Edição especial
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Construindo o amanhã
O
ano de 2012 já tem garantido seu lugar na história na SBD por seu centenário, comemorado por nós com muita alegria e orgulho. Queremos que nos próximos anos a SBD se torne ainda mais forte para continuar
mostrando essa evolução ao Brasil e ao mundo. É com espírito de união e de integração entre nossos dermatologistas, parceiros, e funcionários que essa entidade secular vem acompanhando o crescimento do país, tornando-se não só indispensável para a comunidade como referência e exemplo entre as sociedades médicas. O percurso em direção ao futuro da SBD é auspicioso. Um futuro em que o fortalecimento de ações que visam à valorização do dermatologista é fundamental. Para este ano, nosso foco continua no investimento nessas ações, com todos os esforços centrados na excelência dos eventos e das campanhas oferecidos. Os desa½os são inúmeros, e por isso mesmo nos impulsionam todos os dias para que possamos ultraárea de saúde do Brasil. Nas próximas páginas, você confere alguns passos que formaram nossa trajetória, fruto do esforço, da dedicação e da competência dos mais de 6.500 associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Parabéns, e que venham mais 100 anos!
Palavra da presidente
passar as expectativas e manter a SBD como uma das sociedades mais respeitadas na
Bogdana Victória Kadunc Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia
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Sumário
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Construindo o amanhã 2012: um ano para a história Visitando o passado Alguns trabalhos históricos Sociedade atual e atuante 2001/2011 Compromisso com a responsabilidade social De como os Congressos da SBD entraram para a história Formação dermatológica de excelência A integração da tecnologia na área médica Anais Brasileiros de Dermatologia Surgical and Cosmetic Dermatology Novas publicações Visão estrangeira Perspectivas & desa½os - Tribuna livre Jornal da SBD O 100 anos de história
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Edição especial
2012: um ano para a história
A
½m de marcar o aniversário de 100 anos da SBD, o jornal reuniu de seu acervo dados, fotos, entrevistas e depoimentos de dermatologistas que ½-
zeram e fazem história na Sociedade e fora dela. Buscamos em nossos ar-
quivos textos signi½cativos que remontam a trajetória da dermatologia brasileira e da SBD no decorrer de dez décadas. Para uma pesquisa mais ampla, também recorremos a alguns livros que nos ajudaram a construir os textos que compõem esta publicação. É com satisfação que compartilhamos com nosso leitor todas essas preciosidades. Com assuntos que vão desde os primórdios de nossa Sociedade Brasileira de Dermatologia, passando pelas ações que impulsionaram seu progresso, até os desa½os atuais, o resultado é uma edição que faz um apanhado de sabedoria e talento. Nossa Sociedade tem crescido em tamanho e diversidade durante este último sé-
Editorial
culo. Hoje, já somos mais de 6 mil associados. Todas as conquistas da entidade centenária também são o resultado do trabalho de seus funcionários. Não podemos deixar de reconhecer a importância da participação deles em muitos momentos marcantes. Que esta edição especial que agora você tem em mãos seja uma forma de fomentar o orgulho de fazer parte da evolução de nossa entidade. Isso exposto, resta-nos desejar uma boa leitura, com votos de que o ano que se inicia seja de muitas realizações! Parabéns, Sociedade Brasileira de Dermatologia!
Paulo R. Cunha Coordenador médico do Jornal da SBD
Jornal da SBD O 100 anos de história
Edição especial
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Visitando o passado
Pavilhão Miguel Couto, da Santa Casa
Fernando Terra
1920
Eduardo Rabello
1925
Primeira capa do Boletim da SBD
1944
Em 1920, com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, por Carlos Chagas, foi instituída a Inspetoria de Pro½laxia da Lepra e Doenças Venéreas, primeiro órgão federal destinado à campanha contra a hanseníase. Na época, o secretário-geral da SBD e também um dos criadores da entidade, Eduardo Rabello, ocupava o cargo de inspetor geral da lepra e elaborou a primeira legislação brasileira da hanseníase e das doenças venéreas. Rabello deu ainda contribuições originais nas áreas de leishmaniose tegumentar, hanseníase e sarcoidose. Criada em janeiro de 1925 com o título Annaes Brasileiros de Dermatologia e Syphilographia, a revista Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD) é uma das publicações mais prestigiadas e respeitadas em todo o meio cientí½co. Os artigos do primeiro número versaram sobre acantose nigricante, leishmaniose, bouba, pên½go e cistos epidérmicos, sarcomatose múltipla hemorrágica de Kaposi, xeroderma pigmentoso, o bismuto na terapêutica da sí½lis e a história da sí½lis no Brasil. Além de presidente da SBD, Eduardo Rabello era redator-chefe da publicação. Na entidade, sua gestão durou 15 anos ininterruptos, ocupando a presidência de 1925 a 1940. Considerada a maior e mais completa da especialidade na América Latina, a Biblioteca Professor Francisco Eduardo Rabello da SBD tem em seu acervo livros raros e únicos datados do século XVIII. São ali abrigadas preciosidades totalizando mais de três mil publicações. Inaugurada em 1933, em um dos prédios do Hospital da Santa Casa de Misericórida do Rio de Janeiro, onde ainda funciona um Serviço de Dermatologia, e transferida em 1994 para o prédio em que a Sociedade está localizada hoje (Av. Rio Branco, Rio de Janeiro), a biblioteca tem como principal objetivo subsidiar as atividades de ensino e pesquisa, tornando o acesso cada vez mais fácil, ágil e se-
1912
A
dermatologia no Brasil teve início como especialidade entre o ½nal do século XIX e o começo do XX. No dia 4 de fevereiro de 1912, um grupo de 18 médicos idealistas fundou a SBD. A sessão inaugural ocorreu no Pavilhão Miguel Couto, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, um hospital criado em 1582, tendo seu estatuto registrado no dia seguinte, data em que se comemora, desde 2000, o Dia do Dermatologista. Fernando Terra, professor e chefe do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que hoje pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi o primeiro presidente da SBD, cargo que exerceu durante 13 anos (1912-1925). Foi Terra quem criou em 1912 o Boletim da SBD, cujo objetivo era divulgar os casos e as discussões das reuniões clínicas da época, com ênfase para as doenças infecciosas, como a sí½lis e a hanseníase. Ele fora publicado até os anos 1920. No primeiro ano de atividade, a SBD contava com 81 sócios efetivos, sendo 52 do Rio de Janeiro. A primeira reunião cientí½ca ocorreu em 1o de março de 1912, no An½teatro Fernando Terra, sediado na 19a Enfermaria da Santa Casa. Foi em an½teatros da Santa Casa, primeiro no do Pavilhão Miguel Couto e depois no do São Miguel, que se realizaram de 1912 até 1992 as reuniões que ajudariam a formar e aperfeiçoar várias gerações de dermatologista de todo o país. Naquela época, a escola francesa – e também a alemã e a austríaca – in¾uenciaram de maneira intensa a formação da dermatologia em nosso país. Os médicos brasileiros viajavam para a Europa a ½m de aprimorar seus conhecimentos sobre problemas cutâneos e aprender as melhores maneiras de tratar as doenças de pele. No retorno ao Brasil, transferiam o aprendizado e essas novas práticas para nossa realidade.
Primeira Reunião Anual dos Dermatossi½lógrafos Brasileiros Jornal da SBD O 100 anos de história
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Edição especial
1962
Visitando o passado
Rubem David Azulay
1967
Primeira capa do boletim, que passa a passa a ser chamado de Anais Brasileiros de Dermatologia (década de 1960)
1971
Primeiro Exame de Título de Especialista em Dermatologia (TED)
Clóvis Bopp
René Garrido
Jornal da SBD O 100 anos de história
guro. Para atender às solicitações vindas de todo o Brasil ela conta com a parceria da Bireme e do Sistema Scad (Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos). Entre 1930 e 1940, perto da Segunda Guerra Mundial, os dermatologistas americanos passaram a exercer forte in¾uência na cultura brasileira e, em seguida, a dermatologia inglesa. Em 1944, na presidência de João Ramos-e-Silva, foi instituída a Primeira Reunião Anual dos Dermatossi½lógrafos Brasileiros, cujo principal tema foi a leishmaniose e à qual compareceram cerca de 40 participantes. Em 1969, considerando o enorme número de participantes e seus temas, essas reuniões passaram a ser designadas Congressos Brasileiros de Dermatologia, e seu prosseguimento se deu nos anos subsequentes, sem qualquer interrupção. A mudança do nome lepra para hanseníase, proposta por diversos autores na década de 1960, buscou afastar as fantasias e os preconceitos sobre a moléstia, além de favorecer a educação para a saúde. No Brasil, a substituição do termo “lepra”por “hanseníase” foi proposta em 1967 pelo médico e pesquisador Abrahão Rotberg (1912-2006). No cinquentenário da SBD, em 1962, sob a presidência de Rubem David Azulay, a Sociedade foi reestruturada para tornar-se realmente nacional. Para isso, foram criadas as sociedades regionais a½liadas à SBD, e estabeleceu-se que a presidência da entidade deveria ser exercida, desde então, pelo presidente da Reunião Anual ocorrida em outros estados. No mesmo ano, Ramos-e-Silva foi eleito para o International Committee of Dermatology, da International League of Dermatological Societies, sendo o primeiro brasileiro a ter assento nesse tão importante órgão. Depois dele, obtiveram o mesmo feito Padilha-Gonçalves, em 1967, Sebastião Sampaio, em 1982, e Márcia Ramos-e-Silva, em 2000. Outra decisão marcante tomada pela SBD no ½nal de 1962, e que só veio a ser
implementada pela administração de João Ramos-e-Silva, em 1965, foi a retomada da denominação Sociedade Brasileira de Dermatologia, que fora alterada por 37 anos, isto é, desde 1925. Ainda na década de 1960 foi suprimido o termo si½logra½a, e a publicação o½cial da entidade passou a se chamar Anais Brasileiros de Dermatologia. Em outubro de 1967, a SBD criou o Certi½cado de Especialista em Dermatologia, em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB). A prova foi realizada pela primeira vez em Juiz de Fora, no Serviço do Professor Antônio Carlos Pereira Filho, em paralelo aos trabalhos do 24o Congresso Brasileiro de Dermatologia. O objetivo era, e continua sendo, melhorar a qualidade dos pro½ssionais médicos. A primeira banca examinadora foi constituída pelos professores Clóvis Bopp, Rubem David Azulay, Ruy Noronha Miranda, Sebastião Sampaio e Tancredo Furtado. Desde então, todos têm que passar pelo concurso para conquistar o Certi½cado de Especialista e se tornar dermatologista. Este ano, a sociedade vai realizar a 46a edição, em março, na cidade de São Paulo. Em 1971, sob a presidência de Clóvis Bopp, por proposta de René Garrido Neves, foi conferida à SBD a função de zelar pelos interesses éticos, sociais e econômicos dos dermatologistas. Na década de 1980, ela se situava entre as cinco maiores entidades dermatológicas do mundo, com 1.200 sócios efetivos. Em 1984, alguns os associados começaram a ½liar-se à Academia Americana de Dermatologia (AAD). Cerca de dez dermatologistas brasileiros, entre eles Sebastião Sampaio, Belliboni, Fernando Augusto Almeida e Paulo Cunha, participaram do Congresso Anual da AAD, em Las Vegas, em 1986, reforçando a presença brasileira em solo estrangeiro. Vinte e cinco anos depois, o Congresso da AAD de New Orleans (2011) registrou a ida de 600 dermatologistas do nosso país, dando provas de que a participação de médicos do nosso país tem crescido a cada edição.
