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Revista Sensatez - Nº 2

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A REVISTA SENSATEZ É UMA PUBLICAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

www.sbd.org.br


CARTA DA PRESIDENTE

CEM ANOS DE SBD O ano de 2012 já tem garantido seu lugar na história da Sociedade Brasileira de Dermatologia por seu centenário, comemorado por nós com muito orgulho. Queremos que nos próximos anos a SBD se torne ainda mais forte para continuar mostrando essa evolução ao Brasil e ao mundo. É com espírito de união e integração entre nossos dermatologistas, parceiros e funcionários, que essa entidade secular vem acompanhando o crescimento do país, tornando-se não só indispensável para a comunidade, como referência e exemplo entre as sociedades médicas. O compromisso com a população do país amplia-se no conjunto de incontáveis atividades educativas e de conscientização voltadas para a saúde da pele promovidas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Essas ações, tais como a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele, de Psoríase, além de cursos promovidos pelos Departamentos da SBD, dos projetos sociais realizados em congressos brasileiros, entre outros, reúnem, anualmente, um público estimado em 150 mil pessoas assistidas. Esse número certamente distingue a SBD no cenário nacional e internacional e contribui para valorização da vida e de um mundo melhor. Tratar a Dermatologia como uma especialidade séria, com ampla área de atuação e socialmente responsável, é o principal objetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Com objetivo de reforçar e incorporar cada vez mais tais conceitos, ou seja, qualidade e eficiência, a SBD destaca a sua trajetória ao longo desses 100 anos. Que venham mais 100 anos, querida SBD! Com muito orgulho compartilhamos com nossos leitores essa grande Alegria!

Dra. Bogdana Victória Kadunc Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia revistasensatez@sbd.org.br


Editorial

DIALÉTICA DO ENVELHECIMENTO “De que valeria obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir.” Certamente a citação acima do filósofo Foucault faz contextualizar o processo do envelhecimento sob o ângulo de apreciação da dialética. Viver é consumir-se no tempo... é envelhecer a cada instante... é conviver, conscientemente com a vulnerabilidade do sistema biológico... Para muitos cientistas, o envelhecimento biológico é algo indecifrável, estático, inevitável, inerente à condição material. Nesse sentido, envelhecer reflete decrepitude, degeneração... As mudanças no processo de envelhecimento, nem sempre implicam em perdas. O surgimento de cabelos brancos para alguns indica velhice, enquanto para outros é sinal de maturidade e distinção. Se a idade nos faz adquirir sabedoria, certamente é um ganho e não uma perda... Assim, nessa perspectiva dialética, para o processo de desenvolvimento do homem, precisaríamos aniquilar a palavra “envelhecimento” e eleger o “amadurecimento”, que significa aprimoramento, aperfeiçoamento, prudência. Amadurecer é torna-se maduro, experiente, prudente... É mudar a qualidade de um corpo... Nesta edição, a Sensatez convida você a perceber e refletir sobre o Envelhecimento enquanto processo, visando desmistificá-lo, enquadrando-o na visão dialética do mundo, onde a noção estática do ser servirá apenas de marco histórico da realidade. Os múltiplos olhares sobre esta temática se desenvolvem no decorrer das páginas desta edição assim como as experiências são somadas ao longo da vida, nos trazendo maior maturidade para construir conceitos e formar opiniões. Positivas provocações são distribuídas editorialmente, como na entrevista realizada com o multifacetado artista Rolando Boldrin, onde, sua perspectiva sobre Brasil, cultura e maturidade nos fazem refletir o quanto o tempo nos ensina como podemos ser melhores. Assim, com o propósito de oferecer o melhor de si, contribuindo para a quebra do estigma do envelhecimento, convidamos você, leitor, a visitar o caminho percorrido ao longo dessas páginas e viver em plenitude o instante que amadurece...

Dra. Luciana S. Rabello de Oliveira 2ª secretária da Sociedade Brasileira de Dermatologia revistasensatez@sbd.org.br


Boa noite de Bragança Paulista! Me chamo Rodrigo Magrini, sou Dermatologista aqui em Bragança e gostaria de parabenizar pela Revista Sensatez que acabo de receber em minhas mãos! Gostei da proposta, da rapidez e fluidez das matérias... muito bacana! Parabéns, Dr. Rodrigo Magrini

Prezada Luciana e Diretoria da SBD Gestão 2011/2012, Escrevo para parabenizá-los pela magnífica iniciativa no lançamento da nova revista “Sensatez”, desde a escolha de muito bom gosto do nome até as matérias escolhidas que foram muito bem conduzidas, explicativas e bem recebidas pelos pacientes. Mais um exemplo de que com criatividade, trabalho e respeito pela Dermatologia brasileira, a SBD vai cada vez mais longe, e com sensatez. Dr. Omar Lupi

Gostaria de parabenizar toda a equipe de jornalismo e todos os envolvidos no desenvolvimento da revista Sensatez. Fiquei tocado pelo extremo bom gosto no design da revista e importância das matérias. Sem dúvida uma publicação que nos orgulha. Dr. Décio Viana Ibitinga - SP

Parabéns a toda equipe Sensatez pelo empenho, carinho e dedicação nesse novo projeto. Fernando Pessoa já disse: “Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes!!! “ Pura tradução do que vemos nesta Edição. Parabéns mais uma vez!!! Dra. Denise Melo Olá a todos! Recebi logo pela manhã a revista SENSATEZ de uma amiga e fiquei surpreso pela qualidade das informações, pelo material impresso e pelo projeto em si. Uma revista mais que importante, e sim, que transmite conhecimento e cultura. Como publicitário nas áreas Médica, Saúde, Beleza e Moda, deixo aqui o meus parabéns pelo projeto e pelo empenho de todos os envolvidos, pela criatividade e ÉTICA. Gostaria de receber a Revista. Ela é mensal? Como faço? Além do mais, ficaria muito feliz em colaborar com vocês. Mais uma vez parabéns e um forte abraço! Nelson


Índice

40 FACE A FACE As marcas do tempo Pele e Climatério

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Cosméticos na terceira idade

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Radiação versus fotoproteção O desafio da pluralidade

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INTERFACE Pra amar não tem idade O direito de ser

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A matura idade

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Envelhecimento do corpo e o amadurecimento da alma

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Dieta para uma pele jovem

38

PERFIL Brasilidade à flor da pele

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Expediente

Supervisão Geral Sociedade Brasileira de Dermatologia Diretoria 2011-2012 Presidente: Dra. Bogdana Victória Kadunc Vice-Presidente: Dra. Sarita Maria F. Martins C. Bezerra Tesoureira: Dr. Carlos Baptista Barcaui Secretária Geral: Dra. Leandra D’ Orsi Metsavaht 1º Secretária: Dra. Eliandre Costa Palermo 2º Secretária: Dra. Luciana Silveira Rabello de Oliveira Editora-Chefe Dra. Luciana Silveira Rabello de Oliveira Jornalistas Responsáveis Ribamildo Bezerra de Lima – DRT 625/99 Ulisses Praxedes – DRT 2787/08 Projeto Gráfico e Diagramação Daniel Durante danieldurante.tumblr.com Revisão Eliene Resende Fotos Rolando Boldrin Pierre Yves Refalo Versão Online Nazareno N. de Souza Victor Gimenes Samuel Peixoto

EQUILIBRIUM

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De bem como tempo

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Envelhecer com equilíbrio

Contato Publicitário Priscila Rudge Simões

NATURALMENTE

Impressão Sol Gráfica

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Maturidade para uma vida sustentável

Circulação Distribuição Gratuita 23.000 exemplares

SABOR E ARTE É bom demais, Uai.

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A Dama de ferro: O tempo e a memória de Margareth Thactcher

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EM EVIDÊNCIA A pele e a vida no fluxo do tempo

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SENTINDO NA PELE Sobre raízes do corpo e da alma

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CAMINHOS Marrakesh: A pérola do Saara

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Para se corresponder com a Redação Av. Rio Branco, 39/ 17° andar-centro. Rio de Janeiro-RJ Cep: 20090-003 e-mail: revistasensatez@sbd.org.br A equipe editorial da revista Sensatez e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.


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FACE A FACE

AS MARCAS DO TEMPO Por Leninha Valério do Nascimento

pele, como qualquer outro órgão do corpo humano, apresenta, ao longo da vida, modificações que são próprias do período etário do indivíduo. Diferentes aspectos têm a pele infantil, a pele juvenil e a pele senil, próprias da infância, da juventude e da velhice. Distinguem-se dois tipos de envelhecimento da pele: um biológico, que atinge toda a pele e se acentua com o passar dos anos dependendo da idade; outro patológico, que acomete áreas da pele sujeitas à agressão externa, fotoinduzido, não necessariamente relacionado com a idade, acen-

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tuando-se pela maior duração da agressão. Em ambos os tipos, fatores individuais podem ter importância no grau e intensidade das manifestações. A chamada “pele senil” vem a ser as alterações do aspecto e das funções adicionais às da pele que envelhece, fisiológica ou biologicamente, em função do tempo de vida ou da idade do indivíduo. A “pele senil” caracteriza-se por aquelas alterações não necessariamente dependentes da idade madura, mas, certamente, devidas à agressão por parte de fatores externos, tais como:

excesso de vento, alterações da umidade relativa do ar em ambientes com ventilação artificial (ar condicionado) aquecimento ambiental, os agressores químicos (poluentes), efeitos maléficos do fumo, do alcoolismo e uso de drogas. Dentre esses, a radiação ultravioleta do sol é a mais importante podendo ocorrer em período muito anterior à velhice. Portanto, ”pele senil” é uma impropriedade de linguagem, internacionalmente difundida, que define um pseudoenvelhecimento e que já mereceu reparos. O envelhecimento da pele relacionado com a exposição solar localiza-se nas áreas fotoexpos10 | Revista Sensatez


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tas. A pele perde o brilho, fica áspera ao tato, apergaminhada e amarelada. As alterações na cor ocorrem com aparecimento de manchas brancas ou acastanhadas nos antebraços e dorso das mãos (chamadas erradamente de “manchas senis”). As rugas características do fotoenvelhecimento são profundas. Os vasos sanguíneos (telangiectasias) na face tornam-se acentuados. As alterações da pele decorrentes da idade incluem as seguintes modificações: a pele fica seca, fina, com perda da elasticidade e firmeza, diminuição da gordura subcutânea que contribui para o contorno da face. A Revista Sensatez | 11

diminuição da secreção do sebo produz ressecamento e coceira; os pêlos diminuem em número, volume e crescimento por todo o corpo principalmente, nas axilas e virilhas. No couro cabeludo, a diminuição dos pêlos aparece nas regiões da fronte, parietal e vértex. Os das sobrancelhas, nariz e orelha externa podem crescer e se tornam mais grossos. Por volta dos 50 anos, eles passam pelo processo de branqueamento, que se inicia normalmente nas têmporas. As unhas diminuem a velocidade de crescimento, podendo se apresentar frágeis, com estriações, perda de brilho e quebradiças.

