INSPETORIA SANTA CATARINA DE SENA
Inspetoria Santa Catarina de Sena
| Ano 40 | n° 50 | maio junho julho e agosto | São Paulo | SP
Editorial
O Senhor quem conduz a história! Prezados Leitores, O Reino de Deus vai acontecendo entre luzes e trevas, esperanças e medos, alegrias e sofrimentos... Estamos vivendo um tempo delicado de grandes desafios, preocupações, tragédias que, muitas vezes, geram inseguranças e temores, porém, como filhas e filhos de grandes sonhadores: Dom Bosco e Madre Mazzarello é hora de renovarmos nossas utopias e nossos sonhos, pois acreditamos que é o Senhor quem conduz a história! Há muita coisa bonita, solidária e fraterna acontecendo nas comunidades educativas e nas várias presenças onde trabalhamos e atuamos. O nosso tempo é marcado pelo ritmo de Deus que acompanha e orienta nossos passos, deixando seus sinais de salvação. O “Em Família” traz, para vocês, a dinâmica da vida e a beleza de nossa caminhada: fatos, eventos, visitas, encontros, congressos, seminários fruto de nossa paixão pelos Deus da vida e do nosso compromisso de sermos “missionárias de esperança e de alegria”. Louvável são as reflexões feitas por nossas queridas Irmãs e formandas! Agradecemos a elas o empenho no estudo e partilha que, certamente, enriquecerão a nossa mente e o nosso espírito. • Ir. Alaíde Deretti, com sua paixão missionária, faz memória e profecia dos 140 anos da presença das Filhas de Maria Auxiliadora na América do Sul! Madre Yvonne, na circular nº 972, escreve: “Gostaria que vivêssemos a mesma atitude de maravilha e de alegria das nossas primeiras missionárias, por um sonho que se realizava então e que se confirma hoje. Esse sonho é para nós um chamado a nos deixar contagiar por um entusiasmo missionário novo, capaz de manter sempre acesa a coragem e a alegria do anúncio evangélico, entendido como fonte que brota dentro da realidade muitas vezes árida”. • Ir. Olga de Sá ajuda a mergulhar mais profundamente na espiritualidade mariana, trazendo presente os 300 anos de bênçãos do encontro de Virgem Aparecida nas águas do Rio Paraíba! • Ir. Rosalba Perotti, grande apreciadora de nosso saudoso amigo Cláudio Pastro, lembra a sua arte, beleza e fé! Quanta profundidade, mística e contemplação diante de suas obras! • Celene Couto Rodrigues – noviça (BSP), com seu ardor juvenil, aborda a Educação como prática da liberdade em São João Bosco e Paulo Freire: uma análise da pedagogia da esperança por meio do Sistema Preventivo. • Stéphanie Gomes – noviça (BMA), manifesta aquilo que é uma característica tipicamente salesiana: A alegria e, sobretudo a alegria de ser salesiana, pois como diz o canto: “Na vida salesiana existe uma alegria, que é segredo...”! Maria, Estrela da Nova Evangelização e Missionária do Pai, abençoe todos os missionários e missionárias e abra os nossos corações para a audácia e ousadia na missão evangelizadora. Nossa Senhora Aparecida – abençoe nossa Pátria, nossas famílias, nossa comunidades educativas, todo o povo brasileiro que tanto a venera e ama! Um fraterno abraço.
Ir. Helena Gesser Redação, produção e distribuição Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Andréa Pereira Projeto gráfico Andréa Pereira Capa : Banco de Imagens Revisão Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Fotos Inspetoria Santa Catarina de Sena Colaboração Irmãs e Comunidades da Inspetoria Santa Catarina de Sena Contato editorial@fmabsp.org.br
2 | Em Família
EM FAMÍLIA | Ano 40 | nº 50
Centro de Comunicação Marinella Castagno Rua Três Rios, 362, Bom Retiro 01123-000 São Paulo | SP Tel. 55 11 3331 7003 www.salesianas.org.br Em Família é uma publicação formativa, que divulga e informa sobre o cotidiano das comunidades das Filhas de Maria Auxiliadora na Inspetoria Santa Catarina de Sena e suas frentes de trabalhos.
Sumário
CLAUDIO PASTRO
O artista, a Obra e a Fé
ANO MARIANO, NO BRASIL
Irmã Olga de Sá
Relembre e fique sabendo o que aconteceu em nossas comunidades nos meses de maio, junho, julho e agosto programe-se para as próximas atividades. Divirta-se, emocione-se, Em Família.
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140 ANOS FMA
140 anos de Presença das FMA na América do Sul
ENTREVISTA
Entrevista com Ir. Rosalba Perotti
16 2 4 10 26 32 50 50
Editorial Capa Artigo Entrevista Registro É Festa Falecidos
Cartas Grazie di cuore per avermi inviato la Rivista in Família nº49. Appena mi sarà possibile la leggerò e sono sicura che troverò notizie di famiglia molto significative. Dio ti benedica e Maria Ausiliatrice ti sostenga ogni giorno. Un abbraccio con affetto grande. Sr. Yvonne Reungoat Fma Agradeço o envio. Como sempre excelentes textos e notícias. Parabenizo especialmente os que se referem à história do Instituto! Olívia Negreiros
Muito obrigado pelo envio da bela revista em Família. Um abraço e Parabéns. P. Asídio Deretti | Inspetor BPA Que linda a revista. Parabéns pelos seus artigos. Uma revista histórica, super importante. Esses artigos deveriam virar um livro. Poderia fazer um e-book. Ir. Adair Sberga Está muito linda a Revista. Acabei de ler o seu primeiro artigo. Amo a nossa história! Abraços Ir. Nilza Fátima de Moraes maio | junho | julho e agosto 2017 | 3
Capa
O artista, a obra, a fé de Cláudio Pastro Por Irmã Rosalba Perotti
O dia 19 de outubro de 2016, marcou a passagem depois de terminar o curso de Ciências Sociais na definitiva de Cláudio Pastro para a vida que não PUC de São Paulo, assumira a cadeira de “Artes tem fim. No dia 16 de outubro, ele completara plásticas”, inicialmente na FATEA de Lorena e mais 68 anos. A frase da Carta aos Hebreus (11,27) tarde, na FAINC de Santo André. Ficara ligado, “como se visse o Invisível...” , atribuída a Moisés, pela amizade e gratidão, às Irmãs que o apoiaram se aplica à vida deste ‘irrepetível’ artista, que sob e acreditaram nele. Foi um começo modesto, que uma aparência despojada, “clean” (limpo, puro, não deixava prever a trajetória crescente de sua nítido...), assim como ele gostava que fossem arte. Apesar dos poucos recursos, com economias suas obras, se escondia o artista, o místico, o pessoais e ajuda de amigos, viajou, pela primeira homem de fé, o transfigurador de uma realidade vez à Europa, onde ficou cerca de quatro meses, difícil de apreender, que conseguia reproduzir em contato com o rico patrimônio cultural e com rapidez, exatidão e envolvente simplicidade. artístico europeu. Mais tarde, tendo recebido os Cláudio tinha ligações antigas com nossas Irmãs. direitos autorais de dez quadros adquiridos por Ainda totalmente desconhecido, muito jovem, um marchand, de passagem pelo Brasil, fez uma 4 | Em Família
Capa segunda viagem à Europa. Ele se referia também a uma viagem ao México, bastante decisiva para o amadurecimento de seu estilo. (1). Por referências verbais de Irmãs com quem trabalhou, sabe-se que ele tentou a vida contemplativa, mas o prior do mosteiro o desencorajou, apontando-lhe um caminho mais compatível com a expressão de seu talento. Em seguida, ao longo do tempo, produziu obras para vários Países europeus, como vêm documentadas em seu livro: “ Imagens do invisível” (2) Manteve-se sempre muito sintonizado com a vida contemplativa, seja pelos inúmeros mosteiros que decorou ou reformou, seja pela profunda ligação com o Mosteiro das Monjas Beneditinas de Itapecerica da Serra ( SP ) (3). Neste trabalho despretensioso, recorri a algumas fontes de informação, porém, mais que tudo, senti a necessidade de escrever algo sobre ele, pelos contatos que tive a partir de 2008, quando, por ocasião do Centenário da nossa Inspetoria Santa Catarina de Sena, pensou-se em deixar algum objeto ou símbolo, que marcasse a expansão do nosso Instituto no Brasil. Um grupo, encarregado das comemorações, apesar das muitas reflexões e reuniões, não havia chegado a nada de satisfatório para lembrar os 100 anos da Inspetoria-mãe. Então, me ocorreu convidá-lo. Ele veio ao Colégio de Santa Inês, onde estávamos reunidas. Historiei para ele o caminho que estávamos fazendo e a nossa incapacidade de chegar a um símbolo que exprimisse a nossa historia. Ele pensou um pouco e depois disse: “Por que não, uma videira?” Então, parece que o céu se abriu e um anjo bom nos deu a solução desejada. No dia da festa, solenemente celebrada, inauguramos, já colocada no pórtico interno do Colégio, a videira e os ramos, grande videira em ferro batido decorado. A videira é Jesus e os ramos, as várias Províncias que foram surgindo, derivadas da Província-mãe. Ela mostra a expansão do carisma das FMA, no Brasil. Mesmo que amanhã sejamos 3, 2 ou uma só Província no Brasil, a videira, que é Cristo, nunca mudará: Ficará para lembrar que o trabalho de milhares de Irmãs, de ontem e de hoje, continuará a dar frutos em nossa terra. Para a Inspetoria de São Paulo, ele fez também o painel vertical, em azulejos, de Santa Catarina de Sena, nossa Patrona, que se encontra no pórtico de entrada do Colégio com detalhes interessantes com que
Capela das Irmãs, Colégio de Santa Inês, Salesianas, SP maio | junho | julho e agosto 2017| 5
Capa enriqueceu a imagem (4) Na Capela central, desenhou o altar, o ambão e as colunas de Dom Bosco e Madre Mazzarello. Pouco mais tarde, durante a reforma dos ambientes da Comunidade da Casa Inspetorial, decorou a Capela das Irmãs, no pavimento superior (5). Pouco depois ainda, reformou totalmente a Capela da Casa Santa Teresinha, no Alto da Lapa (6) e fez também a Capela do Noviciado, no local da Casa de Formação. Deixou uma obra primorosa na entrada da mesma Casa Santa Teresinha: o trítico sobre as “Bodas de Caná (7). Quase todas essas obras, acham-se documentadas no livro acima citado. Fora da Capital, deixou em Lorena, na FATEA, em anos passados, o painel de Santa Teresa, no jardim de entrada da Faculdade (8) e mais recentemente, talvez sua última obra: a reforma da Capela da mesma FATEA, de Lorena. Quando eu podia, ia à Missa das 10h aos domingos, na Capela do Pátio do Colégio (9). Apesar da crítica dos saudosistas mas, com o apoio dos Jesuítas, ele refez completamente a decoração da antiga Capela, que nada tinha de histórico. Vale a pena conhecê-la! Uma verdadeira joia de sua arte. Quando estava em São Paulo, ele participava desta Missa, onde a celebração e os cantos são extremamente cuidados, a palavra do Reitor, Pe. Carlos Alberto Contieri, é inspirada e forte e onde os casais jovens se encontram para partilhar a fé. Cláudio gostava de coisas essenciais e demonstrava seu desagrado pelas inovações subjetivas, na liturgia. Então, era de uma sinceridade quase rude, de quem era coerente consigo mesmo e, por amor à verdade, dizia o que pensava. Quando entramos em contato, em 2008, ele já estava em pleno trabalho na Basílica de Aparecida (10). Tinha o prazo de acabar tudo para o início de 2017 e sabia que os tempos eram curtos. Em uma das primeiras vezes em que conversamos, ele me falou de sua doença . Tendo sido convidado por Dom Aloísio Lorscheider para fazer a decoração da Basílica Santa Catarina de Sena, Colégio de Santa Inês, Salesianas, SP 6 | Em Família
de Aparecida, sentia o grande desafio de assumir uma obra grandiosa em tamanho e importância com uma saúde tão
Capa
Santa Teresa de Jesus, UNIFATEA, Salesianas, Lorena
abalada, como era a dele. Diante da responsabilidade por uma obra imensa, desproporcionada para suas forças, ele se lançou de joelhos, chorando, diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida e lhe disse: “Mãe, se devo assumir essa obra, que é sua, dê-me saúde para que eu possa trabalhar”. Pouco depois um amigo ofereceu-se para doar uma parte do próprio fígado, para o transplante. O segundo “milagre” foi a compatibilidade do órgão doado com o seu, portanto, o êxito da operação. Estes últimos anos, foram de intenso trabalho, viagens contínuas entre São Paulo e Aparecida, sem deixar outros compromissos, inclusive no exterior. Ele falava com entusiasmo, de uma obra feita em Wethengart, na Alemanha, a pedido de sua amiga, a S.ra Elisabeth Begert e do Prefeito da cidade. É uma enorme estátua em aço, do “Peregrino de Santiago de Compostela”, também reproduzida no já citado livro (11) que traz, inclusive um esboço, que ele mandou a Elisabeth, com várias observações de próprio punho. Era uma alma universal, pela comunhão profunda com Deus, pela “mundial idade” de sua linguagem. Usava os mais variados materiais, os mais inesperados recursos, as mais ousadas técnicas para expressar a riqueza de sua interioridade, profundamente cristã e eclesial. Diria melhor: ecumênica, pois a Beleza
Trítico sobre as Bodas de Caná Casa Sta. Teresinha, Salesianas maio | junho | julho e agosto 2017| 7
Capa
Capela da Casa SantaTeresinha, Salesianas, SP
é imediatamente compreendida e a Verdade, aceita por todos aqueles que a procuram retamente. Neste particular, há algumas semanas atrás, encontrei-me com a arquiteta Regina Sasso, que me disse ter feito o projeto da Capela do Centro Ecumênico, no Shopping Morumbi, decorada por Claudio Pastro. A parceria resultou em uma obra que impressiona pela simplicidade, pois consegue exprimir o essencial, o transcendente com formas, matérias e linhas simples e despojadas ,mas muito expressivas. Agrada muito a um público eclético como pode ser o dos visitantes de uma grande loja da zona sul da cidade de São Paulo. Assim ele escreve, no livreto que introduz o conjunto da obra :arquitetura e decoração, em síntese bem sucedida. Cada um, independente de crença, sente-se aí representado: “ Porque a vida não é gerada por nós mesmos porque ela nos ultrapassa, existem as religiões. As religiões são manifestações de eternidade, além do imediato, do corriqueiro e nos apontam para a sublimidade da vida. O valor é a vida. Apontar para o além é resgatar o aquém. Pensando assim, O Morumbi Shoppings, oferece o Centro Ecumênico, como um lugar de silêncio, repouso, reflexão e oração, para o bem viver de todos.” (12) Nessa obra, uniu-se a experiência de Regina Sasso, como arquiteta, programadora dos espaços e Cláudio como o artista que reproduz, em formas e cores, os elementos comuns a todas as religiões. Resultou, como ele se propunha, uma obra “mistagógica”, ou seja: que introduz, mesmo o visitante mais desavisado, na esfera no “mistério”. Claudio Pastro deixou, portanto, inúmeras obras documentadas em vários livros, além de ter desenhado muitos objetos de arte sacra a serviço 8 | Em Família