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Visitando o passado 1987
Jarbas Porto
Comemoração dos 90 anos da SBD
Primeira edição do JSBD (1997)
2012
nome do veículo fora alterado para Jornal da SBD, que, desde então, cumpre a função de levar para todos os associados o que de mais importante acontece na Sociedade e na dermatologia nacional e internacional. Sua tiragem é de 6.000 exemplares. Acompanhando os avanços da tecnologia e a expansão do ¾uxo de informações que a cada dia tem transformado ainda mais as pessoas e seus hábitos, o jornal celebra 15 anos de existência em 2012 com seu acervo digitalizado para leitura desde 2002. Sob a presidência de Fernando Almeida (2001/2002), a SBD comemorou 90 anos de existência congregando o total de 4.751 especialistas. Os anos 1997 e 1998 foram marcados por profundas transformações em busca de uma mentalidade mais globalizada. Fortaleceu-se o espírito associativo com a criação de grupos de trabalho e Departamentos, que mantiveram as subespecialidades emergentes atreladas à dermatologia. As Regionais passaram a participar mais ativamente, reunindo-se com a direção central duas vezes por ano, por ocasião das reuniões do Conselho Deliberativo, juntamente com as comissões que também tiveram fortalecido seu papel na gestão da Sociedade. Os Serviços Credenciados ganharam espaço, reunindo-se uma vez por ano com a direção da SBD para discutir as questões por eles relacionadas. Também foi criado o Programa de Educação Médica Continuada em Dermatologia (EMC-D), que até hoje é um dos principais serviços prestados ao associado. Em 2003, a AMB, o Conselho Regional de Medicina (CFM) e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) reconheceram a cirurgia dermatológica como área de atuação da dermatologia, assim como a cosmiatria. Atualmente, a SBD e os dermatologistas brasileiros têm colaborado com a especialidade no âmbito nacional e mundial com estudos originais, em especial na área das doenças infectocontagiosas e tropicais. A dermatologia brasileira continua dando importante contribuição à ciência e ao desenvolvimento da dermatologia mundial.
2002
Além da penicilina, sulfona e o corticoide, drogas consideradas mais antigas, a isotretinoína (para o tratamento da acne, iniciada no Brasil em 1982), revolucionaram a dermatologia. Realizada pela SBD-RJ, a primeira campanha de prevenção ao câncer da pele foi idealizada e lançada em 1987, por Jarbas Porto. Na década seguinte, ela seria institucionalizada pela SBD em todo o território nacional. Presidente da SBD na gestão 1987/1988, René Garrido Neves adquiriu a primeira sede própria da Sociedade Brasileira de Dermatologia fora da Santa Casa, em 1988. Dez anos depois, foram criados os Departamentos da SBD como grupos de estudo. O dermatologista Sebastião Sampaio foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, em 1988, durante a 11a Reunião Anual dos Dermatologistas Latino-americanos do Cone Sul (Radla). No encontro, ministrou-se pela primeira vez um curso de cirurgia dermatológica, dividido em uma parte teórica sobre as indicações e técnicas de cirurgia dermatológica e uma parte prática de cirurgia em pele de porco. Além de Sampaio, são considerados precursores da cirurgia dermatológica no Brasil, os médicos Luiz Henrique Camargo Paschoal, Ival Peres Rosa, Carlos Machado, Bogdana Kadunc e Cássio Villaça. No mesmo ano foi realizada a 1a Reunião de Cirurgia Dermatológica, promovida pela SBD-SP, sob a presidência de Maurício Alchorne. A coordenação ½cou sob responsabilidade de Ival Peres Rosa, então chefe do Serviço do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Em novembro de 1995, na gestão de Sarita Martins, ressurgiu o boletim Notícias SBD, criado em 1989 na então gestão de Luiz Henrique Paschoal para ser o veículo de comunicação dos associados, na época 3.700. Em setembro de 1996, a SBD lançou o jornal Dermatologia Atual, em substituição ao boletim, tendo como coordenadora editorial a dermatologista Clarisse Zaitz. Seis meses depois, em março de 1997, o
15 anos de JSBD * Este texto foi elaborado com base nas seguintes obras e registros históricos disponíveis na biblioteca da instituição: 1) História da dermatologia no Brasil (2001), pesquisado e escrito por Glauco Carneiro e idealizado e coordenado por Paulo R. Cunha; 2) História da dermatologia Latino-americana (2007), capítulo 6, artigo “Dermatologia e dermatologistas no Brasil” de autoria de Paulo R. Cunha; além do texto de autoria de Márcia Ramos-e-Silva intitulado “A Sociedade Brasileira de Dermatologia”, publicado no Jornal da SBD edição março/abril de 2002 e de pesquisas nos sites da Sociedade Brasileira de Dermatologia (www.sbd.org.br) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (www.sbcd.org.br).
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Alguns trabalhos históricos
Pesquisa elaborada por Paulo R. Cunha
1908 ď Os trabalhos de Adolfo Lutz (1908) e Alfonso Splendore (1912) indicam, em São Paulo, a doença da mucosa bucal, hoje denominada paracoccidioidomicose. 1911 ď Marco importante na terapia da leishmaniose, é introduzido por Gaspar Vianna o tratamento com antimônio (tártaro emético). 1927 ď É da lavra de João Ramos-e-Silva, ao longo dos dez anos seguintes, no Rio de Janeiro, material sobre temas como a pinta, o componente micótico da perifoliculite abscedente, a hipodermite do lúpus eritematoso, que introduz o conceito de leishmanides e ceratodermia marginal traumática. O prurigo pós-escabiótico na forma regional (escroto) de hiperplasia neural, tendo como terapêutica a talidomida, pertence a seu vasto campo cientí½co. 1951 ď Marion B. Sulzberg publica os primeiros estudos do uso de corticoide na dermatologia (AMA Arch Dermatol. Syphilol 1951;64:573-579). 1953 ď Jarbas Porto publica trabalho usando ½ta durex para diagnosticar a ptiríase (J. Invest. Dermatol. 1953;21:231). Oswaldo Costa descreve pioneiramente a acroceratoelastoidose. 1954 – Rubem David Azulay demonstra que a vacinação oral com BCG protege ratos contra a lepra murina. 1957 ď Ceratodermia marginada palmar é descrita por Ramos-e-Silva. 1959 ď Anfotericida B é prescrita pela primeira vez para o tratamento da blastomicose sul-americana por Sampaio e Lacaz. 1963 ď Opromolla publica os primeiros resultados com rifampicina na lepra lepromatosa. (Revista Brasileira de Leprologia, 1963; 31:346-355). 1968 ď Zamith e Cardoso descrevem a atro½a maculosa hereditária (Medicina Cutânea, 1968; 3:15-16). 1972 ď Padilha Gonçalves descreve Traumatic anserine folliculosis (J. Dermatol. 1972;6:365-369). 1979 ď Publicação do primeiro trabalho usando ácido 13 cis-retinoico na acne, mais tarde lançado no mercado como Accutane, hoje terapia de primeira escolha para a acne grave (N Engl J. Med. 1979:300:329-333). 1981 ď Luis Carlos Cucé e cols. introduzem o uso de cetoconazol para o tratamento da paracoccioidomicose (Rev. Inst. Méd. Trop. São Paulo 23 [2]:82-85, março-abril de 1981). 2006 ď Muscardin e colaboradores (International Journal Dermatology, julho de 2006) propõem que a associação de tumores grânulo-celulares múltiplos cutâneos com alterações cardiovasculares e esqueléticas seja denominada síndrome de Bakos, em homenagem ao dermatologista brasileiro Lúcio Bakos, que sugeriu sua existência em 1993. Jornal da SBD O 100 anos de história
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Sociedade atual e atuante 2001/2011
C
om cerca de 6.500 associados, a Sociedade Brasileira de Dermatologia é a segunda* associação de especialidades mais antiga do país e a única reconhecida o½cialmente pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Grandiosa, a SBD também impressiona nos números. Atualmente, está presente em 23 estados brasileiros por intermédio de suas 24 Regionais, 21 Departamentos, além de 73 Servi-
ços Credenciados à instituição. Na celebração de seus 90 anos, a entidade possuía 4.753 sócios, 23 Regionais, 23 Departamentos e 59 Serviços Credenciados, evidenciando seu crescimento com o passar dos anos. Em um século de vida, a SBD é reconhecida pela força de sua produção cientí½ca e pelo reconhecimento e respeito do próprio trabalho no exterior, cumprindo a tarefa que lhe foi conferida quando nasceu: tornar-se referência
Gestão
no desenvolvimento de estudos dermatológicos e representante máxima dos dermatologistas no país. Isso exige permanente trabalho de qualidade para que a entidade continue a ocupar esse lugar dentro da medicina brasileira. Enumeramos, a seguir, alguns projetos e ações instituídos em benefício do associado, a partir de 2001, fruto de um longo processo de mudanças, que incluiu o engajamento e a dedicação de diversas diretorias. * A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) foi fundada em julho de 1910, dois anos antes da SBD.
