o
Ano VII N 7 Setembro / Outubro 2003
Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia
E n t r e v i s t a
O
ministro da Saúde Humberto Costa revela as principais ações da sua gestão. Entre as suas principais metas estão o controle das doenças endêmicas e a efetivação de uma política nacional de prevenção e detecção precoce do câncer. Em entrevista ao JSBD, o ministro fala sobre a nova política para a rede pública, a regularização das carreiras e a valorização dos Pág.5 médicos.
58º Congresso Brasileiro de Dermatologia
Qualidade de Vida
Resolução do CFM para publicidade médica
Ouvir o paciente é a base fundamental para o processo Pág.14 de cura.
Proibida a vinculação de médicos à indústria farmacêutica Pág.16
Departamentos e Serviços
Indústria da Beleza
Consultórios
Produção de folders para pacientes e reunião entre professores trazem novidades aos sócios Pág.12
Promessas conquistam clientes e invadem consultórios. Como o dermatologista deve agir? Pág.13
Planejamento e definição de metas produz bons resultados Pág.18 na administração
Principal evento da SBD é sucesso em Vitória
Pág.8
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 1
E
Editorial
X P E D I E N T E
E
ste número do Jornal da SBD é especialmente importante para nós. Nele comemoramos os enormes passos dados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia em Vitória, não só pela qualidade e organização do 58º Congresso (veja o que o presidente Márcio diz em sua coluna), como atestam as diversas opiniões dos convidados estran geiros e que você pode ler nessa edição. Também ficarão marcadas na história da SBD as várias demonstrações democráticas vistas em Vitória! A começar pelas reuniões do Conselho Deliberativo e da Assembléia Geral que, com maturidade, capacidade de trabalho, harmonia e cabeças voltadas para o bem-estar comum, aprovaram as mudanças estatutárias que nos deixaram mais modernos e adaptados ao Código Civil em vigor. As reuniões das Comissões, dos Departamentos, dos Chefes de Serviços Credenciados e dos presidentes de Regionais foram muito proveitosas e delas você também terá notícias nesse número. Além das colunas tradicionais do seu JSBD, essa edição traz diversas notícias importantes para nós: as boas novas da Tesouraria, a recertificação do Título de Especialista, a nova regulamentação do CFM sobre a propaganda médica e duas excelentes entrevistas: com o ministro Humberto Costa, da Saúde, e com outro de nossos grandes mestres - o Professor Sebastião Sampaio. Continuamos aguardando as opiniões dos leitores sobre o Jornal da SBD e sobre as matérias nele publicadas pelo e-mail jornal@sbd.org.br.
Sociedade Brasileira de Dermatologia Filiada à Associação Médica Brasileir a
DIRETORIA 2003 - 2004 Presidente Márcio Santos Rutowitsch (RJ) Vice-Presidente Sérgio Talarico Filho (SP) Secretário-Geral José Ramon Varela Blanco (RJ) Tesoureiro Celso Tavares Sodré (RJ) 1o Secretário Samuel Henrique Mandelbaum (SP) 2a Secretária Lúcia Helena F. Arruda (SP) Diretora de Biblioteca Ivonise Follador (BA) Diretor Geral e Operacional Marco Antônio S. Abreu Rocha
SBD
Boa leitura! Jackson Machado-Pinto
Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida aos seus associados e órgãos de imprensa.
Sumário
Publicação bimestral - Ano VII – nº 7 Setembro / Outubro - 2003 Diretor responsável: Jackson Machado Pinto (MG) Jornalista responsável: Tatiana Gentil- Reg. no 22.375 Redação: Tatiana Gentil e Andréa Fantoni Conselho editorial: Márcio Santos Rutowitsch (RJ), Sérgio Talarico Filho (SP), José Ramon Varela Blanco (RJ), Celso Tavares Sodré (RJ), Samuel Henrique Mandelbaum (SP), Lúcia Helena F. Arruda (SP), Ivonise Follador (BA)
2
Calendário Painel
3
Coluna da Diretoria Palavra do Tesoureiro
Editoração eletrônica: Nazareno Nogueira de Souza e Tatiana Gentil Contatos Publicitários: Marco Antônio S. Abreu Rocha e Tatiana Gentil
4
A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autor es.
Coluna da Ombudswoman Recertificação do Título de Especialista
5
Entrevista: Ministro da Saúde Humberto Costa
8
58º Congresso Brasileiro de Dermatologia
Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18º andar Rio de Janeiro – RJ - CEP: 20090-003 E-mail: comunicacao@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 100,00 Número avulso: R$ 20,00 Tiragem: 5000 exemplares
13 A Indústria da Beleza
14 Residência Médica Qualidade de Vida para pacientes 15 Interdic@as e Literatura Médica 16 CFM proíbe propaganda médica 17 Produção Científica 18 Administração: o segredo é planejar 19 Regionais 20 Expressões da Dermatologia: Dr. Sebastião Sampaio
2
SBD
JSBD l Ano VII n o 7
Outubro
15 a 18 16 17 17 e 18 21 a 25 23 à 25 24 24 25 25 25 25 29 29 29 31 31
Quarta a sáb. Quinta-feira Sexta-feira Sexta e sáb. Terça à Sáb. Quinta à sáb. Sexta-feira Sexta-feira Sábado Sábado Sábado Sábado Quarta-feira Quarta-feira Quarta-feira Sexta-feira Sexta-feira
Congresso Europeu de Dermatologia- Barcelona - Espanha Curso Teórico-Prático (Pré-Jornada) Dia do Dermatologista Gaúcho XXVIII Jornada Gaúcha de Dermatologia - RS XV - CILAD - Buenos Aires - Argentina II Jornada Alagoana de Dermatologia - AL Conf. Dermatologia Hospitalar Conferência/Curso - RN Reunião de discussão de casos clínicos ao vivo - RN Reunião de Casos Clínicos - CE Reunião Clínica - João Pessoa Reunião Científica Mensal - HUCAM Reunião Mensal - RJ Reunião de Casos Clínicos - AL Reunião de Casos Clínicos - MA Curso de Imunologia Reunião Científica - AM
01 07 e 08 07 07 à 09 08 13 21 21 e 22 22 23 e 23 26 26 26 28 28 e 29 29 29
Sábado Sexta e sáb. Sexta-feira Sexta a dom. Sábado Quinta-feira Sexta-feira Sexta e sáb. Sábado Sáb. e Dom. Quarta-feira Quarta-feira Quarta-feira Sexta-feira Sexta e sáb. Sábado Sábado
Curso de Dermatologia Pediátrica Jornada Mineira de Dermatologia - MG Reunião Ordinária de Dermatologia - ADS-RS XI Jornada de Dermatologia e I Simpósio Internacional - BA III Jornada Paranaense de Dermatologia - 2003 Reunião Científica - AL XXIII Jornada Goiana de Dermatologia V Dermatologia do 3º Millenium - Florianópolis Campanha do Câncer da Pele XII Jornada Mineira de Dermatologia - MG Reunião Mensal - RJ Reunião de Casos Clínicos - AL Reunião de Casos Clínicos - MA Reunião Científica - AM Curso Teórico Prático - AMRIGS - RS Reunião de Casos Clínicos - CE Reunião Científica Mensal - EMESCAM
Novembro
Reg. RS Reg.RS Reg. RS Reg. AL Reg.CE Reg. RN Reg. RN Reg. CE Reg. PB Reg. ES Reg. RJ Reg. AL Reg. MA Reg. PI Reg. AM Reg. PI Reg. MG Reg. RS Reg. BA Reg. PR Reg. AL Reg. GO Reg. SC Reg. MG Reg. RJ Reg. AL Reg. MA Reg. AM Reg. RS Reg. CE Reg. ES
Painel Premiados
Os primeiros colocados na prova de Título de Especialista da SBD, o Dr. José Rogério Regis Júnior (Santa Casa de BH) e a Dra. Janine Miranda (Santa Casa do RJ), foram premiados com bolsas para o Meeting de 2004, que acon tecerá em Washington. O prêmio é oferecido pela FIDE (Foundation for International Dermatologic Edu cation) e pela organização do Congresso Mundial de Dermatologia.
Alerta
A resolução do CFM nº 1634/ 2002 dispõe sobre convênio de entidades médicas e determina as
especialidades médicas no país. O convênio reconhece apenas 52 especialidades. E atenção: a norma diz que fica vedada ao médico a divulgação de especialidade ou área de atuação que não seja reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina ou pela Comissão Mista de Especialidades. Ou seja, o profissional pode apenas declarar vinculação com especialidade ou área de atuação quando tiver o título de especialista, que é obtido atra vés da Comissão Nacional de Residência Médica ou pelas sociedades médicas reconhecidas pela Associação Médica Brasileira.
Polêmica sobre filtros solares
Em recente trabalho divulgado pela ONG Raft, pesquisador e s ingleses afirmam que os filtros solares não protegem adequadamente contra os efeitos nocivos do sol. Publicado na edição de outubro da revista Journal of Investigative Dermatology, o estudo revela que, apesar de pr otegerem a pele contra a radiação UVB, os filtros solares não bloqueiam completamente a radiação UV A, que incide diretamente na T erra durante todo o dia e provoca, além de envelhecimento, o melanoma.