O Câncer de pele é a doença mais importante do ponto de vista dermatológico especialmente nos indivíduos de pele clara. As medidas de prevenção como: vestuário adequado, óculos escuros, horários mais convenientes para a exposição solar, o uso de protetor solar são recomendados. As Campanhas de Prevenção servem para alertar a população sobre os cuidados que devem ter com a pele, retardando o fotoenvelhecimento e prevenindo o câncer. S Dra. Leninha Valério do Nascimento Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br


FACE A FACE

Por Ivonise Follador

Pele e

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CLIMATÉRI

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limatério é o período no qual os hormônios produzidos pelos ovários (estrogênio e progesterona) vão, progressivamente, deixando de ser produzidos. A menopausa é o momento da vida da mulher em que ocorre o último ciclo menstrual. Na maioria das mulheres, a menopausa ocorre entre os 45 e os 55 anos de idade, em média aos 50 anos. Por outro lado, os primeiros sinais do climatério, que são os ciclos menstruais irregulares, podem ocorrer vários anos antes da menopausa, ou seja, antes da última menstruação. Atualmente, a expectativa de vida das mulheres se localiza na faixa dos 75 anos. Como a menopausa ocorre por volta dos 50 anos, as mulheres de hoje vivem em um estado de carência hormonal durante cerca de 25 anos, ou seja, um terço de suas vidas. As mulheres precisam estar preparadas para essa etapa que pode, e deve, ser tratada se assim for necessário. Quando chega o climatério existem grandes mudanças cujos principais sintomas que podem ocorrer são: irregularidade menstrual, fogachos (que são as ondas de calor), sudorese noturna, insônia, alteração do humor, fadiga, alteração da libido e ressecamento

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vaginal. A falta ou diminuição dos referidos hormônios ovarianos leva a alterações metabólicas e em todos os órgãos e tecidos do corpo. Na pele ocorre uma diminuição da espessura e perda elasticidade e brilho, fatores que facilitam o aparecimento de rugas. As unhas ficam mais finas e frágeis. Há aumento dos pêlos faciais em algumas áreas, como mento, onde se tornam mais espessos e compridos. Em contrapartida em outras áreas, como no couro cabeludo, os pêlos diminuem em número e volume, se tornam mais finos e embranquecem. As alterações cutâneas são agravadas quando ocorre o fotoenvelhecimento associado comprometendo mais ainda a autoimagem e a autoestima. A abordagem da pele da mulher no climatério pode ser feita com produtos tópicos como hidratantes, alfahidroxiácidos, ácido retinóico e outros. Além disso alguns procedimentos médicos como preenchimentos com acido hialurônico, o uso da toxina botulínica e aplicação de laser podem trazer excelentes benefícios. Muitas fazem isso tudo e continuam infelizes e insatisfeitas, querendo a juventude perdida. Por isso é preciso cuidar do todo, corpo, mente e espírito.

A terapia de reposição hormonal (TRH) é hoje em dia indicada para os primeiros anos do climatério, principalmente os dois primeiros anos e se a mulher tiver sintomas. Não é toda mulher que deve fazer reposição hormonal. Os sintomas que comprovadamente melhoram são os fogachos, a insônia e o ressecamento. Não há maiores provas científicas que a perda de memória possa ser melhorada com a TRH nem tão pouco a perda de disposição física. A diminuição da libido na mulher não depende diretamente dos níveis hormonais, mas em alguns casos poderá ser utilizado a tibolona ou testosterona. A libido depende mais de toda uma situação, parceiro, sedução, etc. A TRH traz muitos benefícios quando bem indicada, mas pode trazer malefícios como o câncer de mama e doenças cardiovasculares como: infarto, trombose, AVC ou derrame. Hoje o uso dos chamados hormônios bioidênticos tem crescido, mas faltam estudos científicos mais consistentes para garantir que eles não trazem maiores riscos. A osteoporose é prevenida/tratada principalmente com uso de bifosfonados. O ressecamento vaginal pode ser tratado apenas com uso de cremes vaginais. Tudo depende de cada caso.

Dra. Ivonise Follador Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br


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O que se pode fazer para um climatério mais tranquilo e com melhor qualidade de vida:

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HIDRATAÇÃO Beba bastante água, principalmente após exercícios físicos.

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DIETA Adote uma dieta leve rica em cálcio, ingerindo laticínios e vegetais verdes. Faça refeições mais frequentes e mais leves. Consulte um nutricionista.

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EXERCÍCIOS Pratique exercícios leves regularmente. As caminhadas, a natação e a dança ajudam a fortalecer músculos e ossos. Ajudam também a prevenir a depressão.

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MEDIDAS ANTIESTRESSE Exercícios, meditação, ioga, religião, terapia, etc.

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EVITE FUMO E ÁLCOOL São fatores que agravam o envelhecimento geral e cutâneo.

7 PROCURE SEU MÉDICO GOSTE DE VOCÊ EVITE O EXCESSO DE SOL Use protetor solar diariamente. Use roupas leves e procure ambientes frescos e ventilados.

Faça planos, estude, ensine, viaje, sonhe, tenha vida própria, busque qualidade de vida no dia- a -dia, encontre seu caminho.

Discuta seus sintomas, veja o que há de concreto e sem riscos maiores para seu caso específico. Procure seu dermatologista, cuide de sua pele, do seu cabelo, de suas unhas, fique mais bonita e busque sentir- se mais bonita!

Para viver melhor no climatério, as mulheres precisam entender que é uma fase normal na vida, aprender a conviver com as mudanças e saber lidar com o estresse, que pode influenciar de maneira indireta na saúde da pele e nunca esquecer de que uma ação preventiva vai ajudar e muito a vencer os desafios desta época. S 14 | Revista Sensatez


FACE A FACE

Por Dra. Flávia Alvim S. Addor

COSMÉTICOS NA TERCEIRA IDADE Atualmente, o ser humano alcançou níveis de longevidade sem precedentes. No Brasil, 15 milhões de pessoas tem mais de 60 anos. A expectativa de vida em nosso país subiu 11 anos em três décadas, o que se deve ao maior acesso a saúde, avanços no setor farmacêutico e melhores condições de saneamento. Paralelamente a este fenômeno muito bem vindo, estas pessoas buscam aliar a saúde, bem-estar e boa aparência. Não é, entretanto, uma simples questão de parecer mais jovem; o grande desejo deste grupo crescente de pacientes é o de “envelhecer bem” mantendo um

aspecto jovial e saudável. A beleza muda com o tempo, mas não precisa ir embora. A partir da década de 90, houve um significativo avanço nas tecnologias para produtos de uso tópico, em particular, os cosméticos. Novos ativos e veículos vêm proporcionando uma penetração mais efetiva, uma ação mais intensa e novas tecnologias permitem mensurar estes efeitos, demonstrando finalmente que o cosmético pode sim ser eficaz, além de muito seguro. A Dermatologia é capaz de oferecer ao paciente com mais de 60 anos muitos tratamentos com boa evidência científica de segu-

rança e eficácia, podendo atenuar alguns dos sinais do tempo indesejáveis bem como realçar características que se perderam durante a vida. Hoje, o dermatologista também conta com produtos cosméticos desenvolvidos para seu receituário, cujos pontos mais relevantes são a inovação nos ativos e indicações, bem como a comprovação de eficácia com metodologia científica . Estes cosméticos são conhecidos como dermocosméticos ou cosmecêuticos (“cosméticos terapêuticos”) e têm sua indicação em variadas situações:

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Como preventivo dos sinais de envelhecimento; Como coadjuvante no tratamento dos primeiros sinais do envelhecimento; Como complemento ao tratamento farmacológico ou com procedimentos dermatológicos como lasers, peelings, etc; Ou ainda, como alternativa aos pacientes que não toleram ou não querem por algum motivo utilizarem medidas mais incisivas. Normalmente, os dermocosméticos são resultado de uma associação de ativos previamente testados, capazes de atuar em alguns dos mecanismos e sinais do envelhecimento.

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CONHEÇA AQUI ALGUNS DOS PRINCIPAIS GRUPOS DE COSMÉTICOS E COMO SÃO EMPREGADOS NA DERMATOLOGIA:

Fotoprotetores Os danos decorrentes da exposição solar se acumulam ao longo da vida, o que não significa que mesmo durante a idade mais avançada, não haja necessidade de fotoproteção. A ocorrência de tumores cutâneos malignos aumenta na terceira idade, além de sinais do chamado fotoenvelhecimento, decorrentes da exposição solar. As rugas finas, as manchas, são típicas do fotoenvelhecimento. Soma-se a isso o fato de grande parte dos tratamentos como peelings, lasers, etc. precisam de uma proteção solar potente na pele tratada. Revista Sensatez | 17

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Hidratantes A pele tende a perder sua umidade natural pelo declínio de suas funções na camada mais superficial (epiderme); este fato resulta em uma pele seca, áspera, muitas vezes descamativa e com aspecto esbranquiçado opaco. Há hidratantes desenvolvidos especialmente para devolver a pele elementos perdidos com a idade, além de possuir veículos com efeito retentor de água e reparador da barreira cutânea de maneira intensa e prolongada. O toque, cheiro e consistências agradáveis também são imprescindíveis. Estas características garantem a adesão do paciente ao cuidado diário com a pele.


FACE A FACE

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Antioxidantes As moléculas capazes de neutralizar os danosos radicais livres, que atacam estruturas celulares como as proteínas ou o DNA, são muito conhecidas para uso oral, mas também encontram grande emprego em produtos tópicos. Desde antioxidantes clássicos como as vitaminas E ou C, até extratos modernos de plantas com grande potencial neutralizador dos radicais livres, a lista não para de crescer. Cabe ao dermatologista usar sobretudo aqueles com maior evidência científica. Retinóides cosméticos Derivados da vitamina A como o retinol e retinaldeído têm propriedades muito próximas da versão ácida, considerada medicamento; entretanto são menos irritantes, mas também com efeitos mais lentos; proporcionam uma melhora da renovação epidérmica, conferindo uma pele mais clara e lisa, além de favorecer a síntese de elementos da derme, responsáveis pela firmeza, densidade e elasticidade cutâneas. Alfa-hidroxi-acidos cosméticos Suas atividades esfoliativas, sobretudo do acido glicólico, favorecem uma renovação epidérmica com efeito clareador, melhora da textura e de linhas finas. A ação cosmética ou como medicamento dependerá principalmente da concentração e do grau de acidez (pH) da formulação.