Capa da liturgia, também documentados na parte o papel determinante de Maria no Mistério final da obra que estamos citando (13). Porém, a da salvação, a presença benfazeja de Anjos e obra-prima de Cláudio, será sempre a Basílica de Santos, que povoam suas obras. Tudo, refletido e Aparecida. Vendo-a, em seu conjunto, penso que interiorizado, leva ao louvor, ao agradecimento, sintetize toda a riqueza de sua produção passada. à contemplação. Hoje ele está “face a face” com Tudo, na decoração é fruto de sua genialidade. Aquele que ele colocou no centro de sua vida e Supomos, sem errar, que milhares e milhares de de suas obras. pessoas tenham participado da realização de seus
“O Espírito e a Esposa dizem: Amém, vem Senhor
modelos: artesãos da madeira, do azulejo, do ferro, Jesus!“ (Ap22) da pedra, do vidro, dos metais... artistas brasileiros
“Felizes os convidados para as núpcias do
acostumados à sua precisão, artesãos italianos Cordeiro. “ (da liturgia eucarística) dos famosos cristais de Murano, responsáveis
1) Toda Egidio Shizuo- “A arte sacra de pelos milhões de pequenos mosaicos coloridos Cláudio Pastro na Basílica de Aparecida e sua que cobrem os quilômetros quadrados da cúpula contemporaneidade, história, cultura, e leitura de central, fabricados e colocados pelos especialistas suas obras” – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2013.p.58 e ss. vindos da Itália para este enorme trabalho. Foi 2) Pastro Cláudio, “Imagens do Invisível”- Loyola, um investimento colossal, sem dúvida, mas com São Paulo, 2013. um retorno seguro na apreciação dos cerca 12 3) o.c. Mosteiro N.Sra. da Paz, Monjas Beneditinas, Itapecerica da Serra, SP, p.08-25 milhões de peregrinos que passam anualmente 4) o.c. “Santa catarina de Sena”, Colégio de Santa pela Basílica e rezam na “maior Basílica mariana do Inês, Salesianas, SP, 2008.p.98-99.5º.c. mundo.” Os motivos presentes na Basílica, entre 5) o.c.Capela das Irmãs, Colégio de Santa Inês, Salesianas, SP.2012.p.p.100-101. outros: as ondas, os peixes, o lírio, o Cordeiro... 6) o.c Capela da Casa S.a Teresinha, têm reminiscências bíblicas e marianas. Aliás, o Salesianas,SP.p.102-103. 7) o.c.Trítico sobre as Bodas de Caná, Casa Sta. quê, na Basílica, não reflete a Palavra de Deus, a Teresinha, Salesianas, SP.102-103. tradição milenar da Igreja, a verdadeira e simples 8 ) o.c. Santa Teresa de Jesus, UNIFATEA, Salesianas, piedade mariana? Penso que poucas ou talvez Lorena . SP., 2005, p. 92-97. 9) o.c. Capela do Páteo do Colégio, Padres Jesuítas, nenhuma outra basílica, tenha sido pensada e SP. 2009, p.336-353. realizada por um único artista. Tudo na Basílica 10)o.c. Basílica de Aparecida, Aparecida SP. P.400(salvo os dois painéis laterais das Capelas do 443. 11) o.c. O Peregrino de Santiago de Compostela, Santíssimo e de São José) não são dele. Até os Alemanha, p. 274-279,2006. menores detalhes refletem o seu estilo. 12)Sasso Regina- “Centro Ecimênico Morumbi”, pro Deus o chamou no melhor momento, não manuscrito. (texto e fotos) 13) Pastro Claudio, o.c. “Imagens do Invisível”, para nós, mas certamente para ele. A Jerusalém Objetos sacros, s.d. p. 444-507. celeste abriu suas portas para quem deixou
vestígios de infinito em tantos lugares sagrados, ajudando a reafirmar a centralidade de Cristo, maio | junho | julho e agosto 2017| 9
Artigo
140 anos da presença das Filhas de Maria Auxiliadora na América do Sul Por Irmã Alaíde Deretti fma
Dia 14 de novembro, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora celebra os 140 anos da primeira Expedição Missionária para a América do Sul, com destinação ao Uruguai, fruto do coração missionário de Dom Bosco e de Madre Mazzarello. Todas as comunidades das Filhas de Maria Auxiliadora, espalhadas nos cinco continentes, viveram em 14 de novembro de 2016 a inauguração oficial do ano que celebra o 140º aniversário da primeira Expedição Missionária das FMA. Com o envio das primeiras seis FMA, o espírito de Mornese curzou o oceano para o desconhecido “mundo novo”, e, além dos confins da Europa, o carisma de Dom Bosco e de Madre Mazzarello encontrou uma terra fecunda e hospitaleira para crescer e fazer-se dom de graça e de bênçãos. Na América do Sul, as FMA deram alegria e esperança a uma multidão de crianças, jovens, mulheres, famílias, migrantes... No Uruguai, as primeiras Irmãs viveram o ser missionárias de esperança e de alegria, e as suas mãos tornaram-se industriosas porque traziam no coração a herança dos fundadores: um forte impulso missionário! O ano de preparação ao 140º 10 | Em Família
aniversário tem um belo percurso de envolvimento das comunidades educativas, com uma única meta: formar uma Grande Exposição Missionária. Papa Francisco reitera com frequência que sonha e deseja uma “Igreja em saída”. Também o Instituto das FMA sonha e deseja ser, com a Igreja e na Igreja, um Instituto “em saída” missionária. Portanto, a grande expedição missionária tem como ponto de chegada reunir os diversos grupos missionários, os grupos da Infância e Adolescência Missionária (IAM), o Voluntariado Missionário, as Ex-alunas/os, todas as FMA e, de modo particular, as FMA missionárias ad gentes. O augúrio é que nenhuma FMA e nenhum dos diversos grupos fique fora dessa expedição missionária! Todos estão convidados a prepararem-se com alegria para partir...embora permanecendo no mesmo lugar de missão onde se encontram no momento presente. Abramos a mente e o coração em direção ao horizonte da missão e respondamos SIM ao chamado do Senhor que se renova ao amanhecer de cada novo dia. Não é necessário levar grandes bagagens...é suficiente ter um coração aberto, um
Artigo olhar amplo, sem fronteiras, que nos permita ser, com os jovens, missionárias e missionários de esperança e de alegria. Basta-nos despertar em nosso coração o fogo e o dinamismo do “Da mihi animas cetera tolle” e do “A tias confio” para suscitar uma resposta alegre e credível. Este forte impulso missionário tem suas raízes no coração de nossos fundadores: Dom Bosco e Madre Mazzarello que, no dia 14 de novembro de 1877, viram partir de Gênova, na Itália, para o Uruguai, seis FMA ainda jovens, sem uma preparação especial: Ir. Angela Vallese (23 anos), Ir. Giovanna Borgna (17 anos), Ir. Angela Cassulo (25 anos), Ir. Angela Denegri (17 anos), Ir. Teresa Gedda (25 anos) e Ir. Teresina Mazzarello (17 anos). Mesmo sendo muito jovens de idade e de profissão religiosa, todas já tinham selado no próprio coração um Sim que se traduziu em coragem, em desapego sereno, em resposta alegre à missão ad gentes. Entre os episódios que marcaram a primeira expedição missionária, encontramos um muito simpático, mas também muito significativo, colhido da Cronistória (volume II): “Pouco depois, enquanto estão ainda todos ao redor dos Superiores para estes últimos momentos de despedida, apresenta-se Dom Cagliero com uma linda pintura sobre um quadro: Maria Auxiliadora que tem nos braços um gracioso Menino sorridente. “Roubei na Sacristia de Valdocco – disse brincando – o roubei para vocês. Foi pintado por um Senhor que sofria um mal nos olhos e estava para tornar-se cego. Recorreu a Dom Bosco o qual, depois de tê-lo ajudado um pouco a conduzir o pincel sobre a tela, o abençoou. Naquele momento, o homem ficou perfeitamente são e nos deu de presente esta Nossa Senhora assim tão bonita. É portanto, um quadro milagroso: nos dá alegria só em vê-lo! Dom Bosco o abençoou novamente e o enviou às missionárias. “Levai-o, e que Nossa Senhora vos abençoe e vos acompanhe na vossa viagem.” Esta pintura de Maria Auxiliadora com o Menino que sorri encontra-se ainda hoje em Villa Colón (Montevidéu, Uruguai), justamente na Capela Inspetorial da Inspetoria Imaculada Conceição. É bonito constatar que as primeiras jovens missionárias partiram em boa companhia! E o Menino que sorria
já em 1877 porque estava feliz de poder atravessar o oceano e ir ao encontro de tantos jovens, de tantas pessoas desejosas de ‘vida e vida em abundância’, sorri ainda hoje... Ao mesmo tempo em que o Instituto das FMA celebra os 140 anos da primeira Expedição Missionária, as FMA do Uruguai celebram os 140 º aniversário de presença naquela Nação. Partilhamos um testemunho vindo da Inspetoria Imaculada Conceição (URU) que se refere às ‘pegadas’ deixadas pelas seis primeiras missionárias naquela realidade. “Em Uruguai tivemos o privilégio de receber o primeiro grupo de Irmãs missionárias que deixaram Mornese em 1877, e também as Irmãs da segunda expedição missionária de 1879, que viveram e foram formadas à escola de Maria Domingas Mazzarello e da primeira comunidade. Que ‘pegadas’ deixaram? A primeira é a simplicidade de vida, a simplicidade mornesina que tornava possíveis a familiaridade nas relações interpessoais, a aproximação e a espontaneidade. Isto se manifesta claramente nas cartas que as primeiras missionárias escrevem a Madre Mazzarello. A simplicidade lhes permitiu viverem com alegria o trabalho sacrificado e a pobreza daqueles tempos. Além disso, também um forte sentido de pertença ao Instituto, o amor a Dom Bosco e a Madre Mazzarello. É notável que, apesar dos poucos meios daquele tempo, elas permaneceram fiéis ao carisma e também o enriqueceram com as características da nossa própria cultura. E não somente isso: conseguiram transmiti-lo às novas gerações e aos jovens. Sim, os jovens do Uruguai ainda hoje vibram pelo carisma e pela espiritualidade salesiana, também, eles se sentem ‘filhas e filhos’ de Main”. Portanto, esperamos todas e todos, juntos, para participarem da Grande Exposição Missionária , dia 14 de novembro 2017, levando nas mãos e no coração os frutos do caminho missionário feito de gratidão, de fidelidade e de profecia: “Com o olhar sem fronteira, junto aos jovens, missionárias de esperança e de alegrial!”. Artigo publicado no BOLETM SALESIANO – ano 67-julho de2017 maio | junho | julho e agosto 2017| 11
Artigo
A educação como prática da liberdade em São João Bosco e Paulo Freire: uma análise da pedagogia da esperança por meio do Sistema Preventivo Celene Couto Rodrigues Noviça BSP Educar para a liberdade é remar contra a maré de um sistema influenciado pelas grandes mídias e veículos de comunicação e é andar com Jesus na contramão, como afirma Carlos Mesters em um de seus livros. O conceito de liberdade vem do latim “Libertas” e está relacionado com “o direito de proceder conforme nos pareça, contando que esse direito não vá contra o direito de outrem”, também relacionado com ousadia, franqueza e disposição interior. Paulo Freire, grande educador brasileiro, vai além da ideia de liberdade como conceito ou como aspiração humana, mas aponta-nos para um conceito de liberdade instaurado na historicidade do ser humano. Afirma que a educação, como prática de liberdade, trata-se de um desafio da história presente pois, é a afirmação da liberdade e obriga-nos a reconhecer o 12 | Em Família
fato da opressão, do mesmo modo que percebemos a luta pela libertação. Nesse sentido, a letra da música “Profeta dos jovens” do Padre Osmar Besutte nos recorda que “Houve um homem chamado por Deus que foi grande no meio dos seus...”, grande, pois soube em seu tempo perceber a opressão vivida pelos jovens de Turim nos anos de 1800 e foi, por dom de Deus, resposta de libertação e salvação para esses meninos, proporcionando - a eles - uma educação evangelizadora e revolucionária que permitiu, continua permitindo e realiza até hoje, uma verdadeira mudança na vida de muitos jovens através por meio de um método e espiritualidade próprios, o Sistema Preventivo de Dom Bosco. A primeira semelhança que percebemos em Dom Bosco e Paulo Freire é que os dois estavam muito
Artigo bem alicerçados na realidade de seu tempo, ou seja, estavam inseridos no contexto em que viviam, observavam os jovens e suas realidades. Dom Bosco, em Turim de 1800 diante do grande número de jovens pobres e abandonados e, Paulo Freire, no Nordeste brasileiro de 1960, observando a problemática de jovens e adultos analfabetos. Como resposta aos problemas observados, ambos foram protagonistas, ponta de esperança e de mudança de vida para seus destinatários nas realidades e lugares que seus legados alcançaram. Imaginemos o quanto tem de opressor para uma pessoa não saber ler nem escrever. Não ter esses conhecimentos e habilidades desenvolvidos, limitam as ações para compreender e se posicionar no mundo. Lembremos Maria Domingas Mazzarello que, embora soubesse ler, pois aprendera com o Pai, aprendeu a escrever quando já era a superiora do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora porque sentia a necessidade de se comunicar com as Irmãs que estavam longe, acompanhando-as bem de perto com seus escritos. Hoje, suas cartas são as maiores fontes autorais para estudarmos e aprofundarmos sua espiritualidade. A realidade observada por Paulo Freire foi essa: no Nordeste brasileiro de 1960 existiam mais de 15 milhões de analfabetos em uma população de 25 milhões de habitantes. Então, iniciou um movimento pedagógico popular, solidário à ascensão democrática das massas e onde contou com a ajuda de muitos colaboradores. Os dados mostram que, em dois anos, mais de 2,5 milhões de pessoas foram alfabetizadas (1992). Dom Bosco, ao contrário de Paulo Freire, não teorizou um método, mas desenvolveu espacial e espiritualmente o Sistema Preventivo com características próprias, percebendo as necessidades dos jovens pobres e abandonados, iniciando os oratórios como proposta para os jovens percorrerem o caminho do bem.
