JORNAL DA SBD
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Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia l Volume 25 - n.3 - maio / junho - 2021
MAIS DE 40 MIL ACESSOS
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DIRETORIA 2021/2022
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br
PRESIDENTE:
Mauro Yoshiaki Enokihara
SP
VICE-PRESIDENTE:
Heitor de Sá Gonçalves
CE
TESOUREIRO:
Carlos Baptista Barcaui
RJ
SECRETÁRIA-GERAL:
Cláudia Carvalho Alcantara Gomes
RJ
1o SECRETÁRIO:
Geraldo Magela Magalhães
MG
2º SECRETÁRIO:
Beni Moreinas Grinblat
SP
JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA
Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Vo l u m e 2 5 - n . 3 - m a i o / j u n h o - 2 0 2 1 Coordenador médico do Jornal da SBD Sérgio Palma | PE
Conselho editorial Mauro Yoshiaki Enokihara Heitor de Sá Gonçalves Cláudia Carvalho Alcantara Gomes Carlos Baptista Barcaui Geraldo Magela Magalhães Beni Moreinas Grinblat Jornalista responsável Paulo Henrique de Souza - Reg. MTB 00008609/GO
Redação e edição Müller Mendonça Jackelyne Amaral Paulo Henrique de Souza Editoração digital Nazareno Nogueira de Souza
Contato publicitário Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas.
Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ - CEP: 20090-003 E-mail: imprensa@sbd.org.br
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EDITORIAL
CONHECIMENTO E LUTA SÃO PALAVRAS-CHAVE NO CAMINHO DO DERMATOLOGISTA
I
nvestimento contínuo para oferecer ainda mais conhecimento aos dermatologistas tem sido o grande pilar da Sociedade de Dermatologia (SBD). Um especialista atualizado nos temas mais relevantes da área trará um atendimento de excelência para seu consultório e isso é primordial para a saúde dos pacientes. Por isso, a matéria de capa dessa edição do Jornal da SBD traz o balanço de uma das mais recentes ações da entidade, cujo objetivo é trazer experts nos mais diversos temas da dermatologia e apresentá-los de forma didática: o SBDCast. O podcast completou seis meses e é um sucesso de audiência. Outro importante tópico desta edição é o informe sobre a mudança no esquema de tratamento para pacientes de hanseníase paucibacilar em acordo com as recomendações do Ministério da Saúde (MS), que teve início no começo de julho. Essa alteração busca trazer benefícios no combate à doença no País, uma vez que com a prescrição desse esquema terapêutico se fortalece este processo. Na editoria “Política e saúde” é abordada a temática da defesa da segurança dos pacientes. Recentemente, a SBD junto à Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) anunciaram a união inédita para
agir contra situações que têm causado grande prejuízo, com inúmeros relatos de intercorrências graves, mutilações e sequelas em diferentes cantos do País. O foco do manifesto é o combate à atuação de não médicos, sobretudo nos campos da estética e da cosmiatria. Além disso, a SBD também está sempre atenta às pautas que vão alertar à sociedade e aos dermatologistas sobre questões que nem sempre são muito faladas. Na seção “Outros olhares” há um texto especial sobre o estímulo à formação dos especialistas para atendimento específico para a população transgênero; já na seção “Campanha”, foi abordada a importância de melhorar o acesso dos pacientes com vitiligo à assistência em saúde. Há ainda debates importantes e que valem a leitura sobre eczema nas mãos; as ações do projeto Choosing Wisely na dermatologia; a parceria da SBD com a Cielo; e um balanço de tudo o que aconteceu no 13º Teraderm. Esperamos que a leitura desta edição do JSBD seja bem aproveitada por todos. j Nos vemos na próxima. Equipe JSBD JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021 | 3
DESTAQUE
EM SEIS MESES, SBDCAST COMEMORA MAIS DE 41 MIL ACESSOS E SE FIRMA COMO PROJETO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA DE SUCESSO
Com mais de 40 mil acessos ao longo de seis meses de existência do projeto, o SBDcast – o canal de conhecimento, ciência e informação que a Sociedade Brasileira de Dermatologia criou no formato de podcast – se consolida como um sucesso entre os associados. Os 24 episódios divulgados até julho de 2021 despertaram o interesse dos associados que encontraram no formato uma maneira inédita de atualizarem seus conhecimentos.
ACESSE AQUI O SBDCAST
“M
uitos colegas escutam o SBDcast no trajeto entre casa e trabalho ou durante uma caminhada na esteira na academia. A dinâmica descontraída nos episódios, onde um membro da diretoria recebe um convidado especial, caiu no agrado de quem aprende e nem percebe a passagem do tempo. Isso também porque os conteúdos, apesar de densos, são tratados com leveza e a partir de aplicações práticas”, ressaltou Beni Griblat, 2º secretário da SBD. ÊXITO - Os dados da plataforma que hospeda o SBDcast demonstram o êxito da iniciativa. Considerando o número de associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, é como se cada um dos 10 mil membros da entidade tivesse escutado pelo menos quatro programas nestes seis meses.
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“Esse índice prova que desenvolvemos um produto que atende às necessidades dos especialistas. Até porque reconhecemos que todos os profissionais são impactados todos os dias por diferentes conteúdos. Se os dermatologistas mantêm esse nível de acessos é porque enxergam na plataforma qualidade”, afirmou o presidente da SBD, Mauro Enokihara. Desde 10 de fevereiro, quando o primeiro programa foi ar, até 21 de julho, data do último lançamento, juntos, os episódios do SBDcast foram ouvidos 41.737 vezes. Do total de 24 episódios, os cinco que se destacaram em volume de acessos foram: “Vacinas em dermatologia”, “Cuidados com a pele da criança”, “Uso do minoxidil oral nas alopecias”, “Hidradenite: atualização terapêutica” e “Dieta e acne”.