Setembro /Outubro- 2003 JSBD l Ano VII n o 7 3
Coluna da Dir etoria
Márcio Rutowitsch Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia Essa é a nova denominação estatutária de nosso Congresso. A nova nomenclatura, decidida pelo Conselho Deliberativo, em reunião em setembro, não é apenas uma simples mudança de nome: queremos que venha a ser uma mudan ça de postura. Mais do que nunca, está na hora de o Congr esso Brasileiro ser efetivamente da SBD. As decisões a respeito do Congresso têm que ser tomadas em sintonia. Para isso, elaboramos mudanças no Regimento do Congresso, em vigor, que será examinada pelo Conselho Deliberativo, e conversamos com o Dr. Arnóbio da Penha Pachêco, presi-
dente do Congresso de 2004. Acertamos vários pontos que serão consubstanciados em uma carta compromisso, que será publicada no Jornal da SBD. Participação do médico em anúncios, propagandas e divulgação pública O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou em 10 de setembro de 2003, a Resolução CFM n.º 1701/2003, que estabelece os critérios e as condições para que o profissional médico faça anúncios ou a divulgação de produtos ou assuntos médicos para a população. É importante que leiamos e procuremos entender o conteúdo e a importância
dessa resolução, que vem enfatizar a necessidade da adoção de uma postura ética no exercício da profissão, e os riscos a que estamos agora sujeitos na desobediência dos critérios preconizados pelo Conselho Federal de Medicina.
P a l a v r a d o T e s o u re i r o
C
aro associado, a situação financeira da SBD continua estabilizada e começou a ficar confortável, na medida em que provavelmente fecharemos o ano sem necessidade de tocar na receita proveniente do Congresso, poden do dar início a novos projetos que revertam em benefício de todos os associados. Após análise das receitas provenientes das anuidades e dos contratos de patrocínio, nós iremos avaliar com o mesmo posicionamento crítico, aquela que, historicamente, se transformou numa das três principais fontes de recursos da SBD: o Congresso Brasileiro, que responde por aproximadamente 20 a 30% do total de nossas receitas. Inicialmente, é necessário lembrar que, até 1997, a presidência do Congresso era exercida pelo presidente da SBD, e que a partir daquela data, considerado o enorme trabalho proveniente da realização do mesmo, a função foi desvinculada da presidência, sendo então garantida estatutariamente à Comissão Organizadora do Congresso com total autonomia para a organização, estabelecimento de preços de inscrição (r egimental desde abril de 2000), captação de patrocínios,
Celso Sodré contratação de empresas para execução do evento, etc, tendo apenas a obrigação de apresentar contas à Diretoria da SBD ao final do evento, com o fato consumado. Portanto, todos os créditos e débitos provenientes da organização do Congresso são de direito e de fato da sua Comissão Organizadora. Por acreditarmos ser absurda a total independência gerencial e financeira de um evento da SBD, responsável por quase 30% de suas receitas, e que no mínimo deveria haver um co-gerenciamento da Diretoria da SBD, propusemos e foram aprovadas modificações estatutárias e proporemos ao Conselho Deliberativo, modificações no Regimento Interno do Congresso, que garantam uma participação efetiva da Diretoria nas decisões quanto à sua organização. Parece-nos, por exemplo, imprescindível realizar licitação para a contratação das empresas envolvidas na sua organização, devendo nestes contratos estar contemplado o menor custo/benefício para o associado. Assim, estaríamos garantindo que fatos geradores de justa revolta por parte de nossos associados, tal como o bloqueio da rede hoteleira, com as tarifas dos pacotes com valores
superiores aos de balcão; ou no caso de nossos patrocinadores, como o leilão do metro quadrado e a falta de urbanização da área de exposição, tivessem menor chance de ocorrer. Temos certeza que todos os Presidentes de Congresso e suas Comissões Or ganizadoras buscaram e buscam o melhor para a SBD e para os congressistas. Entretanto, a falta de vivência na área comercial os faz vítimas de negociadores profissionais, cujo inte resse nem sempre coincide com o nosso. O principal objetivo do Congresso da SBD é oferecer o maior benefício científico possível, pelo menor custo, assegurado o conforto e a segurança necessários. Estamos certos que o Dr Arnóbio Pachêco, presidente do Congresso de 2004 em Natal, embora não tenha conseguido realizar licitação para a contratação das empresas organizadoras, saberá negociar com toda a atenção a fim de evitar que fatos como estes ocorram. Um abraço!
4
SBD
JSBD l Ano VII no 7
Coluna da Ombudswoman
Luna Azulay
D
esde nosso último contato, surgiram alguns pontos importantes para o debate. Ainda com relação ao Título de Especialista em Dermatologia existem sugestões de que fosse acolhido pela SBD o título dado pelo CFM. Afinal, as residências em dermatologia são reconhecidas pelo MEC e autorizam ao profissional o uso do título de Der m a t o l o g i s t a . Ainda está de pé a idéia de que a prova para título da SBD pudesse ser organizada sob
forma de módulos. Estamos aguardando as consultas jurídicas pertinentes. Também foi feita a pr oposta da mudança de local para a prova, sugerindo-se que fosse na época do congresso ou que fosse feita de forma descentralizada, entretanto a dificuldade operacional aumentaria muito. Foi colocada em discussão a possibilidade da avaliação do Curriculum para pontuação, permitindo a incorporação de associados contribuintes de longos anos de experiência, que por motivos vários, não os têm. Queremos que saibam que este tema nos preocupa. Estamos desejosos de encontrar soluções, entretanto, não podemos ser injustos com aqueles que obtiveram o título por meio de concurso. Entretanto, está longe considerar o associado contribuinte
Recertificação do Título de Especialista será obrigatória
O
Conselho Científico da Associação Médica Brasileira (AMB), for mado por representantes das sociedades de especialidades, aprovou por unanimidade o projeto do diretor científico da AMB, Dr. Fábio Biscegli Jatene, sobre a recertificação de Título de Especialista. “A recertificação é um estado de competência do profissional e a garantia da atualização constante de técnicas e conhecimentos” - defende Jatene. O projeto prevê o prazo de vali-
dade de cinco anos para os títulos, e tem como base experiências realizadas em outros países. O novo sistema irá considerar a soma de créditos conseguidos em diversas atividades profissionais, como testes, participação em congressos e palestras reconhecidos pelas sociedades de especialidades. No dia 5 de setembro foi definida uma comissão responsável por elaborar detalhes operacionais da proposta, composta por representantes da AMB e membros das Sociedades que já vêm desenvol-
como cidadão de segunda classe. Na próxima reunião do Conselho Deliberativo deverá ser discutida a modificação de vários regimentos, inclusive o dos Congressos, per mitindo preços mais adequados para estes colegas. Com relação ao último, surgiram algumas questões. Especialmente com relação aos preços pagos na reserva de hotéis quando feitas diretamente no balcão ou por intermédio da agência de viagens oficial, sendo estes mais elevados. Não é a primeira vez que isso acontece. Outro ponto a considerar é o redimensionamento dos simpósios satélites, pois despertou descontentamento em vários congressistas. Certamente o debate e a reflexão levam ao encontro de soluções justas para todos.
Divulgação
Dr. Fábio Jatene, autor do projeto
vendo programas semelhantes. O próximo passo será a aprovação da proposta da comissão pelos representantes da classe médica.
