sociedade. Para nós, é muito importante esse feedback do trabalho realizado para você. Espero que goste da edição e boa leitura! Equipe Editorial JSBD Volume 24

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ASSUNTOS INSTITUCIONAIS

SBD LANÇA AULAS ONLINE SOBRE TEMAS EM DERMATOSCOPIA PARA ASSOCIADOS

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emas em Dermatoscopia. Esse é o tópico norteador da nova iniciativa online voltada para atualização científica que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lança nesta semana, de forma totalmente gratuita, para seus associados. Elaborada para aprimorar os conhecimentos dos especialistas de forma ágil e prática, a ação traz uma série de aulas com duração média de 10 minutos, que ficarão disponíveis para acesso remoto na área restrita do site da entidade. CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O CURSO A 1º secretária da SBD e coordenadora do projeto, Flávia Vasques Bittencourt, salienta que o conteúdo dessa iniciativa foi desenvolvido de modo a apresentar aos médicos aulas objetivas e dinâmicas sobre Dermatoscopia, que podem ser assistidas conforme a demanda de cada especialista, sem a obrigatoriedade de seguir uma sequência pré-definida. “O primeiro módulo é composto por 13 aulas, com abordagens sobre nove temas, desse método diagnóstico de interesse de todo dermatologista, principalmente para a detecção precoce do câncer de pele, fator preponderante para a boa evolução do paciente. Sem perder o rigor exigido pela SBD, o formato mais curto das apresentações traz praticidade a quem acompanha as atualizações técnicas e, dessa maneira, o conteúdo pode ser acessado em qualquer lugar ou momento”, destaca. Temário – As aulas do primeiro módulo disponibilizado pela SBD abordam os seguintes temas: “A escolha do dermatoscópio, parte I e II”; “Carcinoma basocelular, parte I e II”; “Ceratose seborreica, parte I e II”; “Dermatoscopia região palmo-plantar, parte I e II”; “Lesões queratinocíticas”; “Melanoma extensivo superficial”; “Melanoníquia estriada”; “Nevo de Spitz”; e “Nevos melanocíticos”. Além disso, segundo a proposta do projeto, ao longo das semanas novos temas devem ser incorporados paulatinamente. 4 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

Conforme reforça o vice-presidente da SBD e presidente eleito para a Gestão 2021-2022, Mauro Enokihara, a produção de conteúdo para o aperfeiçoamento profissional corresponde a uma das funções primordiais da entidade: levar ensino e qualificar seus associados. “A dermatoscopia é fundamental aos dermatologistas, pois é o principal método que nos auxilia no diagnóstico diferencial dos mais variados tipos de lesões de pele. Além disso, com o avanço dessa área, esse instrumento tem sido empregado com sucesso na condução de várias outras doenças, como psoríase, escabiose e micoses. Atenta à necessidade constante de atualização, a SBD empreende mais essa ação de capacitação em prol de seus especialistas”, afirma. Expositores - Na condução das explanações científicas, além de Flávia Vasques Bittencourt, que também é professora associada da UFMG, e de Mauro Enokihara, dentre os expositores estão alguns dos principais especialistas da SBD na área de visualização da pele para rastreio e avaliação de lesões. No grupo, ainda estão: Bianca Soares Costa Sá, dermatologista do Núcleo de Câncer de Pele do Hospital A. C. Camargo Center; Carlos Barcaui, professor associado da UERJ; Guilherme Gadens, preceptor do ambulatório de Dermatoscopia Digital da Santa Casa de Curitiba; Renato Bakos, professor associado da UFRS; e Sérgio Hirata, professor adjunto da Unifesp. “Selecionamos alguns dos especialistas mais gabaritados do país para contribuir com a formação dos dermatologistas brasileiros. De maneira bastante prática, com exposição de casos clínicos e comentários oportunos, cada aula foi cuidadosamente desenvolvida para aprimorar a análise de aspectos clínicos e dermatoscópicos na busca por um diagnóstico. Certo da qualidade empreendida, convido todos a conhecerem mais essa iniciativa da nossa Sociedade”, concluiu o presidente da SBD, Sérgio Palma.


ASSUNTOS INSTITUCIONAIS

COM ÊXITO NA APLICAÇÃO DE PROVA ONLINE, A SBD CONCLUI PROCESSO PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ESPECIALISTA EM DERMATOLOGIA

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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) informa que foi realizada no domingo (11/10), entre 9h e 12h30, a segunda e última da etapa para a prova de Título de Especialista em Dermatologia (TED). Pela primeira vez, esse exame foi conduzido em formato online. Na oportunidade, não houve registro de intercorrências, como problemas de conexão, quedas de energia e ou dificuldade de navegação pelos candidatos na plataforma do exame. Todos os candidatos concluíram a avaliação. O gabarito preliminar do exame teve divulgação em 13 de outubro, pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), responsável pela organização dos trabalhos. Por sua vez, as notas atribuídas aos candidatos na prova teórico-prática serão divulgadas até 28 de outubro. A relação dos aprovados e o gabarito oficial definitivo foram anunciados em 5 de novembro. Todas essas informações poderão ser obtidas ao acessar o endereço eletrônico www.gestaodeconcursos.com.br.

Pandemia - A decisão de realizar a segunda etapa da prova em formato online foi consequência da necessidade de seguir as determinações das autoridades sanitárias em função da pandemia de Covid-19. Inicialmente prevista para 19 de abril, na cidade de São Paulo (SP), ela foi adiada em março, logo após a decretação da emergência epidemiológica. Diante desse quadro, a SBD e a Comissão de Título de Especialista em Dermatologia (TED) buscaram alternativas que preservassem o bem-estar, a saúde e a vida dos candidatos e, ao mesmo tempo, lhes oferecessem ambiente adequado para participar de um processo de avaliação segundo critérios de transparência, isonomia e legalidade. A SBD recomenda aos candidatos e outros interessados no tema que acompanhem a divulgação de outras informações sobre a segunda etapa do TED 2020 por meio do seu site ou da plataforma da Fundep.

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LIVES SBD

APRENDIZADO E CAPACITAÇÃO: SBD LIVE DIVULGA CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS PARA DERMATOLOGISTAS DE TODO O BRASIL Até então já foram realizados mais de vinte encontros, sempre às terças-feiras, com o objetivo de aperfeiçoar conhecimentos dos especialistas sobre vários temas

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esde abril, a SBD tem promovido uma série de encontros online, o SBD Live. A atividade contempla em uma plataforma digital exclusiva diversos assuntos da dermatologia, com a participação de renomados especialistas em debate sobre os avanços e as atualizações na área. “A missão do projeto SBD Live é disseminar conhecimento e contribuir para o aprimoramento dos dermatologistas brasileiros, especialmente nesse período de crise. Essa é mais uma iniciativa da diretoria e dos Departamentos Científicos pela valorização dos associados. De forma geral, temos registrado audiência e repercussões bastante positivas. Por isso, convidamos todos os especialistas a continuar prestigiando as lives semanais da SBD”, afirma o presidente da SBD, Sérgio Palma, que atuou como moderador na maioria dos encontros. Até então foram realizados 22 webinares − na última edição do JSBD mostramos o resumo dos onze primeiros. Neste número, você saberá um pouco mais sobre o que aconteceu nas lives realizadas de agosto a novembro. Quem perdeu ou deseja rever os debates basta acessar a plataforma de webinares da SBD. No início de agosto, a SBD promoveu o debate sobre as tecnologias fracionadas. 12 O ponto central do encontro, em parceria com a Lummex Medical Devices, comparou o uso de tec6 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

nologias fracionadas no tratamento de estrias, cicatrizes, envelhecimento e outros problemas da pele. Participaram a coordenadora do Departamento de Lasers e Tecnologias da SBD, Taciana Dal’Forno Dini; a chefe do Ambulatório de Lasers do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), Juliana Jordão; e a coordenadora do Ambulatório de Cosmiatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiza Pitassi. Após as apresentações, os especialistas esclareceram as diferentes dúvidas encaminhadas pelos espectadores da live. Dentre as questões respondidas destacaram-se a diferença entre os resultados da luz intensa pulsada e do laser fracionado ablativo no tratamento de estrias; uso do laser para rejuvenescimento facial em pacientes com melasma e a utilização da radiofrequência cirúrgica. Saiba mais em: https://www.sbd.org.br/noticias/ tecnologias-fracionadas-sao-comparadas-na-12-edicao-do-sbd-live/ A live do dia 11 de agosto orientou dermatologistas na retomada dos atendimentos 13 em consultório, com ênfase na realização de procedimentos estéticos. A atividade contou com o patrocínio da Allergan Aesthetics. No encontro, a professora adjunta de dermatologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Daniela Antelo reforçou a necessidade de estabelecer protocolos de pré-atendimento, no intuito


LIVES SBD de fornecer, por meio das tecnologias digitais de comunicação, indicações úteis aos pacientes, como a obrigatoriedade do uso de máscaras. Já o assessor do Departamento de Lasers e Tecnologias da SBD Geraldo Magalhães Magela comentou aspectos de biossegurança para o médico e demais colaboradores, abordando o uso e manuseio de EPIs em procedimentos cosmiátricos com injetáveis, lasers e demais tecnologias. A live também teve a participação do presidente da SBD, Sérgio Palma, que fez a abertura do encontro. No final das apresentações, os especialistas responderam às questões encaminhadas pelos espectadores da live, entre elas: o que fazer quando o paciente chega ao consultório com febre; durabilidade das máscaras N95; e realização de procedimentos com tecnologias ablativas. Saiba mais em: https://www.sbd.org.br/noticias/covid-19-seguranca-na-retomada-dos-atendimentos-dermatologicos-e-discutida-em-nova-edicao-do-sbd-live/. O uso de injetáveis foi o tema da live realizada no dia 26 de agosto. Na moderação do 14 encontro, o presidente Sérgio Palma ressaltou a importância da boa relação entre médico e paciente antes de realizar qualquer procedimento estético. Os associados puderam se aprofundar no assunto e tirar dúvidas com a coordenadora e duas assessoras do Departamento de Cosmiatria da SBD, Alessandra Romiti, Sylvia Ypiranga e Patricia Ormiga, respectivamente. Ao final das apresentações, os especialistas responderam ainda às perguntas dos espectadores sobre escolha de ácido hialurônico; utilização de cânula de preenchimento; uso da toxina botulínica no contorno facial; entre outros temas. Saiba mais em: https:// www.sbd.org.br/noticias/no-14-sbd-live-dermatologistas-discutem-o-uso-de-injetaveis-e-a-importancia-da-relacao-medico-paciente/. O encontro ocorrido no dia 1º de setembro, reuniu a dermatologista Débora Ormond, 15 membro da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD e da Câmara Técnica de Dermatologia do CFM; a advogada Mariely Ferreira Macedo, coordenadora do Departamento Jurídico do Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT); o 3º vice-presidente do CFM e coordenador do processo de revisão do Manual de Publicidade Médica da Codame, Emmanuel Fortes; o consultor jurídico da SBD, Alejandro Bullon; além do presidente da SBD, Sérgio Palma, para a discussão sobre defesa profissional e marketing médico. A edição ofereceu atualização de conhecimento aos associados durante a vigência das medidas de distanciamento social, impostas pela pandemia de Covid-19 e estimulou o debate em torno de questões relacionadas às regras de publicidade e propagan-

