SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA l ANO 21 l N. 1
5 e 6 de MAIO de 2017 CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA SÃO PAULO - SP
AGENDE-SE, EM MAIO SÃO PAULO ESPERA POR VOCÊ! INFORMAÇÕES: WWW.SBD.ORG.BR
REALIZAÇÃO: SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA
APOIO:
CONHEÇA A DIRETORIA EXECUTIVA DA SBD GESTÃO 2017/2018 DERMATO BAHIA 2017
CONFIRA O QUE ESTÁ SENDO PREPARADO PARA O MAIOR E MAIS IMPORTANTE ENCONTRO CIENTÍFICO DA SBD
JUNTAR PARA DESENVOLVER REUNIÃO DEBATE AS AÇÕES DA SBD E REGIONAIS NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br
DIRETORIA 2017/2018 PRESIDENTE
JOSÉ ANTONIO SANCHES | SP
VICE-PRESIDENTE
SÉRGIO LUIZ LIRA PALMA | PE
SECRETÁRIO-GERAL
FLÁVIO BARBOSA LUZ | RJ
TESOUREIRA
MARIA AUXILIADORA JEUNON SOUSA | RJ
1 SECRETÁRIO
HÉLIO AMANTE MIOT | SP
2A SECRETÁRIA
SÍLVIA MARIA SCHMIDT | SC
O
PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA
JORNAL DA SBD
Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Ano 21 – n.1 janeiro – fevereiro de 2017
COORDENADORA MÉDICA DO JORNAL DA SBD
CONSELHO EDITORIAL
Ana Maria Mósca de Cerqueira | RJ
José Antonio Sanches Sérgio Luiz Lira Palma Flávio Barbosa Luz Maria Auxiliadora Jeunon Sousa Hélio Amante Miot Sílvia Maria Schmidt
JORNALISTA RESPONSÁVEL Erika Drumond - Reg. MTB 31.383/RJ
REDAÇÃO E EDIÇÃO Erika Drumond
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Nazareno Nogueira de Souza
CONTATO PUBLICITÁRIO Priscila Rudge Simões
A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas.
Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20090-003 imprensa@sbd.org.br
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
1
SUMÁRIO
SEÇÕES E COLUNAS EDITORIAL COM O PRESIDENTE GRANDES DESAFIOS GRAPE O QUE O GRUPO DE APOIO PERMANENTE REPRESENTA PARA A SBD
3
8
CAPA Conheça os novos representantes da SBD no biênio 2017/2018
P.16
REUNIÃO COM PRESIDENTES DAS REGIONAIS UNIDAS, SBD NACIONAL E REGIONAIS BUSCAM AÇÕES EFETIVAS PARA OS PRÓXIMOS DOIS ANOS
10
ENTREVISTA – JOSÉ ANTONIO SANCHES O QUE PENSA O NOVO PRESIDENTE DA SBD
12
TECNOLOGIA E DERMATOLOGIA NOVOS RECURSOS TECNOLÓGICOS BENEFICIAM FACULDADES
20
QUALIDADE DE VIDA Questões que afetam a vida do médico
P. 6
TECNOLOGIA E POLÍTICA Médicos têm até o dia 31 de março para contribuir com a Revisão do Código de Ética Médica
P. 4
2 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
BIBLIOTECA 21 COMO USUFRUIR A BIBLIOTECA DA SOCIEDADE EVENTOS 22 CONFIRA OS DESTAQUES DESTE ANO DERMATO BAHIA 2017 LARGADA PARA O 72O CONGRESSO BRASILEIRO DA SBD NA BAHIA
24
OPINIÃO EM DEFESA DA DERMATOLOGIA E A LEI DO ATO MÉDICO
26
REGIONAIS
29
SERVIÇOS CREDENCIADOS
31
EDITORIAL COM O PRESIDENTE BIBLIOTECA
GRANDES DESAFIOS
É
com prazer que iniciamos um novo ciclo na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), e não são poucas as pautas com as quais a entidade está fortemente engajada. Nesta primeira edição de 2017 do JSBD, o presidente José Antonio Sanches Junior faz um resumo da agenda dos próximos dois anos. São muitas as necessidades da especialidade, mas a SBD está atenta, unida e focada em busca de melhorias para todos, com base em ações estratégicas e efetivas. Confira o que os gestores planejam para a sua gestão na matéria de capa, que também apresenta os novos diretores das Regionais e coordenadores da Diretoria Estendida. Na inédita reunião da Diretoria com os presidentes das Regionais, realizada em fevereiro na sede da SBD, o presidente ressaltou a importância e a plena confiança depositada no trabalho do grupo (Nacional e Regionais). Uma grande novidade inaugurada neste número é a coluna Opinião. Nela, sempre contaremos com a participação de dois especialistas que debaterão temas essenciais para a dermatologia e a medicina. Nesta edição tratamos de uma questão de grande relevância na dermatologia brasileira: a defesa da especialidade e a Lei do Ato Médico, dois grandes desafios a ser encarados por nossos especialistas. Para falar sobre o assunto, convidamos o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, e o coordenador jurídico do Conselho Federal de Medicina (CFM), Alejandro Bullón. Seguindo a linha das novas colunas, apresentamos a Qualidade de Vida, que abrangerá variados assuntos envolvendo cuidados com a saúde de maneira global. A intenção é fazer o associado refletir sobre os melhores caminhos, práticas e condutas para uma vida mais saudável e harmônica. Quem inaugura a seção é a coordenadora do Departamento de Psicodermatologia, a dermatologista carioca Marcia Senra. Mostramos, também, quais são os eventos programados pela Sociedade para este ano, incluindo o maior e mais especial deles, o Congresso Brasileiro de Dermatologia, na Bahia. O presidente Paulo Machado conta como está sendo a preparação para esse encontro, que ocorrerá daqui a seis meses. Em Tecnologia e Política lembramos que a tecnologia pode ser aliada de médicos, pacientes e também dos
ANA MARIA MÓSCA DE CERQUEIRA Coordenadora médica do JSBD 2017/2018 JOSÉ ANTONIO SANCHES Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia 2017/2018 alunos! Os novos recursos tecnológicos para a assinatura de documentos eletrônicos muito têm beneficiado a vida dos estudantes das universidades brasileiras. Em Biblioteca mostramos a enquete realizada pela SBD para mensurar o uso da ferramenta Rima por nosso associado. Veja ainda a representatividade do Grape para a SBD e a população, numa matéria que mostra o trabalho aguerrido feito por nossos dermatologistas do Sul até o Nordeste. Por fim, gostaria de ressaltar o empenho desta equipe editorial em tentar cumprir a missão de informar com qualidade o dermatologista brasileiro. Espero que você goste das mudanças que verá a partir deste número. Hoje temos uma publicação mais enxuta, com novos projeto gráfico e linha editorial. Estamos abertos para ouvir suas sugestões e críticas para, assim, atender a seus anseios da melhor maneira. Boa leitura. ANA MARIA MÓSCA DE CERQUEIRA Coordenadora médica do JSBD 2017/2018 JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
3
TECNOLOGIA E POLÍTICA
MÉDICOS TÊM ATÉ O FIM DE MARÇO PARA CONTRIBUIR COM A REVISÃO DO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA
Atualização será adequada aos novos tempos e reestruturada a partir dos avanços científicos, técnicos e das mudanças exigidas pela sociedade atual
A
té o dia 31 de março, a sociedade civil organizada – representada por associações médicas, sociedades de especialidades, entidades de ensino médico e outras – e médicos devidamente registrados nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) poderão sugerir alterações no Código de Ética Médica (CEM) por meio do hotsite www.rcem.cfm.org.br. A atualização do documento foi motivada pela necessidade de um amplo debate no contexto da categoria, dos Conselhos e da própria sociedade civil, em decorrência da evolução do mundo e da atual realidade do exercício da profissão médica. O processo teve início no primeiro semestre de 2016, com avaliação prévia das propostas pelas Comissões Estaduais de Revisão do Código, antes de submetê-las a uma Comissão Nacional instituída pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para reformular a edição prescrita pela Resolução CFM no 1.931/09, válida desde 2010. Participa-
4 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
ram desse processo conselheiros, representantes de entidades e consultores especialistas das áreas de bioética, filosofia, ética médica e direito, entre outras. Entre os temas debatidos, estão os relativos à ética médica, como distanásia, manipulação de células germinativas, terapia gênica, autonomia e diálogo livre e esclarecido, responsabilidade civil do médico, relação médico/paciente, situações clínicas irreversíveis e terminais e as diretrizes ético-profissionais. Segundo o dermatologista e presidente da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj), José Ramon Varela Blanco, a revisão é uma necessidade natural para que o documento passe a dialogar com a contemporaneidade e com os novos avanços da medicina e também para que a sociedade civil possa saber o que esperar do exercício profissional ético da medicina. “Os avanços da medicina, as-
TECNOLOGIA E POLÍTICA
N
COMO PARTICIPAR DA REVISÃO DO CEM
o portal www.rcem.cfm.org.br o participante seleciona o tipo de cadastramento que deseja efetivar entre as opções “Médico” ou “Entidadade da Sociedade Civil”. O sistema pede ao usuário médico o número do CRM e do CPF, e a sigla da unidade federada em que o registro profissional está ativo. As entidades da sociedade civil devem preencher os nomes da entidade e do responsável, o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a sigla do estado. Após o cadastro, mediante autenticação por e-mail e senha, o usuário é automaticamente conectado ao sistema, podendo apresentar propostas de alteração, inclusão ou exclusão de artigos e capítulos. Aparece a seguir um link para
sim como o tempo em que as sociedades civis se aprimoram, ganharam velocidades impressionantes. E, desse modo, comportamentos e atitudes devem acompanhar os passos desse caminhar. Contudo, se princípios são os alicerces, as regulamentações, os códigos de conduta necessitam, vez por outra, ser revistos e incorporar-se aos novos conceitos, recursos técnicos e posturas nas relações humanas”, declara o médico, que é integrante da Comissão Estadual designada para a avaliação das propostas apresentadas. HISTÓRICO A última revisão do Código ocorreu em 2007, sobre um documento que vigorava desde 1988. Durante 22 meses, conselheiros e especialistas estudaram e analisaram mais de 2.700 sugestões de médicos, conselhos regionais de medicina (CRMs), entidades da sociedade civil organizada
a página do formulário em que são exibidos os capítulos do atual Código de Ética Médica. Ao clicar no capítulo escolhido, abrem-se os arquivos correspondentes e um campo no qual o usuário deverá expor sua proposta de texto e argumentos para a modificação. “A revisão do Código de Ética Médica precisa acompanhar o constante desenvolvimento científico e tecnológico da medicina, os aspectos socioculturais e o avançar do mundo moderno, incluindo a forma de se comunicar com os nossos pacientes e com a sociedade. Temas como publicidade médica, bioética, autonomia profissional, responsabilidade civil médica e novas tecnologias merecem destaque”, ressalta o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma. e instituições científicas e universitárias. Como resultado, apresentaram à sociedade a versão atual da norma, que vigora desde 13 de abril de 2010 e é a sexta reconhecida na história do país. “A oportunidade que se abre para que os médicos possam opinar sobre o CEM é importante e imperdível. Quem vivencia a evolução da medicina nos últimos 40 anos, como é o meu caso, percebe a necessidade de uma melhor adequação desse instrumento normativo, para torná-lo mais moderno, mais justo e, por que não dizer?, mais respeitado. Nossa Sociedade, por intermédio de seus Departamentos e Comissões, tem procurado orientar o comportamento e as atividades dos associados, mas fica evidente que, com leis melhores e atualizadas, essas ações poderiam render melhores resultados”, realça o coordenador da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD, Octavio Moraes Junior. JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
5
QUALIDADE DE VIDA
Por Marcia Senra – Coordenadora do Departamento de Psicodermatologia da SBD
QUESTÕES QUE AFETAM A SAÚDE DO MÉDICO
C
omo ter qualidade de vida num mundo “líquido-moderno”? Segundo o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, “líquido-moderna” é uma sociedade em que as realizações individuais não podem solidificar-se, porque, num piscar de olhos, tudo se torna obsoleto antes de ser efetivamente aprendido. A “vida líquida” é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante. Há permanente temor de não se conseguir acompanhar a rapidez dos eventos, de ficar para trás, sobrecarregado de bens já então indesejáveis.Velocidade, e não duração, é o que importa. A vida líquida é uma vida de consumo. Nós, médicos dermatologistas, estamos inseridos na “modernidade líquida” produzindo um sentimento de fragilidade e incerteza que domina todas as esferas da vida afetiva e social, produzindo indiferença e desapego ao outro. Há indícios de que o estresse do médico em geral começa durante a graduação e de que o deficit da saúde física e mental persiste durante a residência médica.
