Skip to main content

Jornal da SBD - Nº 4 Julho / Agosto 2009

Page 1

JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 1

Editorial Sociedade Brasileira de Dermatologia Afiliada à Associação Médica Brasileira

www.sbd.org.br

Diretoria 2009-2010 Presidente - Omar Lupi - RJ Vice-presidente - Bogdana Victória Kadunc - SP Secretária-geral - Maria de Lourdes Viegas - RJ Tesoureira - Maria Fernanda Gavazzoni - RJ 1a secretária - Célia Luiza P. Vitello Kalil - RS 2o secretário - Emerson de Andrade Lima - PE

Jornal da SBD Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida a seus associados e órgãos de imprensa. Publicação bimestral - Ano XIII - n. 4 - julho-agosto - 2009 Coordenador médico - Paulo R. Cunha Conselho editorial - Omar Lupi, Bogdana Victória Kadunc, Maria Fernanda Gavazzoni, Célia Kalil e Emerson de A. Lima Coordenação editorial - Approach Edição - Tatiana Gentil - Reg. MT n. 22.375 Redação - Erika Drumond Editoração eletrônica - Nazareno N. de Souza e Samuel Peixoto Contato publicitário - Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/17o andar - Centro - Rio de Janeiro – RJ CEP: 20090-003 E-mail: imprensa@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 100,00 Número avulso: R$ 20,00

Paulo R. Cunha - Coordenador médico do Jornal da SBD

A

os 97 anos de fundação, a SBD resolveu investir em um projeto inovador que traduza sua mais recente vocação. A reportagem de capa destaca a busca da instituição por um novo perfil. Agora, além de disseminar informações por meio do site e de ações pontuais sobre a dermatologia, a entidade assumirá importante papel articulador ao apresentar relevantes temas de interesse de toda a população em programa televisivo veiculado por uma grande emissora. A iniciativa, viabilizaProf. Dr. Paulo R. Cunha da pela parceria com o laboratório farmacêutico Theraskin, demonstra a preocupação da SBD com os interesses da população e reflete a visão moderna da entidade no que diz respeito à valorização de seus profissionais. A Sociedade funcionará como conciliadora dos interesses dos dermatologistas e da população que necessita de seus cuidados. Outra leitura imperdível é a reportagem que mostra a articulação, atuação e força da SBD e de suas regionais envolvidas na eleição dos membros do CFM, ocorrida recentemente. Mais de 90% dos candidatos de todo o país apoiados pela SBD foram eleitos para os quadros do Conselho. Devemos ressaltar aqui essa ação inédita e bemsucedida da entidade. Não deixe de ler o artigo da Dra. Ana Beatris Rossi, nossa correspondente internacional.A matéria “Fases de desenvolvimento de um novo medicamento” aborda a complexidade da síntese de um produto, que envolve período variável de dez a 15 anos. A atuação da diretoria sob a coordenação do presidente, Dr. Omar Lupi, e da Dra. Bogdana Vitória Kadunc também merece menção especial. De maneira entusiasmada e instigante, nossa diretoria comenta o amadurecimento e as recentes conquistas da SBD nas políticas de gestão acadêmica e no combate à proliferação de cursos de especialização não reconhecidos. A ida da comissão ao MEC, em Brasília, evidencia nosso interesse não só com as políticas de saúde, mas também contra a enorme quantidade de cursos fora dos padrões de exigência da SBD. Como publicado na edição anterior e mantendo o costumeiro comprometimento com a formação dos residentes dos Serviços Credenciados, a SBD propiciará as bolsas-prêmio do Projeto SBD/RoC, que vão agraciar quatro residentes com estágios nos Estados Unidos e Europa. Os melhores trabalhos de investigação e seus respectivos autores serão conhecidos no Congresso de Belém. O novo perfil almejado pela SBD também segue postura internacional. A iniciativa é mais um capítulo da internacionalização da Sociedade, por meio da implementação de uma série de convênios que visam aperfeiçoar os conhecimentos de nossos associados.

Tiragem: 7.000 exemplares

Sumário

02 03 04 06 08 10 12 13 22 24 26 28 30 31 33 34 36

Palavra do Presidente SBD na EADV 2009 Direto de Paris: Ana Beatris Rossi Novo portal de vídeos Universidade de Coimbra A história de uma pesquisa Assuntos exóticos e pitorescos SBD é Verde no RioZoo Dermação Revisão de políticas públicas de ensino Eleições CFM Profissão e Dermatoses Ocupacionais Ações de políticas de saúde sobre psoríase Grandes Mulheres da Humanidade Departamentos Serviços credenciados Regionais

Capa alternativa

Boa leitura!

Impressão: Sol Gráfica

Matéria de capa Vem aí o “Questão de Pele”

18 Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

1


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 2

Palavra do Presidente

Omar Lupi

Caro dermatologista,

Tive uma intensa sensação de déjà vu diante do delineamen-

to do nosso projeto televisivo em cima da mesa. Há tempos refletia sobre qual seria a melhor abordagem para uma Campanha Nacional de Valorização da Dermatologia. Uma análise pragmática das diversas campanhas prévias realizadas com tanto brilho pela SBD e suas regionais sugeria ser esse um caminho já bem explorado e, até certo ponto, esgotado. Então como valorizar o dermatologista de forma efetiva e com um custo de mídia dentro de nossa realidade? Inserções comerciais nas grandes emissoras abertas de televisão têm custo proibitivo além disso, muitas capitais passaram a proibir outdoors, e os programas de rádio talvez não atingissem plenamente o público-alvo em todo Brasil. Precisávamos claramente de uma solução criativa, arrojada e inovadora. Assim nasceu o “Questão de Pele”, que chega a você a partir desta edição. Estamos vivendo uma nova fase de desenvolvimento, a chamada Era da Informação, e essa tem de vir de uma forma ágil, atraente e com qualidade no conteúdo. Acredito que o caminho por nós escolhido neste momento é o mais adequado para valorizar a dermatologia e a SBD. O tempo dirá se minha intuição se mostrou a mais correta. Ao menos, consegui identificar a origem da sensação de déjà vu. Surgiu de uma passagem do dramaturgo inglês James Joyce em O despertar de Finnegan ao comentar: “A música que meu avô cantava era uma velha canção, provavelmente anônima, espúria, mas simpática, bem-humorada e divertida, quase despretensiosa. Mesmo assim manteve a todos acordados e, afinal das contas, só quem sonha acordado é que vê o sol nascer.”

2 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

As ações científicas da SBD continuam muito efetivas. Recentemente realizamos dois excepcionais eventos científicos, o TeraDerm e o Simpósio de Terapia Celular, que agora ganham suas versões online pelo novo portal de vídeos da SBD. Estamos nos aproximando do Congresso Brasileiro de Dermatologia em Belém e do Simpósio de Cosmiatria e Laser; a julgar pelo empenho de ambas as comissões organizadoras, teremos eventos de grande sucesso. A área que necessitava de atenção urgente era a voltada para a ação política de nossa Sociedade. Somos muito competentes na realização de eventos científicos, muito ativos em ações comunitárias e eficazes em ações institucionais, como a Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele, mas ainda estávamos aquém do desejado quanto à atuação política frente aos órgãos públicos, como a AMB, CFM, Anvisa e MEC. De que forma faremos ouvir nossos maiores anseios, queixas e necessidades se não nos fizermos presentes da forma correta e na esfera apropriada? No momento em que nossa classe política está tão desgastada perante a opinião pública me parece temerário falar em ação política. Contudo, ela nunca se fez mais necessária do que agora. Estruturamos com cada regional da SBD uma votação nos candidatos por elas sabatinados e que se alinhavam com os interesses diretos da SBD. A ação inédita nos rendeu excelentes resultados, mostrando que estamos no caminho certo. Com união e comprometimento alcançaremos outros importantes objetivos. Um bom exemplo disso é a interação com a Anvisa para participar dos processos de regulamentação das medicações dermatológicas; o objetivo é que nos transformemos em interlocutores em todas as avaliações de novas medicações dermatológicas no Brasil. Ação de puro bom senso? Bem, Descartes já disse que “o bom senso deve ser a característica de personalidade mais bem distribuída, pois cada ser humano se julga amplamente dotado dele”. Coordenamos junto ao MEC, em Brasília, reunião para discutir e sugerir soluções na formação acadêmica do dermatologista brasileiro. Acredito que andamos décadas de ação política em alguns poucos meses. Estamos fazendo jus a nossa filosofia de trabalho, que é caracterizada pela busca de novas ideias e soluções para fazer a SBD ainda mais forte.

Omar Lupi Presidente da SBD


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 3

SBD na EADV 2009 Considerado o segundo maior evento da dermatologia do mundo, o Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia deste ano acontecerá em Berlim

D

ermatologistas do mundo todo vão reunir-se em Berlim, capital da Alemanha, para o 18o Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV), entre os dias 7 e 11 de outubro. Uma das metas do Congresso é mostrar o que há de novo no diagnóstico e desenvolvimento terapêutico da dermatologia. Presidido por Thomas Luger, o programa deste ano destacará os avanços da dermatologia e o rumo das pesquisas realizadas na área. A SBD organizará simpósio com a participação de 13 dermatologistas que vão apresentar, no primeiro dia do evento, o Simpósio de Dermatologia Tropical, com foco na importância das doenças tropicais mais comuns.“Com a globalização, as dermatoses tropicais passaram a ter ainda mais

interesse para a comunidade científica mundial, já que quem realiza viagens constantes fica exposto à possibilidade de contrair essas dermatoses. O fato obriga até mesmo dermatologistas de países europeus a buscar um bom conhecimento nessa área da dermatologia”, ressalta Paulo Cunha, coordenador do Simpósio e que, regularmente, nos últimos dez anos, tem ministrado aula no referido Congresso. O Brasil, ele informa, é o país que detém o maior conhecimento sobre doenças dermatológicas tropicais. Na agenda do evento estão programadas apresentações de 20 cursos, sete sessões plenárias, 45 simpósios, 31 workshops, entre outros fóruns, todos sob a responsabilidade de experts da dermatologia da Europa e de outras partes do mundo. A comissão da SBD ministrará dez palestras com os seguintes temas: manifestações dermatológicas causadas por animais aquáticos; leishmaniose cutânea; hanseníase reacional; mansonelose; Fenômeno de Lúcio na hanseníase; granuloma tricofítico; cromomicose; paniculite chagásica; gnatostomiase e feoifomicose. “Não haverá patrocínio da SBD para os conferencistas brasileiros”, esclarece Omar Lupi, presidente da SBD.


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 4

Direto de Paris Por Ana Beatris Rossi

A pergunta sobre a última novidade terapêutica na dermatologia provavelmente terá como resposta algum cosmético ou dispositivo médico (como preenchedores, por exemplo), ou nova formulação de molécula. Se, entretanto, pensarmos em uma nova molécula, vamos perceber que as novidades são raras.As principais razões da dificuldade de registro de nova molécula dizem respeito a investimento e tempo necessários para demonstrar sua eficácia e segurança.

