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Jornal da SBD – N˚3 MAIO / JUNHO DE 2018

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EVENTOS DA SBD ESTÃO REUNIDOS EM UM ÚNICO APLICATIVO GRATUITO

O download é rápido e o app utiliza pouca memória dos smartphones e tablets,

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA l VOLUME 22 l N. 3 l 2018

CAMPANHA DE MÍDIA DA SBD REFORÇA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL PARTICIPAÇÃO DOS DERMATOLOGISTAS NO COMPARTILHAMENTO DAS PEÇAS DIVULGADAS NAS REDES SOCIAIS É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA PARA AMPLIAR A VISIBILIDADE DA CAMPANHA E COLABORAR COM A CONSCIENTIZAÇÃO DA POPULAÇÃO

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ISSN 2527-1903

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA www.sbd.org.br

DIRETORIA 2017/2018 PRESIDENTE

JOSÉ ANTONIO SANCHES

VICE-PRESIDENTE

SÉRGIO LUIZ LIRA PALMA

SECRETÁRIO-GERAL

FLÁVIO BARBOSA LUZ

TESOUREIRA

MARIA AUXILIADORA JEUNON SOUSA

1 SECRETÁRIO

HÉLIO AMANTE MIOT

2A SECRETÁRIA

SÍLVIA MARIA SCHMIDT

O

JORNAL DA SBD – PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

JORNAL DA SBD

Esta é uma publicação bimestral exclusiva para os associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Volume 22 – n. 3 maio–junho de 2018

COORDENADORA MÉDICA DO JORNAL DA SBD

CONSELHO EDITORIAL

Ana Maria Mósca de Cerqueira | RJ

José Antonio Sanches | SP Sérgio Luiz Lira Palma | PE Flávio Barbosa Luz | RJ Maria Auxiliadora Jeunon Sousa | RJ Hélio Amante Miot | SP Sílvia Maria Schmidt | SC

JORNALISTA RESPONSÁVEL Erika Drumond - Reg. MTB 31.383/RJ

REDAÇÃO E EDIÇÃO Erika Drumond

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Nazareno Nogueira de Souza

CONTATO PUBLICITÁRIO Priscila Rudge Simões

A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e colunistas.

Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20090-003 imprensa@sbd.org.br

Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 1


SUMÁRIO

SEÇÕES E COLUNAS EDITORIAL COM O PRESIDENTE A ENRIQUECEDORA TRILHA COMPARTILHADA

3

PESQUISA 4 ACNE É O PRINCIPAL MOTIVO DE CONSULTA, APONTA PESQUISA PERFIL DAS CONSULTAS DERMATOLÓGICAS NO BRASIL

CAPA Campanha de valorização enfatiza o papel do especialista nos cuidados com a saúde da pele P.12

HANSENÍASE NOTA TÉCNICA SOBRE U-MDT PARA O TRATAMENTO DA HANSENÍASE

5

BIBLIOTECA DA SBD BIBLIOTECA DA ENTIDADE COMPLETA 85 ANOS

7

PERSONALIDADE 8 PROF. LUCIO BAKOS: A DERMATOLOGIA COMO CAMINHO NATURAL

TECNOLOGIA E POLÍTICA Maior financiamento para a Saúde e competência de gestão P.10

CAMPANHA SBD LANÇA FILME PARA CONSCIENTIZAÇÃO DO VITILIGO

13

CONGRESSO BRASILEIRO 2018 CSBD EM CURITIBA: REFERÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL

14

EVENTO 16 DÉCIMO TERADERM: QUALIDADE OFERECIDA, QUALIDADE PERCEBIDA WCD 2023 BRASIL É CANDIDATO A SEDE DO CONGRESSO MUNDIAL DE 2023

18

OPINIÃO 20 PSICODERMATOLOGIA E DERMATOSES AUTOINFLIGIDAS

PUBLICAÇÃO SBD anuncia lançamento de Guia de Boas Práticas nas Redes Sociais P.11 2 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

SEMINÁRIO SOBRE ENVELHECIMENTO SBD REÚNE DIFERENTES ESPECIALISTAS PARA DEBATER O ENVELHECIMENTO NO RIO

23

TECNOLOGIA E MEDICINA MS RECONHECE COMPETÊNCIAS DE DERMATOLOGISTAS EM PRÁTICAS CIRÚRGICAS NO SUS

24

REGIONAIS

26

SERVIÇOS

27


EDITORIAL COM O PRESIDENTE

José Antonio Sanches Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia 2017/2018

A ENRIQUECEDORA TRILHA COMPARTILHADA

T

oda a grandeza da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) não advém da força individual, mas da união de todos os dermatologistas associados da entidade. Somos atualmente mais de nove mil médicos imbuídos no fortalecimento da entidade e na luta pela valorização da categoria. Nesta edição do jornal, demos a largada na divulgação da Campanha de Valorização do Dermatologista, “Sua pele sua vida”, na qual é esperado o engajamento de cada um. Em nossas páginas, o leitor poderá conferir o resultado da pesquisa Perfil das Consultas Dermatológicas no Brasil. A enquete, realizada em maio com médicos dermatologistas de diferentes idades e momentos de carreira, mostra a necessidade da implementação de ações voltadas para a educação visando, por exemplo, uma melhor atenção à acne e ações relacionadas à redução de casos de câncer da pele, doenças que mais demandaram consulta. Esse resultado dialoga com o Perfil Nosológico das Consultas Dermatológicas no Brasil de 2005, estudo também realizado pela SBD. Nele, constatou-se a importância de encarar essas mesmas doenças, além da hanseníase, como problemas de saúde pública, para os quais deve haver investimento contínuo em assistência e educação em saúde.

O volume de conhecimentos e a pluralidade das técnicas na prática médica nos fazem pensar em especialização contínua. E eventos da envergadura do Congresso Brasileiro são importantes para o fortalecimento da especialidade e também para nos lembrar de que a verdadeira sabedoria médica é adquirida pela capacidade de compreender problemas clínicos a partir da integralidade do indivíduo. Seguindo a mesma linha, a SBD anuncia a realização do inédito seminário “Envelhecimento além das Rugas”, em parceria com O Globo, cuja proposta é fomentar o debate entre profissionais de diferentes áreas, colocando o envelhecimento em pauta de uma forma ampla e interdisciplinar. Esse encontro ocorrerá em agosto, no Rio de Janeiro. Nosso radar está pronto para oferecer aos leitores informações sobre esses temas e outros tão importantes quanto, como o posicionamento oficial da entidade sobre U-MDT para o tratamento da hanseníase; nossas campanhas de vitiligo e albinismo e considerações sobre uso da miltefosina para o tratamento da leishmaniose. Também nesta edição, a Diretoria da SBD parabeniza os 511 novos especialistas aprovados na 52o Exame de Título de Especialista em Dermatologia (TED) e agradece aos membros da Comissão de Título pelo trabalho e dedicação.

Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 3


PESQUISA Hélio Amante Miot 1o Secretário da SBD

ACNE É O PRINCIPAL MOTIVO DE CONSULTA, APONTA PESQUISA PERFIL DAS CONSULTAS DERMATOLÓGICAS NO BRASIL

C

om o objetivo de avaliar os principais diagnósticos e tratamentos prescritos em consultas dermatológicas no Brasil, tanto no setor público quanto no privado, a SBD realizou de 21 a 27 de maio a pesquisa Perfil das Consultas Dermatológicas - 2018. As análises por composição etária e racial, por sexo e tipo de atendimento, e região do país foram comparadas com dados do primeiro estudo realizado pela Sociedade, em 2005. Coletados por meio de formulário online, os dados clínicos e demográficos fornecidos pelos associados contribuirão para a implementação de políticas públicas de saúde no Brasil, além de definição de ações institucionais estratégicas, de educação/formação e defesa profissional. Participaram 885 dermatologistas de 25 estados e foram registradas 13.293 doenças. Nas 9.629 consultas dermatológicas, a maioria dos pacientes (65,1%) foi do sexo feminino, e a idade média de 42,4 anos. Quanto ao tipo de atendimento, 48,7% dos pacientes foram atendidos por convênio e seguros saúde; 26,3% pelo Sistema Único de Saúde (SUS); e 25% em clínicas e consultórios privados. Os diagnósticos foram organizados em 83 grupos, sendo a acne, com 771 (8%) referências, o principal motivo de consulta, seguida por fotoenvelhecimento, 746 (7,7%); carcinoma basocelular, 516 (5,4%); queratose actínica, 451 (4,7%); psoríase, 421 (4,4%); e melasma, 357 (3,7%). “Os resultados reforçam o fato de que a acne, o envelhecimento e o câncer da pele são problemas de saúde pública e que necessitam de ações voltadas para educação em saúde visando à prevenção, sobretudo das neoplasias de pele”, argumentou o dermatologista Hélio Miot (1o secretário da SBD), coordenador da pesquisa juntamente com Andrea Machado Ramos e Gerson Penna. Quanto a tratamentos e condutas, os mais comuns foram medicação tópica, com 4.922 (51,1%) citações; filtro solar, 4.232 (44%); hidratantes, 3.003, (31,2%); medicamentos orais, 2.382 (24,7%); cosméticos, 1.863 (19,3%); e procedimentos cirúrgicos terapêuticos, 1.852 (19,2%). “A análise dos dados da pesquisa nos leva a considerar que as preocupações do público feminino com os aspectos relacionados à saúde da pele são superiores às do público masculino e estão associadas com o cuidado com a exposição solar, prevenção de doenças e melhora da aparência”, realça. 4 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

DADOS CLÍNICOS E DEMOGRÁFICOS Dermatologistas de 25 estados

885

Consultas dermatológicas

9.629

Doenças registradas

13.293

Média de idade

42,4 anos

Pacientes sexo feminino

65,1%

TIPO DE ATENDIMENTO Convênio / Seguro saúde

48,7%

Sistema Único de Saúde

26,3%

Clínicas e Consultórios privados

25%

DIAGNÓSTICOS Acne

771

8%

Fotoenvelhecimento

746

7,7%

Carcinoma basocelular

516

5,4%

Queratose actínica

451

4,7%

Psoríase

421

4,4%

Melasma

357

3,7%

TRATAMENTOS E CONDUTAS Medicação tópica

4.922

51,1%

Filtro solar

4.232

44%

Medicamentos orais

2.382

24,7%

Cosméticos

1.863

19,3%

Procedimentos cirúrgicos terapêuticos

1.852

19,2%

A conclusão do trabalho será publicada na forma de suplemento nos Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD). O trabalho contou com a consultoria da Profa. Maria Lúcia Penna, do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).