O médico dermatologista é certamente o melhor profissional para orientar a escolha dos cuidados com a pele, tanto preventivos como terapêuticos, na abordagem efetiva do envelhecimento. Em contrapartida, atualmente conta-se com variadas opções em produtos dermocosméticos para uma escolha adequada, segura e satisfatória ao paciente com mais de 60 anos. S

Dra.Flávia Alvim S. Addor Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br

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Para cuidar da sua pele, procure um mĂŠdico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia


FACE A FACE

Por Márcia Ramos e Silva e Stella Ramos e Silva

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RADIAÇÃO VERSUS FOTOPROTEÇÃO

Há um preço a pagar pela tentativa de mudar nossa herança genética e o jovem bronzeado será, sem dúvida, o adulto arrependido que virá aos nossos consultórios, tentando amenizar as consequências da exagerada exposição solar no decorrer da vida. Nos dias de hoje, no ocidente moderno, estar bronzeado é considerado bonito e saudável, além de haver um grande estímulo para esportes e atividades ao ar livre, sem que sejam divulgados os prejuízos futuros, ou como fazer sua prevenção. Apesar de prejudicial para a

pele quando em excesso, o sol é vital para o homem. É indispensável, entre outras ações, para evitar o raquitismo, doença decorrente da mineralização inadequada do osso pela deficiência predominantemente de vitamina D, dependente de luz solar para a sua síntese. Há também evidência de que o sol eleva certos hormônios e melhora o humor. A longa privação de sol leva a desordens afetivas e até a depressão na época do inverno nos países de frio extremo. A luz do sol é uma forma de radiação com vários comprimen20 | Revista Sensatez


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tos de onda. A camada de ozônio filtra os raios nocivos que não permitiriam a vida na terra e por ela passa apenas um terço, em especial a luz visível, radiação ultravioleta e infravermelho. Um mito frequente é que destas apenas a radiação UV seria prejudicial, mas apesar da UV ser, de fato, o componente mais nocivo, que provoca efeitos agudos, como queimadura solar, imunodepressão e desordens de fotossensibilidade, e efeitos tardios, como fotoenvelhecimento e câncer de pele, as radiações UV (A e B), luz visível e infravermelha são Revista Sensatez | 21

inseparáveis e todas provocam alterações na pele. Poucos lembram as influências externas ao se expor ao sol. Há variação da intensidade da UV com as estações do ano, sendo mais alta no verão; com a hora do dia, é mais intensa perto do meio do dia; com a altitude, já que a atmosfera filtra menos UV em locais mais altos e o efeito do sol para provocar queimadura aumenta 4% a cada 300m que se sobe. A latitude geográfica também influi com maior intensidade perto do Equador; e nos dias nublados, as nuvens absorvem infravermelho,

produtor de calor, e menos UV, assim muitos não se protegem e se expõem por mais tempo nestes dias, queimando-se muito. O reflexo solar nas diversas superfícies é diferente e sentar-se à sombra não protege da radiação solar. O sol reflete na neve (50-95%), areia (25%), água (520%) e grama (3%). Outro fator importante é a penetração, pois a luz do sol pode atravessar água e vestuário molhado ou fino e chega a 2m de profundidade em água clara do mar. É mito pensar que parar de tomar sol depois de ter rugas e


manchas não adianta. Colágeno novo é formado na derme e surgem novas fibras elásticas esparsas e delicadas, iguais às da pele não afetada pelo sol. Na realidade há grande melhora com a supressão da exposição solar ou com fotoproteção adequada, mesmo começando após anos. Em relação aos fotoprotetores, há também vários mitos de que: 1. as pessoas já sabem que devem sempre usar fotoprotetor; 2. estão mais conscientes do dano causado pelo sol; 3. a pele bronzeada está mais protegida do sol.

Dra. Márcia Ramos e Silva Dermatologista pela SBD e Dra. Stella Ramos e Silva Especializanda em Dermatologia revistasensatez@sbd.org.br

Na realidade, o fotoprotetor é usado esporadicamente e, mesmo em situações de alto risco de queimadura, como banhistas e esquiadores, é usado muito menos do que o ideal. Setenta por cento das pessoas ainda vão à praia para se bronzear ou para manter seu bronzeado, o que não deveria ser uma razão para ir à praia, já que o próprio bronzeado indica efeito nocivo. A pele pigmentada é apenas parcialmente resistente ao sol e a pele negra tem uma década de vantagem sobre a pele branca. É mito também a afirmação de que o FPS (fator de proteção solar) fornecido pelo laboratório é o fator de proteção real na hora do uso. Esse fator de proteção

na luz artificial é maior do que na natural. Além disso, o número de vezes e a quantidade aplicada pelo usuário comum tende a ser menor que nos testes. São testados com uma quantidade fixa de 2mg/cm2, mas, no uso geral, são espalhados de 0,5 a 1,0mg/cm2; assim o fotoprotetor FPS perde até 50% da sua ação. Outro mito é de que o FPS acima de 15 não traz maior proteção porque este já eliminaria a maior parte do efeito maléfico do sol. O FPS do rótulo, se não aplicado corretamente, cai até 50%, portanto maiores FPS sem dúvida conferem maior proteção. Outro mito é achar que a pele do idoso sofre mais com o sol. A razão é desconhecida e talvez se deva à pele do idoso ser menos sensível e reativa, mas a do jovem com o mesmo grau de coloração sofre muito mais com o sol, fica mais vermelha e dolorida após a mesma exposição. As células do jovem se multiplicam mais rápido e talvez células em divisão sejam mais sensíveis à radiação. Além dos mitos citados, há vários outros relacionados ao envelhecimento da pele, mas o mais importante é lembrar que vale a pena e há meios muito eficientes para atenuar e adiar o fotoenvelhecimento e sem dúvida, é essencial evitar exposição solar desde a infância e usar um fotoprotetor adequado ao tipo e cor da pele. S 22 | Revista Sensatez


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FACE A FACE

ODESAFIO DAPLURALIDADE Por Jayme de Oliveira Filho

uem vivencia a prática dermatológica há mais de três décadas, pode observar uma verdadeira revolução de conceitos, de hábitos e de perfil em uma das mais importantes especialidades médicas existentes. A Dermatologia de outrora tratava e conduzia mais de 2.000 doenças numa época onde se visualizavam ambulatórios repletos de doenças infectocontagiosas, sexualmente transmissíveis, patologias crônicas e ulcerosas, afecções congênitas de difícil condução como parte integrante da

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Medicina. No compasso do seu tempo e evolução, esta especialidade eminentemente clínica, sofreu uma enorme transformação e de um estado de “crisálida” foi se transformando em uma grande “borboleta”, destacando em suas “asas” a importância ainda maior de seus abrangentes conhecimentos. Devemos lembrar que esta centenária especialidade, que é a segunda mais antiga de todas as existentes em nosso país, só perdendo para a Clínica Médica, agora também se destaca nos campos cirúrgico, cosmiátrico e

investigativo. Hoje, a procura por um dermatologista é motivada tanto por questões referentes a doenças ativas quanto para orientação na condução nos cuidados com a pele, objetivando principalmente prevenção e tratamento do envelhecimento cutâneo. É a prática dermatológica que se renova com o tempo; ampliando caminhos, como ciência do cuidar, do bem-estar e da autoestima, alçando novos voos em busca de qualidade de vida e respeito ao corpo. 24 | Revista Sensatez


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Como o dermatologista pode ajudar o paciente na área do rejuvenescimento? - Na orientação correta quanto à fotoproteção e prevenção do envelhecimento. - Na orientação de cosmecêuticos para rejuvenescimento bem como para dermatoses inestéticas como acne, seborreia, hiperhidrose, melasma,etc. - No uso adequado de procedimentos como: - Toxina botulínica para rugas e excesso de transpiração. - Substâncias injetáveis – estimuladoras de colágeno, preenchedores e volumizadores, para rugas mais profundas, lábios, lóbulos de orelhas, sustentação da pele, olheiras, etc. - Laser para tatuagens, manchas, rejuvenescimento, pelos, estrias, cicatrizes, etc. Revista Sensatez | 25

- Peelings para rejuvenescimento, manchas, cicatrizes, acne, etc. - Aparelhos corporais para flacidez, gordura localizada, celulite, etc. - Atos cirúrgicos – para correções inestéticas (por exemplo: orelhas bipartidas, lipoescultura) - Criocirurgia – para manchas inestéticas e lesões pré-cancerígenas. - Eletrocirurgia – para pequenos tumores. - Transplantes capilares para alopecias e de melanócitos para vitiligo, dentre outros procedimentos menos habituais. S Dr. Jayme de Oliveira Filho Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br


INTERFACE

Por Dr. João Marcos Moura

PRA AMAR NÃO TEM IDADE

Quando a luz dos olhos meus E a luz dos olhos teus resolvem se encontrar Ai que bom que isso é meu Deus Que frio que me dá o encontro desse olhar Mas se a luz dos olhos teus Resiste aos olhos meus só p’ra me provocar Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus Que a luz dos olhos meus já não pode esperar Quero a luz dos olhos meus Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará Pela luz dos olhos teus Eu acho meu amor que só se pode achar Que a luz dos olhos meus precisa se casar... Vinícius de Moraes

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Difícil encontrar melhor e mais poética definição do que seria a sexualidade na terceira idade, como essa síntese que Vinícius de Morais construiu na música Pela Luz dos Olhos Teus. Isso porque, ao contrário do que muita gente pensa, pode acontecer sexualidade plena, desde que existam parceiros interessados e interessantes. É fato que a sexualidade na maturidade não só existe, como também está diretamente relacionada com a qualidade de vida. Afinal, não há melhor forma de comunicação e maior integração entre os casais do que o exercício da sexualidade. O aumento da expectativa de vida tem feito com que muitos tabus relativos à sexualidade das pessoas mais idosas venham caindo por terra. Como também, vêm se ampliando as leituras nesse campo. Sexo na terceira idade contempla outros valores, e tal qual um vinho, se depura com o tempo. Se na juventude a questão física é preponderante assim como as experiências quantitativas, na maturidade o companheirismo passa a ter um valor maior. O prazer da cópula deixa de ser fundamental e passa a ganhar outros Revista Sensatez | 27

apoios mais subjetivos. A exemplo do caráter pessoal, o respeito e a fidelidade. A poesia “Pela Luz dos Olhos Teus” simboliza o exercício da sexualidade em sua plenitude, característica essa tão presente junto à terceira idade. A troca de olhares descrita na canção, tão bem representa a sedução, o encontro de duas pessoas através do olhar. Uma vez identificados, homem e mulher exercitam a troca de afinidades, a exemplo de uma coreografia sentimental. Como próximo passo, o encontro das mãos, o toque dos braços, ampliam a comunicação sensorial. Uma identificação além da alma. Com elos absolutamente em harmonia, é grande a possibilidade de comunhão de projetos de vidas. Sendo o ápice do enamoramento, a doação do seu corpo, também recebendo o corpo do parceiro em sinal de doação. É importante ressaltar que o poeta Vinícius de Morais também foi responsável pela frase “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. E mesmo assim, podemos contextualizar esse aforismo junto à leitura sobre beleza em nossa maturidade.