Fases de desenvolvimento de um novo medicamento

E

m 2006, de 100 novos medicamentos aprovados pelo FDA, apenas 20 foram novas moléculas (New Molecular Entity – NME). Na área da dermatologia, a última aprovação de molécula foi em 2002 (pimecrolimo). De 10.000 moléculas sintetizadas, cerca de 250 passam para a fase seguinte, a toxicologia. Apenas cinco chegam ao desenvolvimento clínico e uma vai conseguir ser registrada. A fase de pesquisa varia de três a cinco anos, a toxicologia de dois a três anos, e o desenvolvimento clínico, de cinco a sete anos. Isso significa o total de dez a 15 anos para termos um novo medicamento (versus meses para um cosmético e de um a três anos para um dispositivo médico). A toxicologia ou fase pré-clínica testa a molécula em animais em doses máximas (via tópica, sistêmica e parenteral), para detectar órgãos-alvo, vias de metabolização, efeitos na reprodução e fertilidade, riscos carcinogênico e fotocarcinogênico (estudo de dois anos, em que roedores recebem aplicação do produto diariamente e são irradiados com UV). Com base nos dados dessa fase, estabelecemos as margens de segurança e definimos a janela terapêutica de doses em seres humanos. O investimento oscila de 6 a 10 milhões de dólares. Já o desenvolvimento clínico (estudos em humanos), divide-se em três fases e custa de 50 a 150 milhões de dólares. São elas: Fase I: confere segurança aos seres humanos em estudos de farmacocinética e alergenicidade. Nos estudos de farmacocinética (dose única e múltipla), o produto é aplicado na área máxima (quantidade e concentração), e a molécula é quantificada no plasma. Os estudos de alergenicidade incluem irritação cumulativa, sensibilização, fotoalergia e fototoxicidade. Voluntários sadios recebem repetidas aplicações do produto em patches no dorso ou antebraço. Os resultados dessa fase confirmam a margem de segu-

4 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

rança, a concentração máxima do produto nas próximas fases e a posologia (intervalo das doses). Fase II: ou ‘terapêutica exploratória’ inclui estudo de prova de conceito (determina se o produto tem ação terapêutica na indicação selecionada) e estudo de doseranging (diferentes esquemas posológicos em pacientes). Define a melhor dose, posologia, duração do tratamento e população. Fase III: ou ‘terapêutica confirmatória’ inclui estudos multicêntricos (pivotal) de segurança e eficácia. O produto é testado versus veículo e às vezes com outro ativo. Essa fase também inclui o estudo de segurança de longo prazo, e no mínimo 100 pacientes devem receber o produto por pelo menos um ano. Todos esses estudos, adicionados aos dados de desenvolvimento da formulação, estabilidade e produção, são submetidos às autoridades sanitárias para aprovação – que depende da avaliação do risco/benefício. O tempo entre a submissão e aprovação pelo FDA é em média de 12 meses. Por que há tão poucas novas moléculas na dermatologia? Porque já existem drogas que tratam a maioria das dermatoses mais frequentes e torna-se dificil obter novidade que ofereça melhor benefício ou menos risco do que as existentes. Considerando tempo, investimento e risco, a indústria farmacêutica muitas vezes prefere investir no desenvolvimento galênico de novas formulações ou em combinações de moléculas já conhecidas e aprovadas. Ana Beatris Rossi é dermatologista formada pela Unicamp, com título de especialista pela SBD e mestrado em clínica médica. Ocupa hoje a posição de diretora médica mundial de pesquisa e desenvolvimento na divisão de produtos de prescrição dermatológicos e dermatologia estética do grupo Johnson & Johnson, em Paris, França. É membro da Academia Americana de Dermatologia (AAD) desde 1998 e da Academia Europeia de Dermatologia (EADV) desde 2000.


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 6

Novo canal de informação online é lançado para Educação Médica Continuada a distância

SBD

I

inaugura portal de vídeos

nvestimento em tecnologia de web, na capacitação de profissionais e na aquisição de equipamentos de ponta – essas são algumas estratégias utilizadas pela SBD para promover maior interação com o associado e contribuir para seu desenvolvimento profissional. O resultado pode ser visto no portal de vídeos lançado em agosto no site da instituição. A ideia é utilizar a ferramenta para a difusão da Educação Médica Continuada e da Telemedicina. “No início dessa gestão começamos a pensar em maior possibilidade de interação com nossos associados, e a internet oferece condições ideais para difusão de conteúdo em vídeo”, afirma Aldo Toschi, coordenador do Departamento de Mídias Eletrônicas. Tendo em vista o sucesso do Teraderm, o evento foi o escolhido para ser o primeiro a passar na íntegra no portal. O conteúdo filmado teve transmissão livre até o dia 31 de agosto para os médicos que foram ao evento – os que optaram por mais tempo para assistir às aulas, tiveram desconto de 50% em sua aquisição. Já os associados que não compareceram tive-

Departamento de Comunicação da SBD

ram a possibilidade de comprar a versão online pelo site, podendo ver o Teraderm Online em suas casas ao longo de até 20 dias. “Percebemos que os eventos filmados têm tudo para ser um sucesso e resolvemos unificá-los, acrescentando-os às palestras de Telemedicina e facilitando o acesso ao médico. Hoje temos a Revista Surgical & Cosmetic Dermatology com seu questionário online sendo respondido diretamente no site e a próxima beneficiada será a Revista Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD). É a dermatologia cada vez mais ao alcance de todos com a ajuda da internet”, ressalta Samuel Peixoto, responsável pela web da SBD. A ideia pioneira de filmar o evento para beneficiar quem não pôde ir foi de Aldo Toschi. Em sua opinião, se a experiência inicial tiver boa aceitação pelos dermatologistas, outros eventos similares também serão gravados. “Chegar à transmissão ao vivo é questão de aumentar os aportes financeiros. A tecnologia para isso já está acessível, mas só será viável caso realmente haja interesse dos associados e de eventuais patrocinadores.” Com relação às palestras de


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 7

Telemedicina, o coordenador do Departamento de Teledermatologia, Ivan Semenovitch, comenta que elas têm tido boa aceitação e são assistidas por um bom número de dermatologistas: “Quase 10% dos associados, por volta de 400 a 500 pessoas, têm assistido ao vivo, sem contar os que vêem nos dias seguintes”. O próximo evento a ser transmitido será o Simpósio de Terapia Celular, realizado em julho, em São Paulo. O novo portal de vídeos pode ser acessado por meio do site da SBD: www.sbd.org.br.

Certamente a Educação Médica Continuada poderá utilizar a tecnologia disponível”, avalia Toschi. Outros passos ousados têm sido dados. Além do portal de vídeos, o site da SBD também passará por reformulações no layout e troca da tecnologia ASP para a ASPX, que permitirá mais benefícios administrativos e maior desempenho para o usuário. O forte investimento na internet é comprovado pelos dados do Google Analytics. Segundo a ferramenta, o portal da SBD recebe cerca de 140 mil acessos por mês, o equivalente à marca de 4.666 visitantes por dia.

Upgrade nos serviços

Ineditismo no lançamento

A SBD tem apostado na modernização e melhoria de seus serviços. Atualmente, toda a estrutura web está sob responsabilidade da entidade, como banco de dados, hardware, software, além da hospedagem de cinco sites: SBD Médico, SBD Público,Troias Atlas e as revistas da ABD e Surgical.Após a reforma da sede, realizada no final de 2008, foram criados um centro de processamento de dados exclusivo e uma sala climatizada com acesso restrito – o que colaborou para o aumento da segurança do sistema e economia de gastos. "A SBD por intermédio da gestão anterior, comandada por Dr. Paulo Criado, iniciou o trabalho de preparação de nossa sede para gerar e editar imagens de Telemedicina. Hoje temos um estúdio próprio, computadores de última linha e, principalmente, pessoal técnico especializado nesse tipo de trabalho.

O novo serviço implementado pela SBD prima pelo ineditismo, já que, até então, nenhuma sociedade médica ofereceu esse tipo de benefício a seus associados. “Essa é a forma mais democrática de disseminação dos conhecimentos, pois as aulas estarão disponíveis para o Brasil inteiro. Queremos com o portal dar um subsídio a mais ao associado que não compareceu ao evento e também àquele que não foi e quer atualizar-se. Então, o portal de vídeos vai impactar positivamente a Educação Médica Continuada brasileira. É esse seu principal objetivo”, afirma o presidente da SBD, Omar Lupi. “A iniciativa pioneira é muito boa e só tem a contribuir para atualização de nossos colegas dermatologistas”, complementa Josemir Belo, coordenador dos Departamentos da SBD.


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 8

Universidade de Coimbra guarda mais de DE OLHO 700 anos de história

NO MUNDO

Cidade portuguesa com a maior tradição universitária, Coimbra preserva importantes tradições acadêmicas e a principal delas é a Festa da Queima de Fitas

S

ediada na cidade de Coimbra, em Portugal, a Universidade de Coimbra (UC) é a mais antiga instituição acadêmica portuguesa. Considerada uma das maiores do país, foi fundada em 1290, em Lisboa. Atualmente, os 22 mil alunos inscritos estão distribuídos nas oito faculdades (letras, direito, medicina, ciências e tecnologia, farmácia, economia, psicologia e educação física). Dividida em três grandes polos, a UC é referência indiscutível no panorama do ensino superior e de investigação em Portugal, pela qualidade de ensino reconhecida internacionalmente. Além de sede da universidade mais antiga de Portugal, Coimbra é uma cidade repleta de monumentos e tesouros históricos, com amplo calendário de eventos culturais. Em maio, estudantes e familiares celebram o final do ano acadêmico com a tradicional Queima de Fitas, contagiando as ruas com concertos musicais, serenatas e cortejo. As fitas acadêmicas levam cores diferentes e são adquiridas pelos

8 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

estudantes que, posteriormente, podem dar aos seus parentes ou amigos para que escrevam textos, comentários e/ou dedicatórias. Recordações históricas se conjugam com os coloridos trajes acadêmicos dos estudantes que frequentam a UC. Organizada pela Federação Acadêmica do Porto (FAP), a festa acadêmica movimenta cerca de 350 mil estudantes de vários cursos.

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra A construção da biblioteca barroca da universidade data do século XVIII, durante o reinado de D. João V, e representou um dos passos mais decisivos na história da instituição. Idealizado por artistas portugueses, seu interior prima por grande riqueza arquitetônica e decorativa. O edifício joanino é formado por três salas que se intercomunicam por arcos decorados. As paredes são cobertas por estantes de dois andares, em madeiras exóticas, douradas e policromadas, comportando o total de 250 mil obras. Depois de percorrer até o século XVIII espaços universitários provisórios, a biblioteca foi finalmente instalada de


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 9

Faculdade de Medicina mais antiga do país

forma digna, e só dois séculos depois, após obras de ampliação e a construção de alguns anexos, viria a ocupar o novo edifício (anteriormente ela se encontrava em Lisboa). Com cerca de sete mil metros quadrados, o espaço sofreu algumas obras de adaptação no último piso, na sala do catálogo e, recentemente, no pátio, que agora funciona como loja da universidade. A Biblioteca Geral da UC dividese em dois edifícios: o joanino e o novo.

Medicina A Faculdade de Medicina de Coimbra (FMUC) mantevese como única escola médica de Portugal até 1825, época em que foram criadas as escolas médico-cirúrgicas de Lisboa e do Porto, transformadas em faculdades de medicina em 1911. Em 1956, foi inaugurado o atual prédio da Faculdade de Medicina (Polo I). O edifício tem seis pisos, de estilo e construção clássicos, e ocupa área de 31 mil metros quadrados. Em seus pátios há baixos-relevos alegóricos e um colorido painel representando a história da medicina. Em 1986, o Hospital da Universidade de Coimbra foi construído em Celas e deixou as instalações dos antigos Colégios das Artes e de São Jerônimo, que ocupava desde 1852. Na década de 1970, a FMUC criou a licenciatura em medicina dentária, que começou a funcionar em 1985/1986. Vinte anos depois, foi instituído o Departamento de Medicina Dentária, Estomatologia e Cirurgia Maxilo-Facial, na área do HUC, em Celas. O Polo III, em conjunto com os Hospitais da Universidade de Coimbra, acolhe desde o ano letivo de 2006-2007 os institutos de Biofísica/Biomatemática, Biologia Médica, Bioquímica, Fisiologia, Farmacologia e Terapêutica Experimental.

Resultado Trabalho de Investigação - Projeto Residentes/ RoC A SBD recebeu, até o dia 31 de julho, trabalhos de investigação nas áreas de Dermatologia Tropical e Cosmiatria ou Fotoproteção. Inscreveram-se no concurso, residentes e/ou especializandos do último ano de dermatologia em serviço credenciado da SBD. Os autores dos dois melhores trabalhos naquelas áreas serão contemplados com bolsas de estudo de duração de dois meses em universidades

no

exterior,

além

de

hospedagem e passagens. O anúncio do resultado ocorrerá durante o 64o Congresso de Dermatologia em Belém. Aos que participaram, boa sorte!

Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

9


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 10

A história de uma pesquisa

P

Segundo o site da instituição, anualmente 350 alunos iniciam os estudos em medicina na AMC

or que uma experiência no exterior vale tanto a pena? No caso de Marco Andrey, dermatologista formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-MG), a oportunidade de passar oito meses na Holanda trouxe benefícios não só a sua vida profissional, como também à pessoal. “Os holandeses têm uma cultura peculiar, são sempre muito objetivos e decididos. Há sempre oportunidade para se ter uma vida saudável, com acesso fácil ao lazer e à cultura”, conta. A trajetória profissional de Andrey começou a mudar em 2000, quando iniciou sua pós-graduação em clínica médica na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRPUSP), com orientação da Profª Norma Tiraboshi Foss. Em

Longe dos trópicos: nas horas de lazer, Marco Andrey dedicava seu tempo livre para conhecer as belezas europeias

10 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

“ ” Os holandeses têm uma cultura peculiar, são sempre muito objetivos e decididos. Há sempre oportunidade para se ter uma vida saudável, com acesso fácil ao lazer e à cultura

2003, o médico defendeu sua tese de doutorado e, um ano depois, foi aprovado no concurso para docente colaborador da Dermatologia pela Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência da FMRP-USP, trabalhando no desenvolvimento de linha de pesquisa em cicatrização, além de colaborar com projetos em hanseníase. Por intermédio da professora Tiraboshi, Andrey conheceu o professor bangladeshiano Pranab K. Das, reconhecido internacionalmente por sua produção científica com publicações na área de hanseníase, além de trabalhos envolvendo bioengenharia de tecidos. Foi Das quem o orientou em sua empreitada no exterior. Após diversos contatos para troca de experiência e apresentação de métodos de investigação, Andrey obteve aprovação do projeto de pós-doutorado pela Capes. Seguiu então para a Holanda a fim de desenvolver sua pesquisa no departamento de patologia do Academic Medical Center (AMC-UvA), da Universidade de Amsterdam, onde teve a oportunidade de participar do desenvolvimento de várias metodologias para o incremento do projeto. “Inicialmente, o trabalho propunha avaliar a migração, histocompatibilidade e diferenciação de célulastronco mesenquimais de camundongos GFP+ em camundongos NOD/SCID xenotransplantados com pele humana


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 11

para avaliar cicatrização. Entretanto, para o desenvolvimento do trabalho envolvendo animais, havia a necessidade de um curso preparatório, que naquele ano só seria oferecido em holandês, inviabilizado devido ao tempo. Assim, o Prof. Das propôs trabalhar com as células-tronco derivadas do tecido gorduroso humano (ADSC), o que eu já havia iniciado no Brasil. No entanto, foi proposta a inovação com a avaliação das ADSCs no estímulo à cicatrização de úlceras cutâneas, no modelo de pele humana ex-vivo (hOSEC) desenvolvido no laboratório”, explica. O dia a dia do pesquisador era intenso. Dedicava-se ao trabalho, em média, nove horas diárias, de segunda a sábado. “Ao chegar na sala que dividia com dois pesquisadores holandeses, relatava durante meia hora como havia sido meu dia anterior. Eles faziam muita questão desse momento matinal”, recorda. Após o momento de descontração, Andrey dava início à rotina de laboratório na sala especial de cultura de células. À tarde, dedicava-se às atividades de histologia e imuno-histoquímica juntamente com Anand Iyer, pesquisador indiano que muito colaborou com seus estudos. Nem tudo, porém, era trabalho. O pesquisador também reservava algum tempo para diversão. “Em Munique, visitei o Complexo Olímpico e a Biblioteca da Universidade, além do campo de concentração nazista de Dachau, emocionalmente chocante”, complementa.

Sobre as diferenças no tratamento dermatológico no Brasil e na Holanda ele comenta que “aqui há bons serviços de treinamento em Dermatologia com liberdade de ação médica não permitida na Holanda. Por outro lado, lá o acesso às facilidades de investigação é indiscutivelmente superior ao que temos em nossa realidade, fato que proporciona excelente integração entre a pesquisa e a assistência”. Segundo Andrey, o estudo no exterior contribuiu para seu crescimento profissional pela exposição às metodologias, como isolamento e cultura de células, microscopia eletrônica, imuno-histoquímica, e às técnicas de diferenciação das células-tronco mesenquimais para adipócitos, condrócitos e osteócitos. “Além disso, o contato contínuo com pesquisadores experientes e de reconhecido saber durante as reuniões científicas foi bastante engrandecedor”, relata Andrey. De volta ao Brasil, deu continuidade aos trabalhos de investigação dos mecanismos envolvidos na interação entre o tecido biológico e os Lasers/LEDs e o ultrassom de baixa intensidade, tanto para o uso clínico quanto nos modelos experimentais normais, diabéticos, desnutridos, em ratos, camundongos e coelhos, além de já ter implementado as metodologias aprendidas (Hosec e cultura de ADSCs) nos laboratórios de Dermatologia na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 12

Assuntos Exóticos e Pitorescos

O lado B dos esportes P

ara um atleta chegar a uma olimpíada é preciso muito esforço e disciplina. Participar dos Jogos Olímpicos é a consagração de trabalho desenvolvido ao longo do tempo. Não falta, no entanto, quem use artimanhas para tentar levar vantagem nas competições. Exemplo emblemático é o de Diego Maradona, que na Copa do Mundo de 1986, disputada no México, fez um gol de mão que suscitou polêmica no mundo inteiro. O maratonista Fred Lorz também não fica para trás na arte da malandragem. Na maratona dos Jogos Olímpicos de Saint Louis, em 1904, ele percorreu 18 quilômetros de carona! O esgrimista russo Boris Onischenko foi além e usou de artifício tecnológico para tentar ganhar as provas nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976. Saiba mais sobre essas fraudes e outras curiosidades históricas do mundo esportivo:

Um lance polêmico marcou o jogo das quartas-definal da Copa de 1986 entre Argentina e Inglaterra. Maradona, então capitão do time argentino, fez um gol de mão que decidiu a partida. O atacante disputou de cabeça uma bola com o goleiro Shilton e usou a mão para empurrá-la para as redes. O juiz validou o lance, que desclassificou a Inglaterra. Na época o craque afirmou que tinha sido a mão de Deus... A Argentina venceu os ingleses por 2 a 1. Nos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976, o esgrimista russo e oficial militar Boris Onischenko, medalha de prata nas Olimpíadas de Munique quatro anos antes, usou um pequeno sensor em sua espada, que registrava pontos no placar sempre que pressionado. Foi expulso do certame e punido por atitude antiesportiva pela Federação Internacional de Esgrima.

A esperteza do americano Fred Lorz que venceu, em três horas e 13 minutos, os 42 quilômetros da maratona dos Jogos Olímpicos de Saint Louis, em 1904, foi por água abaixo. Após alguns quilômetros de prova disputada sob forte calor numa estrada poeirenta, Lorz sucumbiu ao cansaço e aceitou uma carona de carro, assim percorrendo 18 quilômetros. Descansado, desceu do veículo e completou o trajeto correndo. Mas as comemorações não duraram muito: Lorz foi desmascarado, não recebeu a medalha de ouro e acabou sendo banido do esporte pela União Amadora dos Estados Unidos. Pouco tempo depois, o atleta obteve perdão e venceu legitimamente a Maratona de Boston de 1905.

12 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

A equipe de remo da Holanda das Olimpíadas de Paris, em 1900, demitiu pouco antes da prova o chefe do barco, por estar muito acima do peso. Em seu lugar, entrou um menino francês de 10 anos de idade que estava na plateia.Venceram, e a vitória foi considerada de equipe franco-holandesa.

Ainda em Saint Louis, em 1904, as provas de natação foram disputadas num lago artificial construído especialmente para a competição. O americano Walter Dray era o recordista mundial em salto com vara no início do século passado, com a marca de 3,90 metros. Pelo retrospecto, Dray conquistaria com facilidade o ouro nas Olimpíadas de Londres de 1908, mas sua mãe achava que ele estava pulando muito alto e se poderia machucar. A pedido dela, Dray desistiu de participar dos Jogos. O remador australiano Henry Pearce destacavase tanto de seus adversários, que, em meio à prova das Olimpíadas de Amsterdam de 1928, parou o barco para dar passagem a uma família de patos. Mesmo assim levou o ouro, terminando bem à frente dos demais atletas.


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 13

Trabalho em equipe garante sucesso da

SBD é Verde no RioZoo Programa atrai milhares de pessoas e desperta atenção para o cuidado com o meio ambiente e a saúde da pele

A

tenta às causas ecológicas e à qualidade do atendimento dermatológico prestado à comunidade, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realizou, na manhã do dia 18 de julho, importante ação de conscientização ambiental como parte da campanha SBD é Verde. Uma equipe composta de 50 pessoas, entre médicos dermatologistas, pós-graduandos voluntários e colaboradores, reuniuse em três tendas para esclarecer famílias em visita ao zoológico do Rio sobre os perigos da exposição ao sol sem proteção, doenças dermatológicas e cuidados com a pele. Na oportunidade, os médicos presentes fizeram a divulgação do site da SBD para que a população busque informações sobre as doenças de pele e campanhas dermatológicas, além da relação de médicos associados à Sociedade. Foram distribuídos folhetos educativos – feitos de papel reciclado – alertando para a importância dos recursos naturais e para a proteção da camada de ozônio, além de amostras de produtos Theraskin, apoiador do projeto, como sabonetes, hidratantes e filtros solares. Houve ainda a distribuição de guloseimas, bolas de gás hélio e teatrinho ecológico para as crianças. “O sucesso foi tanto, que já estamos planejando uma ação conjunta em todo o Brasil para comemoração do Dia do Meio Ambiente no próximo ano. Por ora, deixamos nossa logomarca na placa de adoção fixada no recinto das onças e nos brinquedos doados ao zoológico para exercício dos felinos”, ressalta Maria Fernanda Gavazzoni, idealizadora e coordenadora da campanha SBD é Verde cujo slogan é “Apague a mancha da extinção, clareie suas ideias”. O material distribuído na ação também será encaminhado às escolas públicas do município e do estado, como parte do projeto Amigos da Escola, apoiado pela SBD. “Nossa intenção é expandir a campanha para outras regiões do Brasil por meio dos escritórios regionais que também desejem abraçar a causa ecológica.” Residentes participam ativamente Para a residente Barbara Heliodora Porto, a ação “é muito importante, pois aumenta sua visibilidade perante a população e transmite a imagem de entidade comprometida com questões socioambientais e éticas”. Barbara fez o primeiro ano de residência em clínica médica na Fundação Hospitalar do estado de Minas Gerais (FHEMIG). O residente Daniel Nisembaum acredita que uma ação como essa faz a diferença por alertar as pessoas para a gravidade do problema das mudanças climáticas que vêm ocorrendo no mundo e para as doenças dermatológicas causadas sobretudo pela falta de informação e de cuidados específicos. "Estamos ajudando a conscientizar as pessoas quanto à preserva-

População aparece em bom número no zoológico e canta parabéns para uma das onças adotadas pela SBD

ção do meio ambiente e esclarecendo que combatendo o desmatamento e a liberação excessiva de gases de efeito estufa, por exemplo,estaremos consequentemente contribuindo para a prevenção de doenças, como dengue, leptospirose e também câncer de pele, que é tão visto em nossa área", assinala. Congresso dermatológico em Belém No final do dia, pós-graduandos participaram de sorteio de um pacote com passagens, hospedagem e inscrição para o 64o Congresso Brasileiro de Dermatologia. A ganhadora foi Luciana de Abreu, estudante do primeiro ano do curso de pós-graduação em dermatologia do Instituto Prof. David Azulay. Nascida em Umuarama, interior do Paraná, ela já havia participado do Congresso Brasileiro de 2006, realizado em Curitiba. Esse, porém, é seu primeiro evento como pós-graduanda. “Estou muito feliz por ter sido contemplada com a viagem a Belém e ter a oportunidade de participar pela segunda vez do Congresso de Dermatologia, o que contribuirá para o aperfeiçoamento de minha formação. Acredito ser fundamental a participação dos residentes no Congresso, a fim de que possamos nos atualizar e estar atentos às ações de conscientização que vão muitas vezes além da medicina, como as ambientais que a SBD vem desenvolvendo”, afirma. Da esq. para dir.: Omar Lupi, Andréia Mateus e filhos, Fernanda Gavazzoni e representantes da Theraskin Jornal


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 14

Ranking de patrocinadores da SBD - 2009 18,57%

JOHNSON & JOHNSON

17,20%

L'ORÉAL BRASIL (La Roche Posay, Vichy e Inneov)

7,71%

GALDERMA

6,17%

IGEFARMA / THERASKIN

6,12%

MANTECORP LOGÍSTICA

5,78%

WYETH

14 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

O infográfico mostra os investimentos das indústrias farmacêuticas na SBD até julho de 2009. O valor dos patrocínios supera a marca obtida nos últimos quatro anos e até agora obteve crescimento de 20% em relação aos recursos recebidos em 2008.

