Skip to main content

Jornal da SBD - Nº 5 Setembro / Outubro 2009

Page 1

Editorial Afiliada à Associação Médica Brasileira

www.sbd.org.br

Diretoria 2009-2010 Presidente - Omar Lupi - RJ Vice-presidente - Bogdana Victória Kadunc - SP Secretária-geral - Maria de Lourdes Viegas - RJ Tesoureira - Maria Fernanda Gavazzoni - RJ 1a secretária - Célia Luiza P. Vitello Kalil - RS 2o secretário - Emerson de Andrade Lima - PE

Jornal da SBD Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida a seus associados e órgãos de imprensa. Publicação bimestral - Ano XIII - n. 5 - setembro-outubro - 2009 Coordenador médico - Paulo R. Cunha Conselho editorial - Omar Lupi, Bogdana Victória Kadunc, Maria Fernanda Gavazzoni, Célia Kalil e Emerson de A. Lima Coordenação editorial - Approach Edição - Tatiana Gentil - Reg. MT n. 22.375 Redação - Erika Drumond Editoração eletrônica - Nazareno N. de Souza Versão On-lin - Samuel Peixoto Contato publicitário - Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/17o andar - Centro - Rio de Janeiro – RJ CEP: 20090-003 E-mail: imprensa@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 100,00 Número avulso: R$ 20,00 Tiragem: 7.000 exemplares Impressão: Sol Gráfica

Sumário

02 03 04 07 13 14 17 21 22 26 29 30 32 37 38 39 40

O Congresso da SBD realizado em setembro em Belém, no Pará, foi um grande sucesso, tanto no aspecto científico quanto no de número de participantes. Com a experiência adquirida nos 64 congressos já realizados, temos aprendido muito sobre a organização desses eventos, de modo que, num futuro próximo, certamente a SBD será capaz de organizar, ela própria, seu congresso anual. Isso traria muitas vantagens administrativas e econômicas, resultando em mais recursos financeiros e, logo, em maiores verbas para os diferentes projetos da SBD. Em última análise, essa economia deverá reverter em mais serviços de qualidade para todos os membros e, consequentemente, na evolução da dermatologia brasileira. Como parte do programa de ações de responsabilidade social do Congresso, a SBD patrocinou atividades voltadas para pescadores de áreas ribeirinhas do Pará. Na oportunidade foram dadas orientações com palestras e distribuição de material educativo informando como se prevenir e cuidar de lesões causadas por animais aquáProf. Dr. Paulo R. Cunha ticos da região.Trata-se de outra ação que contribui para ampliar as atividades da SBD e aproximar dermatologistas e população.Veja a matéria completa na página 22. Após muitas discussões em assembleia, foi finalmente aprovado o novo estatuto da SBD. As reformas introduzidas são o resultado de longo período de “gestação” e do excelente trabalho desenvolvido pela comissão designada para esse fim. Sabemos que não há estatuto perfeito ou imutável, porém, o que foi aprovado em Belém permitirá evoluirmos ainda mais no desenvolvimento da vida democrática de nossa Sociedade. Confira no site da SBD o texto do estatuto aprovado. Como sabemos, já estava estabelecido que o Congresso da SBD de 2010 acontecerá no Rio de Janeiro, e o de 2011, em Florianópolis. A novidade, anunciada em Belém, é que, em 2012, novamente o Rio será a sede do congresso brasileiro. A decisão se justifica pelas comemorações do centenário da entidade, fundada na Cidade Maravilhosa em 1912, por iniciativa de dez dermatologistas. Foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da SBD, durante o Congresso de Belém, a candidatura das doutoras Bogdana Victória Kadunc para presidente da SBD, e Sarita Martins como vice-presidente para o biênio 2011/2012. A eleição ocorrerá no início de 2010. Para descontrair, leia a entrevista “Fafá falando de Belém”, que a cantora nos concedeu logo após o memorável show de abertura do Congresso. Deixando a bela Belém, partimos para os assuntos internacionais: as ações de relações internacionais da SBD têm-se desenvolvido com sucesso. O simpósio de Dermatologia Tropical da SBD no Congresso da EADV-Berlim 2009 foi uma demonstração de que alianças e colaborações internacionais resultam em grandes benefícios para ambos os lados. As palestras apresentadas por 13 professores brasileiros mostraram de forma clara a posição de destaque que o Brasil ocupa no domínio das dermatoses tropicais. O evento permitiu que dermatologistas de diversas partes do mundo pudessem aprofundar seus conhecimentos nessa área. Leia as notícias e novidades do simpósio na página 32. Completando as boas notícias internacionais, fato inédito e de grande repercussão no campo de intercâmbio internacional foi a parceria da SBD com o Laboratório RoC, que já disponibilizou três bolsas de aprimoramento para residentes brasileiros em grandes centros dos Estados Unidos e Europa. Em 2010, há expectativa de que outras 15 bolsas sejam oferecidas nas mesmas condições. Aguarde e prepare-se.Veja essa matéria na página 14. Por meio de premiação de trabalhos, julgados pelas professoras Regina Casz Schechtman e Maria Fernanda Gavazzoni, duas dermatologistas receberão bolsas no valor de 2.500 dólares e inscrição para participar do Congresso da AAD em Miami em 2011. Com essa visão globalizada da atual diretoria, cumprimos um dos grandes objetivos da SBD: a troca de experiências com colegas de outras sociedades e de outros países e, por conseguinte, a expansão de nossos horizontes. Mostrando força, organização e inovação, a SBD traz em 2009 uma novidade na Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele: um caminhão adaptado para consultório vai percorrer o país de norte a sul oferecendo atendimento gratuito à população. Leia o texto na página 18. Não posso deixar de comentar a descontraída conversa que tive com o professor Olivier Chosidow. Durante a entrevista ele nos explica a situação atual da dermatologia na França. Confira na coluna “De Olho no Mundo”. Por fim, agradeço, em nome de toda a equipe do JSBD, os comentários positivos referentes às matérias que vêm sendo publicadas e as várias solicitações para que o jornal, cada vez mais, seja o órgão de divulgação dos assuntos relevantes e de interesse dos associados da SBD. Durante a reunião do Conselho Deliberativo, pudemos constatar mais uma vez o valor e a importância do nosso Jornal. Isso nos motiva e nos estimula a trabalhar com ainda mais afinco. Boa leitura.

Palavra do Presidente Direto de Paris: Ana Beatris Rossi De Olho no Mundo Congresso da SBD Prêmio Fide Projeto Residentes Ombudsman Questão de Pele Dermação Campanha Nacional de Psoríase Nova diretoria CFM Profissões e Dermatoses Ocupacionais Congresso EADV Grandes Mulheres da Humanidade Departamentos Regionais Serviços Credenciados

Capa alternativa

Sociedade Brasileira de Dermatologia

Paulo R. Cunha - Coordenador médico do Jornal da SBD

Matéria de capa Na estrada com o Tour da prevenção

20 Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

1


Palavra do Presidente

Caro dermatologista,

É

hora de colocarmos o pé na estrada. O Tour de Prevenção ao Câncer da Pele será lançado oficialmente em poucos dias.Teremos a oportunidade de cortar o Brasil de norte a sul, literalmente. Vamos passar do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, levando nossa Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele a um patamar nunca antes alcançado. A ocasião não poderia ser melhor: o filme Bye bye Brasil, dirigido por Cacá Diégues está fazendo 30 anos em 2009. Para melhor expressar esse momento tão sublime, tomo emprestado os belos versos de Chico Buarque e Roberto Menescal, Oi, coração Não dá pra falar muito não Espera passar o avião Assim que o inverno passar Eu acho que vou te buscar... Tomei a costeira em Belém do Pará Puseram uma usina no mar Talvez fique ruim pra pescar Meu amor...

O Congresso Brasileiro ocorreu em Belém do Pará, terra generosa e próspera. A reunião do Conselho Deliberativo da SBD teve formato inovador. Reestruturada e organizada por bancadas estaduais, contou com votação eletrônica para agilizar as deliberações. Fizemos uma reunião extremamente proveitosa e eficaz, resguardando os interes- ses dos associados da SBD e da dermatologia brasileira. No Tocantins O chefe dos parintintins Vidrou na minha calça Lee Eu vi uns patins pra você Eu vi um Brasil na tevê Capaz de cair um toró Estou me sentindo tão só...

A SBD está chegando oficialmente a Tocantins e Rondônia, onde fundaremos, ainda este ano, duas novas regionais de nossa Sociedade. Palmas e Rio Branco serão as sedes das regionais

2 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

SBD-TO e SBD-RO e receberão equipamento básico de que necessitam para nos representar. Hoje levantamos a bandeira de “uma regional para cada estado da federação” até o centenário da SBD, que será comemorado em 2012. No Tabariz O som é que nem os Bee Gees Dancei com uma dona infeliz Que tem um tufão nos quadris Tem um japonês trás de mim Eu vou dar um pulo em Manaus Aqui tá quarenta e dois graus... Pintou uma chance legal Um lance lá na capital Nem tem que ter ginasial Meu amor...

A recém-terminada eleição do CFM e a posse da nova diretoria em Brasília, com candidatos apoiados de forma organizada e efetiva pela SBD, já dão os primeiros frutos. Essa ação, coordenada pela diretoria nacional e com apoio de todos os presidentes de regionais do Brasil, é fato histórico para nossa Sociedade e sinaliza o caminho político a ser adotado pela SBD no futuro. Baby, bye bye Abraços na mãe e no pai Eu acho que vou desligar As fichas já vão terminar... Bye bye, Brasil A última ficha caiu Eu penso em vocês night and day Explica que tá tudo okay Eu vi um Brasil na tevê...

Estamos prontos para certificar nossa Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele pelo Guiness Book, como maior campanha de atendimento médico do mundo, realizada em um único dia. As providências estão sendo tomadas, com a ampliação do horário de atendimento e com a certificação de cada um das centenas de postos de atendimento em todo o Brasil. Queremos muito comemorar essa outra conquista. Aquela aquarela mudou Na estrada peguei uma cor... Eu tenho tesão é no mar Assim que o inverno passar Bateu uma saudade de ti Tô a fim de encarar um siri Com a benção de Nosso Senhor O sol nunca mais vai se pôr...

Omar Lupi Presidente da SBD


Direto de Paris Por Ana Beatris Rossi

Diferença entre cosméticos e medicamentos Com o surgimento dos “cosmecêuticos” e o desenvolvimento de life-style drugs, as diferenças entre cosméticos e medicamentos parecem cada vez menores. Entretanto, do ponto de vista legal e científico elas são evidentes: Legislação: A indústria cosmética tem responsabilidade legal de produzir produtos seguros nas condições normais de uso. As exigências variam entre países e regiões. Na Europa, não existe obrigação de realizar testes de segurança. O atestado de um expert, em geral toxicologista, é o suficiente. Os estudos clínicos de eficácia não configuram exigência legal e não existem guidelines com o mínimo necessário (exceto para filtros solares, que precisam demonstrar o índice de proteção UVB e UVA). Não há registro de dossiê de eficácia para produtos cosméticos, e só em caso de intimação (em geral, por intermédio de orgãos de publicidade, e não pelas autoridades sanitárias), a indústria deve mostrar a evidência para justificar sua reivindicação publicitária. Se a evidência não for suficiente, a publicidade é retirada ou ganha um ‘asterisco’: recentemente, na Inglaterra, um produto antienvelhecimento ganhou um asterisco que remete à informação, em letras mínimas: “este produto não demonstrou redução de rugas”. Tipos de estudo: Os medicamentos devem cumprir exigências precisas para demonstrar eficácia e segurança, seguindo guidelines fiéis e incluindo estudos em animais e clínicos randomizados duplo cego e controlados. Para a indústria cosmética são indispensáveis tanto a pesquisa de mercado, para conhecer as aspirações e os desejos dos consumidores, quanto os estudos de percepção de consumidores (preferência e aceitação da formulação) – junto com estudos in vitro, muitas vezes são o suporte de declarações de eficácia. Com a concorrência acirrada e o consumidor cada vez mais exigente, que procura o aval do dermatologista, a indústria cosmética busca nesse especialista um tipo de caução científica e oferece cada vez mais resultados de estudos clínicos. Seguem alguns pontos que ajudarão a definir a qualidade de um estudo clínico de cosméticos: Desenho do estudo: Idealmente randomizado controlado e duplo cego. O controle é indispensável para quantificar o benefício do produto. Não precisa ser necessariamente o veículo, mas deve ser uma formulação do mesmo tipo, como creme, gel, loção, ou idealmente um produto conhecido que seja comercializado. Nada justifica que o paciente

pague dez vezes mais por um benefício que poderia obter com um simples emoliente. Amostra da população: O número de voluntários é suficiente? Houve um cálculo de tamanho amostral? Qual a hipótese estatística? Quais as características da população em que o produto foi testado? Investigador: Idealmente independente e cego. O ideal é ter mais de um avaliador. Resultados: Os resultados apresentados são os melhores ou considerados na média? Quais são a variabilidade e o desvio-padrão? Muitas vezes, mais de 20 variáveis são avaliadas, embora só as que apresentam resultado positivo sejam divulgadas. Peça os dados de todas as variáveis relativas ao produto e ao controle em cada tempo avaliado. Métodos e relevância clínica: Um estudo baseado apenas em observação subjetiva é pouco convincente. Por outro lado, com o uso de métodos de avaliação não invasivos cada vez mais sensíveis, as diferenças que são detectadas e estatisticamente significativas não têm relevância clínica. Se você não for íntimo do método, peça um estudo de correlação com método conhecido (por exemplo, a biópsia). Se vários métodos foram utilizados, verifique se os resultados com os diferentes métodos são consistentes. Aprovação de um comitê de ética e/ou revista indexada: A aprovação de um comitê de ética, assim como de revista indexada, mostra revisão de protocolo e dados fornecidos por um comitê científico. Conclusão: Como não existe legislação regulamentadora para estudos de eficácia de cosméticos, a melhora da qualidade dos estudos clínicos realizados pela indústria depende do nível de exigência dos médicos. Ana Beatris Rossi é dermatologista formada pela Unicamp, com título de especialista pela SBD e mestrado em clínica médica. Ocupa hoje a posição de diretora médica mundial de pesquisa e desenvolvimento na divisão de produtos de prescrição dermatológicos e dermatologia estética do grupo Johnson & Johnson, em Paris, França. É membro da Academia Americana de Dermatologia (AAD) desde 1998 e da Academia Europeia de Dermatologia (EADV) desde 2000.

Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

3


População:

DE OLHO NO MUNDO

64,4 milhões de pessoas

Moeda:

euro

Idioma:

francês

Dermatologista:

3.500

De 21 de abril a 15 de novembro, o país celebrou o Ano da França no Brasil. O evento marcou a proximidade cultural e o forte relacionamento das duas nações. Na dermatologia, a relação entre as sociedades brasileira e francesa também é marcada por respeito e cordialidade mútuos. Aproveitamos este grande momento para entrevistar o dermatologista francês Olivier Chosidow, um dos experts da especialidade naquele país. Membro da Sociedade Francesa de Dermatologia – tendo atuado como secretário-geral de 2002 a 2006 – e vice-presidente do Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia, em 2008, em Paris, Chosidow tem como áreas de interesse as doenças infecciosas e inflamatórias, a terapêutica dermatológica e a medicina baseada em evidências. Publicou cerca de 220 artigos disponíveis na base de dados Pubmed. É professor de dermatologia da Université de Paris 6, da Escola Médica Pierre et Marie Curie e do Hôpital Tenon.Acompanhe a entrevista que ele concedeu ao Dr. Paulo Cunha durante o 64o Congresso de Dermatologia, em Belém, para o Jornal da SBD.7

Paulo Cunha: Por favor, fale-me brevemente sobre sua carreira, onde o senhor trabalha, qual é seu cargo atual. Olivier Chosidow: Meu cargo mais recente é de chefe do Departamento de Dermatologia em Créteil, que é muito famoso pelo tratamento dermatológico. Tenho 53 anos e estou envolvido na área de doenças infecciosas da pele e medicina baseada em evidências, realizando estudos clínicos. Há uma lista de estudos... Sou membro da Sociedade Francesa de Dermatologia, da Academia Europeia de Dermatologia e do quadro do Blue Journal, e desde o início de setembro sou assistente e editor da seção de medicina baseada em evidências do Archives of Dermatology. PC: Fale-me de algum estudo que tenha publicado nos últimos anos. OC: É bastante difícil selecionar – eu publiquei alguns artigos originais, mas, em 2006 fiquei bastante orgulhoso pela publicação de uma revisão de práticas clínicas no New England Journal of Medicine sobre escabiose. PC: Como é a formação de jovens médicos na área de dermatologia na França? OC: Todos os médicos recém-formados devem passar por um exame. Mas para ser dermatologista, deve-se fazer residência em dermatologia, pois as vagas são bastante disputadas...

Dermatologia na

França 4 Jornal da SBD Ano XIII n. 5


Entrevista com Olivier Chosidow PC: Quantos dermatologistas a França forma anualmente? OC: Não há mais de 100 novos dermatologistas por ano. PC: Quantos centros oferecem residência na França? OC: Há vários... Paris, Bordeaux, Marselha, Lyon, no total creio que cerca de 20. Mas só os melhores alunos podem escolher a dermatologia.Temos em geral alunos brilhantes – todos têm a formação básica em medicina geral, depois devem realizar pelo menos quatro semestres em dermatologia. Feito isso, passam por um exame, em geral a apresentação de um estudo publicado e então estão prontos para atuar na área. PC: O senhor sabe quantos dermatologistas há na França? OC: Aproximadamente 3.500 dermatologistas. PC: Com relação às condições de trabalho... Os dermatologistas franceses trabalham em consultório privado ou serviço público? OC: Vamos começar com o serviço público: é claro que é difícil, pois não há muitas vagas. Em consultório particular, não é muito difícil, mas há muita pressão sobre o dermatologista, e, infelizmente, para ganhar dinheiro, alguns têm que fazer mais dermatologia cosmética do que clínica.

Por Paulo Cunha Porém, devo dizer que a maioria dos dermatologistas franceses tem conseguido bom equilíbrio entre dermatologia estética e clínica. Mas poucos fazem apenas dermatologia clínica. Há alguns em clínica privada que também trabalham em hospitais. Na França, diferentemente do Brasil, eu sou professor de dermatologia em tempo integral, não tenho consultório privado. Eu poderia trabalhar em clínica privada uma vez por semana, mas decidi não fazê-lo. PC: O senhor trabalha em Paris, certo? OC: Sou professor da Universidade de Paris 6, mas estou me mudando para a Universidade de Créteil, que é Paris 12. Os cargos da academia se dividem pelas diferentes universidades: Paris 4, Paris 5, Paris 6 etc. PC: Este ano comemora-se o ano da França no Brasil. Esta é sua primeira visita ao Brasil? Quais são suas impressões? OC: Vou lhe contar um segredo: a primeira vez que vim ao Brasil foi para Salvador, Bahia e Itaparica, em dezembro de 2008. Coincidiu com a primeira vez que o presidente Nicolas Sarkozy veio ao Brasil. Fui novamente convidado, decidi vir, e cá está o Sarkozy novamente! PC: Ambos famosos e muito importantes! Muito obrigado por sua entrevista.

Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

5


Notas Prêmio Jabuti

JAAD

Dois livros escritos por dermatologistas ficaram entre os dez finalistas da 51a edição do Prêmio Jabuti na categoria de Ciências Naturais e Ciências da Saúde. Editado pela Atheneu, a obra Fundamentos de dermatologia, de Márcia Ramos-e-Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro, conquistou o primeiro lugar do concurso. O livro Animais Aquáticos potencialmente perigosos do Brasil – guia médico e biológico, de Vidal Haddad Jr., também colaborador de Fundamentos de dermatologia, esteve entre os finalistas. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, este ano o Jabuti recebeu 2.573 obras, 20% mais do que em 2008.

O artigo "Tropical dermatology: Marine and aquatic dermatology", de autoria de Vidal Haddad (SP) e Omar Lupi (RJ) em parceria com autores do Chile e dos Estados Unidos, é a capa de novembro do Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD). O texto selecionado fala sobre as lesões cutâneas após exposição a ambientes marinhos, incluindo infecções bacterianas e fúngicas, e lesões causadas por plantas aquáticas.

Congresso da Sociedade Europeia de Dermatologia e Psiquiatria O 13o Congresso da Sociedade Europeia de Dermatologia e Psiquiatria (ESDaP) ocorreu em Veneza, Itália, entre os dias 17 e 22 de setembro. Estiveram presentes no evento as doutoras Luciana Conrado (SP), Márcia Senra (RJ) e Andréa Fetter (MT), esta última especialista em psiquiatria e que está concluindo sua residência em dermatologia. Especialistas nas disciplinas de dermatologia, psicologia e psiquiatria tiveram a oportunidade de apresentar seus trabalhos sobre a conexão pele e psique. O Congresso incluiu sessões plenárias, workshops, apresentações de resultados de pesquisas, além de tópicos clínicos e científicos relevantes para os psicodermatologistas, como dermatopsiquiatria, psoríase e outras condições crônicas; significado das doenças cutâneas; condutas com o "paciente dificil", entre outros. O próximo Congresso será em 2011, em Zaragoza, Espanha.

ser médico com a ciência aprimorada e que o segredo do tratamento de um paciente é o cuidado a ele proporcionando”, afirma o Dr. João. No total, 293 docentes receberam títulos de mestre, doutor, livre-docente e professor emérito. Destes, apenas oito profissionais receberam o título de Professor Emérito, que é o reconhecimento maior da Famerp à formação de profissionais humanizados, preparados e conceituados.Atualmente, a Famerp ocupa o terceiro lugar no ranking efetuado pelo Inep/MEC.

Professor emérito O presidente da SBD-Resp, João Roberto Antonio, recebeu no dia 16 de outubro o título de Professor Emérito da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). A cerimônia de titulação ocorreu naquela cidade do interior paulista, que é referência médica no país em diversas especialidades. “Sinto-me privilegiado em ser médico e professor. Aprendi nos 45 anos de trabalho ininterruptos, que a melhor cura é aquela que une a arte de

Feridas e curativos Foi lançado em outubro a primeira edição do livro Curativos, estomias e dermatologia: uma abordagem multiprofissional, organizado pelo dermatologista Cristiano Tárzia Kakihara e o enfermeiro William Malagutti. A obra, editada pela Martinari, conta com a participação dos dermatologistas Bogdana Kadunc, Maria da Gloria Martin Sasseron e outros, além de especialistas renomados de diversas áreas e países.

Notas de falecimento É com grande pesar que anunciamos o falecimento dos dermatologistas Antônio de Souza Marques, em 24 de julho, na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, e de Alexis Lima Leão, no dia 26 de abril, no Rio de Janeiro. O Professor Marques, como era conhecido, nasceu no Rio de Janeiro e foi referência em dermatopatologia no Brasil, tendo deixado vários discípulos. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), livre-docente em medicina, com várias atividades acadêmicas, ele trabalhou no Hospital Central do Iaserj como assistente do Serviço de Anatomia Patológica e consultor do Serviço de Dermatologia. Teve formação médica na Mayo

6 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

Clinic e no The Skin and Cancer Hospital of Philadelphia. Membro de várias sociedades científicas no Brasil e no exterior, deixa uma lacuna no seio da família dermatológica, que se encontra enlutada. O Dr. Alexis Lima Leão, natural de Alagoas, ex-sócio efetivo da SBD, concluiu sua formação no Serviço de Dermatologia do Hospital Central do Iaserj, onde cumpriu a residência médica e continuou como médico assistente. Foi ainda médico da Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro e ocupou cargo no Sindicato dos Médicos.


64o Congresso da SBD dá lição de organização e modernidade Belém, PA cumpre com louvor a missão de sediar o maior evento de dermatologia do país

A

s avenidas Dr. Freitas e Brigadeiro Protázio Lopes, em Belém, capital do Pará, estiveram apinhadas de dermatologistas entre os dias 5 e 9 de setembro para o 64o Congresso da SBD. Mais de 2.100 especialistas participaram da programação científica, que incluiu 66 simpósios, 20 sessões “Tire Suas Dúvidas com os Departamentos”, 14 conferências, 24 “Temas em foco”, entre outras atividades. Em área de 3.200 metros quadrados, o moderníssimo Centro de Feiras e Convenções da Amazônia Hangar foi palco de um show de organização e de infraestrutura, com tecnologia de ponta em clima de total cordialidade promovido pela comissão organizadora do evento. “O que se viu concretizar foi o melhor cenário e que ainda ultrapassou seus limites. Não ouvi de ninguém qualquer tipo de reclamação ou desinteresse pelo evento. Ao contrário, recebi muitos elogios e quero compartilhá-los com todas as equipes que nos ajudaram, com a SBD e, em especial, com todo o povo do Pará. Essa é uma vitória nossa, é uma vitória da dermatologia”, afirma Mario Miranda, presidente do 64o Congresso. Além de Belém – que sediou pela terceira vez o Congresso da SBD –, com 249 dermatologistas inscritos, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro foram os que mais levaram seus dermatologistas, 578 e 369, respectivamente. Minas Gerais ficou logo em seguida, com 160 participantes. Para Bernardo Gontijo, da Comissão Científica do Título de Especialista em Dermatologia, o Hangar foi um diferencial do evento. “O ponto alto do Congresso é, sem dúvida, o Centro de Convenções. Não conheço nenhum outro tão eficiente e tão bem planejado como este. Uma das queixas dos congressos anteriores era que havia muitas áreas de exposição tumultuadas; aqui temos uma área de exposição ampla”, opina. A programação científica também atraiu grande número de pessoas. Um exemplo foi a sessão “Tire Suas Dúvidas” sobre cosmiatria dermatológica, que teve sala lotada. A sessão “Dermatologia de baixo custo”, coordenada por Ival Peres Rosa e Marcus Antonio Maia, também teve muita procura. A vice-presidente da SBD, Bogdana Kadunc, a primeira palestrante, falou sobre o uso

de enxerto de gordura para preenchimento como opção de baixo custo. Entre os conferencistas e coordenadores de mesa estavam 893 especialistas nacionais e sete estrangeiros. Como destaques do exterior, estiveram presentes o professor de dermatologia e patologia Omar Sangüeza, diretor de dermatopatologia da Wake Forest University School of Medicine,Winston-Salem, nos Estados Unidos, e o professor de dermatologia da Université de Paris 6, Escola Médica Pierre et Marie, Hôpital Tenon, Olivier Chosidow, entrevistado da coluna “De Olho no Mundo”.“Quando planejamos um evento, consideramos vários cenários futuros e a possibilidade de fracasso, ainda que parcial. Em nenhum momento considerei isso, até porque eu contava com uma equipe coesa e comprometida com a execução desse projeto. Superamos todas as Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

7


dificuldades com muito esforço, com a ajuda de todos os colegas da SBD, das entidades que nos apoiaram e nos financiaram apesar do período de grande dificuldade financeira internacional. Passamos pelo olho do furacão”, diagnostica Miranda. O evento também foi pautado pela responsabilidade ambiental. Um painel de 30 mil garrafas pet compradas de cooperativas de catadores decorou a secretaria do Congresso. O material, que teria o lixo como destino certo, teve o reaproveitamento adequado no evento. Os participantes do Congresso também receberam bolsas feitas de garrafas pet e pastas em couro ecológico. Além disso, as mesas que apoiavam os computadores foram feitas com tubos de creme dental. Todo o trabalho foi realizado em parceria com a ONG Noolhar.

Reunião do Conselho Deliberativo inova com a implementação de voto eletrônico A reunião do Conselho Deliberativo mostrou-se bem dinâmica e com recursos mais modernos. A utilização do voto eletrônico foi uma das modificações estabelecidas em 2009 e mais comentadas pelos quase 100 associados que acompanharam a reunião ao longo de todo o dia 4 de setembro. A mudança, por todos observada e apontada como positiva, garantiu eficiência tanto na contagem de votos quanto na rapidez da apuração. “Considero esta a melhor reunião do conselho nos últimos 20 anos. A mais organizada e civilizada, permitindo que as pessoas tivessem mais oportunidade de expor suas ideias sem limitação da quantidade de ouvintes.

Fafá fala de Belém

Luiz Roberto Terzian, Paulo Cunha e esposa, Andréia Mateus, Fafá de Belém e Omar Lupi

8 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

O que se observava nos últimos anos é que, à medida que o dia avançava, o número de conselheiros ia caindo, e nos Assuntos Gerais, geralmente discutidos em torno das 18h, havia três ou quatro pessoas dentro da sala”, comenta Pedro Trindade Neto. Na opinião de Arthur Antonio Duarte, o modelo da reunião agradou, e, caso se mantenha desse jeito daqui para a frente, quem tem a ganhar são os associados. “A reunião teve um modelo diferente; eu, que participo há mais de duas décadas, acho que foi uma reunião extremamente produtiva, bem organizada, em formato perfeito e muito bem conduzida também”. Para manter a ordem e reduzir a dispersão, as bancadas foram organizadas com os nomes em ordem alfabética por regionais. Todos os delegados de cada estado estiveram juntos, o que permitiu que discutissem com mais profundidade as questões das regionais e facilitou o quórum para as decisões deliberativas.