2001/2002
Presidente Fernando Augusto de Almeida (SP) Vice-presidente Márcio Santos Rutowitsch (RJ) Secretária-geral Maria de Lourdes Viegas (RJ) Tesoureira Beatriz Moritz Trope (RJ) 1o Secretário Paulo R. Cunha (SP)
O dermatologista Fernando Augusto de Almeida presidiu a entidade entre setembro de 2001 a setembro de 2002 (época do nonagésimo aniversário de fundação da SBD). Com uma administração simples e e½ciente, Almeida atingiu as seguintes metas em seu mandato: otimização da estrutura administrativa e ½nanceira da SBD Nacional; fortalecimento da entidade médica e das Regionais mediante integração do calendário das reuniões cientí½cas, permitindo o resgate do equilíbrio ½nanceiro da instituição; manutenção da interação entre SBD, CFM e AMB
dando continuidade às ações de diretorias anteriores; lançamento do Projeto Pró-Memória, coordenado e elaborado por Paulo R. Cunha, e cuja ½nalidade era a preservação da história da dermatologia brasileira por meio de livros, documentos e fotogra½as. A edição do livro História da dermatologia no Brasil (2002), reúne informações e imagens que documentam o cotidiano da SBD em 90 anos, sendo um grande trabalho e, também, um belo presente para a Sociedade e seus associados que até hoje não param de se transformar e evoluir.
2o Secretário Francisco Macedo Paschoal (SP) Diretora de Biblioteca Tania Ferreira Cestari (RS)
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Sociedade atual e atuante 2001/2011 Gestão
2 2003/2004 Presidente Márcio Santos Rutowitsch (RJ) Vice-presidente Sérgio Talarico Filho (SP) Secretário-geral José Ramon Varela Blanco (RJ) Tesoureiro Celso Tavares Sodré (RJ) 1o Secretário Samuel Henrique Mandelbaum (SP) 2a Secretária Lúcia Helena Fávaro Arruda (SP) Diretora de Biblioteca Ivonise Follador Oliveira (BA)
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A gestão de Márcio Rutowitsch (2003/2004) foi a primeira a ter mandato de dois anos de duração. O principal foco enfatizado por ele durante a campanha para a disputa da presidência da SBD, em 2001, era “Sócio forte igual a Regional forte e igual a Sociedade forte”, cujo objetivo seria a luta pela defesa pro½ssional do especialista com maior participação dos associados. Seu trabalho incluiu a instituição de uma rede computadorizada que permitiu a ligação permanente entre a SBD e as Regionais; incrementou o Programa Nacional de Controle do Câncer da Pele (PNCCP) e as demais ações sociais e comunitárias inerentes à especialidade; fortaleceu a participação da SBD junto aos órgãos de defesa pro½ssional, na
AMB, CFM e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); promoveu a discussão com jovens dermatologistas de assuntos relativos ao mercado de trabalho em diversas Regionais (na época foram visitadas 16 das 23 existentes); divulgou dados do Per½l do Dermatologista, por meio de vídeo apresentado no 58o Congresso da SBD, em Vitória, e que começou nas duas gestões anteriores (Bernardo Gontijo 2000/2001 e Fernando Augusto de Almeida 2001/2002); criou o Selo de Certi½cação de Produtos e Serviços, projeto iniciado na gestão anterior, como nova fonte de recursos e que ajudou a SBD por alguns anos; instituiu o estande da SBD em congressos brasileiros, algo que hoje é uma tradição.
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2005/2006 Presidente Sinésio Talhari (AM) Vice-presidente Gerson Oliveira Penna (DF) Secretário-geral Celso Tavares Sodré (RJ) Tesoureiro Abdiel Figueira Lima (RJ) 1a Secretária Andréa Machado C. Ramos (MG)
Os dermatologistas Sinésio Talhari e Gerson Penna detalharam por meio de um relatório de gestão (distribuído aos associados ao término de suas direções) uma lista das ações postas em prática durante administração do biênio 2005/2006. Citamos aqui, algumas metas fundamentais propostas e atingidas: integração da SBD junto aos órgãos representativos da categoria médica e entidades governamentais e não governamentais, com interface com a dermatologia, como Anvisa, ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, CFM, AMB, Fiocruz, Abrasco, Inca e Unesco; intercâmbio da SBD com as seguintes entidades internacionais: Academia Americana de Dermatologia (AAD), Colégio Ibero-latino-americano de Dermatologia (Cilad), Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) e Liga Internacional das Sociedades de Dermatologia (ILDS); elaboração do Censo
Dermatológico, que apontou as doenças mais prevalentes da especialidade no país; o apoio da Rede Globo, Unesco, Ministério da Educação e Ministério da Saúde, na Campanha de Valorização do Dermatologista (CVD) que teve início com a Dermatologia Solidária, durante o Congresso de Brasília (2005); estabeleceu-se também parceria no projeto Amigos da Escola, da Rede Globo, para uma campanha de educação dermatológica por meio de voluntários cadastrados no Congresso e no site da SBD. Ao todo, 27 mil escolas participaram do projeto; criação do Portal de Periódicos SBD/ EBSCO, para acesso de textos completos dos periódicos assinados pela Biblioteca da SBD, bem como a reforma e ampliação da área física da biblioteca e de seu conteúdo. Sob direção de Paulo R. Cunha, a biblioteca disponibilizou aos associados 29 periódicos online, ação pioneira e que hoje foi ampliada com o portal Rima.
2o Secretário Heitor de Sá Gonçalves (CE) Diretor de Biblioteca Paulo R. Cunha (SP)
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2 2007/2008 Presidente Alice Avelar Alchorne (SP) Vice-presidente Omar Lupi da Rosa Santos (RJ) Secretária-geral Ryssia Alvarez Florião (RJ) Tesoureira Cláudia Pires Amaral Maia (RJ) 1a Secretária Célia Luiza Petersen V. Kalil (RS) 2º Secretário Josemir Belo dos Santos (PE) Diretora de Biblioteca Izelda Maria Carvalho Costa (DF)
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Algumas ações importantes promovidas para a melhoria da especialidade e que bene½ciaram os associados na gestão de Alice Alchorne em 2007 e 2008 são: duas reuniões do Conselho Deliberativo discutiram a certi½cação em áreas de atuação (cosmiatria e cirurgia dermatológica) havendo consenso de que essas áreas são inerentes à formação do dermatologista e que por isso não seria necessária outra certi½cação além do Título de Especialista em Dermatologia (TED) da SBD; a realização do TED Especial em 2008, que certi½cou cerca de 200 dermatologistas; a aquisição de equipamentos e a construção de sala es-
pecializada para a realização de eventos de Teledermatologia na própria sede da SBD; melhorias na parte física da biblioteca, além da recuperação e catalogação das inúmeras obras raras; representação em inúmeros eventos das Regionais e outras entidades cientí½cas e governamentais com a presença constante da diretoria em reuniões e eventos da AMB e da inscrição da SBD na Associação Brasileira de Ensino Médico (Abem); aquisição em dezembro de 2007 de um conjunto no mesmo prédio da sede da SBD e inauguração da reforma completa dos dois andares da entidade em dezembro de 2008.
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2009/2010
Presidente Omar Lupi da Rosa Santos (RJ) Vice-presidente Bogdana Victória Kadunc (SP) Secretária-geral Maria de Lourdes Viegas (RJ) Tesoureira Maria Fernanda Reis Gavazzoni Dias (RJ) 1a Secretária Célia Luiza Petersen Kalil (RS)
A criação do sócio eletrônico; a renovação da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele com a instituição do Tour de Prevenção que rodou o Sul o Nordeste e o interior do país; a reestruturação e organização da campanha para a obtenção do certi½cado do Guinness Book; a indexação dos Anais Brasileiros de Dermatologia no Medline; o lançamento da Surgical & Cosmetic Dermatology, revista voltada para a cirurgia dermatológica, laser e cosmiatria; o lançamento do livro o½cial sobre conduta e tratamentos rotineiros ď Rotinas de diagnóstico e tratamento coordenado por Omar Lupi, Josemir Belo e Paulo R. Cunha; a internacionalização da dermatologia com
implementação do Projeto Residentes; a criação do evento que enfoca a dermatologia terapêutica, o Teraderm; a reformulação do portal da SBD e a criação do site para o sócio; a elaboração do DermaBrasil, projeto que avaliou a frequência de consulta ao dermatologista, como complemento do censo dermatológico realizado na gestão de Sinésio Talhari; a reforma do estatuto e dos regimentos, além de votação eletrônica nas reuniões de conselho foram algumas ações realizadas na gestão de Omar Lupi, em 2009 e 2010.
2º Secretário Emerson de Andrade Lima (PE) Diretor de Biblioteca Ricardo Romiti (SP)
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2 2011/2012 Presidente Bogdana Victória Kadunc (SP) Vice-presidente Sarita Maria Martins Bezerra (PE) Secretário-geral Leandra D’ Orsi Metsavaht (RJ) Tesoureiro Carlos Baptista Barcaui (RJ) 1a Secretária Eliandre Costa Palermo (SP) 2a Secretária Luciana S. Rabello de Oliveira (PE) Diretora de Biblioteca Denise Steiner (SP)
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A valorização do dermatologista e a defesa pro½ssional são os principais fundamentos da atual gestão (2011/2012), capitaneada por Bogdana Kadunc. Com o objetivo de agregar associados para entrar nessa luta, a diretoria tem proposto trabalho conjunto e integrado com todos os Departamentos, Regionais e Serviços Credenciados, visando ao fortalecimento nacional da dermatologia. Outras ações são: a ampla reforma nos Departamentos da SBD a ½m de oferecer mais oportunidades de participação aos interessados em aprofundar o conhecimento em áreas especí½cas da dermatologia; o lançamento do Boletim Eletrônico (e-news dermatológico) de periodicidade quinzenal englobando um resumo das participações da SBD junto a instituições de política médica do país,
notícias gerais de interesse do dermatologista e atualização cientí½ca fornecida pelos departamentos; a reformulação do layout do site médico; a criação do per½l médico e da Fan Page da SBD no Facebook; o lançamento da revista Sensatez, voltada para a comunidade; a elaboração de um projeto de divulgação da especialidade para futuros médicos em várias faculdades do Brasil elaborado pela vice-presidente Sarita Martins; o estreitamento das relações com sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), além das esferas governamentais, educacionais e educativas na área de saúde, como a AMB, o CFM, os ministérios da Educação e da Saúde, a CNRM, a Anvisa, entre outros órgãos.