HANSENÍASE

SBD DIVULGA NOTA TÉCNICA SOBRE U-MDT PARA O TRATAMENTO DA HANSENÍASE

Íntegra do documento pode ser lido no site da SBD

Egon Daxbacher Coordenador do Departamento de Hanseníase da SBD

obre a decisão do Ministério da Saúde (MS) de implantar o novo esquema único de tratamento para hanseníase (U-MDT), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) por meio do Departamento de Hanseníase elaborou relatório técnico que expõe pontos importantes da resolução. Conheça a versão resumida do documento, cuja autoria é dos dermatologistas Egon Daxbacher, Ewalda Stahlke e Sandra Durães.

3. Apesar do sucesso da MDT, a dificuldade na classificação correta do caso, o tempo de tratamento prolongado e a relutância do paciente à adesão motivaram o Comitê Técnico Consultivo da OMS já em 2002 a recomendar a adoção de esquema único MDT para todos os pacientes, o que não foi adotado pelo Brasil sem que existissem estudos demonstrando tratar-se de esquema aceitável.

1. Reduzir drasticamente os casos de hanseníase no Brasil tem como base o diagnóstico e tratamento precoces dos doentes e avaliação dos contatos para interrupção da cadeia de transmissão. A introdução da multidrogaterapia (MDT), em 1981, constituiu grande progresso no tratamento da hanseníase.

4. Seguindo essa recomendação, estudos na China e Índia (n = 3.389), Bangladesh (controlado, n = 1.612) e Brasil (randomizado e controlado, n = 613) foram iniciados para avaliar a eficácia do esquema U-MDT, que se baseia num regime único de tratamento para todos os pacientes, independentemente da classificação clínica, composto por uma dose mensal supervisionada de rifampicina, dapsona e clofazimina, e outra, diária e autoadministrada, de dapsona e clofazimina durante seis meses. Os resultados de recaídas, dados baciloscópicos e outros constam do relatório completo.

S

2. No início da implantação da MDT, os pacientes multibacilares eram tratados até a baciloscopia se tornar negativa. Em 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o regime fixo de 24 doses mensais, independentemente da negativação da baciloscopia, e em 1998 o reduziu para 12 doses mesais. Essas duas mudanças de tempo de tratamento baseram-se em dados epidemiológicos de observações clínicas, não havendo na ocasião ensaios clínicos que sustentassem essas decisões.

5. O estudo brasileiro utilizou metodologia robusta com randomização e recrutamento longo, grupo-controle, acompanhamento bem estabelecido e análise epidemiológica de alto nível. Dos mais de 800 pacientes recrutados, quase 60% tinham IB positivo, e desses 65% tinham IB igual ou acima de 3+. Não houve Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 5


HANSENÍASE diferenças entre os grupos estudados para frequência de reações e incapacidades e diminuição do IB. A taxa de recaída em 10 anos seria 4,4% em uma análise sensitiva superestimada. Três casos de recaída tiveram seu genoma completo estudado, e, nesse estudo, os autores consideraram a reinfecção como uma forte possibilidade de causa de recaídas tardias. Isso constitui grande possibilidade em áreas hiperendêmicas e com contatos doentes próximos ao paciente tratado, independentemente do esquema utilizado. 6. Um possível questionamento desses resultados se refere ao tempo relativamente curto de seguimento, que não permitiria a detecção de casos de recidivas tardias. No entanto, estudos anteriores relataram taxa mais elevada de recaídas precoces do que tardias. Considerando a hipótese de que esses pacientes estariam tratados de forma insuficiente, a recorrência da doença é esperada de forma mais rápida. 7. Em dezembro de 2017 o Comitê Técnico Assessor de Hanseníase da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (CTA-Hanseníase/SVS/MS) se reuniu para discutir a opção do MS na adoção desse esquema no Brasil, e a maioria foi a

favor do novo esquema. As entidades que se manifestaram contrariamente não apresentaram dados publicados que pudessem contrariar a decisão. Esse comitê é consultivo, não tendo caráter decisório. 8. Em maio de 2018, a Diretoria da SBD se reuniu com o investigador principal do estudo brasileiro, Gerson Penna, e o presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), Claudio Salgado, para discutir todos os aspectos ligados à eficácia e segurança da implantação da U-MDT. 9. O arsenal terapêutico da hanseníase é limitado, e ainda não há novas drogas mais eficazes disponíveis. Os dados atuais indicam que o U-MDT pode ser implantado, não existindo evidências contrárias à redução da duração do esquema terapêutico para seis meses. Em nenhuma das mudanças anteriores de encurtamento do regime terapêutico havia evidências científicas que sustentassem a mudança, ao contrário do que temos hoje. 10. Casos avançados, com grande infiltração, que – a critério do médico avaliador – não tenham resposta terapêutica suficiente ao final de seis meses podem ser submetidos a um ciclo terapêutico adicional.

DIANTE DESSES FATOS, O DEPARTAMENTO DE HANSENÍASE DA SBD ESCLARECE QUE: 1. A SBD entende que reduzir drasticamente os casos de hanseníase no Brasil depende de uma ostensiva busca de diagnóstico precoce e reavaliação ativa e contínua dos contatos; 2. A decisão de implantar o esquema U-MDT é do Ministério da Saúde e não da SBD; 3. A decisão do Ministério da Saúde de implantar o esquema U-MDT é pertinente pelas evidências científicas existentes até o momento; 4. Embora confiemos (SBD) nos estudos que embasaram a mudança, acompanharemos com cautela e vigilância o desfecho do esquema U-MDT, especialmente nos casos multibacilares; 5. Uma vez que resultados de pesquisas implantadas no campo sofrem outros fatores operacionais e epidemiológicos, a introdução do novo regime terapêutico deve ser efetivamente monitorada pelas coordenações nacional e estaduais; 6. A SBD deve auxiliar o monitoramento por meio dos seus Serviços Credenciados e acompanhará casos MB com alto IB quanto à resposta terapêutica; 7. O Comitê Técnico Assessor do MS, em reunião ocorrida em abril de 2018, discutiu a possibilidade de realização de ciclo adicional ao de seis doses MB para casos mais avançados em pacientes muito infiltrados ou resposta insuficiente – a critério do médico avaliador; 8. A SBD poderá propor discussões sobre o U-MDT com experts da área e abertas aos associados, de acordo com as decisões do Ministério da Saúde; 9. A SBD acompanha com cautela a implantação do novo esquema U-MDT; 10. A SBD entende ser fundamental a discussão com os estados, e bem como, principalmente passar pelo processo de aprovação da Conitec. 6 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018


BIBLIOTECA DA SBD

Luna Azulay Coordenadora da Biblioteca da SBD

BIBLIOTECA DA SBD COMPLETA 85 ANOS História que começou no início do século 20, remonta às origens da própria sociedade médica

P

lanejada pela Associação dos Amigos da Biblioteca em 1931 e inaugurada no Pavilhão São Miguel da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1933, a Biblioteca da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é considerada uma das mais ricas da América Latina na área da dermatologia, aproximando-se dos 30 mil itens, incluindo livros, teses, periódicos, acervo raro e especializado datado do século 18, além documentos relativos à especialidade e sua história. No mês de outubro, completará 85 anos de criação, e o acervo permanece em ampliação contínua. “Vejo com muito carinho a biblioteca que muitos ilustres dermatologistas ajudaram a criar e destaco a competência de todos os coordenadores anteriores desse espaço histórico e tão importante para quem busca ampliar o saber dermatológico”, observou Luna Azulay, a atual e 35a coordenadora da Biblioteca da SBD. Em 21 de fevereiro de 1994, a SBD inaugurou a atual sede, na Avenida Rio Branco (RJ), ocasião em que também foi feita a mudança da Biblioteca. A pedido dos ex-presidentes da SBD, Profs. Rubem David Azulay e Sebastião Sampaio, o espaço foi equipado com novos móveis e providenciados normas técnicas, manuais e catálogos. Atualmente, a Biblioteca conta com a assinatura de duas bases importantes para auxiliar seus usuários nas pesquisas, a EBSCO e a Rima, além do catálogo online e dos recursos Bireme e SciELO. Também disponibiliza uma série de serviços, incluindo a comutação bibliográfica, referente a documentos técnico-científicos que não estão disponíveis no acervo, mas que podem ser encontrados em outras bibliotecas e centros de documentação brasileiros e em serviços de informação internacionais (ver detalhes no quadro Serviços e Bases).

O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira das 9h30 às 18h, e o contato pode ser feito pelo telefone (21) 2253-6747 ou pelo e-mail biblioteca@sbd.org.br. “Convidamos a comunidade dermatológica a utilizar nossos espaços e acervo para localização das obras existentes nas prateleiras das bibliotecas e/ou disponíveis em meio eletrônico”, completa a coordenadora. SERVIÇOS

l Solicitação e pesquisa bibliográficas: solicitação de cópias (em parte) de materiais, com exceção dos livros raros, e auxílio na pesquisa em bases de dados nacionais e estrangeiras (Lilacs e Medline) l Normalização bibliográfica: orientações de normalização de referências de acordo com a ABNT e Vancouver para a publicação em revistas especializadas; l Comutação bibliográfica nacional e internacional (Comut): solicitação de cópias de artigos de periódicos, capítulos de livros e teses não existentes no acervo; l Acervo online para pesquisas rápidas: reúne o acervo raro, além de alguns livros, teses e dissertações. BASES l EBSCO: por meio dessa base são disponibilizados o "Portal de periódicos" (acesso rápido e direto às publicações mais importantes). l Rima: garante ao associado a leitura de 2.400 revistas internacionais de diversas áreas, e os artigos mais importantes vêm acompanhados de sinopses analíticas em português. Cada usuário tem direito a cinco créditos por mês, mas é possível solicitar ampliação da cota.

Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 7


PERSONALIDADE

A DERMATOLOGIA COMO CAMINHO NATURAL Com mais de 50 anos de carreira, Lucio Bakos foi um dos pioneiros na utilização da terapia fotodinâmica no Brasil

N

ascido em Zadar, atualmente território croata, e que na época pertencia à Itália, Lucio Bakos chegou ao Brasil em 1951. Dez anos depois ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sua ideia inicial era ser cirurgião, mas o estágio e a monitoria realizados na disciplina de dermatologia e sifiligrafia da UFRGS, a convite do Prof. Clóvis Bopp, o fizeram optar pela especialidade. Logo depois, prestou concurso para professor-assistente, depois adjunto e, finalmente, titular, em 1990, sucedendo ao próprio Bopp. É mestre e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também acumula boa experiência internacional, tendo feito pós-graduação na Cambridge University (1971-1972) e como pesquisador visitante da Wolfson Tropical Pathology Unit da London School of Hygiene and Tropical Medicine (1988-1989). Além de optar pela carreira acadêmica, desde cedo se dedicou à dermatopatologia e à saúde pública, especialmente nas áreas de hansenologia e DST. “Minha carreira começou em 1964, quando, no estágio curricular na disciplina de dermatologia, descobri a especialidade e fui muito estimulado pelos professores da área a continuar nela atuando; ainda mais que eu já tinha alguma experiência em patologia geral, sendo muito útil a junção dos conhecimentos clínico-patológicos para a formação de um bom dermatologista”, observa. A partir de 1972, seus interesses voltaram-se para os estudos do câncer da pele, com ênfase no melanoma, que o motivou a abordar o tema no trabalho de conclusão para a Cambridge University e publicado no British Journal of Dermatology, em 1973. “Além disso, fui um dos pioneiros a utilizar e incentivar a terapia fotodinâmica no Brasil. Finalmente, não deixaria de mencionar minha dissertação de mestrado, Multiple

8 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

Lucio Bakos Dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia cutaneous granular cell tumors with systemic defects: a distinct entity? (Int J Dermatol 1993, 32: 432–435), descrevendo uma possível nova entidade, que alguns autores italianos, Luca M. Muscardin, Mauro Paradisi, Alessia Provini, Carlo Cota, e Gianfranco Marzetti (Int J Dermatol 2006, 45, 847–850) sugeriram nomear síndrome de Bakos, pelo pioneirismo da descrição”. Bakos também é um dos idealizadores e fundadores do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), juntamente com o ex-presidente da SBD Fernando Augusto de Almeida e o coordenador do Programa Pró-Albino da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Marcus Maia Ferreira. Recentemente coordenou a 1a Conferência Brasileira de Melanoma, experiência que considerou gratificante e “que coroou meu interesse antigo pela neoplasia e estimulou seu estudo em nível nacional, iniciando a criação do GBM”. Para o dermatologista, as maiores diferenças no exercício profissional da medicina entre a época em que começou a clinicar e atualmente são as novas tecnologias de diagnóstico e terapêutica: dermatoscopia, exames de imagens, imunopatologia, lasers, biológicos, cirurgia dermatológica, entre outras, que evidenciaram o progresso obtido nas pesquisas em dermatologia, nos últimos 50 anos. Como planos futuros, Bakos pretende manter vínculo com o meio acadêmico como professor convidado, participar de eventos nacionais e internacionais da dermatologia, além de atuar em sua clínica privada.


TED 2018

Inscritos no Exame de Título de Especialista

1.151

Aprovados 511

PROVA DO TED TEVE RECORDE DE MAIS DE 1.100 INSCRITOS Exame aprova 511 candidatos. Desenvolvimento da qualidade das provas é preocupação constante da Comissão do TED

C

andidatos vindos de todos os estados brasileiros participaram maciçamente do TED 2018, a prova que dá ao médico o direito a usar o título de dermatologia. O exame realizado em duas fases – a prova téorica, de caráter eliminatório, no dia 4 de março, no Complexo Educacional FMU-Fiam-Faam, e a prova teórico-prática, no dia 22 de abril, na Fiap – teve 511 aprovados. O resultado foi divulgado no site da SBD no dia 2 de maio. Organizada pela Fundep, empresa especializada em concursos, e com participação de dezenas de examinadores voluntários, a prova exigiu longa preparação de estudos. Os candidatos puderam basear-se nas obras específicas editadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, entre outros livros relevantes na área. “A Comissão trabalha intensamente e tenta, quase sempre com sucesso, fazer provas abrangentes e discriminatórias. Contudo, esbarramos em problemas que às vezes limitam a perfeição que desejamos”, comenta o presidente do TED, Nilton di Chiacchio. Nos últimos anos, o exame de dermatologia tem passado por uma série de alterações não com o propósito de aumentar sua dificuldade ou do acesso ao título de especialista, mas com o objetivo de realizar melhor avaliação

do conhecimento daqueles que se propõem a exercer uma especialidade médica cujo grau de complexidade vem crescendo exponencialmente. MAIS PRECISÃO Os cursos preparatórios para o TED aumentam a cada ano, tornando-se cada vez mais profissionais. Na tentativa de uma avaliação mais precisa, a Comissão do TED incluiu na prova teórico-prática 50% de perguntas diretas, usando fotos de micologia e histopatologia, sem qualquer informação clínica. “Acreditamos que o TED deve chegar a um grau de profissionalização absoluto, o que minimizaria esses e outros problemas menores. Para isso a completa sintonia entre a Comissão do TED, a Comissão de Ensino e a Diretoria da SBD torna-se fundamental”, realça cumprimentando os aprovados: “Aos novos especialistas, além dos cumprimentos, bem-vindos à Sociedade Brasileira de Dermatologia! Aos preceptores, nossa admiração pelo bom e árduo trabalho para a formação dos alunos dos Serviços Credenciados da SBD”. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 9


TECNOLOGIA E POLÍTICA

ELEIÇÕES REGIONAIS E DELEGADOS 2019/2020: ACOMPANHE E PARTICIPE DESSE PROCESSO As 23 Regionais adiantam preparativos para eleição de seus membros titulares e delegados que iniciarão seus mandatos em 1o de janeiro de 2019

A

SBD convoca seus associados a participar das eleições para cargos eletivos nas 23 Regionais e delegados para a gestão 2019/2020, a ocorrer entre julho e agosto deste ano. Segundo o Estatuto da SBD, “o mandato será de dois anos e o mês da posse será decidido pela Associação Regional, havendo possibilidade de reeleição. O efetivo exercício dos cargos deverá ter início no dia 1o de janeiro do ano seguinte ao da eleição e ser coincidente com o exercício da SBD”.

A Comissão Eleitoral de cada Regional definiu as datas de envio da cédula de votação e do voto presencial para quem não enviar o voto pelo correio. As informações sobre o pleito de cada estado ficarão acessíveis nos sites administrados pelas entidades locais. Participe desse processo de grande importância e que definirá os nomes dos futuros responsáveis pela missão institucional das Regionais da SBD.

MAIOR FINANCIAMENTO PARA A SAÚDE PÚBLICA E COMPETÊNCIA DE GESTÃO Iniciativas são imprescindíveis para a garantia do bom exercício da medicina e da qualidade no atendimento dos pacientes, aponta o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, em entrevista recente à revista DOC

É

notório que a saúde pública no país enfrenta muitos desafios, sobretudo quanto aos recursos financeiros escassos e má gestão de seu modelo de assistência. De acordo com a organização Contas Abertas, aproximadamente 174 bilhões deixaram de ser aplicados pelo Ministério da Saúde (MS) entre 2003 e 2017. O montante corresponde 11% do total autorizado para o MS no Orçamento Geral da União (OGU) durante o período, cerca R$ 1,6 trilhão. Quase metade dos recursos não utilizados deveria ter sido investida na realização de obras e compra de equipamentos médico-hospitalares para atender ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse montante, infelizmente, revela a má qualidade da gestão financeira na saúde pública. Em entrevista concedida em junho à revista DOC, o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, reforçou sua preocupação pela administração dos recursos da saúde, já que a qualidade da gestão tem impacto direto na assistência da população e também na atuação dos profissionais. Para o representante da SBD, a saúde pública vive um “cenário heterogêneo, que alia o sucateamento das unidades, a degradação predial e a falta de insumos e medicamentos, com um 10 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

corpo de profissionais de saúde qualificado que se esforça para promover e recuperar a saúde dos pacientes”. Sobre as expectativas para o próximo governo do Brasil, Palma espera que haja mais transparência, equidade e participação.“Espera-se que com as próximas eleições tenhamos melhora nessa gestão financeira dos serviços públicos. A sociedade civil, os profissionais de saúde e organizações sociais precisam cobrar por gestões qualificadas e eficientes. Afinal, a saúde é um tema de todos nós e nosso bem maior. É necessário unir esforços em diferentes áreas, com os setores público e privado interagindo e realizando parcerias para conferir atenção integrada a cada indivíduo. Implementação de ações envolvendo planejamento efetivo, administração eficiente, informação e conhecimento dos desfechos para melhoria dos serviços prestados e da qualidade da assistência à saúde populacional”. Apesar desse quadro um tanto sombrio, o médico aposta em dias melhores para a saúde pública do país. “As organizações de saúde no Brasil precisam desenvolver e implementar sistemas de gestão eficientes e interconectados, com elo firme entre assistência e administração, para a sustentação do sistema de saúde brasileiro”, pontua.


PUBLICAÇÃO

SBD ANUNCIA LANÇAMENTO DE GUIA DE BOAS PRÁTICAS NAS REDES SOCIAIS

O

Texto esclarece como dermatologista pode usar as redes sociais para divulgar suas atividades s dermatologistas brasileiros podem contar a partir de julho com um guia prático, com orientações objetivas, sobre o uso responsável das redes sociais. O documento foi produzido pela Diretoria da SBD com a contribuição dos especialistas da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD. A expectativa é que o "Guia de Boas Práticas nas Redes Sociais" possa auxiliar o médico na hora de usar as redes sociais, bem como na criação de página e perfil pessoal e profissional nessas ferramentas de comunicação, tendo como referência as orientações e normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). “Esperamos que essa cartilha sirva de apoio para todos os dermatologistas. Importante não perder de vista que os conteúdos que compartilhamos, bem como nossa postura, acabam nos diferenciando qualitativamente. Ao observar os critérios definidos pelo CFM, o médico estará valorizando a conduta ética e adequada em sua relação com os pacientes e com a sociedade. Certamente será um subsídio importante”, comenta o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma.

O guia tem versão ampliada disponível para consulta na área logada do site da SBD (www.sbd.org.br) e versão resumida que será distribuída no estande da SBD durante o Congresso Brasileiro de Curitiba. Fique atento e garanta seu guia impresso ou online.

CAMPANHA DE ALBINISMO

COM A MENSAGEM “ALBINISMO ALÉM DO QUE SE VÊ”, SBD CONSCIENTIZA SOBRE PESSOAS ALBINAS Ação promovida pela SBD desde 2015 é oportunidade para declarar solidariedade e lutar para que indíviduos com albinismo sejam capazes de viver livres da discriminação e do medo

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o mês de junho a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realizou campanha online de esclarecimento sobre o Dia Mundial da Conscientização do Albinismo (13/6). Além de buscar a conscientização da população, as peças divulgadas nas redes sociais e site fizeram um alerta sobre os cuidados com a pele e os olhos em pessoas com pouca ou nenhuma produção de melanina. Esses indivíduos tendem a desenvolver doenças complexas, como o câncer da pele. No dia 9 de junho, dermatologistas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e idealizadores do Programa Pro-Albino, Marcus Maia, Carolina Marçon e outros, além do oftalmologista Ronaldo Sano, realizaram evento de orientação aos pacientes albinos e seus familiares. A ação teve o objetivo de levar informação qualificada para esse público e promover o debate sobre a causa. A programação incluiu palestras sobre atenção e cuidados com a pele; alterações oftalmológicas; papel das associações de defesa; além de depoimentos.