DESTAQUE
PODCASTS DISPONÍVEIS: 10/fev #T1E1 Dieta e acne 17/fev #T1E2 Cuidados com a pele da criança 24/fev #T1E3 Vacinas em dermatologia 03/mar #T1E4 Infiltração com corticoide:
dicas práticas
10/mar #T1E5 Hidradenite: atualização terapêutica 17/mar #T1E6 Uso do minoxidil oral nas alopecias 24/mar #T1E7 Suplementação oral de colágeno 31/mar #T1E8 Defesa profissional na dermatologia 07/abr #T1E9 Tratamento do campo de CONVIDADOS - A cada episódio, é convidado um médico dermatologista para falar sobre tema que domina na perspectiva de responder dúvidas frequentes na especialidade e trazer informações atualizadas sobre o tema. “Tentamos criar um leque amplo de conhecimento. A ideia foi produzir programas diversificados e completos, facilitando-se o aperfeiçoamento do ouvinte”, apontou Mauro Enokihara. “Importante agradecer ao desprendimento dos convidados que aceitaram o convite para participar desse programa sem pestanejar. As gravações, que aconteceram em finais de semana e até a noite, sempre contaram com um clima de parceria que contaminou o projeto como um todo. Estamos felizes com a repercussão positiva e com o fato de levar conhecimento para os associados de forma tão acessível e dinâmica. Pretendemos dar continuidade a essa aventura de conhecimento”, disse a secretária-Geral da SBD, Claudia Alcântara. Criado pela Gestão 2021-2022, o SBDcast é um serviço de educação continuada, exclusivo para associados. Toda quarta-feira, é exibido um episódio inédito sobre tema de interesse para a rotina do dermatologista. Para conferir este programa e as edições anteriores, basta acessar o aplicativo ou a área do associado aqui no portal da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Abaixo, estão listados todos os programas exibidos até o momento.
cancerização
14/abr #T1E10 Tratamento da dermatite atópica 21/abr #T1E11 Consenso Brasileiro de Psoríase 2020 28/abr #T1E12 Contraceptivos e Pele 05/mai #T1E13 Atualização no tratamento do melasma 12/mai #T1E14 Síndrome pós-finasterida 19/mai #T1E15 Eczema das mãos 26/mai #T1E16 Quimioprevenção para câncer de
pele não melanoma
02/jun #T1E17 Rosácea 09/jun #T1E18 Dermatite atópica no adulto 16/jun #T1E19 Fios e agulhas de sutura na cirurgia
dermatológica
23/jun #T1E20 Psoríase: manejo de áreas especiais 30/jun #T1E21 Fan: como interpretar e quando
pedir 07/jul #T1E22 Antioxidantes orais 14/jul #T1E23 Anestésicos locais 21/jul #T1E24 Hialuronidase na dermatologia
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ASSUNTOS INSTITUCIONAIS
SBD DIVULGA DEZ RECOMENDAÇÕES PARA DAR MAIS SEGURANÇA AOS TRATAMENTOS DERMATOLÓGICOS NO PAÍS POR MEIO DO PROJETO CHOOSING WISELY BRASIL
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vitar a exposição do paciente a procedimentos desnecessários ou que podem causar danos à saúde e dar suporte aos médicos na escolha das opções terapêuticas para diferentes problemas de saúde que afetam a pele. Esses são os objetivos de uma série de dez recomendações que estão sendo divulgadas pelo projeto Choosing Wiley Brasil, que conta com o apoio e participação da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). ACESSE AQUI O CONJUNTO DE RECOMENDAÇÕES A campanha é uma iniciativa da American Board of Internal Medicine Foundation (ABIM Foundation), dos Estados Unidos, que, desde 2012, já rendeu parcerias com entidades médicas de 25 países. Em 2020, a SBD foi convidada a analisar uma série de procedimen6 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
tos e abordagens clínicas para identificar aquelas que podem representar risco nos tratamentos ou possuem baixo valor terapêutico. O presidente da SBD, Mauro Enokihara, considera este projeto relevante ao divulgar de forma ampla critérios que ampliam a segurança e a eficácia nos cuidados oferecidos aos pacientes. “Além disso, fica fortalecido o papel de uma sociedade médica – como a de dermatologia – como fonte confiável de informação. Trata-se de uma contribuição para qualificar a assistência em saúde para a população”, ressaltou. BENEFÍCIOS - Nesta primeira participação da SBD, o foco recaiu sobre tratamentos e condutas referentes à dermatologia clínica. Entre as recomendações estão: não prescrever antibióticos tópicos como monoterapia
ASSUNTOS INSTITUCIONAIS para o tratamento de acne e não usar antibiótico sistêmico para eritema e edema bilateral de membros inferiores sem evidência de infecção. Além disso, há outras sugestões úteis à clínica dermatológica. Por exemplo, no caso da condução da acne, se necessário, o uso de antibiótico tópico deve ser associado a agentes como retinoides e peróxido de benzoíla, por curto período. Psoríase vulgar, hipovitaminose D, tínea do couro cabeludo, herpes zoster, rosácea e úlceras crônicas são outras doenças abordadas pelas recomendações da campanha. RISCOS - Para chegar à lista de dez recomendações, 13 especialistas convidados pela SBD se dedicaram nos últimos meses a avaliar os temas que compõem o relatório final a partir das percepções de médicos e pacientes sobre as práticas analisadas. O processo foi rigorosamente documentado, com prioridade a testes, procedimentos ou tratamentos utilizados com bastante frequência. Na primeira fase do trabalho, o grupo de especialistas – que contou com dermatologistas de todo o país, bem como residentes dos Serviços de Dermato-