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 5
Entrevista
Humberto Costa
O
controle das doenças endêmicas está entre as grandes prioridades da gestão do atual Ministro da Saúde do governo Lula, Humberto Costa. Nascido em Campinas - SP, em 1957, foi morar em Recife e construiu toda a sua vida profissional e política em Pernambuco. É médico, com pósgraduação em Medicina Geral Comunitária, Clínica Médica e Psiquiatria. Presidiu a Associação Pernambucana de Médicos ResiJSBD - O Ministério da Saúde tem como uma das prioridades o combate às endemias como dengue, hanseníase, leishmaniose, filariose etc. Quais são os planos do governo nessas frentes e os prazos para os resultados? Humberto Costa: O controle das doenças endêmicas, como dengue, malária e hanseníase, está entre as grandes prioridades desta gestão. Para enfrentar de maneira mais incisiva a questão, o Ministério da Saúde conta agora com a Secretaria de Vigilância em Saúde, que está coordenando as atividades de prevenção e acompanha mento da manifestação dessas doenças. Reunindo as ações de combate das endemias numa mesma estrutura, o governo quer atuar de forma mais integrada e eficaz. Assim, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, estamos fortalecendo a vigilância epidemiológica, em todo o país. Já em 2003, foi atualizado o repasse para as ações de controle e prevenção de doenças. O chamado Teto Financeiro de Epidemiologia e Controle de Doenças foi aumentado em R$ 32,94 milhões, resultado da atuali zação da forma de cálculo, que agora tem como base as projeções populacionais feitas pelo último censo do IBGE. A queda na ocorrência de casos de dengue já é resultado deste trabalho. No primeiro semestre de 2003 (até junho) foram notificados 259.800
Ministro da Saúde
dentes e foi primeiro-secretário do Sindicato dos Médicos de Pe rnambuco. É filiado ao Partido dos Trabalhadores desde a sua criação, em 1980. Ex-deputado estadual e federal, foi o vereador mais votado de toda a história de Recife, em 2000. No Ministério da Saúde ajuda a conduzir um dos principais pilares do governo federal: a defesa do social e o combate às desigualdades. Costa falou à equipe do Jornal da SBD: casos, enquanto em 2002, o número de registros totalizou 734.754. Ou seja, uma redução importante de 64,64%. Os casos de malária também sofreram redução de 13,7% se comparados os anos de 2002 e 2003, no período de janeiro a agosto. Isso graças às ações conduzidas pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária. JSBD - No caso da hanseníase, qual a meta do governo e como é desenvolvido o programa? Humberto Costa: Em relação à hanseníase, o Ministério da Saúde está reestruturando o programa brasileiro para obter melhores resultados na cura e prevenção da doença. Hoje, o número de novos casos no Brasil chega a 38 mil por ano. A meta é diminuir este índice em 30% ao ano até 2005. Para atingir este objetivo, o Ministério da Saúde propõe o envolvimento de agentes comunitários de saúde e de médicos do Programa de Saúde da Família na detecção e acompanhamento da doença. JSBD - Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, 69% da população brasileira ainda se expõe ao sol sem proteção. O câncer de pele é o de maior incidência no Brasil (a previsão do Inca para 2003 é 86,5 mil novos casos da doença). A SBD realiza a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele que
visa a esclarecer a população sobre os riscos da exposição solar sem proteção. Outra ação que está sendo realizada junto com o Inca é uma campanha de educação e prevenção para crianças da rede pública, feita por médicos voluntários da SBD. O governo tem algumas iniciativas para a prevenção contra a doença? Humberto Costa: A prevenção e a detecção precoce são eixos fundamentais da política nacional de controle do câncer promovida pelo Ministério da Saúde. As estratégias desenvolvidas por meio do Instituto Nacional de Câncer (Inca) figuram, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre as melhores do continente Americano. O câncer de pele, incluindo melanoma, continua a ser o mais incidente em nosso país. Para 2003, as Estimativas do Inca apontam a ocorrência de 41.185 casos novos entre os homens e de 45.340 entre as mulheres. Sem dúvida, a melhor forma de reduzir os casos de câncer da pele é reforçar a prevenção. E é nisso que o Ministério da Saúde vem trabalhando, inclusive com a parceria da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Uma importante ação, plenamente apoiada pelo governo, é a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, com o objetivo de orientar a população sobre os riscos da exposição excessiva ao sol. Além da campanha, o Inca também desenvolve o Programa de Pr evenção
6
SBD
JSBD l Ano VII no 7
Primária do Câncer, em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de saúde, com ações educativas nas escolas, no trabalho e nos hospitais. O apoio da SBD para estas ações também é muito bem vindo. Os der matologistas filiados à Sociedade podem, por exemplo, apoiar por meio de palestras nas escolas, ambientes de trabalho e unidades de saúde, fomentando as ações já desenvolvidas pelo Ministério da Saúde. Além disso, os integrantes da SBD podem participar ativamente na organização local de campanhas, juntamente com as coordenações estaduais do programa. JSBD - A medicina é a única das profissões de saúde praticadas no Brasil sem campo de trabalho definido. O projeto de Lei do Ato Médico que está tramitando no Senado defi ne legalmente o que é ato médico e delimita suas responsabilidades. O que o senhor pensa sobre a aprovação desse projeto? Humberto Costa: Por gerar muita controvérsia entre as categorias pr ofissionais da área da saúde, a definição de ato médico é uma questão que precisa ser discutida com cautela. O trabalho do médico mudou muito ao longo do tempo. Daí a necessidade de analisar cada circunstância em separado. As chamadas equipes paramédicas, por exemplo, formadas em grande parte por bombeiros-militares realizam pr ocedimentos que, no passado, eram exclusivos da ação médica. Hoje, entr etanto, seria um contra-senso desqualificar esses sistemas emergenciais de assis-
tência pré-hospitalar. Também é necessário levar em consideração as modificações ocorridas nos processos de trabalho em saúde, devido às novas tecnologias, à especialização profissional e à atuação das equipes multi-profissionais. Diante disso, a posição do Ministério da Saúde é de que uma legislação sobre ato médico não pode ser aprovada sem que antes haja um intenso debate social sobre os limites da atuação desses profissionais da saúde. JSBD - No Brasil funcionam atualmente 119 escolas de medicina, com um número considerável de pedidos de abertura de novas escolas. A classe médica é contra a multiplicação indevida dessas instituições, em favor da excelência da capacitação profissional. Quais as propostas do Ministério da Saúde em relação ao assunto? Humberto Costa:Realmente, a abertura indiscriminada de cursos superiores de medicina preocupa o Ministério da Saúde. Nos últimos seis anos, houve uma explosão de novas faculdades de medicina guiada, na grande maioria das vezes, apenas por interesses econômicos, com ausência de critérios para assegurar a qualidade das propostas e sua consonância com as necessidades de saúde da população. Este é um problema grave que o atual governo vai combater de perto. Um primeiro e importante passo foi dado, em junho deste ano, quando o Conselho Nacional de Saúde apr ovou proposta apresentada pelo Ministério da Saúde e recomendou ao Conselho Nacional de Educação e ao Ministério da
Educação a suspensão da abertura de novos cursos superiores na área de saúde por seis meses. Neste período de moratória, a idéia é que uma comissão interinstitucional trabalhe na proposta de critérios para a abertura de novos cursos. Os novos critérios, que serão apresentados ao Conselho Nacional de Educação, vão levar em conta a necessidade de democratização do ensino superior, a necessidade de formar profissionais com perfil, número e distribuição adequados ao Sistema Único de Saúde e a de estabelecer desenhos pedagógicos compatíveis com a reorganização da atenção à saúde no país. Além disso, o governo vai trabalhar para que, na criação de novos cursos superiores da área da saúde, sejam priorizados os estados e municípios com real necessidade desses profissionais. Estamos realizando um estudo para identificar a carência de especialistas na área da saúde em nosso país, considerando as características demográficas, epidemiológicas e sociais das diferentes regiões, bem como as singularidades do sistema de saúde. Com base nesse levantamento é que vamos propor a normatização para abertura de faculdades. JSBD - Em algumas entrevistas o senhor declarou que o seu ministério vai trabalhar para um atendimento à saúde de forma universal e igualitária, conforme estabelece a Constituição Brasileira. Quais as ações que estão sendo desenvolvidas nesse sentido?
