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JSBD v24 nº1 - 2020

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JORNAL DA SBD

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Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia

CONHEÇA A CHAPA CANDIDATA À DIRETORIA EXECUTIVA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA JSBD Volume 23 e 24

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br DIRETORIA 2019/2020 PRESIDENTE:

Sérgio Palma

SP

TESOUREIRO:

RJ

Egon Luiz Rodrigues Daxbacher

SECRETÁRIA-GERAL: Cláudia Carvalho Alcantara Gomes

RJ

1ª SECRETÁRIA:

Flávia Vasques Bittencourt

MG

2º SECRETÁRIO:

Leonardo Mello Ferreira

ES

JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Volume 23 e 24 - n. 6 e 1 - dez / jan / fev - 2020 Coordenador médico do Jornal da SBD Caio Castro | SP Conselho editorial Sérgio Palma Mauro Yoshiaki Enokihara Egon Luiz Rodrigues Daxbacher Cláudia Carvalho Alcantara Gomes Flávia Vasques Bittencourt Leonardo Mello Ferreira Jornalista responsável Erika Drumond - Reg. MTB 31.383/RJ Redação Erika Drumond Milton de Souza Júnior Paulo Henrique de Souza Editoração digital Nazareno Nogueira de Souza, Carlos Caldas e Bruno Abraão de Souza Contato publicitário Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ CEP: 20090-003 Email: imprensa@sbd.org.br

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CONSOLIDAR E AVANÇAR

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VICE-PRESIDENTE: Mauro Yoshiaki Enokihara

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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) tem reforçado a boa formação em dermatologia em sua comunicação com associados. Formar médicos de maneira inadequada, além de causar riscos para a saúde da população brasileira, pode gerar inúmeros processos éticos criminais. Por meio de um minidocumentário para marcar o Dia do Dermatologista, em 5 de fevereiro, e homenagear seus 10 mil associados, a SBD mostrou os desafios e a importância da formação médica adequada. No vídeo, médicos dermatologistas, entre eles o atual presidente da SBD, Sérgio Palma, e alguns ex-presidentes, como José Antonio Sanches e Bogdana Victoria Kadunc, apresentam suas opiniões sobre a especialidade. A coluna “Com a palavra” desta edição aborda um tema interessante no dia a dia do consultório. Muitas vezes o médico diz uma coisa, e o paciente entende outra. Como melhorar a comunicação e a satisfação do paciente em tratamentos e procedimentos? Essa questão será tratada de forma didática e objetiva pela dermatologista Débora Ormond, do Departamento de Defesa Profissional da SBD. Na sociedade contemporânea, é alta a demanda para a realização de procedimentos dermatológicos estéticos, especialmente por mulheres. Em “Outros olhares” convidamos a médica Ivonise Follador para falar sobre esse assunto, porém, enfocando a pele negra. Ela explica os principais tratamentos dermatológicos nessa população, entre outros aspectos, como a beleza e a etnia brasileiras. Em entrevista ao jornal, a designer Tatiane Santos de Oliveira, autora do livro “A menina feita de nuvens”, conta como foi o processo de descoberta do vitiligo na filha Maria Luiza, hoje com 8 anos, e a criação da história para ajudar a menina a lidar melhor com a doença. Ela ressalta a importância do tratamento humanizado para a melhora do estado de saúde como um todo. Comemoramos com nossos leitores os benefícios do árduo trabalho de conscientização da Campanha Nacional de Hanseníase da SBD. Milhares de dermatologistas participaram de ações em seus estados e cidades. O levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia com base nos dados do Ministério da Saúde (MS) apontou que cerca de 800 mil brasileiros têm hanseníase no país. Esse número é alto e representa os diagnósticos realizados de 1999 a 2018. Segundo a coordenadora da Campanha Nacional de Hanseníase da SBD, Sandra Durães, ainda que o Brasil seja considerado uma potência econômica, as desigualdades regionais repercutem na materialização de novos casos da doença. Saiba tudo sobre esse trabalho desenvolvido pela SBD nas próximas páginas. Nesta edição você ainda confere novidades de futuros eventos organizados pela Sociedade, como o 13º Simpósio de Cosmiatria, Laser e Tecnologias da SBD e o 6º Simpósio de Cosmiatria e Tecnologias da SBD-Resp, em março, e o Congresso Brasileiro de Dermatologia, em São Paulo, em setembro. A publicação também traz um resumo das campanhas Janeiro Roxo e Verão Laranja, que tiveram aumento em sua visibilidade, com boa resposta da população e médicos na interação com a entidade nas redes sociais. Finalmente, a atual Diretoria da SBD gostaria de convocar todos os especialistas para exercer seu direito e dever de voto na eleição dos dirigentes para a gestão 2021/2022. As eleições ocorrerão em 18 de abril por correspondência e de forma presencial. Exerça seu direito de votar, participe! Lembramos a todas e todos que o PDF do jornal pode ser acessado na plataforma de publicações da SBD, na área logada do site. Esperamos que você prestigie essa publicação da SBD e tenha uma boa leitura!


NOTAS

DIRETORIA DA SBD GARANTE APOIO IRRESTRITO PARA CRESCIMENTO DA S&CD

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o dia 31 de janeiro, a Diretoria da SBD realizou a primeira reunião do ano com a equipe editorial da revista Surgical & Cosmetic Dermatology. No encontro, realizado na sede da SBD, o presidente Sérgio Palma reiterou o empenho na garantia de infraestrutura e logística para a revista e para outras publicações que levam o selo e o nome da dermatologia brasileira. “Estamos desenvolvendo um trabalho intenso para que essas plataformas de conhecimento mantenham nível elevado, o que contribuirá para sua projeção no cenário internacional. Aos editores da Surgical & Cosmetic Dermatology, os professores Bogdana Victoria Kadunc e Hamilton Stolf, que estiveram conosco nesse encontro, nossos parabéns pela dedicação e pelo brilhante trabalho que vem sendo realizado”, considera Palma.

A

42ª edição do Simpósio de Dermatologia Tropical (DermaTrop) da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) será realizada nos dias 29 e 30 de maio, em Belém do Pará. No evento, experts da dermatologia do país vão abordar atualizações sobre doenças infecciosas e de caráter endêmico, como a hanseníase, DST/Aids, leishma-

niose e tuberculose, entre outras. A programação científica já está disponível no site da SBD, e o primeiro período de inscrições vai até o dia 17 de maio. O encontro conta com o apoio da SBD-PA, presidida por Walter Refkalefsky Loureiro. l

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DIA DO DERMATOLOGISTA

> ASSISTA AO VÍDEO!

DIA DO DERMATOLOGISTA: COM DOCUMENTÁRIO SOBRE A FORMAÇÃO MÉDICA, A SBD HOMENAGEIA ESPECIALISTAS EM 5 DE FEVEREIRO

C

om quase 10 mil dermatologistas em atividade, cuidando da saúde e do bem-estar de milhões de pessoas em todo o Brasil, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lançou, nesta quarta-feira (5/2), um minidocumentário que destaca a formação profissional e ética desses especialistas comprometidos com a qualidade do atendimento em diferentes frentes da dermatologia como a clínica, a cirurgia e a cosmiatria. O vídeo faz parte das comemorações pelo Dia do Dermatologista (5 de fevereiro). O presidente da SBD, Sérgio Palma, destacou que a homenagem reforça a boa formação em dermatologia, em que o uso da tecnologia não implica em “esquecer o lado humano” da relação mé-

4 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020

dico-paciente. “A gente precisa desse olhar, dessa atenção ao ser humano. Então, é esse dermatologista do futuro que eu desejo”, ressaltou. Atualmente, há cerca de três mil doenças dermatológicas catalogadas e uma demanda crescente por cuidados cosmiátricos. Como reafirmou o presidente da SBD no vídeo, “cabe ao dermatologista cuidar para que essas patologias não evoluam de uma forma mais agressiva, assim como minimizar, aliviar o sofrimento dos pacientes e, claro, buscar sempre o avanço tecnológico de ponta. Isso tanto no serviço público quanto no serviço privado”. Os outros especialistas que participaram do vídeo, de forma geral, destacaram em suas participações a neces-


DIA DO DERMATOLOGISTA

sidade de que os dermatologistas passem por uma formação ampla, o que inclui uma carga horária com foco na prática. Atualmente, a SBD mantém 89 Programas de Residência Médica credenciados em 24 estados. No total, são 826 residentes em formação. Todos são obrigados a seguir os parâmetros de excelência da SBD e da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). A partir deste ano, com as mudanças na matriz curricular da residência em dermatologia, esses programas vão oferecer 8.640 horas de treinamento prático e teórico. “Não é em um curso de fim de semana que alguém se transforma em bom dermatologista”, destacou em sua entrevista a editora da Surgical & Cosmetic Dermatology, Bogdana Victoria Kadunc. No vídeo, além da importância da boa formação, os entrevistados abordam aspectos éticos que devem ser observados na relação com os pacientes, com os outros médicos e com os profissionais da saúde em geral. “A SBD é uma das maiores instituições médicas do mundo relacionadas à pele e a gente tem certeza de que está indo em bom caminho nessa entrega de qualidade de um bom profissional à população”, finalizou Palma no vídeo dirigido aos colegas de profissão. l JSBD Volume 23 e 24

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ASSUNTOS INSTITUCIONAIS

SBD PEDE A REVISÃO DOS VALORES DAS BOLSAS DE RESIDÊNCIA MÉDICA

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reivindicação de reajuste das bolsas de Residência Médica, apresentada ao Governo pela Associação Nacional dos membros desse grupo (ANMR), foi motivo de uma moção de apoio aprovada pela diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Atualmente, a revisão desse valor está sendo conduzida em discussões envolvendo os Ministério da Educação e da Saúde, com a participação de entidades médicas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB). Desde 2016, o valor bruto pago por bolsa, pelo Ministério da Educação, é de R$ 3.330,43 por mês para uma jornada de 60 horas semanais. Em reunião, realizada no dia 6 de fevereiro, em Brasília (DF), ficou acordado que o Governo avaliará proposta de reajuste da bolsa de residência médica. Novo encontro está previsto para os próximos dias para avaliar as possíveis soluções para o impasse. Importância – “Entendo ser importante reconhecer o espaço dos residentes no atendimento da população, sobretudo nas urgências e emergências. O pedido de recomposição do valor pago pelas bolsas é justo, tendo em vista o compromisso desses jovens profissionais. Graças a eles, milhões de brasileiros recebem atendimento da melhor qualidade”, ressaltou o presidente da SBD, Sergio Palma. No texto da moção, a SBD expressa seu desejo de que o Governo acolha o pleito dos residentes, o que, na visão da Gestão 2019/2020, “é uma forma de comprovar respeito e valorização ao papel-chave que esse grupo presta aos serviços públicos de saúde em todos os níveis de complexidade”. Projeto de Lei – Além dessa discussão em curso, a remuneração dos residentes deve ganhar novo folego nos próximos meses. O Projeto de Lei nº 2803/19, do deputado federal Luiz Antônio Teixeira Jr. (PP-RJ), que propõe equiparar o valor da bolsa do médico residente ao do participante do Programa Médicos pelo Brasil (atualmente em torno de R$ 12 mil mensais com adicionais para locais remotos).