logia da Santa Casa de Curitiba e do Rio Grande do Sul – elaborou uma lista com 50 recomendações. Posteriormente, essa relação foi submetida à avaliação dos associados da SBD por meio de votação aberta, restando as dez que estão sendo divulgadas. O grupo teve a coordenação do médico dermatologista Hélio Miot e participação dos seguintes especialistas: Andrea Ramos (Minas Gerais), Clívia Carneiro (Pará), Paulo Criado e Luciana Abbade (São Paulo), Caio de Castro (Paraná), Magda Weber e Renan Bonamigo (Rio Grande do Sul), Mayra Ianhez (Goiás) e Pedro Dantas (Sergipe). Também participaram os residentes Camila Saraiva Almeida, do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Paula Hitomi Sakiyama e Thiago Augusto Ferrari, ambos do Serviço de Dermatologia do Hospital Santa Casa de Curitiba. “O trabalho foi feito com muito critério. Todos devem colaborar com este trabalho, divulgando as orientações entre médicos e pacientes. Desta forma, teremos uma melhor assistência para toda a população”, concluiu Mauro Enokihara. j
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ASSUNTOS INSTITUCIONAIS
SBD NEGOCIA COM CIELO TAXAS E ATENDIMENTO DIFERENCIADOS PARA MÉDICOS DERMATOLOGISTAS
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Além das taxas diferenciadas, a Cielo garante maior facilidade na hora de resgatar valores por serviços prestados. Para facilitar ainda mais a vida do médico dermatologista, a SBD negociou com a empresa a abertura de uma linha de atendimento especial para a categoria. Os associados interessados em conhecer mais sobre os serviços da Cielo podem acessar os seguintes canais: pelo e-mail sbdassociados@cielo.com.br ou pelos telefones 11 3003-9949 (informações, dúvidas e solicitações) e 11 2860-1051 (antecipação de recebíveis). Por meio desses canais de contato, é possível ter detalhes sobre credenciamento, negociações, aluguéis de máquinas ou troca de taxas. Para facilitar ainda mais sua rotina, a seguir, confira as principais condições oferecidas. j
saúde do seu consultório ou clínica também é uma preocupação da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que tem buscado negociar com fornecedores de produtos e serviços benefícios para seus associados. Um dos acordos em vigor que vale a pena conhecer é o mantido com a Cielo. Neste momento de retomada do fluxo normal de atendimentos, as vantagens oferecidas podem ser úteis. Pela parceria firmada, o associado tem acesso a condições e tarifas especiais para pagamentos em débito e crédito parcelados em até 12 vezes, bem como para o aluguel dos aparelhos. A vantagem cobre as principais bandeiras em operação no Brasil e do mundo.
Taxas Crédito
Bandeiras de cartões Amex
Elo
Hipercard
Mastercard
Visa
3,10%
2,03%
3,10%
2,03%
2,03%
Débito
1,22%
1,22%
1,22%
Parcelado 6x
3,50%
2,15%
3,50%
2,15%
2,15%
Parcelado 12x
3,70%
2,35%
3,70%
2,35%
2,15%
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Serviço de aluguel
Pós GPRS
R$50,00
LIO
R$ 69,90
OUTROS OLHARES
SBD ESTIMULA FORMAÇÃO DE DERMATOLOGISTAS E RESIDENTES PARA ATENDIMENTO DE DEMANDAS ESPECÍFICAS DA POPULAÇÃO TRANSGÊNERO NO PAÍS
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abordagem de temáticas e necessidades específicas da população transgênero está sendo incorporada aos programas de formação de médicos especialistas na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças de pele, cabelos e unhas. A iniciativa é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que, com o apoio de serviços de Residência Médica credenciados, passou a estimular essa qualificação durante essa fase. Atualmente, há 90 desses cursos ligados à entidade, com aproximadamente 900 residentes inscritos. Além desse cuidado com os futuros especialistas, a SBD também tem realizado iniciativas com foco nos mais de 10 mil dermatologistas brasileiros já em atividade. O atendimento à população transgênero no País tem sido discutido em congressos e atividades de educação continuada. Isso acontece porque esse segmento populacional, sobretudo durante a fase de transição, está sujeito a uma série de manifestações dermatológicas que exigem um profissional capacitado para atendê-lo. “Acreditamos numa dermatologia de todos, e para todos. Nesse sentido, os médicos da nossa especialidade estão sempre buscando aperfeiçoamento técnico e clínico para dar respostas aos pacientes em suas demandas. É que acontece também nas questões envolvendo a população trans, que merece respeito e um atendimento adequado às suas necessidades”, disse o presidente da SBD, Mauro Enokihara.