4,21% 4,12% 2,43% 2,29% 2,79% 1,83% 1,83% 1,83% 1,73% 1,63% 1,49% 1,37% 1,31% 1% 0,97% 0,97% 0,97% 0,79% 0,64% 0,61% 0,61% 0,58% 0,58% 0,58% 0,49% 0,30% 0,22%

ACHÉ S/A STIEFEL NUTRIEX - INNOVA FARMA LBT - LASER BRASIL MEDPRO / MEDSYSTEMS ABBOT MERCK JANSSEN - CILAG GLENMARK SKINTEC COM. IMP. HV COM. IMP. E EXP. KLIBRA/DERMAGE INDUSTRA FABINJECT MELORA TOP CONSULT DERMALIS FARMOQUÍMICA BIOSINTÉTICA SILVESTRE LABS FDA ALLERGENIC ALLERGAN OFFICE-LAB CRISTALIA VALEANT MUNDILATEC DISTR LIVROS RECKITT BENCKISER (BRASIL) (EURO RSCG)


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 15

Ranking de patrocinadores do 64o Congresso da SBD

CRISTALIA STA Q-MED THERASKIN

PLATINA

OURO PLUS

PRATA PLUS COBRE

BRONZE

RUBI PLUS LBT LAS LASER

OURO

EMI HV LASER INDUSTRA KLD MED PRO WOLFMED SKINTEC UV LINE TOP LASER PHARMA LMG LASERS

PRATA

ADCOS ESTEK IMPORT DERM MEDSON RICHTER RHOSSE BIBLIOMED TBP MUNDIALTEC

RUBI

ESMERALDA

O 64o Congresso Brasileiro da SBD recebeu o investimento de mais de 30 empresas divididas nas seguintes categorias:

NEOLATINA LAT GLENMARK

WYETH ACHÉ

ALLERGAN RGA LIBBS MANTECORP STIEFEL ROC & NEUTROGENA

FARMOQUÍMICA OQU LA ROCHE POS POSAY/VICHY GALDERMA


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:15

Page 16

ISD elege membro brasileiro para seu Conselho Administrativo SBD marca presença e mantém posição no âmbito internacional

O

Prof. Dr. Paulo R. Cunha Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (1976), com doutorado em medicina (dermatologia) pela Universidade de São Paulo (1988), pós-doutorado pela New York University (1996), além de livre-docência pela Universidade de São Paulo, é professor titular da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Ministrou conferências internacionais em diversos países, como França, Paraguai, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, República Tcheca, Chile, Grécia, Inglaterra, Tanzânia, Áustria e Argentina.

Prof. Dr. Paulo Cunha acaba de ser eleito membro do Board of Director’s da International Society of Dermatology (ISD). O coordenador médico do Jornal da SBD destaca o contentamento por ter sido escolhido, a responsabilidade do cargo e a difícil missão que recebeu visando o fortalecimento dos laços entre as sociedades Nacional e Internacional de dermatologia. "Como membro tenho a missão de atuar como representante da ISD no Brasil e região. É uma honra fazer parte desse Conselho, que sinceramente me faz feliz, sobretudo porque creio firmemente que este poderá ser um período para promover e incentivar a colaboração entre a SBD e a ISD, além de partilhar o saber e adquirir experiências com a troca de ideias com médicos de todo o mundo", explica Paulo Cunha, cujo mandato é de cinco anos. Em 2009 completam-se 20 anos do último Congresso da ISD no Brasil, que teve o privilégio de sediar o evento em duas ocasiões: 1974, em São Paulo, sob a presidência do Prof. Sampaio, e 1989, no Rio de Janeiro, sob a presidência do Prof. Rubem David Azulay.

Fundada em 1959, a ISD tem como missão promover e incentivar a investigação científica, facilitando a colaboração entre pessoas de diferentes nacionalidades nos vários campos da dermatologia; colaborar com fundações, instituições, organizações e sociedades dermatológicas; promover reuniões regionais; publicar o International Journal of Dermatology (referência na área); estabelecer relações com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e agências federais de diversos países; realizar periodicamente o congresso internacional; fornecer bolsas de estudos em centros acadêmicos de excelência para aprimoramento científico de jovens dermatologistas etc. Outros dermatologistas brasileiros também integram os quadros da ISD, como a Dra. Luna Azulay (RJ), que já exercia um cargo na Sociedade Internacional e agora foi eleita assistente da secretaria geral do Executive Board e a Dra.Tânia Cestari (RS) que hoje está entre os vice-presidentes do Board of Director’s. O atual presidente da ISD é o Prof. Dr.Torello M. Lotti, professor titular de dermatologia e chefe do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Florença, Itália.


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 18

Capa

Campanha de Valorização do Dermatologista inova em formato e ganha projeção nacional

A

ntenada com a nova tendência do mercado de publicidade e entretenimento, a Sociedade Brasileira de Dermatologia resolveu apostar em um formato inovador para a Campanha de Valorização do Dermatologista. Em vez da tradicional campanha de publicidade, vai investir no fortalecimento de sua imagem através de conteúdo – brand content. A partir de setembro entra no ar o “Questão de Pele”, quadro semanal sobre a dermatologia no programa Happy Hour, do GNT. A primeira temporada terá 20 capítulos, com exibição prevista até janeiro de 2010. – Nos últimos anos, havia um esforço descentralizado entre a Nacional e as Regionais para disseminar nossa mensagem, normalmente nos canais tradicionais de publicidade, como

18 Jornal da SBD Ano XIII n. 4


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 19

Cada episódio apresentará temas relacionados à dermatologia de forma ética e científica, mas com linguagem apropriada para atrair o grande público da TV

Dermatologista, a SBD conta com o apoio da Theraskin, que aprovou a iniciativa de imediato. “Nós valorizamos o papel do dermatologista como o profissional que leva saúde e bem-estar, contribuindo para um aumento da qualidade de vida do paciente. Apostar nesse projeto é acreditar no crescimento da parceria da empresa com a SBD, uma entidade que é referência em cuidado, qualidade e responsabilidade. Queremos com essa parceria demonstrar que a Theraskin está envolvida com o desenvolvimento do médico”, afirma Samantha Mazzero, gerente de marketing da Theraskin. Os episódios abordarão temas selecionados em conjunto com a produção do GNT, que realiza pesquisas periódicas para medir o interesse do público-alvo do canal. Com boa parte da audiência no sexo feminino e nas classes A e B, os assuntos relacionados à cosmiatria, dermatologia pediátrica, a Laser e alergia já estão na pauta. “Mas também falaremos de psoríase, câncer de pele, acne e outros temas pertinentes a nossa área de atuação”, enfatiza o presidente.

Histórico de sucesso revistas, jornais, outdoors. Chegamos à conclusão de que o impacto era muito pequeno para o alto investimento que esse tipo de campanha demanda – diz o presidente Omar Lupi. No início deste ano, em encontro que reuniu todos os presidentes de Regionais, a diretoria se comprometeu a buscar alternativa para criar uma só Campanha de Valorização do Dermatologista em todo o país, otimizando custos para a Sociedade. A ideia foi apresentada em projeto desenvolvido pela Approach, assessoria de comunicação da SBD. “Cada episódio terá seis minutos de duração, em que haverá a oportunidade de apresentar temas relacionados à dermatologia de forma ética e científica, mas com linguagem apropriada para atrair o grande público da TV”, acrescenta Omar. Além da exibição na televisão, o programa também será disponibilizado no site do GNT e da SBD, com a abertura de um canal de contato com os dermatologistas para os telespectadores que tiverem dúvidas. Dessa forma, será mais uma oportunidade para que a SBD reforce a necessidade de procurar um associado da SBD e orientar a população sobre as doenças e os tratamentos que são realmente seguros e devidamente acompanhados de comprovação científica. Para a viabilização da nova Campanha de Valorização do

Desde 2006, a Sociedade Brasileira de Dermatologia vem realizando várias ações nacionais na mídia para esclarecer a população sobre a importância da escolha do dermatologista como profissional legitimamente habilitado a diagnosticar e tratar problemas relacionados à pele, cabelos e unhas. As primeiras inserções publicitárias realizadas pela SBD Nacional foram anúncios nas revistas Caras e Época e em alguns canais Globosat. Nos últimos anos, algumas Regionais potencializavam a Campanha com iniciativas locais, mas utilizando outras peças de publicidade. Nesse ano, a publicidade impressa dizia: "O espelho não mente. Mas nem sempre diz tudo. Consulte seu dermatologista regularmente". Já a campanha veiculada simultaneamente na TV mostrava o depoimento de um ator ressaltando que é possível unir os conceitos de beleza e saúde, desde que sejam seguidas as orientações dos médicos dermatologistas. Além disso, outros materiais, como panfletos, adesivos de carro, outbus, outdoors e rádio, levaram a mensagem à população. A iniciativa de promover a especialidade também inspirou algumas regionais a produzir campanhas valorizando a dermatologia em seus estados. O JSBD mostra uma compilação com algumas das campanhas divulgadas entre 2005 e 2007, nas regionais Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais. Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

19


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 21

Bronzeamento artificial:

golpe de mestre! Dr. Nilton Nasser – Chefe do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Nacional

Os malefícios à saúde da pele causados por lâmpadas emissoras de radiação ultravioleta A, utilizadas em salões de bronzeamento artificial

N

umerosos artigos sobre os efeitos da radiação ultravioleta, principalmente a UVA, têm sido publicados nas revistas especializadas nos últimos anos, provando, com dados estatísticos, relatos de casos e experimentos em animais, a ação carcinogênica (em especial melanoma maligno) e o fotoenvelhecimento provocados por esse tipo de radiação. Relatos de várias fontes (procure na internet “Sunbeds and carcinogenesis” ou “Sunbeds and photoaging” ou, ainda, “UVA and malignant melanoma”) mostram os malefícios à saúde causados por lâmpadas emissoras de radiação ultravioleta A, utilizadas indiscriminadamente em salões de bronzeamento artificial. Um estudo da Agência Internacional de Pesquisas do Câncer (IARC, sigla correspondente ao nome em inglês) indica que camas e lâmpadas ultravioletas de bronzeamento artificial são cancerígenas. A pesquisa, publicada na edição de julho da revista científica Lancet Oncology, classifica esses equipamentos no nível mais alto dos cancerígenos – conhecido como grupo 1 –, ao lado do gás mostarda e do arsênio, por exemplo. A indústria responsável pela fabricação dessas lâmpadas movimenta milhões de dólares e realiza movimento mundial para aprovação do procedimento, ou seja, radiação ultravioleta em câmeras de bronzeamento. Todos nós, médicos dermatologistas bem informados, sabemos que a radiação ultravioleta tem ação invasiva. Ela ultrapassa a epiderme, atinge a parte viva da pele, a derme, provoca a degeneração do colágeno (envelhecimento cutâneo) e estimula desordenadamente os melanócitos à produção de melanina, podendo causar melanoma maligno. Sabemos ainda que a radiação ultravioleta pode provocar reações benéficas em algumas dermatoses (psoríase, micose fungoide e outras), sendo porém devidamente controlada por dermatologistas que levam em conta o risco/benefício para o paciente, sempre atentos a qualquer informação carcinogênica que possa advir. Nos Estados Unidos, a Federal Drug Administration (FDA), equivalente a nossa vigilância sanitária, aprovou normas para o uso das câmaras de bronzeamento. Alguns colegas participaram da elaboração dessas normas, como, aliás, também aconteceu no Brasil.