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 7
Humberto Costa: Hoje, cerca de 90% dos brasileiros são de algum modo assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja nas campanhas de vacinação, nos serviços ambulatoriais ou de alta complexidade. Isso mostra o quanto o serviço cresceu nos últimos anos, permitindo a um número maior de brasileiros o acesso à assistência gratuita à saúde. Entretanto, ainda falta muito a ser feito rumo à total implementação do SUS e à garantia das diretrizes da universalidade, eqüidade e integralidade que regem o sistema. E é com este objetivo que o atual governo vem trabalhando. A atuação do Ministério da Saúde não é apenas no sentido de aumentar o número de pessoas assistidas pelo SUS mas, sobretudo, garantir a qualidade do serviço. Afinal, não basta atender mais. É fundamental atender melhor, com equipamentos, medicação e profissionais capacitados para responder prontamente às demandas da população. Um primeiro passo adotado pelo governo foi r edirecionar as prioridades para fortalecer o trabalho em equipe, evitar o desperdício de esforços e enfrentar de forma mais incisiva problemas que ainda não foram plenamente solucionados, como o controle das endemias, a ausência de uma política de recursos humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e o acesso da população aos medicamentos. Estamos também reforçando o processo de descentralização das ações, para que União, estados e municípios abracem suas responsabilidades numa gestão compartilhada. Além disso, programas de sucesso, como para controle do tabagismo e de prevenção e contr ole das DST/Aids ganham mais força neste governo. No caso do tabagismo, adotamos, já a partir de 2003, medidas de grande peso como a restrição dos locais de venda. Numa iniciativa inédita, o governo brasileiro iniciou a distribuição de preservativos nas escolas e uma campanha de incentivo ao teste do HIV. Também apresentamos um plano de metas na luta contra a doença até 2006, que prevê, por exemplo, o atendimento a 100% das gestantes soropositivo. Entre as medidas que já começam
a ser adotadas este ano, está o aumento da terapia intensiva e dos serviços de resgate médico. O Ministério da Saúde está credenciando novos leitos de UTI em todo o país. Até o primeiro semestre de 2004, o usuário do SUS poderá contar com mais 2.233 leitos de terapia intensiva. Ao longo deste ano, R$ 120 milhões serão investidos na compra de equipamentos e contratação de profissionais que vão atuar nos Serviços de Atendimento Móvel de Urgência nas cidades com mais de 100 mil habitantes. Até 2004, serão adquiridas 650 ambulâncias (suporte básico) e 150
“O Ministério da Saúde vem planejando uma nova política de recursos humanos para a rede pública, que vai tratar da regulação das carreiras, da valorização dos trabalhadores e também da formação voltada para as necessidades do sistema
”
UTIs móveis (suporte avançado) para atender cerca de 68 milhões de pessoas em 132 municípios e 20 capitais. Os recursos também vão garantir a composição de 152 Centrais de Regulação Médica de Urgência, que vão funcionar 24 horas por dia, com acesso pelo telefone 192. Em outra frente, o Ministério da Saúde vem atualizando os valores da tabela do SUS que estavam defasados. Entre os procedimentos reajustados estão: as consultas especializadas r ealizadas pelos hospitais públicos (reajuste de 196%), as sessões de hemodiálise (em 5%), os serviços ambulatoriais e as internações de média complexidade (um aumento de até 46%). Buscando desafogar a rede hospitalar, estamos ampliando a atuação do Pr ograma Saúde da Família (PSF), principal executor das ações na área da atenção
básica. Para tanto, aumentamos o investimento para os Programas Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde de R$ 1,3 bilhão para mais de R$ 1,7 bilhão por ano. Ao longo de 2003, vem sendo criadas 4 mil novas equipes do PSF e incorporando 3 mil equipes de saúde bucal ao pr ograma. Assim, teremos 21 mil equipes de Saúde da Família assistindo 73 milhões de pessoas. Até o final da gestão, nossa meta é duplicar o número de equipes e expandir a assistência odontológica dentro do programa.Queremos apresentar o seguinte panorama em 2007: 34 mil equipes levando saúde em casa para mais de 100 milhões brasileiros. Ainda na área dos atendimentos básicos, aumentamos em R$ 152 milhões o repasse anual para pagamento dos Pisos de Atenção Básica. Mas sabemos que não bastam equipamentos para garantir um bom atendimento. É fundamental que exista uma equipe profissional bem preparada e trabalhando com dignidade. Pensando nessa questão, o Ministério da Saúde vem planejando uma nova política de recursos humanos para a rede pública, que vai tratar da regulação das carreiras, da valorização dos trabalhadores e também da for mação voltada para as necessidades do sistema. Como parte dessa política, reativamos a Mesa Nacional de Negociação do SUS. Um espaço permanente de diálogo entre governo federal, gestores estaduais e municipais, representantes dos empregadores e trabalhadores do SUS para discutir questões como plano de cargos e salários, jornada de trabalho, formação e qualificação profissional. No combate às endemias, estamos intensificando um plano de trabalho para controlar doenças como malária, dengue, hanseníase, filariose e leishmaniose, como reforcei anteriormente. Além disso, este governo tem como uma de suas premissas o reforço ao controle social. A retomada dos cursos de capacitação de conselheiros de saúde, a realização do Fórum de Saúde Suplementar e da 12ª edição da Conferência Nacional de Saúde são exemplos de como o governo tem conduzido a questão. q
8
SBD
JSBD l Ano VII n o 7
C
erca de três mil pessoas circularam pelos pavimentos do Centro de Convenções de Vitória, durante o 58º Congresso Brasileiro de Dermatologia. O evento reuniu 59 expositores, movimentando cerca de R$ 6,5 milhões. Uma curiosidade interessante foi a elevada participação de jovens profissionais da área. A extensa programação abrangeu o universo de interesse da comunidade dermatológica permitindo aos congressistas participar de 24 sessões científicas, 256 apresentações de minicasos e de 61 trabalhos de investigação. O presidente do 58º Congresso Brasileiro de Dermatologia, Dr. João Basílio de Souza Filho, considera o resultado feliz. “Várias pessoas me parabenizaram pela organização e esse retorno é gratificante” – afirma. O estande da Sociedade Brasileira de Dermatologia ficou disposto estrategicamente em lugar de destaque, no hall de entrada do setor de palestras. A montagem bonita e inovadora permitiu recepcionar melhor os associados, e tornou-se um ponto de encontro entre colegas. Mas a grande novidade da SBD ficou por conta da distribuição de folders explicativos para leigos, produzidos pelos Departamentos Especializados da SBD. Foram 12 temas diferenciados e cada sócio recebeu um kit com todos os temas. Os interessados em adquirir maiores quantidades podem encomendar novas remessas na SBD, pelo telefone (21) 2253-6747.
Estande da SBD
Os Drs. João Basílio de Souza Filho, Dóris Hexsel e Celso Sodré durante o evento
“Perfil dos Dermatologistas” é apresentado em vídeo A Sociedade Brasileira de Dermatologia produziu um filme institucional baseado na pesquisa “Perfil do Dermatologista”. Em formato de telejornal, o vídeo tem duração de 21 minutos e apresentação do ator Eduardo Moscovis. Um passeio pelas principais características da vida do dermatologista é a abordagem da fita. Engloba desde o número de horas traba-
lhadas, as capitais de maior concentração de profissionais, tipo de formação, profissão por sexo etc. O vídeo teve a sua avant première na reunião do Conselho, e foi mostrado permanentemente no estande da SBD e no simpósio do laboratório La Roche Posay.
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 9
Os Departamentos no Congresso Laser Durante o 58º Congresso foi realizada uma reunião com vários usuários de laser no Brasil. O objetivo foi discutir algumas questões relacionadas à utilização das máquinas. “A grande preocupação se refere à moralização dos serviços de manutenção dos aparelhos, pois a sensação geral é de que estamos sendo explorados devido aos preços absurdos da mão-de-obra e das peças, e em relação à demora no tempo de conserto dos aparelhos” – conta o coordenador do departamento de Laser, Alexandre Filippo (RJ). Os participantes resolveram contratar firmas e profissionais autônomos que ofereçam serviços de manutenção para analisar propostas de trabalhos. “Algumas conversas já estão em andamento e, em breve, colocaremos os resultados à disposição de todos os dermatologistas. Buscamos pessoas que trabalhem com seriedade, vamos negociar preços e qualidade” – explica Dr. Filippo. Ele pede que os colegas indiquem pessoas ou empresas do ramo para analisar propostas, enviando para o e-mail alexfilippo@aol.com. “Essa é uma luta de todos nós. Se todos cooperarem vamos resolver um dos maiores problemas em nossa área. Só depende de nós, conto com a ajuda de todos” – encerra. Alergia O grupo do departamento de Alergia apresentou os resultados
obtidos com mais de três mil testes epicutaneos, realizado com as baterias de testes padrão. “Os dados já estão prontos para serem publicados“ – afirma a coordenadora Dra. Ida Duarte (SP). De acordo com ela, outro trabalho, também uma bateria de testes para cosméticos, foi testada em 130 pacientes, e, em breve, será publicado. Ela ainda pôs em pauta os projetos para 2004. São eles: o protocolo para farmacodermias realizado em 100 casos que, após uma reavalia ção, será enviado aos serviços interessados; a elaboração final do protocolo sobre urticária; o início do trabalho com bateria para corticóides e a elaboração de bateria para metais e resinas. Cosmiatria A Dra. Dóris Hexsel (RS), coordenadora do Departamento de Cosmiatria, considerou o evento um grande sucesso. Na área cosmiátrica diversos assuntos foram debatidos. Ela julgou interessantes as apresentações de novidades e opções para o manejo dos problemas comuns ao especialista. Ela destaca alguns assuntos: no simpósio de “Dificuldades no tratamento de doenças inestéticas”, a Dra. Rosemari Mazzuco (RS) demonstrou obstáculos na correção cosmética de lipodistrofias. Entre os principais, está a obtenção de um material preenchedor durável e seguro para ser usado em grandes volumes, com custo acessível.