6 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
De acordo com o Prof. Luiz Antônio Martins, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), há sintomas depressivos em 28,9% dos residentes no primeiro ano, decorrentes de fatores como privação do sono, pressão para conseguir vaga na especialidade desejada... Um em cada 15 médicos apresenta problemas com drogas e álcool. Durante o 2o Encontro Nacional de Conselhos de Medicina em 2016, a psiquiatra Alexandrina Meleiro relatou que os estudos internacionais indicam que os médicos cometem cinco vezes mais suicídios do que a população geral. No entanto, o risco de suicídio é quase sempre reconhecível e previsível. Sabemos que o médico tem muita dificuldade de pedir ajuda por não querer mostrar-se vulnerável. Assegurar a saúde de quem cuida também é garantir o cuidado da sociedade. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, a população mais afetada pela síndrome de burnout trabalha no setor pú-
QUALIDADE DE VIDA
blico. Essa síndrome impossibilita o profissional de ser feliz, saudável e ter uma vida profissional produtiva. O termo ganhou popularidade nos anos 70, especialmente entre as pessoas ocupadas em serviços de cuidados de saúde e sociais. Seria um estado de exaustão, que deve ser considerado sério. O uso de psicotrópicos tem aumentado expressivamente. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstram que em 2030 a depressão será a primeira das doenças a causar incapacidade. A dermatologia desenvolveu-se nas últimas décadas de forma extraordinária quanto ao aspecto técnico. Infelizmente, esse progresso não alcançou o que existe de mais precioso: a relação humana e a formação de novos profissionais. Para alguns autores, houve até um retrocesso nessas áreas. Portanto, como profissionais, devemos fazer uma avaliação frequente de nossas emoções, nossos relacionamentos, projetos de vida, frustrações, vitórias... O autoconhecimento, a autopercepção e autoaceitação podem atuar como agentes para preservar de desconfortos tanto o corpo quanto a mente. Para cuidarmos do outro, é necessário, em primeiro lugar, não fazer descaso de nosso corpo e de nossas próprias emoções. Nunca antes pudemos nos conectar uns com outros com tanta prontidão, e jamais foi tão fácil nos perder de nós mesmos. Em tempos de constantes ruído e distração, simplesmente parar e ficar em silêncio é um ato revolucionário num mundo barulhento. A psicodermatologia propicia para o especialista em doenças cutâneas o mapeamento da saúde integral para implementar ações preventivas. O dermatologista trata a doença; o psicodermatologista trata o paciente que tem a doença. É vital investigar os aspectos de nossos pacientes que não são visíveis, como, por exemplo, a intensidade do estresse emocional envolvido, a presença de doenças mentais e comportamentais primária ou secundariamente às doenças da pele. No nosso dia a dia, lidamos com doenças como psoríase, dermatite atópica, urticária, vitiligo, acne, hidrosadenite etc. e encontramos um imenso número de comorbidades psiquiátricas e psicológicas interferindo na qualidade de vida dos pacientes. O vínculo entre o dermatologista e o paciente é crucial: ouvir empaticamente, tratar a pele, observar suas emoções e saber lidar para tratar o paciente com
AVALIE SEUS DESEJOS E NECESSIDADES
DICAS
REVEJA SEUS VALORES
DURMA BEM
FAÇA EXERCÍCIOS FÍSICOS DIARIAMENTE
BEBA MAIS ÁGUA
CUIDE DA ALIMENTAÇÃO
farmacologia e utilizar outras intervenções necessárias na área de saúde mental se fazem mais cruciais a cada dia. Novos transtornos vieram com a modernidade, aumentando progressivamente sua incidência: vício em internet causando ansiedade, insônia, depressão e narcisismo; anorexia e bulimia, pelo abuso do padrão de beleza com distorção de imagem; estresse pós-traumático; obesidade. A desvalorização e principalmente o preconceito da doença mental, em contraponto às doenças físicas, são provas de que a sociedade não leva a depressão a sério. Para obtermos a avaliação da qualidade de vida dos profissionais da nossa SBD, poderemos enviar em breve um questionário sobre a saúde de cada um nos aspectos físico e mental. JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
7
GRAPE
Da esq. para a dir.: Cristina Wallner (fisioterapeuta), Letícia Eidt (dermatologista) e Paulo Cézar de Moraes (técnico de enfermagem e bacharel em saúde coletiva)
O QUE O GRAPE REPRESENTA PARA A SBD? O Grupo de Apoio Permanente exerce papel social muito importante na entidade e para a população, oferecendo suporte médico e psicológico a pacientes com doenças discriminativas e promovendo a quebra de preconceitos. Os benefícios de sua atuação são inúmeros
S
aúde e educação formam o alicerce de toda grande nação. Representam as bases para o crescimento do cidadão e de instituições em geral, proporcionando melhor qualidade de vida para todos. Foi com esse pensamento que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lançou, em 2013, o Grupo de Apoio Permanente (Grape-SBD) visando localizar, apoiar e orientar portadores de doenças de pele que possam ser discriminativas nos âmbitos social, profissional e até familiar, como psoríase, vitiligo, alopecia areata, hanseníase, câncer da pele, lúpus, doenças bolhosas, atopia e acne, entre outras. Esse apoio psicoemocional e educativo, que complementa a assistência recebida no ambulatório ou no consultório, já auxiliou muitas pessoas Brasil afora. “Esse trabalho idealizado há quatro anos pelo Prof. Dr. Oswaldo Delfini ajuda muita gente e precisa ser constantemente divulgado e alimentado, de maneira árdua e exaustiva, para que possa ser cada vez mais
8 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
conhecido pelos nossos associados e crescer”, comenta a coordenadora de Ações Institucionais da SBD, Elisabeth Lima Barboza. Para estimular o associado a participar do Grape e a conhecer seus detalhes, estão sendo programadas pela SBD algumas estratégias de divulgação, como a veiculação futura de um vídeo institucional e explicativo com orientações para esclarecer dúvidas do interessado em realizar esse trabalho na própria cidade em que vive. “O vídeo é uma ferramenta importante para mostrar às Regionais o que faz exatamente o Grupo, quais são os locais de atuação, a periodicidade das reuniões e o perfil de quem quiser desenvolver continuamente esse trabalho”, completa. UM EXEMPLO DE VOLUNTARIADO Na rotina de trabalho da dermatologista Letícia Eidt, especialista em hansenologia que atua no Ambulatório de
GRAPE
Dermatologia Sanitária (ADS), o voluntariado ocupa um bom espaço. Ela é a coordenadora do Grape Hanseníase Porto Alegre, que desde 2001, muito antes de o projeto iniciar no hospital, era desenvolvido no ADS com o nome Grupo de Vivência Para Pacientes com Hanseníase. Ao começar as atividades, no início dos anos 2000, o grupo era conduzido por dermatologistas e residentes de psicologia. Posteriormente, uniram-se à equipe profissionais de enfermagem, serviço social, nutrição e fisioterapia. “Desde sua implementação, o grupo teve como objetivos ser um espaço de acolhimento, apoio emocional, troca de informações, educação em saúde para pacientes, familiares e interessados. Estamos conseguindo melhorar a qualidade de vida de muita gente”, explica Letícia. Entre 2001 e 2010, os encontros eram semanais. A partir de 2011, passaram a ocorrer mensalmente nas dependências do Ambulatório de Hanseníase do ADS. “Até hoje, nossas reuniões ocorrem no turno da manhã, antes de iniciar os atendimentos médicos, pois como o Serviço é referência estadual para atendimento de hanseníase no Rio Grande do Sul, as distâncias percorridas pelos pacientes restringem o funcionamento do grupo às ocasiões em que eles vêm para a consulta”, informa. A médica declarou que mesmo com dificuldades surgidas para a manutenção do grupo, a equipe tem como meta manter o Grape Hanseníase, para que ele continue sendo um espaço de convivência, esclarecimentos, apoio e divulgação de informações sobre a hanseníase para pacientes, familiares e interessados, contribuindo para a diminuição do preconceito e da discriminação que envolvem a doença. “É um trabalho muito gratificante, porque mesmo um paciente sofrendo muito ou angustiado é capaz de ver o esforço do dermatologista e se sentir grato pelo tratamento, carinho e suporte que o profissional lhe dá”, comenta Letícia Eidt. HANSENÍASE NA BAHIA No Brasil, o trabalho dos 16 Grapes está espalhado em cinco estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Todos disseminam conhecimento sobre doenças excludentes e atendem a centenas de pessoas ao longo de cada ano. A Região Nordeste, no
Equipe do Departamento de Dermatologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da UFBA
entanto, ainda não tem nenhum grupo formado. Ainda assim, há dermatologistas envolvidos e atuantes em ações de atendimento a portadores de doenças excludentes, como é o caso do Departamento de Dermatologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que tem média de atendimento mensal de cerca de 1.500 pacientes, e, desses, 200 atendimentos de hanseníase. “Grupos de apoio são de fundamental importância para doenças como vitiligo, psoríase, hanseníase e epidermólise bolhosa, entre outras. Pacientes portadores dessas patologias demandam acompanhamento e orientações regulares. Dessa maneira, projetos educativos e de apoio psicoemocional são fundamentais para nossos pacientes. Existe ainda muita dificuldade de termos projetos desse tipo na nossa instituição, mas poder contar com o Grape em Salvador seria muito interessante”, observou a dermatologista do Departamento, Vitória Regina (foto acima). Quando questionada sobre a importância do estabelecimento do Dia Mundial de Combate e Prevenção da Hanseníase para a conscientização das pessoas e para maior participação do médico em campanhas de prevenção, a médica é enfática: “Essa data é, sem dúvida, um dia de conscientização. Porém, precisamos chamar a atenção sobre a doença durante todo o ano. É preciso que os Serviços, os residentes e os alunos de graduação estejam sempre em alerta ao examinar um paciente, e, diante de uma lesão suspeita, encaminhem para atendimento especializado, pois a hanseníase é hoje curável, e isso também é vital para diminuir a discriminação. Igualmente importante é o associado se engajar em campanhas de esclarecimento. Fortalece nossa especialidade e a dermatologia em todas as áreas de atendimento”, analisou. JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
9
REUNIÃO PRESIDENTES DE REGIONAIS
UNIDAS, SBD NACIONAL E REGIONAIS BUSCAM AÇÕES EFETIVAS PARA OS PRÓXIMOS DOIS ANOS A SBD se torna tanto mais forte quanto mais participativos forem seus membros, assim pensam os novos dirigentes, que se reuniram com os presidentes das Regionais às vésperas do Dia do Dermatologista, comemorado em 5 de fevereiro. A intenção da nova Diretoria é tornar essas discussões regulares para o aperfeiçoamento constante do trabalho da gestão
A
o assumir a coordenação nacional da SBD, a nova Diretoria convidou os 24 presidentes das Regionais para que, juntos, discutissem projetos e iniciativas a implementar nos próximos dois anos. Durante a manhã do dia 3 de fevereiro, na sede da Sociedade, no Rio de Janeiro, foi possível ouvir opiniões dos especialistas e assumir compromissos de trabalho conjunto com a SBD Nacional. Também foi momento importante para que a Diretoria conhecesse as expectativas e os desafios das Regionais. As conversas serão subsídios para as ações a desenvolver ao longo do biênio 2017/2018. Entre os assuntos abordados, a atuação junto às Ligas de Dermatologia; a capacitação da assistência básica; a definição de áreas de atuação; as relações institucionais; e a assessoria jurídica para Regionais que possuem poucos associados foram os destaques. A necessidade de ações sociais conjuntas com outras entidades e que partam das Regionais também esteve na pauta da reunião.