da médicas. A promoção de produtos cosméticos dentro das clínicas; uso de redes sociais no marketing médico; divulgação de resultados sensacionalistas; exposição de dados de pacientes na internet foram alguns temas em pauta. Saiba mais em: https://www.sbd.org.br/noticias/em-live-a-sbd-recolhe-subsidios-para-levar-propostas-para-revisao-de-regras-de-publicidade-medica/. Com o tema “Nutroterapia do envelhecimento cutâneo”, a edição realizada no dia 8 16 de setembro contou com palestras da assessora do Departamento de Cabelos e Unhas Tatiana Gabbi; e da assessora do Departamento de Dermatologia Geriátrica Marcelle Nogueira. A moderação foi feita pelo presidente da entidade, Sérgio Palma. No início de sua apresentação Tatiana Gabbi falou sobre o expossoma. Segundo a especialista, desde o nascimento até a morte somos expostos a diversos fatores internos e externos que influenciam as funções biológicas e mecânicas de todos os nossos órgãos. Na sequência, Marcelle Nogueira falou sobre a importância de buscar a segurança para o paciente em relação ao tratamento de antienvelhecimento. A oxidação, ela explicou, serve para uma série de sinalizações intracelulares importantes para processos vitais. O encontro contou com o patrocínio da Nestlé Healthy Science. Saiba mais em: https://www. sbd.org.br/noticias/na-16-edicao-do-sbd-live-participantes-discutiram-a-influencia-da-nutroterapia-no-envelhecimento-cutaneo/. A 17a edição do SBD Live, realizada em 15 de setembro, debateu os conceitos gerais, a 17 barreira cutânea e o microbioma na dermatite atópica. No mês de setembro, cabe lembrar, a SBD realizou uma série de ações relativas à dermatite atópica, cujo dia mundial, 14 de setembro, foi comemorado. Participou dessa live a assessora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD Clarissa Prati. Após as exposições da convidada, o diretor financeiro da SBD, Egon Daxbacher, juntamente com o presidente da entidade, Sérgio Palma, mediou as questões enviadas pelos espectadores. Entre os tópicos abordados com a especialista, estão questões como, orientações sobre o banho; uso de hipoclorito de sódio; qual sabonete syndet é mais adequado para qual momento; o uso de probióticos; a alergia alimentar e a DA; e quais óleos usar pré e pós-banho. Saiba mais em: https://www. sbd.org.br/noticias/17-edicao-do-sbd-live-aborda-os-conceitos-gerais-a-barreira-cutanea-e-o-microbioma-na-dermatite-atopica/.

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Aspectos da imunologia da dermatite atópica (DA) foram debatidos na 18ª edição do JSBD Volume 24

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LIVES SBD SBD Live, ocorrida no dia 22 de setembro. Caracterizada por lesões e erupções na pele a doença afeta a qualidade de vida do paciente e pode estimular problemas como insônia, ansiedade e depressão. A iniciativa recebeu o apoio da AbbVie. A aula expositiva foi conduzida pela dermatologista Ana Paula Galli Sanchez, e a mediação pelo professor adjunto de dermatologia da Santa Casa de Curitiba e coordenador do JSBD, Caio de Castro, e pelo presidente da SBD, Sérgio Palma. De acordo com Ana Paula, a DA está geralmente associada a níveis elevados de IgE no sangue e pode ocorrer simultaneamente com outras doenças inflamatórias do tipo 2, tais como a asma e a rinite alérgica. A especialista citou estudos que destacam outros subtipos de LT (além dos LTh2) responsáveis pela manutenção do processo inflamatório, como os LTh22. Além disso destacou que na dependência da idade, da fase do processo inflamatório e da etnia do paciente, os LTh17 e os LTh1 podem participar da resposta imunológica. Saiba mais em: https://www.sbd.org.br/noticias/aspectos-da-imunologia-da-dermatite-atopica-foram-debatidos-na-18-edicao-do-sbd-live/. Em live aberta ao público, especialistas da SBD elucidaram mitos e verdades sobre a 19 dermatite atópica no encontro promovido em 23 de setembro, Dia de Conscientização sobre a doença. A iniciativa contou com o apoio da AbbVie e teve transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da SBD. Milhares de pessoas assistiram à apresentação com a participação da assessora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD Clarissa Prati, do dermatologista Guilherme Muzi e do presidente da SBD, Sérgio Palma, que atuou como moderador da conversa. O presidente abriu o debate salientando que ao longo daquele mês a SBD promoveu ampla campanha sobre a doença em todos os seus canais de comunicação “a fim de sensibilizar os brasileiros para esse problema. A dermatite atópica pode atrapalhar muito a qualidade de vida dos pacientes quando não é adequadamente acompanhada”, observou. Durante o bate-papo, foram abordados diversos mitos e verdades, e durante as apresentações discutidas questões como a relação entre o estresse e a DA; se só crianças apresentam a doença; as manifestações da doença de acordo com a faixa etária; o elo entre DA e infecções de vias aéreas superiores; a necessidade de dietas restritivas. Também se falou sobre a relação entre o clima e a DA; a confusão entre dermatite e eczemas; manifestações no couro cabeludo; e o tratamento da doença em peles negras, entre outros assuntos. Saiba mais em: https://www.sbd.org.br/noticias/em-live-aberta-ao-publico-especialistas-da-sbd-elucidam-mitos-e-verdades-sobre-a-dermatite-atopica/. 8 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

Especialistas debateram proteção solar e antioleosidade na 20a edição do SBD Live, 20 em 29 de setembro. Em formato de simpósio patrocinado, a atividade reuniu Marco da Rocha, preceptor do Ambulatório de Cosmiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Sérgio Schalka, diretor clínico do Medcin − Instituto da Pele; e Cristina Vendruscolo, gerente científica da Nivea Brasil. Casos desafiadores de melanoma ganharam destaque na live do dia 13 de outubro. 21 A atividade levou aos espectadores atualização científica com base na exposição de casos clínicos reais, de difícil resolução, verificados no dia a dia do consultório de especialistas com ampla experiência no diagnóstico precoce do câncer da pele. A mediação das explanações técnicas ficou sob responsabilidade do vice-presidente da SBD e presidente da próxima gestão da entidade, Mauro Enokihara. Também participaram do evento compondo a mesa de debate: Flávia Bittencourt, 1ª secretária da SBD e chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG); Mariana Dias Batista, membro do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês e da Beneficência Portuguesa de São Paulo; e Tatiana Cristina Blumetti, médica assistente do Núcleo do Câncer de Pele do Hospital AC Camargo Cancer Center. A 22ª edição do projeto SBD Live destacou o rejuvenescimento da região periorbitária com laser e tecnologias. A moderação esteve a cargo do presidente da SBD, Sérgio Palma, e da coordenadora do Departamento de Lasers e Tecnologias da entidade, Taciana Dal’Forno Dini. Na condução das explanações científicas, participaram Rachel Garcia (RS) e Shirlei Borelli (SP), médicas que possuem grande expertise no manejo de tecnologias em tratamentos faciais.

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Um novo debate científico sobre o melanoma marcou a primeira semana de novembro do SBD Live. Conduziram as explanações técnicas o professor associado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Carlos Barcaui; a dermatologista do A. C. Camargo Cancer Center, Adriana Mendes; e o cirurgião oncológico e o oncologista clínico do Hospital Sírio Libanês, respectivamente Francisco Belfort e Rodrigo Munhoz. A coordenação do encontro ficou sob a responsabilidade do vice-presidente da SBD, Mauro Enokihara.

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DESTAQUE

CONSELHO DELIBERATIVO DA SBD APROVA OS RESULTADOS ALCANÇADOS PELA GESTÃO 2019-2020

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Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Dermatologia se manteve reunido por mais de oito horas para avaliar diversos relatórios de trabalho apresentados pela Diretoria, Comissões e Departamentos da entidade. O encontro, que pela primeira vez na história aconteceu à distância, em formato online, no dia 18 de outubro, das 9h às 17h, marcou a apresentação dos resultados do balanço dos dois anos de trabalho da Gestão 2019-2020. O presidente da SBD, Sérgio Palma, e a secretária-geral, Cláudia Carvalho Alcantara Gomes, abriram as atividades com exposições destacando as iniciativas comandadas pela Sociedade, ao longo de 2019 e de 2020. Ações em áreas como defesa profissional, atuação político-institucional, educação continuada, modernização administrativa e comunicação estratégica foram abordadas, apontando os benefícios atingidos em cada uma. Diretoria - Todos os diretores da SBD participaram da reunião. Em estúdio montado no Rio de Janeiro (RJ), além do presidente e da secretária-geral, estava o diretor-financeiro, Egon Daxbacher, que posteriormente falou de ações sob o prisma econômico. Por meio de plataforma de conversação, compareceram o vice-presidente, Mauro Yoshiaki Enokihara, já eleito para ocupar a presidência na Gestão que se inicia em janeiro de 2021; a 1ª secretaria, Flávia Vasques Bittencourt; e o 2º secretário, Leonardo Mello Ferreira.

Elogiado pela organização, eficiência e dinâmica dos debates, o formato online contou com a aprovação de 92% dos que acompanharam o encontro. Apesar de que muitos ainda entendem que reuniões presenciais devem voltar a ser realizadas após o fim da pandemia, o resultado indica que, mesmo à distância, é possível atingir efetividade nesse tipo de evento. Avaliação - Com representantes de todos os estados, a reunião do Conselho Deliberativo foi cenário para uma minuciosa avaliação dos últimos meses de atividades. A maioria dos que acompanharam a discussão destacou a boa condução da SBD no período de 2019 e 2020, ressaltando os esforços dos seus diretores para ampliar serviços e benefícios aos associados, defender os interesses da especialidade (em diferentes instâncias) e qualificar a atuação dos dermatologistas, mesmo durante a pandemia de Covid-19. Além das manifestações ao longo do dia, essa percepção se materializou na aprovação dos sucessivos relatórios que trouxeram informações sobre como a SBD, por meio de suas Comissões e Departamentos, desenvolveu esforços nos campos do ensino médico, científico e da titulação de especialistas, entre outros. Os comentários apresentados durante os debates trouxeram contribuições para o aperfeiçoamento dos trabalhos de agora em diante.