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O PL está na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. O relator, deputado Célio da Silveira, já apresentou um parecer pela aprovação do projeto. A votação deverá ocorrer em março. Depois, o PL ainda passará por outras duas comissões: Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça. MOÇÃO DE APOIO EM FAVOR DO REAJUSTE DAS BOLSAS DE RESIDÊNCIA MÉDICA A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) empenha seu apoio ao pedido encaminhado ao Governo pela Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) para que seja feita a revisão dos valores pagos às bolsas desses programas de formação de especialistas em medicina. Diante do compromisso, da responsabilidade e da qualidade dos serviços prestados por esse grupo de jovens profissionais, as bolsas, que estão atualmente em R$ 3.330,43 por mês (para uma jornada de 60 horas semanais), deve ser revista de modo a recuperar perdas acumuladas e valorizar o trabalho realizado. Com a correção dessa distorção, ganham os residentes e também a população que passará a contar com um time de futuros especialistas ainda mais motivado no cumprimento de sua missão. Assim, a SBD – representante de uma especialidade que possui, no momento, cerca de 900 residentes em formação – solicita aos Ministérios da Educação e da Saúde que tratem desse tema com a merecida deferência aos milhares de profissionais que estão em Residência Médica. l Rio de Janeiro (RJ), 12 de fevereiro de 2020. Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Gestão 2019/2020


ÉTICA MÉDICA

QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA: DERMATOLOGISTAS ALERTAM PARA OS RISCOS DO USO DO FORMOL EM PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS NO CABELO

I

De acordo com a SBD, a exposição frequente a alisamentos, em que há uso da substância em altas concentrações, pode causar reações

rritação, queimadura, descamação, queda de cabelo e até câncer. Esses são alguns dos inúmeros problemas ocasionados pelo uso do formol e de substâncias que podem liberá-lo em procedimentos estéticos capilares. O alerta é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), preocupada com a exposição indevida de milhares de pessoas ao produto. Atraídos por falsas promessas e ludibriados pela ocultação de dados importantes sobre os procedimentos, não são incomuns casos de efeitos adversos decorrentes, por exemplo, de um alisamento. Há situações em que os desdobramentos podem ser graves. Para melhor orientar a população sobre o assunto, a SBD lançou uma cartilha que detalha riscos da exposição ao formol, modos de identificar produtos que o contenham em sua composição e como denunciar irregularidades. “Nesse período de festas, mulheres de todas as idades e homens recorrem aos salões de beleza ou clínicas de estética em busca de uma imagem idealizada. Nesse momento, adentram uma zona cinzenta, onde são convidados a testar na pele e no couro cabeludo técnicas e produtos de origem desconhecida ou formalmente proibidos”, ressaltou o presidente da SBD, Sérgio Palma.

> ACESSE AQUI A CARTILHA ELABORADA

PELA SBD SOBRE OS RISCOS DO FORMOL

Apesar dos riscos, o formol continua sendo utilizado de forma irregular em salões de beleza. Já foram encontrados traços da substância em vários procedimentos, como as chamadas escovas inteligente, marroquina, egípcia, de

chocolate, selagem, botox capilar etc. Outro aspecto importante citado pela SBD é a inadequação de uso de alisantes com formol por gestantes e mulheres que amamentam. Também não se recomenda sua aplicação em crianças. Proibição – Desde junho de 2009, a Resolução RDC nº 36, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu a venda do formol em drogarias, farmácias, supermercados e lojas de conveniência. Essa resolução visa restringir o acesso da população ao produto, coibindo o desvio de seu uso, como alisante capilar, com o intuito de proteger a saúde tanto de profissionais cabeleiJSBD Volume 23 e 24

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ÉTICA MÉDICA reiros quanto dos consumidores. A legislação atual permite 0,2% do formol na composição de cosméticos, incluindo os alisantes. Segundo a Anvisa, nesse percentual, o formol somente conserva, não tendo potencial para alisar os cabelos. A Agência diz ainda que o produto também é permitido para endurecedores de unhas na concentração de 5%. A Anvisa salienta que qualquer adição de formol em produtos já prontos é crime – previsto na lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977 – e que tal prática acarreta graves riscos à saúde da população. A aplicação do formol só é permitida durante a fabricação do produto, na devida proporção, com a função de conservante, de acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 162. Já a de nº 58/2009 elenca as substâncias de ação conservante permitidas para produtos de limpeza, mantendo o formol fora da listagem. Cancerígeno – Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) relacionou o formol ao aparecimento de tumores em nariz, boca, faringe, laringe e traqueia. No mesmo ano, mediante o alerta da OMS e de outras instituições internacionais de pesquisa, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) classificou o formol como agente cancerígeno. “Se o formol for inalado, pode provocar efeitos colaterais agudos como, falta de ar, tosse, dor de cabeça, além de provocar ardência nas vias respiratórias. Em longo prazo, outras complicações podem aparecer, como o câncer de nariz, boca, laringe e também hematológicos, como a leucemia, sendo que os profissionais que trabalham diariamente com o produto estão mais propícios a esses problemas”, alerta o coordenador do Departamento de Cabelos da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Regional Rio de Janeiro, Rodrigo Pirmez. Novos alisantes – Os ativos para alisantes permitidos no Brasil estão descritos nas Resoluções RDC nº 3/2012 e 15/2013 (veja a Tabela I). Em 2018, a Anvisa incorporou novas substâncias. Contudo, durante a avaliação de segurança dos ativos “ácido glioxílico” e “glioxiloil de proteína de trigo hidrolisada e sericina” foi observada a necessidade de encaminhamento de mais dados para comprovar a inexistência de riscos à saúde. Por isso, outros ativos inicialmente liberados – como “cisteamina HCL”, “cisteína HCL” e “glioxiloil de aminoácidos da queratina e carbocisteína” – novamente entraram em suspeição, e não estão sendo mais aprovados registros de alisantes com essas substâncias. Em nota, a Agência informou à SBD que a documentação faltante já foi solicitada às empresas e, após o fim da análise, será decidido se os novos ativos vão continuar sendo permitidos. A Anvisa observou ainda que o até então permitido “pirogalol” também está sendo reavaliado para verificar sua segurança. 8 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020

Conforme destaca Leonardo Spagnol Abraham, coordenador do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD, a entidade observa com preocupação e atenção esses novos alisantes. “Material divulgado pelo Inca e testes amplamente noticiados na mídia sugerem que essas novas substâncias podem liberar formol quando aquecidas, no momento em que é feita a escova ou chapinha. A Anvisa registrou e liberou em um primeiro momento, porém agora solicitou novos estudos. Neste período de incerteza, sabendo que nenhuma outra agência reguladora no mundo libera esses produtos, é importante cautela no uso. Aguardamos novas evidências científicas, principalmente sobre o efeito em gestantes, crianças e mulheres que estão amamentando”, argumentou. Ferramenta – Para ajudar a identificação dos itens de risco, a SBD elaborou um quadro que facilita esse trabalho. Na tabela (ver a seguir), formulada com informações de dezembro de 2019, estão os nomes das substâncias utilizadas em produtos alisantes, conforme descritos nos rótulos de forma padronizada. Ao lado dos nomes científicos dos principais ativos – proibidos e permitidos no Brasil – aparecem as formas como são citadas nas embalagens de alisantes, xampus e outros cosméticos com a função de “domar as madeixas”. Além disso, está a situação de cada uma junto à Anvisa. Fiscalização – A dermatologista Bruna Duque-Estrada, assessora do Departamento, frisa ainda que há uma grande quantidade de produtos com substâncias alisantes sendo indevidamente registrados na Anvisa, como xampus, condicionadores ou outros. “Há empresas que, visando burlar a fiscalização, lançam xampus com efeito alisante. Porém, na verdade são alisantes disfarçados e geralmente contêm ativos proibidos. Essas substâncias podem causar danos à córnea, queimaduras graves no couro cabeludo, quebra dos fios e queda dos cabelos. Além disso, a aplicação de produtos com adição de formol acima do permitido torna o fio de cabelo rígido, podendo estar mais suscetível à quebra ao pentear e prender os cabelos”, ela destaca. Sempre que o consumidor identificar xampu, creme de pentear ou outro produto indevidamente identificado que contenha algum ativo alisante, deve denunciar por meio da ouvidoria da Agência: https://portal.anvisa.gov.br/ contato. Orientações – O dermatologista Leonardo Abraham adverte também que alguns salões de beleza inventam os mais diversos nomes ou destacam o termo “sem formol” para os alisamentos, mesmo quando os produtos contêm a


ÉTICA MÉDICA

SUBSTÂNCIA

NOME DO RÓTULO

SITUAÇÃO NA ANVISA

Ácido tioglicólico, seus sais e ésteres

p. ex. Thioglycolic acid

Liberado

Hidróxido de cálcio + sal de guanidina

Calcium hydroxide + guanidine carbonate

Liberado

Sodium hydroxide; potassium hydroxide; lithium hydroxide

Liberado

Potassium sulfite; sodium bisulfite

Liberado

Cysteamine HCL

Anteriormente permitida e atualmente em análise

Cysteine HCL

Anteriormente permitida e atualmente em análise

Glyoxyloyl carbocysteine + Glyoxyloyl keratin aminoacids

Anteriormente permitida e atualmente em análise

Glyoxylic acid

Em análise

Glyoxyloyl hydrolyzed wheat protein/ sericin

Em análise

Pyrogallol

Em análise como alisante e liberado como corante de oxidação para cabelos

Formaldehyde

Proibido (permitidos como conservante)