10 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
Foram elencadas, ainda, as prioridades da gestão, como o foco na Defesa Profissional e no desenvolvimento científico da dermatologia; na implementação de ações estratégicas em fóruns específicos com presidentes das Regionais e Conselho Deliberativo; na valorização científica dos congressos e otimização dos gastos; no aumento da adesão de residentes do primeiro ano por meio da isenção da anuidade para a categoria, entre outras questões. Os participantes trocaram ideias e experiências numa reunião marcada pelo espírito colaborativo. “Uma das nossas propostas é a transparência das informações e a participação de todos durante a gestão. As Regionais devem nos representar em cada parte do Brasil”, esclareceu o presidente da SBD, José Antonio Sanches. “A casa é de todos nós, e vamos trabalhar de forma conjunta nas mais diversas ações”, reiterou o vice-presidente, Sérgio Palma.
REUNIÃO PRESIDENTES DE REGIONAIS
Discussões entre Diretoria e presidentes das Regionais ajudam a amadurecer projetos e unificar discursos e práticas
Diante da boa aceitação dos presidentes das Regionais, os novos diretores pensam em reformular o modelo das reuniões da nova gestão, com a realização de mais uma reunião ao longo deste ano, em substituição às reuniões administrativas pré-Congresso Brasileiro de Dermatologia, em setembro. Também devem ser beneficiados com essa mudança os chefes de Serviços Credenciados, que se reunirão em breve com os dirigentes na sede da SBD. Aproveitando a estada no Rio de Janeiro, depois da reunião os presidentes conheceram as instalações da Sociedade, confraternizaram num almoço e seguiram para visitação do Museu do Amanhã, no Porto Maravilha, situado próximo à sede da entidade.
AÇÕES QUE PERMEARAM OS COMENTÁRIOS E OPINIÕES Redefinir repasse de valores dos eventos Contemplar a necessidade de educação ética do associado ou marketing ético n Capacitar assistência básica dos generalistas para atenção e atendimento n Atuar estreitamente junto às Ligas de Dermatologia n Rever áreas de atuação n Promover campanhas multidisciplinares de câncer da pele n Definir necessidade da distribuição de bolsas e pastas em congressos n Encontrar formas de melhorar as relações institucionais n Rever necessidade de festas em congressos n Considerar a importância da padronização e uniformização de logomarcas em eventos nacionais n Realizar ações sociais com outras entidades n Atuar em processos judiciais regionais n Pensar na realização de congressos de estudantes de medicina n Dispor de assessoria jurídica para Regionais menores n
“Procuramos estimular que as ideias e sugestões venham das Regionais para a Nacional para que possamos trabalhar no que for melhor para os associados” Sílvia Schmidt “Queremos passar esse espírito de horizontalidade da Diretoria da Nacional para que, de uma forma bem confortável e natural, vocês nos tragam suas demandas para que possamos estudá-las e executá-las da melhor forma.” Sérgio Palma “Estou muito gratificado com as atividades realizadas e com o quanto a SBD se renovou com seus 8.300 associados. Estou aqui de passagem e, com a experiência que adquiri ao longo do tempo, espero colaborar da melhor forma. Acho que tanto os mais experientes quanto os mais novos têm muitas coisas a contribuir com a SBD.” José Antonio Sanches
n
“Precisamos adequar algumas coisas para tornar a SBD mais robusta do que ela já é. Na posição de tesoureira, espero poder melhorar isso aos poucos.” Maria Auxiliadora Jeunon Sousa “Acreditamos no poder do coletivo para trabalhar em sintonia e envolver o associado. Um dos nossos principais papéis é promover a excelência da dermatologia e defender o dermatologista. Essa defesa vai ocorrer à medida que ações concretas sejam alinhavadas e colocadas em prática.” Flávio Luz “Hoje o conhecimento está em todos os lugares, e nossa missão é capilarizar cada vez mais a educação médica continuada, a fim de que as informações transitem para todos de forma mais difusa.” Hélio Miot
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
11
ENTREVISTA - JOSÉ ANTONIO SANCHES
O QUE PENSA O NOVO PRESIDENTE DA SBD Natural de Rio Claro, São Paulo, José Antonio Sanches tem mais de 30 anos de experiência em dermatologia. Formou-se em medicina pela Universidade Estadual Paulista (Botucatu), em 1980. No Hospital do Câncer de São Paulo especializou-se em rádio-oncologia, em 1983, e em dermatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1986. Em fevereiro de 2017, pouco depois de tomar posse do cargo, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da SBD, na qual mencionou vários desafios que precisará enfrentar, como o combate à invasão da especialidade, e novas prioridades como a promoção de programa de cursos de reciclagem online com fóruns de discussão capitaneados por experts da SBD. Aos colegas dermatologistas, Sanches dá o seu recado: “Trabalhando com um grupo jovem, muito entrosado e comprometido com os anseios dos associados fomos vencedores em um pleito que transcorreu de forma muito harmoniosa. E estamos aí para trabalhar em conjunto e da melhor forma possível pela SBD”. JORNAL DA SBD: COMO FOI SUA TRAJETÓRIA ATÉ CHEGAR À PRESIDÊNCIA DA SBD? JOSÉ ANTONIO SANCHES: Graduei-me em 1980 pela Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp). Como sempre me interessei pelo estudo das doenças crônico-degenerativas (e, portanto, da dermatologia, reumatologia, oncologia, hematologia), vi, inicialmente, na oncologia, uma possibilidade de atuar na área. Fiz residência em rádio-oncologia, durante três anos, no Hospital do Câncer, na Fundação A. C. Camargo, em São Paulo. Cheguei a trabalhar dois anos no Hospital do Câncer Erasto Gaertner, em Curitiba, onde sedimentei meus conhecimento de oncologia. Entretanto, não estava plenamente satisfeito e resolvi fazer dermatologia (que já era uma paixão desde os tempos de estudante). Conversei com a professora Neuza Dillon, que me recebeu de braços e coração abertos, para um estágio de seis meses em Botucatu. 12 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
No final desse período, ela me intimou a prestar residência em dermatologia. E assim fiz. Entrei na residência médica em Botucatu e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Como na ocasião minha esposa era professora e estava lotada na cidade de São Paulo, e por também estar curioso em conhecer outro Serviço, aconselhado pelo Professor Silvio Alencar Marques (que muito me estimulou a diversificar minha formação), optei pelo HC-FMUSP. E fui muito feliz. Pude conviver com grandes mestres, como Prof. Sampaio, Prof. Zamitti, Profa. Maria Aparecida Villela, entre outros. Mas foi o Prof. Evandro Rivitti que acabou sendo meu mentor para prosseguir na carreira acadêmica e societária. Fiz mestrado, doutorado e livre-docência na USP, até chegar ao concurso
ENTREVISTA - JOSÉ ANTONIO SANCHES para professor titular na ocasião da aposentadoria do Prof. Evandro. Na SBD-Resp ingressei como tesoureiro na gestão do querido Prof. Fausto Alonso (1994/1995). Ocupei vários cargos na Regional São Paulo e na Nacional até chegar à vice-presidência de ambas em 1998 e 2000/2001, respectivamente. Após esse período, percebi que deveria dedicar-me mais ao Departamento/Divisão de Dermatologia do HC-FMUSP. Passávamos por problemas políticos delicados dentro da Faculdade. Felizmente conseguimos superar tais dificuldades e hoje estamos com um Departamento fortemente consolidado. Fui membro da Comissão de TED da SBD durante oito anos até exercer sua Presidência. Foi um trabalho muito difícil, de aprendizado e experiência fantásticos. Sempre supus que seria fundamental, em algum momento, voltar a atenção para a nossa SBD e assim o fiz no ano passado por entender que estava pronto (ou quase) para pleitear sua Presidência. Trabalhando com um grupo jovem, muito entrosado e comprometido com os anseios dos associados, fomos vencedores em um pleito que transcorreu de forma muito harmoniosa. E estamos aí para trabalhar em conjunto e da melhor forma possível por nossa SBD. JSBD: O PRESIDENTE DA SBD REPRESENTA MAIS DE OITO MIL DERMATOLOGISTAS PERANTE A SOCIEDADE. QUAL É O MAIOR DESAFIO DA SUA GESTÃO? JAS: Representar mais de oito mil associados não é tarefa para uma pessoa e, sim, para uma equipe. Essa equipe é constituída pela Diretoria da SBD. O presidente gerencia essa equipe. Eu vejo como um enorme desafio dessa gestão o resgate da importância e da dimensão da nossa especialidade. Com o desenvolvimento da cosmiatria e da cirurgia dermatológica, que inquestionavelmente trouxe, traz e trará muitos benefícios para a dermatologia, preteriu-se, a meu ver, a dermatologia essencialmente clínica. A dermatologia é uma das especialidades médicas com maior número individualizável de doenças. Os diagnósticos são muito difíceis e sempre foram o maior desafio da especialidade. Hoje, com a compreensão da patogênese de muitas doenças, estão sendo desenvolvidas, cada vez mais, drogas para o tratamento de várias dermatoses como psoríase, urticária, hidrosadenite, dermatite atópica, entre outras, e também de cânceres como melanoma metastático, carcinomas basocelulares avançados, linfomas de pele etc. Percebo que o dermatologista, por questões que precisamos entender melhor, tem ficado um pouco desinteressado da abordagem dessas drogas e condições mais complexas, deixando que outros especialistas tomem conta dessas questões. Precisamos estudar, compreender e interferir nesse afastamento das questões mais complexas da especialidade. Esse processo nem é tão recente. Primeiro fomos perdendo espaço em relação às doenças infecciosas e sexualmente transmissíveis, depois em relação às neoplasias, e, agora, vejo doenças como urticária, dermatite atópica e psoríase sendo