Sua inquietação ocorreu ao presenciar um grande número de jovens detidos nos cárceres em Turim, onde percebeu como necessitavam de um pastor que cuidasse e se importasse verdadeiramente por eles. “Quem sabe, se tivessem lá fora um amigo que tomasse conta deles, os assistisse e instruísse na religião nos dias festivos, quem sabe não se poderiam manter afastados da ruína ou pelo menos não diminuiria o número dos que retornam ao cárcere” (MO,2001). Assim, Dom Bosco, do mesmo modo, ao observar o grande número de jovens nas ruas de Turim, inicia o oratório como resposta ao seu grande desejo, de afastar os jovens dos perigos oferecidos pelas cidades, visando, sobretudo a salvação da juventude. O Oratório de Dom Bosco era caracterizado por assumir aqueles jovens em suas necessidades reais de trabalho, profissionalização, autoconhecimento, possibilidade de projetar a própria vida, por sentiremse acolhidos e amados, pois formavam uma verdadeira família. Para Paulo Freire, pedagogia e política andam juntas, portanto, a educação é libertadora e deve ser concebida como modo de destino do homem, ou seja, deve propiciar a autonomia do homem para que possa ser livre interior e socialmente. Para isso, teve, como ponto de partida, o trabalho no Círculo de Cultura assumindo e incentivando a liberdade e a crítica como modo de ser do homem. Para ele, o aprendizado só pode se efetivar no contexto livre e crítico das relações que se estabelecem entre os educandos e o educador. Assim, o círculo consiste em um grupo de trabalhos e de debates onde seu interesse central é o debate da linguagem, no contexto de uma prática social livre e crítica, ou seja, a alfabetização dos jovens e adultos é apenas o instrumento para a conscientização e análise crítica da sociedade e não um fim que se esgota em si mesmo. Liberdade e crítica não devem se limitar às relações internas do grupo, mas necessariamente se maio | junho | julho e agosto 2017| 13
Artigo apresentam na tomada de consciência sobre a própria realidade vivida. Sendo assim, a “ideia de liberdade só adquire plena significação quando comunga com a luta concreta dos homens por libertar-se” (1968) abrindo caminhos à expressão das insatisfações sociais. Já, para Dom Bosco, educação e evangelização são sinônimos, educa-se evangelizando e evangelizase educando e, por isso, era preciso ensinar o jovem a ser um bom cristão e um honesto cidadão, possibilitando-o a se descobrir como agente de transformação de sua própria vida, da dos outros e com os outros, pois o bem contagia o bem. O ponto central de semelhança entre Dom Bosco e Paulo Freire está na intencionalidade da ação educativa. Aqui percebemos a convergência entre ambos, pois enxergam suas ações não como ações com fim em si mesmas, mas, como instrumentos e pontes para algo maior: alcançar a liberdade interior para ser livre na vivência em sociedade. Em Dom Bosco, acrescente-se: abrir-se à graça de Deus para serem felizes “no tempo e na eternidade”. Saber ler e escrever ou ter uma profissão eram apenas os pretextos de ambos para educar os jovens e adultos criticamente.
Dom Bosco não só encontrou a corda que vibrava no coração de seus jovens como fez lindas canções por meio de uma verdadeira mudança na vida de cada um deles com uma proposta transformadora baseada em trabalho, piedade e alegria. 14 | Em Família
Para Paulo Freire, o caminho para se alcançar a liberdade e deixar de ser apenas um número nas pesquisas dos problemas sociais para ser um homemsujeito de fato, consistia em uma educação para a decisão, para a responsabilidade social e política por meio de uma pedagogia da esperança que leva o sujeito analisar suas possibilidades do presente, a sonhar um futuro e a mudar verdadeiramente de vida, pois reconhece e assume ontologicamente sua vocação: a de ser pessoa atuante e transformadora do e no mundo. Essa pedagogia da esperança de Paulo Freire coincide com o que Dom Bosco, um século antes, afirma, tantas vezes, sobre ter um olhar otimista sobre a vida, que só é possível devido a amorevolezza como um dos elementos da prática educativa. A amorevolezza é o que chamamos de cordialidade, amabilidade, carinho e amor. Uma única palavra com um arcabouço enorme de significados e símbolos. Somente quem faz a experiência de afeto e familiaridade, quem tem com quem e aonde partilhar alegrias, dificuldades e dores consegue ter um olhar de esperança sobre o futuro. A experiência de ser amado é fonte primeira para tornar a pessoa capaz de amar sem interesses. Por isso, Dom Bosco ressaltava por meio da afirmação que “os jovens não só devem ser amados, mas devem saber que são amados”, pois somente vivendo gratuitamente os afetos, conseguem sentir-se livres para assumir quem realmente são: aceitando-se a si mesmos, acolhendo e amando as manifestações da vida, realizando a arte de viver numa abertura, cada vez maior, aos outros e na busca de sentido para a própria vida pautada na experiência fundante e transformadora com o Transcendente. Nessa perspectiva, podemos afirmar que conhecer é interferir na realidade conhecida e que o diálogo é indispensável para um caminho de tomada de consciência do ser sujeito. Para Paulo Freire, o diálogo é a primícia da ação pedagógica e todo processo educativo acontece a partir dele e por ele. Em um processo dialógico e dialético serão construídos e desconstruídos pensamentos, ideias e ações nos educandos. O diálogo em Paulo Freire pode ser traduzido dentro do Sistema Preventivo de Dom Bosco como a assistência-presença do educador na prática educativa. Um educador salesiano precisa ser consciente do jeito salesiano de educar. É preciso estar
Artigo
O diálogo em Paulo Freire pode ser traduzido dentro do Sistema Preventivo de Dom Bosco como a assistência-presença do educador na prática educativa. Um educador salesiano precisa ser consciente do jeito salesiano de educar. É preciso estar com o jovem, aproximar-se dele, ouvir seus anseios e inquietações. com o jovem, aproximar-se dele, ouvir seus anseios e inquietações. Segundo Dom Bosco, o coração é mais do que um órgão do nosso corpo, mas, uma parte central e essencial do nosso ser. Por isso, a nossa ação educativa deve partir do pulsar mais íntimo do nosso coração para que possamos conquistar o coração dos jovens, aproximando-nos deles como amigos e não como superiores, mas com doçura e mansidão corrigi-los, orientá-los e ajudá-los a percorrerem verdadeiramente um caminho de santidade, traduzido como a cotidianidade da vida trilhando com eles um caminho de verdadeira felicidade. Dom Bosco não só encontrou a corda que vibrava no coração de seus jovens como fez lindas canções por meio de uma verdadeira mudança na vida de cada um deles com uma proposta transformadora baseada em trabalho, piedade e alegria. Uma vez abraçada essa proposta, os jovens abandonados, sem casa e sem perspectivas de futuro, tornaramse pais de famílias, trabalhadores honestos, sacerdotes, religiosos e religiosas, mas, sobretudo homens e mulheres de bem que, ao serem amados e acompanhados, puderam traçar seu projeto de vida e trilhar seu próprio itinerário de salvação, ajudando na construção de uma civilização do amor onde o
valor da essencialidade do ser (pessoa, sujeito) era o sentido mais profundo da comunhão, o que Paulo Freire chama do sentido pleno da liberdade. Por meio de uma linguagem tipicamente salesiana, podemos afirmar, que Paulo Freire, encontrou, naqueles jovens e adultos analfabetos “a corda que vibra”: o desejo de serem alfabetizados, onde o “aprendizado da escrita e da leitura como uma chave com que o analfabeto iniciaria a sua introdução no mundo da comunicação escrita”(1997) e seu posicionamento na sociedade. A partir desse ponto, o analfabeto – agora alfabetizado – iniciava um processo de mudança de suas atitudes anteriores, baseado em sua autonomia e protagonismo, um verdadeiro processo de conversão pessoal e social (e por que não pastoral?). Encerrando, podemos afirmar que os frutos das ações desses dois grandes educadores, que foram colhido, continuarão a serem colhidos, pela sociedade, por meio da diminuição do número de analfabetos no Brasil, na América Latina e em todos os lugares onde o método proposto por Paulo Freire foi se expandindo. E, também, pela vivência e expansão do carisma salesiano, em todo o mundo, milhões de jovens ainda são e serão atingidos por esse prodigioso Sistema que Deus inspirou a Dom Bosco. Referências Bibliográficas BOSCO, Dom João. Memórias do Oratório de São Francisco de Sales. São Paulo: Editora Salesiana,2001 Dicionário de Latim-Português. Porto Editora, 2008 FERREIRA, Antonio da Silva (introdução, notas e comentários) Não Basta Amar: A Pedagogia de Dom Bosco em seus escritos. São Paulo: Editora Salesiana, 2008 FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. _________. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968. _________. Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. _________. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. MESTERS, CARLOS. Com Jesus na contramão. São Paulo: Paulinas, 1995. SCARAMUSSA, Tarcísio. O sistema preventivo de Dom Bosco: um estilo de educação. São Paulo: Editora Salesiana Dom Bosco, 1984. Fontes On line: Boletim Salesiano http://www.boletimsalesiano.org. br/index.php/salesianidade/item/207-dom-bosco-e-oprimeiro-orat%C3%B3rio acesso em 19/03/2017
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Projeto Jerusalém Por Irmã Lucia Maistro “Todo Jubileu faz nascer algo novo”, foi a fala de Ir. Ibtissam Kassis ao narrar a história da presença das FMA na Terra Santa. Podemos dizer, que há algo que une o Brasil e a Palestina nessa história: o chamado para “avançar a águas mais profundas”, no serviço Missionário de Evangelização e Educação da Juventude. Há 125 anos as Irmãs Salesianas chegavam a Belém – terra em que Jesus nasceu e, há 125 anos chegavam a Guaratinguetá – primeira casa do Brasil - para anunciar este Jesus que nasceu para nos salvar! “Eis que realizo uma nova obra, que já está para acontecer. Não percebestes ainda? Is 43,19. Conta a história que o sonho de fundar uma casa Salesiana das FMA na Terra Santa, nasceu do coração missionário e apaixonado de Madre Catarina Daghero que partilhou com suas filhas:”Como gostaria que tivesse uma casa em Jerusalém”! Podemos dizer que a Terra Brasileira também fez parte desse sonho e, temos a alegria e o compromisso de, ao celebrar o jubileu de 125 anos de fundação, fazer nascer uma Obra Nova...que já está acontecendo com a Nova Configuração! Que Madre Catarina Daghero interceda junto a Jesus pela Inspetoria do Médio Oriente, que passa por momentos de grandes desafios missionários e interceda pelo Brasil para que, em nossa ação missionária evangelizadora, nossa Pátria seja, de fato, a Terra de Santa Cruz! Nesse 20º Projeto Jeusalém, 18 Irmãs de diferentes países, firmaram seus pés em Jerusalém para reler a Palavra de Deus e percorrer as estradas por onde Jesus andou. Nossa Coordenadora, Ir. Mercedes Martín León (espanhola) muito animada e atenta a todas as necessidades das diferentes etnias e nações; as Professoras, Ir. Maria Ko (chinesa) e Ir. Mimica Oblak (eslovênia), docentes da Faculdade Auxilium - FMA - Roma, especialistas na Sagrada Escritura e na geografia da Palestina, nos orientaram com profundidade em uma forte experiência bíblica, sustentada pelo estudo, pelas visitas guiadas, pelas experiências de oração nos lugares santos, em contato com as diferentes religiões e em verdadeira imersão na tradição viva da fé de milhares de peregrinos que ao longo da história, deixaram naqueles lugares o seu testemumho. Com a Comunidade residente, pudemos fazer uma bela experiência de Vida Comunitária, partilhando com elas as dificuldades e as alegrias do dia a dia de uma Casa, que tem como missão a acolhida de peregrinos na Terra Santa. A Inspetora do Médio Oriente, Ir. Lina Abou Naqum, partilhou conosco as experiências que vivem, como resposta a uma Nova Configuração da Inspetoria do Médio Oriente, que abrange cinco países: Israel, Líbano, Egito, Síria e Jordânia. Entre as novas mudanças, a Casa das FMA de Jerusalém, que até 2016, funcionava, também, como Escola Infantil, a partir desse ano, após várias reformas, 16 | Em Família
Artigo será somente Casa de Acolhida aos Peregrinos. Para isso, a Madre e o Conselho Geral, desejam que a residência tenha uma Comunidade estável para atender a esta finalidade. Assim, as Irmãs Mercedes e Mimica, passaram a fazer parte da Comunidade de Jerusalém. A Madre tem convidado Irmãs de vários países para dar um tempo de serviço nessa Obra. A finalidade primeira dessa Casa é oferecer às FMA a riqueza do Projeto Jerusalém e, agora também - como o Projeto Mornese e o PEM - oferecer aos Educadores Leigos das nossas Obras Educativas Salesianas, a oportunidade de ricas experiências de Formação e Oração, em Jerusalém, além de acolher peregrinos em geral. Retomando as palavras de Ir. Maria Nieves Reboso – Conselheira para Fomação -em sua carta/convite para o 20º Projeto Jerusalém, confirmo que, convidadas a ir para Jerusalém, com atitude de peregrinas e espírito de oração, nos deu a certeza profunda de encontrar um Deus que nos precedeu, que se colocou a caminho sobre a estrada do homem, um Deus que se fez nosso companheiro de viagem. Fomos à terra da Bíblia para ler a Bíblia e nos apaixonar!.É a Bíblia que torna a história de um povo uma história de salvação. Como Maria, caminhamos ao longo dos caminhos percorridos por Jesus “guardando tudo em nosso coração” (cf. Lc 2, 51), para retornar enriquecidas pela experiência de um encontro que nos encheu de misericórdia, de esperança e alegria que deram a este momento das nossas vidas, a confirmação de que somos chamadas a anunciar o Evangelho de Jesus com a mesma paixão missionária de nossos fundadores. As atitudes pessoais e comunitárias de escuta e aceitação da diversidade; o deixarme tocar por Jesus-Palavra que caminha ao nosso lado; a possibilidade de releitura da própria vida que é história de salvação; o desejo profundo de anunciar Jesus, para que se torne, para todos, experiência de transformação, será a maneira de dizer ‘obrigada’ como resposta a esta experiência que me foi concedida. Obrigada a Deus, à Madre e seu Conselho, à Inspetora Ir. Helena Gesser e Conselheiras, à minha querida comunidade, por este rico presente do Projeto Jerusalém, que me possibilitou a renovação do sim, dado no seguimento de Jesus, como FMA. Caminhando em sua terra, fazendo experiências ricas de oração, nos lugares por onde passaram Jesus e Maria, nunca estava sozinha. Trazia no coração todas as pessoas que Deus colocou na minha vida; pessoas que constroem comigo a minha história e que me revelam o rosto do Pai, em Jesus. A experiência feita na gruta do Sim de Maria, dentro da Basílica de Nazareth e a longa caminhada, de 150 km, até Ain Karim - para o encontro com a prima Isabel - onde brotou o canto do Magnificat, foi uma peregrinação feita em comunhão com todas as FMA. Juntas, “procuramos fazer nossa a sua atitude de fé, de esperança, de caridade e de perfeita união com Cristo, e nos abrimos à humildade alegre do Magnificat para sermos, a seu exemplo, “auxiliadoras”, principalmente entre os jovens.” (Const. 4) “E agora, os nossos pés já se firmaram diante de tuas portas, ó Jerusalém”. Sl 122, 2 que tem tema frase: Tua Palavra é lâmpada...e os dias do Projeto.