“Acho que o grande número de residentes e jovens presentes em todas as sessões do congresso é um bom sinal de saúde da SBD. O programa apresentado foi muito bom, com alto nível científico. Minha única objeção seria a de que a dermatologia cosmética ocupou um espaço muito grande do programa, mas esta parece ser a tendência dos últimos anos em todos os congr essos dermatológicos ao redor do mundo.” Luis Requena Cabalerro (Espanha) “O 58 o Congresso Brasileiro de Dermatologia foi excelente em todos os aspectos que pude avaliar. O local, pessoas e apresentações foram magníficos. Infelizmente, como não falo português, não pude entender todas as apresentações. Fiquei feliz, entretanto, pelo fato de que a maioria dos dermatologistas brasileiros que encontrei falavam um inglês excelente. Receberemos um residente em dermatologia do Rio de Janeiro aqui na Universidade do Texas no mês que vem e esperamos a visita de outros dermatologistas brasileiros no futuro.” Dr. Stephen Tyring (EUA) “Foi uma experiência maravilhosa e acredito que o Congresso tenha sido um grande sucesso.” Francisco Tausk, (EUA)
SBD
10 JSBD l Ano VII no 7
“Em resumo, o congresso ocorreu na melhor tradição de seus eventos anuais, ou seja, de modo espetacular. O Congresso Brasileiro é único entre os encontros de dermatologia de todo o mundo, sendo mais caloroso, alegre e vibrante. O conteúdo científico das sessões às quais estive presente sobre dermatopatologia foi de altíssimo nível em virtude da competência e entusiasmo dos dermatologistas e patologistas brasileiros. Só espero que a dermatologia brasileira não acabe se transformando em cosmetologia brasileira! Seria um triste fim para uma nobre disciplina na medicina brasileira.” Bernie Ackerman (EUA) “O 58º Congresso Brasileiro de Dermatologia me impressionou em primeiro lugar por sua magnitude. Sua organização foi excelente, com um programa científico equilibrado e interessante e a exposição comercial bem montada.” Ramón Ruiz-Maldonado (México)
Dentre as opções existentes, os melhores são o gel de poliacrilami da, recentemente lançado nos EUA, e, num futuro próximo, o silicone líquido injetável, que aguarda aprovação do FDA. O Dr. Sérgio Talarico (SP) proferiu palestra destacando todos os cuidados que envolvem a fotoproteção. Segundo o médico, os filtros desempenham papel auxiliar, tendo evolução das fórmulas. O foco, antes exclusivo na RUVB, modificou à medida que se verificou uma participação da RUVA não só no envelhecimento da pele, mas com ação sinérgica na gênese de alguns cânceres cutâneos, ou, também no desenvolvimento de comprometimento das respostas imunes do organismo. “Esses fatores justificam uma fotoproteção associada aos cuidados de vestimentas adequadas, seleção dos horários de exposição, entre outros” - explicou. Representantes reúnem-se em Vitória nos dias que antecederam o evento Conselho Deliberativo estuda texto do novo Estatuto Na reunião do Conselho Deliberativo foi comunicado o resultado da eleição dos Drs. Sinésio Talhari (AM) e Gerson Penna (DF), para presidente e vice-presidente, respectivamente, da gestão de 2005/2006. O novo Estatuto foi apresentado pelo tesoureiro da SBD, o Dr. Celso
Sodré em conjunto com a advogada, Dra. Nely Porter, que prestou esclarecimentos de ordem técnica aos presentes. As comissões da SBD apresentaram os resultados dos seus trabalhos e todos os relatórios foram aprovados pelo grupo. Houve eleição de membros para a Comissão do Título de Especialista da SBD, na qual assumem os Drs. Jackson Machado Pinto, Bernardo Gontijo e Denise Takahaski. Também foram eleitas a Dra. Cacilda da Silva Souza (Comissão de Ensino); a Dra. Vitória Bogdana Kadunc (Comissão de Ética e Defesa Profissional), e a Dra. Andréa Machado Coelho Ramos (Comissão Científica). O cargo de suplente do Conselho Fiscal passa a ser ocupado pelo Dr. José Roberto Pegas. No mesmo dia, foi colocada em pauta a extinção da Comissão de Educação Sanitária e Relações Públicas. Outra determinação do Conselho se refere à mudança do departamento de Unhas para Departamento de Cabelos e Unhas, com o Tatiana Gentil
Reunião do Conselho Deliberativo
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 11
objetivo de ampliar os temas de estudo. Os associados deter minaram ainda que a reunião do Conselho será anual, no mês de setembro, por ocasião do Congresso. Ainda decidiu-se que a cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, será a sede do Congresso em 2006. 59º Congresso Brasileiro de Dermatologia será em Natal E já começaram os preparativos para o principal evento do calendário da SBD. O 59º Congresso Brasileiro de Dermatologia será em Natal, no Rio Grande do Norte, entre os dias 25 a 29 de setembro de 2004. O presidente do evento, Dr. Arnóbio da Penha Pachêco, afirma que a comissão organizadora está empenhada em prepará-lo com alto nível e boas novidades. Em 2005, a cidade de Brasília sediará o evento. Aprovado estatuto na Assembléia Geral Foi aprovado em 05 de setembro pelo Conselho Deliberativo da SBD, e ratificado pela Assembléia Geral, o novo Estatuto da SBD, incorporadas as mudanças exigidas pelo novo Código Civil. Basicamente, atribuiu-se competência exclusiva à Assembléia Geral para aprovar contas, alterar estatuto e destituir o presidente e o vice, em casos previstos, bem como ser instância final em julgamento de processos de associados. A principal mudança, em decorrência disso, foi a definição explícita de
quais são as infrações estatutárias e qual a sanção prevista para cada uma delas. Após o r egistro, o estatuto estará disponível, na íntegra, no site www.sbd.org.br . Reunião de Presidentes de Regionais em Vitória A valorização do dermatologista foi o principal assunto tratado durante a reunião dos presidentes das Regionais, que aconteceu no dia 5 de setembro, em Vitória. Os profissionais alertaram para a proliferação de profissionais não qualificados espalhados pelo país praticando cirurgias evasivas, o que é proibido. A presidente da regional Alagoas, Dra. Maria José de Medeiros Barros e Melo, contou que, recentemente, veiculou uma campanha de esclarecimento da população com distribuição de outdoors pela cidade com a frase “Entregue a sua pele a quem entende dela”. A Dra. Jussamara Brito, presidente da regional Bahia, apresentou um panfleto sobre a importância da especialidade, elaborado pelo grupo que coordena. Com o título “Dermatologista: a sua pele precisa dele”, toca aspectos sobre a formação do médico, os avanços da dermatologia, as atividades que desempenham e as doenças mais comuns. Concluindo a reunião, os presidentes acharam que a Comissão de Ética da SBD deve ter um papel cada vez mais atuante na valorização do especialista em dermatologia.
“O evento foi realmente extraordinário em todos os aspectos: a excelente organização e qualidade científica. As mostras téc nica das companhias comerciais também foram bem organizadas e completas.” Dr. Enrique Hernández-Pérez (El Salvador) “Com a presidência de João Basílio de Souza Filho e Evandro Rivitti na Comissão Científica, assistimos em Vitória a um Congresso formidável em todos aspectos. Um ponto a destacar é a oportunidade de perguntar e discutir abertamente com o palestrante. Chamo a atenção para a participação e o conhecimento dos jovens. As empresas farmacêuticas nos pr oporcionaram conhecer novas técnicas e equipamentos. No aspecto social, as noites se caracterizaram por recepções animadas. Quando conclui o Congresso me perguntei: valeu a pena participar? Aprendi algo? Permito-me falar em nome dos assistentes: sim e muito!” Prof.Dr.Alberto Woscoff (Argentina)
SBD
12 JSBD l Ano VII no 7
Departamentos preparam novos produtos para os sócios O clima da reunião dos coordenadores de departamentos, em Vitória, era de dever cumprido. O trabalho do grupo possibilitou o lançamento de 12 diferentes fol ders explicativos para leigos. “Todos ficaram encantados com o resultado e com a certeza do impacto positivo perante aos sócios e pacientes” – afirmou uma das coordenadoras da reunião, Dra. Ivonise Follador. Serão lançados ainda outros com temas, como vitiligo, líquen plano, psoríase, melanoma e alopecia areata. Foi definido também que o Manual de Conduta deverá ser concluído no primeiro trimestre de 2004. A publicação vai conter atualizações de condutas terapêuticas das principais dermatoses. O material deverá ser distribuído gratuitamente aos sócios. De acordo com a Dra. Ivonise Follador, os textos já estão pr ontos, em fase de padronização. Outra decisão do encontro é que os departamentos disponibilizem no site da SBD sugestões de leitura das respectivas áreas, com atualização bimestral. “Futuramente cada departamento estruturará um curso que ficará disponível para as diversas regionais ministrarem quando oportuno, seja em jornadas, eventos ou congressos que organizarem” – revela Follador. Qualidade do ensino é tema de reunião entre professores de dermatologia A formação em dermatologia foi o principal assunto em pauta na primeira reunião entre os chefes dos serviços credenciados e as comissões Científica, de Ensino e de Título de Especialista, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O encontro aconteceu no dia 3 de setembro, em Vitória, e foi coordenado pelo vice-presidente da SBD, Dr. Sérgio Talarico Filho (SP), acompanhado pelos doutores Silvio Alencar Marques (SP), da EMC-D, Jackson Machado-Pinto (MG), do