As peculiaridades da assistência aos transgêneros resultam quase sempre de efeitos dos tratamentos hormonais, estéticos e cirúrgicos para feminização ou masculinização da face e do corpo. Por exemplo, as mulheres trans, que usam estradiol em combinação com um antiandrogênico (espironolactona ou um inibidor da 5-alfa redutase), podem apresentar redução rápida e persistente na produção de sebo e, por isso, desenvolver xerodermia, prurido e alterações eczematosas. Além disso, é muito comum que mulheres trans procurem tratamentos para remoção de pelos, como a depilação a laser, e outros procedimentos minimamente invasivos para feminização da face. Já entre os homens trans, que usam testosterona com regularidade, são frequentes os quadros de alopecia androgenética e de acne. O uso incorreto de binders, ou de outros métodos para comprimir e ocultar os seios, também pode acarretar problemas na pele. PROCEDIMENTOS – Além da hormonioterapia, alguns indivíduos trans podem necessitar do suporte dos médicos dermatologistas para reparar cicatrizes inestéticas, deixadas por procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero, como a retiradas das mamas (mastectomia), em homens trans, e a depilação pré-operatória nas mulheres trans que passarão pela vaginoplastia. Os dermatologistas também são capazes de tratar dermaJSBD Volume 25 l N. 3 - 2021 | 9
OUTROS OLHARES
toses nas neogenitálias e de lidar com outras questões comuns enfrentadas pela população transgênero, como as possíveis complicações do uso de silicone industrial. “Hoje em dia esses problemas continuam acontecendo, pois parte das mulheres trans ainda vive marginalizada, devido ao estigma social e com dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Isso as leva a recorrerem a não médicos no processo de transição, iniciado por conta própria, por meio do uso de hormônios sem prescrição e de injeções de silicone industrial, principalmente como preenchedor corporal”, disse Marcio Serra, um dos coordenadores do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Aids da SBD e professor colaborador do Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Gaffrée Guinle (RJ) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). INFECÇÕES – Segundo aponta Márcio Serra, a maior parte das desordens dermatológicas nos transgêneros estão relacionadas à terapia hormonal, que também pode causar xerose e eczemas nas mulheres trans, além de complicações em cirurgias de afirmação de gênero. No entanto, o cuidado dermatológico dessas pessoas não se limita apenas aos aspectos da transição. “Mulheres trans, por exemplo, têm maior risco de contaminação por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e HIV, que podem apresentar sinais e sintomas por meio de manifestações dermatológicas”, completa Felipe Aguinaga, também coordenador do Departamento de 10 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
IST e Aids da SBD e chefe do Ambulatório de Dermatologia e Diversidade de Gênero, do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (RJ). DESAFIOS – Pessoas trans possuem as mesmas necessidades básicas de saúde de quaisquer outras, mas precisam de uma série de cuidados que exigem competências adicionais do médico dermatologista, sem contar com maior tato no processo de atendimento, afirmam os especialistas. Infelizmente, em decorrência do despreparo de alguns profissionais de saúde para acolher essa parcela da sociedade, ainda há relatos de situações de homofobia e transfobia. Por isso, os coordenadores do Departamento da SBD acreditam que há pacientes que evitam procurar o Sistema Único de Saúde (SUS) com receio de serem vítimas de preconceito e discriminação. Estudos apontam que dois terços dos pacientes LGBTQIA+ referem problemas desse tipo, inclusive pela dificuldade de se identificarem. “É preciso ter sensibilidade na hora de colher informações, como orientação sexual, identidade de gênero e comportamentos sexuais, já que são dados clinicamente relevantes. Algumas recomendações simples têm amplo impacto na melhora da relação com esses pacientes: respeito ao nome social, uso de pronomes corretos, utilização de formulários que sejam inclusivos e oferecimento de opções de identidade de gênero não
OUTROS OLHARES
binárias (pessoas que não se identificam com o gênero masculino ou o feminino)”, afirma Aguinaga. Serra lamenta a falta de médicos e membros das equipes de saúde preparados para lidar com as questões particulares da população LGBTQIA+. São profissionais às vezes com dificuldades de assimilar e tratar as demandas específicas. Por isso, Aguinaga considera “essencial a promoção de iniciativas educacionais para que esse grupo – médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, dentistas e até os integrantes das equipes administrativas, entre outros – sejam capacitados para lidar com esses pacientes, oferecendo-lhes a melhor assistência possível”. POPULAÇÃO TRANS – Em janeiro, a revista científica Nature, publicou artigo que afirma que 1,9% da população brasileira (aproximadamente 4 milhões de pessoas) se identifica como transgênero ou não binário. Apesar desse grande número, os canais para atendimento das demandas específicas são poucos. Segundo o Ministério da Saúde (MS), hoje existem apenas cinco centros no SUS que oferecem atendimentos complexos à população trans, como cirurgias de redesignação sexual e acompanhamento pré e pós-operatório. São eles: Hospital das Clínicas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife; Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, na capital paulista; e Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Devido à insuficiência na rede pública para a realização desse e de outros tipos de procedimentos, muitas pessoas trans recorrem ao atendimento na rede particular para agilizar o processo de transição. Por isso, a demanda tem sido cada vez mais comum nos consultórios dermatológicos. Diante desse panorama, a SBD investe na atualização dos seus especialistas para viabilizar assistência de excelência à população trans, considerando suas necessidades e demandas específicas. Na avaliação de Felipe Aguinaga, é importante que a população trans consiga reconhecer os médicos dermatologistas como profissionais prontos e capacitados para amenizar as disparidades de saúde e melhorar sua qualidade de vida. Afinal, aponta, é uma especialidade com interface direta com a autoestima e com os efeitos decorrentes do processo de afirmação de gênero que tem inúmeras interseções com a pele. “Há compromisso crescente de todas as áreas da medicina para compreender e melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas trans e de outras minorias. Neste sentido, a dermatologia, em seus diversos cam-
pos de atuação, desponta como uma especialidade essencial para acolher várias dessas demandas”, salienta o especialista que, apenas na unidade pública onde trabalha, recebe cerca de 30 pacientes com esse perfil por mês. CONEXÃO SBD – O tema “Dermatologia e Saúde LGBT” também foi abordado na primeira edição do Conexão SBD, iniciativa da entidade que discute, por meio de encontros online, tópicos de interesse da especialidade. As principais infecções sexualmente transmissíveis (IST) na população LGBT, aspectos dermatológicos no paciente transgênero e procedimentos cosmiátricos foram alguns assuntos debatidos pelos médicos dermatologistas Felipe Aguinaga e Márcio Serra. Também esteve em pauta a necessidade de se ter formas de promoção de cuidado mais acolhedoras para pacientes que fazem parte de minorias sexuais ou de gênero. “Como identidade de gênero e a orientação sexual são informações autodeclaradas, durante o atendimento é importante o médico evitar fazer suposições. Enquanto identidade de gênero se refere a como o indivíduo se identifica (masculino e/ou feminino), a orientação sexual está ligada a como o indivíduo se relaciona sexual e afetivamente”, explica Aguinaga. Clique aqui para assistir ao Conexão SBD Em 2011, o Ministério da Saúde reconheceu identidade de gênero e orientação sexual como determinantes sociais de saúde. Por meio da Política Nacional de Saúde Integrada População LGBT, propõe diferentes ações de eliminação das iniquidades e desigualdades dessa população e de acolhimento das necessidades de saúde. “Pessoas que fazem parte de minorias sexuais são mais vulneráveis ao HIV e às infecções sexualmente transmissíveis, isso porque essas pessoas têm práticas sexuais e hábitos específicos. Se nós, como médicos, desconhecermos essas necessidades, podemos deixar de fazer alguns diagnósticos”, informa. j JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021 | 11
POLÍTICA E SAÚDE
ENTIDADES MÉDICAS FIRMAM PACTO EM DEFESA DA SEGURANÇA DOS PACIENTES E DO PAPEL DOS ESPECIALISTAS NO ATENDIMENTO DA POPULAÇÃO
A
s defesa da segurança do paciente uniu esforços de três das maiores sociedades médicas do Brasil. Com o objetivo de barrar práticas que têm causados danos à saúde e à autoestima de milhares de pessoas, essas instituições que congregam cerca de 25 mil especialistas passarão a agir, sistematicamente, contra abusos e irregularidades praticados. O foco é o combate à atuação de não médicos, sobretudo nos campos da estética e da cosmiatria. Por meio de manifesto público, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) anunciaram a união inédita das entidades para agir contra situações que têm causado grande prejuízo, com inúmeros relatos de intercorrências graves, mutilações e sequelas em diferentes cantos do país. “A imprensa tem divulgado reiteradamente casos que mostram os quão deletérios são os efeitos da ação de não médicos que se apresentam para a população como detentores de conhecimento e preparo que não possuem. Entendemos ser necessário alertar sobre esses riscos e impedir a atuação dessas pessoas”, disse o presidente da ABORL-CCF, Eduardo Baptistella. ATO MÉDICO - As entidades argumentam que a Lei do Ato Médico (nº 12.842/2013) precisa ser respeitada, pois estabelece claramente os campos de atuação que são exclusivos dos profissionais da medicina. Em seu artigo 4º, o texto cita expressamente que apenas os médicos podem fazer a “indicação da execução e exe12 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
cução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias”. Para o presidente da SBD, Mauro Enokihara, ao aprovar essa lei o Congresso Nacional criou mecanismos importantes para a proteção dos brasileiros que devem ser preservados. “Inúmeras audiências públicas antecederam a elaboração desse texto. Em todas, ficou provado que esses procedimentos exigem um profissional com habilidade, capacitação e atitudes específicas. É o médico que preenche esse perfil, pois com seus atos consegue oferecer maior segurança e eficácia em benefício do paciente”. Diante desse cenário e com a união de esforços definida, a ABORL-CCF, a SBD e a SBCP devem buscar sensibilização dos brasileiros, dos membros do Poder Judiciário e dos tomadores de decisão com respeito ao tema. A intenção é conscientizar a todos sobre os riscos à vida e à saúde que têm sido causados pelas práticas de não médicos ao realizarem procedimentos estéticos invasivos e coibir essas práticas. “O médico especialista é o profissional que detém a indivisível autorização e competência para exercer procedimentos médicos. Ao unirmos esforços, nossas entidades firmam um pacto pela defesa do ato médico, das boas práticas da medicina e da valorização do título de especialistas. Irmanadas, nossas três sociedades médicas manifestarão uma resposta firme contra os excessos”, concluiu Dênis Calazans Loma, presidente da SBCP. j
SAÚDE PÚBLICA
SBD INFORMA MUDANÇA NO ESQUEMA DE TRATAMENTO PARA PACIENTES DE HANSENÍASE PAUCIBACILAR A PARTIR DE 1º DE JULHO
A
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) informa aos médicos, equipe de saúde e pacientes que a partir de quinta-feira (1º de julho) pessoas diagnosticadas como portadoras de hanseníase paucibacilar (PB), ou seja, com baixa presença de bacilos causadores da doença no organismo, devem utilizar novo esquema terapêutico definido pelo Ministério da Saúde. O detalhamento desse ajuste de conduta consta de comunicado encaminhado pela entidade.
ACESSE A ÍNTEGRA DA NOTA TÉCNICA DA SBD Na avaliação da SBD, a mudança traz benefícios ao combate à hanseníase no Brasil, pois com a prescrição desse esquema terapêutico se fortalece este processo. Entre os problemas que poderão ser equacionados está a baixa disponibilidade de exames de baciloscopia, a insuficiente acurácia das equipes de saúde no diagnóstico e classificação da hanseníase e a alta rotatividade dos profissionais. j
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ENSINO SUPERIOR
LUNA AZULAY PASSA A OCUPAR O CARGO DE PROFESSORA TITULAR EM DERMATOLOGIA DA UERJ
A
Luna Azulay-Abulafia é a nova Professora Titular de Dermatologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Em sessão realizada na manhã de 7 de junho, no anfiteatro de Dermatologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto, a docente defendeu seu memorial acadêmico para uma plateia composta por professores, amigos e familiares. A banca examinadora foi presidida pelo reumatologista e coordenador-adjunto do curso de Pós-graduação em Ciências Médicas da UERJ, Prof. Geraldo Castelar. O grupo contou ainda com a participação de Jane Neffá, professora titular de Dermatologia da Universidade Federal Fluminense (UFF); Francisca Regina Carneiro, professora titular de Dermatologia da Universidade do Estado do Pará (UFPA); Márcia Ramos-e-Silva, professora titular e chefe do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e José Messias, professor titular de Clínica Médica da UERJ. Como suplentes, estavam Sueli Carneiro e Neide Kalil, professoras titulares de Dermatologia da UERJ e da UFF, respectivamente. 14 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
HISTÓRICO - A obtenção do título de professor titular da universidade ocorre mediante a análise das atividades realizadas pelo docente nos últimos 15 anos, de sua contribuição científica e do seu histórico de vida. Em sua exposição, Luna destacou momentos importantes de sua trajetória na UERJ, iniciada em 1973, como aluna de graduação. Ela também elencou suas produções científica e acadêmica, bem como as principais ações sociais das quais participou como membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da SBD Regional Rio de Janeiro. Ao longo de 15 anos, atuou em 45 campanhas. A última, antes da pandemia, foi a Roda-Hans, uma ação promovida em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado, com o objetivo de conscientizar a população sobre a hanseníase. Seguindo os passos do pai na profissão, o professor David Rubem Azulay - ex-presidente da SBD e que somou 60 anos de atividade no magistério - a vida de Luna foi marcada por intensa atividade intelectual no Brasil e no exterior. Por seu trabalho na dermato-
ENSINO SUPERIOR
logia, recebeu inúmeros prêmios e homenagens, como a Medalha Maria Duran pela International Society of Dermatology (2002). Entre suas áreas de atuação estão a psoríase (pioneira no uso de biológicos), dermatite atópica, melasma, vitiligo, fototerapia, hanseníase, dermatologia pediátrica, aspectos dermatológicos das doenças reumatológicas e sistêmicas. ENSINO - Outra característica de Luna Azulay é sua forte ligação com a defesa do ensino público. Muito disto vem de sua própria trajetória, que relata estudos de graduação da UERJ, onde também fez residência médica, na década de 1980. A se-
guir, concluiu mestrado (1992) e doutorado (2004) em dermatologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em seu pronunciamento, a dermatologista disse que sua motivação sempre foi ser professora. “Vivo um momento de grande emoção. Recebo este título como um reconhecimento à dedicação de mais de 39 anos à frente da docência de dermatologia da UERJ. É a coroação da minha caminhada como docente nesta universidade que faz parte da minha vida. Durante todo esse tempo, creio que pude contribuir para a formação de profissionais, mas também para o desenvolvimento da ciência e do ensino da especialidade”, disse Luna Azulay. Luna ainda é professora do curso de pós-graduação do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, e chefe do Setor de Dermatopediatria da mesma instituição. É responsável também pela dermatologia pediátrica e por um dos ambulatórios de imunossupressores e imunobiológicos do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE). Em sua trajetória acadêmica foi professora titular de Dermatologia da Universidade Gama Filho e professora e coordenadora da mesma disciplina na Universidade Estácio de Sá, ambas no Rio de Janeiro. Atualmente atua como chefe de Serviço da Dermatologia do HUPE, empreendendo várias mudanças - tanto físicas como estruturais - no local. j
25 a 28 de agosto 2022
São Paulo/SP JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021 | 15
MÍDIA E SAÚDE
COM A PANDEMIA DE COVID-19, USO DE SABONETES, ÁLCOOL EM GEL E LUVAS CONTRIBUI PARA O SURGIMENTO DE PROBLEMAS NA PELE DAS MÃOS
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edidas de prevenção à covid-19 podem ser a causa de problemas dermatológicos que incomodam muitas pessoas. Isto ocorre porque a higienização com sabão e álcool em gel contribui para o aumento dos casos de eczemas nas mãos. Essa é a percepção de especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que trazem recomendações para reduzir as chances de aparecimento desses quadros. Para Rosana Lazzarini, assessora do Departamento de Alergia Dermatológica e Dermatoses Ocupacionais da SBD, a exposição a esses produtos e o uso constante de luvas, como no caso dos profissionais de saúde, podem aumentar as chances de surgirem lesões vermelhas, descamação e/ou crostas, pequenas bolhas (vesículas), acompanhadas de coceira nas mãos. DERMATITE - Estes sinais podem ser causados pela dermatite atópica, dermatite de contato irritativa ou dermatite alérgica. Elas provocam erupções que coçam, com formação de quadros característicos de eczema. Com a pandemia, cada vez mais pessoas apresentam esse tipo de complicação, analisa a especialista. “A necessidade de reforçar a higienização fez com que fossem incorporados à rotina hábitos, como o emprego de sabão e álcool em gel, que induzem à irritação, sobretudo se o paciente já é portador de dermatite atópica. Neste momento, há o agravamento dos sinais pela piora das condições da barreira cutânea”, disse. 16 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
Para diminuir as chances de desconforto, Rosana Lazzarini recomenda a aplicação de cremes hidratantes nas extremidades, o que ajuda ainda a prevenir o ressecamento da pele, comum nesta época do ano. No entanto, se já há um quadro de eczema instalado, ela avisa que é necessária a orientação de um médico dermatologista para indicar o melhor tratamento. SABONETE - Além desse cuidado, a especialista da SBD sugere o emprego de sabonetes com pH mais próximo da pele, como forma de reduzir o ressecamento que contribui para surgimento do eczema. Segundo ela, independentemente de a pele ser oleosa, mista ou seca, é importante utilizar produtos com hidratante na fórmula ou do tipo syndet, que reduzem a irritação. Com respeito ao álcool em gel, Rosana Lazzarini orienta sua adoção sem excessos, evitando-se, inclusive, que seja aplicado em mãos que já apresentam fissuras. Em situações deste tipo, com presença de lesões, a limpeza deve ser mantida, porém com sabonete suave explica a especialista, que ressalta a necessidade da intensificação do emprego de cremes para a pele. “A hidratação precisa ser constante. Então, é lavar e hidratar em seguida, até em situações corriqueiras. Se forem utilizadas luvas, depois de retirá-las, não esqueça de redobrar o cuidado, hidratando novamente”, assinalou. j
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CAMPANHA - NO DIA MUNDIAL DO VITILIGO
NO DIA MUNDIAL DO VITILIGO, SBD REFORÇA A IMPORTÂNCIA DE MELHORAR O ACESSO DOS PACIENTES À ASSISTÊNCIA EM SAÚDE
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roblemas no acesso a equipamentos que permitem tratamento e inexistência de medicamentos específicos para o controle da doença são realidades que afetam as pessoas que vivem com vitiligo. No Brasil, mais de um milhão de pessoas manifestam essa condição (0,5% dos brasileiros). No mundo, a doença atinge, em média, 1% da população. Em 25 de junho, dia dedicado ao tema pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se une ao movimento pela conscientização sobre esse tema diversas vezes negligenciado pela população e aponta gargalos no campo da assistência que devem ser superados. Uma das críticas da SBD com relação ao manejo dos pacientes reside na dificuldade de acesso desse grupo às câmaras de fototerapia espalhadas pelo País, fenômeno que ocorria mesmo antes da pandemia de covid-19. “Temos essas câmaras em hospitais universitários e serviços particulares. A SBD tem ajudado, ao longo das gestões, os serviços credenciados a desenvolverem um serviço de fototerapia, mas há outras doenças que também necessitam desse tratamento, como psoríase, linfoma cutâneo, por exemplo. Muitas vezes, os hospitais conseguem colocar alguns pacientes de vitiligo na fototerapia, mas não dão vazão à demanda. É uma luta para que nós aumentemos o acesso deles a 18 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
um tratamento adequado do vitiligo, incluindo o tratamento fototerápico”, declara a coordenadora do Departamento de Fotobiologia da SBD, Ivonise Follador. MEDICAÇÃO - O assessor do Departamento de Biologia Molecular Genética e Imunologia da SBD, Caio de Castro, concorda que existe, no Brasil, pouca oferta de máquinas de fototerapia para a população. Além disso, ele aponta um outro problema para as pessoas com vitiligo, no mundo inteiro: a falta de medicação específica para a doença. Além da inexistência de produtos específicos, o especialista alerta que os pacientes com vitiligo devem evitar cremes à base de hidroquinona, que podem piorar os sinais da doença. Castro faz ainda uma recomendação ao portador: se tem tendência a ter vitiligo em área de trauma, evite esportes de contato. A dica é principalmente para as crianças. “Se em áreas onde há trauma surge uma nova lesão, o paciente deve trocar, por exemplo, o jiu-jitsu pela natação”, finaliza. Outro ponto importante para esse segmento da população é o suporte psicológico, conforme destaca Ivonise Follador. “Precisamos perceber o impacto negativo da mancha no paciente, os medos que existem, e estimular, se for o caso, a busca do suporte em psicoterapia. Isso pode ajudar a prevenir a diminuição da autoestima, o surgimento da insegurança, da depressão e
CAMPANHA - NO DIA MUNDIAL DO VITILIGO da ansiedade”, ressaltou, lembrando ainda da relevância do papel do médico no seguimento dos casos. ORIENTAÇÕES – Preocupada com o tema, em 2020, a SBD publicou o “Manual Prático de Fototerapia”. Com textos objetivos e didáticos, tem uso garantido em consultório, clínicas e hospitais que atendem pacientes em busca desse procedimento, inclusive pessoas com vitiligo. No mesmo ano, os Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD), divulgaram o “Consenso sobre Tratamento do Vitiligo”. O trabalho constitui um guia para tratamento clínico e cirúrgico da doença. COLORAÇÃO - O vitiligo é caracterizado pela perda da coloração da pele em virtude da destruição dos melanócitos, células que formam a melanina. Ele não é contagioso, mas causa sequelas emocionais em virtude da discriminação sofrida por pessoas portadoras. Segundo Ivonise, 25% dos casos aparecem antes dos 10 anos de idade, 50% até 20 anos, e de 70% a 80% antes dos 30 anos. “O Dia Mundial é importante, pois ajuda os pacientes a verem que não estão sós, que existem perspectivas e que há casos de regressão importante das manchas. O mais importante acreditar
e fazer um tratamento sério. Existem resultados muito positivos no tratamento. Não ter cura, não quer dizer não ter tratamento”, disse. O vitiligo pode se manifestar de seis formas: focal (manchas pequenas em uma área específica do corpo); mucosal (manchas somente nas mucosas, como lábios e região genital); segmentar (manchas distribuídas unilateralmente, apenas em uma parte do corpo); acrofacial (manchas nos dedos e em volta da boca, dos olhos, do ânus e genitais); comum (manchas no tórax, abdome, pernas, nádegas, braços, pescoço, axilas e demais áreas acrofaciais); e universal (manchas espalhadas por várias regiões do corpo). Atualmente, o tratamento do vitiligo é feito com fototerapia com radiação ultravioleta B banda estreita (UVB-nb), fototerapia com ultravioleta A (PUVA), laser, além de técnicas cirúrgicas de transplante de melanócitos. “Estão sendo pesquisados ainda tratamentos tópicos, à base de inibidores de prostaglandinas e à base de inibidores de JAK, por exemplo. Mas, certamente, aparecerão outras medicações em médio prazo. O importante é que o paciente procure ajuda, tenha apoio médico e psicológico e não deixe que a doença o tire do seu propósito de vida”, explica Ivonise. j
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EVENTOS
COORDENADORES DO 13º TERADERM FAZEM BALANÇO POSITIVO DO EVENTO FOCADO NA TERAPÊUTICA DERMATOLÓGICA
“O
nível da participação dos inscritos mostrou que o 13º Teraderm se mantém altamente relevante para a especialidade”. Essa é a avaliação de John Veasey, um dos coordenadores da Comissão Organizadora do evento ao fazer o balanço da atividade. O encontro aconteceu no período de 2 a 4 julho, no formato online, sob organização da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Além desse fator, dentre os motivos que levaram ao êxito do encontro está o cuidado no preparo da programação científica. Para Jayme de Oliveira Filho, outro dos coordenadores do 13º Teraderm, trata-se de um evento já tradicional entre os médicos dermatologistas, sempre muito aguardado e bem recebido pelos associados por conta do seu dinamismo e do elo com a prática diária.