abordadas por outros especialistas, inquestionavelmente respeitáveis, porém não afeitos aos diagnósticos diferenciais e ao conhecimento em profundidade do complexo universo das enfermidades cutâneas e tampouco da fisiologia da pele sã e sua interação sistêmica. Outro desafio relaciona-se à invasão de outros profissionais não médicos no que diz respeito aos procedimentos cosmiátricos. Além dos problemas inerentes aos procedimentos em si e suas complicações, há toda a falta de conhecimento desses profissionais quanto aos diagnósticos e doenças tegumentares isoladas ou como manifestação de doenças sistêmicas. Como um esteticista dará conta das complicações que possam ocorrer? Um farmacêutico, enfermeiro, biomédico ou dentista está apto a fazer o diagnóstico de possíveis doenças cutâneas ou sistêmicas concomitantes? Saberá contraindicar um procedimento? Também está compreendida como desafio, a defesa profissional. JSBD: QUAIS SÃO OS PROJETOS PRIORITÁRIOS DA GESTÃO 2017/2018? JAS: Como disse, a atuação na defesa profissional do exercício da especialidade; a revisão dos honorários profissionais (consultas e procedimentos) na medicina suplementar; a participação na discussão do processo de interiorização do médico especialista no Brasil; dar prosseguimento às ações junto ao SUS e ANS, defendendo a introdução de medicamentos e tecnologias para tratamento de doenças dermatológicas; a capilarização da EMC (presencial e online); a revisão dos próximos congressos da SBD, junto aos presidentes já eleitos, focando em maior inovação, qualidade e conteúdo; a discussão quanto aos cursos de pós-graduação/especialização que não preenchem os critérios mínimos; currículos mínimos junto ao Ministério da Educação; proporcionar maior aproximação dos associados à SBD, por meio de suas Regionais; atuar junto da AMB e Sociedades de Especialidade, tanto para o fortalecimento da respeitabilidade da dermatologia como para melhor atuação conjunta nas questões multidisciplinares. JSBD: PODERIA ADIANTAR ALGUM PROJETO NA ÁREA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA? JAS: Para este ano, estaremos focando na ampliação do conhecimento dos dermatologistas em relação aos imunobiológicos e suas aplicações no tratamento das doenças da pele. Todo dermatologista deve, no meu entender, conhecer em profundidade, com uma visão crítica e racional, desde a farmacologia, indicações e até administração desses fármacos. Para o próximo ano, focaremos na atenção ao envelhecimento além das rugas. Nós, dermatologistas, temos que estar atentos ao aumento da longevidade e suas consequências. É fato inquestionável a importância da atuação conjunta com outras especialidades médicas e outras profissões na minimização JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
13
ENTREVISTA - JOSÉ ANTONIO SANCHES do processo deletério do envelhecimento. Não acredito em medicina antienvelhecimento, mas sim em medicina voltada para o envelhecimento com qualidade de vida, física, mental e social! JSBD: COMO SERÁ O RELACIONAMENTO COM OS ÓRGÃOS DE SAÚDE EM GERAL? JAS: Estamos atentos para a importância da interação entre SBD, órgãos e agências governamentais, como Ministério da Saúde (MS), Ministério da Educação (MEC), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Agência Nacional de Saúde (ANS). E empenhados em dar continuação a ações promovidas pela Diretoria anterior, estamos nos preparando para interagir, sob assessoria especializada, com nossos parlamentares (Câmara e Senado) apresentando e defendendo assuntos de interesse social, técnico e regulatório da especialidade. Já somos representados no Conselho Científico da AMB e na Câmara Técnica de Dermatologia do CFM assim como em outras instâncias importantes. JSBD:O QUE É RENOVAR, LEMA DA NOVA DIRETORIA? JAS: De maneira nenhuma significa começar de novo. Todas as diretorias anteriores, desde a fundação da SBD, fizeram-na grande! Mas, em todas as instâncias, públicas e privadas, existe necessidade de momentos de renovação na forma de administrar, de pensar os problemas, de conversar com as instituições, de refletir sobre de onde viemos, onde estamos e para onde queremos ir. Na SBD, significa também ouvir os anseios dos associados, mesclar “velhos” e “jovens”, oxigenar! Valorizar, em primeiro lugar, o saber, a técnica, a experiência e os princípios éticos, sem, de maneira alguma, desvalorizar a amizade, os bons acordos políticos e respeito às diferenças! E, renovar, por que não?, os rumos da dermatologia nacional! JSBD:E A RELAÇÃO COM AS REGIONAIS DA SBD, COMO SERÁ? JAS: Entendemos as Regionais como parte integrante e contínua da SBD Nacional. Elas devem ser o canal principal de comunicação entre o associado e a Nacional, assim como devem ter participação ativa na compreensão dos problemas regionais da especialidade, suas demandas e ainda atuar ativamente, junto da Nacional na EMC. Já fizemos uma reunião com os presidentes das 24 Regionais na sede no Rio de Janeiro. O encontro foi muito produtivo. Houve participação bastante ativa de seus presidentes na formulação de propostas que, a meu ver, melhorarão ainda mais a relação da SBD Nacional e suas Regionais. E o mais importante é que transcorreu em clima de muita cordialidade e maturidade. Entendemos que projetos sociais (Xeroderma Pigmentoso em Araras (GO)/Albinos, Santa Casa de São Paulo, entre outros) devem ser capitaneados pelas Regionais/Serviços Credenciados, obviamente em coparticipação com a Nacional. 14 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
JSBD: A SBD NACIONAL DARÁ CONTINUIDADE À REALIZAÇÃO DE EVENTOS CONJUNTOS COM AS REGIONAIS? QUAL É A IMPORTÂNCIA DESSA PARCERIA? JAS: Sim! A importância maior está na valorização das Regionais e na maior facilidade de captação de recursos financeiros para os eventos. Também conseguiremos diminuição do número de eventos. Entendemos como mais interessante para o associado e para os patrocinadores atrelar alguns eventos da Nacional a grandes eventos das Regionais. JSBD: O QUE A SBD PODERIA FAZER MAIS DO QUE TEM FEITO? JAS: Promover maior interação com a academia (ensino e pesquisa), o governo (regulação e fomento), a indústria farmacêutica e de tecnologias em saúde (inovação e patrocínio) e a sociedade civil (demandas/necessidades). JSBD: EXISTE UMA PERSPECTIVA DE REVISÃO DO MODELO DAS REUNIÕES DA NOVA GESTÃO? JAS: Eu gostaria muito de fazer mais reuniões com presidentes de Regionais, coordenadores de Departamentos e chefes de Serviço, para que delas emanassem temas/assuntos importantes, fundamentais, cruciais. Seriam, então, discutidos em fóruns para que se produzissem resoluções, diretrizes, consensos etc. JSBD: UM DOS PROJETOS VOLTADOS PARA O JOVEM DERMATOLOGISTA É A ISENÇÃO DA ANUIDADE DO RESIDENTE DE PRIMEIRO ANO. COMO SERÁ FEITO? JAS: A iniciativa visa aumentar a adesão dos residentes/especializandos à SBD. O objetivo principal é trazer os futuros jovens dermatologistas para dentro da instituição para que ela possa ajudá-los e também para que eles oxigenem a SBD. Essa oportunidade de isenção só vai existir por um período restrito, de aproximadamente um mês, e que será divulgado em breve nos canais de comunicação da SBD. JSBD: QUE MENSAGEM GOSTARIA DE DEIXAR PARA OS ASSOCIADOS? JAS: Que sejam os principais agentes na valorização da especialidade. Acredito que cada um de nós é responsável, como cidadão e agente de saúde! Temos que dar nosso melhor desempenho técnico, ético, transformador e multiplicador! Sejamos responsáveis! Nunca levianos!