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Ano Mariano, no Brasil Por Irmã Olga de Sá
Instituído pela CNBB em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de N. Sra. da Conceição Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, iniciado aos 12 de outubro de 2016, será encerrado no dia 11 de outubro de 2017. Segundo o texto de Maria Ko e Piera Ruffinato, A mão de Deus trabalha em ti, a dimensão mariana é constitutiva de nossa identidade como FMA. Em nossas Constituições, art 1, se diz que o Instituto surgiu “por uma intervenção direta de Maria”. Nosso próprio nome expressa claramente essa marca: Filhas de Maria Auxiliadora. No art 44 dessas mesmas Constituições aparece a firme convicção de que Maria está sempre “ativamente presente em nossa vida e na história do Instituto.” Em nosso relacionamento pessoal com Cristo, Maria é “modelo e guia”, presença viva em todas as etapas da formação. João Paulo II na carta encíclica Redemptoris Mater, de 25 de março de 1987, diz que Maria “desde os 18 | Em Família
primeiros capítulos do Gênesis até o Apocalipse, acompanha a revelação do desígnio salvífico de Deus em relação à humanidade” (RM, 47). Na Anunciação, Maria tem assegurados, de modo explícito e insistente, a presença e o acompanhamento de Deus: “o Senhor está contigo” (Lc, 28), “achaste graça junto de Deus” (Lc, 30), “o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc, 35). O Senhor vem a ela, faz nela sua morada, cumpre a promessa messiânica. O Espírito que descerá sobre Maria e o poder do Altíssimo que a cobrirá com sua sombra, evocam imagens do Antigo Testamento extremamente sugestivas: a do Espírito Criador comparado com um pássaro que incuba a matéria informe para dela fazer nascer a vida (Gn 1,2 ); a de Deus que protege com solicitude suas criaturas sob suas asas (Sl 9, 4 ; 140, 8 ); a dos querubins que protegem a Arca da Aliança (Ex 25, 20); a da nuvem que cobre a tenda da reunião (Ex 40, 34-35) e o
Artigo templo de Jerusalém (1 Rs 8, 10-12 ). O Espírito Santo, Potência do Altíssimo, cobrindo Maria com sua sombra, torna-a fecunda de uma vida nova e a faz tornar-se mãe do novo Adão, do Filho de Deus encarnado. O Espírito “cria” em Maria a humanidade de Cristo, que inaugura os tempos novos da salvação. A mística nuvem do Espírito faz de Maria a nova Arca da Aliança, o novo templo dentro do qual mora Deus. Apraz-nos destacar um aspecto da presença de Maria em nossa espiritualidade salesiana. Quando nasce o Menino, Maria o envolve em faixas e o coloca em uma manjedoura. (Lc 2, 7) O gesto simples exprime toda a ternura materna, em relação a esta Criança que é o Filho de Deus e seu filho. Os pastores deverão encontrar esse Menino como a Mãe o preparou (Lc 2, 13). È o primeiro passo desse “aniquilamento”, que marcou a vida de Jesus e de Maria, em todo o seu percurso terreno. Conduzido por ela a Zacarias e Isabel, mostrado aos pastores, aos magos do Oriente, aos anciãos Simeão e Ana, oferecido ao Pai, no templo, e indicado como a Palavra à qual se deve obedecer. Aos pés da cruz, mistério de aniquilamento e morte, Maria assume também esse sacrifício e consente, amorosamente, na imolação da vítima por ela gerada. (RM, 18). Maria acompanha seu filho nesses momentos solenes, mas também na vida cotidiana, nos longos anos em Nazaré, embora este seja um período obscuro, que os Evangelhos não narram a não ser que o Menino crescia e se fortificava, cheio de sabedoria e a graça de Deus estava com ele. (Cf. Lc 2, 40). Maria e José o educam, iniciando-o na compreensão de si mesmo e no discernimento da vontade de Deus sobre ele, o introduzem no conhecimento do mundo, da sociedade, das tradições da Lei e de todas aquelas pequenas coisas, que são fruto da sabedoria e que, geralmente, são transmitidas pelos pais, especialmente pela mãe. Com a descrição do crescimento de Jesus, Lucas
diz algo a respeito de Maria: “sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração” (2, 51). Trata-se de um crescer juntos, de um “acompanhamento” recíproco. Maria ajuda Jesus a crescer “em sabedoria, idade e graça” e Jesus ajuda sua mãe a crescer em memória, acolhida, reflexão, grandeza de mente e coração, na participação sempre mais consciente e profunda do mistério da salvação. O relato da Visitação vem logo em seguida ao da Anunciação. Desafiando a distância e o desconforto, Maria visitada por Deus torna-se visita de Deus; a serva do Senhor faz-se serva dos pais de João Batista. Com seu caminhar por estradas incômodas para alcançar o “outro” em sua casa, Maria inaugura o estilo de Deus, o estilo do serviço gratuito e generoso, da humildade, do acompanhamento simples e familiar, da solidariedade com quem necessita de ajuda. Nela, o Deus encarnado faz-se o Deus que entra na trama humana e permeia de si também a esfera do cotidiano. A salvação adquire tonalidade doméstica e, mais tarde, Jesus dirá a Zaqueu: “Hoje, a salvação entrou na tua casa” (Lc 19, 5-9). Na Visitação, duas mulheres são, uma para a outra, lugar de descoberta de Deus, epifania da sua grandeza e motivo para louvá-lo e agradecer-Lhe. Ao se reconhecerem, reciprocamente como sinal de Deus, a sua comunicação repleta de intuição e compreensão profunda, permeada pelo respeito ao mistério, torna-se bênção, faz-se poesia no cântico do Magnificat. Temos, neste encontro, um modelo significativo de acompanhamento recíproco. O Deus que entra na casa dos homens por meio de Maria é o Deus da vida e da alegria. A presença de Maria emana alegria contagiante, faz exultar um menino no seio materno, torna felizes os anciãos. Mais tarde, em Caná, não virá a faltar o vinho e a alegria ao banquete das núpcias, graças à intervenção eficaz de Maria junto a seu filho. Simples, discreta, confiante, segura de ser atendida, porque sintonizada com Deus e com o Filho. Maria assume um papel profético. “Fazei o que maio | junho | julho e agosto 2017| 19
Artigo ele vos disser” são as únicas palavras dirigidas aos homens, aos servos, que nada questionam, apenas obedecem. Essas palavras são consideradas “o mandamento da Virgem”, uma espécie de “testamento espiritual”. Maria disse o essencial e, nos Evangelhos, não se registra mais nenhuma palavra sua. Seu Filho é a Palavra viva, referência absoluta para todos os homens. Na cruz, antes de pronunciar: “Tudo está consumado” (Jo 19, 30), Jesus confia toda a humanidade aos cuidados maternos de Maria, dizendo: “Mulher, eis teu filho” e ao discípulo amado: “Eis tua mãe”. O discípulo levou-a para sua casa (Jo 19, 27), acolheu-a em sua intimidade, no seu espaço interior e espiritual. Maria aceita acompanhar com amor materno cada pessoa, sem distinção de raça, cultura, sexo, condição social e estilo de vida. Maria torna-se a mãe universal. O caminho de formação da FMA é configurar-se a Jesus e, ao mesmo tempo, assumir na própria vida a identidade mariana para ser “memória viva” de Maria e, para serem jovens “auxiliadoras”, a exemplo dela, em seu caminho para Jesus (Cf. PF 29-30 e const. FMA, art 4). A casa de Mornese é “casa de Maria”, porquanto Maria Auxiliadora é considerada a verdadeira superiora da Comunidade (Cf. Cronistória II, 114,132). Ir. Maria Domingas é apenas a “vigária”. A ela se entrega, com total confiança e lhe entrega as chaves da casa. ( Cf. testemunho de Ir. Enrichetta Sorbonne, em Summarium 152). O estilo de acompanhamento das FMA espelha traços da figura de Maria: a docilidade na busca da vontade de Deus, a maternidade que protege a vida, a humildade, a admiração ao reconhecer as grandes obras de Deus, a atitude de serviço humilde e disponível, sem nenhuma presunção. O lugar preferido é sempre o último, esquivando-se de tudo que seja autopromoção ou reconhecimento pessoal. Não cessa de aperfeiçoar o próprio temperamento que pode levar a aparecer, prevalecer sobre os outros, ceder à vaidade e ao orgulho, obstáculos 20 | Em Família
no caminho da santidade. É a mão de Deus que trabalha em cada pessoa e em cada comunidade. Para isso é preciso viver na docilidade ao Espírito Santo e deixar-se guiar pela sua luz. Também Teresa D’Ávila, Patrona do Instituto dos FMA, declarava a alegria de ver a obra de Deus no coração das Irmãs que lhe eram confiadas: “Às vezes, quando estamos reunidas, sinto uma particular alegria ao perceber nas minhas Irmãs uma alegria interior tão grande, que as faz competir no louvor ao Senhor [...] Fico feliz porque se pode perceber claramente que todo aquele louvor parte do íntimo de suas almas”. (Teresa D’Ávila apud A mão de Deus trabalha em ti, p. 186) Guiar para Jesus com a atitude materna de Maria é criar comunhão, fazer respirar um “clima de casa” na trama do cotidiano. A casa de Mornese é chamada a “casa do amor de Deus”, porque nela mora o amor que, enraizado em Deus, faz crescer as pessoas e as dispõe a realizar com generosidade a própria missão. Neste ano, de forma especial, celebramos o 1º centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima e tricentenário da pesca milagrosa que encontra no Rio Paraíba do sul a pequena negra imagem de Nossa Senhora Aparecida. Não iremos viver novamente para contar a história de outro ano jubilar da Padroeira do Brasil. Isso pode levar , cada um, a compreender na própria história, a presença da Mãe Santíssima, a forma doce e segura de ser intercessora, a presença feminina construtora da Igreja. Maria de “Nazaré” congrega em torno de si a Igreja nascente e a mesma, Maria de “Aparecida” traz a seus pés milhares de peregrinos construtores das mais diversas Comunidades espalhadas por este gigante país para fortalecidos voltarem para suas cidades e continuarem a luta pela construção do Reino. Em um trecho do documento da CNBB por ocasião do Ano Mariano está assim registrada a presença da Mãe para o povo: “Como no episódio da pesca
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milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, os pescadores tornam-se missionários, partilhando com os vizinhos a graça recebida. Tratase de uma lição sobre a missão da Igreja no mundo: “O resultado do trabalho pastoral não se assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor” (Papa Francisco).” Façamos nós com alegria, devoção e profundidade deste Ano uma pesca milagrosa em nossas vidas. Sejamos corajosos para lançar incansavelmente a rede e atentos a cada puxada para perceber os detalhes do amor de Deus expressos no dia a dia.