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DESTAQUE Contas - Da mesma forma, durante a reunião do Conselho Deliberativo da SBD foi aprovada a prestação de contas apresentada pela Gestão 2019-2020. Os participantes reconheceram os esforços dos diretores, em especial de Egon Daxbacher, para trazer maior eficiência no uso dos recursos dos associados. Isso ficou comprovado pelas medidas que trouxeram economia, mas também asseguraram investimentos importantes em produtos, que facilitam a relação dos especialistas com a Sociedade, e em serviços, como realização de cursos e eventos que oferecem aos participantes acesso à atualização de conhecimentos. Os diretores acompanharam todas as sessões, distribuídas ao longo do dia, apresentando os esclarecimentos solicitados. De forma geral, o grupo manifestou sua satisfação com os avanços alcançados e acredita que a SBD tem condições de dar continuidade às experiências exitosas e desenvolver outros projetos. Alinhados com a instituição, manifestaram apoio à Gestão 2021-2022, sob a coordenação do paulista Mauro Enokihara. Empenho - No encerramento, o presidente Sérgio Palma agradeceu ao apoio dos outros membros da Diretoria, dos presidentes de Regionais e dos coordenadores de Departamentos e Comissões que contribuíram com a Gestão que termina em dezembro. Também ressaltou o empenho dos funcionários e colaboradores, bem como das entidades parceiras e dos apoiadores da SBD. “Não podemos esquecer do incentivo e da compreensão oferecidos por nossas famílias e amigos durante esse período de intenso trabalho. Afinal, foram generosos em entender nossas ausências e a necessidade de concentrar nossos esforços em prol desse projeto coletivo. A eles e elas, muito obrigado”, frisou. Conselho Deliberativo elege novo editor dos ABD e integrantes de quatro Comissões técnicas da SBD O dermatologista Sílvio Alencar Marques, de São Paulo, foi eleito pelo Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para ocupar o cargo de editor científico dos Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD), a principal publicação técnica da especialidade no país. Ele recebeu o apoio dos participantes da reunião, que aconteceu no domingo (18), por meio de videoconferência. Reconhecido pelo trabalho realizado ao longo de sua trajetória, terá pela frente a missão de ampliar a repercussão dos ABD junto à comunidade acadêmica e aos pesquisadores da especialidade. O eleito possui graduação em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (1973). Tem mestrado (1982) e doutorado (1988) em medicina (dermatologia) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É professor titular da Faculdade de Me10 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

dicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, desde 2011. Comissões – Além deste cargo, outros seis foram motivo de votação na reunião do Conselho Deliberativo. As vagas eram para quatro comissões técnicas e científicas da SBD. O Conselho avaliou as credenciais de 13 dermatologistas na disputa pelas posições. Em votação secreta, os eleitos foram escolhidos por maioria simples. Luna Azulay Abulafia, do Rio de Janeiro, foi eleita para integrar a Comissão de Título de Especialista em Dermatologia (TED). Ela é professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do curso de pós-graduação do Instituto de Dermatologia Prof R D Azulay, na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Atualmente, chefia o Serviço de Dermatologia da UERJ. A escolhida para compor a Comissão Científica da SBD foi a dermatologista Ediléia Bagatin, de São Paulo. Graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba (PUC-SP), em 1979, possui mestrado e doutorado, pela Unifesp, respectivamente, em 1985 e 1994. Para compor a Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD, foi eleita a dermatologista Érica de Oliveira Monteiro, de São Paulo. Ela atua como médica colaboradora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ensino - A Comissão de Ensino da SBD ganhou três novos membros, eleitos durante a reunião do Conselho Consultivo. São eles: Paulo Roberto Lima Machado, da Bahia; Pedro Dantas Oliveira, de Sergipe; e Luciana Archetti Conrado, de São Paulo. A votação se deu em três turnos, sendo que os nomes saíram de uma lista inicial com seis candidatos. O dermatologista Paulo Roberto Lima Machado se graduou na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1983. Sua trajetória inclui mestrado e doutorado na UFBA, em 1997 e 2003, respectivamente; e mestrado em epidemiologia clínica, na Weill Cornell Medicine, em Nova York (EUA), em 2014. Por sua vez, Pedro Dantas de Oliveira se graduou em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina, em 2006. Tem doutorado em medicina e saúde pela UFBA (2015). É supervisor adjunto do Programa de Residência Médica de Dermatologia do Hospital Universitário da UFS (serviço credenciado), desde 2018. Quem venceu o pleito para a terceira vaga na Comissão de Ensino foi a dermatologista Luciana Archetti Conrado, formada em medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em 1989. Possui mestrado (1999) e doutorado em dermatologia pela Universidade de São Paulo.


ENTREVISTA

CRENÇAS PESSOAIS EXPLICAM A FORÇA DO MOVIMENTO ANTIVACINA NO PAÍS CECÍLIA BORTOLETTO Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

Por que nos últimos tempos as vacinas têm sido mais temidas do que as doenças? Como médicos e profissionais de saúde devem se preparar para reforçar a importância da vacinação e como os movimentos antivacinas podem ser um entrave no enfrentamento ao novo coronavírus?

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onsiderados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos maiores riscos à saúde no mundo, os movimentos antivacinas têm tomado proporções inimagináveis – ao contrário do que ocorre em países europeus e nos Estados Unidos, não existe um movimento antivacina estruturado no Brasil, mas sim fragmentado e impulsionado pelas redes sociais. E em tempos de pandemia do novo coronavírus e de retorno de doenças já controladas, como o sarampo e a febre amarela, a ideia de que alguém ou um grupo possa ser contrário à imunização é um risco para a população mundial. Essa situação, contudo, tem acontecido com frequência. E uma das causas é a forte concorrência entre informações oficiais sobre problemas de saúde pública e as fake news (notícias falsas) que desacreditam

a eficácia e segurança das vacinas. No entanto, sem as vacinas, possivelmente não estaríamos vivos em um mundo repleto de doenças. A dermatologista Cecília Bortoletto, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que, embora muito se fale sobre o assunto de alguns anos para cá, essa oposição às vacinas não é exatamente um fenômeno recente – na realidade, teve início com a introdução da vacina de varíola no final do século 18. “Trabalhos recentes mostram que as crenças e os argumentos dos movimentos antivacinas mantiveram-se inalterados nos dois últimos séculos, mas as mídias sociais facilitaram a disseminação das informações contra as vacinas. E apesar do grande impacto da ação preventiva na saúde individual e coletiva, o JSBD Volume 24

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ENTREVISTA número de indivíduos que questiona sua importância e se recusa a ser vacinado ou a vacinar seus filhos tem aumentado nos últimos anos”, pontua. No Brasil, embora não existam dados precisos que mostrem a quantidade de pessoas ou grupos que tenham aderido ao movimento, a preocupação com seu impacto entre os profissionais de saúde é crescente. Cecília menciona que na página da Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo, a infectologista Silvia Regina Marques, responsável pelo Departamento de Infectologia dessa instituição, comenta que “entre os possíveis fatores para a queda nas coberturas vacinais, estão a falsa ideia de que não é mais preciso se vacinar, o desconhecimento dos esquemas vacinais recomendados, a falta de tempo e profissionais de saúde insuficientes para atender à demanda e sem a devida capacitação”. Silvia afirma, ainda, que a “atitude referente às vacinas varia de aceitação à recusa total, mas é, principalmente, no grupo intermediário a esses dois, o da hesitação, que nós, profissionais de saúde, devemos atuar para incrementar essas taxas de cobertura”.

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Afinal, por que as vacinas têm sido mais temidas do que doenças? Podemos destacar alguns motivos, como a crise de confiança na ciência, nas instituições e no jornalismo como discurso da verdade. A busca pela informação com base em crenças, posicionamentos, desejos e preferências pessoais ou de grupos restritos está cada vez em mais em evidência na sociedade atual. Isso é explicado a partir das mídias sociais que criam bolhas afetivo-informacionais pautadas pela lógica do algoritmo: as pessoas buscam informações que reforcem seus preceitos, ainda que sejam mensagens com desinformação. Faz parte da dinâmica social contemporânea acreditar mais no que diz um membro da família, por exemplo, do que obter informações de fontes oficiais. Essa lógica atual baseada na experiência pessoal da realidade impede a compreensão da verdade como evidência científica. É sempre bom lembrar que respeitar a vacinação é responsabilidade coletiva, social e de respeito à vida. A seguir, Cecília elucida um pouco mais o assunto e levanta, principalmente, a questão sobre como os médicos devem lidar com pacientes que não acreditam na importância das vacinas.

Se os movimentos antivacinas, por meio dos seus sites e das redes sociais, divulgarem

informações falsas sobre as novas vacinas, será que conseguiremos imunizar uma parcela importante da população mundial para que possamos construir o “novo normal”?

JSBD. Como os médicos devem lidar com pacientes que declaram não pretender tomar vacinas? Cecília Bortoletto: Os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, que mantêm contato direto e frequente com pais, têm um papel fundamental na manutenção da confiança nas vacinas e são considerados a principal e mais confiável fonte de informação para os pacientes. O médico, na sua formação, é preparado para saber sobre anatomia, fisiologia, doenças e tratamentos, e na nossa for12 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

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mação na graduação aprendemos quais vacinas são necessárias, em quais períodos devem ser tomadas, quais seus efeitos colaterais e as consequências da não vacinação. Não podemos esquecer, porém, que os pacientes do século 21 não são os mesmos de 20 anos atrás. Cada vez mais nossos pacientes são participantes ativos na consulta médica, e muitas vezes já chegam nos nossos consultórios com uma lista de exames necessários para confirmar o diagnóstico feito pelo do “Dr. Google”, ou por meio de sites não mé-


ENTREVISTA dicos. Esse comportamento tem se tornado cada vez mais frequente nos últimos anos. Cabe a nós, profissionais da área da saúde, ouvir e esclarecer nossos pacientes se essas informações não científicas compartilhadas nas redes sociais são verdadeiras ou não, sempre nos baseando, é claro, em evidências científicas. Na construção dessa nova forma de relação médico/ paciente, mais do que nunca, precisamos ouvir nossos pacientes – no caso das crianças, seus pais – antes de julgar ou criticar, para que possamos, de fato, construir argumentos, aprimorando, assim, a forma de comunicação que poderá melhorar a confiança nos tratamentos que indicamos, incluído o que tange à necessidade da vacinação. O acolhimento durante a consulta é peça fundamental para que também possamos ser ouvidos pelo paciente. JSBD. Que argumentos são imprescindíveis para abrir os olhos dos pacientes que pertencem ao movimento antivacina? CB: Estar preparado para responder às dúvidas sobre as vacinas é fundamental. O profissional de saúde que foi vacinado, seus conhecimentos sobre o assunto e a sua própria confiança nas vacinas são fundamentais para orientar seu comportamento na indicação das vacinas aos seus pacientes. Em uma revisão de 185 artigos sobre hesitação vacinal entre profissionais da saúde feita em 2016, evidenciou-se que o conhecimento sobre as vacinas, sua eficácia e segurança constrói a confiança do profissional e suas indicações. Segundo a maioria dos artigos, o profissional adequadamente vacinado tem mais chance de prescrever vacinas. Por isso, é necessário conhecimento e educação continuada. JSBD. Além desse movimento, há também pessoas que se recusam a tomar vacinas em decorrência da religião. Como abordar um assunto tão sensível e mostrar a importância da vacina para essas pessoas? CB: A recusa em receber vacinas por motivos religiosos parece ocorrer em grupos mais restritos. No livro do Professor Guido Levi Recusa de vacinas − causas e consequências, há um capítulo sobre esse tema. Dois fatos, especificamente dessa parte, chamaram minha atenção: um sobre uma epidemia de sarampo em 1994, nos estados de Missouri e Illinois, nos EUA, a partir de um caso em uma comunidade denominada Christian Science; e o caso dos fundamentalistas islâmicos do Taliban, que lançaram fatwas (pronunciamento legal no Islão, emitido por um especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico) opondo-se à vacinação, o que levou a uma das maiores causas de falhas nas coberturas vacinais no Paquistão, Afeganistão e na Nigéria – estes grupos, aliás, estão entre os responsáveis pela ainda não erradicação da poliomielite

no mundo, em decorrência da persistência de circulação endêmica do vírus nesses três países. JSBD. O que muda na relação médico/paciente quando um paciente se recusa, por exemplo, a seguir um tratamento que inclua vacinas, já que até em tratamentos para certas alergias as vacinas são indicadas? CB: No artigo da pesquisadora Regina Célia de Menezes Succi “Recusa vacinal – o que é preciso saber”, ela menciona aspectos importantes da parte legal. No Brasil, uma lei federal de 1975, regulamentada por um decreto de 1976, dispõe sobre a organização das ações de vigilância epidemiológica, e o Programa Nacional de Imunizações estabelece, no parágrafo 27, que a vacinação é obrigatória em todo o território nacional. Esse mesmo decreto, no parágrafo 29, estabelece como dever de todo cidadão submeter-se, e os menores dos quais tenha a guarda ou responsabilidade, à vacinação obrigatória. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que é dever da família assegurar a efetivação dos direitos à saúde, o que inclui a vacinação de rotina. Do ponto de vista da relação médico/paciente, parentes que se opõem à vacinação de seus filhos podem prejudicar seriamente essa relação, o que pode ser suficiente para permitir que o médico deixe de atender esse paciente (Código de Ética Médica, artigo 36). No caso de vacinas para tratamento de alergias, não ocorre a obrigatoriedade como no caso das vacinas do calendário vacinal e cabe ao médico e ao paciente, se não existe um consenso quanto à forma de tratamento (no caso da vacina), decidir se esse médico seria o mais adequado para atender esse paciente específico. Aqui, novamente, reforço que sem uma boa relação médico/paciente não conseguiremos mudar a maneira como aquele indivíduo enxerga o cuidado com a sua saúde ou a de seus filhos. JSBD. Me parece que hoje os pacientes estão com mais medo das vacinas do que das doenças. E as fake news influenciam muito esse posicionamento... O que pensa sobre isso? CB: Uma revisão sistemática publicada em 2020 mostra que as redes sociais têm papel muito importante na disseminação das informações falsas sobre as vacinas. Esses grupos desenvolvem seu próprio conteúdo sem qualquer evidência científica e confundem seus leitores, geralmente, utilizando histórias pessoais ou eventos supostamente ocorridos em crianças que teriam apresentado efeitos colaterais, o que acaba causando comoção em algumas pessoas e tendo maior impacto do que dados científicos fornecidos pelas agências de saúde. Essa revisão também mostra que, embora em menor número, esses grupos são muito mais ativos nas redes sociais do que grupos de pessoas a favor das vacinas – os grupos antivacinas geralmente utilizam JSBD Volume 24