Gluratal

Proibido (permitido como conservante)

Hidróxido de sódio, potássio ou lítio Ulfitos e bissulfitos inorgânicos Cisteamina HCL Cisteína HCL Glioxiloil de aminoácidos da queratina e carbocisteína Ácido glioxílico Glioxiloil de proteína de trigo hidrolisada e sericina Pirogalol Formaldeído(Formol) Glutaraldeído

substância ou seus derivados escondidos em sua fórmula. “É importante que os clientes verifiquem se o produto usado pelo cabeleireiro tem ou não registro na Anvisa”, alerta. A Agência listou algumas recomendações que os profissionais e consumidores devem ter antes de comprar ou usar um alisante, dentre as quais estão a conferência no rótulo do produto do modo de uso; prazo de validade, advertências e restrições. Sugere verificar ainda se o produto é indicado para uso profissional, sendo indicado seguir as orientações do fabricante. Para saber se um alisante de cabelo é registrado na Anvisa, basta clicar aqui. Essa consulta também pode ser realizada aqui. Nesses espaços de consulta online desen-

volvidos pela Agência, é preciso ter em mãos uma das seguintes informações: número do processo ou número de registro, nome do produto, nome da empresa detentora do registro ou CNPJ para ter acesso às informações. O consumidor que encontrar irregularidades não deve utilizar o produto e poderá entrar em contato com a Vigilância Sanitária Municipal, Estadual ou com a própria Anvisa através do e-mail cosmeticos@anvisa.gov.br. Em caso de suspeita de reações adversas causadas pelo uso de cosméticos, envie o relato para o e-mail cosmetovigilancia@anvisa.gov.br. A Agência também possui um FAQ (Perguntas Frequentes) sobre o uso do formol, cujas respostas podem ser acessadas aqui. l JSBD Volume 23 e 24

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COM A PALAVRA

Por Débora Ormond Departamento de Defesa Profissional da SBD

O QUE O MÉDICO DIZ E O QUE OS PACIENTES ENTENDEM: ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A COMUNICAÇÃO E A SATISFAÇÃO DO PACIENTE EM TRATAMENTOS E PROCEDIMENTOS

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ão há um mecanismo legal que determine os critérios para ser um bom profissional da medicina. Toda investigação médica deve começar com uma boa anamnese que deve ser feita com propriedade e profundidade, e sem pudor em perguntar. O médico deve ter o dom de fazer com que o paciente conte sua história; deve inspirar confiança de que a intimidade do paciente será mantida em segredo. Deve, enfim, estabelecer cumplicidade de forma que o paciente sinta no médico um amigo. Ao realizar um procedimento no corpo humano, o profissional da medicina deve ter consciência de que está realizando um ato médico num corpo dono de uma vida, em um ser que tem sonhos e muitas vezes distorção da percepção. O ato médico nunca deve ser considerado um aborrecimento, mesmo sabendo que atendemos algumas “pérolas” que torcemos para que esqueçam o endereço de nosso consultório. A percepção do médico vai muito além das anotações em prontuários e registros fotográficos. Não se pode esquecer de que a medicina, de modo geral, é uma profissão de meios e não de fins. Não pode ser vista como um produto a ser comercializado nem assim considerada. A finalidade do médico é ajudar e, se possível, ajudar no sentido de melhor qualidade de vida, o que inclui a tentativa de melhorar a fisionomia do paciente. Nas relações médico/paciente, a fim de evitar conflitos éticos e judicialização de sua conduta, deve o paciente receber as explicações sobre sua condição de doente ou expectativa de resultados de tratamentos estéticos. Isso exige tempo. Muito mais que os 15 minutos habitualmente destinados ao atendimento. Dialogar e inspirar confiança e segurança são atos médicos fundamentais. Saber escutar muitas vezes pode ser mais importan-

te do que falar. Tirar dúvidas e mostrar que as informações da internet são importantes, mas nada substitui o profissional preparado. O médico deve ser o mais honesto possível quanto à expectativa de resultados e possíveis efeitos indesejáveis. Deve esclarecer o fato de que todo procedimento possui riscos, porém o profissional utilizará seus conhecimentos ao aplicar a técnica que considera mais adequada para o paciente e de forma a minimizar os riscos concernentes a cada tratamento/procedimento. Nunca esquecer de perguntar ao paciente se ele possui dúvidas e deixar que ele próprio opte pelo tratamento, estando ambos, médico e paciente, de acordo com o ato médico. A atividade médica exige do profissional algumas habilidades inerentes à profissão: poder de explicação e convencimento de forma que o paciente ou seus familiares entendam a linguagem praticada. Não se pode utilizar uma terminologia técnica para explicar ao leigo e querer que tudo seja entendido. No momento do atendimento deve haver dedicação e manutenção do foco exclusivamente no paciente. A queixa principal deve ser valorizada, porém os aspectos sociais e comportamentais podem pesar muito na escolha do tratamento. Nem sempre a queixa motivadora inicial do paciente é seu problema principal. Deve-se atentar para o fato de que às vezes o que consideramos importante e relevante para um paciente pode estar em desacordo com o que ele pensa. Para valorizar sua profissão, não basta o dinheiro. O dinheiro é consequência. As pessoas se sentirão gratas se forem bem atendidas. O pagamento será feito com satisfação. l

* Texto baseado no livro O caos da medicina, de que Débora Ormond é coautora. 10 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020


CAMPANHA

EM CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO, A SBD ESCLARECE O QUE É MITO E O QUE É VERDADE NA ABORDAGEM DA HANSENÍASE Ação será realizada durante todo o mês de janeiro

J

aneiro é o mês dedicado à conscientização, combate e prevenção da hanseníase. E a SBD aproveita este momento para divulgar informações sobre a doença, que, por diferentes motivos, ainda hoje representa um problema de saúde pública no Brasil. Este ano, a campanha de esclarecimento coordenada pela médica dermatologista Sandra Durães

destacou o que é mito e o que é verdade sobre a hanseníase por meio de vídeo informativo e de fácil compreensão disponibilizado no site institucional e também em matérias e entrevistas com especialistas da SBD publicadas em diversos meios de comunicação do país.

Assista ao vídeo!

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CAMPANHA SANDRA DURÃES - COORDENADORA DO DEPARTAMENTO DE HANSENÍASE

“A estratégia básica para seu controle é a diminuição da

carga bacilar da população com o tratamento de todos os casos. Portanto, é muito importante que a população seja informada sobre os principais sinais e sintomas da doença e procure assistência médica o mais rápido possível, e a campanha do Janeiro Roxo tem um papel importante nessa ação

”

O Jornal da SBD conversou com a médica Sandra Durães sobre a importância da conscientização das pessoas sobre essa doença tropical negligenciada. Também quis saber sua opinião sobre a abordagem da hanseníase na campanha deste ano que esclarece o que é mito e o que é verdade na abordagem da doença. “Crenças populares ainda predominam sobre a enfermidade, que continua suscitando muito preconceito pela sua imagem negativa, de doença estigmatizante e causadora de incapacidades físicas. No entanto, essa imagem não corresponde mais à atual realidade da hanseníase, para a qual existe uma terapêutica mais eficaz, o que a tornou doença curável. Aproveitar este jargão “mitos x verdades” para desmitificar ideias falsas é uma estratégia atual de comunicação rápida para esclarecer e informar a população”, explica. A hanseníase é uma infecção curável e, na maioria dos casos, com bom prognóstico, que, no entanto, está ligado ao tempo de evolução da doença, já que com o passar dos anos as chances de danos neurais aumentam. E esses danos são irreversíveis. “A estratégia básica para seu controle é a diminuição da carga bacilar da população com o tratamento de todos os casos. Portanto, é muito importante que a população seja informada sobre os principais sinais e sintomas da doença e procure assistência médica o mais rápido possível, e a campanha do Janeiro Roxo tem um papel importante nessa ação”, frisa Sandra Durães. A médica afirma que a fim de alcançar o controle da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) promoveram a integração da atenção à pessoa acometida por hanseníase na rede de atenção primária à saúde, ampliando a cobertura dos atendimentos de hanseníase.

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“Atualmente cerca de 70% dos casos são diagnosticados na atenção primária. Durante esse processo a colaboração dos médicos dermatologistas da SBD, que possuem acurácia mais desenvolvida para o diagnóstico das lesões cutâneas, foi fundamental no treinamento desses profissionais para o diagnóstico precoce. No entanto, a alta rotatividade das equipes treinadas na atenção primária gera a necessidade contínua de novos treinamentos”, explica. Sandra Durães informa que este ano haverá um aumento dessas ações por meio de parceria da SBD com o Ministério da Saúde para a realização de campanhas visando ao diagnóstico precoce e à capacitação dos profissionais da rede básica de saúde nas áreas endêmicas. A intenção é oferecer um atendimento integral aos pacientes. “Após o diagnóstico, além da antibioticoterapia e das orientações para prevenção de incapacidades, os pacientes terão acesso ao atendimento especializado por médicos neurologistas, neurocirurgiões, oftalmologistas, ortopedistas, além de psicólogos. Haverá ainda uma rede adequada de referência e contrarreferência para casos de difícil diagnóstico diferencial, efeitos adversos dos medicamentos e reações hansênicas, essenciais para o atendimento completo. Além dessas ações são fundamentais outras formas de controle, como o exame dos contactantes dos pacientes e aplicação da vacina BCG”, complementa. Importante frisar que para o controle efetivo da hanseníase, além dessas importantes ações que envolvem ampliação de cobertura para atendimentos e treinamento de equipes de saúde, é preciso pensar também nos determinantes sociais da doença. l


HANSENÍASE

CUIDADOS COM A PELE: EM 20 ANOS, HANSENÍASE ATINGE QUASE 800 MIL BRASILEIROS, APONTA LEVANTAMENTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA Mycobacterium leprae, agente causador da hanseníase

No mundo, apenas a Índia apresenta mais casos desta doença quer afeta principalmente, regiões com baixo índice de desenvolvimento humano (IDH)

S

ilenciosa e negligenciada pelas autoridades sanitárias em anos anteriores, a hanseníase acumula milhares de vítimas ano após ano no Brasil. Entre 1999 e 2018, foram diagnosticados 768.215 casos desta doença, que pode ser detectada com facilidade. Mesmo com as constantes campanhas educativas, com foco no diagnóstico precoce, a detecção de novos casos tem indicado uma média de 38 mil registros por ano, no período. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil no segundo lugar no mundo em casos de hanseníase. Perde apenas para a Índia, que em 2017 apresentou 126.164 registros. Para a coordenadora da Campanha Nacional de Hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sandra Durães, trata-se de uma doença que afeta, sobretudo, regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Apesar de o Brasil ser considerado uma potência econômica, a existência de desigualdades regionais repercute na forma como o registro de novos casos se materializa, explicou.