CAPA
Diretoria abre espaços para encontrar, em conjunto com o associado, soluções para decisões futuras
CONHEÇA OS MEMBROS DA DIRETORIA EXECUTIVA, ESTENDIDA E PRESIDENTES DAS REGIONAIS GESTÃO 2017/2018
E
m seu primeiro discurso como presidente da SBD, José Antonio Sanches firmou o compromisso de dedicar esforços para garantir que a categoria possa exercer a dermatologia de forma ética, justa e em sintonia com os anseios dos dermatologistas de todo o Brasil. Embora o país esteja passando por momento histórico atribulado, a Diretoria se mostra otimista e confiante em tempos melhores para a saúde e dermatologia brasileiras. Os eixos norteadores da Sociedade nos próximos dois anos, de acordo com os novos gestores, estão balizados na consolidação e ampliação das ações que já vêm sendo empreendidas e outros projetos fundamentais. Entre eles, promover intensamente as atividades de educação continuada por meio da difusão de atividades a distância; aperfeiçoar a qualificação tanto profissional quanto das práticas dos Serviços; estimular a produção cien16 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
tífica nacional; elaborar diretrizes, normas técnicas e manuais por intermédio dos Departamentos especializados – com apoio de pesquisadores, professores e associados com experiência comprovada no tema; compor uma comissão de valorização de honorários médicos, tabelas de procedimentos e cooperativismo junto às Comissões Estaduais e Nacional de Honorários Médicos, às operadoras de planos saúde e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); promover aproximação às demais sociedades de especialidades médicas; e integrar a SBD nas discussões nacionais da categoria com entidades e estratégias de saúde do Ministério. A Diretoria Executiva da SBD é formada pelo presidente José Antonio Sanches e outros cinco membros. Na página ao lado, você encontra perfis reduzidos de cada um deles.
CAPA
PRESIDENTE José Antonio Sanches | SP
VICE-PRESIDENTE Sérgio Luiz Lira Palma | PE
Professor titular, chefe de departamento, orientador e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Graduado em medicina pela Universidade Estadual Paulista, campus de Botucatu (1980). Residência médica em rádio-oncologia no Hospital do Câncer de São Paulo (1981-1983) e em dermatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (1985-1986). Especialista em radioterapia pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e em dermatologia pela SBD. Mestre (1994), doutor (1998) e livre-docente (2007) em medicina (dermatologia) pela USP. Fez MBA em economia e gestão em saúde na Universidade Federal de São Paulo (2010). Ocupou vários cargos na SBD-Resp e na SBD Nacional, tendo sido vice-presidente de ambas. Foi membro da Comissão de Título de Especialista por oito anos, presidindo-a em 2013.
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1994. Residência médica em clínica médica no Hospital da Restauração (1996-1998) e pós-graduação em Dermatologia no Hospital Oswaldo Cruz da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (1999-2001). Especialista em dermatologia pela SBD e AMB. Preceptor do Ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia do Recife – Centro de Estudos Dermatológicos do Recife (Ceder). Membro da Câmara Técnica de Dermatologia do CFM. Presidente da SBD-PE nas gestões 2013/2014 e 2010/2012. Vice-presidente da SBD-PE na gestão 2008/2009. Tesoureiro da SBD-PE na gestão 2006/2007. Delegado da SBD-PE na gestão 2015/2016. Membro da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD. Membro temporário do Conselho Deliberativo da SBCD.
Concluiu graduação em medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), onde também se especializou em dermatologia. Mestre em dermatologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É especialista em dermatologia pela SBD e AMB, e professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF). Na gestão 2013/2014, assumiu a vice-presidência da SBD Regional Rio de Janeiro, além de ter presidido o DermaRio 2014. Foi presidente da SBD Regional Rio de Janeiro (2015/2016). SECRETÁRIO-GERAL Flávio Barbosa Luz | RJ
TESOUREIRA Maria Auxiliadora Jeunon Sousa | RJ
1o SECRETÁRIO Hélio Amante Miot | SP
2a SECRETÁRIA Sílvia Maria Schmidt | SC
Graduada em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), em 1976. Entre 1977/1978 fez residência médica em Dermatologia no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj). Foi professora do Serviço de Dermatologia e chefe do Setor de Dermatopatologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj), de 1979 a 2008. Ocupou o cargo de secretária-geral da SBD Regional Rio de Janeiro (1990). É especialista em dermatologia pela SBD e em hanseníase pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH). Atualmente é visiting/research/fellowship em dermatopatologia na New York University e no Jefferson Medical College (sob a direção do Prof. A. Bernard Ackerman), além de editora contribuinte do site derm101.com.
Formado em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1997. Com residência em Dermatologia na Unesp em 2000 e doutorado em Patologia na FMUSP em 2005. Livre-docência em dermatologia na Unesp 2014. Professor adjunto do Departamento de Dermatologia e Radioterapia da Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp. Orientador de mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Patologia da FMB-Unesp e do mestrado profissional na residência médica (Meparem). Preceptor do serviço de residência médica da FMB-Unesp. Membro do Conselho decisório da SBD-Resp. Presidente do Distrito Dermatológico da SBD-Resp Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq PQ2. Editor associado do Jornal Vascular Brasileiro e do Current Dermatology Reports. Membro do Conselho Editorial e editor de área (medicina interna) dos ABD. Membro titular da SBD e membro da SBCD. International fellow da AAD.
Formada em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1988, fez especialização em dermatologia na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro-PUC, em 1991. É membro titular da SBD e da SBCD desde 1992 e preceptora do Ambulatório de Dermatologia do Hospital Universitário da UFSC (1998-2004). Foi tesoureira da SBD-SC (1997/1998) e coordenadora científica da SBD-SC (1999/2000). Em 2007, exerceu o cargo de secretária da SBCD e do XIX Congresso da SBCD, em Florianópolis. Entre outros cargos que ocupou, estão a vice-presidência da SBD-SC (2009/2010), a presidência da SBD-SC (2011/2012), e a tesouraria do 66o Congresso de Dermatologia em Florianópolis (2011). Também foi delegada pela SBD-SC (2013/2016) e tesoureira adjunta da SBCD na gestão 2015/2016. É vice-presidente da SBCD 2017/2018.
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
17
CAPA
PRESIDENTES DE REGIONAIS 2017/2018 l
SBD REGIONAL ALAGOAS
l
SBD REGIONAL PARÁ
José Roberto Amorim
Walter Refkalefsky Loureiro
l
SBD REGIONAL AMAZONAS
l
SBD REGIONAL PARAÍBA
Mônica Nunes de Souza Santos
Victor Miguel Coutinho Fernandes
l
SBD REGIONAL BAHIA
l
SBD REGIONAL PERNAMBUCO
Anete Olivieri Pessoa da Silva
Jaci Maria Santana
l
SBD REGIONAL CEARÁ
l
SBD REGIONAL PIAUÍ
Antônio Renê Diógenes de Sousa
Fernanda Ayres de Morais e Silva Cardoso
l
SBD REGIONAL DISTRITO FEDERAL
l
SBD REGIONAL PARANÁ
Simone Karst Passos
Anber Ancel Tanaka
l
SBD REGIONAL ESPÍRITO SANTO
l
SBD REGIONAL RIO DE JANEIRO
Paulo Sérgio Emerich Nogueira
Egon Luiz Rodrigues Daxbacher
l
SBD REGIONAL FLUMINENSE
l
SBD REGIONAL RIO GRANDE DO NORTE
Simone de Abreu Neves Salles
Danielle Priscila Gomes e Souza Espinel
l
SBD REGIONAL GOIÁS
l
SBD REGIONAL RIO GRANDE DO SUL
Adriano Jaime Consorte Loyola
Clarissa Prati Bernardi Cogo
l
SBD REGIONAL MARANHÃO
l
SBD REGIONAL SANTA CATARINA
Antônio Regis de Albuquerque Junior
Mauricio Amboni Conti
l
SBD REGIONAL MINAS GERAIS
l
SBD REGIONAL SERGIPE
Ana Claudia de Brito Soares
Sônia Maria de Santana
l
SBD REGIONAL MATO GROSSO DO SUL
l
SBD REGIONAL SÃO PAULO
Alexandre Moretti de Lima
Ricardo Seiji Shiratsu
l
SBD REGIONAL MATO GROSSO
l
SBD REGIONAL TOCANTINS
Renato Roberto Liberato Rostey
Mariana Couto de Andrade Alpino
DIRETORIA ESTENDIDA 2017/2018 ANAIS BRASILEIROS DE DERMATOLOGIA
JORNAL DA SBD
Editor Científico: Sinésio Talhari Editores Associados: Bernardo Gontijo Everton Carlos Siviero do Vale
Coordenadora: Ana Maria Mósca de Cerqueira
Coordenador: Leonardo Spagnol Abraham
Silvio Alencar Marques
SURGICAL & COSMETIC DERMATOLOGY Editora-chefe: Bogdana Victoria Kadunc
18 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
MÍDIA ELETRÔNICA
BIBLIOTECA Direção: Luna Azulay
HOMENAGENS
NOTA DE FALECIMENTO A SBD Nacional lamenta profundamente o falecimento do médico dermatologista e associado titular Mário Fernando Ribeiro de Miranda, no dia 10 de fevereiro, em Belém, aos 71 anos de idade. Nascido no dia 29 de setembro de 1945, em Belém do Pará, o dermatologista presidiu a Regional Pará (1995/1996), tendo participado da solenidade de sua fundação em 1986. Foi presidente do Congres-
riedade à família e agradece a honra de ter tido Má-
so Brasileiro de Dermatologia em Belém (2009) e,
rio Miranda como um de seus membros e colegas.
por diversas vezes, assumiu o cargo de coordenador
O secretário-geral da SBD, Flávio Luz, compareceu
de Departamento da Sociedade. Entre suas áreas de
ao sepultamento e prestou a última homenagem
interesse estavam a dermatologia clínica e a derma-
ao dermatologista paraense, que teve a bandeira da
topatologia. A SBD Nacional presta toda sua solida-
SBD coberta em seu caixão.
5 DE FEVEREIRO, DIA DO DERMATOLOGISTA A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) parabeniza os seus mais de 8.300 profissionais associados, espalhados por todo o país, pela integridade, profissionalismo
e
dedicação
na luta diária. Graças ao seu trabalho, mais pacientes vivem com qualidade de vida, saúde e confiança. Parabéns a todos que fazem com que a dermatologia brasileira esteja na vanguarda da especialidade em todo o mundo. Parabéns à SBD pelos seus 105 anos de história!