Um dos principais dermatologistas americanos, Dr. Michael Franzblau, professor de dermatologia da Universidade da Califórnia, que participou da elaboração daquelas normas, arrependeu-se, porém, e publicou na revista da Skin Cancer Foundation um artigo em que solicita o fechamento de todos os salões de bronzeamento nos Estados Unidos, por ser impossível controlar os aplicadores não habilitados e os que não cumprem as normas do FDA – normas, diga-se, que não tornam seguro o processo de bronzeamento. Isso acontece também no Brasil, com normas promulgadas pela vigilância sanitária, de comum acordo com representantes da dermatologia brasileira e indústria fabricante de lâmpadas, e segundo as quais não é necessária a presença de especialista para controlar esses procedimentos invasivos (ato médico), realizados pelos mais diversos profissionais que atuam como esteticistas, cabeleireiros, quase todos sem formação universitária e sem habilitação para realizar essas aplicações. É suficiente que o salão de beleza ou clínica de estética exija de seus clientes atestado médico de que estão aptos ao bronzeamento artificial. Esse atestado médico é o verdadeiro “golpe de mestre” da indústria de lâmpadas e aplicadores de radiação ultravioleta para fins não terapêuticos (como se denominam), pois tira toda a sua responsabilidade quanto aos futuros malefícios dessa radiação ionizante. Sendo mais claro, qualquer envelhecimento cutâneo e/ou carcinoma da pele que o cliente venha a manifestar será de inteira responsabilidade do médico atestante. Podemos comparar com a indústria do fumo: seria absurdo atestarmos que a pessoa está apta a fumar, mesmo conhecendo os males do tabaco. Porque estão alertando a população para os malefícios do bronzeamento artificial (melanoma maligno e envelhecimento cutâneo precoce), alguns colegas médicos têm recebido correspondências ameaçadoras da “associação de aplicadores de radiação ultravioleta sem fins terapêuticos” que, no entanto, tem ignorado totalmente todas as publicações na literatura mundial. Em nossa humilde opinião, a aplicação da radiação ultravioleta A é procedimento invasivo, e sua prática deve ser restrita ao médico. Quem a estiver utilizando sem o devido credenciamento estará praticando exercício ilegal da medicina, além de colocar em risco a saúde da população. Colegas dermatologistas e colegas médicos, pelo bem de seus pacientes, não sejam coniventes e não tomem para si a responsabilidade dos males futuros a eles causados pela indústria e pelos aplicadores. Nossa primeira missão é não prejudicar (Non nocere). Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

21


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 22

O

IA AO ALCAN G CE LO

D E

DERMAÇÃO

A equipe de dermatologistas, residentes da Santa Casa e da UFRJ com os supervisores e médicos treinados da SMS de Búzios

DOS TO

Búzios

A DE RM AT

Solidariedade em

Médicos fazem ação de esclarecimento sobre hanseníase na cidade. Nos últimos dois anos, Búzios apresentou 21 novos casos da doença

U

m trabalho penoso, mas que valeu a pena. Foi assim que Anderson de Barros Abreu, idealizador e coordenador do Controle de Hanseníase em Armação dos Búzios, RJ, definiu o resultado da campanha social realizada nos meses de junho e julho naquele que é um dos mais belos balneários do estado. O objetivo foi promover por meio de aulas práticas e teóricas a capacitação de agentes comunitários de saúde (ACS) e facilitar o acesso da população ao exame clínico para identificação da hanseníase. Participaram da ação membros da ONG Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), o coordenador geral da entidade, Artur Custódio, os médicos dermatologistas Maria Leide Oliveira e José Augusto Nery, entre outros. A ação teve início no começo de junho e consistiu no treinamento de 33 agentes comunitários que atuam em oito postos de saúde da família (PSF) locais, além da

22 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

distribuição de car tilhas com informações sobre hanseníase, formas de manifestação da doença, procedimentos para identificação do problema e tratamentos. Búzios é o primeiro município em todo o país a receber a publicação, recém-lançada pelo Ministério da Saúde. Palestras ministradas pelo grupo de voluntários do Morhan nas escolas municipais, visitas dos ACS às famílias e agendamento de exame dermatológico para o mês seguinte em unidades de saúde também foram diretrizes da campanha. As consultas agendadas contaram com o apoio de quatro médicas pós-graduandas em dermatologia da Santa Casa do Rio de Janeiro, uma residente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de dermatologistas locais que, com a supervisão da Maria Leide de Oliveira e José Augusto Nery, orientaram os médicos e enfermeiros


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 23

DermAção dos PSF. No dia anterior, esses dois médicos também ministraram curso de capacitação. “Nossa equipe realizou 100 atendimentos na Policlínica Municipal, diagnosticamos e demos início ao tratamento de um caso de mal de Hansen de forma indeterminada”, ressalta Anderson Abreu. Foram examinadas, segundo sua informação, pessoas próximas que tiveram contato com portadores da doença, pacientes que após o tratamento apresentavam formas variadas de reação e pessoas com sintomas iniciais da doença, tendo sido feitos diagnóstico e orientação de outros casos de dermatoses, incluindo um carcinoma basocelular. “Nossa meta era a descentralização do atendimento e a capacitação dos médicos e enfermeiros. A doença é 100% curável, e o tratamento, mais eficaz quando ela é descoberta logo no início”, afirma o médico, acrescentando que mesmo após os exames a campanha continua na cidade. Segundo dados do Ministério da Saúde são 40 mil novos casos de hanseníase por ano, 7% dos quais diagnosticados com alguma sequela. Desde 2007, Búzios apresentou 21 novos casos da doença, número considerado alto. “Existem pacientes ocultos que ainda não sabem que têm a doença. Um aspecto inusitado da cam-

panha é que, além de trabalhadores de Búzios, foram examinadas pessoas oriundas da Baixada Fluminense. Reiteramos a importância da atenção de todos para o diagnóstico precoce. Esse é o fator crucial para o combate da doença, que tem cura”, comenta Maria Leide de Oliveira, membro do Comitê Assessor da Organização Mundial de Saúde (OMS) e ex-coordenadora do Programa Nacional de Controle da Hanseníase.

SBD apoia a Campanha A Sociedade Brasileira de Dermatologia ofereceu kits de estesiômetros – que foram usados nos postos de atendimento para o mapeamento dos graus de incapacidade de mãos, pés e olhos – e camisetas aos participantes. Com o slogan ‘Hanseníase tem cura! Sem medo e preconceito’, o material foi de grande valia para a equipe. “Quero testemunhar meu agradecimento ao presidente Omar Lupi pela ajuda à Campanha e doação dos equipamentos que muito nos ajudaram, além de todos que, voluntariamente, participaram da jornada. A meta para um melhor controle da hanseníase foi alcançada, indício de que fizemos um bom trabalho”, comemora Anderson Abreu.

DOS


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 24

SBD apresenta ao MEC proposta de regulamentação dos cursos de dermatologia no Brasil Comissão liderada pela SBD busca regulamentação para combater proliferação de cursos de especialização não reconhecidos pelas sociedades médicas

“Acreditamos que a função de políticas de saúde não deva ficar restrita ao Conselho Federal de Medicina e, por isso, temos nos posicionado ativamente nessa questão que é tão importante para a dermatologia”

24 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

Jos Om dir Su ee se Bo e De

A

tual preocupação das entidades médicas nacionais, os cursos não reconhecidos de especialização continuam em expansão, aproveitando-se das brechas existentes na legislação brasileira. Na dermatologia, uma das maiores queixas são os cursos de pós-graduação aprovados pelo Ministério da Educação (MEC) com carga inferior à dos programas de Especialização e Residência Médica dos serviços credenciados. Para aprimorar as políticas públicas do ensino superior em medicina, uma comissão formada por membros da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Médica Brasileira (AMB) reuniu-se no final de julho com o diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Paulo Wollinger, e o deputado federal Eleuses Paiva, ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB). Representaram a SBD o presidente, Omar Lupi, a vicepresidente, Bogdana Victória Kadunc, e o segundo secretá-


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 25

José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB, Omar Lupi, presidente da SBD, Paulo Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Eleuses Paiva, deputado federal e ex-presidente da AMB, Emerson Andrade, secretário da SBD, José Tariki, presidente da SBCP, Bogdana Victória Kadunc, vice-presidente da SBD e Denis C. Loma, diretor do Departamento de Defesa Profissional da SBCP

rio, Emerson de Andrade Lima. “Convidamos a SBCP para fazer uma frente ampla junto ao Ministério da Educação, a fim de esclarecer nosso compromisso com o bom exercício da medicina. Sugerimos a revisão da atual política de ensino superior na área de saúde com a garantia da formação de profissionais qualificados, além do reconhecimento da residência médica como melhor instrumento de complementação da formação médica”, frisa Omar Lupi. Segundo Eleuses Paiva alguns cursos que têm a aprovação do MEC são propositalmente apresentados para iludir os alunos. “Isso dá a impressão de que sua realização implica a obtenção da especialização médica. É necessário criar maneiras de solucionar a questão, já que o próprio MEC tem consciência de que isso vem ocorrendo notadamente nas áreas de medicina estética e odontologia”, explica Paiva, acrescentando que os cursos configuram risco para a população, que, ingênua e inadvertidamente, se submete aos serviços de tais ‘profissionais’, e enorme transtorno para as entidades médicas, que se sentem impotentes, por falta de mecanismos que possam frear tal situação. Paulo Wollinger informa que está sendo elaborado um plano de ação para orientar e evitar que jovens recém-formados optem por pós-graduação não reconhecida.“Após a implementação do sistema de cadastro discente de pósgraduação, teremos melhor controle de quais cursos são regulares ou não, bem como se cumprem os critérios legais de funcionamento”, explica. Em relação à residência médica, Eleuses Paiva anuncia o início de uma discussão sobre a possibilidade de ela vir a ter equivalência de pós-graduação em nível de mestrado: “Vários países da Europa vêm apresentando essa tendência”, afirma.

Avanço essencial

“O encontro serviu para sensibilizar o MEC e tentar mostrar que a área de saúde deve ser tratada de maneira diferente. Estamos verdadeiramente dispostos a defender ações que dignifiquem e valorizem nossa categoria”

providências contra o aparecimento de cursos-relâmpago de dermatologia.Acredito que esse foi o passo decisivo para solucionar um problema que aflige há anos nossa especialidade”, ressalta. O encontro, intermediado por Gerson Penna (vice-presidente da SBD 2005/2006), serviu para sensibilizar o MEC e tentar mostrar que a área de saúde deve ser tratada de maneira diferente. “Estamos verdadeiramente dispostos a defender ações que dignifiquem e valorizem nossa categoria”, complementa Bogdana Kadunc. Consciente da importância dessa discussão, Lupi tem lutado incansavelmente pela valorização e pelo respeito aos profissionais da dermatologia. “Acreditamos que a função de políticas de saúde não deva ficar restrita ao Conselho Federal de Medicina, e, por isso, temos nos posicionado ativamente nesta questão que é tão importante para a dermatologia”, conclui. Também participaram do encontro o presidente da SBCD, José Y. Tariki, o diretor do Departamento de Defesa Profissional da SBCP, Dênis Calazans Loma, e o presidente da AMB, José Luiz Amaral. “Há muito tempo os associados esperavam uma atitude como essa da diretoria da SBD. Somos abordados diariamente por nossos associados solicitando providências contra o aparecimento de cursos-relâmpago de dermatologia. Acredito que esse foi o passo decisivo para solucionar um problema que aflige há anos nossa especialidade”

O presidente da Regional Pernambuco, Emerson de Andrade, admite que a dermatologia brasileira vive um momento histórico.“Há muito tempo os associados esperavam uma atitude como essa da diretoria da SBD. Somos abordados diariamente por nossos associados solicitando

Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

25


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 26

União da SBD com regionais teve papel decisivo no resultado das eleições do Conselho Federal de Medicina A Sociedade comemora bom desempenho dos candidatos apoiados e atribui resultado ao trabalho realizado em parceria com as regionais

U

m acontecimento inédito marcou as eleições do Conselho Federal de Medicina (CFM) deste ano. O resultado das urnas apontou que mais de 93% dos candidatos apoiados pela SBD em seus estados foram eleitos para a gestão 2009-2014. A ampla vitória indica que funcionou a aproximação da SBD e suas regionais para eleger um representante que efetivamente defenda os anseios dos associados. “A escolha das regionais deu-se basicamente na tentativa de encontrar o nome mais adequado e que pretenda dar voz à dermatologia brasileira. A SBD nunca esteve tão organizada para trabalhar junto com todos os dermatologistas do Brasil”, salienta o presidente, Omar Lupi. Dessa forma, a Sociedade reforça sua presença na formulação de políticas de saúde, indo além da missão de desenvolver o estudo e a pesquisa científica no país. Segundo Lupi, a mobilização política não deve estar restrita ao Conselho Federal de Medicina, e a SBD tem lutado insistentemente para melhorar a situação da dermatologia. “A mobilização é contínua e está ganhando cada vez mais importância. A Sociedade quer mostrar sua força de atuação não só na política de gestão acadêmica, mas também de saúde”, assegura. O presidente Everson Leite, da SBDAL, acredita que a entidade está trilhando o caminho certo. “Acho válida a preocupação da SBD Nacional de ter ao nosso lado representantes com quem podemos manter relações que visem à satisfação de interesses comuns a todos os associados. Dito isso, penso que o medo foi superado pela compreensão de que a SBD exerce, também, um papel político fundamental”, acrescenta. Naquele estado foi vencedora a chapa composta por Emmanuel Fortes Cavalcanti e Alceu José Pimentel.