Edição especial
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Compromisso com a responsabilidade social
R
epresentar os sócios da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) junto à Diretoria é a principal função do Dr. Abdiel Figueira Lima, ombudsman da atual gestão da instituição. Dúvidas sobre o estatuto da entidade, reclamações e queixas sobre procedimentos médicos e ações promovidas pela Sociedade poderão ser feitas ao ombudsman por carta ou Internet. As observações dos membros da SBD feitas a Lima serão levadas ao conhecimento da presidência. - Não tomarei decisões, mas tirarei dúvidas e encaminharei sugestões e reclamações à Diretoria visando aumentar a eficácia e eficiência da SBD junto aos sócios – analisa Lima. O total entrosamento entre os membros e a Diretoria é o objetivo do novo ombudsman, que há sete anos tem participado ativamente das ações da SBD por intermédio de cargos administrativos exercidos na Regional do Rio de Janeiro. Dr. Abdiel afirma ainda que as críticas construtivas, i l õ
Abdiel coloca-se ainda à disposição dos sócios todas as quintas-feiras, de 18h às 19h, on line em um chat via Internet. A participação no chat é restringida a sócios e é feita acessando o site da SBD, www.sbd.org.br, e clicando na página Ombudsman. - No chat tiro as dúvidas dos participantes e promovo um debate sobre as sugestões e críticas apresentadas. Mas quem não pode dispor de tempo livre no momento do papo on line, pode deixar ali observações com um e-mail de contato, pois acesso diariamente o link, que também funciona como um fórum – completa Lima. O Dr Abdiel Figueira Lima exerce com dedicação total o cargo de ombudsman, baseando-se em experiências vividas durante os sete anos de envolvimento com a SBD para informar sobre o mecanismo de funcionamento das atribuições da entidade e esclarecer dúvidas sobre as interpretações do Estatuto. O convite para o cargo foi feito no dia da posse do Dr. Fernando Augusto de Almeida como Presidente d SBD 19 d t
Programa de Proteção Solar nas Escolas Programa Nacional de Controle do Câncer da Pele INCA & SBD
O
Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia estão executando em parceria um Projeto que visa transmitir conhecimentos sobre Proteção Solar e Câncer da Pele. Este Projeto terá como público alvo os professores das Escolas de Ensino Escolar do Primeiro e Segundo Graus. Uma vez que estejam de posse desses conhecimentos, irão transmití-los para os seus alunos. As informações sobre Proteção Solar e Câncer da Pele serão passadas aos professores, por você colega dermatologista. Sua colaboração é muito importante. Você receberá um jogo de slides com todas as instruções para contato e desenvolvimento do programa. Porque você colega dermatologista deverá colaborar?
Esta é uma iniciativa em conjunto da sua Sociedade com o INCA-MS, que busca uma maior participação social em prol da população do nosso país. Com isto você irá marcar sensivelmente o seu campo de atuação como dermatologista na região onde você reside e/ou trabalha. A título de informação o material que você irá receber poderá ser utilizado para palestras, em outros setores ou agremiações de sua cidade. Lembre-se que sua colaboração será muito importante, não só para fortalecermos cada vez mais a nossa SBD, como para você como dermatologista e cidadão brasileiro. Se você estiver disponível para participar do Programa, e disposto a colaborar com a iniciativa, devolva por e-mail à SBD (eventos@sbd.org.br) ou pelo correio, com os dados abaixo.
NOME
Dermatologia Básica e Ambiental na Amazônia
2009 2011
Em 2011, na atual gestão de Bogdana Kadunc, foi a vez de os moradores da Ilha dos Lençóis, no Maranhão, no Norte do país, serem bene½ciados com um programa de assistência dermatológica. Segundo Paulo R. Cunha, um dos coordenadores do trabalho, o projeto social colabora para uma mudança signi½cativa na vida da população da ilha, especialmente os albinos, que não têm acesso a tratamento básico de saúde, e mostra um caminho novo para a melhoria de vida daquelas pessoas. Além desse signi½cativo trabalho, a SBD lançou no ½nal do ano, o programa “Pró-Albino”, que tem como ½nalidade evitar e tratar os efeitos da radiação solar na pele dos albinos brasileiros. Coordenado por Marcus Maia, o projeto previu a criação de um site, que disponibiliza um sistema de cadastramento e de acompanhamento dos pacientes para o uso dos Serviços Credenciados da SBD. A entidade também deu continuidade ao “Salve Sua Pele”, projeto da Regional de Santa Catarina e de autoria de Nilton Nasser, voltado para crianças do pré-escolar à quarta série do ensino fundamental das redes escolares municipais, estadual e particular. Seu objetivo é divulgar a importância do uso do ½ltro solar desde a infância.
Jan / Fev 2002
A arte de saber ouvir
2006
Em 2001, na gestão de Fernando Almeida, foram colocados em prática os projetos “Saber Saúde” em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), “Dermatologia Comunitária” e, com a Abrinq, “Dermatologista Jovem”, de apoio e incentivo ao jovem pesquisador. As ações tiveram boa repercussão e são importantes na história da entidade. Colocado em prática em 2006, o projeto “Dermatologia Básica na Amazônia” reuniu um grupo de dermatologistas, residentes e professores para realizar atendimento básico em dermatologia em áreas rurais de comunidades ribeirinhas do município de Coari. A ação, desenvolvida pela SBD em parceria com a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, a Liga Internacional das Sociedades de Dermatologia (ILDS) e a Federação Internacional de Dermatologia (IFD), teve participação fundamental do dermatologista Paulo R. Cunha. O “DermAção”, implementado em 2009, na diretoria de Omar Lupi, divulgou e apoiou ações solidárias, educacionais e locais das Regionais e dos Serviços Credenciados. Ao longo de dois anos, a entidade reconheceu diversas ações solidárias como política fundamental, ao se aproximar da população do país e conquistar o reconhecimento como entidade brasileira parceira da sociedade em ações sociais, de interesse público e educação em dermatologia.
tos sociais realizados em congressos brasileiros, entre outros, reúnem, anualmente, público estimado em 150 mil pessoas. Esse número certamente distingue a SBD no cenário nacional e internacional, e colabora de maneira contínua para a valorização da especialidade. Citamos a seguir, alguns projetos que exempli½cam a vocação da SBD de atuar de forma concreta nas demandas sociais.
2001
O
comprometimento com a população do país amplia-se no conjunto de incontáveis atividades educativas e de conscientização voltadas para a saúde da pele promovidas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Essas ações, tais como as campanhas de prevenção ao câncer da pele, de psoríase, além dos cursos promovidos pelos departamentos da SBD, dos proje-
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Edição especial
Compromisso com a responsabilidade social
Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (CNPCP) A SBD procura aliar competência e espírito solidário em benefício de seus associados e da população brasileira. Sua relação é direta e bastante estreita com o público leigo, junto ao qual desenvolve importante trabalho por meio de campanhas de alerta e educação, em especial a Campanha de Detecção e Prevenção do Câncer da Pele, idealizada em 1987, por Jarbas Porto, e por ele coordenada, no Rio de Janeiro, no ano seguinte. A Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (CNPCP) é parte do Programa Nacional de Controle do Câncer da Pele (PNCCP) desenvolvido pela entidade desde 1999. Todas as diretorias procuram pensar novas maneiras de divulgar a campanha para chamar a atenção de maior número de pacientes. A CNPCP, nos moldes como hoje se realiza, é fruto de evolução que se vem processando ao longo dos últimos 13 anos. Atualmente, a ação nacional assiste a cerca de 40 mil pessoas a cada ano. No início, os atendimentos ½cavam na casa dos 17 mil, como você verá a seguir.
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Registro de algumas campanhas... Em 1999, foram atendidas 17 mil pessoas em 105 postos distribuídos pelos Serviços Credenciados da SBD, tendo 8,3% delas apresentado câncer da pele. No ano seguinte, a campanha contou com a participação da professora Ruth Cardoso, presidente da Comunidade Solidária. Na ocasião, ela enviou um vídeo à SBD com a seguinte mensagem: “Essa iniciativa é da maior relevância social e está necessitando do apoio de todos para que se possa substituir o medo do câncer pela conscientização da possibilidade da prevenção.” O coordenador nacional da campanha, Marcus Maia, destacou que os resultados alcançados na ação deixam todos felizes, especialmente pela mentalidade que se implanta no meio. “A interação entre residentes, acadêmicos de medicina e professores, dedicando um dia de suas vidas a essa nobre causa, indica-nos que muito mais podemos fazer.”
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Compromisso com a responsabilidade social
de diferentes cânceres da pele, diagnósticos distintos e textos simples para seu treinamento. Em 2006, outros estados também receberam ações similares. Além do atendimento pontual, a Sociedade desenvolve ações complementares cuja ½nalidade é despertar na população a consciência dos riscos da exposição solar, como o Tour de Prevenção, que orientou e atendeu, desde 2009, ano de sua criação, quase 10 mil pessoas em um caminhão-consultório que rodou várias regiões do Brasil, desde o Nordeste até o Sul.
2001/2002
Na gestão de Fernando Almeida (2001/2002) a CNPCP teve ação conjunta com o Inca e as Organizações Globo. Nos anos seguintes (2003/2004), Marcio Rutowitsch ampliou a campanha nacional atraindo a parceria de outras instituições, como a Abrinq, a Sony Music e o Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Em 2003, a campanha registrou um de seus maiores atendimentos: 38.500 pessoas. Pro½ssionais do Programa de Saúde da Família (PFS) foram inseridos na campanha de 2005. Médicos generalistas e enfermeiros receberam uma cartilha com fotos
2003/2004
2005/2006
2007/2008
/ 2009/2010
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Compromisso com a responsabilidade social
Psoríase A Campanha Nacional de Psoríase tem apenas seis anos. Realizada pela primeira vez em 2006, sob a presidência de Sinésio Talhari e por proposta de Paulo R. Cunha, a ação educativa tem procurado conscientizar a população sobre a
doença, que não tem cura, mas que também não é contagiosa. Todos os anos, sempre no mês de outubro, são desenvolvidas diversas atividades informativas. Hoje, a campanha está sob o comando da dermatologista carioca Cláudia Maia.