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Se interpretarmos pela ótica da estética apenas, estaremos limitando o nosso campo de visão. Pois na terceira idade a beleza é tão subjetiva que funciona exatamente de dentro para fora, o interior complementa a beleza exterior. Portanto, os bons sentimentos como o carinho, a atenção, a cumplicidade e o companheirismo são, na verdade, caminhos a delinear a potencialidade de beleza interior de cada um. No mais, como acréscimo, contamos com a virilidade, hoje apoiada em fatores externos. Uma vez que fármacos têm contribuído para solucionar barreiras no tocante às disfunções sexuais, decorrentes, muitas vezes, de ordem orgânica, como também de fatores psicológicos, sendo a baixa autoestima, uma delas. Por isso, por mais que viéssemos teorizar, seria difícil totalizarmos esse amplo e instigante tema. Restando apenas afirmar que o amor não tem idade para acontecer, pois a vida, assim como esse nobre sentimento, é pulsante e latente. E fica a cada casal – seja ele unido apenas pelos laços do afeto, ou ligado também pelo matrimônio, reconhecido legalmente –, a missão de descobrir o real sabor de que cada tempo possui às suas descobertas relegadas à intimidade entre duas pessoas. Dessa forma, pontuo mais uma vez com ajuda da poesia, através de um belo fado português (Só Nós Dois é Que Sabemos, de Tony de Matos), que diz:

“Só nós dois é que sabemos/ O quanto nos queremos bem/ Só nós dois é que sabemos/ Só nós dois e mais ninguém/ Só nós dois avaliamos/ Este amor forte e profundo/ Quando o amor acontece/ Não pede licença ao mundo”. S

Dr. João Marcos Médico Geriatra

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Por Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires

O DIREITO DE SER conhecimentos adquiridos e os valores decorrentes dessa viagem existencial, estabilizando a independência financeira e familiar e aumentando nossas responsabilidades, é na senescência que buscamos a experiência interior daquilo que vivenciamos ao longo da nossa vida. Essa última fase é, sobretudo, uma fase de meditação e reflexão sobre nós mesmos. Na chamada ve-

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Terceira idade. Melhor idade. Maturidade. Idade avançada. São todas expressões que indicam a época em que o ser humano vivencia sua última fase no desenvolvimento biofisiológico. A escala evolutiva humana, no seu aspecto material, perpassa várias etapas, desde a infância, a adolescência, a vida adulta e a senescência ou velhice, além de outras fases intermediárias, como a puberdade e o climatério. Todas essas fases são de fundamental valor em nossa vida, não se podendo ter alguma delas como melhor ou mais importante que a outra. Se na infância percebemos os primeiros contatos com o mundo exterior, constituindo os laços familiares, em relação de total dependência, na adolescência vivemos a idade das maiores descobertas sobre a vida, experimentando inúmeras transformações físicas e mentais. Enquanto na fase adulta consolidamos os

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lhice, os laços familiares já estão basicamente formados, as experiências sentimentais já se estabilizaram, os rumos profissionais já se encontram superados, e as expectativas de vida já se confirmaram ou frustraram. As experiências vividas formam um belo e importante acervo pessoal. Ao menos assim deveria ser sempre. À parte a idade biológica, pode-se afirmar que a juventude é um estado de espírito. Muitas são as pessoas que ainda são biologicamente jovens, mas que têm atitudes de uma pessoa velha e conservadora. Por outro lado, também temos muitas pessoas idosas na idade, mas que revelam uma juventude de fazer inveja.Costuma-se afirmar que somos todos jovens, embora algumas pessoas sejam jovens há mais tempo que outras. É interessante observar que a depender do am-

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biente social em que as pessoas vivem, varia a forma como se encara a velhice. Nas culturas orientais, há um culto relevante às pessoas de idade mais avançada. O respeito e obediência aos mais velhos diferem muito do que vivenciamos no nosso mundo ocidental. Os idosos, no mundo oriental, constituem verdadeiros oráculos, as decisões familiares consideram sempre a orientação dos parentes mais velhos, exatamente pela sabedoria e experiência adquiridas. A velhice, para esses povos milenares, constitui verdadeira conquista pessoal e não um demérito. Com raras exceções, nossa cultura ainda avista as pessoas idosas como um estorvo, um peso do qual os próprios parentes tratam de se livrar, relegando-as ao abandono, ao descaso, ao esquecimento, quando não as tornam vítimas de ações mais graves, como os maus-tratos, em

total desrespeito à dignidade da pessoa humana. Se ainda estamos muito distantes de alcançar a maturidade sociocultural, já vislumbramos, no Brasil, algumas mudanças de paradigma que estabelecem novas perspectivas de evolução. Já fomos um país essencialmente jovem. Nos anos 70, a pirâmide etária de nossa população tinha sua base bastante larga, com um número de crianças e adolescentes que superava as faixas correspondentes às outras fases etárias. Éramos o país do futuro. A partir dos anos 90, todavia, com a redução drástica das taxas de natalidade, aliada a um aumento na expectativa de vida da população, hoje temos um número de idosos bastante acentuado, que inspira atenção redobrada no trato da questão. É bem verdade que a expectativa de vida vem aumentando consideravelmente, chegando a


COM O ADVENTO DO ESTATUTO DO IDOSO (LEI Nº 10.741/2003), CRIARAMSE CONDIÇÕES MAIS CONCRETAS PARA A CONSECUÇÃO DESSES OBJETIVOS.

73,5 anos em 2010, num crescimento de mais de 10 anos nas últimas três décadas, conforme dados do IBGE. Mas não basta envelhecer, é essencial que se possa envelhecer com mínimas condições de saúde física e mental. Estabelecer programas e políticas públicas que visem o desenvolvimento das capacidades intelectual e produtiva dessa faixa da população se revela fundamental para que possamos divisar uma velhice mais saudável e feliz. Com o advento do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), criaram-se condições mais concretas para a consecução desses objetivos. Essa lei estabelece normas para regular os direitos das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, idade essa que a lei considera como o marco inicial da pessoa idosa. Fixaram-se regras legais para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade, protegendo-os em seu

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”

aspecto integral. O art. 3º da referida lei impõe como obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Mesmo com todas as dificuldades que naturalmente decorrem da aplicação prática das leis no Brasil, dando-lhes efetividade, é gratificante podermos vivenciar uma época em que, ao menos no texto da lei, o idoso é tratado com o respeito e a dignidade que merece. O tempo fará com que a norma legal seja secundária e que espontaneamente o ser humano venha a cuidar dos mais velhos com o carinho, a atenção e a dedicação com que gostariam de ser tratados ao alcançar essa idade de luz. E que possamos todos envelhecer em paz. S Dr. Keops de Vasconcelos A. V. Pires Juiz de Direito revistasensatez@sbd.org.br

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Por Severino Gomes

A MATURA IDADE O homem alcançou a modernidade quando dominou a ciência e, para aplicá-la, desenvolveu elevado padrão de manuseio da tecnologia. Passou a trabalhar as forças da natureza, colocando-as a seu serviço. E logo se deu conta de que se destronasse aquele, até então reconhecido como O Criador, e assumisse o seu lugar, tudo ficaria muito bem. O criador estaria velho? Superado?... E deu no que deu: da teocracia, houve uma guinada para a antropocracia. Neste pulo, nasceu um Revista Sensatez | 33


DREAMSTIME

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indivíduo laicizado, avesso à metafísica e a toda dependência do sobrenatural. Divina agora, era a Razão! Eu penso, então eu existo. Secularizado, o sujeito ouviu apenas o grito imanente da sua experiência e, paganizado, sistematicamente desprezou as formas transcendentes do sagrado. Autossuficiente, decretou o valor da matéria, do prazer e das formas de poder. Dominou as energias distribuídas no planeta, e, como disse Mc Luhan, reduzindo-o a dimensões de uma aldeia, porém carregada de barbarismos.

Desenvolveu fórmulas para a velocidade; ele, o homem, transformou-se em máquina veloz e violenta. Apesar de tudo, criou sofisticados meios de interação, mas viu acontecer nestes tempos da razão indolente e mentirosa, a insolvência dos significados. São tantos os signos, ícones, índices e o homem está cada vez mais só, ensimesmado e incapaz de ler os sinais do seu tempo. Assim, a palavra “velho” carrega consigo um preconceito que nem mesmo os eufemismos do tipo “melhor idade” conseguem maquilar; ve34 | Revista Sensatez


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lho continua sendo o ranzinza, o imprestável, o inativo... Então ninguém toca nem nele e nem na palavra. Princípios e fins foram postos em dúvida, permanecendo apenas a certeza da morte. Por conta disto são muitos os mitos, diversos os medos e os cientistas tudo fazem na certeza de que encontrarão as fórmulas e formas da eterna juventude! Ninguém pensa em trabalhar em prol da eterna velhice! A sã filosofia ensina que a vida está na compreensão dos círculos concêntricos da existência. A Revista Sensatez | 35

ética verdadeira diz: o fim não é o momento da caduquice e do aniquilamento; ele pode ser o encontro da serenidade, da harmonia e da paz cidadã. Só vive aquele(a) que percebe que a existência é feita de convivência. A ética da Grécia clássica, diferente da ética kantiana, pregava não o tão decantado “dever fazer”, mas a sabedoria do conviver com a natureza e com o semelhante. Podem coexistir então: ciência e felicidade; a maturidade ao lado da dignidade. Cícero, o grande orador e filósofo romano, assegurava que a plenitude da compreensão

do mundo só era viável na idade madura. Apenas a experiência do cidadão idoso lhe permite chegar à posse da vida plena e digna. A vida está na consciência e na satisfação de ter dignamente chegado à matura idade! À cidadania plena! É possível chegar ao estágio do menos veloz e, por conseguinte, do menos feroz. A vida está noutro lugar, diz o escrito. A vida consiste no dar frutos, diz o Senhor (João 12,24). Oportunamente, a vida passada em revista, é Sensatez! S Severino Gomes Educador, filósofo e escritor revistasensatez@sbd.org.br