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
19
TECNOLOGIA E DERMATOLOGIA
NOVOS RECURSOS TECNOLÓGICOS BENEFICIAM FACULDADES Plataforma de assinatura para documentos eletrônicos, incluindo o diploma acadêmico, poupa tempo, dinheiro e recursos naturais
R
econhecido pelo Ministério da Educação (MEC), os diplomas universitários eletrônicos são uma realidade em nosso país. Além de reduzir o custo com papel, impressão e envio pelo correio, a certificação digital melhora e simplifica os processos nas organizações e também em instituições públicas de ensino do país, como a Universidade de Brasília (UnB) e Universidade de São Paulo (USP), exemplos de instituições acadêmicas que hoje emitem certificados e de conclusões de cursos de extensão, graduação e pós-graduação. A situação da UnB antes da informatização dos diplomas era dramática. A universidade lidava com atraso de 300 mil certificados, e os custos para emissão dos diplomas subtraíam mais de cinco milhões de reais dos cofres públicos. Para reverter o quadro, a universidade procurou uma solução junto ao Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), autarquia federal que tem por missão manter e executar as políticas da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), que por sua vez indicou algumas empresas para desenvolver uma solução com base em certificação digital que tornasse o processo rápido, prático e eletrônico. Por meio de uma plataforma web específica para assinatura digital de certificados, os diplomas passaram a ser assinados digitalmente em questão de segundos e enviados por e-mail para os ex-alunos. “São 500 mil diplomas de extensão emitidos anualmente pela UnB, e esse novo processo agilizou sua emissão, gerando considerável economia”, observou Janaina Ferraz, diretora de Formação Continuada da UnB – Interfoco Dex UnB. Além de diplomas, a solução permitiu ainda a assinatura digital de vários outros documentos, como todas as declarações emitidas pela universidade. 20 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
Ex-alunos da USP também constataram a agilidade no acesso aos certificados. Pioneira na emissão de certificado oficial digital no país, com validade em todo o território nacional, a universidade disponibiliza a digitalização dos dados dos estudantes que colaram grau a partir de 1987. Somadas a todas essas facilidades, o sistema também reduz a quase zero as possibilidades de falsificação de documentos, pois funciona como a certificação já usada no sistema judiciário ou no Cadastro de Pessoa Física (e-CPF). A USP fornece um número, e o usuário entra no site e acessa o documento. Na universidade o diploma tradicional feito em papel-moeda coexiste com o virtual. “Os alunos formandos nas faculdades de medicina que têm de fazer o exame de residência e precisam rapidamente comprovar a graduação; os formandos do curso de direito que precisam do diploma para fazer o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); os concursandos e os alunos de pós-graduação, todas essas pessoas terão enorme ganho em celeridade”, ponderou Rubens Beçak, secretário-geral da USP. TECNOLOGIA PARA AMPLIAR A INTERATIVIDADE Durante eventos científicos, tudo o que puder ser feito para aumentar a interatividade do associado é válido. Para realizar essa conexão de forma efetiva, o uso de aplicativos são uma ótima opção. São ferramentas que encorajam a colaboração e a interação dos participantes com o envio de perguntas aos palestrantes. Essa prática foi realizada pela primeira vez durante o 9o Simpósio Nacional de Cosmiatria e Laser da SBD e o 3o TeraRio, em outubro do ano passado, no Rio de Janeiro, e pela sua aceitação tem grandes chances de ser repetida em outros encontros promovidos pela SBD.
BIBLIOTECA
COMO USUFRUIR DA BIBLIOTECA DA SOCIEDADE Além do espaço físico, a Biblioteca da SBD tem acervo virtual que permite ao associado acompanhar os novos artigos que deram entrada na base de dados, antecipando suas atualizações
N
a Biblioteca da SBD, a maior e mais completa da América Latina na especialidade, podem ser encontrados livros, incluindo raridades, periódicos, teses e documentos relativos à dermatologia e a sua história. Com acervo de cerca de três mil títulos nacionais e internacionais e 2.400 títulos de periódicos de várias especialidades médicas, e milhares de artigos indexados pelas principais bases de dados, como MedLine e Lilacs, a biblioteca é importante ferramenta que a entidade disponibiliza na busca de informações para a educação médica continuada. Além do conteúdo científico, são oferecidos ao dermatologista alguns serviços específicos, como o Comut, que é a obtenção de cópias de documentos técnico-científicos não disponíveis no acervo, mas que podem ser encontrados em outras bibliotecas e centros de documentação brasileiros e em serviços de informação internacionais; a normalização bibliográfica com orientações de padronização de referências de acordo com a ABNT e Vancouver para a publicação em revistas especializadas; e o acervo on-line para pesquisas rápidas. Outro projeto que auxilia o associado na realização de suas pesquisas na internet é o de atualização do catálogo do acervo geral por meio do catálogo on-line Personal Home Library (PHL) – sistema desenvolvido especialmente para a organização de coleções e serviços de bibliotecas via web. O PHL já abriga o acervo raro completo, além de teses e dissertações, livros, alguns periódicos e parte da coleção de fitasVHS. O Jornal da SBD e o Jornal da Academia Americana também já foram catalogados no PHL, sendo que do primeiro há o link direto para o site do jornal no próprio catálogo. Diante de todos esses benefícios, a equipe da Biblioteca convida o associado para usufruir e conhecer a fundo esse espaço da Sociedade. Atualmente a equipe da Biblioteca da SBD é composta pela dermatologista Luna Azulay (direção), pela bibliotecária Vanessa Zampier (coordenação), por Marcella Justo (auxiliar de biblioteca) e Thamira Barros e Larissa Quintanilha (estagiárias).
PARCERIAS: UMA NECESSIDADE ATUAL Segundo Luna Azulay, atualmente se faz necessária a atualização científica pelos mais diferentes meios, incluindo as pesquisas em bibliotecas digitais. A Rede de Informática de Medicina Avançada (Rima) é um bom exemplo. A ferramenta coloca à disposição dos associados atualizações científicas por meio de mais de 2.500 revistas internacionais, 59 pesquisas personalizadas de informação médica sobre temas específicos, trabalhos de medicina baseada em evidências, coleções de diretrizes da prática clínica, entre outros. Considerando todos os seus benefícios, em meados de fevereiro, a Diretoria enviou uma enquete aos usuários da Rima para mensurar a importância nas pesquisas dos dermatologistas associados. O resultado mostrou que a ferramenta é amplamente utilizada e terá sua assinatura renovada por mais seis meses. “Nossa biblioteca tem um grande acervo, além de coleções atualizadas dos principais periódicos em dermatologia provenientes da EBSCO. Ao mesmo tempo, nossos associados podem usar também a Rima. A Diretoria decidiu, partir da consulta ao associado, manter essa ferramenta que é bastante utilizada pelo dermatologista”, ressalta Luna. Para a especialista Silvia Marcondes Pereira, de São Paulo, o conceito de biblioteca digital se apresenta como uma alternativa para ampliar as condições de busca, disponibilidade e recuperação de informações de maneira globalizada, eficaz e ágil. A médica faz de uma a duas consultas semanais à Rima, e lê em média três artigos quando necessita saber mais sobre um determinado assunto. “Acho vital o acesso à bibliotecas digitais em qualquer área, principalmente na área médica, que exige de nós atualização constante. São ferramentas que trazem maior facilidade e praticidade na busca de mais conhecimentos médicos e pesquisa de tudo que existe sobre cada tema. O acesso a informações médicas por via digital é irreversível, facilitador e, quando bem utilizado, de fundamental importância.”
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
21
EVENTOS
EVENTOS: CONFIRA OS DESTAQUES DESTE ANO Trazemos para você um resumo dos eventos nacionais preparados pela SBD para 2017. Participar desses eventos é uma excelente oportunidade de atualização e congraçamento. Confira e agende-se
N
o dia 4 de maio, véspera da nona edição do Teraderm, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, a SBD sediará o 1o Simpósio Nacional de Imunobiológicos conjuntamente com o IX Simpósio Nacional de Psoríase, encontro completo na área de psoríase promovido pela Sociedade. Sob a coordenação dos dermatologistas Caio César Silva de Castro (PR) e Paulo Ricardo Criado (SP), reunirá renomados especialistas, pesquisadores e professores, bem como residentes de dermatologia para o debate de temas atuais e apresentação de casos. A novidade do Simpósio deste ano será a realização de uma reunião do Grape-SBD São Paulo com pacientes e médicos para a discussão de políticas públicas que resultem na melhoria da qualidade de vida das pessoas com a doença, acesso a medicações como imunobiológicos para psoríase e artrite psoriásica, entre outros aspectos. Durante as aulas, serão expostos temas envolvendo as polêmicas de tratamento a longo prazo; o uso da ciclosporina; fototerapia; além dos novos tópicos: princípios básicos dos imunobiológicos e políticas de obtenção dos imunobiológicos; e como lidar com um paciente internado.
22 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
T
radicional no calendário de eventos dermatológicos no país, o Teraderm já está sendo preparado. O encontro ocorre nos dias 5 e 6 de maio, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, e é presidido por Clarisse Zaitz, Flavia Bittencourt, Jayme Oliveira Filho e Ricardo Shiratsu. Sua essência nessa nona edição se mantém: serão oferecidas atualizações e reciclagem em relação às práticas em terapia dermatológica por meio de palestras curtas e em formato de talk show. Fotoprotetores, melanoma cutâneo, nutracêuticos, microagulhamento e criolipólise são alguns dos temas previstos na programação do encontro, que no último ano contou com 100 apresentações de renomados especialistas.
EVENTOS
RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO RECEBE DOIS GRANDES ENCONTROS DA ESPECIALIDADE
SIMPÓSIO DE COSMIATRIA & LA SE R DA SBD
A
SBD realizará a segunda edição do Simpósio Internacional de Cabelos e Unhas, nos dias 4 e 5 de agosto de 2017, no Rio de Janeiro. O encontro apresentará novas abordagens terapêuticas nesses dois campos da especialidade com a presença de destacados profissionais na área. Na programação científica estão previstos cursos teóricos e práticos pré-simpósio que contemplarão, entre outros temas, cosméticos em cabelos, dermatoscopia de couro cabeludo e unhas, dermopigmentação de couro cabeludo, cirurgia ungueal e transplante capilar.
Campos do Jordão Convention Center
E
ntre 2 e 4 de novembro, a cidade de Campos do Jordão, em São Paulo, vai receber a décima edição do Simpósio de Cosmiatria e Laser da SBD em conjunto com a 22a Reunião Anual dos Dermatologistas do Estado de São Paulo (Radesp). É a segunda vez que esses dois eventos de sucesso se unem numa interessante parceria entre a SBD Nacional e a SBD-Resp. A primeira ocorreu em 2015, também em Campos de Jordão. Trata-se de encontros completos em que o especialista associado poderá respirar a essência da dermatologia, contemplada em todas as suas área de atuação: clínica, cirúrgica, cosmiátrica, laser e outras tecnologias. Renomados palestrantes nacionais e internacionais farão parte da grade de programação científica, que terá conteúdo amplo e abordagem dinâmica, a fim de que os participantes entrem em contato com o que há de melhor e mais atual nessas áreas da especialidade. Mais informações serão disponibilizadas em breve no site da SBD (www.sbd.org.br).