Referências: KO, Maria e RUFFINATO, Piera. A mão de Deus trabalha em ti: o acompanhamento na vida de Dom Bosco e de Maria Domingas Mazzarello. Tradução de Ir. Maria Aparecida Nunes e Ir. Maria Gazzetto. Revisão Ir. Olga de Sá e Zeneida Cereja da Silva. Roma, Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, 2014. Brasília: Editora Dom Bosco, 2014. (Ver nas páginas 5 a 7, todas as referências aos Documentos da Igreja e as Fontes Salesianas).
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, e a t n a S a , O rio m u , s o t n a t e r t n e s e õ ç a t o n A : o r romei a n a i s e l a S a m u sobre Romaria eira Carlos Teix o ã o J º f o r Por P
São Paulo, 19 de agosto de 2017. Ainda sem a luz âmbar da alvorada, partimos de São Paulo. A paisagem à janela vai se transformando, à medida que avançamos, Dutra adentro, no interior do Vale do Paraiba. O cinza paulistano cede lugar ao verde de grandes pastos, que novamente cede espaço ao cinza de metrópoles da região, como São José dos Campos e Taubaté, entre outras tantas. Somos um grupo de romeiros, em um ônibus a caminho do Santuário Nacional de Aparecida. Um dos milhares de coletivos que para lá rumam diariamente para agradecer, louvar e pedir a intercessão de Maria para os não poucos percalços da vida. Mais precisamente, o grupo faz parte de uma romaria ainda maior, a da Família Salesiana, que há mais de quinze anos se reúne em Aparecida para, igualmente, agradecer, louvar e pedir intercessão para os percalços da vida. Entre uma cochilada e outra, uma prosa despretensiosa com quem viaja ao lado. Entre uma 22 | Em Família
Artigo conversa e outra, algumas reflexões insistem em me visitar. A mais recorrente é da história de deslocamentos como o nosso: desde que as redes de três modestos pescadores trouxeram à tona, em dois lances, a cabeça e o corpo de uma imagem de Maria, a região de tornou o destino de inúmeras pessoas em busca de milagres. Duas horas e meia após o embarque na capital, chegamos ao Porto de Itaguaçu, ponto em que as coordenadas da história e da fé, rezam ser o local em que, há duzentos e noventa e nove anos e dez meses se deu o referido encontro, após o qual este vilarejo nunca mais foi o mesmo. E, estando aqui, não há como não pensar no quanto as coisas mudaram de lá para cá: O precário oratório se fez capela, igreja e então santuário. A basílica se tornou o maior templo mariano do planeta e recebe mais de 12 milhões de romeiros por ano. O encontro se inicia com a concentração das caravanas no Porto, momento oportuno para reencontrar velhos conhecidos. Entre um cumprimento e outro, observo a chegada da imagem que, num barco, vagarosamente ganha a margem em que estamos. Me atino sobre o valor do momento, enquanto atualização do
gesto
simples
daqueles
dois
pescadores, que, de posse da Santa, a queriam trazer para a terra firme, a fim de transmitir o acontecimento a seus pares. E o verbo transmitir me leva, enquanto romeiro, a outros devaneios... Recordo algumas linhas escritas em outra oportunidade em que estive neste rincão, ainda este ano: “O rio, este fluxo de água, fonte do sustento daquele povoado, indispensável elemento de garantia da subsistência da fauna e flora locais maio | junho | julho e agosto 2017| 23
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e importante meio de transporte da região, chega a desanimar um romeiro que se preze. tornou-se também, a partir de então, meio de Ao contrário: o sol forte de Aparecida seria uma comunicação entre Deus e o povo seu.” Incrível provação maior que uma roupa molhada para a lógica das sutilezas divinas. E, estendendo, o resto do dia (para romeiros descuidados, sem que “Coube a eles, um trio de trabalhadores e guarda-chuvas, como eu) além de umas boas não de chefes de estado, eruditos ou de gente aspirinas para o dia seguinte, é claro. de posse, o papel de revelar a manifestação de Deus ao resto do país e do mundo”.
A imensa Casa da Mãe, de reforma quase pronta – com seus murais pintados pelo artista
A seguir, nos dirigimos para a Basílica. E no de saudosa memória, Cláudio Pastro – me caminho, andores com nossos santos, carro parece uma capela pequena, de tão repleta. Os de som, récitas, mais reencontros e... Chuva. grandes corredores compõem um mosaico da Mas este é apenas um detalhe a mais, que não diversidade de nossas presenças. Milhares de 24 | Em Família
Artigo pessoas do Estado, e até de presenças salesianas todas as trajetórias pessoais e históricas, como de outras praças, em comunhão fraterna. Entre pedaços de um todo dispersos que, hoje, aqui, os membros de congregações e grupos, se pode se fazem congregados, assim como Ele fez ao identificar (através de camisas, faixas, crucifixos, unir as duas partes da imagem, conforme nos etc), estudantes de obras sociais e colégios de recorda o Papa Francisco em sua mensagem aos ambas as inspetorias (FMA e SDB), paroquianos, jovens participantes da Semana Missionária. Há Filhas de Maria Auxiliadora, Salesianos de Dom uma energia diferente em estar aqui. Nós que Bosco, Irmãs da Caridade de Jesus, Associação somos filhos, sabemos o quanto é importante de Devotos de Maria Auxiliadora, Voluntários nos reunirmos para celebrarmos, juntos, o de Dom Bosco, Ex alunas e Ex Alunos, Damas aniversário da mãe. E quem vai à festa, guarda Salesianas, Comunidade Canção Nova e outras nas retinas o sorriso de satisfação da matriarca, representações de nosso carisma. Não há um só e de quem esteve presente: Protagonistas da canto que nosso olhar cubra neste lugar sem história. se note a alegria e espontaneidade típicos de nossos fundadores. Todas as alas desta igreja, cada um de seus quatro grande corredores, bem como os menores, são como que pontos cardeais em cujo centro, no altar do Senhor, está presente aquilo que é o cerne de nossa fé, o alimento necessário para nossa missão. Neste pão de igualdade somos irmãos de um mesmo Pai e uma mesma Mãe. Somos, neste instante, romeiros que chegaram aqui, nesta data, atraídos ‘por Aquela que nossas mães nos ensinaram a saudar três vezes ao dia’, em um tal sonho dos nove anos; ou por aquela voz pronunciada em meio a uma visão: ‘A ti as confio’. Somos filhos de Nossa Senhora Aparecida, Auxiliadora do povo brasileiro, e da Família Salesiana. Aprouve a Deus criar uma intersecção entre maio | junho | julho e agosto 2017| 25
Entrevista
Entrevista com Ir. Rosalba Paula Renza Perotti Ir Rosalba é Salesiana há 55 anos e partilha sua história com os leitores da Revista Em Família 1. O que a fez decidir pela vocação religiosa?
num dia 8 de dezembro, enquanto participava
Ir. Ro - Creio que a decisão pela vida religiosa não
interior, uma certeza que aparecia clara ao meu
seja igual a uma decisão profissional, embora a
coração e a partir daí não houve volta, e nunca me
opção pela vocação religiosa possa incluir um
arrependi de ter dado a Deus e a Nossa Senhora
determinado tipo de atividades, como a escolha
o meu “sim”, nem nos momentos mais difíceis da
de um campo educativo ou de saúde por exemplo
vida. O que eu pensava naquele dia, continuo a
mas, a V.R. parte sempre de um chamado de
pensar hoje, só que o vinho novo da descoberta
Deus, pois é Ele quem chama e é a pessoa que
é hoje um vinho mais forte, amadurecido pelos
adere, ou seja: diz sim; livremente. De modo geral,
anos, mas sempre grato a Quem me escolheu.
da Missa, na minha Paróquia, foi como um clarão
a vocação vai sendo gestada no coração, onde estão os bons desejos, iluminados e fortificados até a decisão propriamente dita. Quando decidi, 26 | Em Família
2. Que pessoas a ajudaram com suas palavras e exemplos de vida ?
Entrevista 3. Qual sua trajetória de vida salesiana? Ir. Ro - Tenho 55 anos de Vida Religiosa, mas sinto as primeiras experiências ainda bem vivas em mim. A formação que recebíamos, era bem diferente da de hoje. Por isso, contar casos de antigamente, do noviciado p.e.
dá para
rir bastante. Mas tudo tem seu tempo... Que jovem de hoje acharia graça em brincar de roda, segurando-se somente pelo dedo mindinho e cantando enlevadas : “Eis o porto plácido...”? Mas, começando pelo começo: saindo do Santa Inês um grupo de nós, muito amigas, fomos estudar Ir. Ro - Como disse, a vocação vem de Deus, mas
na USP. Cada uma fazia um Curso. Quando acabei
há sempre os mediadores, que sinalizam por
Letras, a Faculdade de Lorena estava começando
gestos e palavras o que vai nos encaminhando
e Ir. Olga de Sá me convidou para lecionar lá.
para a resposta a Deus. Desde os 8 anos, fui aluna
Depois de alguns meses, vi claro que era esse
salesiana e tive muitos exemplos de firmeza e
meu caminho e com a Visita à Comunidade, cuja
amorvolezza, por parte de minhas educadoras,
Diretora era Ir Maria José Duarte, fui admitida
lembrando com gratidão de Ir. Edméa Battaglia,
como aspirante. Não foi fácil deixar minha casa,
Odette César, Olga de Sá, entre outras. Mesmo na
onde desde a morte de minha mãe, aos 9 anos,
Faculdade, continuei sendo assessora da JEC, no Santa Inês, participando da JUC. Tive, por quase 10 anos ( dos 14 aos 24) como diretor espiritual um Benditino, Dom José Weber, que me ajudou em meu caminho de resposta e me propôs encontros com as monjas beneditinas. Gostei bastante delas pela simpatia e cultura, mas não estava certa de que a vida contemplativa fosse a minha vocação. Uma Irmã com quem eu conversava sobre a escolha me disse, falando da sua experiência :”Quando uma pessoa decide ser religiosa, não pode ficar batendo de porta em porta para saber em qual Congregação vai entrar.” Eu pensei: “ Acho que o Noivo é Ele mesmo, o caso é escolher a Família do Noivo...” Mas, a Família que eu mais apreciava e conhecia, eram as Salesianas. E escolhi o certo. maio | junho | julho e agosto 2017 | 27
Entrevista
sempre morei com minha irmã Mariângela,
muito queridas (entre elas a Becker e Teresa, sua
meu cunhado e meus sobrinhos, o menor, meu
irmã, que já está junto de Deus). Logo depois
afilhado com pouco mais de um ano, mas o
dos Perpétuos, fui como diretora no Carmo, anos
corte era inevitável (quem escolhe um caminho,
de ouro para mim, do início da Vida Religiosa,
renuncia aos outros). No Noviciado em abril de
tempo inesquecível! Foi nesses anos que fizemos
1961, Ir. Vilma Bertini e eu fomos convidadas a
a grande 1ª reforma na Casa, que durou mais de
ir para a Itália, terminar o Noviciado e depois da
6 anos. Em seguida, como diretora e formadora
Profissão, irmos a Turim, para estudar. Tivemos
na Lapa. Da Lapa ao Santa Inês como diretora
uma Mestra sui-generis Ir Angela Vanetti e um
e vigária inspetorial e em 81 , ano do MM 81,
diretor espiritual único: Pe. Francesco Ratello, rico
Centenário da morte de Madre Mazzarello,
em anos, argúcia e sabedoria. Ambos marcaram
sucedendo no cargo de Inspetora a insubstituível
nossas vidas. Terminando o Curso de Pedagogia
Ir. Maria Rita Périllier, grande por tantos motivos...
e Ciências Religiosas, voltei ao Brasil para a
cuja lembrança marcou quantos a conheceram!
Faculdade de Lorena, como professora, secretária
No Capítulo Geral de 1984, convocado por causa
e assistente das pensionistas. Foi um tempo duro
da morte de Madre Rosetta Marchese, fui eleita
pelo muito trabalho, mas importante para ir
Conselheira Visitadora. Fiz o 1º sexênio como
me consolidando como salesiana. O grupo das
Visitadora e os anos seguintes como Vigária de
pensionistas era extremamente ligado à Casa,
Madre Manirellla Castagno e no último sexênio,
jovens alegres e arteiras, que não cansavam de
como Vigária de Madre Antônia Colombo. Tive
nos preparar “surpresas”... levadas da breca, mas
duas Secretárias que muito me ajudaram, em
28 | Em Família
Entrevista dois períodos diferentes: Ir Ivone Rezende e Ir
4. Como é sua espiritualidade?
Silvia Pela. Em 2002 depois do CG, voltei ao Brasil
Ir. Ro - Muito simples. Eu diria que é eucarística,
e retornei a Lorena, que já era FATEA. Lorena,
mariana e josefina e naturalmente, salesiana!.
como diretora da Comunidade. Em 2005, fui
Amo muito a Trindade divina e a Família
inesperadamente solicitada por Madre Antônia,
divino-humana de Jesus, Maria e José. Se você
para assumir a Inspetoria de Campo Grande,
entrelaçar dois círculos, terá no meio um espaço
onde fiquei três anos. Retornei à Inspetoria e
na intersecção deles. Aí, no centro, está Jesus,
assumi a a missão de diretora da Comunidade
que participa das duas “trindades”. No primeiro
do Instituto Santa Teresa de Lorena. Voltei a São
círculo estão o Pai e o Espírito Santo e no
Paulo, em 2008 como diretora do Santa Inês (
segundo simetricamente, José e Maria. Acho que
comunidade) e Vigária Inspetorial em 2008. Em
a teologia sustenta a minha intuição, em todo
2014, fui indicada como diretora da Comunidade
caso ela me ajuda a estar sempre perto desta
do querido Carmo, onde fiquei dois anos. Os
fonte de vida e comunhão. Depois, amo a Palavra
problemas de vista me trouxeram de volta a São
e a medito com gosto. Decorei algumas frases
Paulo, na Casa onde entrei como interna em 1942!