>> Clique

e acesse informações sobre casos

novos

Nessas duas décadas analisadas, no Brasil, as maiores detecções de novos casos, em números absolutos, foram registradas no Maranhão (84.628 notificações); Pará

(83.467); Mato Grosso (63.779); Pernambuco (57.355); e Bahia (52.411). Os dados foram apurados e avaliados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia com base em informações da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. Prevenção – Como janeiro é o mês dedicado a conscientização, combate e prevenção da hanseníase no País, a SBD somou forças para apontar a importância de se enfrentar essa doença tropical de evolução crônica, que se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos, como dormência e diminuição de força nas mãos e nos pés. Seu diagnóstico, tratamento e cura dependem de exames clínicos e, principalmente, da capacitação do médico. Nesse sentido, Sergio Palma, presidente da SBD, afirma que a entidade tem colaborado com a capacitação de médicos de outras especialidades e generalistas, o que contribui para o fortalecimento da rede de detecção dessa doença. “No entanto, fica o alerta: quando descoberta e tratada tardiamente, a hanseníase pode trazer deformidades e incapacidades físicas”, ressaltou. Ao longo dessas duas décadas, a avaliação dos números da hanseníase comprova que seu enfrentamento exige o desenvolvimento de diferentes estratégias devido à complexidade de seus determinantes. Múltiplos fatores estão envolvidos nessa questão, entre eles a dificuldade de

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acesso da população aos serviços de saúde, principalmente no Norte, Centro-Oeste e Nordeste, levando ao diagnóstico tardio. Por um lado, percebe-se um movimento de queda constante no total de novos casos identificados entre 1999, quando o Brasil contabilizou 43.617 registros da doença, e 2016, onde esse total baixou para 25.214. Porém, os dados do Ministério da Saúde apontam uma pequena alta a partir de então, com 26.875 notificações, em 2017, e 28.657, no ano seguinte.

tos decorrentes dessa doença. O maior volume de mortes aparece no Maranhão (269), Bahia (136), Ceará (135), Rio de Janeiro (134) e Pará (126). Por sua vez, o tratamento da doença, o qual é eminentemente ambulatorial, tem gerado inúmeros pedidos de internação para o acompanhamento de pacientes com maiores complicações, com necessidade de cuidados mais especializados e até mesmo cirúrgicos para tratar as sequelas deixadas.

Detecção – No que se refere à taxa de detecção da doença na população geral, os indicadores também oscilam. Em 2000, ela era de 25,44 casos por 100 mil habitantes, chegando a 12,23, em 2016. Porém, como na contagem de números absolutos, esse índice também voltou a apresentar alta nos anos seguintes: 12,94 notificações, em 2017, e 13,70, em 2018.

Internação – Nas duas décadas analisadas, o Sistema Único de Saúde (SUS) processou 38.745 pedidos de internação para pacientes por conta da hanseníase, com o custo total estimado em R$ 27,6 milhões (valores não atualizados). Ao longo do período, esses procedimentos foram mais adotados no Paraná (4.514 casos), Pernambuco (4.341), Santa Catarina (3.246), Goiás (2.811) e São Paulo (2.682 pedidos).

>> Clique e acesse informações sobre índices de detecção

>> Clique e acesse informações sobre internações por hanseníase

“Isso não significa necessariamente uma piora repentina. A doença não se comporta como uma epidemia viral. Na verdade, é a prova de que a rede de atendimento, buscou mais ativamente os casos para fazer o diagnóstico mais precoce. Contudo, mostra que o volume de pessoas portadores da hanseníase ainda é significativo, sendo que muitos não sabem que possuem essa condição”, alerta Egon Daxbacher, diretor da SBD e especialista no assunto. Segundo ele, esse aumento no número de novos casos detectados, entre 2016 e 2018, resulta de mudanças na estratégia de prevenção e combate à doença. Dados do Ministério da Saúde apontam, por exemplo, que houve aumento no total de casos detectados a partir de ações como campanhas, exames feitos em pessoas que mantém contato (direto ou periférico) com pacientes e exames de coletividade. O percentual de contactantes examinados passou de 60,9%, em 2000, para 81,4%, em 2018. “Mudou o modo de detecção, que deixou de ser apenas por demanda espontânea ou por encaminhamentos”, lembrou Daxbacher. Além disso, continuou ele, o tamanho da rede assistencial na atenção básica, onde a grande maioria dos pacientes recebe acompanhamento, quase triplicou. Há 18 anos, eram 3.327 serviços que atuavam nesse sentido. Atualmente, são 9.051.

Se na Idade Média as pessoas com hanseníase eram obrigadas a anunciar sua presença carregando um sino, o preconceito se arrastou pelos séculos. No Brasil, há algumas décadas o isolamento compulsório era adotado, separando famílias e amigos. No entanto, até hoje muitos ignoram que essa doença tem tratamento eficaz, disponível na rede pública. O Grau de Incapacidade Física (GIF) nos casos diagnosticados, como de Grau 2, fica em 10,2 ocorrências por milhão de habitantes. Nos pacientes com atestação de cura, 68% foram avaliados quanto a incapacidade. Conforme explicou Sandra Durães, durante a evolução da doença, o acometimento do nervo periférico faz com que o paciente apresente alterações motoras e sensoriais. “Com o tempo, se lesiona e desenvolve infecção na pele que pode se transmitir ao osso. Também corre o risco de perder tecidos, como ocorria no passado. Atualmente, isso é muito raro, porque o tratamento é eficaz”. Cnforme explicou Egon Daxbacher, o diagnóstico precoce é muito importante e crucial para o controle da doença. “Se o paciente conta com atendimento médico e dos outros profissionais da equipe de saúde e toma seus remédios vai ficar bem. Mas se não houver acompanhamento e adesão ao tratamento, a hanseníase evolui, com possibilidade de aumentar o dano neural. As manchas reduzirão e o doente deixará de ser um agente de transmissão, mas as perdas motoras não serão recuperadas. Em decorrência, essa pessoa exigirá acompanhamento multiprofissional e de médicos de diferentes especialidades para não se lesionar e reduzir o risco de ficar incapacitada”, disse. l

>> Clique e acesse informações sobre taxa de mortalidade Carregada de estigmas, a hanseníase apresenta uma taxa de mortalidade relativamente baixa, em comparação com o número de casos diagnosticados no período. Entre 2008 e 2017, em todo o Brasil foram registrados 1.801 óbi14 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020


VERÃO LARANJA

SBD CONTINUA COM CAMPANHA CONTRA CÂNCER DA PELE NO VERÃO Ação de conscientização vai até abril

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om a chegada do verão e das altas temperaturas, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça as recomendações sobre os cuidados para evitar o câncer da pele por meio da campanha Verão Laranja, que é uma continuidade do movimento Dezembro Laranja. No site e nas redes sociais da instituição, estão sendo publicadas diferentes reportagens sobre o assunto, incluindo cuidados diários em relação à exposição aos raios ultravioletas como forma reduzir a incidência dos danos solares cumulativos relacionados ao câncer da pele. De acordo com dados da Campanha Nacional do Câncer da Pele realizada em dezembro pela SBD, mais de 60% dos brasileiros não usam nenhum tipo de proteção no dia a dia. Lembrando que a radiação solar ultravioleta do país é uma das maiores do mundo, o coordenador nacional da campanha, Elimar Gomes, ressalta a necessidade de se proteger o ano inteiro com filtro solar, roupa adequada, óculos escuros com fotoproteção e recomenda a redução da exposição desprotegida e em horários de maior incidência dos raios solares, que é das 9h às 15h. l

Saiba mais sobre o assunto: Câncer de pele mata 33 mil brasileiros em dez anos e causa 30% dos tumores malignos.

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DESTAQUE

CHAPA ÚNICA NAS ELEIÇÕES DA SBD NACIONAL Nova Diretoria será eleita pelos associados no dia 18 de abril

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eleição para a Diretoria Executiva da SBD gestão 2021/2022 ocorrerá no dia 18 de abril. A única chapa inscrita e aprovada na Reunião do Conselho Deliberativo da SBD, durante o 74o Congresso Brasileiro de Dermatologia, no Rio de Janeiro (RJ), comandará a sociedade médica nos próximos dois anos. A chapa é composta pelo presidente Mauro Enokihara (SP); vice-presidente Heitor de Sá Gonçalves (CE); secretária-geral Cláudia Alcântara (RJ); tesoureiro Carlos Barcaui (RJ); primeiro secretário Geraldo Magela (MG); e segundo secretário Beni Grinblat (SP). O processo eleitoral se realizado por correspondência ou presencialmente, na sede da entidade.

dência serão recolhidos. A Comissão Eleitoral ressalta que os votos que chegarem após esse prazo não serão considerados. Apenas os associados que não tiverem exercido o voto por correspondência, poderão votar presencialmente, no dia 18 de abril, das 9h25 às 11h, na sede da SBD (Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro). Nessa data, de acordo com o estatuto da entidade, será instalada a Assembleia Geral Extraordinária para contagem dos votos. A apuração será realizada imediatamente após o encerramento do período de votação presencial, e a chapa única será eleita se os votos computados forem superiores à soma dos brancos e nulos. l

PROCESSO ELEITORAL Os associados efetivos e honorários começarão a receber o material eleitoral e instruções a partir da segunda quinzena de março, e a carta-resposta contendo o voto deverá chegar na Caixa Postal estabelecida pela SBD até as 10h do dia 16 de abril, quando os votos por correspon-

QUEM VOTA? O associado regularmente quite com suas obrigações até o momento do envio das cédulas eleitorais. Para consultar a regularidade financeira, acesse a área restrita do site da SBD.