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
23
DERMATO BAHIA 2017
LARGADA PARA O 72O CONGRESSO DA SBD NA BAHIA São 17 anos desde o último CSBD na terra da felicidade, como descreveu Ary Barroso, um dos nossos maiores compositores que exaltava as qualidades e valores do Brasil mundo afora
Assim como a paisagem, a estrutura interna da Costa do Sauípe é de tirar o fôlego
A
pós passar por Porto Alegre, em 2016, e ter atraído cerca de 3 mil pessoas, o principal evento da SBD, o Congresso Brasileiro de Dermatologia (Dermato Bahia 2017), chega a sua 72a edição, que será realizada de 7 a 10 de setembro, na bela Costa do Sauípe. Presidido por Paulo Machado (foto), o evento, que volta à Bahia depois de 17 anos, é rico de possibilidades e está com a programação científica praticamente fechada com assuntos voltados para a dermatologia de A a Z, alto nível dos palestrantes nacionais e internacionais, mais espaço para interação entre plateia e apresentadores, e discussão de temas controversos. Segundo Paulo Machado, uma coisa é certa: o associado inscrito participará de um congresso bastante especial, com
24 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
forte programa científico e com tudo de melhor que a Bahia tem a oferecer. “Com certeza. Queremos mais participação dos sócios nas diversas sessões e estamos trabalhando com muita disposição e garra para fazer um congresso de alto nível científico, e que atenda da melhor maneira possível às expectativas dos colegas da SBD”, explicitou, acrescentando que o encontro vai ratificar a representatividade da Regional Bahia no cenário dermatológico: “a SBD-BA tem muito a contribuir e quer receber todos de braços abertos. Além disso nossa missão é também abrir espaços e dar oportunidades aos jovens dermatologistas daqui e de todo o Brasil”.
DERMATO BAHIA 2017
Esperamos que todos prestigiem essa terra que é de todos e que representa a alegria, a criatividade e a luta do povo brasileiro frente a qualquer tipo de adversidade De acordo com o dermatologista, estão programados 23 cursos teóricos, 36 cursos práticos em vídeo, três PPVs, 76 simpósios, 33 encontros com o mestre, 21 sessões de departamentos, além de dez conferências internacionais, dez sessões especiais, um miniTeraderm e um Derma Quiz, totalizando, até agora, 216 sessões com mecânicas diversas, que certamente atenderão aos mais variados interesses científicos, e mais de 4.500 lugares simultâneos para atender a todos os congressistas. Dez palestrantes internacionais já confirmaram a participação no Dermato Bahia 2017. Os convidados são conhecidos pela excelência do perfil didático, acadêmico e científico. “Todos possuem inegável domínio dos temas propostos, visando à formação de um conjunto que represente as diversas áreas de nossa especialidade”, afirmou. A cosmiatria, a cirurgia dermatológica e a clínica médica, com enfoque nas doenças negligenciadas, serão exploradas na programação. “A dermatologia vive um momento bem estimulante, com novidades constantes que refletem forte dinâmica de geração de novos conhecimentos. Portanto, teremos a oportunidade de aprender e de debater não somente as novas tecnologias a serviço da beleza, mas também as novas medicações para o tratamento mais efetivo de dermatoses desafiadoras, a exemplo da psoríase, do vitiligo e das doenças autoimunes. Daremos atenção especial também às doenças negligenciadas, como a leishmaniose, hanseníase e várias outras, que vêm igualmente se beneficiando do desenvolvimento de novas drogas ou intervenções. Essas doenças merecem destaque, em função de seu
caráter comum e endêmico em nosso país, bem como por atingir a população mais carente”, comentou. A Comissão Organizadora adiantou que a submissão de trabalhos científicos estará aberta de 6 de março a 28 de abril de 2017 no site oficial do evento, www.dermatobahia2017.com.br. As inscrições também podem ser feitas pelo site. “A expectativa é de fazer um grande evento sob todos os pontos de vista e que satisfaça ao máximo nossos colegas e amigos da SBD. Esperamos que todos prestigiem essa terra que é de todos e que representa a alegria, a criatividade e a luta do povo brasileiro frente a qualquer tipo de adversidade. Nossa mensagem é: venha aprender, ensinar e celebrar a dermatologia na terra da felicidade!”, convida. Os congressistas não hospedados na Costa do Sauípe pagarão day pass de R$ 55 com direito a almoço e bebida não alcoólica. O valor dessa diária é bem abaixo dos outros encontros médicos realizados no local, e foi muito negociado pela Organização. JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
25
OPINIÃO
Por Sérgio Palma, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
EM DEFESA DA DERMATOLOGIA
A
defesa da especialidade é um grande desafio da SBD Nacional, em face dos inúmeros problemas enfrentados pela dermatologia com o exercício da atividade por profissionais não médicos e não qualificados. Nos últimos anos, alguns Conselhos de outras profissões da área da saúde, como fisioterapia, farmácia, biomedicina e, mais recentemente, odontologia, publicaram normas e resoluções que dão amparo à atuação muito além dos limites definidos por lei, extrapolando, até mesmo, a capacidade técnica e de formação desses profissionais. Para as ações de defesa e valorização da dermatologia, a SBD vem atuando e, com assessoria jurídica especializada, trabalhando em conjunto com as entidades médicas Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB), com sociedades de especialidades afins como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), com as entidades governamentais Anvisa, Ministério da Saúde e Ministério da Educação, além da articulação polí-
26 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
tica junto a deputados e senadores nas Comissões que envolvem discussões de interesse da dermatologia, buscando sempre a segurança da população, a valorização do médico dermatologista e o exercício pleno e ético da especialidade. No cenário atual, não podemos esquecer um importante passo para o enfrentamento da invasão da especialidade por profissionais que não possuem formação, qualificação e certificação específica em dermatologia: informar a população sobre o reconhecimento do médico dermatologista, seu papel, sua formação, habilitação e seus campos de atuação, elementos que levam à segurança no diagnóstico e tratamento das doenças da pele, cabelos e unhas, e na realização de procedimentos cirúrgicos dermatológicos, cosmiátricos e com laser, e outras tecnologias; essa informação se fará por meio de campanhas expressivas que valorizem nosso conhecimento, nossa instituição científica e a qualidade dos serviços médicos prestados pelos dermatologistas da SBD na atenção à saúde pública e privada.
OPINIÃO
Por Alejandro Bullón, coordenador jurídico do Conselho Federal de Medicina (CFM)
DEFESA PROFISSIONAL E A LEI DO ATO MÉDICO
Q
uando foi editada a Lei do Ato Médico (Lei no 12.842/13), a maior dúvida era saber quais seriam os ganhos para a classe médica. Passados quatro anos, é possível responder a essa pergunta? Pode, ademais, a Lei do Ato Médico ser utilizada para combater a invasão das prerrogativas médicas, por não médicos, tendo por base os normativos editados por outras profissões? A intenção deste artigo é tentar responder a esses questionamentos. Nesse sentido, é preciso invocar a Constituição Federal Brasileira (CFB), que em seu art. 5º, inciso XIII diz “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações que a lei estabelecer”. Isso quer dizer que a CFB deixa explícita que qualquer profissão regulamentada somente pode exercer seu mister quando houver lei – lei em sentido estrito (lei federal ordinária) – específica que preveja seus atos e que autorize expressamente sua atuação. Nesse ponto está a resposta à pergunta inicial deste artigo. Somente a Lei no 12.842/13 prevê que o médico é o profissional autorizado a realizar (i) o diagnóstico nosológico; (ii) a determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico; (iii) o tratamento de doenças; (iv) a perícia e a auditoria médica; (v) o ensino de disciplinas médicas; (vi) a indicação da execução e a execução de procedimentos invasivos, entre outras inúmeras atribuições. Para saber todas as prerrogativas médicas sugere-se a leitura completa da lei, que possui apenas sete artigos.
Nenhuma outra profissão da área da saúde possui autorização legal para realizar os atos previstos na Lei do Ato Médico. Não se trata de ser considerada atividade privativa ou não da profissão médica, e, sim, de saber se alguma outra profissão possui em sua legislação regulamentadora essa autorização, sendo NÃO a resposta a essa pergunta. Por isso, é fácil concluir que a atuação de profissionais não médicos na realização de atos previstos na Lei do Ato Médico é ilegal (por desrespeitar a lei) e inconstitucional (por ignorar a CFB). A experiência de mais de 20 anos na defesa das prerrogativas médicas ensinou que não basta apenas lutar contra as normas de outros conselhos de fiscalização profissional, sendo mais efetivo denunciar a atuação de não médicos às autoridades, para que elas tomem as medidas cabíveis de punição dos profissionais, cassação de alvarás de funcionamento e ajuizamento de ações judiciais cabíveis, sempre tendo por fundamento a obediência à lei. Para que isso funcione, no entanto, é essencial a participação do médico associado, relatando casos de atuação de não médicos, sempre documentados com fotos, folders, indicação de endereços, prints de redes sociais e o maior número possível de provas e indícios para subsidiar as autoridades. Nesse sentido é importantíssimo concluir que a lei está ao lado do médico dermatologista, bastando-lhe, portanto, utilizá-la a seu favor! E nisso estará a SBD engajada nos próximos anos. JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
27
PARÁ XXXVI JORNADA NORTE-NORDESTE A SBD-PA já iniciou os trabalhos visando à realização da XXXVI Jornada Norte-Nordeste de Dermatologia, no mês de novembro, em Belém. Sob a direção do atual presidente da Regional Pará, Walter Refkalefsky, o evento contará com programação voltada para a atualização nas várias áreas de nossa especialidade, com grandes nomes da dermatologia brasileira.
AMAZONAS POSSE DA NOVA DIRETORIA No dia 10 de dezembro de 2016, a SBD-AM promoveu almoço de confraternização para seus associados. No mesmo dia, tomou posse a nova diretoria, que estará à frente da instituição durante o biênio 2017/2018: Monica Santos (presidente), Carlos Chirano (vice-presidente); Nadya Lopes (tesoureira); Walquíria Tupinambá (secretária); Danielle Waetphal (secretária das sessões); Silmara Pennini e Carolina Talhari (assessoras de pesquisa) e Carla Ribas (delegada).
RIO GRANDE DO NORTE DIA C DE COMBATE AO CÂNCER DA PELE Os novos diretores da SBD-RN assumem a gestão 2017/2018 pensando em novas e amplas ações de defesa da categoria e também voltadas para a população. A Diretoria é formada por dermatologistas potiguares com trabalho em destaque na sociedade: Danielle Espinel (presidente); Leonardo Ribeiro (vice-presidente); e os diretores Rafaela Teixeira e João Lopes. “Vamos atuar em defesa dos dermatologistas e por ações que beneficiem a população, como a redução do imposto no protetor solar, ampliando a oportunidade de todos usarem”, destaca a presidente. A SBD-RN tem ações na sociedade durante todo o ano com cursos de capacitação para os dermatologistas e na prevenção e combate ao câncer da pele com mutirões voluntários de atendimentos gratuitos à população, como o Dia C de Combate ao Câncer de Pele, que acolhe mais de mil pessoas.