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Por Rossandro Klinjey

ENVELHECIMENTO DO CORPO E O AMADURECIMENTO DA ALMA

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erto dia fui levar meu avô para fazer sua caminhada matinal. Quando desci do carro, percebi que ele estava com meias e sandálias havaianas, uma bermuda xadrez e uma camisa listrada de botão, bem diferente de mim que estava com um tênis que combinava com a bermuda, com a camiseta e até com a pulseira do relógio. Então perguntei indignado: - Vô! Que roupa é essa? Ao que ele respondeu sorrindo: - Meu filho, na minha idade a gente se preocupa com o nosso conforto, já na sua, a preocupação é com a opinião dos outros. Na época eu já estava com 30 anos e meu avô com 83. Foi naquele momento que tive a prova viva do que vinha estudando em muitas pesquisas sobre crescimento emocional, as quais preconizam a tese de que se a maturidade nos trás o ônus da perda de vigor físico, por outro lado nos

recompensa com a leveza de uma vida mais interior, e menos angustiada em satisfazer os padrões sociais. Para muitos pesquisadores, é a partir dos 50 anos que começamos a experimentar mais conscientemente a felicidade e a suavidade da vida. E a tão decantada juventude, com seu vigor e beleza, é também uma época de muitas angústias, tensões, conflitos e desafios. Uma fase da vida na qual negligenciamos nossas necessidades mais íntimas, tudo para sermos aceitos e não entrar em desacordo com as normas dos grupos dos quais fazemos parte. Vivemos, em nosso país, uma mudança na expectativa de vida que nos tem feito se aproximar dos índices dos países desenvolvidos, e já percebe-se também uma busca, não apenas por viver mais, mas por viver melhor, com qualidade de vida. Agora os cuidados não são de 36 | Revista Sensatez


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uma busca de juventude eterna, que sabemos impossível, mas de retardar, e isso já é possível, os efeitos físicos do envelhecimento, aproveitando a maturidade que o tempo nos trás com a saúde, o que nos permite conciliar o melhor das duas fases da vida. Antes dos trinta anos, minha música predileta era “Meu Mundo e Nada Mais” de Guilherme Arantes. Num de seus trechos ele diz: “quando fui ferido vi tudo mudar das verdades que eu sabia”. De certa forma para mim soava como a música de alguém machucado pela vida, que sofreu, enfim, da vítima. Presentemente, a maturidade que vem chegando, tem me permitido ver a vida de uma perspectiva mais serena, de uma existência não de apenas de lutas e dores, porém, sobretudo, de aprendizado. É por isso que minha música predileta hoje é “Tocando em Frente” de Almir Sater e Renato Teixeira, especialmente quando diz: “ando devagar porque já tive pressa, e levo esse sorriso porque já chorei demais, cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz”. Eu sei que existem muitos “adultecentes”, adultos que não aproveitam uma das melhores coisas da vida, a maturidade emocional, posto que esta não é, necessariamente, correspondente à idade. Mas, sempre é tempo de se permitir amadurecer, que nada mais é do que uma espécie de renascimento. Revista Sensatez | 37

A escritora belga Marguerite Yourcenar, pode nos ajudar a compreender melhor esse renascimento. Entre tantas obras que publicou, destaco um livro de 1983, intitulado “O Tempo, Esse Grande Escultor”. Numa de suas frases mais conhecidas ela afirma que “O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios”. Esse “olhar de inteligência” é a maturidade, que nos permite observar sob ângulos mais lúcidos todos os aspectos da nossa vida. S

Rossandro Klinjey Psicólogo e Palestrante rossandro.klinjey@hotmail.com


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Por Isabela Popovitch

DIETA PARA UMA PELE MAIS JOVEM

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uidar do corpo significa um conjunto de atitudes que incluem tanto os cuidados com a pele como uma alimentação saudável. Há muito se tem estudado os efeitos da alimentação na prevenção do envelhecimento. Compostos antioxidantes encontrados em alguns alimentos como brócolis, espinafre, soja, gengibre, chá verde estão associados a menor incidência de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes. Da mesma forma, o ômega 3, encontrado em peixes como salmão e atum, pode influenciar no aprendizado e memória. Outro fator importante para longevidade

é diminuir o aporte diário calórico. Comer menos e melhor torna-se a máxima da prevenção do envelhecimento. Para uma pele saudável e jovem, além dos cuidados locais é preciso evitar fumo, exposição ao sol, álcool em excesso, estresse físico e mental que são geradores de radicais livres, acelerando o envelhecimento. Além disso, precisamos dar maior importância aos alimentos que ingerimos ao longo da vida. Para que isso aconteça contamos com alimentos funcionais, aqueles que exercem ações importantes além da nutrição, como diminuição do colesterol sanguíneo, prevenção do apareci-

mento de cânceres, dentre outros benefícios. Os cereais integrais são ricos em fibras, que auxiliam no trabalho intestinal e no processo de digestão. Os óleos vegetais como de canola, girassol e azeite são capazes de aumentar o colesterol bom( HDL) e combater o colesterol ruim( LDL). Alimentos antioxidantes são ricos em vitaminas que protegem a nossa pele dos ataques aos radicais livres. São eles: folhas verde-escuras, chá-verde, frutas vermelhas, oleaginosas e sementes, vinho tinto (2 taças semanalmente, pode ser substituído por suco de uva integral), vegetais e frutas cítricas. O importante não é só consumir 38 | Revista Sensatez


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os alimentos antioxidantes, mas também evitar os vilões que podem prejudicar uma pele linda e jovem. É importante evitar: açúcar branco, gorduras saturadas, bebidas alcoólicas em excesso, carnes gordas, carboidratos simples em excesso, etc. Esses alimentos aumentam o risco de inflamação das células pela liberação de radicais livres associados ao envelhecimento precoce. Não podemos deixar de citar uma grande aliada, a Água. Temos que ingerir no mínimo oito copos de água por dia, o que além de saciar um pouco a fome, acelera o metabolismo levando à queima mais rápida das calorias ingeri-

das. Alimente-se sem pressa, em local tranquilo e com itens de qualidade. Mastigue os alimentos várias vezes antes de ingeri-los para facilitar a digestão e otimizar a absorção dos nutrientes. Tenha em mente, para ter uma pele sempre jovem e bonita é preciso nutrir e hidratar o corpo, além de exercitar-se, pois o exercício também é um dos nossos maiores aliados. Somados tudo isso, torna-se imprescindível visitar nossos inseparáveis amigos dermatologistas. Tenha uma pele saudável! Viva com Saúde! S

Isabela Popovitch Nutricionista revistasensatez@sbd.org.br

Couve Cenoura Maçã Pepino Hortelã Coloque tudo na centrífuga e tome logo em seguida.

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Aqui vai uma receita de um maravilhoso suco antioxidante:


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Brasilidade à flor da pele Por Ribamildo Bezerra

FOTOS: PIERRE YVES REFALO

Para Rolando Boldrin o nosso Brasil ainda que continental, é muito maior culturalmente do que se imagina. Uma nação que precisa ser redescoberta a cada instante, saindo lá do “fundo da gaveta”. Uma experiência singular que cada brasileiro vive a sua maneira, a cada novo “causo” contado, a cada poesia declamada, a cada canção solfejada. Um Brasil estampado nos rostos do seu povo, que prefere assumir as “marcas” do seu tempo, a esconder por trás de uma “maquiagem” a pluralidade das raças, que nos faz seres tão singulares numa nação de perfil plural. Este “Senhor Brasil” de 75 anos (53 só de televisão), sabe como encarar esta país “de frente”, quando diante da câmera através do “espelho da sua verde retina” e voz grave, pode “ecoar a alma” de um povo, traduzida em interpretações que vão de Rui Barbosa a Patativa do Assaré. Para este Artista, com ‘A’ maiúsculo, nascido em São Joaquim da Barra no Estado de São Paulo, a musicalidade se fez presente em sua vida desde os sete anos, quando já tocava, e muito bem, a sua viola, fazendo parceria com seu irmão na formação da dupla Boy e Formiga, quando se apresentava na rádio do município. Aos dezesseis anos desembarca em São Paulo vindo de carona do interior. O sonho de vencer como cantor na “grande cidade”, o fez percorrer os caminhos necessários que o trouxeram até aqui. Trabalhou como sapateiro, frentista, carregador e também como garçom. Mais brasilidade no currículo impossível. “Debutou”

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na música em 1960 ao participar do disco de Lourdinha Pereira, que viria ser sua esposa e produtora na época, lançando seu primeiro disco em 1974, pela Continental, com o título “O Cantadô”. Na TV, estreou aos 22 dois anos, um começo mudo, como figurante na extinta Rede TUPI, uma fina ironia para quem hoje representa a voz de uma nação; um público que já não sabe mais definir se Rolando Boldrin é um ‘Cantador de Histórias’ ou um ‘Contador de Canções’. O certo é que o “relógio do tempo” para este “Senhor Brasil”, há muito “corre” de forma anacrônica. Rolando consegue “cristalizar” o Deus Cronos em nossas mentes, eternizando tantos momentos com frescor e emoção, oferecendo a cada instante artístico, uma leitura ímpar de sensibilidade. É a voz de um Brasil que ecoa pelas veias de um artista que “transpira” brasilidade pelos poros; uma paixão que faz da sua história um grande “enredo”, que cantado pela Escola de Samba Paulista Pérola Negra, mostrou na Avenida, em 2010, O Brasil que devemos tirar da Gaveta.

Rolando Boldrin faz desta nação o seu melhor palco, para que no “espetáculo da vida”, iluminado pelas “luzes da maturidade” as experiências vividas continuem a ser importantes “cenas” do seu verdadeiro “show”.

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PERFIL

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Em sua opinião, existe respeito e valorização aos senhores e senhoras que fizeram desta nação o SENHOR BRASIL? Quando alguém se propõe a ser um Senhor ou Senhora Brasil, não há por que se preocupar em ser respeitado ou valorizado. O tempo se encarregará de suas importantes histórias de vida. Você tem 75 anos de vida e 53 anos de televisão. Da dupla Boy e Formiga , a figurante de TV até ser hoje , eclético artista, cantor, compositor, ator, além de um exímio contador de “causos”. Qual a face do Rolando Boldrin que ainda não conhecemos? O público conheceu nesse tempo (53 anos de carreira) um ator que através do projeto ligado aos programas de TV acabou por mostrar-se como cidadão. Portanto, hoje todas as facetas visíveis nos programas revelam quem é Rolando Boldrin. Um misto de tudo. Como num Empório. O senhor demonstra uma paixão muito grande por um Brasil tão plural, sendo um contador de histórias que em cada “causo” mostra uma faceta desta nação. Por que, em sua opinião, ainda devemos “tirar o Brasil da gaveta”?

tórias, prevalece uma sabedoria do caboclo, reflexo de quem vive as experiências da vida independente de algum conceito intelectual. É possível ainda encontrar essa essência de vida em tempos de hoje? Onde houver gente simples e com espírito de cidadania haverá a essência de vida Brasileira. Isso importa. Na canção “ Vide Vida Marvada”, interpretada pelo senhor , destaca-se o trecho “Vou mastigando o mundo e ruminando e assim vou levando esta vida marvada...”. Que força existe entre experiências e lembranças quando se chega na maturidade da vida ? A “vida marvada” está sempre nos ensinando coisas. Devemos envelhecer sempre aprendendo e ensinando as lições recebidas.