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COMO VOTAR? O médico receberá um kit para o voto por correspondência que inclui: 1 Envelope médio pardo com porte pago contendo etiqueta com os dados do associado como remetente.

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2 Envelope pequeno pardo não identificado para a cédula eleitoral. 3 Uma cédula de votação. 4 Etiqueta única com a identificação da chapa candidata e seu respectivo código de barras.

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5 Uma ficha para identificação do eleitor. COMO VOTAR POR CORRESPONDÊNCIA: • Cole a etiqueta selecionada na cédula eleitoral (chapa única) no local correspondente.

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• Dobre a cédula eleitoral no local indicado e coloque dentro do envelope pardo pequeno. Lacre e não identifique. • Preencha a ficha de identificação com seu nome e assinatura para a comprovação do exercício do voto.

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• Insira o envelope pequeno pardo lacrado e a ficha e identificação do associado preenchida e assinada dentro do envelope médio, que possui porte pago e está endereçado à Caixa Postal 260, CEP: 20010974. • Feche e poste em qualquer agência dos correios, o mais breve possível, mantendo a identificação do remetente. • Serão validados apenas os votos que chegarem na Caixa Postal indicada pela SBD até as 10h do dia 16 de abril, via Correios. Caso a cédula apresente qualquer sinal, rasura ou seja possível a identificação do eleitor, o voto será anulado. l Em caso de dúvida, basta entrar em contato com a SBD pelo telefone (21) 2253-6747 ou pelo e-mail sbd@sbd. org.br

5 As propostas para a gestão apresentadas na inscrição da chapa candidata à Diretoria Executiva gestão 2021/2022 são: JSBD Volume 23 e 24

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A HORA E A VEZ DO VOTO

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proxima-se o momento da escolha dos novos dirigentes da SBD, num rito de passagem que marca o momento de renovarmos nossos compromissos e de buscarmos o Norte desejado com ainda mais energia e afinco. Ao entrar em seu segundo século, a instituição maior dos dermatologistas brasileiros exibe invejável vigor. Já nos aproximamos dos 10 mil associados e nossos congressos rivalizam-se aos mais importantes conclaves mundiais da especialidade atraindo conferencistas e participantes dos principais centros internacionais. Caminhamos, portanto, um longo caminho desde que nossos primeiros dermatologistas reuniram-se para fundar uma das primeiras sociedades médicas do país. Temos muito do que nos orgulhar e a responsabilidade de consolidar a obra que vem sendo construída por nossos antecessores, para avançar mais. A meta permanente é a manutenção de uma entidade forte, densa de conteúdo científico e representativa da especialidade. Para isso mobilizamos uma equipe de colegas empenhados em contribuir para a atividade associativa. Consolidaremos as conquistas obtidas e avançaremos para novos objetivos. • Ampliaremos as atividades de educação médica continuada com eventos científicos de qualidade nas regionais e em nossos tradicionais congressos. • Manteremos vigilância ativa quanto à defesa profissional com ações de fiscalização e valorização do derma-

tologista em suas áreas de atuação e dimensão mais ampla, clínica, cirúrgica e cosmiátrica. • Fortaleceremos nosso sistema de comunicação com novas mídias e ampliaremos a presença em redes sociais para que a voz da Dermatologia mobilize formadores de opinião e ajude a consolidar nossos pleitos. • Buscaremos o alinhamento da matriz de competências da residência em Dermatologia nos serviços credenciados para a formação de excelência e estimularemos residentes e especializandos à uma participação maior em atividades da SBD. Novos processos de gestão serão introduzidos com a adoção de boas práticas de governança corporativa (compliance) consagradas por organizações modernas. Nosso compromisso é ir além dos códigos e regulamentos e ampliar o debate sobre práticas e condutas referentes a conflitos de interesse, marketing pessoal e exposição à mídia visando à consolidação de uma sólida imagem institucional. Nosso programa está aberto às contribuições de todos os associados. Sugestões e propostas são bem-vindas e serão consideradas, num processo aberto e participativo. Enobrecer o papel do dermatologista na sociedade e contribuir para a formação do Brasil melhor desejado por todos faz parte do projeto institucional da SBD neste seu segundo século. É fundamental o apoio da Comunidade Dermatológica por meio de um maciço comparecimento às urnas para conferir um sólido mandato à equipe dirigente. l

SECRETÁRIA GERAL: CLÁUDIA ALCANTARA GOMES TESOUREIRO: CARLOS BAPTISTA BARCAUI

PRESIDENTE: MAURO ENOKIHARA

1º SECRETÁRIO: GERALDO MAGELA MAGALHÃES 2º SECRETÁRIO: BENI GRINBLAT VICE-PRESIDENTE: HEITOR SÁ GONÇALVES

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OUTROS OLHARES

DERMATOLOGIA MULTIRRACIAL

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m 2018, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que cerca de 19 milhões de brasileiros se declaravam negros no país, um número pequeno se considerarmos que a população brasileira ultrapassa 210 milhões de pessoas. Mesmo sendo menos expressivo do que se imaginava, esse número foi 32,2% maior em relação à mesma pesquisa realizada em 2012. O aumento de pessoas que se declararam negras mostra que, de certa forma, políticas afirmativas sobre cor e raça têm desempenhado papel importante na conquista de espaço na sociedade. Ainda há,

porém, um longo caminho a percorrer em diferentes campos, a medicina incluída. As faculdades de medicina, em sua maioria, ainda hoje não abordam as diferenças de cor e etnia. Isso pode ser atribuído à pequena proporção de alunos negros nos cursos médicos. De algum tempo para cá, entretanto, até pelo fato de mais estudantes negros estarem chegando aos cursos de formação, a especialização nas particularidades da pele negra tem chamado a atenção de profissionais da área, especialmente devido à demanda da população em busca de tratamentos.

TRATAMENTOS Não há exatamente um tratamento dermatológico exclusivo para a pele negra. Ao se deparar com uma pele doente, caberá ao especialista avaliar se a cor e a quantidade de melanina podem ou não influenciar a aparência da lesão ou aspectos específicos do tratamento. “A miscigenação é muito grande no Brasil, e a cor da pele não é um bom indicativo de etnia ou de genética de origem africana. Por isso, aliás, muitas vezes há o aparecimento de dermatoses ditas da pele negra em pessoa de cor branca”, explica Ivonise Follador, médica dermatologista da SBD e mestre e doutora pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Embora a expressão “especialista em pele negra” não seja tão bem aceita pela classe médica – especialmente no Brasil, cuja população é tão miscigenada –, é preciso entender que mesmo com doenças iguais, os tratamentos indicados para pacientes com pele negra ou branca podem ser diferenciados. De acordo com Ivonise Follador, enfermidades que levam a discromias, por exemplo, na pele negra ou miscigenada assumem frequentemente aspectos diferentes daqueles que mostram em pessoas de pele branca. “No caso de vitiligo, o contraste é maior, chamando muita a atenção e causando impacto maior. Por outro lado, como JSBD Volume 23 e 24

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OUTROS OLHARES

tem mais melanina nas bordas, as repostas ao tratamento costumam ser mais rápidas e melhores. No caso do melasma, o contraste não é tão grande, mas é muito mais difícil de tratar. Na psoríase não se encontram tantos eritemas e as lesões podem assumir aspecto mais escuro, violáceo ou esbranquiçado”, detalha a médica, lembrando, porém, que muitas das alterações de manchas escuras na pele negra, como escurecimento peribucal, em mucosas e ao redor de unhas, são consideradas normais ou fisiológicas pela dermatologia. Ainda sobre as especificidades das dermatoses na pele negra, Ivonise afirma que há muitos diagnósticos complexos, como a micose fungoide hipocromiante, que é mais

BELEZA

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mportante destacar que os valores e as noções de be-

leza definidos pela estética branca dominante estão sendo questionados mais do que nunca pela sociedade. No contexto da medicina, muitas pessoas negras que procuram tratamentos estéticos com médicos dermatologistas não buscam simplesmente afinar traços ou clarear a pele como forma de imitação da beleza branca. Ao contrário: estão procurando alternativas saudáveis de beleza, que, segundo a intelectual negra e teórica feminista Bell Hooks, “pode ser encontrada em qualquer forma de negritude que não é uma imitação de branquitude”. Cada etnia possui características próprias e tem a sua beleza. “E cabe a nós, médicos, escutar o que aquele paciente tem a dizer e prescrever procedimentos adequados e que, acima de tudo, respeitem a história de cada um”, frisa a médica Ivonise Follador. 20 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020

comum em afrodescendente e que muitos médicos ainda diagnosticam como desidratação da pele ou eczematide. “Poderíamos falar também de algumas dermatoses um pouco mais frequentes em negros, como a dermatose papulosa negra, a hipercromia pós-inflamatória, os queloides, as úlceras de anemia falciforme, a pseudoacantose nigricante e a foliculite queiloidiana da nuca. E os especialistas devem ficar atentos também à idade desse paciente negro, já que na fase mais avançada da vida costuma-se ter a pele mais espessa e seca, bem como dificuldades na produção de vitamina D, além de tendência a manchas e queloides. “Esses aspectos devem ser muito bem observados e cuidados com especificidade”, esclarece a dermatologista. l


ARTIGO

Ada Trindade de Almeida Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia | Conselho Editorial da Revista Surgical & Cosmetic Dermatology