Jornal da SBD, Lúcia Arruda (SP) e Samuel Mandelbaum (SP), secretários da SBD. Dos 60 serviços credenciados pela SBD, 47 foram representados, além de 14 membros das comissões convocadas. A qualidade do ensino nas residências e especializações foi o ponto de partida para a discussão. Na opinião dos pr ofessores presentes, o dermatologista recém-formado pode não estar sendo bem preparado para enfrentar o mercado de trabalho. Há uma defasagem entre o que é possível ensinar e o que seria ideal aprender. ”A questão maior é que o que deve ser ensinado não está definido para o conjunto da Sociedade”. Para ampliar e aprofundar a discussão, foi criada uma força-tarefa que discutirá democraticamente sobre todos os fatores que influenciam o problema”, acrescenta Dr. Silvio. Os assuntos mais discutidos serão avaliados pela força-tarefa. Um deles é o progressivo enfraque cimento da enfermaria de dermatologia nos hospitais de ensino. O outro é a ausência da cirurgia dermatológica no programa curricular estipulado pela CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica). A Resolução nº 05/2002 estabelece que os requisitos mínimos dos programas de residência médica em dermatologia são: unidade de internação, com mínimo de 10% da carga horária total; ambulatório, com 40%; dermatologia sanitária, com 10%; micologia, com 5%; dermatopatologia, com 10%; alergia e imunologia, com 5%. Como estágios opcionais estão medicina ocupacional, cirurgia plástica, infectologia e outros. - Como se vê, a cirurgia dermatológica não esta claramente contemplada. Por outro lado, a Resolução define as áreas de atuação da Dermatologia, entre outras normas reguladoras relativas às especialidades e à residência. E aí estão listadas a cirurgia dermatológica, a hansenologia e a
cosmiatria. Isso demonstra que temos que ampliar o nosso trabalho junto à CNRM. – ponderou Dr. Silvio A Dra. Denise Steiner (SP), membro da Comissão de Ensino, observou as diferenças entre os serviços durante as visitas para recredenciamento. “Os serviços oferecem diferentes estruturas para cirurgias, assim como no estudo da cosmiatria. É preciso saber de que forma, quando e como devem ser ensinados os pr ocedimentos. Devemos buscar um padrão”. Outro aspecto apontado é a falta de pesquisa e produção científica dos serviços credenciados. Para o Dr. Ney Romiti (SP), da Fundação Lusíadas, isso se deve a pouca dedicação dos professores, que buscam outras atividades para o complemento da renda mensal. A observação procede: dos 66 participantes, apenas quatro dos presentes dedicavam-se exclusivamente à Universidade. Para montar um programa que atenda à formação completa do dermatologista, os pr ofessores decidiram reunir propostas e sugestões com base no currículo exigido pelo MEC e CNRM. Será elaborado um documento único, em nome da SBD, para ser apresentado às entidades competentes sugerindo uma revisão do programa de residência médica. Mas a principal decisão da reunião é a uniformização dos critérios de residência e especialização. Sendo assim, os serviços credenciados passarão a exigir dois anos em clínica médica para a especialização em dermatologia, como já acontece nas residências. Tatiana Gentil
A Indústria da Beleza
U
ma gama enorme de pr odutos direcionados para tratamentos estéticos é lançada anualmente no mercado. Segundo a Indústria Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (IBHPEC), o mercado movimentou 10 bilhões de reais em 2002. Curiosamente as mulheres brasileiras gastam o mesmo que as inglesas com produtos de beleza, embora os países tenham PIB (Produto Interno Bruto) diferentes. E mais: 82% das brasileiras consideram esses produtos uma necessidade, e não um luxo. Diante de tantas ofertas nas prateleiras das perfumarias, muitas vezes o paciente chega ao consultório pedindo que o médico prescreva os produtos recomendados pela mídia, por amigos, independentemente da sua real necessidade. Como o médico deve lidar com essa situação? O vice-presidente da SBD, Dr. Sérgio Talarico (SP), considera essa r ealidade cada vez mais freqüente nos consultórios. Nem sempre encontramos respaldo científico nas fórmulas” – afir ma Talarico. Para ele, o médico deve ter uma conduta franca e explicar com segurança o que é melhor para o seu cliente. E quando a explicação é dada com precisão, no lugar de criar frustração, fica valorizada a postura do médico. “Não podemos em hipó-
tese alguma permitir uma situação em que nos tornemos reféns da indústria ou da mídia” - afirma. O Dr. Alexandre Filippo (RJ), coordenador do departamento de laser, concorda. Ele diz que o perfil das pessoas que buscam tratamentos comésticos mudou muito nos últimos anos. “Hoje atendemos pacientes na faixa dos 20 aos 80 anos, enquanto que há poucos anos atrás esta idade variava entre 40 e 60 anos. A busca das pessoas para melhorar a auto-estima, ter boa aparência para conseguir emprego, ou mesmo se sentir bem perante a sociedade, fizeram com que a indústria cosmética tivesse um boom. As novidades surgem de uma forma avassaladora prometendo às pessoas a fonte da juventude” - conta. Para ficar atualizado, ele busca infor mações na mídia especializada em beleza. “Sabendo sobre o que estão falando, temos a nossa visão crítica, para com ética oferecer o melhor tratamento aos nossos pacientes. Cabe-nos solicitar das
Conforme dados fornecidos pelo (IBHPEC) de 2001 em relação ao mercado mundial de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o Brasil ocupa a sexta posição.
empresas, sempre, estudos científicos que comprovem a eficácia dos produtos”. – explica Filippo. Segundo a coordenadora do departamento de Cosmiatria da SBD, Dra. Dóris Hexsel (RS), uma em cada 11 propagandas na TV, nos jornais e nas revistas traz uma mensagem direta sobre beleza. As estatísticas informam, por exemplo, que o peso das mulheres que têm suas imagens estampadas nas capas de r evistas e comerciais de TV é inferior em, no mínimo, 23% da mulher média ocidental européia e americana. Na busca do padrão de beleza ideal, tanto homens quanto mulheres não medem esforços. Para a especialista, o der matologista deve sempre pr escrever ou r ecomendar os remédios que conhece, e que comprovadamente possam beneficiar o paciente. “Em geral, procedem de indústrias que reconhecidamente investem em pesquisa” – afirma.
É o terceiro mercado mundial em Desodorantes;
o sexto em produtos masculinos;
o quarto em produtos para o cabelo, higiene oral, fragrâncias, produtos infantis, fraldas descartáveis e absorventes higiênicos;
o sétimo em bronzeadores e protetores solares;
SBD
14 JSBD l Ano VII no 7
Médicos devem oferecer qualidade de vida aos pacientes
A
ções do meio ambiente resultam direta mente no ser humano. Na medicina não é diferente, é claro. De acordo com a Dra. Maria de Lourdes Viegas (RJ), na relação com o doente cabe ao médico possibilitar a ele as melhores condições de vida possível. “Tanto que, hoje, uma das melhores opções é o tratamento interdisciplinar, enfocando vários grupos de profissionais de saúde, oferecer educação, orientação e o tratamento propriamente dito. Essas atitudes interferem positivamente no bem estar do indivíduo, e caberá ao médico a liderança. As doenças de pele são, muitas vezes, aparentes e mexem com a psique do indivíduo.” - declara. A corrente dos que consideram o paciente de modo psicossocial engrossa com a Diretora da SBD, Dra. Ivonise Follador Oliveira (BA). “A relação médicopaciente é a base fundamental para o processo de cura, não podemos tratar doenças e sim doentes e esse conhecimento apesar de parecer tão bem aceito, não vem sendo aplicado na prática médica” – afirma. Para ela, com o desenvolvimento de uma medicina cada vez mais tecnológica foi ficando como algo distante, a individualização do tratamento. Ela acredita que o médico deve se perguntar: Quem é essa pessoa que está à frente? Qual o impacto da doença na vida dela? Por que adoeceu? Por que ela me procurou? Qual a sua expectativa? “Essa abordagem deve acontecer em qualquer área da medicina. O ser humano precisa ser visto, ser atendido como um todo. Na área dermatológica as doenças atingem a auto-imagem, ele fica muito exposto, todos perguntam, se metem, querem dar sugestões” – explica Dra. Ivonise.
Residência Médica
A
política nacional de formação de especialistas é a principal atribuição da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão do Ministério da Educação. Todos os critérios para a residência médica e especialização são definidos pela CNRM, que tem, em cada estado, uma comissão regional. Cabe a elas, a realização de vistorias, estudos de demandas etc. De acordo com o Dr. Ruy Barbosa, coordenador regional do sudeste I da CNRM e presidente da Comissão Estadual de Residência Médica de São Paulo (Cermesp), as vistorias são mais pedagógicas e orientadoras do que punitivas. “Antes de tudo, são diagnosticados o cumprimento da Lei nº 6.932, de 1981, que define residência médica, e a Resolução nº 5 do CNRM de 2002 que se refere aos requisitos mínimos do Programa de Residência Médica” – afirma. As instituições devem obedecer às normas legais quanto a recursos humanos, planta física, instalações e equipamentos. Outra determinação é um regulamento interno com os requisitos de qualificação e as atribuições dos profissionais da área dermatológica, atendendo a padrões éticos, técnicos e científicos compatíveis. De acordo com Barbosa, o atendimento dermatológico é predominantemente ambulatorial. “São checados principalmente, o movimento ambulatorial. Também os locais onde são feitos os exames, no setor de anatomia patológica, as lâminas. É necessário ter sala de cirurgia e de curativos adequadas e separadas” - explica. Indagado sobre as faltas mais comuns aponta o não cumprimento da carga horária dos residentes. “Alguns têm dificuldades em preencher a vaga de dermatologia sanitária, por exemplo. Orientamos que se faça convênios com outras instituições de modo a preencher essas lacunas” – declara. Nas vistorias, entre 10% e 20% dos serviços são descredenciados. “Essa é a condição mais drástica. Dependendo das falhas e situação da instituição, a comissão estadual instala o estado de diligência. Em um prazo que varia entre 60 e 120 dias, volta para reavaliação” – explica.