da Palavra e também algumas orações de nossa
Foi uma trajetória intensa, sempre sentindo-me
espiritualidade e outras, por exemplo, a elevação
com verdade, estar muito aquém das exigências
à Trindade, de santa Elisabeth da Trindade, muito
das tarefas a mim confiadas. Mas sempre
elevada, que às vezes me confunde, mas nesse
pedindo a Nossa Senhora que pusesse Sua mão,
campo é melhor mirar alto... sempre desejei
antes da minha e confiando na minha ‘tropa de
chegar à oração contínua. Quem sabe, um dia
frente”, que embora invisível, funciona!!! Estou
chego a essa” graça.” tão grande. O Ofertório
em uma comunidade querida e boa, onde nos
da Missa acho que é o momento mais forte para
apreciamos e amamos mutuamente, esforçando-
recarregar baterias” e entrar no Coração de Deus,
nos para cumprir bem a tarefa que Deus confia
onde encontro todos os que amo, presentes,
a cada uma. Não somos perfeitas, mas estamos
passados e futuros!
a caminho e talvez algumas mais que outras
temperamentos, gostos, experiências de vida e
5. Imagino que você tenha tido muitos encontros com crianças e jovens, lembra de algum em especial que tenha marcado sua vida?
missão, e até por nossos limites, mas felizes de
Ir. Ro - Encontrei, de fato, muitas crianças e jovens,
ser FMA de hoje, póis gostamos de estar juntas,
nas muitas viagens que fiz: pobres e ricas, sadias
rezar, partilhar, conversar, rir e viver em harmonia:
e enfermas, alegres e tristes....mas, mesmo em
“Como é bela a vida!”. Essa minha trajetória com
situações de guerra, como foram os primeiros
muita graça de Deus, aguardando o dia feliz do
anos de nossa presença em Angola, raramente
Encontro!
elas são desconfiadas, arredias ou caprichosas. A
“em saída”, como nos pede o Papa querendo ser sinais de alegria e esperança para nossos jovens. Somos de diferentes nacionalidades, idades,
maio | junho | julho e agosto 2017 | 29
Entrevista criança tem uma pureza e um encantamento pela vida, que desarmam. E há coisas que identificam crianças e jovens de qualquer lugar do mundo: o canto, a dança, a música, o teatro, a alegria. E este é um caminho para que eles desabrochem para o bem e a solidariedade, pois tocam a “corda sensível” se tocada o processo educativo é acionada.
6. Sabemos que você foi conselheira geral e tem um conhecimento de mundo, nesta caminhada o que a ajudou na seu crescimento espiritual? Ir. Ro - Penso que toda grande responsabilidade traz consigo um desafio e uma graça de Deus. Ele não nos pede o impossível e quando pede, nos capacita. Vivendo a dinâmica da confiança podemos viver a situação de Pedro afundado no lago, pelo fraquejar da fé, mas logo içado por Jesus para a tona. Isso é muito útil para descentrar-nos, deixando Deus guiar o caminho. Além disso, tive oportunidade de conhecer alguns exemplos recentes de santidade feminina salesiana: Ir Eusébia em Valverde del camino, em Andaluzia, na Espanha uma menina paupérrima e sem estudos, que encanta pela sabedoria e simplicidade; Teresa Valsé, cujo corpo repousa em Nizza; Madre Madalena Morano, beatificada na Sicilia; em Costa Ricam Ir. Maria Romero; no México, Madre Antonieta Bohn, de quem foi aberto recentemente o Processo, encontrada, várias vezes, no México e Laura, em Junín de los Andes e no Santuário ecológico em Santiago do Chile. Confesso que me sentia bem adentrando a vida dessas nossas Irmãs, nossas Amigas e intercessoras junto a Deus. Presentes em minha oração diária.
7. Houve algum fato que lhe chamou atenção durante este período? Ir. Ro - Lembro que na Colômbia, país tão belo, de tantas riquezas e povo amável e acolhedor, descobri muitas coisas boas, mas sempre ficava muito impressionada com as muitas Irmãs que sofriam pelas violências das FARC que matavam as pessoas, roubavam terras e animais, 30 | Em Família
Entrevista saqueavam fazendas e lojas, com a bandeira de justiceiros. Eram muitas. Vimos recentemente,
9. Que mensagem você deixaria para nossos
na Visita do Papa à Colômbia o acordo de paz
leitores?
firmado entre o Governo e os guerrilheiros. Pedi
Ir. Ro - Não posso deixar de dar uma mensagem
e peço, do fundo do coração que ela perdure!
de agradecimento: se você conseguiu ler até aqui, agradeço pela paciência e amizade!
8. O que mais lhe chama atenção no carisma salesiano?
Também gostaria de dizer que olhar para trás,
Ir. Ro - A síntese maravilhosa a que Dom Bosco
e realistas.
chegou de: Razão, Religião e Amor. Não há o
Avaliamos melhor o passado, nossas faltas e
que tirar nem pôr. E com razão, ele mesmo dizia:
limites, a coragem que nos faltou, o bem que
“Pratiquem o Sistema Preventivo e vocês vão
não fizemos....
ver os milagres”. Um olhar pelo nosso mundo,
Mas também faz crescer na humildade. Santa
faz comprovar a autenticidade desta afirmação
Teresinha dizia que ela se apresentaria ao juízo
.Neste preciso momento em que espero estar
de Deus “les mains vides”, com as mãos vazias.
concluindo um trabalho sobre a Crônica do
Acho que é assim mesmo. Mas quem nos julgará
Colégio do Carmo, nossa primeira Casa no
é um Pai de infinita misericórdia.
Brasil, verifico como somos devedoras a nossas
continuemos a confiar e ir sempre para a frente
primeiras missionárias uruguaias e italianas
como “missionárias (os), de alegria e de esperança!
para a nossa vida, sempre nos torna mais cautos
Portanto,
que nos transmitiram com coragem e fé o que elas mesmas tinham recebido e a presença inestimável dos primeiros salesianos, que não se cansavam de falar para elas e para todos, de Dom Bosco e enaltecer o Sistema Preventivo. Nos primeiros tempos falava-se pouco da Madre Mazzarello. Entende-se, pois eram os tempos da declaração de santidade de Dom Bosco, declarado Venerável em 1929. Mesmo na sombra, Madre Mazzarello era muito amada. Hoje, agradecemos, com fatos comprovados, a intuição sobre o Sistema Preventivo, que Madre Mazzarello teve, traduzindo-o ao feminino, fruto do Espírito Santo e da sabia direção de Dom Pestarino, que a boa e ardorosa jovem recebeu de coração aberto. Não podemos nos cansar de agradecer! maio | junho | julho e agosto 2017 | 31
Registro
Seminário de Formação e Animação Missionária para o Continente Americano Por Irmã Teresa Cristina Pisani Domiciano
O âmbito das Missões do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora realizou de 23 a 30 de abril 2017, em Cachoeira do Campo, Minas Gerais, o Seminário de Formação e Animação Missionária para o Continente Americano. Participaram aproximadamente 72 pessoas, entre Salesianos, Salesianas e leigos de toda América e Caribe. Contamos com a presença dos Conselheiros para a Missão, Irmã Alaide Deretti e Padre Guillermo Basañes, e dos referentes Irmã Maike Loes e Padre MartínLasarte. Fomos convidados a estudar e aprofundar os Atos das Jornadas de Estudo já realizadas pelo Âmbito: “Do primeiro anúncio ao Discipulado Missionário” e também o documento síntese, “O primeiro anúncio hoje”, organizado por Alfred Maravilla, do Dicastério para as Missões dos SDB. Falar de Primeiro Anúncio não é falar de uma cronologia de anúncios e nem tão pouco de anunciar uma doutrina, mas sim, de despertar a pergunta ou o desejo de conhecer Aquele que nos deixa feliz, cristãos enamorados de Cristo e do seu Evangelho. Nossa Madre Geral, Ir. Yvone Reungoat, em sua mensagem para o seminário ressalta: “O Primeiro anúncio é hoje necessário e urgente especialmente nas realidades marcadas pelo anonimato das cidades, pela secularização e pela escassez espiritual, onde não é difícil encontrar pessoas desorientadas, indiferentes, longe da alegria do evangelho; cidades onde as possibilidades dos 32 | Em Família
Registro contatos comunicativos se multiplicam, mas existe a carência de relações interpessoais de qualidade e faltam pontos de referência essenciais que não são somente serviços, mas encontros verdadeiros, encontros que mudam a vida como aquele com a Pessoa de Jesus. O Primeiro Anúncio é necessário nas realidades que se tornaram multiétnicas, multiculturais, multireligiosas, onde o testemunho alegre da parte dos cristãos é o principal canal de comunicação da realidade que habita no coração deles”. O seminário nos proporcionou momentos de partilhas, estudos, oficinas, celebrações e vivências em vista de buscar caminhos concretos para tornar consistente e consolidar nas Inspetorias a prática do Primeiro Anúncio. As oficinas, em número de 11, mostraram a riqueza da nossa missão e da nossa presença. Cada participante pode escolher previamente a de sua preferência ou da realidade em que trabalha. Foram elas: Primeiro Anúncio nos Oratórios e Centro Juvenis, Primeiro Anúncio nas Escolas, Primeiro Anúncio nos Institutos Superiores e Universidades, Primeiro anúncio nas Paróquias em contexto urbano, Primeiro Anúncio nas Comunidades Rurais, Primeiro Anúncio entre os Povos Indígenas, Primeiro Anúncio entre Crianças e Adolescentes em situação de Vulnerabilidade, Primeiro Anúncio nas Obras Sociais, Primeiro Anúncio nas Comunidades Inseridas. Após o seminário, o dia 29 de abril foi dedicado exclusivamente à formação, organização e programação da Animação Missionária dos SDB e FMA, cada grupo com seu respectivo Conselheiro, Conselheira. Também nos foi proporcionado uma visita à cidade de Ouro Preto onde pudemos conviver, celebrar a Eucaristia e visitar as Igrejas em chave de Primeiro Anúncio, ou seja, o anúncio que é feito por meio das artes. maio | junho | julho e agosto 2017| 33
Registro
IV ESA – Escola Salesiana América Por Irmã Teresa Cristina Pisani Domiciano
educação salesiana, uma missão compartilhada entre religiosos e leigos” foram dois temas muito pertinentes à nossa reflexão. Ir. Susana Lee Tong, coordenadora da ECOSAM (Equipe de Comunicação América), sublinhou os desafios da educação na “terceira onda”, pois os jovens vivem a tecnologia. A segunda mesa redonda mostrou, mais uma vez, a importância da coordenação para a comunhão, onde religiosos e leigos possam trabalhar em sinergia e corresponsabilidade na missão. 2) As Conferências - Em que contexto educa a escola salesiana na América? Com o Dr. Cristian Cox; A escola católica sinal de esperança e compromisso com a Igreja e a sociedade na América, com o Dr. Carlos Goméz Restrepo e a Reatualização do sistema preventivo Participaram do IV ESA de nossa Inspetoria: Ir. Lucia nas escolas e Centro de Formação Profissionalizante: Maístro, Ir. Claudia Regina Correa Ribeiro, Ir. Teresa coração oratoriano, com Pe. Luiz Nivaldo Pessinatti Cristina Pisani Domiciano e a gestora pedagógica foram significativas. da Associação Educacional das Irmãs Salesianas de 3) Os Minicursos e Boas Práticas proporcionaram a São Paulo, Olivia Negreiros. partilha dos trabalhos de vários educadores de nossas Muitos momentos foram significativos, como: Escolas presentes em toda a América e Caribe e nos 1) As mesas redondas: “A escola salesiana para as deram a visão de um trabalho sério e comprometido. crianças, adolescentes e jovens da era digital” e “A Foram ao todo 37 Boas Práticas e 11 Minicursos. Gestores, Coordenadores de Pastoral e Pedagógico, Professores, Salesianas e Salesianos das Escolas Salesianas na América e Caribe, cientes do valor da formação continuada dos educadores, se reuniram de 9 a 12 de maio de 2017, em Medellín, Colômbia, para o IV ESA. Nossa missão foi refletir e partilhar o caminho que as escolas salesianas estão percorrendo, em nosso Continente, e propor diretrizes e compromissos para os próximos anos, procurando responder aos desafios da educação realizada pelos Salesianos de Dom Bosco e pelas Filhas de Maria Auxiliadora, no contexto atual. O IV ESA se colocou em continuidade aos encontros de Cumbayá I (1994), Cumbayá II (2002) e ESA III, em Brasília (2008).
34 | Em Família
Registro 4) A apresentação do questionário – Na tarde do dia 12 de maio foi apresentado, pela Professora Elma Mireja e professor Francisco Varela, as conclusões do questionário, elaborado por Miguel Ángel Morcuende, aplicado às famílias, aos alunos, aos professores e gestores de 19 países sobre os diferentes aspectos do “ser” e do “fazer” em nossos centros educativos pastorais, com o propósito de conhecer o que pensam, sentem e querem os distintos agentes da Comunidade Educativa. E com os resultados, em mãos, poder planejar as ações de melhoria. Foram realizados também reuniões com as diversas Conselheiras presentes, Ir. Runita Borja, Ir. Maria Helena Moreira, Ir. Silvia Boullosa, e também reuniões por Inspetorias e por Conferências para assumir compromissos comuns. Como Rede Salesiana Brasil de Escolas assumimos os seguintes compromissos: 1. ÂMBITO: Atenção às necessidades educativas atuais dos educandos 1. Assumir o acompanhamento como processo educativo dos educandos e educadores; 2. Fortalecer o protagonismo juvenil, valorizando processos inovadores e as metodologias ativas. 2. ÂMBITO: A formação permanente dos atores da CEP 1. Ressignificar a proposta de formação em salesianidade para todos os atores das CEP; 2. Alinhar os programas de formação no Projeto Educativo Pastoral para todos os setores da CEP: família, educadores, educandos e gestores. 3. ÂMBITO: Qualificação da Proposta Educativa Pastoral 1. Implementar a gestão participativa que operacionaliza a execução do PEPS; 2. Ressignificar a Pastoral como fundamento de processos educativos. 4. ÂMBITO: Gestão educacional da escola e dos CFP (sustentabilidade, significatividade das escolas e centros de formação profissional) 1. Gerenciar as escolas e os CFP implementando efetivamente o planejamento estratégico; 2. Garantir o trabalho educativo em rede.
reflexões do Conselheiro para a Pastoral Juvenil, Padre Fabio Attard, que em sua homília nos recordou a significatividade do nosso SER educador salesiano. Ele nos diz: “Ser educadores para nós significa ser portador de uma proposta abrangente que tem suas raízes nesta união mística, união que enfrenta o desafio do tempo e, ao mesmo tempo, oferece significado para a história. Nós, Família Salesiana, lemos a chamada que não se limita a consumir o tempo como Cronos , mas experimentá-lo como um kairos . O tempo é um tempo de graça. A história é espaço para o divino. Nestes dias estamos refletindo, ouvindo e compartilhando nossas experiências educativas e evangelizadoras. Nós nos reconhecemos como instrumentos nas mãos de Deus. Nós realmente temos toda a intenção de que, com generosidade e inteligência, continuaremos ser servos e peregrinos de jovens para e com suas famílias.