SBD apoia ações sociais em congressos brasileiros Ações como “Pescadores do Brasil”, criada há 12 anos pelo professor adjunto da Faculdade de Medicina de Botucatu/ Unesp e médico colaborador do Hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan, em São Paulo, Vidal Haddad Jr., têm sido instituídas em vários congressos brasileiros da SBD. Segundo os resultados do projeto de Vidal, há grande incidência de acidentes por animais marinhos em banhistas e pescadores. Causados por ferrões, dentes, espículas de nadadeiras e outras estruturas vulnerantes, na verdade, são considerados acidentes de trabalho que podem ser prevenidos. No entanto, nada havia sido feito até o início do projeto apresentado por ele. O método foi instituído em várias colônias de pescadores marinhos nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Ceará, Pará e Paraná, além de diversas colônias ¾uviais nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Tocantins e colônias na vizinhança de Belém, no Pará. Com a implantação permanente dessa iniciativa, algumas colônias contempladas chegaram a erradicar os acidentes, e cerca de 60 comunidades foram contempla-
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das com o projeto e visitas da equipe. Para auxílio didático, o autor conta com alunos dos cursos de medicina e ciências biológicas da Unesp e de vários órgãos fomentadores. Patrocinados pela SBD Nacional e Regional São Paulo, foram impressos folhetos de orientação para pescadores marinhos; histórias em quadrinhos educativas sobre acidentes, ½nanciadas pelo 63o Congresso Brasileiro de Dermatologia, realizado no Ceará (para pescadores marinhos), e pelo 64o Congresso Brasileiro de Dermatologia, no Pará, para pescadores ¾uviais da Amazônia, foram entregues às comunidades com palestras e discussões sobre o problema quando da realização dos Congressos. No 65o Congresso Brasileiro de Dermatologia, no Rio de Janeiro, foram realizadas atividades com os pescadores de Niterói, utilizando folhetos impressos. Adicionalmente, um folheto sobre as águas-vivas potencialmente perigosas das regiões Sudeste e Sul foi impresso pelo 66o Congresso Brasileiro de Dermatologia realizado em Santa Catarina, em 2011.
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De como os Congressos da SBD entraram para a história
A
Sessão do Conselho Deliberativo da SBD a bordo de navio da ENASA, na baía de Guajará, durante o 23o Congresso Brasileiro de Dermatologia, em Belém do Pará, 1966. Na foto, Tancredo Furtado, João Gontijo, Domingos Silva, Sebastião Sampaio e Ubirajara Salgado, com outros dermatologistas. Fonte: Arquivo de Arival de Brito
1987
Em 1966, ocorre em Belém, longe do circuito dos grandes eventos, o 23o Congresso Brasileiro de Dermatologia, um desa½o que foi respondido com sucesso pela presença de 90 especialistas de todo o Brasil, como Rubem Azulay, Sebastião Sampaio, Ruy Noronha, João Gontijo, Demétrio Peryassu, e de outras regiões da América Latina, como Amado Saul, do México, e Borelli, da Venezuela. “Na apresentação dos casos ao vivo, despertaram curiosidade a doença de Jorge Lobo, cromomicose, leishmaniose nodular disseminada e dois casos de tinea imbricata, trazidos por nós da aldeia indígena Gorotire, no Rio Xingu. Na ocasião, o Prof. Borelli quase curou os índios de tanto colher material das escamas dispostas em forma de arabescos. ‘Uma linda imagem’ na opinião de todos. Eles foram devidamente tratados com a griseofulvina! Os congressos de dermatologia em Belém, em 2005, sob a presidência de Arival de Brito, e em 2009, de Mário Miranda repetiram o sucesso”, recorda-se o sócio fundador da SBD-Pará e ex-professor de dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade do Estado do Pará (UEPA) Ubirajara Imbiriba Salgado. Um avanço em matéria de organização foi observado no 29o Congresso da SBD de 1972, em Niterói. Rubem David Azulay, presidente do encontro, apresentou prestação de contas, e a partir daí, a iniciativa se institucionalizou, decidindo-se ainda que qualquer lucro eventual seria dividido em duas parcelas iguais
– uma para a Seção local e outra para a entidade Nacional. Outra importante medida foi con½ar a organização do Congresso à Seção estadual, cujo presidente, no mesmo ano, se elegeria para a direção superior da SBD. No ½nal dos anos 90, as duas responsabilidades estariam separadas. Sob a presidência de João Gontijo, Poços de Caldas (MG), sediou o evento nacional em 1979, sendo uns dos congressos que mais trouxe estrangeiros para o país, tais como: o dermatologista cubano Orlando Canizares, na época professor da Universidade de Miami (EUA); os americanos Samuel Moschella, professor associado da Universidade Harvard e Richard Winkelmann, da Mayo Clinic; e o médico argentine Jorge Abula½a. O Congresso Brasileiro de 1987, ocorrido em Goiânia, marcou positivamente a SBD. Sua programação cientí½ca sofreu várias modi½cações em relação aos eventos anteriores. Sob presidência de Divino Rassi, o encontro se destacou pela imediata criação das comissões, em especial a cientí½ca. “Nossa primeira reunião analisou os programas cientí½cos dos últimos anos da Academia Americana de Dermatologia, do Congresso Mundial de Dermatologia, do Congresso Ibero-latino-americano de Dermatologia e outros. Após exaustiva análise, surgiu o nosso programa totalmente modi½cado em relação aos anteriores, formato que se mantém até os dias atuais”, declarou Rassi, lembrando o sucesso da realização da primeira jornada para o jovem dermatologista. Segundo o médico, o ponto alto do encontro cientí½co foi a apresentação do conteúdo dos melhores trabalhos do 11o Congresso Ibero-latino-americano de Dermatologia, realizado em Madri, na Espanha, e do 17o Congresso Mundial de Dermatologia, em Berlim, na Alemanha, e pela primeira vez a sessão “O que há de novo”, coordenada pelo saudoso Professor Sebastião Sampaio.
1966
s 66 edições de congressos brasileiros, o maior evento de dermatologia do país, exerceram grande in¾uência no espírito associativo da SBD que com o tempo passou a realizar encontros menores (regionais, estaduais e municipais) a ½m de expandir as inovações, os conhecimentos e os aperfeiçoamentos adquiridos durante o encontro nacional. Escolhemos alguns para retratar neste espaço:
Capa do programa cientí½co
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2001
De como os Congressos da SBD entraram para a história
2009
O ex-presidente da SBD (2000/2001), Bernardo Gontijo, ao lado da presidente do 56o Congresso da SBD, Lia Cândida Miranda, e do ex-presidente da SBD (2001/2002), Fernando Almeida
2012
O ex-presidente da SBD (2009/2010), Omar Lupi, com o presidente do Congresso de Belém, Mário Miranda
Comissão Cientí½ca do Congresso de 100 anos da SBD
Jornal da SBD O 100 anos de história
Participaram do evento 1.387 congressistas. O alto número de inscrições foi resposta à intensa divulgação pré-congresso e ao envio do programa cientí½co, com bastante antecedência, aos associados da SBD e Serviços Credenciados pelo Brasil. Na gestão de Jesus Santamaria (1992/1993), um dos presidentes mais jovens que passaram pela entidade, o Congresso Brasileiro de Dermatologia que costumava ocorrer no eixo Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, passou a ser realizado nas macrorregiões, dando oportunidade para outros estados o acolherem. O 53o Congresso Brasileiro, em 1998, por exemplo, realizado em Blumenau (SC), registrou a presença de 2.186 dermatologistas, constituindo-se na época o maior evento da especialidade promovido pela SBD. Presidido por Nilton Nasser, foi ainda a primeira grande oportunidade para os congressistas somarem créditos no Programa de Educação Médica Continuada (EMC-D), implementado na gestão de Clarisse Zaitz (1997/1998). Muito bem comentado também foi o Congresso Brasileiro de 1996, em Recife, sob presidência de Sarita Martins.
O 56o Congresso, realizado em 2001, em Goiânia, inovaria com a programação homenageando o “Ano Mundial do Voluntário” com a atividade “Dermatologia Comunitária”. Cerca de 150 dermatologistas se reuniram no Hospital das Clínicas de Goiânia, onde dedicaram uma hora de atendimento gratuito à população carente da cidade. A iniciativa contou com grande adesão de voluntários médicos e o apoio das secretarias Estadual e Municipal, e da Universidade Federal de Goiás (UFG). Comandou o encontro a dermatologista Lia Cândida Miranda, a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da SBD-GO. Mais de 2.000 pessoas participaram do 64o Congresso em Belém, Pará, em 2009. Presidido por Mário Miranda, o evento foi pautado pela organização, modernidade e excelente nível cientí½co. “O que se viu concretizar foi o melhor cenário e que ainda ultrapassou seus limites. A satisfação é grande, pois a dedicação foi total. Recebi muitos elogios e quero compartilhá-los com todas as equipes que nos ajudaram, com a SBD Nacional e, em especial, com todo o povo do Pará”, a½rmou então Mário Miranda em entrevista ao JSBD.
Congresso no centenário No ano do centésimo aniversário da SBD, as preparações para o 67o Congresso Brasileiro de Dermatologia, que ocorrerá de 1o a 4 de setembro, no Rio de Janeiro, indicam que o evento será um dos maiores destaques em 2012. “Pretendemos dar continuidade à tradição de excelência já conhecida nos congressos anteriores. O Congresso dos 100 anos da SBD é um grande acontecimento, e para mim está sendo uma grande honra presidi-lo. Nossa comissão possui colaboradores de todo o Brasil, todos muito empenhados em contribuir para que esse seja um excelente evento”, a½rma
Márcia Ramos-e-Silva, presidente da edição. Para isso, a Comissão Organizadora tem-se esmerado em preparar farta e variada programação, que abordará os principais temas de nossa especialidade, a ½m de atender a todos os interesses. O encontro também vai homenagear, em parceria com a diretoria da SBD, especialistas de todos os estados brasileiros que se destacaram nos primórdios da dermatologia no Brasil. Os patronos do Congresso são os professores João Ramos-e-Silva e Glyne Leite Rocha, ½guras muito importantes na dermatologia do Rio de Janeiro e na brasileira.