Deliberações aprovadas Os conselheiros presentes aprovaram todos os relatórios encaminhados pelas comissões e diretoria. Foram definidos como sócios honorários Carlos Fernando Gatti, da Argentina, e Luiz Salazar Gomes, da Espanha. Quase 85% dos aprovados para a obtenção do Título de Especialista eram oriundos dos ser viços credenciados da SBD. A assembleia também realizou votação para a renovação dos membros de algumas comissões. São eles: da Comissão Científica, Antonio Macedo D’Avila (RJ); de Ética e Defesa Profissional, Francisca Estrela (PB); de Ensino, Arival Cardoso de Brito

Maria de Fátima Palha Figueiredo, ou simplesmente Fafá de Belém, é dona de gargalhada inconfudível e de incrível alto-astral. Por trás da cantora espetacular com fama internacional há uma mãe orgulhosa do rumo que tomou a vida profissional da filha, Mariana de Belém. A menina seguiu a carreira dos pais e, aos poucos, vem conquistando seu espaço no cenário artístico. Acompanhe a entrevista de Paulo Cunha com Fafá de Belém, logo após o espetáculo de abertura do Congresso. Paulo Cunha: Como é a sensação de ser uma figura extraordinária e estar na sua terra com os dermatologistas? Fafá de Belém: Bom, eu fiquei muito honrada com o convite por vários motivos. Primeiro por estar num Congresso de prestígio como este e por Belém poder receber hoje um evento desse porte.Tudo isso mexe com a gente. Em relação à questão da dermatologia, nós aqui da Amazônia temos uma base e a essência de muitos


Diretoria da SBD durante reunião do Conselho Deliberativo

(PA); de Título de Especialista, Elemir Macedo de Souza (SP); e Conselho Fiscal, Heitor de Sá Gonçalves (CE), Abdiel Figueira Lima (RJ) e Dilhermando Calil (SP). Na opor tunidade, Rober to Amorim Filho foi confirmado para presidir o 66o Congresso da SBD, em Florianópolis. A criação do Departamento de Cirurgia Micrográfica de Mohs, o descredenciamento do Hospital Ipiranga (SP), a inscrição de chapa única candidata para o biênio 2011-2012, tendo como presidente Bogdana Kadunc (SP) e vice-presidente Sarita Martins (PE) foram outras definições acertadas na reunião do Conselho.

estado de Tocantins, e eu fico mais feliz ainda porque não só o nosso estado como o de Rondônia terá representatividade na SBD”, comemora Nilo Fernandes da Costa. O associado Cipriano Ferreira da Silva Júnior também compartilha sua satisfação. Em sua opinião, a vitória é de todos. “Rondônia agradece; isso é verdadeiro exemplo de democratização do acesso à SBD”.

Sócio eletrônico no ano que vem

O Conselho Deliberativo aprovou a criação de duas regionais, ambas da Região Norte do Brasil. Foram alguns anos de tentativas e persistência para que hoje Tocantins e Rondônia passem a fazer parte das regionais da SBD. “Isso é um compromisso feito pela atual diretoria e que foi profundamente estudado e implementado conforme proposto no último Conselho”, diz Omar Lupi, completando que o objetivo é que se tenha uma regional para cada estado na federação até o centenário da Sociedade em 2012. “É uma satisfação hoje ter sido aprovada a formação da Regional TO. Estamos nessa luta há sete anos no

Entrará em vigor, a partir de 2010, uma nova modalidade de associado da SBD: o sócio eletrônico. Inspirada nas academias Europeia e Americana de Dermatologia, a proposta foi um compromisso de diretoria durante a eleição e que se efetivou no Conselho Deliberativo. O serviço dará ao associado que aderir, desconto de 10% na anuidade. Além de colaborar com o meio ambiente – tanto o Jornal da SBD como as revistas Anais Brasileiros de Dermatologia e Surgical Cosmetic & Dermatology estarão disponíveis para leitura apenas no site, o que significa menos páginas impressas –, a economia se estenderá em gráfica e postagem.

remédios, e muita coisa nos foi levada daqui. Eu acho que temos que estar muito atentos à biopirataria, porque é muito complicado isolar o princípio ativo, sem deixar nada para a terra. Temos que pensar sempre como um todo, o Brasil, assim como a Índia, é um celeiro de ervas, plantas e soluções "mágicas", mas que não podem se perder da gente. PC: Sua beleza e sua energia são notáveis; além da genética, que suponho ser fator preponderante, o que você faz para manter toda essa energia, alegria e beleza? FB: Sou muito natureba, tenho o cuidado de tirar a maquiagem todos os dias. Se eu não tenho um bom creme para eliminá-la, recorro à vaselina líquida ou pego uma toalha, molho na água morna e vou aplicando em movimentos circulares como um peeling. Acredito que a qualidade da pele depende fundamentalmente da alimentação e boa hidratação. Sou adepta da boa água, da boa massagem, do bom trabalho muscular, não gosto de

toxina botulínica. Prevenir é o melhor caminho. PC: Qual é a sensação de ter uma filha que vem percorrendo caminho semelhante ao seu? FB: Quando a Mariana optou por esse caminho eu fiquei muito apreensiva porque surgem comparações. Ela rala há um tempão, corre atrás do caminho dela, e fico muito feliz por se ter encontrado ao escrever o show “Projeto Árvore”. Lá ela conta a história da música brasileira através da família dela, que começa no avô por parte de pai, que é o Raul Mascarenhas, grande acordeonista, na avó, Carminha Mascarenhas, que é grande cantora do rádio, e chega em mim e no pai dela. Quando a Mariana descobriu a MPB, ela foi pesquisar nos livros esses nomes todos, avô, avó, pai e mãe estavam nos compêndios da música brasileira, e montou um espetáculo que fala um pouco da memória. Ver minha filha cantar é muito emocionante; eu fico babando. Choro e tudo!

SBD cria regionais Tocantins e Rondônia

Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

9


“A resolução foi aprovada pelo Conselho Deliberativo durante o Congresso de Belém e será devidamente instituída. Acredito que todos ganham com essa nova modalidade: o associado, com desconto na anuidade, a Sociedade, com a diminuição dos custos, e o planeta, com a redução de papel descartado”, comenta o presidente Omar Lupi. O associado que aderir ao programa poderá fazê-lo no site da SBD de 15 de novembro a 15 de dezembro. Os que não fizerem a opção até a data-limite continuarão recebendo em casa as publicações impressas. Ao preencher o cadastro de adesão, o associado receberá a confirmação online da escolha. Esse “protocolo de confirmação” é a garantia de que a operação foi bem-sucedida. Os novos associados que realizarem o cadastramento no decorrer do ano não terão a opção do sócio eletrônico. O Jornal da SBD

estará disponível em PDF, enquanto as matérias das revistas poderão ser consultadas em links separados, de acordo com a preferência do internauta. “Considero o sócio eletrônico um grande avanço na dinamização do processo”, ressalta Celso Sodré. “Se for para tentar diminuir o envio de material gráfico e reduzir custos, considero um bom caminho, o que não significa que pode ser instituído abruptamente. Acho que a ideia para ser aceita por todos demanda algum tempo”, opina Vitor Manoel Silva dos Reis. Para João Roberto Antonio, o sócio eletrônico é um bom negócio. “Parabenizo o ineditismo com que está sendo feita a reunião e a decisão da divulgação do jornal pela mídia. O desconto é bom, e acho que a ideia veio muito a calhar”, finaliza. O projeto está sendo implementado, e seus resultados serão avaliados após um ano.

Melhores trabalhos de pesquisa acadêmica Trabalhos de investigação – Prêmio Prof. Sebastião de Almeida Prado Sampaio Minicomunicação – Prêmio Marcio Lobo Jardim PRIMEIRO LUGAR – PM 397 Síndrome de Apert – relato de caso Autores: Muriel Matias Melo, Raquel Bissacotti Steglich, Eoda Maria Bissacotti Steglich, Lauro Barreto Neto, Leonardo Souza de Carvalho Univille, Universidade da Região de Joinville – SC SEGUNDO LUGAR – PM 097 Síndrome de ectrodactilia, displasia ectodérmica e fenda labiopalatina: relato de caso com quatro familiares acometidos Autores: Beatriz Moritz Trope, Jaline Noronha Salomão, Violeta Duarte Tortelly Costa, Renata Brandão Villa Verde, Deiseluci Santana Barros UFRJ, Serviço de Dermatologia/Faculdade de Medicina – Niterói – RJ TERCEIRO LUGAR – PM 348 Aspergilose cutânea primária em local de fixação de eletrodos de monitorização cardíaca em criança com aplasia de medula idiopática Autores: Juliana Cabral Nunes, Karina Colossi, Fernando Luiz Teixeira Dantas, Priscila Kakizaki e Mario Cezar Pires Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo

10 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

PRIMEIRO LUGAR – PI 087 Avaliação do aprendizado dos pacientes sobre a regra do ABCD: um estudo randomizado no Sul do Brasil Autores: Renan Rangel Bonamigo, Karen Reetz Müller, Gisele Chiaradia,Thayse Crestani, Maria Carolina Widholzer Rey UFCSPA (Universidade Federal da Ciência da Saúde de POA), Serviço de Dermatologia – Porto Alegre – RS SEGUNDO LUGAR – PI 076 Células-tronco mesenquimais derivadas de adipócitos (ADSC): eficiência de isolamento, caracterização e diferenciação pré e pós-transdução viral para expressão de proteína verde "GFP" Autores: Marco Andrey Cipriani Frade, Anand Iyer, Kinga Kocemba, Karene Mahtouk e Pranab Kumar Das FMRP-USP, Dermatologia/Faculdade Medicina de Ribeirão Preto – SP e AMC-UvA, Patology/Academic Medical Center – University of Amsterdan TERCEIRO LUGAR – PI 082 Lesões cutâneas actínicas e risco de carcinoma basocelular do segmento cefálico Autores: Mariana Rezende,Valquíria Pessoa Chinem, Hélio A. Miot FMB – Unesp, Departamento de Dermatologia e Radioterapia – Botucatu – SP


o

65 Congresso da SBD em 2010 Após quase 20 anos, o próximo estado a sediar o Congresso da SBD será o Rio de Janeiro. Segundo Luna o Azulay, presidente do 65 CSBD, a comissão científica coordenada por Marcio Rutowitsch vem desenvolvendo um programa educacional abrangente, que atenderá a todos os aspectos da dermatologia, englobando novidades no formato e no conteúdo. O evento será realizado entre os dias 4 e 7 de setembro em um dos maiores centros de convenções e exposições da América do Sul, o Riocentro. Segundo Luna, espera-se público de seis mil pessoas. Mais de 100 pessoas se inscreveram no Congresso de Belém e ganharam como brinde sandálias Havaianas com a logo da SBD. “Estamos muito animados, pois queríamos muito que o Congresso viesse para o Rio de Janeiro. Estamos organizando com o maior carinho, como se viu que o Mario Miranda organizou aqui e como, de maneira geral, todos os presidentes de congresso organizam e se dedicam. O segredo é que trabalhamos em equipe”.


Prêmio Fide leva dois dermatologistas ao Meeting da AAD

Associadas da SBD comemoram resultado e garantem que o esforço valeu a pena

Q

uem tem fome de conhecimento tem pressa. Após alguns meses de espera, Renata Zac, de Belo Horizonte, e Josie Eiras, de Belém, puderam finalmente respirar, aliviadas. É que elas enviaram à SBD trabalhos para concorrer ao prêmio da Foundation for International Dermatological Education (Fide), órgão vinculado à Internacional Society of Dermatology, e foram contempladas com a participação no Meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD) de 2010, em Miami.As duas ganharam ainda bolsa de 2.500 dólares e a inscrição em um dos cursos do congresso. A implementação do projeto estende oportunidades de estudos e intercâmbio no exterior para outras categorias de sócios da SBD, além dos residentes, já atendidos pelo projeto SBD/RoC. A dermatologista Josie Eiras, de 28 anos, ex-residente da Fundação Alfredo da Matta, foi contemplada com um trabalho sobre lobomicose (lacaziose).“O Alfredo da Matta é um centro de referência nacional em hanseníase e colaborador da OMS/OPAS no controle, treinamento e pesquisa em hanseníase para as Américas. Com isso, recebemos muitos casos atípicos da doença que, vistos por outros especialistas não habituados, acabam passando despercebidos. Recebemos também vários casos de lacaziose e outras doenças tropicais, tanto em suas apresentações clássicas quanto atípicas. Os trabalhos demonstram casos com manifestações clínicas não habituais, bem como a importância de o dermatologista levantar suas suspeitas clínicas”, relata Josie. Onicomicose foi o tema escolhido por Renata Zac, e lhe rendeu a estada nos Estados Unidos.“O diagnóstico foi feito em uma criança com menos de dois meses de vida, o caso mais precoce já relatado na literatura. E a mãe descreve o início da doença ainda mais cedo, na segunda semana de vida”, ressalta Renata, que faz um agradecimento especial a Maria Ester Massara Café, cujo incentivo levou-a a escrever o trabalho. Na avaliação da dermatologista mineira, um bom médico deve inte-