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ENTREVISTA

os mesmos argumentos nos seus tweets ou posts (risco das vacinas, risco de autismo causado por algumas vacina e teorias de conspiração) e baseiam essas informações em "experiências pessoais". Um relatório publicado pelo Center for Countering Digital Hate (organização não governamental que tem como objetivo romper a arquitetura de ódio e desinformação) e usado como referência para um artigo no Lancet identificou que 31 milhões de pessoas seguem grupos antivacinas no Facebook, e 17 milhões de pessoas estão inscritas em canais semelhantes no Youtube. Segundo o Professor Peter Hotez, reitor da National School of Tropical Medicine Baylor College of Medicine, os movimentos antivacinas ganharam força no mundo porque evoluíram de um grupo pequeno para se tornar um império na mídia com 500 websites impulsionados pelas redes sociais. Não é mais suficiente, portanto, que a comunidade científica se restrinja à comunicação por meio de artigos em revistas médicas; deve também utilizar a mídia e as redes sociais para divulgar informações verdadeiras e promover debates sobre as vacinas, especialmente neste momento tão delicado em que várias vacinas estão sendo testadas para o controle da pandemia do novo coronavírus JSBD. Na sua opinião, qual é a importância da imunização? CB: A imunização foi considerada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) a maior conquista de saúde pública do século 20. Segundo a OMS, a vacinação é uma das formas mais eficientes, em termos de custo, para evitar doenças. Ela atualmente evita de dois a três milhões de mortes por ano, e outro 1,5 milhão poderia ser evitado se a cobertura vacinal fosse ampliada no mundo. Não podemos esquecer que sem as vacinas não teríamos erradicado a varíola; e que a polio14 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

mielite já poderia ter sido erradicada em todo mundo por meio da vacinação, caso ainda não ocorressem falhas nas coberturas vacinais no Paquistão, Afeganistão e na Nigéria. Um estudo realizado em 2016, com 65.819 pessoas em 67 países, o Brasil entre eles, para verificar a percepção sobre segurança, eficácia e importância das vacinas, além de compatibilidade com crenças religiosas, revelou que a confiança nas vacinas de modo geral é alta, mas varia nas diferentes regiões – países da Europa apresentaram maiores níveis de respostas negativas sobre importância, segurança e eficácia das vacinas, e a França foi o país com maior taxa de sentimentos negativos em relação à segurança das vacinas (41%). Dos nove países avaliados nas Américas, o Brasil se colocou entre os que apresentaram melhores níveis de confiança nas vacinas. Apesar desses dados otimistas, temos alguns números preocupantes: uma pesquisa realizada no Brasil mostra que, entre 2016 e 2017, ocorreu queda de 20% na cobertura das vacinas contra poliomielite, hepatite A e meningocócica C, em relação a 2015. Já em 2018, os dados do DataSus mostram queda acentuada nos índices de coberturas vacinais no estado de São Paulo. Trazendo essas informações para a realidade atual, neste momento de insegurança com a pandemia do coronavírus, ocorrem dois fatos extremamente importantes: a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um comunicado informando que mais de 117 milhões de crianças em todo o mundo correm risco de não receber a vacina de sarampo durante a pandemia; e outro fato de extrema importância é o que irá ocorrer quando as vacinas de coronavírus estiverem à disposição da população. Portanto, se os movimentos antivacinas, por meio dos seus sites e das redes sociais, divulgarem informações falsas sobre as novas vacinas, será que conseguiremos imunizar uma parcela importante da população mundial para que possamos construir o “novo normal”?


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ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA

SBD LANÇA I CURSO DE TELEMEDICINA E RESPONSABILIDADE DIGITAL PARA ASSOCIADOS

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om proposta diferente e inovadora, a SBD lança no final deste mês o I Curso de Telemedicina e Responsabilidade Digital. O objetivo é apresentar e debater diferentes conceitos relacionados à telemedicina e sua relação com o atual momento dos atendimentos médicos no Brasil, bem como aspectos sobre as regulamentações para teleassistência, teleconsulta, telepropedêutica, entre outros assuntos. Sob a coordenação do médico dermatologista Chao Lung Wen, a atividade é gratuita e voltada exclusivamente para o associado. No total, o conteúdo programático abrange 14 temas, como ética nas redes sociais; segurança digital e HIPAA; critérios para escolha de plataformas tecnológicas; normas e compliance institucionais em telemedicina e como elaborar TCLE e TCI, que serão ministrados em quatro webinares por meio de plataforma exclusiva nos dias 23/11; 3/12; 17/12 e 21/12.

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Utilizando metodologia ativa de ensino, o espaço permitirá a resolução de dúvidas dos participantes por meio de votadores. A intenção da SBD é que a iniciativa leve conhecimento sobre a temática – bastante atual nos dias de hoje – para todos os interessados, sabendo que parte do acesso às aulas poderá ser feita a qualquer hora do dia. Certificados – Para receber o certificado de conclusão, o aluno deverá acessar todos os conteúdos obrigatórios e ter assistido 75% da carga de atividades programadas (votadores); além de assistir a um webinar de forma síncrona e a outros dois webinares gravados. O participante também deverá enviar resumo do conteúdo assimilado durante o curso. A iniciativa conta com o patrocínio da Johnson e Johnson.


SBD EM BUSCA DE QUALIDADE NA ATENÇÃO AO PACIENTE COM PSORÍASE

Dois importantes documentos para ajudar o dermatologista a acolher, diagnosticar e tratar a pessoa que vive com psoríase estão disponíveis na área restrita do associado!

Gestão 2019/2020

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POLÍTICA E SAÚDE

ESTADO GASTA R$ 3,83 POR DIA COM SAÚDE DE CADA BRASILEIRO R$ 3,83 ao dia: esse é valor per capita que o governo utiliza – em seus três níveis de gestão (federal, estadual e municipal) – para cobrir as despesas com saúde dos mais de 210 milhões de brasileiros. Esse é o resultado de uma análise detalhada das informações mais recentes disponíveis, relativas às contas públicas do segmento em 2019. PARA OUTROS DADOS DO ESTUDO DO CFM, ACESSE AQUI Na avaliação do presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sérgio Palma, a cifra está muito abaixo do que seria o ideal. Segundo ele, o baixo investimento na rede pública se traduz em más condições de trabalho em postos de saúde e hospitais, bem como no aumento da morbidade e da mortalidade. “Na prática, o subfinanciamento representa menos leitos, menos UTIs, menos médicos e mais tempo de espera por cirurgias eletivas, consultas e exames. Ou seja, quem paga essa conta é a população e os profissionais da saúde”, disse. Segundo cálculo do Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2019 as despesas nos três níveis de gestão atingiram a cifra de R$ 292,5 bilhões e agrega a cobertura das ações e serviços de aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde (SUS), como o custeio da rede de atendimento e pagamento de profissionais, dentre outras.

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Desafios – Outro ponto que Sergio Palma destaca, após ler o trabalho do CFM, é o desafio que os novos gestores – hoje candidatos a cargos eletivos nas Eleições Municipais de 2020 – terão pela frente. “A gestão financeira da saúde será um dos grandes desafios para os próximos prefeitos. Será preciso realizar investimentos que garantam o bom desenvolvimento das políticas públicas”, afirma. Segundo o levantamento, a demanda pelos serviços do SUS tem pressionado cada vez mais as despesas dos municípios, em especial nas capitais, que na maioria dos estados são as localidades com maior população e ocupam a posição de referência no acesso aos serviços assistenciais, em todos os níveis de complexidade. “Os caminhos da reconstrução do Brasil e de seu desenvolvimento sustentável não podem ter, como preço a ser pago, sequelas e mortes evitáveis de milhares de cidadãos. É imperativo ético e moral que os novos prefeitos, os governadores e o Governo Federal façam o adequado proveito do orçamento destinado à saúde”, ressaltou. As informações levantadas pelo CFM, com o apoio da ONG Contas Abertas, consideraram as despesas em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) declaradas no Sistema de Informações sobre os Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), do Ministério da Saúde.


POLÍTICA E SAÚDE

O FUTURO DA MEDICINA PÓS-PANDEMIA A comunicação pelas redes sociais, seja entre médicos ou com a sociedade em geral, se mostrou essencial no período da pandemia. Qual é, porém, a opinião do Conselho Federal de Medicina (CFM) a respeito dessa prática?

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os últimos meses, verificou-se uma enorme quantidade de transmissões ao vivo (lives) pela internet. E, apesar de a maioria ter sido voltada para entretenimento, com shows e entrevistas, uma boa parte deteve a atenção do público por outro motivo: informações a respeito da Covid-19 e seus reflexos. É fato que a comunicação por meio de mídias sociais, seja Youtube, Instagram, Facebook ou qualquer outro veículo, veio para ficar e não é de hoje. Mas em 2020, com a chegada da pandemia e diante de tantas fake news, a necessidade de encontrar informações confiáveis e de fontes seguras se tornou fundamental. E os médicos – além de outros profissionais da área de saúde – se tornaram uma espécie de porto seguro em relação à veracidade das informações (muitas vezes conflitantes) que chegavam à população. De acordo com Maurício Conti, conselheiro do CRM-SC, membro da Codame de SC e coordenador médico de Mídia Eletrônica da SBD, o contexto deste ano favoreceu o reconhecimento dos temas de saúde como imprescindíveis para a sociedade, ao mesmo tempo em que os atendimentos e encontros presenciais ficaram provisoriamente impedidos, o que acabou jogando para primeiro plano as ferramentas de comunicação digital.