PREENCHIMENTOS FACIAIS E COMPLICAÇÕES: COMO PREVENIR, RECONHECER E TRATAR

O

s preenchedores faciais são usados há mais de 20 anos. Recentemente, com o aumento na expectativa de vida e a busca por melhora na aparência e no bem-estar, houve uma explosão de sua utilização, principalmente daqueles à base de ácido hialurônico, porque são passíveis de reversão clínica pela hialuronidase. Esse aumento, porém, veio associado ao controle insuficiente dos produtos e dos profissionais injetores, fazendo crescer também o número de complicações, bem como a preocupação com os efeitos adversos, que podem variar de reações alérgicas ao risco de necrose cutânea. Várias publicações científicas recentes abordam o tema em consensos, algoritmos e estudos retrospectivos, incluindo um Consenso Brasileiro publicado na Surgical & Cosmetic Dermatology, mas o número real de complicações ainda é desconhecido, porque na maioria dos casos a notificação oficial não é feita. De forma objetiva, Heydenrych e colaboradores (2018) tentaram agrupar medidas preventivas e abordagens de complicações em um plano de dez pontos; Snozzi P. e Van Loghem (2018) limitam-se às complicações, e o Consenso Brasileiro inclui a noção do tempo de ocorrência do evento em seu algoritmo de tratamento. Os fatores predisponentes das complicações devem ser classificados naqueles relacionados ao paciente, ao produto ou ao procedimento. Entre os relacionados ao paciente estão doenças, medicamentos e procedimentos (médicos, dentários, estéticos) preexistentes. Já os relacionados ao produto injetado incluem pureza, concentração, associações com outras substâncias, técnica de manufatura (nível e tipo de cross link, características reológicas) e reversibilidade (alguns produtos são mais fáceis de serem dissolvidos pela hialuronidase que outros). E, por fim, existem os fatores relacionados ao procedimento em si. Para um boa execução, é preciso ter conhe-

cimento das características estéticas faciais, das variáveis étnicas, de gênero, do melhor produto para cada plano anatômico, das áreas de risco e saber evitar, reconhecer e tratar as complicações vasculares (oclusões, isquemias, risco de necrose cutânea e até cegueira), inflamatórias (edemas, nódulos, efeito tyndal), infecciosas (abscessos e biofilmes) e discrômicas (hipo e hiperpigmentações, teleangectasias, eritemas persistentes) pós-procedimentos. Parece fácil? Não é. O grande problema é o aumento de casos de complicações por procedimento realizados por não médicos, que acabam chegando aos nossos consultórios. Para salvaguardar nosso campo de atuação cosmético, o dermatologista precisa aprofundar e atualizar os conhecimentos estéticos e assegurar que a prática diária seja a mais segura possível, começando com a seleção correta de pacientes e produtos, seguida de planejamento cuidadoso do procedimento, observando técnicas assépticas e boas práticas clínicas. l REFERÊNCIAS Urdiales Galves F. Delgado N, Figueiredo V, Lajo-Plaza J et al. Preventing the Complications Associated with the Use of Dermal Fillers in Facial Aesthetic Procedures: An Expert Group Consensus Report. Aesth Plast Surg (2017) 41:667-677. Trindade de Almeida A, Banegas R; Boggio R; Bravo B; Braz, A; Casabona G; Coimbra D; Espinosa S; Martinez C. Diagnóstico e tratamento dos eventos adversos do ácido hialurônico: recomendações de consenso do painel de especialistas da América Latina. Surgical & Cosmetic Dermatology, 2017; 9(3): 204-213. Heydenrych I, Kapoor K, De Boulle K, Goodman G, Swift A, Narendra, Rahman E..Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 2018:11 603-611. Philippe Snozzi P, Van Loghem J, Complication Management following Rejuvenation Procedures with Hyaluronic Acid Fillers − an Algorithm-based Approach. Plast Reconstr Surg Glob Open, 2018; 6:2061. Chatrath V, Banerjee P, Goodman G, MD, Rahman E. Soft-tissue Filler–associated Blindness: A Systematic Review of Case Reports and Case Series. Plast Reconstr Surg Glob Open, 2019;7:e2173.

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CALENDÁRIO DE EVENTOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA 2020

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ENTREVISTA - VITILIGO

QUANDO MEDICINA E FAMÍLIA ANDAM JUNTAS

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xemplos de mães que se inspiram em seus filhos para realizar projetos diversos não faltam. Mas quando o que impulsiona esse projeto é um problema de saúde, a história toma contornos diferentes. Esse é o caso de Tatiane Santos de Oliveira, mãe de Maria Luiza, que recebeu o diagnóstico de vitiligo aos três anos – hoje ela tem oito. Autora de A menina feita de nuvens, que narra o cotidiano de uma menina que tem manchinhas nos olhos – chamadas de nuvens – e poderes especiais, Tatiane escreveu o livro para ajudar a filha e outras crianças que passam pela doença a se sentir representadas com sensibilidade, poesia e alegria. “Quando tivemos o diagnóstico, procurei um livro voltado para o público infantil que falasse sobre o vitiligo e a perda de pigmentação em várias partes do corpo de forma lúdica, mas não encontrei. Então, como sou designer e trabalho com livros, resolvi fazer um conto para a minha filha se sentir representada. Fiz as ilustrações, o texto e montei tudo. Inicialmente, a ideia era imprimir em uma gráfica rápida só para ela, mas, conforme eu mostrava o arquivo para meus amigos, o retorno era tão positivo, que resolvi tentar publicar”. Lançado pela editora Estrela Cultural, a publicação tem ajudado outras famílias a reescrever a história dessas crianças “com nuvens”, fazendo-as se olharem com mais carinho e empatia para com sua condição. A seguir, Tatiane nos relata o processo de descoberta do vitiligo, de como foi contar para a filha sobre sua nova realidade e como o atendimento diferenciado por parte do médico que atendeu a menina fez toda a diferença na forma como a família lidou com o tratamento. Quem quiser conhecer o Instagram dela, o perfil é o: https://www.instagram.com/ameninafeitadenuvens/

SBD: Quando começaram a aparecer as primeiras manchas, você já procurou um médico ou achou que pudesse ser outra coisa? E como foi esse primeiro contato com o especialista? Tatiane: As primeiras manchinhas apareceram quando ela tinha três anos. No começo achava que eram marquinhas de machucado, mas quando percebi que estavam aumentando procurei um dermatologista. Não senti confiança logo de cara, especialmente quando deu sua opinião parecendo estar com pena de minha filha. Então, resolvi pesquisar outros médicos até que encontrei o que a acompanhou durante todo o processo. SBD: Como foi descobrir que sua filha tinha vitiligo aos três anos? O que sentiu ao ouvir o diagnóstico? Tatiane: Eu fiquei muito assustada, não sabia muito a respeito, e fiz algumas pesquisas que só assustavam ainda mais. As frases "não tem cura", "pode causar depressão", “pode causar problemas com autoestima" e mais um monte de informações ficaram assombrando minha cabeça. Até que cheguei a um especialista da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, o Dr. Paulo Luzio Marques, que foi quem acalmou meu coração, e iniciamos um tratamento. JSBD Volume 23 e 24

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ENTREVISTA - VITILIGO SBD: Durante todo o processo até chegar ao diagnóstico final, quais foram os momentos mais angustiantes e por quê? Tatiane: Foram os comentários das pessoas do nosso convívio e ao nosso redor. Muitos falavam do vitiligo como se fosse uma doença terminal, algo muito negativo. Era assim toda vez que eu contava sobre as manchinhas da Maria Luiza. E isso começou a nos incomodar. As reações eram exageradas, como se fosse o fim do mundo, mas eu sabia que não era. E novamente o médico que a atendia teve papel fundamental em nos acalmar e explicar que não era verdade o que ouvíamos a todo instante. SBD: E como foi explicar esse diagnóstico para sua filha, já que era tão novinha? Ela compreendeu? Tatiane: Eu expliquei que ela tinha uma doença de pele, que tinha um desenho especial. Como ela era muito novinha, tentei fazer tudo mais leve e lúdico para ela entender o motivo de passar as pomadinhas. E fizemos uma espécie de "tratamento alternativo", que consistia em elogiar sempre cada manchinha, procurar formatos divertidos, contornar com canetinha e ficou tudo mais divertido e leve. E assim ela se sentia especial. O médico dela também não escondia nada dela e explicava cada questionamento que ela fazia, sempre de forma firme, mas gentil. SBD: Hoje ela já é maior e tem mais compreensão sobre o vitiligo? Ela encara bem ou questiona? Tatiane: Hoje ela tem oito anos e pediu para parar o tratamento, mesmo com ele surtindo efeito. Ela não quer mais, não quer perder suas nuvenzinhas. Acho que isso diz muito sobre sua autoestima e a imagem empoderada que tem de si. E além de conversarmos em casa sobre o assunto, sempre de forma natural e sem vitimismos, a relação que ela criou com o médico dela também gerou essa confiança em si mesma. SBD: Como foi o acompanhamento médico nesse período? Tatiane: Com quase dois anos de tratamento, apareceram resultados positivos. Algumas áreas conseguimos pigmentar. Mas, mesmo com todo o carinho e a atenção do médico, ela resolveu interromper o tratamento. Se será algo momentâneo ou não eu não sei, mas acho que essa vontade diz muito sobre a aceitação dela em relação ao vitiligo. SBD: Crianças, por vezes, são cruéis. Como sua filha reage a possíveis bullyings? Ela enfrenta bem o problema? Tatiane: Por causa do nosso livro, eu fiz um escudo de proteção a nossa volta, e ela é vista com admiração. Na escola, foi trabalhado o livro com os coleguinhas. Com a família e os amigos, todos sabem da condição dela. Para se ter uma ideia de como avançamos com o livro, alguns ami24 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020

guinhos até querem ter vitiligo e brincam que as marquinhas de machucado são as manchinhas da pele. Mas é importante lembrar que, quando a informação não chega até os locais que ela frequenta, recebe muitos olhares curiosos. Porém, parte dela mesma dizer que é feita de nuvens. SBD: Na sua visão, qual é a importância do atendimento humanizado, e como ele pode mudar a percepção do paciente sobre a doença ou problema que esteja enfrentando. Você recebeu esse atendimento acolhedor durante esse processo com sua filha? Tatiane: Eu acho fundamental que médicos saibam que a maneira que vão passar o diagnóstico faz toda a diferença para o paciente. Alguns passam a informação como se fosse uma sentença de morte, como se fosse acabar a vida da pessoa. O acolhimento é o melhor caminho e é preciso enfatizar como é fundamental falar com cuidado e carinho. Quem escuta, no caso o paciente, está cheio de dúvidas e medo. E o médico precisa entender isso. Antes de iniciar o tratamento, o médico conversou bastante com minha filha, explicou delicadamente o que ela tinha e tirou muitas dúvidas sobre a doença, sempre com bastante humanidade. Acho que é esta, aliás, a melhor palavra para definir como foi esse atendimento: humanizado. SBD: Se pudesse compartilhar com a sociedade médica suas impressões ao longo desse caminho, do tratamento de sua filha, o que diria? Tatiane: Eu diria aos médicos que o conhecimento que detêm é tão fundamental como a maneira que passarão isso para as famílias. Quando somos pegos de surpresa por algo que aparentemente não está bem na saúde de um familiar, especialmente quando falamos dos nossos filhos, precisamos, literalmente, daquele ombro amigo que vai entender que tudo é muito novo e que essa nova condição precisa ser compreendida pelas pessoas da família. Além disso, seria importante algum tipo de solicitação das sociedades médicas ao Ministério da Saúde para que mais informações sobre a doença fossem veiculadas nos meios de comunicação, nas escolas, em todos os lugares. Percebo que o motivo de bullyings, muitas vezes, é a falta de informação das pessoas e, por isso também, acho que deveria haver um calendário oficial na saúde para falar sobre vitiligo, como acontece em algumas cidades, como Piracicaba e Bragança Paulista, que têm campanhas específicas sobre a doença para toda a população. A SBD faz campanhas de conscientização anuais em junho. Mas é preciso, ainda, explicar claramente que o vitiligo não é contagioso, pois há muito preconceito não apenas com a aparência de quem tem, mas também pelo fato de muitos acreditarem que podem “pegar”. l