Sigfrid Muller e Regina Shechtman

Agraciadas pelo Prêmio Fide irão participar pela primeira vez do Meeting da AAD

ressar-se verdadeiramente pela doença do paciente e fazer todo o possível para esclarecer o diagnóstico correto e tratá-lo. Os 12 trabalhos recebidos foram analisados por Regina Casz Schechtman e Maria Fernanda Reis Gavazzoni Dias. “Nossa intenção é estimular a produção científica em áreas prioritárias para o país. Além disso, a Bolsa Fide visa estimular o jovem dermatologista que nunca tenha participado desse congresso e demonstre conhecimento clínico, vontade e liderança”, explica Regina Shechtman, acrescentando que a ideia da realização do prêmio surgiu de uma conversa entre ela, o presidente da SBD, Omar Lupi, o coordenador médico do JSBD, Paulo Cunha, e o presidente da Fide, Sigfrid Muller, durante o Meeting deste ano, em São Francisco. Segundo, Muller, a Fide “vem ampliando seus objetivos e missões junto com o renascimento da dermatologia global e a expansão da tecnologia provinda da globalização que incrementou a necessidade por maiores conhecimentos médicos.” Ponto em comum entre as duas premiadas é a satisfação profissional e pessoal em participar de um evento dessa grandeza.“Acredito que vou aprender muito, pois sei que os melhores dermatologistas do mundo dão palestras nesse congresso. Quero em especial assistir às palestras sobre cabelos e dermatoscopia, área que tenho estudado e pela qual venho me interessando bastante ultimamente”, declara Renata Zac. A participação no evento, sem dúvidas, será uma bela oportunidade para aprimorar o conhecimento. “Imagino que todo dermatologista sinta vontade de participar desse grande evento que acrescenta tanta experiência a nossa especialidade”, complementa Josie Eiras. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

13


Projeto Residentes premia três dermatologistas com bolsas no exterior Jornada no exterior vai durar dois meses

LETICIA ARSIE CONTIN

A

s dermatologistas Letícia Contin (PR), Laura Furlani (MS) e Vanessa Lucília de Medeiros (SP) foram as vencedoras do "Trabalho de Investigação", do Projeto Residentes SBD/RoC. O concurso, válido para residentes de terceiro ano de serviços credenciados da SBD, concedeu três bolsas de estudos em instituições de renome no exterior aos autores dos melhores trabalhos nas áreas de cosmiatria, fotoproteção e dermatologia tropical. Letícia e Laura embarcaram em outubro, rumo à Universidade de Munich (Alemanha) e Universidade do Texas (EUA), respectivamente, e Vanessa partirá em janeiro para uma temporada no Henry Ford Medical Center, em Detroit (EUA). A empreitada vai durar dois meses. Disciplina e curiosidade para elaborar pesquisas que tragam diferentes abordagens para o tratamento de doenças dermatológicas são as motivações que definem o espírito das premiadas. Leia a entrevista abaixo e saiba o que elas têm a dizer sobre o momento especial que vivem. Jornal da SBD:A ideia para o tema do trabalho de vocês surgiu facilmente? Letícia Contin: Com a intenção de fazer um trabalho de investigação para publicar futuramente, no início do segundo ano, eu e algumas colegas de residência tivemos uma conversa com nosso orientador, Dr. Jaison Barreto, sobre a ideia. Iniciamos, então, a formação de um banco de dados sobre os pacientes com hanseníase atendidos no serviço. Analisando o banco de dados pensamos em escrever sobre a utilidade dos exames complementares, incluindo o ML-Flow, um novo recurso disponível no Instituto Lauro de Souza Lima, para o auxílio ao diagnóstico.Também ao analisar o polimorfismo da doença, a dificuldade de classificação no dia a dia e o número de pacientes a nós encaminhados e que foram tratados por menos tempo do que o necessário, tivemos a ideia de comparar as classificações de pacientes em pauci e multibacilares. Quando soube do prêmio da SBD/RoC achei uma ótima oportunidade de inscrever o trabalho e, além de publicá-lo, ter uma experiência no exterior. Laura Furlani: Somos muito incentivados e cobrados

14 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

LAURA DE A. FURLANI

VANESSA L. S. DE MEDEIROS

quanto realização de trabalhos, pesquisas e publicação de nossos casos. Graças a essa metodologia, assim que entrei na residência de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, o chefe do serviço, Prof. Dr. Paulo Cunha, me orientou a realizar um estudo que, baseado na semelhança histopatológica, buscasse associação entre estrias e distopia urogenital, ambas alterações muito frequentes na população feminina. Desenvolvemos esse trabalho em conjunto com a disciplina de ginecologia da FMJ. Quando soube, através do site da SBD, do programa para residentes da RoC, pensei na possibilidade de concorrer e fui muito apoiada por Dr. Paulo. Por saber da importância e repercussão desse concurso nacional, concorrendo a bolsas de estudo no exterior e em importantes universidades, sabia que a batalha seria muito difícil. Vanessa Lucília de Medeiros: A ideia surgiu da necessidade de formular hidratantes mais apropriados à pele dos pacientes atópicos. As formulações comuns apresentam alto PH e podem irritar a pele desses pacientes. Decidiu-se então comparar loções iguais, mas com PHs baixos, próximos ao PH da pele para verificar se havia diferença entre a influência que exerceriam na xerose, prurido e irritação na pele dos atópicos. JSBD: Como foi saber que estavam entre as três ganhadoras? Letícia Contin: Fiquei muito feliz por ter meu trabalho reconhecido. Laura Furlani: Quando obtive a vitória senti uma felicidade imensa, já que conquistei meu sonho de fazer um estágio no exterior, e fiquei muito grata a Deus e a todos que me ajudaram: meu chefe, preceptores, colegas de residência, minha família e principalmente à SBD e à RoC por proporcionar esse importante incentivo a nós, residentes. Vanessa Lucília de Medeiros: A felicidade foi imensa. Estou cursando o quinto ano de residência e foi como um pre-


sente de conclusão de curso, uma sensação que recompensa todo o esforço e dedicação empregados ao longo desse tempo. JSBD: A rotina no serviço é atribulada? Letícia Contin: Bastante. Estou no último ano da residência no Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru. Vim para São Paulo em 2007, quando comecei o primeiro ano de residência. A rotina do serviço é de 12 horas diárias e inclui atividades de enfermaria, ambulatórios, centro cirúrgico, procedimentos, patologia e micologia. Ao final do dia, há sempre uma atividade teórica. Laura Furlani: A Residência de Dermatologia da FMJ é antiga e conta com apenas quatro residentes, portanto, serviço não falta e sobra muito pouco tempo livre. Nossos ambulatórios funcionam na Faculdade de Medicina em Jundiaí e no Complexo Hospitalar Juquery, em Franco da Rocha. Vanessa Lucília de Medeiros: Curso o último ano da PUC Campinas. Neste ano há três blocos de estagiários, um de ambulatório geral e estágio opcional, um composto por cosmiatria, histologia e cirurgias eletivas, e um último de psoríase, colagenoses e dermatoscopia e cirurgia avançada de tumores. Geralmente começamos com um seminário pela manhã, antes do ambulatório, que começa às oito horas e vai até as quatro e meia da tarde, diariamente. Temos também as responsabilidades normais da residência, como separar casos para as reuniões semanais e congressos, apresentação de artigos etc. JSBD: Qual é a importância do intercâmbio no exterior para a carreira profissional? Letícia Contin: A experiência é muito enriquecedora, possibilita contatos importantes e oportunidade de conhecer diferentes pontos de vista. Laura Furlani: Estou decidida a aproveitar o máximo possível essa oportunidade e trazer as experiências, novidades e até mesmo um pouco das técnicas de procedimentos e da metodologia científica para meus colegas da FMJ. O Brasil possui uma população extremamente vaidosa, preocupada com a boa aparência, levando ao atual boom das clínicas de estética. Portanto, cabe a nós, dermatologistas brasileiros, nos diferenciarmos, intensificando as pesquisas na área de estética e abandonando o hábito de fundamentar nossas condutas apenas na experiência pessoal. É necessário nos basearmos em evidências científicas reprodutíveis e confiáveis, validando tratamentos acessíveis a todos os dermatologistas e, dessa forma, beneficiando, se possível, toda a população. Vanessa Lucília de Medeiros: Acho o intercâmbio uma excelente oportunidade de conhecer outra organização de serviço e de condutas médicas em geral.

* O Departamento de Comunicação da SBD criou uma conta no Twitter para que todos acompanhem as experiências vivenciadas por elas lá fora. O endereço é: www.twitter.com/SBDresidentes.

PRIMEIRO LUGAR LETICIA ARSIE CONTIN Curitiba/PR Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) SERVIÇO: Instituto Lauro de Souza Lima – Bauru, SP Tema: Classificação operacional e teste de ml-flow como auxiliar na correta abordagem e tratamento de pacientes com hanseníase Universidade de Munich

SEGUNDO LUGAR LAURA DE ALBUQUERQUE FURLANI Jundiaí/SP Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul SERVIÇO: Faculdade de Medicina em Jundiaí, SP Tema: Fator de Risco para Distopia Universidade do Texas – Houston

TERCEIRO LUGAR VANESSA LUCILIA SILVEIRA DE MEDEIROS Campinas/SP Formada pela Universidade de Campinas (Unicamp) SERVIÇO: PUC-Campinas Tema: Comparação entre duas loções hidratantes de diferentes phs na melhora da hidratação da pele e na redução do prurido Henry Ford Medical Center - Detroit

Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

15


Painel do leitor Esta seção está aberta para receber opiniões, sugestões, elogios e críticas dos leitores do Jornal da SBD. Mande seu e-mail para cartas@sbd.org.br. Tendo em vista o recente envio por e-mail de propaganda da Fundação da Pele Saudável, referente à existência de curso preparatório para o exame do Título de Especialista em Dermatologia, a diretoria da SBD encaminhou newsletter a todos os associados com alguns esclarecimentos importantes. Segundo o texto, a SBD não apoia, patrocina ou concorda com a realização do referido curso. Além disso, reconhece seus Serviços Credenciados existentes em todo o Brasil como o meio apropriado para formar com excelência os dermatologistas. Lamentavelmente, esses cursos continuam a proliferar-se. No entanto, medidas jurídicas cabíveis estão sendo estudadas para conter esse avanço. Diretoria Nacional da SBD Todos os presidente de Regionais da SBD do Brasil Olá, Dr. Omar! Que honra receber sua resposta e de forma tão rápida! Primeiramente quero parabenizá-lo pelo vídeo excelente disponibilizado no site da SBD, Manchas do Sol, bem como pela propaganda da SBD que será veiculada em canais televisivos. Vi a propaganda no Simpósio de Dermatite de Contato da SBD-Resp, em que o senhor fez o anúncio em primeira mão. A SBD sob sua presidência alcançou um nível de excelência sem igual! Muito obrigado por tudo que o senhor tem feito por nós, dermatologistas! Fico feliz pelo fato de a diretoria estar tomando as providências possíveis e cabíveis perante absurdos como curso preparatório para a prova do título de especialista da SBD/AMB que a Fundação Pele Saudável está desenvolvendo. É muita ousadia eles mandarem e-mail para os associados efetivos da SBD.Vale ressaltar a existência de outras instituições, além da citada, que estão preparando cursos similares e mandando material de divulgação por e-mail... Grande abraço e grato mais uma vez pela atenção, Cristiano Kakihara - Dermatologista de São Paulo Simpósio Online de Psoríase Achei muito boa a palestra “Fototerapia na Psoríase e Tratamento Sistêmico Tradicional”, ministrada pelos doutores Jesus Santamaria e Ricardo Romiti. Parabenizo pela iniciativa e espero que esse tipo de aulas seja mantido, pois facilita muito a vida de quem trabalha no interior e tem dificuldades de participar dos congressos e jornadas. Carla Cecília Magalhães Mancuso Dermatologista do Rio Grande do Sul

Ombudsman Gilvan Alves

Dermatologia x Medicina Estética Prezados associados, Em janeiro, assumi o cargo de ombudsman desta Sociedade, a convite da atual diretoria, e hoje sou encarregado de receber sugestões, críticas e elogios dos colegas dermatologistas. Serei uma espécie de ouvidor de vocês. Para isso, conclamo todos a usufruir o direito e participar desta coluna. Neste primeiro momento, decidi abordar dois assuntos correlatos que têm sido sistematicamente colocados por vários grupos em nossos encontros científicos: a medicina estética e o surgimento de cursos particulares ministrados por colegas membros da SBD. Essas questões não poderiam ser discutidas sem que se entenda sua origem, que, a meu ver, começou com a mudança ocorrida nos últimos anos no modo de se exercer a medicina. À medicina pura, exercida como sacerdócio, adicionaram-se o lucro e a competição; enfim, o que para muitos é visto como sacrilégio é tão somente lei de mercado. Em relação a outras especialidades médicas, a nossa, especificamente, com o advento de novas tecnologias e procedimentos estéticos (cosmiatria), começou a ser mais lucrativa, pois esses procedimentos, em sua maioria, não são cobertos pelos planos de saúde. As leis do capitalismo são bem distintas das que regem o sacerdócio.Talvez, sem entender essas mudanças, a dermatologia subestimou a poderosa lei de oferta e procura, assim como a lei do lucro. Em atitude de reserva de mercado, restringimos o número de vagas de residência. O discurso é o de que não precisamos de mais dermatologistas e de que não aumentamos as vagas a fim de manter a qualidade do ensino. Se não é a competição que nos preocupa, mas, sim, a qualidade do serviço oferecido pelos colegas que “se tornam” dermatologistas, não seria o caso de a eles abrirmos nossa Sociedade, criando uma categoria de sócio interessado na dermatologia e oferecendo acesso aos Anais e aos eventos da SBD? Dobraríamos nosso número de sócios, de leitores dos Anais e de plateia para nossos eventos, e formaríamos melhores profissionais, que fizessem andar juntos o sacerdócio, o empreendedorismo e a ciência. Sob esse prisma, qual seria o problema de os colegas dermatologistas organizarem cursos com fins lucrativos em suas áreas de expertise e dividirem seu conhecimento com os colegas que estejam dispostos a fazê-lo? A SBD condena tais cursos a ponto de recomendar a seus membros a não participação em seus eventos, que, acredita, visam a interesses lucrativos individuais, o que se configura bem diferente do lucro obtido por entidades médicas e serviços de dermatologia,que revertem o lucro obtido com seus eventos à cobertura de suas despesas com pessoal, revistas científicas, ensino e pesquisa. Apesar de a SBD condenar essa prática, vários de nossos membros nela estão envolvidos. Seria o caso de os excluir dos quadros, já que transgridem uma diretriz de nossa Sociedade? Não estariam eles se comportando como outros profissionais que tanto combatemos? Novamente, devemos sempre nos modernizar e nos adequar aos novos tempos. A ética, porém, tem que ser mantida e igual para todos! Está em nossas mãos a formulação de novas políticas para a adequação de nossa centenária e respeitável instituição ao novo século. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

17


Novo formato da campanha inclui filme institucional nos intervalos do programa. Ações fortalecem ainda mais o nome da SBD

Programa “Questão de Pele” é uma das principais vertentes da SBD na Campanha de Valorização do Dermatologista