“Agora, já passados alguns meses, é preciso que se façam análises sobre o que valeu a pena, o que não valeu, bem como o que não pode ocorrer, visto que as balizas da ética profissional são um dos diferenciais do ofício de médico”, pontua. E os conselhos regionais de medicina (CRMs), é claro, estão de olho. Para Débora Ormond, conselheira do CRM-MT e membro da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD, o uso de tecnologias em ambiente web como apoio à saúde é um caminho sem volta, e pode servir como instrumento de humanização e melhoria ao atendimento à sociedade, já que ela sempre impõe novos desafios na relação médico/paciente. “Em tempos de pandemia, as lives proporcionam rápido acesso à informação, disponibilizam rapidamente orientações médicas na tranquilidade do lar, tanto para o médico como para o público. A despeito das consequências positivas, entretanto, existem muitos preceitos éticos e legais que precisam ser assegurados pelo profissional. O exercício da medicina mediado por tecnologias, mesmo para fins educativos e promoção de saúde, expõe em demasia a figura do médico, de forma que os mesmos problemas éticos que podem ser encontrados no atendimento JSBD Volume 24

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POLÍTICA E SAÚDE

médico pessoal estão presentes nas orientações durante as lives. Trata-se de ferramenta que deve ser usada de forma adequada, sempre com o objetivo de obter o bem-estar da sociedade e respeitando os preceitos ético e legal, como qualquer outra forma de publicidade médica”, esclarece. CUIDADO COM PROPAGANDA Embora boa parte dos médicos esteja preocupada em realmente passar informação de qualidade, não é difícil encontrar casos de profissionais que tentam se promover por meio das redes – casos como o do Doutor Bumbum são muitos. Entretanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) é claro em relação a propagandas e marketing pessoal. “A mercantilização da medicina pode ser uma tentação para alguns, mas é um caminho ameaçador para a profissão no médio e no longo prazo, tanto no sentido específico do médico, que assim enfrentará denúncias e julgamentos éticos, quanto no sentido geral, ao aceitar uma visão que reduz o valor do trabalho médico a uma commodity”, comenta Conti. Além disso, lembra Débora Ormond, o médico tem a liberdade de expressão disciplinada por um Código de Ética Profissional, bem como deve obediência a uma legislação civil e criminal, e ambos objetivam tanto fiscalizar como penalizar os que abusam do direito de informar. Ou seja, a publicidade médica deve obedecer, exclusivamente, a princípios éticos de orientação educativa, não sendo comparável à publicidade de produtos e práticas meramente comerciais (Resolução 2217/2018). 20 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

“O médico pode divulgar seu endereço do trabalho e telefone em suas mídias sociais, mas lhe é vedado realizar divulgação publicitária, mesmo de procedimentos consagrados, de maneira exagerada e fugindo de conceitos técnicos, para individualizar e priorizar sua atuação ou a instituição em que atua ou tem interesse pessoal. Os esclarecimentos à sociedade por meio das lives não podem ser usados para autopromoção, aferição de lucro ou para angariar clientela. Não é permitido, por exemplo, nessas oportunidades, a divulgação de endereço ou telefone de consultório. E caso não obedeça ao Código, esse médico poderá sofrer processo ético profissional”, complementa a conselheira do CRM-MT. O FUTURO DA “MEDICINA DIGITAL” Ainda que as lives com médicos devam grande parte de seu sucesso especialmente à procura de informações sérias em relação à pandemia e à falta de orientações oriundas de um órgão oficial do governo, é certo que elas chegaram para ficar, tanto os encontros para profissionais da área em plataformas online com conteúdo de educação médica continuada como também as lives direcionadas ao público externo. Se algumas apresentações – e “apresentadores” – tenham levado o status do médico ao de educador, praticamente, é preciso deixar claro que as consultas presenciais e direcionadas jamais serão substituídas, assim como os eventos e congressos para a comunidade médica não deixarão de existir. As redes sociais, portanto, se tornaram mais um meio de comunicação, mas jamais serão o único.


POLÍTICA E SAÚDE TROCA DE INFORMAÇÕES SEGURA Em abril, durante uma conferência que reuniu membros da Sociedade Brasileira de Imunologia, da Rockefeller University e da UFMG, a reunião foi invadida por neonazistas que usaram a transmissão para mostrar imagens de Hitler. Além do constrangimento para os participantes, todos ficaram preocupados com o vazamento de dados sigilosos. “Em transmissões ao vivo feita por redes sociais, com abordagem de assuntos médicos ou mesmo reuniões fechadas em que se discutam casos clínicos e haja troca de informações de pacientes, a utilização dos recursos de segurança disponíveis é de extrema importância para preservar o sigilo médico. A má utilização desses mecanismos pode configurar uma quebra do dever de cuidado, gerando a responsabilização do organizador”, alerta Débora. O episódio chama a atenção para um questionamento muito natural em relação à segurança da troca de informações durante lives e webinars. Ricardo Correa, diretor da LDA, empresa especializada em segurança da informação, explica que os principais players desse mercado garantem a segurança dos dados, desde que sejam seguidas suas diretrizes.

“Desde o início da pandemia, ferramentas como Zoom, Cisco WebEx, Microsoft Teams e Google Hangouts lançaram novos protocolos de segurança para garantir a privacidade dos dados trocados nas reuniões e encontros não presenciais com muitas pessoas. Porém, é preciso ficar atento ao que oferecem as diferentes versões de cada ferramenta e suas condições de uso. Para corporações, de uma forma geral, utilizar serviços pagos, com recursos de auditoria, criptografia e garantia de confidencialidade dos dados trafegados dentro da plataforma é fundamental”, pontua. Correa lembra, ainda, que promover um acesso autenticado e com senhas às salas de evento, ter uma lista de usuários corporativos previamente cadastrados e autorizados a participar, não divulgar o link do evento a quem não esteja autorizado e eleger um moderador para que os microfones e câmeras só sejam ativados por ele ajudam a garantir a privacidade dos encontros virtuais. “Curiosamente, muitas práticas de segurança já conhecidas dos eventos presenciais comungam com os eventos no mundo virtual/remoto e têm a sua aplicação de forma bastante similar. Os serviços de maior qualidade já oferecem todos os controles necessários para garantir não só a qualidade técnica como os mecanismos de gestão e mediação de cada evento”, comenta.

SBD INOVAÇÃO 4.0 No ar desde março, o SBD Inovação 4.0 tem promovido a capacitação científica do associado e o aprimoramento na gestão de negócios por meio de cursos rápidos e atualizados. Médicos residentes que estão no início da carreira também se beneficiam com a iniciativa. Até o momento, estão em andamento as atividades: gestão de clínicas dermatológicas; curso de micologia; temas em dermatoscopia; além das ações voltadas para a equipe administrativa que atua no consultório/clínica. "O Projeto de Inovação 4.0 começou com a ideia construir um elo de confiança entre a SBD e os dermatologistas, oferecendo capacitação e serviços que pudessem agregar valor aos seus negócios. Acabou se transformando em uma sofisticada plataforma de conteúdos científicos e de gestão. Mas a razão pela qual me orgulho desse projeto, é a integridade do propósito, que é amplificar a capacidade

de crescimento dos médicos, através de um olhar mais amplo, respeitando o seu juramento pela medicina,adicionando uma visão estratégica de expansão", considera o CEO da MedConsulting, Leandro Cardoso. Lembrando que esses conteúdos contam com o apoio da MedConsulting Consultoria Médica e estão disponível na área científica. Para acessar e iniciar as atividades, basta entrar no seguinte endereço: https://www.sbd. org.br//dermatologia/acoes-campanhas/sbd-inovacao-40/. JSBD Volume 24

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MÍDIA E SAÚDE

EM REPORTAGEM DO FANTÁSTICO, SBD APONTA RISCOS DA REALIZAÇÃO DE PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS INVASIVOS POR NÃO MÉDICOS

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s perigos inerentes à realização de procedimentos estéticos invasivos por profissionais não médicos foram destacados no Fantástico (TV Globo), do domingo (4/10). Na reportagem, o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sérgio Palma, defendeu a importância de que esses cuidados sejam manejados apenas por médicos, os únicos profissionais devidamente capacitados para este fim. CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR À REPORTAGEM “Essa modalidade de procedimentos deve ser realizada exclusivamente por médicos, preferencialmente pelos especializados. Isso é fundamental, pois caso ocorra qualquer evento adverso, é de suma relevância que a alteração seja identificada e tratada imediatamente para evitar danos ou sequelas à saúde e ao bem-estar do paciente”, ponderou. A reportagem se insere dentre as iniciativas da SBD no intuito de denunciar as recorrentes tentativas de invasão de competências da Medicina por representantes de outras categorias profissionais, o que contraria o que determina a legislação (Lei nº 12.842/2013). “Ao dar maior publicidade a esses abusos praticados por outras categorias, como temos feito em inúmeras oportunidades, a SBD reforça a defesa da saúde e da segurança dos pacientes, mostrando ao Poder Judiciário os sérios riscos aos quais a população está exposta”, ressaltou Sérgio Palma. Iniciativas – Há anos atuando em prol dos direitos dos dermatologistas e dos pacientes, a SBD se mantém a frente de diferentes iniciativas legais que visam coibir a prática irregular de procedimentos estéticos invasivos. A partir de ação movida pela entidade, a Justiça Federal anulou no último mês os efeitos da Resolução nº 241/14, do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), que erroneaJSBD Volume 24

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mente permitia a esses profissionais realizarem procedimentos de natureza estética e aplicação de substâncias. Outro exemplo do trabalho contínuo da SBD é a ação legal movida contra a Resolução nº 198/2019, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que estabeleceu a chamada “harmonização orofacial” como especialidade odontológica. A SBD – com apoio da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) – repudiou a conduta e tem tomado todas as medidas cabíveis contra essa distorção. Na Justiça, o processo aguarda julgamento de seu mérito. “Estamos atentos a essas resoluções unilaterais emitidas pelos conselhos de especialidade, uma vez que contrariam a Lei nº 12.842/2013. Os atos médicos devem ser praticados apenas por aqueles com formação em Medicina. Não é razoável flexibilizar uma prática profissional altamente especializada. A questão é gravíssima e fundamental, visto que um procedimento mal executado pode inclusive colocar a vida de pacientes em risco”, ponderou Sérgio Palma.


MÍDIA E SAÚDE

SBD LANÇA APLICATIVO QUE OFERECE UM AMPLO LEQUE DE SERVIÇOS PARA OS ASSOCIADOS

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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) disponibilizou aos seus associados mais um canal de comunicação: o aplicativo SBD chegou para facilitar uma série de transações, sendo, inclusive, sintonizado com o portal da entidade, em especial a área de acesso restrito. O software – desenvolvido pela empresa ITarget Tecnologia – já está disponível para download, gratuitamente, nas lojas virtuais Apple Store, para os usuários de Iphone; e Google Play, para os usuários do sistema operacional Android. “Essa é mais uma ação da Gestão 2019-2020 desenhada no intuito de facilitar a vida de nossos associados. O compromisso dos atuais diretores é entregar aos nossos colegas o que há de mais moderno em tecnologia de ponta”, destaca o presidente da SBD, Sérgio Palma. Para ter acesso ao perfil de usuário no novo aplicativo, após realizar o download, basta entrar com mesmo login e senha utilizados para acesso ao portal da SBD. Caso o usuário não se lembre da senha, ele clicará no recurso “esqueci a senha”, preencherá os dados solicitados e cadastrará uma nova sequência. Serviços - A nova plataforma permite a integração com os serviços disponibilizados para os associados no portal da SBD, que poderão ser realizados diretamente no aplicativo. Na Central de Anuidades, o usuário poderá consultar os boletos das anuidades pagos e em aberto; optar por pagamento com cartão de crédito; e emissão de recibos.