Em sua fala Pe. Fabio nos deu uma linha do discipulado salesiano no tripé do Sistema Preventivo. O amor, o conhecimento e o discernimento devem crescer juntos. Fazer crescer o amor, em nossos ambientes, é fortalecer as experiências que nos fazem experimentar o espírito de família. O conhecimento é aquela busca pela lucidez, pela clareza. Podemos até dizer o dever de pensar, para explorar quais são as formas de fortalecer tudo o que é bom. E o discernimento significa ser capaz de raciocinar. Educadores e educadoras capazes de distinguir entre o bom e o mal, podendo não só escolher o melhor, mas também testemunhar com toda nossa vida. Ele termina sua mensagem com estas palavras encorajadoras: “Imaginem o que é hoje o impacto que deixamos na imaginação da nossa juventude e criança, nas famílias e em toda a comunidade educacional-pastoral para o futuro. Imaginem o que significa para os jovens encontrar em seu caminho evangelizadores e evangelizadoras coerentes. Assim sendo, a sua missão educativa é uma consequência e um reflexo de um ser espiritualmente tão rico e tão bonito”. Alguns ícones que nos acompanharam foram: o Podemos dizer: um ser integrado. semeador, semente que germina e amadurece, a Desejamos que este encontro possa dar muitos frutos em nossas Comunidades. árvore, os frutos. Gostaria de terminar esta síntese com algumas maio | junho | julho e agosto 2017| 35
Registro
Visita a Casa Maria Auxiliadora Grupo da Semana Missionária 2017 e Grupo PJE 6ºA e 7ºA
Na segunda feira, 28 de agosto fomos visitar Casa Maria Auxiliadora, em Lorena, casa de repouso para as Irmãs Salesianas. Moram lá 24 Irmãs. Com carinho, preparamos uma surpresa para elas, no final do mês agosto, conhecido como mês vocacional. O grupo da Semana missionária apresentou a experiência vivida, durante mês de julho, e contou os pontos altos na missão. O grupo de PJE dos 6 e 7 anos preparou uma homenagem, dançando com a musica “Mazzarello da gente” e lendo um
36 | Em Família
texto, agradecendo a vida doada das religiosas. O encontro foi concluído com um lanche e passeio para conhecer os ambientes da casa e o lindo jardim. Sentimo-nos marcados pela acolhida e carinho das Irmãs para conosco. Percebemos que muitas delas viveram no nosso amado Colégio do Carmo. Agradecemos à Ir. Metka por nos acompanhar e já esperamos novos encontros. Gianna e Ana Clara
Registro
Queridas Irmãs,
lebrar, nós, pois estamos aqui para ce ra pa ial ec esp ito mu dia um Hoje, é cacional. com vocês, a Vida e o mês vo que passaram ra muitas pessoas e jovens Vocês doaram suas vidas pa nageá-las. io do Carmo queremos home lég Co do s no alu s, Nó s. cê vo por guindo querer ir sempre em frente, se em faz s no e qu s plo em ex Vocês são dre Mazzarello. o ideal de Dom Bosco e de Ma ntramos desafios: na família e co en s, de lda cu difi s mo ssa Sabemos que pa sua vida em balho de cada Irmã, que doa tra o r be rce pe Ao . os ud est nos ssos, tivados a seguir os mesmos pa mo s mo so a, an esi sal ão aç uc prol da ed nto da nossa vocação. pedindo a Deus o discernime ui nosso Portanto, queremos deixar aq ecendo carinho e admiração, agrad ã que se o dom da vida de cada Irm encontra aqui. por nós Sintam-se muito amadas para a e por Jesus que as escolheu jovens! missão de levar Deus até os a oração Sejam Auxiliadoras com a su para nós!
Grande abraço! a 2017 Jovens da Semana Missionári e PJE 6° e 7° ano
maio | junho | julho e agosto 2017| 37
Registro
I Encontro Interinspetorial BSP | BPA Nos dias 16 e 18 de junho, as nove Inspetorias
Nova Configuração é um olhar de esperança para
do Brasil, em Manaus, Recife, Campo Grande, Belo o futuro! É uma resposta ao apelo do Papa feito às Horizonte e São Paulo, estiveram reunidas para
Capitulares, no dia 08 de novembro de 2014:
refletir sobre “As relações interpessoais na vida Vida
É preciso, antes de tudo, o empenho em se
Fraterna” para juntas dar continuidade ao processo
deixarem guiar pela prospectiva de ‘sair’, de se
da Nova Configuração das Inspetorias do Brasil.
colocar em caminho rumo às muitas fronteiras
O objetivo primeiro da Nova Configuração é a
geográficas e existenciais, com uma atenção
ressignificatividade do Carisma, levando-nos ao
preferencial aos pobres e às diversas formas de
encontro com Cristo, a alargar o nosso olhar e,
exclusão social.
com os jovens, sermos missionárias de esperança e alegria. 38 | Em Família
Abram o coração para acolher as moções interiores da graça de Deus; alarguem o olhar, alarguem o olhar
Registro
para reconhecer as necessidades mais autênticas e as urgências de uma sociedade e de uma geração que mudam. Na data prevista, o Colégio de Santa Inês, abriu as portas do seu coração para acolher as Irmãs da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida para o I Encontro Interinspetorial, realizado num clima de comunhão, envolvimento e unidade. Rica foi a contribuição do Frei Rubens Nunes da Mota que, com muita propriedade, refletiu sobre o tema proposto pelos Grupos de Trabalhos da CIB. O clima dos Encontros foi de comunhão, envolvimento, unidade e marcado pela esperança do novo que chega !
maio | junho | julho e agosto 2017| 39
Registro
Palavra do Papa Francisco aos jovens colombianos: jovens, mantenham viva a alegria Queridos irmãos e irmãs!
repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc
Com grande alegria, vos saúdo e agradeço a
10, 5-6).
calorosa recepção. «Em qualquer casa em que
Hoje entro nesta casa que é a Colômbia, dizendo-
entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta
vos: «A paz esteja convosco!» Tal era a forma de
casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele
saudação de todo o judeu e também de Jesus.
40 | Em Família
Registro
Com efeito, quis vir aqui como peregrino de paz
se amado pelo Senhor. O fogo do amor de Cristo
e de esperança e desejo viver estes momentos de
faz transbordar esta alegria e é suficiente para
encontro com alegria, dando graças a Deus por
incendiar o mundo inteiro. Então que poderia
todo o bem que realizou nesta nação, na vida de
impedir-vos de mudar esta sociedade e realizar
cada pessoa.
os vossos propósitos? Não temais o futuro! Ousai
Venho também para aprender; sim, aprender convosco, com a vossa fé, com a vossa fortaleza
sonhar grandes coisas! É a este sonhar em grande que hoje vos quero convidar.
perante a adversidade. Vivestes momentos difíceis
Vós, os jovens, tendes uma sensibilidade especial
e obscuros, mas o Senhor está perto de vós, no
para reconhecer o sofrimento dos outros; o
coração de cada filho e filha deste país. Ele não
voluntariado do mundo inteiro nutre-se de
tem preferências, não exclui ninguém, mas abraça
milhares de jovens como vós que sois capazes
a todos; e todos somos importantes e necessários
de disponibilizar o vosso tempo, renunciar a
para Ele. Durante estes dias, queria partilhar
comodidades, a projetos centrados em vós mesmos,
convosco a verdade mais importante: Deus ama-
para vos deixardes comover pelas necessidades
vos com amor de Pai e encoraja-vos a continuar a
dos mais frágeis e dedicar-vos a eles. Mas também
procurar e desejar a paz, aquela paz que é autêntica
pode acontecer que tenhais nascido em ambientes
e duradoura.
onde a morte, o sofrimento, a divisão penetraram
Vejo aqui muitos jovens que vieram de toda a
tão profundamente, que vos tenham deixado
parte do país: originários de Bogotá (cachacos),
quase nauseados e como que anestesiados: deixai-
habitantes da costa (costeños), da região de
vos ferir e mobilizar pelo sofrimento dos vossos
Antioquia, Caldas, Risaralda e Quindío (paisas), do
irmãos colombianos! E a nós, os mais velhos,
Vale do Cauca (vallunos) e das planícies (llaneros).
ajudai-nos a não nos habituarmos ao sofrimento e
Para mim é sempre motivo de alegria encontrar-
ao abandono.
me com os jovens. Eis o que vos digo neste dia:
Também vós, moços e moças que viveis em
mantende viva a alegria, sinal do coração jovem
ambientes complexos, com diferentes realidades
que encontrou o Senhor. Ninguém vo-la poderá
e situações familiares tão variadas, vos habituastes
tirar (cf. Jo 16, 22). Não vo-la deixeis roubar, cuidai
a ver que nem tudo é branco ou preto, mas que
dessa alegria que tudo unifica no facto de saber-
a vida diária se apresenta numa ampla gama de maio | junho | julho e agosto 2017 | 41
Registro
diferentes tonalidades de cinzento e que isto pode
pensar, viver ou reagir todos do mesmo modo;
expor-vos ao risco de cair numa atmosfera de
mas saber que, independentemente das nossas
relativismo, deixando de lado esta potencialidade
diferenças, todos somos parte de algo de grande
que têm os jovens de compreender a dor daqueles
que nos une e transcende, somos parte deste país
que sofreram. Vós não tendes apenas a capacidade
maravilhoso.
de julgar, assinalar erros, mas também a capacidade
A vossa juventude também vos torna capazes
bela e construtiva de compreender. Compreender
duma coisa muito difícil na vida: perdoar. Perdoar a
que, mesmo por detrás de um erro (porque o erro é
quem nos feriu; é digno de nota ver como não vos
erro, e não se deve mascará-lo), há uma infinidade
deixais enredar por velhas histórias, como olhais
de razões, de atenuantes. Quanto precisa de vós a
de modo estranho quando nós, adultos, repetimos
Colômbia, para se colocar na pele daqueles que, há
histórias de divisão simplesmente porque estamos
muitas gerações, não puderam ou não souberam
presos a rancores. Ajudais-nos neste intento de
fazê-lo, ou não atinaram com o modo justo para
deixar para trás aquilo que nos ofendeu, ajudais-
chegar a compreender!
nos a olhar para a frente sem o obstáculo do ódio,
Para vós, jovens, é tão fácil encontrar-vos. É
porque nos fazeis ver toda a realidade que temos
suficiente um bom café, uma bebida ou qualquer
à nossa frente, toda a Colômbia que deseja crescer
outra coisa como pretexto para suscitar o encontro.
e continuar a desenvolver-se; esta Colômbia
Os jovens encontram-se na música, na arte... Até
que precisa de todos e que nós, os mais velhos,
uma final entre o Atlético Nacional e o América de
devemos entregar a vós.
Cali se torna ocasião para estar juntos! Vós podeis
Por isso mesmo vós, jovens, enfrentais o enorme
ensinar-nos que a cultura do encontro não significa
desafio de nos ajudar a sanar o nosso coração,
42 | Em Família
Registro de nos contagiar com a esperança juvenil que está sempre disposta a conceder aos outros uma segunda oportunidade. Os ambientes de desespero e incredulidade fazem adoecer a alma: são ambientes que não encontram saída para os problemas e boicotam aqueles que procuram encontrá-la, danificam a esperança de que toda a comunidade necessita para avançar. Que as vossas aspirações e projetos oxigenem a Colômbia e a encham de salutares utopias! Só assim encontrareis a coragem de descobrir o país que se esconde por detrás das montanhas: aquele país que transcende os títulos dos jornais e não aparece nas preocupações diárias por estar tão longe; aquele país que não se vê mas que faz parte deste corpo social que precisa de nós. A coragem
“A vossa juventude também vos torna capazes duma coisa muito difícil na vida: perdoar. Perdoar a quem nos feriu; é digno de nota ver como não vos deixais enredar por velhas histórias, como olhais de modo estranho quando nós, adultos, repetimos histórias de divisão simplesmente porque estamos presos a rancores”
de descobrir a Colômbia profunda! Os corações dos jovens sentem-se estimulados perante os
sua misericórdia que permanecem para sempre,
grandes desafios. Quanta beleza natural para
venceu o mal, o pecado e a morte. Basta apenas
ser contemplada, sem necessidade de a espoliar!
ir ao encontro d’Ele. Convido-vos ao compromisso
Quantos jovens como vós precisam da vossa mão
– não ao resultado alcançado – na renovação da
estendida, do vosso ombro para vislumbrar um
sociedade, para que seja justa, estável, fecunda.
futuro melhor!
Daqui vos encorajo a confiar no Senhor, o único que
Hoje quis viver estes momentos convosco. Tenho a certeza de que, em vós, existe o potencial
nos sustenta e encoraja para podermos contribuir para a reconciliação e a paz.
necessário para construir a nação que sempre
Abraço-vos a todos e cada um: aos doentes, aos
sonhamos. Os jovens são a esperança da Colômbia
pobres, aos marginalizados, aos necessitados, aos
e da Igreja; no seu caminhar e nos seus passos,
idosos, aos que estão em casa... a todos; todos estais
vislumbramos os do Mensageiro da Paz, d’Aquele
no meu coração. E peço a Deus que vos abençoe. E,
que traz boas notícias.
por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.