“A ação conjunta com a SBD Nacional, respaldando e divulgando esse apoio reforçou a ideia da necessidade de elegermos, em cada estado, candidatos que representem e defendam, entre outras coisas, as especialidades médicas estabelecidas e reconhecidas” Maria de Fátima Melo Borges - Presidente da SBD-MG

26 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

“Acho válida a preocupação da SBD Nacional de ter ao nosso lado representantes com quem podemos manter relações que visem à satisfação de interesses comuns a todos os associados. Penso que o medo foi superado pela compreensão de que a SBD exerce, também, um papel político fundamental” Everson Leite - Presidente da SBD-AL A presidente da SBD-GO, Marilene Silvestre, também compartilhou sua satisfação pela vitória alcançada em seu estado. “A eleição do CFM em Goiás teve vitória da chapa Cacilda e Aldir, que era apoiada por nós. Ganhamos com larga margem de votos (mais de 60%) em relação à concorrente. O trabalho conjunto da SBD Nacional e da SBD-GO foi de suma importância para a decisão dos votos da dermatologia, além do trabalho bem próximo ao sócio feito pela nossa regional”, relata Marilene Silvestre. A chapa de Hermann Vivacqua Von Tiesenhausen, candidata ao CFM em Minas Gerais e apoiada pela SBD-MG, foi eleita com 55% dos votos. Para a presidente, Maria de Fátima Melo Borges, a vitória nas urnas é prenúncio de que os interesses da dermatologia serão atendidos na região. “Além de falarmos sobre a necessidade dos dermatologistas de comparecer e votar, pedimos que informassem aos demais colegas médicos de suas relações sobre a importância para a dermatologia mineira da escolha do candidato que realmente represente nossos interesses. E a ação conjunta com a SBD nacional, respaldando e divulgando esse apoio reforçou a ideia da necessidade de elegermos, em cada estado, candidatos que representem e defendam, entre outras coisas, as especialidades médicas estabelecidas e reconhecidas”, garante.

Um perfil dos vencedores Antonio Gonçalves Pinheiro, da Comissão Mista de Especialidades, assumirá o cargo de conselheiro federal pelo Pará. O novo representante reafirma seu compromisso na luta a favor da dermatologia e contra a proliferação dos cursos de medicina. “A SBD tem sido presente e dado contri-


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 27

REGIONAL

CHAPA APOIADA E VITORIOSA

AL

Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti (Efetivo) e Alceu José Peixoto Pimentel (Suplente)

Chapa 2

AM

Júlio Rufino Torres (Efetivo) e Ademar Carlos Augusto (Suplente)

Chapa 2

BA

Jecé Freitas Brandão (Efetivo) e Ceuci de Lima Xavier Nunes (Suplente)

Chapa 1

CE

José Albertino Souza (Efetivo) e Lúcio Flávio Gonzaga Silva (Suplente)

Chapa 1

DF

José Antônio Ribeiro Filho (Efetivo) e Elias Fernando Miziara (Suplente)

Chapa 3

ES

Celso Murad (Efetivo) e Jailson Luiz Tótola (Suplente)

Chapa 2

GO

Cacilda Pedrosa de Oliveira (Efetivo) e Aldair Novato Silva (Suplente)

Chapa 1

MA

Abdon José Murad Neto (Efetivo) e Antônio de Pádua Silva Sousa (Suplente)

Chapa 1

MG

Hermann Vicacqua Von Tiesenhausen (Efetivo) e Alexandre de Menezes Rodrigues (Suplente)

Chapa 2

MS

Mauro Luiz de Brito Ribeiro (Efetivo) e Ana Maria Vieira Rizzo (Suplente)

Chapa 1

MT

José Fernando Maia Vinagre (Efetivo) e Alberto Carvalho de Almeida)

Chapa 2

PA

Antônio Gonçalves Pinheiro (Efetivo) e Waldir Araujo Cardoso (Suplente)

Chapa 2

PB

Genário Alves Barbosa (Efetivo) e Geraldo de Almeida Cunha Filho (Suplente)

Chapa 1

PE

Carlos Vital Correa Lima (Efetivo) e André Longo Araujo de Melo (Suplente)

Chapa 1

PI

Luiz Nodgi Nogueira Filho (Efetivo) e Wilton Mendes da Silva (Suplente)

Chapa 1

PR

Gerson Zafalon Martins (Efetivo) e Lisete Rosa e Silva Benzoni (Suplente)

Chapa 1

RJ e FLU

Aloísio Tibiriça Miranda (Efetivo), Makhoul Moussallem (Suplente)

Chapa 1

RN

Rubens dos Santos Silva (Efetivo) e JeanCarlo Fernandes Cavalcanti (Suplente)

Chapa 2

RS

Cláudio Balduino Souto Franzen (Efetivo) e Antônio Celso Ayub (Suplente)

Chapa 1

SC

Roberto Luiz D'Avila (Efetivo) e Marta Rinaldi Muller (Suplente)

Chapa 1

SE

Henrique Batista e Silva (Efetivo) e Glória Tereza Lima Barreto Lopes (Suplente)

Chapa 1

SP

Desiré Carlos Calegari (Efetivo) e Renato Françoso Filho (Suplente)

Chapa 1

buição firme nas questões das especialidades desde que atuo no CFM. Contei com o apoio dos dermatologistas do meu estado em minha reeleição e tenho para com eles a promessa de dedicação em nossas atividades. As sociedades terão em mim um dedicado interlocutor, dentro das minhas possibilidades, inclusive para coibir cursos que não garantam o adequado preparo profissional.” Eleito pela primeira vez para o quinquênio 1998-2003 do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), o médico Desiré Carlos Calegari assume outra vez o cargo de dirigente do Conselho e garante assistência irrestrita à SBD. “Para representar a dermatologia, assim como todas as especialidades reconhecidas, em sua valorização e no campo da defesa profissional, nossa atuação deve ser no estrito cumprimento dos preceitos éticos. Para isso temos um Código de Ética Médica – que ainda este ano irá sofrer atualização, pois sua atual edição data de 1988 – e Resoluções dos Conselhos Regionais e Federal que nos balizam no fiel cumprimento desse mister. Temos que estimular nas sociedades de especialidade a formação de Comitês de Ética Profissional, a exemplo do que ocorre na Sociedade de Cirurgia Plástica, entre outras medidas”, afir-

ma Calegari, que também é vice-presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo. Em Santa Catarina, Rober to Luiz D’Avilla sagrou-se vencedor com 72% dos votos. O trabalho realizado no estado foi amplamente traduzido nas urnas. Assim como as demais regionais, a SBD-SC assinala a impor tância de um representante que atue na linha de frente nas questões que envolvem a dermatologia. “O CFM e a SBD têm sido parceiros em muitas lutas. Um aspecto crucial vem sendo o das áreas de atuação, atacando a par te chamada de puramente ‘estética’, exercida por profissionais sem formação especializada em dermatologia e em espaços inadequados para o exercício profissional. É necessário valorizar cada vez mais o médico com formação especializada e reconhecida no exercício da dermatologia.” A Sociedade Brasileira de Dermatologia enfatiza a importância de manter papel ativo nas discussões de política nacional, e o resultado das eleições do CFM demonstra que os associados estão na mesma sintonia: há luta permanente pela participação efetiva nas decisões da categoria. Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

27


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 28

Profissões e Dermatoses Ocupacionais

Alice O. A. Alchorne

Agentes da saúde Conheça as dermatoses que mais acometem os trabalhadores cuja função é promover e prevenir a saúde da população

E

sse setor abrange número muito elevado de profissões – desde médicos, dentistas, enfermeiros, farmacêuticos a laboratoristas, nutricionistas, fisioterapeutas e veterinários. Em alguns países elas representam o maior grupo ocupacional que também está entre os cinco com maior incidência de dermatoses ocupacionais (DO). Em hospitais, de 12% a 21% dos profissionais apresentam DO, especialmente os jovens. Atopia, trabalho úmido e algumas dermatoses favorecem o aparecimento dessas doenças. Os profissionais de enfermagem, seguidos de dentistas e médicos, são os mais suscetíveis. As dermatoses e suas incidências variam de acordo com cada profissão e conforme a especialização. São muito diferentes, por exemplo, os tipos de exposição do clínico, cirurgião ou laboratorista a riscos ocupacionais. As dermatites de contato são as principais DO no setor, sobretudo a dermatite de contato irritativa (DCI), e a mão é a localização mais frequente da doença. Os principais agentes desencadeadores de DCI são os sabões e soluções antissépticas (hexaclorofeno, formaldeído, cloro-hexidine, glutaraldeído, álcool e povidine), umidade para enfermeiros e cirurgiões (devido à frequente lavagem das mãos), luvas (suor, pH da luva, talco, material do produto), solventes e materiais de laboratório.

28 Jornal da SBD Ano XIII n. 4


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 29

DIAGNÓSTICO Os exames laboratoriais mais utilizados são os testes alérgicos (testes de contato com bateriaspadrão e específicas, prick test e Rast).

PREVENÇÃO Depende de cada agente desencadeador, mas medidas básicas são fundamentais, como higiene, uso de cremes emolientes, equipamento de proteção individual (EPI) adequado e afastamento do alérgeno. Para os alérgicos à borracha é indicado o uso de luvas de vinil. Os acrilatos atravessam a borracha, e as luvas devem ser de nitrila ou vinil; outras sugestões seriam usar duas luvas de borracha por pouco tempo ou executar o trabalho sem tocar o alérgeno, só o fazendo com o auxílio de instrumentos. Herpes simples ocupacional

A dermatite de contato alérgica (DCA) nesses trabalhadores pode ser induzida por antimicrobianos (formaldeído, povidine, hexaclorofeno, cloro-hexidine, glutaraldeído, metil-bromo-glutaronitrila e álcool), resinas acrílicas e epóxi para próteses e cimentos ortopédicos e dentários, vulcanizadores das luvas de borracha, fragrâncias de cremes, metais e borracha de equipamentos, medicamentos (penicilina, timerosal, sulfas, proparacetamol, fenotiazinas, anestésicos – as caínas), reveladores radiológicos, corantes e resina epóxi de óleo de imersão em laboratoristas.