No ícone Identidade Virtual, o associado terá acesso à carteira personalizada para uso em parcerias e rede de benefícios. O layout será personalizado com QR Code. Já em Denúncias, o usuário poderá informar, de modo rápido, empresas e/ou profissionais que não estão de acordo com as normas da SBD e do exercício ético da medicina. A função permite ainda inserir imagens e descrição do estabelecimento. Notícias e eventos - Além disso, o novo aplicativo permite ainda que as Notícias da SBD publicadas no site institucional sejam lidas diretamente no software. Os usuários da plataforma poderão também integrar com as redes sociais corporativas (Twitter e Facebook). O novo aplicativo também trará nova área dedicada aos eventos da SBD, a qual passou por reestruturação, modernização e ampliação. Dentre as facilidades disponíveis estão: acesso à programação científica, nomes de palestrantes, expositores, notícias, interação na timeline e à opção de inscrição. Também será possível enviar perguntas aos palestrantes, participar de enquetes, realizar check in, avaliar exposições e montar uma agenda com a grade que se deseja assistir no evento. “Nossa gestão entrega uma nova forma de comunicação entre a SBD e os associados, com todos os recursos encontrados em nosso site disponíveis num único aplicativo, colocando nossa entidade entre aquelas que possuem suporte tecnológico de alta perfomance”, finaliza o diretor financeiro, Egon Daxbacher. JSBD Volume 24

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OUTROS OLHARES

CARMITA ABDO Psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

LESÕES NO CORPO E NA ALMA A dermatologia inclui muitas doenças em que problemas psicológicos funcionam como gatilhos, como o caso da tricotilomania

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uis, 51 anos, não tem um fio sequer na cabeça – também não possui cílios nem sobrancelhas. Nos anos 1980, quando adolescente, ostentava cabelo longo e loiro. Com o passar dos anos, porém, alguma coisa aconteceu, e ele começou a tirar fios. Para tentar parar o que lhe parecia uma mania passageira, raspou a cabeça, mas não adiantou. Quando os fios voltaram a crescer, novamente os arrancou. E assim foi até ficar totalmente careca. Luis não é o único a passar por isso. Mais comum do que se imagina, a tricotilomania afeta homens e mulheres de diferentes idades e até crianças. E quase todos os casos têm algo em comum: um problema de ordem psíquica que está por trás do impulso de puxar os fios. Um indivíduo pode começar a apresentar sinais de tricotilomania em qualquer idade, mas as mulheres adultas são mais frequentemente acometidas, especialmente as que se encontram na perimenopausa. E embora a retirada 24 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

de fios possa acontecer em qualquer área pilosa, o couro cabeludo e as sobrancelhas são normalmente os mais afetados – mas há episódios de pessoas que retiram até os pelos pubianos e axilares. A psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Carmita Abdo explica que a idade média de início da tricotilomania é 13 anos, segundo alguns estudos. E que, quando essa prática se inicia na infância/ adolescência, a evolução costuma ser benigna, com pouca necessidade de intervenção terapêutica. Quando, entretanto, o início se dá na vida adulta, o quadro se apresenta mais severo, se torna resistente aos tratamentos e frequentemente associado a comorbidades psiquiátricas. Sobre a origem do problema, se hereditário, genético ou "apenas" comportamental, Abdo pontua que embora tenha ocorrido significativo aumento no conhecimento a respeito da etiologia da


OUTROS OLHARES

“O tratamento farmacológico consiste em antidepressivos tricíclicos (clomipramina) ou inibidores seletivos da receptação da serotonina (ISRS)." tricotilomania, ainda não há consenso sobre os fatores que a determinam. “As hipóteses requerem mais estudos. Teorias biológicas focalizam os mecanismos fisiopatológicos relacionados ao ato de arrancar cabelo, enquanto as teorias do comportamento buscam entender a operação e a expressão desses mecanismos. Essas duas possibilidades parecem não ser conflitantes, mas complementares”, afirma.

Gatilhos e consequências

Assim como outros distúrbios de ordem psíquica, a tricotilomania pode ser desencadeada por determinados gatilhos. Quando na infância, em geral, esclarece a médica dermatologista Fabiane Brenner, é um sinal de alerta para algo que incomoda na escola ou em casa, como dificuldades escolares, separação dos pais, luto ou perda de alguém querido, nascimento de irmãos, mudança de endereço, entre outros problemas. Já em adultos, esses episódios podem ocorrer também em qualquer situação afetiva negativa e durar de minutos a horas. “Os pacientes referem, às vezes, interesse por cabelos com características diferentes, quanto à textura, e alguns arrancam os cabelos como um ritual. Condições pessoais inespecíficas, como menacme, fase do ciclo menstrual ou alguma doença, também se relacionam com os sintomas da tricotilomania. Além disso, lesão no couro cabeludo (por queimadura do sol, por exemplo) ou insatisfação com o cabelo (como após permanente, encrespamento mal feito etc.) são descritos como fatores precipitantes”, informa Carmita. Há, ainda, hábitos rotineiros que podem levar ao ato de arrancar os fios, como ler, assistir à televisão, falar ao telefone, permanecer deitado na cama ou dirigir automóvel. “Essas atividades, sedentárias ou contemplativas, são desencadeadoras ou mantenedoras desse comportamento”, complementa a psiquiatra.

É preciso observar, ainda, que a tricotilomania pode gerar problemas ainda mais sérios que a perda de fios, como o tricobezoar, que acontece pelo ato de mastigar e engolir os fios arrancados, que formam bolos de pelos e cabelos que ficam compactados no trato gastrointestinal. “Quando a massa de cabelo deglutido é volumosa, pode assumir formas graves, ocupando parte significativa do intestino. Nesse caso, pode causar dores abdominais, náuseas, vômitos, hematêmese, úlceras, pancreatite, anemia, abdômen agudo obstrutivo e perfuração intestinal. Há quadros em que o tricobezoar se estende do estômago até o cólon, com uma longa cauda, o que caracteriza a síndrome de Rapunzel”, exemplifica Abdo. Ela lembra de um caso bastante emblemático de paciente adolescente, do sexo feminino, apresentando desde a infância medo excessivo e verdadeira obsessão relacionada à morte e ao contato com roupas pretas, porque “atrairiam o azar”. “Ela arrancava os cabelos há pouco mais de um ano, apresentando extensas áreas de falhas no couro cabeludo. Não tinha qualquer pensamento mais específico, antecedendo o ato de arrancar os cabelos, mas sentia necessidade imperiosa de fazê-lo, de forma repetitiva, o que lhe proporcionava alívio temporário. O quadro a dominava a ponto de ela ter abandonado a escola e as atividades sociais na tentativa de diminuir a oportunidade de encontrar pessoas vestidas com roupas escuras, mas também por constrangimento pela alopecia e garantia de liberdade para a prática da tricotilomania. Em alguns meses, a situação se complicou, pois a adolescente passou a ingerir os fios de cabelo arrancados para os ocultar, o que resultou em abdômen agudo obstrutivo, motivando atendimento em pronto socorro e, naturalmente, identificação da causa”, conta Abdo. Outro exemplo bastante sério é o de uma jovem paciente de Fabiane Brenner, que, após o nascimento dos filhos, passou a arrancar a pele do couro cabeludo além dos fios e as áreas sem cabelos se misturavam com feridas abertas.

Tratamento multidisciplinar

Embora muitos associem o problema apenas a uma especialidade, o tratamento da tricotilomania geralmente é multidisciplinar, sendo realizado por médicos dermatologistas e psiquiatras. Antes mesmo de começar o tratamento em si, o médico deve ser muito cauteloso ao abordar o problema, já que é muito comum, especialmente as crianças, negarem o arrancamento – a ausência de procura por tratamento, aliás, muitas vezes acontece por forte sentimento de embaraço social. “Uma conversa cuidadosa com os pacientes, e com os pais quando o problema acontece com seus filhos, é fundamental para adequada compreensão”, diz Fabiane Brenner. JSBD Volume 24

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OUTROS OLHARES

Do ponto de vista dermatológico, Fabiane explica, o primeiro passo é a pessoa parar de puxar o cabelo. “Precisamos ajudar o paciente a reduzir a vontade de puxar. Substituir o hábito por outro e tentar reduzir o impacto do motivo desencadeante é o ideal. Quando isso não é possível, precisamos usar medicamentos com essa finalidade, que auxiliem a pessoa a manter a terapêutica”, comenta. Já em relação ao retorno dos fios, em tese, eles podem voltar a crescer. Caso, porém, isso não aconteça, existe a possibilidade do que é chamado de repilação. “Os produtos estimulantes de crescimento são coadjuvantes no tratamento. Mas em casos graves, em que a tração é repetida no mesmo local ou existem feridas associadas, é possível observar pequenas cicatrizes foliculares”, complementa. Quanto a substâncias auxiliares no tratamento, alguns psicotrópicos podem ajudar, mas a dermatologista procura evitá-los, principalmente em crianças. Já a N-acetilcisteína, tomada rotineiramente como xarope para tosse, em doses mais altas, pode ser usada como inibidora do impulso, com menos efeitos colaterais e maior segurança para o paciente. Abdo observa, ainda, que quando as manifestações ocorrem na primeira infância, podem ser superadas a partir de mudanças na rotina dos cuidados, que podem ser suficientes para suprimir a sintomatologia. Para quadros de manifestação mais tardia, contudo, geralmente é necessário tratamento medicamentoso e/ou psicoterápico.

“O tratamento farmacológico consiste em antidepressivos tricíclicos (clomipramina) ou inibidores seletivos da receptação da serotonina (ISRS). Para pacientes que não respondem aos ISRS, faz-se associação medicamentosa com baixas doses de antipsicóticos (risperidona, por exemplo). Nos casos em que a coceira provoca o ato de arrancar cabelo, esteroide tópico combinado com clomipramina pode ser útil. O tratamento psicoterápico utiliza diversas modalidades, entre as quais biofeedback, treinamento da reversão de hábito, terapia cognitivo-comportamental e hipnose. O tratamento comportamental de melhores resultados tem sido o treinamento da reversão de hábito, o qual associa técnicas que tratam os transtornos do hábito (arrancar cabelo, chupar o dedo, tiques). O tratamento combinado objetiva favorecer o reconhecimento da doença e a adesão do paciente, investigando os locais do arrancar o cabelo, a motivação para o tratamento e a presença de tricofagia, para, a seguir, providenciar o encaminhamento ao psiquiatra visando ao tratamento de possíveis comorbidades (transtorno de humor, transtornos ansiosos); o encaminhamento a grupo educacional e grupo de apoio; a introdução da reversão de hábito; a avaliação da necessidade de farmacoterapia; e as estratégias de prevenção da recaída. A combinação de farmacologia e terapia cognitivo-comportamental leva a melhores resultados, quando, é claro, há adesão do paciente”, esclarece a psiquiatra.

TRICOTILOMANIA EM TEMPOS DE COVID O momento que o mundo vive tem desencadeado distúrbios psicológicos de toda ordem nas pessoas. E com o isolamento e o medo de ser infectado, antigas condições podem novamente se manifestar, ainda que, em tese, estejam curadas. “Para indivíduos predispostos, sem dúvida, períodos de muito estresse podem desencadear bem como agravar essa condição. Incerteza e insegurança quanto ao futuro, perdas econômicas , confinamento, medo de adoecer e/ou de transmitir o vírus, medo de morrer, luto, entre outros fatores, devem ser considerados”, afirma Carmita Abdo.