A

primeira temporada do “Questão de Pele”, quadro criado pela SBD para a Campanha de Valorização do Dermatologista, estreou no dia 28 de setembro no programa Happy Hour, do GNT. O projeto, que tem o apoio da Theraskin, consta de 20 episódios inéditos com duas exibições semanais e vai discutir temas como alergia, micose, herpes, celulite e rugas, apresentando medidas de prevenção e tratamentos apropriados. No quadro, o dermatologista sai do consultório e vai conversar com o público nas ruas ou locais que tenham a ver com o tema do dia. Apresentado pelo presidente da SBD, Omar Lupi, o “Questão de Pele” traz ainda a participação dos membros dos departamentos especializados da SBD.Temas e colaboradores foram escolhidos por meio de sugestões apresentadas pela comissão científica da SBD e por seus diversos departamentos. O desafio de todos os envolvidos é investigar os assuntos de forma séria e científica, mas sem abandonar a linguagem leve e coloquial. – O quadro é uma forma de mostrar para a população a importância de procurar um dermatologista associado da SBD. Trata-se de modelo inovador, que passa a mensagem de forma clara, simples e direta, mas com projeção nacional. É importante mencionar que os departamentos da SBD e as comissões científicas nos ajudaram a escolher os temas exibidos no programa – diz Omar Lupi. O primeiro episódio abordou o tema manchas de pele, dermatose que é a terceira maior reclamação das mulheres –

independente da idade – que vão ao dermatologista. Em seguida, foram tratados os assuntos beleza infantil, cabelos, rugas e psoríase – na mesma semana do Dia Nacional da Psoríase. – A ideia é ter uma grade temática coerente para dar mais visibilidade às campanhas sociais da SBD. Por isso, os episódios sobre fotoproteção e câncer de pele, também serão exibidos na mesma semana dos eventos – complementa Lupi. Todos os assuntos exibidos tiveram excelente repercussão também nos sites do GNT(www.gnt.com.br/happy hour) e da SBD (www.sbd.org.br/medico), em que o programa é reproduzido. Pela internet, os usuários podem mandar perguntas para a SBD sobre os temas discutidos. Além do quadro, a entidade também está veiculando anúncio institucional nos intervalos do programa. Na vinheta, uma mulher analisa cuidadosamente a pele do rosto diante de um espelho. Após um close, vem a mensagem: “Tem coisas que só um dermatologista sabe”, exibida na pele da moça. O intuito é esclarecer a população sobre a importância da escolha de um profissional legitimamente habilitado a diagnosticar e tratar problemas relacionados à pele, bem como a cabelos e unhas. O “Questão de Pele” vai ao ar todas as segundas e quartas-feiras a partir das 19h com reprise às terças, às 2h e às 12h30. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

19


Capa

Tour de prevenção é o destaque da 11a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele Caminhão volante percorrerá o litoral do país durante o verão garantindo atendimento gratuito à população de 13 cidades

A

Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele da SBD cresce a cada ano. Em sua 11a edição, a partir do dia 5 de dezembro, a entidade apresentará algumas inovações. A principal delas é o lançamento do Tour de prevenção em parceria com o laboratório La Roche Posay: um caminhão volante vai percorrer o país para oferecer atendimento gratuito à população. Outra novidade é a extensão do tempo de atendimento da campanha, que passará de seis para oito horas em todos os postos credenciados. A medida deve-se à tentativa pioneira de certificação da campanha pelo Guinness World Records – líder global do setor de recordes mundiais. A expectativa é de que mais de 45 mil pessoas sejam atendidas. A mobilização envolverá cerca de 1.500 associados da SBD, contribuindo para que a especialidade ganhe mais visibilidade em meio ao público leigo. “Queremos atestar a campanha da SBD como a maior campanha médica do mundo

20 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

realizada em um único dia; para isso precisamos do auxílio de cada dermatologista brasileiro”, destaca o Omar Lupi, presidente da SBD. Das 8h às 16h, equipes médicas divididas em dois turnos prestarão atendimento à população em hospitais públicos credenciados, postos de saúde e em tendas montadas em pontos de grande circulação. Os pacientes que apresentarem suspeitas de câncer da pele serão encaminhados para tratamento gratuito nos serviços credenciados da SBD em todo o país. Nos postos estão previstas atividades educativas, como aulas expositivas que trazem orientações sobre fotoproteção e dicas para identificar o câncer da pele. Até o fechamento desta matéria, 174 postos haviam feito o cadastro. Segundo dados da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele do ano passado, 65% das pessoas examinadas revelaram tomar sol sem qualquer proteção, e em 11% delas foi diagnosticado câncer da pele. Cerca de 0,8% dos casos foram de melanomas malignos. De acordo com Selma Cernea, coordenadora nacional da campanha, o diagnóstico precoce é determinante para garantir a cura desses casos, assim justificados pela coordenadora: “A exposição excessiva ao sol e a presença de pele clara, intolerante aos raios ultravioleta, são os principais fatores de risco para o câncer da pele.”


Natal

FEVEREIRO

Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe

DEZEMBRO JANEIRO

Bahia

Espírito Santo São Paulo Rio de Janeiro Santa Catarina Rio Grande do Sul

Na estrada com o Tour de prevenção

ROTEIRO DO TOUR DE PREVENÇÃO Dezembro 2009 05 Arpoador (RJ) 06 Copacabana (RJ) 12 São Paulo (SP) 13 Santos (SP) 19 e 20 Calçadão do Rio Guaíba, Porto Alegre (RS) Janeiro 2010 02 Florianópolis (SC) 03 Camboriú (SC) 09 Vitória (ES) 10 Vila Velha (ES) 16 Maceió (AL) 17 Aracaju (SE) 23 e 24 Recife (PE) 30 Natal (RN) 31 João Pessoa (PB) Fevereiro 2010 06 e 07 Salvador (BA)

O caminhão volante fará uma viagem por 13 cidades da costa brasileira entre os dias 5 de dezembro de 2009 e 7 de fevereiro de 2010, sempre nos finais de semana. O Tour de prevenção contará com equipes locais de dermatologistas da SBD e tem por objetivo realizar diagnósticos de câncer da pele e estimular a conscientização sobre cuidados com a exposição solar, prevenção e detecção precoce da doença. As consultas serão realizadas no próprio caminhão, que terá total autonomia de fonte de energia e água. Dividido em três compartimentos internos, é equipado com duas salas de atendimento e uma de suporte, além de televisão que exibirá filme com informações para a população. O caminhão percorrerá aproximadamente 10 mil quilômetros, parando no Rio de Janeiro, em São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Camboriú, Vitória, Vila Velha, Maceió, Aracaju, Recife, Natal, João Pessoa e Salvador.

Banco de dados Como nas campanhas anteriores, no encerramento de todas as atividades programadas para este ano, os números de atendimento de cada estado serão computados e passarão a integrar um banco de dados nacional, dividido por regiões, incluindo informações sobre as variáveis sexo, idade e cor. “Ao liberar esses números, a SBD contribui para abastecer entidades médicas, autoridades e a sociedade em geral com subsídios para o conhecimento epidemiológico do câncer da pele no país, bem como fornece instrumentação para novas ações preventivas”, afirma Selma Cernea. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

21


Ações de responsabilidade social marcam Congresso da SBD

P

escadores ribeirinhos de Belém e de 38 ilhas dos arredores da cidade estão hoje mais bem informados sobre os riscos com animais aquáticos venenosos. Eles ouviram, no dia 29 de agosto, a palestra “Acidentes com animais peçonhentos”, ministrada por Vidal Haddad Jr., coordenador do Departamento de Doenças Infecciosas da SBD, sobre medidas terapêuticas e prevenção de ferimentos causados por peixes. A atividade ocorreu na Escola Bosque, em Outeiro, na capital paraense, e fez parte das ações de responsabilidade social do o 64 Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Vidal esclareceu as dúvidas dos pescadores e listou os principais animais peçonhentos da bacia hidrográfica da Amazônia, como o bagre e a arraia, responsáveis pelos ferimentos mais graves. O professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e médico colaborador do Hospital Vital Brazil – Instituto Butantan (SP) explicou também quais são as primeiras medidas em casos de acidente. “Nenhum desses animais ataca; eles se defendem”, informou. No entanto, segundo ele, algumas medidas de prevenção e de tratamento de acidentes ocorridos durante a pesca podem ser tomadas. A área atingida por ferroada de arraia deve ser imersa em água quente por mais ou menos uma hora e meia. O procedimento é simples e minimiza bastante a dor, pois o calor neutraliza a ação das toxinas. Para prevenir

22 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

acidentes em praias ou rios, ao entrar na água deve-se arrastar os pés ou levantá-los o mínimo possível. Fundada há quase dois anos, a Casa Escola de Pesca, realiza curso de formação de pescador profissional para jovens de 15 a 24 anos – especialmente filhos de pescadores das ilhas de Belém – voltado para o mercado de peixe, principal produto de exportação do Pará. “Dar essa aula foi uma experiência emocionante. A Escola de Pesca é um projeto revolucionário da Prefeitura de Belém que visa preservar e melhorar os valores dos pescadores das ilhas da baía do Guajará e fornecer valores e formação aos filhos dos pescadores. Eles passam 15 dias na escola e o resto dos dias trabalham com os pais e colocam em prática todos os conhecimentos”, explica Vidal.


DermAção Vidal Haddad orienta as comunidades ribeirinhas do Pará e alerta a população sobre o risco de acidentes, que na maioria das vezes ocorrem por descuido

O presidente do Congresso de Belém, Mário Miranda ladeado da Comissão de Responsabilidade Social

A experiência nas ilhas que visitou o fez comprovar que a formação educacional e a qualificação profissional darão àquelas famílias chance de crescimento. “Tive a oportunidade de fazer uma viagem com dois alunos e o pai deles até as ilhas e acabei visitando várias casas de ribeirinhos. O que vi: pobreza com dignidade e vontade de crescer. E crescerão, os caminhos estão sendo apontados. Foi bom ajudar”, complementa. A presidente da SBD-PA, Elizabeth Constante, aposta na redução dos acidentes que, se tratados de forma incorreta, podem até causar gangrena da pele.“Acho que a população ribeirinha ficou esclarecida, pois ao longo da palestra eles fizeram perguntas interagindo com o palestrante. Creio que com a ajuda dos alunos da Escola de Pesca, que também

participaram da palestra, esses acidentes diminuirão. Esse foi nosso objetivo ao planejarmos a aula.” Durante a atividade, as comunidades das ilhas receberam a cartilha “Os ribeirinhos: na água o bicho pega...” e cartazes com orientações e dicas sobre os cuidados a tomar para evitar complicações, principalmente entre pessoas alérgicas. “O folheto explicativo em formato de história em quadrinhos provocou discussão, reflexões e mostrou aos meninos o quanto existe de imprudência em sua profissão”, ressalta Vidal.

Belém contra a hanseníase Intitulado “Hanseníase, esta causa pode ser sua”, o seminário educativo sobre hanseníase para enfermeiros e agentes comunitários do Programa de Saúde da Família, ocorrido no dia 2 de setembro, reuniu mais de 900 pessoas que atuam no controle da doença. De acordo com a coordenadora de ações de responsabilidade social do 64o Congresso Dermatológico, Rosemary Góes, “a escolha do tema justifica-se pela grave endemia que a região apresenta”. Dados do Ministério da Saúde apontam que dos 8.000 casos de hanseníase no Brasil, 4.000 são diagnosticados no estado do Pará, ou seja, um número abissal. O tratamento da hanseníase é realizado gratuitamente em qualquer posto de saúde do SUS.

Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

23


SBD participa de reunião com a Anvisa para discutir câmaras de bronzeamento artificial no Brasil Dermatologistas apoiam Anvisa na proibição do usa da radiação ultravioleta para fins estéticos. Representantes da SBD debatem ativamente o tema em audiência pública

M

ais do que uma entidade médica que defende as atividades e interesses dos dermatologistas, a SBD preza a saúde da população. Mantendo o compromisso com as boas práticas do exercício da medicina, os representantes da SBD, Marcus Maia e Nilton Nasser, estiveram no dia 22 de setembro na sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília, para discutir em audiência pública os riscos, a fiscalização e a atual situação das câmaras de bronzeamento artificial no Brasil. A proposta da Anvisa – que esteve em consulta pública até o começo de outubro – prevê a proibição do uso dos equipamentos para fins estéticos, bem como de seu comércio, aluguel, importação e doação. A medida não será aplicada aos equipamentos com emissão de radiação ultravioleta destinados a terapias médicas, como o tratamento de psoríase e vitiligo. Segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC, em inglês), órgão vinculado à Organização Mundial de Saúde, a prática de bronzeamento artificial aumenta em 75% as chances de desenvolver melanoma em pessoas com até 35 anos. A radiação ultravioleta das cabines de bronzeamento foi considerada pela OMS carcinogênica grau I. “Além de todos os riscos de aumento da incidência de câncer de pele, a exposição aos raios UVA também afeta o sistema imunológico e pode acarretar outros males, como o desenvolvimento de herpes simples, fotoalergias, fotodermatoses, bem como promover interações medicamentosas graves”, afirmou Nilton Nasser, coordenador do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD. Segundo ele, trata-se de procedimento invasivo e não deve ser realizado por leigos. “Como podemos aprovar um procedimento invasivo prejudicial à saúde do cidadão para fins estéticos?”, questionou. Marcus Maia salientou que o câncer de pele não pode ser considerado fatalidade porque se conhecem as causas

24 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

e quem poderá desenvolvê-lo. E acrescentou que atualmente os mecanismos para evitar sua ocorrência são também bastante conhecidos. “Não é possível que o mundo não se mobilize em relação a isso. Teoricamente, o câncer de pele não era para existir visto que conhecemos as causas e a prevenção”. Maia ressaltou a importância do câncer de pele do ponto de vista epidemiológico, considerando a elevada incidência no Brasil e o custo que isso determina ao tratamento. “Para o tratamento de carcinoma basocelular de pequeno porte é necessário pelo menos oito idas ao hospital. Já um paciente portador de melanoma cutâneo metastático chega a custar cerca de 30 mil dólares por ano para o Estado.” O diretor Dirceu Barbano destacou que a Anvisa, como órgão regulador, deve procurar avaliar os riscos, reduzi-los e, se possível, eliminá-los. Em sua opinião, muitas vezes o cidadão comum não consegue decidir o que é melhor para sua saúde. Após a audiência, a assessoria de imprensa da Anvisa esclareceu que no Brasil há registro válido e autorização para comercialização de apenas uma marca desse tipo de equipamento, em diferentes modelos. Houve a solicitação de registro de aproximadamente nove marcas diferentes, das quais apenas cinco foram concretizadas. Contudo, ao longo do tempo, os registros não foram renovados por falta de interesse dos fabricantes. Representantes da Anvisa, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), da Associação Brasileira dos Profissionais de Bronzeamento (ABPB) e a médica Emilie Van Deventer, da Organização Mundial de Saúde, também participaram da audiência. A expectativa é de que até o final de 2009 a decisão sobre o futuro do bronzeamento artificial no Brasil seja definida.Vale ressaltar a participação efetiva que a SBD vem exercendo nesse processo, servindo como apoio técnico e científico à Anvisa, de acordo com o novo projeto institucional de nossa Sociedade.