CURIOSIDADE Segundo a ONU, a África Subsaariana possui o maior número de pessoas com albinismo no mundo. Na Tanzânia uma a cada 1.400 pessoas é afetada. A prevalência no Zimbábue é de uma para 1.000 pessoas. Já em outras partes do mundo, como América do Norte, do Sul e Europa, uma em cada 17-20 mil pessoas tem algum tipo de albinismo. Mais de 90% das pessoas com a condição na África morrem antes de chegar aos 40 anos de idade. Em países africanos, inclusive, algumas tribos matam albinos para extrair partes de seu corpo e vender como amuleto – muitos creem que albinos não morrem, eles viram amuleto. Isso gerou um problema de saúde pública em alguns países. Ainda de acordo com a ONU, a Tanzânia é o país com mais ataques. Em seguida vem Burundi, Quênia, República Democrática do Congo, Suazilândia, África do Sul e Moçambique. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 11


CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO

ACESSE O SITE DA SBD E CONHEÇA A CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DO DERMATOLOGISTA 2018 Iniciativa propaga conhecimento e estimula população a refletir sobre a importância do dermatologista no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças de pele, cabelos e unhas

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uscando engajar todos os segmentos da sociedade e a própria classe médica no reconhecimento do papel do médico dermatologista, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lança oficialmente sua nova campanha de valorização profissional. Com a marca “Sua pele sua vida”, a iniciativa é mais um projeto da SBD para ressaltar a competência do médico na realização do diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças relacionadas a pele, cabelos e unhas, incluindo procedimentos cirúrgicos e estéticos, que, nas mãos de profissionais não habilitados, podem expor pacientes a situações de risco. Para promover esse esclarecimento, a SBD buscou popularizar a mensagem principal da importância de profissionais qualificados em sua campanha de comunicação. Expressões como “É sarna para se coçar”, “O barato pode sair caro” e “Pode dar zebra” são utilizadas nas peças de divulgação sinalizando possíveis consequências para o fato de não marcar consulta com um dermatologista ou de comprar pacotes de beleza em sites de compras coletivas, por exemplo. “As diretrizes da campanha estimulam a reflexão sobre o tema, ressaltando a qualificação, o profissionalismo e a competência do médico para realizar ações que, quando colocadas nas mãos de outros profissionais, podem expor pacientes a situações de risco, incluído o de vida”, afirma o presidente da SBD, José Antonio Sanches. Com o intuito de reforçar e promover tais esclarecimentos, a campanha será apresentada ao longo do ano por ações sucessivas de crossmedia. As peças publicitárias terão divulgação maciça na internet, por meio das redes sociais e sites formadores de opinião, e nos veículos de comunicação impressos. Além disso, filmes serão exibidos em cinemas e anúncios veiculados em

rádios nacionais. Em todas as mídias, a SBD reforça a importância de a população se certificar de que o profissional escolhido para realizar procedimentos estéticos ou cuidar das doenças de pele, cabelos e unhas é médico e especialista capacitado. Também alerta sobre o necessário cuidado com relação aos sites de compras coletivas e anúncios na internet, que oferecem pacotes baratos e promoções, e aos locais que se dispõem a cobrar preços muito baixos, pois nem sempre possuem os melhores equipamentos e produtos. “A informação de que o melhor é tratar com médico dermatologista está disseminada, mas ainda há parte da sociedade que precisa de uma mensagem mais direta e popular sobre o papel do especialista na atenção à saúde e beleza da pele em todas as fases da vida”, comenta o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma. Fique atento às publicações nas redes sociais da SBD, bem como o site da entidade, e compartilhe a informação com seus amigos. LEI DO ATO MÉDICO A SBD destaca nos meios de comunicação que os profissionais da área da saúde e de profissões regulamentadas só podem realizar atos que são previstos em suas leis regulamentadoras. A Lei do Ato Médico (Lei Federal no 12.842/2013) define os atos privativos de médicos no seu art. 4o, entre eles a indicação e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos. Dessa forma, biomédicos, farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas e odontologistas não possuem em suas leis regulamentadoras autorização para a realização de procedimentos invasivos estéticos e não estão autorizados a realizar procedimentos invasivos como aplicação de ácido hialurônico, toxina botulínica, microagulhamento, peelings (médios e profundos) e laser, por exemplo.

Comprou pacotes de beleza em sites de compras coletivas?

Cuidado! O barato pode sair caro!

12 Jornal da SBD Volume 22 - N. 2 - março-abril de 2018


CAMPANHA DE VITILIGO

SBD LANÇA FILME PARA CONSCIENTIZAÇÃO DO VITILIGO Cedendo voluntariamente seu tempo e seu trabalho, a modelo e universitária Eliane Medeiros, que tem vitiligo, gravou filme para esclarecer sobre a doença, visando atenuar o preconceito que a cerca

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SBD lançou em junho filme publicitário que faz parte da Campanha de Conscientização do Vitiligo, promovida pela entidade, com o objetivo de despertar o interesse e a conscientização da população sobre a doença – genética e autoimune – e provocar a reflexão sobre o preconceito que muitos sofrem por terem manchas brancas espalhadas pela pele. No curta de pouco mais de um minuto – divulgado nas redes sociais da entidade – a modelo profissional e estudante de artes Eliane Medeiros, que tem vitiligo, mostra que leva uma vida normal e se aceita como é, com suas manchas. Para ela, a única diferença é que a sua pele é sensível e precisa de mais cuidados. Ao longo do filme, Eliane fala sobre os preconceitos que já sofreu e faz um alerta para a população. “Ninguém quer ser rejeitado ou deixado de lado por uma característica que é sua. Antes de você se afastar de algo ou praticar algum tipo de atitude pejorativa, você precisa se informar. Vitiligo não passa”, observa. A modelo também dá seu depoimento de superação. “Foi um processo bem doloroso, mas hoje eu consigo me aceitar da forma como eu sou. Eu me acho bonita, eu me acho interessante. Comecei a enxergar o meu trabalho como uma forma de transformação social. Você também pode ser feliz e bonita do jeito que você é, tendo vitiligo ou tendo qualquer outra característica”, afirma. Os cuidados necessários às pessoas que possuem vitiligo incluem se proteger do sol, usando medidas fotopro-

tetoras, evitar roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e controlar o estresse. Esses fatores podem precipitar o aparecimento de novas lesões e acentuar as já existentes. “As lesões provocadas pela doença, não raro, impactam significativamente a qualidade de vida e a autoestima. Por isso, na maioria dos casos, recomenda-se o acompanhamento psicológico, para prevenir o aparecimento de novas lesões e garantir efeitos positivos nos resultados do tratamento”, explica a médica dermatologista da SBD, Ivonise Follador. Segundo o membro da Comissão Científica da SBD Caio de Castro, apesar de a doença ser de difícil resposta ao tratamento, existem resultados excelentes e satisfatórios no tratamento do vitiligo, que visam controlar sua progressão, a estabilização de lesões e repigmentação da pele. “O tratamento é individualizado e pode ser realizado a partir da fototerapia com radiação ultravioleta B banda estreita (UVB-nb), fototerapia com ultravioleta A (Puva), tecnologias como o laser, bem como técnicas cirúrgicas de transplante de melanócitos, além de medicamentos em fase de pesquisas e/ou estudos que devem surgir em médio prazo”, conta. A SBD também faz um alerta sobre o cuidado com medicamentos ditos milagrosos, fórmulas ditas naturais e receitas dadas por leigos. A campanha foi amplamente divulgada na internet e contou com a participação do associado no compartilhamento das peças nas redes sociais. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 13


CONGRESSO BRASILEIRO 2018

CONGRESSO BRASILEIRO DE DERMATOLOGIA EM CURITIBA: REFERÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL

Inovações, atualização e discussão dos principais temas da dermatologia foram criteriosamente selecionados para compor a programação científica do CSBD 2018

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esquisa, prática, experiência. São palavras que definem bem os congressos brasileiros da SBD. De 6 a 9 de setembro, centenas de conferencistas de renome nacional e internacional fazem parte da programação do 72o Congresso Brasileiro de Dermatologia em Curitiba, que contempla temas pertinentes à prática médica, incluindo atualizações terapêuticas em diferentes dermatoses, fototerapia, cosmiatria e laser. A presença de profissionais de outras especialidades médicas, como alergista, oncologista, reumatologista, hepatologista e hematologista dará ao evento um caráter multidisciplinar e rico de aprendizado. “O Congresso da SBD está entre os melhores congressos dermatológicos mundiais não só pela qualidade de conteúdo, mas pela participação dos mais renomados especialistas. Não tenho dúvidas de que será mais um encontro com muita troca de relevantes experiências”, aponta o presidente da SBD, José Antonio Sanches, frisando que a entidade valoriza a pesquisa como instrumento para formação médica e para a prática dermatológica.

14 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

Um dos destaques da programação do dia 8 é o simpósio sobre “Judicialização da medicina e compliance”, coordenado por José Ramon Varela Blanco e o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma. “Trata-se de uma oportunidade para discutir as dificuldades existentes e as implicações legais da judicialização da saúde e o modo como afetam o ato médico e impactam a vida do paciente, além dos custos governamentais”, adianta o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma. Já o curso prático em vídeo, a ser realizado no primeiro dia do congresso (6), apresentará programa abrangente sobre anatomia facial aplicada a procedimentos estéticos, bloqueios anestésicos e tecnologias na terapêutica facial e corporal, além de tratamentos consagrados como toxina botulínica, preenchedores e bioestimuladores. O curso está sob a coordenação de Julio Empinotti e Karin Adriane Helmer. Os participantes poderão acompanhar as principais atividades do encontro pelo site da SBD e redes sociais. Será muito para acompanhar e contar a partir do dia 6 de setembro. Antes, algumas dicas e imagens.