MATO GROSSO DO SUL DIA C DE COMBATE AO CÂNCER DA PELE Cerca de 685 moradores de Mato Grosso do Sul foram orientados, diagnosticados e tratados no Dia C de Combate ao Câncer da Pele, ocorrido em novembro do ano passado em todo o país. A ação no estado ocorreu no Ambulatório de Dermatologia do Hospital da UFMS, onde foram realizadas 220 criocirurgias, 60 cirurgias e 93 biópsias. Aproximadamente 60 profissionais, entre dermatologistas, enfermeiros, oncologistas, cirurgiões plásticos e acadêmicos de medicina, se uniram em prol do diagnóstico precoce e do tratamento desse tipo de câncer. A coordenadora da Campanha, Melina Quintella, afirmou que o evento foi um sucesso e muito benéfico para aqueles que buscaram atendimento; ressaltou, ainda, que parcerias foram fundamentais para o êxito: “este ano conseguimos diversas, e isso nos proporcionou um evento maravilhoso, no qual pudemos prevenir e tratar a população sul-mato-grossense”.
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
29
RIO DE JANEIRO 10O SIMPÓSIO DE COSMIATRIA E LASER Nos dias 7 e 8 de abril, a Regional Rio de Janeiro promoverá seu 10o Simpósio de Cosmiatria e Laser com amplo programa científico que engloba cursos práticos demonstrativos, cursos hands on e palestras com foco extremamente prático, contendo vídeos para farta discussão de casos clínicos. Coordenado por Fabiano Wanick e Luiza Guedes (cosmiatria) e Fabiano Leal e Paulo Notaroberto (laser), o encontro está com as inscrições abertas com valores promocionais. Para se inscrever acesse www.sbdrj.org.br.
PARANÁ
MATO GROSSO
JORNADA PARANAENSE A SBD-PR realizará, no dia 8 de abril, em Curitiba, a 70a Jornada Paranaense de Dermatologia, sob a coordenação da dermatologista Janyana Marcela Doro Deonizio. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3243-1941 (à tarde com Luciana).
RIO GRANDE DO SUL
JORNADA SUL-BRASILEIRA A Diretoria da SBD-RS gestão 2017/2018 assumiu os trabalhos na primeira semana de janeiro, já envolvida nos projetos técnico-científicos, administrativos e de defesa da especialidade. Seus componentes são: Clarissa Prati, Taciana Dal’Forno, Ana Paula Manzoni, Vanessa Cunha e Fabiano Pacheco. Os delegados deste biênio serão Renan Bonamigo, Gustavo Corrêa, Damiê De Villa, Miriam Pargendler, Celia Kalil e Márcia Zampese. Entre os eventos, o destaque deste semestre é a 25a Jornada Sul-brasileira de Dermatologia, que ocorrerá de 30 de março a 1o de abril em Gramado (RS). A programação científica e social, bem como a área de inscrições, podem ser encontradas no site www.jornadasuldermato.com.br.
30 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
RADECO A Regional Mato Grosso realizará a 19a Reunião Anual dos Dermatologistas do Centro-Oeste (Radeco), de 25 a 27 de maio, na Chapada dos Guimarães, linda cidade situada a 69km de Cuiabá, capital do Estado do Mato Grosso. Para o amplo aproveitamento dos inscritos, a Comissão Organizadora preparou programação científica de alto nível, que contempla cabelos e unhas, clínica, tecnologias, doenças tropicais, cirurgia, cosmiatria, ética profissional, marketing médico e coaching profissional. Presidido por Renato Rostey, o encontro terá a presença de renomados palestrantes, escolhidos em função de dedicação e estudo dos temas abordados, além de experiência e vivência acadêmica. Segundo o dermatologista, um dos diferenciais será a realização de aulas práticas pré-congresso em que os participantes terão oportunidade de intensa interatividade com os experts. Alguns dos assuntos abordados são “Bloqueios anestésicos e dermoabrasão”; “Intradermoterapia nas alopecias” e “Técnicas de preenchimento com hidroxiapatia de cálcio”. O encontro tem apoio da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Para inscrições acesse: www.sistemacenacon.com.br/radeco2017.
SERVIÇOS CREDENCIADOS INSTITUTO LAURO DE SOUZA LIMA (ILSL) – SP Mais de 630 pessoas foram atendidas no Dia Nacional de Combate ao Câncer de Pele (26/11) no Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL). Participaram da campanha da SBD 36 voluntários, e 140 casos foram diagnosticados. Os residentes do Serviço também estiveram presentes na 21a Radesp e no 9o Simpósio de Cosmiatria e Laser, realizado em novembro, na cidade de São Paulo. Na foto, entre outros voluntários, estão as dermatologistas Isabella Tostes de Oliveira,Tatiana Cristina P. Cordeiro de Andrade,Tatiane Meira Pinho Silva, Tábata Yamasaki Martins e Ana Flavia Salai. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI) – PI O Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), credenciado pela SBD, tem a honra de informar que no dia 28 de fevereiro de 2017 estarão formadas as duas primeiras residentes do Serviço. São elas Vivianne Martins Almeida Pompeu e Ilanna Naianny Leal Rodrigues (fotos). As duas novas dermatologistas tiveram desempenho brilhante e exemplar durante os três anos no Serviço e, por isso, recebem efusivos parabéns dos professores Lauro Lourival, Lauro Rodolpho, Ana Lúcia França, Carla Riama, Caroline Baima e Caroline Costa.
INSTITUTO PROF. AZULAY DE DERMATOLOGIA – SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO - RJ Este ano o Instituto inicia sua pós-graduação em laser e em cirurgia dermatológica. Os interessados podem acessar o site para obter mais informações e inscrições (santacasadermatoazulay.com.br). O chefe do Serviço, David Azulay, comunica que nos dias 28 e 29 de abril será realizado o 31o Congresso da Associação dos Ex-Alunos e Alunos do
Professor Azulay.“No dia 28, teremos numerosos cursos práticos e no dia 29, um sábado com temas de grande interesse da dermatologia atual ministrados por experts. Reencontre seus amigos participando desse evento que tem sempre um clima especial de aconchego familiar... Save the date!”, convida o dermatologista.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA) - PA A Diretoria da SBD-PA gestão 2017/2018, presidida pelo dermatologista Walter Loureiro, realizou sua primeira reunião em fevereiro, com a presença do secretário-geral da SBD Nacional, Flávio Luz, que proferiu as palestras “Desafios Atuais da Dermatologia”, alertando e atraindo os associados para uma maior proximidade com a SBD, e “Microagulhamento”, chamando a atenção da numerosa plateia. Na ocasião, foram prestadas homenagens ao mestre Dr. Mario Miranda, um expoente da dermatologia nacional e da internacional, que se tornou grandioso na sua extrema humildade. Simbólicas rosas brancas sobre as mesas lembraram sua dedicação ao ensino. Depoimentos emocionados de saudade e gratidão foram seguidos por um minuto de silêncio.
Walter Loureiro (presidente da SBD-PA), Flávio Luz (convidado e secretário-geral da SBD), Civia Carneiro (Comissão Científica da SBD-PA), Caroline Palheta (vice-presidente da SBD-PA) e Miguel Saraty (secretário-geral da SBD-PA)
JSBD
Janeiro/Fevereiro 2017
31
SERVIÇOS CREDENCIADOS FACULDADE ESTADUAL DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP A obra O segundo século: as grandes veredas de uma sociedade centenária foi lançada em São José do Rio Preto (SP), em dezembro passado, no anfiteatro do Hospital de Base, com a presença de diretores da Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme), Faculdade de Medicina e Enfermagem de Rio Preto (Famerp), Hospital de Base e Hospitais da Criança e Maternidade. De autoria do presidente da SBD gestão 2015/2016, Gabriel Gontijo, e do chefe do Serviço de Dermatologia da Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme) e professor emérito da Faculdade de Medicina e Enfermagem de Rio Preto (Famerp), João Roberto Antônio, o livro faz um resgate da história da dermatologia no país. O chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital da Base agradeceu a presença de todos, explanou como foi trabalhar para a concretização da obra e entregou exemplares a representantes da Funfarme, Famerp e à Dra. Eurides Maria de Oliveira Pozetti, em nome do Serviço de Dermatologia credenciado pela SBD, que ficarão à disposição de todos os alunos, residentes e médicos da instituição para consulta. Ao final do evento, o autor recebeu homenagem dos seus alunos residentes. UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ (UNITAU) – SP O Serviço de Dermatologia da Universidade deTaubaté foi agraciado com seis dos 12 prêmios em disputa de melhores trabalhos em posters e fotografia durante a Radesp 2016. Para 2017, a agenda de eventos já está definida.“Teremos nossa 20a Jornada Dermatológica de Taubaté, nos dias 19 e 20 de maio, e a seguir a 4a Dermatologia nas Alturas, em 10 de junho, na linda Campos do Jordão”. O ano científico da Unitau teve início nos dias 26 e 27 de janeiro, com o I Curso de Imersão em Micologia, com a presença dos professores doutores Silvio Alencar Marques, chefe da dermatologia de Botucatu, e Mariangela Marques, dermatopatologista e chefe da patologia de Botucatu. “Durante dois dias, os professores da FMB Unesp Botucatu apresentaram aos preceptores e aperfeiçoandos dos Serviços do Hospital Universitário de Taubaté e da Santa Casa de São José dos Campos uma excelente revisão de toda a micologia com abordagem teórica e dermatopatológica, culminando no sábado com a parte prática, em que
foram examinadas as culturas e os microcultivos na bancada de microscópios. Todos tiveram excelente aproveitamento e agradeceram aos queridos colegas professores por virem de tão longe nos brindar com seus conhecimentos”, declara Samuel Mandelbaum.
AVISO DA BIBLIOTECA A coordenação da Biblioteca comunica que estão sendo aceitas doações dos Anais de congressos brasileiros da SBD para completar os seguintes anos (1946, 1947, 1951-1960; 1963, 1964, 19661968, 1970, 1971, 1973-1975, 1977-1990, 2006, 2007 e 2009) e aproveita para agradecer a colaboração das associadas Vera Cristina Schnitzler (PR), que doou 32 JSBD Janeiro/Fevereiro 2017
uma série de fascículos faltantes na coleção da SBD e da revista Archives of Dermatology, e Ana Paula Meski (SP), que além dos fascículos dos Anais, doou itens faltantes do JAAD. Os interessados em contribuir devem entrar em contato pelo e-mail biblioteca@sbd.org.br.