Conheça as etapas ✔

Em junho de 2009, a IARC publicou monografia em The Lancet, considerando que a exposição à radiação ultravioleta emitida pelas cabines de bronzeamento é considerada de risco e classificada no Grupo I, ou seja, algo carcinogênico em humanos. A decisão significa elevação do reconhecimento do risco de ocorrência de cânceres da pele causados pela prática do bronzeamento artificial.

✔

Tais notícias acionaram imediatamente a Anvisa, que colocou em discussão a pertinência das normas sanitárias brasileiras a respeito do registro sanitário dos equipamentos, e autoriza seu uso em serviços que oferecem o bronzeamento artificial no país, mediante os critérios estabelecidos em 2002.

✔

A Diretoria Colegiada da Anvisa, após avaliação das informações, deliberou pela publicação de consulta pública que propõe a proibição em todo território nacional da importação, doação, comercialização, bem como aluguel e uso dos equipamentos para bronzeamento artificial com finalidade estética baseada na emissão de radiação ultravioleta.

✔

Essa consulta pública foi ampliada com audiência pública em 22 de setembro, em Brasília, na qual, a convite da própria Anvisa, estiveram presentes os dermatologistas Nilton Nasser e Marcus Maia, representando a SBD.


Campanha Nacional de Psoríase da SBD mobiliza o país Quarta edição da campanha contempla ações que visam, entre outros aspectos, desmitificar a doença, que tem tratamento e não é contagiosa. Simpósio inédito em Brasília conta com a presença de representantes do Ministério da Saúde

N

o Dia Mundial de Conscientização da Psoríase, 29 de outubro, a SBD promoveu ampla Campanha Nacional para a comunidade e a mídia. Com programação bem variada – que incluiu, por exemplo, inserção do tema no quadro "Questão de Pele", no GNT, veiculação de filme institucional de 30 segundos sobre a doença em cinemas da rede Kinoplex, na rede televisiva nacional e postos de atendimento em cinco regiões brasileiras –, a SBD quis esclarecer a população sobre o que é a psoríase, diminuir o preconceito e melhorar a qualidade de vida de quem tem a doença. Hoje a psoríase acomete duas entre cada 100 pessoas em todo o mundo. A campanha aconteceu em 45 postos de orientação de 19 estados, e as regionais da SBD aderiram em peso, montando, em pontos de grande circulação, tendas para distribuição de folhetos explicativos. “Aproximadamente 50 mil pessoas foram abordadas e aprenderam a identificar a doença, que não é contagiosa e não tem cura, mas que pode ser controlada com tratamento junto ao dermatologista”, explica Claudia Maia, coordenadora nacional da campanha, ao lado de Maria Denise Takahashi e Ricardo Romiti, responsáveis pela parte científica. Os serviços credenciados realizaram ações informativas em ambulatórios, hospitais e espaços públicos. Todos devidamente identificados com a camiseta do Dia Nacional da Psoríase. “Percebemos grande mobilização entre as regionais, algo que contribuiu muito para que a campanha atingisse todo esse sucesso. Atribuo também ao empenho da equipe que desde o Fórum de Psoríase, realizado em fevereiro deste ano, trabalhou com afinco para que tudo desse certo”, complementa.

26 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

A atualização do Consenso Brasileiro de Psoríase, de 2006, é outra vertente da campanha. A edição foi enviada a partir de outubro a bibliotecas médicas de todo o país, secretarias de Saúde, entidades médicas e serviços credenciados. “A versão atualizada do Consenso deve ser ferramenta de apoio para todos aqueles que clinicam, estudam e pesquisam no campo da psoríase em todo o Brasil. Todo esse empenho visa ao bem-estar dos pacientes com psoríase, bem como à melhoria da qualidade de vida de todos os acometidos”, completa Ricardo Romitti. Paulo Cunha é o idealizador do projeto que, desde 2006, colocou o Dia da Psoríase no calendário oficial da SBD. A Campanha Nacionalde Psoríase caminha a passos largos para se tornar, depois da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, a segunda maior atividade da SBD junto ao público e mídia e tem sido priorizada pela atual diretoria da entidade.


1o Simpósio Nacional de Psoríase

Promover amplo debate sobre a doença e discutir questões como regulamentação, captação de recursos para apoio a pacientes, essas foram as principais metas do 1o Simpósio Nacional de Psoríase, que aconteceu no dia 14 de novembro, no Mercure Hotel – Eixo Monumental, em Brasília, Distrito Federal. Pela primeira vez em sua história a SBD agregou seus esforços ao de associações de pacientes com psoríase para promover um workshop que discutiu temas como gestão e planejamento estratégico. "Nossa ideia é que elas tenham maior força de atuação junto ao paciente. Isso é importante no nível político, pois facilita a obtenção de tratamento. A força do paciente fica muito poderosa quando eles se unem", salienta Claudia Maia. Nos Estados Unidos e na Europa, ela continua, as associações de pacientes são extremamente fortes, ao contrário das brasileiras que, em grande parte, não têm como se manter e costumam funcionar na residência do paciente. Essas associações receberam aulas de gestão, captação de recursos, relacionamento com autoridades médicas e da área de saúde em geral. Participaram da oficina renomados especialistas brasileiros, o canadense Yves Poulin, com a palestra Biologics for Psoriasis: Update and Recent Advances, e representantes do Ministério da Saúde.“A SBD continua empenhada em ser parceira das autoridades governamentais de saúde nas tomadas de decisão em políticas de saúde em dermatologia”, garante Claudia Maia.

Simpósio Online As ações da SBD tiveram continuidade com a realização de um simpósio online. Durante quatro dias os associados assistiram a oito palestras ministradas pelo Grupo de psoríase e par ticiparam de discussão sobre o tema com expoentes no assunto. As palestras foram transmitidas em dois blocos de 30 minutos, seguidos de um terceiro, de igual duração, para discussão. Após as aulas os associados responderam ao questionário online, pontuado pelo CNA. "Essa forma de aproximação com os associados é pioneira e um impor tante meio para atualização a distância dos dermatologistas de todo o Brasil. Além disso, o grande diferencial é não haver custos com inscrição, hospedagem e passagem", ressalta Claudia Maia. Após o simpósio, todas as palestras ficarão disponíveis na videoteca da SBD. De acordo com dados do Censo Dermatológico da

SBD de 2006, estima-se que 3% da população tem a doença, o equivalente a 190 milhões de pessoas. O fato mais preocupante é a maioria não se saber portadora da moléstia.

Veja algumas ações que a SBD tem tentado realizar junto ao Ministério da Saúde Incorporação de imunobiológicos no tratamento de psoríase grave pelo SUS; Incorporação de fototerapia no tratamento de psoríase pelo SUS; Incorporação da lista de medicamentos tópicos para a psoríase pela Farmácia Popular do SUS. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

27


SBD apoia campanha Juntos contra o linfoma

A

SBD sempre procura apoiar iniciativas que levam esclarecimento à população e às demais sociedades médicas. No mês de setembro, a Sociedade engajou-se na campanha “Juntos contra o linfoma”. Idealizado pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) e realizado pela Roche, o projeto visa alertar os médicos para os sintomas dessa neoplasia. O objetivo é o diagnóstico precoce da doença, aumentando, assim, as chances de sobrevivência ou cura do paciente. “Diversas especialidades médicas estão participando da campanha, e, dada a importância do assunto em questão, a SBD não poderia deixar de estar presente.Também estamos, aliás, em busca de parcerias com sociedades afins, como a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), Academia Americana de Dermatologia (AAD), Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia) (EADV), e o Colégio Iberolatinoamericano de Dermatologia (Cilad)”, entre outras, enfatiza Omar Lupi, presidente da SBD.

28 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

A campanha começou a ser divulgada em abril deste ano e, além da dermatologia, pretende atingir os médicos da infectologia e da clínica médica, os cirurgiões de cabeça e pescoço, ginecologistas e geriatras. “Das especialidades que participam da ação, os dermatologistas são os que melhor conhecem os linfomas que acometem a pele, além de os mais experientes na detecção da doença”, ressalta o presidente da SBHH, Carlos Chiatonne. Segundo a Associação Brasileira de Linfoma, aproximadamente três mil pessoas morrem por ano de linfoma no Brasil, e grande parte desses cidadãos não sabe que tem a doença, que é considerada a quinta neoplasia de maior incidência no mundo. Os principais sintomas do linfoma são aumento dos linfonodos, perda de peso, febre, fadiga, sudorese noturna e prurido. Segundo o Inca, em 2009, existirão 9.100 casos de linfoma no país. Outras informações podem ser obtidas no site oficial da campanha (www.juntoscontraolinfoma.com.br).


Nova diretoria do CFM tem representantes apoiados pela SBD Membros eleitos prometem desenvolver trabalho em parceria com a SBD

T

omaram posse no dia 1o de outubro, em Brasília, os 56 novos conselheiros federais efetivos que representarão a entidade no próximo quinquênio (20092014). Mais de 90% dos candidatos vencedores de 22 estados tiveram o apoio engajado e organizado da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O fato reforça a eficácia da política institucional da SBD ao apoiar formalmente, e pela primeira vez em sua história, representantes que pretendam dar voz aos interesses da dermatologia brasileira. Omar Lupi, presidente da SBD, acredita que este é um momento histórico: “Política institucional deve ser corajosa e eficaz, visando ao bem da maioria e à defesa dos preceitos éticos”, enfatiza. A partir deste momento a SBD e todos os dermatologistas brasileiros têm voz ativa na condução da política médica no Brasil”, conclui. No mesmo dia também tomou posse a nova diretoria da entidade. O médico catarinense Roberto Luiz d’Avila teve votação unânime para a Presidência. O vice-presidente, Carlos Vital, do estado de Pernambuco, fez questão de afirmar que espera retribuir à altura a vitória por unanimidade, dedicando-se com empenho às questões da dermatologia. “Sem dúvida o apoio da SBD foi de grande valia para todo o processo, ao participar e buscar consenso no sentido da valorização e preser vação do trabalho do médico e de sua especialidade”, comenta. Não é de hoje que a classe médica vem enfrentando problemas quanto à expansão de cursos não reconhecidos espalhados de ponta a ponta do país. O problema, que se arrasta há anos, ganha grandes chances de ser sanado com a parceria entre SBD e CFM. Segundo Vital, há grandes possibilidades de o CFM contar com a SBD em câmaras técnicas do Conselho. Essa participação seria um importante meio para auxiliar o Conselho nos principais pontos defendidos pela especialidade. Ele afirma ainda que a busca de melhorias deve ser constante. “Muitos profissionais sem formação especializada em dermatologia fazem tratamentos de risco que trazem malefícios à população. A SBD será convidada a participar de câmaras

técnicas para que possam desenvolver conosco um trabalho mais consciente nesse sentido. Vemos com bastante interesse essa possibilidade e levaremos a ideia para discussão plenária. Esperamos que isso possa se tornar um fato concreto”, explica. E acrescenta que o Conselho vem agendando reuniões com o Ministério da Saúde para regulamentar cursos idôneos e rechaçar profissionais que colocam a população em risco. Alerta ainda para os cursos de qualidade. “Somos a favor da melhoria do ensino.” Práticas recorrentes no dia a dia da SBD, a cooperação e a integração entre as regionais foram primordiais para a obtenção do resultado. Podemos dizer que, em escala de zero a dez, o índice de satisfação dos dermatologistas alcançou o número máximo. A relação de confiança entre o médico Carlos Vital e a diretoria da SBD-PE foi determinante na escolha do candidato. “A SBD Pernambuco apoiou o Dr. Carlos Vital porque já conhecia suas condutas de luta em defesa da ética, do exercício digno e responsável da medicina e por já ter demonstrado compromisso com a dermatologia. Estou certo de que sua presença na diretoria do CFM será traduzida por atitudes coerentes e trabalho efetivo em defesa das especialidades médicas”, ressalta Emerson de Andrade, segundo secretário da SBD. A presidente da Regional Pernambuco, Silvia Carvalho, salienta que a dermatologia pernambucana e a brasileira ganharam um aliado de peso. “A boa relação entre entidades que representam a categoria médica é bastante salutar e só tem a oferecer benefícios. Para a candidatura ao CFM, a SBD-PE apoiou colegas de conduta ilibada e ética, que são respeitados em nosso estado pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos em defesa da categoria médica e da sociedade. Estou convicta de que a dermatologia pernambucana e brasileira serão contempladas em seus interesses”, garante. Além do presidente, Roberto d’Avila, e do primeiro vicepresidente, Carlos Vital, foram eleitos Aloísio Tibiriçá Miranda (segundo vice-presidente) e Emmanuel Fortes Cavalcante (terceiro vice-presidente). Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

29


Profissões e Dermatoses Ocupacionais

Alice O. A. Alchorne

A

Dermatoses ocupacionais no setor metalúrgico Os trabalhadores da metalurgia nos países industrializados constituem um dos grupos mais atingidos pelas dermatoses profissionais. O contato persistente de agentes químicos na pele desses operários coloca sua ocupação entre as cinco mais causadoras de dermatoses nas mãos

Elaioconiose com foliculite estafilocócica

Clínica Elaioconiose

Dermatite de contato alérgica por óleo solúvel

30 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

cometem em geral adultos do sexo masculino de todos os tipos de pele, mas especialmente os atópicos. Operadores de máquina e galvanizadores são as vítimas mais frequentes. Os maiores riscos nesse setor são alguns metais, substâncias para higiene, lubrificantes anticorrosivos e sobretudo os chamados fluidos de cor te de peças. Os fluidos de corte são utilizados para o resfriamento de máquinas/ferramentas e peças para facilitar o corte, aumentando a produção e dando melhor acabamento às peças metálicas. São classificados em: puros ou insolúveis (minerais, vegetais, animais ou sintéticos); solúveis (emulsões de óleo em água com inúmeros aditivos); e sintéticos ou semissintéticos (aquosos com detergentes e emulsificantes e que podem conter óleos). Frequentemente acarretam dermatites de contato pelos aditivos, principalmente os óleos solúveis. Galvanoplastia é o recobrimento de metais por outros metais (cromeação, niquelação, douração etc.). Utiliza, além dos banhos de metais recobridores, cáusticos potentes desengorduradores e decapantes de oxidação das peças a serem galvanizadas e que podem ocasionar desde dermatites de contato irritativas, durante as lavagens das peças, até acidentes de trabalho (queimaduras químicas) pelo contato com os cáusticos potentes. Os metais recobridores (como níquel e cromo) são muito sensibilizantes e podem ser responsáveis por dermatite de contato alérgica. O cromo desencadeia também a dificuldade de cicatrização de ferimentos, pois desnatura as proteínas da pele. Pode ocasionar a perfuração do septo nasal quando inalado.