CONGRESSO BRASILEIRO 2018

325 ANOS DE CURITIBA, 29 DE MARÇO

Conhecido pela grande estufa transparente, inspirada em um palácio de cristal londrino, o Jardim Botânico é passeio imperdível

Antigas igrejas, centros culturais, museus, galerias de arte, bares e restaurantes são as atrações que você pode desfrutar no Centro Histórico de Curitiba

O Teatro Ópera de Arame, espetacular construção de metal tubular, ergue-se sobre um lago, com teto e paredes transparentes, e recebe shows e peças de teatro

O Museu Oscar Niemeyer, que serviu de inspiração para a marca do Congresso, conta com acervo permanente de obras contemporâneas, além de salas dedicadas à fotografia, a esculturas e ao arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou o prédio em formato de olho

O terreno em que funcionavam duas pedreiras é hoje ocupado pelo Parque Tanguá, que se divide em duas partes. Na alta estão um mirante e belos jardins. Na baixa há lagos, pistas de caminhada, uma cachoeira artificial e um túnel escavado na rocha

O Parque Barigui é a principal área de lazer de Curitiba, com espaço de exposições, museu e grande área verde

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Fotos: Laura Jeunon

DÉCIMO TERADERM

DÉCIMO TERADERM: QUALIDADE OFERECIDA, QUALIDADE PERCEBIDA Farto programa científico contemplou diferentes aspectos da especialidade: cosmético, clínico e cirúrgico

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Teraderm, evento consagrado que aborda avanços terapêuticos e critérios atuais de diagnósticos e consultas, teve sua décima edição realizada pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 29 e 30 de junho. A programação foi especialmente pensada para os mais de 1.400 congressistas participantes, com foco em debates rápidos de tratamentos dermatológicos muito frequentes e relevantes no dia a dia do médico. “São dez anos ininterruptos de um evento já consolidado e focado em revisões e inovações das práticas terapêuticas dermatológicas, que vejo como uma necessidade e excelente oportunidade de atualização para o dermatologista”, declarou o presidente da SBD, José Antonio Sanches, na abertura do encontro. Um dos coordenadores do Décimo Teraderm, Ricardo Shiratsu, por sua vez agradeceu aos palestrantes o trabalho que fizeram, apresentando o que há de novo, além de reciclagens sobre dermatologia clínica, estética e cirúrgica. Um dos destaques do primeiro dia foi o bloco “Hidroxiapatita, ácido polilático e fios de sustentação: bons e maus resultados”. Moderado por Mônica Manela Azulay (RJ) trouxe ao conhecimento do público alguns casos e, segundo os experts, as melhores técnicas utilizadas. Participa16 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

ram do debate os dermatologistas Alexandre Filippo (SP), Bruna Felix Bravo (RJ) e Luciana Conrado (SP). Além dos aspectos científicos, também foi analisada a relação custo/ benefício dos procedimentos. No segundo dia, um dos painéis de destaque ocorreu pela manhã: “Isotretinoína: do convencional ao off label”. A sessão contou com a participação de André Rosa Souza da Silva (PE), Beatriz de Medeiros Ribeiro (DF) e Luiz Maurício Costa Almeida (MG). A mediação ficou sob a responsabilidade de Ivonise Follador, e a plateia participou ativamente, com perguntas e observações após as apresentações. “Há três anos participo do Teraderm, e, na minha opinião, depois do Congresso Brasileiro, este é o melhor encontro em termos de atualização em clínica médica”, considera a dermatologista carioca Talita Medeiros. A dermatologista Sarita Martins, corrobora: “É sempre muito bom participar do Teraderm. Estamos na décima edição e creio que não perdi nenhuma. Considero um evento muito rico de aprendizado, e por isso é sempre um sucesso”. Em parceria com a SBD-RJ o encontro foi coordenado por Clarisse Zaitz (SP), Jayme de Oliveira Filho (SP), John Veasey (SP) e Ricardo Seiji Shiratsu (SP).


DÉCIMO TERADERM

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Da esq. para a dir.: Um dos coordenadores do Décimo Teraderm, Ricardo Shiratsu, e o presidente da SBD, José Antonio Sanches (Foto 1)

O dermatologista Celso Tavares mediou o debate sobre alopecia androgenética no consultório (Foto 2)

A dermatologista Clivia Carneiro com os alunos da Liga de Dermatologia da UFF (Foto 3)

3 SEGUNDA ETAPA DA PESQUISA SOBRE VITAMINA D

Durante o encontro foi realizada a segunda fase do experimento sobre vitamina D & fotoproteção promovido pela SBD e coordenado pelos dermatologistas Flávio Luz (secretário-geral), Hélio Miot (1o secretário), Clivia Oliveira Carneiro e Luiza Alonso, além da patologista clínica Analúcia Xavier, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF). Na primeira parte do estudo, concluída no ano passado, constatou-se que a exposição solar suberitematosa com fotoprotetor tópico, aplicado de maneira usual, permite a síntese de vitamina D comparável à obtida sem fotoproteção em adultos saudáveis.

Na segunda fase do projeto, mediante uma metodologia mais minuciosa e usando a cromatografia líquida, técnica de dosagem padrão ouro, foram avaliados 56 voluntários divididos em três grupos. Os participantes foram submetidos a pareamento prévio de acordo com sexo, IMC, faixa etária e fototipo, além de seguir uma dieta controlada com diário alimentar. A partir desse estudo mais sistemático, fundamentado em uma proposta inovadora e inédita, serão incorporados novos conhecimentos sobre o assunto, que é de extremo interesse aos dermatologistas. Os resultados serão divulgados em breve nos canais de comunicação da SBD. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 17


WCD 2023

BRASIL É CANDIDATO A SEDE DO CONGRESSO MUNDIAL DE 2023

Com grande prestígio na especialidade em todo o mundo, país luta mais uma vez para sediar maior evento da dermatologia

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cidade do Rio de Janeiro, representada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é candidata a sede do Congresso Mundial de Dermatologia de 2023. A disputa brasileira será com Beijing (China), Cingapura (Cingapura), Dubai (Emirados Árabes), Guadalajara (México) e Sidney (Austrália). Em entrevista ao JSBD, a presidente da Comissão de Candidatura, Márcia Ramos-e-Silva, afirmou que devido ao fato de todas as cidades concorrentes serem importantes na área da dermatologia, além de bastante atrativas, o trabalho de divulgação está sendo intenso e é muito mais de aproximação pessoal com os delegados, solicitando seu voto. Ela acredita que o encanto especial dos estrangeiros pelo Rio conta positivamente para a cidade carioca.

18 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

O resultado da eleição ocorrerá durante o Congresso Mundial de Dermatologia em Milão, em junho de 2019. Os eleitores são os delegados das diversas sociedades nacionais e estrangeiras que sejam membros da Liga Internacional de Sociedades Dermatológicas (Ilds). A presidente faz um convite a todos os dermatologistas no sentido de abraçar a campanha e fortalecê-la a fim de que o Rio de Janeiro se torne de fato e pela primeira vez na história a sede do World Congress of Dermatology 2023. Além de Ramos-e-Silva, fazem parte da Comissão as dermatologistas Dóris Hexsel, Beatriz Trope e o presidente do Congresso Brasileiro de Dermatologia 2019, Marcio Serra. Confira a entrevista na próxima página.


WCD 2023 eventos internacionais de que participa algum dos membros da comissão e diretoria, são distribuídos flyers, livretos, brindes, entre outros, além de se conversar pessoalmente com os delegados e demais dermatologistas que possam influenciar as diretorias e delegados de suas sociedades.

Márcia Ramos-e-Silva Presidente da Comissão de Candidatura

JSBD: A SBD solicitou apoio do governo do estado do RJ para a divulgação institucional da candidatura da cidade? Quais são as instituições que devem apoiar a captação do encontro e como foram feitas essas negociações? Marcia Ramos-e-Silva: Para a divulgação da candidatura do Rio de Janeiro como sede do Congresso Mundial de Dermatologia de 2023, já temos o apoio do governo do estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Turismo, Embratur e Rio Convention Bureau, além de empresas particulares, que também estão nos ajudando nesse desafio. Representantes da diretoria dessas instituições estiveram na sede da SBD para se inteirar da candidatura e propor maneiras de nos ajudar, o que já está sendo feito. Contamos também desde o início com o auxílio da empresa MCI para a confecção da maioria do material de propaganda para as mídias sociais e impressos que estão sendo levados para os congressos no exterior. JSBD: Recentemente, durante o Congresso Americano de Dermatologia (AAD), foi realizado um coquetel de lançamento da candidatura do RJ ao WCD 2023. Como foi? MRS: Sim, é de praxe as cidades candidatas promoverem recepções em alguns eventos internacionais. Na Reunião Anual da AAD houve um coquetel para a primeira apresentação da candidatura do Rio de Janeiro como sede do Congresso Mundial de Dermatologia de 2023. Fizemos uma breve exposição e mostramos um filme sobre a nossa cidade. A receptividade foi excelente, com a presença de mais de 200 congressistas, entre eles nove presidentes da AAD (o atual, dois já eleitos para as próximas gestões e seis ex-presidentes), presidente da EADV, presidentes, membros das diretorias e delegados de várias sociedades nacionais e estrangeiras. Além deles tivemos diversos colegas brasileiros e de outras nacionalidades que nos ajudaram na divulgação durante o coquetel, conversando e comentando sobre a candidatura do Rio com os potenciais eleitores. JSBD: Existe um planejamento internacional para a divulgação da candidatura do país em outros eventos dermatológicos internacionais? MRS: A Comissão de Candidatura do Rio de Janeiro para sediar o Congresso Mundial de Dermatologia 2023 e a Diretoria da SBD estão se empenhando muito para fazer essa divulgação e angariar o máximo de votos. Em todos os

JSBD: O Congresso Mundial reúne mais de 20 mil especialistas, é o evento mais importante da área e que impacta positivamente a cidade que o recebe não só pelo resultado econômico-financeiro, mas também para a construção da imagem de uma cidade que também é importante centro de eventos científicos internacionais. Caso consigamos trazer o Congresso para cá, o que teremos de benefício para a dermatologia do país? MRS: A Sociedade Brasileira de Dermatologia é uma das mais importantes entidades dermatológicas do mundo; somos a maior da América Latina e a quarta maior do mundo, e nunca, até hoje, sediamos o Congresso Mundial de Dermatologia, o evento de máxima relevância na Dermatologia Mundial. Além do nosso grande destaque nacional e internacional como sociedade de especialidade, há dois outros benefícios principais para se desejar organizar esse evento no nosso país. O primeiro está relacionado à excelente oportunidade, única para alguns, que o dermatologista brasileiro terá de participar do congresso de maior relevância e impacto internacional. É também a ocasião de conversamos e trocarmos ideias com os pesquisadores e professores cujos nomes vemos nos livros e nas revistas médicas. O segundo benefício é trazer dermatologistas de outros países que poderão verificar pessoalmente o que fazemos. Somos um dos principais centros dermatológicos do mundo, com 8.100 membros na SBD, e nossa dermatologia é referência mundial com pesquisadores brasileiros de renome internacional em várias áreas. JSBD: Se vencer, a cidade do Rio de Janeiro será a terceira da América Latina a sediar uma edição do encontro (Buenos Aires e a Cidade do México já foram sede). Qual é a sua expectativa? MRS: Os membros da Comissão de Candidatura do Rio de Janeiro e a Diretoria da SBD estão trabalhando com muito empenho e intensidade, e acreditamos que temos grandes chances de trazer o congresso para o Rio de Janeiro, cidade sempre de grandes atrativos para os estrangeiros. Contamos com a ajuda de todos os dermatologistas brasileiros para conseguir a vitória na eleição, em junho de 2019. JSBD: Que mensagem gostaria de deixar para os dermatologistas brasileiros na luta pela candidatura? MRS: Gostaríamos que todos os dermatologistas brasileiros se sentissem parte dessa Comissão e desse desafio e nos ajudassem a conseguir trazer o congresso, comentando sobre a candidatura do Rio entre seus amigos estrangeiros, delegados eleitores ou colegas que possam incentivar seus delegados e as diretorias das suas sociedades a votar no Rio de Janeiro para sede do Congresso 2023. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 19