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Formação dermatológica de excelência
O
s 73 Serviços Credenciados da SBD que cuidam da demanda dos dermatologistas mais bem-formados de nosso país re¾etem o excelente nível da especialidade por meio de amplo atendimento a pacientes de todo o país com doenças de pele. Anualmente, são disponibilizadas cerca de 300 vagas de residência e/ ou estágio em regime de residência. Neste espaço realçamos quão importante é um Serviço Credenciado de qualidade para o futuro dermatologista. Leia abaixo a opinião de três especialistas que ½zeram história na dermatologia do Brasil.
“É importante ressaltar que os pro½ssionais médicos formados nos Serviços Credenciados da Sociedade Brasileira de Dermatologia estão mais habilitados a exercer a especialidade. Eles são treinados, na sua maioria, por professores universitários do curso de medicina, saindo com conhecimentos cientí½cos em dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica. Além disso, a carga horária dos formandos nos serviços, de 1.960 horas anuais distribuídas em três anos, é superior à carga horária dos cursos oferecidos por serviços e instituições não credenciados.” Josemir Belo, chefe do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) O Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Pernambuco está vinculado ao curso médico da Faculdade de Medicina, localizado no Hospital das Clínicas do Centro de Ciências da Saúde. A residência médica é credenciada pelo MEC e pela SBD, desde 1988, tendo formado até 2011, 79 residentes e especializandos. O Serviço é credenciado para oferecer cinco vagas anualmente. “Acredito que serviços que tenham preocupação e tradição de pesquisa auxiliam na formação de um pro½ssional mais crítico, mais observador, com motivação
a se agregar a serviços universitários após o término da residência e com capacitação para aplicar princípios cientí½cos em sua vida prática, por exemplo, princípios da medicina baseada em evidências. Não por acaso Botucatu é um dos serviços que, com maior frequência, recebe prêmios nos congressos, consequência da motivação e da estrutura para desenvolver projetos e atenção à documentação.” Silvio Alencar Marques, professor titular da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp A Faculdade de Medicina de Botucatu foi criada em 1963 como Instituto Isolado de Ensino Superior do Estado de São Paulo. Em 1967, criou-se o Serviço de Dermatologia, e, em 1970, iniciou-se a residência em dermatologia, a primeira do interior do Estado de São Paulo. Inicialmente, o serviço oferecia três vagas para a residência, passando para quatro na década de 1980 e para seis na seguinte e, desde então, disponibiliza seis vagas a cada ano. O Serviço não oferece vaga de especialização, e as vagas para estágio são de curta duração e apenas para colegas que cumprem residência ou especialização em Serviço Credenciado da SBD. Desde sua criação, a dermatologia de Botucatu já formou 179 residentes, a absoluta maioria clinicando no próprio estado. Jornal da SBD O 100 anos de história
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Formação dermatológica de excelência
“A residência é uma modalidade de pós-graduação e o recém-formado em medicina enfrenta competição cada vez maior por vaga na Residência Médica em Dermatologia (RMD). Essa realidade tem levado à criação de novas residências em instituições de ensino ou à solicitação de aumento do número de vagas nas já existentes. Considero a residência uma importantíssima etapa para formação de pro½ssional com domínio de conhecimento e cujo treinamento na prática clinicocirúrgica é indispensável para a resolução das patologias dermatológicas. Concordo com outras manifestações que apontam RMD com um duplo papel na formação dos médicos: complementar o processo de graduação e oferecer a especialização como possibilidade de inserção no mercado de trabalho. Finalmente, destaco a importância do professor/preceptor como fundamental no processo educacional durante o período da residência médica.”
O Serviço de Dermatologia da UFPA (SDUFPA) pertence à UFPA e funciona na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP). Trata-se de hospital geral e de ensino com 367 leitos ativos, criado pela Irmandade da Misericórdia em 1619, que se manteve como entidade ½lantrópica até 1990, quando foi transformada em Fundação Pública Estadual. A residência em dermatologia foi criada no mesmo ano e são oferecidas anualmente duas vagas de ingresso a partir de prova pública de seleção. Mais de 40 residentes foram formados desde o início de suas atividades.
Arival de Brito, chefe do Serviço da Universidade Federal do Pará (UFPA)
2009/2012
Oportunidade para residentes
Jornal da SBD O 100 anos de história
Nos últimos quatro anos, a SBD tem investido em projetos de internacionalização destinados a jovens dermatologistas, por meio de parcerias com grandes centros médicos no exterior e com a Academia Americana de Dermatologia (AAD). O Projeto Residentes, da SBD/ RoC, é o maior exemplo. Criado em 2009, oferece a residentes, pós-graduandos e especializandos do terceiro ano dos serviços credenciados da SBD, prêmios e bolsas de estudos de aperfeiçoamento no exterior mediante concurso de artigos cientí½cos. Os estudantes também estão tendo a chance de participar do Meeting da
AAD por meio do convênio com a Bolsa Fide (Foundation for International Dermatological Education). A parceria com a SBD está em seu quarto ano consecutivo. Em 2010, a SBD realizou uma série de concursos cientí½cos premiando 21 jovens dermatologistas com bolsas para participar da 22a edição do Congresso Mundial, Seul. Duas bolsas foram divulgadas durante o Summer Meeting of Dermatology Brazil, em Salvador. A SBD prevê o aumento gradual dos incentivos no envio de residentes de seus Serviços Credenciados para estágios no exterior e também para trazer alunos estrangeiros.
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A integração da tecnologia na área médica
S
todo o planeta. O acesso fácil à informação cientí½ca e a comunicação rápida têm provocado profundas mudanças em todas as dimensões da vida, colaborando para modi½car o mundo. Os esforços da entidade para atender às demandas dos seus associados para novas formas de comunicação just in time e interação mais intensa na era digital constituem prioridade. Hoje, é fácil saber o que se passa no dia a dia da especialidade e na Sociedade.
Para ½car apenas em três exemplos, foram criadas pelo Departamento de Comunicação da SBD, entre 2009 e 2011, as páginas da entidade na rede social Facebook, no microblog Twitter e no site de vídeos YouTube. Nos dois primeiros espaços, um conteúdo de mensagens é postado regularmente para o associado
que quer compartilhar informações e se manter informado sobre o que acontece na entidade. A elaboração desses canais dá sentido de comunidade à instituição e oferece conteúdos especiais e úteis que permitem ao associado, bem como ao público em geral, aproximação ainda maior com a SBD.
Outra iniciativa de impacto instituída foi a total reformulação do portal da SBD, no ano de 2010, que passou a ter o site público como principal entrada para o público em geral, dando à dermatologia mais visibilidade e mostrando sua importância no contexto médico. Seu layout moderno e simples ganhou citação em várias mídias impressas. Entre 2007 e 2010, passaram
pelo site da entidade 798.717 visitantes. A troca de informações da área médica entre pro½ssionais de saúde e com a comunidade leiga tem se intensi½cado. No ano passado, o portal médico passou por reestruturação a ½m de permitir leitura mais fácil e organizada por parte do associado.
Os programas “Questão de Pele” (2009) e o “Pele em Sintonia” (2010), veiculados na televisão e no rádio, respectivamente, também foram considerados formas inovadoras encontradas pela SBD para divulgar de forma ética a dermatologia e ressaltar a importância do dermatologista como o único pro½ssional apto a tratar pele, cabelos e unhas. Com a revitalização do EMC-D os associados estão tendo acesso a uma série de palestras online de atualização.
Além da implementação de palestras valendo pontos na Comissão Nacional de Acreditação (CNA) da AMB, por meio do Departamento de Telemedicina da SBD, outro passo importante na história da SBD foi a ½lmagem de eventos importantes, como o Teraderm, dando a oportunidade aos médicos de assistir, por meio do portal de vídeos, às três edições do evento com seus conteúdos integrais.
2009 - 2011
e momentos memoráveis do passado merecem ser recordados, com mais razão não podem ser esquecidos. Vários projetos desenvolvidos pelas 57 diretorias que estiveram à frente da SBD (além da atual) ao longo de um século foram grande legado para a dermatologia brasileira. Algumas ações mais signi½cativas surgiram nos últimos anos, impulsionadas, sobretudo, pelo assombroso avanço tecnológico vivenciado em
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Edição especial
Anais Brasileiros de Dermatologia
O
início deste século foi assinalado por grandes feitos dos Anais Brasileiros de Dermatologia, um dos veículos o½ciais de trabalhos cientí½cos realizados no país na especialidade. O principal deles veio em 2009, sob a presidência de Omar Lupi, quando a publicação obteve a indexação na Medline* após 38 anos de esforços empregados por diversas gestões editoriais. Na época, os ABD completavam 84 anos. A atual equipe editorial, coordenada por Izelda Costa e que tem como editores associados Renan Rangel Bonamigo, Vitor Silva dos Reis e Andrelou Fralete Ayres (este último assumindo o cargo em 2011) estava à frente dos ABD no ano de sua indexação. O trabalho do grupo é constantemente auxiliado pela equipe editorial, revisores e pareceristas e visa aprimorar o trabalho que vinha sendo feito por seus antecessores. Outras novidades foram colocadas em prática a partir de 2010, tais como:
• a submissão b i ã eletrônica l ô i d dos artigos; ti • o modelo bilíngue no site da SBD; • a versão na íntegra em português disponível no site da entidade e o lançamento da versão e-book; • além do inglês como língua o½cial (o periódico passou a receber artigos originais na língua inglesa com o objetivo de aumentar as possibilidades de trocas de informações cientí½cas entre autores brasileiros e estrangeiros). No entanto, no editorial do suplemento dos ABD em comemoração ao centenário da entidade, distribuído no começo do ano aos associados, Izelda Costa revela que a revista impressa em português será mantida. “Para isso, ajustamos para que somente a versão eletrônica, na língua inglesa, fosse a indexada no Pubmed/ Medline. Consequentemente, a submissão eletrônica permanecerá como se encontra atualmente, ou seja, nos idiomas inglês e português para os autores nacionais.”