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O presidente da SBD, Sérgio Palma, entre os coordenadores e assessores do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD

EVENTOS

SUCESSO DO V SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE UNHAS E CABELOS DA SBD PODE LEVAR A ADOÇÃO DE FORMATO HÍBRIDO EM 2021

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Cerca de mil pessoas participaram do evento online que contou com 60 palestrantes

ucesso de audiência neste ano, o tradicional Simpósio Internacional de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) pode sofrer as consequências da Covid-19 na sua próxima edição, prevista para maio de 2021. No que acaba de ser realizado, de 6 a 8 de novembro, as atividades aconteceram de modo online, inclusive com a participação à distância de convidados internacionais, coordenadas a partir de um estúdio montado especialmente para o evento. Contudo, o alto nível de participação e a boa avaliação do evento levam os organizadores a pensar num modelo híbrido no futuro, mesmo após o fim da pandemia. “Temos aprendido com os novos tempos. Até o início de 2020, não tínhamos experiências na realização de grandes encontros, com a participação de congressistas e convidados à distância. Porém, a Covid-19 nos levou a buscar alternativas, inclusive por conta de avanços tecnológicos. A experiência tem nos mostrado ser possível manter a qualidade dos eventos. Talvez a solução esteja em conciliar o melhor do presencial e do remoto”, disse o presidente da SBD, Sergio Palma, um dos coordenadores do V Simpósio Internacional de Cabelos e Unhas.

A coordenadora e a assessora do Departamento de Cabelos e Unhas, Robertha Carvalho de Nakamura e Tatiana Villas Boas Gabbi, respectivamente, comandaram mesa que discutiu os exames microscópicos com a participação dos especialistas Adam Ruben (EUA); Josette Andre (Bélgica) e Alexandre Michalany (SP) Exposições - Em 2020, o Simpósio contou com cerca de mil inscritos e 60 palestrantes. Dentre os nomes que contribuíram com exposições e debates, se destacam a belga Josette Andre, ex-presidente do European Nail Society; a polonesa Lidia Rudnicka, presidente da Polish Dermatological Society; e o alemão Eckart Haneke, um dos maiores especialistas em unhas do mundo. As atividades, que foram também organizadas por Leonardo Spagnol Abraham e Robertha Carvalho de Nakamura – ambos coordenadores do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD – , buscaram promover discussões aprofundadas sobre alguns dos tópicos mais relevantes nas áreas, inclusive envolvendo a incorporação de novas terapêuticas à prática nos consultórios. Na condução JSBD Volume 24

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das diferentes sessões, seguindo nova lógica para estimular remotamente a participação dos dermatologistas, os expositores apresentaram casos clínicos e informações atualizadas sobre os temas, a partir do que há de mais recente na literatura científica. “Conseguimos trazer nomes de peso, tanto nacionais quanto internacionais, e promovemos debates importantíssimos, com todos participando, mesmo à distância. O professor Nilton Di Chiacchio, por exemplo, palestrou no módulo sobre onicocriptose. Após apresentar vários casos clínicos, ele questionou outros palestrantes sobre quais condutas tomariam. Isso fomentou debate que envolveu todos os participantes. Essa era a nossa proposta. Apesar de ter sido uma experiência nova, a dinâmica funcionou muito bem. Estamos muito contentes com o resultado”, ressaltou Robertha Carvalho de Nakamura. Os dermatologistas Rodrigo Pirmez (RJ), Fabiane Andrade Mulinari Brenner (PR), Paulo Müller Ramos (PR) e o coordenador da mesa Leonardo Spagnol Abraham (DF) responderam às diversas questões sobre hot topics em alopecia androgenética, como o manejo do Minoxidil, os novos antiandrógenos e as terapias alternativas na alopecia androgenética Além dos temas relacionados a unhas, a programação focada em cabelos, dentro do Simpósio, também chamou a atenção. Entre os assuntos colocados em perspectiva, tiveram destaque os antiandrôgenos nas alopecias: a interface dermatologia, urologia e mastologia; o impacto da pandemia nas diversas tricoses; e o lançamento do primeiro Consenso Brasileiro de Alopecia Areata. Debate sobre a visão atual dos alisantes no Brasil, que contou com 28 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

a participação de um representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), também foi acompanhado com atenção. “Apesar dos riscos, o formol continua sendo utilizado de forma irregular em salões de beleza. Já foram encontrados traços da substância em vários procedimentos, como as chamadas escovas inteligente, marroquina, egípcia, de chocolate, selagem, botox capilar etc”, lembrou Leonardo Spagnol Abraham, ao comentar o assunto, que continua sendo monitorado pela SBD. Lembrando que as aulas do Simpósio foram gravadas e ficarão disponíveis em plataforma exclusiva para serem assistidas por 60 dias após o evento. Dessa forma, você poderá rever os temas de que mais gostou ou que não acompanhou ao vivo no momento da apresentação. Em breve, a SBD anunciará em seus canais de comunicação a data em que o conteúdo será disponibilizado aos congressistas.


EVENTOS

12º TERADERM SUPERA EXPECTATIVAS E VALIDA MODELO DE EVENTO VIRTUAL COMO OPÇÃO DE ATUALIZAÇÃO EFICIENTE EM MEIO À PANDEMIA

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EVENTOS

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unânime entre congressistas e organizadores o resultado positivo verificado no 12º Teraderm – edição online 2020. O encontro organizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) chegou ao seu último dia, na segunda-feira (12/10), deixando em todos a certeza do sucesso da iniciativa, tanto em termos de engajamento do público quanto da criteriosa qualidade científica assistida em cada sessão de debates. “Esse foi um ano atípico e difícil, em razão da pandemia de Covid-19. No entanto, por meio do empenho e da união de forças, conseguimos manter o já tradicional nível de excelência do Teraderm em um formato inovador de apresentações. Esse saldo positivo só foi possível devido ao empenho de toda a diretoria, dos nossos colaboradores e em especial dos dermatologistas brasileiros, que depositaram sua confiança no trabalho desenvolvido pela SBD e se mantêm mobilizados junto à entidade em todas as iniciativas”, frisou o presidente da Sociedade, Sérgio Palma, na sessão de encerramento do evento. Plataforma - Na oportunidade, Palma fez ainda um lembrete aos inscritos: a partir do dia 16 de outubro, todas as aulas ficarão disponíveis em plataforma online para que sejam assistidas por mais 60 dias. “É uma oportunidade para os congressistas revisitarem suas aulas favoritas. Além disso, aqueles que não participaram do evento terão a chance de realizar sua inscrição para conferir todos os debates na íntegra”, complementou. A integrante da Comissão de Coordenação do 12º Teraderm, Clarisse Zaitz, também fez questão de deixar registrado um agradecimento especial a todos os 97 experts e coordenadores de sessão que abrilhantaram o evento com sua experiência científica. “Ao todo foram mais de 100 palestras sobre temas atuais de grande interesse para o dermatologista, com foco na prática clínica diária. Aos colaboradores das empresas parceiras, patrocinadores e demais membros da coordenação também dedicamos nossa estima pela dedicação e empenho”, 30 | JSBD Volume 24 l N. 4 e 5 - 2020

disse. Além dela, também participaram desse grupo os dermatologistas Jayme de Oliveira Filho, John Veasey e Ricardo Shiratsu. Audiência - Com quase 2 mil expectadores, o evento foi um sucesso de participação, confirmando a expectativa de entrar para a história como um dos primeiros grandes eventos da dermatologia brasileira realizado no universo digital. Ao todo, as palestras contabilizaram audiência cativa com milhares de visualizações em todos os módulos. Para garantir a qualidade de áudio e imagem, a SBD investiu em tecnologia e montou um estúdio exclusivamente idealizado para fornecer suporte à transmissão das aulas. Além desse aporte, os organizadores também ofereceram aos congressistas inscritos dois bônus. Todos que se inscreveram para o 12º Teraderm – edição online – foram beneficiados com inscrição gratuita para o 42º Simpósio de Dermatologia Tropical, agendado para 11 e 12 de dezembro; e ainda ganharam 50% de desconto na inscrição para o V Simpósio Internacional de Cabelos e Unhas, previsto para ocorrer de 6 a 8 de novembro. No último dia do Teraderm 2020, a grade científica foi composta pelos seguintes tópicos: “Onicomicoses: o que vale a pena?”; “Como resolver as complicações de toxina botulínica”; “Alopécia androgenética - medicamentos, cosmecêuticos e procedimentos: qual escolher?”; “Fiz biópsia e veio melanoma... e agora?”; “Cistos e lipomas: avaliação pré-cirúrgica de potenciais riscos e resultados pós-cirúrgicos”; “Dress, síndrome de Stevens-Johnson e NET”; e “Infecções e infestações no paciente atópico”. Como lembrado pelo presidente da SBD, ainda esta semana o conteúdo dessas mesas e de todas as outras que foram realizadas ao longo do Teraderm estarão disponíveis em plataforma criada pela SBD. “É educação médica de qualidade e de modo contínuo”, reiterou Sérgio Palma.


EVENTOS

DEBATES EM TEMPO REAL E MUITA INTERAÇÃO

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Cerca de 600 dermatologistas participaram do 4° Simpósio Nacional de Imunobiológicos e XII Simpósio Nacional de Psoríase

m decorrência do prolongamento da pandemia de Covid-19 no país, a SBD em conjunto com a Comissão Organizadora do 4° Simpósio Nacional de Imunobiológicos e XII Simpósio Nacional de Psoríase, decidiu realizar o evento no formato online nos dias 25 a 26 de setembro. Na abertura das atividades científicas, realizadas ao vivo, em estúdio, na manhã deste sábado (26/9), o presidente da SBD, Sérgio Palma, ressaltou que o objetivo do encontro é oferecer ensino e aprendizado de qualidade para os associados. Agradeceu aos patrocinadores, coordenadores e palestrantes e convidou os congressistas para acessar o hall virtual e a visitar a área de exposição e os estandes. O coordenador do encontro e da Campanha Nacional de Psoríase da SBD, Ricardo Romiti, participou da abertura e ressaltou a importância do uso dos biológicos não apenas para o manejo da psoríase, mas também para lidar com doenças como dermatite atópica, urticária, as oncológicas, entre outras. “Quanto mais opções de tratamento, melhor para o paciente. Não apenas para o seu bem-estar físico, mas também para proporcioná-lo um aumento na qualidade de vida”, realça. O dermatologista Paulo Criado, também coordenador, agradeceu a confiança da Diretoria e da organização

do Simpósio, salientando que o trabalho desenvolvido pela SBD em tempos de Covid-19 tem sido fundamental para a população brasileira. “A SBD tem-se colocado à disposição dos associados para nortear suas condutas da nossa especialidade em relação ao enfrentamento dessa pandemia, bem como o uso das medicações”. O médico comentou sobre o futuro dos tratamentos com biológicos, com o surgimento de 15 moléculas e pequenas moléculas em dermatologia para o tratamento de determinadas doenças. “Sobre esse aspecto já têm sido conduzidos estudos clínicos para dermatite atópica, vitiligo, alopecia areata, lúpus eritrematoso cutâneo, e que futuramente também farão parte desse Simpósio”. Programa – Dividido em seis blocos, o encontro debateu temas como o uso dos biológicos na dermatite atópica, novas moléculas para o tratamento de vitiligo, psoríase na gestação, acesso aos biológicos pelo Sistema Único de Saúde, novas perspectivas no manejo da alopecia areata e casos desafiadores e difíceis em psoríase e com o uso de biológicos. “Esse formato de evento híbrido, com palestrantes ao vivo ministrando aulas em estúdio e outros especialistas JSBD Volume 24

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de casa, é uma realidade que veio para ficar. Aproveitem, portanto, a oportunidade de interagir com os palestrantes. Esse formato facilita, inclusive, a interação no chat", frisou o presidente Sergio Palma durante a abertura. Mais de 600 dermatologistas confirmaram a participação no evento deste ano, configurando um recorde no número de congressistas inscritos. Todo o conteúdo das aulas ficará disponível aos participantes por mais 15 dias após o encerramento das atividades científicas. Consenso Brasileiro de Psoríase – Outubro é o mês que a SBD promove diversas iniciativas de conscientização da psoríase. Para isso, Sociedade elaborou uma campanha digital dinâmica com vários esclarecimentos para a população. Em vídeos educativos, especialistas dão dicas e orientações sobre a doença. “Com isso, além de valorizar o papel do dermatologista, levamos mais conhecimento para todos. Nossa função é também promover educação em comunicação e saúde para a população de modo geral, para além da nossa assistência no sistema privado e no público de saúde”, disse presidente Sérgio Palma.