OPINIÃO

Marcello Menta Simonsen Nico Professor-associado do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Responsável pelo Ambulatório de Psicodermatoses do Ambulatório de Dermatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP

PSICODERMATOLOGIA E DERMATOSES AUTOINFLIGIDAS

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comum na prática clínica encontrar doentes com lesões autoinfligidas, sem nenhuma dermatose primária. Todos nós vemos frequentemente casos de líquen simples crônico, prurido sine materia, escoriações neuróticas, glossodínia, tricotilomania e, mais raramente, delírio de parasitose e dermatite artefata. Grande parte dos dermatologistas não gosta de atender tais casos, pois não há verdadeira doença cutânea, e em consequência, não haverá resposta ao armamento dermatológico tradicional (anti-histamínicos, antibióticos e corticosteroides locais e orais etc.), pois a doença primária é de causa psíquica. No entanto, esses doentes quase sempre recorrem ao dermatologista por não ter ideia ou mesmo crítica sobre a origem psíquica de seu mal. A situação ideal seria o trabalho conjunto do dermatologista com o psiquiatra, o que nem sempre é possível. Temos nos dedicado ao manejo desses distúrbios psíquicos primários, ou seja, que representam as manifestações dermatológicas das doenças psiquiátricas (distúrbios psíquicos secundários são aqueles relacionados a uma dermatose desfigurante, como acne, psoríase, vitiligo, dermatite atópica, alopecias etc., que não serão abordados aqui). Familiarizado com a extensa literatura publicada recentemente nesse tema, o dermatologista pode e deve abordar ativamente esses casos, seja tratando aqueles cuja manifestação do distúrbio mental seja exclusivamente cutânea, seja proporcionando abordagem psicofarmacológica inicial e posteriormente encaminhando ao psiquiatra para um ajuste fino, seja auxiliando este último no manejo da queixa dermatológica ligada à doença mental, sugerindo ajustes na dosagem ou acrescendo outras drogas. Haverá maior chance de sucesso se o dermatologis-

20 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

ta conseguir, a partir do diagnóstico dermatológico clássico (prurido sine materia, escoriações neuróticas etc.), chegar a um diagnóstico psicopatológico (ansiedade, delírio, depressão, distúrbio obsessivo compulsivo ou distúrbio de personalidade), e se, a partir daí, for tomada a adequada conduta psicofarmacológica ou comportamental, pois, aí sim, se estará abordando a causa da queixa cutânea. Com a prática, mesmo sem estudo psiquiátrico formal, o dermatologista será capaz de inferir, em número considerável de casos, o mecanismo mental envolvido, podendo então lançar mão do uso racional de psicofármacos (ansiolíticos, antipsicóticos, antidepressivos), com resultado muito melhor. Prescrever essas drogas requer prévio embasamento teórico; no entanto, seus efeitos colaterais são mais fáceis de manejar do que os de muitas drogas complexas utilizadas em dermatologia. Recomendo o estudo das técnicas de entrevista que ajudam a elucidar o mecanismo mental envolvido em cada caso, as técnicas de abordagem (discutir, ou não, com o doente a causa psíquica), assim como o domínio de um ou dois psicofármacos de cada classe e suas indicações em dermatologia. Tendo me familiarizado com essa abordagem, afirmo com segurança que temos ajudado um número muito maior de doentes do que com o tratamento dermatológico clássico. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo há um ambulatório dedicado às manifestações cutâneas dos distúrbios psíquicos, e muitos doentes, antes praticamente órfãos de tratamento, têm apresentado notável melhora. A associação do nosso grupo com um psiquiatra que comparece à consulta dermatológica incrementou ainda mais nossos resultados, mas mesmo em clínica privada essas condutas podem ser adotadas com êxito.


OPINIÃO

Marcia S. Senra Médica dermatologista do Hospital Federal de Ipanema Coordenadora do Departamento de Psicodermatologia da SBD

DERMATOSES AUTOINFLIGIDAS E TRANSTORNOS FACTÍCIOS

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muito extenso o espectro das dermatoses autoinfligidas, que estão incluídas no grupo das dermatoses primariamente psiquiátricas em sua gênese, ou seja, em que não há doença cutânea real. Todas as manifestações são autoinduzidas. Os pacientes apresentam dupla morbidade: dermatológica e psiquiátrica. Por essa razão, a “carga” de detectar, diagnosticar e tratar esses casos difíceis recai sobre o dermatologista. Nessa categoria estão também as dermatoses provocadas por comportamentos obsessivos compulsivos tais como escoriação neurótica, onicofagia, tricotilomania, os diferentes tipos de dermatite artefata, como também simulação consciente de autoinjúria a fim de obter algum ganho. A piora de uma dermatose preexistente (acne, psoríase, picada de inseto, urticária, dermatite atópica...) por estresse ou ansiedade pode fazer parte também desse espectro de dermatoses autoinfligidas. São chamadas de dermatoses para-artefatas. Devemos ter em mente que a pele é a área do corpo favorita para descargas de tensões por vários motivos: mais acessível, com mais visibilidade, e é um órgão de comunicação e expressão. Em algumas culturas, as agressões cutâneas como escoriações, cicatrizes são aceitas como procedimentos estéticos. Alguns autores argumentam que a expressão dermatite artefata deve ser reservado exclusivamente às lesões totalmente criadas ou simuladas pela própria pessoa. Dependendo da criação ou simulação, as lesões podem apresentar-se como úlceras, queimaduras, erosões, bolhas, arranhaduras, injeções subcutâneas. Deve-se suspeitar de dermatite artefata por meio da anamnese, ouvindo a história, por vezes vazia, o seu conteúdo, a forma verbal, pela observação de lesões bizarras, múltiplas consultas (doctor shopping) e tratamentos ineficazes. Durante a consulta, podemos observar comportamentos ansiosos, cautelosos, dando a impressão de que guardam algum segredo, e às vezes agressivos. O mais importante é descartar problemas cutâneos primários a fim de obter um diagnóstico correto.

Existe uma variedade de grau de consciência nos diferentes tipos de dermatite autoinfligidas, escondendo dos médicos as reais motivações psíquicas. Ao executar as lesões cutâneas, há muitas vezes a sensação de relaxamento, como também a percepção de dor pode estar alterada. Terapêutica para essas dermatoses autoinfligidas é um grande desafio para o dermatologista, especialmente quando o paciente chega apenas com queixas somáticas e expectativas sem qualquer consciência. O dermatologista precisa familiarizar-se com os transtornos mais frequentes: transtorno de adaptação, transtorno depressivo, ansiedade, transtorno bordeline, bipolar. Tais problemas confundem e aborrecem os que convivem com essas pessoas e, com frequência, também os médicos. Confrontar o paciente de imediato ou encaminhar para um profissional da área psi termina a relação médico/ paciente. O mais importante é criar um vínculo de confiança, marcar consultas mais frequentes, oferecer atmosfera aberta em que o paciente sinta que realmente está sendo ajudado e nunca ameaçar sua autoestima. Nosso papel jamais será o de um investigador criminal; cabe-nos antes diagnosticar e dar o melhor suporte, pois se trata de uma doença mental. Deve-se começar instituindo uma terapêutica local ou oclusiva da lesão. É sugerido que o paciente elabore um diário de queixas com data, anotando o período do dia em que sente modificação das lesões, observando qual a emoção envolvida em sua queixa. O dermatologista precisa desenvolver habilidades para saber perguntar e ouvir nas entrelinhas o que o paciente relata. Um plano terapêutico é importante. O dermatologista deve ter uma formação humanista, aprender a criar empatia, aprofundar os estudos nas ferramentas de comunicação e se familiarizar com alguns psicofármacos e iniciá-los para um posterior encaminhamento ao profissional psiquiatra. Sugerimos The complete guide to communication skills in clinical practice. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 21


ARTIGO

Sinésio Talhari Editor Científico dos Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD)

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MILTEFOSINA PARA O TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE

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miltefosina (hexadecilfosfocolina) foi utilizada, inicialmente, como droga antineoplásica. Estudos em laboratório evidenciaram a potencial ação desse fármaco no tratamento da leishmaniose.1,2 O medicamento é administrado por via oral, com poucos efeitos adversos graves, sendo os mais frequentes entre eles náusea, vômito e dor abdominal, principalmente no início do tratamento. A miltefosina é contraindicada na gravidez.3,4 Em 1997, na Índia, fez-se o primeiro estudo para o tratamento da leishmaniose visceral (LV) com a miltefosina. Posteriormente, novos ensaios clínicos foram realizados, seguindo-se o registro da droga nesse país em 2002.1,2 Nos anos seguintes, a miltefosina foi aprovada para tratamento da leishmaniose cutânea (LC) e LV, em vários países, entre eles Alemanha, Holanda, Argentina, Bangladesh, Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, Índia, México, Paquistão, Paraguai, Peru e Estados Unidos. Um estudo multicêntrico realizado no Brasil comparou a eficácia da n-metil glucamina, por via endovenosa (20mg/kg de peso – 20 dias) e miltefosina (2,5mg/kg de peso – 28 dias, por via oral). O estudo envolveu dois centros, um na Bahia e outro em Manaus. No primeiro, receberam tratamento pacientes portadores de Leishmania brasiliensis; em Manaus, pacientes com L.guyanensis. Nos dois braços do estudo, a eficácia do antimonial foi 53%. A miltefosina apresentou eficácia de 71% para L.guyanensis e 75% para os doentes com L. brasiliensis. É importante ressaltar que a miltefosina pode ser administrada em crianças acima de dois anos. Apesar dos excelentes resultados obtidos com a miltefosina em vários países e no estudo brasileiro (financiado pelo CNPq e concluído em 2010), só em 2016 a droga foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para o tratamento de pacientes com LC. Até a data atual, os pacientes brasileiros portadores de leishmaniose são tratados com medicamentos injetáveis, que apresentam baixa eficácia. Para o tratamento de animais a droga está registrada e é comercializada no Brasil há mais de dois anos. Para huma22 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