Dermatites de contato: são os quadros mais frequentes, principalmente a irritativa, com lesões eczematosas (agudas, subagudas ou crônicas), especialmente nas mãos e antebraços ou disidrosiformes. Os irritantes mais comuns são solventes, higienizadores das mãos, óleos lubrificantes, fluidos de corte e da galvanoplastia, hidróxido de sódio (nos banhos desengorduradores) e ácidos decapantes de oxidação. Os sensibilizantes mais importantes são os metais da galvanização (cromo e níquel) e os aditivos dos óleos lubrificantes e


Diagnóstico

Prevenção

Geralmente é clínico. O principal exame laboratorial é o teste de contato com a bateria-padrão. Podem-se utilizar também baterias específicas de fluidos de corte e metais e materiais próprios dos pacientes, porém é necessário certo cuidado, pois podem ser irritantes. Os óleos puros ou insolúveis são testados em óleo de oliva a 50%, e os solúveis tanto com os óleos originais (em solução aquosa a 5%), como com os já diluídos (como tal), pois nesses podem ter sido acrescentados conservantes.

Em decorrência da automação e encapsulação de máquinas no trabalho de metalurgia, o contato com as substâncias nocivas é menor. Nas empresas não automatizadas todas as medidas devem ser tomadas para se evitar o contato do trabalhador com os riscos dessa atividade, como o uso de ventiladores, exaustores, higiene do ambiente e instrumentos para manuseio de peças “contaminadas” com as substâncias lesivas. A utilização de luvas adequadas deve ser indicada, exceto para os trabalhos que demandam a destreza manual, sua utilização potencializando riscos de acidentes.Também são indicados cremes emolientes.

fluidos de corte: emulsificantes (etanolamina), fragrâncias, corantes (parafenilenodiamina), colofônio, conservantes antimicrobianos (formol, liberadores de formol, metil dibromoglutaronitrila), antioxidantes anticorrosivos, estabilizadores de fase, aditivos de extrema pressão (bis etil hexil ditifosfato de zinco), antiespumantes. Acne ocupacional: menos frequente atualmente. Ocorre por obstrução e infecção secundária dos folículos pilossebáceos. Pode ser dividida em elaioconiose, que ocorre em áreas expostas ou de vestimentas sujas de óleos de cor te e óleos lubrificantes; e cloracne, grave, com inúmeros cistos, causada por hidrocarbonetos clorados.

Melanodermias: pós-inflamatória ou em áreas fotoexpostas por fotossensibilidade a derivados do petróleo ou antimicrobianos dos óleos. Queratoses: lesões numerosas (queratoses seborreicas-símile) em áreas expostas aos óleos de corte puros, principalmente no dorso das mãos e antebraços. Há controvérsia quanto a seu possível caráter pré-canceroso. Ferimentos: são frequentes principalmente pequenos traumas. Granulomas de corpo estranho: causados em geral por limalha de metais. Câncer: difícil estabelecer o nexo ocupacional, e o mais referido é o carcinoma espinocelular por derivados do petróleo (contaminantes como nitrosaminas e benzopireno).


SBD participa do o

18 Congresso da EADV

M

Comissão da SBD participa ativamente do Congresso Europeu

32 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

ais de dez mil especialistas do mundo inteiro se reuniram para o 18o Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) nos dias 7 e 11 de outubro, em Berlim,Alemanha. O evento mostrou as últimas descobertas em investigação dermatológica e as opções terapêuticas atuais na dermatologia e venereologia. Quinhentos especialistas apresentaram sessões, palestras, cursos e simpósios. O coordenador médico do JSBD, Paulo Cunha, liderou a comissão brasileira composta de 13 dermatologistas que apresentaram o Simpósio de Dermatologia Tropical. “Primorosas informações sobre doenças dermatológicas associadas a ambientes tropicais foram transmitidas a representantes de várias partes do mundo”. Em sua opinião,“é oportunidade única de dermatologistas do mundo inteiro conhecerem as doenças tropicais que acometem indivíduos não só do nosso país”. Acompanhe as informações que Omar Lupi, Izelda Costa, Claudia Maia, João Roberto Antônio e Alice Alchorne trouxeram de Berlim para o JSBD.


Mais visibilidade internacional Omar Lupi Durante o Simpósio oficial da SBD na EADV, tivemos a oportunidade de fazer um call for papers internacional, apresentando nossa revista hoje indexada e pronta para receber artigos de diversos países. É a SBD “se internacionalizando” para o benefício de todos os associados. Não se trata de projetos de cunho pessoal ou de determinados serviços, mas sim, de abertura de oportunidades para todos os dermatologistas brasileiros: de intercâmbios, de publicações no exterior e de ampliação dos horizontes.

Vacina quadrivalente contra o HPV no sexo masculino Izelda Costa O HPV é doença de transmissão sexual, sendo, portanto, extremamente importante tratar o parceiro para a erradicação do vírus. Dos métodos terapêuticos, nenhum está inteiramente consagrado e pode ser considerado curativo. A recorrência varia de 30 a 70%.

A vacina quadrivalente tem ação nos HPV 6, 11, 16, 18, que são responsáveis por 90% das verrugas genitais, 70% dos cânceres de colo de útero e anal, de cabeça e pescoço, e peniano associados ao HPV. A imunogenicidade induzida pela vacina nos homens é similar ou mesmo maior do que a verificada na população feminina – e ainda leva benefícios indiretos às mulheres. Estudos recentes, em homens de 16 a 26 anos, têm demonstrado a eficácia da vacina: 1.390 sujeitos vacinados x 1.400 tratados com placebo – a eficácia da vacina foi de 85,6% HPV HPV HPV HPV

tipo tipo tipo tipo

6= 11 = 16 = 18 =

88% 93.4% 78,7% 96%

Em conclusão, a vacina quadrivalente preventiva do HPV tem-se mostrado eficaz na redução da incidência e prevalência da infecção pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

33


Qualidade do Congresso Claudia Maia O tamanho da área de exposição – realmente grandiosa, com mais de 180 expositores, entre laboratórios, estandes institucionais e grandes editores de livros e revistas científicos – foi um dos pontos altos do Congresso. Os maiores estandes eram os dos imunobiológicos. Além dos já conhecidos Humira®, Enbrel® e Remicade®, havia também o do Estelara® – que em breve deverá ser regulamentado no Brasil. Os equipamentos de tratamentos estéticos faciais e corporais também se destacaram. A maior parte das tecnologias concentrava-se nos lançamentos de multiplataformas, congregando várias tecnologias em um só aparelho. Os equipamentos de tratamento corporal ganharam impulso, com inúmeras opções em ultrassons focais e sistemas de lipoescultura. Um estande, em particular, chamou realmente a atenção: o da Microscopia Confocal a Laser. Eram dois tipos de equipamentos: o Vivascope®1500, permitindo o diagnóstico patológico in vivo – em tempo real, de forma rápida e não invasiva, e sem necessidade da retirada do tecido; e o Vivascope 2500 em que se utiliza o diagnostico ex-vivo, ou seja, analisando o fragmento de tecido imediatamente após a retirada para a monitorização de margens cirúrgicas de tumores durante a excisão. Ambos custam em torno de US$100 mil. Achei inusitado o lançamento de um produto utilizado imediatamente após procedimentos como Laser e peelings, que serve como maquiagem e cicatrizante – Lycogel®, à base de sílica gel. Uma variação que já temos no Brasil é o Xamiol®, o tradicional calcipotriol + betametasona, porém em gel para uso capilar e no tratamento de psoríase. - Novo despigmentante da Merck à base de rucinol – um inibidor da tirosinase – Iklen®. - Já divulgado em outros eventos, mas ainda indisponível no Brasil, o retinoide Alitretinoína (Toctino®) – Basilea farmacêutica – de uso oral para tratar eczemas crônicos das

34 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

mãos, refratário à utilização de corticoide. - Simples, mas bastante prático: adesivo de ureia a 40% – Onyster® da Pierre Fabre – usado como coadjuvante no tratamento de onicomicoses.

Preenchimentos João Roberto Antônio 1- O dermatologista precisa conhecer a anatomia individual voltada para a interação da pele com o subcutâneo, músculos e ossos dos locais a corrigir, sem o que não alcança o resultado desejado. Existem preenchedores específicos para as diferentes profundidades anatômicas. 2- As indicações mais comentadas se referiram a cicatrizes da acne e ao redor dos olhos: como sulco nasojugal, sobrancelhas, rugas periorbitárias que não respondem à toxina botulínica e linhas do couro cabeludo em homens com calvície. Importante avaliar o grau dos sinais de envelhecimento pelo exame clínico e a fotografia, como parâmetros de indicação. Em relação à hiperpigmentação periorbitária (olheiras), o mais importante é dominar a técnica para evitar o efeito Tyndall (que corresponde ao aspecto azulado pós-procedimento). 3- Comentada a aplicação do preenchimento em toda a face, de maneira global, utilizando o ácido hialurônico, em suas várias apresentações lançadas no momento. A associação de lidocaína favorece a comodidade do procedimento.Técnica demonstrada no aumento das regiões malares consiste na introdução da agulha da seringa com o preenchedor por via intrabucal na altura dos caninos superiores e por retroinjeção ir fazendo o preenchimento dos locais a corrigir. Quanto ao sorriso “mona lisa”, indicado para algumas pacientes, consegue-se preenchendo o ângulo da boca em posição aberta. 4- Os preenchedores mais comentados foram o ácido hialurônico em suas várias apresentações e associações com a lidocaína, ácido poli-láctico, hidroxiapatita de cálcio e, em menor proporção, polimetilmetacrilato e outros já não mais utilizados pelos dermatologistas brasileiros. 5- Para as perdas ou diminuição de volume dos glúteos, ou aumento das nádegas e correções corporais, pernas, peitorais, aumento do volume dos seios e correção de defeitos dos mamilos foram demonstradas técnicas com preenchedor à base de ácido hialurônico de alta densidade, tipo Macrolane® (gel à base de ácido hialurônico para aplicação no contorno corporal, utilizando a tecnologia NASHA™ da Q-Med). Introduzido através de cânula nas regiões subcutâneas ou musculares, após abertura com pequenas incisões, pode ser feito em ambiente hospitalar ou em consultório, desde que haja condições técnicas adequadas. 6- A correção das atrofias profundas no dorso das mãos e depressões nos braços foi demonstrada com ácido


hialurônico, poliláctico e PMMA. 7- Complicações: como evitar? Avaliando o paciente e as medicações de que faz uso com regularidade (AAS, etc.). Avaliar expectativas reais ou ilusórias. Evitar a correção exagerada, formação de pápulas aparentes (granulomas), isquemia e/ou necrose tecidual, infecção secundária, etc. Na maioria das vezes tem sido comprovado serem as complicações mais por erro de técnica, mas também por má indicação ou qualidade do produto utilizado.

Dermatite de contato Alice Alchorne Tivemos várias sessões sobre dermatite de contato ocupacional ou não. Foi abordada a facilidade de sensibilização por medicamentos tópicos em pacientes com úlcera de perna – pela própria dermatose prévia que geralmente vem associada a eczema de estase e o frequente uso de tópicos contendo antibióticos, fragrâncias, veículos, conservantes e emulsificantes.

Novos alérgenos foram apresentados, como o dimeltil fumarato (biocida para conservação de sofás) e isotazolinona (biocida de cosméticos). Foram apresentados também os principais alérgenos de medicamentos (anestésicos, antibióticos, antivirais, antissépticos, antimicóticos, anti-histamínicos, drogas antineoplásicas, antiparasitários, AINH, drogas antipsoriáticas, corticosteroides, drogas midriáticas e veículos, preservativos e antioxidantes dos produtos). Comentou-se ainda os alérgenos mais frequentes nas dermatites de mãos. São eles: níquel, cobalto, fragrâncias, colofônio, cromo e formol. Destacou-se o uso da alitretoína, um novo retinoide para dermatite crônica de mãos de difícil manejo, trazendo bons resultados por mais de seis meses sem recidiva e com poucos efeitos colaterais, como secura de mucosas (menos evidente do que por outros retinoides) e cefaleia de fácil controle, que apareceu em 20% dos pacientes. Pela teratogenia da droga, é necessária prevenção de gravidez um mês antes, durante e após o tratamento.

Berlim, a cidade da cultura por David Azulay

Atualmente com quase quatro milhões de habitantes, a capital da Alemanha é uma cidade esplendorosa. Tem mais de 170 museus, muitos dos quais fantásticos, quer seja pela qualidade do acervo ou pela beleza das edificações. A riqueza cultural é confirmada pela existência de três óperas e uma filarmônica que, em regra, assim como os museus, estão lotados e, certamente, não só de turistas. É também grande o número de monumentos históricos, destacando-se também a arquitetura hipermoderna das novas construções. Isso tudo cria o ambiente para que Berlim represente a vanguarda mundial da cultura, arte e criatividade num ambiente mais jovial que também adveio da reunificação, ocorrida com a queda do muro, em 9 de novembro de 1989.Talvez para facilitar a reintegração, o custo de vida é relativamente barato quando comparado ao de outras capitais importantes. A cidade é cheia de praças e parques, cabendo destacar o Tiergarten, que de todos é o maior.A área verde da cidade corresponde a aproximadamente 30% de sua superfície.