Tem muita coisa a ser mostrada em termos de cultura popular. Daí o “tirar o Brasil da Gaveta”. Se o Brasil pudesse ser descrito em melodias, sons e poesias qual (ou quais) o senhor escolheria para descrevê-lo? Temos vários ritmos sugestivos com a cara do nosso País. A modinha, a canção, a toada, o samba. E dentro deste Universo as melodias dolentes de cada seguimento rítmico. O Brasil é uma nação que amadurece ou envelhece. Existe alguma diferença entre esses dois conceitos? Com certeza, amadurece. Nos seus “causos”, ou melhor dizendo, nas suas his-

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Onde houver gente simples e com espírito de cidadania haverá a essência de vida Brasileira.

”


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Para um homem de 75 anos, de memória prodigiosa, diante de tantas histórias, o que realmente fica em nós, o humor de marcantes experiências ou um olhar mais “endurecido” sobre aquilo que se viveu ? O olhar romântico de quem acredita no ser humano e no País de origem. O Brasil no nosso caso. A esperança também é uma temática forte nas suas canções. Exemplo disso está na música: Um Novo Amanhecer, cujo o trecho destaca: “ O mundo mudará nós temos que convir é só viver pro amanhã que há de vir...” Quais as suas atuais esperanças? Esta música e letra são de autoria do grande pintor e embolador Manezinho Araújo. Quando ele a compôs estava, como eu, cheio de esperanças.

...a minha plateia é misturada de jovens ansiosos por uma cultura pura e velhos cheios de vontade de revê-la conservá-la.

”

No seu programa de TV – O SR. BRASIL , prevalece uma integração entre jovens e idosos como plateia, num exemplo de comunhão cultural. É possível acreditar que nossas referências culturais não se perderão com momentos assim?

Música e literatura sempre estiveram interligadas. Na sua opinião, quem melhor soube descrever este complexo, e não menos fascinante, sentimento de ser brasileiro?

Nos meus programas de TV, desde o SOM BRASIL no tempo da Globo, em 81, a minha plateia é misturada de jovens ansiosos por uma cultura pura e velhos cheios de vontade de revê-la conservá-la.

Na música, são os cantadores de várias regiões do Brasil, na literatura somos um país rico em contadores de histórias escritas também.

Dizem que as marcas das nossas vivências podem estar estampadas no rosto. O senhor cuida de escondê-las? Possui alguma vaidade estética?

O brasileiro está sabendo envelhecer? Quais os maiores desafios para sermos uma nação que respeita o idoso? O que representa, para o senhor, envelhecer?

As marcas do meu rosto são estradas e caminhos percorridos. Cada ruga tem uma historinha (um “causo”) pra contar. Como poderia querer escondê-las? Através do seu olhar, o povo brasileiro têm sido grandes “filhos da PÁTRIA”? Têm mais “filhos da PÁTRIA” do que outros “filhos”. Estes últimos estão misturados aos nossos políticos - infelizmente.

Saber envelhecer é uma coisa de cada um de nós. Posso garantir que no meu caso, a velhice é bem-vinda. Um pouco pesarosa, é claro. S Ribamildo Bezerra Jornalista ribamildo@gmail.com

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EQUILIBRIUM

Por Dra. Luciana Conrado

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e há um destino para o Homem, senescência e finitude fazem parte dele. Estar vivo é envelhecer e ser marcado pela consciência da morte. E como viver, enquanto isso? “O Homem é o que vai sendo, como se nada lhe preexistisse. É um permanente projeto, condenado à liberdade de escolha, porque nada o predetermina.” pensou Sartre. Nesse difícil projeto, o corpo é o instrumento

do existir, nosso único bem real, no sentido de propriedade inseparável e, por meio dele, nossa existência se estabelece e a comunicação se torna possível. Fazemos uso dele para seduzir, agredir, instrumentalizar nossas emoções e ideias, buscar afeto, mascarar insatisfações. Na sociedade midiática, as formas ideais do corpo são influenciadas pelos meios de comunicação que difundem a padronização da beleza, a 46 | Revista Sensatez


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eterna juventude, a perfeição estética. Sendo assim, são comuns os exemplos de uma distorção elementar que distancia a “forma” do “conteúdo”, como o da famosa atriz que adoece por não tolerar a inevitável passagem do tempo ou o do político que precisa, desesperadamente, demonstrar sua virilidade. A imagem corporal é a representação de como pensamos e sentimos nosso corpo e a insatisfação com essa imagem que, em algum grau, é regra para todos, pode motivar a busca por academias de ginástica, a comRevista Sensatez | 47

pra de roupas ou cosméticos, a perda de peso e a realização de procedimentos para melhorar a aparência. No entanto, é necessário compreender as reais motivações, o custo emocional e os “resultados” não visíveis desses comportamentos. De maneira simples: foi ou está sendo bom para você? A satisfação é uma boa medida do quanto estamos em paz com nossa imagem. Há quem decida pintar os cabelos e quem prefira deixá-los brancos. Se tingir é tentar apagar o envelhecimento, não tingir é uma referência a as-

sumi-lo? A mensagem é expressão individual e única. A busca compulsiva pela melhora da aparência física ou pela “fonte da juventude” pode ser razão de sofrimento e angústia, representando também o desejo de reconhecimento e admiração dos “outros”. Às vezes, o resultado causa estranhamento e a distorção fica evidente. Melhor mesmo é se sentir confortável com a própria imagem, nortear as escolhas em busca de adequação. Afinal, existe algo pior do que sapato apertado? S Dra. Luciana Conrado Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br


EQUILIBRIUM

Por Roberto Azambuja

ENVELHECER COM EQUILÍBRIO

Isso não é verdade. É preciso considerar, primeiramente, que há três tipos de idade: cronológica, que é o número de anos vividos; psicológica, que é o tempo que a pessoa sente que tem; biológica, que é o tempo impresso no corpo. A idade cronológica é naturalmente intangível, mas a psicológica e a biológica são influenciáveis.

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Existem crenças determinantes do envelhecimento segundo um paradigma social. As pessoas começam a pensar em envelhecimento aos 25 anos e acreditam que envelhecer é perder as funções físicas, intelectuais e sociais. De modo geral, envelhecer, dentro dessa concepção, é normal, natural, genético, inevitável, doloroso e fatal.

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Podemos nos deparar com duas pessoas, ambas de 70 anos de idade cronológica, sendo que uma aparenta ter 56 anos, é saudável, física e intelectualmente ativa e tem metas a alcançar na vida e a outra aparenta 75 anos, é sedentária, tem doenças degenerativas e é pessimista quanto ao futuro. O padrão social do envelhecimento vem de alimentação oxidante, estresse emocional, uso de tabaco, álcool e drogas e inatividade física. Esta última leva a descondicionamento, que leva a fragilidade muscular e esquelética, que leva a perda da autonomia, que leva a menor motivação e menor autoestima, que leva a ansiedade e depressão e estas, finalmente, a mais inatividade física e mais envelhecimento. Tudo isso é não só evitável como é reversível. Pesquisas em que homens de 60 a 80 anos foram submetidos a treinamento

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físico de musculação, na Universidade de Tufts, e a experiência psicológica de volta ao passado, pela psicóloga Ellen Langer, produziram mudanças físicas e psicológicas e reverteram os marcadores biológicos do envelhecimento. Ficou evidenciado que o processo de envelhecimento é menos rígido do que a maioria das pessoas pensa e que para onde a pessoa dirige a mente o corpo segue. Não é o nosso estado físico que nos limita, é nosso sistema de crenças sobre nossos limites e nossas percepções que estabelecem o limite onde nos movemos. O estilo de vida é o maior responsável pelo envelhecimento. Para envelhecer com equilíbrio são necessárias três condições: alimentação antioxidante, atividade física regular e moderada e repouso adequado e higiene mental obtida por uma mente tranquila. Sabe-se que a prática disciplinada da meditação reduz a idade biológica em até doze anos. Seus efeitos estão hoje bem documentados por meio de inúmeros traba-

lhos científicos, a ponto de ser recomendada como técnica antiestresse, por melhorar o funcionamento do corpo, diminuir o consumo de oxigênio, a frequência respiratória e a frequência cardíaca, aumentando a intensidade de ondas alfa no cérebro e a resistência da pele. Psicologicamente, a meditação provoca principalmente relaxamento mental, sensação de paz interna e felicidade, impressão de harmonia com o mundo, maior autocontrole e melhora do sono. Vivendo com descontração muscular e atenção a si mesmo e ao mundo em volta, com satisfação e paz, cria-se o estado adequado para o bom funcionamento imunológico e o equilíbrio orgânico, que vai preservar as funções orgânicas e retardar o envelhecimento. S Dr. Roberto Doglia Azambuja Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br


NATURALMENTE

Por Rosângela Alves de Souto

MATURIDADE

PARA

UMMUNDO

SHUTTERSTOCK

SUSTENTÁVEL

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m termo bastante utilizado na atualidade é “Sustentabilidade”, seja no âmbito ecológico, social, econômico ou ético, ele de fato permeia e influencia os diversos setores do mundo moderno. Embora tenha sido banalizado e colocado algumas vezes de forma inoportuna, o conceito em questão traz consigo uma proposta indispensável para vida de cada um de nós: a ideia de vivermos numa sociedade mais equilibrada (em diversas dimensões como a social e ambiental, por exemplo) através de novos hábitos e atitudes que alcancem a tão desejada qualidade de vida. Apesar da proposta aparentemente lógica e simples, são inevitáveis alguns questionamentos: será que estamos cultivando e preparando os caminhos certos para visualizarmos um futuro com mudanças significativas para envelhecermos com dignidade, e principalmente, será que a velhice poderá ser encarada como meta e não como início da morte no futuro próximo? E mais, será que a falta de preparação da sociedade e de cada indivíduo com o envelhecer sucumbirá com o avanço do novo paradigma da SUSTENTABILIDADE? Infelizmente a resposta para tais indagações pertence ao futuro, mas o que de fato pode-se afirmar é que esse

U

discurso tem despertado numa grande parcela da humanidade a prática da reflexão. A população idosa tem aumentado consideravelmente no nosso país, totalizando cerca de 20 milhões de pessoas acima de 60 anos até os dias atuais, segundo o Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE. Espera-se que até o ano de 2025 o Brasil ocupe o sexto lugar entre os países do mundo com o maior número

A POPULAÇÃO IDOSA TEM AUMENTADO CONSIDERAVELMENTE NO NOSSO PAÍS...

”

de idosos (Organização Mundial de Saúde – OMS, 2002). Estes dados tornam-se bastante preocupantes se admitirmos um total despreparo da sociedade e dos nossos governantes em atender a população de mais idade e até mesmo prepará-la para esta etapa da vida. Envelhecer para um mundo

sustentável significa criar políticas públicas que promovam modos de viver mais sustentáveis em todas as fases da vida, favorecendo a prática de atividades físicas no cotidiano e no lazer, o acesso a alimentos saudáveis e a moradia adequada, combate a exposição excessiva ao sol, além do incentivo a redução do consumo de fumo e do álcool, que são questões indispensáveis para o envelhecimento saudável. Envelhecer para um mundo sustentável significa projetar planos eficazes para o desenvolvimento das atividades dos idosos no que tange aos aspectos biopsicossociais. Envelhecer para um mundo sustentável significa disponibilizar serviços médico-hospitalares eficazes que garantam verdadeiramente a prevenção e a terapêutica das doenças crônicas próprias do idoso, que são causas de morbidade, incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo, inclusive nos países em desenvolvimento. Todos esses expedientes, ainda assim, não garantem um envelhecer sustentável. É preciso cultivar outros valores que não podem ser comprados como a família, amizade, solidariedade e amor ao próximo, sentimentos fundamentais para a construção de um mundo mais justo e equilibrado para todos. S

Rosangêla Alves de Souto Doutora em Recursos Naturais pela UFCG rosangelaalsouto@yahoo.com.br

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SABOR E ARTE

É BOM DEMAIS, UAI

M

inas Gerais cultiva com esmero a arte do bem comer. Seus costumes alimentares, de tradições seculares, compreendem uma ampla variedade de ingredientes e contemplam igualmente quitandas, pratos principais e sobremesas. Na típica casa mineira, a cozinha é a principal parte. É ali, em torno do fogão e da mesa, que se compartilham os sentimentos de amizade, renovam-se os laços afetivos, ou simplesmente joga-se conversa fora. À mesa

Por Dr. Bernardo Gontijo

mineira, a alegria é sagrada e assuntos profanos tais como dietas, índices glicêmicos e taxas de colesterol estão formalmente proibidos. A hospitalidade mineira tem em sua culinária seu componente mais relevante e aqui, nas Minas Gerais, comer jamais é uma obrigação. É um ato simples e natural. É puro deleite. Divido hoje com vocês uma receita bem simples, de fácil execução, e muito saborosa. Acima de tudo, com sabor bem mineiro.

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SUFLÊ DE GOIABADA COM QUEIJOS Ingredientes

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1 kg de goiabada 10 claras de ovo 1 copo de requeijão (250 g) 1 queijo Catupiry (410 g) 1 frasco de creme de leite fresco (500g) 1 pitada de pó Royal 1 pitada de sal Manteiga sem sal Açúcar de confeiteiro Rendimento - 10 porções

Modo de fazer 1 Em uma panela, dissolva a goiabada em 1 copo de água até obter uma consistência pastosa. Deixe esfriar. 2 Bata as claras em neve com uma pitada de sal e outra de pó Royal. 3 Ajunte aos poucos a goiabada derretida às claras e, com um fouet, incorpore lentamente esse dois componentes. O uso do fouet é importante para aerar a mistura e tornar o suflê mais leve. Os movimentos devem ser suaves e feitos no sentido do fundo do recipiente para as bordas. 4 Unte os ramequins (formas refratárias individuais) com um pouco de manteiga e polvilhe com açúcar de confeiteiro. Despeje a mistura da goiabada com as claras até um pouco abaixo da borda dos ramequins (se as formas forem totalmente preenchidas, o suflê derrama ao ser assado). 5 Leve ao forno pré-aquecido (250°) e asse até o suflê crescer e dourar, o que deve demorar entre 15-20 minutos.

Dr. Bernardo Gontijo Dermatologista pela SBD revistasensatez@sbd.org.br

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6 Ao mesmo tempo, derreta em banho-maria 250 g de requeijão de copo, 250 g de creme de leite fresco e 300 g de Catupiry (o que equivale a aproximadamente 3/4 da caixinha). Com auxílio de um mixer, desfaça pequenos grumos que eventualmente persistam. Acrescente um pouco mais de creme de leite, ou de Catupiry, caso queira tornar a mistura mais rala ou mais densa, respectivamente. 7 Retire os ramequins do forno, faça uma pequena “incisão” com uma colher no topo do suflê e despeje aí a mistura dos queijos. Sirva bem quente. S

Lembre-se sempre:

O caminho da boca não se erra.


SABOR E ARTE

amildo

A M A D A

Bezerra

: O R R DE FE Por Rib

O TEMPO E A MEMÓRIA DE MARGARE T THATCH ER

DREAMSTIME

Para o escritor norte americano Philip Roth, as doenças são as grandes inimigas da existência, por levar a dignidade humana a uma extinção aviltante. Mesmo carregando a marca de pessimismo, como fonte estilística, é possível entender o contexto desta afirmativa quando assistimos ao filme a Dama de Ferro, uma produção inglesa de 2011 baseada no livro homônimo do escritor John Campbell .

The Iron Lady é um filme biográfico de um mulher que atualmente com 86 anos de idade , vive o contraste de dois extremos da sua existência: a glória de ter sido uma das figuras políticas de maior destaque no pós-guerra, com uma truculência e uma imperiosa capacidade de decisão que a assegurou onze anos como Primeira Ministra, e seu atual estado de fragilidade mental vitimada pelo Mal de Alzheimer, um paradoxo provocativo a conduzir a linha narrativa do filme. Basta percebermos na sutil e sintética cena onde, como forma de terapia, a já aposentada primeira ministra, num lapso de memória já não sabe se assina seu nome como Margaret Hilda Roberts ou Margaret Thatcher; duas complementares faces de uma mulher que conheceu a ascensão política e poder num país de perfil machista e agora se depara com as suas limita54 | Revista Sensatez


IMAGENS: DIVULGAÇÃO

Meryl Streep : uma Margaret Thatcher tão humanizada quanto longe de ser caricata.

ções físicas. O filme traz uma tripla mão feminina: dirigido pela Phyllida Lloyd, com tradição em dirigir óperas e peças de teatro; roteiro da Abi Morgan e a magistral interpretação de Meryl Streep, atestada pelo prêmio BAFTA academia de cinema e televisão britânica, assim como o OSCAR 2012, como melhor atriz, o terceiro da sua carreira. O que talvez por isso explique no filme, ainda que explorando a complexa personalidade da ministra inglesa, a opção por preservar ainda que na senilidade a altivez de uma mulher que está aprendendo a envelhecer e a conviver com seu ocaso sem autocomiseração. Amparado nas suas lembranças que o expectador passa a conhecer a história da jovem inglesa da comunidade metodista, filha de pais comerciantes, que ganhou uma Bolsa de Estudos na Universidade de Oxford, onde como presidente da associação conservadora da Universidade, iniciou sua carreira política. Pela Revista Sensatez | 55

força e clareza dos seus discursos conquistou eleitores pelo Partido Conservador. Paralelo ao seu amadurecimento político, acompanhamos o casamento com seu marido, Denis Thatcher, no ano de 1951 e o nascimento dos dois filhos gêmeos Mark e Carol. São estes dois caminhos que Thatcher irá trafegar na trama: a difícil relação entre família e a sublimação ao trabalho. A presença do marido, Denis Thatcher, (Jim Broadbent), morto em 2003, em suas alucinações fazem refletir sobre suas escolhas ao longo de sua vida. Margaret Thatcher ganhou a reputação de “premiê de ferro”, por assumir uma forma contundente de administração, quando “salvou” a Inglaterra de uma crise econômica optando por medidas consideradas como antipáticas, a exemplo da privatização de empresas e a desestruturação dos fortes sindicatos existentes na época no país, o que lhe rendeu uma tentativa de assassinato no anos de 1984. Mesmo sobre for-

te impopularidade Margaret Thatcher foi o Primeiro Ministro que mais tempo passou no século passado. Onze anos. De 1979 a 1990, quando renunciou ao cargo. O filme A Dama de Ferro, mesmo contendo pequenas falhas de percurso e em alguns momentos apresentar-se de forma arrastada, nos traz através da biografia de uma grande personalidade, talvez um dos maiores incômodos e ao mesmo tempo necessários questionamentos: Quão frágil é nossa existência? Que tributos pagamos por nossas escolhas? Terá tudo valido a pena? Respostas que só as nossas memórias, ainda que parcas e fragilizadas saberão dar... S Ribamildo Bezerra Jornalista ribamildo@gmail.com


EM EVIDÊNCIA Por Ângela Magalhães e Nadja Fonseca Peregrino

A PELE E A VIDA NO FLUXO DO TEMPO

FOTOS: ACERVO SBD

Fazer uma viagem pelo Brasil em busca da verdadeira história da nossa mistura. Esse foi o convite que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) fez a cinco conceituados fotógrafos, que sob o olhar contemporâneo desses artistas revelássemos a grande e rica mistura de raças do povo brasileiro. O resultado dessa busca foi o caminho escolhido para celebrar o centenário da SBD, comemorado este ano. Um amplo projeto cultural, intitulado Laços de Família: Etnias do Brasil.

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A mostra Laços de Família: Etnias do Brasil aborda a miscigenação racial - um traço cultural marcante para entendermos o Brasil de hoje – através da ligação da realidade sociocultural com o corpo da arte. Reconstruir este universo pela via imagética significa considerar as nuances de um país múltiplo e plural, tanto em seus aspectos etnográficos como pela via autoral destacada nas obras dos cinco autores convidados – Ary Diesendruck, Gal Oppido, José Caldas, Márcio Scavone e Patrícia Gouvêa. Neste contexto, o uso de vídeos possibilitou a inclusão na mostra do depoi-

mento dos retratados alargando o horizonte de ação do fotógrafo em direção a uma experiência compartilhada. Esta conexão da imagem com a realidade descortina zonas impensáveis de nossos antepassados, que de outra forma poderiam ser totalmente apagadas da história. Assim, este evento comemorativo dos cem anos da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) comprova como as estratégias visuais adotadas pelos artistas podem ser tão subjetivas e mutantes quanto as que a ficção é capaz de gestar.

Scavone mergulha em suas raízes italianas, a partir da cidade de Garibaldi, próxima de Porto Alegre, fundada em 1874 por imigrantes do norte da Itália. Seu estilo documental, calcado na frontalidade e clareza da imagem, foi legitimado pela construção de dípticos, onde objetos de memória (retratos, símbolos religiosos) representados em pequenas fotos constroem a teia entre o passado e o presente nos diálogos sugeridos.

Diesendruck fotografou famílias do Rio Grande do Sul que fundaram a cidade de Porto dos Gaúchos (1955) nas longínquas e inacessíveis terras de Mato Grosso. Utilizando uma lona cria diferentes cenários: jogada no chão, pendurada, integrada à ambiência dos personagens torna-se, em sua densidade material, espaço, volume e significado.