nos não está disponível. Parece-nos relevante destacar que o FDA utilizou quatro trabalhos para registrar a droga nos Estados Unidos – um deles, o estudo realizado em Manaus, com L. guyanensis. REFERÊNCIAS 1. Sundar S, Rosenkaimer F, Makharia MK, et al. Trial of oral miltefosine for visceral leishmaniasis. Lancet. 1998;352(9143):1821-1823. doi:10.1016/S01406736(98)04367-0. 2. Sundar S, Singh A, Rai M, et al. Efficacy of miltefosine in the treatment of visceral leishmaniasis in India after a decade of use. Clin Infect Dis. 2012;55(4):543-550. doi:10.1093/cid/cis474.72. 3. Machado PR, Ampuero J, Guimaraes LH, et al. Miltefosine in the treatment of cutaneous leishmaniasis caused by Leishmania braziliensis in Brazil: A randomized and controlled trial. PLoS Negl Trop Dis. 2010;4(12):1-6. doi:10.1371/journal.pntd.0000912.66. 4. Chrusciak-Talhari A, Dietze R, Talhari CC, et al. Randomized Controlled Clinical Trial to Access Efficacy and Safety of Miltefosine in the Treatment of Cutaneous Leishmaniasis Caused by Leishmania (Viannia) guyanensis in Manaus, Brazil. Am J Trop Med Hyg. 2011;84(2):255260. doi:10.4269/ajtmh.2011.10-0155.

MILTEFOSINE ORAL PARA LTA

Em reunião realizada no dia 9 de maio, a Comissão Nacional e Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) decidiu favoravelmente à implantação da miltefosina para o tratamento da leishmaniose tegumentar americana (LTA). A doença é importante problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento. Segundo a ata, “os membros presentes deliberaram, por unanimidade, por recomendar a incorporação de miltefosina para o tratamento de leishmaniose tegumentar em primeira linha de tratamento”. Leia a íntegra da ata da reunião em http://conitec.gov.br/ images/Reuniao_Conitec/2018/Ata_66Reuniao.pdf


DEFESA PROFISSIONAL

SBD DIVULGA REPRESENTAÇÕES CONTRA O EXERCÍCIO IRREGULAR DA MEDICINA EM 2018 Diretoria ressalta que é fundamental a participação do dermatologista no envio de denúncias para manutenção da qualidade da assistência à saúde da pele dos cidadãos

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or meio do Departamento Jurídico, a SBD divulgou em seus canais de comunicação gráficos com os dados das denúncias e representações realizadas em 2018. Esse trabalho visando coibir tentativas de atuação irregular por profissional não médico em todo o território nacional tem sido realizado desde o ano passado. Segundo o presidente do SBD, José Antonio Sanches, o pilar da dermatologia brasileira é “sua função de fiscalizar, dentro de sua área de competência, e denunciar o exercício irregular da medicina”. Todas as denúncias recebidas pelo

Jurídico são analisadas e instrumentalizadas, e posteriormente encaminhadas aos órgãos de fiscalização competentes (Ministério Público,Vigilância Sanitária, Conselhos de Classe, Polícia, entre outros). O vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, reforça a importância da participação dos dermatologistas de todo o país, porque são eles que podem e devem dar sua contribuição para a melhoria da saúde dermatológica, o que resultará na qualidade de vida da sociedade, mais bem assistida, além da valorização do especialista.

SEMINÁRIO ENVELHECIMENTO

SBD REÚNE DIFERENTES ESPECIALISTAS PARA DEBATER O ENVELHECIMENTO NO RIO DE JANEIRO

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importância do envelhecimento já é percebida por todos não só como uma forma de combater preconceitos, mas também como maneira de debater iniciativas que visam a melhores cuidados e atenção com a saúde da pele, do corpo e da mente. No dia 21 de agosto, das 9h às 13h, um seminário realizado pela SBD em parceria com o jornal O Globo unirá profissionais de diferentes áreas para falar sobre o assunto e apresentar ideias voltadas para melhor qualidade de vida da população durante o envelhecimento. O encontro ocorrerá na sede do jornal, no Rio de Janeiro. Dividido em três sessões, o “Envelhecimento além das rugas” começará com a mesa “Como estamos envelhecendo”, com a presença, entre os líderes da discussão, do presidente da SBD, José Antonio Sanches, da gerente de estimativas e projeção de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Izabel Marri, da coordenadora-geral de política de envelhecimento ativo e saudável da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos, Márcia

Gebara, e do médico e comentarista de rádio e TV Luis Fernando Corrêa. Na sequência, a coordenadora do Departamento de Dermatologia Geriátrica da SBD, Silvia Marcondes, o diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati-Uerj), Renato Vera, o médico Alexandre Kalache, responsável durante 14 anos pelo programa global de envelhecimento da OMS, o professor de educação física e comentarista de rádio Márcio Attala debaterão a “A saúde e a doença na pele do idoso”. O encontro se encerrará com o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, o maquiador e apresentador do GNT Fernando Torquatto, entre outros nomes, em ampla abordagem do tema “A beleza do envelhecimento”. A programação está em fase de conclusão e novos nomes serão confirmados. O encontro é aberto ao público mediante inscrição. Também está previsto uma live do evento no Facebook no dia 14 de agosto. Mais detalhes serão disponibilizados nos canais de comunicação da SBD. Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 23


TECNOLOGIA E MEDICINA

MINISTÉRIO DA SAÚDE RECONHECE COMPETÊNCIAS DE DERMATOLOGISTAS NA REALIZAÇÃO DE PRÁTICAS CIRÚRGICAS NO ÂMBITO DO SUS

SBD intensificou o diálogo com o órgão para obter resultado, considerando ser o debate dessas questões de interesse de toda a sociedade

Flávio Luz Secretário-geral da SBD

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Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) acaba de conquistar importante vitória junto ao Ministério da Saúde (MS) . A partir de agora, o médico dermatologista é reconhecido como profissional apto para realizar diversos procedimentos cirúrgicos no âmbito do SUS. Ao revisar a tabela Sigtap, a SBD identificou que vários procedimentos realizados por dermatologistas não geravam adequada remuneração da instituição cadastrada no SUS, pois o CBO (Código Brasileiro de Ocupação) do dermatologista não estava vinculado a procedimentos que são realizados rotineiramente por esses especialistas. Além de prejudicar a instituição, o fato impedia que usuários do SUS fizessem determinados procedimentos com o dermatologista, contribuindo assim para demora e piora na qualidade do atendimento em doenças em que o dermatologista é especialista. “Estamos trabalhando há mais de um ano, e agora que o MS atendeu a nossa solicitação, poderemos ser remunerados no SUS pelos procedimentos cirúrgicos no mesmo patamar que outras especialidades cirúrgicas. Esse é um importante passo que não apenas valoriza a atuação do dermatologista nos hospitais públicos, como abre espaço para uma melhor remuneração via tabela TUSS (Tabela Terminologia Unificada da Saúde Suplementar), que norteia a saúde complementar”, realça o secretário-geral da SBD, Flávio Luz. 24 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

Fábio Francesconi Chefe do Serviço de Dermatologia da Fundação de Medicina Tropical Segundo o dermatologista e chefe do Serviço de Dermatologia da Fundação de Medicina Tropical, Fábio Francesconi, que também esteve à frente do trabalho, a SBD fez uma lista dos procedimentos realizados pelos dermatologistas relacionados ao seu CBO que não eram contemplados na tabela Sigtap. “Conseguimos êxito nessa primeira etapa, e agora aguardamos a inclusão de CIDs (Classificação Internacional de Doenças) relacionados aos procedimentos realizados”, explica. O ofício 325 ressalta que “quanto à incorporação de procedimentos na tabela do SUS, a mesma deverá ser solicitada e encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde/Conitec, que, entre outras atribuições, analisará a solicitação em consonância com as necessidades sociais em saúde e com a gestão do SUS. As deliberações desse órgão são tomadas com base na existência de evidências científicas de eficácia, acurácia, efetividade, segurança e de estudos de avaliação econômica da tecnologia proposta, em comparação às demais incorporadas anteriormente, bem como na relevância e no impacto da incorporação da tecnologia no SUS”. Para a SBD, a conquista abre precedentes para uma busca por enquadramentos de procedimentos mais complexos ou de nível hospitalar junto aos convênios médicos.


TECNOLOGIA E MEDICINA

CONFIRA OS PROCEDIMENTOS CONTEMPLADOS: 04.01.01.003-1 Drenagem de abcesso; 04.01.02.017-7 Cirurgia de unha (cantoplastia); 04.13.01.002-3 Atendimento de urgência em pequeno queimado; 04.13.01.006-6 Tratamento de grande queimado; 04.14.02.017-0 Glossorrafia; 04.13.04.021-6 Tratamento cirúrgico de retração cicatricial em um estágio; 04.13.04.003-8 Dermolipectomia (1 ou 2 membros inferiores); 04.13.03.005-9 Preenchimento facial c/ tecido gorduroso em paciente c/lipoatrofia de face decorrente do uso de antirretrovirais; 04.13.03.003-2 Lipoenxertia de glúteo em paciente com lipodistrofia glútea decorrente do uso de antirretroviral; 04.13.03.002-4 Lipoaspiração de parede abdominal ou dorso em pacientes com lipodistrofia decorrente do uso de antirretroviral; 04.13.03.001-6 Lipoaspiração de giba ou região submandibular em pacientes com lipodistrofia decorrente do uso de antirretroviral; 04.16.03.014-9 Ressecção em cunha de lábio e sutura em oncologia; 04.16.03.015-7 Ressecção parcial de lábio com enxerto ou retalho em oncologia; 04.16.08.001-4 Excisão e enxerto de pele em oncologia; 04.16.08.003-0 Excisão e sutura com plástica em z na pele em oncologia; 04.16.08.008-1 Reconstrução c/retalho miocutâneo (qualquer parte) em oncologia; 04.16.08.012-0 Extirpação múltipla de lesão da pele ou tecido celular subcutâneo em oncologia; e 04.16.09.013-3 Ressecção de tumor de partes moles em oncologia. No que tange aos procedimentos abaixo, eles já incluem a categoria de CBO médico e podem ser realizados no SUS por qualquer médico que esteja capacitado para tal: 04.01.02.004-5 Excisão e enxerto de pele (hemangioma, nevus ou tumor); 04.01.02.005-3 Excisão e sutura de lesão na pele c/plástica em z ou rotação de retalho; 04.01.02.006-1 Exerese de cisto branquial; 04.01.02.007-0 Exerese de cisto dermoide; 04.01.02.008-8 Exerese de cisto sacrococcigeo; 04.01.02.011-8 Homoenxertia (ato cirúrgico pré e pós-operatório); 04.01.02.012-6 Tratamento cirúrgico de escalpo parcial; 04.01.02.013-4 Tratamento cirúrgico de escalpo total; 04.01.02.014-2 Tratamento cirúrgico de hiperceratose plantar (c/correção plástica); 04.01.02.016-9 Tratamento em estádios subsequentes de enxertia; 04.04.02.067-4 Reconstrução parcial do lábio traumatizado; 04.04.02.077-1 Ressecção de lesão da boca; 04.05.01.001-0 Correção cirúrgica de entrópio e ectrópio; 04.05.01.007-9 Exerese de calázio e outras pequenas lesões da pálpebra e supercílios; 04.09.04.006-1 Exerese de cisto de bolsa escrotal; 04.13.01.001-5 Atendimento de urgência em médio e grande queimado; 04.13.01.005-8 Curativo em pequeno queimado; 04.13.01.007-4 Tratamento de intercorrência em paciente médio e grande queimado; 04.13.01.008-2 Tratamento de médio queimado; 04.13.04.002-0 Correção de retração cicatricial vários estádios; 04.13.04.004-6 Dermolipectomia abdominal não estética (plástica abdominal); 04.13.04.009-7 Preparo de retalho; 04.13.04.010-0 Preparo de tubo pediculado; 04.13.04.017-8 Tratamento cirúrgico de lesões extensas c/perda de substância cutânea; 04.13.04.023-2 Tratamento cirúrgico não estético da orelha; 04.15.04.002-7 Debridamento de fasciíte necrotizante; 04.17.01.005-2 Anestesia regional; e 04.17.01.006-0 Sedação.

Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 25


PIAUÍ Em maio, a Regional recebeu dois importantes especialistas: Nilton di Chiacchio (foto acima), para ministrar curso teórico-prático de onicopatias, e Flavio Luz, (foto ao lado) para comandar o curso teórico-prático de microagulhamento. Os cursos contaram com participação expressiva de especialistas.

FLUMINENSE O HPV foi tema central da Reunião Mensal da Regional Fluminense, ocorrida no dia 14 de julho, no tradicional Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). O encontro contou com a participação especial do dermatologista José Augusto Nery.

RIO DE JANEIRO O 9o DermaRio, que ocorrerá nos dias 17 e 18 de agosto no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, contemplará um módulo com visão ampliada da dermatologia, reunindo especialistas de outras áreas na mesa-redonda ‘Interfaces da dermatologia: casos clínicos com abordagem multidisciplinar’. O objetivo é debater as variadas expressões de determinadas enfermidades que podem ser detectadas por meio da pele. O encontro será no último dia do evento, no bloco 3, das 10h30 às 11h20, e contará com três convidadas: Monica Travassos (mastologista), Claudia Burlá (geriatra), Lilian Scheinkman (psiquiatra). Após a apresentação das especialistas, a mesa será aberta para debate com a plateia.

“Nós (dermatologistas) não temos muito contato no dia a dia com outras especialidades que têm interface com a nossa especialização. O módulo será importante porque serão apresentados casos em que dois ou mais especialistas de distintas áreas encontraram uma solução em conjunto ou casos em que um dermatologista enviou ou recebeu de outro profissional um paciente complexo. O objetivo do módulo é fazer um painel de discussão entre as especialidades a fim de achar um ponto em comum com a dermatologia”, disse Regina Schechtman, da Comissão Científica. Para inscrições acesse o site oficial do encontro: www.dermario.com.br.

SÃO PAULO A 1a RDP – Simpósio de Cabelos e Unhas e o Dermagistral foram os eventos realizados pela Regional no primeiro semestre e que ganharam destaque na área da dermatologia. Assim como a 2a RDP – TeraSampa, realizada nos dias 8 e 9 de junho, reunindo nomes im-

portantes da dermatologia e apresentando temas atuais e o melhor da dinâmica do tradicional Teraderm da SBD Nacional. A relação completa dos demais eventos do ano está disponível no site da SBD-Resp; acesse e confira: www. sbd-sp.org.br.

PARÁ Em 23 de junho, a SBD-PA realizou reunião extraordinária sobre o “MDT-U” para tratamento da hanseníase com a participação de inúmeros dermatologistas. Na ocasião, ilustres colegas compartilharam suas opiniões sobre o tema, como o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, o presidente da SBH, Cláudio Salgado, e o pesquisador da Fiocruz na área de hanseníase, Gerson Penna. Segundo a dermatologista Clivia Carneiro, da Diretoria da Regional, “a reunião foi esclarecedora, objetiva e científica; lucraram todos os presentes pela oportunidade ímpar de trocas de informações e excelente aprendizado”, informa. 26 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018

Drs. Ubirajara Salgado, Cláudio Salgado, Apolônio Nascimento, Clivia Carneiro, Sérgio Palma, Regina Carneiro, Walter Loureiro, Rossana Veiga, Gerson Penna e Vera Palácios


SERVIÇOS CREDENCIADOS UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES) Na foto estão os residentes e preceptores (Paulo Sérgio Emerich Nogueira, Karla Spelta, Maria Helena Sandoval) da Ufes e a professora Lucia Martins Diniz, do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Espírito Santo, durante a XXXI Jornada Capixaba de Dermatologia, ocorrida nos dias 18 e 19 de maio. INSTITUTO LAURO DE SOUZA LIMA (ILSL) O Serviço de Dermatologia do Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL) realizou no dia 11 de maio a Jornada de Fotografia Dermatológica. O evento contou com a participação de médicos residentes, dermatologistas, profissionais de Bauru e região e teve como palestrante a fotógrafa do Departamento de Dermatologia da Unesp de Botucatu (SP), Eliete Correia Soares. Na foto, Jaison Antonio Barreto, coordenador do evento ao lado da palestrante.

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO JULIO MULLER - CUIABÁ No dia 14 de abril, a SBD-MT realizou sua reunião cientÍfica com presença dos residentes do Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Julio Muller em Cuiabá

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES (UMC) No dia 22 de maio, o Serviço de Dermatologia da Universidade de Mogi das Cruzes realizou sua Reunião Científica, com participação dos residentes de primeiro ano do grupo Unicinco (Complexo Hospitalar Heliópolis; Faculdade de Medicina de Jundiaí; Instituto Lauro Souza Lima de Bauru; Centro Universitário Lusíada/Santos; Universidade de Mogi das Cruzes). No encontro, que contou com a participação das médicas Aline Okita e Cassia Bossi, foram discutidos temas importantes do dia a dia do dermatologista, tratamento especiais para psoríase, como biológicos e microinfusão de medicamentos na unha psoriática, e interpretação do exame fator antinúcleo. SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CURITIBA O Serviço de Dermatologia do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Curitiba realizou dois importantes encontros nos meses de abril e maio. O Curso de Cirurgia Dermatológica − Procedimentos de Consultório, sob a coordenação de José Roberto Toshio Shibue e Gerson Dellatorre,

ocorreu no dia 6 de abril e contou com a participação dos palestrantes Hamilton Stolf (SP) e Lauro Lourival Lopes Filho (PI). No dia 4 de maio, promoveu o Curso de Criocirurgia, que teve como convidada a Profa. Cristina Marta Maria Laczynski (SP). Participaram médicos residentes e preceptores do Serviço.

Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018 27


SERVIÇOS CREDENCIADOS SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO O Serviço de Dermatologia do Instituto Rubem David Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro é um dos poucos Serviços do país que ministram curso de pós-graduação em laser. Sob a coordenação de Alexandre Filippo, o curso tem duração de nove meses (com aulas duas vezes por semana, meio período) e para sua conclusão o médico deve publicar um trabalho científico sobre algum tema que tenha estudado ao longo do curso. “Ministramos aulas práticas e teóricas, com ensinamentos que vão desde o nível básico ao avançado, e sempre trabalhando com diferentes tecnologias. Nessa época de grande concorrência com outras profissões e especialidades, o aprendizado em tecnologia diferencia o dermatologista no mercado de trabalho”, explica.

O curso é voltado apenas para dermatologistas. Muitos deles já saem empregados em clínicas dermatológicas. Para mais detalhes, acesse: www.santacasadermatoazulay.com.br/pos-graduacao-em-laser.

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ No dia 19 de maio, o Serviço de Dermatologia da Universidade de Taubaté realizou a quinta edição de Dermatologia nas Alturas, em Campos do Jordão, com a participação de 60 dermatologistas do estado de São Paulo. O encontro científico, promovido em parceria com o Prof. Nelson Proença, congrega os Serviços de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo, da Universidade de Taubaté e da Santa Casa de São José dos Campos. O tema em discussão deste ano focalizou as psicodermatoses. O Prof. Nelson Proença apresentou um novo esboço de classificação desse grupo de doenças, e os professores convidados da Unitau, Samuel Henrique Mandelbaum, Flávia Regina Ferreira e Fátima Rabay, além de Taís Proença, da Santa Casa de São Paulo, comentaram os casos apresentados. A atração especial foi o Prof. Benjamin Golcman, cirurgião plástico e introdutor da cirurgia dermatológica no Serviço de Dermatologia do HC da FMUSP, que apresentou sua vasta experiência no tratamento cirúrgico dos nevos congênitos gigantes. A

Da esq para a dir: Profs. Nelson Proença, Fátima Rabay, Samuel Mandelbaum e Flávia Ferreira junto aos residentes e assistentes

dermatologia de Taubaté convida todos para a 153a Jornada Dermatológica Paulista, que será realizada nos dias 9 e 10 de novembro, em Taubaté, em comemoração dos 20 anos do Serviço de Dermatologia e dos 35 anos da disciplina

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS O Serviço de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia de São José dos Campos comunica a aprovação das duas primeiras médicas aperfeiçoandas no Exame do TED: Iara Resende e Patricia Lazzari. “Completamos dois anos de fundação com essa notícia mais do que especial. Parabéns às doutoras Iara e Patrícia pela conquista e a todos os médicos e preceptores do Serviço”, comemora o chefe de Serviço, Samuel Mandelbaum. Na foto, Samuel Henrique Mandelbaum depois da entrega às doutoras Iara Resende (esq.) e Patricia Lazzari (dir.) seus certificados de conclusão do curso. 28 Jornal da SBD Volume 22 - N. 3 - maio-junho de 2018


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Jornal da SBD – N˚3 MAIO / JUNHO DE 2018 by Sociedade Brasileira de Dermatologia - Issuu