Queridos irmãos e irmãs deste amado país! Dirijo-me agora a todos – crianças, jovens, adultos e idosos – como quem deseja ser portador de esperança; que as dificuldades não vos oprimam, que a violência não vos abata, que o mal não vos vença. Temos fé que Jesus, com o seu amor e a maio | junho | julho e agosto 2017 | 43
Registro
IV Congresso Nacional da AJS Por Elias Orestes Ribeiro
Representei o Centro Universitário Teresa D’Ávila e o VIDES no IV Congresso Nacional da Articulação Juvenil Salesiana, em Brasília-DF. Foram três dias de reunião com mais de 300 jovens das várias regiões do Brasil. Passamos por momentos de enriquecimento espiritual, pessoal , cultural que foram um show do protagonismo juvenil pela organização do evento assumida, com sucesso, pelos jovens. Aprofundamos a espiritualidade salesiana por meio de oficinas de estudo dos capítulos dos princípios norteadores da AJS (Articulação Juvenil Salesiana) onde forma tratados os temas: articulação juvenil Salesiana, a dinâmica do grupo na vida do jovem, a espiritualidade juvenil salesiana, assessor e coordenador na AJS, pastoral juvenil, pastoral juvenil salesiana e um pouco da vida de Dom Bosco e Madre Mazzarelo. Encontramos o Brasil todo em um só espaço: um pouco de cada cultura e experiências diferentes. Mas estávamos unidos pelo mesmo objetivo: o que Dom Bosco e Madre Mazzarelo propunham, a salvação da 44 | Em Família
Registro juventude. Comemoramos os 20 anos da AJS no Brasil, rezamos o terço com as inspetorias e os membros do AcampaBosco. Celebramos, com uma caminhada de aproximadamente 6Km, com cerca de 600 pessoas, seguida pela Celebração Eucarística, a vinda de Dom Bosco, entre o povo brasileiro, por meio da acolhida semelhante a que fica em Turim, na Itália, com a réplica do corpo de Dom Bosco em tamanho real. Participamos da inauguração da cripta que guardará a urna com a relíquia retirada do osso rádio do braço direito de Dom Bosco com o qual abencoava todos que dele se aproximavam. A cripta deverá ser motivo de devoção e peregrinação, como lembra Pe. Natale Vitali, conselheiro regional da América Cone Sul da congregação Salesiana e representante do Reitor-mor, padre Ángel Fernandez Artime. A cripta guardará a relíquia e assinala o marco de uma nova conquista para a Família Salesiana e para o povo brasileiro: o reconhecimento oficial da Igreja como Santuário de Dom Bosco, em Brasília. A Igreja Dom Bosco foi construída como homenagem ao seu sonho profético, ocorrido em 1883, com a profecia de que entre os paralelos 15° e o 20° surgiria uma grande cidade, onde atualmente se situa a cidade de Brasília e o Distrito Federal. Nas palavras do Núncio Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, o santuário deve servir como local de motivação da espiritualidade salesiana onde pessoas irão ser evangelizadas e irão evangelizar com o que lá vivenciarem.S Tivemos a honra de conhecer um pouco da preciosa diversidade cultural de cada região do Brasil (danças, comidas típicas e símbolos) que nos foram apresentados. E como forma diferencial de evangelizar os jovens, usada por Dom Bosco, não faltaram os momentos de Oratório com musicas e danças. Enfim, foram momentos muito enriquecedores que pude presenciar nesse IV° Congresso da AJS, agradeço a todos que me deram essa grande oportunidade. maio | junho | julho e agosto 2017| 45
Registro
A Alegria de ser Salesiana Por Stéphanie Gomes Noviça- BMA
Vivemos agosto, como um tempo forte na Igreja:
Como sabemos, o tempo passa, os cabelos
o mês vocacional. Falar de vocação é falar do
vão ficando brancos, a pele vai mudando, vai-
chamado, de escolhas, de uma opção para toda a
se envelhecendo! Constatamos isso, nas “Irmãs
vida, que se inicia ao pronunciar o primeiro Sim.
vizinhas”. Conviver com elas é uma grande dádiva
Chamo-me Stephanie, atualmente resido em São Paulo – Lapa, estou fazendo a experiência de
de Deus que muito devemos agradecer, pois podemos viver e fazer a comunhão de gerações.
primeiro ano de Noviciado, etapa que antecede a
A comunhão se dá no dia a dia, desde o “Bom
primeira profissão religiosa. Aqui, em São Paulo,
Dia” da Ir. Cecilia; as conversas das Irmãs Heleninha,
o noviciado é localizado no mesmo terreno
Isaura, Margarida; as notícias do Papa sempre
da Comunidade das Irmãs Idosas “Casa Santa
atualizadas pela Irmã Apparecida; as aulas da Irmã
Teresinha”. Nós as chamamos carinhosamente de
Valentina; os cuidados da Irmã Graça; os poemas da
“Irmãs Vizinhas”. Morar ao lado dessa comunidade,
Irmã Clarisse; os belos trabalhos manuais da Ir. Cecy;
nessa etapa formativa é um presente dos céus.
as mensagens sempre profundas da Irmã Aldhayr;
46 | Em Família
Registro os abraços de Irmã Maria do Carmo, até as frutas que Irmã Estherzinha sempre deixa no terceiro andar e tantas outras demonstrações de carinho. A vida de cada uma delas nos fala, cala forte em nossos corações. Aprendemos, com cada gesto: um sorriso, uma pergunta, um abraço, um dizer carinhoso: “no meu tempo não era assim”, devido as oportunidades que temos hoje. Aprendemos com a bondade, a gentileza, a doação, a gratuidade e a grande caridade que elas demonstram, é uma vida de grande testemunho que enriquece nossa caminhada de comunidade. Acredito que, para a nossa formação como noviças, é um grande ganho a presença singela de nossas Irmãs. Elas sempre têm um conselho, uma palavra amiga, uma novidade para contar e também a necessidade de sentirem-se amadas e valorizadas. Será sempre uma bonita relação de troca de experiências para os dois lados. Para nós, uma experiência difícil é a da ‘perda’ de pessoas que aprendemos a amar. Recentemente tivemos a partida da nossa querida Irmã Ruth. É sempre um desafio passar por essas experiências, mas o conforto de saber que estivemos presentes com ela, e com tantas outras que vão passando em nossas vidas, é sempre um consolo. Obrigada pela possibilidade de poder estarmos mais perto dessas nossas Irmãs. Se hoje podemos encontrar o sonho de Dom Bosco e de Madre Mazzarello ainda dando tantos frutos é porque, no passado, muito se doaram, oferecendo o máximo de suas forças e hoje nos sustentam com suas orações.
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Registro
Ir’piti ayiu’u | Obrigada por tudo! Aldiana Moreira Cordeiro | Noviça do 2º Ano É com o coração cheio de sentimento de
Sagrado Coração de Jesus, reservou-me grandes
gratidão e de alegria que chego, a cada uma de
maravilhas, tanto na vida comunitária como
vocês, para dizer-lhes o meu MUITO OBRIGADA!
na missão com os jovens, crianças e junto aos
Obrigada por me proporcionarem a experiência
educadores, pude sentir o amor de Deus, o
do Estágio - “tirocínio” – em minha Inspetoria
quanto Ele nos ama e o quanto nos quer ver
Santa Teresinha, na comunidade( ver o nome);
felizes, portadoras do seu amor em meio aos
pela confiança em mim depositada, nesta busca
mais necessitados, em meio às juventudes.
de concretização do chamado que o Senhor
Assim, concluo meu agradecimento à querida Ir.
me fez e faz, cada dia, para “permanecer em
Helena Gesser, seu Conselho e especialmente às
seu amor”, qualificando minha resposta ao seu
Irmãs da comunidade da Casa Nossa Senhora das
chamado no mundo e para o mundo.
Graças – Noviciado Interinspetorial: Ir. Rosângela
Grata pelas orações, pois por meio delas
Maria Clemente, Ir. Ana Maria Gomes, Ir. Célia
que o Senhor, na sua bondade e misericórdia,
Regina Pinto e demais Irmãs da Inspetoria Santa
me sustenta. O mês de junho, dedicado ao
Catarina de Sena por todo bem que fazem para
48 | Em Família
Registro
minha formação no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. A cada instante digo, com intensidade e com profundidade, o “OBRIGADA” para que o vento leve e espalhe por todo canto do mundo este sentimento que brota no mais profundo de meu coração. Que o tempo testemunhe, dizendo que eu não passei por esta Inspetoria somente por “passar” e sim passei, por ela e nela, escrevendo a minha história, história de que é possívelração aconteça em nossos corações. Ir’piti ayiu’u – Grazie per tutti Que o Senhor as abençoe derramando sobre você, Ir. Helena Gesser e a cada uma das Irmãs, muitas graças, principalmente aquelas que mais precisam. Maria nossa Mãe Auxiliadora e Educadora caminhe lado a lado na missão confiada a vós. Com carinho e gratidão,
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É Festa
Celebrando a vida - Aniversariantes SETEMBRO 02. Lucia Maistro 06. Fabiana Florêncio Cavalcante 07. Silvana Soares 08. M. Genoveva Corrêa 10. Monaliza Carolina M. Bernardino 12. Célia Apparecida da Silva 14. Aparecida Geralda de Freitas 15. Iraydes Corrêa 17. Manoracy Medeiros 19. Ana Francisca Azevedo 22. Iracy Corrêa 25. Paola Battagliola (Conselheira Visitadora) 26. Ondina S. Lima - Maria Helena Moreira (Cons. Geral – Comunic.) 29. Ingrid Stéphanie Gomes Pinto (nov.) 30. Cecy Lazzarini OUTUBRO
02. Maria Silva (Mariucha) 06. Maria Aparecida Almeida 07. M. Bernardina Gonçalves 08. Anna Bello Soares 10. Glória Castanheira – Rosana M. Cavalcante 11. Maria Dirce Martins 12. Alzira Mateus de Lima – Maria Gazzetto Metka Kastelic 15. Theresinha Castro 19. Terezinha dos Santos 21. Elena Beretti – Josefina Fortunato 22. Clarice Quereguini
23. M. Rosário L. Cintra – Maria Izabel Ferreira 25. Célia Maria Moreli 27. Maria Nieves Reboso – (Cons. Geral – Formação) 28 Nair Pasqualini 31. Maria Auxiliadora V. Grande 20. Lucy Rose Ozhkayil – Conselheira Visitadora 23. Ilza M. Beinotti – Maria da Conceição Silva 24. Phyllis Neves – (Conselheira Visitadora) 27. Maria da Glória Moreira 31. Aldina Andreazza NOVEMBRO 01. Bruna de Paula Elias (post.) 02. Aparecida de Fátima Barboza – Chen Huimin 05. Aldahyr de Bortoli – Mirian Morotti Rosângela Maria Clemente 07. Esther Venturelli – Fátima Aparecida Peixoto 08. Beatrice Dallabona 12. Ivone Brandão de Oliveira 15. Célia Regina Querido 17. Augenir Marin 20. Silvania Cássia Pereira 22.Cecilia Vassalo Grande 25. Nilza Fátima de Moraes 26. Lourdes Nunes dos Reis 28. Gisele Rodrigues Coelho Ana Maria Gomes Cordeiro 30. Flávia Maria Romeiro
LEMBRANÇA + 14 de agosto, Ir. Ruth Dias + 18 de julho, Sra. Antonia, tia da de Ir. Adair Sberga + 26 de junho, Ir. Edméa Beatriz Battaglia + 26 de junho, Sra. Maria Aurora Oliveira, tia da Ir. Auxiliadora Barros. + 17 de maio de janeiro, Fernanda, sobrinha de Ir. Helena Gesser + 07 de maio, no Rio de Janeiro, a Sra. Huguetta Portella, prima de Ir. Rosalba + 21 de abril , cunhada da Ir. Nair Paschoalini,
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Programe-se
PROGRAME-SE
Memória da Partida da Primeira Expedição Missionária das FMA “Dom Bosco sorri, fala, conforta. Pe. Cagliero tenta manter todos alegres com a promessa de punhados de almas e de um próximo até à vista. Mas no final é preciso mesmo descer. Salesianos e Irmãs se ajoelham ao redor de Dom Bosco e o Pai levanta a mão para abençoar. Os olhos do Fundador estão cheios de lágrimas, ele se apressa em direção à escadinha para limpar, sem ser visto,o pranto que não consegue segurar e a mão lhe treme tanto que, ao recolocar no bolso o lenço, deixa-o cair. Então, Ir. Borgna, rapidíssima, o substitui com outro limpo, enquanto beija devotamente o que está molhado de lágrimas do Pai: sabe que são lagrimas de um Santo. Aquele lenço enxugará depois lágrimas na América...” “Da ponte o grupo comovido saúda: Dom Bosco dirige um último longo olhar, Madre Mazzarello com esforço segura o pranto. Pe. Cagliero gostaria de dizer alguma brincadeira para elevar os ânimos, mas não consegue. A um certo momento chega do mar uma onda sonora: é Pe. Costamagna no piano que acompanha o coro das missionárias: Eu quero amar Maria! O canto se perde distante” (Cronistória, Vol. II, p. 289-90).
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140º Aniversário da primeira expedição missionária das FMA O logótipo comemorativo do 140º aniversário da primeira expedição missionária foi desenvolvido pela Irmã Angela Marzorati (Casa Geral RM). Os elementos que o caracterizam são:
- O número 140 indica o aniversário da primeira expedição missionária. - As cores azul e rosa indicam as cores da bandeira Salesiana. - As estrelas indicam o Cruzeiro do Sul - Maria Stella Maris. - A linha curva evoca o arredondamento do horizonte mundial da missão.