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EM EVIDÊNCIA

Percorrendo o trajeto - do Amapá até a foz do rio Oiapoque, fronteira natural entre Brasil e Guiana Francesa – Caldas adentrou uma região que traz consigo as marcas de um complexo processo imigratório acirrado pela disputa de vários países por aquela região. É bom lembrar que neste ensaio o corpo aflora como semente do processo de criação artística, como no caso do díptico composto por fragmento de um dorso quase abstrato e por uma pedra (um relógio solar), que nos permite ver a textura da pele incrustada nas coisas do mundo. Em suas fotos pode-se, ainda, identificar a passagem do tempo, que imprime suas marcas como superfícies adesivas nos rostos dos índios e negros.

Gal Oppido procurou resgatar os traços da herança judaica em Recife, advinda em parte pela ocupação holandesa (16301654). Não por acaso, a Sinagoga Tzur Israel (Rochedo de Israel), a primeira das Américas, é um marco desta presença. Em suas fotos múltiplas temporalidades afloram tanto através das distintas gerações de judeus como nos retratos feitos em New York (2009) e Recife (2011), nos quais simboliza o deslocamento contínuo deste povo à terra prometida. Gouvêa rastreia sua herança portuguesa através da Festa do Divino, em Florianópolis. Considerada a celebração mais importante do calendário açoriano, o evento traz as marcas do folclore, um traço visível da tradição recuperada na autenticidade e no rigor do ato litúrgico. Assim, Gouvêa dá impulso a um projeto delineado em 1999, sobre a herança cultural portuguesa no Rio de Janeiro, que ressurge tanto na memória do passado rural dos tempos pré-emigratórios como nos rituais que marcam uma vigorosa presença dos costumes ancestrais. Ao fim estas imagens estão banhadas pela ideia do que deixamos para trás; pelo deslocamento metaforicamente sugerido através da foto do barco que inaugura o seu ensaio. Um sentimento intuído pela artista no vídeo sobre a festa, onde laços da saudade índice da ausência – insinuam-se quase invisíveis, como uma gota de orvalho no périplo de nossa existência. S Ângela Magalhães e Nadja Fonseca Peregrino Curadoras e pesquisadoras associadas revistasensatez@sbd.org.br

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VISANA

Para comemorar o seu centenário, a Sociedade Brasileira de Dermatologia decidiu promover uma viagem pela cultura do povo brasileiro, mergulhando nas diferenças que fazem deste um dos países mais coloridos e miscigenados do planeta. Uma expedição pelas regiões do Brasil com cinco renomados fotógrafos,

Patricia Gouvêa, José Caldas, Marcio Scavone, Ary Diesendruck e Gal Oppido, resultou num material esplêndido que retrata com sensibilidade e ternura as mais belas faces do nosso povo.

Fique por dentro de tudo: www.etniasdobrasil.com.br www.facebook.com/etniasdobrasil www.youtube.com/etniasdobrasil

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eu nome é Gêuda Anazile. Tenho 45 anos, sou casada, mãe de dois filhos, professora universitária e feliz. O meu primeiro contato com a AA - Alopecia Areata (perda de cabelo localizada em locais bem delimitados) foi aos vinte anos, quando percebi a primeira falha no couro cabeludo. Começava ali uma verdadeira peregrinação em consultórios de dermatologistas... As falhas dos cabelos foram se multiplicando, devido, é claro, ao alto nível de estresse provocado. Durante quase vinte anos, a ignorância me assombrou. Foram inúmeras consultas e exames. Na tentativa de “solucionar” o problema, me submeti a vários tratamentos. A vaidade foi deixada para trás... no lugar dela um vazio...dúvidas surgiam... O que verdadeiramente eu tinha? Por que vivia doente? Ninguém na minha família tinha aquilo? A causa era emocional ou genética? Tinha cura? Eu podia ter uma vida normal apesar da AA? Passei muitas noites acordada, olhando para o meu filho e pensando se ia ter tempo de vê-lo crescer, ou se ia descobrir que tinha uma doença incurável antes de realizar meus sonhos... Foi muito difícil, quase insuportável...Foram longos anos de consultas médicas bem e mal sucedidas, que geraram mudanças comportamentais profundas na minha vida. Perdas familiares fizeram da alopecia antes localizada, generalizada, levando a perdas de cabelos no couro cabelu-

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do, sobrancelhas, cílios e corpo. Decidi então parar todos os tratamentos... Me sentia mal e triste. A minha alma estava em prantos... Comecei a usar peruca, porém, me sentia falsa, negando minha própria imagem e temendo que as pessoas descobrissem. Em 2005, conheci uma comunidade denominada Alopecia Areata Brasil, onde pessoas portadoras de AA contam suas histórias, tiram dúvidas, trocam ideias, interagem entre si, transformando mutua-

NÃO CULTIVO MAIS EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO À VOLTA DOS CABELOS, E, TALVEZ POR ISSO, ELES

”

ESTEJAM VOLTANDO.

mente suas vidas. Nessa comunidade conheci o AAGAP – Alopecia Areata Grupo de Apoio – apoiado pela SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia, sediado em São Paulo. Há oito anos, esse grupo vem desenvolvendo um trabalho imprescindível aos familiares e portadores de AA. A equipe é formada por dermatologistas, psicólogos e voluntários que, geralmente apresentam AA e dão testemunho de equilíbrio e sucesso de vida. Mostrar a cara, contar minha his-

tória me faz sentir viva e feliz, quebrando estigmas e preconceitos, contribuindo para uma sociedade melhor, mais consciente e justa, que possa respeitar a adversidade e conviver com a diferença. Hoje, convivo harmonicamente com a AA. Não uso, por opção, medicamentos. Investi na psicoterapia e na terapia bioenergética, por acreditar ser a AA uma doença da alma. Não cultivo mais expectativas em relação à volta dos cabelos, e, talvez por isso, eles estejam voltando. Os cílios e as sobrancelhas voltaram naturalmente, e os cabelos da cabeça estão reaparecendo aos poucos, mas, sinceramente, eles não são mais o meu foco. Prova disso é que procuro o dermatologista, hoje em dia, para cuidar da pele do rosto e da prevenção do envelhecimento. Assumo a AA e tenho orgulho da minha imagem. Cabelo para mim, atualmente, não passa de acessório e, de vez em quando, uso próteses feitas de cabelos naturais. Resgatei minha vaidade, gosto da imagem refletida no espelho. A careca me dá um estilo próprio que gosto muito. Sou abordada na rua por pessoas que me questionam se tenho câncer e sempre respondo: “Graças a Deus, não”, só Alopecia Areata. Nesses anos todos, aprendi muito mais que ensinei. Saí do isolamento, da solidão e me uni àqueles que acreditam que a vida não se resume ao invólucro do corpo... Somos muito mais que corpo... Somos Luz. S

Geuda Anazile Gonçalves Professora Universitária revistasensatez@sbd.org.br


CAMINHOS

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THINKSTOCK

Por Emerson de Andrade Lima e Mariana de Andrade Lima

MARRAKESH A PÉROLA DO SAARA

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CAMINHOS

Os tons em terracota dos edifícios, origem do nome “cidade vermelha”, e o colorido das babushs que calçam seus moradores, sinalizam a chegada a Marrakesh. Uma cidade com mais de 800.000 habitantes localizada ao sudoeste de Marrocos, no sopé das montanhas Atlas, praticamente na entrada do deserto do Saara. As línguas oficiais são o árabe e o francês, mas nas áreas turísticas a língua inglesa e até o espanhol são compreendidos.

Cobertos por kaftas longas chegando aos punhos e tornozelos, homens e mulheres circulam sob um clima seco e quente sem demonstrarem qualquer desconforto, como se considerassem essa a única forma de fotoproteção, já que o comércio a céu aberto é meio de sustento para boa parte da sua população. Vimos muitas mulheres de burca, na garupa de seus maridos, que guiavam milhares de motocicletas que circulavam como se

fossem colidir no próximo minuto. Apesar de não ter visto sorriso no rosto delas, observamos vaidade. Não falta maquiagem, ornamentos e desenhos feitos de henna nas áreas livres de roupa. Embora a religião oficial seja o Islamismo, existem numerosas comunidades judaicas e cristãs localizadas na área urbana e arredores. Esse fato e mais o desenvolvimento importante do turismo nas últimas décadas tornou a cidade quase cosmopolita, e mais

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tolerante com hábitos diferentes dos habituais ao mulçumano praticante. O coração da cidade pulsa na Praça Djemaa El fna, uma grande área a céu aberto, onde além da profusão de ambulantes oferecendo todos os tipos de produtos, encontramos de tudo, desde os famosos quiosques de suco de laranja, até os achados mais pitorescos do oriente como engolidores de fogo e encantadores de serpentes, acrobatas e músicos.

No souk, como é conhecido o mercado local, vendem-se roupas, sapatos, frutas frescas, especiarias, artesanatos, animais, móveis e até mesmo o que a sua imaginação não alcance. O artesanato é feito na frente dos passantes, sendo comum vermos a fabricação de produtos em couro e metais em pequenas “lojas” do mercado. Não é difícil se perder na disposição quase labiríntica das tendas e lojas que dão a essa cidade uma identidade pitoresca e muito charmosa. Revista Sensatez | 65

IMAGENS: SHUTTERSTOCK

A parte antiga da cidade, conhecida como Medina, é ainda parcialmente fortificada e concentra a maioria dos monumentos, palácios e mesquitas, bem como pousadas e hotéis de luxo, muitos deles localizados em riads, casas marroquinas tradicionais com inúmeros cômodos. A área mais nova é a região de Gueliz ou “Ville Nouvelle”, onde encontramos construções modernas e comércio ocidental, desenvolvidos principalmente durante o domínio francês.


CAMINHOS

IMAGENS: THINKSTOCK

Nas sextas-feiras acontecem os leilões, quando os berberes do deserto vêm até o souk para vender e comprar produtos, principalmente joias de ouro, prata e pedras preciosas, tecidos nobres e tapetes. As compras acontecem na base de muita negociação, onde o primeiro valor apresentado é provocativo para o início de uma longa disputa entre quem barganha mais, e você nunca sabe quem realmente é o vencedor.

A culinária típica é um espetáculo à parte. A conjunção perfeita de sabores e a atraente apresentação dos pratos não permitem dúvidas. É um excelente lugar para se comer bem. Os restaurantes típicos sempre servem variedades do famoso “couscous” marroquino e tagines, mas não faltam restaurantes de culinária internacional. É por essas e outras que Marrakech é um destino de viagem fantástico, pitoresco e ao mesmo tempo acolhedor, onde o antigo e o novo andam de mãos dadas. Vale ressaltar ainda o fácil acesso a partir da Europa, já que Marrocos está localizado no extremo Norte da África e separado da Espanha apenas pelo estreito de Gibraltar. Pretendemos voltar lá muitas vezes e estender a próxima viagem para o restante do país. S

Dr. Emerson de Andrade Lima e Dra Mariana de Andrade Lima Dermatologistas pela SBD revistasensatez@sbd.org.br

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Revista Sensatez - Nº 2 by Sociedade Brasileira de Dermatologia - Issuu