EVENTOS

SÃO PAULO SERÁ A CAPITAL DA DERMATOLOGIA EM 2020

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e 5 a 8 de setembro ocorrerá o maior e mais importante Congresso de Dermatologia do Brasil, o Dermato São Paulo. Sob o slogan “Dermatologia: novos horizontes”, o evento presidido pelo dermatologista Cyro Festa Netto reunirá milhares de dermatologistas do país para atualização científica num contexto de muitas transformações e avanços na tecnologia aplicada à medicina, à dermatologia e à comunicação. Ainda no ano passado, após reuniões para a troca de ideias entre comissão organizadora, departamentos científicos e especialistas da SBD, iniciou-se o trabalho de desenvolvimento da programação científica. O coordenador de mídia eletrônica e redes sociais, Moyses Lemos, afirma que o planejamento das atividades científicas foi pensado de forma minuciosa, com a inclusão de cursos pré-congresso em salas que variam de 180 a 600 lugares, além de 347 atividades científicas estruturadas para essa edição. Serão realizados cursos de dia inteiro, com módulos e coordenadores diferentes, além de cursos pontuais de uma hora e meia. “Estamos desenvolvendo o trabalho visando à oferta de excelente atualização científica e ótimo aprendizado, e priorizando a participação de novos talentos. Gostaríamos de lembrar que, como os cursos pré-congresso são gratuitos, quanto antes o associado se inscrever, mais chances terá de encontrar vagas no curso desejado”, observa Moyses Lemos. Os associados terão acesso a 44 atividades gratuitas no primeiro dia de evento, que abordarão assuntos como lasers e outras tecnologias, oncologia cutânea, dermatologia cosmiátrica, cirúrgica, marketing de consultório, entre outros. “Além disso, no último dia teremos a novidade da sala única com os destaques do congresso nas sessões especiais”, completa. Até o momento, seis convidados

A programação do DermatoSP já está disponível. Temas, horários de atividades científicas e nomes dos palestrantes podem ser conferidos no site do evento

estrangeiros confirmaram a participação: Antonella Tosti (Itália); Johannes Ring (Alemanha); Oscar Colegio (Estados Unidos); Gustavo Camino (Peru); Margarida Gonçalo (Portugal); Rolf Markus Szeimes (Alemanha). Todas as áreas de interesse da especialidade serão discutidas por renomados especialistas compondo uma agenda científica que manterá a marca dos eventos da Sociedade. Para isso, estão previstos 42 cursos teóricos; 31 cursos práticos em vídeo; 85 simpósios; oito sessões de anatomoclínica; 24 sessões de discussão de casos clínicos com os departamentos da SBD; 29 sessões especiais; 87 fóruns; 12 casos clínicos. Entre os temas dessas discussões estão os mais frequentes do dia a dia do consultório, como acne, melasma, alopecia e câncer da pele. Ao longo dos meses, os participantes poderão acompanhar as novidades sobre o congresso nas redes sociais e no site da SBD. As inscrições foram abertas no ano passado, antecedência que visou facilitar o planejamento dos dermatologistas. O segundo prazo para inscrições com valores diferenciados termina em 30 de março. Aproveite para se inscrever até lá. TRABALHOS CIENTÍFICOS A partir de 30 de março estarão abertas as inscrições para trabalhos científicos. Tudo pode ser feito pela página oficial do congresso no site da SBD: e o médico dermatologista terá até o dia 15 de maio para submeter seu artigo nas categorias disponíveis. Acesse e saiba mais detalhes do maior evento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que retorna a São Paulo após cinco anos. JSBD Volume 23 e 24

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NOVIDADES NA PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA

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m 6 e 7 de março serão realizados o 13º Simpósio de Cosmiatria, Laser e Tecnologias da SBD Nacional e o 6º Simpósio de Cosmiatria & Tecnologias da SBD-RESP, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Especialistas de todo o país estarão reunidos para debater as novidades em pesquisa, diagnóstico e tratamento nas áreas de cosmiatria, laser e tecnologias. Em meio aos grandes destaques da programação, estão os painéis de procedimento ao vivo no paciente com demonstração simultânea na peça anatômica, importada dos Estados Unidos. “Pela primeira vez será feita a transmissão simultânea da aplicação do procedimento no paciente ao vivo e da simulação da aplicação no cadáver não formolizado. Essa será uma oportunidade de visualizar as estruturas anatômicas, as áreas de risco, os pontos de aplicação, ao mesmo tempo em que o procedimento está sendo realizado no paciente. Realmente vamos poder tirar as dúvidas e levar muita informação útil para o dia a dia do consultório”, afirma Alessandra Romitti, do Departamento de Cosmiatria da SBD. A presidente da RESP, Eliandre Palermo, corrobora: “Os participantes terão a chance de observar os principais pontos anatômicos de determinada região por meio de explicações na peça dissecada previamente, o que será pareado com procedimentos injetáveis ao vivo no paciente, melhorando os resultados e minimizando os riscos. Esse procedimento é algo inédito nos congressos de cosmiatria da SBD e SBD-RESP”, realça. Além do aprendizado de anatomia em procedimentos estéticos, serão oferecidos aos congressistas conteúdos bastante atuais e relevantes, como preenchimento no rosto do homem, combinação de tecnologias para otimizar o re26 | JSBD Volume 23 e 24 l N. 6 e 1 - 2020

sultado, procedimentos de baixo custo que valem a pena, rejuvenescimento íntimo, abordagem dos millennials e dos pacientes transgêneros, abordagem e a condução do paciente com complicação após passar por procedimentos estéticos invasivos por pessoas sem formação médica, entre outros. A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO E DA ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA O domínio das técnicas para a realização de procedimentos, bem como da anatomia e da fisiopatologia, é imprescindível para a obtenção de melhores resultados e segurança do paciente. Portanto, é fundamental que o médico dermatologista esteja preparado para realizar diagnóstico prévio de doença que possa impedir o procedimento, além de reconhecer e controlar os possíveis efeitos adversos. A SBD frisa que a capacidade técnica, o treinamento e a experiência do médico dermatologistas são fundamentais para a segurança do paciente em procedimentos dermatológicos estéticos, por isso é tão importante a atualização científica. “O evento está com programação atual, dinâmica e de grande aplicabilidade para a nossa prática nos consultórios. Trata-se de SBD Nacional e RESP unidas e proporcionando um excelente encontro. Aguardamos os dermatologistas, nos dias 6 e 7 de março, em São Paulo!”, convida o presidente da SBD, Sérgio Palma. Confira o programa completo na página do evento no site da SBD (http://www.sbd.org.br/evento/13-simposio-de-cosmiatria-e-laser-6-simposio-de-cosmiatria-tecnologias) e inscreva-se com valores especiais até o dia 26 de fevereiro.


RECOMENDAÇÕES DE ARTIGOS

ARTIGO ORIGINAL

TÉCNICA DE APLICAÇÃO SUPERFICIAL COM ÁCIDO HIALURÔNICO DE MATRIZ COESIVA POLIDENSIFICADA PARA O TRATAMENTO DE LINHAS E RUGAS https://www.doi.org/10.5935/scd1984-8773.20191131416 Marisa Gonzaga da Cunha1 Ana Lúcia Gonzaga da Cunha1 Luciana Gasques de Souza2 Carlos D. Apparecida Machado Filho2 1 2

Programa de Pós-Graduação em Dermatocosmiatria, Faculdade de Medicina do ABC – Santo André (SP), Brasil Departamento de Cirurgia Plás tica, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – São Paulo (SP), Brasil

RESUMO INTRODUÇÃO: Durante o envelhecimento, a pele sofre modificações estruturais, celulares e moleculares que alteram as suas propriedades mecânicas e também as suas funções biológica e fisiológica. Estas se manifestam por perda de elasticidade e turgor, com consequente aparecimento de rugas finas, linhas e vincos de difícil resolução, sendo consideradas um desafio terapêutico. OBJETIVO: Descrever a técnica de aplicação de ácido hialurônico de matriz coesiva polidensificada para o tratamento de rugas superficiais. MATERIAIS E MÉTODOS: Neste estudo retrospectivo e observacional, a técnica de aplicação superficial e transversal às rugas superficiais com o ácido hialurônico de matriz coesiva polidensificada foi realizada em mulheres portadoras deste tipo de rugas nas regiões perioral, periorbiculares e laterais da face, que não desapareceram após tratamentos com toxina botulínica, volumização facial com preenchedores e aplicações com tecnologias. O estu-

do ocorreu durante 22 meses entre os anos de 2016 e 2018. O grau de melhora foi avaliado por meio de questionário aplicado às próprias pacientes que observaram fotografias padronizadas pareadas feitas no período prévio e um mês após o tratamento. RESULTADOS: A técnica foi realizada em 40 mulheres com idade entre 55 e 80 anos, cuja resposta ao questionário de avaliação foi melhora entre 90 e 100% após um mês de tratamento. CONCLUSÕES: A técnica de aplicação superficial e transversal às rugas com o ácido hialurônico de matriz coesiva polidensificada mostrou-se uma excelente opção para o tratamento das áreas afetadas, sem descrição de efeitos adversos importantes e/ou efeito Tyndall, com alto grau de satisfação das pacientes. Palavras-chave: Ácido hialurônico; Envelhecimento da pele; Higiene da pele JSBD Volume 23 e 24