Cuidado com as luvas Os medicamentos deixaram de ser os principais alérgenos nessa categoria profissional, dando lugar às luvas de borracha, resinas e antimicrobianos. As DCs manifestam-se em geral por lesões eczematosas eritêmato-descamativas. A DCI acomete frequentemente as palmas, e nas DCAs a localização varia conforme o alérgeno. A DCA por luvas de borracha localiza-se mais comumente no dorso das mãos e nos punhos, e os acrilatos induzem a pulpites (lesões nas pontas dos dedos) por vezes ceratósicas e fissuradas e parestesias nos dedos. A ur ticária de contato (geralmente hipersensibilidade imediata mediada por IgE) tem tido maior incidência

com o uso cada vez mais frequente de luvas de látex por esses profissionais. Embora as estatísticas variem de país para país, estima-se que entre 5% e 10% dos médicos e enfermeiros sejam afetados. O talco das luvas retém o látex, podendo desencadear quadros de ur ticária e respiratórios e anafilaxia por esse aerodispersoide. Outros alérgenos são os antibióticos, clorpromazina, álcool e salicilato. Morfina e codeína também desencadeiam ur ticária de contato, que, nesse caso, entretanto, é não imunológica (liberação química de histamina pelo mastócito). Outras dermatoses comuns são as infecções, essas de difícil estabelecimento se de nexo ocupacional. Podem ser bacterianas (estafilococcia, estreptococcia, tuberculose e hanseníase), fúngicas (candidíase), virais (herpes simples e verrugas), parasitárias (pediculose e escabiose). Dermatoses ocupacionais mais raras nos profissionais de saúde por agentes químicos são vitiligo em técnicos de radiologia pela hidroquinona, câncer por formol e erupção acneiforme por anestésicos halogenados. Os agentes físicos são raros causadores de DO nesses trabalhadores e próprios de algumas profissões (radiodermite e câncer nos radiologistas, traumas e atrito crônico que induzem a queratoses e psoríase, queimaduras por raios ultravioleta e infravemelho) Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

29


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 30

SBD comprova força de atuação junto a gestores de saúde em audiência na capital federal Com posição clara, ética e firme, entidade tem agido de forma vigorosa junto ao Ministério da Saúde nas tomadas de decisão para o tratamento da psoríase

A

SBD vem atuando de forma mais ativa junto aos gestores de saúde para buscar posicionamento mais efetivo no cenário médico e político do país. A diretora de Ações Institucionais, Cláudia Maia, e a coordenadora do grupo de psoríase, Luna Azulay, estiveram em Brasília no início de maio para audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), quando foi discutida a incorporação de medicamentos de alto custo e tecnologias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A sessão ocorrida nos dias 4 e 7 de maio, foi liderada pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, e contou com a participação do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, além de representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), Conselho Federal de Farmácia (CFF), Anvisa, associações de pacientes, procuradores da República e representantes da sociedade civil. Na ocasião, as doutoras Cláudia e Luna entregaram cópias de documento relatando as ações e políticas de saúde desenvolvidas pela SBD ao diretor da Comissão de Incorporação de Tecnologias (Citec), Cláudio Maierovitch, ao secretário de Atenção à Saúde (SAS), Alber to Beltrame, e ao secretário de Ciência,Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), Reinaldo Guimarães. O documento defende a ideia de que as sociedades de especialidade atuem dando supor te e balizando as tomadas de decisão frente à regulamentação de medicações e terapias, como fototerapia e imunobiológicos. Segundo Cláudia Maia, assim que o Consenso Brasileiro de Psoríase estiver atualizado, o que deverá acontecer nos próximos meses, o documento – que aponta as diretrizes do tratamento contra a doença – será reencaminhado à Comissão. “A Sociedade deu um passo impor tante ao iniciar seu posicionamento proativo frente ao cenário político dos gestores de saúde, e pretendemos continuar com essas ações não só com relação à

Audiência marca interação entre SBD e Ministério da Saúde

30 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

psoríase, mas também a outras doenças”, ressaltou Cláudia Maia. “O objetivo institucional a ser alcançado pela SBD é passar a servir como parceira e interlocutora da Anvisa e do CFM, da mesma forma que a Academia Americana de Dermatologia atua junto ao FDA”, comenta Omar Lupi, presidente da SBD. Em complemento a essas ações, nos meses de junho e julho foram realizados novos encontros em Brasília para definir as estratégias de políticas de saúde sobre psoríase elaboradas pela SBD, assim como fortalecer atuação junto à SAS para lutar pela incorporação de medicamentos tópicos na farmácia popular do SUS. “Dessa forma vamos atingir todos os níveis de tratamento da doença, dos menos graves aos mais graves, e com isso atuar de forma global para o bem-estar do portador de psoríase”, complementa Cláudia Maia, que foi acompanhada pelo dermatologista Paulo Oldani. Nessa reunião, a coordenadora geral do SAS, Maria Inez Gadelha, disse que a SBD chegou no momento certo, pois mais de 80 protocolos de doenças estão sendo revistos até o final do ano, e psoríase é um deles.“Ela afirmou ainda que aguardará o novo consenso de psoríase da SBD, além do envio de algoritmo detalhado de tratamento”, aponta Cláudia, acrescentando que a entidade está concluindo a formatação de um censo epidemiológico de psoríase em todo o Brasil ainda este ano. O intuito é reunir dados nacionais sobre a doença, já que ainda não há no país um estudo dessa grandeza.“Esse estudo terá ainda importância fundamental para compor a extensa lista de documentações necessárias para que possamos pleitear oficialmente a incorporação dessas novas tecnologias ao tratamento da psoríase. Acreditamos serem essenciais esses passos coordenados para conseguirmos avançar na modificação de política de saúde atualmente vigente em psoríase”, concluiu.


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 31

Grandes Mulheres da Humanidade

Édith Piaf fez o mundo ver a vida em cor-de-rosa Non... rien de rien.../Non... je ne regrette rien C'est payé, balayé, oublié/Je m’en fous du passé! Não, nada de nada.../Não... Eu não lamento nada Está pago, varrido, esquecido/Não me importa o passado!

C

abelos em desalinho, rosto redondo e expressivo, olhos azuis, pequenina. Com aparência frágil e apenas 1,47m de altura, Édith Giovanna Gassion, conhecida como Édith Piaf, era dona de voz comovente e inconfundível. Nascida em 1915 em Paris, fez história na música francesa e mundial, conquistando amores famosos na literatura, nas artes plásticas e no cinema. Desde a infância, contudo, teve a vida marcada por tragédias pessoais, o que exerceu forte influência em seu estilo interpretativo, sempre lírico e pungente. Filha de contorcionista acrobata e de cantora de cabaré, Édith viveu grande parte da vida com a avó paterna, assim que os pais se separaram. Parou de enxergar de maneira súbita e temporária, quando tinha sete anos. De origem pobre, para sobreviver ganhava uns trocados cantando nas ruas e cafés de Paris. Em 1932, aos 16 anos, apaixonou-se por Louis Dupont e com ele teve uma filha, Marselle, que, acometida de meningite, morreu no segundo ano de vida. Sua trajetória mudou quando conheceu Louis Leplée – que mais tarde seria seu amante – proprietário do cabaré Le Gerny's, situado em Champs Elysées, um dos refúgios de foliões e mendigos de Paris. Impressionado com sua voz, Leplée convidou-a para um teste. Édith, na época com 20 anos de idade, saiu-se muito bem e fechou contrato para trabalhar no cabaré, recebendo 40 francos por noite. Partiu de Leplée a ideia de chamá-la de “Piaf ” (pardal, em francês) devido à voz aguda e aos célebres vestidos pretos. Em 1937, já adorada pelos franceses, “Mome Piaf ” (pequeno pardal) teve rápida e brilhante ascensão artística. Tempos depois, Leplée foi encontrado morto, e a cantora acabou sendo suspeita de assassinato. A imprensa acu-

sou-a do crime e, sentindo-se desprotegida, Édith Piaf entregou-se a vida desregrada. Não havia um beco na cidade que ela não conhecesse bem. A cantora foi consagrada no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando se tornou a principal musa inspiradora de poetas e intelectuais existencialistas de Paris. Jean-Paul Sartre estava para a literatura, assim como Édith Piaf para a música. Na época, ganhou admiração incondicional do público e voltou a fazer parte dos grandes cenários da França, Europa e América. Fez amizade com Marlene Dietrich e relacionou-se com intelectuais, como Jean Cocteau. Numa viagem a Nova York, em 1946, Piaf apaixonou-se por aquele que seria o grande amor de sua vida: o boxeador franco-argelino Marcel Cerdan, morto em 1949, num desastre de avião. Desde então, recorreu ao álcool e a tranquilizantes para afastar a profunda dor que sentia. Grandes sucessos como “La vie en rose” e “L’hymne à l’amour” surgiram nesse período e conquistaram o mundo. Um ano depois apresentou-se no Olympia e em 1956 no Carnegie Hall, em Nova York, na época as melhores casas de shows do circuito. Após um acidente, Piaf tornouse viciada em morfina. Outras doenças surgiram, e, em 1959, foi diagnosticado um câncer de fígado. Em seus últimos anos de vida, Piaf viveu longe dos palcos e casou-se com o grego Theo Lambuskas, de 23 anos. Faleceu em 10 de outubro de 1963, aos 47 anos. Mais de 40 mil pessoas acompanharam o enterro de uma das maiores cantoras de toda a história, cujo repertório ultrapassa 240 canções gravadas e que até hoje emociona seu público. Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

31


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Departamentos

Page 33

Cosmiatria e Laser

O Departamento de Cosmiatria e Laser da SBD, em parceria com a Regional RJ e o Capítulo de Cosmiatria do Cilad, anuncia a realização do II Simpósio Nacional de Cosmiatria e Laser da SBD nos dias 6 e 7 de novembro, no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A programação terá conteúdo ágil e atualizado, priorizando os mais diversos níveis de aprendizado, desde o básico até o avançado. No dia 5 de novembro, 17 cursos práticos anteciparão o Simpósio e serão ministrados em quatro hospitais: Instituto de Dermatologia Prof. Azulay, na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj) e Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. No dia seguinte, o evento contemplará um painel de procedimentos ao vivo (PPV) dividido em abordagens de áreas como envelhecimento facial global, região periocular, perioral, pescoço, colo e outras. No dia 7 de novembro, a agenda do evento trará três importantes blocos: ‘Como eu trato: comparando condutas’, ‘Polêmicas em Cosmiatria’ e ‘Pérolas em Cosmiatria e Laser’.“No painel ‘Como eu trato’,

dois palestrantes vão debater temas de difícil controle terapêutico, como melasma, cicatrizes e queloides, sempre por ângulos diferentes: um mais conservador e outro mais invasivo. No final do evento, o Simpósio vai brindar os dermatologistas com dicas práticas e inovadoras para o manuseio do rejuvenescimento labial e corporal, o uso da toxina botulínica, o embelezamento do fio capilar, entre outras”, comenta Andréia Mateus Moreira, coordenadora do Departamento de Cosmiatria e Laser da SBD. Também integrarão o grupo de palestrantes três convidados estrangeiros que vão compartilhar as novidades no Laser e nos tratamentos combinados na área de cosmiatria. "Em relação à última edição, tentaremos dar mais ênfase à discussão. O evento tem tudo para ser um dos maiores da dermatologia este ano, pois faremos grande atualização nessas duas áreas muito presentes no dia a dia do dermatologista, proporcionando desde cursos práticos a painel de procedimentos ao vivo, além de muitas novidades e discussão na parte teórica.", ressalta Alexandre Filippo, coordenador do Departamento de Cosmiatria e Laser.

Alergia Dermatológica e Dermatologia

Ocupacional Até o dia 16 de setembro, estão abertas as inscrições para o 3o Simpósio Latino-Americano de Dermatite de Contato e o 1o Simpósio de Alergia Dermatológica e Dermatologia Ocupacional do Cilad. Os eventos vão ocorrer nos dias 25 e 26 de setembro, no auditório da Fecomércio, na capital paulista. No primeiro dia haverá cursos práticos sobre testes de contato, no Serviço de Dermatologia do Hospital Municipal, ministrado por Susana Lu Chen Wu, e na Dermatologia da Fundação ABC, com aulas de Roberta Jardim Criado. Ainda serão realizadas palestras, em quatro módulos, sobre fisiopatogenia e bases terapêuticas das dermatoses alérgicas; pruridos, urticária e angioedema; eczemas; farmacodermias. Mais de 20 palestrantes do Brasil foram convidados,além de nove estrangeiros,de países como Argentina,Peru e Colômbia. “Pela esmerada programação, com palestrantes do mais alto nível, já se pode antever que o evento será muito proveitoso, com boa aplicabilidade prática no dia a dia de nossas atividades”, afirma Alice Alchorne, coordenadora do Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD.