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 15
Interdic@s SBD concorre a prêmio de melhor site
O
site da Sociedade Brasileira de Dermatologia está concorrendo ao Prêmio iBest 2004 em três categorias: Associações Profissionais, Saúde e Bem-estar e Educação e Treinamento. A classificação dos TOP 10 da primeira etapa só depende da votação dos internautas, e serão recebidas até o dia 11 de dezembro. Para votar, basta entrar no endereço www.sbd.org.br e clicar no banner no lado esquerdo da página. O Prêmio iBest não só incentiva visitas ao site da SBD, como também aumenta a sua credibilidade junto ao público leigo e aos médicos. O resultado final será divulgado em maio de 2004. Vote no site da SBD e valorize a sua especialidade!
Clube de Revistas Apresentamos o resumo da Dra. Cláudia Pires Amaral Maia, do Depto. de Doenças Bolhosas, coordenado pelo Dr. Iphis Campbell HASHIMOTO, T. Recent advances in the study of the pathophysiology of pemphigus. Arch Dermatol Res., v.295,suppl1, p.2-S11,abr.2003.
Neste artigo o autor faz uma completa revisão sobre os atuais conhecimentos da fisiopatologia dos pênfigos, tendo em vista os rápidos e recentes avanços na área. A descoberta feita por Amagai e col. do teste sorológico ELISA para detecção de anticorpos anti-desmogleína 1 (160-kDa) e anti-desmogleína 3 (130- KDa) possibilitou um importante progresso no diagnóstico e classificação dos pênfigos. Este teste altamente sensível e específico é feito através da produção de proteínas recombinantes - desmogleínas (Dsg) 1 e 3 através de um sistema de expressão por baculovírus, que absorvem os anticorpos específicos. Será dentro de um futuro não muito distante, um exame de alta aplicabilidade clínica, que indica a patogênese, e possibilitará a instituição de tratamentos seguros para os pênfigos, como a plasmaférese específica. Foram identificados 2 subtipos de pênfigo vulgar: a forma mucosa, que reage apenas à Dsg-3, e a forma cutâneomucosa, que reage à Dsg-1 e Dsg-3. O pênfigo foliáceo endêmico (EPF) apresenta anticorpos IgG anti-Dsg-1, porém quase metade dos casos brasileiros também apresentam Anti-Dsg-3. Foram também identificados pelo teste ELISA a transformação de casos de pênfigo vulgar em foliáceo, e vice-versa, com a exata correlação temporal entre a modificação dos aspectos clínicos, e a expressão de auto anticorpos. Novas variantes dos pênfigos foram identificadas, através da identificação de diversos auto-antígenos. Recomendamos a leitura do artigo pois sintetiza os principais avanços mais recentes na patofisiologia dos pênfigos.
SBD
16 JSBD l Ano VII no 7
CFM regulamenta propaganda médica
O
Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, no dia 26 de setembro, a Resolução N° 1701/2003, que estabelece novos critérios para a propaganda em Medicina. A iniciativa de revisar as normas que regem a publicidade médica tornou-se fundamental com a disputa pelo mercado de trabalho, o aumento da oferta de serviços e a modernização dos meios de divulgação. O relator da medida, Dr. Rubens dos Santos Silva, explicou que o objeti vo das propostas é evitar que a publicidade médica seja semelhante a um comercial de produtos. “Os médicos têm que ter uma comunicação com a sociedade de forma verdadeira, ética e educativa, ficando claro que não podem ficar a serviço de empresas comerciais ou da indústria” - declara. “Verificou-se nos diversos meios de comunicação a publicidade de anúncios com formas imoderadas. Ou seja: causam dúvidas ou criam expectativas de resultados, em desacor do com os objetivos da medicina científica. Essa Resolução fortalece a classe médica e demonstra o respeito à população, que sempre espera do médico um comportamento ético” enfatiza Dr. Rubens Silva. A Resolução define como autopromoção a utilização de entrevistas, informações ao público e publicações de artigos com a intenção de angariar
Marcio Arruda
Ética na Medicina
A
Dr. Rubens dos Santos Silva, relator da Resolução
clientela, fazer concorrência desleal, pleitear exclusividade de métodos diagnósticos e terapêuticos e permitir a divulgação de endereço e telefone de consultório, clínica ou serviço. O médico não poderá anunciar uma aparelhagem de forma que lhe atribua capacidade privilegiada, ou participar de anúncios de empresas ou produtos ligados à Medicina. O nome do profissional deve ser resguardado, fica então proibida a sua inclusão em propaganda enganosa de qualquer natureza, também em matérias desprovidas de rigor científico a ser divulgada em qualquer mídia, inclusive na Internet. Nos trabalhos e eventos científicos em que a exposição
responsabilidade ética na propaganda foi o tema da palestra ‘Exercício da Dermatologia’, no 58º Congresso Brasileiro de Dermatologia. O Dr. José Ramon Varela Blanco, secretário geral da SBD, lembrou que o Conselho Regional de Medicina (CRM) fiscaliza, registra denúncias e julga os médicos. Ele alerta que o processo é iniciado com uma queixa. Em seguida é feita uma sindicância e depois de apurados os fatos os médicos são julgados. A punição varia de acordo com a falta e pode chegar à cassação do registro profissional. Ele explicou ainda que o médico está sujeito a cinco fontes fiscalizadoras: os Códigos de Ética Médica, Civil, Penal, Defesa do Consumidor e de Disciplina da Área trabalhista. Blanco destacou que no trato com o paciente “saber examinar, ouvir e registrar o que o paciente diz” é fundamental para o médico evitar problemas. do paciente for imprescindível, o médico deverá obter autorização prévia do mesmo ou de seu representante legal. O texto completo está disponível na página da SBD (www.sbd.org.br).
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 17
Curso discute a produção científica nacional
A
Sociedade Brasileira de Dermatologia, através dos Anais Brasileiros de Dermatologia, realizou mais uma edição do Curso de Introdução à Metodologia em Pesquisa, durante o 58º Congresso Brasileiro. O principal objetivo do curso é ampliar a capacitação cientifica e acadêmica dos dermatologistas, e melhorar a produção científica nacional. Coordenado pelos Drs. Mauro Ramos (RGS), Silvio A. Marques (SP) e Maurício Pereira (DF), o principal tema discutido foi o Fator de Impacto (FI) das revistas científicas. Foram abordados também “Delineamentos de estudos, população e seleção de amostras”, “Impacto na validade interna e externa do estudo”, “Projetos pilotos”, “Exeqüibilidade da pesquisa e ferramentas para editoração cientifica. “O conteúdo foi riquíssimo, como se vê” – contou o Dr. Silvio Marques. O Fator de Impacto dos periódicos é usado para ranquear publicações científicas. As 30 mais importantes da dermatologia têm seus dados publicados, anualmente, no Journal Citation Report, periódico do Institue for Scientific Information (ISI), o qual lista os FI de diferentes áreas. “Para calcular o Fator de Impacto divide-se o número de cita-
ções no corrente ano, de qualquer item publicado no mesmo veículo nos dois anos anteriores, pelo número de artigos (não entra relatos de caso) publicados nos mesmo periódicos e períodos (os dois anos). Vou exemplificar: em 2001, foram registradas 10657 citações de artigos publicados nos Archives Dermatology, nos anos de 1999 e 2000. Essa quantidade é dividida pelo número de artigos (388), que foram publicados nos Archives, em 1999 e 2000. Portanto, 10657 divididos por 388, resulta 27,47. Esse é o valor do FI da revista para 2001. Já a Acta Derm Vener tem FI igual a 16, 57; a JAAD 15,65 e assim por diante – explica Dr. Marques. Ainda de acordo com o coordenador, no Brasil, a Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – órgão do Ministério da Educação, utiliza esses dados e denomina de Qualis A Internacional àqueles periódicos com FI > 1; Qualis B = FI < 1 e Qualis C ao periódico indexado no Medline, mas não detectável, isto é: com número de citações irrisório ou não citação nos periódicos de referência. Em nível nacional, a Capes, considera periódico Qualis A, se indexado no SciELO (nesse ano os Anais passaram a ser indexados), Qualis B, se indexado no
LILACS e Qualis C, revistas locais. “Os Anais Brasileiros de Dermatologia, por exemplo, na sua luta pela re-indexação no Medline, têm diminuído os espaços para relatos de casos clínicos e ampliado para trabalhos de investigação e de revisão, pois são os que conferem maior solidez científica aos periódicos” - comenta Dr. Silvio. O curso busca motivar a comunidade científica a prestigiar os Anais com suas produções. “É nosso interesse transformar o conteúdo do curso em publicação. Também vamos sugerir enfaticamente que o mesmo seja transformado em fórum, para que, mesclado à discussão de questões de ordem prática que dificultam a pesquisa em Dermatologia, possa obter a repercussão que merece” – finaliza o coordenador.