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Anais Brasileiros de

Dermatologia

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Aplicativo SBD EVENTOS

FAÇA O DOWNLOAD DO APLICATIVO E TENHA TODAS AS INFORMAÇÕES DOS PRÓXIMOS EVENTOS DA SBD E PROGRAME SUA AGENDA COM ANTECEDÊNCIA. JSBD Volume 23 e 24

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SERGIPE A Campanha do Câncer da Pele da SBD em Aracaju (SE) foi um sucesso. Segundo a presidente Martha Débora Lira Tenório, a união dos dermatologistas da Regional viabilizou o atendimento a pacientes com dificuldades em conseguir consulta com um médico dermatologista no serviço público. Ao todo foram atendidos 284 pacientes, dos quais 27 operados para a retirada de 37 tumores da pele. Participaram da campanha médicos dermatologistas, residentes em dermatologia e estudantes da liga de dermatologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

SANTA CATARINA A Regional estruturou três jornadas científicas para este ano. A primeira será realizada em 13 e 14 de março, em Blumenau, conjuntamente com o Simpósio Regional do Grupo Brasileiro de Melanoma. As próximas ocorrerão em junho (19 e 20), em Florianópolis, e outubro (23 e 24), em Itajaí. “O primeiro evento do ano será em Blumenau, durante o Festival Nacional da Cerveja. Tal fato atraiu bastante os dermatologistas para esta jornada, porém, uma programação antecipada de hospedagem faz-se necessária pelo mesmo motivo. Nesse sentido, a Regional trabalhou em parceria com o Blumenau Vale Europeu Convention Bureau a fim de ofertar ingressos cortesia para a noite de sábado do festival a todos os inscritos no evento, assim como hotéis com valores de diárias diferenciadas aos participantes da Jornada Catarinense de Dermatologia”, explica o presidente Rafael Lenzi. Confirmaram presença os médicos dermatologistas Sérgio Palma (presidente da SBD), Alfredo Jacomo, Eliandre Palermo, Elimar Gomes, Doris Hexsel, Francisco Belfort, entre outros. “Esperamos encontrá-los em março para um evento diferente, com rica programação científica com palestrantes expressivos, além de uma experiência cultural e social muito agradável”, observou o presidente da Regional. As inscrições podem ser feitas em www.sbd-sc.org.br.

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PARAÍBA A SBD-PB se mobilizou para proporcionar um Natal mais solidário. Com a contribuição dos nossos associados, os idosos do Lar Vila Vicentina receberam kits com sabonetes e perfumes. A entrega foi uma alegria, com muito carinho e boas conversas. A presidente Carla Gayoso e a secretária da Regional, Alessandra Vasconcelos, puderam registrar esse lindo momento.

RIO GRANDE DO SUL A Regional segue o seu trabalho na defesa profissional da dermatologia, participando da organização de eventos, palestras, audiências e campanhas de valorização do dermatologista. No dia 24 de agosto a SBD-RS organizou juntamente com o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) o evento “Riscos do Exercício Ilegal da Medicina e Medidas de Enfrentamento”. Nele, sete presidentes gaúchos de especialidades médicas, entre eles da dermatologia, palestraram para as autoridades sobre os riscos que a população está exposta com a realização de procedimentos invasivos por profissionais não médicos. Estavam presentes autoridades da promotoria de justiça do estado, polícia civil e deputados estaduais e federais, dentre eles o líder da bancada da Medicina e das frentes Parlamentares de Saúde no Congresso, Hiran Gonçalves. Em 2019, tivemos a realização na cidade de Gramado-RS de três eventos associados: o IV Simpósio de Cabelos e Unhas, a 27º Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia e a 44º Jornada Gaúcha de Dermatologia. As inscrições foram esgotadas previamente ao evento. A associação destes eventos foi um sucesso, com a participação mais de 1.000 dermatologistas da SBD.

O presidente do CREMERS, Eduardo Trindade; o presidente da Sociedade de Cirurgia Plástica (SBCP), Niveo Stephen; A presidente da SBD-RS, Taciana Dal’Forno Dini, e o deputado Federal líder da bancada da medicina no Congresso Nacional, Hiran Gonçalves

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SERVIÇOS CREDENCIADOS UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ (UNITAU) E SANTA CASA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS De 19 a 23 de fevereiro, Londres sediou o primeiro Congresso Global sobre Epidermólise Bolhosa (EB World Congress 2020). O médico dermatologista Samuel Mandelbaum esteve presente no encontro representando o Dermacamp, o Serviço de Dermatologia da Universidade de Taubaté e o Serviço da Santa Casa de São José dos Campos. Durante cinco dias, 730 pesquisadores e cientistas de 55 países discutiram minuciosamente os aspectos dessa complexa e rara genodermatose, que hoje engloba 34 subtipos. O evento foi promovido pela Debra International. “Muitas pesquisas estão em fase 3, e em dois anos os primeiros tratamentos efetivos para uma das doenças mais complexas da medicina devem estar disponíveis. Terapias genéticas, colágeno recombinante, imunobiológicos para o câncer metastático, losartana oral e tratamentos tópicos com derivados vegetais estão entre as novas possibilidades terapêuticas para uma doença que até poucos anos só contava com cuidados locais”, detalha Mandelbaum.

Dermatologia no St. Thomas Hospital, Jemima Mellerio. A Dermatologia do St. Thomas faz parte do King’s College of London e é chefiada pelo Prof. John McGrath. Na primeira foto estão os médicos Samuel Mandelbaum e a Kattya Mayre-Chilton, coordenadora dos Grupos de Trabalho da DEBRA sobre os CPG Clinical Practice Guidelines, Na outra, estão a chefe do RDC (à direita), Profa. Jemima Mellerio, ao lado dos enfermeiros especialistas em dermatologia do Centro de Doenças Raras.

TROCA DE EXPERIÊNCIAS Ao longo do encontro, o médico fez uma visita ao RDC Rare Diseases Centre do Guy’s & St. Thomas Hospital, que possui um setor especialmente adaptado para acolher e atender pacientes com epidermólise bolhosa e suas famílias. São 480 pessoas com epidermólise bolhosa no Reino Unido atendidas por equipe multiprofissional e multidisciplinar em ambientes acessíveis, climatizados e protegidos. “Os enfermeiros especialistas em dermatologia representam papel fundamental no atendimento à EB no Centro de Doenças Raras. Nossa visita foi muito proveitosa para incrementar a troca de conhecimentos e trazer a experiência inglesa para os nossos pacientes com EB no Brasil”, disse Samuel Mandelbaum. Psicólogos, fisioterapeutas, médicos oftalmologistas e oncologistas trabalham sob a direção da médica dermatologista e professora de

FACULDADE DE MEDICINA NOVA ESPERANÇA (PB) O Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina Nova Esperança participou do Dezembro Laranja em dois momentos de atendimento: um no dia 6 de dezembro, no Centro de Saúde Nova Esperança, em Bayeux (PB), município vizinho a João Pessoa; e o outro no dia 7 de dezembro, como posto de atendimento da Campanha da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), no Centro de Saúde Nova Esperança em João Pessoa (PB). “Dessa forma, conseguimos atingir população de diferentes localidades, levando informação e atendimento adequados”, ponderou a chefe de Serviço, Luciana Trindade.

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SERVIÇOS CREDENCIADOS UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS - UFMG (MG) Projeto de extensão “Grupo de Apoio à Dermatite Atópica” do Serviço de Dermatologia do HC-UFMG comemora 15 anos com criação de material lúdico O Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da UFMG, além de referência no tratamento da dermatite atópica, se destaca pelo projeto de extensão criado em 2004 por intermédio do Grupo de Apoio às Crianças com Dermatite Atópica coordenado pela dermatologista pediátrica, Cláudia Márcia de Resende Silva. O grupo, com suas reuniões mensais, tem-se mostrado extremamente enriquecedor para todos os envolvidos no cuidado do paciente atópico. Além de dermatologistas e residentes, é composto por psicólogos, e dividido em dois grupos, um de crianças de colo e seus acompanhantes, e o outro de crianças já com certo grau de independência. “Por proporcionar a troca de experiências, o grupo mostra que as crianças não passam por esse momento sozinhas. De uma forma didática, elas aprendem a cuidar da pele e percebem que sua participação é importante no controle da doença”, afirma a médica. Para comemorar os 15 anos de atividades, o projeto criou um jogo, que de forma leve e divertida ensina crianças com dermatite atópica a cuidar da pele para que o tema não seja mais uma fonte de atrito ou preconceito. O jogo

é formado por uma trilha onde cada criança é representada por um pino colorido. Durante a caminhada, quem cuida da pele de acordo com as recomendações, pula várias casas para frente. Quem não cuida, tem que voltar algumas casas. Vence o jogo quem chega ao final primeiro. A ideia, que tem sido muito bem sucedida, é reforçar os ensinamentos de uma maneira lúdica, sobre os cuidados necessários e essenciais para as crianças atópicas.

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO (RJ) O Instituto de Dermatologia Prof. Rubem David Azulay da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro durante o período do recesso fez uma reforma completa das suas fachadas e, internamente, construiu mais uma sala no Setor de Cosmiatria. Na foto, está a pós-graduanda do terceiro ano, Lara Tusset, atendendo a uma paciente na nova sala. O chefe do Serviço, o médico dermatologista David Azulay, informa que foi concluído o processo seletivo dos

novos alunos que iniciarão o nosso Curso de Pós-Graduação em 2020 que está sob coordenação da Profa. Regina Schechtman. “Uma das grandes características da instituição é ser cosmopolita e isso, mais uma vez, se confirmou. Os alunos selecionados são oriundos das mais diversas localidades como: Rio Grande do Norte, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Brasília, Minas Gerais, Estado do Rio, Colômbia, Chile, Bolívia e Equador”, disse Azulay.

JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ | CEP: 20090-003 Email: imprensa@sbd.org.br

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