* Os artigos publicados poderão ser acessados gratuitamente pelo PubMed, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina, dos Estados Unidos, e principal fonte de consultas bibliográ½cas na área médica. Os títulos incluídos na base de dados são selecionados de acordo com critérios internacionais rígidos, que atestam a qualidade editorial e cientí½ca da publicação.
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Edição especial
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Surgical & Cosmetic Dermatology
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e especialidade com características fundamentalmente clínicas e morfológicas, a dermatologia se transformou, nas últimas duas décadas, em especialidade clínica e cirúrgica cada vez mais dinâmica e que privilegia o espírito investigatório. No entanto, ainda era lacuna na literatura um veículo em que dermatologistas brasileiros, sul-americanos, e de outras países de língua por tuguesa pudessem expor sua rica experiência na condução dos procedimentos cirúrgicos e cosmiátricos. A partir de 2009, esse panorama mudou com o lançamento da Surgical & Cosmetic Dermatology (S&CD), na gestão de Omar Lupi (2009/2010). Desde então, a publicação que tem os apoios cientí½cos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e do Colégio Ibero-latino-americano de Dermatologia (Cilad) oferece conteúdo cientí½co consistente e de boa qualidade, características essenciais para toda publicação que almeja ser indexada – dos iniciais nove artigos em 48 páginas, a revista cresceu substancialmente, chegando a 18 artigos distribuídos em 118 páginas. E tal fato ocorreu mais rápido do que se pensava: em cerca de dois anos de trabalho, a Surgical, que hoje é comandada pela presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Bogdana Kadunc, conse-
guiu sua primeira indexação: na base de dados Lilacs, uma das mais importantes da América Latina. “Resultado de um dedicado trabalho conjunto que envolve editores, assistentes editoriais, revisores e, principalmente, autores que cederam suas publicações para uma revista jovem e que ainda não havia sido indexada”, apontou na época Bogdana Kadunc. A S&CD ganhou alma. Seis meses depois, foi agraciada com outra indexação, dessa vez na base Scopus. Periodicidade, pontualidade e regularidade de no mínimo 60 artigos por ano, revisão por pares, versão eletrônica completa em português e inglês, versão impressa com título e resumo em português e inglês são algumas das exigências impostas pelas bases de dados para a indexação de revistas cientí½cas e que foram cumpridos à risca pela Surgical & Cosmetic Dermatology. “Há muito tempo o dermatologista de nosso país tem-se destacado internacionalmente tanto na cirurgia como na cosmiatria. Esse momento vivido pela especialidade, com o lançamento da S&CD, coroa nosso grande avanço técnico e cientí½co. Agradecemos aos dermatologistas mais experientes, aos jovens e aos que atuam nos Serviços Credenciados da SBD ou em suas clínicas particulares”, salientou Bogdana Kadunc.
Novas seções O primeiro número de 2011 veio com novo corpo editorial, com variada distribuição de autores e editores oriundos de diferentes regiões e Serviços Credenciados do país. Novas seções foram criadas, como a “Novas técnicas”, em substituição a “Pérolas cirúrgicas”; “Como eu faço”, seguindo as tendências modernas da medicina baseada em evidências; “Comunicações”, em que resultados preliminares de novos achados de interesse para a cirurgia dermatológica, cosmiatria ou oncologia cutânea, entre outros, são abordados por meio de pequenos relatos; “Dermatoscopia aplicada” que traz imagens dermatoscópicas aplicadas à cirurgia dermatológica e cosmiatria, além da sessão “Cartas”.
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Edição especial
Outras publicações
Rotinas de diagnóstico e tratamento
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ançado em 2010, o primeiro livro o½cial sobre conduta e tratamentos rotineiros das principais doenças dermatológicas foi um dos grandes projetos implementados pela entidade. Chancelada pela SBD e coordenada por Omar Lupi, Paulo R. Cunha e Josemir Belo, a obra reúne os maiores expoentes da especialidade de todo o país em cada área e é voltada para o aprimoramento pro½ssional e a prática
cotidiana. As Regionais e os Serviços Credenciados da SBD receberam a publicação, que também foi disponibilizada na versão eletrônica para a leitura em smartphones e e-readers. Com abordagem ampla, o Rotinas contempla as três vertentes da dermatologia: a clínica, a cirúrgica e a cosmiátrica, desenvolvida com competência pelos dermatologistas brasileiros.
Sensatez
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om o lançamento de uma revista voltada para a população brasileira, a SBD consolida seu objetivo de difundir informações de excelência em dermatologia para o público leigo e de estreitar a relação entre dermatologistas e pacientes. Nas páginas de Sensatez, publicação lançada em 2011 e cuja periodicidade é semestral, os leitores encontram reportagens, artigos e entrevistas sobre a dermatologia clínica, cirúrgica, estética, as doenças de
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pele e suas causas, sintomas, prevenção e tratamentos. Também reúne assuntos relacionados à qualidade de vida, lazer, cultura, meio ambiente e cotidiano. Seus exemplares são distribuídos aos cerca de 6.500 associados no Brasil, que foram orientados a disponibilizar a revista para seus pacientes na sala de espera. Todos os membros da diretoria 2011/2012 participam ativamente da elaboração de artigos e matérias. A dermatologista Luciana Rabello é a atual editora-chefe.
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Visão estrangeira
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Promovido pela SBD Nacional em 2010, na época sob o comando de Omar Lupi, o Summer Meeting of Dermatology in Brazil teve marcante importância para entidade por ter sido o primeiro evento internacional ocorrido em solo brasileiro. “O programa cientí½co mostrou os desa½os no diagnóstico e os tratamentos mais recentes das doenças de pele trazidos por notáveis dermatologistas estrangeiros”, disse o presidente do evento Paulo R. Cunha
ao Jornal da SBD. O encontro, ocorrido em dezembro, em Salvador, ganhou repercussão internacional no volume 50 do International Journal of Dermatology (revista de investigação dermatológica de grande impacto mundial) contribuindo para projetar positivamente a SBD no exterior. O texto, de autoria do professor titular de dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Jersey (EUA), Robert Schwartz, um dos palestrantes do Summer Meeting of Dermatology, destacou algumas aulas proferidas por grandes nomes da área.
Carlos Gatti (o terceiro da esq. para a dir. da última ½la) com Sebastião Sampaio (ao seu lado), Luís Carlos Cucé (o quarto da esq. para a dir. na segunda ½la) e residentes do Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo (1982)
2010
¾exo do trabalho contínuo e do esforço de muitos dermatologistas ao longo da história. Todas as ½guras da dermatologia brasileira, as recordadas e as esquecidas merecem ser homenageadas por ter sido partícipes da criação da SBD, que é uma das sociedades mais importantes do universo dermatológico. É um grande orgulho ter sido nomeado sócio honorário da SBD em 2010”, frisa Gatti que atualmente integra a seleta lista dos 55 membros estrangeiros da instituição. Diante da declaração, a presidente da SBD, Bogdana Kadunc endossa: “Hoje podemos nos orgulhar de fazer parte do seleto rol das grandes sociedades médicas mundiais. Nosso patamar de inserção internacional é signi½cativo, e a vocação à internacionalização estava indicada desde a criação da instituição, com a inestimável colaboração de professores e médicos estrangeiros que vieram ensinar e pesquisar a dermatologia do nosso país.”
1982
ão é de hoje que o presidente do Cilad, Carlos Fernando Gatti, vive estreita relação com o Brasil e com nossos médicos dermatologistas. Sua memória ½ca ainda mais viva quando ele relembra a década de 1980, época em que realizou um treinamento em dermatologia infecciosa no Departamento de Dermatologia do Prof. Sampaio, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Venho frequentemente ao Brasil participar de inúmeros eventos cientí½cos. Sempre encontro motivos para admirar a excelência na dermatologia brasileira, que tem cada vez mais participação no cenário internacional com jovens entusiastas e ½guras médicas destacadas e reconhecidas. Tenho profunda amizade com muitos colegas brasileiros e agradeço seu constante carinho. Os 100 anos de uma instituição são o re-
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Desa½os & perspectivas – Tribuna livre
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SBD acumulou vitórias e êxitos que enchem de orgulho todos os que por e para ela trabalham. Se voltarmos o olhar para o presente, nosso maior orgulho é o fato de sermos a segunda maior sociedade dermatológica do mundo. E as perspectivas para os próximos anos? De que forma a SBD se apresentará no ano em que completar um século e meio de existência? A entidade vem promovendo desde já discussões que visam delinear os cenários pro-
jetados para a construção de seu futuro e seus possíveis posicionamentos. Nas próximas décadas, a entidade terá de enfrentar desa½os importantes e complexos. Convidamos os médicos Oswaldo Del½ni Filho, Fernando Augusto Almeida, Márcia Ramos-e-Silva, Márcio Rutowitsch, Maurício Martins, Alberto Cox Cardoso, Ival Peres Rosa, e Bogdana Victória Kadunc para compartilhar suas visões de futuro.
Oswaldo Del½ni Gestão estratégica: “A SBD comemora seu centenário dentro do célere século 21 que está voando nas asas da tecnologia e da informação, rumo a um futuro em que conhecimento, competência e quali½cação não poderão mais ser negligenciados, sob risco da exclusão. Além do planejamento, é essencial que se tenha gestão estratégica e tempo para se dedicar às inúmeras questões da entidade. Em relação à SBD, as coisas não são diferentes, pelo contrário, são bem complexas para aqueles que altruisticamente assumem tal responsabilidade. Felizmente, observamos que desde sua fundação os quadros diretivos que por ela passaram, e que nela estão, enfrentaram e enfrentam muitas di½culdades, mas com seriedade e competência mantiveram-na hígida e forte, de forma a atravessar e acompanhar toda essa grande transformação socioeconômico-político-cultural que ocorreu e vem ocorrendo ao largo de sua trajetória.”
Anais Brasileiros de Dermatologia: “Desde que foram lançados, em 1925, seus editores vêm travando grandes batalhas e, ultimamente, obtendo grandes vitórias no que tange a sua indexação e valorização de seu fator de impacto (atualmente B2). Recentemente, acompanhamos o corajoso desa½o e a polêmica gerada para torná-los uma publicação em língua inglesa, com o intuito de aumentar a difusão e referências dos trabalhos de nossos pesquisadores, adquirindo, assim, maior inclusão e prestígio no meio cientí½co internacional, além de consequente ascensão no fator de impacto. Essa é uma grande responsabilidade e uma luta contínua.”