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TERAPÊUTICA - A fórmula que deu certo, lembra Jayme Filho, passa pela abordagem de diversas áreas da terapêutica dermatológica (cirúrgica, cosmiátrica, clínica, entre outras) de forma didática, com foco em problemas do cotidiano de clínicas e hospitais. “As aulas são sempre conduzidas por palestrantes experientes que, em poucos minutos, detalham condutas úteis a todos os dermatologistas”, ponderou Ricardo Shiratsu, outro dos quatro coordenadores. Diante do que ocorreu, Clarisse Zaitz, que completa o time da Coordenação do 13º Teraderm, já está animada para a próxima edição, em 2022. “A torcida é para que esse novo encontro aconteça presencialmente. Assim, estaremos num ambiente capaz de estimular o aprendizado pelo acesso à atualização de técnicas e abordagens terapêuticos e de proporcionar momentos de confraternização e troca de experiências”, concluiu. j
RIO DE JANEIRO A agenda de eventos da SBD Rio está repleta de novidades. Nas últimas quartas-feiras do mês, a Regional realiza a Reunião Mensal. Com a pandemia, o encontro tem sido realizado na modalidade online e reunido cerca de 350 participantes. Outros eventos que vêm chamando a atenção do associado é o TricoRio, realizado pelo Departamento de Cabelos da SBDRJ, e o UltraRio, um evento que aborda aspectos relacionados ao ultrassom, sempre às quartas-feiras. A Regional comunica que haverá datas em outubro e novembro, sempre à noite, no mesmo dia da Reunião Mensal. E também na segunda quarta-feira de dezembro. O evento tem a coordenação de Elisa Barcaui.
SERVIÇOS CREDENCIADOS HOSPITAL MUNICIPAL UNIVERSITÁRIO DE TAUBATÉ Após um ano sem sua tradicional Jornada Anual de Casos Clínicos, o Serviço de Dermatologia do Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT/ Unitau) retoma essa atividade de forma remota no próximo dia 18 de setembro. Além da discussão dos casos apresentados, o professor convidado deste ano Prof. Dr. Elemir Macedo de Souza ministrará aula sobre "Paraneoplasia e sua diferença de marcadores cutâneos de neoplasias viscerais". Para informações e inscrições, entrar em contato com Lilian (12) 3625-7533 ou pelo e-mail: jornada.dermatotaubate@ gmail.com. As vagas são limitadas.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL Mesmo durante a pandemia estão sendo respeitadas as atividades curriculares dos residentes do Serviço de Dermatologia de Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Passo Fundo/RS (UFFS-PF/ RS). As residentes de terceiro ano Michele S. Menegazzo e Paula Colling Klein foram recebidas na Clínica de Dermatologia Dra. Célia Kalil, em Porto Alegre, para estágio fora do Serviço, por 30 dias. Durante o período,
as médicas praticaram a dermatologia clínica, cosmiátrica, lasers e tecnologias e cirúrgica com a supervisão da Dra. Célia Kalil, que também é preceptora do Serviço. Dessa maneira, foram respeitadas as atividades do ensino da residência em dermatologia na sua prática e, também, por meio de seminários online, mantendo o nível científico programado tanto para os residentes como para os professores/preceptores. JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021 | 21
SERVIÇOS CREDENCIADOS HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA Cássio Rafael Moreira, professor do Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina, obteve o título de mestre em Fisiopatologia Clínica e Laboratorial, ao defender, no dia 14 de julho, a dissertação intitulada "Associação das Variantes do Gene IL36G com Suscetibilidade, Acometimento Articular e Gravidada da Psoríase". A banca examinadora foi composta pelos professores doutores Andréa Name Colado Simão (orientadora), Edna Maria Vissoci Reiche e Airton dos Santos Gon.
DERMACAMP 2021 Mesmo em tempos de pandemia e necessários cuidados com distanciamento, continuam as atividades do Dermacamp, que promovem inclusão social e qualidade de vida para as crianças com doenças severas de pele e suas famílias. No dia 28 de junho, sob o comando da médica dermatologista Maria Cristina Valencio, coordenadora médica do Dermacamp, foi realizada a segunda edição do Arraiá Dermacamp em casa. “Após dois meses de preparação, crianças e famílias, todas em suas casas, prepararam roupas típicas, comidas, brincadeiras e músicas juninas! Todos brincaram juntos num ambiente muito agradável, e que contou até com fogueira (de brinquedo, claro!) e quadrilha (de verdade!). Nosso muito obrigado a todos os voluntários que ajudaram a preparar a nossa festa junina! Ano que vem tem mais!”, disse o coordenador do Serviço de Dermatologia da Santa Casa de São José dos Campos e um dos idealizadores do projeto, Samuel Mandelbaum.
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO PARÁ Em fevereiro, o Serviço de Dermatologia do Centro Universitário do Pará (CESUPA), em Belém-PA, comemorou a formatura da primeira turma de dermatologistas. Sem cerimônia formal em função da situação pandêmica, as médicas Aline de Lima Dias e Camilla Correa Neri receberam seus certificados de conclusão de curso. Fundado em 2018, com duas vagas anuais, e já credenciado duas vezes pela SBD, o Serviço rapidamente se estabeleceu como centro de referência na cidade. 22 | JSBD Volume 25 l N. 3 - 2021
O curso de residência está sob a coordenação de Maraya de Jesus Semblano Bittencourt, que compõe o grupo de preceptoria juntamente com os também dermatologistas associados SBD: Alena Margareth Darwich mendes, Gabriela Athayde Amin, Ana Thais Machado Moutinho, Caren dos Santos Lima e Lorena Silva de Carvalho.