O comércio é feito em diversos shoppings e inclui duas megalojas de departamentos, a KaDeVe e a Galeria Lafayette, que estão entre as maiores do mundo. Poucos são capazes de entender a gravidade do trauma que gerou na vida dos berlinenses a construção de um muro em 1961, separando a Berlim ocidental (setor dos aliados) da oriental (soviética). De repente, famílias se viram separadas, e a liberdade foi perdida. O muro tinha cerca de 175km de extensão, pois rodeava toda Berlim Ocidental, que era um enclave dentro da Alemanha Oriental. Cerca de 170 pessoas morreram tentado fugir do lado leste. O sistema de transporte público é de impressionante eficiência, pois combina metrô, trams (bondes), metrô que vai também para os arredores (então de superfície), trem e ônibus, além de muitos táxis. De modo que mesmo na hora do rush não há engarrafamento, visto que é absolutamente desnecessário o uso de carro. Também não é má ideia conhecer a cidade de bicicleta, que se aluga com facilidade. Por todos esses motivos Berlim é cidade que vale muito a pena conhecer. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

35


Grandes Mulheres da Humanidade

Ideais modernistas e a brasilidade de Tarsila do Amaral

Q

uando pensamos na artista plástica Tarsila do Amaral (1886-1973), é provável que a primeira coisa que nos venha à mente seja a obra-prima Abaporu,* que ela pintou em 1928. O quadro mostra um homem com imenso pé, sentado sobre plano verde, com um braço de grande proporção estendido, e outro, de tamanho bem menor, repousando no joelho. A mão sustenta o peso de uma cabeça minúscula. Um cacto e um sol completam a composição que inspirou o movimento antropofágico desencadeado pelos escritores Oswald de Andrade e Raul Bopp. A intenção do manifesto era “deglutir” a cultura europeia e transformá-la em algo genuinamente brasileiro. Em suas obras Tarsila valoriza a paisagem ambiental e humana brasileiras de um modo reflexivo e crítico, porém sem abandonar o tom lírico e delicado. As cores intensas e os temas regionais seguiam o conceito nacionalista do Modernismo. “Quero ser uma pintora da minha terra”, dizia ela. O espírito interiorano sempre se fez presente nas produções da pintora, nascida em uma propriedade rural em Capivari, no interior de São Paulo. Provinda de família tradicional e de posses, estudou em Barcelona, na Espanha, por quatro anos. Perto de completar 30 anos de idade, tomou gosto pelas artes plásticas. Iniciou-se então por meio da modelagem no barro e da escultura em gesso. Estudou escultura com Zadig Mantovani e, depois, desenho e pintura com Pedro Alexandrino. Em 1917 conheceu Anita Malfatti, de quem se tornaria grande amiga. Antes de partir para a França, em 1920, foi aluna do pintor expressionista Elpons. Mudou-se para a Europa no mesmo ano, cursou a Academia Julians e o ateliê do retratista de moda Émile Renard. Em 1922, teve uma de suas telas expostas no Salão dos Artistas Franceses. No mesmo ano, voltou para o Brasil, expôs no I Salão da Sociedade Paulista de Belas Artes e juntou-se aos intelectuais modernistas. Embora não tenha participado da Semana de Arte Moderna de 1922 foi quando se converteu definitivamente ao Modernismo. Um ano depois, voltou para a Europa e conviveu com intelectuais, pintores e poetas, dedicando-se à pintura modernista e aprimorando sua arte. Em Paris, mais familia-

rizada com o mundo artístico e literário que se descortinava, inicia-se no cubismo e estuda com Fernand Léger e Albert Gleizes. Mantém contato com vários artistas, entre eles Picasso, Breton e Stravinsky. De volta ao Brasil, em 1924, uma viagem às cidades históricas mineiras desencadeia o início da fase conhecida como "Pau-Brasil". No começo dos anos 30, em sua fase social, a produção de Tarsila alinha-se às premissas do realismo socialista. Nas décadas seguintes, a pintora retoma a fase "Pau-Brasil" e explora temas brasileiros rurais. Participou da I Bienal de São Paulo em 1951 e teve sala especial na VII Bienal de São Paulo em 1963. No ano seguinte, perto de completar 80 anos, participou da Bienal de Veneza. A audaciosa invenção de formas, sempre inspiradas em fragmentos de suas memórias de infância, na observação acurada da natureza e nos fatos que marcaram seu tempo, define a importância de Tarsila na história da pintura brasileira. * Em tupi significa “homem que come”. O quadro foi ofertado como presente de aniversário a Oswald de Andrade, seu marido na época. Sendo hoje a tela brasileira mais valorizada no mundo, alcançou um milhão e meio de dólares e foi comprada pelo colecionador argentino Eduardo Costantini. Jornal da SBD

Ano XIII n. 5

37


Departamentos Alergia e Dermatologia Ocupacional

Da esquerda para a direita: Omar Lupi (RJ), Lucie Puell (PER), Beatriz Meza Mendez (PER), Marta La Forgia (ARG), Alice Alchorne (SP), Elena Kvitko (ARG), Alicia Cannavó (ARG), Rodrigo Nuñez Rinta (COL), Natália Henandez (COL) e Carlos Consigli (ARG)

São Paulo recebe Simpósios de Alergia O 3o Simpósio Latino-Americano de Dermatite de Contato e o 1o Simpósio de Alergia Dermatológica e Dermatologia Ocupacional do Cilad ocorreram nos dias 25 e 26 de setembro, na Fecomércio, em São Paulo, contemplando os principais aspectos da alergia dermatológica e da dermatologia ocupacional. Na tarde de sexta-feira, dia 25, foram realizados dois cur-

XXXVI Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia

sos práticos sobre testes de contato. A grade de palestras aconteceu à noite daquele mesmo dia e no sábado dia 26, pela manhã e à tarde. Vinte cinco renomados palestrantes brasileiros e oito estrangeiros, sendo quatro da Argentina, dois da Colômbia e dois do Peru, prestigiaram o evento. Oitenta e três participantes vieram de vários estados do país. “As palestras, todas do mais alto nível, muito contribuirão para o desempenho prático da especialidade. A presença de 352 inscritos não só de São Paulo, mas também de quase todos os estados brasileiros e até do exterior, além dos convidados estrangeiros e de residentes de dermatologia, foi surpreendente”, ressalta Alice Alchorne, coordenadora do evento e do departamento de Alergia e Dermatologia Ocupacional.

Teledermatologia No mês da Psoríase a SBD preparou programação diversificada que incluiu, além das ações regionais e simpósio presencial em Brasília, oito palestras online. As aulas foram ministradas pelo Grupo de psoríase, composto por dermatologistas especialistas no tema, nos dias 5, 14, 19 e 26 de outubro. Transmitidos em dois blocos de 30 minutos, seguidos de um bloco de discussão, os assuntos abordados no Simpósio Online abrangeram desde os aspectos clínicos e diagnósticos da psoríase até o uso de biológicos, a fototerapia e o tratamento sistêmico tradicional. Fazem parte do Grupo de psoríase, Ida Duarte (SP) Jackson Machado (MG), Jesus Santamaria (PR), Lucia Arruda (SP), Luna Azulay (RJ), Maria Denise Takahashi (SP), Maria de Fatima Paim (BA), Paulo Oldani (RJ), Ricardo Romiti (SP) e Silvio Marques (SP).

Departamento de Cirurgia Micrográfica

Andréia Mateus, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da SBD, Dirceu Solé, presidente da Asbai e Omar Lupi, presidente da SBD

A Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai) realizou Congresso Brasileiro em Porto de Galinhas (PE) nos dia 24 a 27 de outubro. O presidente da SBD, Omar Lupi, foi convidado a proferir conferência sobre "A pele como órgão imunológico". A parceria entre a SBD e a Asbai tem se aprofundado bastante com a proposta de realização de consensos conjuntos sobre dermatite atópica, eczema de contato e urticárias. Essa ação envolverá o Departamento de Alergia e Dermatologia Ocupacional da SBD.

38 Jornal da SBD Ano XIII n. 5

Após alguns anos de latência, no qual a cirurgia micrográfica no Brasil cresceu a passos muito lentos, finalmente foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da SBD, a criação do Departamento de Cirurgia Micrográfica. Para o coordenador do Departamento, Luis Fernando Kopke há um longo caminho a ser percorrido, pois, pelos dados até agora disponíveis, apenas uma ínfima parcela dos cirurgiões dermatológicos no Brasil utiliza rotineiramente a cirurgia micrográfica. “Dispomos de uma boa quantidade de bons cirurgiões dermatológicos em todo o país, porém muitos deles se apoiam no argumento da alta complexidade do procedimento para não se habilitar adequadamente. Há que criar critérios para essa habilitação, porém é necessário que eles não sejam tão rígidos a ponto de estrangular a iniciativa da disseminação do uso do método em todo o Brasil. É necessário combater o conceito de que cirurgia micrográfica é coisa para ser realizada apenas em grandes centros. Esse é o papel que o Departamento de Cirurgia Micrográfica da SBD tem pela frente”, afirma Kopke. O secretário é Luiz Roberto Terzian, de São Paulo.


Regionais Pará

Minas Gerais

Rio de Janeiro

Santa Catarina

Fluminense

No dia 3 de outubro foi realizado na cidade de Petrópolis o curso “Dermatoses da infância e da gravidez”, primeiro evento realizado pela distrital serrana da SBD Fluminense, criada em 2009 e composta pelos municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Sob coordenação de Ana Maria Mósca de Cerqueira, o curso abordou temas como doenças sexualmente transmissíveis na gestação, dermatite atópica na infância, medicamentos e cosmecêuticos na gravidez, entre outros. “O curso foi realmente um sucesso em termos de participação e conteúdo científico. Foram realizadas oito palestras de grande interesse e apresentados oito casos clínicos, além de cinco posters. Houve grande interação entre os apresentadores, e a audiência contribuiu ativamente com perguntas e comentários. O sucesso desse evento é um

Pará

Minas Gerais

estímulo para a realização de outros no futuro, contando sempre com o apoio integral da SBD Fluminense”, salienta seu presidente, Leonardo Cerqueira.

A SBD Pará, a Liga Acadêmica de Hanseníase do Pará – formada por docentes e alunos do curso de medicina da Universidade Federal do Pará – e a Unimed Belém realizaram ação de esclarecimento sobre hanseníase em praça pública no dia 24 de setembro. Durante toda a manhã houve a distribuição de folders educativos à população. Participaram do evento alunos do curso de graduação de medicina e dermatologistas sócios da SBD. Na ocasião foi lançada camiseta para Campanha de Valorização do Dermatologista com o seguinte slogan: "Questão de pele é com o dermatologista".

A Regional Minas Gerais vai promover a VII Jornada de Diagnóstico e Terapêutica em Dermatologia nos dias 20 e 21 de novembro em Juiz de Fora. Por ter grande número de associados residindo na região, a cidade foi contemplada pela diretoria para sediar o evento. A programação será dividida em uma parte prática e outra teórica. No primeiro dia, os dermatologistas inscritos terão cursos práticos, como o de “Emergências em consultório”, ministrado por profissionais da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva, ligados à American Heart Association. Transplante de melanócitos, abordagem diagnóstica do prurido, tratamento de cicatrizes hipertróficas e queloides, e controvérsias em depilação a Laser estão entre os temas que serão abordados no segundo dia de evento. "Esperamos contar com pelo menos 200 associados, número que representa quase 40% da regional", afirma a coordenadora geral, Maria de Fátima Melo Borges.

Santa Catarina A III Jornada Catarinense de Dermatologia ocorreu nos

dias 13 e 14 de novembro, no Hotel Plaza Itapema, em Santa Catarina, e contou com rica programação coordenada por Nilson Octávio Campos Lobo e Silva. O workshop Laser érbium glass fracionado 1550 Sellas Evo iniciou o evento que teve participações do presidente da SBD, Omar Lupi, Abodo Salomão Júnior, Maria Cecília Rivitti e a coordenadora do Departamento de Cosmiatria e Laser, Andréia Mateus Moreira. “A jornada superou nossas expectativas. Isso aconteceu não só pela manutenção do nível de professores convidados, mas também pelos temas escolhidos. Cabe mencionar ainda a excelente participação dos dermatologistas catarinenses e também de estados vizinhos”, ressalta Nilson.


Serviços Credenciados Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto O Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) realizou, no dia 24 de outubro, o Simpósio de Atualização em Dermatologia. Sob coordenação de Marco Andrey e Norma Foss, o evento contou com a participação de professores e dermatologistas da Divisão de Dermatologia do serviço, além de convidados do Ministério da Saúde e das secretarias Municipal e Estadual de Saúde.

Centro de Estudos Especializados do Recife Foi recredenciado por quatro anos o Centro de Estudos Especializados do Recife (Ceder) que conta agora com a concessão de mais uma vaga em seu serviço, totalizando três vagas. O processo seletivo será realizado em novembro, e o pré-requisito é ter feito um ano em clínica médica. “Isso para nós do serviço demonstra que nossos esforços e empenho na boa formação do dermatologista têm o aval e reconhecimento da SBD”, analisa a coordenadora do serviço, Sílvia Costa Carvalho. Ela acrescenta que o Ceder participou do XXXIX Congresso Médico Estadual de Pernambuco – evento promovido pela Associação Médica de Pernambuco, afiliada à AMB, e que acontece a cada dois anos, congregando temas de várias especialidades –, no período de 21 a 23 de outubro, apresentando trabalhos em posters na temática de doenças infecciosas. “A dermatologia, assim, se faz presente em evento abrangente no estado”, complementa.

Serviço de Dermatologia da Universidade de Taubaté a

a

As 59 e 60 reuniões científicas da Unitau apresentaram diferentes abordagens. Nas últimas reuniões do ano, realizadas nos dias 13 e 14 de novembro, houve workshops práticos de fototerapia, preenchimento com gordura (células-tronco mesenquimais) e Laser de CO2 fracionado, além de aulas sobre a epidemiologia do câncer da pele em Taubaté e a experiência do Serviço de Taubaté com a cirurgia micrográfica de Mohs. “Comemoramos também o início das atividades do núcleo do Grupo Brasileiro de Melanoma – GBM no Vale do Paraíba, com sede no Serviço de Dermatologia da Fust – Unitau”, afirma o coordenador do Serviço, Samuel Henrique Mandelbaum.

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) "No mês de outubro, foi realizado concurso para professor adjunto no Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), tendo sido aprovado e classificado em primeiro lugar, o Dr. Omar Lupi." Carlos José Martins, chefe do Serviço - UniRio


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Jornal da SBD - Nº 5 Setembro / Outubro 2009 by Sociedade Brasileira de Dermatologia - Issuu