Economia: “É desa½o constante captá-los e administrar toda a economia e o patrimônio da Sociedade, ou mais, organizar congressos para mais de 5.000 participantes, fato inimaginável quando da 1a Reunião Anual Cientí½ca da SBD, no Rio de Janeiro, na década de 1940.”
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Cosmiatria: “Não permitir que a hipertro½a da cosmiatria seja descaracterizada como ato médico dermatológico, cabendo à SBD, como já o vem fazendo, manter a especialidade coesa em torno de todos os setores que disserem respeito a seu órgão de especialidade, que é a pele. Também estamos testemunhando grande desvalorização do trabalho médico, que tem entre outras causas a pletora de mão de obra proporcionada pelas mais de 200 faculdades de medicina existentes e dos vários novos cursos sendo autorizados ou aguardando autorização. Como consequência negativa, temos a não existência de vagas de residência para todos, e sabemos que a
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dermatologia é uma das especialidades mais procuradas. Aquele que não consegue sucesso em um Serviço Credenciado, muitas vezes passa a exercer a especialidade sem a devida quali½cação. Esse é um grande problema e desa½o que tende se agravar no futuro, pois ainda não se visualiza nenhuma solução por parte das autoridades responsáveis. Compete à SBD, sem corporativismos, posicionar-se na defesa ética de seus princípios, valorizando a especialidade e seus especialistas.” Campanhas para a população: “No mundo globalizado em que vivemos, todos anseiam por uma inclusão. Esse fenômeno sociológico não pode ser ignorado. A SBD já age nesse setor com a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (CNPCP), o Dia Mundial da Psoríase, o Programa Pró-Albino etc. É necessário buscar novos projetos e implementar os existentes, tornando, se possível, a inclusão uma via de mão dupla, a SBD se inserindo na sociedade e a sociedade se inserindo na SBD.” Jovens dermatologistas: “O desa½o mais importante, ou o desa½o dos desa½os, é motivar e preparar as futuras gerações gestoras para se comprometerem de forma séria, dedicada e competente na preservação e no desenvolvimento dos propósitos dignos e éticos, que até agora legitimam essa “senhora centenária” como a representante maior da dermatologia brasileira.” Fernando Augusto Almeida, ex-presidente da SBD, gestão 2002/2003: “A terapia celular é a esperança para medicina regenerativa. O conceito das células-tronco está diretamente associado às células embrionárias – considero opção mais adequada a expressão ‘células progenitoras pluripotentes’. Penso serem de extrema
importância o conhecimento médico cientí½co e o estímulo para que novos jovens líderes exerçam suas ações na dermatologia. Acredito que ninguém pode compreender o presente e olhar para o futuro se não estiver atualizado. E na medicina, mais do que em qualquer outra pro½ssão, a atualização não é somente necessária, mas obrigatória.” Márcia Ramos-e-Silva, presidente do 67o Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia: “Durante um século de existência, nossa SBD trabalhou de forma intensa e incansável para melhorar a trajetória histórica da associação, desempenhando um papel importante na solidi½cação dos conhecimentos adquiridos, em especial, nas reuniões anuais que contribuem cienti½camente para o desenvolvimento da dermatologia. É muito importante a ida dos associados da SBD a nossos congressos e a dos não associados também, já que frequentando os encontros e com a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos, os não associados podem perceber a importância da Sociedade e, assim, pensar em fazer parte dela por meio do Exame de Título de Especialista (TED). Nessa jornada para o futuro, a SBD continuará trilhando seu caminho em direção a seu segundo século de existência, sempre norteando, ½scalizando, cuidando e aprimorando a especialidade.” Márcio Rutowitsch, ex-presidente da SBD, gestão 2003/2004: “Nossa Sociedade com 100 anos de existência chegará aos 150 dependendo de nossas ações. Devemos buscar criatividade, inventividade e ousadia. A SBD deverá manter e buscar sempre a excelência de seus pares, como, aliás, vem realizando ao longo de sua existência. Ela tem a obrigação de ser a mais proveitosa para seus associados, razão de sua existência. Deverá posi-
cionar-se sempre no sentido de fazer com que o sócio tenha cada vez mais orgulho de sua Sociedade de especialidade. Os desa½os virão, como é natural na vida, mas os enfrentaremos com grande respaldo cientí½co, com força moral e enorme grandeza transmitida por aqueles que nos antecederam e deixaram um grande legado, para que nossa Sociedade Brasileira de Dermatologia complete seu primeiro centenário e muitos outros.” Mauricio Martins: “Como em outras áreas da medicina, também a dermatologia vem sentindo nas últimas décadas o impacto dos avanços cientí½cos alavancados pela rápida evolução tecnológica. Recentemente, o Laboratório de Biologia Molecular Europeu (Heidelberg, Alemanha) desenvolveu a microscopia a laser 3D, que permite observar a atividade molecular em célula viva e em tempo real. Na sequência, anunciou-se a Microscopia Fotoacústica e, atualmente, a pesquisa em biologia ganha a quarta dimensão, aparelho desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Nature Technology). A comunidade cientí½ca debate temas como a e½cácia e a segurança das nanopartículas em sua distribuição pelo organismo, o papel dos fosfolipídeos funcionais na hidratação e restauração da barreira cutânea, assim como se desenvolvem medicamentos que atuam em ½nos ajustes do sistema imune, entre outras novas terapias. Atualmente, esse é o maior desa½o de nossa especialidade: exige do pro½ssional estudo e atualizações constantes, e, de nossa Sociedade, posicionamentos ágeis e claros a respeito das inovações tecnológicas.” Alberto Cox Cardoso, ex-presidente da SBD, gestão 1998/1999: “Os dirigentes da SBD têm sido pessoas com comportamento ético e moral irrepreensível, trabalhando em Jornal da SBD O 100 anos de história
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prol da entidade e não usando-a em benefício próprio. A diretoria deve continuar dando a assistência aos associados para mantê-los atualizados, lutar junto aos órgãos de classe por remuneração justa para todos, defender o ensino de qualidade, trabalhando para que os cursos caça-níqueis de graduação e de pós-graduação sejam fechados, e mostrando aos sócios que deles não devem participar. O Exame do TED deve continuar sendo rigoroso, pois isso protege a sociedade dos maus médicos.” Ival Peres Rosa, ex-presidente da SBCD, gestão 1991/1992: “A dermatologia atual e a futura vai ser invadida, e isso em decorrência de dois motivos principais. Primeiro, por alguns fabricantes de equipamentos para uso na dermatologia estética que visam apenas ao lucro, vendem ou alugam os aparelhos e drogas injetáveis para quem pagar. Em um futuro muito próximo, estarão ao alcance de todas as pessoas, sendo vendidos em supermercados. Elas comprarão aparelhos similares aos dos médicos e os terão em casa, como se tem escova de dentes. Segundo, porque a dermatologia estética tem interface muito estreita com pro½ssionais de outras áreas não médicas, e já sentimos isso com a propaganda que eles fazem. Colocam faixas nas ruas prometendo o uso de aparelhos e a colocação de substâncias de uso exclusivos dos médicos. A luta que a dermatologia tem para impedir o surgimento de uma especiali-
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dade, a dermatologia estética, e seu reconhecimento pela AMB ao longo dos anos, será como uma guerra perdida. Resumindo, o futuro de todas especialidades médicas dependerá fundamentalmente dos avanços tecnológicos. Esses, sim, ditarão o surgimento de novas especialidades e subespecialidades ou seu desaparecimento. Não mais a clínica e a área anatômica, como foi durante muitos anos. Dentro de uma especialidade, como a dermatologia, um achado fez desaparecer uma subespecialidade. A descoberta da penicilina diminuiu a importância da sí½lis. Por esse motivo, a si½logra½a foi retirada do nome da clínica, ½cando somente clínica dermatológica. Em alguns lugares, trocaram a sí½lis pela cirurgia, ½cando com o nome de dermatologia clínica e cirúrgica. Mas sentimos no momento atual que a genética entrou para ½car. Como diziam muitos colegas na década de 1960, a dermatologia é uma especialidade de porão, porque não ocupava os melhores espaços nos hospitais e também não era valorizada pela sociedade nem pela medicina. Quando alguém que se formava e dizia para família que queria ser um dermatologista os pais diziam: ‘Mas você estudou durante tanto tempo, porque não faz uma especialidade mais importante?’ Se você pertencesse a essa época e só acordasse agora, veria uma mudança extraordinária e descobriria que a dermatologia é a especialidade do momento. A mais procurada da medicina, portanto o exame mais difícil para se entrar na residência médica. Onde tem
riqueza tem interesse. O exemplo mais óbvio é a corrida do ouro. Para esse local se dirigem desde peritos em mineração até pro½ssionais liberais que não têm a mínima experiência no assunto. É o que está ocorrendo com a dermatologia no momento e acontecerá no futuro. Uma invasão, tipo corrida do ouro, em que médicos de outras especialidades, médicos sem residência médica e leigos invadirão nossa especialidade. Porque atualmente criaram aqui no Brasil uma especialidade não reconhecida pela AMB. Nessa especialidade, os médicos dizem ‘sou especialista em coisas que o convênio não paga. Pagou, eu estou fora’.” Bogdana Victória Kadunc, presidente da SBD: “A Sociedade Brasileira de Dermatologia do futuro deve consolidar suas características como entidade guardiã da assistência médica à população brasileira, função em que a troca com suas Regionais, organizações locais e autênticas delegadas da entidade, deve ser a maior possível. Essa união fortalece a SBD e in¾uencia caminhos que estão por vir. A diversidade de pensamentos aliada à gestão institucional forte e dinâmica só faz agregar valor, induzindo a transformações positivas. Alia-se a isso o fortalecimento das relações da SBD com seus Serviços Credenciados, despertando nos jovens residentes as vocações que ajudarão na escolha da atuação nas três áreas que constituem a dermatologia (clínica, cosmiátrica e cirúrgica) e na construção de seus projetos de vida.”