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Outra ação ocorrida no mês foi o lançamento do Consenso Brasileiro de Psoríase. Elaborado por um grupo de médicos dermatologistas, o documento oficial da SBD visa atualizar o associado na abordagem e no tratamento da doença, cuja conduta terapêutica é complexa em determinados casos. Para isso, após várias rodadas de votação pelo sistema Delphi realizadas por especialistas e minuciosa revisão da literatura, foram selecionadas as principais evidências científicas e debatidas as recomendações diante de diferentes tipos e graus de psoríase. “Sabemos da necessidade e urgência de ter essa atualização, já que a última edição foi publicada em 2012. Atualizar um consenso não é fácil, e nossa intenção foi elaborar um documento condizente com a realidade e de forma democrática, com votação entre médicos dermatologistas para avaliar sua opinião com relação às verdades e mitos sobre a psoríase, entre outros pontos”, disse Romiti. Ainda em outubro, a SBD lançou outro documento importante para a atualização do associado, o Manual de Fototerapia, projeto coordenado pela médica dermatologista Ivonise Follador.


RECOMENDAÇÃO DE ARTIGOS Nesta seção, os editores das publicações científicas da SBD indicam leituras de trabalhos originais e de atualização. O objetivo é conferir maior alcance e valorização da produção acadêmica realizada por médicos dermatologistas brasileiros.

REVISÃO

ANTICOAGULANTES NA PRÁTICA CIRÚRGICA DERMATOLÓGICA DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.20201233659

Ivander Bastazini Junior, Marina Carrara Camillo Barbosa Trabalho realizado no Serviço de Dermatologia do Hospital da Santa Casa de Curitiba, Curitiba (PR), Brasil.

RESUMO Introdução: Nas últimas décadas, o uso de anticoagulantes vem se tornando mais frequente na população e em faixas etárias mais jovens. Objetetivo: O objetivo desse artigo é abordar o risco das medicações anticoagulantes mais utilizadas em cirurgia dermatológica. Métodos: Foi realizada revisão das medicações anticoagulantes mais utilizadas. Resultados: A consulta pré-cirúrgica realizada adequadamente, com ênfase ao histórico clínico do paciente (incluindo função renal nos casos de uso dos novos anticoagulantes orais), a localização anatômica abordada e a exata programação do tratamento cirúrgico são essenciais para um desfecho adequado.

Conclusões: A utilização de medicações anticoagulantes é cada vez mais frequente na prática médica. Em pacientes recebendo medicações anticoagulantes é essencial a estrita adesão às boas práticas cirúrgicas, com especial atenção à hemostasia adequada do campo cirúrgico, aos curativos adequados e compressivos e aos cuidados pós-operatórios, sendo o paciente devidamente informado sobre os maiores riscos aos quais está sujeito.

Palavras-chave: Anticoagulantes; Centro cirúrgico hospitalar; Dermatologia

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RECOMENDAÇÃO DE ARTIGOS EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA

Anais Brasileiros de

Dermatologia EPIDERMÓLISE BOLHOSA HEREDITÁRIA: ATUALIZAÇÃO DOS ASPECTOS CLÍNICOS E GENÉTICOS https://doi.org/10.1016/j.abd.2020.05.001 Luiza Monteavaro Mariath, Juliana Tosetto Santin, Lavínia Schuler-Faccini e Ana Elisa Kiszewski Trabalho realizado no Departamento de Genética e Biologia Molecular, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Serviço de Dermatologia, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre / Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil.

RESUMO A epidermólise bolhosa hereditária compreende um grupo de doenc¸as genéticas caracterizadas por fragilidade cutânea e formação de bolhas na pele e nas mucosas em resposta a trauma mínimo. A epidermólise bolhosa é clínica e geneticamente muito heterogênea, classificada em quatro tipos principais de acordo com a camada da pele na qual ocorre a formação de bolhas: simples (intraepidérmica), juncional (dentro da lâmina lúcida da membrana basal), distrófica (abaixo da membrana basal) e de Kindler (padrão misto de clivagem da pele). Além disso, a epidermólise bolhosa é subclassificada em diversos subtipos, que consideram as características clínicas, a distribuic¸ão das bolhas e a gravidade dos sinais cutâneos e extracutâneos. Variantes patogênicas em pelo menos 16 genes, que codificam proteínas essenciais para integridade e adesão das camadas da pele, já foram associadas aos distintos subtipos de epidermólise bolhosa. A marcante heterogeneidade da doença, que inclui fenótipos com amplo espectro de gravidade e muitos genes causais, dificulta sua classificação e seu diagnóstico. Por isso, dermatologistas e geneticistas reúnem-se periodicamente a fimde revisar e atualizar os critérios de classificac¸ão da doença. A presente revisão tem como objetivo atualizar o estado da arte sobre a epidermólise bolhosa hereditária, com foco especial nos aspectos clínicos e genéticos associados, e trazer dados do mais recente consenso de reclassificação, publicado em 2020. © 2020 Sociedade Brasileira de Dermatologia. Publicado por Elsevier España, S.L.U. Este é um artigo Open Access sob uma licença CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Palavras-chave: Epidermólise bolhosa; Dermatoses genéticas; Padrões de herança

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FLUMINENSE Aliando o conhecimento sobre técnicas consagradas e a atualização em tratamentos capilares, o Terahair 2020 Online da SBD Regional Fluminense realizado nos meses de junho e julho foi um sucesso. Sob a coordenação de Maria Fernanda Reis Gavazzoni Dias e Hudson Dutra, o evento apresentou a terapêutica capilar, os tratamentos tradicionais e polêmicos, cosméticos e procedimentos, além de um curso inédito de mesoterapia, entre outros temas. A mudança para o formato online, feita devido ao atual cenário de pandemia, não interferiu em sua qualidade e ampliou suas possibilidades.

RIO DE JANEIRO Faz mais de seis meses que, por causa da pandemia de Covid-19, a rotina das pessoas foi totalmente alterada. Mas se por um lado houve um distanciamento físico, por outro, a tecnologia nos aproximou em encontros virtuais. Os eventos realizados pela SBD-RJ passaram a ser acompanhados online por associados de fora do Rio, além de contar com especialistas, de fora do país. Dentro desse novo contexto, a Regional Rio passou a disponibilizar a todos associados da SBD, incluindo de outras Regionais, todo o conteúdo produzido, disponibilizado na área interna do novo portal (https:// sbdrj.org.br/).

A variedade de conhecimento científico produzido é vasta. Na área, o associado encontrará as gravações das reuniões mensais de 2020, em que estudos de casos são apresentados por residentes do Serviço Credenciado da SBD-RJ; palestras sobre temas atuais com experientes professores e dermatologistas brasileiros e estrangeiros; além de artigos, aulas dadas em eventos anteriores e os eventos online, que ficam disponíveis para os inscritos por dois meses. Outra importante fonte de consulta é a revista Rio Dermatológico, que traz assuntos relevantes e atuais na área da dermatologia, como a relação entre a Covid-19 e a pele. Confira todas essas novidades: https://sbdrj.org.br/

RIO GRANDE DO SUL A valorização do dermatologista em diferentes instituições e junto a população serão um dos objetivos da nova gestão da Regional, que assumirá para o biênio 20212022. Em assembleia que oficializou a posse, realizada no dia 31 de agosto, durante o último dia da Jornada Gaúcha de Dermatologia – online, foram apresentadas as ações da gestão e a nova diretoria, entre outros tópicos.

A diretoria eleita é composta por Analupe Webber (presidente); Rosemari Mazzuco (vice-presidente); Clarissa Prati Bernardi Cogo (secretária-geral); Juliano Peruzzo (primeiro secretário); Francine Batista Costa (secretária científica) e Juliana Catucci Boza (tesoureira).

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SERVIÇOS CREDENCIADOS SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Como ocorrido com os outros eventos da SBD-RESP deste ano, a 155ª Jornada Dermatológica Paulista também foi adaptada ao formato virtual. Pela primeira vez na história, o evento ocorreu de forma 100% online, em outubro, e contou com a participação de 130 especialistas. Também é a primeira vez que a Santa Casa de São José dos Campos organizou todo o encontro. “Um enorme desafio para nós, considerando que somos o Serviço mais ‘jovem’ da RESP. Começamos a funcionar em 2016”, afirma o chefe do Serviço de Dermatologia da Santa Casa de São José dos Campos. Segundo o médico, São José dos Campos sediou a primeira Jornada Dermatológica Paulista fora de um Serviço Credenciado, em 1982. “Essa jornada na década de 1980 deu origem aos Distritos Dermatológicos da SBD outro pioneirismo nosso”, lembra. Apresentação – Os 15 casos apresentados no dia 3 de outubro, quatro deles da Universidade de Taubaté, foram preparados com antecedência. “A diferença é que em vez de visitar os pacientes no ambulatório e produzir aglomerações, os participantes puderam ver as fotos detalhadas de cada um com a história clínica e os exames realizados”, informa Mandelbaum. Todos os inscritos receberam uma apostila científica com mais de 50 páginas contendo o resumo dos casos. Após as apresentações dos casos pelas médicas residentes da Santa Casa de São José dos Campos e da Universidade de Taubaté, houve discussão com a participação de cinco professores convidados: Silvio Alencar Marques, da UNESP-Botucatu; Paulo Ricardo Criado, da Faculdade de

Medicina do ABC; Leopoldo Santos, da Santa Casa de São Paulo e ex-presidente da Universidade de Taubaté; Mauro Enokihara, da Unifesp e presidente eleito para gestão 2021-2022 da SBD Nacional, e Mílvia Enokihara, dermatopatologista da Unifesp. A 155ª Jornada fez parte das comemorações dos 121 anos da Santa Casa de São José dos Campos, o mais importante hospital de São José dos Campos e RMVALE. A Santa Casa se tornou um Hospital-Escola e já oferece residência em cinco especialidades médicas. “Estávamos programados para uma grande festa com música ao vivo, apresentada por músicos da cidade, que são meus pacientes. Com as mudanças pela pandemia, mais uma vez fomos pioneiros, oferecendo nos intervalos música da mais alta qualidade apresentada por músicos de São José dos Campos”, informa Samuel Mandelbaum. Na foto, ele aparece ao lado do dermatologista Rodrigo Ieiri e de residentes do Serviço.

DEPARTAMENTO

Devido às atividades educacionais em relação à Covid-19 orientadas não apenas aos dermatologistas, mas a todos os médicos e profissionais da saúde, o coordenador do Departamento de Medicina Interna, Paulo Criado, foi recebeu uma homenagem pelo comprometimento com as | 36 36 | JSBD Volum 5 - 2020 JSBD Volume 24e l24 N.l4N.e 45 e- 2020

informações sobre a Covid-19 disseminadas em diferentes aulas, palestras, webmeetings e reportagens, em nome da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A cerimônia promovida pelo Cremesp ocorreu em agosto. “Agradeço a Diretoria da SBD pela confiança em mim depositada para essa tarefa, de forma que dedico está homenagem aos membros da nossa dedicada Diretoria em exercício da SBD, a qual se desdobrou em inúmeras atividades e ações para auxiliar os dermatologistas e a população durante esta desafiadora pandemia”, assinala o coordenador do Departamento de Medicina Interna da SBD, Paulo Criado.


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