SBD
18 JSBD l Ano VII no 7
Planejamento é um dos segredos da boa administração
E
mbora o médico carregue uma enorme bagagem científica, muitas vezes não tem a mesma desenvoltura no mundo dos negócios. Essa é a opinião do Dr. Abdiel Figueira Lima (RJ). Desde 2000, ele coordena um curso sobre organização e gerenciamento de consultório nos congressos de dermatologia. Em Vitória, dividiu o curso com o Dr. Sérgio Talarico (SP). “Os enfoques principais da aula são os aspectos físicos, normativos e administrativos de um consultório, procurando oferecer um pouco da minha experiência de 14 anos como professor nas áreas de administração e de informática” – declara Dr. Abdiel. Para ele, gerenciamento pode ser algo intuitivo, mas dependerá sempre de critérios definidos para apresentar bons resultados. O caminho das pedras para atingilos está em analisar, planejar, executar e controlar todas as etapas de um processo administrativo. Por exemplo, não podem faltar em um consultório equipamentos de informática. “No mundo atual
Gerenciamento pode ser algo intuitivo, mas dependerá sempre de critérios definidos para apresentar bons resultados é implícito e necessário utilizar o computador como ferramenta de trabalho para, entre outras funções, fazer o controle financeir o. Na nossa área essa função está cada vez mais complicada, pois temos que administrar a r elação com os convênios” – ensina Dr. Abdiel. Quem administra um consultório deve ter em mente que a dermatologia é, por natureza, uma especialidade clínico-cirúr gica. Qualquer procedimento invasivo implica em cumprir toda a regulamentação da
Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Seguir os padrões na escolha de piso e paredes, cumprir rigorosamente os processos de esterilização de material, até a exigência de ter pia em qualquer sala onde se manipula o paciente, são obrigatórios. “É necessário estar atento a mínimos detalhes como, por exemplo, ter atenção àquela amostra grátis vencida, pois é motivo para multa. Do mesmo modo, a geladeira para conservação de produtos medicinais não pode conter nenhum alimento. Ainda que seja aquele inocente o iogurte do intervalo” – aconselha Dr. Abdiel. Vale lembrar que cada município tem normas próprias. “Isto torna difícil um esclarecimento único, pois as variações são grandes entre cada cidade. A diretoria está estudando uma forma de oferecer algum tipo de suporte nas consultas que se façam necessárias junto aos órgãos competentes” – completa o Dr. Sérgio Talarico. Por enquanto, quaisquer dúvidas em relação às normas determinadas pela Anvisa podem ser esclarecidas através do site da instituição (www.anvisa.gov.br)”.
Setembro / Outubro - 2003 JSBD l Ano VII no 7 19
Regionais
Bahia
A Regional Bahia realizou o I Seminário Sobre Oncologia Cutânea, no dia 27 de setembro. O encontro reuniu o presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma, Francisco Belfort e o dermatologista Mauro Enokihara, professor da Escola Paulista de Medicina. Na abertura do seminário, a Dra. Jussamara Brito, presidente da Regional, lançou a participação na Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, que será realizada no dia 22 de novembro. A próxima atividade da regional será
a XI Jornada Baiana de Der matologia, nos dias 7, 8 e 9 de novembro. Quem participar poderá conferir as seguintes palestras: O que Há de Novo na Cicatrização; Vasculites – Investigação e Manejo Clínico; Atualização em Psoríase, Pesquisa em Dermatologia na Bahia, HTLV e Pele; Etiologia das Úlceras dos Membros Inferiores; Como eu Trato e Tumores Cutâneos Menos Freqüentes. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 336-5644 ou www.interlinkeventos.com.br
Brasília
Maranhão
A SBD - DF realizou nos dias 29 e 30 de agosto a reunião científica mensal. Na ocasião, aconteceram eleições para a gestão 2004/2005. O Dr. Gilvan Ferreira Alves foi aclamado presidente da regional e terá a Dra. Ana Maria Costa Pinheiro como vice-presidente. Já as secretarias serão ocupadas pelas doutoras Jussara Soledade do Nascimento e Cristina Salaro, e o cargo de tesouraria será da Dra. Beatriz Moreira de Medeiros.
A Regional Maranhão promoverá a I Jornada Maranhense de Dermatologia nos dias 7 e 8 de novembro, no Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão. Presidido pelo Dr. Ivan Abreu Figueiredo (MA), o evento está programado em três módulos. Na sexta-feira (7/11), serão ministradas aulas sobre aspectos dermatológicos em pediatria abordan -
Pernambuco
Rio Grande do Sul
O lançamento do primeiro informativo da regional, em junho, foi mais uma realização. O veículo, voltado para os sócios, tem a tiragem de 500 exemplares. “Temos ainda participado de forma ativa dos movimentos em defesa da categoria médica com representação efetiva no Movimento pela Dignidade Médica em nosso Estado” – conta a Dra. Sílvia Carvalho. O telefone da regional é (81) 3222.0369.
A SBD-RS promoverá a XXVIII Jornada Gaúcha de Dermatologia nos dias 7 e 8 de novembro, no Centro de Convenções da Fiergs. O principal enfoque do encontro é fotoproteção, já que as discussões relacionadas à radiação ultravioleta estão em voga. “Nada melhor do que fazermos uma minuciosa revisão dos tipos de lâmpadas ultravioletas encontradas no mercado, assunto que será abordado pelo físico Elton Ferlin, que trabalha há muitos anos dando assistência no campo das radiações no Hospital de Clínicas de Porto Alegre” - conta o Dr. Sérgio Dornelles. Serão trazidas ainda novidades sobre peelings e fotoprotetores. A Dra. Bogdana Victória Kadunc ministrará um curso prático de "Procedimentos em Consultório", e a Dra. Tânia Ferreira Cestari falará sobre os "Fotoprotetores”. O telefone da organização do evento é (51) 3231.4931 e da SBD-RS (51) 3339.19.11.
do os temas Dermatite Atópica, Piodermites, Dermatoviroses, Foto-proteção e Leishmaniose. No dia seguinte, palestrantes discorr erão sobre os painéis: Dermatologia em Ginecologia e Obstetrícia e Dermatologia em Clínica Médica. Os interessados poderão se inscrever a partir de 20 de setembro pelo telefone da regional (98) 227.5016.
SBD
20 20 JSBD l Ano VII no 7
Expr essões da Dermatologia Sebastião A. P. Sampaio Há quem diga que a dermatologia se divide em antes e depois do Prof. Sebastião de Almeida Prado Sampaio (SP). Foi ele o responsável por trazer dos Estados Unidos a escola terapêutica de aliviar e curar as doenças, em contraponto à postura francesa, na época dominante no Brasil, mais preocupada em descrever as
JSBD - Muitos colegas comentam que o consideram um mestre pela sua extrema sabedoria. Como o sr. recebe a opinião de seus discípulos? SS - Mestre é quem é ultrapassado pelos seus discípulos. Certamente muitos já me ultrapassaram. JSBD - Por favor, fale sobre a evolução da dermatologia no Brasil. Qual a participação da Sociedade Brasileira de Dermatologia nesse processo? SS - A dermatologia no Brasil teve uma evolução impressionante nos últimos 50 anos, em todos os campos. Novos recursos terapêuticos e a formação de excelentes dermatologistas. A SBD com a realização da 1ª Reunião dos Dermatologistas Brasileiros (1944) e
moléstias. Aos 84 anos, ainda participa ativamente das atividades da SBD. Acompanhou de perto a programação do 58º Congresso Brasileiro de Dermatologia, onde ministrou cursos e organizou uma caminhada na praia. Leia a entrevista que o ex-presidente da SBD concedeu a nossa equipe.
posteriormente a criação do Título de Especialista (1967) e credenciamento de serviços dermatológicos foi uma das responsáveis por esta evolução. JSBD - Que conselhos o senhor poder dar aos jovens dermatologistas? SS - O único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no dicionário. Portanto, plante o seu jardim, cultive a sua alma sem esperar que alguém lhe traga flores. E saiba que para vencer é preciso lutar, sofrer, suportar e nunca desanimar. Faça da dermatologia uma razão para a sua vida, para que tenha um encanto nela. JSBD – Fale um pouco da sua trajetória profissional e de suas atividades profission ais hoje em dia?
SS - Fui diplomado em 1943 e assistente na Clínica Dermatológica até 1960, quando fiquei professor catedrático. Atualmente, ainda aos 84 anos, vou semanalmente á Clínica dermatológica e participo da Congregação da Faculdade de Medicina. Atualmente dedico 24 horas por semana para atendimento em consultório. JSBD - O que o sr. gosta de fazer no seu tempo livre? SS - No meu tempo livre, diariamente ando a pé cinco, seis quilômetros e aos sábados entre 10 e 12. Sou Presidente do Conselho Deliberativo do Clube Piratininga e, duas vezes por semana, jogo bridge das 13:00 às 17:00 horas. Na televisão acompanho algumas par tidas de futebol, noticiário e eventualmente algum filme.