Teledermatologia Urticária foi o tema da palestra on-line realizada no dia 13 de julho via internet para todos os associados. Na aula, ministrada por Paulo Ricardo Criado, dermatologista da Divisão de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), ganharam destaque as dificuldades do manejo dos doentes com urticária crônica idiopática. De acordo com Criado, casos similares são frequentes nos consultórios de dermatologistas de todo o Brasil, constituindo-se, muitas vezes, desafio terapêutico. "Considero um mito que não consigamos tratar satisfatoriamente esses doentes. É necessário ter paciência para encontrar a melhor terapia para cada caso e desenvolver uma relação positiva médico/paciente", assegura ele, que na gestão de Alice Alchorne, em 2006, foi um dos idealizadores do sistema de telemedicina.

Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

33


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 34

Hanseníase Chefiado por Joel Lastória, o Departamento realizou o 2o Simpósio Nacional de Hanseníase, no dia 25 de julho, em Recife. Os mais de 100 inscritos assistiram a palestras sobre diagnóstico clínico da doença, novos tratamentos, métodos laboratoriais, entre outros temas relevantes. Com plenária de dermatologistas que atuam em hanseníase no Nordeste e em outras regiões do país, o evento contou com a presença dos palestrantes Dilhermando Calil, Maria Ângela Trindade, Maria Stella Putinatti e João Carlos Simão, todos de São Paulo; Heitor Gonçalves (CE); Maria Leide W. Oliveira e Nadia Duppri (RJ) e Maria Aparecida Grossi (MG), do Programa Nacional de Controle da Hanseníase do Ministério da Saúde. “Foram muito importantes as participações dos membros da SBD pernambucana: Sergio Palma, Paulo Roberto Guedes, Iara Sant’Anna e

José Lastória durante a abertura do Simpósio

Rosa Lapenda, dermatologistas locais, referências da área e que demonstraram total integração com o Departamento”, destaca Joel Lastória, que também agradeceu a colaboração do Ministério da Saúde, o apoio da Fundação Paulista Contra a Hanseníase e do presidente da SBD-PE, Emerson de Andrade Lima, para realização do evento.

Serviços Credenciados Hospital das Clínicas da Unicamp O Hospital das Clínicas da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp vem promovendo há dez anos reuniões mensais anatomoclínicas com o objetivo de apresentar e discutir os casos de maior complexidade observados durante o mês. Desde 2006, sob a coordenação de Paulo Eduardo Velho, criou-se a reunião "Reciclando dermatologia", cujos participantes – os Serviços de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, PUC Campinas, Faculdade de Medicina de Jundiaí e, recentemente, Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes – apresentam casos ao vivo, seguidos de aula expositiva de revisão ou atualização e de apresentações anatomoclínicas. Os casos clínicos são expostos pelos residentes daqueles serviços. "Estes eventos têm sido de alto nível, e observamos número crescente de participantes, sobre-

Membros participantes do "Reciclando dermatologia"

tudo de dermatologistas de Campinas. Os coordenadores dos serviços participantes ficam gratificados com o êxito e convidam novos colegas a frequentar", relata Aparecida Machado de Moraes, chefe do Depar tamento de Dermatologia da Unicamp.

Unicinco Na Associação Paulista de Medicina realizou, no dia 26 de junho, o I Simpósio Estadual Unicinco. O evento contou com a participação de vários dermatologistas, entre eles Domingos Jordão Neto, chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital Heliópolis, Mário Cesar Pires, diretor do Ser viço de Dermatologia Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos, e Paulo Cunha, chefe do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Dermatite atópica, notalgia parestésica, doenças granulomatosas e fisiopatologia da psoríase foram os temas explorados no encontro. A Unicinco ressalta que o evento foi de suma importância e convida outros dermatologistas a participar. "Estamos trabalhando

34 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

Dermatologistas do Grupo Unicinco

para melhorar ainda mais a qualidade de ensino, enfatizando a dermatologia clínica no aprimoramento curricular dos residentes desses serviços".


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 35

XI Jornada de Dermatologia Cosmiátria da Policlínica Geral do Rio de Janeiro O Serviço de Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro (PGRJ) realizou a XI Jornada Cosmiátrica no dia 15 de agosto. O evento, tradicional na área de cosmiatria, contou com a presença de palestrantes renomados de todo o país. Andréia Mateus Moreira, coordenadora do evento há 11 anos, destacou a valiosa contribuição que a jornada vem prestando às áreas de cosmiatria e de Laser do Rio e Brasil. “Ficamos muito satisfeitos com o sucesso do nosso encontro e vamos trabalhar para que o próximo seja ainda melhor”, afirma.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) sediou a 3a Jornada Dermatológica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no dia 20 de junho. Mais de 180 inscritos assistiram à palestra de Thais Proença, de São Paulo, que ministrou aula sobre o uso da isotretinoína na acne e também foi debatedora do painel de casos clínicos ao lado de Laura Luzzatto e Lucio Bakos, ambos do Rio Grande do Sul. Na oportunidade, o chefe do Serviço de Dermatologia da UFCSPA, Renan Bonamigo, assumiu a vicediretoria do curso de medicina, substituindo a neurologista Ana Guardiola.

Hospital Estadual Guilherme Álvaro O 2o Distrito Dermatológico da região de Santos e a disciplina de dermatologia do Centro Universitário Lusíada (Unilus) promoverão no próximo dia 26 de setembro a tradicional Jornada do Professor Ney Romiti, que acontecerá em dois lugares: no Hospital Estadual Guilherme Álvaro, a demonstração de casos dermatológicos, e na Faculdade de Medicina da Universidade Lusíada, a discussão.

Serviço de Dermatologia da Universidade de Taubaté Foram promovidas, no dia 22 de agosto, a 12a Jornada Dermatológica e a 57a Reunião Científica da Universidade de Taubaté (Unitau), com apresentação e discussão de casos clínicos ao vivo. Estiveram presentes Nelson Guimarães Proença e José Roberto Pegas. No dia 19 de setembro será a vez da 58 a Reunião Dermatológica da Unitau, com o tema: “A Psoríase como Doença Sistêmica”.

Da esq. para dir.: Eliandre Palermo (SP), Leandra Metsavaht (RJ), Omar Lupi (RJ), Andréia Mateus (RJ), Marina Odo (SP) e Matilde Sposito (SP)

Fundação de Medicina Tropical do Amazonas Foram defendidas nos dias 23 e 24 de julho, na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, as duas primeiras teses sobre doenças tropicais e infecciosas do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical. Essa é a primeira vez que uma instituição médica amazonense forma doutores, integralmente, dos créditos ao tema central da tese. Obtiveram seus títulos Anette Chrusciak Talhari e Carolina Chrusciak Talhari.

Universidade Federal de Pernambuco O chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, Josemir Belo, parabeniza as residentes que foram aprovadas no TED 2009: Ana Roberta C. Andrade de Figueiredo, Cláudia Elise Ferraz Silva, Gleyce Tavares de Melo Fortaleza e Karina Gonçalves de Farias Passos.

Policlínica Geral do Rio de Janeiro A Policlínica Geral do Rio de Janeiro (PGRJ), inaugurou em julho, sua homepage (www.sbd.org.br/policlinicarj) no website da SBD, disponível para todos os serviços credenciados da Nacional. O endereço eletrônico dá ao visitante acesso ao corpo docente e a projetos de estudo em andamento. Inclui ainda a recente inauguração da unidade de tratamento de psoríase, que agora traz fototerapia com narrow-band, sob coordenação de Fabrício Lamy. Jornal da SBD

Ano XIII n. 4

35


JornalAnoXIII2009N4.qxd

19.08.09

18:16

Page 36

Regionais Maranhão

São Paulo

Rio de Janeiro

Rio Grande do Sul

São Paulo

A SBD-Resp promoveu o 7o e o 8o Cursos de Educação Médica Continuada – CEMC-Ds em agosto, no Centro Fecomércio de Eventos. Durante dois dias, renomados profissionais da dermatologia brasileira ministraram aulas sobre cosmiatria clínica, prevenção do melasma e cosméticos tópicos que podem ser utilizados em gestantes e lactantes, tratamentos para cabelos e unhas, entre outros assuntos. Os dermatologistas também assistiram a cursos de procedimentos em vídeo.“Nossa preocupação foi levar o que realmente há de científico em cosmiatria e o que pode ser eficaz. É nosso dever proporcionar a complementação da formação do dermatologista, de forma séria”, explicou o presidente da SBD-Resp, João Roberto Antonio. A SBD-SP acabou de lançar seu novo portal na internet. Com apresentação visual mais moderna e dinâmica, o site promete tornar-se importante canal de referência da dermatologia, com atualizações diárias de notícias e

Rio de Janeiro

Rio Grande do Sul

A Regional RJ realizou, no dia 8 de agosto, a Jornada Carioca de Câncer de Pele, no Centro de Convenções Mourisco, no bairro de Botafogo. Segundo o presidente da Regional, Carlos Barcauí, o objetivo do evento foi atualizar os dermatologistas para que ofereçam ao paciente o que há de melhor no tratamento na área de oncologia cutânea.A Jornada, dividida em quatro blocos, abordou aspectos práticos de como conduzir lesões pré-cancerosas, câncer da pele não melanoma, linfomas e o melanoma.A discussão de casos clínicos com a participação de especialistas encerrou o evento, que ofereceu acesso livre a residentes e pós-graduandos dos serviços credenciados da SBD.

A Regional Rio Grande do Sul promoverá a XXXIV Jornada Gaúcha de Dermatologia, entre os dias 23 e 24 de outubro. Estão incluídos na programação cursos teórico-práticos sobre luz intensa pulsada, toxina botulínica, preenchimento com ácido hialurônico e dermatoscopia, além de aulas sobre novidades na alopecia cicatricial, novos cosmecêuticos, curativos em dermatologia, prurido no idoso, entre outras.“No sábado, dia 24, vamos apresentar dois módulos teóricos com o que há de novo em dermatologia, sendo um sobre amamentação e outro sobre gestação.Teremos ainda uma mesa-redonda abordando o uso do Laser e da luz intensa pulsada. Desde já, convidamos todos os dermatologistas do Sul e do Brasil para prestigiar nosso evento”, ressalta Gustavo Corrêa, presidente da SBD-RS.

36 Jornal da SBD Ano XIII n. 4

orientações sobre questões que envolvem a especialidade, tanto para o público leigo como para médicos. Na área restrita a médicos, os associados terão acesso a publicações da entidade, biblioteca e periódicos on-line, destaques científicos e outros. O endereço é www.sbd-sp.org.br.

Maranhão

A cidade de São Luís (MA) sediou a XXVIII Jornada Norte-Nordeste de Dermatologia, de 5 a 7 de agosto. Durante os três dias, palestrantes de diversos estados das regiões Norte e Nordeste, além de convidados vindos de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, se reuniram para a troca de ideias e o aprimoramento de temas da atualidade, como dermatologia cosmética, oncológica, fotoproteção e outros assuntos. O evento, considerado um sucesso por vários participantes, destacou-se pelo alto nível das palestras e pela excelente organização, fruto do forte empenho da jovem diretoria da SBD–MA. Os dermatologistas tiveram a oportunidade de conhecer o folclore maranhense com a apresentação do bumba meu Boi, durante a festa de encerramento no belíssimo Convento das Mercês. A XXVIII Jornada Norte-Nordeste de Dermatologia marcou a estreia da SBD Regional Maranhão no eixo nacional de eventos dermatológicos.

Comissão organizadora no jantar de abertura, Dra. Maria de Fátima, Dra. Eloisa, Dr. Eduardo Lago, Dr. Adelson Marinho, Dra. Daniela Alves e Dra. Ana Paula Vieira


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook